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<p><bold>SEGURANÇA PÚBLICA:</bold></p>
<p><bold>A POPULAÇÃO NO PLANEJAMENTO URBANO</bold></p>
<p>Joanita Araújo Espanhol</p>
<p>Mini-bio: Mestra em Segurança Pública pela Universidade Vila Velha.
Especialista em Direito e Processo do Trabalho, Direito Civil e
Empresarial e em Direito Digital e Compliance. Graduada. Atualmente é
professora no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Espírito Santo.</p>
<p>País: Brasil Estado: Espírito Santo Cidade: Colatina</p>
<p>Email de contato:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="mailto:joanita@ifes.edu.br">joanita@ifes.edu.br</ext-link>
ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-8483-9409">https://orcid.org/0000-0001-8483-9409</ext-link></p>
<p>Michelly Ramos de Ângelo</p>
<p>Arquiteta e urbanista, pós-doutorado pelo Instituto de Arquitetura e
Urbanismo da Universidade de São Paulo, com estágio no Centre Lillois
d’Études et de Recherches Sociologiques et Économiques da Université des
Sciences et Technologies de Lille. Autora de Louis-Joseph Lebret e a
Sagmacs: A formação de um grupo de ação para o planejamento urbano no
Brasil (2012).</p>
<p>País: Brasil Estado: Espírito Santo Cidade: Vitória</p>
<p>Email de contato:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="mailto:michellyr@hotmail.com">michellyr@hotmail.com</ext-link>;
ORCID:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-5921-3199">https://orcid.org/0000-0001-5921-3199</ext-link></p>
<p>Contribuição de cada autora: Ambas tiveram participação na elaboração
da proposta da pesquisa, orientação e revisão do conteúdo</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>A Segurança Pública é um tema que ocupa os debates da sociedade,
sendo que a ocorrência reiterada de atos de violência e os índices de
criminalidade estão presentes nessas discussões. Situação que pode ser
diagnosticada e minimizada com um planejamento urbano adequado que
busque a qualidade de vida e a segurança da população. O Plano Diretor
Municipal (PDM) constitui-se como um dos principais instrumentos de
planejamento municipal, palco de debates de fatores relacionados à
segurança pública. Este estudo apresenta como pergunta: Como a
participação popular, experimentada no processo de revisão do PDM do
Município de Vila Velha-ES, relaciona a vulnerabilidade socioambiental à
segurança pública? Para tanto, foi conduzida uma pesquisa qualitativa,
utilizando as técnicas de análise de conteúdo com o apoio do software
Iramuteq. Os resultados indicaram que as sugestões da população
participante relacionam a condição de vulnerabilidade às necessidades
vivenciadas com questões preventivas de segurança pública.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Planejamento urbano. Prevenção. Exclusão
territorial. Exclusão social. Criminalidade.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><bold><sc>PUBLIC SAFETY:POPULATION IN URBAN PLANNING</sc></bold></p>
<p>Public Security is a theme that occupies the debates of society, the
repeated occurrence of acts of violence and the crime rates are present
in these discussions. Situation that can be diagnosed and minimized with
proper urban planning that seeks the quality of life and safety of the
population. The Municipal Master Plan (PDM) is one of the main
instruments of municipal planning, the stage of debates on factors
related to Public Security. This study presented as a question: How does
popular participation, experienced in the PDM review process of Vila
Velha-ES, relate social and environmental vulnerability to public
safety? To this end, a qualitative research was conducted using content
analysis techniques with the support of IRaMuTeQ software. The results
indicated that the suggestions of the participating population relate
the condition of vulnerability to needs experienced with preventive
issues of public security.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Urban planning. Prevention. Territorial
exclusion. Social exclusion. Crime.</p>
<p>Data de recebimento: 01/06/2020 Data de Aprovação:07/03/2021</p>
<p>DOI: 10.31060/rbsp.2021.v15.n2.1250</p>
<p>Neste artigo abordou-se políticas públicas de segurança, como ações e
decisões do governo pautadas nas demandas e nos problemas da sociedade,
que refletiam na manutenção e na estabilidade da ordem pública. O que se
propôs foi analisar como a participação popular e seus anseios, no
âmbito de discussão do Plano Diretor Municipal (PDM), podem contribuir
para ações que repercutam na segurança pública.</p>
<p>Destaca-se que essas ações podem ser inseridas no planejamento urbano
desenvolvido pelo município por meio do PDM. Algumas ações de caráter
preventivo são citadas por Magalhães (2008) e Xavier (2012), como:
desocupação de áreas de preservação ambiental, de revitalização de
espaços públicos e de reurbanização de locais com focos de
criminalidade; planejamento e reforma urbana; mapeamento das áreas e das
espécies de conflitos; e uma gama de políticas sociais integradas que
promovam a cidadania e ofertem serviços básicos.</p>
<p>Assim, delimitou-se o tema em torno da pergunta: Como a participação
popular, experimentada no processo de revisão do PDM do Município de
Vila Velha-ES, relaciona a vulnerabilidade socioambiental com a
segurança pública no que tange aos apontamentos de suas necessidades a
fim de contribuição para a formulação de políticas públicas de
segurança?</p>
<p>A pesquisa, inicialmente, pretendia abarcar todo o processo de
revisão do PDM de Vila Velha-ES, contudo, teve seu recorte limitado pelo
fator tempo: o Município não procedeu a conclusão de todas as etapas,
tendo efetivado, até o começo da presente análise, somente a fase da
leitura comunitária.</p>
<p>O banco de dados, contendo as indicações e a participação da
população Vila Velhense, foi construído a partir das informações
disponibilizadas pela Prefeitura Municipal de Vila Velha-ES em seu
<italic>site</italic> institucional e utilizando o método qualitativo de
análise de conteúdo por meio do <italic>software</italic> Iramuteq.</p>
<p> Isso posto, pretendeu-se discutir o tema revisão do Plano Diretor
Municipal com fins contributivos para ações de política de segurança a
partir da perspectiva dos cidadãos participantes da revisão do PDM de
Vila Velha-ES.</p>
<p><bold>A RELAÇÃO ENTRE VIOLÊNCIA E VULNERABILIDADE</bold></p>
<p>Viver nos centros urbanos não só é um desafio para seus habitantes
como também é para os governantes, que precisam gerir os problemas que
circundam o desenvolvimento e o crescimento das cidades. Para Farias
(2005), o aumento do número de habitantes e o crescente processo de
urbanização vêm acarretando degradação da vida urbana. Essa degradação
tem impacto na vida humana, seja quando interrompida abruptamente por
ato de violência seja quando se é alvo de crimes que não terminam em
morte, mas infringem o direito à dignidade humana. É no meio ambiente
urbano que ocorre grande parte das lesões ao direito da dignidade humana
e ao direito da segurança<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>. A
promoção da dignidade humana é “[...] postulado fundamental da ordem
jurídica brasileira” (FARIAS; ROSENVALD, 2015, p. 164) e deve pautar
condutas e políticas públicas de segurança.</p>
<p>Para que haja desenvolvimento pleno do ser humano há pressupostos, ou
seja, requisitos mínimos para se viver com dignidade, dentre eles a
proteção da personalidade<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>, que se
projeta em assegurar os atributos físicos, psíquicos e morais do homem
(FARIAS; ROSENVALD, 2015). Atentar contra os atributos da personalidade
humana é ato de violência (CARDIN; MOCHI, 2014).</p>
<p>Segundo a Organização Mundial da Saúde, violência constitui:</p>
<disp-quote>
  <p>[...] a utilização intencional de força ou poder físico, por ameaça
  ou de fato, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou
  comunidade que resulta em ou tem alta probabilidade de resultar em
  ferimentos, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação.
  (OMS, 2002, p. 5).</p>
</disp-quote>
<p>A violência acaba por estar presente na vida íntima ou no
desenvolvimento de atividades coletivas. E, tão importante quanto agir
no pós-violência, é promover ações que a previnam ao entender suas
causas.</p>
<p>Nesse sentido preventivo, Caldeira (2000) associa violência às
transformações urbanas, que produzem um padrão espacial de segregação e
exclusão social, aliadas à fragilidade dos direitos civis.
Transformações urbanas não ocorrem da mesma forma para toda a população,
a urbanização das periferias, por exemplo, pode ser resultado de
especulações imobiliárias com a consequência de ilegalidade dos lotes e
das construções.</p>
<p>Na presença de irregularidades na documentação dos lotes ou
ilegalidade dos lotes, não há como conseguir financiamentos ou ter
acesso a direitos básicos. Direitos que deveriam ser ofertados pelo
poder público, como água tratada, saneamento básico, ruas pavimentadas,
dentre outros, emergindo, a partir disso, a segregação espacial ao
dividir e fragilizar os habitantes de uma mesma cidade dentro de várias
cidades.</p>
<p>Segundo Villaça (2011), a segregação urbana não deve ser vista ou
estudada pelo viés apenas de centro <italic>versus</italic> periferia,
mas compreendida dentro do contexto que se propõe investigar.
Exemplificando, o autor menciona a formação de condomínios fechados, que
podem estar inseridos em ambientes de separação não em relação à gênese
da violência, mas na fuga em busca por proteção contra a violência.</p>
<p>Nesse cenário de segregação espacial, não os de condomínios fechados,
os habitantes do espaço marginalizado não conseguem ter a efetividade de
direitos civis essenciais e fundamentais, como a vida ou o “simples” ir
e vir, tantas vezes impedido por “toques de recolher”, tiroteios, falta
de transporte e ruas alagadas.</p>
<p> Farias (2005, p. 171) afirma que “a cidade mal organizada e mal
planejada pode ser fonte ou lente de aumento da violência e da
criminalidade”. Na cidade segredada, “a falta de infraestrutura e a
precariedade dos serviços públicos concorrem facilmente para a formação
de delinquência” (CARMONA, 2014, p. 107).</p>
<p>Outra vertente para a compreensão da violência é apontada por Rolnik
(2000, p. 183), ao afirmar que: “‘a exclusão
territorial’<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> faz indivíduos,
famílias e comunidades particularmente vulneráveis, abrindo espaço para
a violência e o conflito”. Defende, ainda, que no cenário do urbanismo
de risco<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> as terras destinadas para
moradia dos pobres são, normalmente, aquelas marcadas por
características ambientais de fragilidade, perigosas e de difícil
ocupação, com encostas íngremes à beira de córregos e áreas alagadiças.
Tal situação desrespeita os direitos civis e expõe a vida dos moradores,
contribuindo para configuração de um quadro de exclusão
socioespacial.</p>
<p>A pobreza, a miséria e a precariedade de moradias muitas vezes estão
inseridas num contexto de exclusão social e territorial, mas não são
apresentadas pela literatura como fatores desencadeadores de violência.
Na visão de Carmona (2014), a pobreza e a miséria, em si, não são causas
de violência, mas sim a sua condição, vulnerabilizando principalmente a
juventude<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref> e sua inserção na
delinquência. Por fim, o autor, defende que a segregação urbana exerce
sim efeito sobre fatores sociais e acaba por gerar violência.</p>
<p>O termo vulnerabilidade admite várias possibilidades, como a
incapacidade ou a fragilidade de alguém, de espaços ou algo em
circunstâncias especiais (SILVA R., 2010). O conceito adotado na
presente pesquisa é aquele que relaciona vulnerabilidade socioambiental
à violência urbana. Vulnerabilidade socioambiental alia as precárias
condições de vida e a proteção social à degradação ambiental,
produzindo, simultaneamente, condições de vida precárias e ambientes
deteriorados, expressando-se também como menor capacidade de redução de
riscos e baixa resiliência (FREITAS <italic>et al</italic>., 2012).</p>
<p>Ressalta-se, entretanto, que a concepção de resiliência, como a
capacidade de um ambiente ou sociedade de voltar às condições anteriores
após serem impactadas/vitimadas por um evento de caráter extremo, nem
sempre deve ser inserida no contexto da urbanização dos países não
desenvolvidos, já que não se deve recompor as condições pré-existentes,
pois em sua grande parte são extremamente excludentes, injustas e
degradantes (MENDONÇA, 2017).</p>
<p>O contexto de vulnerabilidade socioambiental é complexo. Silva, R.
(2010) relaciona violência urbana à vulnerabilidade socioambiental por
meio da exclusão social, apontando que as zonas de exclusão social são
usualmente áreas com alto grau de vulnerabilidade ambiental e, assim,
algumas áreas tornam-se mais vulneráveis aos conflitos violentos e
passam a ser consideradas áreas de risco. Logo, o conceito de
vulnerabilidade envolve “um conjunto de fatores que pode diminuir ou
aumentar o risco no qual o ser humano, individualmente ou em grupo, está
exposto nas diversas situações da sua vida” (ESTEVES, 2011, p. 69).</p>
<p>Todos os fatores (exclusão social, exclusão territorial, segregação
urbana, urbanismo de risco) elencados pelos autores citados compõem as
características de um ambiente onde há vulnerabilidade socioambiental.
“O processo de deterioração do espaço social e
institucional<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref> contribui para
tornar essas áreas cada vez mais vulneráveis à violência,
transformando-as rapidamente em áreas de risco” (SILVA, R., 2010, p.
12).</p>
<p>A vulnerabilidade socioambiental relaciona-se à segurança pública, na
medida que se busca a compreensão de fenômenos como violência, crimes e
desastres, num raio de amplitude maior do que a repressão. Silva, R.
(2010, p. 9) afirma que “o risco de ocorrer um ato violento é maior em
áreas de vulnerabilidade social e ambiental, [...] e, estas são marcadas
pela exclusão social, fator fundamental para o aumento da violência
urbana”.</p>
<p>Dessa forma, baseada na exposição de estudiosos sobre o tema
abordado, fatores presentes na vida urbana como a exclusão social, a
exclusão territorial e a segregação espacial são componentes de um
ambiente com vulnerabilidade socioambiental. A exposição na Figura 1,
fundamentada na exposição da literatura, permite associar
vulnerabilidade à segurança pública.</p>
<p><bold>Figura 1</bold>: Vulnerabilidade socioambiental e segurança
pública</p>
<p>Fonte: Elaborado pela autora de acordo com o referencial teórico.</p>
<p>Destaca-se que os fatores citados na Figura 1 podem ser identificados
pelos cidadãos que os vivenciam no processo de Revisão do PDM. E, se
forem trabalhados pelo município, principal ente federativo responsável
pela execução da política urbana ditada pela Constituição Federal de
1988, cumprirão o ditame do Estatuto da Cidade, o qual enfatiza que as
normas de regulação de uso da propriedade urbana devem ser elaboradas em
prol da segurança e do bem-estar dos cidadãos.</p>
<p>Se ações de políticas públicas forem direcionadas para programas e
projetos que diminuam a vulnerabilidade desses cidadãos, que convivem
com os problemas urbanos identificados, pode haver uma significativa
melhoria em termos de segurança pública. Carmona (2014) cita a
transformação da cidade de Bogotá, na Colômbia, que convivia com sérios
problemas de violência no início da década de 90, chegando a registrar
80 homicídios (mortes violentas) por 100 mil habitantes e conseguiu
reduzir, significativamente, esse número para 22,7 em 2009.</p>
<p>O autor destaca ainda que a violência e a criminalidade de Bogotá
foram reduzindo com a implementação de política pública clara e
sustentável e com a participação da população, citando como exemplo as
seguintes ações: arborização da cidade, recuperação de espaços públicos
e de entornos deteriorados, gestão das informações sobre violência e
delinquência, atenção especial a grupos vulneráveis.</p>
<p>O exemplo citado é fruto de um conjunto de ações voltadas para uma
população que sofria com problemas de segurança pública e que enxergou a
saída numa série de medidas preventivas e não exclusivamente em ações
repressivas. Tais medidas devem ser associadas a um planejamento urbano
adequado à realidade de cada cidade, com normas efetivas instituídas e
elaboradas em conjunto com a população. A existência da nova ordem
urbanística constitucional, compreendida como “promoção da dignidade da
pessoa humana” (CARMONA, 2014, p. 327) e com fins de confrontação e
resolução de conflitos (FERNANDES, 2013), pode atuar na prevenção da
violência.</p>
<p>De acordo com a revisão da literatura apresentada, existem alguns
grupos mais suscetíveis à violência e à criminalidade, os que vivenciam
e/ou estão no cenário da vulnerabilidade. Ações que envolvam
planejamento urbano podem diminuir a condição de vulnerabilidade e
reduzir os números da violência. Observa-se, portanto, a associação
entre planejamento urbano inadequado ou a sua ausência e a segurança
pública. Situação que pode ser discutida no âmbito da formação do PDM,
principal instrumento do planejamento urbano municipal.</p>
<p><bold>ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS</bold></p>
<p> A Leitura Comunitária<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>
constituiu-se de onze eventos realizados entre os dias 28 de março e 6
de junho de 2016, sendo cinco fóruns regionais, cinco seminários e uma
audiência pública (VILA VELHA, 2016). Concomitantemente, contou com a
participação <italic>on-line</italic> da população por meio de uma
plataforma participativa disponível no <italic>site</italic> oficial da
prefeitura de Vila Velha-ES (disponível em:
pdm.vilavelha.es.gov.br).</p>
<p>Na plataforma participativa <italic>on-line</italic>, dentro da aba
intitulada “Melhore sua Cidade”, o internauta era convidado a participar
expondo ou avaliando sugestões que poderiam ser realizadas por
tema<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref> e por
região<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>, bem como efetuar somente
curtidas nas sugestões de outros participantes.</p>
<p>Com os dados encontrados, foi possível construir as análises. Foram
analisados 355 comentários (<italic>on-line</italic>) postados até 2 de
novembro de 2017, que compõem parte da participação popular no PDM de
Vila Velha-ES, o que possibilitou estabelecer as relações entre as
variáveis estudadas.</p>
<p>Os comentários foram organizados em um único <italic>corpus</italic>
que foi submetido ao <italic>software</italic> Iramuteq com os métodos:
Nuvem de Palavras, Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e Gráfico
de Similitude.</p>
<p>Inicialmente, por meio da Nuvem de Palavras representada pela Figura
2, analisou-se os termos que organizados graficamente apresentavam maior
frequência (CAMARGO; JUSTO, 2013). Dessa forma, o
<italic>software</italic> aponta as palavras que mais se repetiram no
<italic>corpus</italic> da pesquisa, fornecendo um resumo do material
(<italic>corpus</italic>) analisado. Trata-se de um resumo, pois em
destaque e mais centralizadas estão as palavras de maior frequência,
gradualmente; em seguida, aparecem as de menor frequência em tamanho
menor e mais periféricas.</p>
<p>Considerando as palavras em destaque na Figura 2, observam-se alguns
substantivos como <italic>poder</italic>, <italic>praia</italic>,
<italic>bairro</italic> e <italic>região</italic>, o que indica sua
importância e representatividade no <italic>corpus</italic> textual.</p>
<p><bold>Figura 2</bold>: Resultado da análise do gráfico de Nuvens de
Palavras (Vila Velha-ES, 2017)</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image3.png" />
<p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
<p>Essa descoberta, do centro a partir da palavra
<italic>bairro</italic>, no sentido vertical/norte, sugere que a
população visualiza a sua realidade a partir de seu bairro. Isso indica
necessidades imediatas e problemas pontuais, aponta que essas
necessidades estão relacionadas ao poder executivo, já que o nome
<italic>prefeitura</italic> aparece em um tamanho um pouco menor,
contudo próximo a <italic>poder</italic> e a
<italic>representante</italic>.</p>
<disp-quote>
  <p>Morada da Barra. Lagoa Jabaete, que deveria ser ponto turístico ou
  de passeio, não recebe atenção dos órgãos da <bold>prefeitura</bold> e
  demais órgãos de preservação. Está secando por não ter controle de
  retirada de água do meio para irrigações de plantações em torno e nem
  preservação da área para recuperação. Além da subida para o xuri, está
  sendo retirada de terra em área de matas e invasões de casas por
  pessoas indevidamente e em estado de perigo para vida. A região já se
  encontra em guerra de espaço sem devida <bold>segurança</bold> e
  atenção para melhorias dos <bold>bairros</bold> que ali em torno já se
  encontram, e cada dia mais tendo pessoas a ocupar áreas indevidas.
  (Participante nº 6, grifo nosso).</p>
</disp-quote>
<p>A fala apresentada do Participante nº 6 aponta conhecimento de
necessidades sobre o bairro Morada da Barra e, mais do que isso, aponta
as forças (MARICATO, 2014) que atuam sobre ele. A fala ainda aponta a
omissão do poder público frente às questões ambientais em detrimento das
econômicas, além da pressão popular e da capacidade da sociedade civil
em monitorar e fiscalizar o cumprimento da lei (SOUZA, 2010), o que pode
fazer frente à ineficiência da administração pública. Por fim, os
dizeres entrelaçam-se com a segurança pública ao mencionar “guerra de
espaços, sem segurança em áreas ocupadas indevidamente”, cenário
propício e vulnerável (SILVA R., 2010) à violência urbana (ROLNIK,
2000)</p>
<p>Em seguida, na Nuvem de Palavras (Figura 2), em menor tamanho surgem
as palavras <italic>criança</italic>, <italic>segurança</italic> e
<italic>problema</italic>, indicando a preocupação da população com a
segurança das crianças e a relação delas com
<italic>mobilidade</italic>, <italic>trânsito</italic>,
<italic>estacionamento</italic> e <italic>ônibus</italic>.</p>
<disp-quote>
  <p>Gaivotas. A ponte que faz ligação entre a Rua Jorge Rizk e a
  Avenida Leila Diniz é inadequada. Não possui ciclovia ou passeio de
  pedestres adequado. A calçada precária não possui pavimentação. Não há
  guarda corpo que proteja as <bold>crianças</bold> na ponte, construída
  sobre o valão (medievalmente a céu aberto!). Toda a Avenida Leila
  Diniz necessita de cuidado, desde a rotatória que faz ligação com a
  Rodovia Darly Santos até o Parque das Gaivotas há carência de
  <bold>ciclovia</bold> e passeios adequados. A mão única pode ajudar.
  (Participante nº 202, grifo nosso).</p>
</disp-quote>
<p>Se a atenção se voltar para <italic>bairro</italic> no sentido
vertical-sul, a palavra será seguida por <italic>região</italic>,
<italic>cidade</italic>, <italic>município</italic>,
<italic>desenvolvimento</italic>, <italic>construção</italic>,
<italic>preservação</italic>, <italic>casa</italic>,
<italic>espaço</italic>, <italic>pavimentação</italic> e
<italic>comunidade</italic>. Isso remete à sugestão de que o
<italic>bairro</italic> precisa <italic>estar</italic> (verbo exposto no
centro) inserido no espaço da <italic>cidade</italic> e que
<italic>desenvolvimento</italic> está aliado à
<italic>pavimentação</italic>, à <italic>iluminação</italic>.</p>
<disp-quote>
  <p>Praia de Itaparica. Sugiro que o PDM seja elaborado, consolidado,
  aprovado e implementado com o foco de tornar nossa Vila Velha uma
  <bold>cidade</bold> essencialmente turística. Conheço e frequento
  nossa <bold>cidade</bold> há mais de 25 anos e há um ano me aposentei
  e moro na Praia de Itaparica. Ao longo de todos estes anos que estive
  em contato com a <bold>cidade</bold> sempre ouvi avaliações ótimas
  sobre a qualidade de vida e sempre com foco <bold>no turismo</bold>.
  Se tivermos o turismo como foco, todas as melhorias correlatas trarão
  <bold>desenvolvimento</bold>. A limpeza, a preocupação social, a
  segurança, o incentivo a empreendedores. Imaginem uma cidade a 20 km
  de um aeroporto e que tenha praias lindas e limpas, escola de
  kitesurfvisitas seguras e controladas às ilhas, meio ambiente
  protegido e admirado, três shoppings, alimentação de primeira.
  Poderemos trazer congressos, excursões de bom nível. As escolas
  ensinarão às crianças, a economia informal poderá ser bem orientada.
  Só temos a ganhar! (Participante nº 135, grifo nosso).</p>
  <p>Barra do Jucu. Barra do Jucu é uma <bold>comunidade</bold>
  tradicional, ocupando um lugar de destaque pelo convívio social e
  familiar em destaque pelos moradores, onde o “bom dia” do vizinho
  ainda se faz sentir. Existe <bold>pavimentação</bold>, à agua e
  energia, mas tem a carência de <bold>ESGOTO</bold> SANITÁRIO para seus
  moradores. Implantar o <bold>esgoto</bold> é uma necessidade de
  civilização e de boa saúde para todos. (Participante nº 46, grifo
  nosso).</p>
  <p>Centro de Vila Velha. Projeto de revitalização para a Praça Duque
  de Caxias, com novas atividades de lazer e cultura, inclusive
  equipamentos para ginástica, pontos regulares para alimentação e
  comércio já existentes, baia correta no ponto de ônibus e melhora na
  <bold>pavimentação</bold>. Mais segurança com boa
  <bold>iluminação</bold>, poda regular de árvores e monitoramento.
  Dica: há vários projetos feitos por alunos de arquitetura e urbanismo
  dessa praça que seriam ótimos para contribuir na revitalização. O
  Centro de Vila Velha merece uma boa praça! (Participante nº 93, grifo
  nosso).</p>
</disp-quote>
<p>Pavimentação, iluminação, lazer e condições para melhor usufruir da
cidade com os direitos básicos assegurados caminham no sentido da
promoção do bem-estar do cidadão, influenciando em números que refletem
na segurança pública (CARMONA, 2014), como nas reduções de crimes contra
o patrimônio e homicídios (FARIAS, 2005).</p>
<p><italic>Casa</italic> está no centro, entre
<italic>preservação</italic> e <italic>espaço</italic>, próxima à
<italic>comunidade</italic>, corroborando o referencial teórico que
afirma que as condições de moradia associadas a exclusão social
(MARICATO, 2014), distância entre casa e educação, local de trabalho e
falta de lazer (SILVA J., 2010) são remetidas à segurança pública e
PDM.</p>
<disp-quote>
  <p>Ponta da Fruta. Minha casa fica longe da creche construída em
  Balneário e gostaria que criassem uma aqui perto de onde eu moro.
  (Participante nº 230).</p>
  <p>Morada da Barra. Vistoriar o uso e a <bold>ocupação</bold> do seu
  entorno, como também o lançamento de esgoto em suas águas. Avançar na
  proposta da criação da área de <bold>preservação e parque</bold>, para
  assegurar a <bold>proteção</bold> a esta delicada região.
  (Participante nº 39<bold>,</bold> grifo nosso).</p>
</disp-quote>
<p>No sentido oposto, na lateral direita, menciona-se
<italic>Itaparica</italic> e <italic>Costa,</italic> seguidas de
<italic>construção</italic>, <italic>ocupação</italic> e
<italic>parque</italic>. Se na lateral esquerda a ênfase é com direito
básicos, como <italic>esgoto</italic> e <italic>proteção</italic>, na
lateral direita são expostas duas praias (<italic>Costa</italic> e
<italic>Itaparica</italic>), com palavras pontuais como
<italic>atividade</italic>, <italic>parque</italic>,
<italic>conservação</italic> e <italic>ocupação</italic>,
relacionando-se a turismo e empreendimentos da construção civil.</p>
<disp-quote>
  <p>Praia de Itaparica. A praia é um dos principais atrativos
  turísticos de Vila Velha, porém a orla vem sendo <bold>ocupada</bold>
  de modo descontrolado, com condomínios fechados com alturas
  incompatíveis ao ambiente no entorno, causando impactos na qualidade
  urbana, como sombras na praia, desvalorização do potencial
  paisagístico da costa e a supersaturação da estrutura viária da orla.
  Uma sugestão é que essa transição do mar para a <bold>cidade</bold>
  ocorra de forma suave, com um <bold>parque</bold> urbano linear nos
  terrenos à beira-mar ainda não construídos e ociosos (entre a Av. José
  Júlio de Souza e a Rodovia do Sol, na Praia de Itaparica), ou seja, um
  <bold>parque</bold> público com espaços livres arborizados, permeados
  com espaços para atividades diversas, conectando a <bold>cidade</bold>
  à Reserva de Jacarenema. É de fundamental importância que os terrenos
  fossem inseridos na Zona de Especial Interesse Ambiental, para fins de
  <bold>proteção e preservação</bold> do ecossistema marinho e da
  restinga ainda presente nessa área privada. Existem instrumentos
  previstos no Estatuto da Cidade, como as “Operações Urbanas
  Consorciadas” ou o “Direito de Preempção”, que visam entre outros
  objetivos a “criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes” bem
  como a “proteção de áreas de interesse histórico, cultural ou
  paisagístico” em áreas privadas. (Participante nº 123, grifo
  nosso).</p>
  <p>Praia da Costa. Transformação do Morro do Moreno em
  <bold>parque</bold> ecológico, com a retirada de todas construções
  irregulares e em área de <bold>preservação</bold>. Implantar projeto
  para melhor aproveitamento do potencial <bold>turístico</bold> do
  Morro e seu entorno. (Participante nº 129, grifo nosso).</p>
</disp-quote>
<p>Tendo a descrição de uma cidade vista pelo olhar de quem a vivência,
com problemas a começar pelos bairros, a estrutura da Nuvem de Palavras
confirma, por meio de conhecimento popular-empírico, o que aponta o
referencial teórico exposto: relacionando investimentos de grandes
empresas, alteração ambiental (SILVA, 2014), áreas de preservação
indevidamente ocupadas (ROLNIK, 2000; SILVA R., 2010), espaços públicos
bem iluminados e revitalizados com áreas de lazer (CARMONA, 2014) à
segurança pública, ainda que indiretamente.</p>
<p>Mesmo sem direcionamento ou indução, a Nuvem de Palavras evidencia
que a população associa indiretamente planejamento urbano à segurança
pública, quando aponta suas deficiências e necessidades, seus problemas
e conflitos, e reivindica as soluções no âmbito da vulnerabilidade
socioambiental. Confirmando a hipótese defendida de que segurança
pública, no viés da vulnerabilidade socioambiental, foi inserida na
discussão popular de forma indireta.</p>
<p>Ser mencionada de forma indireta não a torna menos relevante, mas
traz à voga que a segurança pública, além de complexa, é um tema que
pode ser inserido no planejamento urbano com atividades e ações próprias
da sua alçada. Contudo, a população participante do processo de revisão
do PDM encontra dificuldade em relacioná-lo à segurança pública, por
constituir-se um tema difuso que perpassa vários segmentos trabalhados
pelo município.</p>
<p>As indicações mencionadas pela população podem ser inseridas nas
ações municipais de prevenção ao crime e à violência, já que essas
incluem promover o bem-estar das pessoas ao estimularem os laços sociais
com medidas que garantam saúde, educação, economia e modificação das
condições nas comunidades que levem à infração, à vitimização e à
insegurança (XAVIER, 2012).</p>
<p>Por meio da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), os textos
foram organizados de acordo com seus vocabulários, dividindo-se pelas
frequências que formaram as classes (SILVA; SILVA; MENEGON, 2017). Isso
permitiu a compreensão das expressões e palavras contidas nos
comentários analisando-as a partir de seus lugares e inserções
sociais.</p>
<p>Para a estatística contextual, as características devem ser
consideradas (CAMARGO; JUSTO, 2013). Nesse cenário, o
<italic>corpus</italic> geral foi formado por 330 textos, separados em
785 segmentos de textos, sendo 739 aproveitados, ou seja, 94,14% do
total seguiram em análise. Emergiram 25.789 ocorrências, as quais 1.908
foram distintas e 1.309 com apenas uma ocorrência, categorizando, assim,
o conteúdo em 6 classes.</p>
<p><bold>Figura 3</bold>: Síntese do <italic>corpus</italic> textual</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image5.png" />
<p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
<p>Conforme a Figura 4, o conteúdo analisado foi categorizado em seis
classes: Classe 1, com 98 segmentos de texto, o que correspondeu a
13,30% do total; Classe 2, com 99 segmentos de texto, representando
13,40%; Classe 3, com 182 segmentos de texto, o que representou 24,60%;
Classe 4, com 132 segmentos de texto, representando 17,90%; Classe 5,
alcançando 16% de segmentos de texto, com total de 118; e Classe 6, que
teve 110 segmentos de texto, ou seja, 14,90% do total.</p>
<p><bold>Figura 4</bold>: Dendograma 1 – Classificação Hierárquica
Descendente (Vila Velha-ES, 2017)</p>
<p><inline-graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image4.jpg" />Fonte:
Dados da pesquisa.</p>
<p>É válido ressaltar que as seis classes (Figura 4) se apresentaram
separadas em ramificações (A e B) do <italic>corpus</italic> em análise.
Da ramificação A, denominada <italic>Políticas Públicas</italic>, emerge
um conteúdo específico compondo a Classe 6, <italic>Representação
Social</italic>. O <italic>Subcorpus</italic> B,
<italic>Cidade</italic>, é formado pelos <italic>Subcorpus</italic> C e
D, sendo o C denominado <italic>Função Social</italic>, composto pelas
Classes 1, <italic>Preservação Ambiental</italic>, e 2, <italic>Ocupação
Regular</italic>, e o D denominado <italic>Infraestrutura,</italic>
constituído pelo <italic>Subcorpus</italic> E,
<italic>Cidadania,</italic> que foi representado pela Classe 3,
<italic>Cidadania,</italic> e pelo <italic>Subcorpus</italic> F,
<italic>Desenvolvimento</italic>, constituído pelas Classe 4,
<italic>Mobilidade,</italic> e 5, <italic>Investimentos em
Turismo</italic>.</p>
<p><bold>Figura 4</bold>: Dendograma 2 – Classificação Hierárquica
Descendente (Vila Velha-ES, 2017)</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image6.jpg" />
<p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
<p>Destaca-se que essas seis classes se encontram divididas em duas
ramificações (A e B) do <italic>corpus</italic> total em análise. O
<italic>Subcorpus</italic> A, <italic>Políticas Públicas</italic>, é
composto por uma única classe, com conteúdo mais concentrado e distante
das demais classes. A Classe 6 (<italic>Representação Social</italic>)
refere-se à participação da sociedade, por meio de conselhos
representantes, nas decisões do governo municipal, inclusive em assuntos
como economia, desenvolvimento e sustentabilidade. O
<italic>Subcorpus</italic> B, denominado <italic>Cidade</italic>, é
constituído pelos C (<italic>Função Social</italic>) e D
(<italic>Infraestrutura</italic>), e engloba comentários correspondentes
ao planejamento da cidade quanto à propriedade, à regularização e
localização, à urbanização e ao transporte/trânsito.</p>
<p>Em continuidade, o <italic>Subcorpus</italic> C (<italic>Função
Social</italic>) é formado pelas Classes 1 (<italic>Preservação
Ambiental</italic>) e 2 (<italic>Ocupação Regular</italic>) que, apesar
das divergências entre elas, possuem conteúdo comum, por isso estão na
mesma ramificação. A Classe 1 retrata a preocupação da população com a
preservação do meio ambiente, seja na recuperação de nascente, criação
de parques, proteção da fauna, recuperação dos rios. Já a Classe 2, que
também expõe assuntos ambientais como parques e zoneamento, enfatiza a
ocupação em locais adequados e a regularização das edificações.</p>
<p>Na outra vertente, o <italic>Subcorpus</italic> D
(<italic>Infraestrutura</italic>) divide-se no E
(<italic>Cidadania</italic>) e no F (<italic>Desenvolvimento</italic>).
A ramificação E organizou-se na Classe 3 (<italic>Cidadania</italic>),
que visualmente associa-se <italic>diretamente</italic> à segurança
pública e faz ligação entre falta de lazer, de iluminação, revitalização
com violência, drogas e insegurança.</p>
<p>Por fim, o <italic>Subcorpus</italic> F
(<italic>Desenvolvimento</italic>) compõem-se das Classes 4
(<italic>Mobilidade</italic>) e 5
(<italic>Investimento-turismo</italic>). A similaridade delas está na
promoção do desenvolvimento da cidade, com investimentos que conectam o
litoral a todo território municipal. A Classe 4 foca-se em indicações de
investimentos na orla direcionada ao turismo e ao mercado imobiliário,
já a Classe 5 faz referência à melhor organização de trânsito, ao
transporte tradicional e o alternativo, como o tema ciclovia.</p>
<p>Essas ramificações e subdivisões ficam melhor expostas quando as
classes são representadas pelas palavras que compõem cada uma, conforme
Figuras 5 e 6.</p>
<p><bold>Figura 5</bold>: Dendograma 3 – Classificação Hierárquica
Descendente (Vila Velha-ES, 2017)</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image1.jpg" />
<p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
<p><bold>Figura 6</bold>: Dendograma 4 – Classificação Hierárquica
Descendente (Vila Velha-ES, 2017)</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image7.png" />
<p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
<p>As Figuras 5 e 6 apresentam categorias que se tornaram nítidas pelos
trechos das opiniões, as quais exibem referências que agrupam a
significação e o sentido das indicações.</p>
<p>A Classe 6, categorizada como <italic>Representação Social</italic>,
emerge com maior distância das demais, não por indicar uma ruptura entre
as mesmas, mas sinalizando uma classe que define as demais. Definição
que aponta como responsabilidade daqueles que representam a população no
poder público, especificamente na função executiva (Prefeitura
Municipal), na efetivação do conteúdo das categorias que se ramificam.
Com pertinência, a Classe 6 indica que a sociedade civil deve
encontrar-se presente na formulação e organização do território,
demonstrando que a população tem ciência que deve fiscalizar seus
representantes (SILVA J., 2010). Em contrapartida, os representantes
deveriam entender que mais do que administrar finanças, é preciso gerir
relações sociais (SOUZA, 2014) e, com isso, oportunizar o equilíbrio
entre as necessidades dos moradores que compõem a população do município
e sua real condição financeira.</p>
<p>Os segmentos de texto captaram trechos que demonstram esse
indicativo: “<bold>promover</bold> a <bold>articulação</bold> junto aos
<bold>órgãos</bold> públicos <bold>e</bold> junto às
<bold>instituições</bold> privadas da inserção da temática da
<bold>economia</bold> criativa no <bold>âmbito</bold> de suas atuações”
(Participante nº 132, grifos realizados na análise do Iramuteq).</p>
<p>A interação e a articulação entre o poder local e a comunidade são
essenciais na execução de programas preventivos voltados para a
segurança pública (XAVIER, 2012; CARMONA, 2014; MAGALHÃES, 2008).</p>
<p>As Classes 1 e 2 apresentam uma semelhança de valores, com 13,30% e
13,40%, respectivamente. A aproximação não se dá apenas em percentuais,
mas em conteúdo, suas palavras-chave interlaçam-se em significados e
contextos. A <italic>Prevenção Ambiental</italic> (Classe 1) salienta a
preocupação com questões ambientais no sentido de preservar os
potenciais naturais do munícipio. Coadunando esse indicativo, a Classe 2
(<italic>Ocupação Regular)</italic> relaciona ocupação do território com
áreas edificáveis, aproveitando o potencial residencial, mas com
respeito às áreas de reserva e à delimitação dos zoneamentos.</p>
<p>Classe 1:</p>
<disp-quote>
  <p>Infelizmente a <bold>área</bold> sofre com queimadas
  <bold>extração</bold> criminosa de <bold>areia</bold> e
  <bold>terra</bold> caça captura de <bold>aves</bold> queimadas
  criminosas e diversos outros crimes que acontecem comumente a
  <bold>população</bold> já utiliza a <bold>área</bold> para lazer nas
  <bold>lagoas</bold>. (Participante nº 34, grifos realizados pelo
  Iramuteq).</p>
  <p><bold>Vale</bold> encantado <bold>criação</bold> e
  <bold>implementação</bold> do parque alagados do <bold>vale</bold>
  encanado a <bold>área</bold> é a <bold>região</bold> de
  <bold>inundação</bold> do <bold>rio</bold> jucu uma
  <bold>região</bold> de alagados que já foram <bold>registrados</bold>
  <bold>aves</bold> raras que somente encontradas na <bold>área</bold>.
  (Participante nº 297 , grifos realizados pelo Iramuteq).</p>
</disp-quote>
<p>Classe 2:</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Barra</bold> do jucu <bold>inserir</bold> no pdm
  <bold>regras</bold> mais rígidas de <bold>uso</bold> e
  <bold>ocupação</bold> do <bold>solo</bold> em <bold>áreas</bold>
  limítrofes das <bold>unidades</bold> de <bold>conservação</bold>
  principalmente do <bold>parque</bold> de jacarenema. (Participante nº
  16, grifos realizados pelo Iramuteq).</p>
</disp-quote>
<p>Uma cidade organizada com normas urbanísticas bem implementadas é
fator de segurança (CARMONA, 2014). O planejamento adequado com
aproveitamento dos potenciais ambientais e respeito às áreas não
edificáveis (SILVA R., 2010), com diminuição dos contrastes urbanos
(ROLNIK, 2000) e o não crescimento desordenado (EVANGELISTA, 2012),
concorre para a redução das desigualdades sociais e diminui a
vulnerabilidade socioambiental (SILVA R., 2010).</p>
<p>Embora não esteja explícito a associação com segurança nessas
classes, as reivindicações podem ser trabalhadas com políticas
ambientais e sociais que reflitam na segurança. Nesse sentido, reservas
naturais e parques urbanos implementados em favor da população podem ser
utilizados como áreas de lazer/recreação, bem como as áreas consolidadas
com moradia, avaliadas para a prática de locais seguros, com menos
riscos de conflitos de vizinhança por água, divisas e disputas de
espaços (FARIAS, 2005). Tais medidas poderiam ter como consequência a
redução da segregação urbana, tendo em vista que espaços desvalorizados,
dificuldades de locomoção no espaço urbano e deficiência na qualidade da
moradia compõem não apenas o cenário de segregação, mas os ambientes
vulneráveis a conflitos desencadeadores de violência (CARMONA,
2014).</p>
<p>O conteúdo da Classe 3 evidencia a organização de falas que convergem
na direção do referencial teórico no que tange à exclusão social e à
segregação urbana; vejamos</p>
<p>Classe 3:</p>
<disp-quote>
  <p>Mas nesse espaço venho <bold>pedir</bold> uma melhor
  <bold>iluminação</bold> dessa <bold>rua</bold> já que a
  <bold>rua</bold> supracitada possui uma <bold>iluminação</bold>
  insuficiente o que a <bold>torna</bold> um <bold>local</bold> propício
  para <bold>assaltos</bold> <bold>trazendo</bold> insegurança para
  todos os <bold>moradores</bold> <bold>espero</bold> poder
  <bold>contribuir</bold> para <bold>tornar</bold> vila velha um
  <bold>lugar</bold>. (Participante nº 224, Alvorada, grifos realizados
  pelo Iramuteq).</p>
  <p>A <bold>praça</bold> que lá <bold>existe</bold> só tem servido para
  ponto de usuários de <bold>drogas</bold> onde o <bold>local</bold>
  cheira mal <bold>incomodando</bold> a vizinhança e os comerciantes
  além dos <bold>moradores</bold> da <bold>comunidade</bold>.
  (Participante nº 330, Industrial do Alecrim, grifos realizados pelo
  Iramuteq).</p>
  <p>Antigamente iriam construir uma <bold>academia</bold> popular tinha
  <bold>equipamento</bold> e tudo guardado no ginásio do tartarugão mas
  não sei o que foi feito e a <bold>praça</bold> não foi
  <bold>terminada</bold> a <bold>reforma</bold> da <bold>praça</bold>
  <bold>leva</bold> <bold>qualidade</bold> de <bold>vida</bold> para o
  <bold>bairro</bold> sendo que a <bold>praça</bold> <bold>virou</bold>
  depósito de <bold>drogas</bold> e mendigos. (Participante nº 72,
  Itaparica, grifos realizados pelo Iramuteq).</p>
  <p>A pmvv podia regularizar esses <bold>esgotos</bold> junto com a
  cesan fazer uma ciclovia uma <bold>calçada</bold> uma
  <bold>praça</bold> e <bold>colocar</bold> uma guarita etc o que não
  pode é <bold>ficar</bold> esse valão a <bold>céu</bold> aberto com os
  <bold>esgotos</bold> das <bold>casas</bold> <bold>caindo</bold> direto
  do <bold>jeito</bold> que está. (Participante nº 86, Praia das
  Gaivotas, grifos realizados pelo Iramuteq).</p>
</disp-quote>
<p>A análise dos dados indica a predominância de precariedade ou a
ausência de serviços públicos em alguns bairros, características de um
ambiente em que existe segregação urbana (CARMONA, 2014) e exclusão
social (MARICATO, 2014), além de tornar a população desses locais
vulneráveis aos atos de violência (SILVA R., 2010) e à não resistência
ao crime organizado (CARMONA, 2014). Nesta classe, há assimilação
explícita das reivindicações de maior segurança da comunidade que vive
nos bairros mencionados.</p>
<p>Nas Classes 4 e 5 há uma afinidade de composição e porcentagem,
17,90% e 16%, respectivamente. Elas são compostas por palavras que
conectam mobilidade à extensão litorânea da cidade, com a citação de
duas praias (Costa e Itaparica). A Classe 5 comporta, ainda, palavras
que associam intervenção no trânsito e segurança dos pedestres.</p>
<p>Classe 4:</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Centro</bold> <bold>sugiro</bold> e acho que é nosso dever
  cívico e moral para as futuras <bold>gerações</bold>
  <bold>implementar</bold> áreas verdes na <bold>praia</bold> da
  <bold>costa</bold> que foi <bold>destruída</bold> pela
  <bold>quantidade</bold> enorme e desordenada de <bold>prédios</bold>
  alto que <bold>impossibilita</bold> a circulação do <bold>vento</bold>
  e <bold>sol</bold> na <bold>praia</bold>. (Participante nº 278, grifos
  realizados pelo Iramuteq).</p>
  <p>Como sombras na <bold>praia</bold> desvalorização do potencial
  paisagístico da <bold>costa</bold> e a supersaturação da
  <bold>estrutura</bold> viária da <bold>orla</bold> uma
  <bold>sugestão</bold> é que essa transição do <bold>mar</bold> para a
  <bold>cidade</bold> <bold>ocorra</bold> de <bold>forma</bold> suave
  com um parque urbano linear nos terrenos à beira-<bold>mar</bold>
  ainda não construídos e ociosos. (Participante nº 123, grifos
  realizados pelo Iramuteq).</p>
</disp-quote>
<p>Classe 5:</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Alvorada</bold> <bold>venho</bold> <bold>pedir</bold> a
  <bold>instalação</bold> de um <bold>quebra</bold>-<bold>molas</bold>
  cidadão nesta <bold>rua</bold> devido ter uma <bold>escola</bold> com
  muitas <bold>crianças</bold> que <bold>saem</bold> por essa
  <bold>rua</bold> e os <bold>motoristas</bold> principalmente de
  <bold>ônibus</bold> de <bold>linha</bold> que <bold>passa</bold> por
  aqui. (Participante nº 234, grifos realizados pelo Iramuteq).</p>
  <p>As novas rodovias que dão <bold>acesso</bold> ao
  <bold>bairro</bold> não <bold>possuem</bold> iluminação pública
  <bold>dificultando</bold> a <bold>passagem</bold> de
  <bold>veículos</bold> no <bold>período</bold> noturno e comprometendo
  a segurança dos cidadãos que <bold>utilizam</bold> o caminho nesse
  <bold>horário</bold> em nome dos moradores da região <bold>peço</bold>
  que realizem e executem um projeto de iluminação. (Participante nº
  267, grifos realizados pelo Iramuteq).</p>
</disp-quote>
<p>Ainda que as palavras não estabeleçam associação direta à segurança,
pode-se inferir sua ligação indireta se entendermos litoral como áreas
de circulação e lazer, eixos defendidos por Carmona (2014) a serem
trabalhados, a exemplo do que foi realizado na cidade de Bogotá
(Colômbia). Não é foco desta pesquisa, mas a mobilidade urbana e a
violência no trânsito conectam-se diretamente à segurança pública.</p>
<p>A exposição e a categorização em <italic>Classes</italic> evidencia
com maior ênfase a vulnerabilidade que a população envolvida no processo
de revisão do PDM – agora foco da pesquisa – vivencia, relacionando-a
tanto pela sociedade civil quanto pelos agentes políticos de forma
indireta. Isso possibilita o traçar de políticas públicas de segurança
ao identificar as causas indiretas da violência, ou seja, as concausas
(CARMONA, 2014) que concorrem para a criminalidade e o ambiente
violento.</p>
<p>As concausas, conforme Carmona (2014), são as situações que
contribuem para a formação de um ambiente violento, contudo não são
vistas num primeiro plano quando se trata de segurança pública, haja
vista que se tratam de ações voltadas para a efetivação e a
concretização de direitos civis básicos, e não de ações como
desarmamento, combate ao tráfico de drogas, furtos, entre outros atos
criminosos que assolam a sociedade brasileira. Tratam-se de ações
voltadas para o fortalecimento do cidadão, como ambiente seguro com
acesso à educação, ao lazer, à cultura, ao emprego, ao saneamento e à
preservação adequada dos recursos naturais, ações essas que podem ser
iniciadas com um planejamento urbano adequado e eficaz, levando em
considerações as peculiaridades, deficiências e os pontos fortes de cada
município. São essas ações que são alvo dos anseios e desejos da
população, que não as conectam à segurança, contudo o referencial
teórico nos conduz ao elo existente entre vulnerabilidade
socioambiental, destacando-se as exclusões sociais e territoriais e a
segurança pública preventiva.</p>
<p>A partir disso, a Classificação Hierárquica Descendente sugere que as
reivindicações da população não se coadunam em sua totalidade com as
funções de um PDM, mas expõem a vivência em áreas acometidas por
exclusão social, exclusão territorial e segregação urbana, o que a torna
(a população) vulnerável a situações de conflito e violência (ROLNIK,
2000; SILVA R., 2010; CARMONA, 2014).</p>
<p>A Figura 7 exibe os dados da Análise de Similitude, que expõe a
identificação das ocorrências simultâneas entre as palavras e a
conexidade entre os termos encontrados nas indicações populares. A
importância está na possibilidade de inferir a estrutura de construção
do texto e os temas de relativa relevância. Na figura, as palavras de
maior interação estão organizadas em blocos de cores diferentes, os
termos que apresentam conexidade são: <italic>ter</italic>,
<italic>cidade</italic>, <italic>ir</italic>, <italic>praia</italic>,
<italic>morador</italic>, <italic>bairro</italic>, <italic>área</italic>
e <italic>região.</italic> É possível notar as oposições estabelecidas
pelo distanciamento como em <italic>ônibus</italic> e
<italic>qualidade</italic>. Observa-se, ainda, que das palavras centrais
são estabelecidas ramificações com outras, como: <italic>ter</italic>,
<italic>cidade</italic>, <italic>poder</italic>; <italic>estar</italic>,
<italic>casa</italic>, <italic>morador</italic>;
<italic>região</italic>, <italic>parque</italic>, <italic>área</italic>;
<italic>atividade</italic>, <italic>economia</italic>,
<italic>desenvolvimento</italic>; <italic>bairro</italic>,
<italic>pavimentação</italic>, <italic>espaço.</italic></p>
<p>Nesse sentido, pode-se inferir que, de forma geral, os comentários
dos participantes apresentam fragmentos de seus problemas pontuais
vivenciados dia a dia e esses interligam-se ao referencial na medida que
a estruturação das comunidades, a começar pelos bairros, diminui a
vulnerabilidade, ou seja, a exposição ao perigo dos moradores desses
locais (CARMONA, 2014).</p>
<p><bold>Figura 7</bold>: Análise de Similitude</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
<p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
<p>As ramificações construídas em blocos de palavras demonstram eixos
que especificam as necessidades associadas à intervenção que pode haver
do poder público. Contudo, mais uma vez, lança o morador, cidadão, como
figura a ser consultada e agente participante das intervenções
propostas. Essa participação voluntária (SOUZA, 2010) é essencial para a
consolidação da gestão democrática (FERNANDES, 2013) e a sua inserção no
planejamento de políticas públicas de segurança.</p>
<p>As palavras foram agrupadas em raízes que conduzem à formação de uma
árvore, relacionando-as aos segmentos de uma cidade, à distância entre
<italic>qualidade</italic>, <italic>ciclovia</italic>,
<italic>serviço</italic> e <italic>morador</italic>, e sugerem não haver
qualidade no percurso enfrentado pelos moradores entre suas casas e o
local de serviço. Em outra raiz, <italic>segurança</italic> distancia-se
de <italic>espaço</italic>, <italic>bairro</italic> e
<italic>estudo</italic>, sugerindo a falta ou a carência de segurança
nos bairros. A proximidade de <italic>segurança</italic>,
<italic>mobilidade</italic> e <italic>esgoto</italic> remete que a
população faz ligação entre essas áreas e enfrentam com problemas de
locomoção, de saneamento, infraestrutura e enxergam reflexos na
segurança pública desses enfrentamentos.</p>
<p>As ramificações apontam, por fim, que a segurança pública, quando se
trata de implicações à vulnerabilidade socioambiental, é abordada de
forma indireta pela população e pelos agentes políticos condutores do
processo, já que não expõe especificamente os problemas de violência e
crimes, comumente abordados na temática Segurança Pública.</p>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>O objetivo deste estudo se constitui na análise da participação
popular na revisão do Plano Diretor Municipal. Para isso, partiu-se de
uma análise de conteúdo da participação popular, em plataforma
<italic>on-line</italic>, na discussão de revisão do Plano Diretor
Municipal de Vila Velha-ES. Os resultados indicaram, na análise da
plataforma <italic>on-line</italic>, na Nuvem de Palavras, que mesmo sem
direcionamento ou indução, a população associa indiretamente
planejamento urbano à segurança pública, quando aponta suas
deficiências, necessidades, seus problemas e conflitos, e reivindica as
soluções no âmbito da vulnerabilidade socioambiental. Contudo, há
dificuldade em relacioná-los por constituírem-se temas difusos que
perpassam vários segmentos trabalhados pelo município.</p>
<p>Na Classificação Hierárquica Descendente seis classes interligadas
surgiram: <italic>Políticas Públicas</italic>, que ofereceu base para
todas as outras classes e, no outro extremo, <italic>Cidade</italic>,
emergindo com as classes <italic>Preservação Ambiental</italic> e
<italic>Ocupação Regular</italic>, que apresentaram o mesmo grau de
significância no <italic>corpus</italic>, mas revelaram-se, também, as
classes <italic>Cidadania, Mobilidade</italic> e <italic>Investimento em
Turismo.</italic></p>
<p>As classes formadas, a Nuvem de Palavras e a relação das categorias
confirmaram a hipótese defendida de que o tema Segurança Pública foi
abordado de maneira indireta, por meio de problemas pontuais que afligem
a população, não expressados em falas sobre violência ou criminalidade,
mas trazendo à tona questões que descrevem também um cenário de
vulnerabilidade socioambiental e que, se priorizadas e solucionadas,
influenciariam no combate à violência e à criminalidade.</p>
<p>Quanto à cidade, seus problemas e suas propensas resoluções são
detalhadas por seus moradores os quais têm uma visão mais realista
(SILVA, J.,2010), e não apenas uma lei que contenha princípios e
diretrizes que projetam cidades a serem construídas. A função social da
cidade e da propriedade proposta pelo Estatuto da Cidade busca trabalhar
conflitos de moradias, preservação ambiental, áreas de risco e ausência
de terrenos destinados a residências acessíveis. Se o município que
possui papel fundamental nas políticas públicas de segurança (MAGALHÃES,
2008) enxergar seus problemas pontuais, é um caminho para a
concretização de uma cidade mais segura.</p>
<p>Apesar de contribuições e implicações, a pesquisa também apresenta
limitações que devem ser mencionadas. A análise foi realizada em uma
única etapa do processo de revisão, não foi possível estudar os
problemas descritos com os índices de violência de cada bairro e não
foram realizadas entrevistas e visitas aos locais apontados nos
documentos, como as áreas de vulnerabilidade socioambiental. Nesse
contexto, recomenda-se que futuras pesquisas sejam realizadas de forma
que envolva diretamente o cenário descrito com vulnerabilidade,
associado aos problemas já existentes de violência e criminalidade.</p>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
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Publica Direito, v. 1. p. 7259-7289, 2012.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>Por exemplo, as capitais brasileiras concentraram 26% dos
    assassinatos do país, em 2015 (LIMAS, 2016).</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <p>Referem-se a abordagens do Direitos da Personalidade, e não a
    conceitos relacionados psicologia.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <p>É a negação (ou desrespeito) dos direitos que garantem ao cidadão
    um padrão mínimo de vida, assim como a participação em redes de
    instituições sociais e profissionais (ROLNIK, 2000, p. 176).</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <p>Segundo Rolnik (2000, p. 174), o urbanismo de risco é aquele
    marcado pela inseguridade, quer do terreno quer da construção, ou
    ainda da condição jurídica da posse daquele território.</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <p>Situação que tornam a juventude vulnerável à violência e ao
    crime: “[...] a baixa oferta de emprego e o subemprego,
    especialmente o tráfico de drogas, [...] fácil acesso às armas de
    fogo leves, [...] cortiços e favelas por servir de refúgio e
    esconderijo de grupos criminosos perigosos” (CARMONA, 2014, p.
    109).</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <p>A autora traz como degradação do espaço e causa da violência
    urbana os processos desiguais de ocupação segregada do espaço
    urbano, já como degradação institucional, as relações de poder
    assimétricas e informais que acontecem nas comunidades de baixa
    renda com os cidadãos de segunda classe, e estes, por sua vez, são
    os moradores sem acesso às instituições de proteção e bem-estar do
    Estado, e a violência torna-se um instrumento para alcançar alguns
    resultados, como justiça, segurança e ganhos econômicos (SILVA R.,
    2010).</p>
  </fn>
  <fn id="fn7">
    <p>Constitui a segunda etapa do processo de revisão do PDM de Vila
    Velha-ES.</p>
  </fn>
  <fn id="fn8">
    <p>O conteúdo a compor o novo PDMVV foi dividido em temas:
    mobilidade urbana, economia, patrimônio histórico, meio ambiente,
    infraestrutura urbana, uso do solo e habitação.</p>
  </fn>
  <fn id="fn9">
    <p>O município de Vila Velha-ES é composto por cinco regiões
    administrativas.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
