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<p><bold>Segurança e gestão urbana: Uma análise crítica da produção
científica nacional</bold></p>
<p>Autor: Paulo Fernandes de Almeida</p>
<p>Mini-Bio: Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela PUCPR, doutorando
em Gestão Urbana pelo PPGTU/PUCPR. Possui experiência nas áreas de
arquitetura e urbanismo como arquiteto autônomo, docência em nível
superior e na área de segurança pública como agente de segurança.</p>
<p>Titulação: Doutorando</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Paraná</p>
<p>Cidade: Colombo</p>
<p>Email de contato: paulofa2008@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-9544-8163">https://orcid.org/0000-0001-9544-8163</ext-link></p>
<p>Autor: Mario Procopiuck</p>
<p>Mini-Bio: Professor e líder da linha de Pesquisa em Políticas
Públicas do Programa de Pós-graduação em Gestão Urbana da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná, vice-coordenador eleito do Comitê de
Assessores da Área de Ciências Sociais Aplicadas e Bolsista de
Produtividade da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento
Científico e Tecnológico do Estado do Paraná. Atuação nas áreas de
Estudos Organizacionais e Políticas Públicas.</p>
<p>Titulação: Doutor</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Paraná</p>
<p>Cidade: Curitiba</p>
<p>Email de contato: mario.p@pucpr.br</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-7346-1938">https://orcid.org/0000-0002-7346-1938</ext-link></p>
<p>Contribuição de cada autor:</p>
<p>O trabalho foi realizado com esforços igualitários de ambos os
autores. Paulo Almeida realizou a parte da conceituação, levantamento e
análise de dados, metodologia, e redação. Mario Procopiuck realizou a
análise e interpretação dos dados e validação de dados.</p>
<p><bold>Resumo</bold></p>
<p>Os atuais níveis de violência no Brasil põem em xeque os modelos
tradicionais de policiamento e indicam a necessidade de um tratamento
mais holístico e interdisciplinar. No entanto, ainda são raros os
trabalhos que lidam com esse problema considerando simultaneamente a
criminalidade, a paisagem e a percepção de segurança. Assim, este artigo
tem por objetivo trazer possibilidades teórico-conceituais e analisar
criticamente a produção científica publicada em periódicos nacionais
sobre o tema violência, gestão urbana e paisagem urbana. A busca por
artigos se deu na base de dados SciELO, sendo selecionados apenas
aqueles que abordam a questão da segurança pública e/ou criminalidade
associada ao espaço urbano. Apenas um estudo trata da percepção espacial
da violência, considerando simultaneamente a criminalidade a paisagem e
a percepção de segurança. Portanto, constatada a carência de análises
qualitativas e quantitativas com foco na interdisciplinaridade.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Modelos de policiamento, Criminalidade,
Violência, Gestão Urbana.</p>
<p>Safety and urban management: a critical analysis of national
scientific production</p>
<p><bold>Abstract</bold></p>
<p>Current levels of violence not only challenge traditional models of
policing in Brazil but also show the need for more holistic and
interdisciplinary treatment. However, studies that deal with the problem
taking into consideration simultaneously the landscape, the criminality
and the security perception are rare. Thus, this article aims to bring
theoretical and conceptual possibilities as well as critically analyze
the scientific production published in national journals on the subject
of violence, urban management, and urban landscape. The search for
articles took place in the SciELO database, and only those addressing
the issue of public security and/or criminality associated with urban
space were selected. Only one study deals with the spatial perception of
violence, while considering simultaneously the criminality, the
landscape and the perception of security. Therefore, the lack of
qualitative and quantitative analyses with a focus on
interdisciplinarity was observed.</p>
<p><bold>Keywords:</bold> policing models, criminality, violence, urban
management.</p>
<p>DOI:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1159">https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1159</ext-link></p>
<p>Data de recebimento: 24/05/2019</p>
<p>Data de aprovação: 13/08/2020</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>Na segurança pública, o Estado, como detentor do direito à obediência
dos cidadãos e, em contrapartida, com a obrigação ─ ou, mais, com a
promessa ─ de protegê-los das ameaças à existência precisa ser capaz de
cumprir o seu papel. No entanto, no momento atual e em diferentes
contextos, o Estado tem “rebaixado” a luta contra os medos para a
“política de vida”, desviando-se da esfera da segurança para a da
proteção (BAUMAN, 2008). No caso brasileiro, em face da histórica
incapacidade de dar cumprimento às políticas de Estado, as políticas de
governos ainda têm se mostrado insuficientes para a construção de
soluções sistemáticas e duradouras na questão da segurança pública.</p>
<p>Nesse contexto, por um lado, parece haver atualmente certo consenso
de que é insuficiente o controle focado apenas em ações repressivas de
polícia para o combate à criminalidade. O desafio estaria, portanto, em
ir além do policiamento tradicional, efetivando ações preventivas
incidentes sobre as causas da criminalidade, ou seja, em trocar o “ideal
de combate ao inimigo” pela defesa dos direitos fundamentais dos
cidadãos (AZEVEDO; MARTELETO, 2008; CARVALHO; SILVA, 2011; BICALHO
<italic>et al.</italic>, 2012; LIMA <italic>et al.</italic>, 2015;
ZALUAR, 2019).</p>
<p>Por outro lado, como consequência dessas deficiências estruturais e
possibilidades de agir a partir dos direitos fundamentais, as cidades
brasileiras tornaram-se reféns da violência, com a população, por
sentir-se cada vez mais insegura, tendo que buscar proteção em ações
públicas ou imposições de particulares que estão criando limites nas
cidades. Esses limites tendem a não ser apenas visíveis, mas também
contínuos na forma e prejudiciais à livre circulação das pessoas. São
limites que atuam como barreiras para clivar parte as cidades em função
de permissões e não permissões de livre fluxo de pessoas e,
consequentemente, instituindo um ambiente urbano desconectado e de
relações sociais segregadas. Essas estratégias parecem incutir ou
cristalizar artefatualmente os interesses sociais e econômicos
individuais na forma urbana, com pouca vinculação ao interesse coletivo
(LITMAN, 2003; MENDONÇA, 2007; HIRSCHI, 2009; PRADO; MAGAGNIN, 2015).
Assim, como a cidade é também consequência e não apenas a causa dos
processos sociais (LEFEBVRE, 2006; OLIVEN, 2007; REID-HENRY; SENDING,
2014), essas formas extremas de agir, como se tudo valesse para
afastar-se do outro “indesejado”, vêm criando comunidades constantemente
amedrontadas, com sérios reflexos na organização da vida cotidiana
(FANGHANEL, 2014), e a cristalização dos efeitos indeléveis de tais
ações na morfologia e nos fluxos urbanos.</p>
<p>Dado que, sob a perspectiva do indivíduo, a apropriação do espaço
público tende a ser fortemente influenciada pelas suas percepções e
comportamentos (PEREIRA <italic>et al.</italic> 2019), a sensação de
segurança depende de como cada um entende o seu meio e lida com o medo.
No entanto, apesar da grande quantidade de estudos sobre criminalidade,
segurança pública e violência, ainda são raros os que lidam com essa
problemática considerando simultaneamente a criminalidade, paisagem
contextual vivida e a percepção de segurança.</p>
<p>Nessa linha, considerando que determinadas formas de ordenamento
espacial permitem a conformação de ambientes mais seguros a partir da
ação coletiva institucionalizada no Estado para a formação da paisagem
contextual vivida, o presente artigo traz possibilidades
teórico-conceituais para analisar criticamente a produção científica
publicada em periódicos nacionais sobre o tema violência e gestão
urbana. A investigação foi realizada por meio de revisão integrativa
norteada pelas seguintes questões: qual é o cenário explicitado pela
produção científica publicada em periódicos nacionais sobre tema
violência e gestão urbana? Qual é o espaço atual da inserção da
abordagem da “<italic>Crime Prevention Through Environmental
Design”(CPTED)</italic> na literatura científica nacional?</p>
<p><bold>A VIOLÊNCIA COMO INTERFACE ENTRE INDIVÍDUO E
COLETIVIDADE</bold></p>
<p>O termo “violência” ainda está em construção e as questões atuais a
ela inerentes não guardam a mesma relação com seu antigo sentido. Não se
pode continuar a aliar, pois, a violência como sendo tão somente
associada à agressão física ou moral. É premente, assim, compreender
profundamente os seus determinantes sociais; logo, a violência deve ser
tratada não como um conceito, mas como representação social, como parte
de um problema maior (MISSE, 1995). A violência não está apenas no
indivíduo, mas na ruptura de uma expectativa comum dos participantes da
interação social (MISSE, 2016). Do contrário, o homem, diante do
conflito dualista do princípio do prazer/princípio de realidade, passa a
ser guiado pelo princípio de sobrevivência, assumindo que a única
providência seria se afastar do mal que o aflige (ENDO, 2005). Assim,
com a percepção da fragilidade da ação coletiva, a violência tende a se
desenvolver em largas proporções e atingindo o tecido social, de forma
degradante (XAVIER; CHAGAS; REIS, 2019).</p>
<p>O estado moderno visto idealmente como detentor do monopólio da
violência e ser a expressão da representação da vontade dos cidadãos,
tem sua parcela de culpa. Não tem conseguido cumprir, pois, a sua função
de garantir proteção suficiente e necessária para preservação da vida. É
a quebra deste “pacto social” (ROUSSEAU, 2006[1712-1778]) que tem
causado desarmonia social. Portanto, o medo e a sensação de insegurança
não são apenas fruto do aumento das chances de vitimização, mas também
do aumento da percepção social acerca da violência (CASTELLS, 1999).</p>
<p>No campo da ciência, o impacto da violência sobre o tecido social e a
inabilidade dos órgãos estatais para dar respostas eficientes chamavam a
atenção dos pesquisadores, já na década de 1980. Nos anos 90, estudos
relacionados com esse tema deixaram de ser exclusividade da área Direito
e passaram a ser foco também de sociólogos, antropólogos, cientistas
políticos etc. Como resultado, atualmente se dispõe de importante acervo
de pesquisas, com diferentes perspectivas, que contribui para o
enfrentamento do problema e para constatar que a violência não é
derivada exclusivamente da dinâmica excludente da economia capitalista
(AZEVEDO, 2006) e nem a imposição de poder individual.</p>
<p>Apesar de a Teoria da Desorganização Social – proposta por Clifford
Shaw e Henry MacKay em 1942 – indicar que é mais provável que o crime se
desenvolva em uma comunidade desorganizada socialmente, com altos níveis
de desvantagens socioeconômicas, heterogeneidade étnica e mobilidade
residual (DU <italic>et al.</italic>, 2019), outros estudos evidenciam
que não há relação causal direta entre criminalidade e pobreza, nem que
o crime é privilégio de uma determinada classe social (MISSE, 1995;
COSTA; DURANTE, 2019; CORREA; LOBO, 2019; FUCA <italic>et al.</italic>,
2019). Há, ainda, que se considerar que, tão proeminente quanto as suas
causas objetivas, é seu aspecto subjetivo – o medo do crime.</p>
<p>Embora a violência seja herança comum a todo e qualquer grupo, a
pretensão das sociedades modernas de controlá-la totalmente é
equivocada, pois a violência exige certo grau de socialização e de
acordos. Estratégias para seu controle exigem atitude de astucia e
negociação, pois pode tomar a forma de uma desarmonia contagiosa, que
aprisiona o indivíduo e, por conseguinte, a coletividade. Isso configura
um estado de insegurança que gera o medo (TEIXEIRA; PORTO, 1998). Dessa
forma, o medo do crime encontra um terreno fértil para prosperar (SOUZA,
2008).</p>
<p>Com base em estratégicas de atuação do Estado, no comportamento ativo
individual, na probabilidade do dano sofrido pelo indivíduo e nos
reflexos sentidos pela sociedade, parece haver espaços para considerar
que a nova ordem social influenciada pela criminalidade se baseia na
negação do outro, que não é visto mais como um sujeito, mas com fonte de
inseguranças. Dessa forma, a violência está ligada mais ao medo e à
insegurança, com sérias implicações para o bem-estar e capital social, o
que o torna uma das questões sociais mais relevantes.</p>
<p><bold>SEGURANÇA PELA INTERAÇÃO ENTRE INDIVÍDUO, SOCIEDADE E
ESPAÇO</bold></p>
<p>Trazendo a questão da violência para o contexto da ação institucional
compartilhada de enfrentamento de dificuldades menos dependente de um
centro claramente definido de poder e mais sujeito à conjunção das
aspirações de uma miríade de atores locais (SILVA e PROCOPIUCK 2019), é
importante considerar que a gestão urbana visa à melhoria das condições
de vida, envolvendo os cidadãos nas decisões e ações (REZENDE; CASTOR,
2006), e, ainda, que os processos de estruturação e a transformação dos
espaços urbanos dependem da utilização de novas categorias de análise
que permitam que o modo como esses espaços são relacionados com a vida e
a reprodução das relações sociais de poder encetem inovações em soluções
práticas (WACHSMUTH 2013; SILVA e PROCOPIUCK 2019). Nessa perspectiva,
surgem possibilidades promissoras de compreensão e enfrentamento da
violência e do medo a partir da abordagem “<italic>Crime Prevention
Through Environmental Design”</italic> – CPTED.</p>
<p>A CPTED surgiu na década de 1960, porém assumiu essa denominação
apenas em 1971 (BONDARUK, 2007). Em seu início, a CPTED apresentou
estreito alinhamento com as ideias trazidas na obra de Jane Jacobs,
<italic>The death and life of great american cities</italic> (1961),
principalmente no que diz respeito à preconização, naquela década, de
que a responsabilidade pela seguridade nas ruas deveria ser
compartilhada entre policiais, cidadãos e gestores urbanos, com base em
adequadas políticas públicas (JACOBS, 2011). A CPTED passou, então, a
ser definida como um conjunto de providências que deveriam ser tomadas
para reduzir a probabilidade de delitos, utilizando para tal
modificações urbanísticas para a minimização da sensação de insegurança.
Em sua primeira geração, a CPTED considerava apenas o espaço público
construído, vindo agregar a ecologia social em sua segunda geração. Para
o caso América Latina, provavelmente a CPTED tenha que avançar para
incorporar (em uma terceira geração) questões de sustentabilidade e
saúde pública (MONTEMAYOR, 2019).</p>
<p>Uma das premissas atuais da CPTED é que o comportamento humano tende
a ser influenciado por condições físicas e espaciais em que um censo de
comunidade é fundamental para formar espaços públicos seguros. Ou seja,
a defesa do espaço depende da capacidade de união da comunidade
(MONTEMAYOR, 2019). São cinco os princípios e critérios básicos da
CPTED: (a) Vigilância natural: ver e ser visto; (b) estabelecimento
territorial: identidade e propriedade do espaço público; (c) controle de
acesso natural: conjunto de técnicas de <italic>design</italic> espacial
para evitar elementos urbanos/arquitetônicos excludentes e agressivos;
(d) manutenção: técnicas para manter os espaços públicos bem conservados
e cuidados; (e) participação da comunidade: o cidadão como especialista
participando da construção e manutenção de seu bairro (MONTEMAYOR,
2019).</p>
<p>Nesse contexto, a segurança, como objeto de atenção científica,
requer a busca constante pelo conhecimento e pesquisa, o que permitirá a
pesquisadores do campo da segurança pública, juntamente com a
comunidade, fertilizarem ideias para conceber programas e projetos que
permitam atuar com postura mais incisiva sobre o ambiente, a fim de que
se consiga preservar a ordem pública e melhorar a qualidade de vida.
Nesse sentido, são contribuições precedentes sobre a apropriação
espacial, as de Hertzberger (2015) sobre a diferenciação entre público e
privado; de Da Matta (2003) sobre as relações público-privadas, mas
focando a rua e a casa; de Santos (2012), que considera os fixos e os
fluxos na abordagem da paisagem urbana; e de Carlos (2001), que
evidencia as diversas dinâmicas inter-relacionadas na vida cotidiana das
metrópoles. Tais obras esclarecem aspectos fundamentais da complexa
articulação entre as diversas escalas espaciais e possibilitam o
embasamento de políticas públicas voltadas para prevenção do crime e
ampliação da segurança nas cidades. Nesse conjunto de ideias, há,
portanto, espaços para aprofundamento do conhecimento sobre a associação
das categorias modelo de policiamento, a criminalidade e o imaginário do
medo, sempre procurando associações com o <italic>design</italic>
ambiental urbano.</p>
<p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
<p>Partilhando do entendimento de que cidade não é a causa dos processos
sociais, mas consequência e/ou tão somente o lugar onde tais processos
ocorrem, e de que a cidade se interliga com a sociedade em todas as suas
especificidades, de modo que cidade e sociedade transformam-se
mutuamente (LEFEBVRE, 2006; OLIVEN, 2007), para a formação do
<italic>corpus</italic> de análise, foram buscados artigos em português
na base de artigos científicos SciELO até o mês de dezembro de 2018.
Salienta-se que a revisão de literaturas sobre crime e violência não é
novidade, excluindo trabalhos com recortes temáticos e bibliográficos
pontuais, destaca-se aqui dois trabalhos recentes: Ribeiro e Teixeira
(2018) e Nobrega Jr (2018).</p>
<p>Ribeiro e Teixeira (2018), pautados em técnicas de pesquisa
mobilizadas por Adorno (1993), Kant de Lima, Misse e Miranda (2000),
Campos e Alvarez (2017), entre outros, analisaram 546 artigos indexados
pelas palavras chave “crime”, “violência”, “criminalidade” e “criminal”
que versam sobre 25 temas, o que demonstra a diversidade de abordagens
teóricas e empíricas no estudo dessas temáticas. Apontam que, embora a
maior parte da produção esteja centrada na sociologia, a
interdisciplinaridade e a diversidade metodológica são significantes, e
que o “calcanhar de aquiles” da sociologia do crime, violência e
dinâmica criminal é a realização de estudos quantitativos.</p>
<p>Nóbrega Jr (2018) também trouxe valiosas contribuições. O autor fez
sua revisão sem levar em conta palavras chaves geralmente relacionadas à
área de políticas públicas. A intenção foi elencar quais áreas se
dedicam ao estudo da segurança pública como uma <italic>policy</italic>
e se há uma expertise técnica direcionada para políticas públicas em
segurança. Foram analisados pelo autor 33 artigos. Além de listá-los de
acordo com os periódicos em que foram publicados e as metodologias
utilizadas, avalia qualitativamente cada <italic>paper</italic>,
demonstrando sua dinâmica de análise e prováveis gargalos e
preocupações, além de avaliar o impacto da temática em áreas outras além
da sociologia, antropologia e ciência política.</p>
<p>O diferencial do presente estudo, em relação aos anteriormente
citados, está na utilização dos seguintes descritores: “segurança
pública”, “criminalidade”, “espaço urbano”, “medo” e “violência” na
busca por artigos. O intuito foi o de localizar apenas os artigos que
abordassem a questão da segurança publica e/ou criminalidade associada
ao espaço urbano, mais especificamente, aqueles que inter-relacionam
criminalidade, paisagem contextual percebida e percepção de segurança,
independentemente da área do conhecimento e da disciplina, visto que a
interdisciplinaridade é positiva e desejada no estudo do espaço urbano.
Os artigos serão analisados tendo como pano de fundo as constantes
transformações sociais sob o viés da atuação estatal, da gestão urbana,
do âmbito dos indivíduos, do coletivo e do âmbito
contextual-avaliativo.</p>
<p>Num primeiro momento, foram selecionados 458 artigos que continham
pelo menos um dos descritores no título ou no resumo. Como não há
consenso sobre o que se considerar quanto à gestão urbana (RIBEIRO,
2002; SOUZA, 2005, 2010), foram lidos todos os resumos para verificar
quais tinham relação direta com o espaço urbano. Restaram 30 trabalhos,
que foram lidos na íntegra, cuja síntese está na Tabela 1, e que
compuseram o <italic>corpus</italic> de análise do presente
trabalho.</p>
<p>Tabela 1: Artigos analisados</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Temática Central</th>
      <th>Autores do artigo/Ano de publicação</th>
      <th>Objetivo do estudo</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Modelos de Policiamento</td>
      <td>[1] Azevedo, M. A. (2003)</td>
      <td>Apresentar perspectivas acerca da criminalidade</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[2] Azevedo, M. A.; Marteleto, R. M. (2008)</td>
      <td>Reforçar o papel da informação nas tomadas de decisões</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[3] Andrade, V. R. P. (2013)</td>
      <td>Enfatizar a mudança de paradigma sobre a criminalidade</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[4] Bengochea, J. L. P.; Guimarães, L. B.; Gomes, M. L.;
      Abreu, S. R. (2004)</td>
      <td>Ressaltar a importância da qualificação dos agentes de
      segurança pública</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[5] Pradal, F. F. (2017)</td>
      <td>Analisar a produção teórica sobre a Biopolítica</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[12] Oliveira, A. S. (2005)</td>
      <td>Enfatizar a necessidade de uma governança democrática</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[14] Silva, G. F.; Beato, C. (2013)</td>
      <td>Discorrer sobre o nível de confiabilidade nos agentes de
      segurança pública</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[22] Silva et. al. (2018)</td>
      <td>Analisar a efetividade de um programa de governo na prevenção
      ao crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[23] Filho; De Souza; Alves (2018)</td>
      <td>Avaliar o impacto da Guarda Municipal como força auxiliar no
      combate ao crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[24] Ribeiro; Vilarouca (2018)</td>
      <td>Identificar os motivos para a continuidade das UPPs pós
      olimpíadas</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Criminalidade</td>
      <td>[6] Beato F., C.; Peixoto, B. T.; Andrade, M. V. (2004)</td>
      <td>Discorrer sobre a oportunidade para a prática delituosa</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[7] Beato, C. C.; Silva, B. F. A.; Tavares, R. (2008)</td>
      <td>Analisar a criminalidade com base em sua distribuição
      espacial</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[8] Paixão, A. L.; Beato F., C. C. (1997).</td>
      <td>Relacionar vítimas e agentes de segurança pública</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[9] Tavares, G. M. (2011)</td>
      <td>Discorrer sobre as subjetividades criminosas e seus
      efeitos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[10] Adorno, S. (2002)</td>
      <td>Relacionar crime a exclusão/segregação social</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[11] Peixoto, B. T.; Lima, R. S.; Durante, M. O. (2004)</td>
      <td>Analisar a distribuição espacial e temporal do crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[13] Batella, W. B.; Diniz, A. M. A. (2010)</td>
      <td>Analisar a distribuição espacial do crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[15] Silva, B. F. A.; Beato F., C. C. (2013)</td>
      <td>Avaliar o imaginário do medo</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[16] Ramão, F. P.; Wadi, Y. M. (2010)</td>
      <td>Analisar a distribuição espacial do crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[17] Birchal, F. F. S.; Zambalde, A. L.; Mermejo, P. H. S.
      (2011)</td>
      <td>Expor a importância do planejamento estratégico voltado a
      segurança pública</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[18] Santos, M. A. F.; Ranires, J. C. L. (2009)</td>
      <td>Avaliar o imaginário do medo</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[19] Hughes, P. J. A. (2004)</td>
      <td>Relacionar crime a exclusão/segregação social</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[25] Cecchetto; Muniz; Monteiro (2018)</td>
      <td>Problematiza a relação entre juventude e criminalidade</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[26] Almeida; Chagas; Ramos (2018)</td>
      <td>Analisar a dinâmica entre agentes locais e crimes locais
      violentos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[27] Barause; Saboya (2018)</td>
      <td>Investigar se usos comerciais e mistos das edificações são
      atratores de delitos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[28] Cortes; Fochezatto; Jacinto (2018)</td>
      <td>Propor uma metodologia para medir a criminalidade</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Imaginário do Medo</td>
      <td>[20] Teixeira, M. C. S.; Porto, M. R. S. (1998)</td>
      <td>Discorrer sobre as transformações nas relações sociais em
      razão da criminalidade</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[21] Rosa, E. M.; Souza, L.; Oliveira, D. M.; Coelho, B. I.
      (2012)</td>
      <td>Apresentar algumas estratégias de combate a criminalidade</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[29] Borth et. al. (2018)</td>
      <td>Identificar os serviços de enfrentamento à violência contra a
      mulher rural</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>[30] Silva; Alencar (2018)</td>
      <td>Descrever algumas formas de enfrentamento à violência</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Apêndice A</p>
<p><bold>RESULTADOS E DISCUSSÃO</bold></p>
<p>Tendo como temática central <italic>modelos de policiamento</italic>,
dez estudos listados na Tabela 1 [1-5, 12, 14, 22-24] empenharam-se em
questionar a efetividade dos modelos tradicionais de segurança pública.
Azevedo (2003) [1], Andrade (2013) [3], Bengochea <italic>et
al.</italic> (2004) [4], Oliveira (2005) [12] e Pradal (2017) [5]
reforçaram a necessidade de mudar de uma polícia punitiva para uma mais
negociadora, que permita ao policial atuar como um agente de
transformação social, na linha apresentada por Misse (1995). Para tanto,
segundo os autores, seria necessário não apenas atacar as supostas
causas da criminalidade, principalmente associadas à vulnerabilidade
socioeconômica, mas dissuadir os criminosos. O <italic>meio de
dissuasão</italic> seria a ação nos contextos em que o crime se
desenvolve, ou seja, focar nos sujeitos, compartilhando
responsabilidades, em consonância com as discussões trazidas por Misse
(2016) e Xavier et al. (2019). Como <italic>meios de ação</italic>,
Azevedo e Marteleto (2008) [2], com base na atuação dos Conselhos
Comunitários de Segurança Pública – Consep de Minas Gerais, procuraram
responder três questões referentes à importância da informação para a
segurança pública: (1) de que modo aspectos técnicos e dispositivos
informacionais contribuem para a implantação e consolidação da polícia
comunitária? (2) qual a participação dos cidadãos na reorientação das
políticas e práticas de segurança pública? e (3) que práticas de
informação são produzidas com a aproximação da polícia e da sociedade?
Concluíram que os Conseps são pouco efetivos sobre novas formas de
policiamento, evidenciando como causas: “ausência de clareza sobre o
papel do Consep e seus conselheiros” (resposta à questão 1); a falta de
interesse de alguns aliada a pressões, principalmente da mídia (via
sensacionalismo), levando a que as questões sejam tratadas
superficialmente (questão 2); e a constatação de que os agentes de
segurança pública têm forte oposição a novas práticas (questão 3).</p>
<p>Ainda sobre a avaliação empírica sobre <italic>modelos de
policiamento</italic>, considerando as interações diretas entre cidadãos
e polícia, Montemayor (2019) e Silva e Beato (2013) [14], ao abordar o
tema confiança na polícia com base em dados obtidos com a pesquisa de
vitimização, realizada em 2009 pelo Centro de Estudos em Criminalidade e
Segurança Pública (Crisp/UFMG), concluíram que se segue a tendência de
desconfiança nas instituições democráticas de forma geral e propõem que
os encontros entre polícia e cidadãos sejam mais qualificados para que
haja uma maior confiabilidade (cfe. ROUSSEAU, 2006).</p>
<p>Na perspectiva de ação institucionalizada construídas com base em
programas ou projetos para formar <italic>modelos de
policiamento</italic> que permitam maior interação com os cidadãos,
Silva et. al. (2018) [22], Ribeiro e Vilarouca (2018) [24] analisaram
programas específicos de polícia comunitária. O programa “Fica Vivo”, do
estado de Minas Gerais, que têm como principal objetivo reduzir a
incidência de crimes violentos, e Unidades de Polícia Pacificadora
(UPP), da cidade do Rio de Janeiro, que tiveram como finalidade retomada
de territórios dominados por criminosos. As evidências mostraram a
efetividade do programa “Fica Vivo” durante o período analisado, de
2003-2014. No entanto, os autores não se aprofundaram nas ações do
programa. Quanto às UPPs, não há consenso se seguiram preceitos de
policiamento comunitário, haja vista que seu objetivo inicial previa
práticas repressivas de atuação, e também não há consenso entre a
comunidade sobre a manutenção do programa. Para alguns, pois, as
comunidades atendidas pelo programa melhoram, sobretudo na diminuição
dos tiros e, para outros, principalmente os mais jovens, o cenário
continua o mesmo. Para tais jovens, os policiais continuam utilizando
práticas abusivas, degradantes e preconceituosas, restringindo a
liberdade dessa parcela da comunidade. Essas avaliações estão em
consonância com achados de Azevedo e Marteleto (2008), Carvalho e Silva
(2011); Bicalho <italic>et al.</italic> (2012); Lima et al. (2015) e
Zaluar (2019).</p>
<p>Considerando a atuação de <italic>modelos de policiamento</italic>
mais institucionalizados, Filho <italic>et al.</italic> (2018) [23], ao
analisarem o impacto das guardas municipais sobre a criminalidade,
concluíram que são mais efetivas em municípios pequenos e médios. De
municípios intermediários a grandes, não foram constatados ganhos. As
evidências mostraram que as interações são facilitadas em localidades
pequenas; logo, havendo maior disseminação de práticas de policiamento
comunitário. Nos municípios maiores, dada a complexidade da dinâmica
social e econômica, o aprendizado de novas práticas tende a ser mais
demorado, refletindo na demanda de tempo maior para apresentar
resultados positivos. Essas conclusões se alinham com trabalhos
precedentes de Litman (2003); Mendonça (2007); Hirschi (2009); Prado e
Magagnin (2015).</p>
<p>Apesar da diversidade de trabalhos que versam sobre a necessidade de
uma mudança de paradigma em segurança pública, foi encontrado apenas um
estudo empírico [22] mostrando a efetividade de novos modelos de
policiamento no contexto nacional. A razão pode ser explicada, em parte,
pela resistência dos próprios agentes de segurança em abandonar velhos
hábitos, a vigência da crença de que só se precisa de vigor físico; a
influência de estigmas e preconceitos; e o corporativismo, que impede
que a sociedade entenda a polícia e instigue mudanças. É possível
concluir, portanto, que, apesar de avanços com enfoques mais holísticos,
a falta de respostas mais eficientes por parte dos agentes estatais
tende a persistir enquanto permanecerem esses três pontos que dificultam
a inserção e institucionalização de mudança de postura dos agentes de
segurança e, consequentemente, inovação em <italic>modelos de
policiamento</italic>.</p>
<p>Dos dezoito estudos que têm a <italic>criminalidade</italic> como
temática, doze [6-11, 13, 15-19, 25, 28, 30] versam sobre subjetividades
criminosas, ou seja, as razões para as práticas delituosas. Nesses
estudos, em síntese, são abordadas questões como a influência do
ambiente, exclusão socioeconômica, distribuição espacial e temporal da
criminalidade, e razões da confiabilidade nos agentes de segurança
pública. Paixão e Beato (1997) [8], Beato <italic>et al</italic>. (2004)
[6] e Silva e Beato (2013) [15] apresentam reflexões baseadas em
pesquisas de vitimização realizadas pelo IBGE, em 1990, e pelo Centro de
Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp/UFMG), em 2002 e
2006. Beato <italic>et al.</italic> (2004) [6] mostram que a
probabilidade de vitimização está atrelada a hábitos e características
do meio. Ambientes públicos e horários de maior fluxo são boas
oportunidades para crimes de motivação econômica, também concluíram
serem determinantes as incivilidades nos espaços públicos. Esses achados
parecem confirmar achados anteriores de Litman (2003), Mendonça (2007),
Hirschi (2009) e Prado e Magagnin (2015).</p>
<p>Paixão e Beato (1997) [8] concluíram que as pessoas não recorrem à
polícia para resolver seus problemas de <italic>criminalidade</italic>
não apenas por desconfiança ou temor, mas também por se recusarem a
admitir a interferência do Estado em questões de suas vidas privadas. Os
autores apresentam argumentos para nos mostrar caminhos para entender
por que isso ocorre. Esses caminhos vão desde a análise da gênese e
evolução da nossa sociedade até a cultura organizacional do Estado,
alinhando-se, portanto, à discussão trazida por Bauman (2008).</p>
<p>Silva e Beato (2013) [15] mostram que uma comunidade mais coesa, com
maiores interações entre indivíduos, pode gerar um sentimento de maior
segurança, o que reflete nas agendas de políticas públicas. Isso indica
que, na busca de soluções para a <italic>criminalidade</italic>, deve-se
atentar para as particularidades dos contextos locais, sobretudo para as
formas de apropriação do espaço urbano, na linha defendida, por exemplo,
por Castells (1999). Beato <italic>et al.</italic> (2008) [7], embasados
por dados criminais sobre crimes violentos em Belo Horizonte (MG) e
sintetizados pela Polícia Militar de Minas Gerais (janeiro de 1995 e
dezembro de 2003), demonstraram a eficácia de modelos de policiamento
comunitário para a diminuição destes crimes. As evidências trazidas
pelos autores indicam que houve a redução dos índices no período em que
o modelo de “polícia de resultados” foi implantado (janeiro de 2001 a
setembro de 2002). Como contraprova, mostram que, logo em seguida ao
enfraquecimento do modelo, os níveis de crimes violentos voltaram a
subir (outubro de 2002 a dezembro de 2003). Os autores reforçam ainda
que nos períodos analisados não houve a concorrência de fatores
intervenientes na mudança de tendência temporal observada: fatores
estruturais, laços sociais, fatores organizacionais/institucionais e ou
violência prévia. Portanto, é defensável que os resultados verificados
decorram da mudança na forma de policiamento. Esses resultados são
consonantes com os obtidos por Azevedo e Marteleto (2008), Carvalho e
Silva (2011), Bicalho <italic>et al.</italic> (2012); Lima <italic>et
al</italic>. (2015) e Zaluar (2019). De modo geral, os resultados
poderiam ter sido mais significativos se houvesse uma maior participação
de outros atores da administração pública, como defendem Rezende e
Castor (2006). Essas mudanças na forma de policiamento, por meio de
abertura para participação de outros atores da administração pública,
pode ter ocorrido em um segundo momento posterior da estratégia, porém
essa segunda fase do projeto não foi alvo de análise de Silva e Beato
(2013) [15] e Beato <italic>et al.</italic> (2008) [7] .</p>
<p>Tavares (2011) [9] aponta que, na perspectiva do <italic>imaginário
do medo</italic>, o medo, a desconfiança e a violência produzem
subjetividades criminosas engajadas no sofrimento ou no esmagamento do
sujeito. Conclui que, infelizmente, os efeitos destas subjetividades é a
crença na resolução dos conflitos pela força, em sentido similar ao
descrito por Endo (2005) e consonante também com a ideia de que seria
mais difícil a mudança de uma segurança penal para uma segurança social,
como avaliado por Xavier <italic>et al</italic> (2019). Adorno (2002)
[10] apresenta um estudo bastante denso que permite desvincular a
criminalidade da pobreza. Constata que, mais do que um problema
econômico, o crime é de ordem de justiça social, ou seja, é preciso
reconhecer os direitos para a efetivação de um espaço digno que ofereça
condições satisfatórias para práticas de civilidade, como defende
Misse(1995).</p>
<p>Peixoto <italic>et al.</italic> (2004) [11], ao analisarem
indicadores que apontam o movimento e a tendência da violência e medem a
eficácia do Estado no combate à criminalidade, mostraram que, embora os
registros apontem que a quantidade de crimes ainda seja volumoso em todo
o Brasil, várias unidades da federação demonstram capacidade de reação,
provocando uma queda nos índices. No entanto, não há uma clareza acerca
dos motivos das divergências verificadas. Batella e Diniz (2010) [13]
concluíram que crimes contra a pessoa tendem a ocorrer com mais
frequência em áreas mais vulneráveis socioeconomicamente, conforme já
identificado em outros contextos por Du <italic>et al.</italic> (2019).
Crimes contra o patrimônio são verificados em maior número em
comunidades mais privilegiadas economicamente, ou seja, para crimes
contra o patrimônio é determinante a oportunidade que essas comunidades
oferecem para a prática delituosa. Ramão e Wadi (2010) [16] utilizaram o
método de Análise Exploratória de Dados Espaciais (AEDE) para descrever
a distribuição espacial do fenômeno “homicídio” no município de Cascavel
(PR). Comprovaram que o crime de homicídio tem alta relação com espaços
carentes que apresentam baixos índices socioeconômicos, em linha,
portanto, com os achados de DU <italic>et al.</italic> (2019).</p>
<p>Como estratégia de ação, Birchal <italic>et al.</italic> (2011) [17]
empenharam-se em demonstrar a maior eficácia do Planejamento Estratégico
Situacional (PES) em relação aos modelos de planejamento tradicionais no
município de Lavras (MG), porém não há menção do período analisado. Como
ponto que merece destaque no PES, os autores apontam o maior
envolvimento de todos os atores sociais na formulação de estratégias
para a segurança pública como preconizavam Rezende e Castor (2006).
Santos e Ranires (2009) [18] constataram que o medo do crime diminui com
a presença do policiamento, mas parece ser solução paliativa. Hughes
(2004) [19] e Almeida <italic>et al.</italic> (2018) [26] demonstram que
há forte relação entre baixos índices socioeconômicos e crimes
violentos. Aquele analisou as periferias da cidade de São Paulo (SP),
este o município de Macapá (AP). Contudo, ambos os estudos não apontam a
pobreza como a única causa da criminalidade, alinhados com os estudos de
Misse (1995), Costa e Durante (2019), Correa e Lobo (2019); Fuca
<italic>et al.</italic> (2019), e enfatizam o papel determinante do
Estado, ou seja, sua ausência histórica em áreas pobres (cfe. ROUSSEAU,
2006).</p>
<p>Cecchetto et al. (2018) [25] mostram o impacto de uma sociedade de
consumo na vida de jovens carentes na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e
verificaram uma fragilidade das identidades sociais e a falta de
projetos de vida moral e eticamente aceitos. Parece prevalecer nesses
jovens a sensação de “estar sobrando” e a falta de perspectivas no
futuro, tornando-se assim mão de obra fácil para o crime, como indicavam
os estudos de Azevedo (2006), Souza (2008) e Fanghanel (2014). Barause e
Saboya (2018) [27] corroboram estudos que apontam que áreas comerciais
são palcos preferenciais para a prática criminosa, sobretudo furto e
roubo. Ainda, apontam os benefícios de se investir em bairros de uso
misto, com alta diversidade de uso do solo vinculados aos usos
residenciais. O uso comercial trás dinâmica ao bairro enquanto o uso
residencial trás “olhos” nos períodos em que o comércio está fechado,
como já constado por Litman (2003), Mendonça (2007), Hirschi (2009),
Prado e Magagnin (2015). Cortes, Fochezatto e Jacinto (2018) [28]
utilizaram técnicas de estatística inferencial, utilizando dados da
Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul (SSP-RS), do período de
2002 a 2015, para proporem um índice geral de criminalidade. Este
trabalho visou principalmente resolver o problema de estimação, comum em
municípios de baixa população, que possa ser amplamente utilizado para
análises em outras unidades da federação e ou outros recortes
temporais.</p>
<p>Ainda, quatro estudos tratam a questão do medo [20, 21, 29, 30],
Teixeira e Porto (1998) [20] apresentaram os fatores externos que
contribuem para o imaginário do medo, que transpassam questões sociais,
econômicas, psicológicas, religiosas e antropológicas. Os autores
alertam que se deve ficar atento para que o <italic>imaginário do
medo</italic> não se torne plataforma para discursos extremistas, como
preconizado por Souza (2008) e Fanghanel (2014). Rosa et. al. (2012)
[21] trazem exemplos de como estratégias individuais de combate à
violência são pouco efetivas, e como tentativas de mobilização
comunitárias com foco na segurança local ainda são frágeis. Como
justificativo está o fato de que, para grande parte da sociedade, o
problema da criminalidade está no “outro”. Assim, a principal estratégia
adotada é o isolamento, a não interação, o que está, portanto, em
alinhamento com os problemas discutidos por Teixeira e Porto (1998),
Castells (1999), Azevedo (2006), Bauman (2008) e Souza (2008).</p>
<p>Os outros dois tratam de temas específicos ─ a mulher rural e a ação
de profissionais dos direitos humanos em um atentado terrorista. Borth
et. al. (2018) [29] apontam as dificuldades e falhas nos programas de
enfrentamento da violência contra a mulher rural, que vão desde
problemas estruturais, falta de maior aproximação entre os profissionais
envolvidos, falta de conhecimento sobre os procedimentos e questões
legais envolvendo a temática até a subnotificação dos crimes e a falta
de acesso ao serviço por parte das vítimas. Silva e Alencar (2018) [30]
apontam para a necessidade de enfrentamento da violência através de
práticas de convívio social harmonioso, proteção dos direitos
individuais e coletivos e uma maior apropriação do espaço público; logo,
em consonância com Montemayor (2019). Assim, a saúde coletiva continua
sendo fortemente afetada, pois no tripé do crime (infrator, vítima e
ambiente) cada parte vem sendo tratada separadamente, bem como há
escassez de mecanismos que promovam de forma apropriada a gestão
participativa da segurança pública, indo, portanto, de encontro aos
preceitos da gestão urbana contemporânea.</p>
<p>Apenas dois estudos tratam da percepção espacial da violência [18] e
[27], considerando simultaneamente a criminalidade (infrator) a paisagem
(ambiente) e a percepção de segurança (vítima). Tem-se uma preocupação
com os fluxos da paisagem, embora não seja mencionado no texto de forma
explicita, percebem-se nesses trabalhos princípios da CPTED. A escassez
desses estudos mostra que há espaços para avanços na compreensão e
aplicação do CPTED na realidade brasileira.</p>
<p>O tema “violência vinculada ao espaço urbano” é abordado pelos
autores utilizando diferentes métodos de pesquisa, refletindo a
complexidade do fenômeno em questão e enfatizando a necessidade de
diferentes formas de abordagem. Na categoria teórico-metodológicos,
encontram-se os estudos direcionados para a elaboração e discussão de
referenciais teóricos acerca da temática violência, relacionado-a
principalmente com o Direito e Gestão Pública. No entanto, foi
verificada a falta de consenso sobre alguns conceitos, pois, embora
digam respeito ao mesmo assunto, recebem várias terminologias, por
exemplo: rotas seguras, espaços urbanos seguros, percursos da violência,
paisagem segura, dentre outros. Isso evidencia a dificuldade no estudo
de temas relacionados ao urbano, já abordados por Ribeiro (2002), Souza
(2005) e Souza (2010). Com relação aos textos da categoria
<italic>criminalidade</italic>, verifica-se a pulverização do fenômeno
na sociedade, sendo abordados como público-alvo mulheres, negros,
pobres, jornalistas, psicólogos, militares das forças armadas,
presidiários, traficantes, comunidades LGBT. Esses públicos são ora
tratados como vítimas, ora como meros espectadores, no caso de
jornalistas e psicólogos, e até massa de manobra em práticas opressivas,
como o uso de militares das forças armadas. O fenômeno é explicado em
parte pelos trabalhos de teóricos da Biopolítica, como Foucault (2008) e
Assmann e Bazzanella (2012).</p>
<p>Nesse contexto, a problemática da segurança pública abordada sob os
preceitos da CPTED parece ser adequada, pois, dada sua abrangência, é a
que mais contribui para a afirmativa de que a cidade não é a razão dos
processos sociais e sim o seu pano de fundo, como defendido por Lefebvre
(2006) e Oliven (2007).</p>
<p><bold>CONCLUSÕES</bold></p>
<p>A revisão sistemática permitiu descortinar um contexto de estudos em
que se procura compreender as transformações nas relações sociais em
razão da criminalidade, considerando a sua relação com a exclusão ou
segregação social. No <italic>âmbito da atuação estatal</italic>, os
estudos apontam para a necessidade de mudança de paradigma sobre a
criminalidade, com aposta na inovação de aparatos institucionais com
governança mais democrática e instrumentalizada com planos e estratégias
de combate à criminalidade. No <italic>âmbito da gestão</italic>, as
preocupações se voltam para a efetividade de programas de governo de
prevenção, a importância da informação nas tomadas de decisões, a
qualificação dos agentes de segurança pública, novas metodologias para
medir a criminalidade, a avaliação de algumas configurações de serviços
disponíveis a cidadãos, a atuação de segmentos da polícia para combate
ao crime e a confiabilidade na atuação de agentes da segurança pública.
No <italic>âmbito dos indivíduos</italic>, há tentativas de compreender
e discorrer sobre as oportunidades para a prática delituosa, as
subjetividades criminosas e seus efeitos, o imaginário do medo, a
dinâmica entre agentes locais e vítimas de crimes locais violentos. No
<italic>âmbito coletivo</italic>, os trabalhos problematizam a relação
entre juventude e criminalidade, bem como os efeitos da criminalidade em
grupos sociais marginalizados. No <italic>âmbito
contextual</italic>-<italic>avaliativo</italic>, os trabalhos analisam a
criminalidade com base em sua distribuição espacial, e usos comerciais e
mistos de edificações como atratores de delitos.</p>
<p>Sobre experiências de tratamento de espaços urbanos para garantia da
segurança pública, o estudo permitiu verificar a incipiência de estudos
em nível nacional. Dentre todos os textos analisados, apenas dois
relacionam criminalidade, espaços públicos e percepção de segurança,
seguindo preceitos da <italic>Crime Prevention Through Environmental
Design</italic> (CPTED). Alguns diagnósticos têm sido realizados, porém
de forma superficial. Portanto, há carência de análises qualitativas e
quantitativas com foco direto na associação criminalidade e configuração
espaços urbanos, o que gera a necessidade de significativos avanços na
capacidade de realização de avaliações, considerando, de forma
explícita, a tutela cidadã. A falta de estudos com perspectivas mais
amplas e abrangentes soa preocupante, principalmente no contexto
brasileiro, cujas instituições vêm sendo constantemente desafiadas a
solucionar os graves problemas de criminalidade.</p>
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</article>
