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<body>
<p><bold>Avaliação da Qualidade do Sono e Fadiga em Tripulação de
Helicópteros Militares</bold></p>
<p><bold>Andréa da Silva Mazariolli</bold></p>
<p>Doutoranda na Universidade de São Paulo (2021), Mestrado em
Psicologia pela Universidade São Francisco (2011), Graduada em
Psicologia pela Universidade Paulista (2008), possui curso de extensão
universitária em Medicina do Sono (2016). Atua na área de avaliação
psicológica. Atualmente é professora da Universidade Paulista UNIP.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> São Paulo
<bold>Cidade:</bold> Jacareí</p>
<p><bold>Email:</bold> andrea.silva.psico@gmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-1126-7221</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Resumo</bold></p>
</disp-quote>
<p>O presente artigo tem como objetivo avaliar a qualidade do sono e a
fadiga em tripulação de helicópteros militares. Foi realizada uma
pesquisa quanti-qualitativa, utilizando como instrumentos os
questionários: Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI-BR);
Escala de Fadiga de Chalder; e Questionário Sociodemográfico.
Participaram deste estudo 15 (quinze) profissionais do grupamento aéreo
do sexo masculino que trabalham como pilotos, mecânicos, tripulantes e
enfermeiros, denominado tripulação do helicóptero. Através dos
resultados obtidos neste estudo, foi constatado que a maioria dos
tripulantes possuía uma má qualidade de sono devido a fatores
estressantes e escala intermitentes de trabalho, não sendo comum a
utilização de medicamentos para dormir, representando 6,67% dos
pesquisados. Em relação à fadiga, tanto física quanto mental, foi
verificada uma porcentagem considerável nestes profissionais, sendo
representada por 46,67% da amostra. Devido à importância do tema, é
imprescindível a realização de mais estudos em relação ao estresse e à
fadiga de trabalhadores desta categoria, devido à natureza da função
exercida, bem como aos fatores geradores de estresse organizacional.</p>
<p><bold><sc>P</sc>alavras-chave</bold>s<sc>:</sc> Avaliação
psicológica. Fadiga. Tripulação de helicópteros militares. Sono.</p>
<p><bold>Assessment of Sleep Quality and Fatigue in Military Helicopter
Crew</bold></p>
<p><bold>Abstract</bold></p>
<p>This article aimed to evaluate the quality of sleep and fatigue in
military helicopter crews. A quanti-qualitative research was carried
out, using the following questionnaires as instruments: Pittsburgh Sleep
Quality Index (PSQI-BR), Chalder Fatigue Scale questionnaire and
Sociodemographic Questionnaire. Fifteen (15) male aircrew professionals
who work as pilots, mechanics, crew members and nurses, called
helicopter crew, participated in this study. Through the results
obtained in this study, it was found that most of the crew members had a
poor quality of sleep due to stressful factors and intermittent work
schedules, not being common the use of medication to sleep, representing
6.67% of those surveyed. In relation to fatigue, both physical and
mental, a considerable percentage of these professionals was verified,
being represented by 46.67% of the sample. Due to the importance of the
theme, it is essential to carry out further studies regarding the stress
and fatigue of workers of this category, due to the nature of the
function performed, as well as the factors that generate organizational
stress.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Psychological assessment. Fatigue. Military
helicopter crew. Sleep.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 01/12/2020 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 06/12/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n1.1393</p>
<disp-quote>
  <p><bold><sc>Introdução</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>O ser humano tem necessidades fisiológicas que são essenciais à sua
sobrevivência, tais como a alimentação, a hidratação, a higiene e o
sono. Este último está diretamente ligado ao descanso e à qualidade de
vida. Segundo Müller e Guimarães (2007), o sono é imprescindível para o
equilíbrio e a estabilidade das funções do organismo humano. Os
distúrbios do sono provocam consequências adversas na vida das pessoas
por diminuir seu funcionamento diário, aumentar a propensão a distúrbios
psiquiátricos, déficits cognitivos, surgimento e agravamento de
problemas de saúde, riscos de acidentes de tráfego, absenteísmo no
trabalho, e por comprometer a qualidade de vida. Devido a sua
importância, devem ser realizados estudos sobre os distúrbios do sono,
pois eles podem prejudicar sobremaneira a qualidade de vida de qualquer
pessoa.</p>
<p><bold>SONO</bold></p>
<p>De acordo com Pellegrino e Marqueze (2019), os estudos realizados com
pilotos de avião mostram que esta categoria normalmente apresenta
diversos problemas de sono e de saúde, destacando-se a sonolência
excessiva, os cochilos não intencionais e a fadiga. Murta e Troccoli
(2007) afirmam que a escassez de sono é um fator muito importante no mau
funcionamento do organismo humano, promovendo, inclusive, a diminuição
de células do sistema imunológico. Essa diminuição pode resultar no
aparecimento de doenças oportunistas, ocasionando o afastamento das
funções laborais e a diminuição da qualidade de vida.</p>
<p>O sono é um estado fisiológico especial que ocorre em ciclos em
vários seres vivos do reino animal, tendo sido observados comportamentos
de repouso e atividade, compondo um ciclo vigília-sono rudimentar, em
animais tão inferiores na escala zoológica como os insetos, entretanto,
a caracterização do sono por parâmetros eletrofisiológicos já foi feita
em anfíbios, répteis e mamíferos, além do ser humano. Nos humanos, a
partir da análise das fases do sono, fica evidente a natureza não
homogênea de suas diferentes etapas, quando avaliadas por registros
poligráficos, o que dificulta uma definição simplista deste estado
(FERNANDES, 2006).</p>
<p>Segundo Jansen <italic>et al</italic>. (2007), o estudo sobre o sono
teve início há pouco mais de meio século, sendo que até meados do século
XX, muitos acreditavam que, durante o sono, o cérebro parava de
funcionar, porém, hoje, sabe-se que durante o sono nosso cérebro
continua ativo e a qualidade do sono pode afetar a qualidade de vida das
pessoas, podendo um sono ruim, desencadear prejuízos na saúde física e
mental das pessoas, sendo necessário entender o funcionamento desse
processo.</p>
<p>Conforme Neves, Macedo e Gomes (2017), uma das características da
fisiologia do sono refere-se aos estados que compõem o sono adulto
normal, que se divide em dois grandes estágios: NREM (<italic>Non-Rapid
Eye Movement</italic>), que representa cerca de 75% do tempo de sono; e
REM (<italic>Rapid Eye Movement</italic>), que representa cerca de 25%
do tempo de sono, sendo o NREM divido pelos estágios N1, N2 e N3,
especificados a seguir: N1- É uma fase de transição entre a vigília e o
sono. Caracteriza-se por atividade cortical de baixa frequência e
amplitude (ondas teta), redução da atividade muscular em relação à
vigília e movimentos oculares lentos. Ocupa entre 2 e 5% do tempo total
do sono normal. N2- Representa entre 45 e 50% do tempo total do sono e,
apesar de ser um estágio posterior ao estágio N1, ainda é um sono
superficial e o despertar pode ocorrer como resposta a pequenos
estímulos. N3- Representa entre 12,5 e 20% do tempo total do sono. Este
estágio também é conhecido por “sono de ondas lentas”, pois apresenta
uma atividade elétrica de base de baixa frequência.</p>
<p>Os autores relatam ainda que o estágio REM representa aproximadamente
entre 20 e 25% do tempo total do sono. Este estágio é caracterizado pela
atividade cortical mista e de baixa amplitude, pela redução dos tônus
musculares e pelos movimentos rápidos dos olhos. Não existe unanimidade
a respeito do tempo ideal de sono que um adulto deve ter, contudo, de
acordo com Grandner <italic>et al</italic>. (2010), estudos indicam que
uma média entre 07 e 08 horas de sono, a cada período de 24 horas,
preferencialmente durante a noite, corresponde ao período adequado para
prevenir agravos à saúde associados ao aumento da taxa de
mortalidade.</p>
<p>Segundo Müller e Guimarães (2007), os distúrbios do sono relacionados
às alterações médico-psiquiátricas reúnem diversos transtornos
associados às doenças mentais, como psicoses e transtornos de ansiedade
e humor; ou neurológicas, que ocorrem entre portadores de demências, mal
de Parkinson, epilepsia relacionada ao sono e até mesmo doenças
degenerativas cerebrais; e outras comorbidades médicas, como portadores
de doença pulmonar obstrutiva crônica, isquemia cardíaca noturna e
refluxo gastroesofágico. De acordo com o HCor (2019), os distúrbios do
sono associados à obesidade também causam déficit cognitivo, dificuldade
de concentração e irritabilidade. É importante ressaltar que os efeitos
dos distúrbios do sono não se restringem ao período noturno, mas podem
se estender ao longo do dia e, consequentemente, diminuir a qualidade de
vida dos indivíduos afetados.</p>
<p>A prevalência do distúrbio do sono na população geral é bastante
variada, está entre 10 e 48%, e tem sido associada a doenças crônicas
não transmissíveis, tais como: hipertensão arterial obesidade,
dislipidemia, resistência à insulina, diabetes mellitus, dor crônica,
dor lombar, osteoporose, osteoartrite, artrose e depressão. No entanto,
a prática de atividade física parece estar associada a melhor qualidade
do sono, sendo maneira não medicamentosa de prevenção e tratamento
(MORAES <italic>et al</italic>., 2017). Destarte, uma das principais
características abordadas no estudo do sono refere-se à sua fisiologia,
que consiste no estudo direcionado aos aspectos fisiológicos, ou seja,
às modificações físicas e cognitivas que ocorrem durante o estado de
sonolência ou, propriamente, do estado de sono, permitindo entender como
cada fase do sono pode ajudar no descanso e no bom funcionamento do
organismo como um todo.</p>
<disp-quote>
  <p><bold><sc>Fadiga</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>O termo fadiga, mesmo sendo frequentemente utilizado para definir
situações relacionadas a esgotamento, semanticamente se torna muito mais
amplo, uma vez que para sua análise é necessário compreender todos os
aspectos que a envolvem, visto que o mesmo termo pode ser empregado em
diversas situações do cotidiano, sendo comum associá-lo para referir-se
a questões de esgotamento físico ou mental, podendo também ser aplicado
numa indústria para exemplificar a ruptura ou a deformação de materiais
(MOTA; CRUZ; PIMENTA, 2005). Quando relacionado à área da saúde, os
principais tipos de fadiga são três: fadiga muscular, fadiga mental e
fadiga crônica.</p>
<p><bold>Fadiga muscular</bold>: o conceito clássico de fadiga muscular
está relacionado à inaptidão de um músculo esquelético gerar muita força
muscular ou, ainda, manter esse grau gerado por um determinado tempo
ocasionado por esforços extremos ou repetitivos de um músculo (ASCENSÃO
<italic>et al</italic>., 2003).</p>
<p><bold>Fadiga mental</bold>: Celestino (2017, p 15) apresenta
definições sobre a fadiga mental em seu estudo sobre Fadiga no Trabalho
de Pilotos e a define como: uma “afecção de baixa atenção ou bloqueio
cognitivo, geralmente associado a atividades mentais prolongadas ou
estresse”, podendo comprometer a eficiência funcional física e mental
temporariamente, dependendo da tensão anterior sofrida. O autor afirma
ainda que: “ao contrário dos estados tipo fadiga, a recuperação da
fadiga mental é obtida com o repouso, e não com a mudança de
atividade”.</p>
<p><bold>Fadiga crônica</bold>: A Síndrome de Fadiga Crônica (SFC),
presente na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), refere-se
ao esgotamento extremo e ao nível de exaustão extremamente alto, podendo
o paciente permanecer em estado de esgotamento por no mínimo seis meses
(ZORZANELLI, 2010).</p>
<disp-quote>
  <p>Na aviação, a fadiga é definida pela <italic>International Civil
  Aviation Organization</italic> (ICAO) como um estado psicológico de
  capacidades reduzidas mentais ou físicas resultante de insônias,
  alteração dos ciclos circadianos, longos períodos de atividade e
  excesso de trabalho, que pode prejudicar e reduzir a atenção do
  tripulante, assim como a capacidade de operar a aeronave em segurança
  (IATA; ICAO; IFALPA, 2015). A fadiga humana é reconhecida também pela
  <italic>International Federation of Line Pilots’ Associations</italic>
  (IFALPA), pela <italic>International Air Transport
  Association</italic> (IATA) e pelas diversas agências de investigação
  ao redor do mundo como um fator contribuinte para vários eventos que
  afetam a Segurança Operacional.</p>
  <p>Conforme o Guia de Investigação da Fadiga Humana em Ocorrências
  Aeronáuticas (2011), a fadiga consiste em um fenômeno complexo e
  multideterminado, mesclando componentes objetivos e subjetivos que
  permanecem por longos períodos como condição latente nas operações.
  Essas particularidades se apresentaram como um desafio também ao
  processo de investigação de ocorrências aeronáuticas, pois devido à
  ausência de maneiras adequadas de mensuração da fadiga, não era
  possível atribuir sua contribuição aos eventos críticos, inerentes às
  atividades em sistemas complexos.</p>
  <p>O Guia descreve também que a forma mais extrema de fadiga é o sono
  incontrolável, que pode levar ao adormecimento contra a própria
  vontade. Os episódios podem ser um microssono, um cochilo ou um
  episódio mais longo. Enquanto adormecido, o indivíduo está
  perceptivamente isolado, isto é, não está consciente do que se passa à
  sua volta. A fadiga pode afetar a capacidade do indivíduo em responder
  a estímulos, incluindo reações lentas a estímulos normais, anormais ou
  mesmo de emergência.</p>
  <p>Segundo Kube (2010), a fadiga atinge diretamente a continuidade do
  trabalho, interferindo fisicamente, mentalmente ou psicologicamente,
  sendo resultante de um esforço prolongado ou repetido, repercutindo
  sobre vários sistemas do organismo e provocando múltiplas alterações
  de funções, levando a uma diminuição do desempenho laboral, onde, em
  seu ápice, contribui para o absenteísmo no trabalho e vários
  distúrbios psicológicos, afetando a vida pessoal, social e familiar.
  Com isso, entende-se por fadiga, em âmbito organizacional, um estado
  de desgaste físico ou mental em um organismo, advindo da exaustão por
  esforço ou por repetição, cuja capacidade laboral nesse estado é
  reduzida ou extirpada (MOTA; CRUZ; PIMENTA, 2005).</p>
  <p><bold><sc>UNIVERSO ESTUDADO</sc></bold></p>
  <p><bold><sc>Participantes</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>Participaram deste estudo 15 tripulantes de helicópteros militares
que trabalham como pilotos, mecânicos, tripulantes e enfermeiros, todos
do sexo masculino, uma vez que os integrantes desta equipe eram
exclusivamente deste gênero.</p>
<disp-quote>
  <p><bold><sc>Instrumentos</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>Foram utilizados três instrumentos neste estudo: o primeiro, o
Questionário Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI-BR); o
segundo, a Escala de Fadiga de Chalder; e o terceiro, um Questionário
Sociodemográfico. Abaixo estão especificadas as peculiaridades de cada
instrumento.</p>
<p><bold>Questionário Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh
(PSQI-BR)</bold>: elaborado por Buysse D. J., em 1989, validado para o
português brasileiro entre janeiro de 2006 e setembro de 2007 pelos
autores Bertolazi et al. (2010), em estudo realizado com pacientes do
Hospital de Clínicas de Porto Alegre/RS, no qual foram submetidos ao
teste traduzido 83 pacientes com queixas em relação ao sono e 21 pessoas
do grupo de controle, formado por pacientes e funcionários do hospital
que não apresentavam queixas em relação ao sono, com idade entre 18 e 65
anos. Entre os pacientes, 43 sofriam da Síndrome da Apneia Obstrutiva do
Sono, 21 sofriam de Insônia e 19 de Depressão. Para sua realização, o
questionário foi impresso e entregue aos participantes. O PSQI-BR acena
a qualidade do sono no último mês, não permitindo a avaliação de
problemas existentes no momento, a fim de evitar variáveis muito amplas.
O questionário é composto por dez tópicos, sendo que os de número um,
dois, três e quatro possuem respostas do tipo abertas, e as questões de
cinco a dez são objetivas. Ele contém dezenove questões agrupadas em
sete componentes, e cinco questões direcionadas ao cônjuge ou
acompanhante de quarto. Essas últimas cinco são utilizadas apenas para a
prática clínica e não contribuem para o resultado do índice, portanto,
não fizeram parte deste estudo.</p>
<disp-quote>
  <p>As 19 questões são avaliadas com pesos distribuídos numa escala de
  0 a 3. O escore global varia de 0 a 21, onde escores superiores a 5
  pontos indicam padrão ruim de qualidade do sono, resultando no importe
  de 19 (dezenove) questões autoadministrativas. Bertolazi (2008)
  definiu os componentes do Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh em
  7 categorias, sendo elas: <italic>Qualidade subjetiva do
  sono</italic>, que é a percepção individual da qualidade do sono;
  <italic>Latência do sono</italic>, que é o tempo necessário para
  induzir o sono; <italic>Duração do sono</italic>, referente a quanto
  tempo a pessoa permanece dormindo; <italic>Eficiência habitual do
  sono</italic>, que é a relação entre o número de horas dormindo e o
  número de horas de permanência no leito; <italic>Transtornos do
  sono</italic>, que é a presença de situações que comprometem a hora do
  sono; <italic>Uso de medicamentos para dormir</italic>; e
  <italic>Sonolência diurna</italic> e os distúrbios durante o dia, como
  disposição e entusiasmo para execução de atividades rotineiras. Os
  valores atribuídos a cada componente variam de 0 a 21, totalizando o
  escore final do questionário, que indica que quanto maior o número
  obtido, pior é a qualidade do sono do participante. Portanto, um
  escore total maior que 5 indica que o indivíduo está apresentando
  grandes disfunções em pelo menos dois componentes, ou disfunção
  moderada em pelo menos três componentes.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Escala de Fadiga de Chalder</bold>: questionário britânico
utilizado para mensurar a fadiga física e mental. Este instrumento foi
traduzido, adaptado e validado no Brasil pelo estudo em cuidados
primários, por Cho e Wessely (2007). Trata-se de um questionário com 11
itens, sendo 7 questões a respeito de sintomas de fadiga física e 4
questões de fadiga mental. Refere-se a uma escala do tipo likert, com
pontuação de 0 a 3 para cada item, relacionada à intensidade dos
sintomas de fadiga. A utilização desta escala apresenta maior
especificidade em relação à visão do avaliado sobre a afirmativa da
escala. Conforme Tourangeau e Rasinski (1988), o indivíduo ao responder
uma escala passa por quatro estágios, sendo a interpretação da
afirmativa questionada, a reiteração de sentimentos e pensamentos
pertinentes, a elaboração de um conceito referente a esses pensamentos e
sentimentos e, por último, a seleção de uma resposta.</p>
<p><bold>Questionário Sociodemográfico</bold>: ferramenta que permite
coletar informações gerais sobre um grupo de pessoas, como: idade, sexo,
etnia, escolaridade, situação conjugal, moradia e renda familiar.</p>
<disp-quote>
  <p><bold><sc>Coleta de Dados</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>A coleta dos dados deste estudo ocorreu em dez encontros, sempre no
período matutino, nos meses de maio a junho de 2019, na sede da Base de
aviação militar numa cidade do interior do estado de São Paulo.
Primeiramente, foi enviado ao Comitê de ética e pesquisa CAAE:
04980918.0.0000.5512, posteriormente, houve explicação e esclarecimentos
sobre a metodologia, os propósitos do estudo e suas ressalvas éticas.
Depois, aqueles que aceitaram participar do estudo assinaram o TCLE –
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em que foi explicado sobre o
sigilo, o anonimato e a divulgação dos resultados alcançados somente
para fins de pesquisa científica. Após, os participantes foram
encaminhados para uma sala reservada onde foram aplicados
individualmente os instrumentos.</p>
<disp-quote>
  <p><bold><sc>Análise de Dados</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>Optou-se por analisar os resultados do Questionário Sociodemográfico
e os dados socioeconômicos dos entrevistados, tais como: número de
membros na família, escolaridade e habitação; sendo correlacionados com
os dados obtidos no PSQI-BR e na Escala de Chalder. No Questionário
PSQI-BR, os resultados foram divididos entre os sete componentes e
através das respostas das questões, cada uma recebeu uma pontuação que
variou de 0 a 3. Posteriormente, foram compilados em seus respectivos
componentes, e por fim atribuiu-se uma pontuação final. Esta pontuação
pôde variar de 0 a 21 e nos casos maior ou igual a 5, o sujeito foi
considerado “mau dormidor” (BERTOLAZI, 2008).</p>
<p>Na Escala de Chalder, por se tratar de uma pesquisa tipo likert, a
tabulação de dados foi feita utilizando a metodologia binária, ou seja,
os que tiveram respostas como “nunca” e “raramente” receberam pontuação
0 e os que possuíram respostas como “às vezes” e “sempre” receberam
pontuação 1. Desta forma, a soma da pontuação observada como maior ou
igual à 4 classificou o pesquisado com “fadiga” (CHO <italic>et
al</italic>., 2007).</p>
<disp-quote>
  <p><bold><sc>Resultados</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>No Questionário Sociodemográfico foi constatado que os participantes
possuíam idade entre 29 e 45 anos e, dos 15 indivíduos pesquisados, 14
deles possuíam filhos. Desses, metade possuíam 2 filhos e 35,7% deles, 1
filho. Mais da metade eram casados (73,33%), seguidos de divorciados
(20%) e solteiros (6,67%).</p>
<p>A escolaridade do público pesquisado é de 60% com superior completo,
33,33% com ensino médio completo e 6,67%, equivalente a 1 indivíduo, com
ensino técnico completo. Quase todos os profissionais (93,33%) possuíam
renda familiar superior a R$ 3.000,00. Referente à situação de moradia,
mais da metade possuíam residência própria (66,67%), seguido de 20% em
residência alugada e 13,33% vivendo com parentes.</p>
<p>Ainda no Questionário Sociodemográfico foi elaborada uma questão
sobre quantas horas de sono cada participante dormia, entretanto, no
questionário seguinte aplicado, a Escala de Pittsburgh, havia uma
questão semelhante, dessa forma, comparando os dois resultados, conforme
mostra a Tabela 1, há uma divergência nos dados informados pelos
pesquisados.</p>
<p>De acordo com os resultados obtidos, foi possível identificar que
houve inconsistências acerca dos resultados apresentados durante a
entrevista sociodemográfica e o Questionário de Pittsburgh, com uma
diferença média de 10 minutos, 06h04min e 06h14min, respectivamente, o
que pode ter sido causado pelo fato de que o Questionário
Sociodemográfico é composto por perguntas fechadas e o de Pittsburgh por
perguntas abertas, dando margens, neste caso, para uma resposta mais
fidedigna sobre o tempo exato de sono.</p>
<p>Outro ponto identificado através desse componente de duração do sono,
com maior pontuação apresentada entre os entrevistados durante os meses
de maio e junho de 2019, foi o valor abaixo da média indicada de 07 a 08
horas de sono, a cada 24 horas. Estudos apresentados por Grandner
<italic>et al</italic>. (2010) apontam que uma média estimada entre 7 e
8 horas de tempo total de sono a cada 24h, preferencialmente durante à
noite, corresponde ao período adequado para prevenir agravos à saúde
associados ao aumento da taxa de mortalidade.</p>
<p>No que se refere à eficiência do sono, no presente estudo, foi
possível identificar em um dos participantes o uso de medicação para
conseguir um sono de 07h00, mesmo ficando deitado por 11h00,
demonstrando, assim, a ideia apresentada pelo estudo de Martins, Mello e
Tufik (2001), o qual apresenta a existência de uma demanda sobre
prevenção e tratamentos com relação aos distúrbios de sono.</p>
<p>O resultado obtido referente aos distúrbios do sono mostrou ser o
componente com a segunda maior pontuação na amostra entrevistada.
Conforme apresentado por Boivin e Boudreau (2014), a Classificação
Internacional de Distúrbios do Sono estima que de 2 a 5% de
trabalhadores em turnos podem apresentar algum distúrbio do sono. Outra
informação coletada neste item mostrou que o indivíduo com maior
pontuação neste componente é o mesmo que ingere medicações para dormir e
se manter acordado. No entanto, tais estudos ainda são incipientes, e
faz-se necessário conhecer mais as características do trabalho e da
saúde desses profissionais para realizar ações de políticas públicas e
tornar efetivas as ações de prevenção de doenças e promoção da saúde.
Bem como sugerimos outro estudo que comtemple uma amostra composta por
mulheres para que possamos realizar análise comparativa dos dados.</p>
<p><bold>Tabela 1: Comparativo da Questão sobre Duração do Sono
(Questionário Sociodemográfico <italic>versus</italic> Escala de
Pittsburgh)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="35%" />
      <col width="35%" />
      <col width="31%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>PESQUISADO</bold></td>
        <td><p><bold>DURAÇÃO DO SONO SOCIODEMOGRÁFICO</bold></p>
        <p><bold>(H)</bold></p></td>
        <td><p><bold>DURAÇÃO DO SONO PITTSBURGH</bold></p>
        <p><bold>(H)</bold></p></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 1</td>
        <td>7h</td>
        <td>7h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 2</td>
        <td>7h</td>
        <td>8h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 3</td>
        <td>4h ou menos</td>
        <td>5h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 4</td>
        <td>6h</td>
        <td>6h30</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 5</td>
        <td>6h</td>
        <td>6h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 6</td>
        <td>5h</td>
        <td>5h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 7</td>
        <td>8h</td>
        <td>7h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 8</td>
        <td>4h ou menos</td>
        <td>Entre 5h e 6h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 9</td>
        <td>5h</td>
        <td>4h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 10</td>
        <td>7h</td>
        <td>7h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 11</td>
        <td>6h</td>
        <td>6h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 12</td>
        <td>8h</td>
        <td>8h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 13</td>
        <td>7h</td>
        <td>7h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 14</td>
        <td>5h</td>
        <td>5h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Indivíduo 15</td>
        <td>6h</td>
        <td>Entre 6h e 7h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Média das Horas</td>
        <td>6h04</td>
        <td>6h14</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p>
<p><bold>Tabela 2: Componentes avaliados na Escala de
Pittsburgh</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="59%" />
      <col width="41%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>COMPONENTES</bold></td>
        <td><bold>MÉDIA DA PONTUAÇÃO (0-3)</bold></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Qualidade subjetiva do sono</td>
        <td>0,80</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Latência do sono</td>
        <td>0,13</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Duração do sono</td>
        <td>1,33</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Eficiência habitual do sono</td>
        <td>0,60</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Distúrbios do sono</td>
        <td>1,27</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Uso de medicação para dormir</td>
        <td>0,20</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Disfunção durante o dia</td>
        <td>1,13</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Média Total</td>
        <td>0,78</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p>
<p>Os resultados do Questionário de Pittsburgh aplicado no público-alvo
estabelecido mostrou que, após tabulação de cada um dos componentes, a
pontuação se apresentou variada, mas com maior pontuação, ou seja, menor
qualidade do sono, nos componentes: duração do sono, distúrbios do sono
e disfunção durante o dia, conforme apresentado na Tabela 2.</p>
<p>Apesar de a maior pontuação se tratar da duração do sono, apenas um
dos quinze tripulantes avaliados faz uso de medicamentos para dormir
(frequência de três ou mais vezes por semana). Avaliando o componente 5,
distúrbios do sono (1,27), que é feito através da soma das pontuações
das questões de 5b a 5j, ela é estabelecida de forma que: se a
frequência for “nunca no mês passado” a pontuação é 0; “menos de uma vez
por semana” equivale a 1 ponto; se “uma a duas vezes por semana”, são
somados 2 pontos; e, por último, “três ou mais vezes por semana” recebe
a pontuação 3. Podemos considerar que o valor apontado sugere distúrbios
do sono na amostra pesquisada. Importante ressaltar que a soma total do
instrumento poderia chegar até 27 pontos, entretanto, variaram desde 0 a
16 pontos, com uma média de 8 pontos.</p>
<p><bold>Tabela 3: Componente 7 (Disfunção durante o dia)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="80%" />
      <col width="20%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>QUESTÃO AVALIADA</bold></td>
        <td><bold>MÉDIA RESULTADO</bold></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Dificuldade em permanecer acordado (Questão 8)</td>
        <td>0,93</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Dificuldade em manter o entusiasmo ao realizar atividades
        (Questão 9)</td>
        <td>1,13</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Média Total</td>
        <td>1,03</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p>
<p>O componente Disfunção durante o dia, que avalia através das questões
8 e 9 do Questionário de Pittsburgh a condição do indivíduo em sua
rotina ao longo do dia, apresentou a terceira maior pontuação (1,13)
dentre os sete componentes avaliados. Realizando um comparativo entre os
resultados das duas questões, na qual a pontuação varia de 0 a 3, sendo
0 “nunca durante a semana” e 3 “três ou mais vezes durante a semana”,
foi possível observar que a maior dificuldade neste público testado se
trata de manter o entusiasmo ao realizar atividades, conforme
apresentado na Tabela 3.</p>
<p><bold>Tabela 4: Resultado (Escala de Pittsburgh)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="35%" />
      <col width="35%" />
      <col width="31%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>RESULTADO</bold></td>
        <td><bold>NÚMERO ABSOLUTO</bold></td>
        <td><bold>(%)</bold></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Bom dormidor</td>
        <td>6</td>
        <td>40,00</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Mau dormidor</td>
        <td>9</td>
        <td>60,00</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Total</td>
        <td>15</td>
        <td>100</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p>
<p>Como resultado da Escala de Pittsburgh, após análise, menos da metade
dos pesquisados (40%) possuíram pontuação final inferior a 5, que
classifica um indivíduo como “bom dormidor”, conforme apresentado na
Tabela 4.</p>
<p>Como dado final do Questionário de Pittsburgh, foi constatado que 60%
dos entrevistados foram enquadrados no item “mau dormidor”, ou seja,
possuem variações dos estados que constituem um “sono normal”, conforme
definido por Neves, Macedo e Gomes (2017). Assim, podemos relacionar
esses distúrbios às alterações cotidianas advindas da rotina de trabalho
ou familiar, já que a maioria dos indivíduos enquadrados no item “mau
dormidor” foram aqueles que possuíam filhos e moravam de aluguel.</p>
<p>Considerando o estudo apresentado por Mota <italic>et al</italic>.
(2005) de que a fadiga está relacionada à somatória de diversos sintomas
físicos, mentais e psicológicos, entende-se, assim, a ideia apresentada
por Gouveia <italic>et al</italic>. (2015) de que a fadiga é uma queixa
comum entre os trabalhadores.</p>
<p><bold>Tabela 5: Pontuação Geral (Escala de Chalder)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="17%" />
      <col width="41%" />
      <col width="41%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>RESPOSTA</bold></td>
        <td><p><bold>TAXA PONTUAÇÃO</bold></p>
        <p><bold>FADIGA FÍSICA (%)</bold></p></td>
        <td><p><bold>TAXA PONTUAÇÃO</bold></p>
        <p><bold>FADIGA MENTAL (%)</bold></p></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Nunca</td>
        <td>26,67</td>
        <td>21,67</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Raramente</td>
        <td>46,67</td>
        <td>41,67</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Às vezes</td>
        <td>21,90</td>
        <td>35,00</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Sempre</td>
        <td>4,76</td>
        <td>1,66</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Total</td>
        <td>100</td>
        <td>100</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p>
<p>Outro questionário aplicado foi a Escala de Chalder, para avaliar a
fadiga física e mental dos pesquisados. Analisando a taxa das respostas,
se observado pelos dois componentes, a fadiga física possui maior
frequência dentre os tripulantes, dos quais 4,76% responderam “sempre”
para afirmativas que a avaliava, conforme Tabela 5. Entretanto, 36,66%
dos tripulantes responderam “às vezes” e “sempre” para situações
vivenciadas nas últimas duas semanas referente à fadiga mental (Tabela
5), com uma porcentagem maior que na fadiga física (26,66%).</p>
<p><bold>Tabela 6: Resultado (Escala de Chalder)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="35%" />
      <col width="35%" />
      <col width="31%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>RESULTADO</bold></td>
        <td><bold>NÚMERO ABSOLUTO</bold></td>
        <td><bold>(%)</bold></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Fadigado</td>
        <td>7</td>
        <td>46,67</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Não fadigado</td>
        <td>8</td>
        <td>53,33</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Total</td>
        <td>15</td>
        <td>100</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p>
<p>Como resultado da Escala de Chalder, após análise, pouco mais da
metade dos pesquisados foram considerados “não fadigados”, representando
53,33% da amostra estudada, conforme apresentado na Tabela 6.</p>
<p>Após a análise e a apresentação dos resultados, foi possível
comprovar ou não as hipóteses elaboradas, assim como também as possíveis
divergências nos dados obtidos e, ainda, relacionar as possíveis causas
de uma baixa qualidade de sono e fadiga, conforme é apresentado a seguir
nas discussões. Analisando os dados obtidos da Escala de Chalder,
obteve-se como resultado que quase metade dos avaliados (46,67%)
apresentaram fadiga no período investigado, podendo advir de um estado
de desgaste por exaustão, esforço ou repetição, comprometimento de
eficiência funcional física e mental, bloqueio cognitivo, ou ainda baixa
atenção, associados a atividades mentais prolongadas e estressantes,
principalmente por estarem relacionados ao trabalho elaborado por esses
profissionais.</p>
<disp-quote>
  <p><bold><sc>Conclusão</sc></bold></p>
</disp-quote>
<p>Uma boa qualidade do sono é de suma importância para a saúde
emocional, psíquica e fisiológica do ser humano. Dessa forma, é
fundamental que o sono ocorra de modo satisfatório, pois ele colabora
para o bom desempenho da pessoa em suas relações e atividades que
executa ao longo do período em que está em vigília. Observou-se neste
estudo que os tripulantes estudados possuem uma rotina de trabalho em
forma de escalas intermitentes de horário, além de uma carga focal
elevada para a atividade que realizam, o que motivou esta pesquisa, em
busca de avaliar a qualidade de sono neste grupo de profissionais.</p>
<p>Antes da realização deste trabalho, foram realizadas extensas
consultas à literatura científica sobre a qualidade de sono em
tripulantes aéreos, e foi observada a carência de estudos para esta
população. Esses estudos são importantes para a promoção da saúde no
ambiente de trabalho e a prevenção, ou para evitar afastamentos por
motivo de doença.</p>
<p>Por meio dos resultados obtidos neste estudo, foi constatado que a
maioria dos tripulantes, no momento da testagem, foram considerados maus
dormidores, comprovando a hipótese inicial de que as escalas em turnos
intermitentes de trabalho afetam a qualidade de sono, ao mesmo tempo que
o tipo de atividade realizada e a exposição a um alto grau de tensão
emocional e física durante o período que estão dentro do ambiente de
trabalho, associados a fatores pessoais, podem também interferir na
qualidade do sono desta amostra pesquisada; além da própria fadiga que
pode contribuir para uma má qualidade de sono. Entretanto, a hipótese de
uso de medicamentos ou elementos externos para conseguir dormir foi
descartada, pois apenas um tripulante relatou que fazia uso de medicação
para dormir.</p>
<p>Referente à fadiga, tanto física quanto mental, ao observar e
compilar as respostas com frequência de “sempre” e “às vezes”, foi
constatada uma porcentagem considerável de fadiga neste público, sendo
representada por 26,66% física e 36,66% mental. Após análise,
observou-se que quase metade dos entrevistados foram considerados
“fadigados” (46,67%). Vale ressaltar que este estudo avaliou, no caso do
Questionário de Pittsburgh, a qualidade do sono no mês de abril e maio
de 2019, sendo considerados os meses anteriores à aplicação da pesquisa
e, na escala de Chalder, a fadiga física e mental apresentada nas duas
semanas anteriores à aplicação, considerando esta realizada nos meses de
maio e junho de 2019, ou seja, os resultados apresentados são apenas um
recorte da qualidade do sono e da fadiga que estes profissionais
vivenciavam no momento da avaliação, não pretendendo definir a qualidade
do sono destes profissionais como algo imutável, tendo em vista que, em
caso de novas pesquisas, há possibilidades dos resultados apresentados
serem distintos deste estudo.</p>
<p>Comparando o Questionário de Pittsburgh e a Escala de Chalder, os
participantes que tiveram pontuação média igual ou maior que 1,28 no
item Fadiga física foram também classificados como maus dormidores. Este
é um item importante, pois conforme apresentado por Kube (2010), a
fadiga atinge diretamente a continuidade do trabalho, interferindo
física, mental ou psicologicamente, afetando a vida pessoal, social e
familiar.</p>
<p>A partir dos resultados obtidos, sugere-se a realização de mais
pesquisas de campo com aprofundamento em relação ao estresse e à fadiga
de trabalhadores desta categoria, devido à natureza da função exercida,
bem como os fatores geradores de estresse organizacional que possam
contribuir e acrescentar com estudos, promovendo a qualidade de vida
desses trabalhadores, principalmente com uma amostra de mulheres, para
que possamos comparar os resultados.</p>
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