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<p><bold>Violência doméstica e familiar: Análise das Representações
Sociais em Rondônia</bold></p>
<p>Autora: Ivania Prosenewicz</p>
<p>Mini-Bio: Doutora em Ciência Política pela UFRGS e Faculdade Católica
de Rondônia. Assistente Social do MP/RO.</p>
<p>Titulação: Doutora</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rondônia</p>
<p>Cidade: Ji-Paraná</p>
<p>E-mail de contato: iprosenewicz@bol.com.br</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-2902-1182">https://orcid.org/0000-0003-2902-1182</ext-link></p>
<p>Autora: Lígia Mori Madeira</p>
<p>Mini-Bio: Doutora em Sociologia e Professora Associada do
Departamento de Ciência Política da UFRGS.</p>
<p>Titulação: Doutora</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Gramado</p>
<p>E-mail de contato: Ligiamorimadeira@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-3657-3153">https://orcid.org/0000-0003-3657-3153</ext-link></p>
<p>Contribuição de cada autora:</p>
<p>Ivania Prosenewicz realizou o desenvolvimento da pesquisa de campo,
análise e elaboração do artigo. Lígia Mori Madeira orientou a pesquisa e
elaborou o artigo conjuntamente com a primeira autora.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Este artigo analisa as representações sociais da violência doméstica
e familiar e as percepções sobre os serviços de atendimento em Rondônia.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com 24 entrevistados, sendo
mulheres em situação de violência doméstica e familiar, homens autores
de violência e implementadores de políticas públicas. Evidenciou-se que
o significado da violência está relacionado à vivência cotidiana. O
comportamento da mulher aparece em vários relatos dos agressores, como
justificativa das agressões. Muitas mulheres entrevistadas também
expressaram sentimentos de culpa pela violência sofrida. As
representações sociais apontam falhas na rede de enfrentamento e
insuficiência de serviços de atendimento às mulheres em situação de
violência doméstica e familiar.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Mulher. Feminismo. Violência doméstica e
familiar. Representações sociais. Políticas públicas.</p>
<p>Domestic and family violence: analysis of Social Representations in
Rondônia</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p>This article analyzes the social representations of domestic and
family violence and perceptions about care services in Rondônia. This is
a qualitative research, with 24 interviewees, being women in situations
of domestic and family violence, men who commit violence and
implementers of public policies. It was evidenced that the meaning of
violence is related to daily living. The behavior of the woman appears
in several reports of the aggressors, as justification of the
aggressions. Many women interviewed also expressed guilty feelings of
violence. Social representations point to flaws in the coping network
and insufficient services to assist women in situations of domestic and
family violence.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Woman. Feminism. Domestic and family violence.
Social representations. Public policy.</p>
<p>DOI:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1139">https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1139</ext-link></p>
<p>Data de recebimento: 25/04/2019</p>
<p>Data de aprovação: 16/06/2020</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>A violência doméstica e familiar é um problema social recorrente,
grave, de difícil solução, e está presente no cotidiano de mulheres em
todo o mundo. Essa problemática não é recente, mas era invisível;
historicamente muitas mulheres são objeto da violência masculina, mas a
situação se restringia ao ambiente familiar, sem a intervenção do
Estado.</p>
<p>No Brasil, somente na década de 80 do século XX, com a consolidação
do movimento feminista e de mulheres enquanto “força política e social”,
a violência contra a mulher começou a ser discutida e a ter maior
visibilidade, inclusive com a implantação de delegacias próprias (SARTI,
2004, p. 42). No entanto, o problema continua, sendo frequente o uso da
violência de todas as formas, por parte de muitos homens, como
demonstração de poder nas relações de gênero. Por esse motivo, há
décadas, a mobilização do movimento feminista vem resultando em
políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica e
familiar.</p>
<p>Com a promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, a violência
doméstica e familiar passou a ser considerada violação dos Direitos
Humanos e um grave crime. A partir dessa Lei, vários serviços
especializados de atendimento às mulheres em situação de violência
doméstica e familiar foram implementados no Brasil, ampliando-se a rede
de atendimento. Porém, estudos apontam muitas dificuldades nesses
serviços, como a quantidade e as deficiências estruturais e de equipe
técnica, o que prejudica a efetividade da Lei Maria da Penha naquilo que
se propõe, que é a punição, a proteção e a prevenção da violência
(BRASIL, 2013; PASINATO, 2015).</p>
<p>Da mesma forma em que há obstáculos na aplicação da referida Lei,
existem dificuldades na compreensão da complexidade das manifestações da
violência doméstica e familiar. Guimarães e Pedroza (2015, p. 259)
entendem a violência “como um fenômeno complexo e múltiplo. Pode ser
compreendido a partir de fatores sociais, históricos, culturais e
subjetivos, mas não deve ser limitado a nenhum deles”.</p>
<p>Assim, esta pesquisa busca mostrar várias percepções, de diferentes
olhares, em relação à violência doméstica e familiar. Foi realizada no
estado de Rondônia que, em seu contexto social e histórico, destaca-se
pela forma como se sucedeu sua ocupação populacional, pois recepcionou
pessoas oriundas de diversas regiões do Brasil, com suas culturas
diferentes, que buscavam em Rondônia oportunidades de trabalho. É
considerado um estado jovem, instalado em 4 de janeiro de 1982 (antes na
condição de Território Federal), compõe a Amazônia Legal, está
localizado na região Norte do país, é formado por 52 municípios e possui
uma população estimada pelo IBGE (2018) de aproximadamente 1,757 milhão
de habitantes.</p>
<p>Optou-se por realizar o estudo em Rondônia pelo alto índice de
violência doméstica e familiar. No Mapa da Violência 2015, o estado
aparece na 7ª posição na comparação das taxas de homicídios de mulheres
nos estados e em suas respectivas capitais brasileiras (WAISELFISZ,
2015). Além disso, a escolha do local deu-se, também, pela escassez de
pesquisas nessa temática em Rondônia. Assim, pretende-se fornecer
elementos para implementação de políticas públicas de prevenção e
combate à violência doméstica e familiar.</p>
<p>O objetivo deste estudo é analisar as representações de mulheres em
situação de violência doméstica e familiar, de homens autores de
violência e de implementadores de políticas públicas, sobre os sentidos
da violência doméstica e familiar e as percepções em relação aos
serviços de atendimento.</p>
<p>O presente artigo analisa três categorias centrais: a) as
representações do significado da violência; b) a culpabilização da
mulher pela violência; c) as percepções sobre os serviços de
atendimento.</p>
<p><bold>Representações sociais: origem e contextualização</bold></p>
<p></p>
<p>A noção de representações sociais surgiu na sociologia com Émile
Durkheim, que utilizava-se das representações coletivas, nome dado por
ele, para analisar a realidade coletiva. A partir da utilização e
interpretação por Serge Moscovici na década de 60, na psicologia social,
o conceito passa a ser definido como representações sociais
(<sc>PORTO</sc>, 2006; <sc>ROCHA</sc>, 2014).</p>
<disp-quote>
  <p>Moscovici tinha consciência que o modelo de Durkheim era estático e
  tradicional, pensado para tempos em que a mudança se processava
  lentamente. As sociedades modernas, porém, são dinâmicas e fluidas.
  Por isso o conceito de 'coletivo' apropriava-se melhor àquele tipo de
  sociedade, de dimensões mais cristalizadas e estruturadas. Moscovici
  preferiu preservar o conceito de representações e substituir o
  conceito 'coletivo', de conotação mais cultural, estática e
  positivista, com o de 'social': daí o conceito de Representações
  Sociais. (GUARESCHI, 2013, p. 157).</p>
</disp-quote>
<p>Na análise das representações, deve-se levar em conta não o sujeito
individual, mas os fenômenos produzidos naquela realidade social, “é
necessário analisar o social enquanto totalidade”. Essa totalidade
envolve comunicação, e comunicação é mediação. As mediações sociais
estão presentes de diversas formas e procuram dar sentido e significado
à “existência do homem no mundo”. Das mediações sociais brotam as
representações sociais, que “são uma estratégia desenvolvida por atores
sociais para enfrentar a diversidade e a mobilidade de um mundo que,
embora pertença a todos, transcende a cada um individualmente”. No
decorrer do processo, as próprias representações sociais tornam-se
mediações sociais e dessa forma buscam interpretar, entender e até mesmo
construir o mundo (JOVCHELOVITCH, 2013, p. 67-68).</p>
<p>As representações sociais sofrem influências dos grupos, e também são
produtos da ciência e da mídia; nesse sentido, podem sofrer
transformações no decorrer dos anos, “sendo produzidas e apreendidas no
contexto das comunicações sociais, são necessariamente estruturas
dinâmicas” (SPINK, 1993, p. 305). Assim, muitos sentidos não são de fato
produzidos pelo sujeito, mas sim, por meio de influências, sendo aceitos
e reproduzidos como representações sociais.</p>
<disp-quote>
  <p>[...] nesse mundo complexo, plural, fragmentado e, sobretudo,
  desigual, característico da modernidade, os indivíduos não detém, de
  modo igualitário, o mesmo potencial de produção de sentidos,
  explicação e enfrentamento do mundo, na forma das representações
  sociais. Pelo contrário, apenas alguns indivíduos, grupos ou setores
  da sociedade se constituem em protagonistas desse processo. Os demais,
  que formam, de fato, a maioria, apenas consomem conteúdos (normas,
  valores, etc.) que não produzem. (PORTO, 2010, p. 164).</p>
</disp-quote>
<p>As representações sociais são formas de conhecimento distintas de
outros conhecimentos científicos, por serem do senso comum, mas são
&quot;objeto de estudo legítimo por sua importância na vida social, pela
contribuição que trazem para processos cognitivos e interações
sociais&quot; (JODELET, 2003, p. 53, tradução nossa).</p>
<p>Minayo (2013, p. 90) aborda as concepções sobre as representações
sociais de autores clássicos como Durkheim, Marx, Weber, entre outros,
trazendo as concordâncias e divergências dos autores sobre as
representações, e conclui que as representações sociais, “enquanto
imagens construídas sobre o real é um material importante para a
pesquisa no interior das Ciências Sociais”. Para analisar as
representações sociais é necessário compreender as estruturas e os
comportamentos sociais, levando em consideração que a linguagem é a
expressão que traduz o cotidiano vivenciado pelos diferentes grupos
sociais.</p>
<disp-quote>
  <p>Por serem ao mesmo tempo ilusórias, contraditórias e 'verdadeiras',
  as representações podem ser consideradas matéria-prima para a análise
  do social e também para a ação pedagógico-política de transformação,
  pois retratam e refratam a realidade segundo determinado segmento da
  sociedade. Porém, é importante observar que as Representações Sociais
  não conformam a realidade e seria outra ilusão tomá-las como verdades
  científicas, reduzindo a realidade à concepção que os homens fazem
  dela. (MINAYO, 2013, p. 91).</p>
</disp-quote>
<p>No meio científico, encontramos estudos em diversas áreas no campo
das representações sociais. Neste artigo direcionou-se o olhar para as
representações da violência doméstica e familiar, tendo em vista que é
impossível compreender o fenômeno da violência “sem se interrogar sobre
os sentidos, os valores e as crenças que estruturam e presidem a vida
social, os quais são o conteúdo por excelência das representações
sociais” (PORTO, 2006, p. 250).</p>
<p>Por meio das representações é possível entender o que os grupos ou os
indivíduos pensam da violência, o que definem como violência, que varia
conforme o ambiente em que ela é construída. Assim, ao analisar o
fenômeno da violência doméstica e familiar na perspectiva das
representações sociais é possível</p>
<disp-quote>
  <p>[...] captar os sentidos que os atores (protagonistas ou vítimas da
  violência) atribuem às suas representações e às suas práticas, sem
  secundarizar o sistema (ambiente, contexto, situação, estruturas) no
  qual esses atores agem e onde ações violentas são praticadas.
  Privilegia a subjetividade das representações sabendo, no entanto, que
  elas só se constroem em relação a um dado contexto ou ambiente
  objetivamente dado. (PORTO, 2006, p. 264).</p>
</disp-quote>
<p>As representações são importantes na busca da compreensão do fenômeno
complexo que é a violência doméstica e familiar contra a mulher, suas
múltiplas causas e o significado da violência de gênero.</p>
<p><bold>Procedimentos metodológicos</bold></p>
<p>Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter
descritivo-analítica, realizada no estado de Rondônia, com mulheres em
situação de violência doméstica e familiar, homens autores de violência
e implementadores de políticas públicas.</p>
<p>Utilizou-se, para coleta de dados, entrevista semiestruturada, com
roteiros de questões específicos para cada grupo entrevistado. No total
foram entrevistadas 24 pessoas, sendo seis mulheres em situação de
violência, sete homens autores de violência e onze implementadores de
políticas públicas. Os implementadores participantes foram: assistentes
sociais (2), psicólogos/as (4), juízes (2), assistentes de promotoria de
justiça (2) e promotora de justiça (1). Para preservar a identidade dos
entrevistados utilizaram-se letras seguidas de número, da seguinte
forma: &quot;M&quot; para mulher, &quot;I&quot; para implementador e
&quot;H&quot; para homem autor de violência doméstica e familiar.</p>
<p>O estudo foi realizado entre outubro de 2016 e fevereiro de 2018 em
duas cidades do estado de Rondônia, sendo Porto Velho (capital) e
Ji-Paraná (segundo município com maior número de habitantes). As
entrevistas ocorreram nas seguintes instituições da rede de
enfrentamento da violência doméstica e familiar: Centro de Referência
Especializado de Assistência Social – CREAS; Delegacia Especializada de
Atendimento à Mulher – DEAM; Juizado de Violência Doméstica e Familiar
Contra a Mulher; Promotoria de Justiça não especializada; Promotoria de
Justiça Especializada de Atendimento à Mulher; Vara Criminal com
Especialidade em Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.</p>
<p>A técnica de análise de conteúdo foi utilizada em todo o percurso da
pesquisa. Na primeira etapa, a pré-análise, foram construídas e
reconstruídas as hipóteses; na segunda etapa, na exploração dos
materiais coletados e categorização, realizou-se leitura exaustiva e
agrupamento dos conteúdos parecidos, onde foi possível identificar as
categorias a serem trabalhadas; e a terceira etapa constituiu-se na
agregação dos dados nas categorias e as interpretações (BARDIN, 2002;
CAVALCANTE et al., 2014 ).</p>
<p><bold>Representações sobre os sentidos da violência doméstica e
familiar</bold></p>
<p>As representações dos participantes desta pesquisa, ou seja, das
mulheres em situação de violência doméstica e familiar, dos homens
autores de violência e dos implementadores, foram expressas enquanto
percepções individuais, mas esses sentidos estão ligados aos fatores
sociais, culturais, históricos, entre outros, levando em consideração
que:</p>
<disp-quote>
  <p>As dimensões pessoais e subjetivas são algumas das facetas que
  constituem o fenômeno da violência, ao mesmo tempo que são
  constituídas por ele. É necessário, ainda, articular, nessa
  compreensão dialética, fatores sociais, históricos e culturais. A
  forma com que tais dimensões afetam (e se afetam) pelos sentidos e
  explicações associados ao fenômeno da violência precisa, assim, ser
  motivo de análise e reflexão. (GUIMARÃES; PEDROZA, 2015, p. 260).</p>
</disp-quote>
<p>A primeira categoria analisada é o significado da violência doméstica
e familiar. Nos relatos das mulheres em situação de violência,
encontram-se discursos muito parecidos em seus conteúdos, mas cada um
carrega a própria história e vivência, conforme seguem as falas:</p>
<p></p>
<disp-quote>
  <p>Para mim, violência contra a mulher é xingar, bater e ameaçar.
  (M1).</p>
  <p>A violência é muita coisa, a covardia, a calúnia, a ameaça, a
  agressão física, mas, para mim, violência também é ser traída.
  (M2).</p>
</disp-quote>
<p>Observa-se que as representações apresentam várias formas de
violência doméstica e familiar. A primeira fala é baseada nos tipos de
violência, nesse discurso a mulher percebe as violências psicológica e
física, e esse é o sentido para ela. Já o segundo discurso expõe o
conhecimento da entrevistada sobre a violência doméstica e familiar; ela
traz a covardia como uma atitude violenta, mas, como significado,
acrescenta a traição, demonstrando sentimento de desaprovação.</p>
<p>A violência psicológica é perceptiva na maioria das falas, ocorre
desde o início e perdura durante todo o ciclo de violência, sendo
considerada, muitas vezes, mais intensa que a agressão física (FONSECA
et al., 2012).</p>
<disp-quote>
  <p>A violência psicológica acho a pior, está em todas e afeta a vida,
  nela está a humilhação, o homem que explora a mulher para o trabalho,
  são relacionamentos tóxicos. (M4).</p>
</disp-quote>
<p>Essa entrevistada percebe os danos da violência psicológica. O
discurso sobre a exploração para o trabalho traz sua dimensão pessoal,
sua história de vida. Embora não tenha sido citada nessa fala, foi
possível perceber, no contexto do conteúdo, a conotação negativa em
relação ao controle e à gestão exclusiva do homem nas finanças
domésticas, o que lhe causava revolta e sentimento de exploração; mesmo
a entrevistada tendo autonomia financeira, mantinha-se dependente
emocionalmente.</p>
<p>Percebe-se que no significado da violência está subjacente a situação
vivenciada pela mulher, isso ocorre porque as representações são
provenientes do meio em que se vive, da compreensão que se tem da
realidade. A esse respeito, Porto (2010, p. 75) esclarece que “aquilo
que os atores sociais nomeiam como violência varia segundo as
representações que esses fazem do fenômeno. Varia igualmente, segundo a
natureza da sociedade na qual o fenômeno é definido”.</p>
<p>Para uma das mulheres entrevistadas, a traição é representada como
uma forma de violência; em seu relato, a traição provocou mais
sofrimento que as agressões físicas sofridas. Ao expor a situação
vivenciada, foi possível identificar quanto o sofrimento ainda estava
presente. Na fala a seguir está expressa toda a humilhação e dor
vivenciada por essa mulher:</p>
<disp-quote>
  <p>Ele me traía muito, saía à noite, chegava bêbado, e ainda contava
  vantagens sobre o que fazia; aquilo me doía tanto, acho que a gente
  sofre mais do que quando leva um soco na cara; eu me sentia humilhada,
  desrespeitada. (M2).</p>
</disp-quote>
<p>No contexto social dessa entrevistada, a traição é tida como algo não
aceitável no relacionamento conjugal. Nessa representação, percebe-se
que a traição do homem, historicamente aceita pela sociedade como
próprio da natureza masculina, não é tolerada pela mulher, que entende o
fato como uma agressão. A infidelidade, explicitada pelo cônjuge,
causava-lhe sentimento de inferioridade e significativo prejuízo
emocional.</p>
<p>A violência sexual praticada por parceiro íntimo nem sempre é
percebida. Uma das mulheres entrevistadas discorda do estupro no
casamento; em sua concepção, não há violência sexual na relação entre
marido e mulher, conforme o relato:</p>
<disp-quote>
  <p>Na delegacia perguntaram se eu fui estuprada porque estava toda
  mordida. Claro que não, se eu estava na casa dele, já tinha três dias,
  era porque eu queria; aí, dizer que a mulher é estuprada quando mora
  junto, quando é amasiada, não existe. Se está casada tem suas
  obrigações. (M3).</p>
</disp-quote>
<p>O relato mostra que é comum, ainda nos dias atuais, a mulher não
identificar abusos sexuais por parte do parceiro íntimo, tendo em vista
que há toda uma construção social e cultural em que a mulher foi educada
para agradar e satisfazer as necessidades do marido, assim, a relação
sexual, mesmo que abusiva, é considerada uma obrigação de esposa.</p>
<p>Na construção social da sexualidade que prevalece a “dominação
masculina”, muitas mulheres sofrem estupros no casamento, mas não
percebem como violência, pois, conforme Bourdieu (2002), quando os
pensamentos dos dominados estão estruturados com a mesma estrutura da
relação da dominação que lhes é imposta, seus atos são de submissão.
Contudo, o autor explica que, mesmo com todo esse processo de construção
simbólica de dominação sexual masculina, ainda há espaço e possibilidade
para a resistência dessa imposição.</p>
<p>O estupro no casamento foi visto até recentemente “como
impossibilidade lógica, uma vez que o direito ao corpo da mulher era
entendido como algo transferido para o marido no momento do casamento”
(BIROLI, 2014, p. 133). Ou seja, a subordinação da mulher às vontades do
esposo. E devido à cultura machista, o estupro no casamento ainda é
pouco denunciado e, na maioria dos casos, não há comprovação. São muitos
os fatores que “contribuem para que a violência sexual dentro de
relações de parcerias estáveis seja de difícil reconhecimento e
delimitação” (SCHRAIBER et al., 2007, p. 798). Entre eles, destacam-se
as diversas denominações dos atos de agressão e a questão cultural.</p>
<p>Neste estudo, solicitou-se às entrevistadas que expressassem uma
palavra ou frase que significasse a violência doméstica contra a mulher.
O Quadro 1 mostra as palavras citadas para representar a violência
doméstica contra a mulher. A frequência é maior que o número de
entrevistadas, pois cada uma verbalizou mais de uma palavra ou
frase.</p>
<p>Quadro 1 – Palavras e frases do significado da violência doméstica e
familiar para as mulheres entrevistadas</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Palavras/Frases</th>
      <th>Frequência</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><p>Agressão física</p>
      <p>Ameaçar</p>
      <p>Bater</p>
      <p>Calúnia</p>
      <p>Coisa muito horrível</p>
      <p>Covardia</p>
      <p>Espancamento</p>
      <p>Exploração para o trabalho</p>
      <p>Falta de amor</p>
      <p>Homem monstro</p>
      <p>Machismo</p>
      <p>Traição</p>
      <p>Violência psicológica</p>
      <p>Xingar</p></td>
      <td><p>2</p>
      <p>2</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>2</p>
      <p>2</p>
      <p>2</p></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Total</td>
      <td>19</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaboração própria a partir das entrevistas com as mulheres em
situação de violência doméstica e familiar.</p>
<p>Obtiveram-se respostas que indicam violência física, como
&quot;bater&quot; e &quot;espancamento&quot; e violência psicológica,
como, por exemplo, &quot;ameaçar&quot; e &quot;proferir palavrões&quot;.
Além dessas palavras, as entrevistadas citaram também outras
representações com significados singulares, como &quot;falta de
amor&quot;, &quot;traição&quot; e &quot;machismo&quot;, que para elas
têm significado simbólico.</p>
<p>Dentre os homens autores de violência doméstica e familiar, houve
expressões de significados semelhantes, sendo que quatro dos sete
entrevistados restringiram à violência doméstica e familiar as agressões
físicas. Seguem alguns discursos:</p>
<disp-quote>
  <p>Espancamento, acho que não é papel de um homem fazer isso com
  nenhuma mulher. (H1).</p>
  <p>A violência é a briga, quando a pessoa bate na outra. (H2).</p>
  <p>Violência, no meu ver, é quando o homem bate na mulher. (H6).</p>
</disp-quote>
<p>Um dos entrevistados mencionou que só a violência física tem
significado, ele não concorda com as outras formas de violência
doméstica e familiar configuradas pela Lei Maria da Penha:</p>
<disp-quote>
  <p>Hoje não pode xingar que é violência, tudo agora é Maria da Penha,
  não pode mais gritar com a mulher, mas lei pro homem não tem nenhuma.
  Gritar e xingar não seria violência, só aqueles que batem de deixar
  roxo é o caso, né? É o que eu acho. (H5).</p>
</disp-quote>
<p>Esse entrevistado, por discordar de que a violência doméstica e
familiar não é só física, não concordava com a punição que recebeu de
comparecer obrigatoriamente aos encontros do grupo reflexivo. Igualmente
na pesquisa realizada por Moraes e Ribeiro (2012), com homens autores de
violência doméstica e familiar, verificou-se que os homens não se
percebiam como agressores ou autores de violência, pois quando
expressavam concordância com a Lei Maria da Penha, justificavam que
deveria ser aplicada somente nos casos mais graves, rejeitando a
acusação a eles atribuída.</p>
<p>Todas as mudanças ocorridas nas estruturas familiares, ao longo das
últimas décadas, e as políticas públicas voltadas à igualdade de gênero
poderiam possibilitar aos homens a construção de “outras
subjetividades”, mas, como observa-se na fala anterior, corroborando com
Westphal (2016, p. 108), ainda encontramos subjetividades “voltadas ao
tradicional, aos modelos que lhes impõe enquanto provedores,
responsáveis pelo lar e por consequência os que direcionam como deve
acontecer a organização do lar e das pessoas que ali residem”. Nesse
contexto, torna-se um desafio pensar em estratégias políticas de
abordagens que consigam chegar a esses homens e modificar suas
representações, e consequentemente, seu modo de agir.</p>
<p>Para Bortoli e Tamanini (2016, p. 135) é necessário responsabilizar
os homens pela violência praticada contra as mulheres, entretanto, é
preciso um trabalho cultural, planejado, contínuo e em longo prazo, para
a produção de “outras experiências”, possibilitando, assim, que os
homens, autores de violência ou não, possam despertar novas
subjetividades “no que tange às suas práticas de masculinidade”.</p>
<p>Nos discursos dos demais homens entrevistados, foram citadas outras
formas de violência doméstica e familiar:</p>
<disp-quote>
  <p>Eu considero a violência contra a mulher chegar a agredir, bater
  nela. A violência também é o modo como a gente fala com ela, que é a
  violência verbal. (H4).</p>
  <p>Para mim a violência é bater e também gritar com a mulher, ameaçar
  e proferir palavrões a ela. (H2).</p>
</disp-quote>
<p>O sentido da violência doméstica e familiar para um dos
entrevistados, que já estava no último encontro de um grupo reflexivo
para homens autores de violência, foi distinto e mais completo,
comparado aos demais homens que não participaram ou estavam no início
dos encontros desse grupo, conforme segue:</p>
<disp-quote>
  <p>Violência é muita coisa, até falar alto com a mulher eu acho que é
  violência, é falta de educação. A educação em primeiro lugar em tudo,
  onde tem educação tem respeito, a mulher merece respeito. (H7).</p>
</disp-quote>
<p>Esse entrevistado relatou que houve mudança em sua visão no decorrer
das reuniões do grupo reflexivo; para ele, antes de frequentar as
reuniões, a violência doméstica se limitava a agressões físicas. As
temáticas trabalhadas no grupo possibilitaram a esse homem entender que
a violência doméstica ocorre de diversas formas.</p>
<p>Na questão direcionada aos homens para expressarem em uma palavra ou
frase o significado da violência doméstica e familiar contra a mulher,
obteve-se como resultado várias palavras ou frases diferentes, pois cada
entrevistado evocou mais de uma palavra ou frase, sendo que algumas
surgiram com maior frequência, conforme apresentação no Quadro 2.</p>
<p>Quadro 2 – Palavras e frases do significado da violência doméstica e
familiar para os homens autores de violência entrevistados</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Palavras/Frases</th>
      <th>Frequência</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><p>Agressão física</p>
      <p>Ameaçar</p>
      <p>Bater</p>
      <p>Brigas</p>
      <p>Covardia</p>
      <p>Discussão</p>
      <p>Espancamento</p>
      <p>Falta de respeito</p>
      <p>Não é papel de homem</p>
      <p>Não ser injusto</p>
      <p>Tratar a mulher mal em casa ou em qualquer lugar</p>
      <p>Quando a pessoa bate na outra</p></td>
      <td><p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>2</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>2</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Total</td>
      <td>14</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaboração própria a partir das entrevistas com os homens
autores de violência doméstica e familiar.</p>
<p>Os resultados mostraram que os significados da violência doméstica e
familiar representados pelos homens, autores de violência, foram
variados, expressaram algumas formas de violência como significado, mas
também há conteúdos de cunho sociocultural, como, por exemplo, “não é
papel de homem”, sendo um sentido construído socialmente por meio de
valores.</p>
<p>Em relação às representações dos implementadores sobre o significado
da violência doméstica e familiar, verificaram-se conteúdos
diversificados e mais abrangentes, tendo em vista que esses
entrevistados possuem um olhar de quem presta o atendimento, um olhar de
fora, diferentemente dos significados para as mulheres em situação de
violência e os homens autores de violência. Seguem os discursos:</p>
<disp-quote>
  <p>Ignorância, quando a gente ignora outras formas de pensar. A
  violência e os preconceitos são filhos da ignorância. (I1).</p>
  <p>A pessoa que desrespeita o outro é uma violência, assim é todo o
  desrespeito empregado a alguém. (I2).</p>
  <p>O significado da violência contra a mulher para mim é a dor. É um
  fenômeno que atinge todo mundo, algo que qualquer mulher está exposta
  a sofrer a qualquer momento. (I5).</p>
  <p>A violência é a falta de amor, falta de enxergar o outro como
  responsável pela tua felicidade, falta de amor no outro, egoísmo,
  injustiça. Mas tudo se resume na falta de amor. (I9).</p>
</disp-quote>
<p>Um dos aspectos que chama a atenção nessas falas é o distanciamento
dos conteúdos dos discursos das mulheres em situação de violência e
também dos homens, autores de violência. Muitas mulheres e homens
citaram os tipos de violência como significados. Os implementadores
também expuseram suas percepções em relação à tipificação e as causas da
violência doméstica e familiar, mas, como sentido, representaram suas
concepções enquanto profissionais e como sentem os problemas da demanda
que chega até eles, que é diferente de quem vivencia a violência.</p>
<p>Para os implementadores também direcionou-se a questão de
exteriorizarem uma palavra ou frase para o significado da violência
doméstica e familiar contra a mulher; o Quadro 3 mostra o resultado.
Cabe informar que cada implementador expressou mais de uma palavra ou
frase, por esse motivo a frequência é maior que a quantidade de
entrevistados.</p>
<p>Quadro 3 – Palavras e frases do significado da violência doméstica e
familiar para os implementadores entrevistados</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Palavras/Frases</th>
      <th>Frequência</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><p>Covardia</p>
      <p>Desrespeito</p>
      <p>Desequilíbrio</p>
      <p>Desrespeito empregado a alguém</p>
      <p>Dor</p>
      <p>Falta de amor</p>
      <p>Ignora outras formas de pensar</p>
      <p>Ignorância</p>
      <p>O que me invade e invade o outro</p>
      <p>O que não é bom para todos</p>
      <p>O silêncio mata</p></td>
      <td><p>3</p>
      <p>2</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p>
      <p>1</p></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Total</td>
      <td>14</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaboração própria a partir das entrevistas com os
implementadores de políticas públicas.</p>
<p>No Quadro 3, as palavras que mais se repetiram nas representações dos
implementadores em relação ao significado da violência doméstica e
familiar foram &quot;covardia e &quot;desrespeito&quot;, dentre muitas
outras palavras e frases que possuem a representação decorrente da
vivência e da experiência profissional. Como exemplo, “o silêncio mata”
foi expressa por uma implementadora que atua nos casos que envolvem
tentativa ou feminicídio; para ela, a frase tem sentido no contexto de
seu trabalho: o silêncio, referido aqui, é de mulheres que não
denunciaram as agressões sofridas e acabaram mortas. Da mesma forma,
todas as palavras e os termos têm o seu significado no discurso de quem
pronuncia, haja vista que as representações sociais do fenômeno da
violência “não são independentes do campo social em que são construídas”
(PORTO, 2010, p. 75).</p>
<p><bold>Discursos sobre a culpabilização da mulher pela violência
sofrida</bold></p>
<p>As representações sobre a culpabilização da mulher pela violência
sofrida é a segunda categoria analisada, visto que a maioria dos homens,
autores de violência, atribuiu a culpa à mulher, alegando que o
comportamento inadequado, as provocações ou a tentativa de controlá-los
que motivaram as agressões.</p>
<disp-quote>
  <p>Desde o início brigamos, eu gosto de beber e ela não aceita, mas me
  conheceu em um bar e agora quer me controlar [...]. No dia que eu fui
  preso e fiquei duas semanas na cadeia, eu não lembro bem o que
  aconteceu [...] só sei que ela estava com o rosto todo arranhado na
  delegacia. (H4).</p>
  <p>[...] no início não tinha briga, mas depois ela começou a me
  controlar, quando eu queria sair sozinho, jogar bola, ela começava a
  dizer que eu ia atrás de outra mulher. Na última briga foi em um
  domingo, eu ainda uso maconha, aí fumei bastante na noite anterior e
  acordei meio neurótico e aconteceu toda a briga. (H6).</p>
</disp-quote>
<p>Resultado semelhante foi encontrado por Bortoli e Tamanini (2016), no
sentido de que os homens atribuem a violência que praticaram ao
comportamento da mulher. Nas percepções dos homens, as agressões
ocorreram porque eles foram provocados, ou porque a mulher tentou
impedi-lo de fazer uso de bebidas alcoólicas. Da mesma forma, Rosa et
al. (2008, p. 155) evidenciaram que os homens &quot;transferem para a
companheira a culpa pela situação, não se reconhecendo como agressores;
ao contrário, racionalizam a ação agressiva como comportamento
desencadeado pela mulher&quot;.</p>
<p>Nas representações das mulheres também se obtiveram discursos de
autoculpabilização:</p>
<p></p>
<disp-quote>
  <p>Eu é quem deveria ser presa, eu que provoco, eu sou a culpada pelas
  brigas, eu começo a bater. (M1).</p>
</disp-quote>
<p>Nessa fala, percebe-se que a mulher sente-se culpada por ter começado
&quot;a briga&quot;, entretanto, mesmo com a possibilidade dela ter
iniciado as agressões, no contexto das correlações de forças, da
violência de gênero, a mulher está sempre em desvantagem, &quot;o saldo
negativo da violência de gênero é tremendamente mais negativo para a
mulher que para o homem&quot; (SAFFIOTI, 1994, p. 446). Sendo o caso
dessa entrevistada, que relatou muitos episódios de violência em que
sofreu lesões corporais graves.</p>
<p>Outras entrevistadas também se culpam pela violência, inclusive pelo
vínculo afetivo que mantém com o companheiro:</p>
<disp-quote>
  <p>Muitas vezes que aconteceram as agressões, é porque eu tinha
  procurado ele, eu voltava para a casa dele, eu procurava por ele, não
  conseguia ficar longe, eu não deveria voltar lá. (M3).</p>
  <p>Eu já me senti culpada, não pelas agressões, mas pelas traições.
  Ele chegava em casa e se eu estava cuidando das crianças, desarrumada,
  às vezes cheirando cebola, pois sempre tinha que estar com a comida
  pronta, ele dizia que era por isso que procurava outra fora de casa, e
  eu me sentia culpada por não estar cheirosa e bonita. (M5).</p>
</disp-quote>
<p>Os relatos denotaram que, em várias situações, as mulheres
expressaram sentimento de culpa pelo relacionamento conflituoso, algumas
vezes, mencionaram que poderiam ter evitado as agressões, não provocando
o companheiro. Por essa autoculpabilização, permaneceram anos no
relacionamento, mesmo sofrendo violência.</p>
<p>Houve a representação de uma participante da pesquisa que atribuiu à
mulher a culpa pelo feminicídio:</p>
<disp-quote>
  <p>Algumas mulheres são culpadas pela situação que vivem, eu tinha uma
  amiga e o marido dela matou ela porque ela estava traindo. Ele sempre
  foi violento com ela, não aceitava a separação, mas tratava ela como
  uma princesa e ela gostava da vida boa, ela era muito sem-vergonha,
  mesmo sabendo que isso podia acontecer, ela saia com outros homens.
  Penso que ela foi culpada por ter provocado isso. (M6).</p>
</disp-quote>
<p>É interessante perceber como a representação pode mudar quando a
pessoa consegue sair da própria situação, que ela mesma vivenciou, e
olhar para outras situações. Essa entrevistada, da fala anterior, não se
culpou pela violência sofrida, inclusive, quando relatava as violências
sofridas, verbalizou que ninguém tem o direito de bater em ninguém,
contudo, ao avaliar outra situação, culpabilizou a vítima pelo
feminicídio. Observa-se que muitas mulheres também apresentam discursos
machistas decorrentes da educação cultural e da construção social da
hegemonia masculina que determinam suas representações.</p>
<p><bold>Percepções sobre os serviços de atendimento</bold></p>
<p> A terceira e última categoria analisada, neste artigo, diz respeito
às percepções sobre os serviços de atendimento, nas quais se verificou
que a maioria das mulheres percebeu serviços incompletos. Nenhuma das
entrevistadas teve acesso a atendimento psicológico e todas expressaram
que gostariam de receber esse atendimento:</p>
<disp-quote>
  <p>Eu não me sinto mais segura com homens, meus dois casamentos foram
  de violência, preciso tratar esse medo, acho que é trauma, mas nunca
  recebi nenhum atendimento de psicólogo ou de assistente social. Falam
  que a mulher que é agredida tem esse direito, mas para mim não me
  falaram onde eu posso ser atendida. Nunca ouvi falar [...] que isso
  funciona aqui. (M2).</p>
  <p>Na delegacia, todas às vezes me trataram bem, mas atendimento de
  psicólogo nunca tive. Agora já passou muito tempo, mas quando eu
  estava com ele, acredito que seria muito bom, porque minha família
  dizia para não procurar ele, que era usuário de drogas, e sempre me
  batia, mas não sei o que me dava, eu sempre voltava para a casa dele,
  até os meus filhos eu deixei com minha mãe para ficar com ele. Acho
  que o psicólogo poderia me ajudar a entender isso. (M3).</p>
</disp-quote>
<p>Evidencia-se que as entrevistadas possuem a compreensão de que o
atendimento psicológico poderia auxiliá-las e possibilitar o
empoderamento. Nesses relatos, percebe-se que os serviços de atendimento
às mulheres em situação de violência doméstica e familiar são
insuficientes e fragmentados, não atendem toda a demanda, e muitas
mulheres desconhecem a existência de tais serviços. A rede de
enfrentamento é falha; as mulheres entrevistadas sofreram violências
graves e reiteradas, passaram pelos serviços da justiça, mas não foram
encaminhadas de forma clara e objetiva para o atendimento
psicossocial.</p>
<p>Duas participantes que acessaram as Delegacias Especializadas no
Atendimento à Mulher (DEAMs) avaliaram o serviço positivamente:</p>
<disp-quote>
  <p>Nas delegacias da mulher que procurei, pois como mudava de cidade
  constantemente, eu registrei boletim de ocorrência contra meu marido
  em várias delegacias, sempre fui muito bem atendida, foram mulheres
  que me atenderam. (M5).</p>
  <p>O pessoal da delegacia foi muito atencioso, mas foi só eles […].
  (M6).</p>
</disp-quote>
<p>Porém, uma mulher relatou que encontrou o homem, autor da violência
contra ela, dentro da delegacia, e que este quis acertá-la com um
capacete de motociclista, ou seja, na instituição que deveria acolher a
mulher e oferecer um espaço adequado para ela esperar o atendimento,
houve a tentativa de mais violência física por parte do agressor. Essa
situação demonstra a necessidade de melhorias na infraestrutura das
DEAMs.</p>
<p>O relato a seguir mostra as dificuldades da mulher no percurso de
atendimento:</p>
<disp-quote>
  <p>[...] ele ia me matar, eu acionei a polícia, mas demorou tanto
  tempo para chegar, que quando chegou, ele fugiu. As mulheres morrem
  porque a polícia demora muito tempo para chegar, eu dizendo que ele ia
  me matar, mesmo assim toda aquela demora [...]. Me levaram para a
  delegacia, lá eu passei mal, estava tonta, eu levei uma pancada na
  cabeça e estava desmaiando e vomitando, de lá levaram para o hospital
  [...], o atendimento no hospital foi péssimo, fiquei esperando junto
  com todo mundo e muito tempo [...]. (M6).</p>
</disp-quote>
<p>Percebe-se que a polícia não foi rápida e eficaz como deveria nas
situações emergenciais, dessa forma, não foi dada a atenção adequada ao
caso. Observa-se, também, que o serviço de saúde prestado à vítima não
foi acolhedor e humanizado, o hospital para o qual ela foi encaminhada
não estava preparado para atender mulheres em situação de violência
doméstica e familiar. Pedrosa e Spink (2011, p. 124) salientam que “a
oferta de atendimento humanizado às mulheres que passaram por situações
de violência nos serviços de saúde ainda é um desafio em todos os níveis
de atenção”.</p>
<p>As percepções negativas, em relação aos serviços de atendimento,
desestimulam a denúncia por parte das mulheres em situação de violência,
tendo em vista que não se sentem seguras e tampouco acolhidas para
seguir adiante em romper com os relacionamentos violentos. Para
ressignificar essas representações, é preciso melhorias nas políticas
públicas.</p>
<p>Pasinato (2015, p. 537-538), com base em pesquisas realizadas em 2008
e 2013, faz uma avaliação sobre a implementação da Lei Maria da Penha e
os serviços de atendimento às mulheres em situação de violência
doméstica e familiar, e aponta obstáculos e alguns avanços. Os
obstáculos dizem respeito ao número de serviços especializados,
estruturas físicas deficitárias e insuficiência de equipe de
profissionais especializados. Apesar de investimentos em cursos e
especialização, a valorização do 'aprendizado na prática' ainda supera o
conhecimento “teórico, conceitual e metodológico sobre a violência de
gênero e suas especificidades”, afetando assim os profissionais e as
instituições e, consequentemente, não alterando as práticas rotineiras
baseadas em crenças e valores que não consideram a gravidade da
violência contra a mulher. Outro obstáculo, citado por Pasinato, está na
falta ou na precária conexão entre os serviços. As instituições não
trabalham de forma articulada, o que dificulta o acesso aos atendimentos
das mulheres em situação de violência. Quanto aos avanços, “em algumas
localidades os serviços estão sendo mais bem equipados, e a organização
do atendimento já acumula alguns anos de discussão e avanços nas
articulações entre os profissionais de diferentes serviços e
setores”.</p>
<p>Em relação às percepções dos homens autores de violência doméstica e
familiar, participantes de um grupo reflexivo, obtiveram-se
representações positivas sobre o serviço, por outro lado, discordam da
obrigatoriedade da participação nas reuniões.</p>
<disp-quote>
  <p>Eu aprendi muito no grupo, a ter paciência, é bom demais, só não
  concordo com a obrigação de vir [...]. (H5).</p>
  <p>Muito melhor que deixar preso, que sai pior de lá. Aqui a gente
  reflete um pouco, eu acho que está me ajudando a controlar minha
  raiva, vejo que parece que melhorou minha convivência familiar, só não
  gostei de ser obrigado a participar das palestras. (H4).</p>
</disp-quote>
<p>Embora a Lei Maria da Penha, art. 45, preveja que &quot;o Juiz poderá
determinar a obrigatoriedade no comparecimento do agressor a programas
de recuperação e reeducação&quot; (BRASIL, 2007), são poucos os serviços
ou programas oferecidos no Brasil, assim, não é possibilitada a
reflexão, à maioria dos homens, sobre a violência de gênero como uma
violação dos direitos das mulheres.</p>
<p>As percepções dos implementadores sobre os serviços de atendimento de
que fazem parte foram positivas, na maioria das entrevistas. Contudo, ao
representar sobre outros serviços da rede de atendimento à mulher em
situação de violência doméstica e familiar, a maior parte dos discursos
foi negativa.</p>
<p>As falas a seguir representam as percepções positivas de um projeto
de atendimento aos homens autores de violência, desenvolvido pelo
Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Velho
(RO):</p>
<disp-quote>
  <p>O grupo é um espaço de reflexão que pouco foi encorajado em nossa
  sociedade. É comum ouvir dos homens, nos encontros, que já passaram
  por vários relacionamentos e sempre foram conflituosos e que precisam
  de ajuda, pois não sabem agir diferente e querem mudar. (I3).</p>
  <p>Vejo muita efetividade, muito sucesso nas orientações sobre a
  cultura do machismo. Em um levantamento realizado aqui em dezembro de
  2015, identificou-se que o número de reincidência dos homens que
  participam do projeto é de 2%. (I2).</p>
  <p>A atuação da justiça, quando tem recurso, é eficaz […], vi uma
  eficácia da justiça voltada ao cunho social, uma resposta efetiva de
  transformação da pessoa. Nos encaminhamentos se percebe o resultado
  positivo. (I4).</p>
</disp-quote>
<p>Outros serviços foram também representados pelos implementadores de
forma positiva, como a Promotoria de Justiça Especializada em Violência
Doméstica e Familiar contra a Mulher e a Patrulha Maria da Penha:</p>
<disp-quote>
  <p>O trabalho aqui é voltado para o social, um conjunto, todo o
  objetivo é cortar o ciclo, só punir não ajuda, coíbe, mas precisa de
  outro tipo de intervenção para cessar a violência. (I6).</p>
  <p>A implantação da Patrulha Maria da Penha está apresentando um
  resultado positivo, tem o viés de atenção social, busca diminuir a
  revitimização, oferece proteção e apoio à mulher em situação de
  violência em casos que foi aplicada a medida protetiva. A equipe em
  visita verifica todos os problemas familiares e encaminha para a rede
  de atendimento [...]. (I11).</p>
</disp-quote>
<p>Quanto às percepções negativas dos serviços que compõem a rede de
atendimento, os discursos a seguir revelam que não há articulação, os
serviços não funcionam como deveriam ou são inexistentes, resultando no
não atendimento às mulheres em situação de violência:</p>
<disp-quote>
  <p>A gente consegue atender a demanda, há dificuldade quando tem que
  recorrer à rede, preciso encaminhar e não tem para onde, tem de nome,
  mas chega lá, não tem quase nada. A rede é falha. (I5).</p>
  <p>O serviço é inexistente, no caso de tentativa de feminicídio, não
  há nenhum tratamento, nem para a vítima, nem para o agressor. Acho que
  em 90% dos casos não existe atendimento. (I10).</p>
  <p>A política é deficiente e, por vezes, utópica. O legislador cuidou
  da parte burocrática, mas não tem executoriedade [...]. A lei tem que
  sair do papel e ter eficácia. As políticas são falhas, é uma política
  do improviso, em cada situação a gente vê o que faz, porque não
  funciona. (I11).</p>
</disp-quote>
<p>Todos os implementadores, que representaram sobre a rede de
atendimento em seus municípios, apresentaram percepções negativas; as
expressões são de serviços inexistentes, políticas públicas deficientes
e de improviso, rede de atendimento falha, entre outras. É necessário o
fortalecimento da rede de enfrentamento à violência doméstica e
familiar.</p>
<p></p>
<p><bold>Considerações finais</bold></p>
<p>A violência doméstica e familiar contra a mulher é um problema social
que atinge milhares de pessoas, causa sofrimento não somente à mulher em
situação de violência, mas a toda família. Partindo desse contexto, este
artigo apresentou a compreensão da violência e as percepções sobre a
rede de enfrentamento expressadas por meio de representações de mulheres
em situação de violência, homens autores de violência e implementadores
de políticas públicas.</p>
<p>Por meio desta pesquisa, percebe-se que, mesmo com todas as
conquistas em termos de legislação e esclarecimento em relação à
violência doméstica e familiar, ainda persiste a cultura de atribuir ao
comportamento da mulher a violência sofrida, sendo que, muitas vezes, a
própria mulher se autoculpabiliza.</p>
<p>Em relação aos serviços de atendimento às mulheres em situação de
violência doméstica e familiar, foram representados de forma geral como
insuficientes e fragmentados, não atendendo toda a demanda.
Evidenciou-se, por meio das percepções, que a rede de atendimento não
trabalha de forma articulada.</p>
<p>Por outro lado, as representações sociais sinalizam serviços/projetos
exitosos em Rondônia, como, por exemplo, a Patrulha Maria da Penha e o
projeto “Abraço”, sendo este último desenvolvido pelo Núcleo
Psicossocial do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a
Mulher de Porto Velho (RO), referência nacional no trabalho realizado
com agressores. Nesse sentido, as representações sociais apontam que
grupos de reflexões com homens autores de violência podem influenciar
positivamente na diminuição da reincidência da violência doméstica e
familiar contra a mulher, constituindo novas possibilidades de
intervenções.</p>
<p>Considera-se importante que além de responsabilizar e educar os
homens, autores das agressões, e atender a mulher em situação de
violência com prioridade, é preciso mais investimento em políticas
públicas de prevenção da violência. Uma das formas de prevenção está na
educação, através da qual as relações de gênero podem ser construídas
com igualdade desde a infância, tendo em vista que a herança da
sociedade patriarcal em relação às atribuições do homem e da mulher no
lar, na qual está evidente a dominação masculina, permanece nos dias
atuais e, como consequência disso, a presença da violência de gênero.
Entende-se que a mudança só será possível quando houver igualdade nas
relações de gênero. Assim, para Bourdieu,</p>
<disp-quote>
  <p>Só uma ação política que leve realmente em conta todos os efeitos
  de dominação que exercem através da cumplicidade objetiva entre as
  estruturas incorporadas [...] e as estruturas de grandes instituições
  em que se realizam e se produzem não só a ordem masculina, mas também
  toda a ordem social [...] poderá, a longo prazo, sem dúvida, e
  trabalhando com as contradições inerentes aos diferentes mecanismos ou
  instituições referidas, contribuir para o desaparecimento progressivo
  da dominação masculina. (BOURDIEU, 2002, p. 138).</p>
</disp-quote>
<p>Nesse contexto, o movimento feminista, suas manifestações e análises
críticas, vêm desenvolvendo um papel importante ao longo das últimas
décadas na busca pela igualdade de gênero.</p>
<p>Em Rondônia, tendo em vista a sua posição no ranking nacional em
homicídio de mulheres, que é superior à taxa média nacional, conclui-se
que é preciso mais investimento do estado na ampliação das políticas
públicas de enfrentamento à violência doméstica e familiar e melhoria na
qualidade dos serviços já existentes. Além disso, identificou-se a
importância dos municípios criarem um fluxograma de atendimento à mulher
em situação de violência, de forma que seja executável, levando em
consideração a realidade dos serviços disponíveis em cada local, a
intersetorialidade e o trabalho em rede.</p>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
<p>BARDIN, Laurence. <bold>Análise de conteúdo</bold><italic>.</italic>
Lisboa: Edições 70, 2002.</p>
<p>BIROLI, Flávia. O público e o privado. In: MIGUEL, Luis Felipe;
BIROLI, Flávia. <bold>Feminismo e Política</bold>: uma introdução. São
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<p>BORTOLI, Ricardo; TAMANINI, Marlene. A complexa questão da violência
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Nanci Stancki da; CASAGRANDE, Lindamir Salete (Orgs.).
<bold>Entrelaçando gênero e diversidade</bold>: violências em debate.
Curitiba: Ed. UTFPR, 2016. Disponível em:
&lt;http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/2070/8/generodiversidadeviolencia.pdf&gt;.
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<p>BOURDIEU, Pierre. <bold>A dominação masculina</bold>. Tradução de
Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.</p>
<p>BRASIL. <bold>Lei Maria da Penha: Lei nº 11.340, de 7 de agosto de
2006</bold>, que dispõe sobre mecanismos para coibir a violência
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<p>______. Senado Federal. <bold>Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
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<p>CAVALCANTE, Ricardo Bezerra; CALIXTO, Pedro; PINHEIRO, Marta Macedo
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&lt;http://basessibi.c3sl.ufpr.br/brapci/_repositorio/2015/12/pdf_ba8d5805e9_0000018457.pdf&gt;.
Acesso em: 10 dez. 2017.</p>
<p>FONSECA, Denire Holanda da; RIBEIRO, Cristiane Galvão Ribeiro; LEAL,
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