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<p><bold>Acompanhamento psicológico preventivo para agentes de segurança
pública</bold></p>
<p>Nome: Caroline Moreira Back</p>
<p>Titulação: Especialista</p>
<p>Mini-Bio: Psicóloga na Secretaria de Segurança Pública (GMSJP - PR);
Especialização em Segurança Pública; Graduação em Psicologia (PUCPR);
Cursando Graduação em Direito (FESPPR); Membro do Conselho Comunitário
de Execuções Penais de São José dos Pinhais (CCEP-SJP).</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Paraná</p>
<p>Cidade: Curitiba</p>
<p>E-mail: cmback@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-3723-1190">https://orcid.org/0000-0002-3723-1190</ext-link></p>
<p><bold>Resumo</bold></p>
<p>O presente estudo teve como propósito realizar uma análise crítica,
visando compreender os riscos de adoecimento psíquico a que estão
submetidos os profissionais de segurança, bem como as possibilidades de
minimizar tais riscos a partir de ações preventivas. Foi possível
concluir que o profissional que atua na segurança pública apresenta
elevados riscos à saúde mental. Observou-se que entre os impactos mais
significativos relatados pelos profissionais em sua atuação estão o
risco de vida a que estão submetidos, a morte de colegas, situações
traumáticas e a necessidade de realizar atividades externas como
complementação da renda. Quanto aos serviços de saúde mental nas
instituições de segurança do país, observou-se que além de não haver
serviço de apoio psicológico em todas as instituições, naquelas em que
este serviço existe, há diversas barreiras para o acesso dos
profissionais, além de ações que priorizam situações de crise, não
havendo atuação preventiva. Por fim, concluiu-se pela necessidade de
ampliar o foco de atuação dos serviços existentes e criar estes serviços
nos locais em que não existem, focando, sobretudo, em ações preventivas,
tais como a oferta de apoio psicológico aos profissionais de
segurança.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Segurança pública; Apoio psicológico;
Prevenção; Saúde mental</p>
<p>Preventive psychological support for public security agents</p>
<p><bold>Abstract</bold></p>
<p>The present study was purpose perform a critical analysis, aiming to
understand the risks of psychic illness to which the safety
professionals are submitted, as well as the possibilities to minimize
such risks of preventive actions. It was possible to conclude that the
professional who works in public security presents high risks to mental
health. It was observed that among the most significant impacts reported
by professionals in their work are the risk of life to which they are
subjected, the death of work partners, traumatic situations and the need
to carry out external activities as a complement to income. As for
mental health services in the country's security institutions, it was
observed that in addition to the fact that there is no psychological
support service in all institutions, in those where this service exists,
there are several barriers for professionals to access, in addition to
actions that prioritize crisis situations, with no preventive action.
Finally, it was concluded that there was a need to expand the focus of
existing services and create these services in places where they do not
exist, focusing mainly on preventive actions, such as offering
psychological support to security professionals.</p>
<p><bold>Key words:</bold> Public security; Psychological support;
Prevention; Mental Health</p>
<p>DOI:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1147">https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1147</ext-link></p>
<p>Data de recebimento: 13/05/2019</p>
<p>Data de aprovação: 25/11/2020</p>
<disp-quote>
  <p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
</disp-quote>
<p>Sabe-se que a atuação na segurança pública demanda do agente grande
responsabilidade inerente ao seu papel de promover segurança e bem-estar
à população. Tal responsabilidade, aliada às demandas cotidianas de sua
rotina de trabalho, o submete a uma constante exposição a estressores,
que podem causar ou potencializar condições patológicas, tais como
ansiedade, transtornos de humor, uso abusivo de substâncias, entre
outros.</p>
<p>A constante necessidade de alerta visando manter-se em estado de
prontidão para qualquer situação potencialmente ameaçadora à ordem
pública, além da rígida disciplina e necessário manejo de situações
imprevistas decorrentes da atividade cotidiana de qualquer agente de
segurança pública, seja ele policial civil ou militar, guarda municipal,
agente penitenciário, entre outros, torna estes profissionais
vulneráveis a transtornos relacionados ao estresse, como ansiedade,
depressão, fobias, doenças psicossomáticas, alcoolismo e outras
adições.</p>
<p>É preciso lembrar que existe o ser humano por trás da farda, que traz
consigo toda uma carga de emoções e vivências pessoais, problemas
cotidianos e familiares, dificuldades de ordem emocional e financeira,
como qualquer outra pessoa. Deste profissional, no entanto, muitas vezes
é exigida uma atuação em que características inerentes à condição humana
são indesejáveis: é esperado que enfrente situações de perigo extremo e,
diante disso, tenha autocontrole, não sinta medo, não se emocione, não
demonstre fraqueza.</p>
<p>O trabalho na área de segurança pública é, portanto, um dos mais
arriscados no que tange aos riscos para a saúde ocupacional, sendo esses
profissionais expostos a condições que os colocam frente a riscos
diários, numa condição limítrofe para o desenvolvimento de transtornos
mentais.</p>
<p>Nesse sentido, se a atividade policial, por suas características
intrínsecas, é fator de grande risco para o sofrimento psíquico do
profissional, evidente que a preocupação com as suas condições de
trabalho e com a sua saúde mental deve ser amplamente discutida. É
preciso compreender que não basta ao agente de segurança apenas o
preparo físico, técnico e tático. Se não houver investimento e cuidado
com seu preparo emocional, este não será capaz de desempenhar plenamente
suas atividades.</p>
<p>Nesse sentido, justifica-se a relevância da produção de conhecimentos
científicos sobre o tema, sobretudo com o intuito de compreender os
riscos de adoecimento psíquico a que estão submetidos os profissionais
de segurança e, além disso, explorar possibilidades de minimizar tais
riscos a partir de ações preventivas, contribuindo de forma efetiva para
o incremento da qualidade de vida dos agentes.</p>
<p>Assim, o objetivo deste estudo foi propor uma reflexão crítica acerca
do acompanhamento psicológico preventivo para agentes de segurança
pública. Para tanto, buscou-se na literatura especializada referenciais
teóricos sobre a relação entre a atuação na segurança pública e
sofrimento psíquico, estudos que abordassem aspectos sobre a
disponibilidade e funcionamento de serviços de suporte psicológico em
instituições de segurança pública do país, seus avanços e pontos
críticos.</p>
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  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</bold></p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<p>O estudo baseou-se em metodologia exploratória, do tipo pesquisa
bibliográfica. Segundo Gil (2007) esse método tem como objetivo
proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo
mais explícito ou a construir hipóteses. A pesquisa bibliográfica é
feita por meio do levantamento de referências teóricas já analisadas, e
publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos
científicos, páginas de web sites, e permite a análise de diversas
posições acerca de um problema. Nesse sentido, para Cervo, Bervian e da
Silva (2007, p.61) é aquela em que “se busca o domínio do estado da arte
sobre determinado tema”.</p>
<p>Assim, para atender aos objetivos propostos, foi realizada busca na
literatura especializada visando reunir referenciais teóricos acerca da
relação entre atuação na área de segurança pública e os riscos para a
saúde mental dos agentes. A partir disso, buscaram-se artigos
científicos resultantes de estudos que analisaram esta relação, e também
aqueles que trataram da disponibilidade e funcionamento de serviços de
atendimento e suporte psicológico em instituições de segurança pública
do país, abarcando percepções dos profissionais envolvidos acerca da
necessidade e efeitos dos serviços disponíveis, assim como as
dificuldades percebidas. Os artigos foram selecionados em bases de dados
disponíveis em meio eletrônico, prioritariamente Scientific Library
Eletronic (Scielo); Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC) e
Google Scholar, sendo selecionados trabalhos relevantes e recentes,
publicadas entre os anos de 2010 e 2020.</p>
<p>Desta forma, após ampla seleção dos artigos científicos, realizou-se
uma leitura crítica e interpretativa, selecionando aqueles que
apresentavam a devida pertinência temática com o escopo do estudo,
correlacionando-se os achados e descobertas das pesquisas com os
referenciais teóricos utilizados. Após, os dados levantados foram
descritos e analisados sob uma perspectiva crítica.</p>
<list list-type="order">
  <list-item>
    <label>3.</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL</bold></p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<p>Na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 144, define-se a
segurança pública como “dever do Estado, direito e responsabilidade de
todos, exercida para a preservação da incolumidade das pessoas e do
patrimônio”. (BRASIL, 1988).</p>
<p>Em que pese sua expressa disposição legal, a garantia da segurança
pública não se efetiva de forma simples, já que sua complexidade abarca
outras questões além da integridade física dos sujeitos. A segurança não
se define apenas por um estado físico mensurável, mas envolve o
sentimento subjetivo de “estar seguro”, associado à necessidade humana
básica da fuga da dor (SALINEIRO,2016).</p>
<p>De acordo com Souza e Albuquerque (2017), segurança pública em sua
acepção coletiva tem o condão de resguardar tanto o Estado quanto os
indivíduos e as instituições. Para a consecução de seus objetivos, o
Estado articula o sistema institucional de segurança pública em seus
diversos âmbitos, desde as ações de natureza policial, passando pelas
jurídico-penais, judiciais ou de polícia penitenciária.</p>
<p>Para Costa (2010), tal organização pode ser entendida como um
conjunto integrado e otimizado, composto por diversos instrumentos, que
envolvem coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O autor
defende que o processo de segurança pública começa em ações preventivas
e tem seu término na reparação do dano, no tratamento das causas e
eventual reintegração à sociedade do autor do ilícito.</p>
<p>A sociedade brasileira vive, entretanto, uma realidade difícil no
âmbito da segurança pública. Segundo Costa (2010), as ameaças à
segurança em razão do crescimento desordenado da violência estão
relacionadas ao aumento da criminalidade, desequilíbrio social, racial,
econômico, falta de empregos, marginalidade nos centros urbanos e
processos migratórios.</p>
<p>Muito embora números absolutos não sejam capazes de representar as
particularidades vivenciadas no dia a dia dos profissionais de
segurança, pode-se ter uma ideia da amplitude da questão a partir dos
dados que retratam a violência no Brasil. Em 2017, foram registrados
65.602 homicídios, o maior nível histórico de letalidade violenta
intencional no país. (IPEA, 2019). Conforme o levantamento mais atual
publicado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2019), este
número caiu para 57.341 em 2018, o que representa uma redução de 10,8%
em relação ao ano anterior.</p>
<p>Porém, longe de ser motivo de comemoração, estes números ainda são
muito preocupantes e alertam para os riscos da atividade policial em uma
realidade violenta. Para além dos números, é preciso lembrar que são
seres humanos enfrentando diariamente muitas das situações que culminam
com as mortes violentas retratadas pelos dados. São eles que estão
cotidianamente em situações de conflito armado, com riscos reais à vida
e à integridade física, se envolvendo em situações de confronto que
podem resultar em morte de ambas as partes. Só em 2018 foram 6.220
mortes violentas decorrentes de ações policiais. E não se pode esquecer
que eles são também vítimas da violência: em 2018 as mortes de policiais
chegaram a 343 casos, sendo 75% fora de serviço (FBSP, 2019). Este dado
aponta para a vivência de insegurança decorrente do trabalho policial,
que não termina quando se encerra seu expediente.</p>
<p>Nesse sentido, em pesquisa que objetivou levantar características
gerais acerca de letalidade e vitimização policial em três estados
brasileiros, Zilli (2018) identificou fatores que predispõem os
policiais a serem vítimas de morte violenta fora de seu expediente de
trabalho, especialmente o fato de portarem arma de fogo, muitas vezes
também nos horários de folga, realizarem “bicos” em atividades
particulares de segurança quando não estão de serviço, serem impelidos
pela própria função a reagirem diante de ocorrências como assaltos, em
defesa própria ou de terceiros, de maneira improvisada e sem apoio. Pelo
fato de estarem portando arma, muitas vezes sãoatingidos pelas próprias
armas que, uma vez identificadas pelos agressores, acabam sendo usadas
contra o agente.</p>
<p>As consequências dessa sensação de estar sempre em risco e a
percepção de condições de trabalho insatisfatórias podem ser
gravíssimas. Em aprofundado estudo acerca do suicídio entre policiais
militares do Rio de Janeiro, Miranda et al. (2016) identificaram, dentre
os participantes do estudo, que 100% dos policiais que declararam atos
suicidas também mencionaram vivências de situações de risco em suas
atividades profissionais. Além disso, parte deles também mencionou ter
participado de situações de confronto em que colegas foram alvejados e
ter sofrido a perda de um colega e/ou amigo, por arma de fogo, em
serviço, sugerindo correlação entre essas experiências e as tentativas
de suicídio. O estudo ainda apontou associação entre o risco de suicídio
aumentado e insatisfação com os recursos e material de trabalho, falta
de reconhecimento profissional na instituição, poucas oportunidades de
ascensão na carreira, falta de apoio às equipes e visão estigmatizada da
atividade policial pela sociedade.</p>
<p>Nesse sentido, pertinente a pontuação de Salineiro (2016), ao afirmar
que o Brasil é um país inseguro, que conta com pouca efetividade no que
tange aos esforços públicos na área de segurança e que provê condições
precárias de trabalho aos seus agentes, que enfrentam as ruas com pouco
treinamento e suporte e insuficientes recursos para o combate ao
crime.</p>
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  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Atuação na Segurança Pública e Impactos na Saúde
        Mental</bold></p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<p>Quando se fala em segurança pública, a saúde mental é um tema que
precisa ser colocado em pauta. Dados da Organização Mundial da Saúde são
preocupantes e apontam aumento no número de casos de depressão e
transtornos de ansiedade no mundo e também no Brasil. O relatório mais
recente acerca do tema, divulgado em 2017, indica que os casos de
depressão aumentaram 18% entre 2005 e 2015: são 322 milhões de pessoas
em todo o mundo. No Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas,
o que representa 5,8% da população, enquanto distúrbios relacionados à
ansiedade afetam mais de 18,6 milhões de brasileiros (WHO, 2017).</p>
<p>De acordo com dados solicitados às polícias civil e militar do Estado
de São Paulo via Lei de Acesso à Informação, por meio da Ouvidoria dos
referidos órgãos, entre os anos de 2015 e 2020 (até o mês de abril),
houve um total de 12.622 afastamentos de policiais civis devido a
“transtornos mentais e comportamentais”, ou seja, afastados devido aos
códigos constantes do capítulo V do Manual de Classificação
Internacional de Doenças (CID-10). A Polícia Militar divulgou seus dados
em termos de porcentagem, indicando que durante o período solicitado
(2015 a 2020), foram 3,5% do efetivo de Policiais Militares afastados do
serviço devido a transtornos mentais e comportamentais.</p>
<p>Os números apresentados, embora devam ser considerados com cautela,
devido à diferença de metodologias de apuração e apresentação, indicam
preocupação, pois evidenciam um número significativo de afastamentos nas
maiores corporações policiais do país e, mais que isso, até mesmo a
maneira de apresentar os dados sugere que tais afastamentos não são
tratados com total transparência.</p>
<p>Essa questão é evidenciada no estudo de Martins e Lima (2018), que
verificou a prevalência de transtornos mentais em policiais militares de
Minas Gerais e sua relação com aspectos organizacionais, identificando
que 50% dos profissionais em acompanhamento psicológico no serviço
pesquisado evitava entrar em licença, pois esse afastamento é visto pela
instituição de forma negativa, como falta de comprometimento ou
despreparo. Tais considerações revelam que os números de afastamento por
problemas mentais podem não representar a totalidade da incidência de
tais transtornos nos profissionais de segurança, indicando uma realidade
possivelmente ainda mais dramática.</p>
<p>Esse ponto traz à tona uma das grandes dificuldades em relação ao
tema nas corporações, tendo em vista que causam preocupação não apenas
os riscos psicossociais a que os profissionais estão submetidos devido à
própria atividade policial e consequente incidência significativa de
transtornos mentais, mas também a maneira com que tais situações são
tratadas, o que pode consistir em um fator de agravamento dos sintomas e
das consequências decorrentes de tais transtornos, para o agente, seus
familiares e a sociedade em geral.</p>
<p>Em resposta à preocupação causada por estas constatações, inúmeros
estudos tentam lançar luz aos diversos aspectos relacionados a este
fenômeno. Autores como Anchieta, Galinkin, Mendes, 2011; Minayo, Assis,
Oliveira, 2011; Castro, 2012; Bezerra, Minayo, Constantino, 2013; Pinto,
Figueiredo, Souza, 2013; Liz, et. al. 2014; Lima, Blank, Menegon, 2015;
Neves et. al., 2016; Lima, Maia, Ferreira, 2017; Silva, Silva, 2019,vêm
apontando a relação entre a atuação na segurança pública e o
desenvolvimento ou agravamento de transtornos mentais, abordando também
em suas pesquisas os fatores relacionados e estratégias de enfrentamento
à questão.</p>
<p>Nesse sentido, para Calanzas (2010) muitos desses profissionais
ingressam na carreira atraídos pelo status da profissão, possibilidades
de ascensão, estabilidade do concurso público e, com o passar do tempo
acabam se deparando com a difícil realidade e, entre outros aspectos, a
falta de reconhecimento, a percepção do risco real, as perdas de
colegas, gerando sofrimento mental.</p>
<p>Assim, vários estudos apontam altas prevalências de estresse,
sofrimento psíquico e transtornos mentais e comportamentais entre
agentes de segurança.</p>
<p>Neves et. al. (2016) pesquisaram a incidência de estresse em
policiais militares numa cidade do interior de Rondônia. Os resultados
revelaram que 42% apresentaram sintomatologia de estresse na fase de
resistência e 9% na de exaustão.</p>
<p>Outro estudo foi conduzido por Lima, Maia e Ferreira (2017),que
pesquisaram a prevalência e os fatores associados aos transtornos
mentais comuns em Agentes de Segurança Penitenciária do sexo feminino em
cinco regiões brasileiras, em uma amostra de 295 participantes. Os
resultados apontaram que cerca de 30% das entrevistadas apresentaram
níveis compatíveis com transtornos mentais comuns.</p>
<p>Resultado semelhante foi encontrado por Pinto et. al. (2013) ao
pesquisarem o risco de adoecimento em policiais civis no Estado do Rio
de Janeiro, tendo chegado a uma taxa de 21% dos participantes com
indicativo de sofrimento psíquico. O estudo ainda apontou correlação
positiva entre a existência prévia de problemas de saúde relacionados ao
sistema nervoso e a percepção de sofrimento psíquico por parte dos
policiais.</p>
<p>Outro estudo que buscou inferir a prevalência de transtornos mentais
relacionadas à atuação na segurança pública foi o de Lima, Blanck e
Menegon (2015). Nesta pesquisa, os autores encontraram prevalência de
24% de causas relacionadas a transtornos mentais e comportamentais nos
motivos de licença para tratamento de saúde dos policiais do Estado de
Santa Catarina.</p>
<p>Em outra pesquisa, Bezerra, Minayo e Constantino (2013) avaliaram
qualitativamente o estresse ocupacional em 42 mulheres policiais
militares do Rio de Janeiro. Os resultados revelaram relação apontada
pelas policiais entre o cotidiano de trabalho e o estresse. O sofrimento
psíquico foi identificado mais fortemente entre as oficiais com cargos
de chefia e as atividades operacionais foram consideradas as mais
estressantes pelo risco que oferecem.</p>
<p>Conforme apontam outros estudos, um dos fatores preponderantes no
desenvolvimento ou piora nos quadros de sofrimento psíquico ou
transtornos mentais que podem ser observados em agentes de segurança diz
respeito aos riscos à vida e a necessidade de encarar a morte de seus
pares.</p>
<p>Nesse sentido, Santiago e Souza (2016) ao analisarem o estresse
laboral em Investigadores da Policia Civil nas delegacias da cidade de
Manaus – AM, encontraram como resultados relevantes, dente outros, a
percepção de 94,12% dos investigadores entrevistados de que existe em
suas atividades um constante risco à vida.</p>
<p>Pinto et al. (2013) ainda indicam, a partir do estudo realizado, que
os riscos a que estão expostos os policiais devido às suas atividades
cotidianas, especialmente quando necessitam lidar com a morte ou a sua
iminência, os colocam frente a intenso sofrimento psíquico em sua
relação com o trabalho.</p>
<p>O estudo de Liz et. al. (2014) comparou a percepção de estresse em
uma amostra de 86 policiais militares de Florianópolis – SC,
considerando suas características ocupacionais e sociodemográficas. Um
dos resultados mais relevantes apontados pelo estudo indicou que os
policiais que haviam sofrido algum evento traumático na carreira
apresentaram níveis mais elevados de estresse quando comparados aos seus
pares que não passaram por situações semelhantes.</p>
<p>Na mesma direção,estudo conduzido por Gherson et. al. (2009) citado
por Liz et. al. (2014) indicou a exposição a incidentes como um dos
principais estressores em policiais, sendo os principais causadores de
estresse: funerais de policiais, ser submetido à investigação de
assuntos internos e atirar em alguém.</p>
<p>Outro ponto que merece atenção diz respeito ao trabalho em turnos de
revezamento, adotado pelos profissionais de segurança pública. Essa
rotina foi objeto de pesquisa em diversos estudos (Silva et. al. 2010;
Santos et. al., 2012; Arruda, 2014; Campos, 2014), os quais encontraram
indicativos de que o trabalho nessa condição traz várias consequências
negativas ao trabalhador, como distúrbios do sono, perturbações
gastrintestinais e de humor, fadiga excessiva, hipertensão arterial,
afetando aspectos biopsicossociais, familiares e interpessoais. Além
disso, foi identificado que os trabalhadores que atuam no turno da noite
apresentam maior prevalência de sofrimento psíquico, especialmente
depressão, quando comparados àqueles que trabalham somente durante o
dia.</p>
<p>Arroyo, Borges e Lourenção (2019)realizaram estudo com 506 policiais
militares do Comando de Policiamento do Interior de São Paulo, no qual
identificaram fatores relacionados ao trabalho policial com potencial de
risco para sua saúde mental, sendo um dos principais a percepção de que
os recursos financeiros recebidos são insuficientes, o que leva ao
desenvolvimento de atividades informais, em dias alternados aos que o
policial atua na corporação. Tal situação acaba comprometendo a
realização de atividades de recreação e lazer, e potencializando o
desgaste físico e mental dos profissionais.</p>
<p>Por fim, é pertinente citar o estudo de Lipp et. al. (2017), que
avaliaram os níveis de qualidade de vida e de estresse ocupacional e
suas fontes em 1.837 policiais militares do Estado do Mato Grosso,
encontrando um índice de 52% destes que apresentava estresse. Na
conclusão, o estudo indicou urgência na implantação de ações que
promovam aquisição de estratégias de enfrentamento ao estresse por parte
dos agentes.</p>
<p>Em síntese, os impactos psicológicos relacionados à atuação em
segurança pública descritos foram os seguintes:</p>
<p>- Estresse, associados ao cotidiano de trabalho e em decorrência de
eventos traumáticos vivenciados na atuação profissional;</p>
<p>- Sofrimento psíquico e presença de transtornos mentais e
comportamentais, relacionados a fatores como: falta de valorização
profissional e de possibilidades de ascensão na carreira; risco iminente
à vida; lidar com a morte de colegas; situações de investigação de
conduta; necessidade de atirar em alguém; trabalho em turnos de
revezamento, especialmente trabalho noturno (associado com prevalência
de depressão); necessidade de realizar trabalhos informais para
complementar renda, resultando em ausência de momentos de lazer.</p>
<list list-type="order">
  <list-item>
    <label>2.</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Estratégias de prevenção ao desenvolvimento ou
        agravamento de transtornos mentais</bold></p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<p>Considerando que a segurança pública é uma das áreas mais arriscadas
para o desenvolvimento de problemas de ordem mental e que estes
profissionais são vítimas constantes de estresse ocupacional e
pós-traumático, depressões e ideações suicidas (MINAYO, 2013), torna-se
de grande relevância o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento a
esta situação.</p>
<p>Assim, vários são os estudos que buscaram identificar meios para
lidar com o problema, sendo que muitos deles sugeriram a adoção de
métodos preventivos para o enfrentamento ao estresse inerente às
profissões relacionadas à segurança pública, assim como para evitar o
agravamento de condições desencadeadas pelo cotidiano da profissão
(Dantas, et. al., 2010; Souza, 2011; Mendes, 2013; Elesbão, 2016; Neves
et. al., 2016; Pinheiro e Farikoski, 2016; Santiago e Souza, 2016).</p>
<p>Um desses estudos, realizado por Mendes (2013), abordou a saúde
psicossocial na segurança pública brasileira, apontando como principais
conclusões a importância da utilização por parte das corporações de
métodos preventivos de alterações psicossociais. Para tanto, o autor
sugeriu, dentre outras estratégias, a contratação de psicólogos para
atuação em diversas áreas, realização de grupos de encontro para
atendimento do público-alvo e que os atendimentos prestados fossem
extensivos à família dos agentes, considerando as implicações do
trabalho na segurança pública também aos familiares dos
profissionais.</p>
<p>Em relação a esse ponto, importante mencionar que os familiares dos
agentes de segurança sofrem indiretamente as consequências desse
trabalho. O policial, em sua atuação, necessita mobilizar mecanismos
psicológicos para enfrentar as diversas situações que a profissão exige
diariamente (perigo constante, medo, morte e todos os demais fatores de
estresse) e é inevitável que isso gere consequências. Nas relações
familiares é que tais consequências muitas vezes são evidenciadas,
necessitando por parte dos familiares, preparo para enfrentá-las
conjuntamente ao policial. Nesse sentido, importante considerar também
esse apoio extensivo aos familiares dos agentes, como forma de
auxiliá-los de maneira ampliada, contribuindo para um ambiente familiar
mais saudável, fator de proteção ao desenvolvimento e agravamento de
transtornos mentais.</p>
<p>Outro ponto relevante, apontado por Couto et. al. (2012) em pesquisa
com policiais militares, indicou a importância da adoção de medidas para
lidar com o estresse desde o início da carreira do agente, dando
especial ênfase a esta fase, tanto quanto à percepção dos níveis de
estresse quanto à qualidade das relações interpessoais, sugerindo que
ações realizadas desde a formação dos profissionais tendem a
capacitá-los preventivamente para o enfrentamento das situações futuras
que precisarão enfrentar no cotidiano da profissão.</p>
<p>A esse respeito, vale mencionar que o início da carreira nas
corporações conta com período específico destinado à formação dos
futuros agentes. Nesse sentido, importante que esses cursos de formação
incluam formação específica e prática relacionadas ao âmbito psicológico
do agente, tais como desenvolvimento de habilidades sociais, mecanismos
de enfrentamento ao estresse, entre outras, preparando-os desde o início
da carreira para o enfrentamento a tais situações e contribuindo
preventivamente para a saúde mental dos profissionais.</p>
<p>Outro ponto importante foi mencionado por Elesbão (2016), que
realizou um interessante estudo com policiais rodoviários do interior do
Rio Grande do Sul, utilizando-se de grupos focais para abordar um tema
recorrente no cotidiano destes profissionais: a morte. Segundos a
autora, os momentos oportunizados pelo grupo facilitaram a reflexão
sobre o tema e as discussões geradas permitiram perceber a importância
de serem disponibilizados dispositivos de aproximação das instituições
de segurança ao processo de escuta, promovendo, assim, reflexões acerca
da morte e dos enfrentamentos diários vivenciados pelos profissionais de
segurança em seu fazer profissional.</p>
<p>De fato, lidar com a finitude da vida é tarefa difícil para qualquer
ser humano, porém em profissões cujo fazer encontra-se diretamente
relacionado à morte e ao morrer, tal tarefa se torna ainda mais difícil,
sobretudo quando o enfrentamento à morte se dá de maneira tão direta.
Nas profissões ligadas à segurança pública, a morte é um risco diário e
a necessidade de encará-la cotidianamente mobiliza nos profissionais
medos reais e profundos, sendo crucial a oportunização de espaços de
escuta para auxiliar estes profissionais no enfrentamento dessa
questão.</p>
<p>Outros estudos buscaram levantar propostas de atuação para o auxílio
no desenvolvimento de ações efetivas de atenção à saúde mental nas
corporações. Nesse sentido, Damaso et. al. (2014) buscaram, em seu
estudo, desenvolver propostas institucionais para prevenção e atenção
aos riscos psicossociais no trabalho de policiais civis. A partir da
pesquisa realizada, foi possível propor como estratégia o mapeamento dos
riscos psicossociais por meio de instrumento específico e, a partir de
tal diagnóstico, a criação de clínicas do trabalho como um meio de
promoção, prevenção e atenção à saúde mental dos servidores
policiais.</p>
<p>Outras formas mencionadas para o controle das emoções negativas e
gerenciamento do estresse, que podem ser promovidas por programas de
atenção psicológica aos agentes de segurança, foram: acompanhamento
psicológico individual (Dantas, et. al, 2010), políticas institucionais
anti-estresse e acompanhamento psicológico (Souza, 2011); estratégias
para a administração do tempo e incremento de habilidades sociais e, de
um modo geral, melhora nas relações humanas (PELEGRINI, et. al.,
2012).</p>
<p>Silva e Silva (2019) ainda apontam para a importância de que estes
profissionais contem com acompanhamento contínuo, com base em métodos de
preventivos de alterações psicossociais. Para os autores, os riscos
inerentes às atividades ocupacionais dos profissionais de segurança não
deixarão de existir, mas utilizando-se de ações preventivas é possível
retardar e, até mesmo, eliminar a deterioração física e mental que
acomete esses profissionais.</p>
<p>Em síntese, as ações sugeridas nos estudos avaliados para a prevenção
dos impactos psicológicos decorrentes da atuação na segurança,
incluem:</p>
<p>- Contratação de psicólogos onde não haja disponibilidade destes
profissionais;</p>
<p>- Realização de grupos, extensivos às famílias dos agentes, que
também sofrem os impactos da atividade policial;</p>
<p>- Trabalhar estratégias de enfrentamento ao estresse desde o início
da carreira, visando preparar o profissional para as situações que irá
enfrentar no cotidiano de trabalho;</p>
<p>- Realização de intervenções em grupo para auxiliar os profissionais
a lidar com o tema morte;</p>
<p>- Mapeamento dos riscos psicossociais e realização de clínicas do
trabalho;</p>
<p>- Estratégias para administração do tempo e incremento de habilidades
sociais;</p>
<p>- Acompanhamento psicológico individual, contínuo e preventivo.</p>
<list list-type="order">
  <list-item>
    <label>3.</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Oferta de acompanhamento psicológico nas instituições
        de segurança pública: realidades e desafios</bold></p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<p>Considerando as evidentes associações entre a atuação na segurança
pública e o desenvolvimento e/ou agravamento de transtornos mentais,
além dos diversos estudos mencionados que apontam para a importância de
ser ofertado aos agentes algum tipo de suporte psicológico frente a
estas situações, resta verificar como isso vem ocorrendo na realidade
das instituições de segurança do país, assim como as dificuldades
percebidas e perspectivas desta atuação.</p>
<p>Inicialmente, cabe destacar que, a despeito da evidente necessidade,
não são todos os órgãos de segurança que dispõem de serviços de
atendimento psicológico para seus agentes. Exemplo disso é mencionado na
publicação da Ouvidoria das Polícias de São Paulo acerca do suicídio
policial, publicada em 2019. O documento aponta taxas altíssimas de
suicídio nas polícias do Estado mais populoso do país, verificadas entre
os anos de 2017 e 2018 (21,7 na Polícia Militar e 30,3 na Polícia
Civil), sendo a maior causa de vitimização policial, com taxas
superiores aos homicídios e latrocínios. Mais que isso, mostra
diferenças gritantes entre o tratamento das referidas instituições às
questões de saúde mental de seus agentes. Enquanto a Polícia Militar
conta com uma vasta rede de saúde, que possui diversos serviços e
unidades de atendimento, incluindo um CAPS – Centro de Atenção
Psicossocial e um NAPS – Núcleo de Atenção Psicossocial, a Polícia Civil
do estado sequer dispõe de serviço de atendimento psicológico para seus
profissionais. A título de conclusão, a publicação ressalta a urgência
na implantação deste serviço e ampliação dos existentes (SÃO PAULO,
2019).</p>
<p>Em relação a serviços em funcionamento no país, destacam-se os
estudos conduzidos por Castro (2012); Miranda et al. (2016); Ferreira
et. al. (2017); Lustosa e Gonçalves (2017); e Martins e Lima (2018), que
buscaram identificar nos serviços ofertados sua relevância, eficácia,
limitações e sugestões de melhoria, na visão de pesquisadores, agentes
de segurança e profissionais de saúde mental.</p>
<p>Castro (2012), em pesquisa acerca da prevalência de transtornos
mentais e comportamentais (TMC) em policiais civis de Santa Catarina,
apontou como um dado relevante que a maioria dos policiais afastados por
TMC referiu falta de apoio institucional quando de seu afastamento,
ainda que a instituição conte com profissionais de psicologia em seu
quadro. Esclarecimento da autora, que parece pertinente, é que a busca
pelo atendimento, em sua maioria, é feita pelo próprio policial, não
sendo um procedimento padrão da instituição diante da percepção de
dificuldades apresentadas pelo profissional no trabalho.</p>
<p>Achado semelhante foi descrito por Bezerra (2013), que realizou um
estudo qualitativo com policiais militares atuantes em Natal – RN acerca
de cuidados com a saúde. No estudo foi reportada pelos agentes a
cessação precoce do tratamento de saúde mental devido a dificuldades de
acesso a profissionais de psicologia e psiquiatria da instituição e
impossibilidade de arcar com seu custeio por outros meios.</p>
<p>Essas situações parecem apontar para uma questão importante: não
basta a existência de um serviço de psicologia na instituição, é preciso
que o serviço seja disponível e facilmente acessado de maneira direta
pelo agente quando sentir necessidade, mas também esteja articulado com
os demais setores da corporação, como parte de uma estratégia
institucional de proteção ao profissional.</p>
<p>Nesse sentido, importante mencionar uma dificuldade que se infere dos
estudos que envolvem saúde mental e segurança pública: a resistência dos
agentes em buscarem o apoio psicológico. Assim, se este apoio fica
restrito à busca espontânea pelo profissional, pode-se imaginar que não
será plenamente efetivo, uma vez que muitos agentes não estarão
dispostos a buscar ajuda espontaneamente.</p>
<p>Na mesma direção apontam as conclusões de Bezerra et. al. (2016) em
uma revisão de literatura acerca do sofrimento psíquico e estresse no
trabalho de agentes penitenciários, Os autores analisaram diversas
publicações científicas sobre o tema, as quais indicaram como
estratégias de enfrentamento ao problema itens como: formação, suporte
social e atendimentos psicológicos. Os autores destacaram, porém, que os
esforços para efetivação de tais estratégias não podem ser atribuídos
apenas ao trabalhador, mas também considerados responsabilidade da
instituição.</p>
<p>Ferreira et. al. (2017),ao estudarem os riscos de adoecimento no
trabalho em policiais militares de Brasília,indicam preocupações
semelhantes. Segundo os autores, a rigidez do âmbito militar limita as
possibilidades de comunicação direta e aberta, reforçando estratégias
paralelas de comunicação entre os agentes, nas quais se fortalecem as
racionalizações das situações de violência. Esta barreira na comunicação
leva a uma maior resistência na busca de apoio emocional.</p>
<p>Miranda et. al. (2016) em amplo estudo acerca do comportamento
suicida entre profissionais de segurança no Brasil, identificou questões
que se relacionam a estas dificuldades em estudos junto a policiais
militares de três estados brasileiros: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul
e Bahia. Entre os achados deste estudo,que demonstram dificuldades dos
serviços existentes nestes locais, destacam-se: a centralização dos
serviços de apoio psicológico, sua pouca divulgação entre os
profissionais, falta de confiança dos profissionais no serviço ofertado,
visão estigmatizada do adoecimento mental dificultando a procura pelos
serviços, atuação com foco no problema já existente e não em estratégias
de prevenção.</p>
<p>Com efeito, nota-se que quaisquer barreiras, sejam elas físicas
(centralização ou mesmo ausência dos serviços de saúde mental),
relacionadas à cultura institucional (visão estigmatizada por parte da
instituição, falta de apoio ao profissional, dificuldades de
comunicação) ou comportamentais (preconceitos, estigma da doença mental,
desconfiança dos profissionais em relação à efetividade das intervenções
e sigilo do profissional, entre outros) constituem grandes entraves na
efetivação de políticas de atendimento e prevenção ao adoecimento mental
na segurança pública.</p>
<p>Outro estudo que traz informações relevantes acerca de serviços de
apoio psicológico nas corporações é o de Lustosa e Gonçalves (2017), os
quais abordaram os desafios do serviço de psicologia da Polícia Militar
de Minas Gerais. Os autores, que trouxeram um panorama do serviço a
partir de sua prática profissional na instituição,alertaram para uma
série de dificuldades que permeiam a concretização de um trabalho
preventivo no âmbito de saúde mental dos agentes de segurança. Foram
citados aspectos da cultura organizacional predominante na instituição
militar, como as exigências rígidas e de cunho perfeccionista, a visão
que considera o fracasso como inaceitável, entre outros pontos que levam
a dificuldades para o sujeito colocar-se em posição de receber apoio
emocional. Além disso, foi mencionado que ainda há o predomínio
exclusivo da atividade clínica, devido à avaliação dos profissionais de
saúde mental ser pautada exclusivamente em critérios quantitativos
(número de atendimentos). Tal fator, segundo os autores, restringe a
atuação do psicólogo, que poderia atuar em outros âmbitos da
instituição, contribuindo, por exemplo, com as questões organizacionais
que também levam ao adoecimento.</p>
<p>Importante notar que quaisquer estratégias de intervenção no âmbito
da saúde mental e segurança pública parecem apontar para uma maior
efetividade quando consideram não apenas os fatores individuais
relacionados ao sofrimento psíquico do agente, mas incluem estratégias
que ampliam o foco de atenção para abarcar também aspectos ambientais,
como uma melhora coletiva no ambiente de trabalho (MARTINS e LIMA, 2018)
e se preocupam com a adesão de atores institucionais com papeis
decisórios e também capacitações e orientações aos profissionais que
estão à frente dos serviços de saúde mental (MIRANDA, et. al. 2016).</p>
<p>Nota-se, assim, que as ações preventivas no âmbito de saúde mental
dos agentes de segurança encontram dificuldades para sua efetivação que
vão muito além da existência de um serviço estruturado para atendimento
psicológico nas instituições, o que, por vezes, sequer existe. A
complexidade inerente a essa discussão passa por fatores culturais,
organizacionais, de oferta de recursos materiais, adesão de atores
institucionais, entre outros fatores que precisam ser cada vez mais
trazidos à tona para serem discutidos, problematizados e, assim, possam
surgir propostas de intervenção mais efetivas e que contribuam para a
construção de uma segurança pública mais atenta a seus agentes.</p>
<p>Em síntese, quanto aos serviços disponíveis em instituições de
segurança, suas dificuldades, perspectivas e sugestões de melhoria,
destacam-se:</p>
<p>- Não há disponibilidade de serviço de apoio psicológico em todas as
instituições;</p>
<p>- Necessidade de busca externa por profissionais de psicologia e
psiquiatria devido à sua ausência ou pouca disponibilidade na
instituição;</p>
<p>- Falta de articulação entre o serviço ofertado e as demais políticas
da instituição;</p>
<p>- Barreiras na comunicação e resistência dos profissionais em buscar
os serviços;</p>
<p>- Serviços centralizados, distantes, pouco divulgados e falta de
confiança dos agentes nos profissionais de saúde mental;</p>
<p>- Foco nos problemas já existentes, ausência de estratégias
preventivas;</p>
<p>- Aspectos da cultura organizacional das instituições de segurança,
que dificultam a busca pelo atendimento psicológico;</p>
<p>- Necessidade de ampliar o foco de atuação para questões
organizacionais e ambientais.</p>
<list list-type="order">
  <list-item>
    <label>4.</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<p>O presente estudo teve como objetivo propor uma reflexão crítica
acerca do acompanhamento psicológico preventivo para agentes de
segurança pública, a partir de achados decorrentes de estudos empíricos
sobre o tema e sua correlação com as constatações presentes na
literatura especializada.</p>
<p>Assim, chegou-se à constatação inequívoca de que o profissional que
atua na segurança pública encontra-se sob alto risco de adoecimento
psíquico, devido às pressões e exigências de seu fazer profissional, que
inclui possibilidades reais de sofrer lesões e até mesmo perder a vida
em proporções muito maiores do que a população em geral.</p>
<p>Em paralelo a isso, encontram-se as condições de trabalho em um
ambiente rígido, hierarquizado, que impõe, muitas vezes, a sobrecarga de
trabalho, poucas oportunidades de relaxamento e lazer, uma vez que o
policial encontra-se sempre em estado de prontidão, até mesmo em seus
momentos de folga.</p>
<p>Assim, quando não se dá a devida atenção a essas questões, o que se
vê são os altos índices de estresse, transtornos mentais, como ansiedade
e depressão, doenças psicossomáticas e abuso de substâncias cada vez
mais prevalentes nesses profissionais, o que aponta para uma situação de
extrema gravidade: além do sofrimento para si e para suas famílias,
estes indivíduos necessitam portar armas para sua atuação profissional
e, quando psicologicamente desequilibrados, isso pode resultar em
consequências fatais para si e para terceiros.</p>
<p>Nos estudos analisados, foram identificados impactos psicológicos
associados à atuação na segurança pública, sendo os mais prevalentes:
estresse associado ao fazer profissional e em decorrência de eventos
traumáticos vivenciados no cotidiano de trabalho; e a presença de
sofrimento psíquico e transtornos mentais e comportamentais. Tais
impactos foram associados especialmente a fatores como o iminente risco
à vida inerente à atividade policial; a necessidade de lidar com a morte
de colegas; exposição a eventos traumáticos, como troca de tiros e
investigações de conduta; o trabalho em turnos de revezamento,
especialmente o trabalho noturno; e a realização de atividades externas
como forma de complementação de renda.</p>
<p>Diversos estudos analisados ainda indicaram estratégias para
minimizar estes impactos, sendo as principais: contratação de
psicólogos, em locais onde não há esse serviço disponível; realização de
grupos para abordar temas como a morte, assunto esse que aparece como
fortemente associado aos impactos negativos da atuação na segurança
pública; realização de grupos extensivos às famílias dos agentes, pois
também sofrem os impactos decorrentes da atividade policial; oferta de
acompanhamento psicológico individual, contínuo e preventivo (não apenas
diante de situações de crise); e estratégias que incluam administração
do tempo e incremento de habilidades sociais.</p>
<p>Foram, ainda, identificados estudos que descrevem serviços de saúde
mental em instituições de segurança pública no país, suas práticas,
resultados e desafios. Nesse sentido, os principais achados de tais
estudos permitem concluir que, além de não haver serviço de apoio
psicológico em todas as instituições, naquelas em que este serviço
existe, há diversas barreiras para o acesso dos profissionais, tais
como: falta de articulação com as políticas da instituição; pouca
disponibilidade de profissionais, serviços centralizados e pouco
divulgados; existência de barreiras na comunicação, resistência dos
agentes em buscar apoio, devido a aspectos culturais presentes em
organizações de segurança, além de ações que priorizam situações de
crise, não havendo atuação preventiva.</p>
<p>Dos estudos realizados, surgiram também sugestões valiosas para o
desenvolvimento de estratégias que possam atender de maneira mais ampla
as necessidades destas instituições e seus agentes. Restou evidente a
necessidade de ampliar o foco de atuação para abarcar questões de
cultura organizacional, visando reduzir resistências, ampliar a busca
pelos serviços de apoio psicológico e seu alcance, adotando-se também
estratégias preventivas, pois a atuação em saúde mental pode e deve ir
muito além do atendimento pontual em momentos de crise.</p>
<p>Nesse sentido, é preciso lembrar que o estresse e o adoecimento
mental são, muitas vezes, naturalizados nas corporações, aspecto
cultural arraigado e perpetuado em tais locais, dificultando o acesso
dos agentes a serviços de acolhimento psicológico e mesmo a percepção
desta necessidade. Assim, nota-se que estes serviços precisam considerar
tais dificuldades em seu fazer profissional, criando meios de contornar
os problemas e superar as barreiras existentes, sendo que uma das formas
que se vislumbra nesse sentido é a adoção de estratégias
preventivas.</p>
<p>Quando se fala em prevenção, é preciso enfatizar que os serviços de
apoio psicológico ofertados devem ir além da atuação quando o problema
já está instalado, mas compreender uma série de ações que podem incluir
desde a sensibilização dos profissionais e gestores quanto à importância
dos cuidados em saúde mental, passando por estratégias de melhoria na
comunicação e relações em geral, até atuação em focos específicos, tais
como a questão da morte, que foi um tema mencionado, em mais de um
estudo, como algo potencialmente gerador de estresse e dificuldades para
os agentes.</p>
<p>Assim, acredita-se que o apoio psicológico preventivo pode ser de
grande relevância aos profissionais de segurança pública, contribuindo
efetivamente para a melhoria de qualidade de vida, já que promove a
saúde mental e previne o surgimento ou, ao menos, o agravamento de
transtornos mentais nesses profissionais.Além disso, possibilita o
suporte necessário diante das dificuldades que emergem do cotidiano da
atuação profissional, o que, em última instância, contribui para a
segurança da sociedade.</p>
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