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<p><bold>Conhecimentos, atitudes e práticas de agentes penitenciários
relacionadas à tuberculose e ao HIV</bold></p>
<p>Autora: Eloisa Luciana Berlt</p>
<p>Mini-Bio: Bacharelado em Farmácia pela Universidade de Santa Cruz do
Sul (UNISC) em janeiro de 2018, bolsista voluntária no Pró-Saúde durante
graduação, cursando Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Hospitalar na
Instituição de Ensino Dom Alberto, farmacêutica hospitalar no Hospital
São Sebastião Mártir.</p>
<p>Titulação: Graduação</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Vera Cruz</p>
<p>Email: eloisaberlt@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-1794-6957">https://orcid.org/0000-0002-1794-6957</ext-link></p>
<p>Nome:Caroline Busatto</p>
<p>Mini-Bio: Possui graduação em Farmácia pela Universidade de Santa
Cruz do Sul (2015), Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade
Federal do Rio Grande (2018), com ênfase em identificação de
Micobactérias não tuberculosas (MNT). Atualmente é estudante de
doutorado em Ciências da saúde pela Universidade de Federal do Rio
Grande (FURG), com ênfase em Tuberculose prisional, diagnóstico de
Tuberculose e Micobactérias não tuberculosas (MNT).</p>
<p>Titulação: Mestre</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Rio Grande</p>
<p>E-mail: caroline-busatto@hotmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-3463-9390">https://orcid.org/0000-0003-3463-9390</ext-link></p>
<p>Autor: Thiago Nascimento do Prado</p>
<p>Mini-Bio: Enfermeiro e doutor em Doenças Infecciosas pela
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Professor do
departamento de Enfermagem da UFES. Principais áreas de interesse:
Epidemiologia das doenças transmissíveis, saúde global e saúde da
população negra.</p>
<p>Titulação: Doutor</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Espírito Santo</p>
<p>Cidade: Vitória</p>
<p>Email: thiagonprado@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-8132-6288">https://orcid.org/0000-0001-8132-6288</ext-link></p>
<p>Nome:Fabiana Colombelli</p>
<p>Mini-Bio: Graduação em Fisioterapia, Mestrado em Ensino.</p>
<p>Titulação: Mestre</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Paraná</p>
<p>Cidade: Foz do Iguaçu</p>
<p>Email: fabiana.colombelli@hotmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-6762-6855">https://orcid.org/0000-0002-6762-6855</ext-link></p>
<p>Nome: Reinaldo Antonio Silva Sobrinho</p>
<p>Mini-Bio: Doutor em ciências, área de saúde pública pela Universidade
de São Paulo - USP. Professor Associado na Universidade Estadual do
Oeste do Paraná. Pesquisador junto ao Programa de Pós Graduação em Saúde
pública em região de fronteira -Unioeste.</p>
<p>Titulação: Doutor</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Paraná</p>
<p>Cidade: Foz do Iguaçu</p>
<p>Email: reisobrinho@yahoo.com.br</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-0421-4447">https://orcid.org/0000-0003-0421-4447</ext-link></p>
<p>Nome: Karine Zanatti Ely</p>
<p>Mini-Bio: Enfermeira, Sanitarista, Mestre em Promoção da Saúde e
Doutoranda em Promoção da Saúde.</p>
<p>Titulação: Doutoranda</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Gravataí</p>
<p>Email: karine-ely@saude.rs.gov.br</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-1692-5556">https://orcid.org/0000-0002-1692-5556</ext-link></p>
<p>Nome: Elisangela dos Santos</p>
<p>Mini-Bio: Acadêmica do 10º semestre do curso de Enfermagem/UNISC.
Atuou como bolsista de Iniciação Científica do tipo PIBIC/CNPq no Centro
de Pesquisa e Treinamento em Biotecnologia. Atualmente é estagiária de
Enfermagem na Secretaria Municipal de Saúde de Santa Cruz do Sul.</p>
<p>Titulação: Graduação em andamento</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Santa Cruz do Sul</p>
<p>Email: elisangelasant2015@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-0355-6851">https://orcid.org/0000-0002-0355-6851</ext-link></p>
<p>Nome: Pauline Schwarzbold</p>
<p>Mini-Bio: Psicóloga (UNISC/RS), Especialista em Atenção Básica pela
Escola de Saúde Pública (ESP/RS), Especialista em Atenção Básica pela
Universidade de Brasília (UnB), Especialista em Gestão do Sistema
Prisional pela Universidade Cândido Mendes (UCAM); servidora pública da
Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE/RS).</p>
<p>Titulação: Especialista</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Venâncio Aires</p>
<p>Email: pauline.schwarzbold@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-7873-0682">https://orcid.org/0000-0002-7873-0682</ext-link></p>
<p>Nome: Lia Gonçalves Possuelo</p>
<p>Mini-Bio: Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas: Bioquímica
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2004/2008). Professora
titular da Universidade de Santa Cruz do Sul, docente do corpo
permanente do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da UNISC.
Desenvolve pesquisas nas seguintes áreas: Vigilância em Saúde, Saúde
prisional e Oncogenética. Editora chefe da Revista de Epidemiologia e
Controle de Infecção e membro da Rede Brasileira de Pesquisa em
Tuberculose (REDE TB).</p>
<p>Titulação: Doutora</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio Grande do Sul</p>
<p>Cidade: Santa Cruz Do Sul</p>
<p>Email: liapossuelo@gmail.com</p>
<p>ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-6425-3678">https://orcid.org/0000-0002-6425-3678</ext-link></p>
<p>Contribuição dos autores: Eloisa Luciana Berlt e Lia Gonçalves
Possuelo contribuíram para a concepção e delineamento do estudo. Eloisa
Luciana Berlt, Karine Zanatti Ely, Elisangela dos Santos, Caroline
Busatto e Pauline Schwarzbold contribuíram para a análise, interpretação
dos dados, redação e submissão do manuscrito. Thiago Nascimento do
Prado, Fabiana Colombelli, Reinaldo A. Silva-Sobrinho, Lia Gonçalves
Possuelo contribuíram para a análise e interpretação dos dados, redação
e revisão crítica do manuscrito.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Determinar o perfil sociodemográfico dos agentes penitenciários da 8ª
Delegacia Penitenciária Regional, de Santa Cruz do Sul – RS, identificar
seus conhecimentos, atitudes e práticas em relação à tuberculose e HIV.
<bold>Método</bold>: realizou-se um estudo transversal a partir de dados
obtidos através de questionário autoaplicável baseado no método
<italic>Knowledge, Attitude and Practice.</italic>
<bold>Resultados</bold>: Dos 185 participantes 72,4% eram homens, 26,5%
eram mulheres. 54,9% classificaram a tuberculose como grave, 96,1%
acreditam que é curável, 86,9% gostariam de mais informações sobre
tuberculose. 58,5% dos entrevistados nunca realizou um teste rápido para
HIV, 17,2% não sabem se uma pessoa em tratamento para HIV tem menos
risco de transmitir o vírus, 26,6% afirmaram ter usado preservativo na
última relação sexual. <bold>Conclusão:</bold> Os resultados obtidos,
demostraram que os conhecimentos, atitudes e práticas dos agentes
penitenciários em relação à tuberculose e HIV são satisfatórios, porém
percebe-se que as práticas sexuais não são condizentes com os
conhecimentos demonstrados<bold>.</bold></p>
<p><bold>Palavras chave</bold>: Tuberculose, HIV, Agentes
Penitenciários, educação Permanente, KAP.</p>
<p>Knowledge, attitudes and practices of penitentiary agents related to
tuberculosis and HIV</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p>Identify the sociodemographic profile of prison staff at the 8th
Regional Penitentiary Police Station in Santa Cruz do Sul - RS, and
identify their knowledge, attitudes and practices in relation to
tuberculosis and HIV. A prospective cross-sectional study was carried
out based on data obtained through a self-administered questionnaire
based on the Knowledge, Attitude and Practice (KAP) method. Of the 185
participants, 72.4% were men, 26.5% were women. 54.9% rated tuberculosis
as severe, 96.1% believe it is curable, 86.9% would like more
information about tuberculosis. 58.5% of respondents never had a rapid
HIV test, 17.2% do not know if a person undergoing HIV treatment is at
less risk of transmitting the virus, 26.6% said they had used a condom
during their last sexual intercourse. The results obtained showed that
the knowledge, attitudes and practices of prison officers in relation to
tuberculosis and HIV are satisfactory, however, it is clear that sexual
practices are not consistent with the knowledge shown.</p>
<p><bold>Keywords:</bold> Tuberculosis. HIV. Prison officers. Permanent
Education. KAP</p>
<p>DOI:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1183">https://doi.org/10.31060/rbsp.2021.v15.n1.1183</ext-link></p>
<p>Data de recebimento: 08/07/2019</p>
<p>Data de aprovação: 12/06/2020</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>A superlotação é considerada um dos mais importantes agravos de saúde
nas instituições penais, pois culmina em condições precárias de higiene,
falta de saneamento, habitabilidade extremamente desfavorável (celas
pequenas, mal iluminadas e pouco ventiladas), aumentando
consideravelmente a transmissão de doenças infectocontagiosas, como a
tuberculose (TB)<sup>1</sup>. O <italic>Mycobacterium
tuberculosis</italic>, principal agente causador da TB, tem como
principal fonte de transmissão a via aérea, a partir da inalação de
gotículas de saliva expelidas durante a fala, espirro e tosse de doentes
bacilíferos.</p>
<p>A falta de controle na transmissão do <italic>M.
tuberculosis</italic> nas prisões é um problema de proporções mundiais,
onde as principais barreiras encontradas são a interrupção no
fornecimento de medicamentos, resistência a medicamentos, falta de
acompanhamento direto durante o tratamento, alta taxa de encarceramento,
atenção limitada a comorbidades como HIV e hepatite, falta de
continuidade dos cuidados aos presos após sua liberação<sup>2</sup>.</p>
<p>Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5 a 15% das pessoas
infectadas pelo <italic>M. tuberculosis</italic> irão desenvolver a
doença ao decorrer de sua vida, mas entre os indivíduos infectados pelo
HIV a probabilidade de desenvolver TB é bem maior<sup>3</sup>. A
coinfecção TB/HIV é um forte fator associado ao aumento dos índices de
mortalidade e de acordo com o Ministério da Saúde (MS) portadores de HIV
apresentam de 21 a 34 vezes mais chances de desenvolver TB ativa do que
a população geral. É comum o diagnóstico de HIV acontecer durante o
percurso da TB <sup>4</sup>.</p>
<p>Aproximadamente 36,7 milhões de pessoas em 2016 eram portadoras de
HIV no mundo, mas a AIDS, de forma geral, vem apresentando uma
diminuição no número de óbitos devido à terapia
antirretroviral<sup>5,6</sup>. A principal via de contágio e transmissão
do HIV continua sendo a sexual, apesar de todas as campanhas promovidas
pelos órgãos de saúde<sup>7</sup>. Nas instituições penais (IP), a
prevalência global estimada de HIV é de 3%, chegando a ser 15 vezes
superior quando relacionada à população geral adulta<sup>8</sup>.</p>
<p>A pesquisa <italic>Knowledge, Attitude and Practice</italic> (KAP)
pode revelar aspectos importantes sobre conhecimentos, atitudes e
práticas relacionadas à TB/HIV entre funcionários de instituições
penais. Foram identificadas diferenças significativas quanto ao
conhecimento entre detentos e funcionários de presídios, destacando que
o conhecimento é imprescindível e pode influenciar diretamente nas
práticas relacionadas à prevenção de várias doenças, evidenciando a
importância de estratégias de educação em saúde para o devido repasse do
conhecimento nas prisões<sup>9</sup>.</p>
<p>A Educação Permanente (EP), preconizada pelo Ministério da Saúde
(MS), deve ser pensada e organizada no cotidiano das organizações,
propiciando que processos educacionais para trabalhadores aconteçam com
base na aprendizagem significativa e na transformação das práticas
profissionais, atendendo às necessidades de formação e desenvolvimento
dos trabalhadores em conformidade com necessidades da população de forma
atual e contínua<sup>10, 11</sup>.</p>
<p>Os agentes penitenciários (AP) mantêm contato diário com os detentos
e são profissionais com maior risco de contágio. Os AP precisam ser
devidamente capacitados e plenamente esclarecidos quanto aos riscos de
contágio destas doenças para que possam atuar de forma preventiva e na
promoção da saúde nas IP, colaborando na identificação precoce de sinais
e sintomas. Os gestores de IP apoiam a EP e a consideram extremamente
importante, afirmando que não haverá êxito na promoção da saúde se não
houver educação de forma contínua e atualizada<sup>12, 13</sup>.</p>
<p>Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi identificar o perfil
sociodemográfico e verificar quais os conhecimentos, atitudes e práticas
de agentes penitenciários da 8ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR),
em relação à prevenção e controle da TB e do HIV.</p>
<p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
<p>Foi realizado um estudo transversal nas treze instituições penais
vinculadas a 8ª DPR, sediada no município de Santa Cruz do Sul – RS,
município no qual está sediada a Universidade de Santa Cruz do Sul
(UNISC), o que motivou a eleição da região para a condução da
pesquisa.</p>
<p>O cenário de investigação foi definido em junho de 2018, durante
reunião com a direção da 8ª DPR para aprovação do projeto de pesquisa.
Nesta ocasião foi definido o recrutamento de funcionários que
apresentassem interesse em atuar como facilitadores no andamento da
pesquisa, proporcionando abrangência de todas as instituições penais
vinculadas a 8ª DPR.</p>
<p>A pesquisa, portanto, foi direcionada a totalidade da população de
AP, (282) atuantes na 8ª DPR. Os participantes da pesquisa, de forma
voluntária, receberam um questionário <italic>Knowledge, Attitude and
Practice</italic> (KAP) impresso, adaptado, autoaplicável, com questões
abertas e fechadas. Os questionários chegaram aos AP por meio dos
facilitadores, grupo composto por 11 Assistentes Sociais e 11 Psicólogos
que foram prévia e devidamente capacitados pelas autoras, recebendo
todas as informações pertinentes em relação à coleta de dados, ficando
responsáveis pela guarda dos materiais, garantindo o sigilo e a
confidencialidade. Coube a eles transmitir aos entrevistados os
objetivos do projeto, a ressalva referente à importância do
preenchimento das questões de forma individual e sem consulta a
materiais informativos, pois se tratava da obtenção de informações
referentes a conhecimentos, atitudes e práticas dos participantes no
momento da entrevista. Também ficaram responsáveis pelo recolhimento e
devolução dos questionários às pesquisadoras.</p>
<p>Foram incluídos todos os AP que concordaram em participar do estudo e
excluídos os sujeitos que não estiveram em serviço nos dias da
realização da coleta de dados, por motivo de afastamento, licença,
férias ou que não realizaram a devolução dos questionários.</p>
<p>Os questionários KAP, desprovidos de identificação nominal, foram
divididos em duas seções, a primeira com questionamentos referentes ao
perfil sociodemográfico dos entrevistados, conhecimentos, atitudes e
práticas destes relacionadas à TB. A segunda seção era referente aos
conhecimentos, atitudes e práticas dos entrevistados em relação ao
HIV.</p>
<p> A coleta dos dados ocorreu durante o período de 15 de agosto de 2018
a 17 de setembro de 2018, após sua finalização os mesmos foram tabulados
em banco de dados eletrônico no programa Microsoft® Excel 2010 (Sistema
Operacional Windows 2010, Microsoft Corporation Inc.). As análises
descritivas e univariadas foram realizadas no software estatístico SPSS
(v. 25.0). Os valores foram expressos como números absolutos e
percentuais. Comparações de variáveis qualitativas foram realizadas
através do teste qui-quadrado. Valores de p&lt;0,05 foram considerados
significativos.</p>
<p><bold>Aspectos Éticos</bold></p>
<p>Os entrevistados concordaram em participar do estudo e assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) no qual tiveram
assegurados o sigilo, a confidencialidade e a preservação da identidade,
respeitando a legislação sobre ética em pesquisa envolvendo seres
humanos.</p>
<p>O estudo foi autorizado pela comissão de avaliação de projetos da
Educação Permanente em Saúde da Escola Penitenciária da Superintendência
de Serviços Penitenciários (SUSEPE), e autorizado pelo Comitê de Ética e
Pesquisa da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), CAAE:
93226318.4.0000.5343, Nº do Parecer: 2.773.904, atendendo a Resolução
466/2012<sup>14</sup>.</p>
<p><bold>RESULTADOS</bold></p>
<sec id="características-sociodemográficas-dos-agentes-penitenciários-da-8ª-delegacia-penitenciária-regional">
  <title>Características sociodemográficas dos agentes penitenciários da
  8ª Delegacia Penitenciária Regional </title>
  <p>Um total de 185 (65,6%) participantes foram incluídos, 73,2% eram
  homens (p=0,04). A idade média foi de 37,9 anos, sendo a idade mínima
  de 24 anos e a máxima de 57 anos. 45,9% dos entrevistados atuam entre
  3 e 5 anos como AP, e 25,1% agentes desempenham essa função há mais de
  10 anos. Escolaridade, tempo de atuação como AP e capacitações de
  acordo com o sexo dos AP estão representados na Tabela 1.</p>
  <p>Um total de 65,3% dos AP têm ensino superior completo ou em
  andamento, 45,9% tem entre 3 e 5 anos de atuação, e realizaram curso
  de capacitação após a contratação, sendo que o tema TB não esteve
  presente nas capacitações da maioria dos participantes. Além disso,
  não houve diferenças significativas entre homens e mulheres em relação
  a escolaridade, tempo de atuação como AP e 53,7% relatam ter realizado
  cursos de capacitação após a contratação.</p>
  <p><bold>Tabela 1 – Dados sociodemográficos dos agentes penitenciários
  da 8ª Delegacia Penitenciária Regional participantes do
  estudo</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th></th>
        <th><p>Homens</p>
        <p>N (%)</p></th>
        <th><p>Mulheres</p>
        <p>N (%)</p></th>
        <th><p>Total</p>
        <p>N (%)</p></th>
        <th><italic>P*</italic></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>Escolaridade</td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ensino fundamental</td>
        <td>1 (0,8)</td>
        <td>-</td>
        <td>1 (0,6)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ensino médio</td>
        <td>33 (25,8)</td>
        <td>9 (18,8)</td>
        <td>42 (23,9)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Ensino superior completo/incompleto</td>
        <td>80 (62,5)</td>
        <td>35 (72,9)</td>
        <td>115 (65,3)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Pós-graduação</td>
        <td>14 (10,9)</td>
        <td>4 (8,3)</td>
        <td>18 (10,2)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tempo de atuação como AP</td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>&gt;de 3 anos</td>
        <td>7 (5,2)</td>
        <td>1 (2,0)</td>
        <td>8 (4,4)</td>
        <td>0,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Entre 3e 5 anos</td>
        <td>59 (44,0)</td>
        <td>25 (51,0)</td>
        <td>84 (45,9)</td>
        <td>0,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Entre 5 e 10 anos</td>
        <td>33 (24,6)</td>
        <td>12 (24,5)</td>
        <td>45 (24,6)</td>
        <td>0,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>&lt;de 10 anos</td>
        <td>35 (26,1)</td>
        <td>11 (22,4)</td>
        <td>46 (25,1)</td>
        <td>0,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Fez curso de capacitação após sua contratação</td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim, há menos de 2 anos</td>
        <td>38 (28,8)</td>
        <td>13 (26,5)</td>
        <td>51 (28,2)</td>
        <td>0,9</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim, entre 2 e 5 anos</td>
        <td>21 (15,9)</td>
        <td>7 (14,3)</td>
        <td>28 (15,5)</td>
        <td>0,9</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim, há + de 5 anos</td>
        <td>13 (9,8)</td>
        <td>6 (12,2)</td>
        <td>16 (10,5)</td>
        <td>0,9</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Nas capacitações o tema TB foi abordado</td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>8 (9,3)</td>
        <td>4 (12,9)</td>
        <td>12 (10,3)</td>
        <td>0,3</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>78 (90,7)</td>
        <td>27 (87,1)</td>
        <td>105 (89,7)</td>
        <td>0,3</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>*teste de qui quadrado</p>
  <p><bold>Conhecimentos, atitudes e práticas dos agentes penitenciários
  da 8ª Delegacia Penitenciária Regional em relação à TB</bold></p>
  <p>Na Tabela 2 encontram-se relacionados os dados sobre conhecimentos
  dos AP em relação à TB, mais da metade dos AP reconhece a TB como
  sendo uma doença grave e reconhecem os sintomas corretos da doença. Há
  dúvidas sobre a forma de transmissão e como evitar o contágio por TB,
  pois muitos acreditam que o contágio pode ser evitado lavando as mãos
  após tocar itens públicos e evitando o compartilhamento de talheres.
  Compreendem que a TB é curável e as principais ações para o controle
  da doença; reconhecem sua vulnerabilidade para o contágio da
  tuberculose e buscariam tratamento em caso de adoecimento. Não houve
  diferença significativa, quando comparados homens e mulheres para a
  maioria das respostas, entretanto as mulheres demostraram uma maior
  preocupação relacionada à prevenção (p=0,05) e os homens relatam em
  maior frequência e de forma equivocada que a transmissão pode ocorrer
  através do aperto de mãos (p=0,05). Cabe destacar que 56,2% dos AP não
  se consideram bem informados quanto a TB e 86,9%, gostariam de receber
  mais informações.</p>
  <p><bold>Tabela 2 – Conhecimentos, atitudes e práticas dos agentes
  penitenciários da 8ª Delegacia Penitenciária Regional em relação à
  tuberculose</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Gravidade da TB</bold></th>
        <th><p><bold>Homens</bold></p>
        <p><bold>N (%)</bold></p></th>
        <th><p><bold>Mulheres</bold></p>
        <p><bold>N (%)</bold></p></th>
        <th><p><bold>Total</bold></p>
        <p><bold>N (%)</bold></p></th>
        <th><italic><bold>p*</bold></italic></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>Grave</td>
        <td>69 (51,9)</td>
        <td>31 (63,3)</td>
        <td>100 (54,9)</td>
        <td>0,2</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Muito grave</td>
        <td>59 (44,4)</td>
        <td>16 (32,7)</td>
        <td>75 (41,2)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Sintomas de TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tosse seca</td>
        <td>76 (59,8)</td>
        <td>25 (52,1)</td>
        <td>101 (57,7)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tosse com catarro</td>
        <td>97 (74,6)</td>
        <td>34 (69,4)</td>
        <td>131 (73,2)</td>
        <td>0,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tosse superior a 3 semanas</td>
        <td>113 (86,3)</td>
        <td>44 (93,6)</td>
        <td>157 (88,2)</td>
        <td>0,1</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tosse com sangue</td>
        <td>109 (83,2)</td>
        <td>42 (87,5)</td>
        <td>151 (84,4)</td>
        <td>0,8</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Perda de peso</td>
        <td>117 (88,6)</td>
        <td>43 (87,8)</td>
        <td>160 (88,4)</td>
        <td>0,2</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Febre superior a 7 dias</td>
        <td>76 (57,6)</td>
        <td>25 (53,2)</td>
        <td>101 (56,4)</td>
        <td>0,4</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Como ocorre a transmissão da TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Através de apertos de mão</td>
        <td>31 (23,5)</td>
        <td>5 (10,4)</td>
        <td>36 (20,0)</td>
        <td>0,05</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Pelo ar quando doente tosse ou espirra</td>
        <td>125 (94,0)</td>
        <td>45 (91,8)</td>
        <td>170 (93,4)</td>
        <td>0,2</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Contato sexual</td>
        <td>17 (13,2)</td>
        <td>8 (17,0)</td>
        <td>25 (14,2)</td>
        <td>0,2</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Contato com saliva</td>
        <td>100 (75,8)</td>
        <td>33 (70,2)</td>
        <td>133 (74,3)</td>
        <td>0,3</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tocando itens públicos</td>
        <td>39 (29,5)</td>
        <td>7 (14,6)</td>
        <td>46 (25,6)</td>
        <td>0,1</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Como evitar o contágio por TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Cobrindo o nariz e a boca ao espirrar</td>
        <td>110 (83,3)</td>
        <td>42 (87,5)</td>
        <td>152 (84,4)</td>
        <td>0,5</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Evitando compartilhar talheres</td>
        <td>94(72,3)</td>
        <td>38 (77,6)</td>
        <td>132 (73,7)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Lavando as mãos ao tocar itens públicos</td>
        <td>100 (76,9)</td>
        <td>34 (69,4)</td>
        <td>134 (74,9)</td>
        <td>0,1</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Evitando ficar onde há pessoas com TB</td>
        <td>116 (88,5)</td>
        <td>46 (93,9)</td>
        <td>162 (90,0)</td>
        <td>0,5</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>TB tem cura</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>128 (97,0)</td>
        <td>46 (93,9)</td>
        <td>174 (96,1)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Ações prioritárias para o controle da TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Busca ativa de sintomáticos respiratórios</td>
        <td>94 (75,2)</td>
        <td>29 (72,5)</td>
        <td>123 (74,5)</td>
        <td>0,9</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Solicitação de baciloscopia de escarro</td>
        <td>114 (90,5)</td>
        <td>46 (93,9)</td>
        <td>160 (91,4)</td>
        <td>0,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Notificação de casos confirmados</td>
        <td>114 (90,2)</td>
        <td>47 (95,7)</td>
        <td>161 (92,0)</td>
        <td>0,2</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Controle dos contatos</td>
        <td>102 (83,6)</td>
        <td>40 (88,9)</td>
        <td>142 (85,0)</td>
        <td>0,4</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Você acha que pode contrair TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>124 (96,9)</td>
        <td>45 (95,7)</td>
        <td>169 (96,6)</td>
        <td>0,5</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Se sim, por que</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Local de trabalho/Contato/Convívio</td>
        <td>-</td>
        <td>-</td>
        <td>174 (95,1)</td>
        <td>0,5</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>A primeira coisa que faria se estivesse com sintomas
        da TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Iria a Unidade de Saúde</td>
        <td>73 (54,5)</td>
        <td>22 (44,9)</td>
        <td>95 (51,3)</td>
        <td>0,09</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Consultaria com um médico</td>
        <td>79 (59,0)</td>
        <td>36 (73,5)</td>
        <td>115 (62,1)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Qual o custo do diagnóstico e tratamento de TB no
        Brasil</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Gratuito</td>
        <td>95 (74,8)</td>
        <td>39 (79,6)</td>
        <td>134 (76,1)</td>
        <td>0,3</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não sei</td>
        <td>32 (25,2)</td>
        <td>10 (20,4)</td>
        <td>43 (23,9)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Qual seu sentimento em relação às pessoas com
        TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Nenhum especial</td>
        <td>90 (67,2)</td>
        <td>28 (57,1)</td>
        <td>118 (64,5)</td>
        <td>0,05</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Tem medo, pois podem lhe contaminar</td>
        <td>6 (4,5)</td>
        <td>8 (16,3)</td>
        <td>14 (7,7)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sente compaixão e desejo de ajudar</td>
        <td>24 (17,9)</td>
        <td>7 (14,3)</td>
        <td>31 (16,9)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Pessoas com HIV devem se preocupar mais com a
        TB</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>127 (99,2)</td>
        <td>48 (98,0)</td>
        <td>175 (98,9)</td>
        <td>0,5</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <disp-quote>
    <p>*teste de qui-quadrado</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="conhecimentos-atitudes-e-práticas-dos-ap-em-relação-ao-hiv">
  <title>Conhecimentos, atitudes e práticas dos AP em relação ao
  HIV</title>
  <p>Referente ao HIV, a maioria concorda 80,2% dos AP consideram
  correta a afirmação de que o risco de transmissão pode ser reduzido se
  houver sexo apenas com parceiro fiel e não infectado. Consideram o uso
  de preservativo a melhor forma de prevenção durante a relação sexual e
  entendem que não existe cura para AIDS. Desconhecem o fato do
  tratamento medicamentoso para o HIV reduzir a probabilidade de
  transmissão do vírus. Muitos AP relatam já terem disso testado para
  HIV, mas poucos realizaram o teste rápido. Alguns acreditam que não
  têm nenhum risco de contrair HIV e poucos consideraram seu risco de
  contágio alto. O comportamento de risco, não utilizando preservativo
  na última relação sexual, inclusive com parceiros casuais está
  presente tanto no grupo de homens como no das mulheres (Tabela 3).</p>
  <p><bold>Tabela 3 – Conhecimentos, atitudes e práticas dos agentes
  penitenciários da 8ª Delegacia Penitenciária Regional em relação ao
  HIV</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <tbody>
      <tr>
        <td></td>
        <td><p><bold>Homens</bold></p>
        <p><bold>N (%)</bold></p></td>
        <td><p><bold>Mulheres</bold></p>
        <p><bold>N (%)</bold></p></td>
        <td><p><bold>Total</bold></p>
        <p><bold>N (%)</bold></p></td>
        <td><italic><bold>P*</bold></italic></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>O risco de transmissão de HIV é reduzido se houver
        sexo somente com parceiro fiel não infectado</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>109 (83,8)</td>
        <td>33 (70,2)</td>
        <td>142 (80,2)</td>
        <td>0,1</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>19 (14,6)</td>
        <td>13 (27,7)</td>
        <td>32 (18,1)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Uma pessoa com aparência saudável pode</bold>
        <bold>ter HIV</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>124 (96,9)</td>
        <td>46 (9,9)</td>
        <td>170 (97,1)</td>
        <td>0,8</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>O uso de preservativo é a melhor forma de evitar o HIV
        durante a relação sexual</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>128 (98,5)</td>
        <td>47 (100)</td>
        <td>175 (98,9)</td>
        <td>0,7</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Existe cura para AIDS</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>111 (88,8)</td>
        <td>45 (95,7)</td>
        <td>156 (90,7)</td>
        <td>0,2</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Você alguma vez já fez teste para HIV</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>102 (79,1)</td>
        <td>45 (95,7)</td>
        <td>147 (83,5)</td>
        <td>0,03</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>20 (15,5)</td>
        <td>2 (4,3)</td>
        <td>22 (12,5)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Como você avalia seu risco de contrair HIV</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Nenhum</td>
        <td>16 (12,7)</td>
        <td>5 (11,1)</td>
        <td>21 (12,3)</td>
        <td>0,6</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Baixo</td>
        <td>80 (63,5)</td>
        <td>33 (73,3)</td>
        <td>113 (66,1)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Médio</td>
        <td>22 (17,5)</td>
        <td>6 (13,3)</td>
        <td>28 (16,4)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Alto</td>
        <td>8 (6,3)</td>
        <td>1 (2,2)</td>
        <td>9 (5,3)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Uma pessoa em tratamento para HIV tem menos
        possibilidade de transmitir o vírus</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>45 (35,4)</td>
        <td>15 (31,9)</td>
        <td>60 (34,5)</td>
        <td>0,4</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>63 (49,6)</td>
        <td>21 (44,7)</td>
        <td>84 (48,3)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Você já teve mais de dez parceiros sexuais em sua
        vida</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>91 (75,8)</td>
        <td>6 (14,6)</td>
        <td>97 (60,2)</td>
        <td>&lt;0,001</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>22 (18,3)</td>
        <td>29 (70,7)</td>
        <td>51 (31,7)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não lembra/Não quer responder</td>
        <td>7 (5,8)</td>
        <td>6 (14,6)</td>
        <td>13 (8,1)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Você teve relações sexuais com parceiros
        casuais</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>35 (44,3)</td>
        <td>6 (26,1)</td>
        <td>41 (40,2)</td>
        <td>0,3</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>41 (51,9)</td>
        <td>16 (69,6)</td>
        <td>57 (55,9)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Você teve relações sexuais com parceiros casuais e
        fixos no mesmo período de tempo</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>13 (19,4)</td>
        <td>1 (5,9)</td>
        <td>14 (16,7)</td>
        <td>0,3</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>46 (68,7)</td>
        <td>15 (88,2)</td>
        <td>61 (72,6)</td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Na última relação sexual usaram
        preservativo</bold></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sim</td>
        <td>30 (25,6)</td>
        <td>12 (29,3)</td>
        <td>42 (26,6)</td>
        <td>0,9</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não</td>
        <td>84 (71,8)</td>
        <td>28 (68,3)</td>
        <td>112 (70,9)</td>
        <td></td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <disp-quote>
    <p>*teste de qui-quadrado</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="discussão">
  <title>DISCUSSÃO</title>
  <p>A maioria dos participantes do estudo foi composta por homens com
  idade média de 37,9 anos. De acordo com a Lei de Execução Penal Nº
  7.210, de 11 de julho de 1984, em estabelecimentos penais para
  mulheres não são permitidos profissionais de custódia do sexo
  oposto<sup>14</sup>, para instituições masculinas não existe uma
  legislação específica, mas subentende-se que deva seguir a mesma
  determinação. Outro fator que pode estar relacionado ao predomínio do
  sexo masculino é o perigo da profissão e o vínculo desta com as
  características de controle exigidas, que impõe o uso de conduta por
  vezes violenta<sup>15-17</sup>. O alto nível de escolaridade reflete
  imposição da legislação do estado do Rio Grande do Sul, que exige
  nível superior para os AP responsáveis pelos serviços de vigilância,
  custódia e segurança de presos<sup>18</sup>. Estudo semelhante,
  conduzido no estado de Goiás<sup>16</sup>, também identificou maioria
  dos AP com ensino superior completo.</p>
  <p>A maioria dos AP relataram não ter participado de nenhum curso de
  capacitação após sua contratação, indicando de que o repasse de
  informações dentro das IP possa estar ocorrendo de forma insuficiente.
  A Matriz Curricular Nacional Para a Educação em Serviços
  Penitenciários ressalta a importância de atualizar e adequar às
  competências, habilidades, práticas e saberes dos servidores
  penitenciários, para que os conhecimentos destes profissionais possam
  ser devidamente empregados na prática diária e na priorização de
  estratégias de prevenção, incorporando os AP como promotores de saúde
  dentro das instituições<sup>19</sup>. O tema TB, de acordo com 89,7%
  dos entrevistados, não foi abordado nas capacitações posteriores à sua
  contratação, o mesmo se repete em Hortolândia/SP<sup>9</sup>. No
  estado de Goiás apenas 10% dos entrevistados mencionaram participação
  em até três capacitações após sua contratação<sup>16</sup>, reforçando
  a teoria da falta de disseminação de conhecimentos dentro das IP.
  Desta forma, a hipótese de que o perfil sociodemográfico dos AP da 8ª
  DPR fosse semelhante ao de outras regiões foi confirmado, conforme
  pode ser observado em outros relatos <sup>9, 16, 20</sup>.</p>
  <p>A TB é vista no mundo todo como um grave problema de saúde pública
  e de acordo com a OMS causa mais óbitos que o HIV. Somente em 2016
  mais de 10 milhões de pessoas contraíram TB no mundo e aproximadamente
  1,3 milhões morreram em decorrência da doença<sup>21, 22</sup>. Neste
  estudo, a maioria dos participantes reconhecia a gravidade da doença,
  resultado semelhante ao observado em outros
  estudos<sup>9,23-25</sup>.</p>
  <p>Em relação ao conhecimento sobre os sintomas da TB, observou-se
  alta frequência de respostas corretas. De acordo com o MS, os
  principais são: tosse persistente, produtiva ou não, febre vespertina,
  sudorese noturna e emagrecimento <sup>26</sup>. Na China, 16,0% da
  população geral entrevistada cita a tosse prolongada<sup>25</sup>,
  contrastando com nossos dados onde 88,2% citaram a tosse superior a 3
  semanas.</p>
  <p>A TB pulmonar, principalmente a bacilífera, é responsável pela
  cadeia de transmissão, que ocorre através da via
  aérea<sup>26,27</sup>. Na questão referente às formas de transmissão,
  93,4% responderam corretamente este questionamento. Foi possível
  observar uma diferença significativa entre os homens e mulheres
  referente à probabilidade de transmissão através de aperto de mão. Um
  percentual de 74,3% dos participantes declarou erroneamente a
  possibilidade de transmissão através do contato com a saliva de
  doentes e 25,6% tocando itens públicos. Afirmações semelhantes
  aparecem descritas por outros autores<sup>22,28</sup>, demonstrando
  que existe falta de informações, principalmente em relação às formas
  de transmissão da TB. De acordo com o MS a transmissibilidade da TB
  inicia juntamente com os primeiros sintomas respiratórios e 15 dias
  após o início do tratamento, se houver a melhora clínica do paciente,
  finda o período de transmissão<sup>26,27,29</sup>. Este dado foi
  apontado acertadamente por 58,1% dos entrevistados.</p>
  <p>Em relação às formas de prevenção da TB, 73,7% e 74,9%,
  respectivamente, acreditam que não compartilhar talheres e lavar as
  mãos após tocar itens públicos, são formas de evitar a doença. Porém,
  o contágio não se dá por contato de superfícies e fômites e sim por
  inalação de bacilos expelidos por portadores de TB
  ativa<sup>26,27,29</sup>. A afirmativa de que a TB pode ser evitada
  cobrindo a boca e o nariz ao espirrar foi mencionada por 84,4% dos
  participantes, esta, na verdade se trata de uma medida preventiva de
  transmissão, e deve ser adotada por indivíduos com TB bacilífera. Em
  estudo realizado em Hortolândia/SP afirmativas errôneas também foram
  mencionadas<sup>9</sup>. Quando questionados a respeito da cura da TB,
  96,1% responderam que é uma doença curável, em outras pesquisas essa
  afirmativa também se repete<sup>21,25,30</sup>.</p>
  <p>A busca ativa de Sintomáticos Respiratórios (SR) é recomendada pela
  OMS que preconiza que esta ação deva ser realizada de forma permanente
  a fim de interromper a cadeia de transmissão da TB, devendo ser
  tratada como ação prioritária, pois é extremamente importante para
  redução da incidência da doença. Da mesma forma, é fundamental a
  solicitação de baciloscopia e cultura de escarro para confirmação de
  casos suspeitos e a notificação de todos os casos identificados
  através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação
  (SINAN)<sup>26,32-33</sup>. Os AP citaram a identificação de SR,
  notificação de casos de TB, controle de contatos e solicitação de
  baciloscopia como ações prioritárias de controle da doença no sistema
  prisional. O controle de contatos é uma estratégia fundamental para
  prevenir o adoecimento e otimizar o diagnóstico precoce de casos de
  TB.<sup>33,35</sup></p>
  <p>Quanto ao HIV, 97,1% dos entrevistados concordaram que uma pessoa
  com aparência saudável pode ser portadora do vírus, e a maioria admite
  que o risco de transmissão pode ser reduzido se houver sexo apenas com
  parceiro fiel e não infectado. Estudo desenvolvido no Brasil, com
  jovens entre 18 e 29 anos, identificou que 40% consideram
  desnecessário o uso de preservativos em relacionamento
  estável<sup>34</sup>. No Irã se observa que a maioria dos
  entrevistados acredita que ter múltiplos parceiros é um fator de risco
  adicional para o contágio por HIV<sup>35</sup>. Quando abordados sobre
  o uso de preservativo como melhor forma de evitar a contaminação
  durante a relação sexual, 98,9% consideraram verdadeira a informação.
  Jovens iranianos, com idade média de 21,8 anos, em sua maioria, também
  concordam com a afirmativa<sup>35</sup>. O fato de se relacionar com
  vários parceiros certamente é um agravante no risco de contágio não só
  de HIV, mas de várias outras doenças sexualmente transmissíveis, no
  entanto, orientações que pregam a redução do número de parceiros e a
  fidelidade parecem não surtir efeito adequado para que ocorram
  mudanças comportamentais nos indivíduos, por este motivo o MS
  recomenda, como forma mais eficiente de prevenção, uso de preservativo
  em todas as relações sexuais<sup>36</sup>.</p>
  <p>No questionamento referente à cura da AIDS, 90,7% dos AP declararam
  de forma correta que é incurável, dado semelhante foi obtido ao
  avaliar estudantes da Bahir Dar University e homens de Belgaum na
  Índia, respectivamente, 90,3% e 97,36% sabiam que AIDS não tem
  cura<sup>37,38</sup>. Atualmente, as terapias antirretrovirais vêm se
  demonstrando extremamente eficientes no controle da carga viral do
  HIV, podendo chegar a níveis indetectáveis em exames laboratoriais, de
  acordo com a UNIAIDS, há um consenso entre cientistas de que pessoas
  com carga viral indetectável não transmitam o HIV durante relações
  sexuais<sup>39</sup>. Neste estudo, 17,2% dos entrevistados disseram
  não saber se pessoas em tratamento medicamentoso para o HIV teriam
  menor probabilidade de transmitir o vírus. A meta 90/90/90,
  estabelecida pela UNAIDS, tem a pretensão de alcançar o controle da
  AIDS até o ano de 2030, diminuindo os níveis virais até o completo
  desaparecimento do HIV<sup>40</sup>.</p>
  <p>A importância da realização de testes de HIV está relacionada com o
  diagnóstico precoce. Atualmente, estes apresentam alta confiabilidade
  e são concluídos de forma rápida, além de assegurarem o anonimato, que
  é garantido pela Constituição Federal<sup>36,41</sup>. Nesta pesquisa,
  58,5% afirmam que nunca realizaram um teste rápido para HIV, esse fato
  talvez seja indicador de falta de conhecimento sobre a disponibilidade
  deste recurso nas Unidades de Saúde presentes nas IP, ou a baixa
  procura por este recurso dentro dos estabelecimentos pode estar
  relacionada ao temor de realizar o exame onde exista uma familiaridade
  entre os profissionais de saúde e o indivíduo. Entretanto, a
  realização de testes sorológicos para diagnóstico de HIV, em algum
  momento da sua vida, foi relatada por 83,5% dos AP. Observou-se uma
  frequência maior de mulheres que já realizaram o teste sorológico para
  HIV (<italic>p</italic>=0,03), evidenciando que AP do sexo feminino
  apresentam uma maior preocupação relacionada à prevenção e que as
  mulheres são obrigadas a realizar o exame por ocasião de gestação. Em
  pesquisa que ouviu mulheres que se relacionam sexualmente com outras
  mulheres, foi apurado que 41,76% nunca haviam feito o teste
  sorológico<sup>42</sup>. No Irã foram averiguados dados preocupantes
  indicando que 86,9% dos jovens entrevistados jamais fizeram qualquer
  tipo de teste para HIV<sup>35</sup>.</p>
  <p>Entre nossos entrevistados, 12,3% avaliaram não ter nenhum risco de
  contrair HIV e apenas 5,3% consideraram seu risco de contágio alto.
  Esses dados contrastam com a questão que indaga sobre o número de
  parceiros sexuais, 60,2% declararam já haver tido mais de dez
  parceiros sexuais diferentes no decorrer de sua vida, nessa questão
  também pode ser observada uma diferença significativa entre os dois
  grupos (<italic>p</italic>&lt;0,001), onde 75,8% dos homens relatam
  essa prática em relação a 14,6% das mulheres. Outra discrepância está
  relacionada ao fato de que a maioria dos AP 70,9%, mencionou não ter
  usado preservativo na última relação sexual, 40,2% tiveram relações
  sexuais com parceiros casuais e 16,7% mantiveram relações sexuais com
  parceiros fixos e casuais durante o mesmo período.</p>
</sec>
<sec id="considerações-finais">
  <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
  <p>A hipótese de que o conhecimento, atitudes e práticas dos agentes
  penitenciários da 8ª DPR em relação ao HIV e suas formas de
  transmissão são suficientes para reconhecer os riscos de exposição foi
  confirmada. Apesar dos AP apresentarem um nível elevado de
  conhecimentos em relação às formas de transmissão do HIV, percebe-se
  que as práticas sexuais não são condizentes com os conhecimentos
  demonstrados<bold>.</bold></p>
  <p>A pesquisa mostrou-se relevante, pois entende que os AP são
  profissionais fundamentais na manutenção e promoção da saúde dos
  detentos, já que mantém contato direto com essa população. Estudos com
  enfoque nestes trabalhadores costumam avaliar principalmente aspectos
  causadores de estresse, sofrimento e condições precárias de
  trabalho<sup>43-45</sup>. Considerando a elevada prevalência de
  doenças infectocontagiosas no cárcere, é notória a importância de
  estudos científicos que investiguem conhecimentos, atitudes e
  práticas, com o objetivo de compreender, ressaltar e implantar
  metodologias de Educação Permanente nas Instituições Penais. Muito
  pouco se sabe sobre a forma de condução, frequência e alcance de
  capacitações destinadas aos AP dentro das instituições penais,
  demonstrando a importância e a necessidade de pesquisas nesse âmbito.
  Não existem estudos que relatam a influência das informações
  oferecidas a estes profissionais, nem como elas impactam na forma de
  condução de práticas voltadas a promoção da saúde. Desta forma, a
  pesquisa direcionada a este grupo, poderá contribuir para o
  desenvolvimento de ferramentas padronizadas de orientação a estes
  profissionais, visando melhorar a detecção de doenças e restringir sua
  transmissão nas instituições penais. É imprescindível que os AP sejam
  devidamente capacitados para que possam atuar de forma efetiva como
  promotores de saúde e que sejam capazes de identificar sinais e
  sintomas de doenças infectocontagiosas, pois esta prática culminará
  com a concreta promoção da saúde nas Instituições Penais. O
  conhecimento é um importante aliado capaz de influenciar diretamente
  nas atitudes e práticas diárias de todos os indivíduos.</p>
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