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<p><bold>CONSELHOS DA COMUNIDADE: CONTROLE SOCIAL E INTERLOCUÇÃO PARA A
SAÚDE PRISIONAL</bold></p>
<p><bold>Manuela Filter Allgayer</bold></p>
<p>Graduação em Enfermagem pela Universidade de Santa Cruz do Sul
(UNISC). Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da
Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Docente do Curso de Graduação
em Enfermagem da Faculdade Estácio de Alagoas.</p>
<p><bold>Email:</bold> <email>manuelaallgayer@hotmail.com</email></p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Alagoas
<bold>Cidade:</bold> Maceió</p>
<p><bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/">https://orcid.org/</ext-link>0000-0002-9170-8594</p>
<p><bold>Karine Zenatti Ely</bold></p>
<p>Enfermeira, Sanitarista, Especialista em Saúde da Secretaria Estadual
da Saúde do Rio Grande do Sul, Mestre em Promoção da Saúde e Doutoranda
em Promoção da Saúde/ Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC)</p>
<p><bold>Email:</bold> karine-ely@saude.rs.gov.br</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Canoas</p>
<p><bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/">https://orcid.org/</ext-link>0000-0002-1692-5556</p>
<p><bold>Thiago Nascimento Prado</bold></p>
<p>Doutorado em doenças infecciosas, docente do departamento de
enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo</p>
<p><bold>Email:</bold> <email>thiagonprado@gmail.com</email></p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Espírito Santo
<bold>Cidade:</bold> Vitória</p>
<p><bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/">https://orcid.org/</ext-link>0000-0001-8132-6288</p>
<p><bold>Julio Croda</bold></p>
<p>Especialista em C&amp;I&amp;T da FIOCRUZ, Professor da Yale School of
Public e Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Pesquisador 1b do
CNPq</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Mato Grosso do Sul
<bold>Cidade:</bold> Campo Grande</p>
<p><bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/">https://orcid.org/</ext-link>0000-0002-6665-6825</p>
<p><bold>Email:</bold> <email>juliocroda@gmail.com</email></p>
<p><bold>Suzane Beatriz Frantz Krug</bold></p>
<p>Graduação em Enfermagem, Mestrado em Desenvolvimento Regional e
Doutorado em Serviço Social. Professora adjunta e Chefe do Departamento
de Ciências da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC),
consultora ad Hoc do INEP/MEC e líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em
Saúde (GEPS). Docente de cursos de graduação e do Corpo Permanente do
Mestrado e Doutorado em Promoção da Saúde, editora executiva da Revista
Interdisciplinar de Promoção da Saúde e revisora de diversos periódicos
científicos.</p>
<p><bold>Email:</bold> sbfkrug@gmail.com</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Santa Cruz do Sul</p>
<p><bold>Orcid:</bold> https://orcid.org/0000-0002-2820-019X</p>
<p><bold>Pauline Schwarzbold</bold></p>
<p>Psicóloga (UNISC/RS), Mestranda em Promoção da Saúde (UNISC/RS),
Especialista em Atenção Básica pela Escola de Saúde Pública (ESP/RS) e
pela Universidade de Brasília (UnB), Especialista em Gestão do Sistema
Prisional pela Universidade Cândido Mendes</p>
<p>(UCAM); servidora pública da Superintendência dos Serviços
Penitenciários (SUSEPE/RS</p>
<p><bold>Email:</bold> pauline-silveira@susepe.rs.gov.br</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Venancio Aires</p>
<p><bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-7873-0682">https://orcid.org/0000-0002-7873-0682</ext-link></p>
<p><bold>Renata Maria Dotta</bold></p>
<p>Psicóloga, Professora da Faculdade de Direito da FMP. Atua no campo
das políticas públicas de Saúde Prisional no Departamento de Atenção
Primária da Secretaria Estadual da Saúde (RS) há mais de 10 anos. É
psicóloga e mestre pela PUCRS e doutora em Ciências da Saúde pela
UFCSPA.</p>
<p><bold>Email:</bold> renata-dotta@saude.rs.gov.br</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p><bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-1830-1624">https://orcid.org/0000-0002-1830-1624</ext-link></p>
<p><bold>Reinaldo Antonio Silva Sobrinho</bold></p>
<p>Doutor e Pós doutor na área de saúde pública pela Universidade de São
Paulo - USP. Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná-Unioeste.</p>
<p><bold>Email:</bold> reisobrinho@yahoo.com.br</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Foz do Iguaçu</p>
<p><bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-1830-1624">https://orcid.org/</ext-link>0000-0003-0421-4447</p>
<p><bold>Lia Gonçalves Possuelo</bold></p>
<p>Doutora em Ciências Biológicas e pesquisadora da área de Doenças
Infecciosas e Sistema Prisional, professora titular da Unisc e do PPG
Promoção da Saúde</p>
<p><bold>Email:</bold> <email>liapossuelo@unisc.br</email></p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Santa Cruz do Sul</p>
<p><bold>Orcid:</bold> https://orcid.org/0000-0002-6425-3678</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p><bold>Manuela Filter Allgayer:</bold> contribuição substancial na
concepção e planejamento, e análise e interpretação dos dados. Redação e
elaboração do artigo. Aprovação da versão final.</p>
<p><bold>Karine Zenatti Ely:</bold> Delineamento, análise de dados,
escrita e revisão do artigo.</p>
<p><bold>Julio Croda:</bold> Contribuição substancial na concepção e
planejamento, ou aquisição de dados, ou análise e interpretação de
dados; Redação e elaboração do artigo ou revisão intelectual crítica
deste; Aprovação da versão final a ser publicada.</p>
<p><bold>Suzane Beatriz Frantz Krug:</bold> Orientação da pesquisa
realizada, elaboração do artigo, revisão da redação final.</p>
<p><bold>Pauline Schwarzbold:</bold> Redação do artigo</p>
<p><bold>Renata Maria Dotta:</bold> Revisão intelectual crítica e
aprovação da versão final.</p>
<p><bold>Lia Gonçalves Possuelo:</bold> Contribuição substancial na
concepção e planejamento, ou aquisição de dados, ou análise e
interpretação de dados; Redação e elaboração do artigo ou revisão
intelectual crítica deste; Aprovação da versão final a ser
publicada.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Este artigo tem por objetivo analisar a atuação dos Conselhos da
Comunidade nas instituições penais do Rio Grande do Sul, em questões da
saúde prisional. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e
descritivo, de abordagem qualitativa, utilizando a estratégia de
triangulação de dados e Análise de Conteúdo de
<italic>Bardin</italic>. Participaram do estudo 8 Conselhos da
Comunidade. A análise dos dados coletados resultou em cinco categorias
temáticas para discussão: Políticas Públicas; Controle da tuberculose;
Infraestrutura; Ações dos Conselhos da Comunidade; Dificuldades de
atuação dos Conselhos da Comunidade. Identificou-se que os Conselhos da
Comunidade se configuram como potentes dispositivos de controle social e
interlocução para saúde no sistema prisional, contudo a presença de
profissionais de saúde como membros efetivos poderiam qualificar as
ações voltadas à saúde das Pessoas Privadas de Liberdade e aos
profissionais destas instituições.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Saúde pública. Controle social formal.
Prisões. Política de Saúde. Tuberculose.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><bold>COMMUNITY COUNCILS: SOCIAL CONTROL AND INTERLOCUTION FOR
HEALTH</bold></p>
<p>This article aims to analyze the performance of Community Councils in
penal institutions in Rio Grande do Sul State, related to prison health.
This is an exploratory and descriptive research, with a qualitative
approach, using Bardin's data triangulation strategy and Content
Analysis. Eight Community Councils participated in the study. The
analysis of the collected data resulted in five thematic categories for
discussion: Public Policies; Tuberculosis control; Infrastructure;
Actions by Community Councils; Difficulties in the performance of
Community Councils. It was identified that the Community Councils are
potent devices of social control and dialogue for health in the prison
system. In this way the presence of health professionals as effective
members of Community Councils could qualify the actions focused at the
health of prisoners and the professionals of these institutions.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Public health. Social Control, formal.
Prisons. Health Policy. Tuberculosis.</p>
<p><bold>Data de Aprovação:</bold> 05/07/2020</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 21/12/2020</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v16.n2.1340</p>
<p><inline-graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" /><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>Sérios problemas econômicos e sociopolíticos dos países
latino-americanos tornam as prisões objeto de urgente e indispensável
intervenção. A seletividade do sistema penal se exerce sobre populações
menos favorecidas, sendo que 95% das pessoas privadas de liberdade (PPL)
são pobres (BRASIL, 2018). Aos problemas decorrentes da superlotação,
somam-se os fenômenos da institucionalização e estigmatização do preso e
do ex-preso, inviabilizando a reinserção social. O ex-preso dificilmente
fugirá de comportamentos considerados ilícitos como estratégia de
sobrevivência, engrossando o círculo perverso de reincidência criminal
(GOFFMAN, 1982).</p>
<p>Mesmo havendo ações isoladas de políticas públicas nas unidades
prisionais, ainda não há nenhum tipo de direcionamento ou ordenamento
hobbesiano do caos social (HOBBES, 1977). Este “caos social” está
evidenciado nos números que refletem a realidade das instituições penais
brasileiras, que somaram um quantitativo de 726 mil PPL no início de
2018, a terceira maior população carcerária do mundo, com taxa de
ocupação de 197,4% (BRASIL, 2018). Contribuindo com esse cenário
caótico, o estado do Rio Grande do Sul (RS) tem mais de 43 mil presos,
com déficit aproximado de 10 mil vagas, ocupando a 7ª posição em taxa de
encarceramento no país (GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL,
2019).</p>
<p>As prisões, descritas por Goffmann como instituições totais,
funcionam como depósitos de pessoas estigmatizadas e segregadas dos bens
e serviços públicos, assim como do convívio social, o que pode ampliar a
punição para além da pena aplicada pelo poder judiciário, caracterizando
violação de direitos humanos (SOARES FILHO; BUENO, 2016). A participação
social nas políticas penais pode dirimir essa situação, contribuindo
para o acesso e a qualificação do cuidado em saúde, o que justifica o
presente estudo.</p>
<p>No Brasil, a Lei de Execuções Penais (LEP), de 1984, busca efetivar
disposições de sentença ou decisão criminal com o intuito de manter a
integração social do apenado, assegurando o direito à assistência
material, jurídica, social, religiosa e de saúde. Para sua efetivação
prevê a criação de três conselhos: Conselho Nacional de Política
Criminal e Penitenciária (CNPCP), Conselho Penitenciário e Conselhos da
Comunidade (CC) (BRASIL, 1984; 2008). Os CC possuem a função política de
articulação e participação representativa de forças locais
institucionais e da comunidade. Entre suas atribuições estão: incentivo
à sentença não institucional de apenados dos regimes aberto ou
semiaberto; promoção da participação da comunidade na reinserção social;
auxílio na reinserção no mercado de trabalho; integração com serviços de
saúde; e atendimento às necessidades de recursos materiais e humanos
para assistência aos presos (BRASIL, 2008).</p>
<p>Nas instituições penais brasileiras ocorrem outras formas de
violações, como alimentação insuficiente, estruturas prediais e
condições de higiene precárias que aumentam o risco de adoecimento e
impossibilitam ações de controle e prevenção de doenças, como a
tuberculose, por exemplo. Partindo deste pressuposto, os CC estimulam a
participação política em instituições penais, retomam o conceito de
comunitarismo e contribuem para que ações de saúde passem a ser
direcionadas por relações intersetoriais (TÍLIO, 2014).</p>
<p>Os CC são importantes dispositivos de controle social, que integram a
sociedade e a administração pública para resolver problemas e
deficiências sociais (BRASIL, 2013). A interlocução dos CC com as
equipes de saúde prisional contribui para efetivação da Política
Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade
no Sistema Prisional (PNAISP). Os conselhos são espaços democráticos que
acolhem a demanda da sociedade na agenda política, abrigando a
pluralidade dos atores sociais, a diversidade de interesses e o
exercício da cidadania (KLEBA; ZAMPIROM; COMERLATTO, 2015).</p>
<p>Considerando a importância dos CC para efetivação das políticas
públicas no contexto prisional, incluindo a PNAISP, a revisão de
literatura e os estudos científicos no campo da saúde encontram lacunas
a respeito da temática. Neste contexto, o objetivo deste estudo é
analisar a atuação dos Conselhos da Comunidade no estado do RS, em
questões da saúde prisional.</p>
<p><bold>MÉTODO</bold></p>
<p>Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, de abordagem
qualitativa, utilizando estratégia de triangulação de dados em sua
coleta e análise (MINAYO; ASSIS; SOUZA, 2005). O RS apresenta 98
instituições penais e 25 unidades de saúde prisional, compostas por 36
Equipes de Atenção Básica Prisional (EABp). A Superintendência de
Serviços Penitenciários (SUSEPE) do RS tem registro de 98 CC, sendo que
destes, 49 (50%) CC são considerados ativos. Treze (26,5%) realizam suas
atividades em municípios com EABp implantadas pelo Ministério da Saúde e
estes foram incluídos no estudo (GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL,
2019).</p>
<p>A coleta de dados foi realizada entre abril de 2016 e agosto de 2017
utilizando três instrumentos: questionário, observação sistemática e
pesquisa documental das atas das reuniões. Os CC com critérios para
inclusão no estudo foram contatados por telefone e e-mail para
agendamento de visita. A pesquisa iniciou-se com questionário
semiestruturado autoaplicável, contendo quarenta questões abertas e
fechadas, enviado por e-mail ou entregue pessoalmente ao conselheiro
contatado, podendo ser mais de um conselheiro por CC. As questões
incluídas no questionário referiam-se ao perfil do conselheiro, dados
gerais dos CC, atividades desenvolvidas, dificuldades encontradas, temas
abordados nas reuniões, interlocução com a saúde, tuberculose. Um
questionário piloto foi utilizado para verificação da aplicação das
questões e validação do instrumento.</p>
<p>A observação sistemática das reuniões dos conselhos transcorreu com a
participação de uma pesquisadora como ouvinte nos municípios de Santa
Cruz do Sul, Porto Alegre e Lajeado. Foram registradas as pautas das
reuniões e as discussões na forma de diário de campo, com descrições e
narrativas dos sujeitos participantes. A pesquisa documental incluiu as
atas das reuniões realizadas pelos CC no ano de 2016. Foram
disponibilizadas, de forma impressa, dez atas de reuniões, das quais,
seis eram de Santa Cruz do Sul e quatro de Porto Alegre.</p>
<p>Os dados extraídos do questionário, da observação sistemática e da
pesquisa documental foram submetidos à Análise de Conteúdo de
<italic>Bardin</italic> (BARDIN, 2011), seguindo suas três fases:
pré-análise, exploração do material e tratamento dos dados (inferência e
interpretação). Na pré-análise foi realizada leitura flutuante do
material, de forma a tornar o conteúdo mais claro, organizando os dados
em um único arquivo em Word. Na exploração do material foi possível
realizar um recorte das falas dos conselheiros como unidades de análise.
No tratamento de dados, a interpretação e revelação das informações
originaram cinco categorias temáticas: Políticas Públicas; Controle da
tuberculose; Infraestrutura; Ações dos CC; e Dificuldades de atuação dos
CC, apresentadas em quadro, com as respectivas falas dos sujeitos,
identificadas pela letra C e número.</p>
<p>O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade de Santa Cruz do Sul (CEP/UNISC), sob Parecer Nº 1.886.032
e CAAE: 62833815.5.0000.5343, de 2016, de acordo com a Resolução Nº 466
de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e
respeitou a Declaração de Helsinki.</p>
<p><bold>RESULTADOS</bold></p>
<p>A relação dos CC participantes desta pesquisa está sistematizada na
Figura 1. Foram oito CC integrantes do estudo, com análise de atas e
observação de reuniões, e o questionário respondido por 12 conselheiros.
O tempo médio de atuação dos conselheiros foi 15,75 (±5,5) anos,
variando de 3 a 17 anos, e 6 (75%) relataram realizar reuniões mensais.
No que se refere ao número de integrantes dos CC, a média foi 9,4
integrantes, variando de 5 a 20.</p>
<p><bold>Figura 1 – Fluxograma dos Conselhos da Comunidade participantes
do estudo, Rio Grande do Sul, Brasil, 2017</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
<p>Fonte: dos autores</p>
<p>As instituições representadas nos CC foram: Vara Civil, Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), Associação Comercial e/ou Industrial (ACI),
profissionais da assistência social e da saúde das instituições penais e
universidades.</p>
<p>A Tabela 1 apresenta as atividades realizadas pelos CC e ações
desenvolvidas pelos conselheiros.</p>
<p><bold>Tabela 1 – Atividades desenvolvidas pelos Conselhos da
Comunidade, Rio Grande do Sul, Brasil, 2017</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Atividades</bold></th>
      <th><p><bold>Sempre</bold></p>
      <p><bold>n (%)</bold></p></th>
      <th><p><bold>Às vezes</bold></p>
      <p><bold>n (%)</bold></p></th>
      <th><p><bold>Nunca</bold></p>
      <p><bold>n (%)</bold></p></th>
      <th><p><bold>Não sei</bold></p>
      <p><bold>n (%)</bold></p></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Projetos de assistência social com as PPL</td>
      <td>7 (87,5)</td>
      <td>1 (12,5)</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Projetos de saúde com as PPL</td>
      <td>5 (62,5)</td>
      <td>3 (37,5)</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Projetos de educação com as PPL</td>
      <td>4 (50,0)</td>
      <td>4 (50,0)</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Projetos de trabalho com as PPL</td>
      <td>4 (50,0)</td>
      <td>4 (50,0)</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Visita à Unidade de Saúde Prisional</td>
      <td>3 (37,5)</td>
      <td>5 (62,5)</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Relatório da situação jurídica das PPL</td>
      <td>3 (37,5)</td>
      <td>5 (62,5)</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Atividades com os egressos</td>
      <td>2 (25,0)</td>
      <td>2 (25,5)</td>
      <td>4 (50,0)</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Atividades com as famílias</td>
      <td>1 (12,5)</td>
      <td>7 (87,5)</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Atividades com funcionários do sistema penal</td>
      <td>1 (12,5)</td>
      <td>6 (75,0)</td>
      <td>1 (12,5)</td>
      <td>-</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Pesquisa científica/projeto de extensão universitária/parceria
      com instituições de ensino</td>
      <td>-</td>
      <td>5 (62,5)</td>
      <td>3 (37,5)</td>
      <td>-</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Dados da pesquisa, 2017.</p>
<p>O Quadro 1, a seguir, sistematiza as falas dos conselheiros agrupadas
por categorias temáticas.</p>
<p><bold>Quadro 1 – Categorias temáticas construídas a partir das falas
dos conselheiros, Rio Grande do Sul, Brasil, 2017</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Categorias temáticas</bold></th>
      <th><bold>Fala dos Conselheiros</bold></th>
      <th></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Políticas Públicas</td>
      <td><p>“Saúde, obras, recursos e educação” – C1</p>
      <p>“Seja feito mais convênios entre pessoas e instituições da área
      da saúde. Existe um consultório dentro do presídio com médicos e
      enfermeiros” – C2</p>
      <p>“Melhorar o acesso dos apenados a esse direito fundamental
      (saúde). Visar o tratamento preventivo da saúde prisional. Saúde
      prisional, trabalho dos apenados, estudos e cursos” – C3</p>
      <p>“Remição, saúde prisional, educação prisional, trabalho
      prisional etc. A capacitação dos apenados em Agentes de Saúde,
      conforme projeto apresentado na Corregedoria Geral da Justiça em
      2010 e de acordo com a Portaria Interministerial 1777” – C4</p>
      <p>“Participar de pesquisas sobre situação de saúde dos apenados”
      – C5</p>
      <p>“Saúde do homem em geral” – C6</p>
      <p>“Saúde, serviço para os apenados, família dos apenados” –
      C8</p>
      <p>“Direitos dos presos, trabalho, necessidade dos presos que
      estão em semiaberto/aberto/condicional, saúde, implantação de
      escola dentro do presídio” – “Por ser um tema de suma importância.
      Todos os presos são atendidos pela rede pública do município” –
      C9</p>
      <p>“Segurança pública, saúde prisional educação prisional” –
      C10</p>
      <p>“Saúde pública, saneamento básico, meio ambiente,
      infraestrutura e qualidade de vida. Trabalho prisional (NEEJA),
      projetos (diversos), prestação de contas, meio ambiente (coleta e
      reciclagem). Está se estruturando uma unidade de saúde dentro do
      sistema prisional – inclusive com instalação de uma máquina de
      Raio. Avaliação física e mental no ingresso do preso no sistema,
      como norma. Convênios com universidades na área da saúde. Uso
      indevido de cigarro, drogas etc. Cuidados pessoais, qualidade da
      água, conscientização das doenças, meio ambiente” – C12</p></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Controle da Tuberculose</td>
      <td><p>“Tuberculose é um tema bastante abordado nas reuniões,
      inclusive na última reunião deixei os integrantes do conselho a
      par da campanha da tuberculose que desenvolvemos na semana de
      combate à tuberculose” – “Testes rápidos de HIV, sífilis,
      hepatites B e C, coleta de escarro, busca ativa de pacientes
      sintomáticos respiratórios, busca ativa de pacientes com problemas
      mentais, contato direto com serviços de referência” – C1</p>
      <p>“É feito testes mensalmente em alguns apenados” – C2</p>
      <p>“Embora a tuberculose seja um problema que é realidade no
      sistema prisional, o presídio possui um acompanhamento efetivo por
      todos os envolvidos. Médicos, enfermeiros e técnicos atuantes no
      ambulatório prisional, além dos servidores da SUSEPE que agem no
      encaminhamento/acompanhamento do tratamento.
      Verificada/diagnosticada a doença, o apenado é encaminhado para
      tratamento mediante acompanhamento do setor médico/administrativo
      do presídio, que faz o controle do uso da medicação. Caso o
      apenado se negue a se submeter ao tratamento, ele tem que firmar
      termo dessa situação” – C3</p>
      <p>“Pelo alto índice da doença no sistema prisional e por termos
      recebido capacitação pelo Ministério da Saúde em 2008, que teve
      como consequência a elaboração de um folder informativo e o
      envolvimento do conselho na divulgação, prevenção e tratamento da
      doença” – C4</p>
      <p>“Pelo fato de ser uma doença comum no sistema prisional,
      inclusive no inverno. Campanha de prevenção com orientações e
      dicas. Tratamento dos afetados pela doença” – C5</p>
      <p>“Através de palestras e oficinas com parceria da Secretaria de
      Saúde, Tisiologia e SAE” (Serviço de Atendimento Especializado) –
      C6</p>
      <p>“Devido ao fato de serem muitos apenados em uma só cela e se
      tornar um local apertado para muitas pessoas conviverem, inclusive
      alguns fumam e a própria cela é muito úmida. Não existem ações de
      controle. Palestras com profissionais da área para tentar coibir
      esse tipo de moléstia. Como combater a tuberculose nesses
      ambientes e também sobre doenças sexualmente transmissíveis” –
      C8</p>
      <p>“Não sei se existem ações” – C9</p>
      <p>“Equipe de Saúde Municipal vai ao presídio mensalmente para
      exames, acompanhamento, consultas e testes de tuberculose e outras
      doenças (HIV, sífilis, hepatites)” – C10</p>
      <p>“Acompanhamentos periódicos com medicamentos e controle” –
      C11</p>
      <p>“Está sendo iniciado um trabalho para ser feita uma avaliação
      clínica do apenado, quando entra no sistema. Existem muitas
      deficiências ainda, em virtude de não existir um médico
      plantonista no sistema, fora do horário normal” – C12</p></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Infraestrutura</td>
      <td><p>“Manutenção dos prédios do presídio, conserto de viaturas,
      área de saúde e segurança” – C2</p>
      <p>“Recursos para manutenção do presídio da cidade” – C7</p>
      <p>“Construção de uma nova ala dentro do presídio” – C9</p>
      <p>“Obras/melhorias” – C10</p>
      <p>“Obras no presídio” – C11</p></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Ações dos CC</td>
      <td><p>“Tema saúde é sempre abordado nas reuniões do conselho,
      pois discutimos o que aconteceu no mês anterior e planejamos o mês
      seguinte. Recebemos ideias e planejamos colocá-las em vigor.
      Quando planejamos atividades de maior porte, é muito bom termos o
      apoio do CC, pois a partir daí fica mais fácil para discutirmos
      com a direção a real necessidade de realizarmos a ação planejada”
      – C1</p>
      <p>“O controle das doenças que podem ser transmitidas” – C2</p>
      <p>“Nas reuniões ocorre diálogo entre os atores envolvidos no
      atendimento à saúde prisional em forma de debate amplo e diálogo
      entre CC, poder judiciário, Ministério Público, poder executivo e
      membros da sociedade” – C3</p>
      <p>“Essa é uma preocupação real e constante devido a se tratar de
      pessoas confinadas” – C4</p>
      <p>“A maioria dos presos sofre de algum problema de saúde,
      decorrente do ambiente prisional. Visita às casas prisionais,
      atendimentos aos apenados e familiares na sede do conselho,
      doações de roupas e cestas básicas, palestras para apenados no
      fórum e casas prisionais” – C5</p>
      <p>“Diversos, doações da comunidade, divulgação do trabalho, ações
      a serem desenvolvidas nos estabelecimentos penais, projetos,
      visitas. Ações voltadas à saúde do preso como mutirão
      oftalmológico através da parceria com clubes de serviço” – C6</p>
      <p>“Poderiam ser feitas palestras mais seguidas nessa área do
      presídio” – C8</p></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Dificuldade de atuação nos CC</td>
      <td><p>“As pessoas não recebem bem os problemas enfrentados no
      presídio, pois entendem que é função do Estado” – C2</p>
      <p>“Falta de recursos públicos” – C12</p>
      <p>“Falta de voluntários da área, falta de interesse público,
      falta de recursos” – C12</p></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Fonte: Dados da pesquisa, 2017.</td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>DISCUSSÃO</bold></p>
<p>A composição dos conselhos está de acordo com o recomendado pela LEP
(BRASIL, 1984), entretanto a representação das EABp ocorre em 25% dos
conselhos. Profissionais de saúde não estão incluídos como membros
efetivos dos CC pela legislação vigente (BRASIL, 1984; 2008). A
participação destes profissionais contribuiria para garantir o acesso da
PPL às ações de saúde e qualificação destas ações desenvolvidas dentro
das instituições penais.</p>
<p>Os CC configuram-se como dispositivos de controle social e
participação social nas políticas públicas e na administração da saúde.
A composição dos CC possibilita um ambiente deliberativo que incorpora
atores pertencentes aos seus segmentos nas diversas matrizes ideológicas
e políticas existentes (BISPO; GERSCHMAN, 2013).</p>
<p>A representatividade e o número de membros nos CC são relevantes,
pois os atores sociais podem fomentar parcerias e estimular o debate
sobre o sistema penitenciário. Contudo, a atuação nos CC se dá de forma
voluntária, sem obrigações de vínculo legal e retribuições pecuniárias
aos seus componentes (BRASIL, 2008). Na esfera dos direitos sociais, o
voluntariado pode estar associado ao sentimento de pertencimento, no
enfrentamento das desigualdades que transformam a exclusão social em
inclusão, considerando as diversas formas de legitimação social
(TAVARES, 2014).</p>
<p>O processo de democratização e participação social nas políticas
públicas foi instituído no Brasil na década de 90. A luta pelos direitos
humanos das PPL vem se fortalecendo a partir da estruturação de grupos e
movimentos organizados, como por exemplo a Pastoral Carcerária,
abrangendo questões relevantes na área da saúde, educação, dos direitos
humanos, direitos sociais e civis, que têm se expressado em eventos
nacionais e nas agendas de representantes dos poderes executivo,
legislativo e judiciário.</p>
<p><bold>Políticas Públicas</bold></p>
<p> As Políticas Públicas permeiam intensamente as reuniões dos CC,
incluindo temas da educação, trabalho, assistência social, inclusão
social e saúde. O cumprimento de pena no sistema penal retira do cidadão
o direito de ir e vir, custodiando as PPL ao Estado, que passa a ser o
titular de responsabilidade na manutenção de todos os outros direitos
fundamentais.</p>
<p> É dever do Estado fornecer assistência educacional, a fim de
auxiliar na reinserção social e no acesso ao mercado de trabalho, sendo
o ensino fundamental obrigatório (BRASIL, 1984). Em 2014, apenas 6% dos
28.059 apenados encontravam-se inseridos em atividades educativas no RS
(BRASIL, 2018). Foram identificadas dificuldades intersetoriais entre
educação e segurança, principalmente relacionada aos aspectos
burocráticos para inserção do ensino dentro das unidades prisionais. A
articulação da educação com as demais políticas possibilita uma visão
sistemática e potencializadora, de uma sociedade que visa a recuperação
do indivíduo. Na Noruega, as prisões são consideradas ambientes
oportunos para novas chances educacionais que não foram possíveis
anteriormente (OLIVEIRA, 2013). Em prisões da Austrália, os custos com
encarceramento apresentam-se elevados, porém, parte do recurso
financeiro direciona-se à educação dos custodiados, contribuindo para
maiores possibilidades de trabalho, diminuindo as taxas de reincidência
naquele país (MANGER; EIKELAND; ASBJORNSEN, 2013). As atividades
educacionais nas prisões também são instrumentos importantes no processo
de humanização, auxiliando no resgate de valores e autoestima da pessoa
que está presa (GILES; PARIS; WHALE, 2016).</p>
<p>O trabalho é um dever social e de dignidade humana, e possui
finalidade educativa e produtiva, favorecido no estudo pela participação
de representantes da ACI nos CC (BRASIL, 1984). As oportunidades de
trabalho contribuem para a redução de pena e impactam positivamente na
recuperação das PPL (SOARES FILHO; BUENO, 2016). Porém, as oportunidades
existentes no mercado de trabalho após sentença ainda são escassas, pois
o preso é visto como irrecuperável e marginalizado pela sociedade.
Experiências inglesas e francesas mostram que o trabalho não reduzirá a
probabilidade de reincidência, mas que atividades que visam a melhora de
habilidades e empregabilidade eliminam as barreiras que impedem a
reabilitação (NOBRE; PEIXOTO, 2014).</p>
<p>O estímulo às atividades produtivas combate o ócio nas prisões e
contribui para a disciplina, abrindo possibilidades de aprendizado, e
consequente reinserção social (BAYBUTT; CHEMLAL, 2016). Além disso,
possibilita a remissão de pena (desconto de um dia, a cada três dias de
trabalho) e fornece condições financeiras para que o apenado possa
auxiliar sua família (LIMA; SANTOS, 2008). O trabalho, insere-se como o
grande impulsionador da ressocialização, e é discutido nas reuniões dos
CC, pois pouca ou nenhuma é a assistência realizada pelo Estado
(BAYBUTT; CHEMLAL, 2016).</p>
<p>Em 2009, foi instituído o Programa de Inserção de Egressos do Sistema
Penitenciário no Mercado de Trabalho (PRÓ-EGRESSO) para auxílio na
concessão de emprego e renda, pois a falta deles é considerada um fator
que colabora para a reincidência (BRASIL, 2008). Em 2015, a reincidência
no crime no Brasil foi de 24% no prazo de cinco anos, sendo que, 88,9%
dos mesmos relataram inserção no mercado de trabalho. A manutenção do
baixo nível educacional, socioeconômico a de desigualdade social
continuam sendo os maiores empecilhos (IPEA, 2015).</p>
<p>Ações de assistência social devem ser prioritárias para que se reduza
a falta de perspectivas de vida do sentenciado e da família (BRASIL,
1984; 2008). O contexto no qual o indivíduo encontra-se inserido, antes
e após a privação de liberdade, pode contribuir para a marginalidade e a
reincidência, pois além de baixa renda, escolaridade e qualificação
profissional precária, soma-se o estigma do cárcere (STUART, 2014). A
estruturação do sistema carcerário provoca impacto social e de saúde na
vida dos presos, que na maioria vivem em áreas urbanas socialmente
desprivilegiadas, com altas taxas de criminalidade (MINAYO; RIBEIRO,
2016). A problemática inicia-se fora, mantem-se dentro das instituições
penais e continua quando os presos são libertados. Desta forma, os CC
têm grande importância na reintegração social do apenado, facilitando o
processo de comunicação entre a prisão e a sociedade, identificando
valores da comunidade livre com a prisão e vice-versa.</p>
<p>A LEP determina que “a execução penal tem por objetivos efetivar as
disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições
para harmônica integração social do apenado e do condenado”, e “a
assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando
prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade”
(BRASIL, 1984). Assim, fica evidenciada a integração social como uma das
principais funções da reclusão, na tentativa de humanizar a sanção
penal, que deveria estar ancorada em mecanismos concretos e serviços
penais para criação de condições favoráveis para reparação da pessoa
custodiada.</p>
<p>No campo da saúde, os conselheiros demonstram preocupação com a
garantia deste direito, incluindo prevenção, diagnóstico e tratamento
das principais doenças que acometem as PPL, e entendem que há uma
necessidade de mudanças significativas na saúde prisional, porém, alguns
demonstram desconhecimento a respeito da PNAISP e do papel das EABp. A
PNAISP tem como desafio a concretização do SUS constitucional no
contexto do cárcere, incluindo com equidade e qualidade as PPL nas redes
de atenção. As EABp devem preconizar acesso oportuno, promoção da saúde,
prevenção de doenças e agravos transmissíveis e não transmissíveis, e
melhoria das ações de vigilância em saúde, com respeito às diretrizes do
SUS (BRASIL, 2014).</p>
<p>A participação ativa de membros das EABp nos CC possibilita
discussões interdisciplinares e intersetoriais que contribuem para
melhoria das condições das unidades prisionais e ações integrais de
saúde. No que se refere às doenças infectocontagiosas, entende-se que os
agravos em saúde que acometem a população extramuros são potencializados
nas instituições penais com precárias condições de confinamento e
superlotação, sendo necessário o desenvolvimento de políticas
transversais para atender suas especificidades (BRASIL, 2014).</p>
<p><bold>Controle da tuberculose</bold></p>
<p>Os Conselheiros consideram a tuberculose uma grande preocupação,
identificam a superlotação como condição agravante e acreditam que a
prevenção pode ser realizada por meio de diagnóstico precoce e palestras
informativas. As atas de reuniões avaliadas identificaram pautas sobre
diagnóstico de tuberculose e de outras doenças infectocontagiosas, como
as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Porém, alguns
conselheiros desconhecem a magnitude da infecção por tuberculose na
instituição penal do seu município e, tampouco, que ações de controle da
tuberculose são de responsabilidade das EABp.</p>
<p>A parceria com instituições especializadas, como os serviços de
tisiologia ou o Serviço de Atenção Especializada (SAE), é relevante para
realização de diagnósticos complexos, coinfecção TB/HIV, tratamento de
tuberculose resistente e manejo de efeitos colaterais de medicamentos de
primeira linha. As demais situações, incluindo prevenção, diagnóstico,
avaliação de contatos, prescrição de medicamentos, acompanhamento,
Tratamento Diretamente Observado (TDO), transferências e altas, devem
ser realizadas integralmente pelas EABp (BRASIL, 2014; 2019).</p>
<p>A tuberculose nas prisões constitui um sério problema de saúde
pública, principalmente nos países endêmicos, e tem alcançado altas
prevalências no sistema prisional brasileiro, com taxa de incidência
cerca de 28 vezes maior quando comparada à população geral (BRASIL,
2019). As dificuldades de acesso de grande parte das PPL a qualquer
forma de cuidado agravam ainda mais o problema. Além disso,
profissionais de saúde e segurança do sistema penitenciário também
apresentam risco de adoecimento. Estudo realizado em quatro
estabelecimentos prisionais do RS encontrou 27,9% de tuberculose latente
nesses profissionais. Desta forma, a vigilância da tuberculose deve ser
constante tanto nas PPL como nos trabalhadores das instituições penais
(BUSATTO <italic>et al</italic>., 2017).</p>
<p><bold>Infraestrutura</bold></p>
<p>A infraestrutura é um dos assuntos mais discutidos, relatado nos
questionários, na observação sistemática e nas atas das reuniões.
Aspectos relacionados às medidas de maior segurança, reformas e
ampliação das instalações foram abordados, tais como construção de muros
e salas para procedimentos médicos. Alguns CC recebem recursos
financeiros do setor jurídico para auxiliar com as despesas das
instituições penais, especialmente relacionadas à manutenção.</p>
<p>A infraestrutura está relacionada aos interesses dos trabalhadores da
segurança, que se preocupam continuamente com as fugas, atuando em um
universo carcerário violento, insalubre e populoso. Enquanto as ações
dos gestores penitenciários estão voltadas essencialmente para a
segurança, os gestores do mundo jurídico preocupam-se com a conformidade
dos direitos sociais (OLIVEIRA, 2016). Apesar de ser um assunto muito
discutido, principalmente na mídia, e constituir a realidade da maioria
das instituições, a superlotação não foi evidenciada como preocupação
nesta pesquisa. No campo da saúde, a superlotação influencia de forma
negativa, contribuindo para a proliferação de doenças infectocontagiosas
(ORNELL <italic>et al</italic>., 2016).</p>
<p>A PNAISP possibilitou a ampliação das instalações e unidades de saúde
prisionais. No RS, as EABp aumentaram progressivamente nos últimos anos,
atingindo aproximadamente 56% de cobertura de atenção básica das PPL
(GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 2019). Embora existam grandes
avanços, alguns serviços de saúde apresentam precariedades, demonstrando
a necessidade de agenda orçamentária do poder executivo para garantir
incentivos financeiros adequados à sua estruturação (BRASIL, 2014).</p>
<p>Além disso, parcerias com órgãos internacionais e não governamentais
apresentam impactos favoráveis na estrutura de algumas unidades de
saúde, com espaços complementares que ultrapassam o modelo tradicional,
incluindo salas de laboratório, radiografia e “leitos-cela” (OLIVEIRA;
NATAL; CAMACHO, 2015).</p>
<p><bold>Ações dos CC</bold></p>
<p>Os conselheiros apresentam preocupação constante com a qualidade da
manutenção da pena, com a ressocialização após liberdade e trabalham
para evitar o reingresso no sistema. A participação do juiz de direito,
empodera os CC no seu papel legal e chama a comunidade para a
responsabilidade da execução penal junto aos conselhos (BRASIL,
1984).</p>
<p>As visitas à unidade prisional e os relatórios da situação prisional
ao juiz e demais autoridades demonstram empenho e comprometimento dos
conselheiros. O trabalho realizado com as famílias dos sentenciados é de
grande relevância, pois na maioria das vezes, quando o apenado é
responsável pelo provimento, a família acaba desassistida. O
planejamento e a implementação de ações de reintegração social criam
possibilidades para egressos (STUART, 2014).</p>
<p>Ações de assistência social incluem a doação de agasalhos, alimentos
e incentivo à manutenção do vínculo com familiares. Projetos de educação
e trabalho com as PPL, relacionados à alfabetização e aos cursos de
longa duração, como inglês e culinária, foram mencionados. Os
conselheiros também estimulam atividades de trabalho nas instituições
penais, como trabalhos manuais, na cozinha, na horta e construção
civil.</p>
<p>Os CC também podem entrevistar os presos e diligenciar para obtenção
de recursos materiais e humanos destinados à melhoria da assistência
(BRASIL, 2008). As atividades realizadas com os funcionários do sistema
prisional deveriam contemplar aspectos relacionados aos riscos, à
exposição e propensão às doenças. Ações de pesquisa científica ou
projeto de extensão universitária em parceria com instituições de ensino
são importantes para o embasamento no diagnóstico situacional e a tomada
de decisão.</p>
<p><bold>Dificuldades de atuação dos CC</bold></p>
<p>As principais dificuldades de atuação dos CC referem-se à falta de
recursos materiais, financeiros e humanos. Os recursos materiais incluem
espaços físicos para reuniões e atendimentos. A falta de recursos
financeiros inviabiliza a disponibilidade de espaços próprios de
atendimentos e ações com as instituições penais, que se configuram como
importantes atividades dos CC (BRASIL, 2008).</p>
<p>Quanto aos recursos humanos, a própria constituição dos CC se torna
insuficiente para o desenvolvimento de algumas atividades. A prioridade
dos gestores de segurança e justiça está voltada para a custódia. Os
profissionais da saúde, por sua vez, entendem as atividades do CC como
uma atribuição adicional e não percebem a importância dos espaços de
participação para melhorias do seu próprio ambiente de trabalho (BISPO;
MARTINS, 2014). Discutir saúde no sistema penal é necessário e deve
incluir diversos setores, pois não basta apenas implementar equipes e
serviços de saúde dentro das instituições, são necessárias ações
interdisciplinares e intersetoriais (KÖLLING, 2014).</p>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>Os resultados deste estudo demonstram a importância dos CC como
interlocutores na execução de políticas públicas e garantias de direitos
das PPL. As representações nos CC estão de acordo com a legislação,
porém, a participação de profissionais de saúde vinculados às EABp
poderiam qualificar ações dos CC no campo da saúde.</p>
<p>As discussões intersetoriais que permeiam as reuniões dos CC trazem
diversas possibilidades: os projetos de educação e trabalho diminuem as
dificuldades de inclusão social determinadas pelo estigma e pelo
preconceito; projetos de assistência social auxiliam os presos e suas
famílias, que muitas vezes ficam desamparadas; e projetos de saúde
buscam melhorar a qualidade de vida e diminuir a transmissão de doenças
infectocontagiosas como a tuberculose. Preocupações com a segurança e a
qualificação da infraestrutura são temas muito presentes.</p>
<p>As ações de destaque dos CC incluem visitas às unidades prisionais,
relatórios aos juízes, atendimentos às famílias e parcerias
bem-sucedidas com serviços públicos e privados. Evidencia-se a
necessidade de ampliação das relações intersetoriais entre saúde,
segurança e controle social. As principais dificuldades de atuação dos
CC estão relacionadas à falta de recursos materiais, físicos e
humanos.</p>
<p>Novos diálogos intersetoriais envolvendo os CC são necessários para
qualificar os processos de trabalho das equipes técnicas nas
instituições prisionais. Torna-se relevante divulgar os trabalhos
executados pelos CC, para que a sociedade conheça os objetivos, as
propostas e necessidades dos mesmos e de sua participação, colaborando
para melhorias nos parâmetros de saúde, sociais, de trabalho, entre
outras, beneficiando não somente as PPL, mas a coletividade.</p>
<p>A atuação dos CC é ampla e complexa, envolvendo diversas políticas
públicas e campos de conhecimento. Optou-se por realizar uma análise
detalhada das questões de saúde e questões específicas envolvendo o
controle da TB no sistema prisional, o que representa uma limitação
deste estudo. A escolha da amostra da pesquisa envolvendo os CC
associados às EABp não representa a totalidade dos CC, nem as ações
desenvolvidas nas demais instituições penais que não apresentam EABp.
Recomendamos, assim, novos estudos para ampliarmos as análises dessas
questões.</p>
<p><bold>AGRADECIMENTOS</bold></p>
<p>O presente trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código
de Financiamento 001.</p>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
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