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<p><bold>A SEGURANÇA HUMANA NO CONTEXTO DE</bold></p>
<p><bold>UMA CIDADE EDUCADORA</bold></p>
<p>Reis Friede</p>
<p>Mini-bio:Mestre e Doutor em Direito, Professor Adjunto da
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Professor do
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local da UNISUAM, Professor
do Mestrado Profissional em Gestão do Trabalho para Qualidade do
Ambiente Construído da USU.</p>
<p>País: Brasil</p>
<p>Estado: Rio de Janeiro</p>
<p>Cidade: Rio de Janeiro</p>
<p>Email de contato: assessoriareisfriede@hotmail.com
ORCID:<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://orcid.org/0000-0001-9316-3690">http://orcid.org/0000-0001-9316-3690</ext-link></p>
<p><bold>RESUMO</bold>: Este artigo tem como intuito apresentar um novo
modelo de segurança pública, a segurança humana, ampliando o conceito de
segurança que tradicionalmente estava focado na ideia de defesa do
território. Discorre sobre sua relação com os Objetivos do
Desenvolvimento Sustentável e como pode ser aplicado junto ao conceito
de cidade educadora, por ser esse um caminho possível para o pacifismo
que se almeja, como também do desenvolvimento sustentável e da igualdade
de oportunidades para todos. A abordagem metodológica empregada foi a
qualitativa, tendo sido feita uma pesquisa bibliográfica que levantou
artigos acadêmicos e documentos elaborados pelo governo e pelas
instituições que tratam dos temas abordados. O material selecionado foi
lido por uma perspectiva crítica analítica.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Segurança humana. Cidade educadora.
Desenvolvimento sustentável.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold>:</p>
<p><bold>HUMAN SECURITY IN THE CONTEXT OF AN EDUCATING CITY</bold></p>
<p>This article aims to present a new model of public security, the
human security, broadening the concept of security, which was
traditionally focused on the idea of ​​defense of the territory. It
discusses its relationship with the Sustainable Development Goals and
how it can be applied to the concept of the educator city, as this is a
possible path to the desired pacifism, as well as sustainable
development and equal opportunities for all. The methodological approach
used was the qualitative, having been made a bibliographical research
that raised academic articles and documents elaborated by the government
and the institutions that deal with the addressed subjects. The selected
material was read from a critical analytical perspective.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Human security. Educator city. Sustainable
development.</p>
<p>Data de recebimento: 09/09/2019</p>
<p>Data de aprovação: 16/06/2020</p>
<p>DOI: 10.31060/rbsp.2021.v15.n2.1202</p>
<p><italic>“Quando a pessoa se pacifica, o mundo se torna
melhor”</italic></p>
<p>(Edmundo Oliveira)</p>
<p>O texto a seguir foi produzido, inicialmente, como uma palestra
pronunciada na Assembleia Geral do Comitê Permanente da América Latina
para Prevenção do Crime (COPLAD), programa do Instituto Latino-Americano
das Nações Unidas para Prevenção do Crime e Tratamento do Delinquente
(ILANUD), que se realizou em abril de 2019 na cidade do Rio de Janeiro.
O evento teve como objetivo abrir os trabalhos de apresentação do
Relatório Geral da América Latina para o 14º Congresso das Nações Unidas
sobre Prevenção do Crime e Justiça Criminal, que a ONU inicialmente
realizaria em 2020 na cidade de Tóquio, mas que foi adiado para o ano de
2021 por conta da pandemia de COVID-19.</p>
<p>O COPLAD foi instalado em 2016, por iniciativa do ILANUD, e busca
alinhar o tema da prevenção do crime com o documento “Transformando
nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável” (ONU,
2015), que reúne as metas que os Estados-membros das Nações Unidas
concordaram, por unanimidade, atingir até 2030. Na Agenda 2030 constam
os novos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que resultaram
de negociações entre diversos governos, entre eles o Brasil. O acordo a
que se chegou abrange 17 Objetivos e 169 metas, que envolvem temas
diversificados.</p>
<p>O COPLAD também tem a função de discutir a elaboração do planejamento
institucional e pedagógico para a implantação da Universidade Mundial de
Segurança e Desenvolvimento Social das Nações Unidas no Brasil. Esse
modelo de universidade tem como objetivo colocar em prática um novo
modelo de segurança pública, a segurança humana, ampliando o conceito de
segurança que tradicionalmente estava focado na ideia de defesa do
território.</p>
<p>Partindo da fala realizada no evento, e a ampliando, se busca
discutir neste trabalho, de forma objetiva, o que é o conceito de
segurança humana, sua relação com os ODS e como ele pode ser aplicado
junto ao conceito de cidade educadora.</p>
<p>Para o desenvolvimento deste trabalho foi realizada uma pesquisa
qualitativa, por ser uma interpretação subjetiva do material levantado,
de caráter bibliográfica, a partir do levantamento de artigos e
materiais científicos em geral.</p>
<p><bold>OS ODS E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL</bold></p>
<p>Todos os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que
compõem o documento <italic>A transformação do nosso mundo: a Agenda
2030 para o desenvolvimento sustentável</italic>, são integrados e
indivisíveis, pois para que cada objetivo alcance o sucesso é preciso
envolver temas que são pertinentes a outros objetivos. Eles fazem parte
de uma convocatória da ONU para que os governos e as pessoas colaborem
na eliminação da pobreza e da fome, na promoção da prosperidade, na
proteção do planeta e na garantia da paz entre os indivíduos e os povos.
Mas o que é paz? Ela tanto pode ser um estado de tranquilidade e de
quietude quanto a ausência de guerra ou violência, entendendo que o
estado de não guerra ou não violência não necessariamente significa um
estado de tranquilidade.</p>
<disp-quote>
  <p>Em certa perspectiva, os ODM [Objetivos de Desenvolvimento do
  Milênio] podem ser interpretados como uma nova formatação das agendas
  de desenvolvimento das Nações Unidas, promovidas desde os anos 1960
  para orientar o esforço estratégico de suas agências na busca por
  maior prosperidade e bem-estar pelo mundo. Como observa Koehler
  (2016), essas agendas – estabelecidas pela Secretaria Geral com
  anuência da Assembleia Geral das Nações Unidas – propunham metas
  quantitativas de crescimento econômico e, gradativamente, ampliaram o
  escopo para contemplar medidas de bem-estar social para países em
  desenvolvimento. Já na segunda “Década de Desenvolvimento” das Nações
  Unidas, iniciada em 1971, além da reiteração quanto à necessidade de
  crescimento econômico, mencionava-se a importância de objetivos
  sociais nas áreas de emprego, educação, saúde e nutrição. A menção ao
  combate à fome e à pobreza como objetivo fundamental da agenda
  internacional aparece, segundo a autora, a partir da terceira Década
  de Desenvolvimento, em 1981, não tendo mais saído das agendas desde
  então. (JANNUZZI; CARLO, 2019, p. 9).</p>
</disp-quote>
<p>A Agenda 2030 é um documento importante porque, pela primeira vez,
são reunidas dimensões para o desenvolvimento sustentável que sempre
eram pensadas de forma separada: econômica, social e ambiental. E vai
além, ao colocar como fundamental a igualdade de gênero e o
empoderamento feminino para que os objetivos propostos sejam
alcançados.</p>
<p>“Tão ambígua quanto usual, a expressão ‘desenvolvimento sustentável’
remete a uma corrente de reflexões que perdura há mais de vinte anos”
(GODARD, 1997, p. 107). Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento
capaz de atender às necessidades da sociedade sem comprometer o
suprimento dessas necessidades às futuras gerações. Mas o que significa
cada um dos termos que compõem o conceito: desenvolvimento e
sustentável?</p>
<p>O que é desenvolvimento? Podemos dizer que ele se configura como um
dos conceitos mais importantes e mais polêmicos dentro do campo das
Ciências Sociais. No período posterior ao final da Segunda Guerra
Mundial (1938-1945), entendia-se que desenvolvimento significava
crescimento econômico e isso levou a uma predominância de economistas
discutindo o tema. Mas, ao mesmo tempo, outras áreas também buscaram
contribuir no debate e ampliaram o conceito ao valorizar os direitos
sociais e humanos que, não apenas, mas principalmente, se traduziram em
publicações e compromissos da ONU.</p>
<disp-quote>
  <p>Mobilizador de vontades de mudança e de transformação das
  sociedades e dos indivíduos, tem servido também para avaliar e
  classificar o seu nível de progresso e bem-estar. Presente em várias
  áreas disciplinares, deu corpo a diversas teorias da mudança mas
  também galvanizou e avaliou práticas e intervenções. É, desse ponto de
  vista, um dos conceitos com mais possibilidades de alimentar diálogos
  (ou confusões) interdisciplinares e de estabelecer pontes ou rupturas
  entre a teoria e a prática. Por isso, nem sempre, na sua abordagem,
  foi fácil estabelecer fronteiras entre a teoria, a ideologia, a
  doutrina, a utopia e as práticas sociais. (AMARO, 2003, p. 1).</p>
</disp-quote>
<p>Sustentável é aquilo que se consegue sustentar, e quando o conceito
de desenvolvimento se une ao de sustentável o objetivo é harmonizar
economia e ambiente, principalmente dentro do modo de produção
capitalista. Ou seja, é conscientizar todas as partes que compõem a
sociedade sobre a necessidade de se usar os recursos naturais de modo
racional e inteligente, pois somente assim será possível garantir
qualidade de vida para todos.</p>
<p>Segundo Feil e Schreiber (2017, p. 268), os termos sustentável,
sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, mesmo que sejam muito
utilizados em diferentes setores, ainda não possuem um consenso como
conceito, e os diferentes significados desses termos apresentam uma
variação a partir do número de perspectivas e vinculações ao contexto e
ao campo de atuação.</p>
<disp-quote>
  <p>Apesar da ausência de consenso sobre o conceito destes termos,
  existe a aceitação geral em relação à busca do equilíbrio entre as
  necessidades do ser humano e o meio ambiente, e em entender suas
  complexas dinâmicas de interação, para aprofundar e ampliar seu
  significado (BARBOSA et al., 2014). Outro aspecto de consenso sobre os
  termos é que representam algo positivo e bom (BAÑON GOMIS et al.,
  2011). As diversas discussões atreladas aos termos sustentável,
  sustentabilidade e desenvolvimento sustentável ocorreram visando à
  obtenção do bem-estar humano em longo prazo por meio da gestão do
  sistema ambiental humano (ADAMS, 2006; SEAGER, 2008). (FEIL;
  SCHREIBER, 2017, p. 668).</p>
</disp-quote>
<p>O conceito de desenvolvimento sustentável está relacionado à
sobrevivência da espécie humana, a partir de uma mudança de
comportamento e da adoção de uma série de atitudes e inciativas pelo
próprio homem. E</p>
<disp-quote>
  <p>nas palavras de Barter e Russell (2012), a definição de
  desenvolvimento sustentável não se refere a salvar a natureza, mas à
  internalização de estratégias, agregando, assim, novos recursos para
  permitir o crescimento econômico e a prosperidade compartilhada por
  todos. (FEIL; SCHREIBER, 2017, p. 675).</p>
</disp-quote>
<p>Para Godard (1997, p. 108), o conceito de desenvolvimento
sustentável, nos dias atuais, é utilizado para expressar um desejo de
“conciliação entre desenvolvimento econômico e a proteção ao meio
ambiente do planeta a longo prazo”.</p>
<p>Quando a Agenda 2030 reúne dimensões para o desenvolvimento
sustentável que sempre eram pensadas de forma separada – econômica,
social e ambiental –, e coloca como fundamental promover a igualdade de
gênero, ela está propondo “um plano de ação para as pessoas, o planeta e
a prosperidade. Também busca fortalecer a paz universal com mais
liberdade” (ONU, 2019a). E mais, ela reconhece como o maior desafio do
planeta acabar com a pobreza por ser este um dos requisitos fundamentais
para o desenvolvimento sustentável.</p>
<disp-quote>
  <p>Nós decidimos acabar com a pobreza e a fome em todos os lugares,
  até 2030; combater as desigualdades dentro dos países e entre eles;
  construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas; proteger os
  direitos humanos e promover a igualdade de gênero e o empoderamento de
  mulheres e meninas; e assegurar a proteção duradoura do planeta e de
  seus recursos naturais. (ONU, 2019a).</p>
</disp-quote>
<p>Dentre os 17 ODS que compõem a Agenda 2030, o de número 16 recomenda
“Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento
sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis”
(ONU, 2019a). Ao apontar a necessidade de se promover sociedades
pacíficas e inclusivas, o Objetivo 16 se torna fundamental para que
todos os outros objetivos sejam alcançados. Isso implica pensar que
devemos aprender a respeitar e trabalhar com a diversidade e utilizá-la
como fator de promoção de uma sociedade em consonância com o
desenvolvimento sustentável, na qual existam oportunidades para todos,
tornando a vivência mais segura e pacífica.</p>
<p>Nos desdobramentos do Objetivo 16 aparecem como metas “16.1 – Reduzir
significativamente todas as formas de violência e as taxas de
mortalidade relacionada, em todos os lugares” e “16.b – Promover e fazer
cumprir leis e políticas não discriminatórias para o desenvolvimento
sustentável” (ONU, 2019b), o que mostra que o desenvolvimento
sustentável assume uma dimensão que vai além da dimensão da natureza, e
que falar de desenvolvimento sustentável é falar, também, de cidades, do
espaço urbano, da vida nesses espaços e de tudo que esteja relacionado a
eles, como o combate à violência e a promoção da paz.</p>
<p>Sociedade pacífica é aquela que almeja a paz, o que nos leva à
percepção de que não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e
não há paz sem desenvolvimento sustentável (ONU, 2019b). Assim, podemos
ampliar a ideia de que a paz, quando está associada a um estado de não
guerra, mas sem estar associada ao desenvolvimento sustentável, não
significa um estado de tranquilidade. Ou seja, para que o conceito de
paz possa ser realizado pela ausência de guerra e presença de um estado
de tranquilidade, é necessário que ele esteja associado às diretrizes do
desenvolvimento sustentável e, consequentemente, à segurança humana.</p>
<p><bold>SEGURANÇA HUMANA</bold></p>
<p>Para que possamos pensar num desenvolvimento que seja capaz de
atender às necessidades da sociedade sem comprometer o suprimento dessas
necessidades às futuras gerações, ou seja, para que os governos
pratiquem o desenvolvimento sustentável, é preciso que as sociedades
sejam pacíficas e inclusivas, além de justas. Mas como atender essa
necessidade?</p>
<p>A promoção de sociedades pacíficas e inclusivas passa a ser pensada,
hoje, a partir de um novo conceito de segurança, a segurança humana.
Oliveira (2018, p. 68) define o conceito de segurança humana como “a
garantia da sobrevivência individual e do bem-estar com dignidade das
pessoas no contexto do convívio social”. Como podemos ver, o conceito
vai além da ideia mais simples de garantia da segurança física, sendo
preciso garantir também a segurança social.</p>
<p>Para Sorj (2005, p. 40), “o estudo da segurança humana precisa ter um
foco mais claro na violência armada, levando em conta também as
dimensões institucionais e sociais”. Diante desta colocação, um dos
caminhos para se entender a importância da segurança humana no corpo
social é visualizar os números sobre violência relativos ao local em que
se pretende aplicar o conceito.</p>
<p>Segundo dados divulgados no <italic>Atlas da Violência 2019</italic>
(IPEA; FBSP, 2019), produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada/Ipea em colaboração com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública
(FBSP), no ano de 2017 o Brasil alcançou a marca histórica de 65.602
homicídios. Isso equivale a uma taxa de 31,6 mortes para cada 100 mil
habitantes. Historicamente, este é o maior nível de letalidade violenta
intencional no país (Figura 1).</p>
<p>Figura 1 – Taxa de homicídio no Brasil</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Atlas da Violência 2019 (IPEA; FBSP, 2019).</p>
<p>Quando os números são vistos desmembrados a situação se mostra ainda
mais grave: das 65.602 vítimas de homicídio, 59,1% tinham entre 15 e 29
anos – entre os jovens o risco de morrer assassinado é maior, e se torna
um entrave ao desenvolvimento do país; 4.936 mulheres foram
assassinadas, ou seja, 4,7 homicídios para cada 100 mil brasileiras;
75,5% das vítimas de homicídios foram indivíduos negros (definidos aqui
como a soma de indivíduos pretos ou pardos, segundo a classificação do
IBGE utilizada também pelo SIM – Sistema de Informações de
Mortalidade).</p>
<p>Essas taxas tão elevadas de homicídio somente confirmam a existência
de um problema que ainda não foi enfrentado pelos governos com políticas
que busquem saná-lo em longo prazo. As taxas elevadas somadas ao
delineamento do perfil social das vítimas mostram que não só o problema
não foi visto com a gravidade que tem como também expõe a baixa
visibilidade que determinados grupos apresentam na sociedade, como os
negros, pois segundo o Atlas da Violência 2019 (IPEA; FBSP, 2019), para
cada indivíduo não negro que sofreu homicídio em 2017, 2,7 negros foram
mortos. Mas de qual violência estamos falando?</p>
<disp-quote>
  <p>A palavra [violência] origina-se do latim
  <italic>violentia</italic> que remete a vis e significa caráter
  violento ou bravio, força, vigor, potência, emprego de força física.
  Significa também quantidade, abundância, essência e força em ação.
  Para Michaud (1989), a etimologia do termo evidencia a ideia de uma
  força não qualificada que se torna violência apenas quando passa da
  medida, quando perturba uma ordem, quando rompe acordos e regras que
  ordenam relações. (BONAMIGO, 2008, p. 205).</p>
</disp-quote>
<p>De forma geral, a palavra violência assume diferentes significados a
partir da situação que pretende qualificar. Segundo Misse, “não existe
violência, mas violências, múltiplas, plurais, em diferentes graus de
visibilidade, de abstração e de definição de suas alteridades” (MISSE,
1999, p. 38). O conceito de violência tratado neste artigo está alinhado
à colocação de Misse e se refere à violência urbana e seus impactos em
todas as esferas da sociedade.</p>
<p>Diante de uma infinidade de manifestações da violência, se torna
compreensível que também se busque definições de segurança que possam
dar conta dessas variações, ou melhor, que se busque um conceito de
segurança que possa englobar o maior número possível dessas variações de
violência.</p>
<p>A Guerra Fria foi um conflito que durou logo ao final da Segunda
Guerra Mundial (1947) até a extinção da União Soviética (1991) e
consistiu num período de disputa entre Estados Unidos e União Soviética
pela hegemonia econômica, política e militar do mundo. O conceito de
segurança humana surge justamente ao final desse conflito, como fruto de
formulações teóricas nos estudos sobre segurança, conflitos e paz
desenvolvidas nas décadas anteriores.</p>
<disp-quote>
  <p>O conceito tradicional de segurança centrado no Estado, na sua
  soberania e integridade territorial, pressupõe que a segurança é
  conquistada na medida em que se fortalece a sua capacidade militar.
  Diante dessa concepção, desde a década de 70, emergiram em vários
  círculos acadêmicos novas propostas e formulações alternativas que
  questionavam esse conceito tradicional de segurança, tais como: a
  segurança comum, abrangente, cooperativa, coletiva, global, etc. E
  todas essas concepções alternativas abriram caminho para que, na
  década de 90, se formulasse o conceito de Segurança Humana. (OLIVEIRA,
  2009, p. 68).</p>
</disp-quote>
<p>Os Relatórios de Desenvolvimento Humano (RDHs) do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) têm como objetivo, desde 1990,
colocar na pauta de discussão pública questões e políticas que estejam
relacionadas ao desenvolvimento humano. Eles também incluem o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) e apresentam dados e análises relevantes
para a agenda global.</p>
<disp-quote>
  <p>O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) é reconhecido pelas
  Nações Unidas como um exercício intelectual independente e uma
  importante ferramenta para aumentar a conscientização sobre o
  desenvolvimento humano em todo o mundo. A publicação tem autonomia
  editorial garantida por uma resolução da Assembleia Geral das Nações
  Unidas. A premissa do primeiro RDH, em 1990, era de que as pessoas são
  a verdadeira riqueza das nações, conceito que guiou todos os
  relatórios subsequentes. (PNUD, [s.d.]).</p>
</disp-quote>
<p>O RDH de 1994 é o documento em que aparece, pela primeira vez, o
conceito de segurança humana na fala do PNUD:</p>
<disp-quote>
  <p>O conceito de segurança há tempos é interpretado de forma
  restritiva: como segurança do território à ameaça externa, como
  proteção dos interesses nacionais na política externa ou como
  segurança global da ameaça de um holocausto nuclear. Tem sido mais
  relacionado aos estados-nação do que às pessoas. As superpotências
  estavam imobilizadas numa luta ideológica – lutando uma guerra fria em
  todo o mundo. As nações em desenvolvimento, tendo vencido sua
  independência apenas recentemente, estavam sensíveis a quaisquer
  ameaças reais ou percebidas às suas frágeis identidades nacionais.
  Eram esquecidas as preocupações legítimas das pessoas comuns que
  buscavam segurança em suas vidas diárias. Para muitas delas, a
  segurança simbolizava a proteção contra a ameaça de doenças, fome,
  desemprego, crime, conflito social, repressão política e riscos
  ambientais. Com as sombras escuras da guerra fria recuando, foi
  possível perceber agora que muitos conflitos estão dentro das nações
  em vez de entre elas<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>. (UNDP,
  1994, p. 22, tradução nossa).</p>
</disp-quote>
<p>E o Relatório continua apontando que uma consideração básica do
conceito deve se concentrar em suas quatros características essenciais:
é uma preocupação universal; os seus componentes são interdependentes; é
mais fácil de garantir pela prevenção precoce do que pela intervenção
posterior; é centrado na pessoa (UNDP, 1994, p. 22-23, tradução
nossa).</p>
<disp-quote>
  <p>O conceito de segurança humana é inovador em sua ênfase no
  cumprimento das leis de defesa dos direitos humanos individuais.
  Considera-se esta a principal tarefa da ordem internacional, mesmo
  contra a vontade dos Estados, mencionados como uma das principais
  fontes de insegurança individual. Todavia, como veremos, apesar de
  estar centrada nos indivíduos, a segurança humana não pode ser
  dissociada dos quadros institucionais, em especial dos Estados sob os
  quais os direitos humanos são (ou não) implementados. (SORJ, 2005, p.
  42).</p>
</disp-quote>
<p>O conceito de segurança humana está sintetizado nos 17 ODS que
compõem a Agenda 2030. Segundo Eduardo César Leite, secretário Executivo
do Coplad: “A Segurança Humana é centrada no bem-estar do povo,
assegurando sua sobrevivência para que, assim, possam criar sistemas
políticos (sociais, ambientais, econômicos e culturais) que lhe permitam
viver com dignidade, tendo seus direitos respeitados” (INCORPORATIVA
PAUTAS, 2018).</p>
<p>O conceito de segurança se diferencia do conceito de segurança humana
porque este é mais amplo, porque sua perspectiva se desloca de uma visão
centrada no Estado para uma visão centrada no sujeito, no cidadão. Se no
período da Guerra Fria o conceito de segurança que prevalecia se voltava
para a proteção do território e a garantia da soberania do Estado contra
possíveis ataques inimigos, no período posterior a questão principal
passou a ser como proteger o indivíduo, e não apenas o território, das
ameaças cotidianas.</p>
<p>A segurança agora vai além da visão territorialista, da visão
militarizada, e passa a incluir também uma visão humanizada, ou seja,
uma visão sobre o humano que habita dentro do território, uma visão que
entende que a não proteção do indivíduo frente aos problemas cotidianos
também se configura como uma forma de violência.</p>
<p>Para podermos pensar um território que promova qualidade de vida e
bem-estar para a população, que gere igualdade de oportunidades e que
respeite a diversidade, é preciso se pensar num projeto de cidade que se
pretenda pacífica, inclusiva, sustentável e segura. Ou seja, é preciso
se pensar numa cidade que seja educadora, por ser esse um caminho
possível para o pacifismo que se almeja, como também do desenvolvimento
sustentável e da igualdade de oportunidades para todos.</p>
<p><bold>CIDADES EDUCADORAS</bold></p>
<p>Medidas que garantam aos cidadãos seu desenvolvimento integral com
relação à educação, à equidade e aos direitos humanos são responsáveis
pela diminuição dos índices de violência. O Professor Euler, presidente
da Comissão de Educação, Cultura e Turismo do Legislativo de Curitiba
(PR), defendeu a indicação da cidade de Curitiba para integrar a
Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE), usando Medelín,
na Colômbia, como exemplo de cidade que controlou a violência após
adotar os princípios da Carta de Barcelona. Segundo Euler, “A carta [de
Barcelona] é uma articulação entre desenvolvimento sustentável, direitos
humanos e sentimento de pertencimento dos cidadãos em relação à sua
cidade” (NOTÍCIAS DO LEGISLATIVO, 2018).</p>
<p>A Rede Brasileira de Cidades Educadoras
(Rebrace)<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>, coordenada pela cidade
de Vitória (ES), é composta por 21 cidades: Araraquara (SP), Camargo
(RS), Carazinho (RS), Curitiba (PR), Gramado (RS), Guarulhos (SP),
Horizonte (CE), Marau (RS), Mauá (SP), Nova Petrópolis (RS), Passo Fundo
(RS), Santiago (RS), Santo André (SP), Santos (SP), São Bernardo do
Campo (SP), São Carlos (SP), São Gabriel (RS), São Paulo (SP), Soledade
(RS), Sorocaba (SP), Vitória (ES); destas, apenas três são capitais e o
estado com o maior número de cidades participantes é o Rio Grande do
Sul.</p>
<p>A Associação Internacional de Cidades Educadoras, uma organização em
rede que tem integrantes de diferentes países ao redor do mundo,
acredita que toda cidade tem potencial educativo e que este potencial é
capaz de fazer com que todos os cidadãos atinjam o desenvolvimento
integral.</p>
<p>O movimento de Cidades Educadoras teve início em 1990, em Barcelona,
a partir do pacto selado por um grupo de representantes de cidades que
se propuseram a trabalhar juntas para promover a melhora da qualidade de
vida de seus habitantes por meio de projetos e atividades que
utilizassem o próprio território.</p>
<disp-quote>
  <p>As cidades representadas no I Congresso Internacional das Cidades
  Educadoras, que teve lugar em Barcelona em Novembro de 1990, reuniram,
  na Carta inicial, os princípios essenciais ao impulso educador da
  cidade. Elas partiam do princípio de que o desenvolvimento dos seus
  habitantes não podia ser deixado ao acaso. Esta Carta foi revista no
  III Congresso Internacional (Bolonha, 1994) e no de Génova (2004), a
  fim de adaptar as suas abordagens aos novos desafios e necessidades
  sociais. A presente Carta baseia-se na Declaração Universal dos
  Direitos do Homem (1948), no Pacto Internacional dos Direitos
  Econômicos, Sociais e Culturais (1996), na Declaração Mundial da
  Educação para Todos (1990), na Convenção nascida da Cimeira Mundial
  para a Infância (1990) e na Declaração Universal sobre Diversidade
  Cultural (2001). (PREFEITURA DE VITÓRIA, [s.d.], p. 3).</p>
</disp-quote>
<p>Quando a cidade é um território que educa, quando é o lugar, além da
escola, que assume a função de dar continuidade à formação do indivíduo,
pois se vê como o espaço propício para a realização do processo de
ensino aprendizagem, então ela é educadora. Uma cidade educadora é
aquela que busca alcançar o desenvolvimento econômico reduzindo a
pobreza, preservando o meio ambiente e garantindo aos habitantes seus
direitos fundamentais, alinhada aos novos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS).</p>
<disp-quote>
  <p>A cidade será educadora quando reconheça, exerça e desenvolva, para
  além das suas funções tradicionais (econômica, social, política e de
  prestação de serviços), uma função educadora, isto é, quando assume
  uma intencionalidade e responsabilidade, cujo objetivo seja a
  formação, promoção e desenvolvimento de todos os seus habitantes, a
  começar pelas crianças e pelos jovens. (PREFEITURA DE VITÓRIA, [s.d.],
  p. 3).</p>
</disp-quote>
<p>Uma cidade gerida de acordo com princípios educadores procura
garantir aos seus habitantes, ao longo de suas vidas, e “em condições de
liberdade e igualdade, os meios e oportunidades de formação,
entretenimento e desenvolvimento pessoal” (PREFEITURA DE VITÓRIA,
[s.d.], p. 6).</p>
<p>O conceito de educação associado ao de cidade vai formar um conceito
mais amplo, o de cidade educadora, que se constitui numa cidade com a
intencionalidade educativa distribuída em todas as suas esferas, desde
os espaços da escola até às políticas públicas. A responsabilidade de
formar o cidadão vai além dos muros da escola, embora ela possa e deva
ser o espaço privilegiado para isso, porque essa formação é contínua,
precisa se atualizar com as mudanças que ocorrem na sociedade, no
mundo.</p>
<p>Todos os temas desenvolvidos dentro do espaço escolar precisam
refletir no entorno da escola, do local ao global, se não for deste modo
a educação oferecida perde seu sentido, é como o médico que indica ao
paciente que não fume mantendo um cigarro entre os dedos. É preciso
envolver o bairro, a cidade, no processo de educar. E como uma cidade
pode se envolver no processo educativo da população? Quando ela conhece
seu território, conhece suas necessidades, quais são seus problemas, ou
seja, como é a cidade pela visão da população e qual a cidade que se
deseja ter.</p>
<p>Um dos problemas que hoje se encontra diluído por toda a sociedade é
a violência, que atinge as pessoas independente de sua situação
econômica. Encontrar formas de controle e de combate à violência se
transformou num desafio para os governos. Se uma cidade educadora é
aquela que respeita os direitos humanos, então o tema da violência é uma
das pautas principais em suas ações.</p>
<disp-quote>
  <p>A segurança pública é um processo sistêmico e otimizado que envolve
  um conjunto de ações públicas e comunitárias, visando assegurar a
  proteção do indivíduo e da coletividade e a aplicação da justiça na
  punição, recuperação e tratamento dos que violam a lei, garantindo
  direitos e cidadania a todos. Um processo sistêmico porque envolve,
  num mesmo cenário, um conjunto de conhecimentos e ferramentas de
  competência dos poderes constituídos e ao alcance da comunidade
  organizada, interagindo e compartilhando visão, compromissos e
  objetivos comuns; e otimizado porque depende de decisões rápidas e de
  resultados imediatos. (BENGOCHEA et al., 2004, p. 119-131).</p>
</disp-quote>
<p>Uma cidade educadora é aquela que promove o diálogo entre as forças
policiais e a população, como um dos caminhos no combate à violência. Em
vez de promover ações repressoras, cria políticas que levem à orientação
e suporte aos cidadãos. Vivemos numa sociedade em que as ações tomadas
pelo governo para garantir a segurança pública não são vistas de forma
positiva pela população de maneira geral, mas, ao mesmo tempo, essa
mesma população não tem a percepção de que a segurança pública é
responsabilidade de todos, e transfere todas as ações para o governo,
que se expressa principalmente nas medidas policiais, se eximindo de
qualquer responsabilidade.</p>
<disp-quote>
  <p>Vale registrar o que asseverou o colega Delegado de Polícia do
  Distrito Federal, WILMAR COSTA BRAGA no seu artigo pertinente à
  Segurança Pública: “Parece ser a Polícia o único órgão responsável
  pela segurança, mas não é. Apenas tem a função mais árdua de todos os
  outros, porque atua na garimpagem de criminosos e na execução das
  Leis, a fim de torná-las efetivas ao exigir o cumprimento das regras
  sociais e solucionar os seus conflitos. Daí a preocupação que deve ter
  o dirigente de um órgão policial com o perfil, com a remuneração, com
  o preparo técnico e operacional, com a coibição dos desvios de
  conduta, em face da vulnerabilidade com a criminalidade e com o risco
  de vida”. (MARQUES, 2009a).</p>
</disp-quote>
<p>Se o objetivo comum de uma sociedade pacífica é alcançar a paz, por
não poder se pensar em desenvolvimento sustentável sem a sua
efetividade, então é preciso promover um ideal de segurança que conte
com a colaboração e participação de todos, poder público e sociedade,
para se atender aos anseios e desejos de todos.</p>
<p><bold>APLICAÇÃO DA SEGURANÇA HUMANA NUMA CIDADE EDUCADORA</bold></p>
<p>Para se pensar em formas que possibilitem a aplicação, em conjunto,
dos dois conceitos trabalhados até o momento, segurança humana e cidade
educadora, associados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, é
preciso que existam projetos do governo e políticas públicas que
promovam e sustentem esse tripé.</p>
<p>O primeiro passo para se pensar numa cidade educadora é que o poder
público tenha interesse em aderir à Associação Internacional de Cidades
Educadoras. No site<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> da AICE fica
claro que qualquer cidade, para se associar, primeiro precisa se
comprometer com os princípios da Carta das Cidades Educadoras, e então
seguir os passos abaixo:</p>
<disp-quote>
  <p>Procedimento:</p>
</disp-quote>
<list list-type="bullet">
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Aprovação da adesão por parte do órgão de decisão municipal
        dos políticos eleitos (conselho municipal, conselho plenário, ou
        outros).</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Cumprir os princípios da Carta das Cidades Educadoras.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Participar nos canais de debate, intercâmbio e colaboração da
        AICE.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Divulgação de suas experiências através do Banco
        Internacional de Documentos de Cidades Educadoras (BIDCE).</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Pagar a taxa anual correspondente nos prazos previstos.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Os requisitos para formalização do ingresso são os seguintes:</p>
  <p>1. Completar todas as seções do pedido de admissão à AICE e adesão
  à Carta das Cidades Educadoras, assinada pelo prefeito e ratificada
  pelo órgão decisório municipal de políticos eleitos (conselho
  municipal, conselho plenário, ou outros).</p>
  <p>2. Remeter cópia do acordo do órgão selecionado e a solicitação de
  ingresso à secretaria da AICE.</p>
  <p>3.Pagar a taxa correspondente. (AICE, [s.d.], tradução nossa).</p>
</disp-quote>
<p>E por que se associar? Serão usados exemplos que mostram como uma
cidade educadora pode mudar a vida da população. O Portal Aprendiz
publicou em 2015 um artigo intitulado <italic>5</italic> <italic>Cidades
educadoras que transformaram suas realidades locais pelo
aprendizado</italic> (PORTAL APRENDIZ, 2015), e dentre as cidades
citadas, três são brasileiras: Santos (SP), Sorocaba (SP) e Maranguape
(CE).</p>
<p>A cidade de Santos (SP), para concretizar a ideia de que o indivíduo
aprende ao longo de toda a vida, investe em políticas públicas que
fortaleçam a ligação da comunidade com a escola, além de fazer da escola
um ponto de prestação de serviços de saúde e emissão de documentos.
Sorocaba (SP) aliou saúde e educação para se repensar e criou em 2005 o
Programa Cidade Educadora, Cidade Saudável, e estabeleceu um sistema
pedagógico ancorado em três pilares: aprender a cidade, aprender na
cidade e aprender com a cidade. Maranguape (CE), distrito de Cachoeira,
criou um Ecomuseu comunitário e, com seu passado de cooperação para
garantir as colheitas e a posse da terra, aprendeu a trabalhar
coletivamente, incorporando todo o público escolar às atividades de
educação integral entre a escola e o museu (PORTAL APRENDIZ, 2015).</p>
<p>É possível perceber que iniciativas até mesmo simples podem ser o
início de grandes transformações. Mas se essas transformações podem
ocorrer a partir de medidas pensadas em cooperação com a sociedade, ao
falar do combate à violência vemos que tudo fica mais complexo, porque
depende também de mudanças estruturais nas instituições que compõem a
sociedade, como a instituição policial, por exemplo, já que a figura da
polícia está diretamente associada às questões de segurança.</p>
<p>O que se espera de uma polícia que atua no território de uma cidade
educadora é que ela seja uma polícia cidadã, que compreenda a amplitude
do conceito de segurança humana e sua efetiva aplicabilidade. Mas o que
é uma polícia cidadã?</p>
<disp-quote>
  <p>A Polícia cidadã é a transformação pela qual passou a Polícia de
  outrora por exigência da Constituição Cidadã e pelo desejo do cidadão.
  Essa Polícia estabelece um sincronismo entre o seu labor direcionado
  verdadeiramente a serviço da comunidade, ou seja, uma Polícia em
  defesa do cidadão e não ao combate do cidadão. (MARQUES, 2009b).</p>
</disp-quote>
<p>O documento <italic>Modernização da Polícia Civil Brasileira.
Aspectos Conceituais, Perspectivas e Desafios</italic> (BRASIL, 2005),
como o próprio nome já diz, foi elaborado com a perspectiva de promover
“uma firme autocrítica sobre os fundamentos da prática policial civil
brasileira” (p. 4), e foi apresentado ao então Secretário Nacional de
Segurança Pública como “resultado dos estudos sobre as atividades da
polícia judiciária e de apuração das infrações penais” (idem).</p>
<p>Destacamos abaixo um trecho que demonstra como, já há algum tempo, a
relação entre os órgãos responsáveis pela segurança pública no Brasil,
aqui pela fala da Polícia Civil, e a população vêm sendo pensada de
forma mais pedagógica e colaborativa.</p>
<disp-quote>
  <p>Como definido na Constituição Federal, à Polícia Civil atribui-se a
  missão de executar a política de apuração das infrações penais e de
  polícia judiciária, desempenhando a primeira fase da repressão
  estatal, de caráter preliminar à persecução processual penal,
  oferecendo suporte às ações de força ordenadas pela autoridade
  judiciária. Tal empreendimento exige posturas altamente
  profissionalizadas por técnicas de gestão e ação operativa, tudo
  conforme a legislação nacional e os tratados internacionais,
  particularmente, no que se refere ao <italic>respeito pelos direitos
  fundamentais do homem</italic>, segundo fartamente gravado no
  ordenamento jurídico pátrio.</p>
  <p>Conquanto esta competência legal não se caracterize pela prevenção
  de caráter ostensivo, como ocorre com a Polícia Militar, ela também
  abarca o sentido finalístico de prevenir o delito, seja por dissuasão
  gerada pela eficiência e eficácia do método repressivo, seja pelo
  papel proativo de interlocução com a sociedade civil, <italic>pelo
  qual a polícia também desempenha uma função pedagógica, fomentadora
  das posturas concorrentes do cidadão, na produção da segurança
  pública</italic>.</p>
  <p>Neste último sentido, <italic>a polícia atua como educadora para a
  cidadania</italic>, comunicando técnicas, recomendando procedimentos e
  atitudes que resultem em efetiva prevenção ao crime, perfazendo a
  vocação da chamada polícia comunitária.</p>
  <p>Esta vocação também recomenda franca abertura para os influxos da
  realidade social, especialmente pela correta audição do público
  usuário, o que é premissa para a superação do papel meramente reativo
  da atividade investigativa, uma vez que é ali, na dramática realidade
  do conflito sobre o qual cotidianamente se projeta, o efetivo lugar de
  produção de um direito penal que rompa com as estigmatizações contra
  os segmentos sociais hipossuficientes. (BRASIL, 2005, p. 21-22, grifos
  nossos).</p>
</disp-quote>
<p>Cremos que o documento supracitado seja um bom exemplo de iniciativa
que promova uma melhor relação entre a polícia e a população, e mais,
como um agente que pode, pelo papel que exerce no corpo social, educar
para a cidadania.</p>
<p>Uma iniciativa por parte da sociedade civil que se enquadra nos
moldes de uma cidade cidadã é a do Instituto Sou da Paz, que criou, em
2003, o Prêmio Polícia Cidadã, para reconhecer, estimular e valorizar o
trabalho da boa polícia, cujo objetivo é aproximar os agentes da
sociedade e fortalecer o que a polícia tem de melhor; é a própria
sociedade civil que faz a avaliação da premiação.</p>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>Analisar os vínculos entre a segurança humana e a cidade educadora
ganha relevância à medida que nos permite projetar um território com
qualidade de vida e bem-estar, gerando oportunidades iguais e respeito
pela diversidade, o que nos leva a um projeto de cidade que se pretenda
pacífica, inclusiva, sustentável e segura.</p>
<p>Acreditamos que, ao se comprometer em ser educadora, a cidade amplia
seu foco ao observar sua realidade em uma perspectiva integral e
humanizada, tendo como compromisso o desenvolvimento sustentável para
todos, o que engloba todas as dimensões prescritas nos 17 ODS.</p>
<p>Esse trabalho não se faz em uma única ação, mas se concretiza à
medida em que se estabelece como prioridades a segurança e a proteção
humana, incluindo nessas prioridades o ambiente no qual o indivíduo se
insere.</p>
<p>Torna-se necessário que projetos de governo e políticas públicas
sejam estabelecidas para desencadear um conjunto de ações necessárias,
mas não podemos nos deter nisso, é imprescindível que seja ampliada a
participação dos indivíduos e que estes se tornem cada vez mais
conscientes de seu papel de cidadão, responsabilizando-se também pelo
projeto de cidade que almejam. Ser cidadão implica em participar
ativamente na realização de um projeto de vida social com qualidade e
bem-estar.</p>
<p>No mundo de hoje, trabalhar para o alcance de um projeto que
privilegie educação e segurança amplas e associadas à responsabilidade
com o ambiente, favorece a ampliação dos aspectos humanos e sociais, e
estimula ao exercício da cidadania.</p>
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</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>The concept of security has for too long been interpreted
    narrowly: as security of territory from external aggression, or as
    protection of national interests in foreign policy or as global
    security from the threat of a nuclear holocaust. It has been related
    more to nation-states than to people. The superpowers were locked in
    an ideological struggle-fighting a cold war all over the world. The
    developing nations, having won their independence only recently,
    were sensitive to any real or perceived threats to their fragile
    national identities. Forgotten were the legitimate concerns of
    ordinary people who sought security in their daily lives. For many
    of them, security symbolized protection from the threat of disease,
    hunger, unemployment, crime, social conflict, political repression
    and environmental hazards. With the dark shadows of the cold war
    receding, one can now see that many conflicts are within nations
    rather than between nations.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <p>Site:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.edcities.org/listado-de-las-ciudades-asociadas/">https://www.edcities.org/listado-de-las-ciudades-asociadas/</ext-link></p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <p>Disponível em:
    &lt;http://www.bcn.cat/edcities/aice/estatiques/espanyol/sec_howtojoin.html&gt;.</p>
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