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<p><bold>A investigação dos homicídios no Brasil: uma realidade
paradoxal</bold></p>
<p><bold>Nelmo dos Santos Passos</bold></p>
<p>Mestre em Ciências Policiais na Especialização Gestão da Segurança
pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna -
ISCPSI – Lisboa - PT.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Pernambuco
<bold>Cidade:</bold> Petrolina</p>
<p><bold>Email:</bold> NELMO.PASSOS@HOTMAIL.COM <bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/">https://orcid.org/</ext-link>0000-0003-1241-916X</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Este artigo tem o objetivo de compreender a relação entre o trabalho
da polícia civil e a atuação de grupos criminais na gestão dos
homicídios em uma região específica do Brasil, partindo do estudo
sistemático de uma investigação de homicídio em uma Área Integrada de
Segurança Pública – AISP. Busca-se, a partir da análise de material
qualitativo e quantitativo, e sobretudo da trajetória de Arthur, um
homicida contumaz atuando em área de facções criminais, produzir uma
descrição pormenorizada do fluxo de homicídios e da investigação de
homicídios ocorridos nessa região. Trata-se de uma exposição sintética,
que, de um lado, evidencia o trabalho da Polícia Judiciária em seu papel
de apurar os homicídios e, em contraste, de outro lado, a primazia do
universo criminal controlando as práticas homicidas da região. Suportado
por uma observação participante realizada entre 2016 e 2019, foram
levantados dados registrados nas unidades policiais e observados
inquéritos policiais de homicídios junto ao Departamento de Homicídios e
Proteção à Pessoa - DHPP. Argumento que os homicídios e a investigação
nos levam a uma reflexão sobre a realidade paradoxal da vida nessas
comunidades, destacada no texto.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Homicídios. Investigação. Polícia.
Violência.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p>This article aims to understand the relationship between the work of
the civil police and the role of criminal groups in the management of
homicides in a specific region of Brazil, based on the systematic study
of a homicide investigation in an Integrated Public Security Area –
AISP. Based on the analysis of qualitative and quantitative material,
and especially Arthur's trajectory, a persistent murderer working in the
area of ​​criminal factions, to produce a detailed description of the
flow of homicides and the investigation of homicides that occurred in
that region. It is a synthetic exhibition, which on the one hand,
highlights the work of the Judiciary Police in its role in investigating
homicides and in contrast, on the other hand, the primacy of the
criminal universe controlling the homicidal practices in the region.
Supported by a participant observation carried out between 2016 and
2019, data were collected from police units and police investigations of
homicides were observed with the DHPP. I argue that homicides and
investigation lead us to reflect on the paradoxical reality of life in
these communities, highlighted in the text.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Homicides. Investigation. Police.
Violence.</p>
<p><bold>Data de recebimento:</bold> 01/09/2020 <bold>Data de
Aprovação:</bold> 21/02/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v16.n2.1376</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>“Os valores da liberdade e da segurança são indissociáveis e
interdependentes numa sociedade democrática” (DUQUE, 2015, p. 57), e
sabemos que raramente uma população terá liberdade em um ambiente exíguo
de segurança pública. Essa conectividade entre liberdade e segurança
está bem explícita também na Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH), de 10 de dezembro de 1948, em seu art. 3°: “Todo ser humano tem
direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. Assegurar a sensação
de segurança e liberdade, “consiste na ausência de ameaças aos valores
fundamentais da cidadania” (CLEMENTE, 2015, p. 9). Esses princípios
normativos, entretanto, valem pouco nas práticas criminais e de
segurança cotidianas que iremos apresentar aqui a partir de sua
estruturação <italic>de facto</italic>.</p>
<p>Neste trabalho buscamos evidenciar como a investigação de homicídios
pelo Estado, ainda extremamente deficiente no Brasil, privilegia o
universo criminal controlando as práticas homicidas em regiões urbanas
populares, hoje em geral salvaguardadas por uma facção criminosa. O caso
de Arthur<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>, um “matador” que
protagoniza este estudo, aponta os hiatos no processo de investigações
dos homicídios nesta região estudada, ora representada pelo Departamento
de Homicídios e Proteção à Pessoa – DHPP.</p>
<p>Como já foi abordado por Lima, Sinhoretto e Bueno (2015, p. 123), no
contexto de desenvolvimento da democracia brasileira, são construídas
respostas públicas frente ao crime, à violência e ao pressuposto
democrático do acesso à justiça e da garantia de direitos. Considerado
um grande problema social e enquadrado no rol dos crimes graves no
Brasil, o homicídio tem notoriedade negativa em todas as camadas
sociais, afetando a rotina do país e sobretudo das famílias e
comunidades das vítimas. Nas últimas décadas, as taxas de homicídios são
alarmantes. É verdade que no ano de 2019 há uma queda dos índices de
mortes violentas regionalizados<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> e
até mesmo em âmbito nacional<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, o
que tem levado gestores públicos a uma manifestação jactante como
responsáveis por este feito. Evidências empíricas, entretanto, podem
desmistificar tal discurso reivindicatório, aduzindo novas
possibilidades causais da referida diminuição, oriundas no próprio
ambiente do crime. Nesse plano este artigo busca contribuir, na mesma
linha de autores de outros textos sobre o tema, como Feltran (2010;
2012), que também enumera argumentos de contestação a essas
reivindicações dos governos e das polícias, específicas ao caso
paulista.</p>
<p>Este artigo tem sua motivação a partir de um ponto de vista
posicionado na polícia investigativa, partindo de um estudo de caso que
retrata a violência da guerra entre facções criminosas em uma AISP de
uma capital brasileira. Um trabalho resultante da observação de casos
concretos, iniciado em janeiro de 2016, como agente de segurança
pública, em uma área popular composta de nove bairros; pareceu-nos
típica do que acontece também em outras regiões, considerando que, na
grande maioria dos estados brasileiros, o esclarecimento de homicídios
não é sequer contabilizado, e quando o é, não chega a 15% das
ocorrências. A partir de nosso estudo de caso, desenvolvido em uma
região com população total de
218.960<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> habitantes, localizada na
parte central de uma grande capital (mais de 3 milhões de habitantes),
julgamos poder apresentar a investigação de homicídios no Brasil, uma
face ainda pouco conhecida da literatura especializada. Formada por
bairros pobres, de variado comércio popular e com uma topografia
extremamente acidentada, essa região conta com apenas um de seus
bairros, o de maior população, composto por 53.806 habitantes. É esse
bairro, que chamarei aqui de Santo Antônio, o que apresenta o maior
número de casos de homicídios, que Arthur atuava.</p>
<p>No ano de 2016, havia 3 facções criminosas que dividiam a região
compreendida pela AISP X em uma disputa sangrenta, sendo elas: Comando
Geral – CG; Ordem e Persistência – OP; e Trem da Ajuda – TDA, este
último logo teria a hegemonia da região. O resultado deste trabalho
baseou-se no acompanhamento de alguns casos de homicídios consumados e
tentados, no diálogo com familiares e amigos de vítimas, em relatos,
acesso aos vídeos feitos por matadores executando suas vítimas, e
análise de diversas denúncias anônimas. Porém, não apenas as ações
criminosas tornaram-se foco da análise investigativa: o próprio processo
de apuração desses crimes foi se tornando também objeto de estudo, uma
vez que as investigações dos homicídios também se mostraram parte do
fenômeno a compreender. Motivado por um processo de conflitos sociais,
faccionais e com as polícias já estabelecido há anos, a região da AISP
estudada chega à marca de 900 inquéritos policiais acumulados desde a
sua fundação em abril de 2011<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>.</p>
<p>Este artigo está dividido em três partes. Na primeira parte,
descreve-se as taxas de homicídios da AISP, considerada como área típica
de periferias urbanas consolidadas em grandes cidades brasileiras, com
significativos índices de criminalidade, dinâmica faccional instalada e
relevância dos conflitos interpessoais e com a polícia na prática dos
homicídios. Na segunda parte, apresentamos o caso de Arthur, uma pessoa
que cometeu crimes com extrema violência, citado como autor de vários
homicídios e outras tantas tentativas, além de sequestros. Nesta parte,
apresentamos casos protagonizados por Arthur, incluindo alguns relatos
de vítimas e testemunhas, seguindo sua ordem cronológica. Este caso não
é o único que observamos detidamente, mas foi, contudo, o mais
contundente. Na terceira parte, o foco analítico recai sobre o processo
de investigação e persecução penal, em seu gerenciamento na busca de
resultados ao que se refere à elucidação de crimes cometidos na área em
questão.</p>
<p><bold>O CENÁRIO DE CONFLITOS E VIOLÊNCIA</bold></p>
<p>A decepção crônica da opinião pública diante da falta de segurança e
de justiça é perceptível nas frequentes notícias veiculadas diariamente
pelos meios de comunicação. “Homem é morto com sinais de tiros e
pedradas em São Mateus<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>”, “Bandidos
exibem armas e um rapaz é morto na Parada Gay da Av. Santo
Antônio<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>”, “Jovem é morto e dois
adolescentes ficam feridos em tiroteio no final de linha em São
Mateus<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>”.</p>
<p>A população fica temerosa diante de tantos acontecimentos letais, em
um ambiente envolto de violência e de ameaças inesperadas. “Segundo os
dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do
Ministério da Saúde (SIM/MS), em 2017 foram 65.602 homicídios no Brasil,
o que equivale a uma taxa de aproximadamente 31,6 mortes para cada cem
mil habitantes” (Atlas da Violência, 2019, p. 5). “A cidade tem de ser
um espaço de cidadania e nunca uma fortaleza de medos” (CLEMENTE, 2015,
p.20), a população não se sente apenas aterrorizada, mas, também
impotente, pois as forças de
segurança<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref> incumbidas de responder
a essas ameaças parecem incapazes de atingirem esse objetivo. O que
motivam casos como o de Arthur não serem fatos isolado. As notícias de
vítimas dessas violências urbanas existentes em uma cidade ou área
atingem raios de circulação cada vez maiores, por meio de redes sociais
– WhatsApp, Instagram etc., facilidades dos tempos modernos,
intensificando a preocupação da população geral, tendo sido essas
pessoas vitimadas ou não. Como argumenta Kessler (2011, p. 84):
“Projetado no plano espacial, então, uma lógica entre as taxas de
criminalidade e medo é restaurada, no entanto, a sensação de insegurança
é um fato social diferenciado de crime, com suas dinâmicas e
consequências sociais específicas”.</p>
<p>Para todos os estratos da população brasileira, e sobretudo para os
estratos baixos e médio-baixos, há muito vem se agravando a sensação de
insegurança. Não podemos considerar essa percepção como sendo
incoerente, nem inconsistente, pois os dados oficiais apontam altos
índices de criminalidade violenta por todo país. Vale mencionar que o
Brasil tem enfrentado um conjunto de ameaças à segurança da sociedade, e
os conflitos entre facções são a melhor exemplificação de que essas
ameaças reforçam essa sensação de insegurança e de medo. Em uma região
sob ameaças, a segurança e a liberdade fundam-se na existência da
confiança de que a polícia cumprirá seu papel constitucional. Ao
contrário dessa confiança, para Kessler (2011, p. 85), a ideia de sentir
insegurança e medo, que ocupa um lugar central, também inclui outras
emoções excitadas, como raiva, indignação ou impotência.</p>
<p>A rotina da nossa sociedade, hodiernamente, apresenta-se orientada a
conviver com temas como violência, crime e medo. Esse incremento na
pauta de temas do brasileiro, muitas vezes como central, dá-se perante a
presença do crime como matriz relevante da sensação de insegurança. “A
fala do crime – ou seja, todos os tipos de conversas, comentários,
narrativas, piadas, debates e brincadeiras que têm o crime e o medo como
tema – é contagiante” (CALDEIRA, 2000). Ações criminosas, em suas
profusas formas, provocam fortes agressões à população, através de
notícias veiculadas pelos meios de comunicação que exploram em demasia o
sensacionalismo do crime. Essa forma de exploração das notícias sobre
crimes concerne aos valores impostos à sociedade. “O final de semana foi
de violência na Capital e Região Metropolitana. De acordo com o boletim
da Secretaria de Segurança Pública (SSP-X), 16 homicídios foram
registrados de sábado (20) até domingo (21). Uma tentativa de homicídio
também foi registrada nesse período” (MEDIDA, 2016, online). Telejornais
da Capital, de estilo policial, com alcance popular, exibem,
predominantemente, temas relacionados à violência cotidiana. Nesse
cenário, a audiência tão disputada por essas redes de televisão,
consegue segurar a atenção desse público, remetendo aos fatos de uma
realidade, na qual eles se identificam. Estudos recentes sobre padrões
criminais nos EUA e na Europa questionam seriamente a associação entre
pobreza e criminalidade, considerada como óbvia nas conversas do dia a
dia sobre o crime (<sc>CHESNAIS,</sc> 1981; <sc>GURR,</sc> 1979;
<sc>LANE</sc>, 1980; 1986; <sc>TITTLE; VILLEMEZ; SMITH,</sc> 1978, apud
CALDEIRA, 2000, p. 128.). As narrativas que testemunhamos, sobre os
acontecimentos criminosos na
região<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>, quase sempre estão
interligadas com o tráfico de drogas e as facções que comandam as
respectivas áreas.</p>
<p><bold>A área a analisar</bold></p>
<p>A região analisada abrange 9 bairros, uma área com uma população
total de 218.960<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>. Na AISP que
compreende essas comunidades foram registrados em 2016 um total de 150
homicídios, seguidos de 136 em 2017, 128 em 2018, e no primeiro semestre
de 2019 foram 56 homicídios catalogados na
região<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>. É uma região localizada
na parte central da Capital, composta de diversos bairros pobres, de
variado comércio popular e uma topografia extremamente acidentada com
declividades íngremes, o que dificulta o policiamento ostensivo. É uma
área onde é observado altos índices de homicídios, uma “região crítica
da cidade”, assim classificou uma matéria de um periódico com o título
“Mapa deixa clara a concentração de homicídios em bairros pobres”
(TORRES; RODRIGUES, 2012, online).</p>
<p>Em 2015, a área que compreende essa AISP passava por um momento
crítico de violência, principalmente os dois principais bairros da
região. Nesse período, 3 facções disputavam território pelo comércio de
drogas: Comando Geral – CG; Ordem e Persistência – OP; e Trem da Ajuda –
TDA. Os jornais noticiavam, diariamente, a violência da região. “Bairro
de São Mateus vive onda de violência, com guerra do tráfico e toque de
recolher” (CAPITAL, 2015, online).</p>
<disp-quote>
  <p>“A situação de São Mateus está crítica. Todo dia a gente ouve
  comentários sobre mortes. Como ninguém tem como parar a vida por causa
  disso, a gente tenta adaptar à rotina”, relatou Aristides, que passou
  a levar e buscar a filha no ponto de ônibus diariamente. “Tem escola
  liberando mais cedo, comércio fechando as portas e o povo se
  trancando. Eu mesmo evito sair depois de 20h”, disse. (CAPITAL, 2015,
  online).</p>
</disp-quote>
<p>É possível perceber com a nota acima, que a região escolhida para o
desenvolvimento deste trabalho discorre de uma região concebida como
violenta, um território de conflitos entre facções criminosas.
Observemos mais uma notícia que aborda essa afirmação:</p>
<disp-quote>
  <p>Uma briga entre duas facções, segundo versão de moradores, terminou
  com um homem morto e seis pessoas feridas na Rua Doutor Paulo Bento,
  na Av. Santo Antônio. O confronto ocorreu por volta das 10h da noite
  de quarta-feira, 7, durante um paredão de som organizado após a
  realização de um bingo. (A MANHÃ, 2016).</p>
</disp-quote>
<p>Para a equipe recém-formada<xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>
de investigadores da delegacia da área, o ano de 2016 foi de muito
trabalho e empenho perante uma área de violência extrema, acompanhamos o
trabalho dessa equipe fazendo-nos presente na unidade rotineiramente. Um
gargalo no processo de investigação que notamos, em uma visão empírica,
é de que não há comunicação com troca de informações eficientes entre as
unidades policiais. Essa é uma queixa recorrente entre os investigadores
que conversamos sobre as investigações de homicídios. O que torna mais
difícil o trabalho investigativo.</p>
<p>Os conhecidos autores de homicídios seguiam fazendo suas vítimas, o
TDA conseguindo avançar dominando territórios, sob o comando de seu
líder que se encontra custodiado em um presídio do Estado. Logo, as duas
facções inimigas haviam sido expulsas de suas áreas de domínio de vendas
de drogas e sem a OP e a CG para atrapalhar seus negócios, o Trem da
Ajuda obteve a supremacia na região. Em 28 de abril de 2016, foi
divulgada nas mídias digitais uma gravação onde o líder do TDA declara,
através de um áudio pelo WhatsApp, que vai promover eventos em períodos
festivos, prega a “paz” e ainda diz que qualquer problema é só
procurá-lo.<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref> No início do recado,
ele já menciona: “a família ‘Ajuda’ já tomou conta da localidade e podem
ter total confiança na família ‘Ajuda’. Em outro trecho, o emissor
menciona a guerra entre facções: “esse tempo de guerra foi só uma fase
de queixas dos ex-traficantes dessa localidade aí, chegando até o nosso
conhecimento, nós teve que tomar uma tendência, porque tudo agora é
Ajuda”. No caso da promoção dos eventos nas comunidades, o TDA cumpriu
financiando festas, como, por exemplo, no Dia das Crianças.</p>
<disp-quote>
  <p>Algo que era antes alheio às “famílias” e distante dos
  “trabalhadores” passou a aparecer nos cotidianos de todos os moradores
  da nova geração. Modos de organização, antes mais restritos às
  prisões, ganharam aderência no tecido social das favelas. Normas antes
  exclusivas do universo daqueles considerados “bandidos” passaram a
  abordar também a sociabilidade de jovens não inseridos nos mercados
  ilícitos. Dinâmicas, portanto, antes externas à “comunidade” passaram
  a ser lidas como constitutivas dela. (FELTRAN, 2010, p. 63, grifo do
  autor).</p>
</disp-quote>
<p>Sendo assim, hipoteticamente, com a cessação das guerras de facções,
o novo cenário resultaria em menos mortes para contabilizar. Também,
vale mencionar que alguns membros dessas facções, inclusive do TDA,
conhecidos das polícias por serem os chamados “matadores”, morreram em
confronto com a Polícia Militar, o que poderia refletir, com esses
elementos neutralizados, no declínio, ainda que pontual, de
homicídios.</p>
<p>Alguns casos nessa região chamam atenção, pelos reiterados casos de
homicídios cometidos pelos mesmos autores, o que não seria nenhum
exagero nomeá-los como “assassinos em série”, que seguem livres sem a
polícia lograr êxito nas investigações com o desígnio de entregá-los à
justiça. Alguns, como citado anteriormente, morreram em confronto com a
polícia. A seguir, descreveremos um caso que já mencionamos e chamamos
de “O caso Arthur”, emblemático para contextualizar esse cenário.</p>
<p><bold>“O CASO ARTHUR”</bold></p>
<p>Arthur é um homicida em série que atua na região dos bairros São
Mateus, Santo Antônio e adjacências. Uma espécie de “justiceiro”, uma
vez que suas investidas, quase sempre, foram contra pessoas ligadas ao
crime. O pai de Arthur se chamava Fernando, e sua história já é bastante
conhecida na região. Para saber um pouco mais sobre ela, entrevistamos
algumas pessoas que o conheciam bem, por viverem no mesmo bairro. José,
morador por mais de 40 anos do bairro, diz sobre Fernando:</p>
<disp-quote>
  <p><italic>José</italic>: – Rapaz, ele começou matando os vagabundos
  da área, depois passou dos limites e qualquer dono de bar que tivesse
  um cachaceiro o incomodando, falava com Fernando e ele iria lá e
  matava o cara. Aqueles bêbados que ficam no bar enchendo o saco, sabe
  como é?</p>
  <p><italic>P.:</italic> – Sim, mas por que ele começou a matar?</p>
  <p><italic>José</italic>: – Ele era PM, mas estava na junta, já...
  Sabe, esses PM’s quando estão para serem colocados pra rua, se
  encostam logo na junta. Rapaz, uma vez ele matou um cara e jogou na
  porta da delegacia. Ele era ousado, não respeitava ninguém.</p>
  <p><italic>P</italic>: – Na Porta da delegacia? Por que ele fez
  isso?</p>
  <p><italic>José</italic>: – Pra sacanear, ele era tirado a cavalo do
  cão. Vou contar pra você, uma vez eu chamei um primo meu, falei com
  ele para se afastar de Fernando, pois ele estava
  pedido<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>, e na hora que a ‘p...’
  chegasse, iria todo mundo que estivesse com ele. Sabe o que o sacana
  fez? Foi e falou a Fernando. Quando é um dia que estou sentado na
  porta de minha casa, ele parou com uma Brasília, linda, com rodas de
  magnésio. Desceu de bermuda, sem camisa, com uma pistola 9mm na
  cintura e veio pra cima de mim: – “qual é José? Estou sabendo que você
  falou a seu primo para se afastar de mim; qual é a sua?”. Eu falei que
  você estava pedido, e está, os bichos todos querem te pegar; estou
  mentido? Ele pegou, entrou no carro e foi embora.</p>
  <p><italic>P.</italic>: – E aí, você não ficou com medo?</p>
  <p><italic>José</italic>: – Fiquei, mas não baixei a cabeça, ele sabia
  que tenho parentes na polícia, se algo acontecesse comigo poderia
  complicar pra ele.</p>
  <p><italic>P.</italic>: – Por que mataram ele, como foi essa
  história?</p>
  <p><italic>José</italic>: – Na delegacia
  X<xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref> havia um
  informante<xref ref-type="fn" rid="fn17">17</xref>, todos conheciam
  ele, dava muitos serviços para a polícia. Nesse dia ele foi com dois
  policiais para mostrar uma quadrilha e assaltantes lá no bairro. Um
  dos policiais não era conhecido, trabalhava interno, nunca ia para
  ruas, nesse dia ele foi, então Fernando não o conhecia. Enquanto
  Sidnei foi comprar uma água, eu acho que foi isso, ficaram os dois.
  Fernando, passou, viu o informante, e como não conhecia o outro
  policial, já chegou atirando, matando o informante e baleando o
  policial. Quando Sidnei chegou, já era tarde.</p>
  <p><italic>P.</italic>: – O policial morreu?</p>
  <p><italic>José</italic>: – Não. Daí, soube que chamaram ele na
  delegacia e ele falou que não iria lá, que fossem buscá-lo. Aí, um dia
  eu estava em um bar, lembro até hoje, tomava uma dose de Alcatrão,
  quando ouvi tiros, muitos tiros. Não demorou e a notícia chegou que
  ele havia sido morto junto com mais dois parceiros dele.</p>
  <p><italic>P.</italic>: – Como foi essa morte, ele reagiu a uma
  abordagem da polícia?</p>
  <p><italic>José</italic>: – Aí já não sei os detalhes, como aconteceu
  exatamente, não fui lá olhar, mas disseram que tinha muita
  polícia.</p>
  <p><italic>P.</italic>: – Fernando matou muita gente?</p>
  <p><italic>José</italic>: – Demais.</p>
  <p><italic>[José, entrevista ao autor, transcrição
  literal]</italic></p>
</disp-quote>
<p>Como pode ser percebido neste diálogo, Fernando, pai de Arthur, era
um homem violento, e a ele era atribuída a autoria de vários homicídios.
A história de Fernando é bastante conhecida na região e parece que agora
seu filho seguia os caminhos trilhados pelo pai no mundo do crime.
Arthur não é policial como o pai era, mas começou a matar aqueles que
podem ser rotulados como criminosos. No primeiro inquérito policial em
que lhe é atribuída autoria de homicídio, a vítima tinha histórico de
envolvimento com o crime<xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref>.</p>
<p>O primeiro crime rastreado em que a autoria é atribuída a Arthur foi
em agosto de 2015. Na ação criminosa, a vítima foi alvejada com vários
disparos de armas de fogo quando se encontrava em frente à sua
residência, em companhia da genitora. Era um homem de 33 anos e que já
havia cumprido pena por práticas delituosas. No mês de outubro do mesmo
ano, foi registrado Boletim de Ocorrência – B.O. N°15-XX36, em que lhe é
atribuída a autoria de uma tentativa de homicídio –
TH<xref ref-type="fn" rid="fn19">19</xref> – na delegacia da área,
contudo, por razões desconhecidas, esse B.O. não gerou investigação nem
foi instaurado inquérito policial –
IP<xref ref-type="fn" rid="fn20">20</xref>. Localizamos 11
IP's<xref ref-type="fn" rid="fn21">21</xref> em que Arthur é configurado
como suposto autor, entre os anos de 2015 e 2017; neste último ano, com
destaque por concentrar maior número de IP’s instaurados, um total de
nove, apontando-o como suspeito. Há informações de sua participação em
crimes realizados em outras áreas, porém, não obtivemos acesso aos
documentos que pudessem comprovar, incluindo um
caso<xref ref-type="fn" rid="fn22">22</xref> em que ele sequestrou o
chefe do tráfico de uma determinada área e pediu resgate e, mesmo sendo
pago, o homem foi executado com um tiro de espingarda calibre 12.</p>
<p>Escolhemos um dos casos que envolvem Arthur para relatar, visto que
este serviu de material para substanciar outros IP’s, dada a riqueza de
informações<xref ref-type="fn" rid="fn23">23</xref>. Trata-se de um
crime cometido contra três pessoas, no qual, duas vítimas sobreviveram
para contar como tudo aconteceu.</p>
<p><bold>O Depoimento</bold></p>
<p>Em maio de 2017, por volta das 18h15min, uma ação criminosa resultou
no homicídio consumado de Santana e no homicídio tentado contra Almeida
e Francisco, tendo Arthur como um dos possíveis autores do crime. Em
depoimento<xref ref-type="fn" rid="fn24">24</xref> à Polícia Civil, um
dos sobreviventes disse que:</p>
<p>“– É morador da região onde os autores dos referidos crimes também
residem; Que o depoente tem conhecimento de que o filho de Santana, a
pessoa conhecida de Bebeto Souza, estava sendo ameaçado por uma pessoa
conhecida por Arthur, por causa de um desentendimento que ocorreu, há
cerca de dois anos, na Rua (....), por causa de um jogo de futebol; Que
Arthur é segurança e trabalhava em um mercado no Subúrbio, mas após o
referido desentendimento ele começou a matar na localidade; Que o
problema começou, no dia que todos estavam jogando futebol, quando
Michael fez uma falta em Arthur, este com raiva deu um tapa na cara de
Michael e esfregou a arma no rosto dele; Que a vizinhança ficou
revoltada com a violência de Arthur, principalmente o traficante da
área, Bernardo, conhecido como “Capeta”, que é padrinho de Michael; Que
Bernardo mandou matar Arthur após o acontecimento; Que Renato Maia de
Deus, conhecido como “Bom”, “Marciano” e outros não identificados foram
matar Arthur a mando de Bernardo, entretanto, só acertaram seu braço de
raspão; Que Bernardo pediu autorização a “Morcego”, que na hierarquia do
tráfico está acima de Bernardo, para matar Arthur; Que na realidade
todos esses eram traficantes e não gostavam de Arthur, porque ele era
“X9” e fazia jogo com a polícia, então aproveitaram a situação para
matá-lo; Que após esse fato, Arthur se afastou do bairro e foi
necessário ele pedir autorização à Liderança do tráfico para voltar; Que
a Liderança está dentro do presídio da Capital cumprindo pena, sendo
intermediada a conversa por Lourival; Que logo em seguida, com
autorização da Liderança, ele retornou ao bairro, no seu retorno logo
matou “Bom”; Que todos sabem que foi Arthur, porque durante o socorro
“Bom” falou que havia sido Arthur; Que alguns meses depois, ele foi e
matou “Marciano”; Que o declarante não viu matando Marciano, mas todos
comentam que “Marciano” estava no posto de gasolina abastecendo sua moto
com um rapaz que identificou Arthur como autor dos disparos; Que os
meninos do tráfico não gostam de Arthur por ter matado “Bom” e
“Marciano” e tentaram matá-lo pela segunda vez; Que não sabe informar o
nome de todos que tentaram matar Arthur, mas tem conhecimento que
“Morcego” participou; Que o depoente não sabe informar o dia
precisamente, mas que, a cerca de um ano, estava em frente à sua
residência quando Arthur estacionou seu carro na garagem da casa dele,
momento que um veículo passou com quatro ocupantes armados, e aos
descerem do carro, Arthur viu que estavam armados, daí sacou sua arma,
não deu tempo dele atirar porque os caras do veículo já estavam em cima,
então saiu correndo, momento que houve disparos de armas de fogo, ele
foi ferido no braço; Após a segunda tentativa de matar Arthur, ele mudou
para uma cidade na região metropolitana, ficando sumido por um tempo;
Não demorou, Arthur sequestrou “Morcego”, braço direito da Liderança do
tráfico, exigindo um resgate de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), sendo
pago, que mesmo assim Arthur matou “Morcego”, ele sequestrou com a
intenção de matar por vingança; Que todos na rua sabem que foi Arthur o
autor dos 3 homicídios, de “Bom”, “Marciano” e “Morcego”, os três
tentaram contra sua vida e ele disse para todos ouvirem que iria se
vingar; Que depois voltou a falar para todo mundo ouvir que iria matar
todos os envolvidos com o tráfico no bairro; O depoente tem conhecimento
que Arthur matou Mario Almeida, sendo que este não tinha envolvimento
com o tráfico, mas quando fazia uso de bebida alcoólica falava o que não
devia, inclusive, ofendia policiais, e também houve um desentendimento
com duas moradoras do bairro, mãe e filha, donas de um bar e ligadas a
Arthur, sendo o motivo de sua morte o fato de Mario ter jogado um saco
de lixo na rua, daí todos falam que esse foi o motivo pelo qual Arthur
matou Mario; Que Romualdo também foi assassinado por Arthur, o depoente
não sabe dizer a motivação, apenas que todos no bairro afirmam que foi
ele; Que Romualdo não mexia com ninguém, porém, o comentário é que
Arthur o extorquia para não matá-lo, quando parou de pagar foi
executado; Lourival também foi assassinado por Arthur, que falou para
todos na rua que iria matar Lourival, Bernardo e Bebeto, porque eles
estavam “pegando a visão”, olheiros para matar ele; Lourival morreu no
caminho do trabalho, em via pública; Mais uma morte atribuída a Arthur é
a de Victor Sena, conhecido por “Cabeça”, quando este acabara de sair da
delegacia, passando em frente à farmácia, ele chegou na garupa de uma
moto, pilotada por Jardel Santos, vulgo “Cuca”, a motivação foi o fato
de “Cabeça” pertencer ao tráfico de drogas da Av. Zero; O declarante
informou que era amigo de Fabiano Arão, morto em 2017, não presenciando
o fato, mas dizem que foi ele que executou de cara limpa, e todos no
local o reconheceram como autor dos disparos, não sabendo informar o
motivo de Arthur ter matado Fabiano, apenas que Arthur e “Cuca” fazem
parte de uma “Milícia”; Que o declarante conversou com Bebeto Souza,
também envolvido no tráfico de drogas da área, ligado à facção da
Liderança, em que Arthur e “Cuca” mataram sua mãe Santana e atentaram
contra a vida de Almeida e Francisco, que tudo aconteceu da seguinte
forma: Bebeto disse que estava saindo de um aniversário quando Arthur e
“Cuca” o abordaram, tirando satisfação sobre a alegação de que Bebeto
era traficante e estava se unindo com outros, que queria matar ele,
Arthur, que se afastaram e Bebeto ouviu quando Arthur disse para “Cuca”
– “ Ele que é pombo sujo e a gente vai matar”, daí Bebeto comentou com
sua mãe o que havia escutado, momento em que sua mãe, Santana, disse
para pegar um mototáxi e adiantar pra casa, que ela seguiria andando com
o depoente, no momento que passavam em frente ao mercado, veio uma
motocicleta com dois ocupantes, os quais efetuaram disparos contra
Santana e o depoente, atingindo também outra pessoa; A suspeita é que os
disparos contra os dois pode ter sido por Arthur saber que o depoente é
amigo de Bebeto; Que o depoente acha que Arthur quer matá-lo, porque ele
sabe que na última greve da polícia, a população saqueou várias lojas no
bairro com ajuda de Arthur; Que o depoente também participou dos saques
junto com outros populares às lojas; Que Arthur fazia segurança das
lojas e disse às pessoas que eles, os seguranças, iam dar um “rolé” e
que eles aproveitassem para saquear as lojas; Que o depoente subtraiu:
uma televisão, um fogão, um forno e um telefone celular, e depois ele
foi e falou aos policiais quem saqueou as lojas e os policiais foram nas
casas das pessoas e recuperaram os objetos furtados, com a indicação de
Arthur; Que Bebeto ainda disse que havia um carro dando cobertura aos
assassinos da moto quando executaram sua mãe; Que Bebeto aceitou Jesus e
um Pastor o levou a um Centro de Recuperação; Que não sabe informar qual
Centro de Recuperação; Que Bebeto é bastante conhecido no bairro onde o
depoente mora. Sem mais o depoimento foi encerrado”.</p>
<p>Nesse depoimento foram mencionados alguns homicídios atribuídos à
possível autoria de uma mesma pessoa. Arthur, no seu interrogatório em
um dos inquéritos em que é apontado como autor de
homicídio<xref ref-type="fn" rid="fn25">25</xref>, coincidentemente,
relata por suas próprias palavras os fatos acima mencionados com
espantosa semelhança, contudo, nega as acusações que lhe são atribuídas:
“Que apesar de ter motivo, não matou Morcego”, afirma Arthur em seu
interrogatório. Em outro procedimento, ele
declara<xref ref-type="fn" rid="fn26">26</xref>: “tenho sofrido
perseguições e falsas acusações, meu nome e imagem tem sido posta como
um criminoso e autor de homicídios”.</p>
<p><bold>Os Sequestros</bold></p>
<p>Admilson Silva, vulgo “Bilau”, foi interrogado por ser suspeito de um
homicídio em 2017. Na transcrição do trecho de seu interrogatório, ele
relata que foi sequestrado por Arthur. Vejamos trecho:</p>
<p>“ Que o interrogado foi sequestrado aproximadamente há dois anos, não
recordando a data, foi pego com a finalidade de fornecer informações a
respeito de ladrões na região; Que os indivíduos que sequestraram o
interrogado foram Arthur e Cuca e outros que não sabe declinar o nome;
Que os sequestradores exigiram o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais)
para liberar o interrogado e como não tinha o solicitado, entregou seu
veículo como pagamento; Que o interrogado logo que foi liberado
registrou um B.O. na delegacia especializada de roubo de veículos; Que
os sequestradores tomaram conhecimento que o interrogado havia
registrado a ocorrência de roubo do veículo, daí incendiaram o mesmo;
Que foi sequestrado novamente em 2017 pelas mesmas pessoas; Que foram 4
homens em um carro preto, que identificou Arthur e Cuca; que os contatos
para a negociação do resgate foram feitos através de ligação telefônica;
Que foram pagos R$ 8.000,00 (oito mil reais); Que a atividade do
interrogado é o tráfico de drogas e o mesmo pertence à facção da
Liderança; Que é de conhecimento do interrogado que a morte de Morcego
foi pelos mesmos indivíduos e que teriam o sequestrado e exigido o valor
de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) e mesmo sendo pago R$ 80.000,00
(oitenta mil reais), eles o mataram; Pergunta: Se o interrogado já foi
preso ou processado: Resposta: Positivamente. Nada mais havendo,
encerrou-se o termo”.</p>
<p>Sobre Arthur há vários registros, contudo, o que foi apresentado
ajuda a ilustrar a dinâmica dos acontecimentos. Ao analisar a série de
Inquéritos Policiais, da qual a suspeita da autoria é atribuída a
Arthur, é possível perceber um indicativo de correlação entre os
depoimentos e os interrogatórios. Existindo esse indicativo, em
entrevista perguntei ao presidente do IP: “Por que não pediu a
comparação dos projeteis dessa série de homicídios, já que a suspeita é
de mesma autoria?”. Essa seria uma prova técnica que poderia
desmistificar a mesma autoria para esses homicídios ou não. Não iria
ratificar Arthur como o autor, mas correlacionaria os homicídios.
Vejamos o que o Ministério Público escreveu em seu despacho sobre um IP
solicitando o indiciamento de Arthur e seu Parceiro Cuca:</p>
<disp-quote>
  <p>Com efeito, importante salientar que a deflagração de uma ação
  penal requer suporte probatório que espelhe características salutares
  de indícios de autoria, prova da materialidade, culpabilidade, bem
  como o dolo que informa a ação, adicionando se fumus boni iuris,
  hipótese não vertida dos autos, haja vista a ausência de elementos
  probatórios que nos permita o oferecimento de denúncia. (MINISTÉRIO
  PÚBLICO, 2017, n.p.)</p>
</disp-quote>
<p>Enquanto isso, Arthur segue na sua vida de crimes. Em 2019, de acordo
com informações chegadas na delegacia e mensagens e relatos divulgados
em Whatsapp de grupos de policiais, pudemos apurar ao menos quatros
homicídios com participação<xref ref-type="fn" rid="fn27">27</xref> de
Arthur e um roubo, este registrado na delegacia em que a vítima garante
ser ele o autor. Na região estudada há outros criminosos contumazes na
prática de homicídios, bastante temidos e conhecidos na região e que
seguem livres.</p>
<p><bold>A INVESTIGAÇÃO DOS HOMICÍDIOS</bold></p>
<p>Que fator(res) pode(em) favorecer para uma pessoa como Arthur seguir
na vida do crime? O que leva uma comunidade a aceitar o financiamento da
festa do Dia das Crianças e os presentes de uma facção criminosa? Será a
certeza da impunidade que leva essas pessoas a cometerem tantos crimes
reiteradas vezes, de assumirem espaços que deveriam ser ocupados pelo
poder público? Questões como essas merecem estudos aprofundados,
contudo, tentamos aqui apontar algumas possíveis causas, baseadas nas
observações empíricas entre os anos de 2016 e 2019. Mas questões ainda
voltam a aparecer. Será que o trabalho investigativo da polícia está
seguido um modelo eficiente?</p>
<p>De acordo com Misse (2010, p. 35), “como se sabe, os estudos de fluxo
do sistema de justiça criminal têm demonstrado que o principal gargalo
está entre a polícia e o Ministério Público e não no Judiciário, que
responde pela lentidão”. Deste modo, é fundamental que os setores de
investigações sigam um processo de investigação capaz de fornecer
informações e produção de provas, com propósito de contribuir na
elucidação dos fatos, atribuindo uma autoria. Como mencionado, Arthur é
citado como possível autor em alguns inquéritos, então, por que ele
ainda não foi devidamente indiciado? Onde está o gargalo que o mantém
como suspeito? Perguntas às quais, até o fim de nossa pesquisa, não
obtivemos respostas.</p>
<p>É sabido que no Brasil há um debate sobre o modelo de investigação
criminal adotado, com indícios de um perfil burocrático e
descentralizado que vem comprometendo a eficiência do sistema de
persecução penal. Para Azevedo e Vasconcellos (2011, p. 61) “o modelo do
inquérito policial reforça um perfil burocrático e bacharelesco em
detrimento das atividades de investigação policial”. Existem casos de
inquéritos policiais que são devolvidos pelo Ministérios Público – MP
para correções de inconsistências no processo e solicitado diligências
para esclarecimentos. Trilhando a conhecida trajetória cartorária dos
inquéritos da Polícia Civil. Misse (2010, p. 37) destaca, ainda: “É o
chamado ‘pingue-pongue’, o vaivém do inquérito policial entre a
delegacia e o MP – um modo de o inquérito não ficar em lugar nenhum –,
até que – passados meses e, em não poucos casos, anos – ele venha a ser
arquivado”.</p>
<p>Observemos a conjuntura das apurações dos homicídios em região
estudada. Vejamos que muitos dos crimes de homicídios não possuem
autoria definida; há outros com indicação de suspeitos, porém sem
elementos fatídicos probatórios que permita o Ministério Público
deflagrar a ação penal. Este levantamento foi realizado diretamente no
inventário do DHPP/ AISP X e nos permite uma avaliação dos fatos.</p>
<p><bold>Tabela 1 – Dados do Inventário
AISP</bold><xref ref-type="fn" rid="fn28">28</xref></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Ano</bold></th>
      <th><bold>Total de IP Instaurados</bold></th>
      <th><bold>Sem Autoria definida</bold></th>
      <th><bold>Com Autoria definida/suspeito</bold></th>
      <th><bold>IP
      Remetidos</bold><xref ref-type="fn" rid="fn29">29</xref></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><bold>2014</bold></td>
      <td>131</td>
      <td>81</td>
      <td>47</td>
      <td>19</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>2015</bold></td>
      <td>161</td>
      <td>82</td>
      <td>74</td>
      <td>16</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>2016</bold></td>
      <td>170</td>
      <td>110</td>
      <td>53</td>
      <td>13</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>2017</bold></td>
      <td>146</td>
      <td>79</td>
      <td>58</td>
      <td>14</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>2018</bold></td>
      <td>136</td>
      <td>95</td>
      <td>36</td>
      <td>9</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Inventário da AISP X – DHPP.</p>
<p>De imediato, é possível observar a superioridade de inquéritos
policiais com autoria ignorada. Logo, o decréscimo de inquéritos
policiais remetidos à justiça, chegando ao alarmante nove inquéritos
remetidos em 2018<xref ref-type="fn" rid="fn30">30</xref>, observando
que no levantamento das informações foi detectado que muitos dos IP’s
remetidos em determinado período correspondem a anos anteriores, o que
implica saber que muitos passam alguns anos até sua remessa. Em 2017,
ano em que Arthur é apontado como suspeito de 9 homicídios, apenas 14
IP’s foram remetidos à justiça, situação alarmante, como citado para o
ano seguinte. Uma dinâmica em que parece não haver muita variação nas
proporções, o que indica um mesmo padrão de trabalho, exceto em 2018, no
quesito inquéritos remetidos, abaixo de dois dígitos. Interessante
mencionar que essa relação IP instaurado x remetido, resulta em um
inventário hoje de 900<xref ref-type="fn" rid="fn31">31</xref>
inquéritos apenas na AISP em questão, todos acumulados em armários,
situação que presenciamos <italic>in loco</italic>.</p>
<p><bold>Gráfico 1 – Dados do Inventário AISP 4</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Inventário da AISP 4 – DHPP.</p>
<p>Nessa situação que casos como o de Arthur se repetem e/ou facções
ocupam espaços após vencerem guerras travadas com muitas vítimas fatais.
“O fato é que a história recente da segurança pública no Brasil tem sido
marcada por demandas acumuladas e mudanças incompletas” (LIMA; BUENO;
MINGARDI, 2016, p. 50). O que exprime, de acordo com Lima, Sinhoretto e
Bueno (2015, p 125), “altas taxas de violência associadas às elevadas
taxas de impunidade, rebatendo uma baixa confiança nas leis e nas
instituições”. Ainda sobre esse diagnóstico, o Conselho Nacional do
Ministério Público (CNMP), em trabalho de monitoramento da Meta 2 da
Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública
(ENASP)<xref ref-type="fn" rid="fn32">32</xref> em 2012, divulgou
que:</p>
<disp-quote>
  <p>as baixíssimas taxas de elucidação de homicídios observadas no
  Brasil podem ser diretamente atribuídas não apenas à precariedade das
  condições de trabalho e da infraestrutura das polícias civis e da
  perícia criminal (responsáveis pela investigação e elucidação dos
  assassinatos), como também aos baixos níveis de articulação
  institucional entre os órgãos que compõem o Sistema de Justiça
  Criminal (aspecto que acarreta um processamento judiciário lento e
  pouco eficaz dos casos esclarecidos). (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, 2014, p.
  25-26).</p>
</disp-quote>
<p>Na coleta de dados, buscamos entender o funcionamento do DHPP
motivado pela explícita baixa de elucidações de crimes de homicídios na
AISP em estudo. Pudemos verificar que, na maioria das AISP’s, existe
apenas um(a) delegado(a) para presidir os inquéritos policiais de
homicídios<xref ref-type="fn" rid="fn33">33</xref>, não sendo nossa
região analisada uma exceção à regra. Um trabalho baseado apenas em
relatórios emitidos por variadas equipes que realizam diligências
preliminares. Notamos também um processo burocrático e cartorário e de
caráter questionável, pois o(a) delegado(a) encarregado da investigação
nunca vai ao local de crime no qual é o responsável pelo IP. Perguntado
a um delegado sobre a disponibilidade de investigadores, a resposta foi:
“não temos uma equipe à nossa disposição, há uma equipe de 6 ou 7
investigadores para todas as AISP’s; é uma luta conseguir as coisas por
aqui”. Posto que, de acordo com Cobra (1987, p. 6-7), o trabalho de
busca, indagação, pesquisa e exame, ao qual se dá o nome de investigação
policial, normalmente está a cargo do investigador de polícia.</p>
<p>Acessamos algumas dezenas de relatórios de investigação, respondendo
as Ordens de Missão – OM, do Delegado(a) titular dos inquéritos
policiais da região em estudo. Desses, todos estavam limitados em
informar que emitiram a intimação para algum parente da vítima
comparecer ao DHPP para depoimento. Alguns desses contatos foram
realizados por telefone, não encontramos nenhum com informações
relatadas que pudesse auxiliar na elucidação do caso, fato que pode ser
corroborado, por exemplo, com o quantitativo de IP’s sem autoria
(Gráfico 1). Isso posto, outros problemas como falta de efetivo, de
estrutura e até de materiais contribuem para um processo ambíguo lançado
na instauração da persecução criminal, onde há um atraso contínuo no
atendimento às demandas, provocado pela centralização burocrática que
segue um antagonismo da necessidade de uma reforma administrativa e
operacional. Posto isso, pudemos compreender o que mantém homens como
Arthur livres cometendo seus crimes.</p>
<p><bold>CONCLUSÃO</bold></p>
<p>É notório que as evidências trazidas neste artigo apresentam a
perspectiva daqueles que acompanharam os processos de investigação dos
homicídios, sobretudo os ocorridos na região que contempla o bairro de
São Mateus, Av. Santo Antônio e adjacências, uma região com índices
críticos de violência. Infere-se, nessa perspectiva, como equívocos no
processo de gestão da investigação produzem efeitos técnicos e sociais
da mais alta relevância para a população, como a baixa capacidade de
produzir resultados eficazes e elucidação dos crimes, e como
consequência a sociedade segue sofrendo com a violência. Uma temática
tão ampla quanto relevante não tem como esgotar seu debate nos limites
deste artigo. Ao contrário, abre-se espaço aqui para futuras discussões,
que integrem diferentes atores sociais e abrangência de regiões, com o
intuito de revelar as verdadeiras razões do decréscimo dos índices de
homicídios, mesmo que moderado, com o fito de buscar a perpetuação por
parte do Estado na preservação da vida. A orientação das informações
prestadas neste trabalho, portanto, não busca culpados pela situação
apresentada, mas intenta contribuir para nos questionarmos sobre uma
realidade nas periferias das capitais brasileiras. Locais onde casos
como o de Arthur se multiplicam, espaços que são preenchidos por facções
em campos de guerra pelo poder do tráfico. O interesse é provocar uma
reflexão produtiva sobre os comportamentos sociais, o papel do Estado,
os processos de investigação de homicídios, buscando, com base em fatos
empíricos, as alternativas mais profícuas e eficientes para
administração de conflitos sociais e da atuação policial.</p>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
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Acesso em: 1 out. 2019. [O texto da matéria foi alterado para impedir a
identificação].</p>
<p>INFORME DE NOTÍCIAS. <bold>O absurdo dos absurdos! Nova facção diz
que vai “ajudar” a vida do povo da Capital. Escute!</bold> 2019.
Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://informedenoticias.com.br/3775/policia/nova-faccao-diz-que-vai-ajeita-vida-do-povo">https://informedenoticias.com.br/3775/policia/nova-faccao-diz-que-vai-ajeita-vida-do-povo</ext-link>.
Acesso em: 10 nov. 2019. [O texto da matéria foi alterado para impedir a
identificação].</p>
<p>INFORME NOTICIÁRIOS. <bold>Bandidos exibem armas e um rapaz é morto
na Parada Gay da Av. Santo Antônio</bold>. 2019. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://informenoticiarios.com.br/131014/policia/bandidos-exibem-armas-e-um-rapaz-e-morto-na-parada-gay-da-avenida-santo-antonio">https://informenoticiarios.com.br/131014/policia/bandidos-exibem-armas-e-um-rapaz-e-morto-na-parada-gay-da-avenida-santo-antonio</ext-link>.
Acesso em: 4 out. 2019. [O texto da matéria foi alterado para impedir a
identificação].</p>
<p>KESSLER, G. La extensión del sentimiento de inseguridad en América
Latina: relatos, acciones y políticas en el caso Argentino.
<bold>Revista de Sociologia e Política</bold>, v. 19, n. 40, p. 83-97,
out. 2011. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782011000300007&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=es">http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782011000300007&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=es</ext-link>.
Acesso em: 28 out. 2019.</p>
<p><sc>LAHIRI,</sc> V. Bairro de São Mateus vive onda de violência, com
guerra do tráfico e toque de recolher. <bold>Capital</bold>, 21 mar.
2015. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.capital.com.br/noticia/nid/bairro-de-sao-mateus-vive-onda-de-violencia-com-guerra-do-trafico-e-toque-de-recolher/">https://www.capital.com.br/noticia/nid/bairro-de-sao-mateus-vive-onda-de-violencia-com-guerra-do-trafico-e-toque-de-recolher/</ext-link>.
Acesso em: 18 out. 2019.</p>
<p>LIMA, R. S.; <sc>SINHORETTO,</sc> J.; BUENO, S. A gestão da vida e da
segurança pública no Brasil. <bold>Revista Sociedade e
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Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://dx.doi.org/10.1590/S0102-69922015000100008">https://dx.doi.org/10.1590/S0102-69922015000100008</ext-link>.
Acesso em: 10 out. 2019.</p>
<p><sc>LIMA, R. S.; BUENO, S.; MINGARDI, G</sc>. Estado, polícias e
segurança pública no Brasil. <bold>Revista Direito
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Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.br/pdf/rdgv/v12n1/1808-2432-rdgv-12-1-0049.pdf">http://www.scielo.br/pdf/rdgv/v12n1/1808-2432-rdgv-12-1-0049.pdf</ext-link>.
Acesso em: 11 out. 2019.</p>
<p>NORONHA, C. V. Violência, crime e pobreza na região metropolitana da
Capital: um velho tema revisitado. <italic>In</italic>: GOLDENBERG, P.
(Org.). <bold>O clássico e o novo</bold>: tendências, objetos e
abordagens em ciências sociais e saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz,
2003.</p>
<p>MEDIDA. Final de semana violento: 16 homicídios são registrados na
capital e RMS. xxxx: <bold>Medida</bold>, 22 ago. 2016. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.medida.com.br/noticias/policia/21152,final-de-semana-violento-16-homicidios-sao-registrados-na-capital-e-rms">https://www.medida.com.br/noticias/policia/21152,final-de-semana-violento-16-homicidios-sao-registrados-na-capital-e-rms</ext-link>.
Acesso em: 1 nov. 2019. [O texto da matéria foi alterado para impedir a
identificação].</p>
<p>MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. <bold>Caderno Temático de Referência</bold>:
investigação criminal de homicídios. Brasília: Secretaria Nacional de
Segurança Pública, 2014.</p>
<p>MISSE, M. O Inquérito policial no Brasil: Resultados gerais de uma
pesquisa. <bold>Dilemas –</bold> <bold>Revista de Estudos de Conflito e
Controle Social</bold>, v. 3, n. 7, p. 35-50, jan./fev./mar. 2010.
Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://revistas.ufrj.br/index.php/dilemas/article/view/7199/5778">https://revistas.ufrj.br/index.php/dilemas/article/view/7199/5778</ext-link>.
Acesso em: 21 nov. 2019.</p>
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António de Pina Coelho</bold>. v. 1. Lisboa: Ática, 1968. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://arquivopessoa.net/textos/3762">http://arquivopessoa.net/textos/3762</ext-link>.
Acesso em: 12 nov. 2019.</p>
<p>REDAÇÃO. Jovem é morto e dois adolescentes ficam feridos em tiroteio
na Capelinha de São Mateus. <bold>Araci Online,</bold> 2019. Disponível
em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://aracionline.com.br/noticia/jovem-e-morto-e-dois-adolescentes-ficam-feridos-em-tiroteio-no-final-de-linha-em-s%C3%A3o-mateus">https://aracionline.com.br/noticia/jovem-e-morto-e-dois-adolescentes-ficam-feridos-em-tiroteio-no-final-de-linha-em-são-mateus</ext-link>.
Acesso em: 4 out. 2019. [O texto da matéria foi alterado para impedir a
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<p>RIBEIRO, L. G. Polícia de ciclo completo, o passo necessário.
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<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://amanha.uol.com.br/xxxxxxxx/capital/noticias/1800136-tres-homens-sao-mortos-na-fazenda-grande-do-retiro">https://amanha.uol.com.br/xxxxxxxx/capital/noticias/1800136-tres-homens-sao-mortos-na-fazenda-grande-do-retiro</ext-link>.
Acesso em: 15 out. 2019.</p>
<p>SKOLNICK, J. H.; BAYLEY D. H. <bold>Nova Polícia</bold>: inovação nas
polícias de seis cidades Norte-Americanas. Trad.: Geraldo Gerson de
Souza. 2 ed. São Paulo: Edusp, 2002.</p>
<p><sc>T, J.; R, R.</sc> Mapa deixa clara a concentração de homicídios
em bairros pobres. <bold>Periódico</bold>, 22 maio 2012. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.periodico24horas.com.br/noticia/nid/mapa-deixa-clara-a-concentracao-de-homicidios-em-bairros-pobres/">https://www.periodico24horas.com.br/noticia/nid/mapa-deixa-clara-a-concentracao-de-homicidios-em-bairros-pobres/</ext-link>.
Acesso em: 15 out. 2019. [O texto da matéria foi alterado para impedir a
identificação].</p>
<sec id="torres-j.-rodrigues-r.-mapa-deixa-clara-a-concentração-de-homicídios-em-bairros-pobres.-correio-salvador-2012.-disponível-em-httpswww.correio24horas.com.brnoticianidmapa-deixa-clara-a-concentracao-de-homicidios-em-bairros-pobres.-acesso-em-20-jan.-2021.">
  <title>TORRES, J.; RODRIGUES, R. Mapa deixa clara a concentração de
  homicídios em bairros pobres. Correio, Salvador, 2012. Disponível em:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/mapa-deixa-clara-a-concentracao-de-homicidios-em-bairros-pobres/">https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/mapa-deixa-clara-a-concentracao-de-homicidios-em-bairros-pobres/</ext-link>.
  Acesso em: 20 jan. 2021. </title>
  <p>VARGAS, J. D.; RODRIGUES J. N. L. Controle e Cerimônia: o inquérito
  policial em um sistema de justiça criminal frouxamente ajustado.
  Dossiê: Inquérito Policial no Brasil. <bold>Revista Sociedade e
  Estado</bold>. v. 26, n. 1, p. 77-96, abr. 2011. Disponível em:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-69922011000100005">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-69922011000100005</ext-link>.
  Acesso em: 22 nov. 2019.</p>
  <p>VASCO NOTICIAS. Homem é morto com sinais de tiros e pedradas em São
  Mateus. 2019. Disponível em:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://vasconoticias.com.br/homem-e-morto-com-sinais-de-tiros-e-pedradas-em-sao-mateus/">http://vasconoticias.com.br/homem-e-morto-com-sinais-de-tiros-e-pedradas-em-sao-mateus/</ext-link>.
  Acesso em: 4 out. 2019. [O texto da matéria foi alterado para impedir
  a identificação].</p>
  <p>WILSON, O. W. <bold>Administracion de lapolicia</bold>. Trad.:
  Arturo Fernandez Ortiz. 1 ed. México: Editorial Limus, 1963.</p>
  <p>W, M. A. Polícia municipal: avaliando sua eficácia contra o crime.
  <italic>In</italic>: GRENE, J. R. (Org.). <bold>Administração do
  trabalho policial</bold>: questões e análises. Trad.: Ana Luísa
  Amêndoa Pinheiro. 1 ed. São Paulo: Edusp, 2007.</p>
</sec>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>O nome Arthur foi uma escolha aleatória. Por razões metodológicas
    e para preservar a identidade de meus interlocutores, omito
    conscientemente nomes de locais e delegacias de polícia e uso nomes
    fictícios para os personagens deste texto.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <p> O estado X terminou o primeiro trimestre de 2019 com redução de
    18,8% dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) na comparação
    com o trimestre de 2018. Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ssp.xx.gov.br/2019/04/5467/xxxxx-fecha-trimestre-com-queda-de-16-de-mortes-violentas.html">http://www.ssp.xx.gov.br/2019/04/5467/xxxxx-fecha-trimestre-com-queda-de-16-de-mortes-violentas.html</ext-link>.
    Acesso em: 25 out. 2019. O link foi alterado para impedir a
    identificação.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <p>O número de homicídios no país caiu 22,1% no primeiro semestre
    deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.
    Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.novo.justica.gov.br/news/brasil-registra-queda-da-criminalidade-no-primeiro-semestre-de-2019">https://www.novo.justica.gov.br/news/brasil-registra-queda-da-criminalidade-no-primeiro-semestre-de-2019</ext-link>.
    Acesso em: 25 out. 2019.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <p> Fonte: IBGE. Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010. Santos
    <italic>et al.</italic>, 2010. Elaboração: CPETE/INFORMS/SEDIG,
    2016. O link foi alterado para impedir a identificação Disponível
    em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.informs.cpete.cc.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/1_INFORMS_Painel_de_Informacoes_2016.pdf">http://www.informs.cpete.cc.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/1_INFORMS_Painel_de_Informacoes_2016.pdf</ext-link>.
    Acesso em: 4 out. 2019.</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <p>Este número obtivemos em pesquisa de campo diretamente na AISP,
    aos termos acesso, autorizado, à planilha do inventário dos
    inquéritos policiais pelo titular da unidade; de acordo com a
    planilha apresentada, essa soma foi iniciada no ano de 2011, quando
    da inauguração do Departamento.</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <p>Vide Vasco Notícias. Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://vasconoticias.com.br/homem-e-morto-com-sinais-de-tiros-e-pedradas-em-sao-mateus/">http://vasconoticias.com.br/homem-e-morto-com-sinais-de-tiros-e-pedradas-em-sao-mateus/</ext-link>.
    O texto da matéria foi alterado para impedir a identificação. Acesso
    em: 4 out. 2019.</p>
  </fn>
  <fn id="fn7">
    <p>Vide Informe Noticiários. Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://informenoticiarios.com.br/131014/policia/bandidos-exibem-armas-e-um-rapaz-e-morto-na-parada-gay-da-avenida-santo-antonio">https://informenoticiarios.com.br/131014/policia/bandidos-exibem-armas-e-um-rapaz-e-morto-na-parada-gay-da-avenida-santo-antonio</ext-link>.
    O texto da matéria foi alterado para impedir a identificação. Acesso
    em: 4 out. 2019.</p>
  </fn>
  <fn id="fn8">
    <p> Vide Araci Online. Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://aracionline.com.br/noticia/jovem-e-morto-e-dois-adolescentes-ficam-feridos-em-tiroteio-no-final-de-linha-em-s%C3%A3o-mateus">https://aracionline.com.br/noticia/jovem-e-morto-e-dois-adolescentes-ficam-feridos-em-tiroteio-no-final-de-linha-em-são-mateus</ext-link>.
    O texto da matéria foi alterado para impedir a identificação. Acesso
    em: 4 out. 2019.</p>
  </fn>
  <fn id="fn9">
    <p>Constituição Federal do Brasil. Art. 144, <bold>§ 4º</bold>: “Às
    polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira,
    incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia
    judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as
    militares”.</p>
  </fn>
  <fn id="fn10">
    <p>Segundo o Censo 2010 do IBGE, o Brasil tinha cerca de 11,4
    milhões de pessoas morando em favelas. A capital base de nosso
    trabalho revela uma proporção de pessoas residindo em ocupações
    desordenadas de 33,1%. Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/15700-dados-do-censo-2010-mostram-11-4-milhoes-de-pessoas-vivendo-em-favelas">https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/15700-dados-do-censo-2010-mostram-11-4-milhoes-de-pessoas-vivendo-em-favelas</ext-link>.
    Acesso em: 20 jan. 2021.</p>
  </fn>
  <fn id="fn11">
    <p>Fonte: IBGE. Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010. Santos
    <italic>et al.</italic>, 2010. Elaboração: CPETE/INFORMS/SEDIG,
    2016. O link foi alterado para impedir a identificação. Disponível
    em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.informs.cpete.cc.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/1_INFORMS_Painel_de_Informacoes_2016.pdf">http://www.informs.cpete.cc.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/1_INFORMS_Painel_de_Informacoes_2016.pdf</ext-link>.
    Acesso em: 1 out. 2019.</p>
  </fn>
  <fn id="fn12">
    <p>Dados obtidos diretamente do DHPP/estatística, com autorização do
    titular da unidade. Os números compreendem homicídios dolosos, lesão
    corporal seguida de morte e roubo seguido de morte.</p>
  </fn>
  <fn id="fn13">
    <p>Em janeiro de 2016 uma nova gestão assumiu a unidade policial,
    sendo assim, uma nova equipe de investigadores foi formada para
    iniciar os trabalhos do novo ciclo.</p>
  </fn>
  <fn id="fn14">
    <p> Vide áudio na íntegra em: Informe de Notícias. <bold>O absurdo
    dos absurdos! Nova facção diz que vai “ajudar” a vida do povo da
    Capital. Escute!</bold> O texto da matéria foi alterado para impedir
    a identificação Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://informedenoticias.com.br/3775/policia/nova-faccao-diz-que-vai-ajeita-vida-do-povo">https://informedenoticias.com.br/3775/policia/nova-faccao-diz-que-vai-ajeita-vida-do-povo</ext-link>.
    Acesso em: 10 nov. 2019.</p>
  </fn>
  <fn id="fn15">
    <p>“Pedido” é um termo utilizado no meio popular para definir alguém
    que está ameaçado de morte.</p>
  </fn>
  <fn id="fn16">
    <p>Como critério adotado em nosso trabalho, omitimos a identificação
    da unidade policial.</p>
  </fn>
  <fn id="fn17">
    <p>“Informante” é uma pessoa que se aproxima da polícia para passar
    informações a respeito de autores de ações criminosas, também muito
    conhecido por “X9”.</p>
  </fn>
  <fn id="fn18">
    <p>Informação coletada após acesso ao Boletim de Ocorrência do dia
    do crime, ao Inquérito Policial XX/2015, assim como à ficha policial
    da vítima, que havia sido presa e em sua ficha criminal constavam
    vários inquéritos pelo artigo 157 (Roubo). No relatório de
    investigação consta como motivação do crime tráfico de drogas.</p>
  </fn>
  <fn id="fn19">
    <p>No Estado origem deste trabalho, as Tentativas de Homicídios são
    de responsabilidade das delegacias da área, ou seja, o DHPP não toma
    conhecimento desse crime, ou não busca informações deles. Questão
    que iremos apresentar em um outro trabalho, justamente evidenciando
    essa divisão das tentativas com os homicídios consumados.</p>
  </fn>
  <fn id="fn20">
    <p>Não foi localizado nenhum registro de IP relacionado a este
    B.O.</p>
  </fn>
  <fn id="fn21">
    <p>Pesquisa realizada, com autorização, nos Inquéritos Policiais
    presididos pela a AISP de nosso estudo.</p>
  </fn>
  <fn id="fn22">
    <p>Esse caso é de conhecimento do meio policial, inclusive da
    suposta autoria, porém, com a concentração das investigações de
    homicídios pelo DHPP, não se sabe em que estágio se encontra as
    investigações, até mesmo, se foi possível confirmar o autor.</p>
  </fn>
  <fn id="fn23">
    <p>Ao ter acesso, autorizado, aos inquéritos policiais da AISP,
    notamos cópias desse depoimento em IP’s diferentes.</p>
  </fn>
  <fn id="fn24">
    <p>Essa é uma transcrição completa do depoimento dado a Polícia
    Civil por uma das vítimas que sobreviveu, por medidas de segurança e
    preservação das identidades, foram utilizados nomes fictícios, bem
    como, a omissão dos endereços, datas, de alguns relatos e algumas
    informações.</p>
  </fn>
  <fn id="fn25">
    <p>Tivemos acesso, com autorização, ao interrogatório que consta no
    IP --4/2017.</p>
  </fn>
  <fn id="fn26">
    <p>Interrogatório referente ao IP --7/2017.</p>
  </fn>
  <fn id="fn27">
    <p>Apuramos que são apenas suspeitas com base nas denúncias. As
    investigações e a ratificação dessas acusações devem ser realizadas
    pelo DHPP, uma vez que ele tem a competência pelas investigações.
    Vale mencionar que de acordo com os investigadores essas informações
    são sempre passadas para o DHPP.</p>
  </fn>
  <fn id="fn28">
    <p>Considerar uma margem de erro na contagem, visto que, o documento
    de origem dos dados, que tivemos acesso diretamente na AISP,
    apresenta algumas inconsistências.</p>
  </fn>
  <fn id="fn29">
    <p>Desses números já foram extraídos os Flagrantes e os Chamados
    Autos de Resistência. Salientando que os flagrantes não são de
    homicídios apenas, mas, de acordo com as informações fornecidas, de
    variadas infrações penais.</p>
  </fn>
  <fn id="fn30">
    <p>Este foi o número que nos confirmaram, titular da unidade, após
    verificado no inventário da AISP.</p>
  </fn>
  <fn id="fn31">
    <p>Fonte: DHPP. Por escolha em não identificar a região, não
    identificamos a AISP. Essa contagem é desde o ano de 2011, quando
    foi fundado o DHPP.</p>
  </fn>
  <fn id="fn32">
    <p>Instituída em fevereiro de 2010, a Estratégia Nacional de Justiça
    e Segurança Pública (ENASP) é uma iniciativa conjunta do Ministério
    da Justiça (MJ), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho
    Nacional do Ministério Público (CNMP).</p>
  </fn>
  <fn id="fn33">
    <p>Constatado ao visitar pessoalmente cada uma das AISP’s.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
