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<p><bold>CRIMES VIOLENTOS LETAIS E INTENCIONAIS (CVLI): FATORES E
MOTIVAÇÕES QUE OS INFLUENCIAM EM CONSONÂNCIA COM AS POLÍTICAS DE
SEGURANÇA PÚBLICA</bold></p>
<p><bold>Brunna Souza Ferreira</bold></p>
<p>Farmacêutica pela ASCES-UNITA e Pós-Graduanda em Farmacologia Clínica
pela UNINASSAU. Durante a graduação se dedicou à pesquisa Científica na
área da criminologia e fitoterapia, onde tem artigos e livros já
publicados. Atualmente atua na Assistência Básica de Saúde no Município
de Pesqueira como também em Farmácia Comercial.</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Pernambuco</p>
<p>Cidade: Pesqueira</p>
<p>Email de contato: brunnalarissasmfm@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-5880-8606">https://orcid.org/0000-0002-5880-8606</ext-link></p>
<p><bold>Arquimedes Fernandes Monteiro de Melo <italic>(In
memorian)</italic></bold></p>
<p>Farmacêutico pela UFPE (1994), mestrado em Ciências Farmacêuticas
pela UFPE (2002) e doutorado em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos
pela UFPB (2005). Tem experiência na área de Análises Toxicológicas
Forenses e na área de Direito em Criminologia, Criminalística e Medicina
Legal.</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Pernambuco</p>
<p>Cidade: Recife</p>
<p><bold>Poliana Carvalho Guarino</bold></p>
<p>Licenciada em História (Famasul), pós graduada em ensino da História
(UFRPE), Pesquisa na pós Graduação em estudo do século XX (UFPE),
acadêmica em Direito (ASCES -UNITA), atuando na monitoria e Pesquisa da
instituição.</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Pernambuco</p>
<p>Cidade: Arcoverde</p>
<p>Email de contato: 2018101075@app.asces.edu.br</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-9846-8909">https://orcid.org/0000-0002-9846-8909</ext-link></p>
<p><bold>Maria Perpétua Socorro Dantas</bold></p>
<p>Graduada em Direito, Especialista em Processo Penal, Mestra em
Ciência Política (UFPE); professora universitária (ASCES UNITA),
coordenadora do Programa de Extensão Universitária: Adoção Jurídica de
Cidadãos Presos, Envelhecer no Cárcere, Cine Cidadania e Proendividados
(ASCES UNITA); coordenadora do Escritório Social do CNJ.</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Pernambuco</p>
<p>Cidade: Caruaru</p>
<p>Email de contato: perpetuadantas2020@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-4406-0833">https://orcid.org/0000-0003-4406-0833</ext-link></p>
<p><bold>Contribuição de cada autor:</bold> Brunna Larissa de Souza Melo
Ferreira Maciel, autora principal; Poliana Carvalho Guarino, auxiliou no
processo de escrita e correção; Maria Perpétua Dantas Jordão,
orientadora auxiliar; Arquimedes Fernandes Melo, orientador principal
(In memorian).</p>
<p>Nota de rodapé em homenagem ao orientador:</p>
<p>Artigo dedicado ao orientador Arquimedes Fernandes Melo, que veio a
falecer em Janeiro desse ano (2021). Trabalhou com afinco nessa
pesquisa, com grande desejo de contribuir mais um pouco com a comunidade
científica.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Considerando o crescimento significativo dos Crimes Violentos Letais
e Intencionais (CVLI) e buscando elementos que colaboram com esse
aumento, este estudo tem como objetivo analisar os principais fatores
que influenciam o crescimento desses crimes, levando em consideração
condições sociais, econômicas e políticas. As análises foram voltadas
para o Estado de Pernambuco, mais especificamente à Região Metropolitana
do Recife e à cidade de Caruaru, no interior do Estado, com dados
coletados contidos nas bases de dados secundários da Gerência de Análise
Criminal e Estatística (Gace) e da Agência Estadual de Planejamento e
Pesquisas de Pernambuco – Condepe/Fidem. Por fim, os resultados mostram
que as circunstâncias econômicas do país, que atingem diretamente as
políticas públicas e a condição social da população, corroboram o
crescimento desses crimes, uma vez que é possível perceber que nos picos
de crise econômica é onde também ocorrem os picos de criminalidade.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Criminologia. Homicídios. Política.
Economia.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><bold><sc>LITERATURE AND INTENTIONAL VIOLENT CRIMES (CVLI): FACTORS
AND MOTIVATIONS THAT INFLUENCE THEM IN ACCORDANCE WITH PUBLIC SAFETY
POLICIES</sc></bold></p>
<p>Considering a significant growth in Lethal and Intentional Violent
Crimes (CVLI) and looking for elements that contribute to this increase,
this study aimed to analyze the main factors that influence the growth
of these crimes, taking into account social, economic and political
conditions. The analyzes were focused on the State of Pernambuco, more
specifically the Metropolitan Region of Recife and the city of Caruaru,
in the interior of the State, with data collected contained in the
secondary databases of the Criminal and Statistics Analysis Management
(Gace) and of the State Agency of Planning and Research of Pernambuco –
Condepe/Fidem. Finally, the results show that the country's economic
circumstances, which directly affect public policies and the
population's social condition, corroborate the growth of these crimes,
since it is possible can see that in the peaks of th</p>
<p><bold>Keywords:</bold> Criminology. Homicide. Policy. Economy.</p>
<p>Data de recebimento: 20/06/2019 Data de aprovação: 19/11/2020</p>
<p>DOI: 10.31060/rbsp.2021.v15.n2.1174</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>A criminalidade no Brasil vem aumentando a cada dia, trazendo consigo
medo e insegurança para a população, e tal aumento pode ser ligado a
fatores políticos, econômicos e sociais do país. Os eventos criminais e
violentos tiveram um nível de crescimento nos últimos anos, fazendo com
que, nos crimes relativos a homicídio, roubo, roubo com consequência
morte, extorsão mediante sequestro, tráfico de drogas e estupro, as
taxas brasileiras excedam aquelas encontradas em países com organização
social comparável à nossa (MACÊDO, 2012). E para esse aumento, algo tem
que estar associado, uma vez que a criminalidade não surge do nada, ela
em sua maioria é desencadeada por alguma falha.</p>
<p>Tendo em vista isso, podemos relacionar esse crescimento a diversos
fatores, como a inacessibilidade às redes de proteção social de
prevenção à violência, que cria, ademais, uma situação favorável à
expansão do crime organizado e do narcotráfico, os quais são fatores
importantes ao incremento dos indicadores de criminalidade violenta no
país (ADORNO, 2003). As circunstâncias, motivações, tipos e fatores
deflagradores de ocorrências criminosas e violentas foram tornando-se
mais complexas à medida em que os elementos de urbanização e
metropolização se instauraram nas cidades brasileiras, ao passo que o
sistema de justiça, no geral, manteve a mesma lógica de funcionamento
vigente há décadas (SOARES, 2007).</p>
<p>No Brasil, a produção acadêmica sobre crime, violência e segurança
pública está em desenvolvimento há, pelo menos, trinta anos. As linhas
de pesquisa foram se consolidando e se fortalecendo e os objetos de
estudo assumindo abordagens diferenciadas ao longo do tempo. A despeito
de todo o avanço na consolidação de um campo de pesquisa próprio, a
dificuldade de acesso às informações, organizações, pessoas e bases de
dados consistentes é ainda um grande obstáculo. Tal dificuldade tem uma
repercussão também dramática no campo da gestão das políticas públicas
de segurança.</p>
<p>Políticas de valorização e capacitação periódica são ainda
insuficientes para o contingente profissional existente, e as condições
de trabalho são muitas vezes precárias, com escassez de recursos
material e humano (BEATO, 2008; KANT DE LIMA, 2008; ZAVERUCHA, 2005;
COSTA, 2004; SOARES, 2000). E a implantação de políticas e programas
para combater e prevenir os crimes e a violência são poucos, pois são
afetados primeiramente pela economia e segundo por muitas vezes não
serem o principal foco das políticas públicas.</p>
<p>Mas em maio de 2007 foi lançado pelo Governo do Estado de Pernambuco
o Pacto Pela Vida, que consiste em um plano que apresenta como meta
prioritária a redução progressiva das ocorrências de homicídio doloso,
roubo com consequência morte e lesão corporal seguida de morte,
agregados sob a designação <italic>Crimes Violentos Letais e
Intencionais</italic> – CVLI (MACÊDO, 2012). O Pacto, em um primeiro
momento, teve resultado positivo significativo, alcançando realmente o
seu objetivo, mas com o tempo e com mudanças no que consistia o projeto,
houve uma queda no seu desempenho. E diante do contexto social,
especialmente em Pernambuco, vem sendo travada uma luta para conseguir
soluções para o fim da criminalidade, pois o Estado vem apresentando
taxas criminais cada vez mais elevadas.</p>
<p>Levando em consideração esses elementos e analisando os dados dos
Crimes Violentos Letais e Intencionais contidos nas bases de dados
secundários da Gerência de Análise Criminal e Estatística (Gace) e da
Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco –
Condepe/Fidem, este trabalho tem como objetivo compreender e comparar os
fatores que influenciam a ocorrência de tais crimes, com uma metodologia
de pesquisa do tipo bibliográfica e documental. Analisando assim as
circunstâncias sociais, econômicas e políticas que provavelmente
colaboram para o acontecimento desses delitos. E para ser possível uma
análise mais profunda, foram escolhidas a Região Metropolitana do Estado
e uma cidade do interior, que foi Caruaru, para assim comparar e
compreender como a criminalidade afeta a capital e o interior, se de
igual forma ou não.</p>
<p><bold>A CRIMINALIDADE E AS POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA</bold></p>
<p>Faz-se necessária uma associação da criminalidade com as políticas de
segurança pública, para assim entender como uma está associada a outra e
como elas se afetam. Uma vez que políticas de segurança pública são um
conjunto de princípios que tem como objetivo condicionar estratégias de
segurança, visando a manutenção da ordem e a preservação da vida,
enfrentando a violência e a criminalidade.</p>
<p>Todos os cidadãos estão expostos à criminalidade, independentemente
do status social, da raça ou da idade. Entretanto, embora generalizados,
dados revelam que crimes contra a pessoa, como homicídios, atingem
principalmente homens e a camada mais jovem da população. Essas mortes
estão vinculadas à impunidade das infrações e delinquências, ao consumo
exagerado de bebidas alcoólicas, ao uso e tráfico de drogas, ao amplo
acesso e à disponibilidade de armas de fogo e à ausência de um projeto
político de maior inclusão que seja capaz de reduzir a exclusão social a
que estão submetidos diversos segmentos da sua sociedade (REICHENHEIM,
2011).</p>
<p>Inegavelmente, a hipótese de que as condições econômicas e a
criminalidade são estreitamente relacionadas é bastante plausível. Por
isso, a análise econômica da criminalidade é importante e deve colaborar
na identificação de suas causas e propor soluções que possam ser
adotadas pelos formuladores de políticas públicas. Nesse sentido, como
ciência, a Economia também tem se dedicado à investigação empírica dos
determinantes da criminalidade (SANTOS, 2009).</p>
<p>No Brasil, pode-se dizer que a criminalidade é um dos mais
perniciosos problemas enfrentados pela sociedade nos dias atuais,
gerando uma crescente sensação de insegurança e o consequente sentimento
de medo na população. Embora seja difícil mensurá-lo, o sentimento de
insegurança não é irreal ou imaginário. No nível ideal-típico do medo,
se associaria a uma sensação difusa de angústia ou de ansiedade que
permaneceria para além dos acontecimentos e que não possuiria um objeto
definido (MIRANDA, 2008). O medo é uma construção social (DELUMEAU,
1989), onde se teme o que se considera ser um grande perigo, não se
levando em conta os riscos mais frequentes.</p>
<p>Uma breve retrospectiva nos mostra que as sucessivas administrações
federais dos últimos 20 anos pouco contribuíram na construção de
estratégias coordenadas voltadas para a redução de homicídios no Brasil.
Durante o período em que o país foi governado por Fernando Henrique
Cardoso, a criação da Secretaria Nacional de Segurança Pública em 1997,
o lançamento do Plano Nacional de Segurança Pública em 2000 e a criação
do Fundo Nacional de Segurança Pública em 2001 constituíram as primeiras
tentativas mais sistêmicas de tratar o problema da segurança no plano
federal.</p>
<p>Já sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, as iniciativas
mais relevantes, no plano federal, foram a Primeira Campanha Nacional de
Desarmamento, entre 2004 e 2005, e o lançamento do Programa Nacional de
Segurança com Cidadania (Pronasci) em 2007, que tinha por objetivo
articular ações de segurança pública, prevenção da violência e políticas
sociais com participação dos três níveis da federação (SOARES,
2007).</p>
<p>Apesar do entendimento de que um policiamento mais intensivo diminui
a criminalidade, as suas causas fundamentais são estruturais e ligadas
às oportunidades e condições de vida dos indivíduos. As altas taxas de
desemprego, os baixos salários, a elevada desigualdade de renda e a
pobreza extrema são apenas alguns dos fatores que justificam a
criminalidade crescente e cada vez mais violenta no Brasil. A influência
desses fatores, entretanto, pode se modificar, já que os criminosos
tendem a adquirir experiência ao longo do tempo, tornando-se,
consequentemente, mais eficientes (SANTOS, 2009).</p>
<p>Logo, pressupõe-se que quanto maiores forem os gastos com segurança
pública, maior será a eficiência das atividades preventivas e de combate
ao crime, ressaltando que política de segurança pública vai muito além
de um maior policiamento. Não sendo exatamente isso que acontece, tendo
em vista que os investimentos em políticas sociais cada vez mais são
deixados de lado, inclusive os projetos que já estavam em vigor vêm
sendo negligenciados, como por exemplo o próprio Pacto Pela Vida.</p>
<p><bold>O PACTO PELA VIDA (PPV)</bold></p>
<p>Levando em consideração a condição em que se encontrava o Estado de
Pernambuco até o ano de 2007, principalmente a diminuição da expectativa
de vida da população devido às mortes violentas e também a situação de
pobreza e desigualdade social, ficava cada vez mais perceptível a
necessidade de algum programa que ajudasse a controlar e solucionar tais
problemas. Foi aí que o Pacto Pela Vida começou a tomar forma, não sendo
um programa que visava apenas a segurança pública em si, mas todo o
contexto social que afetaria de uma maneira direta ou indireta a
segurança do Estado.</p>
<p>A decisão de eleger a segurança pública como prioridade é o primeiro
marco que precisa ser destacado quando se pensa em recuperar a memória
desta política, tendo em vista que o tema da segurança pública, no
Brasil, tem sido negligenciado por muito tempo pelos chefes dos
executivos municipais, estaduais e federal (SAPORI, 2007), que não só
não discutem o assunto, bem como, quando o fazem, o tratam de modo
simplista, como uma questão que diz respeito apenas à polícia.</p>
<p>O Decreto nº 30.569, de 29 de junho de 2001, cria o Comitê Estadual
de Governança do Pacto Pela Vida, no qual a meta estruturante do Plano
Estadual de Segurança Pública é construir um conjunto de ações
sistêmicas de curto, médio e longo prazo que, definida, monitore
responsabilidades, busque interromper o crescimento da violência
criminosa em Pernambuco e iniciar um processo de redução contínua e
progressiva de tal violência, especialmente dos crimes contra a
vida.</p>
<p>A implementação do Pacto Pela Vida, que desde 2007 colocou em marcha
uma série de estratégias de repressão e prevenção do crime com foco na
redução dos homicídios, foi responsável pela diminuição de quase 40% dos
homicídios no Estado, entre janeiro de 2007 e junho de 2013 (RATTON,
2014).</p>
<p>Marcado inicialmente pela elaboração do Plano Estadual de Segurança
Pública (Pesp-PE 2007), do qual saíram 138 projetos estruturadores e
permanentes de prevenção e controle da criminalidade, produzidos pelas
câmaras técnicas, aglutinados em torno das linhas de ação e executados
por organizações do Estado e da sociedade. O Pacto Pela Vida foi
apresentado à sociedade no início do mês de maio de 2007 (MACEDO, 2012),
entendido como uma grande concertação de ações com o objetivo de reduzir
a violência e em especial os crimes contra a vida (Pesp-PE 2007).</p>
<p>Definindo, no Estado, um novo paradigma de segurança pública, que se
baseou na consolidação dos valores descritos no Plano, no
estabelecimento de prioridades básicas (como foco na redução dos crimes
contra a vida, regulada pela meta de diminuição em 12% ao ano na taxa de
CVLI) e no intenso debate com a sociedade civil (RATTON, 2014).</p>
<p><bold>A CRISE ECONÔMICA BRASILEIRA</bold></p>
<p>A euforia da estabilização com algum crescimento dos primeiros anos,
que garantiu a base para a reeleição do presidente Fernando Henrique
Cardoso, foi dando lugar à estagnação econômica, à deterioração do
mercado de trabalho e ao aprofundamento dos passivos fiscal e externo.
Foi nesse contexto socioeconômico que ocorreu a eleição do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha uma visão muito voltada à
distribuição de renda justa para uma redução da pobreza. Tendo de
administrar uma profunda crise, potencializada pelas incertezas da
transição política, o novo governo optou, inicialmente, por manter as
diretrizes de política econômica herdadas do período anterior (FONSECA,
2013).</p>
<p>O atual contexto de crise financeira mundial recomenda uma última
observação introdutória: a de que a crise reforça a importância de se
discutir o desenvolvimento brasileiro. A inflação alta e a
desindustrialização são sintomas da baixa produtividade do país, que tem
a ver, entre outros fatores, com o atraso tecnológico, a escala reduzida
e a falta de especialização que caracterizam nossas empresas de um modo
geral. Essas características são resultados do isolamento econômico a
que o país se impôs em relação ao comércio internacional com exportações
de apenas 12,5% do PIB (Produto Interno Bruto), que representam menos de
1,3% do total mundial em 2012. Medido pelo PIB o Brasil responde por
3,3% do total do mundo – um número 2,5 vezes maior do que sua
participação nas exportações mundiais (BACHA, 2013).</p>
<p>No final da década passada o Brasil parecia haver entrado numa fase
de crescimento sustentado com inflação sob controle. Era o que sugeria
tanto a trajetória favorável da economia desde 2004 como sua rápida
superação da crise mundial de 2008-2009. Entretanto, os PIBinhos e a
alta inflação a partir de 2011 indicaram que a euforia econômica do
período 2004-2010 teve caráter temporário, sendo explicada por fatores
de natureza cíclica que se teriam esgotado em 2011.</p>
<p>A realidade econômica no Brasil passou por significativas mudanças
durante o período de 2000 até 2015. Alterações como crescimento da
economia, queda na taxa de desemprego e, mais recentemente, uma crise
que tem levado a perdas de renda dos menos favorecidos economicamente e
ao desemprego (SOMAVILLA, 2015).</p>
<p>Como consequência do aumento da inflação, entre outros fatores, vem
uma má distribuição de renda. Mesmo sendo uma importantíssima ferramenta
para o próprio giro capital do país, pois uma vez que programas sociais
ajudam a tirar pessoas de uma situação de extrema pobreza, consegue
assim estimular a economia em regiões que não tinham os estímulos
necessários.</p>
<p><bold>A INFLUÊNCIA DA CRISE ECONÔMICA NOS CRIMES VIOLENTOS LETAIS E
INTENCIONAIS (CVLI)</bold></p>
<p>A sigla CVLI foi criada em 2006 pela Secretaria Nacional de Segurança
Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça (MJ), com a
finalidade de agregar os crimes de maior relevância social. Compreende
todo crime violento que tenha como consequência a morte, sendo
enquadrado nesse contexto: homicídio doloso (quando uma pessoa mata
outra intencionalmente), lesão corporal com consequência morte e
latrocínio (roubo com consequência morte). O modelo tem requisitos
necessários para uma catalogação que trace um perfil correto na aferição
da criminalidade homicida.</p>
<p>Levando em consideração a importância da avaliação e de estudos para
diagnosticar fatores e possíveis soluções, estatísticas são elaboradas e
publicadas por diversos órgãos, com dados que mostram os níveis e os
tipos de CVLI. É evidente que não há um fator ou fatores específicos
determinantes para o acontecimento do crime, podendo assim ser um
conjunto de causas com diferentes níveis de influência que podem variar
de acordo com a região e com o período de tempo analisado (SILVA,
2015).</p>
<disp-quote>
  <p>Risco é um conceito de probabilidade e significa a chance que um
  indivíduo ou uma população tem de sofrer um dano futuro no seu
  equilíbrio vital, sendo que a eclosão desse dano está associada às
  condições de vida dos indivíduos e das populações. (AKERMAN, 1999, p.
  114).</p>
</disp-quote>
<p>O crime surge em locais onde há uma alta vulnerabilidade com base nas
influências combinadas a vários recursos que induzem a criminalidade.
Para afirmar se um lugar é susceptível à ocorrência de crime, vale
considerar se outros crimes ocorreram no mesmo lugar antes ou em áreas
próximas, assim, a probabilidade de novos crimes acontecerem aumentará
consideravelmente (SILVA, 2015).</p>
<p>A vulnerabilidade dos lugares com maiores taxas de CVLI está
relacionada diretamente com as condições de vida oferecidas. Os locais
com maiores índices de crimes são aqueles em que a população não possui
uma condição digna mínima para sobrevivência. Daí se leva a importância
das análises estatísticas para estudos que gerem novos programas de
segurança adequados para cada realidade.</p>
<p>A desigualdade de renda é considerada um dos fatores criminógenos no
cômputo das causas da criminalidade. Na perspectiva dos modelos
econômicos do crime (BECKER, 1968; EHRLICH, 1973), a desigualdade gera
crime por confrontar indivíduos de baixa renda com indivíduos de alta
renda. O primeiro grupo tem baixo custo de oportunidade de ir para o
crime, enquanto o segundo grupo se caracteriza por ser economicamente
atrativo como vítimas.</p>
<p>Mendonça (2002) sugere que o agente possui um referencial de consumo
“imposto” pelos padrões da sociedade. Contudo, por ter renda
insuficiente para adquirir os bens que deseja, implicitamente surge um
determinado grau de insatisfação de consumo. Segundo esse raciocínio, a
desigualdade de renda e a fonte geradora dessa insatisfação são,
portanto, propulsoras da criminalidade e potencializam a predisposição à
delinquência para a satisfação desse consumo.</p>
<p>A atuação na criminalidade em um período implica em menores
possibilidades de retorno a atividades legais nos próximos períodos e,
portanto, em maiores oportunidades de cometimento de crimes, o que
também justificaria a inércia criminal (BUANANNO; LOENIDA, 2005). O fato
de a maioria dos crimes não serem efetivamente punidos conduz a uma
generalizada sensação de impunidade, implicando redução do risco
esperado em atuações na criminalidade, o que faz aumentar a utilidade
esperada do crime e, portanto, incentiva o ato criminoso.</p>
<p>Além disso, não é novidade que ex-condenados têm menos oportunidades
no mercado de trabalho legal e menores expectativas salariais (GROGGER,
1995), o que pode conduzir à reincidência no mundo do crime e, portanto,
justificar parcialmente a existência desse efeito dinâmico na
criminalidade.</p>
<p><bold>RESULTADOS E DISCUSSÕES RELACIONANDO A CRISE COM O AUMENTO DOS
CRIMES</bold></p>
<p>A análise foi realizada em diversos bancos de dados; após unir todos
esses dados em um único arquivo, foi analisada primeiramente a
confiabilidade de suas fontes e depois realizado um comparativo entre os
gráficos gerados de cada base de dados, selecionando os que estavam de
acordo e vinham de bases realmente confiáveis. Depois dessa seleção, o
estudo buscou ter primeiro uma visão geral do Estado de Pernambuco,
seguindo por uma análise entre a Região Metropolitana do Recife e a
cidade de Caruaru, localizada no interior do Estado, para assim ter uma
visão mais ampla dos locais e da proporção desses crimes.</p>
<p>O primeiro banco de dados selecionado foi a Gerência de Análise
Criminal e Estatística (Gace), que analisa e consolida dados coletados
diariamente no IML, na Polícia Científica, na Coordenação de Plantão da
Polícia Civil, no Serviço de inteligência da PMPE e no Centro Integrado
de Operações de Defesa Social (Ciods), até o 15º dia do mês subsequente.
Os CVLI, consolidados pela Gace, são um indicador constituído pelos
crimes de homicídio doloso, crime contra patrimônio que resulta em morte
e lesão corporal com consequência morte. Tal indicador é importante para
dimensionar os casos de letalidade intencional.</p>
<p>Vale ressaltar que essa gerência adota uma metodologia inédita com o
propósito de apresentar números mais apurados, cujos instrumentos
utilizados são os Boletins de Identificação Cadavérica (BICs), o Número
de Identificação Cadavérica (NIC) e a Pulseira de Identificação
Cadavérica (PIC). Com esses instrumentos evitam-se subnotificação e
hipernotificação, gerando assim, números mais precisos.</p>
<p><bold>Gráfico 1: Análise dos dados coletados pela Gace dos Crimes
violentos letais e intencionais de Pernambuco, Região Metropolitana do
Recife e em Caruaru.</bold></p>
<p>[CHART]</p>
<p>Observando as taxas de CVLI no Estado de Pernambuco, há um evidente
controle no número de mortes violentas até o ano de 2013, que com a
ajuda do Pacto Pela Vida levou o Estado a uma redução de mais de 30% nas
taxas de homicídios de 2007 até 2013. Mas com o declínio do Pacto Pela
Vida em 2014, coincidindo também com a crise política e econômica que
começou a assolar o país, o número de homicídios aumentou mais de 13%
entre 2014 e 2015, logo, Pernambuco deixou de ser considerada a “ilha de
diminuição de homicídios no Nordeste”.</p>
<p>Geralmente associa-se o crescimento da violência ao aumento do
consumo de drogas ilícitas e à facilidade para aquisição das mesmas. Mas
não é possível ignorar que esse fenômeno nefasto ocorre em um contexto
social no qual o acesso à justiça ou aos mecanismos punitivos e de
preservação de direitos é precário, o que faz com que os processos de
(ir)resolução de conflitos assumam um caráter, muitas vezes, arbitrário
e personalizado (MACÊDO, 2012). Logo, todas essas condições que de fato
estavam ocorrendo em Pernambuco correlacionam-se diretamente com os
aumentos percentuais da quantidade desses crimes.</p>
<p>Anteriormente, alguns estudiosos dedicaram-se ao entendimento da
economia e do crime, dentre eles havia economistas, sociólogos e
cientistas políticos. Podemos destacar os estudos realizados por Beato e
Reis (2000), que apresentaram a conexão entre algumas variáveis
socioeconômicas e a criminalidade, e por Beato <italic>et al.</italic>
(2004) e Carneiro (2000), que observaram questões relativas do risco de
vitimização. Já Araújo Jr. e Fajnzylber (2001) mostraram que a
criminalidade é parcialmente afetada pelo ambiente econômico e, ainda,
que esse efeito é diferente dependendo da faixa etária.</p>
<p>Algumas pesquisas recentes confirmam a tese da existência de uma
correlação das taxas de crimes violentos com contextos de acentuadas
desigualdades sociais e econômicas, de carências na infraestrutura e de
serviços coletivos de necessidade básica para sobrevivência. Além dessa
relação, tal processo torna-se um ciclo vicioso, uma vez que o indivíduo
após ser levado ao cometimento de um crime violento, devido às condições
de vida, e ao direcionamento para o sistema prisional, o próprio Estado
falha com a ressocialização do detento.</p>
<p>Com isso, após passar pelo sistema penitenciário, onde deveria
receber uma reeducação para uma futura inserção social, torna-se ainda
mais experiente em relação aos crimes. Também tem-se como um agravante a
crise econômica, que diminuiu as oportunidades de emprego,
principalmente para um ex-detendo. Então a dificuldade em reintegrar-se
no mercado torna-se ainda maior, tendo como consequência o retorno do
criminoso no mundo dos crimes.</p>
<p>Outro banco de dados selecionado foi a Agência Estadual de
Planejamento e Pesquisas de Pernambuco – Condepe/Fidem, que é uma
autarquia da Administração Indireta do Estado, vinculada à Secretaria de
Planejamento e Gestão (Seplag), na forma da Lei nº 13.205, de 19 de
janeiro de 2007, pessoa jurídica de direito público interno, dotada de
autonomia administrativa e financeira, com patrimônio próprio. A Agência
Condepe/Fidem apoia e realiza estudos, pesquisas, planos e projetos nas
12 regiões do Estado, articulando e firmando parcerias com diversos
atores públicos e privados, visando garantir o desenvolvimento e a
harmonização de suas intervenções.</p>
<p><bold>Gráfico 2: Análise dos Homicídios entre a Região Metropolitana
do Recife e em Caruaru, dados do Condepe/Fidem.</bold></p>
<p>[CHART]</p>
<p>Pôde-se observar que, após o ano de 2007, a quantidade de homicídios
dolosos começaram a diminuir significativamente, principalmente na
Região Metropolitana. Tal onda de diminuição coincidiu com o ano em que
foi implantado o Pacto Pela Vida. Mas com a decadência do programa no
ano de 2013 e com o agravamento da crise econômica, os valores voltaram
a aumentar, chegando a ficar elevados em 2015 na cidade de Caruaru-PE e
na Região Metropolitana do Recife, onde a quantidade de homicídios subiu
em um padrão jamais visto anteriormente.</p>
<disp-quote>
  <p>Os sociólogos são familiarizados com duas teorias contrastantes,
  referentes às causas da criminalidade. A primeira versa a questão da
  violência e da criminalidade como fenômenos que se devem,
  essencialmente, a fatores sociais considerados como determinantes para
  a ação criminosa, tais como: falta de recursos financeiros, privação
  de oportunidades, desigualdade social e marginalização. A segunda
  aborda o crime como produto da prática de um indivíduo de baixo grau
  de integração moral. Ademais, há ainda outros fatores que podem ser
  determinantes para o aumento dos CVLI, como: consumo e tráfico de
  drogas, porte ilegal de armas, matadores de aluguel, milícias de
  bairro, além disso, Lima <italic>et al</italic>. (2005) consideram a
  ausência e morosidade da justiça em punir o agressor. (BEATO, 1998, p.
  64).</p>
</disp-quote>
<p>O grande número de excluídos na sociedade, a pobreza e o alto nível
de desemprego e subemprego cercam as “ilhas sociais” com altíssimo poder
de consumo. Esse fato, juntamente com a vizinhança dos principais países
produtores de cocaína e a existência de infraestrutura de transportes e
de comunicações, colocou o Brasil em posição privilegiada nos negócios
dos entorpecentes, trazendo consigo mais violência, principalmente pelo
tráfico.</p>
<p><bold>Gráfico 3: Análise dos Crimes contra o patrimônio que resulta
em morte entre a Região Metropolitana do Recife e em Caruaru, dados do
Condepe/Fidem.</bold></p>
<p>[CHART]</p>
<p>Barbosa (1997 <italic>apud</italic> BAGGIO, 2012) define o latrocínio
como a forma mais grave de roubo, isto é, a denominada atividade do
ladrão é consumada na motivação patrimonial do cometimento do ataque.
Esse tipo de crime remete a um roubo com consequente morte da vítima, e
se trata de um ato de elevada complexidade na sua definição jurídica,
porque é a junção de duas práticas ilícitas (morte e roubo). Segundo o
Código Penal Brasileiro, o latrocínio (descrito no art. 157) é
considerado um crime hediondo, tanto na sua vertente tentada quanto na
consumada.</p>
<p>Mas como muitos estudos mostram, a racionalidade do indivíduo em
cometer crimes é reflexo de incentivos. Logo, os criminosos preferem o
risco, sob previsão de que tal atividade compensa em relação à
apreensão, condenação e severidade da pena imposta; ou seja, a pena é
insignificante em relação ao retorno da atividade criminosa (SOMAVILLA,
2015). E também se leva em conta a morosidade da justiça, ou seja, a
lentidão dos processos e atos judiciais.</p>
<p>Na Região Metropolitana de Pernambuco, esse ato seguiu o mesmo padrão
que os homicídios dolosos, já na cidade de Caruaru os valores se
mantiveram bem controlados, mas com um crescimento constante, mesmo que
pequeno, até o ano de 2013. Isso pode ser associado à mudança do período
econômico, em que a economia brasileira teve um relativo controle;
posteriormente, quando ela entrou em crise, logo a taxa de desemprego
foi elevada junto com a taxa de roubos qualificados.</p>
<p>Após analisar esses dados, podemos perceber como a crise econômica
tem influência sobre a criminalidade, considerando que a desigualdade
social, que é a distância que separa a classe social mais pobre da mais
rica, é gerada a partir de uma falha da economia. Sendo essa de extrema
importância para o funcionamento de qualquer tipo de sociedade, pois é a
responsável pela produção, distribuição e pelo consumo de bens e
serviços, observando as necessidades e os recursos disponíveis para
ajudar e satisfazer a população.</p>
<p>Em 2004, Gutierrez <italic>et al.</italic> em sua análise obtiveram
resultados que sugerem que a taxa de desemprego, urbanização e
desigualdade de renda desempenham efeitos positivos sobre as taxas de
homicídios. E em 1968, Becker já aplicava sua teoria de escolha
racional, que mostra que um crime na maioria das vezes só é cometido se
o “benefício” para o agente cometedor for maior do que em outras
atividades, logo, ele só comete tal crime se for gerar algum tipo de
renda para si mesmo.</p>
<p>Estando em crise, a economia não gera mais a renda necessária para
atender todas as necessidades da sociedade, produzindo assim um ciclo de
defeitos e falhas na estrutura e no controle social. O avanço no mercado
de trabalho, gerando novas oportunidades de empregos, as políticas de
educação, saúde, moradia e segurança pública, dentre outras, são
grandemente afetadas, logo, a desigualdade social torna-se ainda mais
drástica. E com isso, todo esse ciclo do contraste social entre as
classes, da falta de recursos básicos necessários para o mantimento de
uma vida digna e da falta das políticas essenciais para a sociedade,
leva ao aumento da criminalidade.</p>
<p>Por fim, vale ressaltar o que Beccaria já dizia em sua obra
<italic>Dos delitos e das penas</italic> (1764), que já naquele tempo
associava o crime com a economia, e por conseguinte com a desigualdade
social. Nessa obra, ele dizia:</p>
<disp-quote>
  <p>É melhor prevenir os crimes do que ter de puni-los; e todo
  legislador sábio deve procurar antes impedir o mal do que repará-lo,
  pois uma boa legislação não é senão a arte de proporcionar aos homens
  o maior bem-estar possível e preservá-los de todos os sofrimentos que
  se lhes possam causar. (BECCARIA, 1764,p. 67).</p>
  <p>Quereis prevenir os crimes? Fazeis leis simples e claras; fazei-as
  amar; e esteja a nação inteira pronta a armar-se para defendê-las, sem
  que a minoria de que falamos se preocupe constantemente em
  destruí-las. Não favoreçam elas nenhuma classe particular; protejam
  igualmente cada membro da sociedade; receie-as o cidadão e trema
  somente diante delas. O temor que as leis inspiram é salutar, o temor
  que os homens inspiram é uma fonte funesta de crimes. (BECCARIA,
  1764,p. 67-68).</p>
</disp-quote>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>O alto crescimento da criminalidade no Brasil, especialmente na
Região Metropolitana do Estado de Pernambuco e na cidade de Caruaru-PE,
que foram os focos deste estudo, torna-se preocupante, pois recai como
um problema social e econômico para a população. Não só pela
criminalidade em si, pois a mesma gera inúmeros problemas sociais,
econômicos e políticos que resultam na grande desigualdade social, fator
este que impede a resolução dos problemas criminais.</p>
<p>A desigualdade e a consequente exclusão social fazem com que uma
grande massa de pessoas fique na extrema pobreza, e a partir do momento
em que sua sobrevivência e dignidade são violadas, alguns encontram no
crime uma forma de sustento e de satisfação do status social a eles
negados pela sociedade.</p>
<p>A crise econômica traz consigo uma gama de entraves que impossibilita
a evolução social para muito, tais problemas levam à diminuição de
investimentos do setor público em educação, saúde, segurança,
previdência e laser, ou seja, à negativa do art. 6º da Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988. Essa situação também leva à
diminuição de investimentos do setor privado, gerando um círculo vicioso
onde a crise econômica leva à diminuição de investimentos e
consequentemente à diminuição no número de empregos, e a diminuição dos
investimentos leva a mais crise econômica. Diante de tantas negativas o
crime organizado e a própria miserabilidade se encarregam de arrebanhar
parte dessas pessoas para a criminalidade.</p>
<p>O desemprego leva à falta de condições de “sobrevivência” do ser
humano e o caminho mais fácil é o crime; e uma vez criminoso, a própria
sociedade com seu preconceito o exclui, aumentando a probabilidade do
mesmo voltar para o crime e não ser ressocializado. Com isso percebemos
o quanto a crise econômica, a falta de boas políticas públicas e o
crescimento urbano desordenado afetam diretamente a sociedade,
aumentando em grande escala a taxa de criminalidade.</p>
<p>Ao analisar as bases de dados diferentes, conseguimos ver que ambas
mostram o aumento cada vez maior dos Crimes Violentos Letais e
Intencionais. Mas se observarmos a situação no ano de 2018, após o Pacto
Pela Vida ser reformulado, se percebe o aumento efetivo das Polícias
Militar e Civil junto a algumas compras frequentes de equipamentos. Com
isso, o programa volta a dar resultados na diminuição do número de
homicídios.</p>
<p>Porém, se outras medidas não forem adotadas, principalmente
relacionadas com a diminuição da desigualdade social, os índices de
violência voltarão a subir, como ocorreu em outros Estados brasileiros,
bem como em outros países. É condição <italic>sine qua non</italic> a
necessidade de investimentos nas políticas de segurança, bem como em
educação, saúde, infraestrutura e condições de trabalho, para que ocorra
a diminuição da desigualdade social, pois em todos os cantos do mundo a
desigualdade social está diretamente ligada aos índices de violência e
criminalidade.</p>
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