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<p><bold>PRÁTICA POLICIAL E O <italic>NOT BEING-AT-EASE</italic>: A
IMPORTÂNCIA DO INVESTIMENTO EM SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA</bold></p>
<p><bold>Guilherme Bertassoni da Silva </bold></p>
<p>Psicólogo, Mestre e doutorando em Psicologia pela UFPR. Perito
Oficial Criminal na Polícia Científica do Paraná. Professor em cursos de
extensão e pós graduação. Pesquisador em Saúde Mental, Perícia Criminal
e Psicologia Forense e Criminal.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil<bold> Estado:</bold>
Paraná<bold> Cidade:</bold> Curitiba</p>
<p><bold>Email:</bold> silvapsi@hotmail.com <bold>ORCID:</bold> 
https://orcid.org/0000-0002-8207-5043</p>
<p><bold>Raíssa Miranda da Cunha Vargas</bold></p>
<p>Psicóloga pela PUCPR. Mestranda em Psicologia Forense pela
Universidade TUIUTI, Curitiba, Paraná.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil<bold> Estado:</bold>
Paraná<bold> Cidade:</bold> Curitiba</p>
<p><bold>Email:</bold> raimcv@hotmail.com <bold>ORCID:</bold> 
https://orcid.org/0000-0003-0996-2241</p>
<p><bold>Adriano Furtado Holanda</bold></p>
<p>Doutor em Psicologia, Professor Associado do Departamento de
Psicologia da Universidade Federal do Paraná, vinculado aos Programas de
Pós-Graduação em Psicologia e em Educação na UFPR, Coordenador do
Laboratório de Fenomenologia e Subjetividade, LabFeno/UFPR.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil<bold> Estado:</bold>
Paraná<bold> Cidade:</bold> Curitiba</p>
<p><bold>Email:</bold> aholanda@yahoo.com <bold>ORCID:</bold> 
https://orcid.org/ 0000-0002-7171-644X</p>
<p><bold>Contribuições dos autores: </bold></p>
<p>Guilherme Bertassoni da Silva: participou da concepção e
delineamento, análise e interpretação dos dados, revisão e aprovação
final. Adriano Furtado Holanda: contribuiu com acompanhamento de
pesquisa, escrita e revisão de escrita.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>A segurança pública é dever do Estado definido na Constituição
Federal de 1988. A estrutura da vida policial é rígida, hierarquizada de
maneira significativamente anacrônica com o desenvolvimento do mundo do
trabalho na atualidade. Ademais, a organização policial é recorrente
tema de debates, nos quais, rotineiramente, a população questiona sua
credibilidade. Ainda que seja visto desta forma, o policial é geralmente
um profissional advindo da classe média baixa ou baixa e que atua muito
próximo aos seus locais de moradia e convívio social. A dificuldade dos
policiais em separar os aspectos pessoal e profissional tem sido
indicada como um foco importante de sofrimento psíquico para este
trabalhador. Por meio dessas considerações, pretende-se vincular a
prática policial com o conceito <italic>not being-at-ease</italic> da
fenomenologia de Mariana Ortega e apontar para estratégias de prevenção
e enfrentamento ao adoecimento psíquico desses profissionais.</p>
<p><bold>Palavras-Chave</bold>: Polícia. Saúde mental. Fenomenologia.
<italic>Not being-at-ease</italic>.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>POLICE PRACTICE AND NOT BEING-AT-EASE: THE IMPORTANCE
OF INVESTING IN MENTAL HEALTH IN THE POLICE</bold></italic></p>
<p><italic>Public security is a duty of the State defined in the Federal
Constitution of 1988. The structure of police life is rigid,
hierarchized anachronistically in comparison with the development of the
world of work today. Furthermore, the police organization is a recurrent
theme of debates, in which, routinely, the population questions its
credibility. Even though they are seen in this way, the police officer
is usually a professional from the lower or lower-middle class and who
works very close to their places of residence and social circle. The
police officers’ difficulty in separating personal and professional life
aspects has been indicated as an important source of psychological
distress for those in this occupation. Through these considerations, we
intend to link police practice with Mariana Ortega's
phenomenological</italic> not being-at-ease <italic>concept to point to
prevention and coping strategies for these professionals' psychological
illnesses.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords</bold>: Police. Mental health.
Phenomenology.</italic> Not being-at-ease<italic>.</italic></p>
<disp-quote>
  <p><bold>Data de Recebimento:</bold> 20/12/2021 – <bold>Data de
  Aprovação:</bold> 25/01/2023</p>
</disp-quote>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1683</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O impacto da vida laboral na saúde mental das pessoas se evidencia
  como um campo de estudos crescente. O trabalho policial é uma das
  profissões mais estressantes da atualidade. A prática policial demanda
  um certo posicionamento pessoal e a abertura para vestir e desvestir
  dessa investidura. As pessoas que adentram essa profissão não “são”
  policiais, ainda que a força do hábito – bem como do regramento
  institucional – obrigue-as a acreditar nisso. Existe um conceito
  amplamente difundido entre os policiais de que o profissional “é
  policial o tempo todo”. Através dessas considerações iniciais,
  pretende-se vincular a prática policial com o conceito <italic>not
  being-at-ease</italic>. Este conceito indica a forma de manifestação
  pessoal em que o indivíduo “não se sente à vontade” nas conformações
  que ocupa no mundo, conforme os apontamentos de Ortega (2016a;
  2016b).</p>
  <p>O presente texto tem como objetivo explanar sobre as questões que
  permeiam a vivência laboral do profissional de segurança pública.
  Também traz a perspectiva fenomenológica da autora Mariana Ortega
  (<italic>op. cit.</italic>) sobre essa vivência e os impactos na saúde
  mental do profissional de segurança pública que se vê constantemente
  como a corporação, como sendo a farda, o símbolo que carrega no peito,
  manifestando uma clara dificuldade de despir-se dessa farda, dessa
  simbologia. Na comunidade, o policial vivencia a ambiguidade entre
  pertencer e ser, ao mesmo tempo, inimigo/opressor, causando sensação
  conflituosa de pertencimento e não pertencimento. Soma-se a isso o
  enfrentamento, muitas vezes, da desaprovação social de seu trabalho,
  que constitui parte essencial da sua identidade.</p>
</disp-quote>
<p><bold>ESTRUTURA POLICIAL</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A segurança pública é dever do Estado definido na Constituição
  Federal de 1988 e de responsabilidade das Unidades da Federação
  (estados e Distrito Federal). O policiamento é dividido entre
  ostensivo, investigativo e pericial, definidos no art. 144 da CF.</p>
  <p>O policiamento ostensivo é função policial militar, aquele que tem
  por entendimento jurídico a polícia comunitária, que conhece a região,
  o território, o comerciante local. Essa polícia seria a mais próxima
  da população e tem por objetivo ações preventivas, evitando a
  ocorrência de crimes. O uso progressivo da força policial é esperado
  nesse momento e ela está presente, enquanto “força”, desde a simples
  presença da Polícia (com atividades como rondas a pé ou em viaturas)
  até o desenvolvimento de um enfrentamento, que pode incluir o uso de
  armas de fogo e a permissão legal – no estrito cumprimento do dever –
  de efetivar disparos contra outras pessoas em via pública ou realizar
  prisões e encaminhamentos às delegacias da Polícia Civil (GASPARINI,
  2001).</p>
  <p>Já a Polícia Civil tem função chamada de polícia judiciária ou
  investigativa, aquela que será acionada na falha da primeira, no
  cometimento de crimes, visando a apuração de competências e o
  relatório para o Poder Judiciário que indique bases legais para a
  punibilidade dos envolvidos. Cabe a este ente estatal a produção de
  provas testemunhais e a delegação para o órgão pericial da produção de
  provas materiais, a partir do que for recolhido por seus agentes em
  local de crime. O instrumento institucional utilizado é o inquérito
  policial, peça administrativa pré-processual que em sua conclusão tem
  elementos para instrução do magistrado, junto com as provas que podem
  ser produzidas pelo Ministério Público (SOUZA <italic>et al.</italic>,
  2007).</p>
  <p>O terceiro ente presente nesta persecução penal é o órgão pericial.
  Este aposto se apresenta por conta de ser uma estrutura nova dentro do
  espectro policial, que estava historicamente ligada à estrutura
  policial civil e tem hoje tendência de desvinculação em âmbito federal
  (já são 19 estados em que a perícia é desvinculada da Polícia Civil).
  A nomenclatura ainda é variada – Polícia Científica, Instituto de
  Perícias, Polícia Técnico-Científica, entre outros. Esse arranjo
  estrutural engloba diversas instituições, como o Instituto
  Médico-Legal e o Instituto de Criminalística, responsáveis por
  proceder exames periciais de natureza criminal, atribuindo valor
  jurídico e probante a achados de locais em que se tenha praticado
  crime e existam vestígios – o chamado corpo de delito (TEIXEIRA,
  2018).</p>
  <p>Ainda, e mais recentemente, foi adicionado ao escopo policial o
  campo dos servidores até então chamados de agentes penitenciários. A
  Emenda Constitucional 104/2019 estabelece que estes servidores passam
  a ser componentes da Polícia Penal, relacionados diretamente com os
  departamentos penitenciários federal e das Unidades da Federação
  (BRASIL, 2019).</p>
  <p>Em cada uma destas instituições citadas, o servidor é policial.
  Ainda que exista diferenças na atuação de cada uma destas
  instituições, há aproximações. Todas as instâncias possuem porte de
  arma fornecido pelo Estado. Todos são responsáveis, conforme estatutos
  próprios, por manter a ordem, ainda que sua atuação de origem não seja
  aquela da Polícia Militar. Todos podem ser acionados a qualquer
  momento para participar de operações especiais, mobilizações de busca
  e apreensão, cumprimento de mandados de segurança e afins. Há, desta
  maneira, algo que define o profissional policial como uma síntese de
  características básicas e específicas. Apesar de funções
  compartimentadas, todos são agentes de segurança pública. Todos são
  <italic>per se</italic> policiais. As atividades laborais constituem
  parte da identidade desse grupo de sujeitos e essa identidade, aqui,
  pode ser representada pelo <italic>ethos</italic> do agente da lei. É
  possível despir-se do uniforme ao final do dia, mas não do peso da
  responsabilidade e da representatividade deste.</p>
</disp-quote>
<p><bold>A DIFÍCIL TAREFA DE SER POLICIAL</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A estrutura da vida policial é algo rígido, hierarquizado, de
  maneira muito anacrônica com o desenvolvimento do mundo do trabalho
  atual. Mesmo fora da estrutura militar, o desenvolvimento de carreira
  é bastante limitado. No exemplo da Polícia Civil, temos uma carreira
  que é exclusivamente de chefia – delegado(a) –, não se levando em
  conta qualquer outro quesito. As outras carreiras – como
  investigador(a), papiloscopista e escrivão(ã) – estão sujeitas às
  definições daquela primeira. Não há possibilidade de uma escrivã, por
  exemplo, ascender internamente ao cargo que representa a chefia e
  tornar-se delegada. O próprio cargo de chefia da Polícia Civil se
  chama “Delegado-Geral”, evidenciando-se que nunca poderá ser ocupado
  por um policial civil de outra carreira.</p>
  <p>Para além disso, a organização policial é, segundo Machado e Rocha
  (2015), costumeiramente tema central de discussões e rodas de
  conversa. A visão de um profissional mal preparado, violento e que tem
  práticas de corrupção institucionalizadas fazem parte dos estereótipos
  e das principais críticas a esses profissionais, de uma população que
  rotineiramente questiona sua credibilidade (MIRANDA, 2016). Segundo o
  Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2019), denúncias vinculando
  policiais às milícias e aos grupos de extermínio, assim como o uso da
  ideia de enfrentamento ao criminoso através do uso da violência por
  alguns políticos contribuem para o rebaixamento da confiança relatada
  pela população nas instituições policiais.</p>
  <p>De acordo com o Anuário 2021 (FBSP, 2021), no ano de 2020, o país
  atingiu recorde de mortes em decorrência de intervenções policiais,
  produzindo 17,6 mortes por dia. Esse cenário já era observado em 2019:
  segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2019), a cada 100
  mortes violentas no Brasil, 11 foram de autoria policial. Do ano de
  2013 até 2020, houve um crescimento de 190% de mortes decorrentes de
  intervenções policiais registradas, destas 72,7% foram causadas por
  policiais militares. É possível observar como resultado pesquisas que
  indicam os seguintes números: 51% da população brasileira relata ter
  medo da polícia, enquanto apenas 47% confiam na instituição, segundo
  Datafolha (2019 <italic>apud</italic> FBSP, 2019). O Anuário conclui
  ainda que:</p>
  <p>A confiança nas instituições policiais é um indicador importante
  para avaliar a legitimidade da organização. [...] Quando a confiança
  nas instituições policiais é baixa existe a tendência de que as
  comunidades percebam suas ações como ilegítimas, o que reduz a
  cooperação da comunidade e compromete o resultado da atividade
  policial. (FBSP, 2019, p. 54-55).</p>
  <p>Ainda que seja visto desta forma, o policial é geralmente um
  profissional advindo da classe média baixa ou da classe baixa e que
  atua muito próximo a seus próprios locais de residência e convivência.
  Isso gera conflitos de abordagens e sucessivas dificuldades de
  diferenciação entre a vida policial e a “civil” (MIRANDA, 2016).</p>
  <p>Esta correlação – de dificuldade dos policiais em separar os
  aspectos pessoal e profissional – tem sido indicada como um foco
  importante de sofrimento psíquico para esses trabalhadores. O
  sofrimento psíquico do policial, em comparação com a população em
  geral, é desproporcionalmente mais elevado, conforme observado em
  Minayo, Assis e Oliveira (2011). Wagner <italic>et al.</italic> (2020)
  evidenciam que indivíduos com maior tempo de atuação na carreira de
  segurança pública apresentam graus superiores de sofrimento em geral.
  Além disso, Castro, Rocha e Cruz (2019) classificam o trabalho
  policial como a segunda função mais estressora e a terceira ocupação a
  gerar mais sintomas físicos e psiquiátricos relacionados ao trabalho,
  sendo os mais relatados: síndrome de <italic>burnout</italic>,
  depressão, ansiedade, transtornos de estresse, dependência química,
  dificuldade nos relacionamentos interpessoais e comportamentos
  suicidas. Machado e Rocha (2015) destacam ainda a relação íntima da
  atividade laboral desse profissional, que ocorre, normalmente, em
  ambientes de conflito, com o estresse, levando ao esgotamento do
  indivíduo e da sua qualidade de vida. A saúde do profissional é
  prejudicada tanto pela operacionalidade do trabalho quanto por
  questões organizacionais.</p>
  <p>De fato, a profissão policial pode ser extremamente estressante.
  Segundo Oliveira e Santos (2010), o desgaste físico e emocional pode
  levar o profissional a um conjunto de tomada de atitudes equivocadas
  em situações de crise, prejudicando a eficácia no desempenho do
  exercício profissional e expondo civis e policiais a riscos em
  potencial, prejudicando também a imagem da corporação. Para Wagner
  <italic>et al.</italic> (2020), a imagem avaliada de forma negativa
  pela imprensa e pela opinião pública resulta em uma falta de
  reconhecimento e valorização social do trabalho, aspectos essenciais
  para a construção da autoestima individual. Além disso, esses
  profissionais estão em constante contato com um contexto de
  enfrentamento de situações de violência e morte. Oliveira e Santos
  (2010) destacam que a morte é uma realidade na vida dos profissionais
  de segurança pública, já que estes lidam com a morte de vítimas,
  criminosos, dos próprios colegas de trabalho e com a ideia de sua
  própria morte.</p>
  <p>Existe ainda um elevado número de policiais mortos fora de serviço,
  momento de maior vulnerabilidade para esses profissionais. O simples
  fato de serem policiais e estarem armados faz destes profissionais
  vítimas em potencial. Castro, Rocha e Cruz (2019) constatam que mesmo
  fora do serviço, policiais revelam que podem e devem agir e reagir em
  situações de violência, apontando isto como resultado da incapacidade
  do policial de se “despir” da função/cargo mesmo durante as folgas. No
  entanto, a qualidade de dados acerca dos profissionais de segurança
  pública vítimas de crimes letais intencionais é precária, dificultando
  análises da problemática de forma globalizada. Isso se dá devido à
  necessidade de cultivar o mito do “policial herói”, gerando, na
  prática, a omissão do Estado para a melhoria das condições sociais e
  de trabalho desses profissionais. Desta forma, o sistema força o
  profissional a “atuar imbuído do <italic>ethos</italic> do policial
  guerreiro, imune, portanto, a qualquer tipo de dificuldade e/ou
  problema” (FBSP, 2019, p. 49).</p>
  <p>Estudo de Miranda e Guimarães (2016) indica que a proporção de
  suicídio é quatro vezes maior entre policiais do que na população em
  geral. No ano de 2019, a taxa de suicídio entre esses profissionais,
  registrada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2020), ainda
  era significativamente maior do que na população em geral, de forma
  que naquele ano morreram mais policiais por suicídio do que em
  confronto em serviço. Estes dados apontam para um tipo de trabalho (e
  de trabalhadores) mais vulnerável para questões ligadas ao sofrimento
  psíquico agudo e grave, com consequências devastadoras. A alta taxa de
  suicídio da categoria não é aleatória, mas sim “o retrato de uma
  realidade perversa mantida por políticas públicas de segurança que
  tratam seus agentes principais como torniquetes de um sistema falido”
  (FBSP, 2019, p. 49).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 1: Mortes de Policiais</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2019).</p>
<disp-quote>
  <p>No caso de falecimento do servidor, do ponto de vista
  institucional, por se tratar de um funcionário concursado, a estrutura
  não se altera: convoca-se outro de concurso público, caso vigente, ou
  adiciona-se a um concurso vindouro; em outras palavras, a estrutura
  institucional não se altera muito com esta vida perdida. Os programas
  voltados para este tipo de enfrentamento são tímidos e não se mostram
  eficazes, como a estatística nos faz demonstrar (MINAYO; SOUZA,
  2003).</p>
  <p>Estas constatações nos indicam o fato de que ser policial é um
  risco em si. Não apenas por fazer um tipo de enfrentamento de
  realidade ao qual a maioria das pessoas não estaria disposta a fazer,
  mas pelos resultados psíquicos que essa profissão causa. Somam-se ao
  suicídio diversas outras psicopatologias associadas ao trabalho
  policial e que geram motivos de afastamento temporário ou perene das
  funções, tais como: transtornos de sono, ansiedade, depressão,
  transtorno bipolar, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos
  associados ao uso de substâncias psicoativas permitidas ou não, dentre
  outros (COSTA <italic>et al.</italic>, 2007).</p>
</disp-quote>
<p><bold>A NOÇÃO DE <italic>NOT BEING-AT-EASE</italic></bold></p>
<disp-quote>
  <p>O conceito de <italic>not</italic> <italic>being-at-ease</italic>
  aparece pela primeira vez na obra de Mariana Ortega (2016a) como um
  contraponto ao conceito heiddegeriano de <italic>Unheimlich</italic>,
  algo como um “eu (<italic>self</italic>) estranho”, um “não estar no
  mundo”, ou seja, um humor que revela as diferentes possibilidades de
  estar no mundo e aspectos individuais de si mesmo. Em seu texto,
  Ortega (<italic>ibid.</italic>) aponta para um tipo de “não estar à
  vontade” no mundo como uma sensação “na carne”. E este desconforto
  apontado se dá pelo fato de que as pessoas estão em uma situação de
  fronteira – a <italic>new mestiza</italic>, a identidade pode ser
  assumida, mas não livremente escolhida, já que depende da origem e da
  experiência de vida. Dessa forma, a pessoa está em constante condição
  de desconforto, estresse, dor e paralisia. A <italic>new
  mestiza</italic> é ao mesmo tempo <italic>self</italic> individual e
  <italic>self</italic> plural, uma “<italic>mestizaje</italic>” de
  multiplicidade e unidade. Desta forma, Ortega (2016a) apela para um
  pluralismo existencial ao invés de um pluralismo ontológico, propondo
  uma visão de multiplicidade da individualidade, ou
  <italic>self</italic> múltiplo – <italic>selves</italic>. Esses
  diferentes aspectos do <italic>self</italic> são destacados de acordo
  com as relações de poder em funcionamento em diferentes contextos, e
  que estão em constante negociação sobre suas diferentes identidades
  sociais e posicionalidade. Nas palavras de Ortega (2016b, p. 11):
  “<italic>Our lived experience reveals a sense of being, a sense of how
  we are, how we fare, that is connected to material circumstances and
  entities</italic>”.</p>
  <p>Ortega desenvolve, então, sua própria visão de
  <italic>self</italic>, ou <italic>selves</italic>, ao realizar a
  minuciosa análise de um diálogo, proposto pela mesma, entre Martin
  Heidegger e a filosofia feminista de Gloria Anzaldúa e María Lugones.
  Para Ortega, o termo “multiplicidade” é necessário para atingir uma
  melhor compreensão da complexidade do <italic>self</italic>, que não
  se trata obrigatoriamente de uma identidade única e homogênea, mas sim
  englobada por diversos níveis de complexidade que compõem nossa
  percepção sobre quem somos. A fim de dar conta das identidades
  sociais, que em algum momento se entrelaçam com opressões, é
  necessário que exista essa “multiplicidade”. Sendo assim, para Ortega,
  não nos tornamos pessoas diferentes para diferentes cenários, mas sim
  diferentes dimensões da identidade são trazidas à tona à medida que
  atravessamos diversos contextos, e ainda assim mantemos um senso
  próprio (<italic>mine-ness</italic>) (BERRUZ, 2016).</p>
  <p>Dessa forma, o <italic>self</italic> conecta-se com diversos mundos
  (<italic>beings-in-worlds</italic>) e encontra-se também entre esses
  mundos (<italic>beings-between-worlds</italic>). Sendo assim, existem
  aqueles que, a partir dessa multiplicidade de <italic>selves</italic>,
  experimentam momentos de contradição e ambiguidade, uma sensação de
  não estar à vontade (<italic>not-being-at-ease</italic>) (BERRUZ,
  2016).</p>
  <p>Ortega (2016a) explicita que, enquanto algumas pessoas podem se
  encontrar em situação de não estarem à vontade ocasionalmente, essa
  sensação se dá de forma continuada. Há uma ansiedade constante, um
  tipo de estado de alerta que nunca se desfaz: como um estado de
  angústia permanente que tem finalidade de defesa a qualquer momento.
  Essa ansiedade também se demonstra produtiva na medida em que pode
  impulsionar para soluções criativas, suscitando a possibilidade de uma
  existência autêntica – o subjetivo dependente das identidades com as
  quais nos identificamos. Esse atravessamento de realidades demonstra
  que a resistência é a forma de enfrentamento e de manifestação de um
  <italic>self</italic> que encontra soluções para as situações às quais
  se encontra submetido. A resistência é aqui apontada como um conceito
  positivo do sujeito rumo à autonomia e à individuação, ao encontro do
  proposto por Moraes (2006), ensejando o enfrentando às intempéries
  psicológicas, sociais e laborais (no caso específico dos
  policiais).</p>
  <p>Essa conceituação também se vincula ao que Ortega (2016a; 2016b)
  nomeia de <italic>la facultad</italic>, uma sensação ligada ao
  corpóreo e ao ambiente, como aquilo que pode ser percebido como
  potencial ajuda ou prejuízo nessa relação. Essa
  <italic>facultad</italic> se desenvolve a partir de incontáveis
  experiências de medo e ameaças em geral, face aos perigos diretos e
  indiretos que sofrem as pessoas em situações de fronteira.</p>
  <p>Entendemos que existem possibilidades de leitura que entrelaçam as
  sensações percebidas pelo policial em sua atuação profissional e sua
  vida pessoal, com os conceitos acima apontados. A descrição de um tipo
  específico de sofrimento que Ortega traz em seu texto pode ser
  verificada, pelos exemplos trazidos da atuação policial, na constante
  vivência de angústia e estado de alerta destes profissionais. A
  sensação de não pertencimento e de estar em constante ameaça faz parte
  da vida do policial, uma vez que no desenvolvimento de suas tarefas
  profissionais experienciam a lógica da guerra – um exemplo disso são
  as políticas oficiais de enfrentamento à drogadição (“Guerra às
  Drogas”), tratando os sujeitos periféricos, negros, pobres, pessoas em
  situações variadas de vulnerabilidade como potenciais inimigos prontos
  a agirem contra a integridade física do policial.</p>
  <p>E isso se mostra até mesmo no uso da violência por parte do
  policial. O chamado “uso progressivo da força” é um tipo de estratégia
  que visa a diminuição – ou ao menos o correto uso – da força
  empregada, visando um equilíbrio na ação policial. Essa força, essa
  violência, tem padrões diferentes de aceitação social. Enquanto em uma
  abordagem na favela se admite a violência policial em sua escala
  máxima, nas intervenções em bairros ricos, o policial se porta de modo
  diferente: o uso de sua força não pode afetar essa parcela da
  população. Qual seja, violência física contra as populações
  marginalizadas é legitimada pela instituição policial e desencorajada
  para com as populações elitizadas (MACHADO; NORONHA, 2002). Na região
  da população marginalizada, a polícia iguala o morador ao “bandido” e
  faz a lógica de que “bandido bom é bandido morto”. Exemplos midiáticos
  do ano de 2020 são evidentes nesse aspecto, como no caso do empresário
  morador do condomínio Alphaville, em São Paulo, ao desacatar o
  policial que ali estava para uma abordagem de violência doméstica:</p>
  <p>Não pisa na minha calçada, não pisa em minha rua, eu vou te chutar
  na cara filha da puta, eu vou te chutar na cara. Não pisa na minha
  calçada. Você é um lixo. Seu merda. Você é um merda de um PM que ganha
  R$ 1 mil por mês, eu ganho R$ 300 mil por mês. Eu quero que você se
  foda, seu lixo do caralho. Você pode ser macho na periferia, mas aqui
  você é um bosta. Aqui é Alphaville, mano... (THADEU, 2020, n.p.).</p>
  <p>Este episódio explicita a relação da classe social para com a
  atitude do policial. Após essas colocações, o policial não adentrou à
  casa, o que supomos que seria bastante distinto caso o mesmo tipo de
  situação ocorresse em um bairro pobre.</p>
  <p>O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2019) fez um levantamento
  de 7.952 registros de intervenções policiais que resultaram em morte
  nos anos de 2017-2018, a fim de construir o perfil das vítimas de
  violência policial. Esse levantamento evidencia uma seletividade da
  letalidade policial. As vítimas tenderam a ser, em sua maioria, do
  sexo masculino, negros, jovens (até 29 anos) e que possuíam somente o
  Ensino Fundamental, completo ou incompleto. Esse perfil continua como
  uma constante, segundo o Anuário de 2021 (FBSP, 2021): 98,4% das
  vítimas eram homens; 78,9%, negras; e 76%, jovens entre 0 a 29 anos.
  Esses dados demonstram que as ações letais da polícia se concentram em
  territórios de baixa renda, não estando aleatoriamente distribuídos,
  reforçando a ideia de distintas formas de atuação para diferentes
  grupos sociodemográficos.</p>
  <p>Mais uma fonte recente indica que o número de mortes resultantes de
  confrontos com policiais teve um resultado de elevação nos últimos
  anos. Em dados levantados pelo Ministério Público do Estado do Paraná,
  de 2019 para 2020 se verifica o acréscimo de 23,8%, com o dado bruto
  numérico ampliado de 307 para 380 vidas perdidas, implicando em mais
  de uma morte por dia decorrente desse tipo de intervenção na esfera
  dessa Unidade da Federação (MPPR, 2021).</p>
  <p>É importante destacar que, apesar dos dados de violência letal
  policial se concentrarem em regiões de baixa renda, o próprio policial
  é oriundo, de modo geral, das classes com desenvolvimento
  socioeconômico mais baixo (COSTA <italic>et al.</italic>, 2007). Isso
  significa dizer que sua atuação se dá, mormente, dentro de sua própria
  realidade ou em um ambiente muito próximo (socialmente falando)
  daquele que lhe é de origem. O uso da violência, o excesso de força na
  intervenção, então, se manifesta justamente no mesmo ambiente em que
  ele convive. Há uma familiaridade colocada aí.</p>
  <p>Essa familiaridade é, contraditoriamente, base da origem da
  sensação de estranhamento, de não estar à vontade. Porque, quando em
  “estrito cumprimento de dever legal” (BRASIL, 1940), o policial se
  volta contra sua comunidade. Quando de folga, civil, mantém-se
  deslocado dessa mesma comunidade por se sentir em ameaça: da revelação
  da profissão, do segredo, da ameaça real de ser perseguido por
  indivíduos ou grupos que combateu (ou prendeu ou denunciou) na prática
  policial. Esta prática de violência, inclusive com o aspecto da
  mortalidade elevada, transforma as comunidades referidas em campos de
  batalha, numa estrutura que se retroalimenta. Nesse sentido, Machado e
  Noronha (2002) exemplificam:</p>
  <p>As execuções eliminam lideranças e produzem revolta entre os
  sobreviventes das quadrilhas, que aumentam as agressões contra
  moradores desprotegidos. O fim de uma liderança também é acompanhado
  por ajustes de contas e lutas sucessórias sangrentas, que desorganizam
  o controle dos delinquentes sobre o bairro e tornam os moradores
  vulneráveis à ação de outras quadrilhas que, não encontrando
  resistência local, invadem o território dantes monopolizado por eles.
  (MACHADO; NORONHA, 2002, p. 217).</p>
  <p>Se os grupos do crime organizado aumentam a carga entre si e contra
  a população, o poder público é chamado a agir; e aí, causa mais
  mortes, em nome da segurança pública. E novamente, haverá a reação.
  Essa correlação é cíclica.</p>
  <p>Esse estranhamento, deslocamento, por uma questão de
  <italic>geografia humana</italic>, ao qual o policial está submetido,
  revela uma reação que escapa à instituição, uma reação que vem ao
  pessoal, ao individual, <italic>ao corpo</italic>. E é aí que
  encontramos resultados de pesquisas (MIRANDA; GUIMARÃES, 2016) com
  conclusões que demonstram justamente fatores estressantes que impactam
  os policiais em comportamentos de tipo suicida. As autoras citam,
  especificamente:</p>
  <p>Uso de álcool, doença física e mental, idade elevada e
  aposentadoria iminente; insatisfação com a polícia, a relação
  hierárquica entre policiais superiores e subordinados, o medo de
  investigações internas e as pressões sociais; o baixo nível de
  confiança entre os colegas de trabalho; conflitos conjugais e
  problemas no local de trabalho. (MIRANDA; GUIMARÃES, 2016, p. 13).</p>
  <p>O suicídio, último recurso de autoagressão, está ligado a esta
  dimensão corporal que é tênue na avaliação e pouco presente nas
  queixas diretas dos policiais, dificultando modelos tradicionais de
  tratamento de tipo psicológico/psiquiátrico. Aí, o que apontamos como
  a correlação com o conceito de <italic>not being-at-ease</italic> é
  verificado de forma extremada, demonstrando a incapacidade de
  conciliação entre as diferentes dimensões do “ser” em uma situação de
  ambiguidade e imobilidade.</p>
</disp-quote>
<p><bold>ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Para podermos ter os problemas cotidianos decorrentes do trabalho
  (questões de operacionalidade, organizacionais, identitárias, de
  violência, adoecimentos etc.) enfrentados pelos policiais e quiçá
  encaminhados à sua resolução, entendemos que a informação refinada é
  um importante auxílio. O primeiro passo seria a realização de
  pesquisas locais específicas de levantamento de dados acerca da saúde
  mental da corporação a ser trabalhada. Esse entendimento vai ao
  encontro do fato de que o trabalho policial é variado em suas
  especificidades, com possibilidades de atuação muito distintas. O
  trabalho de um investigador da Polícia Civil difere muito do trabalho
  de um capitão da Polícia Militar, ou do Perito Oficial, ou do Policial
  Penal; enfim, as filigranas de cada instituição são múltiplas e um
  trabalho de enfrentamento das questões de risco comportamental deve
  seguir o mesmo caminho.</p>
  <p>A Lei Nº 13.675 de 2018 prevê no art. 42 o Programa Nacional de
  Qualidade de Vida para Profissionais de Segurança Pública (Pró-Vida),
  que tem como objetivo: “elaborar, implementar, apoiar, monitorar e
  avaliar, entre outros, os projetos de programas de atenção
  psicossocial e de saúde no trabalho dos profissionais de segurança
  pública e defesa social” (BRASIL, 2018). Em conjunto a Portaria Nº
  483, de 9 de novembro de 2021, do Ministério da Justiça e Segurança
  Pública, reforça o incentivo a projetos e programas com o foco na
  valorização dos profissionais de segurança pública, onde estão
  previstas ações financiáveis referentes à valorização da qualidade de
  vida dos profissionais, entre elas: atenção e acompanhamento
  biopsicossocial, atenção para situações de estresse e risco,
  vitimização e suicídio.</p>
  <p>Apenas recentemente foram divulgados em diversos estados programas
  que têm como objetivo oferecer apoio psicossocial aos profissionais de
  segurança pública. Em outubro de 2021, foi lançado o Projeto Vida pela
  Polícia Rodoviária Federal, com o objetivo de garantir a melhoria na
  qualidade de vida e saúde mental dos profissionais da instituição,
  através do atendimento e da orientação no âmbito da saúde mental. Essa
  iniciativa se deu devido à quantidade de afastamento de policiais em
  razão de doenças psicológicas (MJSP, 2021).</p>
  <p>Já em São Paulo, em site oficial do estado, foi ressaltado que em
  1997 originou-se um sistema voltado à saúde mental do policiai
  militar, o SiSMen, com a finalidade de prevenir o adoecimento mental e
  o suicídio do servidor. Esse sistema conta com programas e serviços
  como: o Programa de Prevenção em Manifestações Suicidas – PPMS, que
  atende tanto policiais na ativa quanto veteranos, com objetivo de
  identificar, reduzir e eliminar fatores de risco ao suicídio; o
  Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar – PAAPM, para
  policiais envolvidos em ocorrências de alto risco e que tenham alguma
  dificuldade de adaptação; o Programa de Aconselhamento Psicológico –
  PrAP, direcionado aos profissionais que estão iniciando a carreira, a
  fim de contribuir com a adaptação deste à corporação; e o Programa de
  Sensibilização para Encerramento da Carreira Policial Militar –PROSEN.
  Além destes, a Polícia Civil do Estado de São Paulo também conta com o
  Núcleo de Orientação Psicológica – NOP – e o Núcleo Psicossocial na
  Divisão de Prevenção e Apoio Assistencial – DPAA, que fornecem
  atendimento especializado e informativo na área psicossocial (GOVERNO
  DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2020).</p>
  <p>Em dezembro de 2020, no Rio Grande do Sul, a primeira turma
  composta por 137 militares formou facilitadores através do Programa
  Anjos, que tem o objetivo de capacitar esses profissionais a como
  identificar sintomas de doenças mentais e a necessidade de
  encaminhamento para atendimento especializado (SSPRS, 2020). No Ceará,
  no ano de 2021, a Assistência Militar do Tribunal de Justiça do estado
  reconheceu publicamente em matéria a necessidade de realizar ações com
  o objetivo de promover saúde e bem-estar aos profissionais de
  segurança pública, ressaltando a já existência de acesso à Assistência
  Biopsicossocial da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social –
  SSPDS (TJCE, 2021). Na Paraíba, também no ano de 2021, ganhou destaque
  o projeto Espaço Viver Bem, que tem como objetivo atender
  gratuitamente, através de uma equipe multidisciplinar, o policial
  militar (A UNIÃO, 2021). Já no Mato Grosso, em 2021 foi realizada a 1ª
  Edição da Semana de Saúde Mental e Prevenção ao Suicídio, promovida
  pela Diretoria de Saúde da Polícia Militar, com o objetivo de dar
  suporte aos policiais da instituição e principalmente orientá-los
  sobre a importância de priorizar e cuidar da própria saúde (PMMT,
  2021). A sensibilização do ente governamental (nesse caso, o poder
  executivo estadual) deve seguir junto com este trabalho, compreendendo
  ações estatais continuadas para este fim. Verifica-se que o tipo de
  atenção dedicada ao cuidado da saúde mental destes trabalhadores ainda
  é incipiente no país. As corporações dispõem de poucos recursos
  direcionados diretamente a isso.</p>
  <p>No estado do Paraná, onde as ações integradas voltadas para este
  foco iniciaram-se apenas no ano de 2020, com o anúncio da contratação
  específica de profissionais de saúde para atender o público-alvo de
  servidores da pasta de Segurança Pública. Esse anúncio previa que
  profissionais contratados para esta finalidade atuariam na prevenção e
  na promoção da saúde mental (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2020). Ainda
  que tenham existido iniciativas anteriores dentro das forças policiais
  – especialmente na Polícia Militar –, esta organização, em esfera
  estadual, ocorreu pela primeira vez na definição de um programa mais
  amplo para toda a estrutura da Segurança Pública.</p>
  <p>O programa do estado paranaense foi regulamentado na forma do
  Decreto 6.297 do governo do estado, na data de 4 de dezembro de 2020
  (PARANÁ, 2020). Este decreto indica a estrutura de funcionamento do
  programa, com dois Centros de Atendimento Psicossocial nas cidades
  mais populosas (Curitiba e Londrina) e 26 Seções de Atendimento
  Psicossocial capilarizadas pelo território estadual. Com o nome
  fantasia de “Programa Prumos”, tem o objetivo de “implementar
  políticas de qualidade de vida, bem-estar, saúde, desenvolvimento
  pessoal, exercício da cidadania e valorização desses profissionais”
  (PARANÁ, 2020). Ainda aponta para a projeção do aumento de expectativa
  de vida, produtividade e autoestima dos servidores da segurança
  pública; diminuição de rotatividade, vitimização e absenteísmo destes;
  bem como prevê a melhoria da qualidade de vida e qualificação
  profissional.</p>
  <p>A implantação deste trabalho é algo positivo e pode ter um
  direcionamento adequado. Para um programa ser formatado de forma a
  respeitar as especificidades deste público, ele deve ter um marco de
  enfrentamento das questões mais basais, tomando-se como modelo a
  estrutura de atenção à saúde prevista no Sistema Único de Saúde – SUS.
  Este modelo pressupõe um atendimento escalonado em complexidade, dando
  ênfase à promoção de saúde como ação primária (Lei Nº 8.080, 1990).
  Dentro da organização do SUS está previsto no art. 5º, inciso III, que
  é objetivo do sistema “a assistência às pessoas por intermédio de
  ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização
  integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas”
  (BRASIL, 1990).</p>
  <p>Dentro desta proposta, a atuação de um programa de atenção ao
  servidor da segurança pública deve estar pautada primeiramente na
  prevenção. Compreende-se como prevenção ações de promoção de saúde,
  visando (idealmente) ao não surgimento de alterações comportamentais
  derivadas da atuação profissional.</p>
  <p>Pesquisas de avaliação e intervenção, como a proposta por Silveira
  (2020), demonstram resultados positivos e significativos da
  efetividade de um programa de intervenção na fase de pós-teste,
  apontando para uma diminuição significativa dos níveis de Afetos
  Negativos (como solidão, tristeza, irritação e preocupação) e um
  aumento dos Afetos Positivos (interpretações positivas das relações
  sociais, contribuição para bem-estar físico e aumento da resiliência
  diante de eventos estressores), e Satisfação com a vida do grupo
  experimental; assim como também ampliaram a percepção desse grupo de
  Suporte Social e Emocional. Machado e Rocha (2015), reforçam a
  necessidade de projetos no nível de intervenção organizacional, de
  prevenção, treinamentos de habilidades sociais e estímulo à manutenção
  da saúde física e mental, e enfatizam a necessidade de esclarecimento
  sobre os processos de psicoterapia com o objetivo de obter maior
  adesão desses profissionais, em consonância com Silveira (2020). Esta
  autora indica que a intervenção realizada aos profissionais de
  segurança pública contribui para que estes percebam a necessidade de
  receber apoio emocional, característica vital para uma carreira que
  expõe com frequência o servidor a situações estressoras e de risco
  iminente e constante de morte.</p>
  <p>Também é importante levar em consideração o resultado de pesquisas
  como a de Castro, Rocha e Cruz (2019), que trazem alguns aspectos
  iniciais a serem considerados para o enfrentamento da problemática: é
  cada vez mais emergente a mudança do foco no individual para o âmbito
  coletivo, objetivando estratégias de reestruturação e reorganização
  das instituições policiais. Desta forma, são indicados programas
  institucionais de prevenção da saúde mental no trabalho, promovendo
  estratégias de controle e prevenção, reduzindo o absenteísmo e a
  valorização do suporte social. Também são indicadas a assistência
  psicológica permanente, como atividade institucional, e as
  intervenções em grupo, instrumento importante para o enfrentamento de
  questões oriundas da violência e do cotidiano policial, assim como
  para a recuperação da autoestima. Ao se pensar no âmbito coletivo,
  também é proposta a flexibilização das organizações policiais
  (<italic>ibid.</italic>). Desta forma:</p>
  <p>Propõe-se que a organização contemporânea do trabalho se paute por:
  exigir do policial força física, mas também energia intelectual;
  privilegiar o trabalho em equipe; minimizar as hierarquias e estimular
  a cooperação; encorajar a produtividade individual e coletiva,
  compreendendo que a valorização e a satisfação do profissional dessa
  categoria são fundamentais para a segurança e proteção de toda a
  sociedade. (CASTRO; ROCHA; CRUZ, 2019, p. 535).</p>
</disp-quote>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<disp-quote>
  <p>No percurso de construção deste escrito, foi possível investigar de
  modo reflexivo e argumentativo a problemática enfrentada por
  profissionais da segurança pública. Por meio de revisão literária,
  propusemos ideias para lidar com o sintomático adoecimento de todo um
  coletivo. Apontamos, neste contexto, para a peculiaridade do trabalho
  de tipo policial, para tentar compreender o conflito identitário que
  ocorre quando este trabalhador se vê em desconforto consigo mesmo.
  Este desconforto é verificável no agir de forma arbitrária em sua
  própria comunidade ou ainda no fazer parte de uma corporação que
  constantemente tem sua credibilidade questionada e criticada pública e
  midiaticamente, gerando processos de adoecimento.</p>
  <p>O conceito de <italic>not-being-at-ease</italic> é bem observado
  nos agentes de segurança pública, que vivem em confronto com
  diferentes e ambíguos aspectos de sua individualidade, como ser ao
  mesmo tempo parte da “comunidade” e “agente opressor” desta. Essa
  situação agrava-se dada a imobilidade laboral característica da
  profissão, que não permite manifestação autêntica do ser; pelo
  contrário: há repressão e tentativa de padronização. Além disso, essa
  sensação de mal-estar no mundo agrava-se ao acirrar discursos que
  estimulam a ação repressiva violenta da polícia contra a comunidade,
  corroendo, ainda mais, a relação instituição-população em um constante
  círculo de produção de violência.</p>
  <p>Destaca-se como essencial a manutenção da saúde desses
  profissionais, que não apenas contribui para a saúde do indivíduo,
  como também impacta diretamente no serviço prestado à população. A
  melhora da saúde e da prestação de serviços de segurança pública
  contribui para a melhor avaliação da imagem da corporação e do
  profissional, resultando na colaboração e na confiança da população e
  reduzindo o sentimento de descrédito. Essa conciliação, por sua vez,
  favorece o aumento da qualidade de vida do profissional, contribuindo
  para a formação de um ciclo positivo nas relações
  indivíduo/instituição e policial/sociedade.</p>
</disp-quote>
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Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS);
institui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp); altera a Lei
Complementar Nº 79, de 7 de janeiro de 1994, a Lei Nº 10.201, de 14 de
fevereiro de 2001, e a Lei Nº 11.530, de 24 de outubro de 2007; e revoga
dispositivos da Lei Nº 12.681, de 4 de julho de 2012. Brasília/DF:
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Social, financiados com os recursos do Fundo Nacional de Segurança
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