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<p><bold>VIOLÊNCIA POLICIAL NO BRASIL: FATORES SOCIOECONÔMICOS
ASSOCIADOS À PROBABILIDADE DE VITIMIZAÇÃO</bold></p>
<p><bold>Evandro Camargos Teixeira</bold></p>
<p>Possui doutorado em Economia Aplicada pela ESALQ/USP, mestrado em
Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e
graduação em Economia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Atualmente, é Professor Associado II do Departamento de Economia da UFV
e trabalha com Desenvolvimento Econômico, particularmente com os
seguintes temas: criminalidade, saúde, educação e pobreza.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Viçosa</p>
<p><bold>Email:</bold> evandro.camargos@gmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-6470-2103</p>
<p><bold>Stéffany Costa Jardim</bold></p>
<p>Graduanda em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Viçosa,
bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq e aluna pesquisadora
vinculada ao CNPq.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Viçosa</p>
<p><bold>Email:</bold> steffanyjardim1999@gmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-7561-6606</p>
<p><bold>Pedro Rodrigues Oliveira</bold></p>
<p>Mestrando em Economia Aplicada na Universidade de São Paulo.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> São Paulo
<bold>Cidade:</bold> Piracicaba</p>
<p><bold>Email:</bold> p.rodrigues.eu73@gmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-6630-9666</p>
<p><bold>Patrick Allan Ferreira Alves</bold></p>
<p>Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Viçosa.
Mestrando em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> João Monlevade</p>
<p><bold>Email:</bold> patrickallan.ferreira@hotmail.com
<bold>Orcid:</bold> https://orcid.org/0000-0001-9507-8545</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold> artigo baseado no trabalho de
conclusão de curso de Patrick Allan Ferreira Alves, sob orientação de
Evandro Camargos Teixeira, com subsequentes adequações e contribuições
dos coautores Stéffany Costa Jardim e Pedro Rodrigues Oliveira em todas
as seções.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>O objetivo do presente estudo é analisar a probabilidade de
vitimização da violência cometida por policiais no Brasil. Para tal,
utiliza-se um modelo Probit para estabelecer relações de probabilidade
de os indivíduos serem vítimas mediante alguns fatores socioeconômicos,
tais como sexo, raça, escolaridade, idade, renda e local de moradia. Os
principais resultados denotam que indivíduos do sexo masculino, pretos
ou pardos, que moram em áreas urbanas e possuem baixo nível de
escolaridade têm maior probabilidade de serem vítimas da violência
policial, enquanto o nível de renda e a região federativa de moradia não
foram fatores significativos.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Violência policial. Vitimização.
Probit.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>POLICE VIOLENCE IN BRAZIL: SOCIOECONOMIC FACTORS
ASSOCIATED WITH THE PROBABILITY OF VICTIMIZATION</bold></italic>
The aim of the present study is to analyze the probability of
victimization of violence committed by police in Brazil. For this, a
Probit model is used to establish probability relationships for
individuals to be victims through some socioeconomic factors, such as
sex, race, education, age, income and place of residence. The main
results show that male individuals, black or brown, who live in urban
areas and have a low level of education are more likely to be victims of
police violence, while the level of income and the federal region of
residence were not significant factors.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Police violence. Victimization. Probit.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 08/02/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 04/06/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v.16.n3.1421</p>
<sec id="introdução">
  <title><bold>Introdução</bold></title>
  <p>A violência no Brasil é um fenômeno bastante expressivo que aflige
  toda a sociedade. De acordo com o <italic>Atlas da Violência de
  2020</italic> (IPEA, 2020), em 2018 ocorreram no país 57.956
  homicídios, o que corresponde a uma taxa de 27,8 homicídios por
  100.000 habitantes. Mesmo representando a menor taxa em quatro anos, o
  Brasil ainda ocupava naquele ano a 13ª posição entre os países com
  maiores taxas de homicídios no mundo, segundo o Instituto Igarapé
  (2018).</p>
  <p>Inclusos nessas estatísticas criminais estão os homicídios
  perpetrados pelas forças policiais brasileiras que, de acordo com o
  relatório da Anistia Internacional (2015), corresponde a polícia que
  mais mata no mundo. Nesse sentido, segundo o <italic>Anuário
  Brasileiro de Segurança Pública</italic> (FBSP, 2020), no ano de 2019,
  o número de mortes decorrentes de intervenções policiais no Brasil
  chegou a 6.375 ocorrências, maior número da série história do Fórum
  Brasileiro de Segurança Pública, que começou a mensurar tais
  ocorrências no ano de 2013. Para se ter uma ideia, do início dos
  registros de ocorrências até 2019 somaram-se 30.637 homicídios
  perpetrados por policiais. Os dados mais recentes para o primeiro
  semestre de 2020 já apontam 3.181 mortes em decorrência de ação
  policial, um número 6% maior do que aquele registrado no primeiro
  semestre do ano anterior.</p>
  <p>As vítimas de tais homicídios, entretanto, são sobrerrepresentadas
  em determinados grupos. Homens correspondem a 99,2% dos indivíduos
  vítimas de homicídios cometidos por policiais e no que se refere à
  cor/raça, 79,1% das vítimas eram pretas e pardas. Além disso, jovens
  de 15 a 29 anos, em especial aqueles entre 20 e 24 anos, morrem em
  maior proporção do que os demais indivíduos de outras faixas etárias
  (FBSP, 2020).</p>
  <p>Essa modalidade de violência não é um fenômeno recente.
  Historicamente, no Brasil, o uso violento da força policial se
  consolidou como um mecanismo de controle político durante a ditadura
  militar, especificamente contra aqueles que se opunham ao regime. Ao
  findar o mesmo, a violência policial com fins políticos deixou de
  existir de maneira explícita, no entanto, a prática da violência
  permanece, passando a ser utilizada como ferramenta de controle
  social, principalmente da criminalidade (MESQUITA NETO, 1999).</p>
  <p>Nesse sentido, ao exercer o controle da criminalidade, a polícia
  encarrega-se de transmitir a sensação de segurança aos cidadãos dentro
  de delimitado território, sendo fundamental que esta tenha a confiança
  dos cidadãos de que sua atuação está de acordo com a Lei (HOLLANDA,
  2005). As sensações de segurança e confiança no trabalho policial
  estão conectadas com os valores culturais e sociais, que se combinam
  com as instâncias de mediação social (CASTRO, 2013). Esses valores
  tenderão a ser absorvidos pela polícia e terão implicações na
  determinação de seus comportamentos desviantes, bem como na tolerância
  social para estes comportamentos.</p>
  <p>Em uma sociedade cujos índices de criminalidade são elevados é
  “lugar-comum” o apelo às soluções simplistas e radicais por parcela
  considerável da população, como a aprovação social de uma polícia
  brutal, com poderes discricionários e abusivos em direção a segmentos
  sociais considerados perigosos. Esse apelo popular pode ser explorado
  oportunisticamente por políticos que buscam eleição ou reeleição,
  afetando o senso de autoridade do policial. De acordo com Silva
  (2011), os policiais assumem a função de mantenedores da ordem pública
  a qualquer preço, decidindo com autonomia e quase sem supervisão como
  deve ser exercida sua função social. Por outro lado, Silva (2011) e
  Mesquita Neto (1999) apontam que a violência policial também gera
  desconfiança e frustração em relação às expectativas da população
  sobre a segurança pública, o que leva a avaliação negativa da atuação
  desses agentes.</p>
  <p>Especificamente no caso da violência policial, alguns estudos têm
  analisado suas causas e proposto políticas preventivas, enquanto
  outros analisam as consequências de tal fenômeno em relação aos custos
  implicados, uma vez que tal modalidade de violência, além do custo
  direto impingido às vítimas e às suas famílias, traz repercussões
  indiretas à economia e consequentemente ao produto nacional, na medida
  em que provoca perda de capital humano, que poderia ser uma
  contribuição para o país em termos de crescimento econômico. Nesse
  sentido, um(a) jovem que perde a vida ou tem sua saúde física e/ou
  psíquica debilitada como consequência da violência policial não poderá
  contribuir de forma efetiva no processo de crescimento econômico.
  Assim, alguns estudos, como o de Lumsden (2017), têm sido realizados
  para contabilizar esses custos.</p>
  <p>A fim de contribuir para a literatura existente, o presente estudo
  tem como objetivo central verificar quais as características
  individuais, isto é, as características socioeconômicas e demográficas
  associadas aos indivíduos, que elevam a probabilidade de uma pessoa
  ser vítima de violência policial. Esta análise servirá de embasamento
  para refletir sobre a problemática da violência policial, ao apontar
  quais são os grupos mais vulneráveis, bem como fomentar a elaboração
  de políticas públicas que visem diminuí-la.</p>
  <p>Para tal, este trabalho é composto de cinco partes, além desta
  introdução. A segunda objetiva apresentar os principais estudos
  referentes aos fatores relacionados à vitimização em função da
  violência policial. A terceira compromete-se a discorrer sobre a
  metodologia, bem como sobre a base de dados utilizada. A quarta conta
  com a análise descritiva e econométrica dos resultados, além de
  realizar a discussão dos mesmos mediante a literatura que concerne o
  tema. Por fim, a última parte apresenta as considerações finais.</p>
</sec>
<sec id="evidências-teóricas-e-empíricas">
  <title><bold>Evidências teóricas e empíricas</bold></title>
  <p>Existe uma vasta discussão na literatura acerca da violência
  policial, que busca identificar quais fatores socioeconômicos podem
  estar relacionados com o nível de incidência de tal fenômeno. Fatores
  como renda, raça, sexo e nível de escolaridade são apontados comumente
  como aspectos que fazem o nível de violência policial se manifestar em
  maior ou menor grau. Dessa forma, torna-se importante averiguar a
  contribuição desses trabalhos e quais são as lacunas no estudo da
  temática.</p>
  <p>Alguns autores buscaram explicar a ocorrência da violência policial
  tendo como base teorias existentes, como Snyder (2013). O autor
  levanta duas hipóteses para explicar a ocorrência de violência
  policial, sendo uma hipótese econômica e a outra, racial. De acordo
  com o autor, indivíduos residentes em áreas com maior nível de
  desigualdade de renda tendem a sofrer mais violência policial (neste
  estudo representada por homicídios cometidos por agentes policiais em
  serviço), uma vez que em tais locais ocorrem mais conflitos sociais
  que demandam maior ação da polícia, consequentemente aumentando a
  probabilidade do uso fatal da força. A segunda hipótese propõe que em
  localidades com maior concentração de população não branca haverá
  maior incidência de violência policial, dado que a força policial será
  empregada para realizar o controle social em prol dos interesses do
  <italic>status quo</italic>, composto hegemonicamente por indivíduos
  brancos. O autor observou que em sua amostra a hipótese racial é
  fator-chave para explicar a probabilidade de os indivíduos sofrerem
  violência policial, assim como encontrado por Fryer Jr. (2016).</p>
  <p>Com relação aos resultados, a hipótese econômica apresentou
  resultados opostos aos esperados, sendo que uma possível explicação
  para a desigualdade influenciar negativamente a ocorrência de
  violência policial pode estar relacionada ao fato de que esta possui
  um poder “desempoderador”, fazendo com que as elites não se sintam
  ameaçadas por grupos “desempoderados”, reduzindo a necessidade de
  aplicação de controle social em tais áreas.</p>
  <p>Entretanto, ao analisar as regiões urbanas dos Estados Unidos,
  utilizando-se também da Teoria do Conflito, Dirlam (2013) conseguiu
  encontrar resultados similares aos esperados por Snyder (2013). O
  autor objetivou identificar se a desigualdade econômica e racial atua
  como fator explicativo do nível de força policial nos EUA. Os
  resultados indicaram que regiões com maior nível de desigualdade
  econômica recebem maior contingente de policiais para patrulha
  ostensiva, assim como gastos mais elevados com segurança. Logo, a
  maior presença de policiais aumenta a probabilidade de conflitos, o
  que pode ter como consequência mais incidência de violência policial.
  Além disso, a presença mais elevada de população não branca também é
  apontada pelo autor como determinante do efetivo policial de uma
  localidade. Entretanto, verificou-se que a desigualdade econômica
  possui maior efeito sobre a mudança no efetivo policial do que a
  desigualdade racial. Aliás, essa forma de desigualdade,
  especificamente de renda, é um elemento comumente relacionado à
  violência policial, uma vez que a vigilância policial mostra-se mais
  incisiva sobre os cidadãos pertencentes às classes econômicas com
  menor poder aquisitivo em detrimento àqueles indivíduos de classe
  econômica mais elevada, como aponta Bretas (1997).</p>
  <p>Para o caso brasileiro, Beato, Peixoto e Andrade (2004), em seu
  estudo para o município de Belo Horizonte/MG, corroboraram as
  hipóteses econômicas e raciais de Snyder (2013) como fatores
  relacionados à vitimização por parte da polícia. Entretanto, os
  autores ressaltam que não apenas a raça e a renda afetam as
  probabilidades de vitimização. Assim, indivíduos com menores níveis
  educacionais, assim como homens e jovens, também são mais propensos a
  serem vitimados pela polícia.</p>
  <p>Paes-Machado e Noronha (2002) encontraram resultados similares para
  o município de Salvador/BA, evidenciando que a receptividade da
  própria população em relação à violência de modo geral é um fator
  importante para a probabilidade de vitimização de seus moradores por
  violência policial.</p>
  <p>Outros fatores como o estado civil do indivíduo, sua religião,
  gênero e idade também podem explicar a probabilidade de vitimização,
  por influenciarem a exposição às situações de conflito. Segundo
  Madalozzo e Furtado (2011), como evidenciado na Teoria do Estilo de
  Vida, pessoas casadas possuem menor probabilidade de serem vitimadas
  devido a sua menor exposição a fatores de risco. Assim, a maior
  exposição ao risco, como frequentar lugares públicos ou portar armas,
  pode influenciar positivamente a probabilidade de vitimização em
  situações conflituosas que podem desencadear em mortes.</p>
  <p>Nesse sentido, Sinhoretto, Silvestre e Schlittler (2014) ilustraram
  o perfil das vítimas de violência policial ao estudarem o estado de
  São Paulo entre 2009 e 2011, corroborando os trabalhos anteriores
  quanto aos fatores relacionados à vitimização. As autoras concluíram
  que os indivíduos que mais sofrem violência policial são homens (97%),
  negros (61%) e jovens entre 15 e 29 anos de idade (78%). Além disso,
  foi possível ainda verificar que indivíduos negros possuem maior
  probabilidade (54,1%) de serem presos em flagrante, suscitando o
  questionamento de que a raça está sendo utilizada pela polícia como um
  elemento para caracterizar indivíduos como suspeitos,
  independentemente de haver outras evidências (BRUNSON; MILLER,
  2006).</p>
  <p>Por outro lado, observando-se o fenômeno da violência policial pela
  ótica da polícia, é possível elencar outros fatores relacionados à
  probabilidade de vitimização. Nesse sentido, Castro (2013) apontou que
  uma variável explicativa da violência cometida pela polícia militar é
  a orientação política do governador do estado em que a mesma opera.
  Nesse caso, governadores com orientações políticas à direita são mais
  permissivos com o uso excessivo da força pela instituição da policial
  militar.</p>
  <p>Bueno (2018) discorre ainda que ao contrário do caráter transitório
  que o cargo de governador possui, a doutrina da própria polícia
  militar é determinante para o uso excessivo da violência pela
  instituição, conservando e retroalimentando desde o fim da ditadura
  militar valores que pregam a violência como medida de eficiência no
  exercício da profissão.</p>
  <p>Além de tais fatores estruturais, Eitle, D’Alessio e Stolzenberg
  (2014) apontam características organizacionais da polícia como tendo
  significativa influência sobre a ocorrência da violência policial. A
  elevada demanda por trabalho e a ausência de órgãos de controle
  interno podem influenciar positivamente a ocorrência de transgressões
  fatais de conduta, uma vez que elevam as probabilidades de conflito e
  diminuem as de responsabilização.</p>
  <p>Diante do exposto, torna-se importante averiguar de que forma a
  violência policial se manifesta no contexto brasileiro. A partir dos
  dados do suplemento de Vitimização da PNAD, é possível analisar quais
  fatores socioeconômicos são relevantes para a probabilidade de um
  indivíduo ser vitimado e verificar se este fenômeno se manifesta de
  forma homogênea nas regiões brasileiras ou não. Adicionalmente, o uso
  de dados do suplemento de Vitimização da PNAD permite verificar um
  panorama que é oculto dentro das estatísticas oficiais, dada a elevada
  subnotificação de registros oficiais de vitimização por agentes
  policiais. Com os resultados, será possível propor ações que objetivem
  mitigar a violência policial no Brasil.</p>
</sec>
<sec id="metodologia">
  <title><bold>Metodologia</bold></title>
  <p>Para analisar a probabilidade de vitimização de violência policial,
  faz-se necessário apresentar um método adequado condizente com esta
  temática, bem como explicitar a base de dados utilizada. Para tal,
  esta parte será subdividida em duas, onde serão apresentados o modelo
  econométrico utilizado e a fonte e o tratamento dos dados.</p>
  <sec id="modelo-probit">
    <title><bold>Modelo Probit</bold></title>
    <p></p>
    <p>Para avaliar a probabilidade de vitimização em função da
    violência policial, estimar-se-á como as características individuais
    e domiciliares afetam a probabilidade de os indivíduos afirmarem
    positivamente terem sido agredidos pela polícia. Para tanto,
    optou-se pelo modelo Probit, que é uma ferramenta adequada para
    estimação quando a variável dependente é dicotômica, ou seja, assume
    valor igual a 1, caso o evento ocorra e valor 0, caso contrário.
    Especificamente neste estudo, a variável dependente assume valor
    igual a 1 se o indivíduo foi vítima de violência policial no período
    de referência de 365 dias. Dessa forma, o modelo Probit apresenta
    vantagem ao fornecer uma visão mais tangível da diferença entre os
    indivíduos em relação à probabilidade de serem vítimas de violência
    policial. Além disso, de acordo com Gujarati (2011), os modelos
    Logit e Probit são bastante similares, apenas diferindo em termos da
    função de distribuição, que no primeiro é a logística e no segundo,
    a normal, e este fato faz com que a probabilidade condicional no
    modelo Probit se aproxime de 0 ou 1 com mais rapidez. Assim, o
    modelo estima a probabilidade de vitimização com base na
    distribuição normal-padrão acumulada, conforme apresentado em Greene
    (2003) e Wooldridge (2003):</p>
    <p><inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\text{Pr\ }\left( y_{i} = 1|x_{i} \right)\  = \phi\left( z \right)dz = \Phi\left( \beta \right)\ onde:\  = \frac{1}{}\ e^{\left( \frac{{- z}^{2}}{2} \right)}\text{\ \ }]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">Pr </mml:mtext><mml:mspace width="0.333em"></mml:mspace></mml:mrow><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:msub><mml:mi>y</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo stretchy="false" form="prefix">|</mml:mo><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>ϕ</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>Φ</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:mi>β</mml:mi><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mo>:</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo>=</mml:mo><mml:mfrac><mml:mn>1</mml:mn><mml:mrow></mml:mrow></mml:mfrac><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msup><mml:mi>e</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:mfrac><mml:msup><mml:mrow><mml:mo>−</mml:mo><mml:mi>z</mml:mi></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup><mml:mn>2</mml:mn></mml:mfrac><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:msup><mml:mrow><mml:mspace width="0.333em"></mml:mspace><mml:mtext mathvariant="normal">  </mml:mtext><mml:mspace width="0.333em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
    (1)</p>
    <p>Em que Pr (<italic>y<sub>i</sub></italic> =
    1|<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[x_{i}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>)
    representa a probabilidade de ocorrência de agressão por um policial
    para o indivíduo i dadas as características individuais captadas por
    <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[x_{i}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>;
    <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\phi(z)]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>ϕ</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
    é a função de distribuição acumulada de probabilidade normal-padrão;
    <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[X_{i}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>X</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
    o vetor de variáveis explicativas; β são os coeficientes das
    variáveis independentes; <italic>z</italic> representa as variáveis
    normais padronizadas.</p>
    <p>Ainda, para que a análise possa ser realizada é necessário
    estimar os efeitos marginais das variáveis contínuas e binárias, uma
    vez que o exame direto dos coeficientes não é o método mais
    apropriado para interpretação dos resultados. Os efeitos marginais
    são calculados da seguinte forma:</p>
    <p><italic>EMx</italic> = <italic>f(X<sub>i</sub>𝛽</italic>). 𝛽𝑥
    (2)</p>
    <p><italic>𝐸𝑀𝑥𝑘</italic> = 𝑃[(D𝑖 = 1⁄𝑥𝑘 = 1)] − 𝑃[(D𝑖 = 1⁄𝑥𝑘 = 0)]
    (3)</p>
    <p>É possível perceber que os efeitos marginais são calculados na
    média da amostra. Na equação (2), para variáveis contínuas, tem-se
    que 𝐸𝑀𝑥 é o efeito marginal de X, 𝑓(𝑋𝑖𝛽) é a função de densidade de
    probabilidade normal padrão e 𝛽𝑥 é o coeficiente. Por outro lado, a
    equação (3), para variáveis discretas, evidencia que 𝐸𝑀𝑥𝑘 é o efeito
    marginal da variável binária 𝑥𝑘, onde 𝑃[(D𝑖 = 1⁄𝑥𝑘 = 1)] é a
    probabilidade de o indivíduo ser agredido pela polícia quando 𝑥𝑘 =
    1; e 𝑃[(D𝑖 = 1⁄𝑥𝑘 = 0)] é a mesma probabilidade quando 𝑥𝑘 = 0. Em
    síntese, o efeito marginal denota a alteração em pontos percentuais
    na probabilidade de o indivíduo ser vítima de violência
    policial.</p>
    <p>Para a estimação do modelo Probit e de seus efeitos marginais, o
    modelo a ser estimado é descrito abaixo, onde as variáveis
    explicativas inseridas tiveram como critério de seleção a literatura
    referente ao tema:</p>
    <disp-quote>
      <p><italic>Violpol</italic> = <italic>β<sub>1</sub></italic> +
      <italic>β<sub>2</sub>Renda</italic> +
      <italic>β<sub>3</sub>Raça</italic> +
      <italic>β<sub>4</sub>Idade1</italic>+
      <italic>β<sub>5</sub>Idade3</italic> + <italic>β6Idade4</italic> +
      <italic>β7Idade5</italic> + <italic>β8Sexo</italic> +
      <italic>β9Educação1</italic> + <italic>β10Educação3</italic> +
      <italic>β<sub>11</sub>Educação4</italic> +
      <italic>β<sub>12</sub>Educação5</italic>
      +<italic>β<sub>13</sub>Educação6</italic> +
      <italic>β<sub>14</sub>Sul</italic> +
      <italic>β<sub>15</sub>Sudeste</italic> +
      <italic>β<sub>16</sub>Centro</italic> +
      <italic>β<sub>17</sub>Nordeste</italic> +
      <italic>β<sub>18</sub>Divorciado</italic> +
      <italic>β<sub>19</sub>Viuvo</italic> +
      <italic>β<sub>20</sub>Solteiro</italic> +
      <italic>β<sub>21</sub>Urb<sub>i</sub></italic> + µ<sub>i</sub>
      (4)</p>
    </disp-quote>
    <p>Em que <italic>Violpol</italic> é uma variável dependente binária
    que assume valor igual a 1, caso o indivíduo tenha sofrido violência
    policial e valor igual a 0, caso contrário; βj (j = 1 a 21) são os
    parâmetros a serem estimados; <italic>Renda</italic> denota os
    rendimentos mensais de todas as fontes auferidas pelo indivíduo, que
    podem variar de R$ 0 a R$ 20.000; <italic>Raça</italic> é uma
    variável <italic>dummy</italic> que assume valor igual a 1 caso o
    indivíduo seja preto ou pardo, e 0 caso seja branco;
    <italic>Idade1</italic> designa indivíduos entre 15 a 24 anos de
    idade, isto é, entre a adolescência e o início da vida adulta;
    <italic>Idade2</italic> (considerada como referência) compreende
    indivíduos entre 25 e 34 anos; <italic>Idade3</italic> entre 35 e 44
    anos; <italic>Idade4</italic> entre 45 e 54 anos;
    <italic>Idade5</italic> para indivíduos que estejam entre 54 e 65
    anos; <italic>Sexo</italic> assume valor igual 1 caso o indivíduo
    seja do sexo masculino, e 0 caso seja do sexo feminino;
    <italic>Educação1</italic> denota indivíduos que não possuem nenhum
    grau de instrução formal; <italic>Educação2</italic> (considerada
    como referência) aponta aqueles que possuem Ensino Fundamental
    incompleto; <italic>Educação3</italic> os que possuem Ensino
    Fundamental completo; <italic>Educação4</italic> compreende aqueles
    que possuem Ensino Médio incompleto; <italic>Educação5</italic> os
    que completaram o Ensino Médio; <italic>Educação6</italic> aqueles
    que possuem Ensino Superior incompleto; <italic>Urb</italic> é uma
    variável binária que indica a localização do domicílio, assumindo
    valor igual a 1 para urbano e 0 para rural; as variáveis
    <italic>dummies</italic> <italic>Casado</italic> (considerada como
    referência), <italic>Solteiro</italic>, <italic>Divorciado</italic>
    e <italic>Viúvo</italic> indicam o estado civil dos indivíduos; já
    as variáveis <italic>dummies</italic> <italic>Sudeste</italic>,
    <italic>Sul</italic>, <italic>Centro</italic>,
    <italic>Nordeste</italic> e <italic>Norte</italic> (considerada como
    referência) denotam a região federativa na qual os indivíduos
    residem; µi é o termo de erro aleatório, com média 0 e variância
    u².</p>
    <p>Em relação aos efeitos esperados das variáveis explicativas
    utilizadas no modelo sobre a probabilidade do indivíduo ser agredido
    pela polícia, conjectura-se, <italic>a priori</italic>, um
    relacionamento negativo entre essa e o nível de renda. Ou seja,
    indivíduos que possuem nível de renda mais elevado tendem a ter mais
    credibilidade em denúncias de abusos policiais, assim como a viver
    em bairros nobres, onde a atividade repressora da polícia é mínima,
    conforme atesta Gabaldón e Birbeck (2000), que estudaram a carência
    dos meios pelos quais os moradores de regiões periféricas poderiam
    ser ouvidos pelas autoridades.</p>
    <p>No que tange à raça, espera-se, seguindo-se Snyder (2013), que a
    relação seja positiva, isto é, que indivíduos não brancos apresentem
    maior probabilidade de serem agredidos em relação aos brancos, em
    função dos estereótipos de raça existentes e pelo fato de que
    indivíduos não brancos tendem a ser maioria nos bairros periféricos,
    à margem das instituições formais.</p>
    <p>Em relação ao sexo e à idade, espera-se que indivíduos do sexo
    masculino e jovens situados na faixa etária de 15 a 24 anos (Idade1)
    e de 25 a 34 anos (Idade2) apresentem probabilidade mais elevada,
    pois são vistos com maior poder de periculosidade pelas instituições
    policiais e possuem maior probabilidade de resistência às suas
    ações, quando comparados a indivíduos do sexo feminino ou situados
    nas faixas etárias subsequentes, conforme Bueno (2018). Ademais,
    adolescentes e jovens adultos tendem a circular mais e por mais
    tempo nas cidades em relação a indivíduos mais velhos, que tendem a
    já possuir famílias estabelecidas e passarem mais tempo em seus
    respectivos domicílios, o que diminuiria as chances de serem
    agredidos pela polícia, de acordo com Beato, Peixoto e Andrade
    (2004). Desse modo, espera-se que a probabilidade diminua à medida
    em que aumenta a faixa etária considerada, de forma que indivíduos
    que estejam na faixa etária entre 35 e 44 anos (Idade3), 45 e 54
    anos (Idade4) e 55 e 65 anos (Idade5), situados entre a fase adulta
    mais madura até a velhice, apresentem probabilidades menores de
    sofrerem violência policial, possuindo assim uma relação negativa
    com a variável que será utilizada como referência de análise
    (Idade2).</p>
    <p>Quanto ao estado civil dos indivíduos, optou-se pela utilização
    da variável Casado como referência de análise. Espera-se que
    Solteiros, Divorciados e Viúvos apresentem maior probabilidade de
    vitimização por policiais, em função da maior exposição desse grupo
    em espaços públicos. Por sua vez, os Casados, ao permanecerem mais
    tempo em suas residências, ficariam menos sujeitos aos contatos que
    possibilitam tais crimes, conforme Beato, Peixoto e Andrade
    (2004).</p>
    <p>Quanto ao nível educacional, optou-se por tomar a variável
    Educação2 (Ensino Fundamental incompleto) como referência, a partir
    da qual se espera que indivíduos com menos escolaridade, isto é, que
    não possuem educação formal (Educação1) apresentem maior
    probabilidade de vitimização em função dos menores rendimentos a que
    tendem a auferir, enquanto se espera que indivíduos mais
    escolarizados (Educação3, Educação4, Educação5 e Educação6)
    apresentem menor probabilidade de vitimização em função da tendência
    a pertencerem a classes sociais mais elevadas (GABALDÓN; BIRBECK,
    2000).</p>
    <p>Quanto ao coeficiente estimado para a variável urbana, espera-se
    que ele seja positivo, pois maior concentração humana e desigualdade
    social nos centros urbanos em relação às zonas rurais fazem com que
    nos primeiros haja a criação de ambientes mais suscetíveis à
    atividade repressora da polícia (SILVA, 2011).</p>
    <p>Por fim, no que concerne à região federativa onde o indivíduo
    reside, espera-se que as regiões Norte (considerada como referência)
    e Nordeste se sobressaiam, devido ao fato destas serem as mais
    violentas do país, o que é comprovado através do <italic>Atlas da
    Violência</italic> (IPEA, 2020). O índice de violência geral tende a
    estar fortemente correlacionado ao subconjunto da violência
    policial, conforme o relatório da Anistia Internacional (2015).</p>
  </sec>
  <sec id="fonte-e-tratamento-dos-dados">
    <title><bold>Fonte e tratamento dos dados</bold></title>
    <p>Os dados utilizados para a consecução deste trabalho foram
    extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD),
    realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
    (IBGE) de 2009 (BRASIL, 2009). Naquele ano, houve o mais recente
    Suplemento de Vitimização e Justiça no qual foram realizadas
    perguntas relacionadas à violência policial aos indivíduos
    participantes da amostra. Ademais, a PNAD representa uma importante
    e confiável fonte de dados para estudos relacionados à população
    brasileira que abrange todo o território nacional.</p>
    <p>Como fatores que asseguram a expansão e a representatividade da
    amostra, tem-se que os dados da PNAD incorporam os elementos que
    caracterizam um plano amostral complexo, a saber, estratificação,
    conglomeração e probabilidades desiguais de seleção em um ou mais
    estágios, e ajustes dos pesos amostrais.</p>
    <p>Além disso, consideraram-se indivíduos na faixa etária entre 15 e
    65 anos de idade impactados por algum tipo de agressão no período de
    referência de 365 dias, onde perguntou-se quem foi o perpetrador da
    última agressão sofrida, sendo “policial” uma das alternativas
    disponíveis, juntamente a alternativas como cônjuges, ex-cônjuges,
    parentes, pessoas desconhecidas etc.</p>
  </sec>
</sec>
<sec id="resultados">
  <title><bold>Resultados</bold></title>
  <p>Nesta seção, serão apresentados os principais resultados deste
  trabalho. Para melhor compreensão da composição dos dados,
  inicialmente, serão apresentadas as estatísticas descritivas e, em
  seguida, serão analisados os resultados econométricos, com o objetivo
  de estimar o efeito dos fatores socioeconômicos considerados sobre a
  probabilidade de vitimização pela polícia.</p>
  <sec id="análise-descritiva">
    <title><bold>Análise descritiva </bold></title>
    <p>Esta etapa descreve o perfil dos indivíduos que responderam ao
    questionamento relativo à violência policial na amostra,
    separando-os de acordo com suas características socioeconômicas e
    demográficas. Nesse sentido, foram analisadas as principais
    características dos indivíduos vitimados por violência policial no
    Brasil no período concernente ao último ano de realização da
    entrevista, tais como raça, sexo, idade, escolaridade e renda.</p>
    <p>No que tange à raça, os indivíduos foram separados entre brancos
    e não brancos (pardos e pretos). No total, a amostra compreende
    174.750 indivíduos, dos quais 100.241 ou 57,36% são não brancos e
    74.509 ou 42,64% são brancos. Do total de indivíduos vitimados (138
    indivíduos, 0,08% da amostra), 30,71% são brancos e 69,29% são não
    brancos.</p>
    <p>Tratando-se da incidência da violência policial de acordo com o
    sexo, percebe-se que a diferença é ainda mais notável, pois 85% dos
    que afirmam já terem sido vítimas são do sexo masculino. Estas
    estatísticas descritivas iniciais, tanto em relação à raça quanto ao
    sexo, se mostram similares àquelas observadas por Sinhoretto,
    Silvestre e Schlittler (2014) e pelo <italic>Anuário Brasileiro de
    Segurança Pública</italic> (FBSP, 2020).</p>
    <p>No que se refere à idade, verifica-se através da Tabela 1 que a
    vitimização diminui à medida que a idade aumenta. É possível
    perceber que a maior parte das vítimas se configuram como indivíduos
    jovens, com maior expressividade nos conjuntos Idade1 e Idade 2,
    isto é, entre indivíduos na faixa etária entre 15 e 35 anos de
    idade.</p>
    <p><bold>Tabela 1: Relação entre idade dos indivíduos e
    probabilidade de serem vítimas de violência policial</bold></p>
    <table>
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <thead>
        <tr>
          <th><bold>Faixa etária</bold></th>
          <th><bold>Parcela da amostra (%)</bold></th>
          <th><bold>Vítimas de violência policial (%)</bold></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
        <tr>
          <td>Idade1 (12-24 anos)</td>
          <td>18,93</td>
          <td>32,86</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade2 (25-34 anos)</td>
          <td>26,01</td>
          <td>36,43</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade3 (35-44 anos)</td>
          <td>22,95</td>
          <td>17,14</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade4 (45-54 anos)</td>
          <td>18,31</td>
          <td>10,00</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade5 (55-65 anos)</td>
          <td>13,80</td>
          <td>3,57</td>
        </tr>
        <tr>
          <td><bold>Total</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
        </tr>
      </tbody>
    </table>
    <p>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PNAD (2009).</p>
    <p>Com relação à situação censitária dos indivíduos agredidos,
    aqueles que vivem em ambientes rurais compreendem 15% da amostra e
    concentram 5% das ocorrências de agressão. Por sua vez, 85% residem
    na área urbana e representam a ampla maioria de 95% do total de
    vitimizados.</p>
    <p>A respeito da região de residência no país, a Tabela 2, abaixo,
    denota que a violência policial se concentra nos estados das regiões
    Norte e Nordeste, quando se leva em conta o peso amostral de cada
    região. Além disso, no geral, as ocorrências de violência policial
    tendem a seguir a mesma direção da violência de modo geral, a qual
    costuma ter como <italic>proxy</italic> a taxa de homicídios, que no
    Brasil tem sido mais elevada nos estados das referidas regiões,
    conforme o <italic>Atlas da Violência</italic> (FBSP, 2020).</p>
    <p><bold>Tabela 2: Relação entre região brasileira de residência e
    probabilidade de vitimização por violência policial</bold></p>
    <table>
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <thead>
        <tr>
          <th><bold>Região</bold></th>
          <th><bold>Parcela da amostra (%)</bold></th>
          <th><bold>Vítimas de violência policial (%)</bold></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
        <tr>
          <td>Sudeste</td>
          <td>28,71</td>
          <td>27,86</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Sul</td>
          <td>15,84</td>
          <td>10,71</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Nordeste</td>
          <td>31.75</td>
          <td>37,14</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Norte</td>
          <td>12,74</td>
          <td>16,43</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Centro-Oeste</td>
          <td>10,97</td>
          <td>7,86</td>
        </tr>
        <tr>
          <td><bold>Total</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
        </tr>
      </tbody>
    </table>
    <p>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PNAD (2009).</p>
    <p>Por fim, as Tabelas 3, 4 e 5 apresentam três fatores também
    relacionados à probabilidade de os indivíduos serem agredidos pela
    polícia: níveis de escolaridade, renda e estado civil. Nesse
    sentido, é possível constatar que aproximadamente metade das vítimas
    situa-se no segundo nível de instrução, isto é, possuem Ensino
    Fundamental incompleto. Analisando-se o nível de renda percebe-se
    que a maioria dos indivíduos vítimas de violência policial situam-se
    nas duas menores faixas de renda. Além disso, verifica-se que os
    indivíduos solteiros são frequentemente mais agredidos pela polícia
    em relação aos demais com outros estados civis.</p>
    <p><bold>Tabela 3: Relação entre nível educacional e probabilidade
    de vitimização por violência policial</bold></p>
    <table>
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <thead>
        <tr>
          <th><bold>Nível educacional</bold></th>
          <th><bold>Parcela da amostra (%)</bold></th>
          <th><bold>Vítimas de violência policial (%)</bold></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
        <tr>
          <td>Sem instrução formal</td>
          <td>9,25</td>
          <td>6,43</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Ensino Fundamental incompleto</td>
          <td>36,80</td>
          <td>49,29</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Ensino Fundamental completo</td>
          <td>10,60</td>
          <td>14,29</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Ensino Médio incompleto</td>
          <td>7,68</td>
          <td>7,14</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Ensino Médio completo</td>
          <td>30,01</td>
          <td>19,29</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Ensino Superior incompleto</td>
          <td>5,66</td>
          <td>3,57</td>
        </tr>
        <tr>
          <td><bold>Total</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
        </tr>
      </tbody>
    </table>
    <p>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PNAD (2009).</p>
    <p><bold>Tabela 4: Relação entre nível de renda e probabilidade de
    vitimização por violência policial</bold></p>
    <table>
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <thead>
        <tr>
          <th><bold>Renda mensal (R$)</bold></th>
          <th><bold>Parcela da amostra (%)</bold></th>
          <th><bold>Vítimas de violência policial (%)</bold></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
        <tr>
          <td>0 – 500</td>
          <td>46,57</td>
          <td>52,86</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>500 – 1.000</td>
          <td>33.97</td>
          <td>35,71</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>1.000 – 2.000</td>
          <td>13,72</td>
          <td>8,57</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>2.000 – 20.000</td>
          <td>5,74</td>
          <td>2,86</td>
        </tr>
        <tr>
          <td><bold>Total</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
        </tr>
      </tbody>
    </table>
    <p>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PNAD (2009).</p>
    <p><bold>Tabela 5: Relação entre estado civil e probabilidade de
    vitimização por violência policial</bold></p>
    <table>
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <thead>
        <tr>
          <th><bold>Estado civil</bold></th>
          <th><bold>Parcela da amostra (%)</bold></th>
          <th><bold>Vítimas de violência policial (%)</bold></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
        <tr>
          <td>Casado</td>
          <td>46,17</td>
          <td>23,57</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Divorciado</td>
          <td>6,08</td>
          <td>5,71</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Solteiro</td>
          <td>44,11</td>
          <td>69,29</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Viúvo</td>
          <td>3,65</td>
          <td>1,43</td>
        </tr>
        <tr>
          <td><bold>Total</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
          <td><bold>100,00</bold></td>
        </tr>
      </tbody>
    </table>
    <p>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PNAD (2009).</p>
  </sec>
  <sec id="resultados-econométricos">
    <title><bold>Resultados econométricos </bold></title>
    <p> </p>
    <p>A fim de verificar o efeito dos fatores socioeconômicos
    associados aos indivíduos sobre a probabilidade de que eles sejam
    vítimas da violência policial, a Tabela 6 apresenta os resultados
    econométricos. Nesta, através da estimação de um modelo Probit, são
    apresentados os coeficientes estimados para as variáveis
    consideradas no trabalho, assim como seus efeitos marginais. É
    importante ressaltar que os testes realizados com as variáveis
    explicativas não detectaram a presença de multicolinearidade
    prejudicial, sendo assim, os coeficientes refletem estimativas
    robustas acerca da influência das variáveis socioeconômicas sobre a
    probabilidade de vitimização.</p>
    <p><bold>Tabela 6: Efeito dos fatores socioeconômicos associados aos
    indivíduos sobre a probabilidade de que eles sejam vítimas da
    violência policial</bold></p>
    <table>
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <thead>
        <tr>
          <th><bold>Variável</bold></th>
          <th><bold>Coeficientes</bold></th>
          <th><bold>Efeitos Marginais</bold></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
        <tr>
          <td>Constante</td>
          <td>-4.198195***
          (0.216278)</td>
          <td>_</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Sexo</td>
          <td>0.4952507***
          (0.0839448)</td>
          <td>0.0006307***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Raça</td>
          <td>0.1096119*
          (0.0624589)</td>
          <td>0.0001422*</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade1</td>
          <td>0.0301371<sup>NS
          </sup>(0.0751656)</td>
          <td>0.0000426 <sup>NS</sup></td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade3</td>
          <td>-0.1547157*
          (0.0830198)</td>
          <td>-0.0001857**</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade4</td>
          <td>0.3241587**
          (0.1621446)</td>
          <td>-0.0002572***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Idade5</td>
          <td>-0.5105618***
          (0.1523667)</td>
          <td>-0.0004197***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Urbano</td>
          <td>0.415099***
          (0.119169)</td>
          <td>0.0003786***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Sul</td>
          <td>-0.0927152 <sup>NS
          </sup>(0.1089182)</td>
          <td>-0.0001196 <sup>NS</sup></td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Sudeste</td>
          <td>-0.032429 <sup>NS
          </sup>(0.0885537)</td>
          <td>-0.0000474 <sup>NS</sup></td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Centro</td>
          <td>-0.1378222 <sup>NS
          </sup>(0.114914)</td>
          <td>-0.0001559 <sup>NS</sup></td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Nordeste</td>
          <td>-0.0181204 <sup>NS
          </sup>(0.0829436)</td>
          <td>-0.0000245 <sup>NS</sup></td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Educação1</td>
          <td>-0.1365575 <sup>NS
          </sup>(0.1108697)</td>
          <td>-0.0001562*</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Educação3</td>
          <td>-0.0142879 <sup>NS
          </sup>(0.0888467)</td>
          <td>-0.0000192 <sup>NS</sup></td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Educação4</td>
          <td>-0.2937592**
          (0.1146049)</td>
          <td>-0.0002729***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Educação5</td>
          <td>-0.2856974***
          (0.0851384)</td>
          <td>-0.000334***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Educação6</td>
          <td>-0.372064**
          (0.1604154)</td>
          <td>-0.0003096***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Solteiro</td>
          <td>0.2035581***
          (0.0687213)</td>
          <td>0.0002995***</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Viúvo</td>
          <td>0.1932777 <sup>NS
          </sup>(0.229201)</td>
          <td>0.0003617 <sup>NS</sup></td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Divorciado</td>
          <td>0.3559722***
          (0.1302824)</td>
          <td>0.0008548*</td>
        </tr>
        <tr>
          <td>Renda</td>
          <td>-0.0000359 <sup>NS
          </sup>(0.0000527)</td>
          <td>-4.76e<sup>-0.08</sup> <sup>NS</sup></td>
        </tr>
      </tbody>
    </table>
    <p>Fonte: Elaboração própria.</p>
    <p>Notas: Variável de referência Idade2: pessoas com 25 a 34 anos. A
    escolha dessa variável como referência se deve à maior incidência de
    vitimização nesta faixa etária. Variável de referência Educação2:
    indivíduos com Ensino Fundamental incompleto. A escolha desta
    variável como referência deve-se ao fato de metade das vítimas de
    violência policial no Suplemento de Vitimização da PNAD possuírem
    este nível de instrução.</p>
    <p>*** significativo a 1% | ** significativo a 5% | * significativo
    a 10% | NS não significativo.</p>
    <p>Por meio dos resultados é possível concluir que as variáveis sexo
    e raça apresentaram coeficientes positivos e estatisticamente
    significantes aos níveis de 1% e 10%, respectivamente. Este
    resultado indica que os homens apresentam maior probabilidade de
    serem vítimas de agressão física policial em relação às mulheres,
    assim como indivíduos não brancos (pretos e pardos) em relação aos
    brancos.</p>
    <p>Em termos de efeitos marginais, foi possível observar que o fato
    de ser do sexo masculino eleva em aproximadamente 0,063 pontos
    percentuais a probabilidade de ser vítima de violência policial em
    relação às mulheres, enquanto ser pardo ou preto eleva tal
    probabilidade em cerca de 0,014 pontos percentuais em relação aos
    indivíduos brancos. Tal resultado indica que há diferença
    estatística e significativa na probabilidade de vitimização de
    indivíduos brancos e não brancos.</p>
    <p>Em relação à influência positiva da raça sobre a probabilidade de
    vitimização, o resultado é corroborado por Snyder (2013) em uma
    análise para os Estados Unidos. O autor argumenta que geralmente é
    empregada maior força policial em localidades com concentração de
    população não branca, onde tal mecanismo é utilizado como forma de
    controle social, com o objetivo de manter a homogeneidade econômica
    social dessas áreas, em que comumente a parcela da população mais
    privilegiada, que possui maior prosperidade econômica, nível
    educacional e influência política é branca. Sinhoretto, Silvestre e
    Schlittler (2014) encontram resultados similares em uma análise para
    a cidade de São Paulo/SP, sendo os negros três vezes mais vítimas
    letais do que brancos, assim como Beato, Peixoto e Andrade (2004)
    para a cidade de Belo Horizonte/MG e Paes-Machado e Noronha (2002)
    para Salvador/BA.</p>
    <p>A maior probabilidade de os homens serem mais suscetíveis às
    agressões físicas por policiais em relação às mulheres também é
    apontada por Sinhoretto, Silvestre e Schlittler (2014) e por Bueno
    (2018). Tal resultado é geralmente explicado pela Teoria do Estilo
    de Vida de Hindelang, Gottfredson e Garofalo (1978). Nesse caso, os
    homens tendem a exercer atividades, sejam elas de trabalho ou lazer,
    que os expõe a maior risco de se tornarem vítimas de um crime. Além
    disso, alguns fatores tendem a elevar esse risco, quais sejam: as
    pessoas que os indivíduos se relacionam no dia a dia; o tempo que o
    indivíduo fica afastado de casa e dos seus familiares; e as
    atividades de lazer que costumam realizar. Aliado a este fator,
    tem-se o argumento apontado por Bueno (2018) de que boa parte do
    policiamento ostensivo consiste na repressão ao crime por meio da
    tentativa de controlar o mercado de drogas, atividades estas que
    contam majoritariamente com a atuação de homens.</p>
    <p>Cabe ainda salientar que foram encontrados pequenos valores
    relativos para os efeitos marginais, o que se deve ao fato desta
    análise ser realizada na margem e em termos percentuais com uma
    amostra de vitimados relativamente pequena. Além disso, a
    subnotificação em pesquisas de vitimização tende a ser elevada.
    Nesse sentido, Catão (2000) aponta que a subnotificação ocorre
    quando a vítima deixa de relatar um crime, seja porque não deu
    tamanha importância ao ocorrido ou porque não se sente à vontade de
    falar sobre o assunto com o entrevistador, além de tender a se
    lembrar apenas dos fatos mais recentes e de maior gravidade.</p>
    <p>Com relação à idade, como ressaltado na Metodologia, definiu-se a
    variável Idade2 (25 aos 34 anos) como referência. Assim, a variável
    Idade1 (15 aos 24 anos) não se mostrou estatisticamente
    significativa como determinante da vitimização em relação ao grupo
    pertencente à Idade2. Por outro lado, a partir dos coeficientes
    estimados para as variáveis Idade3, Idade4 e Idade5 é possível
    concluir que a probabilidade de vitimização policial diminui
    paulatinamente à medida que a idade avança, visto que todas essas
    variáveis tiveram sinais negativos e foram estatisticamente
    significativas aos níveis de 10%, 5% e 1%, respectivamente.</p>
    <p>O resultado obtido coincide com o esperado devido à
    caracterização da violência policial como um fenômeno no qual os
    jovens estão mais sujeitos, já que são vistos com maior poder de
    periculosidade pela polícia, como atesta Bueno (2018), indo ao
    encontro dos resultados encontrados por Sinhoretto, Silvestre e
    Schlittler (2014). Além disso, Brunson e Miller (2006) observaram
    que praticamente a totalidade de jovens tinham sido abordados de
    maneira inapropriada pela polícia ou conhecia alguém que havia sido
    nos Estados Unidos. Nesse sentido, de modo geral, Beato, Peixoto e
    Andrade (2004) apontam que os mais jovens são os mais prováveis a
    sofrerem algum tipo de crime, o que estaria relacionado à maior
    exposição destes a fatores de risco e ambientes em que se concentram
    um maior número de pessoas, o que pode levar a conflitos.
    Corroborando com estes achados, o <italic>Atlas da
    Violência</italic> (FBSP, 2020) indicou que desde 1980 a morte
    prematura de jovens entre 15 e 29 anos por homicídio é um fenômeno
    que tem crescido no Brasil.</p>
    <p>No que tange ao local de moradia dos indivíduos, verifica-se que
    o sinal da variável Urbano é positivo, indicando que o fato de o
    indivíduo residir em área urbana eleva sua probabilidade de
    vitimização. Em termos de efeito marginal, morar em áreas urbanas
    eleva em cerca de 0,038 pontos percentuais a probabilidade de ser
    vítima de agressão policial.</p>
    <p>De acordo com Ahnen (2007), níveis mais elevados de urbanização
    estão associados à maior incidência de violência policial em função
    da elevada densidade populacional nessas áreas e é justamente nesses
    locais que estão a maioria das redes de tráfico de drogas e outras
    atividades criminosas a serem reprimidas pela polícia. A relação
    entre densidade populacional no meio urbano e incidência de
    violência policial também é atestada por Jacobs e O’Brien
    (1998).</p>
    <p>Ainda tomando-se a região Norte como referência, conclui-se que
    as regiões brasileiras não foram significativas como variáveis
    explicativas da probabilidade de vitimização por parte da polícia,
    ou seja, no modelo estimado não houve diferença estatística na
    probabilidade em ser vitimado entre as regiões brasileiras. Este
    resultado é diferente do esperado, pois as regiões Norte e Nordeste
    têm sido consideradas em termos relativos as mais violentas do país,
    mas esta consideração está relacionada à violência praticada por
    civis. Logo, pode ser que quando se leva em consideração
    exclusivamente a violência cometida por policiais não se verifica
    essa diferença entre regiões.</p>
    <p>Com relação ao nível educacional, é possível concluir que, tendo
    como referência Educação2 (Ensino Fundamental incompleto), as
    variáveis Educação1 (sem instrução) e Educação3 (Ensino Fundamental
    completo) não foram significativas. Assim, é possível inferir que
    possuir um desses níveis educacionais não afeta a probabilidade de
    ser vítima de violência policial em relação à variável de
    referência. No entanto, as variáveis Educação4 (Ensino Médio
    incompleto), Educação5 (Ensino Médio completo) e Educação6 (Ensino
    Superior incompleto) foram todas significativas e negativas,
    indicando que à medida em que os indivíduos finalizam o Ensino
    Fundamental e o Ensino Médio, a probabilidade de vitimização por
    parte da polícia diminui. Isso significa que quando o nível
    educacional aumenta, a tendência é que os rendimentos auferidos
    sejam elevados, bem como ocorre ascensão social. Por outro lado,
    indivíduos com baixo nível de escolaridade tendem a viver em
    ambientes alijados das instituições formais, aumentando os riscos de
    violência policial (GABALDÓN; BIRBECK, 2000). Cabe ainda salientar
    que a influência positiva dos menores níveis educacionais sobre a
    probabilidade de vitimização dos indivíduos pela polícia também é
    confirmada por Snyder (2013).</p>
    <p>Quanto ao estado civil, tomando-se como referência a variável
    Casado, verifica-se que as variáveis Solteiro e Divorciado foram
    positivas e significativas, enquanto a variável Viúvo não foi
    significativa. De acordo com Madalozzo e Furtado (2011), ser casado
    diminui a probabilidade de ser vitimado, o que estaria relacionado à
    menor exposição a fatores de risco. Já indivíduos não casados tendem
    a passar mais tempo em locais públicos, com maior aglomeração de
    pessoas, o que pode levar a conflitos e gerar a vitimização. Beato,
    Peixoto e Andrade (2004) também encontram tal resultado e a
    justificativa se assemelha à anterior. Esses argumentos têm aporte
    na Teoria do Estilo de Vida de Hindelang, Gottfredson e Garofalo
    (1978), onde postula-se os hábitos individuais e as ações cotidianas
    como determinantes da probabilidade de um indivíduo sofrer algum
    crime. Levando em consideração a referida teoria, os autores apontam
    que o fato de o indivíduo ser casado tende a elevar o tempo gasto em
    casa, o que diminui a exposição e, por consequência, o risco de
    vitimização.</p>
    <p>Adicionalmente, o nível de renda, contrariando as expectativas
    iniciais, não se mostrou significativo na estimação da probabilidade
    de vitimização por violência policial, indo ao encontro da análise
    descritiva. A priori, esperava-se relação negativa entre o nível de
    renda e a probabilidade de que o indivíduo sofresse violência
    policial, o que foi apontado no modelo estimado, no entanto, sem
    significância estatística.</p>
    <p>Por fim, na Tabela 7, foram estimados os efeitos marginais para
    identificar a estimativa de probabilidade para três casos
    específicos: i) quando o indivíduo é homem e negro; ii) quando o
    indivíduo é homem, jovem e negro; iii) quando o indivíduo é homem e
    solteiro. Na primeira estimativa, observou-se que ser homem e negro
    aumenta em aproximadamente 0,1 p.p. a probabilidade de ser vitimado.
    Ser homem, jovem e negro também eleva em aproximadamente 0,1 p.p. a
    probabilidade de vitimização. Ser homem solteiro aumenta em 0,11
    p.p. a probabilidade de vitimização. Novamente, como se trata de
    efeitos na margem, com uma amostra relativamente pequena e que
    possui grau considerável de subnotificação, apesar de menor que os
    registros oficiais, já era esperado que os coeficientes estimados
    fossem relativamente pequenos. Apesar disso, é confirmado o fato de
    que possuir essas características aumenta de forma significativa a
    probabilidade de ser alvo de violência policial.</p>
    <p><bold>Tabela 7: Efeitos marginais sobre a probabilidade de ser
    vítima de violência policial por características
    específicas</bold></p>
    <table>
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <col align="left" />
      <thead>
        <tr>
          <th></th>
          <th><disp-quote>
            <p><bold>Homem não branco</bold></p>
          </disp-quote></th>
          <th><bold>Homem jovem não branco</bold></th>
          <th><bold>Homem solteiro</bold></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
        <tr>
          <td>Efeito marginal sobre a probabilidade de ser vítima de
          violência policial</td>
          <td>0.00092464</td>
          <td>0.00098391</td>
          <td>0.00115633</td>
        </tr>
      </tbody>
    </table>
    <p>Fonte: Elaboração própria.</p>
    <p>Nota: As probabilidades quanto ao efeito marginal de ser vítima
    de violência policial, dadas as características específicas,
    consideram todas as variáveis explicativas inseridas no modelo
    estimado originalmente.</p>
  </sec>
</sec>
<sec id="section">
  <title></title>
</sec>
<sec id="considerações-finais">
  <title><bold>Considerações finais</bold></title>
  <p>A violência policial tem crescido no Brasil nas últimas décadas,
  fazendo com que este tema receba cada vez mais atenção da sociedade e
  dos estudiosos de diversas áreas do conhecimento. Este trabalho buscou
  adicionar uma contribuição à temática através da análise do efeito dos
  fatores socioeconômicos e demográficos sobre a probabilidade de que os
  indivíduos sofram violência policial no Brasil através das informações
  disponibilizadas pela <italic>Pesquisa Nacional por Amostra de
  Domicílios</italic> (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de
  Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2009.</p>
  <p>Através da estimação de um modelo Probit, concluiu-se que fatores
  como sexo, raça, escolaridade, estado civil e região censitária estão
  significantemente associados à referida probabilidade de vitimização
  por violência policial. Assim, indivíduos do sexo masculino, negros
  (pretos e pardos), com baixo nível relativo de escolaridade, solteiros
  ou divorciados e que residem em áreas urbanas constituem o perfil
  preponderante das vítimas de agressões por parte da polícia no
  Brasil.</p>
  <p>Salienta-se, desse modo, a necessidade de implementação de
  políticas públicas de combate à violência policial, agindo sobre dois
  aspectos: o socioeconômico e o demográfico. Do ponto de vista
  socioeconômico, dado que os baixos níveis de escolaridade repercutem
  em maiores probabilidades de ocorrência de violência policial, é
  necessária a promoção da educação como mecanismo capaz de minorar a
  probabilidade de um indivíduo ser vitimado, isto é, estimular a adesão
  formal dos indivíduos à escola e buscar aumentar seus níveis de
  qualificação. Além disso, mostra-se necessária a implementação de
  medidas de mitigação de conflitos urbanos a fim de minimizar a
  desorganização social intrínseca ao ambiente que pode culminar em
  violência policial.</p>
  <p>Pela ótica demográfica, políticas públicas não podem alterar a
  raça, o gênero ou a idade de indivíduos, de modo que se mostra
  necessário realizar um amplo estudo sobre os possíveis vieses de
  seleção e estereótipos cultivados pela polícia que podem influenciar
  erroneamente seu comportamento e sua abordagem em relação a
  determinados grupos da sociedade, observando a existência (ou não) de
  mecanismos imperitos de seleção de indivíduos tidos como suspeitos.
  Nesse sentido, é possível propor a implementação de políticas de
  reeducação da força policial que visem estabelecer uma visão menos
  tendenciosa dos policiais e promover novas formas de abordagem, mais
  compatíveis com um Estado democrático de Direito.</p>
  <p>Por fim, destaca-se uma importante limitação do trabalho que
  consiste na tendência à subnotificação dos dados utilizados, uma vez
  que nem todos os indivíduos que sofreram violência policial estão
  dispostos a relatá-la publicamente. Ressalta-se, entretanto, que dados
  oriundos de pesquisas de vitimização, como os presentes na PNAD de
  2009, apresentam menor grau de subnotificação em relação aos registros
  oficiais por configurarem uma amostra representativa da população e
  oferecerem menor estigma ao relato do entrevistado. Além disso, como
  tópico de pesquisa futura sugere-se uma investigação mais
  pormenorizada do efeito da formação policial sobre a violência
  praticada durante o ofício, comparando-se dados de diferentes países
  que treinam suas forças policiais e desenham seus mecanismos de
  controle de formas alternativas. Desse modo, seria possível
  compreender o fenômeno da violência policial de maneira mais centrada
  e, assim, buscar propostas de políticas públicas que ajudem a
  aperfeiçoar o papel das forças policiais, que devem respeitar o Estado
  de Direito para cumprir suas funções de manutenção da lei e da ordem
  dentro da legalidade.</p>
  <p><bold>Referências Bibliográficas</bold></p>
  <p>AHNEN, R. E. The Politics of Police Violence in Democratic Brazil.
  <bold>Latin American Politics and Society</bold>, v. 49, n. 1, p.
  141-167, 2007.</p>
  <p>ANISTIA INTERNACIONAL. <bold>Você matou meu filho!</bold>
  Homicídios cometidos pela Polícia Militar na Cidade do Rio de Janeiro.
  Rio de Janeiro: Anistia Internacional, 2015.</p>
  <p>BEATO, C. C.; PEIXOTO, B. T.; ANDRADE, M. V. Crime, oportunidade e
  vitimização. <bold>Revista Brasileira de Ciências Sociais</bold>, v.
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  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2009.</p>
  <p>BRETAS, M. L. Observações sobre a falência dos modelos policiais.
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  n. 4, p. 613-640, 2006.</p>
  <p>BUENO, S. <bold>Trabalho sujo ou missão de vida?</bold>
  Persistência, reprodução e legitimidade da letalidade na ação da
  PMESP<bold>.</bold> Tese (Doutorado em Administração Pública e
  Governo) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação
  Getúlio Vargas, São Paulo, 2018.</p>
  <p>CASTRO, L. M. A. de. <bold>Os determinantes da violência
  policial</bold>: uma análise dos homicídios causados por policiais no
  Brasil. Dissertação (Mestrado em Administração) – Escola Brasileira de
  Administração Pública e de Empresas, Fundação Getúlio Vargas, Rio de
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  <p>CATÃO, Y. Pesquisas de Vitimização. In: <bold>Anais do Fórum de
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  uma discussão sobre as Bases de Dados e Questões Metodológicas. Rio de
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