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<p><bold>Política de segurança pública para propriedades rurais: estudo
de caso da Patrulha Rural de Catalão/GO</bold></p>
<p><bold>Carlos Antonio Ferreira De Oliveira</bold></p>
<p>Possui graduação em direito pela Faculdade Lions, especialização em
direito militar e docência do ensino superior, mestre em agronegócio
pela Universidade Federal de Goiás-UFG. Atualmente é policial militar do
estado de Goiás.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Goiás
<bold>Cidade:</bold> Goiânia</p>
<p><bold>Email:</bold> prof.c.oliveira@gmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-7351-3435</p>
<p><bold>Gabriel da Silva Medina</bold></p>
<p>Professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da
Universidade de Brasília (UnB). Doutor em Ciências Naturais pela
Universidade de Freiburg. Licenciado Pleno em Ciências Agrárias.
Professor dos programas de pós-graduação em agronegócios da UnB e da
Universidade Federal de Goiás.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Distrito Federal
<bold>Cidade:</bold> Brasília</p>
<p><bold>Email:</bold> gabriel.silva.medina@gmail.com
<bold>Orcid:</bold> https://orcid.org/0000-0002-5815-6812</p>
<p><bold>Lana Mara Silva Teixeira</bold></p>
<p>Bacharel em Ciências Ambientais pela Universidade Federal de Goiás
(2017). Atualmente é Pesquisadora do Laboratório de Processamento de
Imagens e Geoprocessamento - Lapig, do Instituto de Estudos
Socioambientais - IESA da Universidade Federal de Goiás - UFG, atuando
como Coordenadora Técnica do MapBiomas Alertas.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Goiás
<bold>Cidade:</bold> Goiânia</p>
<p><bold>Email:</bold> lanamarast@gmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-5147-5258</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold> Todos os autores ofereceram
substanciais contribuições científicas e intelectuais ao estudo. As
tarefas de concepção e design do estudo, preparação e redação do
manuscrito, bem como, revisão crítica foram desenvolvidas em grupo. O
primeiro autor Carlos Antonio Ferreira de Oliveira ficou especialmente
responsável pela aquisição, interpretação e análise dos dados, pelo
levantamento de campo, bem como desenvolvimento teórico-conceitual. O
segundo autor Prof. Dr. Gabriel da Silva Medina, pela revisão e
orientação do desenvolvimento teórico-conceitual, além da tradução dos
resumos para inglês. A terceira autora Lana Mara Silva Teixeira, pelos
procedimentos técnicos de elaboração dos mapas e dos ajustes das tabelas
presentes no artigo.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>O crescente número de furtos e roubos contra propriedades rurais
compromete a segurança dos produtores, impondo a necessidade de
políticas públicas de segurança no campo. O objetivo deste estudo é
analisar a experiência da Patrulha Rural Georreferenciada como política
pública piloto de segurança no município de Catalão/GO. Para tanto,
buscou-se apresentar a política pública, espacializar as ocorrências dos
crimes, definir seus efeitos e avaliar a (in)satisfação dos residentes e
trabalhadores rurais com a atuação da Patrulha Rural. O estudo foi
realizado a partir de pesquisa documental nos Registros de Atendimento
Integrado (RAI) do sistema da Secretaria de Segurança Pública do Estado
de Goiás. Foi delimitada uma amostra de 67 propriedades vítimas de
crimes patrimoniais, de um total de 2.338 existentes no município. Foram
feitas entrevistas com as vítimas e com os policiais da Patrulha Rural
da região. Os resultados revelam que os crimes de furtos estão
concentrados nas propriedades mais próximas da zona urbana; as pequenas
e médias propriedades são as que mais sofrem com os efeitos dos crimes,
com redução de renda e dos investimentos; e ainda, que 91% dos
produtores rurais estão satisfeitos com as ações da Patrulha Rural no
município. Os crimes patrimoniais, em sua maioria o furto, causam
prejuízos econômicos aos produtores, comprometendo o desenvolvimento
rural. A presença estatal, nas atividades policiais preventivas e
repressivas, é fundamental para a permanência do homem no campo, bem
como para o desenvolvimento regional.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Georreferenciamento. Criminalidade.
Patrimônio rural. Policiamento rural. Desenvolvimento rural.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><bold>Public safety policy for rural properties: case study of the
Rural Patrol in Catalão/GO, in the Brazilian state of Goiás</bold></p>
<p>The growing number of thefts and robberies against rural properties
jeopardizes farmers’ safety. Addressing farmers’ unsafety requires
public security policies for rural areas. The aim of this study is to
analyze the experience of the Rural Patrol as a pilot public security
policy conducted in the municipality of Catalão/GO, in the Brazilian
state of Goiás. We sought to present the Rural Patrol policy, to map the
crimes, to identify their effects and to assess the level of
satisfaction of rural residents with the performance of the Rural
Patrol. The study was conducted based on the Integrated Service Records
(RAI) of the Public Security Secretariat of the State of Goiás. The
sample included 67 farms that were victims of property crimes out of a
total of 2,338 farms that exists in Catalão/GO. Interviews were
conducted with the victims as well as with police officers from the
Rural Patrol in the region. Results reveal that theft crimes are
concentrated in the farms that are closest to the urban area. Small and
medium-sized farms are the ones that suffer most from the effects of
crimes, with effects in reduced income and investments. We also show
that 91% of the interviewed farmers assess the Rural Patrol positively.
Property crimes, mostly theft, cause economic losses to farmers,
threatening rural development. Law enforcement, both in preventive and
repressive policy approaches, is fundamental for farmers’ safety as well
as for regional development.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: GIS mapping. Crime. Rural patrimony. Rural
police. Rural development.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 17/11/2020 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 23/11/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v.16.n3.1390</p>
<p><bold>Introdução</bold></p>
<p>A formulação de políticas públicas de segurança, conforme
estabelecida pela Política Nacional de Segurança Pública (PNaSP), visa:
“à preservação da vida, à manutenção da ordem pública, ao meio ambiente
conservado a garantia da incolumidade das pessoas e do patrimônio, o
enfrentamento e prevenção à criminalidade e à violência em todas as suas
formas”(BRASIL, 2018, p. 3). No ambiente rural, eventos criminais contra
o patrimônio, em específico os crimes de furtos e roubos, afligem a
população. “O aumento da criminalidade tem o poder de obstar o nível de
atividade econômica de uma região à medida que desencoraja
investimentos, os preços dos produtos são majorados com a incorporação
dos custos com medidas de segurança etc.” (SHIKIDA, 2016, p. 250). Há
preocupações especialmente quanto às dificuldades, à proteção, à
prevenção e à repressão da criminalidade por parte do Estado para esse
segmento (COSTA, 2016).</p>
<p>Os crimes cometidos tanto na zona urbana quanto na zona rural possuem
duas características específicas em termos de enfrentamento. Primeiro, o
conjunto caracteriza-se pela existência do fato no ambiente, o não
registro em instituições policiais e o consequente não conhecimento ou
reconhecimento do problema por parte dos gestores da segurança pública,
seja local ou regional. Segundo, realizado o registro do acontecimento
criminal, a existência estatística dos eventos e a resolução ou não do
problema por parte das instituições responsáveis (policiais).</p>
<p>Estudos evidenciam obstáculos para o exercício de policiamento em
áreas rurais: a grande extensão rural; a inoperância do sistema de
comunicação via rádio da Polícia Militar; as condições precárias das
estradas vicinais; a inconstância de policiais militares fixos na equipe
da patrulha rural; o desconhecimento da área de atuação; e viaturas não
apropriadas para o ambiente rural (COSTA, 2016).</p>
<p>Além disso, a definição da localização das propriedades no ambiente
rural é um sério problema. Muitas propriedades possuem o mesmo nome, ou
seja, aquele da fazenda que deu origens às propriedades atuais, por
exemplo: a vítima informa no registro policial a região Fazenda Pé do
Morro, Fazenda Boa Vista, Fazenda Conquista, são várias propriedades
rurais com o nome da região. Tal situação está sendo resolvida na
atualidade com o georreferenciamento das propriedades e o cadastro no
sistema da Polícia Militar.</p>
<p>O conhecimento da realidade local por parte dos gestores da segurança
pública é fundamental para a otimização do emprego dos recursos humanos
e tecnológicos visando à prevenção e repressão de crimes. Para Beato
(2009, p.8): “As informações constituem o insumo básico para o trabalho
das organizações de segurança pública, e a forma como elas a produzem,
organizam, disponibilizam e utilizam é que determinarão a natureza e
efetividade das atividades desenvolvidas”. Informações acerca da
concentração dos eventos criminais no ambiente são significativas em
termos de direcionamento e alocação de meios que promovam principalmente
a prevenção.</p>
<p>Tanto no furto quanto no roubo, a ação criminosa resulta na subtração
da coisa alheia móvel da vítima. O roubo diferencia-se do furto pela
violência física e/ou psicológica presente na conduta delituosa,
portanto tem previsão de pena superior. O roubo contra propriedades
rurais é uma ação criminosa gravosa em termos de vitimização e
repercussão no meio que é praticado, principalmente no ambiente rural.
Tal gravidade se apresenta por causa da impotência que os vitimados
sentem frente à distância dos centros urbanos e do amparo do Estado
pelos órgãos policiais.</p>
<p>Apesar da ausência de uma política de segurança pública rural
abrangente, alguns estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa
Catarina e Goiás já desenvolviam atividades de policiamento rural. Goiás
foi, no entanto, o primeiro a implantar a atividade policial conhecida
como Patrulha Rural Georreferenciada. Essa modalidade teve início em
2013, no município de Catalão, de forma não tão organizada, adquiriu
formatação de policiamento especializado em 2015 e serviu de modelo para
os demais municípios goianos como também para outros estados da
Federação. A otimização das atividades de policiamento se deu pelo uso
de coordenadas geográficas (georreferenciamento) das propriedades rurais
(GOIÁS, 2018).</p>
<p>A perspectiva deste estudo é descrever a experiência como política
pública de segurança com a participação da comunidade rural no município
de Catalão/GO, quanto à prevenção e à resolução de conflitos oriundos de
condutas criminosas contra propriedades rurais. Tal estudo é
representativo para a literatura, visto que até a presente data não
foram realizados estudos com dados de georreferenciamento apontando
espaços geográficos precisos onde ocorrera crimes contra o patrimônio,
especificamente contra propriedades rurais. Este estudo foi possível
devido à experiência de Catalão como projeto piloto de
georreferenciamento de propriedades rurais no estado de Goiás e no
Brasil, com mais de duas mil propriedades cadastradas no município.
Nenhum outro município brasileiro possui tantas propriedades rurais
cadastradas com os dados de coordenadas geográficas.</p>
<p>Especificamente, neste estudo, pretende-se descrever a atuação da
Patrulha Rural Georreferenciada no município de Catalão/GO, analisar a
espacialização geográfica dos crimes a partir da distância da zona
urbana, do tamanho da propriedade e da atividade produtiva desenvolvida,
analisar os efeitos que os crimes de furto e roubo provocaram na
produção e na comercialização da propriedade rural e analisar o grau de
satisfação da interação/parceria entre comunidade rural e Polícia
Militar, bem como o sentimento de segurança em continuar residindo no
ambiente rural. Para tanto, na Introdução apresenta-se o tema com
referencial teórico, partindo para o Resultado e a Discussão, onde nesta
são apresentadas a Patrulha Rural Georreferenciada em Catalão/GO; a
espacialização geográfica dos crimes de furtos e roubos; os efeitos na
atividade produtiva e na renda; bem como a satisfação da interação entre
comunidade rural e Polícia Militar. A partir da análise e discussão dos
resultados, foi possível realizar considerações sobre o tema
abordado.</p>
<p><bold>Metodologia</bold></p>
<p>A pesquisa documental foi o principal suporte para o trabalho,
através do estudo dos dados disponibilizados pela Gerência do
Observatório de Segurança Pública (GEOSP) da Secretaria de Segurança
Pública do Estado de Goiás (SSP-GO). O RAI (Registro de Atendimento
Integrado) é um sistema onde os órgãos da Segurança Pública do Estado de
Goiás (Polícia Militar – PM, Polícia Civil – PC, Corpo de Bombeiros
Militar – CBM) fazem os registros de fatos vinculados às atividades de
segurança pública (GEOSP, 2019).</p>
<p>Quanto à espacialização geográfica das ocorrências, foi definida a
amostra de 60 ocorrências dos registros realizados, nos anos de 2017 e
2018, na Delegacia de Polícia Civil ou na Polícia Militar no município
de Catalão/GO. Nos dois anos foram registradas 137 ocorrências de furtos
e 7 roubos. A amostra, no entanto, foi delimitada em 58 furtos e 2
roubos, com as devidas informações geográficas onde os crimes foram
consumados. Tais informações foram possíveis por constarem no RAI, ou
seja, já faziam parte do banco de dados das propriedades anteriormente
cadastradas. Não foi possível espacializar os demais registros por
ausência de informação no RAI que levasse até às vítimas e,
conquentemente, à localização geográfica dos ambientes rurais onde os
fatos ocorreram. Muitos dos registros foram realizados por pessoas que
não informaram os dados corretos da propriedade. Ausência de registros e
a imprecisão de dados dificultaram a melhor representação do fenômeno
criminal no ambiente rural.</p>
<p>Quanto ao estudo sobre os impactos dos crimes nas atividades
produtivas e a atuação da Patrulha Rural na região de Catalão/GO, a
partir da quantidade total de 2.338 propriedades registradas no Cadastro
Ambiental Rural (CAR), sendo 1.895 propriedades pequenas, 351 médias e
92 grandes, foi definido que o tamanho da amostra necessária seria de 67
entrevistas, das quais 54 são propriedades pequenas, 10 médias e 3
grandes. Essa amostragem possui um nível de 90% de confiança e uma
margem de erro de 10%. A perspectiva dessa seção investigativa foi que,
a partir da aplicação de questionários/entrevistas aos proprietários ou
residentes rurais, compreendesse situações ou efeitos provocados pela
ocorrência dos crimes, como: redução de investimentos, diminuição na
renda da propriedade, sentimento de insegurança (medo) em residir ou
trabalhar na zona rural, pensamento em sair da atividade agropecuária e
de mudar-se para a zona urbana. No questionário também constavam
perguntas como o tamanho da propriedade, a distância da zona urbana, as
quantidades e idades dos residentes rurais, percepção e satisfação com
as atividades da Patrulha Rural no município, se os residentes estavam
organizados em associações e/ou sindicatos. A aplicação dos
questionários aconteceu a partir das coordenadas geográficas presentes
nos registros, quando foi possível deslocar-se até as propriedades
rurais vitimadas e realizar as entrevistas. A obtenção de dados
explicativos ocorreu mediante contato direto e interativo do pesquisador
com os produtores rurais que se dispuseram a contribuir com o estudo.
Essa integração com os produtores em seu ambiente possibilitou uma
melhor compreensão dos fatos que caracterizam a problemática
pesquisada.</p>
<p>Os dados quantitativos de cada propriedade foram submetidos ao teste
t a 5% de significância para verificar se há diferença significativa
entre as médias das distâncias, as notas da patrulha e o sentimento de
insegurança dentre os diferentes tamanhos da propriedade. Para a
classificação quanto ao tamanho da propriedade, utilizou-se a dimensão
do módulo fiscal por município do Código Florestal de Goiás, Lei Nº
18.104/2013, que aponta que o módulo fiscal em Catalão/GO tem dimensão
de 40 ha. Sendo assim, até 160 hectares a propriedade é considerada
pequena, de 160 a 600 ha, média, e acima de 600 ha, grande. O tamanho da
propriedade em Catalão/GO também é representativo devido à atividade
econômica desenvolvida nesses espaços, sendo que, na maioria das vezes,
as pequenas e médias propriedades desenvolvem a pecuária e as grandes, a
produção agrícola empresarial.</p>
<p><bold>Resultados e discussão</bold></p>
<p><bold>Patrulha Rural Georreferenciada em Catalão/GO</bold></p>
<p>Quanto à perspectiva histórica em relação à criminalidade no campo, a
região de Catalão/GO reúne duas características importantes: o antes,
marcada pela ausência de registros de crimes, especificamente aqueles
comuns no meio rural, como os crimes contra o patrimônio (furto e
roubo); e o depois, quando da implementação da Patrulha Rural
Georreferenciada, com os registros dos fatos criminosos e das atividades
de policiamento comunitário rural. O conhecimento da realidade criminal
na zona rural pelos dados estatísticos e por outras informações
adquiridas devido à aproximação com a comunidade rural foi providencial,
no sentido de que a política pública de segurança desempenhasse papel
significativo na prevenção e na repressão de crimes na região.</p>
<p>Em 2013, surgiu a ideia de um policiamento voltado a assistir com
segurança pública a comunidade rural na região de Catalão/GO. Na época,
o então tenente Carvalho, hoje tenente-coronel comandante do Batalhão
Rural com sede em Goiânia, iniciou os estudos com o objetivo de
estruturar uma equipe de policiais para desempenhar as atividades
específicas de policiamento rural.</p>
<p>No início do projeto, tentou-se envolver as associações e o sindicato
rural como parceiros, porém as parcerias não tiveram continuidade. Coube
então à Polícia Militar assumir o papel de protagonista da proposta de
efetivar o policiamento comunitário rural. Em 2015, a partir do
cadastramento de 600 propriedades, o projeto adquire formatação mais
aprimorada e sofisticada.</p>
<p>A primeira etapa do projeto buscou vencer desafios, como: ganhar a
confiança da comunidade rural, realizar o cadastramento das propriedades
e, por último, promover o envolvimento dos proprietários e residentes
rurais com o novo policiamento. A principal dificuldade, no início, foi
conseguir verbas para custear a atividade do patrulhamento rural, devido
à grande dimensão espacial da zona rural e aos custos com combustíveis e
viaturas apropriadas. Não foi solicitada ajuda financeira dos
proprietários rurais para custear o policiamento com a manutenção dos
veículos, situação que outrora ocorria em alguns municípios.</p>
<p>Outro desafio foi escolher policiais com o perfil adequado para
desenvolver o policiamento comunitário rural. A escolha aconteceu por
meio do perfil profissiográfico<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> do
agente policial para a função. Sobre o perfil profissiográfico do
policial, o comando da época escolheu aqueles com habilidades e
competências que contemplassem as diretrizes das ações formativas
previstas pela Matriz Curricular Nacional do Ministério da Justiça –
MJ.</p>
<disp-quote>
  <p>Comunicar-se de forma efetiva; relacionar-se com a comunidade;
  mediar conflitos; atuar proativamente pautado nos princípios dos
  Direitos Humanos; administrar o uso da força; utilizar técnicas e
  tecnologias não letais; gerenciar crises; lidar com grupos
  vulneráveis; lidar com a complexidade, o risco e a incerteza; utilizar
  tecnologias para planejar ações de prevenção; investigar crimes e
  solucioná-los; utilizar metodologias que possibilitem identificar
  problemas, bem como buscar, implementar e avaliar soluções. (BRASIL,
  2014, p. 15).</p>
</disp-quote>
<p>Com o início das atividades, o número de registros de ocorrências de
furtos e roubos aumentou de forma considerável, principalmente os casos
de furtos. Com o passar do tempo, compreendeu-se que não houve aumento
de ocorrências, mas dos registros de fatos delitivos que ocorriam e
ficavam na subnotificação (cifra negra), ou seja, não chegavam ao
conhecimento dos órgãos públicos pertinentes, como a Polícia Civil e a
Polícia Militar. Esse fato é defendido por Zilli (2018, p. 34): “Talvez
o maior e mais óbvio problema inerente ao uso de dados oficiais para
mensurar os fenômenos da violência e da criminalidade seja seu alto grau
de subnotificação, ou as chamadas ‘cifras ocultas’”.</p>
<p>O ganho de confiança da comunidade rural, a partir da resposta
estatal aos eventos criminais, foi providencial para o conhecimento do
problema que a comunidade rural vivenciava. O desafio de conseguir
chegar ao local da ocorrência está sendo superado pelo cadastro das
propriedades rurais no banco de dados da Polícia Militar, onde os dados
georreferenciados cadastrados e os dispositivos eletrônicos, como os
<italic>smartphones</italic>, conduzem os policiais até o local com
certa facilidade. Mesmo que o policial não conheça a região, as
coordenadas geográficas possibilitam o deslocamento para o ambiente que
demanda a presença policial.</p>
<p>Na atualidade, Catalão/GO e região possuem 2.086 propriedades
cadastradas. O cadastramento gera um número que identifica a
propriedade, daí é confeccionada uma placa de identificação que é
afixada em um local visível na entrada da propriedade, conforme a Figura
1.</p>
<p><bold>Figura 1: Foto da entrada de uma propriedade rural com a placa
de identificação da Patrulha Rural Georreferenciada</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image3.jpg" />
<p><bold>Fonte</bold>: Acervo pessoal.</p>
<p>As visitas comunitárias fazem parte do cotidiano das atividades
policiais da Patrulha Rural no município. A aproximação dos moradores e
trabalhadores rurais é uma estratégia contínua do policiamento
comunitário rural, visando estreitar os laços com a comunidade. A Figura
2 mostra a interação entre policiais militares e produtores.</p>
<p><bold>Figura 2: Visitas comunitárias</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image4.jpg" />
<p><bold>Fonte</bold>: Acervo pessoal.</p>
<p>Existem em funcionamento 4 grupos em aplicativo de mensagens
instantâneas com mais 1.000 (mil) pessoas adicionadas. Assim, a
informação na rede social facilita o deslocamento e a chegada dos
agentes policiais. A Figura 3 mostra <italic>prints</italic> das
mensagens do grupo da Patrulha Rural local, quando de uma solicitação de
um produtor rural.</p>
<p><bold>Figura 3: Trecho de solicitação, atendimento e agradecimento de
um usuário dos serviços da Patrulha Rural</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image5.jpg" />
<p><bold>Fonte</bold>: Imagens cedidas pelo administrador do grupo de
mensagens.</p>
<p>Percebe-se que a utilização das redes sociais como canal direto com
vários agentes da segurança pública e com outros moradores rurais que
fazem parte do grupo de mensagens torna mais eficiente o pronto
atendimento. O canal de comunicação significa, ainda, um instrumento
para deliberação e participação no aperfeiçoamento de políticas públicas
de segurança para a região.</p>
<p><bold>Catalão/GO e o 18º BPM – Batalhão Pirapitinga</bold></p>
<p>Sobre a população rural, o município de Catalão/GO possui três
situações distintas. No Chapadão de Catalão, onde predomina a
agricultura empresarial (BANCO DO BRASIL, 2004), a densidade demográfica
é menor e a concentração fundiária é significativa. No sudeste do
município, no distrito de Santo Antônio do Rio Verde, predominam
propriedades de médio e grande porte que desenvolvem predominantemente a
pecuária de corte. Na porção ocidental do município, em áreas dos
distritos de Catalão e Pires Belo, predomina a agropecuária familiar.
Nesta porção do território catalano a densidade demográfica é maior e a
concentração fundiária menor (CATALÃO, 2019). Na Figura 4 é possível
perceber a distribuição das propriedades no espaço rural conforme seus
tamanhos.</p>
<p><bold>Figura 4: Tamanho das propriedades de acordo com o Cadastro
Ambiental Rural</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image1.jpg" />
<p><bold>Fonte</bold>: Elaborado pelos autores.</p>
<p>O 18º BPM ou Batalhão Pirapitinga é subordinado ao 9º Comando
Regional da Polícia Militar (9º CRPM) e tem como unidades subordinadas
os destacamentos policiais nos municípios circunvizinhos de Cumari,
Davinópolis, Goiandira, Nova Aurora, Ouvidor e Três Ranchos (GOIÁS,
2019). A Patrulha Rural Georreferenciada do 18º BPM atua tanto no
município sede quanto na região das unidades subordinadas. São 2.086
propriedades cadastradas em toda a região do 18º BPM, sendo 1.314 em
Catalão, 222 em Goiandira, 157 em Cumari, 155 em Ouvidor, 82 em Três
Ranchos e 53 em Davinópolis.</p>
<p><bold>Espacialização geográfica dos crimes de furtos e
roubos</bold></p>
<p>A espacialização dos registros criminais no espaço geográfico rural
de Catalão/GO permite visualizar a concentração dos crimes nas
proximidades da zona urbana, região com maior densidade demográfica,
propriedades com tamanhos menores e com predominância de pastagens. Na
região de produção agrícola de grande escala ocorre o inverso: a
densidade demográfica é menor, com menos registros de furtos e roubos
(Figura 5).</p>
<p><bold>Figura 5: Mapa do Município de Catalão/GO com os pontos dos
locais onde foram registrados furtos e roubos nos anos de 2017 e
2018</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
<p><bold>Fonte</bold>: Elaborado pelos autores.</p>
<p>Percebe-se na Figura 5 que 67% dos registros estão a menos de 20
quilômetros da zona urbana do distrito sede de Catalão/GO. A atividade
econômica desenvolvida no campo, em especial na região estudada, é
composta por pequenas, médias e grandes propriedades. Diante dessa
realidade, os crimes contra propriedades rurais apresentam formatação e
repercussão diversas em termos de vitimização e sensação de segurança,
quando observados o tamanho da propriedade e a atividade econômica
desenvolvida.</p>
<p>A pesquisa apontou que a distância média das pequenas propriedades
vitimadas é de 15,18 km do distrito sede (zona urbana de Catalão/GO) e
que as atividades preponderantes das propriedades são pecuária leiteira
e de corte, com produção agrícola para consumo. Para as médias
propriedades, a distância média é de 32,7 km do distrito sede e a
atividade preponderante da propriedade é pecuária leiteira e de corte,
com produção agrícola para consumo e sustento de animais (bovinos,
suínos, aves). Já as grandes propriedades, com distância média de 93,33
km do distrito sede, estão localizadas em sua maioria na região da
chapada, próximas do distrito de Santo Antônio do Rio Verde/GO (Tabela
1). As atividades dessas propriedades são produções agrícolas
empresariais e reflorestamento.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Tabela 1: Distância da zona urbana e atividade produtiva
      das propriedades vitimadas em Catalão/GO nos anos de 2017 e
      2018</bold></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Parâmetros</td>
      <td>Tamanho da propriedade</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Pequena</td>
      <td>Média</td>
      <td>Grande</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Média</td>
      <td>Erro Padrão</td>
      <td>Média</td>
      <td>Erro Padrão</td>
      <td>Média</td>
      <td>Erro Padrão</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Distância (km)</bold></td>
      <td>15,18a</td>
      <td>1,430</td>
      <td>32,70a</td>
      <td>11,25</td>
      <td>93,33b</td>
      <td>8,820</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Atividade produtiva</bold></td>
      <td>Pecuária leiteira e de corte, com produção agrícola para
      consumo</td>
      <td>Pecuária leiteira e de corte, com produção agrícola para
      consumo e sustento dos animais</td>
      <td>Produção agrícola empresarial e reflorestamento</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p>Médias seguidas da mesma letra na linha não diferem
      estatisticamente pelo teste de t a 5% de probabilidade.</p>
      <p><bold>Fonte</bold>: Elaborado pelos autores.</p></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>A informação e a comunicação são fatores desejáveis no processo que
envolve segurança pública para o meio rural. A garantia da segurança
como uma necessidade social, permeia a tri-existência de funções do
espaço geográfico comum no meio rural, ou seja, coexistem, no mesmo
ambiente, habitação/produção/comercialização de bens dos indivíduos que
ali residem e/ou trabalham.</p>
<p><bold>Efeitos na atividade produtiva e na renda</bold></p>
<p>A pesquisa revela que as pequenas propriedades sofreram mais os
efeitos da criminalidade na produção e na comercialização devido à
subtração dos bens (animais e objetos). Das 54 pequenas propriedades
pesquisadas, 30 foram vítimas e 24 nunca foram vítimas de furtos ou
roubos (Figura 6). Das 30 propriedades vitimadas, 11 responderam que o
evento criminal não provocou nenhum efeito na atividade, 16 reduziram as
atividades e 3 deixaram de investir, arrendando a terra (Figura 6).
Quanto à renda (Figura 7), 18 disseram que a renda diminuiu e 12 que a
renda permaneceu inalterada. Quanto à continuidade em manter a
propriedade, 4 vítimas pensaram em sair da atividade sem vender a
propriedade (2 arrendaram a terra), 4 pensaram em sair e vender, e 22
não pensaram em nenhuma alternativa.</p>
<p>Sobre as médias propriedades, das 10 entrevistadas, 7 foram
vitimadas, sendo 6 furtos e 1 roubo; 5 reduziram as atividades e
diminuíram a renda, já 2 disseram que não reduziram as atividades e a
renda não diminuiu.</p>
<p>Por último, a pesquisa apontou que as 3 grandes propriedades foram
vítimas de furtos, porém não sofreram nenhum efeito na produção e na
comercialização, tampouco na renda, devido aos eventos criminais. Quanto
à continuidade das atividades dessas propriedades, nenhum dos 3
entrevistados pensou em alternativa diferente que não fosse dar
continuidade nas atividades empresariais, fazendo os ajustes necessários
na segurança.</p>
<p><bold>Figura 6: Efeitos na atividade – redução e continuidade das
atividades nas propriedades</bold></p>
<p>[CHART]</p>
<p><bold>Fonte</bold>: Elaborado pelos autores.</p>
<p><bold>Figura 7: Efeitos na renda – redução e estabilidade da renda
nas propriedades</bold></p>
<p>[CHART]</p>
<p><bold>Fonte</bold>: Elaborado pelos autores.</p>
<p>As Figuras 6 e 7 enumeram apenas os efeitos na atividade e na renda
que os eventos criminais promoveram; não disponibilizando o sentimento
(pensamento) em sair da atividade, como mencionado no texto.</p>
<p>A subtração da coisa, seja por furto ou roubo, economicamente aduz
para resultados diversos de acordo com a capacidade financeira de
investimentos do vitimado. Em algumas entrevistas com pequenos
proprietários, por exemplo, o furto de um motor bomba para sucção de
água foi o suficiente para reduzir ou até mesmo ter de sair da atividade
produtiva; em outros casos, o furto de poucos bovinos leiteiros também
produziu os mesmos resultados. Já para os entrevistados de grandes
propriedades, o furto de um caminhão de soja ou o de 7 motores dos pivôs
de irrigação não ocasionaram efeito financeiro mais impactante.</p>
<p>Cerqueira (2017), ao tratar do assunto efeito econômico causado pela
violência e criminalidade, afirma que:</p>
<disp-quote>
  <p>Os gastos financeiros arcados pelo Estado e por toda a sociedade
  para lidar com o problema da violência e criminalidade (V&amp;C),
  existem custos econômicos intangíveis, sobre os quais não há uma
  despesa específica, mas que contribuem para diminuir a qualidade de
  vida e o bem-estar da população [...] menos visíveis são os custos
  econômicos intangíveis relacionados, por exemplo, à perda de
  produtividade ocasionada por morbidade física ou psicológica e aos
  prejuízos engendrados por interrupção dos negócios e dias de trabalho
  e de escola perdidos. (CERQUEIRA, 2017, p. 76).</p>
</disp-quote>
<p>Deveras que a qualidade de vida e o bem-estar da população residente
ou trabalhadora no campo, que outrora concebia o lugar como local de paz
e tranquilidade, contrasta com a atualidade. A incursão de criminosos em
tal espaço geográfico conduz para a sensação de insegurança por parte
daqueles que ali trabalham e/ou residem.</p>
<p><bold>Satisfação da interação entre comunidade rural e Polícia
Militar</bold></p>
<p>O estudo apontou que, em relação à operacionalidade da Patrulha Rural
no município de Catalão/GO, dos 54 proprietários de pequenas
propriedades entrevistados, 40 responderam que possibilita a
continuidade das atividades produtivas e 14 que possibilita o bem-estar
no campo, não vinculando a sua permanência à atividade produtiva. Com
esses entrevistados, a satisfação com a Patrulha Rural é de 93%,
conforme nota atribuída (Tabela 2). Quanto à percepção da periodicidade
das visitas: é mensal para 82%, 13% percebem como bimestral e 5%
percebem a visita como semanal. Quanto ao contato, 100% responderam que
o contato com a polícia é facilitado, tanto pelos contatos diretos com
os policiais integrantes da Patrulha Rural quanto com o Centro de
Operações da Polícia Militar (COPOM), principalmente pela comunicação
realizada pelo aplicativo de mensagens. Sobre os efeitos psicológicos
resultantes do evento criminal, 21 disseram sentir insegurança, 9 não
sentiram nenhum efeito psicológico. Dos 21 que sentem insegurança, 2
desenvolveram depressão, porém sem condições de atribuir a patologia
exclusivamente ao evento.</p>
<p>Dos entrevistados das médias propriedades, sobre a operacionalidade,
todos afirmaram que a atividade policial possibilita a permanência, o
bem-estar no campo e a continuidade das atividades produtivas; a
satisfação com a Patrulha Rural é de 89%. Quanto à percepção da
periodicidade das visitas, 87,5% percebem ser mensal e 12,5%, a cada 2
meses. Quanto ao contato com a polícia<bold>,</bold> 100% responderam
que o contato é realizado diretamente com os policiais e com o COPOM. Em
relação aos efeitos psicológicos resultantes do evento criminal, 6
disseram sentir medo e insegurança. Quanto à continuidade em manter a
propriedade, 1 vítima pensou em vender a propriedade (vítima de roubo
com agressões), 4 pensaram em permanecer na propriedade, porém mudando
de atividade; e 5 não pensaram em nenhuma alternativa.</p>
<p>Os proprietários ou gestores das grandes propriedades responderam que
as atividades operacionais da Patrulha Rural garantem a permanência, o
bem-estar no campo e, principalmente, a continuidade das atividades
produtivas. A satisfação desses entrevistados com a Patrulha Rural é de
90%; todos são parceiros do policiamento comunitário rural (Tabela 2).
Quanto à periodicidade de visitas e patrulhamentos na região, 100%
percebem ser quinzenal. Todos os entrevistados afirmaram que o contato
com a polícia é realizado por meio dos telefones funcionais em posse dos
agentes policiais e pelo contato com o COPOM do batalhão. Dos
entrevistados, apenas 1 diz sentir insegurança. A Tabela 2 aponta a
satisfação uniforme dos entrevistados.</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Tabela 2: Nota Patrulha e sentimento de segurança nas
      propriedades</bold></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Parâmetros</td>
      <td>Tamanho da propriedade</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Pequena</td>
      <td>Média</td>
      <td>Grande</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Média</td>
      <td>Erro Padrão</td>
      <td>Média</td>
      <td>Erro Padrão</td>
      <td>Média</td>
      <td>Erro Padrão</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Nota Patrulha</bold></td>
      <td>9,33a</td>
      <td>0,15</td>
      <td>8,90a</td>
      <td>0,59</td>
      <td>9,0a</td>
      <td>1,00</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Sentimento de Segurança</bold></td>
      <td>6,77a</td>
      <td>0,27</td>
      <td>6,30a</td>
      <td>0,89</td>
      <td>7,67a</td>
      <td>1,45</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p>Médias seguidas da mesma letra na linha não diferem
      estatisticamente pelo teste de t a 5% de probabilidade.</p>
      <p><bold>Fonte</bold>: Elaborado pelos autores.</p></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Sob o ponto de vista que considera uma sociedade civil organizada, é
possível entender que as redes sociais – grupos de aplicativos de
mensagens instantâneas – seriam consideradas instrumentos para a
deliberação e participação na elaboração, fiscalização e otimização de
políticas públicas de segurança para uma região ou comunidade.
Percebe-se como forma de movimento social organizado, de um agrupamento
de pessoas com as mesmas necessidades, como é o caso de segurança
pública para o meio rural. Antunes (2019, p. 219) diz que: “são
considerados como sociedade civil movimentos sociais, organizações não
governamentais, integrantes da academia, civis no exercício democrático,
entre outras formas de agrupamento de cidadãos organizados no âmbito da
sociedade”.</p>
<p>Discutindo a violência no campo e as representações sociais, Ribeiro
e Antunes-Rocha (2018, p. 244) definem que “a comunidade é um local e,
também, uma expressão do envolvimento de sujeitos em uma vida comum,
lugar de fazer junto, de se articularem em busca da solução para as
violências colocadas à mostra e que afetam a todos”. Em alguns momentos,
tal organização, facilitada pelo meio de comunicação comum (grupo de
mensagens), articula necessidades que não estão diretamente ligadas à
segurança pública, mas que representam a necessidade social daquela
comunidade local.</p>
<p>A percepção por parte dos moradores do campo quanto à periodicidade
de patrulhamentos e ou visitas, bem como o entendimento que o contato
com os agentes policiais é facilitado pela rede de comunicação,
demonstra a integridade do projeto desde sua implantação; principalmente
pela manutenção e continuidade da filosofia de policiamento comunitário
rural desenvolvido na região. Um diferencial percebido no estudo de caso
de Catalão/GO é a continuidade das ações em que a atividade já faz parte
do dia a dia dos moradores/produtores rurais. O protagonismo, a
focalização territorial e a motivação de atores locais são posturas
apontadas por Madeira e Rodrigues (2015) como fundamentais para a
implantação e a continuidade das políticas públicas.</p>
<disp-quote>
  <p>Baseia-se na produção de protagonismo, com a atribuição de
  determinadas responsabilidades pela decisão e pela condução dos
  processos às populações locais. Outra característica é a circunscrição
  da problemática e a focalização territorial, responsáveis pela
  motivação de atores locais, pela mobilização social e pela
  disseminação de novo padrão de expectativas. (MADEIRA; RODRIGUES,
  2015, p. 5).</p>
</disp-quote>
<p>No caso específico de Catalão/GO, o protagonismo foi pactuado de
forma bilateral, Polícia Militar e comunidade rural. Tal característica
é muito particular, pois a proposta institucional é que atores ligados
aos produtores rurais, como associações e sindicatos, possam colaborar
com a implantação do projeto.</p>
<p>Quanto ao sentimento de confiança, Silva e Beato (2013, p. 122)
ressaltam que: “pode fazer a polícia mais eficiente, pois propicia que
os cidadãos reportem os crimes e cooperem para ajudar a solucioná-los”;
e ainda: “a confiança também é um dos fatores que influenciam os
registros criminais, pois minimiza o ônus do acionamento. Considera-se
que o acionamento à polícia seja uma decisão racional que o indivíduo
toma levando em conta custos e benefícios” (idem). A preocupação em
responder às solicitações dos moradores rurais com maior brevidade
possível é fator determinante para a geração de confiança daqueles
assistidos pelas atividades de policiamento na região.</p>
<p><bold>Considerações finais</bold></p>
<p>O aumento dos registros dos crimes se dá principalmente pela
proximidade dos estabelecimentos agropecuários ao meio urbano, sendo que
quanto mais próximo dos centros urbanos, maior a quantidade de crimes.
No município de Catalão/GO, a maioria dos registros de ocorrências de
furtos e roubos contra propriedades rurais está concentrada nas
proximidades urbanas, principalmente no distrito sede que é a Cidade de
Catalão.</p>
<p>Aliado a esse fator, estão vinculados o tamanho da propriedade e a
atividade produtiva desenvolvida. As pequenas e médias propriedades são
as que mais sofrem impactos na renda e nas atividades produtivas
(redução), em torno de 57% dos vitimados. A maior concentração dos
crimes de furtos situa-se na região de predominância de pastagens, em
propriedades da agricultura familiar, onde se tem maior número de
estabelecimentos rurais; já na região de produção agrícola empresarial,
com maior concentração fundiária, o número de crimes contra o patrimônio
é menor.</p>
<p>As pequenas propriedades são as que mais sofrem os efeitos das ações
criminosas, que reduzem investimentos e, em alguns casos, levam os
produtores ao encerramento da atividade produtiva rural. Quanto ao
sentimento de insegurança (medo), a metade dos entrevistados se sente
insegura no meio rural. Em propriedades maiores, os prejuízos e/ou
efeitos econômicos, na maioria dos casos, não foram significativos para
impactar ou encerrar a produção/comercialização. Os efeitos psicológicos
quanto à insegurança afetam mais os pequenos e médios produtores, fato
percebido nas médias apontadas na Tabela 2.</p>
<p>Os entrevistados se mostraram satisfeitos com as atividades da
Patrulha Rural, sendo que a satisfação média ficou em 91%. A satisfação
dos assistidos por uma política pública de segurança em uma região pode
representar um dos quesitos para se medir a eficiência, não sendo esta,
no entanto, a única a ser levada em consideração para atribuir como
eficiente a atuação policial.</p>
<p>O uso da informação geográfica (coordenada) pelos agentes da Polícia
Militar favorece a localização de ambientes onde aconteceu ou está
acontecendo um crime, devido ao cadastro prévio das propriedades. A
partir da informação de que um crime está acontecendo, chegar ao local
do fato é muito importante, principalmente na zona rural, visto que a
agilidade a ser implementada e a presença policial no ambiente podem ser
significativas em termos de resolução do problema, podendo, em alguns
casos, cessar o prosseguimento do crime ou ainda apreender os
criminosos, além da possibilidade de recuperação dos bens subtraídos. A
informação que versa sobre a concentração de ocorrências de crimes em
determinados ambientes é importante para a elaboração de políticas
públicas de segurança por parte dos gestores da segurança pública
(Polícia Civil e Polícia Militar), com o devido direcionamento de
recursos humanos e tecnológicos para a região mais sensível em termos de
criminalidade.</p>
<p>O contexto histórico da atividade de policiamento comunitário rural
no município de Catalão/GO possibilita compreender que o envolvimento da
comunidade rural com esse tipo de policiamento foi gradativamente sendo
construído, justamente pelo ganho de confiança nas atividades da
segurança pública junto aos residentes rurais. Fatores como continuidade
das ações preventivas e repressivas, visitas regulares nas
propriedades/regiões, comunicação em tempo real por meio de aplicativo
de mensagens, respostas satisfatórias aos eventos criminais e perfil
adequado dos agentes policiais foram significativos para a aceitação e a
satisfação com as atividades policiais da Patrulha Rural
Georreferenciada.</p>
<p>A compreensão de qualquer atividade criminosa envolve um estudo
complexo, sendo necessário o acompanhamento em um recorte temporal maior
dos dados sobre registros criminais, da efetividade das ações policiais
etc. Tais registros podem flutuar de acordo com o enfrentamento do
problema por parte do Estado, da postura das vítimas, das questões
socioeconômicas, e outras. Tais condições, por serem dinâmicas no meio
rural, também impõem limitações do estudo em tela, sendo necessária a
continuidade dos estudos para melhor compreensão da política de
segurança pública que se vale do cadastro prévio das propriedades rurais
com coordenadas geográficas para tentar uma resposta mais eficiente no
enfrentamento da violência no ambiente rural.</p>
<p><bold>Referências Bibliográficas</bold></p>
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sociedade civil na política de segurança pública – Pacto pela Vida.
<bold>Revista Brasileira de Segurança Pública</bold>, v. 13, n. 1, p.
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<p>BEATO, C. Gestão da Informação. In: SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA
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http://www.catalao.go.gov.br/site/sobre-catalao. Acesso em: 10 dez.
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<sec id="geosp-grupo-de-atuação-especial-operacional-de-segurança-pública.-registros-de-crimes-contra-propriedades-rurais.-disponível-com-login-particular-em-httpssistemas.ssp.go.gov.br.-acesso-em-10-set.-2019.">
  <title>GEOSP – Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança
  Pública. Registros de crimes contra propriedades rurais. Disponível
  com login particular em: https://sistemas.ssp.go.gov.br. Acesso em: 10
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  <p>GOIÁS. Estado. <bold>Lei Nº 18.104, de 18 de julho de 2013</bold>.
  Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, institui a nova Política
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  federal no período 2003-2011. <bold>Revista Administração
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  efeito da percepção. <bold>Opinião Pública</bold>, v. 19, n. 1, p.
  118-153, jun. 2013.</p>
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  <bold>Revista Brasileira de Segurança Pública</bold>, v. 12, n. 1, p.
  30-48, fev./mar. 2018.</p>
  <p><bold>APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO</bold> <bold>EFEITOS NA PRODUÇÃO E
  COMERCIALIZAÇÃO</bold></p>
  <p>Nome______________________________________________________________________
  Distância da cidade __________________________ Tamanho
  ________________________ Município_________________________
  Atividade_________________________________ Quantidade de pessoas que
  residem na propriedade___________________________________ Quantidade
  de pessoas que trabalham na propriedade, porém não residem
  ________________ Idade das pessoas que residem e trabalham na
  propriedade____________________________ Possuem telefone?_______
  Internet?_______ Faz parte de grupo whatsapp policial_________ 1- Já
  foi vítima de algum crime na zona rural?
  ___________Qual?______________________ 2- A subtração (furto ou roubo)
  dos objetos promoveu qual resultado quanto à produção ou
  comercialização:</p>
  <p>a. Nenhum efeito b. Reduziu as atividades c. Deixou de investir</p>
  <p>3- Quanto à renda da propriedade, após o furto ou roubo?</p>
  <p>a. Diminuiu b. Aumentou c. Permaneceu inalterada</p>
  <p>4- O furto ou o roubo produziram efeitos psicológicos?</p>
  <p>a. Nenhum efeito</p>
  <p>b. Sensação de insegurança (Medo, ansiedade)</p>
  <p>c. Patologias (doenças) específicas. Qual?_________________</p>
  <p>5- O evento criminal conduziu a pensar?</p>
  <p>a. Sair da atividade rural sem vender a propriedade</p>
  <p>b. Sair da atividade e vender a propriedade</p>
  <p>c. Permanecer, porém mudando o tipo de atividade</p>
  <p>d. Nenhum pensamento</p>
  <p>6- A ação preventiva da ação policial em parceria com a comunidade
  rural é significativa no sentido de:</p>
  <p>a. Possibilitar a continuidade das atividades produtivas</p>
  <p>b. Possibilitar a permanência no campo (residência)</p>
  <p>c. Possibilitar o bem-estar social no campo</p>
  <p>7- É associado em alguma associação que representa o setor?______
  Qual?_______________ 8- A parceria e o atendimento dos órgãos da
  Segurança Pública para com a comunidade rural é facilitada pelo
  envolvimento:</p>
  <p>a. Dos sindicatos rurais, associações e federações que representam
  o setor</p>
  <p>b. Dos grupos de comunidades locais</p>
  <p>c. De iniciativa individual de proprietários rurais ou de empresas
  do setor</p>
  <p>OBSERVAÇÕES:
  ___________________________________________________________________________
  ___________________________________________________________________________</p>
  <p><bold>APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO SATISFAÇÃO COM A PATRULHA RURAL E O
  SENTIMENTO DE SEGURANÇA</bold></p>
  <p>Nome:______________________________________________________________________Distância
  da cidade: ____________ Tamanho da Propriedade:_______________________
  Município: CATALÃO/GO
  Atividade:________________________________________ Possuem
  telefone?_______ Internet?_______ Faz parte de grupo whatsapp
  policial_________</p>
  <p>1- Já foi vítima de algum crime na zona rural?
  ___________Qual?_____________________ 2- Conseguiu reaver o bem
  subtraído?</p>
  <list list-type="alpha-lower">
    <list-item>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>SIM b. NÃO Foi a partir da interferência policial? a SIM b.
          NÃO</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>3- Em uma escala de 0 a 10, qual o grau de satisfação com as
  atividades da Patrulha Rural na região?</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <tbody>
      <tr>
        <td>01</td>
        <td>02</td>
        <td>03</td>
        <td>04</td>
        <td>05</td>
        <td>06</td>
        <td>07</td>
        <td>08</td>
        <td>09</td>
        <td>10</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>4- É parceiro do policiamento comunitário rural?</p>
  <list list-type="alpha-lower">
    <list-item>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>SIM b- NÃO</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>5- Qual a periodicidade que a patrulha rural visita a
  propriedade?</p>
  <list list-type="alpha-lower">
    <list-item>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>Diária b. Semanal c. Mensal d. _________</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>6- Participar de reuniões comunitárias sobre o assunto segurança
  pública?</p>
  <p>a- SIM b- NÃO</p>
  <p>7- O contato com agentes policiais é facilitado? Recebe orientações
  da corporação policial?</p>
  <list list-type="alpha-lower">
    <list-item>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>SIM b- NÃO</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <disp-quote>
    <p>8- A partir de orientações dos policiais adotou alguma medida
    preventiva? Essa nova adoção gerou mais segurança?</p>
    <p>a- SIM b- NÃO</p>
    <p>9- O sindicato ou outro segmento da sociedade é parceiro de algum
    projeto preventivo contra a violência rural em sua região?</p>
  </disp-quote>
  <list list-type="alpha-lower">
    <list-item>
      <p specific-use="wrapper">
        <disp-quote>
          <p>SIM b- NÃO</p>
        </disp-quote>
      </p>
    </list-item>
  </list>
  <p>10- Em uma escala de 0 a 10, o quanto se sente seguro no ambiente
  rural?</p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <tbody>
      <tr>
        <td>01</td>
        <td>02</td>
        <td>03</td>
        <td>04</td>
        <td>05</td>
        <td>06</td>
        <td>07</td>
        <td>08</td>
        <td>09</td>
        <td>10</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>OBSERVAÇÕES:
  ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
</sec>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>O perfil profissiográfico se tornou uma das ferramentas mais
    utilizadas para seleção e formação de policiais no Brasil,
    representando mais do que a simples descrição de cargos e funções
    dentro da organização. Por meio da análise profissiográfica,
    obtém-se um estudo detalhado de todas as tarefas de um determinado
    cargo ou função, com especificação do nível de dificuldade,
    importância e frequência com que elas ocorrem (FAIAD <italic>et
    al</italic>., 2012).</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
