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<body>
<p><bold>VITIMIZAÇÃO POLICIAL: diagnósticos e
perspectivas</bold><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></p>
<p><bold>João Batista Silva</bold></p>
<p>Doutor em Educação, Mestre em Ciências Sociais, Especialista em
Polícia Comunitária, Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais (UFRN).
Membro fundador do Instituto Brasileiro de Segurança Pública e do
Conselho Editorial da RIBSP. Atualmente é Major da PMRN, editor chefe da
Revista Científica Vigilantis Semper.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Norte
<bold>Cidade:</bold> Natal</p>
<p><bold>Email:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="mailto:jbsbrown@yahoo.com.br">jbsbrown@yahoo.com.br</ext-link>
<bold>Orcid:</bold> https://orcid.org/0000-0002-3829-1822</p>
<p></p>
<p><bold>Andrey Jackson da Silva Almeida</bold></p>
<p>Especialização em Segurança Pública PMPB, Especialização em Operações
de Choque na Brigada Militar RS, Estágio de Caçador Exército Brasileiro,
Curso de Patrulhamento Tático Urbano de Alto Risco na PMPE, Curso de
Gerenciamento de Crises realizado na PMPB, Estágio de Adaptação a
Caatinga Exército Brasileiro.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Norte
<bold>Cidade:</bold> Natal</p>
<p><bold>Email:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="mailto:tenandrey@gmail.com">tenandrey@gmail.com</ext-link>
<bold>Orcid:</bold> https://orcid.org/0000-0002-4416-4141</p>
<p></p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold> Coautoria em todas as partes
do texto.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>RESUMO</bold></p>
  <p>Com objetivo de analisar a violência sofrida por profissionais de
  segurança pública, em especial, policiais militares do Rio Grande do
  Norte, este trabalho buscou desvelar suas causas e consequências. A
  partir de pesquisa bibliográfica em publicações científicas, pesquisas
  e notas técnicas, bem como de uma pesquisa empírica que utilizou um
  questionário <italic>on-line</italic> respondido por 62 policiais
  militares da região metropolitana de Natal/RN, delineou-se um perfil
  destes profissionais, sendo investigadas as suas percepções acerca da
  vitimização policial. Os resultados constataram que, mesmo não se
  sentindo seguros para exercer a profissão e reconhecendo a necessidade
  de (re)capacitação, os policiais, em sua maioria, não participam de
  treinamento técnico-profissional para esse enfrentamento. Foram
  analisados os fatores que mais contribuíram para o aumento dessa
  vitimização concluindo-se que, a partir da relação entre teoria e
  pesquisa empírica, evidencia-se a ausência de
  formação/(re)capacitação, bem como de protocolos institucionais que
  visam aumentar a capacidade técnico-profissional para minimizar a
  vitimização policial.</p>
  <p><bold>Palavras-chave</bold>: Vitimização. Policiais Militares do
  Rio Grande do Norte. Formação inicial e continuada. Protocolo
  policial.</p>
</disp-quote>
<p><bold>POLICE VICTIMIZATION: diagnoses and perspectives</bold></p>
<p>ABSTRACT</p>
<p>In order to analyze the violence suffered by public security
professionals, especially military police officers from Rio Grande do
Norte, this work sought to reveal its causes and consequences. Based on
bibliographic research in scientific publications, research and
technical notes, as well as an empirical research that used an online
questionnaire answered by 62 military policemen in the metropolitan
region of Nata/RN, a profile of these professionals was outlined, and
their perceptions about police victimization. The results showed that,
despite not feeling safe to practice the profession and recognizing the
need for (re) training, the police, for the most part, do not
participate in technical-professional training for this confrontation.
The factors that most contributed to the increase in this victimization
were analyzed, concluding that, based on the relationship between theory
and empirical research, the absence of training/(re)training is evident,
as well as institutional protocols that aim to increase capacity
technician-professional to minimize police victimization.</p>
<p><bold>Keyword</bold>s: Victimization. Military Police of Rio Grande
do Norte. Initial and continuing training. Police protocol.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Data de recebimento:</bold> 03/10/2020 <bold>Data de
  Aprovação:</bold> 21/07/2021</p>
  <p>DOI:</p>
</disp-quote>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>Atualmente, no Brasil, registros estatísticos de assassinatos de
agentes de segurança pública têm se tornado recorrentes, sobretudo
quando estão em período de folga. Esses eventos, em sua maioria, são
decorrentes de uma ação empreendida contra infratores que estão
praticando algum delito, quando esses profissionais, mesmo não estando
de serviço, decidem intervir (SILVA, 2017a), bem como quando estão
exercendo atividades de segurança (privada), em face da
<italic>expertise</italic> que detêm enquanto operadores de segurança
pública (FBSP, 2018; 2019) ou ainda quando são identificados como
profissionais de segurança, ao serem vítimas de algum crime.</p>
<p>Nessa perspectiva, três hipóteses foram consideradas para este estudo
acerca da vitimização policial. A primeira é o exercício da atividade de
segurança privada, desenvolvida por policiais em período de folga, os
quais são popularmente denominados “bicos” (BRAGA; SILVA, 2012); a
segunda é a tentativa de intervenção policial quando esses profissionais
se deparam com um ato criminoso ou quando são vítimas desses; e a
terceira, não menos significativa, é quando são vítimas da criminalidade
comum ou organizada, ao serem identificados como policiais, geralmente,
em face de prisões efetuadas ou por qualquer trabalho que desenvolvam em
virtude de sua atividade profissional.</p>
<p>Culturalmente, os profissionais de segurança pública, em virtude do
compromisso funcional que prestam ao assumirem o mandato policial,
sentem-se motivados, moralmente, a intervir quando presenciam um ato
criminoso, tendo, na maioria das vezes, uma fração de segundos para uma
tomada de decisão (SILVA, 2017a) e, neste ínterim, as estatísticas têm
comprovado que sem o aparato estatal, esses policiais não têm obtido
êxito, sendo vitimados, passando de herói a vítima (SILVA, 2018).</p>
<p>Em algumas cidades brasileiras, especialmente nas metrópoles, a
vitimização de policiais ocorre, também, orquestrada por facções
criminosas ou por retaliação promovida por criminosos comuns, em virtude
de haverem sido identificados como policiais, sendo na maioria das
vezes, executados, tendo suas armas roubadas para utilização em outros
delitos. Para Silveira (2015, p. 24), a vingança praticada por
criminosos e potenciais assassinos (integrantes ou não de organizações
criminosas) de policiais, motivadas por ações legais e/ou
ilegais<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> (por partes dos operadores
da lei), também deve ser inserida nesse rol ainda opaco das motivações
que potencializam os assassinatos de profissionais da área da
segurança.</p>
<p>A problemática da vitimização policial está inserida em um contexto
ainda mais complexo: a violência e a criminalidade no Brasil, que
tiveram um crescimento sem precedentes, a partir dos anos 1990. Para se
ter um breve panorama desse cenário, toma-se como parâmetro os primeiros
registros de mortes violentas no
Brasil<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>(<sc>WAISELFSZ, 1998)</sc>,
chegando até os dias atuais. Nas Unidades Federativas, em particular, a
realidade não destoa da nacional. O Rio Grande do Norte (RN), por seu
turno, nos últimos dez anos, perdeu a confortável colocação de segundo
estado menos violento para assumir a primeira posição nesse
<italic>ranking</italic> da violência no país (IPEA; FBSP, 2018; 2019;
FBSP, 2019), conforme a seguir:</p>
<p><bold>Quadro 1 – Número de mortes por homicídios e outras
violências</bold><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> <bold>no Brasil,
Nordeste e RN</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Ano</th>
      <th>Homicídios sem distinção da causa morte*</th>
      <th>Homicídio por arma de fogo (HAF)</th>
      <th></th>
      <th></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Brasil</td>
      <td>Nordeste</td>
      <td>Rio Grande do Norte</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>1979</td>
      <td>24.704</td>
      <td>5.187</td>
      <td>98</td>
      <td>Não disponível</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>1980</td>
      <td>27.464</td>
      <td>4.407</td>
      <td>181</td>
      <td>8.710</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>1990</td>
      <td>40.981</td>
      <td>7.273</td>
      <td>272</td>
      <td>20.614</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>2000</td>
      <td>45.419</td>
      <td>9.869</td>
      <td>256</td>
      <td>34.985</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>2007</td>
      <td>43.219</td>
      <td>15.470</td>
      <td>589</td>
      <td>34.147</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>2010</td>
      <td>53.016</td>
      <td>18.963</td>
      <td>810</td>
      <td>36.792</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>2017</td>
      <td>65.602</td>
      <td>27.820</td>
      <td>2.203</td>
      <td>45.510</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>2018</td>
      <td>57.341</td>
      <td>23.482</td>
      <td>1.926</td>
      <td>Não disponível</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>2019</td>
      <td>47.773</td>
      <td>18.320</td>
      <td>1426</td>
      <td>Não disponível</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: <sc>WAISELFSZ (1998; 2002; 2016) IPEA; FBSP (2018; 2019); FBSP
(2019),</sc> adaptado pelos autores.</p>
<p>Legenda: * Os dados de 1979 a 2010 são de WAISELFST (1998; 2016). Os
dados dos HAF até 2000 são de WAISELFST (1998; 2002); e os de 2007 a
2017 são do IPEA; FBSP (2019). Os dados dos homicídios sem distinção de
2017 a 2019 são do FBSP (2019; 2020).</p>
<p>O artigo visou, por meio de relatórios oficiais e também de entidades
independentes, investigar e analisar a vitimização ocorrida com os
integrantes da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN), fazendo-se
um recorte temporal de 2009 a 2020, sendo composto da introdução, que
apresenta o problema e sua problemática; em seguida, o segundo capítulo
mostra o percurso metodológico percorrido para desvelar como, onde,
quando, o porquê e com quais profissionais de segurança mais ocorre essa
vitimização. O terceiro capítulo analisa os fatores mais recorrentes
dessa violência, abordando desde a formação inicial até o trabalho extra
corporação. O quarto capítulo analisa e discute os resultados
encontrados, traçando um perfil dos participantes da pesquisa e suas
percepções da vitimização sofrida. E, por fim, são delineadas algumas
considerações finais acerca de possíveis alternativas de enfretamento da
violência contra esses operadores da lei.</p>
<p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
<p>O estudo foi estruturado a partir de uma pesquisa bibliográfica, com
objetivos descritivo-exploratórios e com abordagem quantitativa e
qualitativa da análise dos dados da fase empírica (MINAYO, 2013). Diante
da contextualização apresentada, formulou-se a seguinte pergunta:
<italic>em que medida a ausência de protocolos institucionais para
formação continuada ou treinamento diário dos policiais militares do Rio
Grande do Norte (RN) tem contribuído para o aumento da vitimização
desses profissionais de segurança?</italic></p>
<disp-quote>
  <p>A pesquisa investigou o processo de vitimização do policial, suas
  causas e consequências, tendo como objetivos específicos analisar os
  principais fatores da vitimização desse profissional no RN e verificar
  a existência de protocolos e/ou ações/políticas institucionais visando
  minimizar a ameaça à integridade física dos pesquisados. Outro escopo
  foi o de diagnosticar qual a percepção dos agentes para a necessidade
  de constante (re)capacitação<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref> e
  atualização de conhecimentos profissionais como condição <italic>sine
  qua non</italic> para sua sobrevivência.</p>
</disp-quote>
<p>A partir de uma abordagem qualitativa buscou-se significar os dados,
inicialmente quantificados, visando traduzir em números as informações
dos policiais participantes, recorrendo ao uso de técnicas estatísticas
(PRODANOV; FREITAS, 2013). Desse modo, a fase empírica foi realizada com
policiais militares do Quartel do Comando Geral (QCG), do Batalhão de
Polícia de Choque (BPCHOQUE), do Batalhão de Operações Policiais
Especiais (BOPE), do 1º Batalhão de Polícia Militar (1ºBPM), 11º
Batalhão de Polícia Militar (11ºBPM), da Companhia Independente de
Policiamento Turístico (CIPTur) e da Agência Central de Inteligência
(PM/2), entre oficiais e praças de ambos os sexos, no universo de até
dez, por Organização Policial Militar (OPM).</p>
<p>Participaram da pesquisa policiais que exercem atividade-fim e também
burocrática na PMRN, por meio do questionário digital,
<italic>on-line,</italic> disponibilizado na primeira quinzena de
outubro de 2018, criado no aplicativo <italic>Google
Forms</italic><xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref> e enviado por meio
do celular, por <italic>WhatsApp,</italic> sendo sistematizados em dados
estatísticos pelo próprio <italic>Google Forms</italic> e analisados
mais adiante, em <italic>Análise e Discussão dos
Resultados.</italic></p>
<p>Além de questionário social foram feitas sete perguntas fechadas e
uma aberta, visando atender ao problema e aos objetivos propostos,
identificando local e tempo de serviço, sexo, faixa etária, cargo na
instituição (oficial ou praça), renda e situação familiar. No aspecto
técnico-profissional, buscou-se investigar a percepção do nível de
segurança na atividade profissional consigo e com colegas de trabalho,
se havia sofrido violência ou tinha companheiros que haviam sido vítimas
e se tal ocorrência se deu em serviço ou não.</p>
<p>No aspecto formativo, investigou-se se os participantes haviam tido
treinamento inicial ou continuado aplicado a esse tipo de violência e se
era necessário a criação de instrução e/ou protocolo institucional
específico<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref> para enfrentamento
dessa realidade.</p>
<p><bold>DIAGNÓSTICOS, FATORES E TEORIZAÇÃO DA VITIMIZAÇÃO
POLICIAL</bold></p>
<p>Pesquisadores nacionais defendem a tese da qual os autores deste
<italic>paper</italic> corroboram, de que houve certo descaso com as
instituições de segurança pública e com seus integrantes nas últimas
décadas, quando as políticas de governo (e não de Estado, como é a
tônica no Brasil), diante da adequação ao novo contexto democrático
(BRASIL, 1988) os colocou à margem de suas prioridades (SOARES, 2003;
ROLIM, 2009), contribuindo assim para a elevação da violência e da
criminalidade. Logo, a ausência de políticas governamentais e/ou
institucionais põem em evidência a necessidade e a urgência de ações
efetivas para garantir a integridade da sociedade e a de seus agentes,
dado ao alto índice de vitimização dos profissionais de segurança, como
é possível constar no Quadro 2.</p>
<p><bold>Quadro 2 – Vitimação de agentes de segurança pública no Brasil
e no RN</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Ano</th>
      <th>2009</th>
      <th>2010</th>
      <th>2011</th>
      <th>2012</th>
      <th>2013</th>
      <th>2014</th>
      <th>2015</th>
      <th>2016</th>
      <th>2017</th>
      <th>2018</th>
      <th>2019</th>
      <th>2020<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></th>
      <th>Total</th>
      <th></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Brasil*/Agentes mortos</td>
      <td>264</td>
      <td>287</td>
      <td>282</td>
      <td>447</td>
      <td>490</td>
      <td>415</td>
      <td>386</td>
      <td>486</td>
      <td>383</td>
      <td>343</td>
      <td>172</td>
      <td>194</td>
      <td>4.149</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><disp-quote>
        <p>Rio Grande do Norte**</p>
      </disp-quote></td>
      <td>PM da ativa</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>10</td>
      <td>06</td>
      <td>05</td>
      <td>06</td>
      <td>05</td>
      <td>13</td>
      <td>16</td>
      <td>02</td>
      <td>03</td>
      <td>66</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>PM aposentado</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>02</td>
      <td>02</td>
      <td>01</td>
      <td>02</td>
      <td>05</td>
      <td>06</td>
      <td>08</td>
      <td>02</td>
      <td>29</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Policial civil</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>03</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>01</td>
      <td>02</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>02</td>
      <td>-</td>
      <td>10</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Policial civil aposentado</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>02</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>03</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Agente penitenciário</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>02</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>01</td>
      <td>01</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>05</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Bombeiro aposentado</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Agente penitenciário federal</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>02</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>03</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Guarda de trânsito</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Guarda municipal</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>02</td>
      <td>01</td>
      <td>-</td>
      <td>02</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>01</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>06</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Total no RN</td>
      <td>-</td>
      <td>-</td>
      <td>02</td>
      <td>17</td>
      <td>10</td>
      <td>10</td>
      <td>10</td>
      <td>10</td>
      <td>21</td>
      <td>26</td>
      <td>13</td>
      <td>05</td>
      <td>124</td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: <sc>ÓBVIO (2018; 2020); ZILLI (2018); FBSP (2019; 2020; 2021);
PMRN (2020), SILVA; SILVA JÚNIOR (2021,</sc> p. 10<sc>),</sc>
adaptado.</p>
<p>Legenda: * Os dados do Brasil de 2009 a 2012 são da Nota Técnica de
Zilli (2018). Os de 2013 a 2018 são do Anuário Brasileiro de Segurança
Pública do <sc>FBSP (2019).</sc> Os dados de 2019 e 2020 são do FBSP
(2020; 2021).</p>
<p>** Os dados de 2011 a 2018 do Rio Grande do Norte são do OBVIO (2018)
e do OBVIUM (2020); os de 2019 e 2020 são da PMRN, contudo, não há
uniformidade neles que possa identificar se os profissionais estavam de
serviço ou de folga. Apenas o OBVIUM tipifica os que são da ativa e os
aposentados.</p>
<p>A partir dos dados disponíveis e, sinteticamente, concatenados no
Quadro 2, busca-se diagnosticar e teorizar acerca da vitimação policial
militar, elencando os fatores constatados, abordando algumas teorias
acerca dessa violência contra os operadores da lei no país e, em
especial, no RN.</p>
<p><bold>FORMAÇÃO INICIAL</bold></p>
<p>A formação inicial dos operadores de segurança pública, que se dá
pelo desenvolvimento de competências (PERRENOUD, 1999) e habilidades
atinentes à seara profissional ocorre a partir do ingresso dos
conscritos nas respectivas instituições de segurança pública (SILVA,
2020a). Esse percurso profissional deve possibilitar a construção e o
desenvolvimento de um perfil capaz de habilitá-los a atuarem dentro dos
princípios dos direitos humanos (LUIZ, 2008) no contexto democrático
brasileiro. Segundo este autor, estes princípios são fundamentais para
sedimentação de uma formação humanística que tornará exequível sua
abordagem de forma direta e/ou transversal nas diversas disciplinas
técnico-profissionais, capacitando-os a uma atuação mais humanizada.</p>
<p>O currículo desse profissional deve fortalecer a simbiose dos três
eixos que fundamentam a formação policial: legal, técnico e ético
(BALESTRERI, 1998). Nesse contexto, a Matriz Curricular Nacional (MCN)
teve como objetivo, desde sua institucionalização, ser um referencial
teórico-metodológico e, também, filosófico para orientar ações
formativas dos profissionais da segurança pública (BRASIL, 2003). Este
divisor de águas na segurança pública brasileira, portanto, normalizou
parâmetros educacionais para esses profissionais, criando novos
paradigmas e clarificando o ideal de segurança pública, especialmente,
em relação aos aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais da
atividade profissional no país, (BRASIL, 2014), até então muito mais
afeitos à segurança nacional do que à segurança pública (SILVA,
2017b).</p>
<p>Importa, também, consignar, que a atividade profissional de segurança
pública,evoluiu, acompanhando a dinâmica social, mesmo que
paulatinamente, quando este agente deixa de atuar como mero executor de
missões pré-determinadas, dentro de uma conjuntura política de segurança
nacional, para enfrentar a complexa prática cotidiana de resolução de
conflitos interpessoais e/ou sociais, especialmente, em sociedades como
a brasileira que, em face de multifatores tem contribuído desde o
processo de redemocratização, pós CF/88, para o avanço desenfreado da
violência e da criminalidade (IPEA; FBSP, 2019).</p>
<p>Esse currículo deve ser composto, entre outras especificidades, do
desenvolvimento de competências
cognitivas<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref> que se constitui no
processo de aprender a pensar, desenvolvendo o pensamento crítico,
construindo conhecimentos e habilidades para uma formação criativa,
comunicativa e consciente. As operativas, que se fundamentam a partir da
aprendizagem para atuação prática, pressupõem a aplicação do
conhecimento teórico em práticas responsáveis, reflexivas. E, por fim,
mas não menos significativa, as competências atitudinais que visam
aprender a ser e conviver, por meio de estímulos para perceber a
realidade com base no desenvolvimento das potencialidades individuais,
coletivas e interativas no ambiente profissional, social e eticamente
orientado (BRASIL, 2014).</p>
<p>O contexto contemporâneo, de formação do profissional de segurança
pública, não é mais aquele de outrora, quando se exigia apenas
escolarização básica e boas aptidões físicas, conjuntura essa, na qual
muitas corporações policiais militares incorporavam ex-militares das
Forças Armadas sem concurso
público<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref> para comporem os seus
efetivos.</p>
<p>Silva (2020a), teorizando acerca da necessidade de mudança dos
paradigmas para ingresso nas corporações policiais na atualidade, em
especial, de melhor escolarização, historiciza o percurso que essas
corporações construíram enfocando as normativas que legitimaram esses
avanços, tendo início na Polícia Federal, passando pelas polícias
militares (quase todas já exigem nível superior para ingresso),
alcançando até agentes penitenciários.</p>
<p>A tese defendida pelos autores se baseia na premissa de que os
profissionais de segurança pública e de justiça criminal,
contemporâneos, obrigatoriamente, devem desenvolver competências e
habilidades (PERRENOUD, 1999; BRASIL, 2014) capazes de mobilizar saberes
práticos construídos historicamente, dentro da atividade profissional e
científica, bem como metodologicamente sistematizados, orientados para
resolução de problemas. Esta, portanto, é a formação profissional
(FREIDSON, 1998; BITTNER, 2017) policial, defendida por pesquisadores
das teorias das profissões, que deve ser perseguida ao longo da
carreira, como mecanismo de profissionalização da atividade de segurança
pública.</p>
<p>Em síntese, a formação dos profissionais de segurança no Brasil ainda
é incipiente (PONCIONI, 2005), mesmo com todos os esforços empreendidos
pelas diversas corporações. Outro fator a ser considerado é que a
formação não é uniforme, pois embora já tenham decorrido quase duas
décadas da institucionalização da MCN (BRASIL, 2003), as Unidades
Federativas são autônomas, dispondo de suas próprias academias e escolas
de formação. Segundo Silva (2017a), a falta de protocolos, de
<italic>lócus</italic> adequado de formação, de formação inicial
sedimentada (FREIDSON, 1998) com pesquisas na área de segurança pública
e Ciências Policiais<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref> ainda
embrionárias, são alguns indícios dessa precarização e do nível
insatisfatório de profissionalização.</p>
<p>Considera-se, contudo, que houve um avanço significativo a partir da
institucionalização da MCN, quando pesquisadores e profissionais da
segurança pública construíram um currículo próprio, acelerando o
processo de profissionalização da atividade, que apesar de centenária no
país, possui identidade ainda em formação, que na perspectiva destes
autores, é motivada por diversos fatores, especialmente, em face da não
padronização dos currículos e também dos contextos políticos que
desvirtuaram a concepção entre segurança
pública<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref> e segurança nacional
(MUNIZ, 2001).</p>
<disp-quote>
  <p><bold>FORMAÇÃO CONTINUADA</bold></p>
  <p>No Brasil são poucos os estudos que tratam o treinamento e o
  desempenho de policiais como importantes para uma melhor prestação de
  serviço (PONCIONI, 2005); (SILVA, 2007); (LUIZ, 2008); (PINC, 2009).
  Para algumas organizações, o treinamento policial (FERREIRA; ARAÚJO,
  2018), o processo de atualização e o aperfeiçoamento de técnicas e
  táticas referentes às práticas policiais são disponibilizados apenas
  em países de primeiro mundo. E mesmo nesses, rotineiramente, dado a
  diversos fatores, as capacitações são descontínuas. Esses
  investimentos somente são realizados se o tempo, os recursos e/ou
  ainda se os policiais tiverem interesse em participar, porque não são
  considerados indispensáveis para a atividade de segurança pública,
  tampouco para sobrevivência de seus agentes, inclusive pelos próprios
  policiais, conforme constatou Pinc (2011).</p>
  <p>De acordo com essa autora, muitos departamentos de polícia
  americanos até tentam implementar cursos de capacitação profissional,
  contudo, em face dos efetivos limitados que dispõem, bem como do alto
  custo para realizar esses treinamentos, não conseguem mantê-los por
  muito tempo, o que precariza sobremaneira a formação continuada desses
  profissionais, não sendo uma realidade diferente Brasil afora.</p>
  <p>De acordo com Adlam (1998) <italic>apud</italic> Pinc
  <italic>(</italic>2009, p.42), a partir do “estudo com um grupo de 29
  policiais do Reino Unido, demonstrou-se que durante todo o período de
  suas carreiras, calculado como a média de 20 anos, eles foram
  submetidos a apenas 12 meses de treinamento em serviço”. Outros dados
  de 1985, da polícia do Estado do Texas, demonstram que mais da metade
  dos policiais não recebeu nenhum tipo de treinamento no período de um
  ano (CAMPBELL, 1993 <italic>apud</italic> PINC, 2009).</p>
</disp-quote>
<p>No Brasil, a PMSP<xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref> há muitos
anos vem mantendo um planejamento rigoroso no tocante aos treinamentos,
à elaboração e à utilização de protocolos técnicos-profissionais,
denominados Procedimento Operacional Padrão (POP), para todos os
integrantes do serviço administrativo e operacional, em que pelo menos
os policiais devem frequentar uma semana de treinamento a cada ano
(PINC, 2009).</p>
<p>Nesse contexto, na abordagem deste artigo, com uma formação inicial e
também continuada insuficientes, constatadas na pesquisa empírica e
analisadas adiante em <italic>Análise e Discussão dos
Resultados</italic>, o policial militar, Brasil afora, passou a ser
vitimado por diversos fatores, como foram citados, aliados também, ao
desinteresse do próprio operador de segurança, <italic>que não acha
necessária a formação continuada</italic>, pois, mesmo não sendo na
quantidade suficiente, como exemplificado nas pesquisas citadas, quando
ofertadas pela corporação, essas capacitações são desprezadas (SILVA,
2017a), fato também pormenorizado, no capítulo da análise.</p>
<disp-quote>
  <p>Na busca pela constante profissionalização e consequente
  aprimoramento da prestação de serviço é importante estabelecer
  mecanismos que possibilitem o controle de processos que guiem os
  profissionais, não apenas da segurança pública, mas em qualquer área
  de conhecimento. Esses são requisitos essenciais para que uma
  categoria profissional continue a produzir resultados satisfatórios,
  mesmo diante de imprevistos e situações extremas que ocorrem no
  exercício da atividade laboral (FREIDSON, 1998; BITTNER; 2017).</p>
  <p>Contextos inesperados, ainda não previstos na literatura
  profissional devem ser norteados por ações protocolares. Na segurança
  pública, como em outras atividades profissionais, alterações simples
  na rotina, como a ausência de um colega que toma as decisões no
  trabalho, seja de forma esporádica ou definitiva, ou ainda, situações
  extremas, como a morte de algum membro da equipe, durante uma
  ocorrência policial, não podem comprometer o exercício da atividade
  profissional. Na formação continuada, muitos protocolos (POP) são
  difundidos conforme analisou Pinc (2009; 2011), mas nem sempre são
  utilizados na prática cotidiana. Esta, portanto, é uma constatação que
  deve ser enfrentada já na formação inicial e, sobretudo, na
  continuada, visto a necessidade de rever procedimentos (FERREIRA;
  CABELHO; RONDON FILHO, 2020; OLIVEIRA, 2020) para melhoria da
  prestação de serviço e, principalmente, para o aprimoramento de
  técnicas da segurança policial e da sociedade, em geral (SILVA,
  2020b).</p>
  <p>Toma-se como exemplo um médico, um piloto de avião, um astronauta,
  ou qualquer outro profissional que diante de um imprevisto não
  consegue tomar uma decisão, dado que não há um procedimento padrão na
  literatura da sua profissão que o oriente. Na segurança pública é
  análogo, e ainda com um complicador em muitas situações o operador da
  lei dispõe apenas de uma fração de segundos para sua tomada de
  decisão.</p>
  <p>Silva (2017a, p.252) defende que, entre outros objetivos, a
  institucionalização de um POP na atividade profissional de segurança
  pública é, sobretudo, “sintetizar parâmetros teóricos, técnicos e
  legais devendo guiar suas principais ferramentas de controle e gestão
  dos processos de ensino continuado, servindo como base na tomada de
  decisão por parte do operador de segurança pública ”.</p>
  <p>Para Cotta (2009), por seu turno, um POP busca sensibilizar e
  destacar a importância da integração e do envolvimento de todos os
  profissionais do sistema de segurança pública na gestão de incidentes
  críticos envolvendo agentes públicos de segurança.</p>
  <p>Nesse sentido, ao mesmo tempo em que esse instrumento é um
  documento oficial, deve ser, também, uma ferramenta simples e
  objetiva, estabelecendo os detalhes, elencando processos, observando
  cuidados e dados relevantes para que um procedimento seja realizado
  dentro do padrão estabelecido institucionalmente e esteja sempre
  submetido à reavaliação.</p>
  <p>Um POP deve visar ainda, padronizar a realização de um protocolo de
  forma a minimizar erros, desvios e variações de condutas dentro da
  área de atuação de uma atividade profissional, servindo como guia dos
  procedimentos a serem adotados, seja qual for o contexto em que um
  problema surja, quer de ordem operativa ou administrativa.</p>
  <p>Silva (2017a, p. 285-287), ao estabelecer um modelo de POP proposto
  para a PMRN, sistematizou um protocolo para nortear ações em
  ocorrências de risco, com policiais em serviço. Em síntese, a proposta
  criada pelo autor define que um POP deve conter o nome do
  procedimento, o local de aplicação, a identificação nominal e também
  os cargos (postos/graduações) dos responsáveis pela aplicação do
  referido procedimento. As orientações protocolares, segundo o autor,
  devem ser compostas de: 1. ações preliminares (antes da ocorrência);
  2. ações imediatas no local; 3. resultados esperados; 4.
  circunstâncias que podem levar a um erro procedimental; e 5. ações
  corretivas (imediatas e posteriores).</p>
  <p>Ainda de acordo com este mesmo autor, obrigatoriamente, um POP
  institucionalizado deve conter previsão de avaliação, que em linhas
  gerais é composta de: 1. nome da equipe de avaliadores; 2. nome dos
  policiais a serem avaliados; e 3. itens que compõem o referido
  procedimento, descrito acima em uma coluna lateral a estes para que
  possam ser avaliados (SILVA, 2020b).</p>
</disp-quote>
<p>No caso da institucionalização de um POP, para ações em períodos de
folga, faz-se necessário categorizar os posicionamentos descritos pelos
policiais pesquisados que evidenciaram a pouca orientação na formação
inicial para segurança pessoal, em período de folga, bem como as
deficiências e/ou ausências desses procedimentos nas capacitações
(formação continuada), o que foi consignado na análise dos
resultados.</p>
<p><bold>DÉFICIT DO EFETIVO</bold></p>
<p>A falta de efetivo para execução do policiamento ostensivo que, em
parte, é responsável pela redução da violência e da criminalidade é,
também, um dos problemas para se manter uma boa qualificação continuada
e melhorar a prestação de serviço, dado que quanto menos efetivo, mais
complexo é retirá-lo das ruas para realizar uma formação continuada,
aumentando assim, a probabilidade de uma insuficiente ou inexistente
recapacitação, o que consequentemente potencializa o risco de
vitimização policial.</p>
<p>Borges e Silva (2017) analisando a diminuição do efetivo nos últimos
20 anos na PMRN, constataram uma evasão anual de, em média, 200
policiais militares, ocorridas por aposentadorias, pedidos de demissão,
e até por expulsões por desvio der conduta.</p>
<p>Compreender a complexidade do déficit de efetivo das forças de
segurança pública no país, aliado aos multifatores catalizadores do
aumento da violência e da criminalidade é essencial para problematizar o
processo de vitimização policial.</p>
<p>Com efeito, a violência e a criminalidade têm aumentado nas últimas
décadas no Brasil, em especial, os crimes violentos, letais e
intencionais, particularmente os homicídios e, sobretudo, os provocados
por armas de fogo, conforme demonstrado no Quadro 1. Ratificando a
compilação do quadro, dados do SIM indicam que, entre 1980 e 2014
morreram 967.851 pessoas vítimas de disparo de algum tipo de arma de
fogo. Waiselfisz (2016, p.16) constatou que “essa eclosão das mortes foi
alavancada, de forma quase exclusiva, pelos Homicídios por Arma de Fogo
(HAF), que cresceram 592,8%, setuplicando, em 2014, o volume de
1980”.</p>
<p>Nesse mesmo período, no Brasil, matérias jornalísticas apontaram um
número bastante elevado de agentes aplicadores da lei vitimados, se
levando em conta a média anual de 2009 a 2018. Contudo, em face da falta
de postura acadêmica, pesquisa e política pública institucional no país,
já explicitados, essas informações não estão sistematizadas como a
violência, em geral. Portanto, os dados disponíveis, possíveis de serem
concatenados foram demonstrados no Quadro 2, no qual se constata que, em
média, no Brasil, foram assassinados 4 mil policiais na última década. E
no RN, aproximadamente 80 policiais militares e 20 integrantes das
demais instituições de segurança pública.</p>
<p>Em uma análise comparativa, nos Estados Unidos, entre 2009 e 2015, a
média de policiais mortos, por ano foi de 49,14, totalizando 344
profissionais, com uma população de cerca de 300 milhões de habitantes.
No Brasil, no mesmo período, com uma população estimada em 200 milhões
de habitantes, foram mortos 721 profissionais de segurança, perfazendo
uma média anual de 103 policiais vitimados. Ainda de acordo com o FBSP,
o Anuário da violência registrou 3.220 mil mortes em intervenções
policiais em 2015. No período de 2009 a 2015 as intervenções policiais
resultaram em 17.688 mortes (FBSP, 2016).</p>
<p>Os dados da violência no Brasil tomaram dimensões de uma “guerra
civil”. Para se ter um parâmetro o FBSP, por meio do seu Anuário de
2016, consignou que na Guerra da Síria, no período de 2011 a 2015,
morreram naquele país em decorrência da guerra, 256.124 pessoas,
enquanto que no Brasil, no mesmo período, em um <italic>Estado
democrático,</italic> foram vitimadas por causa da violência e da
criminalidade 279.567 pessoas(FBSP, 2016, p. 6-9).</p>
<p>Em uma análise comparativa, as intervenções policiais no Brasil,
segundo o FBSP (2016, p. 21), tiveram como consequência a taxa de 1,6
mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Em Honduras, por seu
turno, constatado como o país mais violento do mundo, essa taxa é de 1,2
mortes por 100 mil habitantes. Na África do Sul, país também em
desenvolvimento como o Brasil, a taxa de mortes decorrentes de
intervenções policiais é de 1,1 mortes, para o mesmo grupo de
habitantes.</p>
<p>Paradoxalmente, para suprir as perdas nos quadros policiais, esses
agentes não são substituídos na mesma proporção. Estudos constatam que
as polícias militares do Brasil deveriam ter em torno de 600 mil
policiais, mas existem aproximadamente 430 mil militares. Apenas essa
constatação implica em um déficit nacional de cerca de 170 mil policiais
(GAMA; MADEIRO, 2017).</p>
<p>Não se trata de defender um Estado policial, mas se há um parâmetro e
a comprovação de que em países com índices de desenvolvimento humano
elevado, onde os equipamentos públicos funcionam satisfatoriamente bem,
nos quais pesquisas constataram que existe, para cada policial, em média
320 a 350 habitantes (MONET, 2006, p. 132), destarte, em um país como o
Brasil, em que tais índices não são tão satisfatórios assim,
obrigatoriamente, dever-se-ia ter, no mínimo, a mesma proporcionalidade
entre policiais e cidadãos.</p>
<p>Não tendo essa mesma infraestrutura estatal, tampouco a
proporcionalidade entre população e agentes operadores da lei, aliado a
outros fatores que intensificam a violência e a criminalidade no Brasil,
esses profissionais têm suas atividades precarizadas por diversas
causas, entre elas, algumas acima citadas, tornando-os mais vulneráveis,
quando estão de serviço, mas principalmente, quando estão em períodos de
folga, pois caso tenham de intervir na iminência de um delito, não
contam imediatamente com o aparato estatal, sendo vitimados, conforme as
estatísticas apresentadas.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>TRABALHO DE SEGURANÇA PRIVADA (O “BICO”)</bold></p>
</disp-quote>
<p>Uma das principais circunstâncias que expõem os profissionais de
segurança é o desempenho de alguma atividade de segurança privada que
eles exercem, em face do <italic>now how</italic> que desenvolveram na
carreira policial, aliado também à pseudopercepção de quem os contrata,
que vêem nesses atores a possibilidade da agilidade no acionamento do
aparato policial, caso algum fato delituoso aconteça contra seus
estabelecimentos ou eles próprios.</p>
<p>Nessa perspectiva, importa perceber que o que chama a atenção dos
agentes de segurança pública que responderam à pesquisa de Braga e Silva
(2012) é que 50,4% já sofreram algum tipo de dificuldade financeira e
que para garantir a manutenção de suas despesas recorriam a esse tipo de
atividade.</p>
<p>Ao desempenharem a atividade relativa à segurança remunerada fora da
instituição policial, o popular “bico”, os profissionais de segurança se
expõem ainda mais, pois são escolhidos por marginais, principalmente,
por portarem armas durante a execução desse serviço extra corporação,
muitas vezes, armas institucionais. Desse modo, o desempenho de serviços
de segurança privada expõe os policiais, dado que no exercício dessa
atividade não contam com o aparato estatal, o que os deixa mais
vulneráveis, tornando-se uma das principais condições de sua vitimização
(FRANÇA; DUARTE, 2017; FERREIRA; CABELHO; RONDON FILHO, 2020).</p>
<p>As estatísticas disponibilizadas acima também são corroboradas pelo
Anuário Brasileiro de Segurança Pública, as quais explicitam que a
vitimização por homicídios ocorre, na maioria dos casos, com os
policiais militares - dado que além de serem o maior efetivo do país,
são os que realizam o policiamento ostensivo, portanto, o mais exposto -
e durante os momentos em que não estão desempenhando o serviço policial.
(FBSP, 2016; 2019).</p>
<p>Nos últimos oito anos, no RN, morreu 1 PM a cada 20 dias, conforme
pesquisa realizada pela seção de inteligência do Estado Maior Geral da
PMRN<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref>. As estatísticas nacionais
também são confirmadas no RN, pois a maioria das mortes de policiais e
também de outros profissionais de segurança ocorreu quando os mesmos se
encontravam em períodos de folga ou em atividade de segurança privada,
uma prática rotineira de agentes de segurança, em todo o país (BRAGA;
SILVA, 2012).</p>
<p>A maioria das PMs do Brasil possui dispositivos legais proibindo que
seus integrantes exerçam atividades remuneradas fora das corporações
(FERREIRA; CABELHO; RONDON FILHO, 2020), contudo, isso não impede que
policiais complementem a renda em serviços, extra corporação,
trabalhando em seus horários de folga, como seguranças no setor privado.
Por outra perspectiva algumas instituições criaram formas
institucionalizadas para os policiais trabalharem a mais para a própria
corporação, por meio de horas extras remuneradas.</p>
<p>Para buscar entender essa realidade, traça-se um breve perfil da
remuneração policial na PMRN, onde o salário base para um soldado é de
R$ 3.268,32<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>, ou seja, em média,
3 vezes o salário mínimo vigente no país (RIO GRANDE DO NORTE, 2019), o
que não destoa muito da realidade das demais Unidades Federativas. A
baixa remuneração e o aspecto cultural talvez sejam os principais
motivos pelos quais esses trabalhos extra corporação sejam tolerados
pelos respectivos comandantes, segundo eles próprios, como forma de
ajudar seus subordinados<xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref>.</p>
<p>Nessa mesma perspectiva, não apenas no RN, mas nas demais PMs
brasileiras, ocorre a institucionalização do trabalho policial extra,
remunerado pela própria corporação. Uma dessas medidas foi a criação, em
1999, da Diária Operacional (DO), através da Lei Estadual Nº 7.754,
alterada Lei Complementar Nº 624, de 23 de fevereiro de 2018, por meio
da qual, o servidor público estadual da ativa, pertencente ao sistema
estadual de segurança pública, de forma voluntária, em período de folga,
pode exercer atividades e serviços imprescindíveis à preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, trabalhando
06 (seis) horas ininterruptas, recebendo atualmente R$ 107,40 - cento e
sete reais e quarenta centavos (RIO GRANDE DO NORTE, 1999; 2018).</p>
<p>Tal dispositivo traz à tona vários posicionamentos, tanto positivos
como negativos. Seus defensores dizem que a normativa protege os PMs,
uma vez que esses realizam o trabalho extra, com o apoio do poder
público, pois estão oficialmente de serviço e utilizam os meios que o
Estado dispõe para executar as atividades de segurança pública para
complementar a sua renda, inclusive, minimizando um antigo problema nas
corporações policiais militares, a escala extra, na qual o policial,
após seu serviço normal e um dia de folga era escalado para algum
serviço extra<xref ref-type="fn" rid="fn17">17</xref>, compulsório, sem
qualquer compensação.</p>
<p>Em outra perspectiva, para os críticos, a DO oficializada significa
diminuir o tempo de descanso dos policiais e também é uma forma
governamental de aumentar o efetivo nas ruas, gastando menos com o mesmo
efetivo, já que por meio dessa medida disfarça para a população, em
geral, a obrigatoriedade de realizar novas contratações, treinamentos e
aumento de salário. Ou seja, é a institucionalização da precarização da
atividade policial, na medida em que a própria corporação perpetua a
sobrecarga de trabalho e tolhe esse profissional de desfrutar do seu
período de folga, além de comprometer o restabelecimento dos aspectos
físicos e psicológicos, quando ele deixa de realizar outras atividades
extra corporação, necessárias à higienização mental.</p>
<p>Essa realidade impacta tanto a saúde física como mental dos agentes
de segurança pública, aumentando seu nível de estresse, comprometendo a
sua segurança, dado que o excesso de trabalho causa fadiga, prejudica o
desempenho motor e psicológico e por portar armamentos, esse agente fica
mais suscetível a cometer erros nas atividades operacionais quando
necessita fazer uso da força e/ou de armas, principalmente, a de fogo,
carecendo, portanto, cada vez mais de formação continuada (SILVA,
2017a).</p>
<disp-quote>
  <p><bold>ANÁLISE E DISCUSSÕES DOS RESULTADOS</bold></p>
  <p>Diagnosticou-se que o perfil socioprofissional dos participantes
  compreendeu a faixa etária entre 24 e 51 anos, com predomínio de 31 a
  45 anos, estando 22 deles exercendo a função há mais de 15 anos.
  Quanto ao cargo dos entrevistados foram 11 soldados, 08 cabos, 08
  sargentos, 16 tenentes, 08 capitães, 04 majores, 04 coronéis e 02 não
  identificaram a patente (se oficial ou praça). Quanto à renda, esta
  variou entre 3 a 19 salários mínimos vigentes no país. Quanto à
  escolarização entre os participantes, 01 possuía Ensino Fundamental
  completo, 08 possuíam Ensino Médio completo, 05 estavam cursando
  Ensino Superior, 23 tinham Ensino Superior completo e 25 policiais
  eram pós-graduados.</p>
  <p>Esses dados apontam que os participantes se compõem de policiais
  veteranos, em sua maioria, razoavelmente escolarizados, com tempo de
  serviço que lhes confere uma boa experiência profissional,
  demonstrando preocupação com a busca de maior formação e
  autoconhecimento. Tal fato foi constatado também no estudo de Minayo
  <italic>et al</italic> (2007), que defendem que na atualidade os
  profissionais de segurança pública são mais instruídos, diferindo do
  perfil policial no passado (SILVA, 2020a).</p>
  <p>Ao responderam ao questionamento se eles se sentiam seguros
  exercendo a profissão policial, 80% (50) responderam que não se
  sentiam seguros exercendo sua atividade profissional, enquanto agente
  de segurança pública, constatando-se um alto índice de insegurança por
  parte daqueles que foram diplomados pelo Estado e têm a legitimação
  social de proteger a sociedade, demonstrando assim, o alto grau de
  acuação em que esses profissionais se encontram e a baixa capacidade
  do aparato estatal para o enfretamento dessa realidade, que, como
  posto nas hipóteses iniciais, afronta a população e o próprio
  Estado.</p>
  <p>Inquiridos sobre se já haviam sofrido alguma ameaça ou tentativa de
  homicídio devido à sua profissão, 98% responderam sim a esse
  questionamento o que demonstra também um número muito elevado de
  agentes vitimados. Nessa mesma linha de questionamento, 68% (41)
  afirmaram que já foram ameaçados e que já tiveram algum colega vítima
  de homicídio em serviço ou de folga.</p>
  <p>Observa-se que a profissão do policial, em si, é um indicativo de
  vitimização, seja no exercício de suas atividades ou fora dele. Sobre
  essas questões, Minayo, Souza e Constantino(2007) ponderam que os
  policiais militares estão permanentemente expostos a riscos de morrer
  e que esses riscos não podem ser entendidos somente como acidentes
  inerentes às atividades laborais. Também de acordo com Bezerra (2013),
  os policiais militares, dentro da categoria de agentes de segurança,
  são os trabalhadores que mais adoecem e morrem e, muitas dessas
  mortes, ocorrem nos períodos em que estão fora do serviço.</p>
  <p>Perguntados se haviam tido algum treinamento ou visto alguma
  disciplina nos cursos de formação inicial que capacitasse o policial
  para enfrentar a violência em virtude da atividade profissional, 87%
  dos participantes responderam que não, conforme o Gráfico 1.</p>
  <p>A questão seguinte, correlacionada com a anterior, procurou
  descobrir se diante de algum treinamento realizado o participante
  recordava-se de alguma disciplina ou curso ministrado para ele na
  formação continuada que o (re)capacitasse para essa demanda
  profissional. Como resultado, 76% responderam identificando algum
  curso e 24% responderam que não.</p>
  <p>No Gráfico 2 os participantes da pesquisa citaram alguns cursos dos
  quais participaram que os possibilitou alguma capacitação para
  enfrentamento da violência contra policiais.</p>
</disp-quote>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <tbody>
    <tr>
      <td><disp-quote>
        <p><bold>Gráfico 1 – Curso de formação inicial ou
        continuada</bold></p>
      </disp-quote>
      <p>[CHART]</p>
      <p>Fonte: dados desta pesquisa (2018)</p></td>
      <td><disp-quote>
        <p><bold>Gráfico 2 – Curso de capacitação realizado</bold></p>
      </disp-quote>
      <p>[CHART]</p>
      <p>Fonte: dados desta pesquisa(2018)</p></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<disp-quote>
  <p>Os dados do Gráfico 1, que correspondem à formação inicial ou
  continuada para ascensão profissional indicam que há uma carência
  significativa nessa formação, dado que são profissionais com mais de
  15 anos de efetivo serviço e, portanto, apenas 13% tiveram alguma
  experiência formativa com a temática que tratava da segurança pessoal,
  em virtude da função que exercem.</p>
  <p>No Gráfico 2, que se refere aos cursos de capacitação, os quais não
  têm relação com a ascensão profissional, é possível constatar uma
  melhora quando os policiais informam alguns cursos (76%) dos quais
  participaram que tratam da temática do enfrentamento da violência
  contra eles próprios e um quantitativo inferior de 24% declararam não
  lembrar de nenhuma capacitação nessa perspectiva. Contudo, é forçoso
  enfatizar que os cursos elencados são extremamente seletivos e sua
  oferta não é regular. Outro fator a destacar é que os cursos mais
  citados (32%) foram o COESP/CAT, ofertados apenas para membros das
  tropas especializadas e/ou interessados de nelas ingressarem.</p>
  <p>Silva (2017b) fundamenta que são altos os riscos de os policiais
  serem vitimados no exercício da profissão, porque executam atribuições
  de lida direta com a violência, o que expõe inevitavelmente suas
  próprias vidas. Esses percentuais mostram que a maioria dos policiais
  entrevistados não realizou treinamento ou não recordava de alguma
  disciplina que tratasse sobre (re)capacitação para lidar com a
  violência praticada contra policiais.</p>
  <p>Na pergunta que questiona se o policial entrevistado já tinha tido
  instruções em relação a como se portar em situações de risco de
  morrer, quando da prática da atividade de segurança, fora do serviço,
  56% dos entrevistados responderam que sim e 44% responderam que não
  tinham tido nenhuma instrução nesse sentido.</p>
  <p>Essa constatação pode parecer paradoxal, visto que nas respostas
  anteriores acerca dos cursos profissionais, a maioria dos policiais
  respondeu que não houve esse tipo de abordagem formativa, constante no
  Gráfico 3. A constatação obtida na última pergunta parece estar mais
  alinhada com os posicionamentos anteriores de que não há
  treinamento/(re)capacitação suficientes para o policial exercer
  atividades profissionais dentro da corporação, o que torna mais
  urgente e necessária uma política institucional nessa perspectiva de
  enfrentamento, pois quando se trata de exercer o serviço de segurança
  privada, extra corporação, inevitavelmente essa opção deixa os agentes
  de segurança pública mais vulneráveis, dado que, em tese, não teriam o
  aparato estatal de uma forma mais imediata, pois trabalham sem suas
  equipes, ou seja, guarnições devidamente constituídas, equipadas e
  armadas.</p>
  <p>Corroborando essa inferência, no Gráfico 4 os PMs enfatizam, quase
  que unanimemente, a necessidade e a urgência de uma política
  institucional dessa natureza.</p>
</disp-quote>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <tbody>
    <tr>
      <td><p><bold>Gráfico 3- Treinamento para segurança fora do serviço
      policial</bold></p>
      <p>[CHART]</p>
      <p>Fonte: dados desta pesquisa(2018)</p></td>
      <td><p><bold>Gráfico 4 – Nível de percepção dos policiais quanto à
      necessidade de treinamento</bold></p>
      <p>[CHART]</p>
      <p>Fonte: dados desta pesquisa(2018)</p></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<disp-quote>
  <p>Nas respostas iniciais os participantes enfatizaram que não se
  sentiam seguros para o exercício de sua atividade profissional ao
  exercerem atividades remuneradas de segurança privada, quando estão de
  folga, por disporem de menos recursos (estruturais, de equipamentos,
  pessoal e bélico), do que quando estão no serviço institucional isso
  se daria, conforme França e Duarte (2017), porque há maior
  probabilidade de serem vitimados. Para Pinc (2009), o treinamento para
  policias militares deve se sustentar em um planejamento rigoroso, com
  base na elaboração e na prática de POP (regulamentar nas corporações)
  disposto para todos os integrantes, os operacionais e também os
  administrativos, conforme constatou também Silva (2020b).</p>
  <p>Em síntese, essas constatações aliadas à base teórica defendida
  neste artigo vêm evidenciar a segunda hipótese levantada, como
  consignado nas estatísticas anteriores, de que a maioria dos
  profissionais de segurança pública são vitimados em períodos nos quais
  não estão atuando como agentes da lei. Nesse sentido, o estudo cumpre
  o objetivo para o qual foi proposto, qual seja, descobrir as
  principais causas e consequências dessa vitimização, possibilitando às
  esferas institucionais e governamentais adotarem medidas para redução
  dessa violência, o que consequentemente, em tese, melhoraria as
  condições de trabalho dos policiais e, consequentemente e, assim, a
  prestação de serviço.</p>
  <p>Em que pese esta pesquisa ser de cunho predominantemente
  qualitativo, pois além da instituição pesquisada e o universo dela
  participante estarem distantes de representar uma amostra
  significativa das corporações policiais militares brasileiras, não
  seria metodologicamente adequado fazer generalizações dos dados
  encontrados. Contudo, a partir dos dados da pesquisa documental e
  também empírica constata-se que o fenômeno da violência contra
  profissionais de segurança pública, em especial, os policiais
  militares, é crescente e alcançou taxas que não podem ser
  naturalizadas, seja em nível local ou nacional.</p>
  <p>Essa constatação, comprovada por meio de dados estatísticos
  nacionais (ZILLI, 2018; FBSP, <sc>2019; 2020, 2021)</sc> e locais
  <sc>(</sc>OBVIO, 2018; OBVIUM, 2020; PMRN, 2020), evidencia a
  urgência/emergência da necessidade dos setores envolvidos atuarem de
  forma articulada para construírem protocolos, normas, ações e
  políticas institucionais e governamentais de enfrentamento da
  violência praticada contra os policiais, sobretudo, a violência
  letal.</p>
  <p>Por outro lado, considera-se também que, muito embora em muitos
  momentos outras violências físicas e/ou psicológicas tenham emergido
  no estudo, essas não foram objeto de investigação, posto que são muito
  mais susceptíveis às subnotificações (portanto, inapropriadas para
  metodologia adotada), bem como em face de seus multifatores, entre os
  quais, destacam-se os culturais nas corporações (por possível temor a
  retaliações e estigmatizações) e ainda pela prática extra oficial da
  atividade de segurança privada. Este último, extremamente complexo de
  se constatar, como anteriormente teorizado em <italic>Diagnósticos,
  Fatores e Teorização da Vitimização Policial.</italic></p>
</disp-quote>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>Conforme os objetivos propostos e os resultados obtidos, constatou-se
que não existe disponibilização de formação continuada e/ou treinamentos
sistemáticos e/ou pontuais para os policiais militares da região
metropolitana de Natal/RN, para situações de violência praticada em face
de serem profissionais de segurança pública, tomando como referência a
amostra desta pesquisa. É possível também inferir, a partir desses
resultados e com o embasamento teórico defendido, que a inexistência de
protocolos institucionais que orientem e normatizem as ações policiais
militares em confronto armado no período de folga tem contribuído para o
aumento da vitimização desses profissionais no Rio Grande do Norte nos
últimos anos.</p>
<disp-quote>
  <p>Diagnosticou-se, ainda, que é preciso estimular, já na formação
  inicial, a busca pelo conhecimento, aperfeiçoamento e a
  (re)capacitação voltados a minimizar a vitimização do policial. Como
  proposta de enfrentamento dessa problemática sugere-se a criação e
  implementação de POPs, com a finalidade de capacitar o policial em
  casos de ameaça à sua integridade física, quando estiver em serviço e
  também em períodos de folga, dado que como constado, esta é a
  circunstância em que este profissional se encontra mais
  vulnerável.</p>
  <p>Diante das possibilidades de morte em serviço na corporação ou em
  períodos de folga, a adoção desses protocolos nas corporações de
  segurança pública é essencial como ferramenta institucional e
  procedimental para o enfrentamento da vitimização policial, aliada à
  reflexão e à conscientização do agente em relação à sua própria
  segurança, evitando a exposição em serviços não institucionais.</p>
  <p>Além das medidas que devem ser tomadas pelas corporações e pelo
  próprio profissional, deve-se enfatizar ainda que o Estado tem
  responsabilidade no alto índice de vitimização policial e que,
  portanto, deve criar meios e condições de trabalho que venham dar mais
  efetividade ao trabalho do policial, garantindo segurança aos seus
  agentes.</p>
  <p>Sem a pretensão de esgotar a temática, mas fomentar novas pesquisas
  acerca da problemática, defende-se que o próprio Estado e/ou até mesmo
  a União criem um programa de valorização do profissional, com salários
  condizentes à função social (minimizando o exercício de atividades de
  segurança privada), aperfeiçoe técnicas e procedimentos operacionais,
  invista em novas tecnologias de segurança individual, reveja normas,
  adéque terminologias e conceitos, além de redefinir funções e elaborar
  protocolos, institucionalizando-os, como condição essencial para a
  valorização e a sobrevivência policial.</p>
</disp-quote>
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dos oficiais da Polícia Militar do Estado (PMRN), da Lei Complementar
Estadual 463, de 3 de janeiro de 2012, que dispõe sobre o subsídio dos
Militares do Estado, e da Lei Complementar Estadual nº 515, de 9 de
junho de 2014, que dispõe sobre o Regime de Promoção das Praças da
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<disp-quote>
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Acesso em: 02 nov. 2021.</p>
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<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8873/1/bapi_17_cap_10.pdf">http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8873/1/bapi_17_cap_10.pdf</ext-link>.
Acesso em: 04 abr. 2020.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>Versão preliminar deste artigo foi apresentada por ocasião de
    conclusão do Curso de Pós-Graduação em Segurança Pública no Centro
    de Educação da Academia Cabo Branco da Polícia Militar da
    Paraíba.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <p>Lemgruber; Musumeci e Cano (2003, p. 37), em obra clássica acerca
    do controle interno e externo das polícias brasileiras já
    constatavam os graves desvios de conduta que permeiam culturalmente
    essas instituições.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <p>Apenas a partir de 1975 é que o Estado brasileiro, por meio da
    Lei Nº 6015/73, alterada pela Lei Nº 6.216/75, implantou-se o
    Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde,
    que passou a registrar todas as mortes ocorridas no país. Ou seja,
    essa medida é um divisor de águas não apenas na área da saúde
    pública, mas também para a segurança (que nesse período estava muito
    mais preocupada com questões de segurança nacional), pois é
    doravante que os registros de mortes violentas passam a ser feitos
    por meio do atestado de óbito, obrigatório.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <p>A falta de padronização metodológica nas pesquisas e publicações
    no campo de conhecimento segurança pública e Ciências Policiais
    (BRASIL, 2020), no país, dificulta o desenvolvimento de um
    diagnóstico com padrões técnicos e científicos confiáveis. Há sempre
    uma ressalva a se fazer pela falta de normalização. O pesquisador
    que demanda de informações do Estado, muitas vezes, na ausência
    dessas, utiliza dados secundários de institutos e/ou organizações
    sociais para traçar uma análise comparativa com os dados locais de
    sua pesquisa. Um exemplo disso é que apenas na década de 80 passam a
    ser identificadas as causas dos homicídios por meio do SIM
    (WAISELFSZ, 1998). Ainda de forma precária, essa definição melhora a
    partir de 2010 com a identificação dos crimes letais e intencionais,
    tipificações essas contidas no Código Penal Brasileiro.</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <p>Ao longo deste trabalho será dada essa ênfase em face de os
    autores considerarem que a formação inicial dos profissionais de
    segurança pública no país é insuficiente para lidar com a
    vitimização policial, carecendo, portanto, muitas vezes, não de uma
    recapacitação, mas de capacitação, já que não a tiveram
    anteriormente.</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <p>Questionário on-line. Disponível em:</p>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScTnUYoVozBws_lMXTmP0O5pFWwD4BeC2uSE0qgi8L7JWLbtQ/viewform.
        Acesso em: 10 set. 2018.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </fn>
  <fn id="fn7">
    <p>Nas forças de segurança existe um protocolo institucional
    denominado Procedimento Operacional Padrão (POP). Este procedimento
    serve para padronizar ações técnicas da atividade profissional,
    buscando minimizar posturas inadequadas, negligentes, imprudentes ou
    com imperícia (COTTA, 2009); (SILVA, 2017a; 2020).</p>
  </fn>
  <fn id="fn8">
    <p>Neste ano, além da violência letal e intencional os profissionais
    de segurança pública no Brasil enfrentaram outro oponente - o corona
    vírus. Segundo o FBSP (2021, p. 51) 472 policiais morrem em
    decorrência de complicações da covid-19.</p>
  </fn>
  <fn id="fn9">
    <p>Ainda acerca da competência cognitiva, ver Silva (2020a) que
    discorre sobre quais requisitos são considerados atualmente
    necessários para se tornar um profissional de segurança pública no
    Brasil.</p>
  </fn>
  <fn id="fn10">
    <p>O Decreto-Lei 667/1969, ainda em vigência, prevê essa forma de
    ingresso nas polícias militares. Contudo, em face da Constituição de
    1988, esses dispositivos não mais são aplicáveis, estabelecendo-se o
    concurso público para todos os cargos nas respectivas
    corporações.</p>
  </fn>
  <fn id="fn11">
    <p>Apenas em 2019, em resposta a uma solicitação da Polícia Militar
    do Estado de São Paulo (PMESP) é que o Conselho Nacional de Educação
    (CNE) reconhece as Ciências Policiais como campo específico de
    conhecimento científico. Ou seja, mesmo essa atividade profissional
    sendo milenar, e no Brasil sendo exercida desde sua colonização,
    ainda carecia desse reconhecimento pela Academia, donde se espera
    que surjam/sedimentem-se cada vez mais pesquisas e produções
    científicas na área (BRASIL, 2020).</p>
  </fn>
  <fn id="fn12">
    <p>Esta característica também permeia a outra face da segurança
    pública – a polícia civil – que está mais afeita a uma instituição
    burocrata flertando muito mais com o <italic>status</italic> do
    Poder Judiciário do que com o <italic>métier</italic> de polícia
    investigativa (ZAVERUCHA, 2003).</p>
  </fn>
  <fn id="fn13">
    <p>Polícia Militar do Estado de São Paulo.</p>
  </fn>
  <fn id="fn14">
    <p>Informações fornecidas pela Agência de Inteligência da PMRN em
    2018, durante a realização da pesquisa.</p>
  </fn>
  <fn id="fn15">
    <p>Vencimentos atualizados até o mês de fevereiro de 2022.
    Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://al.rn.leg.br/storage/legislacao/2021/38y8r664ml49gzz9t7j6c9jnttdoyc.pdf.">http://al.rn.leg.br/storage/legislacao/2021/38y8r664ml49gzz9t7j6c9jnttdoyc.pdf.</ext-link>
    Acesso em: 07 fev. 2022.</p>
  </fn>
  <fn id="fn16">
    <p>Esta é uma informação extraoficial, que em linhas gerais circula
    em todas as polícias militares, Brasil afora, mas que demanda de
    pesquisas para confirmação.</p>
  </fn>
  <fn id="fn17">
    <p>Em muitos estados brasileiros o <italic>déficit</italic> no
    efetivo policial sempre foi um problema estrutural. Em face dessa
    demanda e tendo o dever de ofício de prover o policiamento
    ostensivo, os comandantes de unidades operacionais lançavam mão de
    suas prerrogativas e escalavam os policiais no período de folga,
    geralmente em grandes eventos nos quais havia muitas faltas e,
    consequentemente, também, inúmeras punições. A DO, nesse aspecto,
    veio otimizar o emprego policial, mesmo que comprometendo sua folga.
    Por outro, precariza sua atividade profissional, como acima
    explicitado.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
