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<p><bold>Violência Doméstica Contra Mulheres e a Relação Possível com
Indicadores Econômicos e Sociais</bold></p>
<p>Autor: Janael da Silva Alves</p>
<p>Mini-Bio: Graduado em Geografia, mestre em Gestão Pública e
Sociedade, especialista nas áreas de Gestão em Segurança Pública,
Planejamento e Gestão de Trânsito, Direito Administrativo e Educação em
Direitos Humanos. Sargento na Polícia Militar de Minas Gerais.</p>
<p>Titulação: Mestrado</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Minas Gerais</p>
<p>Cidade: Varginha</p>
<p>E-mail de contato: janael10@yahoo.com.br</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-1766-8600">https://orcid.org/0000-0002-1766-8600</ext-link></p>
<p><bold>Resumo</bold></p>
<p>Os crimes de violência doméstica contra a mulher são caracterizados
como aqueles que acontecem no âmbito das relações familiares, esta
modalidade criminosa veio a ser considerada uma política pública a
partir do ano de 2006 com a edição da lei nominada “Maria da Penha”
quando os crimes de violência doméstica passaram a ser monitorados com
maior acuidade pelos governos e órgãos de segurança pública. Por meio
deste trabalho, vai-se realizar uma análise descritivo comparativa dos
registros de crimes de violência doméstica contra a mulher ocorridos no
ano de 2018 nas regiões Sul e Norte do Estado de Minas Gerais, buscando
a possível relação entre os indicadores sócio econômicos destas regiões
e os registros de violência doméstica. O trabalho foi desenvolvido
utilizando-se de fontes de dados oficiais divulgados por meio de sites
do governo de Minas Gerais. Descobriu-se a existência de uma correlação
entre indicadores econômico sociais favoráveis e o alto número de
registros de ocorrências de violência doméstica.</p>
<p><bold>Palavras-Chave:</bold> Violência doméstica; Violência
Intrafamiliar; Segurança Pública; Sul de Minas Gerais</p>
<p>Domestic Violence Against Women and the Possible Relationship with
Economic and Social Indicators</p>
<p><bold>Abstract</bold></p>
<p>The crimes of domestic violence against women are characterized as
those that occur in the context of family relations, this criminal mode
came to be considered a public policy from the year 2006 with the
edition of the law named &quot;Maria da Penha&quot; when crimes of
domestic violence began to be monitored more closely by governments and
public security agencies. Through this work a comparative descriptive
analysis of the records of crimes against domestic violence against
women occurred in 2018 in the South and North of the State of Minas
Gerais will be carried out, seeking a possible relation between the
socioeconomic indicators of these regions and the records of domestic
violence. The work was developed using official data sources published
through Minas Gerais government websites. It was found that there is a
correlation between favorable social economic indicators and the high
number of records of occurrences of domestic violence.</p>
<p><bold>Keywords:</bold> Domestic violence; Intrafamily violence;
Public security; South of Minas Gerais</p>
<sec id="doi-httpsdoi.org10.31060rbsp.2021.v15.n1.1182">
  <title>DOI: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1182">https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1182</ext-link></title>
</sec>
<sec id="data-de-recebimento-07072019">
  <title>Data de recebimento: 07/07/2019 </title>
  <p>Data de aprovação: 10/07/2020</p>
  <p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
  <p>O presente artigo apresentará os números de registros de violência
  doméstica contra as mulheres nas regiões Sul e Norte do Estado de
  Minas Gerais e fará uma análise comparativa entre estas duas regiões.
  A região Sul apresenta indicadores sócio econômicos dentre os mais
  positivos do Estado, ao contrário, a região Norte de Minas Gerais
  apresenta indicadores dentre os mais desfavoráveis. Será realizada uma
  análise comparativa entre as regiões mencionadas buscando ainda uma
  possível correlação entre a modalidade criminosa da violência
  doméstica contra a mulher e os indicadores sócio econômicos destas
  regiões do Estado de Minas Gerais e verificar, se pelos registros
  oficiais que são divulgados por meio de órgãos de segurança pública é
  possível apontar a existência da correlação entre as condições sócio
  econômicas dos indivíduos e os crimes de violência doméstica.</p>
  <p>A lei considera o crime de violência doméstica e familiar contra a
  mulher como sendo &quot;qualquer ação ou omissão baseada no gênero que
  lhe cause morte, lesão, sofrimento físico sexual ou psicológico e dano
  moral ou patrimonial&quot;. (SENADO FEDERAL, 2011. p.16 )</p>
  <p>Ressalta-se a existência de uma alta taxa de subnotificação de
  crimes, que conforme MacDonald (2002) é uma variável importante a ser
  considerada na análise criminal e ainda Madalozzo (2011), que destaca
  em seu trabalho a pesquisa do Instituto Futuro Brasil, esta revela por
  exemplo, no caso da cidade de São Paulo um índice de subnotificação de
  68% dos crimes. Este é um fator de limitação nos estudos de análise
  criminal, sendo assim, o presente trabalho irá utilizar os dados e
  estatísticas disponíveis pelos canais oficiais do governo,
  considerando para o presente estudo os crimes de violência doméstica
  que foram notificados e registrados pelos órgãos de segurança pública
  do Estado de Minas Gerais.</p>
  <p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
  <p>O trabalho trata-se de uma pesquisa exploratória de abordagem
  quantitativa a partir de fontes secundárias que descreverá o fenômeno
  da violência doméstica em duas regiões de planejamento do Estado de
  Minas Gerais. O Estado para fins de administração e planeamento nas
  mais diversas áreas é dividido em 17 regiões conforme Minas Gerais
  (2019), já para fins de coordenação e controle especificamente na área
  da segurança pública, o Estado é dividido em 19 Regiões Integradas de
  Segurança Pública (RISPs).</p>
  <p>O trabalho se propõe fazer uma fazer uma abordagem descritiva geral
  e uma análise comparativa dos macro dados estatísticos sócio
  econômicos das regiões Norte e Sul de Minas Gerais na busca de uma
  possível relação com os dados de registro de violência doméstica
  contra a mulher nestas mesmas regiões. Os dados da violência doméstica
  foram obtidos a partir do relatório: “Diagnóstico de Violência
  Doméstica e Familiar nas Regiões Integradas de Segurança Pública de
  Minas Gerais”, referente ao ano 2018 publicados pelo governo do Estado
  e os dados sócio econômicos foram obtidos no portal governamental
  Minas em Números.</p>
  <p>Os números de registros de violência doméstica contra as mulheres
  divulgados no Diagnóstico são oriundos do denominado Armazém de Dados
  do Sistema Integrado de Defesa Social (SIDS)/ Registro de Eventos de
  Defesa Social (REDS), que são os registros das ocorrências realizados
  pelos órgãos de segurança pública do Estado de Minas Gerais, já os
  dados utilizados referentes aos indicadores sócio econômicos das
  regiões de planejamento são oriundos do portal Minas em Números que
  tem por base as seguintes fontes: IBGE (2010), PNUD (2010), INEP Censo
  Escolar (2017), DATASUS (2017), FEAM-MG (2015), SEF-MG (2016),
  CAGED-MTE (2017) e Secretaria de Estado de Segurança Púbica da MG SESP
  (2018).</p>
  <p>As 19 RISPs estão delimitadas territorialmente dentro das regiões
  administrativas de Minas Gerais, mas não guardam uma uniformidade com
  estas, e por este motivo, ao buscar se comparar os dados referentes à
  segurança pública das RISPs e outros dados em âmbito regional
  depara-se com algumas limitações no que diz respeito ao recorte. No
  caso da região de planejamento Sul de Minas, as RISPs que se
  distribuem em seu território são a 6ª RISP Lavras, a 17ª RISP Pouso
  Alegre e a 18ª RISP Poços de Caldas, já a região Norte de Minas tem em
  seu espaço territorial a presença da 11ª RISP Montes Claros.</p>
  <p>Na Região Sul, o número de municípios congregados pelas três RISPs
  citadas anteriormente ultrapassa o número dos municípios da região de
  planejamento, portanto optou-se por retirar os números de registro de
  violência doméstica referentes ao município de Passos/MG integrante da
  18ª RISP-Poços de Caldas, uma vez que em relação às regiões de
  planejamento, o município de Passos/MG pertence à região denominada
  Sudoeste de Minas. Por meio deste recorte, será possível uma maior
  aproximação da representação da realidade dos registros de ocorrências
  das RISPs em adaptação à abrangência regional da região Sul. Já a
  região Norte de Minas e a 11ª RISP guardam uma quase total
  uniformidade no número de municípios abrangidos.</p>
  <p>No corpo do trabalho, será calculada e definida a taxa de crimes de
  violência doméstica contra as mulheres na proporção de Violência
  Doméstica por 100 mil habitantes, o que possibilitará a análise e a
  correlação com os outros indicadores de cada uma das regiões de
  planejamento objetos de investigação deste trabalho, e a posterior
  comparação entre as regiões.</p>
  <p><bold>3– REFERENCIAL TEÓRICO</bold></p>
  <p>Violência conforme Zaluar (1999) pode ser entendida etimológica,
  conceitual e de forma aplicada como a prática de um ato de exercício
  de força para exercer a perturbação, assim como o crime, a violência
  também pode variar histórica e culturalmente. Conforme o autor, o
  termo,</p>
  <disp-quote>
    <p>[...] vem do latim violentia que remete a vis (força, vigor,
    emprego de força física ou os recursos do corpo para exercer sua
    força vital). Essa força torna-se violência quando ultrapassa um
    limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações,
    adquirindo carga negativa ou maléfica. É, portanto, a percepção do
    limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai
    caracterizar o ato como violento, percepção essa que varia cultural
    e historicamente. (ZALUAR 1999, p. 8)</p>
  </disp-quote>
  <p>A violência doméstica contra a mulher é considerada conforme
  CERQUEIRA et All (2015. p.9), como sendo a “mãe de todas as
  violências”.</p>
  <p>A lei tipifica a violência doméstica contra a mulher como qualquer
  ato de “ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão,
  sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
  e define doméstico como sendo o “espaço de convívio permanente de
  pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente
  agregadas”. (SENADO FEDERAL, 2011. p.16).</p>
  <p>Condições precárias de renda, acesso a saúde, à educação, acesso ao
  emprego não apenas são deflagradores de atos violentos nas mais
  diversas dimensões, mas também contribuem para agravamento destes
  mesmos problemas que origina, e em alguns estudos como em De Alcântara
  et al (2018), em um município do Nordeste as condições precárias estão
  presentes no perfil das vítimas de violência doméstica. No estudo de
  Ribeiro e Sanches (2005), foi apurado que as mulheres vitimadas ganham
  em média 44% dos rendimentos médios em relação às mulheres não
  vitimadas apontando para uma relação entre renda e violência
  doméstica.</p>
  <p>Trabalho de Martins (2017) apontou uma correlação entre o menor
  nível de escolaridade e a vitimização doméstica das mulheres, a autora
  ainda encontrou na análise que:</p>
  <disp-quote>
    <p>“a vitimização por violência doméstica a partir da cor, as
    mulheres pardas e pretas totalizam mais de 60% das vítimas, o que se
    assemelha às demais formas de crime, principalmente furtos e roubos.
    A predominância da violência sobre mulheres não brancas pode ser
    dada por uma maior vulnerabilidade destas, já que no Brasil as
    mulheres brancas são mais escolarizadas e possuem maior nível de
    renda”. (MARTINS, 2017. p.34)</p>
  </disp-quote>
  <p>Martins (2017) afirma que pelos resultados obtidos em seus estudos,
  é possível constatar que as mulheres vitimadas possuem menor
  escolaridade e consequentemente auferem renda média mais baixa,
  fazendo a correlação entre baixo nível de escolaridade, desemprego,
  baixa renda demostrando uma associação entre renda per capita baixa e
  a ocorrência de vitimização por violência doméstica.</p>
  <p>Dias (2017) buscou problematizar a relação entre a exclusão social
  e a violência doméstica, a autora cita alguns fatores que estão
  presentes tanto nos grupos que sofre com a exclusão social quanto na
  vida dos atores envolvidos em violência doméstica, citando: habitação
  deficitária, condições de saúde precárias, baixo nível de
  escolaridade, desemprego e precariedade do trabalho, baixos
  rendimentos, ausência de equipamentos coletivos, dentre outros.</p>
  <p>Para De Lucena et all (2017), a violência doméstica é compreendida
  como sinônimo de violência contra a mulher, o que o determina como
  sendo um fenômeno de múltiplas determinações. Para Bandeira (2014), os
  atos de violência doméstica contra a mulher trazem como pano de fundo
  motivações referentes “à hierarquia de poder, desejos de dominação e
  aniquilamento do outro e que pode ser utilizada algumas vezes,
  conscientemente, nas relações conjugais como mecanismo para
  subordinação da mulher ao parceiro”</p>
  <p>Estudo de De Lucena et al (2017) com 427 mulheres que buscou por
  meio de uma análise regressiva a relação de dependência entre a
  qualidade de vida e a violência doméstica, mostrou que, quanto maior a
  avaliação da satisfação da qualidade de vida entre as mulheres, sua
  inserção em relações sociais e a sensação de segurança das mesmas,
  menor será a probabilidade de ocorrência de violência doméstica contra
  a mulher, compreendendo-se como qualidade de vida, o que é definido
  pela Organização Mundial de Saúde (OMS) conforme o WHOQOL GROUP (1998)
  enquanto direito de cidadania, o que se refere à soma das condições
  econômicas, ambientais, científico-culturais e políticas coletivamente
  construídas e postas à disposição dos indivíduos para que estes possam
  realizar suas potencialidades. Segundo De Lucena et al (2017), a
  qualidade de vida é um fator de proteção contra a violência
  doméstica.</p>
  <p>Na outra vertente, estudos que não encontram relação de dependência
  direta entre violência doméstica, baixa escolaridade e renda, está o
  trabalho de Moreira et all (2016) que não identificou o aumento de
  renda funcionando como um fator estanque para a violência, o autor
  pesquisando a respeito do tema, descobriu que mulheres jovens que
  passaram a receber o benefício do bolsa família possuíam maior
  probabilidade de se tornarem vítimas de violência doméstica.</p>
  <p>Ribeiro e Sanches (2005) apud Martins (2017) apesar de identificar
  o fator baixa renda como mais presente entre as mulheres vitimadas ele
  chama a atenção para um fato relevante em seu trabalho ao ressaltarem
  que a violência doméstica ocorre em todos os níveis sociais, no
  entanto os registros de violência doméstica se dão em maior número
  entre mulheres com maior renda e escolaridade, uma vez que elas reúnem
  condições mais favoráveis para a denúncia por possuirem um menor grau
  de denpendência do agressor.</p>
  <p><bold>4 - APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS</bold></p>
  <p>Para entender a abrangência deste estudo da violência doméstica e a
  necessidade de entende-lo como um fenômeno que pode ser tratado em
  caráter regional apresenta-se aqui a 11ª RISP-Montes Claros que
  congrega 77 dos 86 municípios da região Norte do Estado de Minas
  Gerais, enquanto que as 6ª RISP-Lavras, 17ª-Pouso Alegre e 18ª
  RISP-Poços de Caldas congregam 171 municípios ante os 118 definidos
  como integrantes a região de planejamento Sul do Estado, ultrapassando
  portanto em 53 o número de municípios da região de planejamento.
  Destas três RISPs, toma-se aqui particularmente a 18ª RISP-Poços de
  Caldas, cuja a denominação da nomenclatura apresenta um município que
  está localizado na região Sul de Minas Gerais, mas é importante
  destacar que esta RISP abrange diversos municípios da região sudoeste
  do Estado, e após análise optou-se por excluir dos números finais da
  18ª RISP, os registros de violência doméstica do município de
  Passos/MG que é maior município da região sudoeste e que sozinho
  representa segundo o IBGE (2010) quase 20% da população e índices
  relacionados à economia da região Sudoeste.</p>
  <p>No quadro 1 é apresentado alguns indicadores sócio econômicos das
  regiões norte e sul do Estado de Minas Gerais.</p>
  <p><bold>Quadro 1 – Indicadores regionais Sul e Norte Minas
  Gerais</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th>Região</th>
        <th>População</th>
        <th>Pobres</th>
        <th>Analfabetismo</th>
        <th><p>Saneamento</p>
        <p>Básico</p></th>
        <th>PIB per capita R$</th>
        <th>Taxa de desocupação</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>Norte</td>
        <td>1.577,300</td>
        <td>53,5%</td>
        <td>16%</td>
        <td>38,6%</td>
        <td>13.857</td>
        <td>9,05%</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sul</td>
        <td>2.031.229</td>
        <td>25,6%</td>
        <td>7,3%</td>
        <td>83,3%</td>
        <td>27.407</td>
        <td>5,31%</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Fonte: Elaborado pelo autor com base em
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.numeros.mg.gov.br">http://www.numeros.mg.gov.br</ext-link></p>
  <p>O quadro 2 a seguir apresenta os dados da violência doméstica nas
  regiões integradas de segurança pública que são abrangidas pelas
  regiões de planejamento norte e sul de Minas Gerais.</p>
  <p><bold>Quadro 2 – Quantitativo de registros de Crimes de Violência
  doméstica das Regiões Sul e Norte de Minas Gerais ano de
  2018</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Região Integrada de Segurança Pública</bold></th>
        <th><bold>Violência Doméstica 2018</bold></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>6ª RISP – Lavras</td>
        <td>6.400</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>17ª RISP – Pouso Alegre</td>
        <td>5.704</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>18ª RISP – Poços de Caldas</td>
        <td>7.908 – 881= 7.027</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>11ª RISP – Montes Claros</td>
        <td>8.518</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Total de Registros de Violência Doméstica no Estado de Minas
        Gerais em 2018</td>
        <td>144.957</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Fonte: Diagnóstico de Violência Doméstica e Familiar nas Regiões
  Integradas de Segurança Pública de Minas Gerais (2019).</p>
  <p>O quadro 2 apresentou os números de registros violência doméstica
  nas regiões Sul e Norte, além da totalidade de registros no estado de
  Minas Gerais em 2018.</p>
  <p>Dos 144.957 registros de violência doméstica ocorridos em todo o
  estado de Minas Gerais no ano de 2018, os registros para esta mesma
  modalidade criminosa pelas RISPs que representam a região Sul somados
  foram 19.131, sendo 6.400 registos pela 6ª RISP –Lavras, 5.704
  registros pela 17ª RISP – Pouso Alegre e 7.027 registros pela 18ª
  RISP-Poços de Caldas, com média de 6.377 crimes de violência doméstica
  por RISPs integrantes das regiões Sul.</p>
  <p>Os dados obtidos por meio do portal governamental, Minas em Números
  (2019), que utiliza os dados do IBGE (2010) apresenta a região Sul
  como tendo 2.031.229 habitantes, integrada por 118 municípios e um
  percentual de 81,63% desta população vivendo em área urbana.</p>
  <p>Já na região Norte a 11ª RISP registrou o número de 8.518 crimes de
  violência doméstica contra a mulher. Conforme o portal Minas em
  Números (2019) a região Norte possui 1.577.300 habitantes, é integrada
  por 86 municípios sendo que 69,49% da população vive na área
  urbana.</p>
  <p>Considerando-se os números de registros absolutos de cada RISP em
  separado percebe-se que estes registros tanto na RISP da região Norte
  quanto nas da região Sul apresentam uma variação percentual de
  aproximadamente 33% entre a RISP com maior número de registros que é a
  11ª na região Norte em relação a RISP que registrou o menor número de
  ocorrências de violência doméstica contra a mulher, que é a 17ª
  RISP-Pouso Alegre; também a 6ª e 18ª RISP apresentam números absolutos
  menores de registros do que a 11ª RISP. Os dados, quando apresentados
  em separado por RISPs levam a um entendimento de que a região Sul
  teria o menor número de registros de violência doméstica, se
  consideradas as RISPs descoladas do contexto regional das regiões de
  planejamento, no entanto a análise individual por RISP cria distorções
  e barreiras para a análise regional do fenômeno da violência doméstica
  contra a mulher.</p>
  <p>Um primeiro exercício de análise advém do número dos crimes de
  violência doméstica dividido pela respectiva população das regiões
  estudadas realizando-se o cálculo para obtenção do número de crimes de
  violência doméstica por 100 mil habitantes em cada região. Para se
  alcançar o índice de violência doméstica contra as mulheres por 100
  mil habitantes utilizou-se a seguinte fórmula:</p>
  <p>FÓRMULA = <bold>Registros de Violência Doméstica =
  ∑ViolênciaDoméstica = ViolênciaDoméstica/População x
  100.000</bold></p>
  <p>Após os cálculos obtém-se o seguinte: A região Norte apresenta uma
  taxa de 540 crimes de violência doméstica para cada 100 mil
  habitantes, enquanto que a região Sul possui uma taxa de 981 crimes de
  violência doméstica por 100 mil habitantes, demonstrando, de acordo
  com o que é registrado pelos órgãos de segurança pública que a taxa de
  crimes de violência doméstica nas regiões Sul de Minas é cerca de 81%
  maior do que na região Norte.</p>
  <p>Tamanha diferença nos números de registros do crime de violência
  doméstica pode estar associada a fatores sócio econômicos, é o que se
  infere de Ribeiro e Sanches (2005), quando ele afirma que a renda e a
  escolaridade são dois indicadores sócio econômicos bastante relevantes
  quando se leva em conta os fatores de influência nas denúncias de
  violência doméstica as autoridades públicas e que, portanto, podem
  apresentar uma possível correlação direta com o número de registros.
  Segundo Ribeiro e Sanches (2005), pessoas mais escolarizadas e com
  maior renda possuem um melhor esclarecimento e menores custos
  associados para realizarem as denúncias, de acordo com estes autores
  em regiões onde os indicadores renda e escolaridade sejam maiores
  acontece um aumento no número de registros e denúncias aos órgãos de
  segurança diante da ocorrência de crimes de violência doméstica; esta
  conclusão pode ser facilmente tomada a partir da comparação entre os
  quadros 1 e 2 apresentados anteriormente.</p>
  <p>A diferença muito relevante no número de registros que aponta o
  índice da violência doméstica como sendo 81% maior na região sul do
  estado em relação à região norte, pode ser associada também ao nível
  de analfabetismo das regiões; conforme o portal Minas em Números
  (2019) a região Sul possui a 6ª menor taxa de analfabetismo do estado
  de Minas Gerais, já a região Norte ao contrário dentre as 17 regiões é
  a 3ª com maior número de pessoas analfabetas no estado. Estes dados
  assim como os de desempregados demonstram uma grande discrepância da
  região Sul em relação à região Norte, enquanto a região Sul apresenta
  uma média de desocupação de 4,77% de sua população, a região Norte
  apresenta 9,05% de desocupação de sua força de trabalho, fatores
  assim, conforme Ribeiro e Sanches (2005) são indicadores sócio
  econômicos que influenciam nas denúncias por parte das vítimas em
  relação ao crime de violência doméstica.</p>
  <p>PIBperCapita é o indicador que mostra a riqueza total de uma região
  dividida pelo número de moradores, tendo a região Sul o 5ª maior PIB
  per capita do Estado enquanto a região Norte aparece apenas a 14ª
  posição dentre as 17 regiões de Minas Gerais, ao se observar este
  indicador os dados apresentados demonstram uma relação direta entre um
  PIBperCapita alto e o alto número de registros de violência doméstica.
  Na região Sul de Minas Gerais o PIBperCapita é cerca de 81% maior do
  que da Região Norte demonstrando um percentual semelhante ao número
  dos registros de crime de violência doméstica na região Sul em relação
  à região Norte que também é de 81%.</p>
  <p>Conforme Ribeiro e Sanches (2005) , as vítimas de violência
  doméstica que tenham uma menor dependência do agressor possuem uma
  maior capacidade de denunciar o crime. O que coincide com os dados da
  violência doméstica registrados e apresentados pelas RISPS em relação
  aos indicadores sócio econômicos das regiões de planeamento
  investigadas.</p>
  <p>O Sul de Minas apresenta a 3ª menor taxa de desemprego do Estado, a
  região Norte por outro lado apresenta a 2ª maior taxa de desemprego,
  ocupando a 16ª posição no ranking das 17 regiões, estes dados do
  desemprego possuem uma aproximação com outro indicador que a taxa de
  pessoas consideradas pobres, conforme a classificação adotada pelo
  governo no site Minas em Números (Minas Gerais, 2019), onde tem-se
  como pobre, quem recebe menos que meio salário mínimo sendo que os
  indicadores apresentam a região Sul de Minas Gerais na 6ª colocação
  dentre as menores taxas de pobreza no Estado, enquanto que a região
  Norte de acordo com a classificação adotada pelo portal governo, é a
  segunda região que concentra o maior número de pessoas pobres do
  Estado, do que se infere ao se comparar estas duas regiões com seus
  indicadores sócio econômicos e registros de violência doméstica que
  existe uma relação de dependência direta entre as denúncias e os
  indicadores mais positivos.</p>
  <p><bold>6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
  <p>A região Sul de Minas, como área administrativa para a gestão da
  segurança pública é coberta espacialmente, não hermeticamente pela 6ª,
  a 17ª e a 18ª (RISP), já a região Norte de Minas tem em seu espaço
  geográfico a 11ª RISP que abrange quase todos os municípios da
  região.</p>
  <p>Apesar das dificuldades para se elaborar o método e o recorte deste
  estudo, principalmente devido às diferenças entre regiões adotadas
  pelo Estado para se definir os indicadores sócio econômicos e as
  regiões integradas para tratar e divulgar os números da segurança
  pública, ainda sim, foi possível por meio de uma análise comparativa
  entre as regiões e a correlação entre a renda, a escolaridade, a
  pobreza, o PIB e a violência doméstica, se obter um resultado
  satisfatório ante o esforço realizado, quando se infere por meio do
  estudo que os registros de violência doméstica são realizados em maior
  número em regiões que tenham indicadores sócio econômicos mais
  favoráveis mostrando uma relação de dependência direta entre rendas
  maiores e maior quantidade de registros de ocorrência de violência
  doméstica..</p>
  <p>As regiões de planejamento foram delimitadas pelo IBGE (2017)
  considerando-se características de similaridades locais nos mais
  diversos setores como econômico, sociais e históricos, chama-se a
  atenção, portanto, que seria de primeira ordem para o governo a
  aceitação da ocorrência da violência doméstica contra a mulher como um
  fenômeno de caráter regional, que acontece em localidades que guardam
  similaridades sócio/econômicas, o que poderia facilitar a visão e as
  tomadas de ação por parte do Estado.</p>
  <p>A violência doméstica é uma modalidade criminosa que foi
  negligenciada ao longo da história ao ser praticada em uma sociedade
  patriarcal e machista que julgava como um direito do homem a agressão
  contra a mulher. A partir de 2006 com a edição de legislação
  específica, a preocupação em prevenir e punir especificamente os
  crimes de violência doméstica passa a ser política de governo e meta
  dentro dos órgãos de segurança pública.</p>
  <p>A literatura e estudos empíricos ainda não pacificou a dinâmica da
  influência de fatores econômico sociais sobre a prática da violência
  doméstica, mas no que diz respeito, ao ato de se realizar a denúncia e
  o registro de tais crimes parece haver uma relação direta entre
  indicadores mais positivos e aumento nos números de registros conforme
  recorte adotado neste trabalho.</p>
  <p>O presente trabalho demonstrou que os números de registro de
  violência doméstica, comparando-se uma região com indicadores mais
  positivos e outra com outros menos positivos apresentam uma relação
  diretamente proporcional no que se refere aos registros oficiais de
  ocorrências desta natureza, necessitando-se, no entanto, de um
  trabalho empírico para verificar a possibilidade de a realidade não
  oficial ser justamente o oposto.</p>
  <p>A região do estado de Minas Gerais que apresenta os maiores índices
  de analfabetismo, pobreza e menor renda é a região que apresenta uma
  taxa expressivamente menor de registros de crimes de violência
  doméstica por 100 mil habitantes quando comparada com uma região que
  apresentam indicadores sócio econômicos mais favoráveis.</p>
  <p>Vale ressaltar que o menor número de registros do crime de
  violência doméstica não representa necessariamente o baixo índice de
  ocorrência podendo representar uma subnotificação dos fatos aos órgãos
  de segurança pública em razão das particularidades.</p>
  <p>Por meio dos dados apresentados e discutidos as contribuições deste
  estudo podem ser a de se constituir para além de uma base e
  direcionamento para outros estudos da mesma natureza, colaborar
  igualmente para chamada de atenção do governo na adoção de políticas
  públicas, na abordagem e no tratamento da violência doméstica como
  fenômeno regional imbricado com outras variáveis, indicadores e
  particularidades e não apenas pelo viés e divisão hermética da
  segurança pública, podendo-se a partir de estudos empíricos
  identificar e delinear melhor o problema.</p>
  <p>Como sugestão para um trabalho futuro, propõe-se que os dados
  condensados e apresentados neste trabalho que foi realizado a partir
  da pesquisa e grupamento dos indicadores e dos crimes de violência
  doméstica possam futuramente serem tratados por meio de uma análise
  estatística regressiva multivariável ou ainda um estudo empírico que
  busque no campo a confrontação com os macro dados apresentados pelo
  governo.</p>
  <p><bold>7 – REFERÊNCIAS</bold></p>
  <p>CERQUEIRA, D. et al. Avaliando a Efetividade da Lei Maria da Penha.
  <bold>Texto para discussão</bold>, Brasília, n. 2048, p. 1-36, mar.
  2015. Disponível em:
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  Acesso em: 11 maio de 2020</p>
  <p>DE ALCÂNTARA, Patrícia Pereira Tavares et al. Perfil da Mulher
  vítima de violência de gênero: um estudo documental. <bold>Revista
  E-Ciência</bold>, v. 6, n. 1, 2018.</p>
  <p>DE LUCENA, Kerle Dayana Tavares et al. Associação entre a violência
  doméstica e a qualidade de vida das mulheres. <bold>Revista
  Latino-Americana de Enfermagem</bold>, v. 25, p. 1-8, 2017.</p>
  <p>DIAS, Isabel. Exclusão social e violência doméstica: que
  relação?. <bold>Sociologia: Revista da Faculdade de Letras da
  Universidade do Porto</bold>, v. 8, 2017.</p>
  <p>IBGE. Censo demográfico 2010. <bold>IBGE: Insituto Brasileiro de
  Geografia e Estatística</bold>, 2010.</p>
  <p>___________ Divisão regional do Brasil em geográficas imediatas e
  regiões geográficas intermediárias 2017. Rio de Janeiro: <bold>IBGE:
  Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística</bold>, 2017.</p>
  <p>MACDONALD, Ziggy. Official crime statistics: their use and
  interpretation. <bold>The Economic Journal,</bold> v. 112, n. 477, p.
  F85-F106, 2002.</p>
  <p>MADALOZZO, Regina; FURTADO, Giovanna Maia. Um estudo sobre a
  vitimização para a cidade de São Paulo. <bold>Brazilian Journal of
  Political Economy</bold>, v. 31, n. 1, p. 160-180, 2011.</p>
  <p>MARTINS, Jayne Cecília. <bold>Determinantes da violência doméstica
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  <p>MINAS GERAIS, Minas em Números. <bold>A situação econômica e Social
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