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<p><bold>Os impactos do medo do crime sobre o consumo de atividades de
lazer no Brasil</bold></p>
<p>Autor: Cristiano Aguiar de Oliveira</p>
<p>Mini-Bio: Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada
da Universidade Federal do Rio Grande (PPGE/Furg).</p>
<p>Titulação: Doutor</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Rio Grande</p>
<p>E-mail de contato: cristiano.oliveira@furg.br</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-4933-6616">https://orcid.org/0000-0003-4933-6616</ext-link></p>
<p>Autor: Daniele Mendes Silva</p>
<p>Mini-Bio: Mestre em Economia Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação
em Economia Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande - PPGE/FURG.
Bacharela em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Ouro Preto
(2016). Tem interesse em temas que envolvem análise de políticas
públicas, métodos quantitativos aplicados à economia, econometria ,
estatística espacial, desenvolvimento regional, economia social, mercado
de capitais, área financeira e qualidade.</p>
<p>Titulação: Mestre</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Minas Gerais</p>
<p>Cidade: João Monlevade</p>
<p>E-mail de contato: silvadanimendes@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-3630-3922">https://orcid.org/0000-0002-3630-3922</ext-link></p>
<p>Contribuição de cada autor: Daniele Mendes realizou o levantamento de
dados, as estimações e sua análise e contribuiu para a elaboração do
texto do artigo. Cristiano Aguiar de Oliveira orientou a pesquisa,
revisou as estimações e sua análise e contribuiu para a elaboração do
texto do artigo.</p>
<p><bold>Resumo</bold></p>
<p>Este estudo tem o objetivo de avaliar como o medo do crime afeta o
consumo de atividades de lazer dos indivíduos, tais como ir a cinemas,
shoppings, parques, eventos esportivos, feiras, bares, restaurantes e
shows. Para este fim, utiliza os dados da Pesquisa Nacional de
Vitimização do ano de 2012 para estimar um Probit bivariado recursivo,
um modelo capaz de lidar com potenciais problemas de endogeneidade. Os
resultados indicam que o medo do crime reduz a probabilidade do consumo
de lazer da maioria das atividades investigadas, com destaque para
eventos esportivos, com redução estimada em 13,2%, contudo, foi
observado um aumento no consumo de atividades que oferecem mais
segurança para os consumidores, tais como feiras e shopping centers, com
aumentos estimados de 6% e 7,2%, respectivamente. O estudo conclui que a
criminalidade traz perdas de bem-estar que vão além das perdas
econômicas costumeiramente contabilizadas em estudos de custos do crime,
pois, não se pode ignorar que o medo do crime é capaz de reduzir a
liberdade dos indivíduos e de de trazer perdas até então não observadas
para as atividades econômicas.</p>
<p><bold>Palavras-Chave:</bold> Medo do crime; Atividades de lazer;
Economia do Crime; Probit bivariado recursivo</p>
<p><bold>Classificação JEL</bold>: K0, C21, C25</p>
<p>The impacts of fear of crime on the leisure activities consumption in
Brazil</p>
<p><bold>Abstract</bold></p>
<p>This study aims to assess how the fear of crime affects the
consumption of individuals' leisure activities, such as going to
cinemas, shopping malls, parks, sporting events, fairs, bars,
restaurants and concerts. To this goal, this study uses data from the
National Victimization Survey of 2012 to estimate a bivariate recursive
probit, a model capable of dealing with potential endogeneity problems.
The results indicate that fear reduces the probability of leisure
consumption in most of the investigated activities, with emphasis on
sporting events, with a reduction estimated of 13,2%, however, an
increase was observed in the consumption of activities that offer more
safety for clients, such as fairs and shopping malls, with increases
estimated of 6% and 7,2% respectively. The study concludes that crime
implies on losses of well-being that go beyond the economic losses
customarily accounted for in studies of crime costs, because it cannot
be ignored that fear of crime is capable of reducing the individuals’
freedom and of generating so far non-observed losses to economic
activities.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Fear of Crime; Leisure activities; Economics
of Crime; Recursive bivariate Probit</p>
<p><bold>JEL classification</bold>: K0, C21, C25</p>
<sec id="doi-httpsdoi.org10.31060rbsp.2021.v15.n1.1179">
  <title>DOI: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1179">https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1179</ext-link></title>
  <p>Data de recebimento: 30/06/2019</p>
  <p>Data de aprovação: 22/06/2020</p>
  <disp-quote>
    <p></p>
    <p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
  </disp-quote>
  <p>É um fato que as altas taxas de criminalidade no Brasil geram uma
  sensação de insegurança e medo para a sua população. Infelizmente este
  medo é fundamentado nos números alarmantes que o crime apresenta no
  Brasil. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicavam que
  em 2012, ano base deste estudo, cerca de 50 mil pessoas morreram
  vítimas de agressões violentas naquele ano no país, o equivalente a
  uma taxa de homicídios de 28 mortes a cada 100 mil habitantes. Números
  que colocavam o Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde,
  em 2012, entre os países com as mais altas taxas de homicídios do
  mundo, atrás apenas de países como Honduras (85,5), Guatemala (34),
  Colômbia (34,0) e muito distante de países desenvolvidos como Estados
  Unidos (5,3), Canadá (1,36), Noruega (0,3) e Nova Zelândia (0,9).
  Estes altos índices de violência levam o Brasil a sofrer determinados
  impactos adversos que não são sentidos em países desenvolvidos.</p>
  <p>Este contexto adverso além de criar uma demanda ímpar em relação ao
  resto do mundo pelo sistema de saúde, pela justiça criminal e por
  serviços sociais, gera uma necessidade de adaptação por parte de sua
  população, que passa a ter um comportamento auto protetor, que se
  reflete entre outras coisas, em restrições ao convívio social e no
  consumo de atividades de lazer em locais e horários em que se sintam
  mais seguros (LISKA et al., 1988).</p>
  <p>Segundo Garofalo (1981) o medo do crime é uma reação emocional
  caracterizada, na maioria das vezes, por uma percepção de perigo,
  gerado pela ameaça de dano físico. Entretanto, quando o medo é
  desencadeado por um palpite em relação ao que pode vir a acontecer,
  este significa uma antecipação do medo. Assim, o medo do crime é
  definido como os custos tangíveis e intangíveis da antecipação de uma
  possível vitimização por um crime (DOLAN e PEASGOOD, 2006). Como os
  indivíduos agem para evitar ou minimizar as situações estressantes, é
  comum esperar que o medo do crime possa gerar reações comportamentais
  que alterarem as decisões de consumo tomadas pelos indivíduos. Por
  exemplo, Greenbaum e Tita (2004) mostram que escolhas importantes dos
  indivíduos, tais como o local onde moram, trabalham e fazem suas
  compras, estão sujeitas ao medo que estes sentem do crime.</p>
  <p>Cientes destas preferências por segurança por parte de potenciais
  consumidores, empresários vão buscar formas de atrair mais clientes.
  Para Helms (2008) e Chatterton e Hollands (2002) os lugares mais
  seguros atraem mais consumidores e gastos. Logo, aqueles
  estabelecimentos que investem em equipamentos e estratégias de
  segurança, tais como circuitos de câmeras, estacionamentos fechados e
  com cancelas, seguranças armados e/ou vigias, tem maior chance de
  receber mais consumidores, devido ao fato de que estes se sentem mais
  tranquilos nesses locais, uma vez que não precisam se preocupar a todo
  instante com a possibilidade de serem vitimados por um crime. Em
  contrapartida, o consumo bens e serviços que são oferecidos em locais
  considerados como inseguros pelos consumidores é afetado negativamente
  (BRANDS <italic>et al</italic>., 2015).</p>
  <p>Do ponto de vista teórico, estas mudanças no comportamento e nas
  escolhas feitas pelos consumidores são previstas pela teoria de
  prevenção (controle) situacional do
  crime<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>. Clark (1980, 1995)
  destaca que a prevenção situacional do crime é a tomada de medidas que
  visam a manipulação de ambiente, a fim de reduzir as oportunidades
  para a prática de crimes e aumentar os riscos percebidos pelos
  potenciais criminosos. Essas medidas são amplas e diversificadas e vão
  desde a instalação de vigilância eletrônica, separação dos times de
  futebol nas arquibancadas dos estádios, contratação de guardas,
  instalação de alarmes, entre outras medidas de prevenção, que buscam
  prevenir crimes (CLARK, 1995; LISKA <italic>et al</italic>. 1988).</p>
  <p>Por sua vez, a abordagem de Cohen e Felson (1979) e Clarke e
  Cornish (1985) relacionam as taxas de vitimização com a oportunidade
  da ação criminosa. Os autores sugerem que as atividades de rotina
  podem facilitar a ação de potenciais criminosos de forma que a
  alocação do tempo em atividades tais como ir ao local de trabalho ou
  estudo, fazer compras e frequentar locais por lazer podem ajudar a
  explicar as diferentes probabilidades de vitimização que os indivíduos
  estão sujeitos. Além da oportunidade para o crime ocorrer, os autores
  sugerem que a ação criminal depende da motivação e da capacidade dos
  infratores para realizar o crime, tal como propõe o modelo de Becker
  (1968), todavia, acrescentam a necessidade da existência de alvos
  adequados e da ausência de um guardião capaz que desencoraje o
  criminoso, sendo que a falta de qualquer um desses fatores pode ser
  suficiente para evitar que crimes ocorram.</p>
  <p>Por exemplo, para Clarke e Cornish (1985) as crescentes taxas
  criminais nos Estados Unidos pós década de 1960 estão relacionadas às
  mudanças de hábitos da população. Como houve um crescimento no número
  de pessoas trabalhando e realizando atividades fora de casa, ao mesmo
  tempo que passaram a consumir uma quantidade maior de produtos
  valiosos e de fácil transporte que são capazes de atrair potenciais
  criminosos, tais como carros, eletrodomésticos e eletroeletrônicos,
  produtos. Assim, segundo os autores, estas mudanças alteraram a
  probabilidade de potenciais criminosos motivados convergirem no espaço
  e no tempo, com o aumento desses alvos adequados e sem guardiões
  capazes, resultando assim, em aumentos nas taxas de criminalidade ao
  longo do tempo.</p>
  <p>Nesta perspectiva, as taxas de criminalidade estariam relacionadas
  com o tempo em que as pessoas estão no trabalho, na escola ou em lazer
  e no benefício marginal percebido pelos criminosos (COHEN e FELSON,
  1979). Porém, Clark (1995) ressalta que um comportamento evasivo
  influencia negativamente as oportunidades criminais. Sendo assim, o
  medo do crime impõe custos adicionais as vítimas, uma vez que, estas
  desenvolvem um comportamento protetor para evitar a vitimização, por
  exemplo, se privando de consumir determinados produtos ou de sua
  liberdade para realizar certas atividades e para frequentar
  determinados locais. Isto afeta diretamente os mercados e
  consequentemente a economia como um todo. Pois, por exemplo, um
  indivíduo pode deixar de consumir um produto de maior valor, tal como
  um telefone celular de última geração, simplesmente porque este é um
  atrativo para potenciais criminosos capaz de gerar uma antecipação
  (medo) de um possível crime no futuro. Assim, em um ambiente com altas
  taxas de criminalidade, vários consumidores optam por aparelhos de
  telefone mais simples e baratos e isto altera a estrutura deste
  mercado. O mesmo raciocínio é válido para o consumo de outros bens e
  serviços, tais como os fornecidos pelas atividades de lazer.</p>
  <p>A literatura mostra que o consumo de atividades de lazer é
  influenciado tanto por restrições de tempo que os indivíduos possuem
  quanto por restrições financeiras (FEATHER e SHAW, 1999). De forma que
  o consumo destas atividades gera um custo de oportunidade, que pode
  ser medido em termos de rendimentos (salários) que deixam de ser
  recebidos. Os modelos econômicos de demanda por lazer se baseiam na
  suposição de que os indivíduos buscam ajustar a quantidade de horas
  dispendidas em lazer e trabalho de forma a maximizar a sua utilidade.
  No entanto, para muitos indivíduos a flexibilização de horas de
  trabalho não é possível, uma vez que, devem cumprir jornadas de
  trabalho fixas. Mesmo assim, embora o tempo não possa ser armazenado
  diretamente, este poder ser indiretamente transferido entre períodos,
  mediante a transferência de compromissos (PHANEUF e SMITH, 2005). Este
  tempo “livre” pode ser alocado, entre outras possibilidades, no
  consumo de atividades de lazer (OWEN, 1971).</p>
  <p>Entretanto, estes modelos de demanda por atividades de lazer
  ignoram que existem custos que vão além dos custos de oportunidade e
  os custos diretos destas atividades, como por exemplo, com o pagamento
  por ingressos e demais serviços nos locais em que estas atividades
  estão localizadas. O consumo destas atividades implica em diferentes
  riscos, dentre os quais o de ser vítima de um crime é um deles. Do
  ponto de vista dos indivíduos, estes riscos são avaliados tanto em
  relação as suas probabilidades quanto em relação as suas consequências
  que envolvem custos materiais e emocionais. De maneira que quando há
  uma percepção de que estes riscos são muito altos é possível que
  exista uma disposição a pagar para mitigá-los (MOEN e RUNDMO, 2004) ou
  simplesmente uma indisposição em assumir estes riscos. Neste último
  caso há um custo adicional imposto pelo comportamento auto protetor
  por parte indivíduos, que perdem sua liberdade de escolha e se limitam
  a frequentar locais que proporcionem uma sensação maior de segurança,
  tal como prevê a teoria de prevenção situacional do crime.</p>
  <p>Então, neste contexto, este estudo levanta a hipótese de que o
  consumo de certas atividades de lazer no Brasil é afetado pelo medo
  que os brasileiros possuem de serem vítimas de algum tipo de crime.
  Apesar de se tratar de um problema relevante, existem poucos estudos
  empíricos que busquem avaliar a relação entre o medo do crime e o
  consumo de bens e serviços.</p>
  <p>Entre os poucos estudos empíricos que buscaram investigar o medo do
  crime e seu impacto no comportamento cabe destacar os trabalhos de
  DeFronzo (1979), que tentou relacionar o medo do crime ao porte de
  armas, através do uso de modelos de equações simultâneas não
  recursivas. Os seus resultados indicam que o medo não tem influência
  significativa sobre o porte de arma, no entanto, o porte de arma reduz
  o medo do crime. Por sua vez, Becker <italic>et al</italic>. (2004)
  estudaram como o medo e a aversão ao risco afetavam a probabilidade de
  consumo de transporte público em situações de terrorismo. Neste caso,
  segundo os autores, o medo se torna um fator depreciador do consumo.
  Os autores encontraram resultados que indicam uma redução de cerca de
  20% na utilização de transporte público em ocasiões que ocorreram
  ataques suicidas com bomba. Assim, o medo associado a um ataque
  terrorista pode gerar efeitos consideráveis sobre o consumo de
  serviços de transporte.</p>
  <p>Para o Brasil, ao que se sabe, não existem estudos que relacionam o
  medo do crime com o consumo de bens e serviços. Todavia, o medo do
  crime é estudado por Silva e Beato Filho (2013), que examinam os
  fatores físicos e sociais de comunidades urbanas que estão associados
  ao medo do crime e sua influência nas reações dos indivíduos. Para
  tanto, utilizaram os dados da Pesquisa de Vitimização realizada em
  2006 e uma modelagem linear hierárquica para filtrar esses dados. Os
  autores evidenciam, em seus resultados, que quanto maior o tempo de
  moradia no local e quanto maior a interação social dos vizinhos menor
  é o medo do crime, além disso, a percepção sobre o ambiente e as
  alterações de comportamento dependem das suas relações sociais em
  nível de vizinhança.</p>
  <p>Dessa forma, é possível notar que na literatura existem poucos
  estudos que avaliam especificamente os impactos do medo do crime sobre
  as decisões de consumo e sobre os custos para a sociedade em termos de
  perda de liberdade. Estes custos são ignorados por muitos estudos que
  se propõem a mensurar os custos do crime e que no caso brasileiro,
  pode ter grandes proporções. Ademais, o medo do crime pode afetar
  diretamente as estatísticas de criminalidade, uma vez que, muitos
  crimes deixam de ser cometidos simplesmente porque em determinados
  locais há uma restrição à liberdade de potenciais vítimas que reduz as
  oportunidades para que crimes ocorram.</p>
  <p>Sendo assim, com o intuito de preencher essa lacuna empírica, este
  trabalho, ao que se sabe de forma inédita no Brasil, busca avaliar se
  o medo do crime afeta a probabilidade dos indivíduos consumirem
  determinadas atividades de lazer, tais como ir a cinemas, shoppings,
  parques, eventos esportivos, feiras, bares, sair pra comer e ir a
  shows. Para este fim, utiliza-se dados da Pesquisa Nacional de
  Vitimização (PNV) referente ao ano de 2012, uma amostra com
  aproximadamente 78 mil entrevistas cobrindo todo o território
  nacional, para estimar um modelo <italic>Probit</italic> bivariado
  recursivo. A escolha por este método visa reduzir os problemas de
  endogeneidade, por exemplo, causados pela existência de variáveis
  omitidas correlacionadas com as variáveis que foram incluídas no
  modelo. Com este propósito, este estudo foi estruturado em quatro
  seções iniciando-se por esta introdução. A seção seguinte apresenta a
  base de dados utilizada e a metodologia adotada. Posteriormente,
  apresentam-se os resultados encontrados e a conclusão do trabalho.</p>
  <list list-type="order">
    <list-item>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p><bold>ESTRATÉGIA DE IDENTIFICAÇÃO</bold></p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>O modelo econométrico proposto por este estudo tem o objetivo de
  analisar a escolha conflitante do indivíduo, ao decidir se frequenta
  ou não, determinados lugares, diante ao medo que possui de ser
  vitimado. De maneira que a probabilidade de o indivíduo frequentar um
  determinado local dependerá do medo que ele sente em realizar tal
  ação. Assim, é possível construir um modelo de escolhas binárias não
  linear em que há um fator endógeno entre elas. De acordo com Greene
  (2002), isto que pode ser tratado com a utilização de um modelo
  <italic>probit</italic> bivariado recursivo, desenvolvido por Madalla
  e Lee (1976). O modelo parte de uma função utilidade individual, que
  pode ser representada pela seguinte equação:</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <tbody>
      <tr>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[U^{i} = x_{i}\beta + z_{i}\alpha + \varepsilon_{i}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msup><mml:mi>U</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msup><mml:mo>=</mml:mo><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mi>β</mml:mi><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>z</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
        (1)</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Em que<inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[\ U^{i}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msup><mml:mi>U</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msup></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
  é a utilidade do indivíduo i, <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[x_{i}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>é
  um vetor de covariadas que afeta a probabilidade em frequentar os
  locais selecionados, <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[z_{i}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>z</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
  a probabilidade de perda, em que perdas altas implicam em medo=1 e
  <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[\varepsilon_{i}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
  é o resíduo.</p>
  <p>O indivíduo <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[i]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>i</mml:mi></mml:math></alternatives></inline-formula>
  irá a um local se, a sua utilidade em tal ação for maior do que a
  utilidade em não ir. Todavia, há um fator endógeno que relaciona as
  variáveis frequentar ou não frequentar e ter ou não ter medo, de forma
  que uma probabilidade (de frequentar/consumir ou não) está relacionada
  com a probabilidade (ter medo ou não) pela probabilidade de ser vítima
  ou não. Levando isto em consideração se busca encontrar uma variável
  latente <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[y^{*}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula>,
  que representa a diferença da utilidade em frequentar e da utilidade
  em não frequentar, dada por:</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[\text{\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ y}^{*} = x\beta + z\alpha + \varepsilon_{1}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msup><mml:mrow><mml:mspace width="0.333em"></mml:mspace><mml:mtext mathvariant="normal">                                                               y</mml:mtext></mml:mrow><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>β</mml:mi><mml:mo>+</mml:mo><mml:mi>z</mml:mi><mml:mi>α</mml:mi><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
        (2)</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td></td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Em que <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[y^{*}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula>
  é a variável latente, ou seja, um componente não observável da
  variável dicotômica <italic>y</italic>, que indica a disposição a
  consumir do indivíduo, será positiva caso a utilidade em frequentar um
  local for maior que a utilidade em não frequentar este local e
  negativa caso contrário.</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <tbody>
      <tr>
        <td><p><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[y = 1\ se\ y^{*} > 0]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msup><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup><mml:mo>&gt;</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula></p>
        <p><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ y = 0\ se\ y^{*} \leq 0\ \ ]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msup><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup><mml:mo>≤</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
        (3)</p></td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Entretanto, esta decisão depende do medo que ele tem ou não do
  crime, assim a decisão de ter medo ou não, pode ser representada pela
  função de utilidade dada pela equação 4, enquanto a diferença de
  utilidade entre ter medo ou não é representada pela equação 5.</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ z = w\alpha + \varepsilon\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ ]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>w</mml:mi><mml:mi>α</mml:mi><mml:mo>+</mml:mo><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
        (4)</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[\text{\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ z}^{*} = wϴ + \varepsilon_{2\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ }\text{\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ }]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msup><mml:mrow><mml:mspace width="0.333em"></mml:mspace><mml:mtext mathvariant="normal">                                                                   z</mml:mtext></mml:mrow><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>w</mml:mi><mml:mi>ϴ</mml:mi><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:msub><mml:mrow><mml:mspace width="0.333em"></mml:mspace><mml:mtext mathvariant="normal">                   </mml:mtext><mml:mspace width="0.333em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
        (5)</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Neste caso a variável <italic>w</italic> representa um vetor de
  covariadas. A variável latente <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[z^{*}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula>será
  positiva se a utilidade em ter medo for maior que a utilidade em não
  ter medo e vice-versa, então observa-se que as variáveis dicotômicas
  assumem:</p>
  <p><inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[z = 1\ se\ z^{*} >]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msup><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup><mml:mo>&gt;</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula></p>
  <p><inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[z = 0\ se\ z^{*} \leq]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msup><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>*</mml:mo></mml:msup><mml:mo>≤</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
  (6)</p>
  <p>Sendo assim, o modelo <italic>probit</italic> bivariado recursivo
  de equações simultâneas é representado pelas equações 2 e 5 de acordo
  com Maddala e Lee (1976). Assumindo que <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[(\varepsilon_{1,}\varepsilon_{2}/x,w)\ \sim N(0,0,1,1,\rho)]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mrow><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mi>/</mml:mi><mml:mi>x</mml:mi><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>w</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo>∼</mml:mo><mml:mi>N</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>ρ</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula><inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[(\varepsilon_{1,}\varepsilon_{2}|x,w)\ \sim N(0,0,1,1,\rho)]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mrow><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mo stretchy="false" form="prefix">|</mml:mo><mml:mi>x</mml:mi><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>w</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo>∼</mml:mo><mml:mi>N</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>ρ</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>,
  em que <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[N]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>N</mml:mi></mml:math></alternatives></inline-formula>
  (.) é uma distribuição normal padrão bivariada com coeficiente de
  correlação igual a <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[\rho]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>ρ</mml:mi></mml:math></alternatives></inline-formula>,
  dada por:</p>
  <p><inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[f\left( \varepsilon_{1,}\varepsilon_{2} \right) = \frac{1}{2\pi\sigma_{\varepsilon_{1}}\sigma_{\varepsilon_{2}}}\exp\exp\ \lbrack\  - \frac{1}{2}\ (\ \frac{{\varepsilon_{1}}^{2} + {\varepsilon_{2}}^{2} - 2\rho\varepsilon_{1}\varepsilon_{2}}{1 - \rho^{2}})\rbrack]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>f</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mrow><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow><mml:mo>=</mml:mo><mml:mfrac><mml:mn>1</mml:mn><mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn><mml:mi>π</mml:mi><mml:msub><mml:mi>σ</mml:mi><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub></mml:msub><mml:msub><mml:mi>σ</mml:mi><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:msub></mml:mrow></mml:mfrac><mml:mo>exp</mml:mo><mml:mo>exp</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo stretchy="false" form="prefix">[</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo>−</mml:mo><mml:mfrac><mml:mn>1</mml:mn><mml:mn>2</mml:mn></mml:mfrac><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mfrac><mml:mrow><mml:msup><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup><mml:mo>+</mml:mo><mml:msup><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup><mml:mo>−</mml:mo><mml:mn>2</mml:mn><mml:mi>ρ</mml:mi><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:mrow><mml:mrow><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>−</mml:mo><mml:msup><mml:mi>ρ</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:mrow></mml:mfrac><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo><mml:mo stretchy="false" form="postfix">]</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
  (7)</p>
  <p>De acordo com Oliveira (2018) quatro relações podem ser estudadas a
  partir deste modelo: a correlação entre <italic>y</italic> e
  <italic>z</italic>, o efeito de <italic>y</italic> e
  <italic>z</italic> sobre o parâmetro <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[\alpha]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>α</mml:mi></mml:math></alternatives></inline-formula>,
  os efeitos das covariadas em <italic>y</italic> e <italic>z</italic> e
  a correlação entre os componentes não observados do modelo,
  <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[\rho]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>ρ</mml:mi></mml:math></alternatives></inline-formula>.
  Neste estudo há uma busca por relações causais entre a variável de
  resultado (frequência/consumo de uma atividade de lazer) e as suas
  covariadas potencialmente endógenas (o medo do crime), mais
  especificamente, os principais objetivos são:</p>
  <list list-type="alpha-lower">
    <list-item>
      <label>a)</label>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>Identificar se há uma relação do medo do crime sobre o
          consumo através do parâmetro <inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[\alpha]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>α</mml:mi></mml:math></alternatives></inline-formula>;</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
    <list-item>
      <label>b)</label>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>Verificar se há efeitos das covariadas observáveis e
          exógenas sobre o medo do crime e sobre o consumo, ou seja, se
          o medo e o consumo podem depender de <italic>x</italic>;</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
    <list-item>
      <label>c)</label>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>Avaliar se há correlação entre os componentes não
          observáveis do modelo, pois consumo e medo podem depender
          destas variáveis.</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>Com relação a este último objetivo, cabe ressaltar que quando
  <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[\rho = 0]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>ρ</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
  o modelo torna-se um <italic>probit</italic> padrão e se tem somente
  uma probabilidade condicional (ARENDT e LARSEN, 2006). Caso contrário,
  são encontradas quatro distribuições de probabilidade condicionais
  (MADALLA e LEE, 1976; OLIVEIRA, 2018):</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <tbody>
      <tr>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[\ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ P(y = 1/\ z = 1)]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>P</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mi>/</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>,
        <inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[P\left( y = 1/z = 0 \right),\ P\left( y = 0/z = 1 \right),\ P(y = 0/\ z = 0)]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>P</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mi>/</mml:mi><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow><mml:mo>,</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>P</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mi>/</mml:mi><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow><mml:mo>,</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>P</mml:mi><mml:mo stretchy="false" form="prefix">(</mml:mo><mml:mi>y</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mi>/</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>z</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mn>0</mml:mn><mml:mo stretchy="false" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
        (8)</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Assumindo que <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[\varepsilon_{1,}\varepsilon_{2}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mrow><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>ε</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
  são simetricamente distribuídos, as funções podem ser maximizadas por
  máxima verossimilhança. Em relação aos efeitos marginais estimados,
  Oliveira (2018) ressalta que é importante analisar os efeitos das
  variáveis exógenas sobre a probabilidade de <italic>y</italic>, no
  caso do presente estudo, a probabilidade de frequentar atividades de
  lazer, além do efeito médio do tratamento, ou seja, o efeito médio de
  ter medo sobre a variável de interesse.</p>
  <p>Para estimar o modelo proposto foram utilizadas informações
  extraídas da Pesquisa Nacional de Vitimização (PNV) referente ao ano
  de 2012, no qual foram entrevistadas aproximadamente 78 mil pessoas em
  todo território nacional. Essa pesquisa foi contratada pelo Ministério
  da Justiça, através da Secretaria Nacional de Segurança Pública
  (SENASP) e realizada pelo Instituto de Pesquisas Datafolha e o Centro
  de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp). Sua primeira
  edição foi em 2006 e, desde então traz informações acerca das
  condições de segurança da população urbana, contribuindo para mensurar
  as experiências de vitimização criminal, além disso, aborda aspectos
  sobre a epidemiologia e etiologia do crime, pois, contém informações a
  respeito do perfil das vítimas, sobre o grau de confiança nas
  instituições, o medo do crime e da violência e mudanças de
  comportamento advindas desse fator social. Certamente esta pesquisa
  supre uma lacuna sobre informações a respeito da vitimização por crime
  no país, contribuindo para a pesquisa acadêmica e desenvolvimento de
  políticas públicas focalizadas.</p>
  <p>As variáveis utilizadas neste estudo estão listadas na Tabela 1.
  Como o interesse é saber se o medo do crime afeta a probabilidade dos
  indivíduos frequentarem determinados lugares, agindo assim de forma
  preventiva, foram utilizadas como variáveis dependentes as informações
  referentes ao consumo em atividades de lazer fornecidas pela pesquisa,
  a dizer, idas a cinema, praia ou parque, comer fora de casa, assistir
  eventos esportivos ao vivo, shopping ou centro comercial, feiras, show
  ou espetáculo e a bar e casa noturna. Essas variáveis assumem valor 1
  caso o indivíduo responda que frequentou a algum destes locais nos
  últimos trinta dias, e valor 0 caso contrário. Por sua vez, o medo do
  crime é representado por três categorias disponíveis na pesquisa: i) o
  medo de ter a residência invadida; ii) o medo do crime contra o
  patrimônio, representado pelo medo de ter objetos pessoais de valor
  tomados a força e; iii) o medo de ser assassinado. Caso a pessoa tenha
  medo a variável assume valor igual a 1 e valor 0 caso contrário.</p>
  <p>Ademais, foram incluídas variáveis de controle de características
  pessoais como sexo, idade, estado civil, cor, ocupação, renda e meio
  de transporte que costuma utilizar. Neste caso, a idade e renda foram
  separadas em classes e transformadas em variáveis
  <italic>dummies</italic> que assumem valor 1 se o indivíduo está na
  determinada classe e valor 0 caso contrário, por sua vez, a variável
  meio de transporte foi dividida em quatro categorias, sendo estas
  utiliza carro, moto, ônibus, bicicleta/ a pé.</p>
  <p><bold>Tabela 1.</bold> Descrição das variáveis utilizadas</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th>VARIÁVEIS DEPENDENTES</th>
        <th>DESCRIÇÃO</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>Saiu para ir ao cinema?</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Saiu para ir à praia ou parque?</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Saiu para comer fora de casa, sem contar os dias de
        trabalho?</td>
        <td>1 se sim, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Saiu para assistir algum evento esportivo amador ou
        profissional ao vivo?</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Saiu para ir ao shopping ou centro comercial?</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Saiu para feiras populares?</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Saiu para assistir a algum show ou espetáculo de música,
        dança?</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Saiu para ir a algum bar ou casa noturna?</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>VARIÁVEIS INDEPENDENTES</td>
        <td>DESCRIÇÃO</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1- Medo de ter a residência invadida</td>
        <td>1 se tem medo, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2- Medo de crime contra o patrimônio: medo de ter objetos
        pessoais de valor tomados a força por outras pessoas em um roubo
        ou assalto.</td>
        <td>1 se tem medo, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3- Medo de morrer assassinado</td>
        <td>1 se tem medo, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sexo</td>
        <td>1 masculino, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1-16 a 24 anos</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2- 25 a 34 anos</td>
        <td>1 se dentro da classe de idade, o caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3- 35 a 44 anos</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>4- 45 a 59 anos</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>5- 60 anos ou mais</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Estado civil</td>
        <td>1 se casado, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Cor</td>
        <td>1 se branco ou amarelo, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ocupação</td>
        <td>1 se faz parte da PEA, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Renda domiciliar total (por faixas):</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1- Até 1 salário</td>
        <td>1 se recebe até um salário, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2- 1 a 2 salários mínimos</td>
        <td>1 se recebe entre 1 e 2 salários, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3- 2 a 3 salários mínimos</td>
        <td>1 se recebe entre 2 e 3 salários, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>4- 3 a 5 salários mínimos</td>
        <td>1 se recebe entre 3 e 4 salários, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>5- Acima de 5 salários</td>
        <td>1 se recebe acima de 5 salários, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Meio de transporte:</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Carro</td>
        <td>1 se utiliza carro, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Moto</td>
        <td>1 se utiliza moto, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ônibus</td>
        <td>1 se utiliza ônibus, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Bicicleta/a pé</td>
        <td>1 se utiliza bicicleta ou anda a pé, 0 caso contrário</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Fonte: Elaboração própria</td>
        <td></td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Do total de entrevistados na pesquisa, 81,59% responderam que
  tinham pelo menos um dos medos descritos na tabela 2 e 53,73%
  responderam ter os três tipos de medo. Estes percentuais estão muito
  acima de outros países do mundo. Por exemplo, Farrall e Gadd (2004)
  mostram que na década de noventa essa taxa era algo em torno de 25%
  nos EUA, Austrália e Europa. Por sua vez, em 2002, em pesquisa sobre a
  frequência em que as pessoas sentiam medo realizada no Reino Unido, se
  verificou que aproximadamente 39% da população dizia já ter sentido
  medo mais do que cinco vezes, sendo que apenas 8% destes sentiram uma
  intensidade muito alta de medo do crime naquele mesmo ano. De qualquer
  forma, os números brasileiros destoam dos observados em pesquisas
  anteriores não somente em percentuais, mas, também com relação ao tipo
  de medo. Pois, não é observado em pesquisas análogas no resto do mundo
  que quase dois terços da amostra tenham medo de ser assassinada. Isto
  certamente é um reflexo das altas taxas de homicídios observadas no
  país.</p>
  <p><bold>Tabela 2</bold>. Percentual de indivíduos que declararam ter
  medo do crime, por tipo de medo (em %)</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th>Tipo de medo</th>
        <th>Percentual</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>Residência invadida</td>
        <td>73,25</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Objetos roubados</td>
        <td>70,49</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ser assassinado</td>
        <td>63,60</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Fonte: Pesquisa Nacional de Vitimização, 2012.</p>
  <p>Em relação às variáveis de interesse do estudo, a tabela 3 mostra
  que as atividades de lazer mais frequentes são sair para comer, ir ao
  shopping e ir à feira, com percentuais entre 35 a 42%, enquanto as
  atividades menos frequentes são ir ao cinema, shows e eventos
  esportivos, com percentuais entre 8 a 11%. Ademais, através das
  estatísticas descritivas mostradas na tabela 3 é possível observar que
  as atividades de lazer são mais comuns no cotidiano dos indivíduos que
  estão nas faixas mais altas de renda. Na medida que a renda cresce,
  aumenta a participação em todos os tipos de atividade. Ir ao cinema,
  sair para comer e ir ao shopping são atividades que ganham, no mínimo,
  quatro vezes mais consumidores quando se compara com indivíduos que
  ganham até um salário mínimo com quem ganha mais de cinco salários
  mínimos. A única atividade que não mostra estas variações
  significativas por renda são as idas a feiras, os percentuais oscilam
  entre 32 e 38%.</p>
  <p><bold>Tabela 3</bold>. Percentual de indivíduos que consome
  atividades de lazer nos últimos 12 meses, por classe de renda e total.
  (em %)</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th></th>
        <th>Atividade</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>Classe de renda</td>
        <td>Cinema</td>
        <td>Parque</td>
        <td>Comer</td>
        <td>Ev.esport.</td>
        <td>Shopping</td>
        <td>Feira</td>
        <td>Show</td>
        <td>Bar</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Até 1 salário</td>
        <td>2,15</td>
        <td>10,83</td>
        <td>17,14</td>
        <td>5,75</td>
        <td>25,98</td>
        <td>32,70</td>
        <td>6,77</td>
        <td>9,92</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1 a 2 salários</td>
        <td>4,86</td>
        <td>15,03</td>
        <td>27,99</td>
        <td>8,27</td>
        <td>35,68</td>
        <td>34,58</td>
        <td>9,05</td>
        <td>14,07</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2 a 3 salários</td>
        <td>8,41</td>
        <td>20,51</td>
        <td>41,69</td>
        <td>11,03</td>
        <td>45,69</td>
        <td>35,64</td>
        <td>11,60</td>
        <td>18,67</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3 a 5 salários</td>
        <td>14,04</td>
        <td>27,13</td>
        <td>55,59</td>
        <td>13,82</td>
        <td>57,34</td>
        <td>38,19</td>
        <td>15,03</td>
        <td>25,04</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Acima de 5 salários</td>
        <td>20,82</td>
        <td>33,63</td>
        <td>63,76</td>
        <td>15,52</td>
        <td>62,39</td>
        <td>37,81</td>
        <td>18,47</td>
        <td>31,06</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Total</bold></td>
        <td><bold>8,77</bold></td>
        <td><bold>19,83</bold></td>
        <td><bold>37,90</bold></td>
        <td><bold>10,19</bold></td>
        <td><bold>42,86</bold></td>
        <td><bold>35,39</bold></td>
        <td><bold>11,38</bold></td>
        <td><bold>18,32</bold></td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Fonte: Elaboração própria com base na PNV 2012. Nota: no ano de
  2012 o salário mínimo correspondia a 622,00.</p>
  <p>A Tabela 4 apresenta as estatísticas descritivas para as covariadas
  utilizadas, essas foram incluídas no modelo porque potencialmente
  exercem influência sobre as variáveis de frequência/consumo de lazer e
  de medo do crime. Há um consenso na literatura, no qual,
  características físicas e sociais como a renda, raça, sexo e a idade
  são relevantes ao determinar o medo do crime. Quanto maior a renda
  média, menor o medo que as pessoas sentem do crime, além disso,
  mulheres, negros e pessoas mais idosas são os grupos com mais medo,
  pois se sentem mais vulneráveis (FERRARO, 1995; GAROFALO, 1979; HALE,
  1996; LISKA ET. AL., 1988; ORTEGA e MYLES, 1987; SILVA e BEATO FILHO,
  2013, WARR, 1984).</p>
  <p>No que diz respeito ao lazer, as variáveis físicas e sociais também
  exercem influência, a literatura mostra que homens e mulheres têm
  preferências distintas de lazer e, geralmente, os primeiros têm mais
  horas disponível para a atividade, principalmente nos fins de semana.
  (SHAW, 1985). O meio de transporte é um determinante importante para a
  escolha da atividade lazer, de acordo com Gronau e Kagermeier (2007),
  sendo que carros e transporte público são as opções mais procuradas
  para realizar este tipo de atividade. Porém cada evento faz o usuário
  reagir de uma forma quanto a que tipo de transporte utilizar (HE,
  2012). Jara-Dias e Farah (1987) acrescentam que a renda tem grande
  importância nas decisões de lazer, pois à medida que a renda aumenta,
  amplia-se as opções de lazer. Havighurst e Feigenbaum (1959) abordam
  que pessoas da classe trabalhadora são centradas nas atividades de
  casa e pouco em atividades de lazer, enquanto pessoas das classes
  sociais mais altas possuem padrões de lazer ativos.</p>
  <p><bold>Tabela 4.</bold> Estatísticas descritivas das covariadas</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th> Variável</th>
        <th>Média</th>
        <th>Desvio padrão</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sexo</td>
        <td>0,4291</td>
        <td>0,0018</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 1 - 16 a 24 anos</td>
        <td>0,1674</td>
        <td>0,0013</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 2 – 25 a 34 anos</td>
        <td>0,2077</td>
        <td>0,0014</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 3 – 35 a 44 anos</td>
        <td>0,1837</td>
        <td>0,0014</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 4 – 45 a 59 anos</td>
        <td>0,2337</td>
        <td>0,0015</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 5 – 60 anos ou mais</td>
        <td>0,2075</td>
        <td>0,0014</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Casado</td>
        <td>0,4183</td>
        <td>0,0018</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Raça</td>
        <td>0,4754</td>
        <td>0,0018</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Carro</td>
        <td>0,4288</td>
        <td>0,0018</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ônibus</td>
        <td>0,3010</td>
        <td>0,0016</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Moto</td>
        <td>0,1215</td>
        <td>0,0012</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Bicicleta/a pé</td>
        <td>0,0534</td>
        <td>0,0008</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PEA</td>
        <td>0,5236</td>
        <td>0,0018</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 1 – até 1 salário</td>
        <td>0,2098</td>
        <td>0,0015</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 2 – 1 a 2 salários</td>
        <td>0,2993</td>
        <td>0,0016</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 3 – 2 a 3 salários</td>
        <td>0,1872</td>
        <td>0,0014</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 4 – 3 a 5 salários</td>
        <td>0,1510</td>
        <td>0,0013</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 5 – acima de 5 salários</td>
        <td>0,1028</td>
        <td>0,0011</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <disp-quote>
    <p>Fonte: elaboração própria com base na PNV (2012). Notas: no ano
    de 2012 o salário mínimo correspondia a R$ 622,00. Número de
    Observações: 78.560</p>
  </disp-quote>
  <p>Ademais, o estado civil afeta as escolhas por lazer, pois, casados
  geralmente preferem atividades familiares, enquanto solteiros se
  socializam mais com outras pessoas, frequentam mais bares e viajam
  mais (CRAWFORD E GODBEY, 1987, LEE e BHARGAVA, 2004; ORTHNER, 1975).
  Em suma, os fatores sociodemográficos como a renda, o status
  empregatício, a idade, o sexo e a raça são potencialmente relevantes
  para determinar o uso do tempo para lazer (LEE e BHARGAVA, 2004). Tais
  relações serão avaliadas com maior propriedade após a estimação de
  modelos condicionais, que são apresentados na próxima seção.</p>
  <list list-type="order">
    <list-item>
      <label>2.</label>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p><bold>RESULTADOS</bold></p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>Este estudo busca avaliar a hipótese de que indivíduos mudam seu
  comportamento diante do medo do crime, para tanto, foram estimadas 32
  regressões, que buscam identificar uma relação entre o medo do crime e
  a probabilidade das pessoas saírem de casa, para consumir atividades
  de lazer, tais como ir a ao cinema, praia ou parque, comer fora de
  casa, assistir eventos esportivos ao vivo, ir a shopping ou centro
  comercial, ir a feiras, show ou espetáculo e a bar e casa noturna.</p>
  <p>Dadas as variáveis dependentes do modelo, entre as variáveis
  independentes estão as variáveis de medo, que foram divididas em
  quatro grupos: medo de ter a residência invadida, medo de ter objetos
  roubados, medo de ser assassinado e uma combinação com as pessoas que
  sentem os três tipos de medo simultaneamente. Além destas foram
  incluídas as variáveis de controle como descritas na seção
  anterior.</p>
  <p>Para verificar a endogeneidade das variáveis que representam o
  consumo de lazer, com relação ao medo do crime, foram estimadas
  regressões pelo modelo e por Probit bivariado recursivo (PBR), os
  resultados são apresentados na Tabela A.1 do apêndice. As variáveis
  mostraram-se endógenas em grande parte dos modelos, indicando que a
  estimação por dois modelos <italic>probit</italic>, separadamente,
  levariam a resultados inconsistentes. Sendo assim, o PBR, descrito na
  seção 3, foi utilizado para estimar 32 modelos. Além disso, todos os
  modelos utilizam erros padrões agrupados por estados brasileiros, uma
  vez que, se espera que cada estado possua características próprias que
  podem apresentar heterogeneidade, tais como as suas políticas de
  segurança pública que, segundo a Constituição Federal, são de sua
  responsabilidade.</p>
  <p>As estimações dos modelos de Probit bivariado recursivo permitem
  obter dois tipos efeitos marginais distintos, o efeito médio do
  tratamento (EMT) e o efeito das variáveis exógenas. O EMT é obtido
  subtraindo a probabilidade condicional de consumir uma atividade de
  lazer dado que tem medo de algum tipo de crime da probabilidade
  condicional de consumir uma atividade de lazer dado que não tem medo
  de ser vítima de algum crime, com <italic>z=1</italic> e
  <italic>z=0</italic> fixo para cada observação. O efeito médio de
  tratamento é obtido calculando a média destas diferenças nas
  probabilidades condicionais (OLIVEIRA, 2018). Os resultados do EMT são
  apresentados na Tabela 5 e, representam a probabilidade de o evento
  ocorrer, dadas as médias das covariadas.</p>
  <p>Para facilitar as interpretações, os EMTs estimados são associados
  com as probabilidades de ocorrência dos eventos para calcular o
  percentual de redução no consumo de lazer em virtude do medo. Estes
  resultados são apresentados na tabela 6. O medo de ter a residência
  invadida faz com que diminua o consumo de praticamente todas as
  atividades, a não ser às idas a feiras, shoppings e sair para comer.
  Oliveira (2018) mostra que a presença em casa reduz as chances de
  vitimização por crimes contra o patrimônio. De forma que os resultados
  mostram que um percentual razoável de indivíduos reduz o seu consumo
  de atividades de lazer porque consideram o local onde residem inseguro
  e/ou consideram ser necessário exercer a função de guardião da
  residência.</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Tabela 5.</bold> Efeito médio do tratamento por tipo
        de atividade de lazer</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>Cinema</td>
        <td>Parque</td>
        <td>Comer</td>
        <td>Ev. Esportivos</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tipo de medo</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1-Ter a residência invadida</td>
        <td>-0,0081***</td>
        <td>-0,0025***</td>
        <td>0,0216***</td>
        <td>-0,0005***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0068)</td>
        <td>(0,0021)</td>
        <td>(0,0065)</td>
        <td>(0,0078)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2-Ter objetos roubados</td>
        <td>0,0049***</td>
        <td>0,0029***</td>
        <td>0,0299***</td>
        <td>-0,0105***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0042)</td>
        <td>(0,0013)</td>
        <td>(0,0081)</td>
        <td>(0,0074)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3-Ser assassinado</td>
        <td>-0,0073***</td>
        <td>-0,0012</td>
        <td>0,0132***</td>
        <td>-0,0066***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0060)</td>
        <td>(0,0063)</td>
        <td>(0,0094)</td>
        <td>(0,0137)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1+2+3</td>
        <td>-0,0071***</td>
        <td>-0,0085***</td>
        <td>0,0114***</td>
        <td>-0,0134***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0054)</td>
        <td>(0,0040)</td>
        <td>(0,0068)</td>
        <td>(0,0134)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>Shopping</td>
        <td>Feiras</td>
        <td>Shows</td>
        <td>Bares</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tipo de medo</td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1-Ter a residência invadida</td>
        <td>0,0446***</td>
        <td>0,0255***</td>
        <td>-0,0049***</td>
        <td>-0,0160***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0135)</td>
        <td>(0,0109)</td>
        <td>(0,0032)</td>
        <td>(0,0089)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2-Ter objetos roubados</td>
        <td>0,0589***</td>
        <td>0,0285***</td>
        <td>-0,0029***</td>
        <td>-0,0048***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0094)</td>
        <td>(0,0107)</td>
        <td>(0,0036)</td>
        <td>(0,0023)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3-Ser assassinado</td>
        <td>0,0297***</td>
        <td>0,0247***</td>
        <td>-0,0022***</td>
        <td>-0,0027***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0061)</td>
        <td>(0,0160)</td>
        <td>(0,0015)</td>
        <td>(0,0013)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1+2+3</td>
        <td>0,0310***</td>
        <td>0,0212</td>
        <td>-0,0045***</td>
        <td>-0,0114***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,0116)</td>
        <td>(0,0138)</td>
        <td>(0,0025)</td>
        <td>(0,0055)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Notas: Os valores representam o efeito do medo sobre a
        probabilidade condicional de praticar alguma das atividades
        relacionadas, são a diferença entre a probabilidade de um
        indivíduo que tem medo e de um indivíduo que não tem medo, dadas
        as covariadas. Os erros padrões obtidos por
        <italic>bootstrap</italic> são apresentados entre parênteses.
        *p&lt;0,10, ** p &lt; 0,05, ***p&lt;0,01</td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Os resultados mostram que o medo de ter objetos roubados reduz o
  consumo de eventos esportivos em cerca de 10%, além de reduzir o
  consumo de shows e bares, em média, em 2,5%. Por sua vez, o medo de
  ser assassinado tem impacto expressivo nas idas ao cinema, uma redução
  de 8,3% e nas idas a eventos esportivos, uma redução de 6,5%.</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Tabela 6.</bold> Percentual de variação no consumo de
        atividades de lazer ocasionado pelo medo do crime, por tipo de
        medo (em %)</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td></td>
        <td>Cinema</td>
        <td>Parque</td>
        <td>Comer</td>
        <td>Ev. Esportivos</td>
        <td>Shopping</td>
        <td>Feiras</td>
        <td>Shows</td>
        <td>Bares</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1- Ter a residência invadida</td>
        <td>-9,2</td>
        <td>-2,3</td>
        <td>6,4</td>
        <td>-12,0</td>
        <td>10,4</td>
        <td>7,2</td>
        <td>-4,3</td>
        <td>-8,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2- Ter objetos roubados</td>
        <td>5,6</td>
        <td>1,5</td>
        <td>7,9</td>
        <td>-10,3</td>
        <td>13,7</td>
        <td>8,1</td>
        <td>-2,5</td>
        <td>-2,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3- Ser assassinado</td>
        <td>-8,3</td>
        <td>-0,6</td>
        <td>3,5</td>
        <td>-6,5</td>
        <td>6,9</td>
        <td>7,0</td>
        <td>-1,9</td>
        <td>-1,5</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1+2+3</td>
        <td>-8,1</td>
        <td>-4,3</td>
        <td>3,0</td>
        <td>-13,2</td>
        <td>7,2</td>
        <td>6,0</td>
        <td>-4,0</td>
        <td>-6,2</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <disp-quote>
    <p>Nota: As entradas foram obtidas através do cálculo do EMT, tabela
    5, sobre o percentual de indivíduos que frequentam cada
    atividade.</p>
  </disp-quote>
  <p>Uma combinação dos três tipos de medo tem resultados semelhantes,
  em termos de sinais, com os anteriores, sendo que o consumo de eventos
  esportivos é o mais impactado pelo medo do crime. As atividades
  relativas a eventos esportivos, shows e frequência a bares, em todos
  os casos, apresentaram redução no consumo devido ao medo. Esses
  locais, em geral, apresentam aglomerações de pessoas, além de serem
  atividades que ocorrem com maior frequência no período noturno,
  facilitando a ação de criminosos. Estes aspectos já foram discutidos
  pela literatura. Por exemplo, Brands <italic>et al</italic>. (2015)
  destacam que uma economia noturna muito ativa deve tentar criar
  espaços seguros capazes de mitigar o medo, pois, o contexto noturno é
  cercado por um discurso de vandalismo e desordem, fazendo com que o
  medo se intensifique nesses períodos, por outro lado, a introdução de
  um sistema de vigilância, policiamento e mais iluminação, segundo os
  autores, seriam capazes de reduzir esse sentimento.</p>
  <p>Por sua vez, Almeida e Kasznar (2014) destacam que entre os motivos
  para não se frequentar estádios, locais públicos que promovem eventos
  esportivos, bares e restaurantes, estão os custos para frequentar
  estas atividades de lazer e o medo da violência. Um local que
  frequentemente ocorre eventos esportivos é o estádio de futebol, e
  neste contexto, Zani e Kirchler (1991) destacam que a violência é
  presente nesses locais e advém da competição e do fanatismo que acabam
  gerando, em algumas pessoas, um comportamento descontrolado e
  agressor. Esse comportamento pode ser reforçado quando os indivíduos
  estão agindo de forma coletiva e sob efeito de álcool e drogas. Esse
  fato gera medo para os indivíduos que acabam se privando desse tipo de
  atividade. Logo, os resultados aqui observados estão em consonância
  com a literatura, pois se observa uma redução de 10,2% na frequência a
  eventos esportivos pelo medo de sofrer um crime violento no
  deslocamento ou no próprio evento. Considerando o alto nível de
  violência observado no país e em eventos esportivos, não surpreende
  que os resultados deste estudo indiquem que há uma redução de 6,5% na
  frequência em eventos esportivos devido ao medo de ser assassinado.
  Todavia, o efeito geral do medo sobre os eventos esportivos é de uma
  redução de 13,2% de seu consumo. Isto certamente implica em uma perda
  considerável de faturamento para as atividades diretamente ou
  indiretamente ligadas a estes eventos.</p>
  <p>Um resultado não esperado é a redução no consumo de cinema devido
  ao medo do crime, pois, em cidades médias e grandes esses geralmente
  se encontram dentro dos shoppings, que teve efeito oposto. É possível
  que variáveis que estão relacionadas ao consumo dessa atividade não
  estejam no modelo. Sá-Earp e Sroulevich (2009) comentam que a demanda
  por cinema apresenta altos custos, entre eles, a disponibilidade de
  tempo e dinheiro, o acesso e o gosto das pessoas, além disso, é grande
  a disponibilidade de ver filmes em casa a baixo custo e esse conjunto
  de fatores faz com que se reduza o número de pessoas nas salas de
  cinema.</p>
  <p>Em geral, os resultados indicam que é provável que os indivíduos
  substituam as atividades mais propensas ao risco por atividades mais
  seguras, tal como prevê a teoria da prevenção situacional do crime de
  Clarke (1980, 1995). Neste caso há uma perda de bem-estar devido à
  restrição que a violência impõe a liberdade, ou as pessoas deixam de
  ir aos locais ou buscam locais mais seguros, tais como shopping
  centers. Estes possuem circuitos de câmeras, seguranças,
  estacionamentos fechados etc. Os resultados mostram um aumento nas
  idas a estes locais de 7,2% por causa do medo, sendo que o medo de ser
  roubado é o maior motivador para frequentar os shoppings.</p>
  <p>Por sua vez, os efeitos marginais relacionados às covariadas
  utilizadas deste estudo são apresentados na Tabela 7 e evidenciam que
  a idade tem bastante influência na decisão do consumidor pelas
  atividades de lazer. Jovens que possuem entre 16 a 24 anos têm maior
  probabilidade de consumir as atividades selecionadas, com exceção de
  feiras, isso quando comparado com indivíduos com mais de 60 anos. Ser
  casado aumenta a probabilidade de ir à feira e em parque ao mesmo
  tempo que reduzem as probabilidades de frequentar os outros lugares.
  Pressupõe-se que a vida de casado faz com que as atividades
  desenvolvidas sejam em família, como idas a shopping e sair para
  comer.</p>
  <p>A raça também se mostrou significativa em explicar as decisões de
  consumo das atividades de lazer, com exceção a idas a feiras. Ser
  branco ou amarelo reduz a probabilidade apenas de frequentar eventos
  esportivos, enquanto aumenta a chance de ir aos outros lugares. Ser do
  sexo masculino reduz a probabilidade de frequentar locais como
  cinemas, parques, sair para comer e ir ao shopping, e aumenta a
  probabilidade de ir a eventos esportivos, shows e bares. Esse
  resultado corrobora com o observado por Moreira (2006), que mostra que
  existem diferenças na demanda por entretenimento entre homens e
  mulheres para várias atividades. Segundo o autor, o homem possui maior
  atração por eventos esportivos, shows e bares enquanto mulheres
  preferem shoppings, cinemas e parques.</p>
  <p>Em relação aos meios de transporte, cerca de 70% utilizam carro ou
  ônibus, variáveis que aumentam de forma estatisticamente significativa
  a probabilidade de frequentar os locais selecionados. O carro, em
  princípio, traz uma maior sensação de segurança, uma vez que, o
  indivíduo não fica tão exposto a aglomerações e, de acordo com Cohen e
  Felson (1979) tanto o carro, quanto vários outros aparatos (armas
  elétricas, de caça, telefone, rodovias) são avanços tecnológicos
  projetados para fins legítimos, que são úteis para fins de proteção,
  mas, que ao mesmo tempo podem ser utilizados para facilitar a prática
  de crimes. Esse raciocínio também se aplica ao ônibus, porém, é fato
  que, as ocorrências de assaltos a ônibus são frequentes. Andar a pé só
  apresenta impactos estatisticamente significativos somente para
  reduzir a probabilidade de ir ao cinema e aumentar a probabilidade de
  ir ao bar.</p>
  <p>Participar da população economicamente ativa é estatisticamente
  significativo em aumentar a probabilidade de frequentar quase todos os
  locais, com exceção de feiras. Ademais, em relação a renda, é possível
  observar nos resultados que aqueles que recebem até três salários
  mínimos têm probabilidade reduzida de consumir todos os tipos de
  lazer, enquanto os que recebem mais de cinco salários têm uma
  probabilidade maior e significativa para o consumo de todos os tipos
  de lazer, logo, há claramente uma relação positiva já esperada, uma
  vez que, são bens normais, tal como descrevem Jara-Dias e Farah
  (1987).</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Tabela 7.</bold> Efeitos marginais das demais
        covariadas</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td> Variável</td>
        <td>Cinema</td>
        <td>Parque</td>
        <td>Comer</td>
        <td>Ev esport.</td>
        <td>Shopping</td>
        <td>Feira</td>
        <td>Show</td>
        <td>Bar</td>
        <td>Média</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 1 - 16 a 24 anos</td>
        <td>0,1735***</td>
        <td>0,1968***</td>
        <td>0,2516***</td>
        <td>0,0928***</td>
        <td>0,2079***</td>
        <td>-0,0008</td>
        <td>0,1168***</td>
        <td>0,2340***</td>
        <td>0,1674</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 2 – 25 a 34 anos</td>
        <td>0,1140***</td>
        <td>0,1846***</td>
        <td>0,2295***</td>
        <td>0,0524***</td>
        <td>0,2017***</td>
        <td>0,0551</td>
        <td>0,0636***</td>
        <td>0,1952***</td>
        <td>0,2076</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 3 – 35 a 44 anos</td>
        <td>0,0872***</td>
        <td>0,1427***</td>
        <td>0,1525***</td>
        <td>0,0381***</td>
        <td>0,1667***</td>
        <td>0,0634</td>
        <td>0,0354***</td>
        <td>0,1378***</td>
        <td>0,1837</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de idade 4 – 45 a 59 anos</td>
        <td>0,0341***</td>
        <td>0,0652***</td>
        <td>0,0661***</td>
        <td>0,0210***</td>
        <td>0,0941***</td>
        <td>0,0399</td>
        <td>0,0227***</td>
        <td>0,0828***</td>
        <td>0,2337</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Estado civil</td>
        <td>-0,0177***</td>
        <td>0,0026*</td>
        <td>-0,021***</td>
        <td>-0,0048*</td>
        <td>-0,0108</td>
        <td>0,0176</td>
        <td>-0,0204***</td>
        <td>-0,0734***</td>
        <td>0,4182</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Raça</td>
        <td>0,0175***</td>
        <td>0,0086***</td>
        <td>0,0357***</td>
        <td>-0,0023***</td>
        <td>0,0217***</td>
        <td>-0,0012</td>
        <td>0,0024***</td>
        <td>0,0129***</td>
        <td>0,4753</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sexo</td>
        <td>-0,0153***</td>
        <td>-0,0027*</td>
        <td>-0,0621* </td>
        <td>0,0399***</td>
        <td>-0,0901* </td>
        <td>-0,0234 </td>
        <td>0,0040*** </td>
        <td>0,0435***</td>
        <td>0,4289 </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Carro</td>
        <td>0,0489***</td>
        <td>0,0963***</td>
        <td>0,2024***</td>
        <td>0,0343***</td>
        <td>0,1501***</td>
        <td>0,0549**</td>
        <td>0,0316***</td>
        <td>0,0758***</td>
        <td>0,4287</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ônibus</td>
        <td>0,0307***</td>
        <td>0,0450***</td>
        <td>0,0601***</td>
        <td>0,0142***</td>
        <td>0,0628***</td>
        <td>0,0193</td>
        <td>0,0074</td>
        <td>0,0195***</td>
        <td>0,3010</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Moto</td>
        <td>0,0166***</td>
        <td>0,0454***</td>
        <td>0,1090***</td>
        <td>0,0401***</td>
        <td>0,0812***</td>
        <td>0,0554***</td>
        <td>0,0288***</td>
        <td>0,0649***</td>
        <td>0,1215</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Bicicleta/a pé</td>
        <td>-0,0192***</td>
        <td>-0,0060</td>
        <td>-0,0250</td>
        <td>0,0250</td>
        <td>-0,0295</td>
        <td>0,0085</td>
        <td>0,0053</td>
        <td>0,0135***</td>
        <td>0,0534</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PEA</td>
        <td>0,0041***</td>
        <td>0,0085***</td>
        <td>0,0239***</td>
        <td>0,0183***</td>
        <td>0,0007***</td>
        <td>0,0118</td>
        <td>0,0121***</td>
        <td>0,0581***</td>
        <td>0,5234</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 1 – até 1 salário</td>
        <td>-0,0463***</td>
        <td>-0,0748***</td>
        <td>-0,1422***</td>
        <td>-0,0285***</td>
        <td>-0,1153***</td>
        <td>-0,0184</td>
        <td>-0,0325***</td>
        <td>-0,0708***</td>
        <td>0,2097</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 2 – 1 a 2 salários</td>
        <td>-0,0339***</td>
        <td>-0,0488***</td>
        <td>-0,0736***</td>
        <td>-0,0162***</td>
        <td>-0,0353***</td>
        <td>0,0183</td>
        <td>-0,0259***</td>
        <td>-0,0420***</td>
        <td>0,2993</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 3 – 2 a 3 salários</td>
        <td>-0,0179***</td>
        <td>-0,0174***</td>
        <td>0,0025</td>
        <td>-0,0037***</td>
        <td>0,0314</td>
        <td>0,0379</td>
        <td>-0,0166***</td>
        <td>-0,0129***</td>
        <td>0,1871</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 4 – 3 a 5 salários</td>
        <td>0,0009</td>
        <td>0,0142</td>
        <td>0,0826***</td>
        <td>0,0070</td>
        <td>0,1045***</td>
        <td>0,0589***</td>
        <td>-0,0082</td>
        <td>0,0222***</td>
        <td>0,1509</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Classe de renda 5 – acima de 5 salários</td>
        <td>0,0421***</td>
        <td>0,0730***</td>
        <td>0,2101***</td>
        <td>0,0241***</td>
        <td>0,1889***</td>
        <td>0,0708***</td>
        <td>0,0055***</td>
        <td>0,0983***</td>
        <td>0,1028</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Nota: Entradas são efeitos marginais na média obtidos pela soma dos
  efeitos marginais condicionais. Média de cada categoria informada na
  última coluna. *p&lt;0,10, ** p &lt; 0,05, ***p&lt;0,01</p>
  <list list-type="order">
    <list-item>
      <label>3.</label>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p><bold>CONCLUSÕES</bold></p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>Com o intuito de verificar se o medo do crime tem efeito em reduzir
  o consumo de atividades de lazer no Brasil, tais como ir ao cinema,
  frequentar praias ou parques, comer fora de casa, ir a eventos
  esportivos, frequentar shoppings ou centros comerciais, feiras, show
  ou espetáculo e a bares e casas noturnas, foram estimados 32 modelos
  econométricos. A partir dos resultados obtidos foi possível observar
  que o medo do crime apresenta efeito significativo em reduzir a
  probabilidade dos brasileiros frequentarem bares, shows e eventos
  esportivos em percentuais que chegam a 13%. Isto representa uma perda
  significativa de receitas, que sem o conhecimento gerado por este
  estudo, eram ocultas até então. Ao mesmo tempo, os resultados mostram
  um aumento na probabilidade de frequência a shoppings e centros
  comerciais que chegam a 7%, o que pode ser um indicativo que
  investimentos em segurança podem trazer um retorno na forma de novos
  clientes. Logo, os resultados obtidos neste estudo contribuem para que
  os organizadores de eventos esportivos e artísticos e os proprietários
  de bares e casas noturnas tenham informações que permitam uma
  avaliação de custo-benefício de adoção de medidas de segurança, tais
  como sistemas de vigilância com o uso circuito de câmeras, seguranças,
  estacionamentos fechados e com iluminação.</p>
  <p>Por fim, considerando conjuntamente os resultados deste estudo,
  cabe lembrar das contribuições de Cohen e Felson (1979), que destacam
  que são três os fatores que influenciam na criminalidade: as
  atividades de rotina das pessoas, a maior adequação do alvo e a
  diminuição da presença de um guardião. As atividades diárias de
  trabalho, estudo, lazer e interação social, fazem com que os
  indivíduos estejam mais expostos ao crime, assim como as mudanças que
  ocorrem no estilo de vida descritas em Hindelang <italic>et
  al</italic>. (1978). Os autores afirmam que as pessoas mais jovens são
  mais propensas a serem vítimas do que os idosos porque passam mais
  tempo fora de casa, onde têm maior probabilidade de entrar em contato
  com um potencial criminoso motivado. Além disso, homens e indivíduos
  solteiros sofrem mais vitimização porque são mais propensos a sair de
  suas casas e, assim, estão mais expostos a agressores, enquanto
  mulheres e idosos têm menos probabilidade de sair à noite ou em geral.
  Aqueles que trabalham ou frequentam a escola, apesar de estarem fora
  de casa, têm maior probabilidade de passar um tempo em ambientes
  seguros, logo, possuem menor probabilidade de serem expostos a
  potenciais criminosos.</p>
  <p>De forma que os indivíduos adaptam o seu estilo de vida e suas
  atividades rotineiras para evitar a vitimização, tal como prevê a
  teoria de prevenção situacional do crime de Clarke (1980). Todavia,
  existem atividades que não podem deixar de ser realizadas, tais como
  se deslocar para o trabalho e para escola e frequentar estes locais.
  Assim, os indivíduos reduzem a sua exposição em atividades
  consideradas “menos” essenciais, tais como as atividades de lazer,
  resultando em uma perda significativa de bem-estar. Os resultados aqui
  observados corroboram com estas ideias ao mostrar que o medo do crime
  é capaz de alterar significativamente as decisões de consumo de
  atividades de lazer. Desta forma, fica evidenciado neste estudo que a
  violência pode trazer perdas ainda não mensuradas para os brasileiros,
  uma vez que, além da perda da liberdade por parte dos indivíduos, das
  perdas de ter que lidar com um ambiente de negócios ruim para
  empresas, altamente burocratizado e tributado, tanto os indivíduos
  quanto as empresas ainda têm que arcar com dispêndios em segurança
  para complementar o serviço de segurança provido pelo Estado, que se
  mostra insuficiente para garantir a segurança nos ambientes de
  lazer.</p>
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  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
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    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>APÊNDICE</bold></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>Tabela A.1.</bold> Resultados das estimações por
        Probit e Probit Bivariado Recursivo</td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>Cinema</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td>Parque</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td>Comer</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td>Ev.esportivos</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Variável medo</td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1- Ter a residência invadida</td>
        <td>-0,062***</td>
        <td>-0,221</td>
        <td>0,0939</td>
        <td>0,15</td>
        <td>-0,018</td>
        <td>0,059</td>
        <td>-0,0457</td>
        <td>0,06</td>
        <td>0,078***</td>
        <td>0,094</td>
        <td>-0,0095</td>
        <td>0,002</td>
        <td>-0,068***</td>
        <td>0,536***</td>
        <td>-0,3684</td>
        <td>51,14***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,018)</td>
        <td>(0,389)</td>
        <td>(0,231)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,016)</td>
        <td>(0,322)</td>
        <td>(0,191)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,019)</td>
        <td>(0,327)</td>
        <td>(0,196)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,015)</td>
        <td>(0,075)</td>
        <td>(0,075)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2- Ter objetos roubados</td>
        <td>0,036</td>
        <td>-0,270</td>
        <td>0,1802</td>
        <td>2,59*</td>
        <td>0,012</td>
        <td>-0,013</td>
        <td>0,0144</td>
        <td>0,010</td>
        <td>0,098***</td>
        <td>0,343*</td>
        <td>-0,1476</td>
        <td>1,39</td>
        <td>-0,059***</td>
        <td>0,619***</td>
        <td>-0,4170</td>
        <td>47,03***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,022)</td>
        <td>(0,194)</td>
        <td>(0,109)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,018)</td>
        <td>(0,238)</td>
        <td>(0,147)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,021)</td>
        <td>(0,202)</td>
        <td>(0,123)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,015)</td>
        <td>(0,085)</td>
        <td>(0,053)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3- Ser assassinado</td>
        <td>-0,056***</td>
        <td>-0,149</td>
        <td>0,0573</td>
        <td>0,18</td>
        <td>-0,008</td>
        <td>-0,522*</td>
        <td>0,3096</td>
        <td>2,17</td>
        <td>0,046***</td>
        <td>0,859***</td>
        <td>-0,5061</td>
        <td>5,18**</td>
        <td>-0,041**</td>
        <td>-1,019***</td>
        <td>0,5693</td>
        <td>27,75***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,017)</td>
        <td>(0,228)</td>
        <td>(0,134)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,002)</td>
        <td>(0,326)</td>
        <td>(0,1962)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,018)</td>
        <td>(0289)</td>
        <td>(0,182)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,019)</td>
        <td>(0,163)</td>
        <td>(0,083)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1+2+3</td>
        <td>-0,054***</td>
        <td>0,576***</td>
        <td>-0,3900</td>
        <td>6,66***</td>
        <td>-0,035</td>
        <td>-0,350</td>
        <td>0,1951</td>
        <td>0,19</td>
        <td>0,037**</td>
        <td>0,888***</td>
        <td>-0,5357</td>
        <td>7,01***</td>
        <td>-0,076***</td>
        <td>-1,104***</td>
        <td>0,624</td>
        <td>37,35***</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,016)</td>
        <td>(0,216)</td>
        <td>(0,216)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,016)</td>
        <td>(0,702)</td>
        <td>(0,437)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,017)</td>
        <td>(0,253)</td>
        <td>(0,161)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,019)</td>
        <td>(0,136)</td>
        <td>(0,073)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td>Shopping</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td>Feiras</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td>Shows</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td>Bares</td>
        <td> </td>
        <td> </td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Variável medo</td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
        <td>Probit</td>
        <td>PBR</td>
        <td>rho</td>
        <td><inline-formula><alternatives>
        <tex-math><![CDATA[{}^{2}]]></tex-math>
        <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msup><mml:mrow></mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn></mml:msup></mml:math></alternatives></inline-formula></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1- Ter a residência invadida</td>
        <td>0,124***</td>
        <td>-0,645**</td>
        <td>0,4516</td>
        <td>3,90**</td>
        <td>0,068***</td>
        <td>-0,634**</td>
        <td>0,4118</td>
        <td>4,38**</td>
        <td>-0,027*</td>
        <td>0,182</td>
        <td>-0,1251</td>
        <td>0,90</td>
        <td>-0,072***</td>
        <td>-0,392**</td>
        <td>0,1881</td>
        <td>2,43</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,015)</td>
        <td>(0,338)</td>
        <td>(0,196)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,017)</td>
        <td>(0,297)</td>
        <td>(0,174)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,015)</td>
        <td>(0,215)</td>
        <td>(0,130)</td>
        <td></td>
        <td>(0,012)</td>
        <td>(0,204)</td>
        <td>(0,118)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2-Ter objetos roubados</td>
        <td>0,171***</td>
        <td>0,269</td>
        <td>-0,0595</td>
        <td>0,05</td>
        <td>0,077***</td>
        <td>-0,663</td>
        <td>0,4396</td>
        <td>0,08</td>
        <td>-0,014</td>
        <td>0,381***</td>
        <td>-0,241</td>
        <td>8,42***</td>
        <td>-0,021</td>
        <td>-0,092</td>
        <td>0,0419</td>
        <td>0,03</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,171)</td>
        <td>(0,431)</td>
        <td>(0,2592)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,016)</td>
        <td>(2,299)</td>
        <td>(1,361)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,019)</td>
        <td>(0,129)</td>
        <td>(0,129)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,014)</td>
        <td>(0,395)</td>
        <td>(0,236)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3-Ser assassinado</td>
        <td>0,087***</td>
        <td>0,454</td>
        <td>-0,2253</td>
        <td>0,02</td>
        <td>0,065***</td>
        <td>-0,953**</td>
        <td>0,6209</td>
        <td>3,38*</td>
        <td>-0,013</td>
        <td>-0,156</td>
        <td>0,086</td>
        <td>0,35</td>
        <td>-0,012</td>
        <td>0,008</td>
        <td>-0,012</td>
        <td>0,01</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,016)</td>
        <td>(2,256)</td>
        <td>(1,393)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,024)</td>
        <td>(0,385)</td>
        <td>(0,243)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,019</td>
        <td>(0,250)</td>
        <td>(0,144)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,010)</td>
        <td>(0,294)</td>
        <td>(0,178)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1+2+3</td>
        <td>0,089***</td>
        <td>-1,068***</td>
        <td>0,7249</td>
        <td>54,22***</td>
        <td>0,059***</td>
        <td>-1,216***</td>
        <td>0,8149</td>
        <td>12,39***</td>
        <td>-0,026</td>
        <td>-0,155</td>
        <td>0,079</td>
        <td>0,76</td>
        <td>-0,050***</td>
        <td>0,001</td>
        <td>-0,032</td>
        <td>0,02</td>
      </tr>
      <tr>
        <td> </td>
        <td>(0,017)</td>
        <td>(0,091)</td>
        <td>(0,125)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,021)</td>
        <td>(0,142)</td>
        <td>(0,109)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,018)</td>
        <td>(0,149)</td>
        <td>(0,091)</td>
        <td> </td>
        <td>(0,008)</td>
        <td>(0,327)</td>
        <td>(0,205)</td>
        <td> </td>
      </tr>
      <tr>
        <td><p>Fonte: elaboração própria a partir de dados da PNV
        (2012).</p>
        <p>Notas: Os valores representam os coeficientes das estimações
        por Probit e Probit Bivariado Recursivo, sendo que o erro padrão
        está entre parênteses. Como variáveis dependentes têm-se oito
        tipos de lazer, esses descritos no topo de cada coluna. As
        variáveis relacionadas ao tipo de medo foram elencadas em quatro
        grupos e estão descritos na primeira coluna. *p&lt;0,10, ** p
        &lt; 0,05, ***p&lt;0,01.</p></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</sec>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>O modelo de prevenção situacional tem a sua fundamentação baseada
    na abordagem da escolha sugerida por Clarke e Cornish (1985) e na
    perspectiva econômica da Escolha Racional de Becker (1968) e na
    Teoria das Atividades Rotineiras desenvolvida por Cohen e Felson
    (1979).</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
