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<p><bold>Violência contra as mulheres na Paraíba: Um enfoque para casos
de homicídios de 2011 a 2017</bold></p>
<p>Autor: Otoniel Rodrigues dos Anjos Junior</p>
<p>Mini-Bio: Doutorando em Economia Aplicada (PPGE-UFPB), mestrado em
Economia Aplicada (PPGE-UFPB) e graduação em Economia (UFPB). Estuda
temas relacionados à criminalidade, seus determinantes e/ou efeitos
multiplicadores.</p>
<p>Titulação: Mestrado</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Paraíba</p>
<p>Cidade: João Pessoa</p>
<p>E-mail de contato: pbdosanjos@hotmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-0085-4893">https://orcid.org/0000-0003-0085-4893</ext-link></p>
<p>Autora: Marily Miguel Porcino</p>
<p>Mini-Bio: Advogada</p>
<p>Titulação: Especialista</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Paraíba</p>
<p>Cidade: Itaporanga</p>
<p>E-mail de contato: marilyadv@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-3368-3106">https://orcid.org/0000-0002-3368-3106</ext-link></p>
<p>Contribuição de cada autor:</p>
<p>O Trabalho é fruto de orientação. Dessa forma, foi construído em
conjunto entre os dois autores, sob orientação do Otoniel Rodrigues dos
Anjos Junior.</p>
<p>Resumo</p>
<p>O objetivo do presente trabalho é verificar o comportamento dos
homicídios contra mulheres no Estado da Paraíba entre os anos de 2011 e
2017. Os dados empregados são oriundos da Secretaria de Estado da
Segurança e Defesa Social da Paraíba (SESDS/PB). A análise de dados
utilizada é do tipo quantitativa descritiva: construída a partir de
gráficos e tabelas. Os resultados mostram que entre 2011 e 2017 ocorreu
contração de 45,75% nas mortes de mulheres na Paraíba. Além disso, a
proporção de mortes femininas é de 7,8% do total. Nesse caso, a maior
parte dos criminosos emprega armas de fogo (63,6%) e armas brancas
(22,3%), e a idade mais frequente da vítima é de 30 anos. Por fim,
quando analisada a taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes,
a redução dos homicídios contra mulheres é de 47,5% no período. A
contração nos números de homicídios contra mulheres parece ter relação
com a implantação de políticas públicas combativas no Estado: o programa
“Paraíba Unida pela Paz”, que combate crimes violentos em todo Estado, a
criação dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher, a implantação
de unidades de “Casa Abrigo” para acolher vítimas de violência doméstica
e o aumento na quantidade de delegacias especializadas nesse tipo de
atendimento.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Violência. Contra Mulher. Paraíba.</p>
<p>Violence against women in Paraíba: An approach to homicide cases in
the period from 2011 to 2017</p>
<p><italic>Abstract</italic></p>
<p><italic>The objective of the present work is to verify the behavior
of homicides against women in the State of Paraíba between the years
2011 and 2017. The data used come from the State Secretariat of Security
and Social Defense of Paraíba (SESDS/PB). The data analysis used is of
the descriptive quantitative type: constructed from graphs and tables.
The results show that between 2011 and 2017 there was a 45.75%
contraction in the deaths of women in Paraíba. In addition, the
proportion of female deaths is 7.8% of the total. In this case, most
criminals use firearms (63.6%) and bladed weapons (22.3%), and the
victim's most frequent age is 30 years. Finally, when analyzing the
mortality rate per group of 100 thousand inhabitants, the reduction in
homicides against women is 47.5% in the period. The contraction in the
number of homicides against women seems to be related to the
implementation of combative public policies in the State: the “Paraíba
Unida pela Paz” program that combats violent crimes throughout the
State, the creation of Reference Centers for Assistance to Women, the
implantation “Casa Abrigo” units to welcome victims of domestic violence
and the increase in the number of police stations specialized in this
type of assistance<bold>.</bold></italic></p>
<p><italic><bold>Keywords</bold>: Violence. Against Women.
Paraíba.</italic></p>
<p>DOI:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1110">https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1110</ext-link></p>
<p>Data de recebimento: 07/03/2019</p>
<p>Data de aprovação: 01/07/2020</p>
<p><bold>Introdução</bold></p>
<p>Na virada do século a Organização das Nações Unidas (ONU) percebeu a
necessidade de tomar medidas globais para melhorar e preservar a vida
saudável na Terra. Com isso, surgiram os Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio (ODM), que consistiam num plano com oito
metas<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> para melhorar o mundo. Esses
objetivos foram idealizados no ano 2000 durante a realização da Cúpula
do Milênio da ONU, com a participação de 191 nações.</p>
<p>Os ODM serviram de base para alavancar estudos em diversas áreas do
desenvolvimento; 15 anos depois, esses objetivos foram aprimorados e
aprofundados, embasando a criação dos Objetivos do Desenvolvimento
Sustentável (ODS). Todo esse processo culminou na criação da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável.</p>
<p>A Agenda 2030, proposta em 2015, contém 169 metas distribuídas em 17
objetivos – todos devem ser atingidos até 2030. Na visão da Confederação
Nacional de Municípios (CNM), o plano é colocar os países na rota do
desenvolvimento, pautada em cinco áreas de importância (ou 5 Ps):
Pessoas – erradicar a pobreza e a fome de todas as maneiras e garantir a
dignidade e a igualdade; Prosperidade – garantir vidas prósperas e
plenas, em harmonia com a natureza; Paz – promover sociedades pacíficas,
justas e inclusivas; Parcerias – implementar a agenda por meio de uma
parceria global sólida; e Planeta – proteger os recursos naturais e o
clima do nosso planeta para as gerações futuras (CNM,
2016)<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>.</p>
<p>O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável n.º 5 refere-se à igualdade
de gênero e ao empoderamento de todas as mulheres e meninas. Uma das
metas relacionada aos ODS consiste em eliminar todas as formas de
violência – contra mulheres e meninas – na esfera pública ou privada
(CNM, 2016). Dessa forma, um requesito ao desenvolvimento sustentável é
o combate à violência com foco nesses grupos vulneráveis de
mulheres.</p>
<p>A violência contra mulheres, nos moldes que hoje se apresenta, é tida
como um problema de saúde pública, pois afeta um número razoável de
mulheres, muitas vezes difícil de ser mensurado devido à falta de
denúncias por parte das vítimas (subnotificações). Além disso, deve-se
considerar todos os tipos de violência a que as mulheres são submetidas
pelo simples fato de serem mulheres: violência física, sexual,
patrimonial e de ordem psicológica.</p>
<p>Segundo Anjos Júnior (2015), cerca de 10% das vítimas de homicídio no
país são do sexo feminino. Além disso, o autor aponta que apesar do
número absoluto de homicídios de mulheres ser considerado baixo, esses
homicídios não são menos importantes, pois deve-se observar a motivação
e o grau de parentesco do responsável pelo crime; nesse caso, os
homicídios contra mulheres apresentam forte relação com problemas
internos ao lar, praticados por pessoas do convívio dessas mulheres.
Ademais, a maior forma de expressão de diferenciação de gênero está na
forma como cada um é atingido pela violência, posto que, homens são
geralmente vitimados em espaços públicos, enquanto que mulheres o são no
ambiente doméstico (MARTINS; CERQUEIRA; MATOS<italic>,</italic>
2015).</p>
<p>A busca pela igualdade de gênero, tão em evidência atualmente, teve
início no Brasil no século passado, com o movimento feminista que se
opunha às diversas formas de violência contra mulheres. Segundo Bandeira
(2014), um dos fundamentos do mundo machista usado para explicar a
violência contra mulheres se refere ao patriarcado, sendo assim,
corresponde ao modo de pensar dominador que o homem deve ter em relação
à mulher – tese facilmente aceita pela sociedade. No entanto, a
violência contra mulheres apresenta taxa crescente, seja pelo aumento do
número de denúncias ou mesmo pelo próprio comportamento agressivo da
sociedade. Por fim, para a autora, deve-se observar que o patriarcado,
por si só, talvez não seja o único responsável pela dinâmica da
violência de gênero no Brasil.</p>
<p>A legislação brasileira se modernizou nas últimas décadas de forma
que passou a punir mais rigorosamente alguns crimes praticados contra
mulheres. Além disso, outras medidas também são importantes como, por
exemplo, conscientização, disseminação de informações, atuação da mídia
e organizações sociais, entre outras.</p>
<p>No Brasil, há duas importantes medidas no combate à violência contra
mulheres: a Lei Maria da Penha (Lei 11.340 de 2006) e a Lei do
Feminicídio (Lei 13.104 de 2015). Além disso, existem também as Casas
Abrigo e os Centros de Referência de Atendimento à Mulher, que funcionam
como importantes instrumentos para as vítimas de violência no país.
Apoiar mulheres vítimas, sobretudo nos períodos logo após terem
denunciado seus agressores, é de fundamental importância, principalmente
quando a mulher é financeiramente dependente do agressor. Segundo
Krenkel e Moré (2017), há aspectos positivos da passagem das mulheres
por essas casas de apoio como, por exemplo, o apoio oferecido pelas
profissionais e as redes de amizade; por fim, acabam sendo um recurso
essencial no enfrentamento da violência devido ao amparo dado à família
como um todo.</p>
<p>A violência contra mulheres é um problema de saúde pública, sobretudo
os homicídios que figuram como marca maior dessas agressões. O Estado da
Paraíba, foco deste estudo, segundo o Atlas da Violência de 2018, obteve
uma gradativa e considerável redução das mortes de mulheres: em 2011
ocupava a 3ª posição entre as Unidades da Federação mais violentas; em
2016 passou para a 18ª posição; uma redução de aproximadamente 46% nos
casos de homicídios femininos.</p>
<p>Assim, o objetivo do presente trabalho é verificar o comportamento
dos homicídios contra mulheres no Estado da Paraíba entre os anos de
2011 e 2017. O marco inicial é 2011 porque um ano antes (2010) ocorreu a
criação da Secretaria Especial de Estado de Políticas Públicas para
Mulheres da Paraíba, bem como o Estado assinou a adesão ao Pacto
Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Do mesmo modo,
foi dada ênfase ao ano de 2017 por este apresentar uma menor quantidade
absoluta de mortes por homicídios de mulheres no Estado; além disso,
2017 é o ano mais recente da série e que está disponível para acesso.
Logo, esse dado é o que permite avaliar melhor o problema da violência
dentro dos limites do Estado.</p>
<p>O cerne do estudo recai na mulher, na violência contra a mulher,
porque culturalmente o sexo feminino é considerado frágil, e disso se
aproveitam alguns homens; além do mais, a importância da mulher no lar
como um elo afetivo estruturador é inegável. Devendo ainda ser
mencionado que, segundo Sagin (2008), os lares cenários de violência
doméstica, geralmente, desenvolvem crianças inseguras, ansiosas e com
tendências delinquentes.</p>
<p>Este artigo está estruturado em cinco seções juntamente com esta
introdução. A próxima seção consiste na revisão da literatura. Na seção
subsequente, têm-se os procedimentos metodológicos adotados. Em seguida,
os resultados alcançados e as discussões. Por fim, as considerações
cabíveis.</p>
<p><bold>Revisão da literatura</bold></p>
<p>Os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) registrou,
apenas em 2015, um total de 59.080 homicídios no Brasil, com aumento de
5,82% no ano seguinte (em 2016 foram 62.517 homicídios). A quantidade de
mortes no país é alta, com impacto negativo sobre o bem-estar e a
qualidade de vida da população como um todo. Nesse cenário, destaca-se a
violência em função de gênero, que se tornou um problema de saúde
pública no Brasil. Segundo Bueno (2017), o Brasil registrou 4.621
mulheres assassinadas apenas em 2015, valor que corresponde a 4,5 mortes
por grupo de 100 mil mulheres.</p>
<p>Meneghel e Hirakata (2011) analisaram a relação entre a mortalidade
de mulheres e os indicadores sociodemográficos e de saúde entre os anos
de 2003 e 2007, para tanto, utilizaram 19.459 óbitos oriundos do Sistema
de Informações sobre Mortalidade (SIM). Por fim, mostraram que a
mortalidade feminina varia entre as regiões brasileiras, sendo que os
Estados do Espírito Santo, de Pernambuco, de Mato Grosso, do Rio de
Janeiro, de Rondônia, de Alagoas, de Mato Grosso do Sul, de Roraima e do
Amapá apresentaram os maiores coeficientes desse tipo de mortalidade,
respectivamente.</p>
<p>Costa et al (2011) traçaram o perfil socioeconômico e
tocoginecológico de mulheres vítimas de violência, dessa forma, buscaram
identificar os principais tipos de violência contra mulheres e conhecer
as principais motivações. Para tanto, entrevistaram 64 usuárias de um
centro especializado de referência em atendimento às mulheres vítimas de
violência, localizado na cidade de Fortaleza, Ceará; os dados foram
coletados no período entre abril e maio de 2009. Por fim, mostraram que
as vítimas são mulheres jovens (75%), que viviam com o companheiro
(81,2%), principal agressor (81,2%), que cometeu principalmente
violência psicológica (100%). Além disso, no referente a lesões físicas,
a grande maioria denunciou (93,5%) o agressor. No entanto, em menos da
metade dos casos foram realizados exames de corpo de delito (42%),
ressaltando a importância da atuação dos profissionais de saúde, pois
são capazes de reconhecer possíveis situações de violência, orientar as
vítimas a tomarem as medidas cabíveis, podendo prevenir, assim, a
ocorrência de novos casos.</p>
<p>Bandeira (2009) utilizou-se de reportagens da imprensa nacional para
estudar a violência contra mulheres. Nesse caso, buscava verificar a
relação entre violência e estratégia de controle sobre o gênero
feminino. Dessa forma, concluiu que, apesar da importante conquista
legislativa que foi a Lei Maria da Penha e dos demais avanços
socioculturais e jurídicos operados no país ao longo desses 30 anos, a
violência contra a mulher continua presente tanto na cultura quanto nas
práticas jurídicas, pois a lógica moral masculina ainda reina,
fazendo-se presente nas instituições, entre os agentes públicos, nos
espaços privados, na família e na sociedade em geral.</p>
<p>Marinheiro et al (2006) estudaram uma amostra de 265 mulheres com
idade entre 18 e 49 anos, usuárias de um centro de saúde distrital de
São Paulo. Nesse estudo foi dada ênfase às violências psicológicas,
físicas, sexuais e gerais. Nesse caso, concluíram que existem fatores de
risco pré-determinados para cada tipo de violência como, por exemplo,
uso de drogas pelo companheiro, condição socioeconômica, baixa ou
nenhuma escolaridade, histórico de violência na família, entre outros.
Nessa linha, Couto et al (2006) realizaram estudo com homens e mulheres
na faixa etária de 25 a 35 anos, a fim de entenderem como pessoas de
baixa renda e baixa escolaridade pensam suas relações afetivo-familiares
e os diferentes contextos de violência que vivenciam.</p>
<p>Segundo Silva (2003), a violência contra a mulher ocorre
independentemente das características sociodemográficas, sendo o lar da
vítima o local de maior incidência dessas práticas nefastas. Além disso,
o incentivo às políticas públicas que qualifiquem profissionais da saúde
é de extrema importância, pois a mulher vítima de violência, na maioria
com vergonha ou medo de procurar a justiça, recorre a tais profissionais
para aliviar suas dores físicas e psicológicas.</p>
<p>Medrado, Lemos e Brasilino (2011) buscaram observar a violência sob a
ótica do agressor. Nesse caso, entrevistaram 55 profissionais que
atuavam na região metropolitana de Recife, em serviços ligados a
denúncias e acompanhamento de violência. Os resultados evidenciaram uma
ordem de posicionamentos organizada nos eixos punição, prevenção e
medidas assistenciais, os quais remetem a uma polissemia de sentidos
sobre a violência. Por fim, sugeriram aprofundamentos nos estudos
relativos aos agressores de mulheres, além de investimento em processos
de sensibilização de gênero e ressignificação simbólica dos próprios
profissionais.</p>
<p>Vieira et al (2008) identificaram, através da ótica das vítimas, os
principais fatores de risco para as violências doméstica e coletiva
contra a mulher. Para tanto, aplicaram o Modelo Calgary de Avaliação em
Famílias (MCAF) com moradoras de uma comunidade localizada na cidade de
Fortaleza (CE), em 2005. As mulheres entrevistadas demonstraram conhecer
alguns dos fatores de risco da violência, no entanto, não sabiam como
proceder a fim de evitarem a violência sofrida, dadas as condições
desfavoráveis de habitação e do entorno familiar, que não podem ser
descartadas nem modificadas em curto prazo. Por fim, deve-se entender
que essas mulheres vivem em um sistema de isolamento social e político
que, além de contribuir para a reprodução dos variados tipos de
violência, as impede de desenvolverem uma autonomia saudável.</p>
<p>Silva (2003) utilizou um hospital de urgência e emergência da cidade
de Salvador (BA) como cenário para subsidiar sua pesquisa sobre
violência contra a mulher. Nesse caso, empregou amostragem por
conglomerado e aplicou um questionário para entrevistar 701 mulheres na
faixa de 15 a 49 anos de idade. Desse total, 45,79% relataram ter
sofrido algum tipo de violência, seja física, sexual e/ou psicológica.
Um dos grandes desafios é o fato da mulher que sofre violência acreditar
ser essa violência “algo comum” no dia a dia de um casal, sendo que o
consumo de álcool, o uso de drogas ilícitas, o desemprego e a baixa
escolaridade são agravantes da ocorrência da violência entre as famílias
(VIEIRA et al, 2008).</p>
<p>Rabello e Caldas Júnior (2007) empregaram dados de violência no
município de João Pessoa, no Estado da Paraíba, entre os anos de 2004 e
2005. Em sua análise, usaram o método experimental com um grupo de 260
mulheres divididas em dois grupos: um composto por 130 mulheres
agredidas que prestaram queixa por violência doméstica na Delegacia
Especializada da Mulher e outro também composto por 130 mulheres que não
sofreram violência e eram vizinhas de bairro das mulheres do primeiro
grupo. A coesão, a adaptabilidade e o risco mental foram avaliados pela
escala <italic>Family Adaptability and Cohesion Evaluation
Scales</italic>. Por fim, a análise concluiu que os dois grupos
estudados se comportaram de forma diferente frente aos riscos mentais e
à coesão, mas semelhantes quanto à adaptabilidade familiar.</p>
<p>Lucena et al (2012) identificaram áreas prioritárias com maiores
índices de violência doméstica no município de João Pessoa (PB). A
pesquisa foi elaborada com base em todas as denúncias de mulheres
vítimas durante os anos de 2002 e 2005 na Delegacia Especializada de
Atendimento da Mulher do município. Nesse caso, concluíram que as
mulheres vítimas necessitam de atenção especial do poder público, para
isso, os governantes devem reestruturar as instituições envolvidas nesse
processo, promover a educação permanente nos serviços de atendimento às
vítimas e incentivar discussões sobre gênero e violência contra a
mulher.</p>
<p>Cortes, Luciano e Dias (2012) analisaram a violência contra a mulher
a partir de pesquisas quantitativas e descritivas, com coleta de dados,
realizadas no Centro de Referência da Mulher Ednalva Bezerra (CRMEB),
localizado na cidade de João Pessoa (PB), no período entre 2007 e 2011.
Nesse caso, mostraram que um dos grandes desafios na prevenção e no
combate à violência que atinge milhares de mulheres está relacionado ao
modo como essa violência é vista, tanto pela vítima como pelas demais
pessoas. Dessa forma, consideraram a informação como essencial para que
seja compreendida a dinâmica da violência, bem como para que as
políticas públicas sejam aperfeiçoadas na promoção da prevenção. Nesse
contexto, as autoras concluíram que o CRMEB é de extrema importância no
atendimento às mulheres em situação de violência, por ser disseminador
de informação.</p>
<p>Costa, Serafim e Nascimento (2015) fizeram um estudo para descrever
as denúncias de violência contra mulheres. Essas informações foram
colhidas de um Centro de Referência de Atendimento à Mulher no município
de Cajazeiras, no Estado da Paraíba. Assim, a partir de 80 denúncias,
constataram que a maioria das denúncias partiu de mulheres casadas
(58,75%), com filhos (86,25%), com idade de até 40 anos e com baixa
escolaridade (65%), que tiveram o lar como principal local da agressão
(62,5%), tendo sido a violência psicológica a principal (80%) causa.
Além disso, parte das vítimas afirmou que não deixava o lar abusivo por
conta da dependência financeira. Nessa linha, Fonseca et al (2012)
identificaram que a violência psicológica é aquela com maior incidência,
causando danos emocionais a longo prazo, afetando diretamente o
desenvolvimento e a saúde mental das vítimas.</p>
<p>Cortes (2014), por meio de um estudo quantitativo documental,
concluiu que um homicídio cometido contra uma mulher por conta do gênero
não é algo aleatório, acontece como expressão última de violências
anteriores. É nesse contexto que entram os Centros de Referência de
Atendimento à Mulher e as Casas Abrigo (o Estado da Paraíba conta com
seis e duas unidades, respectivamente), que são fontes de informação
dupla: informam e orientam as vítimas, bem como alimentam os bancos de
dados como forma de promover o enfrentamento da violência contra a
mulher.</p>
<p><bold>Metodologia</bold></p>
<p>O estudo é descritivo e busca demonstrar, por meio de estatísticas
descritivas, gráficos e tabelas como se comportou a dinâmica dos
homicídios contra mulheres no Estado da Paraíba nos últimos sete anos.
Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social da
Paraíba (SESDS/PB). Na construção da taxa de homicídios por 100 mil
habitantes, empregaram-se os dados populacionais das estimativas
publicadas anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) entre os anos de 2011 e 2017.</p>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[\text{Crim}e_{i,t} = (M_{i,t}\ /N_{i,t})\ *100\ mil]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">Crim</mml:mtext><mml:msub><mml:mi>e</mml:mi><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>t</mml:mi></mml:mrow></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:msub><mml:mi>M</mml:mi><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>t</mml:mi></mml:mrow></mml:msub><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>/</mml:mi><mml:msub><mml:mi>N</mml:mi><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>t</mml:mi></mml:mrow></mml:msub><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo>*</mml:mo><mml:mn>100</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula></p>
<p>Crime é a taxa de morte por 100 mil habitantes;</p>
<p>Os subscritos <italic>i</italic> e <italic>t</italic> representam,
respectivamente, o município e o tempo;</p>
<p><italic>M</italic> é o número absoluto de mortes do município
<italic>i</italic> no tempo <italic>t</italic>;</p>
<p>N é a população (ou estimativa populacional) do município
<italic>i</italic> também no tempo <italic>t</italic>.</p>
<p>Além dessa análise, foram considerados também alguns critérios: total
de homicídios, homicídios por sexo das vítimas, proporção de homicídios
por sexo das vítimas, proporção de homicídios contra mulheres por tipo
de arma, taxa de homicídios por sexo das vítimas e dados relativos aos
municípios mais violentos em taxas de homicídios do Estado da Paraíba em
2017.</p>
<p>Elaborou-se, ainda, uma tabela contendo os dados da estatística
descritiva referente à idade das vítimas de homicídios na Paraíba. Por
fim, fez-se uma breve análise do número de homicídios de mulheres
ocorridos na Paraíba no ano de 2017, os quais foram distribuídos por
municípios, com destaque para os de maior incidência, que
coincidentemente são os maiores do Estado em diversos aspectos:
dinâmicas populacional e econômica, estruturas de saúde, judiciária,
educacional, entre outros.</p>
<p><bold>Resultados</bold></p>
<p>De acordo com o exposto no Gráfico 1, o número geral de homicídios
ocorridos no Estado da Paraíba entre os anos de 2011 e 2017 apresentou
queda, mas com média anual de homicídios de 1.482 ocorrências. Nesse
caso, duas informações são importantes: inicialmente, deve-se levar em
conta que, por enquanto, não foi considerado o fenômeno do crescimento
populacional do período pós ano de 2010; além disso, deve-se destacar
que a quantidade total de homicídios apresentou movimento monótono de
redução ao longo do tempo. Nessa linha, Anjos Júnior (2015) demonstrou
um razoável crescimento nos casos de homicídios na Paraíba entre os anos
2000 e 2011, segundo o qual a taxa de criminalidade quase triplicou em
dez anos, mas a partir de 2011 a quantidade de ocorrências passou a
contrair no Estado<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><disp-quote>
        <p><bold>Gráfico 1: Paraíba – total de homicídios por sexo da
        vítima entre 2011 e 2017</bold></p>
      </disp-quote></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>[CHART]</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><disp-quote>
        <p>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.</p>
      </disp-quote></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>No Brasil, conforme dados do Atlas da Violência 2018, ocorreu aumento
gradativo na quantidade de mortes, salvo o ano de 2015 que apresentou
queda, voltando a subir em 2016, totalizando 32.599 mulheres vítimas de
homicídio no período de 2010 a 2016. Já os números do Estado da Paraíba
mostram que foram 731 mulheres vítimas de homicídios no mesmo período
(2,24% do total nacional).</p>
<p>Ao passo que se analisa o período entre 2010 e 2017, os casos de
homicídios de mulheres ocorridos no Estado totalizaram 814 vítimas.
Considerando que o total de mortes por homicídios no período foi de
10.378 vítimas, logo, as mortes femininas representam 7,86% de todos os
casos de homicídios ocorridos na Paraíba entre 2010 e 2017.</p>
<p>De acordo com estimativas populacionais elaboradas pelo IBGE, entre
2011 e 2017 o aumento populacional foi de 6,18% no Estado, saindo de
3.791.315 habitantes em 2011, para 4.025.558 habitantes em 2017. Logo,
mesmo com o crescimento populacional experimentado pelo Estado no
período, houve redução nos homicídios de mulheres na ordem de 45,75%.
Além disso, há disparidade entre o número de homicídios por sexo da
vítima. Dessa forma, no período em questão, ocorreram 814 casos de
homicídios contra mulheres (7,86%), ao passo que as vítimas do sexo
masculino chegaram ao total de 9.564 casos (92,14%). Por fim,
observam-se reduções na quantidade de mortes masculinas (21,48%) e na
mortalidade geral (23,81%), no mesmo período. Essa contração pode ser em
razão da política de segurança pública estadual que premia
semestralmente as unidades policiais que atingem melhores indicadores,
sobretudo de mortalidade. O programa denominado “Paraíba Unida pela Paz”
foi implantando entre 2011 e 2012, aprimorado e transformado em lei mais
recentemente (Lei 11.049/2017).</p>
<p>Conforme consta no Atlas da Violência de 2018, a redução na taxa de
homicídio na Paraíba pode estar relacionada à implantação de políticas
públicas estaduais, com destaque para o programa Paraíba Unida pela Paz
criado em 2011. Nesse caso, o Estado saltou da 3ª colocação (2011) para
a 18ª (2016) no <italic>ranking</italic> da violência entre as unidades
federativas do Brasil. Além disso, deve-se lembrar, ainda, a importância
da criação das Casas de Acolhimento para mulheres vítimas de violência
(Casas Abrigo), dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher, da
Secretaria Especial de Estado de Políticas Públicas para Mulheres da
Paraíba e da expansão na quantidade de delegacias especializadas no
atendimento à mulher vítima. Além disso, o Estado assinou a adesão ao
Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, em que se
compromete na redução desses índices.</p>
<p>Como visto, os casos de homicídios de mulheres são bem menores
comparativamente aos de homens, não chegando a ultrapassar 10% em nenhum
dos anos em estudo (Gráfico 2). No entanto, o cerne do problema não está
na quantidade e sim em como se dá o fato delituoso. Segundo Carcedo e
Sagot (2000), apesar do quantitativo de homicídios de mulheres ser baixo
comparativamente aos masculinos, não se deve negligenciar a importância
desse fenômeno, posto que configura um problema social grave, haja vista
sua ocorrência se dar simplesmente por conta da condição de gênero da
vítima.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Gráfico 2: Paraíba – proporção de homicídios por sexo da
  vítima entre 2011 e 2017</bold></p>
</disp-quote>
<table>
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>[CHART]</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Segundo Peres e Santos (2005), durante a década de 90 a arma de fogo
foi o principal instrumento utilizado nos crimes de homicídio.
Atualmente, o uso da arma de fogo no Brasil ainda supera qualquer outro
instrumento. De acordo com Anjos Júnior (2015), o país está em primeiro
lugar no mundo em número de homicídios praticados por armas de fogo,
superando México, Colômbia e EUA.</p>
<p>A proporção de homicídios contra mulheres na Paraíba entre 2011 e
2017 por tipo de arma (Gráfico 3) demonstra que as armas de fogo se
sobressaem comparativamente aos demais métodos empregados. Dessa forma,
a utilização de arma de fogo supera quaisquer outros instrumentos,
possuindo média de incidência de 63,8% dentro do período; seguido pelo
uso de armas brancas (média de 22,3%) e de outros instrumentos (13,9%),
dos quais se pode incluir: asfixia, carbonização, envenenamento,
espancamento, afogamento, estrangulamento, entre outros. Por fim, na
ótica de Silva et al (2013), a força da soberania masculina sobre a
feminina ainda reina, sendo demonstrada pela violência que o homem
inflige à mulher, não importando o tipo de arma empregada, já que o
intuito do agressor é demonstrar força e poder.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><p><bold>Gráfico 3: Paraíba – proporção de homicídios contra
      mulheres por tipo de arma entre 2011 e 2017</bold></p>
      <p>[CHART]</p></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>A Tabela 1 mostra a estatística descritiva da idade das vítimas,
segundo o sexo das vítimas, no Estado da Paraíba em 2017. Desse modo, a
média para vítimas de homicídios do sexo masculino é de 31 anos, e para
o sexo feminino é de 30 anos. Além disso, a idade em que se observa
maior quantidade de mortes (moda) para mulheres é de 20 anos, mas no
caso masculino esse valor aumenta para 21 anos de idade. Graça, Cruz e
Irffi (2017) esclarecem que a maioria das vítimas de homicídios do sexo
feminino está em idade economicamente ativa, ou seja, em idade de
ingresso ou já em atividade no mercado de trabalho, o que causa uma
perda de produtividade geral. Já Anjos Júnior (2015) mostra que a taxa
de criminalidade é mais elevada entre indivíduos com idade entre 15 e 24
anos. Nessa linha, Sapori (2007) argumenta que jovens com idade entre 15
e 24 anos aparecem como grupo de maior risco de vida na sociedade como
um todo.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <tbody>
    <tr>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Tabela 1: Paraíba – estatística descritiva da idade das
vítimas, segundo o sexo das vítimas no ano de 2017</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th></th>
      <th>Homem</th>
      <th>Mulher</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Média</td>
      <td>31</td>
      <td>30</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Moda</td>
      <td>21</td>
      <td>20</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Desvio padrão</td>
      <td>13</td>
      <td>14</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Mínimo</td>
      <td>11</td>
      <td>11</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Máximo</td>
      <td>86</td>
      <td>87</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa</p>
<p>No caso específico do homicídio de mulheres, além da perda econômica,
ainda existe a perda de renovação populacional, pois de acordo com o
exposto (Tabela 1), a média de idade das vítimas coincide com a idade
fértil das mulheres. Ainda segundo Graça, Cruz e Irffi (2017), na
Paraíba, a violência armada e as taxas de criminalidade matam todos os
anos uma crescente população jovem, o que contribui para o barramento do
crescimento econômico e do aumento de capital humano futuro.</p>
<p>Conforme exposto no Gráfico 4, houve movimento considerável de queda
na taxa de homicídios geral e na taxa de homicídios por sexo, com
destaque para os casos de homicídios contra mulheres que reduziu quase
pela metade no período. Esse fenômeno representa um importante avanço
para o Estado como um todo frente aos desafios de promover menores taxas
de criminalidade e vitimização, sobretudo devido à resistência dessas
taxas em todo país. Dessa forma, todo o exposto sinaliza que políticas
públicas adequadas podem contornar para níveis “aceitáveis” a situação
da mortalidade no país.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Gráfico 4: Paraíba – taxa de homicídios por 100 mil
      habitantes, segundo o sexo da vítima entre 2011 e 2017</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>[CHART]</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Por fim, apresentam-se os 20 municípios da Paraíba com maiores taxas
de homicídios por 100 mil habitantes do Estado em 2017 (Gráfico 5).
Nesse caso, chama a atenção a expressiva diferença entre a menor e a
maior taxa: saindo de 6,6 para 35,5 respectivamente. Além disso, no
mesmo ano, a taxa média de homicídios do Estado foi de 14,7 mortes por
100 mil habitantes. O receituário da Organização Mundial da Saúde (OMS)
sugere taxa abaixo de 10 por 100 mil habitantes como “adequada”. Dessa
forma, apesar de o Estado da Paraíba não atender a esse parâmetro,
poderá cumpri-lo nos próximos anos, dado o aprofundamento das políticas
públicas de combate ao crime que vigoram no Estado.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><disp-quote>
        <p><bold>Gráfico 5: Paraíba – 20 municípios de maiores taxas de
        homicídios por 100 mil habitantes em 2017</bold></p>
      </disp-quote></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>[CHART]</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>A Paraíba possui 223 municípios, no ano de 2017 foram registrados 83
homicídios de mulheres, distribuídos entre 41 municípios, sendo que os
quatro maiores – João Pessoa (18), Santa Rita (9), Campina Grande (8) e
Patos (3) – foram responsáveis por 38 das ocorrências, aproximadamente
46% do total; os demais 45 homicídios praticados contra mulheres estão
distribuídos em 37 outros municípios de menor expressão.</p>
<p>Por fim, a maior incidência de violência ocorre, em geral, nos
municípios mais desenvolvidos do Estado. Essa é uma dinâmica perversa
que merece ser estudada com maior profundidade. Por agora, sugere-se que
esse resultado é motivado pelo fato de nos grandes centros urbanos a
infraestrutura (dinâmica populacional, econômica, estrutura de saúde,
judiciária, educacional, entre outros) beneficiar a denúncia por parte
das vítimas e familiares; no entanto, nos municípios menores a falta de
apoio pode acabar minimizando a quantidade de denunciantes, com isso,
aumentando as subnotificações, prejudicando a implantação de políticas e
o combate ao problema da violência.</p>
<p><bold>Discussão</bold></p>
<p>No Brasil, somente de 2015 a 2016 foi registrado aumento de quase
3.500 homicídios. Estudos revelam que a violência no país ainda preocupa
e os números de homicídios são altos. Os homicídios de mulheres são
menores comparativamente aos de homens, no entanto, os casos dos crimes
cometidos contra mulheres chamam a atenção, sobretudo, porque a
principal motivação é devido ao gênero e em grande parte o agressor é
alguém próximo à vítima.</p>
<p>A violência praticada pela condição de gênero ofende de todas as
formas a dignidade da pessoa humana, vai além da condição social ou do
grau de instrução da vítima ou mesmo do agressor, e é, em pleno século
XXI, considerada cultural pela superioridade histórica que o homem
“teve/tem” sobre a mulher ou mesmo por “ter sido/ser provedor” do lar;
por fim, por suas características físicas que, na maioria, superam as
condições das mulheres.</p>
<p>Além disso, fato que chama a atenção é o aumento do uso de arma de
fogo na prática de homicídios de mulheres, que atualmente representa 64%
dos casos de violência, seguido do uso de armas brancas e de outros
meios como asfixia, carbonização, espancamento, dentre outros meios
cruéis. O uso da arma de fogo na prática de homicídios, apesar da
existência de lei específica que proíbe e pune a posse e o porte de arma
de fogo, justifica-se pela eficiência e rapidez no cometimento do crime,
não oferendo chances às vítimas (ANJOS JUNIOR, 2015).</p>
<p>Os dados referentes à idade das vítimas também chamam a atenção,
posto que são mulheres jovens, em idade economicamente ativa e fértil, o
que prejudica o desenvolvimento do país em duas vertentes: uma relativa
à economia e outra à renovação da população. A primeira diz respeito à
imediata perda financeira que o país tem com as mortes de mulheres, uma
vez que elas poderiam estar trabalhando e/ou estudando; nesse caso,
poderiam estar contribuindo ativamente com o crescimento e o
desenvolvimento do país. A segunda perda, de longo prazo, diz respeito à
renovação da população que, perdendo mulheres em idade reprodutiva, em
alguns anos terá um déficit populacional de jovens, tornando o Brasil um
país de velhos, o que poderá gerar uma série de problemas em cadeia,
ligados principalmente à geração de renda.</p>
<p>A ONU já considera a violência contra a mulher, cometida pela
condição de gênero, um problema de saúde pública que deve ser entendido
a nível global; os números dos homicídios ocorridos com essa motivação
são altos. A Paraíba tem combatido essa violência através de importantes
programas como: o programa Paraíba Unida pela Paz, a criação de Centros
de Referência e as Casas de Apoio. Como resultante, na Paraíba entre
2011 e 2017 ocorreu diminuição de 45,75% nas mortes de mulheres,
enquanto para os homens essa redução foi de 21,48%. Além disso, a
proporção de mortes femininas é de 7,8% frente a 92,2% de mortes
masculinas. As mortes femininas são em sua maioria praticadas por armas
de fogo (63,6%) e armas brancas (22,3%), respectivamente. A idade de
maior frequência para as mortes femininas é de 30 anos. Por fim, a taxa
de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes reduziu 47,5% para os
casos de mortes femininas e 26,05% para os casos de mortes
masculinas.</p>
<p>As Casas de Apoio são destinadas às mulheres vítimas de violência ou
que estão sob ameaça. Toda estrutura de instalação e os custos de
manutenção (segurança, alimentação, transporte, entre outros) são de
responsabilidade do poder público. Além disso, há apoio psicossocial e
informações diversas direcionadas ao combate da violência doméstica.
Nesse caso, essa estrutura objetiva evitar a agressão seguinte e ensinar
as vítimas a tomarem decisões acertadas e modificarem sua realidade, até
mesmo auxiliando outras vítimas a se recuperarem (KRENKEL; MORÉ, 2017).
Por fim, o atendimento às vítimas proporciona criação de banco de dados,
gera estatísticas e informações. Todo esse processo ajuda a redesenhar
políticas públicas, já que as informações nessa área são tão
deficitárias, sobretudo, devido às subnotificações.</p>
<p><bold>Considerações finais</bold></p>
<p>A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável destaca como
importante medida promover a igualdade de gêneros e o empoderamento de
mulheres e meninas e, neste, eliminar todas as formas de violência
contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas.
Assim, o presente trabalho analisou o comportamento dos homicídios
contra mulheres no Estado da Paraíba entre 2011 e 2017. Para tanto,
utilizou dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa
Social da Paraíba (SESDS/PB) em uma abordagem quantitativa, empregando
análise descritiva dos dados.</p>
<p>Os resultados mostram que entre 2011 e 2017 ocorreu contração de
45,75% nas mortes de mulheres e 21,48% nas mortes de homens. Além disso,
a proporção de mortes femininas é de 7,8% frente a 92,2% de mortes
masculinas. As mortes femininas são em sua maioria praticadas por armas
de fogo (63,6%) e armas brancas (22,3%), respectivamente. A idade de
maior frequência para as mortes femininas é de 30 anos. Por fim, a taxa
de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes reduziu 47,5% para os
casos de mortes femininas e 26,05% para os casos de mortes
masculinas.</p>
<p>Essa redução de homicídios parece ter relação inversa com a
implantação de políticas públicas combativas e locais como o programa
Paraíba pela Paz, a criação dos Centros de Referência de Atendimento à
Mulher, bem como das Casas Abrigo, e o aumento na quantidade de
delegacias especializadas em atendimento de mulher vítima de agressão.
Todos esses mecanismos são essenciais no trato da mulher vítima de
violência, acima de tudo informando e orientando essas vítimas no que
deve ser feito no pós-violência, porque o homicídio, muitas vezes, é o
ponto extremo de uma série de violências menores; combater tais
violências no momento certo pode mudar a realidade de muitas mulheres e
assim evitar que o extremo se concretize.</p>
<p>Apesar dos avanços constatados no Estado, muito ainda precisa ser
mudado, novas políticas públicas precisam ser implantadas e as
existentes precisam ser aperfeiçoadas com redesenhos. A sugestão é
implantar mecanismos mais velozes para prender e punir os culpados. Além
disso, cabe destacar que potencializar a ação das Casas Abrigo seria de
grande valor, uma vez que se mostram correlacionadas com a redução dos
homicídios no Estado. Ademais, é importante ensinar às gerações futuras
a importância da solução de problemas por meio do diálogo, de forma
pacífica e harmoniosa, sobretudo, pautada no respeito às leis e normas
sociais. Sendo assim, duas importantes aliadas do combate à violência é
a família e a escola. Nesse caso, esses ambientes podem construir no
futuro uma nação livre e igualitária, formando cidadãos esclarecidos e
detentores do saber, capazes de desenvolverem um futuro sustentável para
todos.</p>
<p>Por fim, a presente pesquisa não busca encerrar as discussões a
respeito da violência contra mulheres na Paraíba, sobretudo, porque não
foram utilizados mecanismos mais robustos de análises estatísticas. No
entanto, os resultados expostos aqui já são importantes avanços,
principalmente para direcionar melhor os recursos e aumentar a
eficiência das políticas públicas no setor.</p>
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Perspectiva Feminista</bold>. Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/6848/1/Conceituando%20Empoderamento%20na%20Perspectiva%20Feminista.pdf&gt;.
Acesso em: 18 ago. 2018.</p>
<p>SCHIAVO, Márcio R.; MOREIRA, Eliesio N. <bold>Glossário
Social</bold>. Rio de Janeiro: Comunicarte, 2005.</p>
<p>SILVA, A. C. G. et al. Violência contra mulher: uma realidade
imprópria. <bold>Revista Ciência Saúde Nova Esperança</bold>, v. 11, n.
2, p. 101-115, set. 2013.</p>
<p>SILVA, I. V.. Violência contra mulheres: a experiência de usuárias de
um serviço de urgência e emergência de Salvador, Bahia, Brasil.
<bold>Caderno Saúde Pública</bold>, Rio de Janeiro, n. 19, sup. 2, p.
263-272, 2003.</p>
<p>VIEIRA, L. J. E. de S. et al. Fatores de risco para violência contra
a mulher no contexto doméstico e coletivo. <bold>Revista Saúde e
Sociedade</bold>, São Paulo, v. 17, n. 3, p.113-125, 2008.</p>
<p><bold>APÊNDICE A – As 17 Metas para o alcance dos ODS</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Ministério das Relações Exteriores, 2018.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>APÊNDICE B – Total de homicídios no Estado da Paraíba
      entre 2000 e 2017</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>[CHART]</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>Objetivos: 1. Acabar com a fome e a miséria; 2. Educação básica
    de qualidade para todos; 3. Igualdade entre os sexos e valorização
    da mulher; 4. Reduzir a mortalidade infantil; 5. Melhorar a saúde
    das gestantes; 6. Combater a AIDS, a malária e outras doenças; 7.
    Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; 8. Todo mundo
    trabalhando para o desenvolvimento.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <p>Para mais detalhes, consultar APÊNDICE A.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <p>Para mais detalhes, consultar APÊNDICE B.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
