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<p><bold>EDIÇÃO ESPECIAL - VOLUME 16</bold></p>
<p><bold>CONSTRUÇÃO E VALIDAÇÃO DE INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE IMPACTO
DE TREINAMENTO EM PROFUNDIDADE DO CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DA
POLÍCIA FEDERAL</bold></p>
<p><bold>Andersson Pereira dos Santos</bold></p>
<p>Delegado de Polícia Federal. Doutor em Administração pela
Universidade de Brasília - UnB (2021). Coordenador de Recrutamento e
Seleção da Polícia Federal. Professor e Tutor da Academia Nacional de
Polícia - ANP/PF.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Distrito Federal
<bold>Cidade:</bold> Brasília</p>
<p><bold>E-mail:</bold> andersson.aps@pf.gov.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-1266-1418</p>
<p><bold>Fernando José Barbato Couto</bold></p>
<p>Mestre em Administração Pública pela Universidade de Brasília - UnB.
Administrador na Universidade de Brasília. Diretor de Contratos
Administrativos.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Distrito Federal
<bold>Cidade:</bold> Brasília</p>
<p><bold>E-mail:</bold> fjbcouto@hotmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-6847-9116</p>
<p><bold>Francisco Antonio Coelho Junior</bold></p>
<p>Doutor em Psicologia Social, do Trabalho e Organizações pela
Universidade de Brasília - UnB. Professor Associado vinculado ao
Departamento de Administração da Universidade de Brasília.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Distrito Federal
<bold>Cidade:</bold> Brasília</p>
<p><bold>E-mail:</bold> fercoepsi@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-1820-5448</p>
<p><bold>Contribuição de cada autor:</bold> Andersson Pereira dos Santos
planejou e executou a pesquisa, efetuando a revisão de literatura,
construção dos instrumentos e análise dos resultados. Fernando José
Barbato Couto participou da coleta e análise de dados. Efetuou a revisão
do trabalho. Francisco Antonio Coelho Junior Orientou a pesquisa,
indicou literatura e fez a revisão final do trabalho.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>A formação dos profissionais de segurança pública é fundamental na
preparação para as funções, responsabilidades e atividades que estes
agentes públicos exercerão quando do exercício dos seus cargos. O
presente artigo tem como objetivo apresentar as etapas de construção e
de validação de uma medida de avaliação de impacto em profundidade de
treinamento, referente ao Curso de Formação Profissional dos novos
policiais federais promovido pela Polícia Federal. A coleta de dados
contou com uma amostra de 355 policiais, egressos do curso de formação.
A medida foi objeto de validação semântica, por juízes e empírica, com a
utilização de análises exploratórias dos componentes principais e
análise fatorial. Todos os procedimentos de análise psicométrica, para
validação de medidas, foram adotados. Como resultado, o instrumento foi
validado com 11 fatores e 46 itens, contendo bons índices psicométricos
(KMO = 0,92 e <italic>Alphas de Cronbach</italic> dos fatores oscilando
entre 0,73 e 0,95). A estrutura da escala se mostrou válida e confiável,
apresentando índices psicométricos bastante satisfatórios. A construção
e o emprego de instrumentos de avaliação dos cursos de formação, como o
apresentado neste trabalho, são fundamentais para aferir programas de
treinamento realizados pelas polícias, avaliando se são adequados e
eficazes para formar novos profissionais da área de segurança pública,
possibilitando a aquisição de conhecimentos teóricos e práticos que irão
orientar suas atuações.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Avaliação de treinamento. Impacto de
treinamento no trabalho. Impacto em profundidade. Curso de Formação
Profissional. Polícia Federal.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic>THE CONSTRUCTION OF AN IN-DEPTH TRAINING IMPACT ASSESSMENT
SCALE FOR THE FEDERAL POLICE PROFESSIONAL TRAINING COURSE</italic></p>
<p>The training of public security professionals is essential in
preparing for the roles, responsibilities and activities that these
public agents will exercise when exercising their positions. In this
sense, this article aims to present the construction and validation
stages of an in-depth training impact assessment scale, referring to the
Professional Training Course for the new federal police officers,
promoted by the Federal Police. The data collection included a sample of
355 police officers, who had graduated from the training course. The
scale was object of semantic validation, by judges and empirical, using
exploratory analysis of the main components and factor analysis. All
procedures for psychometric analysis of the data were adopted. As a
result, the instrument was validated with 11 factors and 46 items,
containing good psychometric indices (KMO = 0.92 and Cronbach's Alphas
of the factors ranging from 0.73 to 0.95). The scale structure proved to
be valid and reliable, with very satisfactory psychometric indices. The
construction and use of training course evaluation instruments, as
presented in this work, is essential to assess training programs carried
out by the police, assessing whether they are adequate and effective to
train new professionals in the area of public security, enabling
theoretical and practical knowledge that will guide its performance.</p>
<p><bold>Keywords:</bold> Training evaluation. Impact of training at
work. Depth impact. Professional Training Course. Federal Police.</p>
<p><bold>Data de recebimento:</bold> 14/03/2021 - <bold>Data de
aprovação:</bold> 06/09/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v16.n0.1448</p>
<p><bold>Introdução</bold></p>
<p>Ações de treinamento, desenvolvimento e educação (TD&amp;E) são
amplamente recomendadas à melhoria do desempenho no exercício das
atividades laborais. Para se tornarem mais competitivas, as organizações
têm ampliado seus investimentos nestas ações (SEIDL; LEANDRO-FRANÇA;
MURTA, 2018), e os pesquisadores têm se preocupado cada vez mais em
realizar estudos voltados para a avaliação de treinamento (ODELIUS;
SIQUEIRA JÚNIOR, 2011), com o propósito de verificar a efetividade dos
resultados dos eventos realizados e o retorno dos recursos investidos
(ABBAD, 1999). Para avaliar a efetividade das ações de TD&amp;E, é
necessário medir os efeitos que os eventos realizados causam no
desempenho individual das pessoas que participaram destas ações
(ZERBINI; ABBAD; MOURÃO, 2012), investigando se as competências
adquiridas durante os eventos instrucionais estão sendo aplicadas no
ambiente de trabalho e se tais competências modificaram a maneira de
desempenhar as tarefas exigidas para o cargo (FREITAS <italic>et
al</italic>., 2006).</p>
<p>As organizações públicas também necessitam desenvolver,
continuamente, as competências profissionais dos seus integrantes. A
qualidade dos serviços prestados pela administração pública de um país é
uma das pré-condições fundamentais para o seu desenvolvimento social e
econômico (BRESSER-PEREIRA, 2008). Torna-se indispensável, assim, o
desenvolvimento e a avaliação das capacidades técnicas e gerenciais nas
organizações públicas, possibilitando que sejam criadas as condições
benéficas para a prestação de serviços públicos com produtividade e
eficiência, que garantam qualidade à implementação de políticas públicas
(BITTENCOURT; ZOUAIN, 2010).</p>
<p>Esta realidade também se aplica às instituições que atuam na
segurança pública. As ações de TD&amp;E realizadas por essas
organizações são imprescindíveis à implementação das políticas de
segurança pública, possibilitando o desenvolvimento das competências
necessárias para o exercício da função policial. É fundamental que estas
ações sejam sistematicamente avaliadas, revelando possíveis erros ou
acertos ocorridos na realização da capacitação (LIMA <italic>et
al</italic>., 2020), não somente para garantir a aplicação racional de
recursos mas, principalmente, para assegurar que estas organizações
disponham de um corpo de servidores preparados para prestar serviços de
segurança pública de qualidade para os cidadãos.</p>
<p>As organizações policiais têm, como preocupação primeira, o combate à
criminalidade e a redução dos índices criminais, sendo este um pilar
essencial no âmbito do sistema de segurança pública nacional (COSTA;
LIMA, 2014). A segurança pública brasileira passou por várias
transformações históricas e busca, hoje, consolidar uma nova identidade
dentro do vigente contexto constitucional (SOUSA; MORAIS, 2011), com
ênfase na inteligência, na atuação comunitária e na prevenção (não
apenas no combate à criminalidade posta). Ações táticas e estratégicas
têm sido realizadas a partir da interação entre múltiplos atores
sociais, visando à promoção do bem-estar social comum e ao respeito aos
Direitos Humanos.</p>
<p>Logicamente que, considerando toda a diversidade sociocultural no
Brasil, e tantas diferenças regionais, em que pese possíveis estigmas ou
estereótipos históricos, discutidos por Costa (2004), ainda direcionados
a servidores ou instituições de segurança pública, sua atuação é
imprescindível na manutenção da vida e da ordem social, daí a relevância
na profissionalização da sua gestão. Profissionalizar e melhor
qualificar os serviços, em quaisquer organizações públicas,
especialmente as de segurança, implica em ter condições de ofertar, à
sociedade, maior eficiência das suas ações, melhorando os resultados. A
gestão da segurança pública é um dos mais complexos desafios dos
gestores públicos, dado o grande número de variáveis capazes de
influenciar na eficácia das políticas públicas implementadas (SILVEIRA,
2014; CAMPOS; ALVAREZ, 2017), daí a importância de capacitar mais
eficazmente seu quadro funcional.</p>
<p>Nesse sentido, a formação dos profissionais de segurança pública é
fundamental na preparação para as funções, responsabilidades e
atividades que estes agentes públicos exercerão quando do exercício dos
seus cargos (CARO, 2011). Entender as atividades que o policial
desempenha cotidianamente é essencial para a análise da eficiência de um
programa de formação policial, devendo o treinamento estar estreitamente
vinculado ao serviço que será realizado por ele junto à sociedade
(BASILIO, 2009).</p>
<p>Ocorre que a maioria dos programas de formação de policiais deixa um
vazio entre o treinamento curricular da academia e a experiência prática
do trabalho nas atividades de segurança pública (MCCAMPBELL, 1987).
Reconhece-se que os currículos e programas de treinamento atuais não são
adequados para atender às necessidades de recrutamento de policiais nas
sociedades modernas (MCGINLEY <italic>et al</italic>., 2019). E, no
Brasil, verifica-se que não houve um debate profundo, entre autoridades
governamentais, policiais, técnicos da área de segurança pública e
sociedade, a respeito de uma agenda de reformas que contemple a formação
profissional de policiais, o que poderia proporcionar a aquisição das
competências necessárias para o desempenho das ações de modo eficaz e
eficiente (PONCIONI, 2007).</p>
<p>Assim, na contramão da necessidade de se medir a efetividade das
práticas de capacitação de policiais, poucas são as medidas validadas,
disponíveis na literatura, orientadas à avaliação de impacto de
treinamento, especialmente em profundidade (COELHO JUNIOR; ABBAD, 2010).
Estudos que analisam a influência entre ações de aprendizagem e
posterior impacto do treinamento no trabalho dos egressos, das ações de
capacitação, ainda são raros (ARAUJO; ABBAD; FREITAS, 2019). Além disso,
há lacunas importantes nas pesquisas científicas sobre treinamento
policial (TELEP, 2016), uma delas é exatamente a falta de medidas
validadas psicometricamente e construídas de acordo com a realidade de
cada instituição de segurança pública.</p>
<p>Visando suprir tal lacuna, esta pesquisa tem como objetivo geral
construir e validar uma escala de avaliação de impacto em profundidade
do Curso de Formação Profissional da Polícia Federal. O curso teve como
finalidade desenvolver competências técnico-profissionais inerentes à
função policial e refere-se à capacitação de atividades finalísticas dos
profissionais para desempenhar esta função. O trabalho tem como
objetivos específicos: descrever os procedimentos de elaboração e a
construção dos itens; descrever as etapas de validação semântica e por
juízes; e apresentar indicadores psicométricos oriundos de análise
fatorial exploratória da medida de impacto de treinamento em
profundidade presentemente validada.</p>
<p><bold>Referencial teórico</bold></p>
<p><bold>Treinamento, Desenvolvimento &amp; Educação (TD&amp;E) e os
seus subsistemas</bold></p>
<p>Treinamento tem sido tradicionalmente definido como o processo pelo
qual os indivíduos mudam suas habilidades, seus conhecimentos, suas
atitudes e/ou seus comportamentos (QUARTEY, 2012; ZWICK, 2015). As ações
de TD&amp;E realizadas no âmbito das organizações, formalizadas em
programas, buscam desenvolver as competências profissionais com o
objetivo de apoiar e permitir o alcance dos objetivos organizacionais
(GARAVAN, 1997; ONGALO; TARI, 2015), consistindo de estratégias de
aprendizagem formal que variam no tocante à sua duração, complexidade e
proximidade com os objetivos estratégicos da organização (ARAÚJO; ABBAD;
FREITAS, 2019). O TD&amp;E influencia todas as áreas de recursos humanos
e é influenciado por estas, fornecendo subsídios para o aprimoramento do
desempenho individual e organizacional, assim como recebendo
<italic>feedbacks</italic> para que as ações instrucionais possam suprir
as demandas educacionais dos colaboradores e da organização (JEHANZEB;
BASHIR, 2013; RAHMAN <italic>et al</italic>., 2013).</p>
<p>Um programa de TD&amp;E é estruturado com ações sistematizadas de
aprendizagem que podem ser classificadas, hierarquicamente, como
Informação, Instrução, Treinamento, Desenvolvimento ou Educação. O
treinamento (T), foco deste artigo, refere-se à ação formal de
aprendizagem voltada diretamente para o aperfeiçoamento do desempenho
por meio do mapeamento e da suplantação das dificuldades existentes na
execução das tarefas laborais ou direcionada para a disseminação de
novos conhecimentos e habilidades necessárias para se utilizar novas
tecnologias no contexto de trabalho (PILATI; VASCONCELOS;
BORGES-ANDRADE, 2011; ROTAR, 2012; FARIAS; RESENDE, 2020). Moreira e
Munck (2010) resumem treinamento como a ação organizacional que deverá
ser capaz de possibilitar que um indivíduo seja habilitado para fazer
algo que nunca havia feito antes ou de aperfeiçoar uma habilidade que
este já possui.</p>
<p>Borges-Andrade (2002) define que o sistema de TD&amp;E é composto por
três subsistemas (fases ou etapas): (a) análise de necessidades de
treinamento; (b) planejamento de treinamento e a sua execução; e (c)
avaliação de treinamento. A integração destes subsistemas é fundamental
para o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes que as
organizações necessitam para melhorar seu desempenho e para a promoção
do desenvolvimento humano e profissional dos seus integrantes
(BORGES-ANDRADE, 2002).</p>
<p>Para a realização deste trabalho foi utilizado o conceito
tradicionalmente empregado para treinamento discutido por Zerbini e
Abbad (2005), que define treinamento como o conjunto de ações
educacionais planejadas de modo sistemático que possibilita o
aperfeiçoamento e a aquisição das competências por um indivíduo que
deverão ser aplicadas nas suas atividades de trabalho. No contexto da
pesquisa, o papel do treinamento é central à capacitação de policiais
que devem ser treinados para que saibam utilizar suas habilidades de
modo apropriado, aplicando-as em situações nas quais decisões que
impliquem entre a vida e a morte são tomadas em segundos, exigindo
domínio das competências necessárias à profissão.</p>
<p><bold>O subsistema Avaliação de Treinamento</bold></p>
<p>Avaliar o impacto de TD&amp;E é importante para se obter informações
que possam ser usadas para aprimorar as ações de capacitação, observando
se houve melhoria no desempenho dos indivíduos, das equipes e da
organização (FREITAS; BORGES-ANDRADE, 2004; ZERBINI; ABBAD, 2010).
Desenvolver medidas confiáveis e válidas para avaliar a aprendizagem e o
desempenho no trabalho conduz às implicações no contexto corporativo
(MARTINS; ZERBINI; MEDINA, 2018), permitindo, consequentemente, a
racionalização dos custos e a máxima eficácia e eficiência dos eventos
promovidos.</p>
<p>Além disso, o desenvolvimento de medidas válidas e confiáveis
contribui para que sejam realizados avanços no campo teórico-científico,
produzindo conhecimentos sobre os fatores que operam para afetar a
aprendizagem e a performance no trabalho (AGUINIS; KRAIGER, 2009).
Embora seja difícil mensurar objetivamente o valor das práticas em
gestão de pessoas e o seu retorno, a pressão pela busca de eficiência,
produtividade e diminuição dos custos torna obrigatório que todas as
áreas demonstrem a sua capacidade de agregar valor para as organizações,
o que impõe a necessidade em se adotar medidas para a avaliação dos
treinamentos realizados (SCORSOLINI-COMIN; INOCENTE; MIURA, 2011).</p>
<p>Segundo Abbad (1999), a avaliação de treinamento refere-se ao
conjunto de atividades, princípios, prescrições teóricas e metodológicas
que tem como objetivo o levantamento de informações válidas e
sistematizadas acerca da eficácia de um sistema de TD&amp;E. A avaliação
é, portanto, o subsistema responsável pelo fornecimento de informações,
retroalimentação e aperfeiçoamento do sistema de TD&amp;E (PANTOJA;
LIMA; BORGES-ANDRADE, 2001). As ações de TD&amp;E podem ser avaliadas
individualmente ou em conjunto e/ou avaliar os seus resultados imediatos
ou em longo prazo (BORGES-ANDRADE, 2006).</p>
<p>As abordagens mais tradicionais acerca da avaliação de treinamento
foram traduzidas em modelos propostos por Kirkpatrick (1976) e Hamblin
(1978). Kirkpatrick propôs um padrão de abordagem da avaliação de
treinamento em quatro níveis: “reação”, “aprendizagem”, “comportamentos”
e “resultados”. Hamblin ampliou o modelo elaborado por Kirkpatrick, ao
dividir o nível “resultados” em dois outros níveis: “organização” e
“valor final”. Na literatura nacional, destacam-se o modelo MAIS, de
Borges-Andrade (2002), e o modelo IMPACT, de Abbad (1999), como
referências para o estudo da avaliação de treinamento no contexto
organizacional (COELHO JUNIOR; ABBAD, 2010), tratando-se de importantes
padrões para avaliar programas de TD&amp;E.</p>
<p>Borges-Andrade (2002) elaborou o Modelo de Avaliação Integrado e
Somativo (MAIS), que foi o primeiro modelo brasileiro que propôs a
inclusão da análise de variáveis do ambiente como fator que
influenciavam todo o processo de treinamento (SCORSOLINI-COMIN;
INOCENTE; MIURA, 2011). O MAIS abrange cinco elementos (ou componentes)
que devem ser mensurados: (1) os insumos; (2) os procedimentos; (3) os
processos; (4) os resultados; e (5) o ambiente. Houve o acréscimo de um
elemento importante no modelo MAIS em relação aos modelos de Kirkpatrick
(1976) e de Hamblin (1978), ao também considerar o contexto dos
treinandos (ambiente), antes (preditores) e depois (suporte de
transferência) do treinamento, e não somente os objetivos propostos na
ação de capacitação.</p>
<p>Abbad (1999) desenvolveu outro modelo de avaliação de TD&amp;E com
base no que foi encontrado na literatura sobre o tema, sugerindo um novo
padrão de predição de impacto de treinamento. O Modelo Integrado de
Avaliação do Impacto do Treinamento no Trabalho – IMPACT é estruturado
com sete componentes: (1) o suporte organizacional; (2) as
características do treinamento; (3) as características da clientela; (4)
as reações; (5) a aprendizagem; (6) o suporte à transferência; e (7) o
impacto do treinamento no trabalho.</p>
<p>No presente artigo, a construção de escala de avaliação de impacto em
profundidade tem por objetivo avaliar os resultados do treinamento
referentes ao nível “comportamento”, nos modelos propostos por
Kirkpatrick (1976) e Hamblin (1978), ao componente “resultado” do Modelo
MAIS e ao elemento “impacto de treinamento no trabalho” no Modelo
IMPACT, uma vez que o impacto em profundidade investiga os resultados
diretos de um treinamento, por meio da construção de indicadores
específicos do seu impacto no desempenho dos treinados, medido por meio
de itens elaborados a partir dos objetivos instrucionais do curso
(COELHO JUNIOR; ABBAD, 2010; SEIDL; LEANDRO-FRANÇA; MURTA, 2018).</p>
<p><bold>O Impacto de treinamento no trabalho</bold></p>
<p>Para se compreender o conceito de impacto de treinamento no trabalho
é necessário entender os conceitos de transferência de aprendizagem,
transferência de treinamento e desempenho no trabalho (ZERBINI; ABBAD,
2010). Abbad (1999) realizou uma análise conceitual, demonstrando que os
termos transferência de aprendizagem, transferência de treinamento e
impacto no trabalho têm sido vistos como sinônimos, sendo utilizados em
pesquisas que buscam avaliar os efeitos do treinamento sobre o
desempenho dos egressos em atividades similares às situações vivenciadas
ao longo do evento instrucional.</p>
<p>Abbad (1999) destaca que a transferência de aprendizagem tem sua
origem na Psicologia experimental, tendo uma utilização mais genérica,
sendo aplicada em vários contextos. O termo transferência de treinamento
é mais específico, se referindo à aplicação de conhecimentos adquiridos
em um treinamento no ambiente de trabalho. Pilati e Abbad (2005), por
sua vez, definem o conceito de transferência de aprendizagem como a
aplicação efetiva no trabalho dos conhecimentos, das habilidades e
atitudes adquiridas em um evento instrucional. A capacitação, além de
proporcionar a transferência de competências, contribui para o
aprimoramento dos processos, possibilita o uso de novas tecnologias e a
conversão de conhecimentos tácitos em explícitos, tendo impacto no
desempenho dos egressos (CASTRO <italic>et al</italic>., 2018).</p>
<p>A transferência de aprendizagem foi compreendida por Hamblin (1978)
como impacto de treinamento em profundidade, que são os efeitos diretos
do evento realizado no desempenho do trabalho dos participantes. O
impacto pressupõe que o treinamento deverá ser avaliado de acordo com os
objetivos instrucionais previamente estabelecidos. Os efeitos mais
gerais deste treinamento, não relacionados diretamente aos objetivos
instrucionais, foram denominados pelo autor como impacto de treinamento
em amplitude. O desempenho no trabalho pode ser definido como o conjunto
de comportamentos manifestados pelo indivíduo no exercício de suas
atribuições que mobiliza as competências com a finalidade de executar as
suas tarefas, considerando-se o ambiente organizacional (COELHO JUNIOR,
2011).</p>
<p><bold>A construção de instrumentos para avaliar impacto em
profundidade</bold></p>
<p>Para definir se o que será medido é comportamento ou resultado, devem
ser analisados os objetivos traçados para o treinamento, que têm que
constar no plano instrucional do curso, ou as justificativas para a
implementação deste. Quando não são formulados os objetivos esperados
para a capacitação, deve ser feito um levantamento exploratório,
utilizando entrevistas com pessoas envolvidas com o treinamento e
consulta a documentos (FREITAS <italic>et al</italic>., 2006). Segundo
Ongalo e Tari (2015) e Borges-Andrade (2002), na maioria das situações,
a análise dos objetivos do treinamento sugere que o foco da avaliação
seja no comportamento, sendo o mais comum na literatura de avaliação de
treinamento a aferição do comportamento resultante do evento
instrucional. No entanto, em algumas situações é possível medir os
resultados deduzidos dos comportamentos esperados. Os indicadores
construídos para avaliar os comportamentos ou os resultados devem
descrever as tarefas desenvolvidas pelos colaboradores que foram
treinados para obter uma melhoria em um determinado processo ou
operação, verificando se foi atingido o que era esperado daquela
capacitação específica (BORGES-ANDRADE, 2002; ABBAD; PILATI; PANTOJA,
2003; ROTAR, 2012).</p>
<p>A avaliação do impacto em profundidade busca obter o conjunto de
aperfeiçoamento do desempenho no trabalho decorrente dos objetivos e
conteúdos específicos de um determinado evento de TD&amp;E
(BORGES-ANDRADE, 2002). Procura-se avaliar o quanto de conhecimentos e
habilidades adquiridas em um treinamento estão sendo aplicadas pelo
egresso em seu trabalho, medindo o comportamento deste indivíduo no
exercício do seu cargo a partir de itens elaborados com base nos
objetivos instrucionais do treinamento do qual participou (HAMBLIN,
1978; ABBAD, 1999; COELHO JUNIOR; ABBAD, 2010). Para aferir o impacto em
profundidade é indicada a construção e validação de uma escala com base
nestes objetivos, com a elaboração de itens que permitam aferir o
comportamento explícito no cargo pelos egressos do treinamento, conforme
os procedimentos apontados por Coelho Junior e Abbad (2010) e Zerbini,
Coelho Junior, Abbad, Mourão, Alvim e Loiola (2012).</p>
<p>Em seguida, os itens devem ser consolidados em um instrumento,
normalmente um questionário, que deverá ser validado semanticamente e
por juízes (PASQUALI, 2010). Segundo o autor, a validação semântica tem
por objetivo eliminar a eventual existência de viés ou ambiguidade nos
itens elaborados. Por sua vez, a validação por juízes tem a finalidade
de aproximar os itens da cultura e da linguagem utilizadas pela
organização <italic>lócus</italic> do treinamento, bem como avaliar se
os itens são adequados, precisos e relevantes para descrever as
competências que devem ser expressas pelos indivíduos treinados durante
o exercício dos seus cargos (COELHO JUNIOR; ABBAD, 2010; ZERBINI
<italic>et al</italic>., 2012).</p>
<p>Muitos estudos foram realizados utilizando medidas de impacto em
amplitude, existindo um número bem menor de pesquisadores que estudaram
impacto em profundidade como variável-critério (ZERBINI; ABBAD, 2010).
Segundo as autoras, é necessária a realização de mais pesquisas que
avaliem os efeitos diretos de ações instrucionais sobre os desempenhos
específicos relacionados às competências desenvolvidas por meio dos
treinamentos. A agenda de pesquisa a respeito do subsistema
“treinamento” recomenda fortemente os estudos dessa natureza, em face
dos grandes investimentos feitos em eventos de TD&amp;E e na necessidade
em se analisar o seu valor final para as organizações que os promovem
(COELHO JUNIOR; ABBAD, 2010). Conforme exposto por Borges-Andrade
(2006), a construção e validação de instrumentos de impacto de
treinamento em profundidade é uma árdua tarefa, em face da dificuldade
em obter uma amostra suficiente que possibilite a aplicação de análises
fatoriais com a subsequente validação de escala desta natureza. Na
literatura brasileira não foram encontrados estudos que avaliassem
impacto de treinamento em profundidade de cursos de formação promovidos
por organizações de segurança pública.</p>
<p><bold>Método</bold></p>
<p><bold>Descrição da Organização</bold></p>
<p>A Polícia Federal, organização <italic>lócus</italic> desta pesquisa,
é um órgão de segurança pública, organizado e mantido pela União, que
tem unidades em todas os estados do Brasil. A Constituição Federal, no
seu art. 144, estabelece as atribuições das organizações policiais
brasileiras, distribuindo-as de acordo com as tipologias policiais
(<sc>BARBOSA</sc>, 2010). A segurança pública é exercida através da
Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Ferroviária
Federal, das polícias civis, das polícias militares, dos corpos de
bombeiros militares, bem como das polícias penais federal, estaduais e
distrital (<sc>BRASIL</sc>, 1988).</p>
<p>Nos termos da Carta Magna brasileira, compete à Polícia Federal
exercer, com exclusividade, as funções de polícia de soberania e de
polícia judiciária da União, responsável por apurar as infrações penais
praticadas contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,
serviços e interesses da União (<sc>SOUSA</sc>, 2015). A Constituição
Federal também estabeleceu que a organização é responsável por
investigar outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual
ou internacional e exijam repressão uniforme, bem como o policiamento de
fronteiras, imigração e estrangeiros.</p>
<p>A Polícia Federal dispõe de uma unidade responsável pelas ações de
TD&amp;E, a Academia Nacional de Polícia (ANP), integrante do Sistema de
Escolas de Governo da União (SEGU) (FONSECA <italic>et al</italic>.,
2015), que possui a atribuição de formar e especializar profissionais de
segurança pública para exercerem suas atribuições, bem como formular e
difundir a doutrina policial, buscando a eficiência e a qualidade na
prestação do serviço de segurança pública, com ética e respeito aos
Direitos Humanos. A ANP foi criada em 1960, por meio da publicação do
Boletim Interno Nº 216, em 31 de dezembro de 1960, com a denominação
Academia de Polícia, tendo recebido a sua denominação atual com a
publicação da Lei Nº 4.483, de 16 de novembro de 1964 (ACADEMIA NACIONAL
DE POLÍCIA, 2005).</p>
<p>A ANP possui três linhas de ação principais: a formação, a
capacitação continuada e a pós-graduação. A formação de novos policiais
federais é realizada na ANP por meio do Curso de Formação Profissional,
segunda etapa do concurso público, constituído de disciplinas teóricas e
operacionais, como será detalhado na próxima seção, com o objetivo de
desenvolver e aprimorar as competências necessárias para o desempenho
dos cargos da Carreira Policial Federal. Ao longo da sua existência, a
ANP também participou da formação de policiais civis de alguns estados
brasileiros e de policiais de países africanos e latino-americanos.</p>
<p>A capacitação continuada é realizada por meio de cursos e
treinamentos, presenciais e a distância, ministrados para profissionais
que atuam nos órgãos de segurança pública do Brasil e do exterior, bem
como para servidores de outras instituições públicas que realizam
parceria com a ANP. A escola de governo também ministra cursos para a
comunidade em geral, por meio da plataforma ANP Cidadã, com capacitações
vinculadas ao tema segurança pública. A ANP foi credenciada pelo
Ministério da Educação para oferecer cursos de especialização
(pós-graduação <italic>lato sensu</italic>) em ciências policiais e
segurança pública, realizados com o objetivo de produzir e disseminar
conhecimentos na área de Ciências Policiais e Segurança Pública.</p>
<p>A escola de governo possui uma área de 60.000 m<sup>2</sup>, contando
com salas de aula, auditórios, laboratórios de informática e perícia,
complexo poliesportivo, estandes para treinamento de armamento e tiro,
área específica para treinamento operacional, biblioteca e alojamentos,
dentre outros equipamentos voltados para o desenvolvimento de
conhecimentos, habilidades e atitudes, direcionados para a realização
das atividades de segurança pública.</p>
<p><bold>Descrição da capacitação avaliada</bold></p>
<p>O treinamento avaliado neste estudo é uma parte integrante do Curso
de Formação Profissional, que consiste da última etapa do concurso
público para ingresso nos cargos da Carreira Policial da Polícia
Federal, e tem como objetivo desenvolver as competências
técnico-profissionais necessárias para o desempenho destes cargos. Para
melhor compreensão sobre o evento, foi realizada pesquisa documental por
meio da leitura do Plano de Ação Educacional (PAE) dos cursos de
formação e dos Planos de Disciplina (PD), identificando os seus
objetivos instrucionais, bem como outras informações relevantes para a
pesquisa. O curso de formação é realizado na escola de governo, em
Brasília/DF, com carga horária média de 872 horas-aula e aproximadamente
cinco meses de duração. Por se tratar de etapa do concurso público, o
curso é eliminatório. Os alunos reprovados no evento são eliminados do
processo seletivo.</p>
<p>O PAE descreve o curso, apresentando justificativas, objetivo geral,
público-alvo, organização, metodologia, duração, período, carga horária,
distribuição do tempo, grade curricular, frequência, avaliação de
aprendizagem e seus critérios, bem como disposições diversas. O PAE é
diferente para cada um dos cinco cargos da Carreira Policial Federal,
respeitando a complexidade, o perfil e as competências de cada cargo. O
PD apresenta carga horária, mapa de competências que se pretende
desenvolver, ementa, objetivo geral, objetivos específicos de cada aula,
conteúdo programático, estratégias de ensino, recursos utilizados,
avaliação e referências bibliográficas utilizadas em cada disciplina.
Para fins didáticos, as disciplinas são agrupadas em eixos de acordo com
as características das competências que se pretende desenvolver.</p>
<p>Para a realização do presente trabalho optou-se em construir uma
escala de impacto em profundidade para avaliar os resultados do
treinamento das atividades operacionais ministradas nas disciplinas do
Eixo Operacional, por se tratar do agrupamento das disciplinas do curso
de formação comuns a todos os cargos e por se tratar das atividades que
mais caracterizam organizações de segurança pública que possuem funções
essencialmente operacionais. O cargo de Perito Criminal Federal,
existente no quadro da Polícia Federal, não foi incluído nesta pesquisa,
por se tratar de um cargo cujas atribuições são mais direcionadas para
atividades periciais do que para atividades operacionais. A carga
horária e o número de disciplinas do Eixo Operacional aplicados na
formação deste cargo são inferiores aos demais, embora os seus
integrantes também realizem atividades operacionais com menor
frequência.</p>
<p>As disciplinas do curso de formação que foram objeto da construção da
escala de avaliação do impacto em profundidade do treinamento foram: 1)
Abordagem (ABO); 2) Armamento e Tiro (AT); 3) Defesa Pessoal Policial
(DPP); 4) Direção Operacional (DO); 5) Orientação e Navegação Terrestre
(ONT); 6) Radiocomunicação (RAD); 7) Segurança de Dignitários (SD); 8)
Técnicas Operacionais Aplicadas (TOA); 9) Atividade Física Policial
(AFP); 10) Uso Seletivo da Força (USF) e; 11) Vigilância (VIG).</p>
<p><bold>Caracterização do instrumento de pesquisa</bold></p>
<p>Para fins de instrumentação do trabalho foi construída e validada uma
escala de avaliação de impacto em profundidade de treinamento de
atividades operacionais ministradas por meio das disciplinas do Eixo
Operacional do curso de formação, tendo como arrimo a literatura
apresentada no referencial teórico, especialmente, os preceitos
apresentados por Coelho Junior e Abbad (2010), Pasquali (2010) e Zerbini
<italic>et al</italic>. (2012). Foram extraídas informações educacionais
do conteúdo ministrado do curso, segmentado em suas 11 disciplinas.
Inicialmente, o instrumento elaborado constituiu-se de um questionário
contendo 70 itens no formato da escala Likert de 11 pontos, com variação
entre “0” (não aplico/não tem qualquer impacto) e “10” (aplico
totalmente/grande impacto). Como será descrito em seguida, após a
validação semântica e por juízes, o questionário foi reduzido para 50
itens.</p>
<p>Para a elaboração dos itens da escala presentemente validada, por
meio de análise documental, foram extraídos os objetivos gerais das
disciplinas do Curso de Formação, bem como os objetivos específicos das
aulas, o mapa de competências que se pretendia desenvolver, as
estratégias e os procedimentos instrucionais utilizados. Todo este
conteúdo estava previsto nos ‘Planos de Disciplina’. A partir desta
análise prévia do material instrucional, realizou-se a elaboração de
objetivos de aprendizagem à luz do material analisado. Estes objetivos
de aprendizagem foram, então, convertidos em objetivos de desempenho.
Este desempenho (ou o impacto) era o desejado, após a realização das
disciplinas. Foram estabelecidos indicadores de desempenho e de
comportamento no cargo para compor o instrumento de impacto em
profundidade, conforme procedimento proposto por Coelho Junior e Abbad
(2010). Junto com o questionário, foram inseridos campos que solicitavam
informações sociodemográficas dos respondentes.</p>
<p>Após a construção do questionário, foram realizados procedimentos de
validação semântica e por juízes, que estão descritos a seguir, visando
à eliminação de dubiedades, erros de informações ou mesmo ambiguidades.
A finalidade destas validações consistia em elaborar um instrumento
simples, parcimonioso, claro, objetivo e preciso, para se avaliar o
impacto em profundidade do treinamento de atividades operacionais.</p>
<p><bold>Validação semântica do instrumento</bold></p>
<p>A escala foi validada semanticamente com a finalidade de eliminar
eventuais vieses e ambiguidades que pudessem estar presentes nos itens
elaborados para compor o questionário. Por meio da validação semântica,
realizou-se a análise do instrumento quanto à sua clareza, parcimônia e
objetividade (PASQUALI, 2010), tanto dos itens como das instruções para
o seu preenchimento, buscando minimizar a possibilidade de surgirem
dúvidas no momento em que os itens estivessem sendo respondidos pelos
participantes. A etapa da validação semântica foi realizada com
servidores policiais da própria Polícia Federal, lotados na escola de
governo e com bastante experiência. As sugestões de alteração foram
adotadas pelos pesquisadores.</p>
<p><bold>Validação do instrumento por juízes</bold></p>
<p>A validação por juízes foi realizada com servidores da própria
Polícia Federal, lotados na escola de governo, que atuam no processo de
planejamento e execução das aulas e demais atividades das disciplinas
operacionais dos cursos de formação. Os juízes contribuíram com a
elaboração do instrumento de pesquisa, garantindo que o questionário
fosse adaptado à cultura da organização, bem como assegurando que a
escala construída fosse apta a medir aquilo que se propunha, no caso, o
impacto de treinamento em profundidade das disciplinas operacionais do
Curso de Formação Profissional no desempenho individual dos policiais da
Polícia Federal. Ainda, efetuou-se validação por juízes com 5
professores vinculados ao Departamento de Administração de uma
Universidade federal brasileira. Nesta validação, também, foi verificada
a adequação dos itens em termos de sua redação e representatividade ao
estudo do impacto de treinamento em profundidade do Curso de
Formação.</p>
<p>Durante a fase de validação por juízes, foram examinados todos os
itens do questionário, avaliando clareza, relevância e adequação à
linguagem utilizada na Polícia Federal. Também foi objeto desta
validação a precisão dos itens, verificando se os mesmos mensuravam
aquilo que propunham, ou seja, se representavam os conhecimentos, as
habilidades e as atitudes transmitidas por meio do curso de formação.
Além dos itens do questionário, foi validada, pelos juízes, a mensagem
que convidou os participantes para a realização da pesquisa e as
instruções de preenchimento da escala. Por sugestão dos juízes, houve
redução do número de itens do questionário (que passou de 70 para 50),
em decorrência do agrupamento de itens que refletiam partes de uma mesma
técnica operacional, e da retirada de itens que refletiam conhecimentos
e/ou habilidades contempladas transversalmente em mais de uma
disciplina.</p>
<p><bold>Procedimentos de coleta de dados</bold></p>
<p>Após os procedimentos de construção e validação por juízes e
semântica, foi elaborada uma versão eletrônica do questionário na
ferramenta <italic>SurveyMonkey</italic>. Os servidores da Polícia
Federal, distribuídos em todo o território nacional, que haviam
participado do curso de formação há, no mínimo, oito meses e, no máximo,
dois anos e meio, foram convidados para participar da pesquisa por meio
de uma carta de apresentação, enviada para a caixa de mensagem
eletrônica (<italic>e-mail</italic>) funcional e pessoal, cuja listagem
foi fornecida aos pesquisadores pela Polícia Federal. O texto da carta
de apresentação continha informações sobre os pesquisadores, os
objetivos da pesquisa, a importância da participação, a garantia do
sigilo, os contatos para dirimir eventuais dúvidas e um
<italic>link</italic> para o questionário.</p>
<p>Ainda, foi informado a cada participante que, uma vez clicando no
<italic>link</italic> de acesso ao questionário, o mesmo consentia
plenamente com os objetivos da pesquisa e declarava, voluntariamente,
que estava participando espontaneamente da mesma. Nenhuma informação
referente à possível quebra do anonimato foi coletada, garantindo,
assim, o sigilo total das respostas dadas. Os dados foram todos
analisados de forma agrupada, de modo que o pesquisador não teve como
saber de quem eram as respostas.</p>
<p>Em uma população composta por 1.091 egressos de cursos de formação,
foram obtidos 370 questionários respondidos (33,91% de taxa de
resposta), alcançando um retorno razoável na taxa de devolução (MARCONI;
LAKATOS, 2005). Destes 370 questionários respondidos, 15 foram
descartados por problemas em seu preenchimento, restando, desta forma,
355 questionários totalmente preenchidos e válidos para serem
analisados.</p>
<p>Para que fosse verificada a adequação da amostra aos procedimentos
necessários para a realização da análise fatorial, foram utilizados dois
critérios. Tabachnick e Fidell (2007) e Pasquali (2010) apontam que é
necessário o mínimo de sete a dez respondentes para cada item presente
na escala, para que seja possível a realização de uma análise fatorial
exploratória. Deste modo, considerando que a escala de ‘Impacto de
Treinamento em Profundidade’ tinha 50 itens, e o número total de
participantes era 355, atingiu-se uma proporção de 7,1 respondentes por
item.</p>
<p>O segundo critério utilizado foi o de significância estatística. Para
a população objeto deste estudo, a amostra mínima recomendada seria de
285 participantes, com um intervalo de confiança de 95% e uma margem de
erro de 5%. Deste modo, a amostra atendeu os requisitos acima expostos e
encontra-se adequada para o presente estudo. A Tabela 1, a seguir,
apresenta o perfil da amostra obtida.</p>
<p>Tabela 1: Perfil da amostra utilizada para a validação da escala de
avaliação de impacto em profundidade de um treinamento de atividades
operacionais</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Variável</bold></th>
      <th><bold>F</bold></th>
      <th><bold>%</bold></th>
      <th><bold>Variável</bold></th>
      <th><bold>F</bold></th>
      <th><bold>%</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Gênero</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Escolaridade</td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Masculino</td>
      <td>305</td>
      <td>85,9</td>
      <td>Graduado</td>
      <td>234</td>
      <td>65,9</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Feminino</td>
      <td>50</td>
      <td>14,1</td>
      <td>Pós-Graduado</td>
      <td>121</td>
      <td>34,1</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Cargo</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Lotação</td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Delegado</td>
      <td>70</td>
      <td>19,7</td>
      <td>Del. na fronteira</td>
      <td>164</td>
      <td>46,2</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Agente</td>
      <td>125</td>
      <td>35,2</td>
      <td>Delegacia</td>
      <td>73</td>
      <td>20,6</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Escrivão</td>
      <td>125</td>
      <td>35,2</td>
      <td>Superintendência</td>
      <td>112</td>
      <td>31,5</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Papiloscopista</td>
      <td>35</td>
      <td>9,9</td>
      <td>Unidade Central</td>
      <td>6</td>
      <td>1,7</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaborada pelos autores.</p>
<p><bold>Procedimentos de análise de dados</bold></p>
<p>Foram aplicadas técnicas de análise de dados referendadas pela
literatura nas pesquisas de avaliação de impacto nas ações de TD&amp;E.
Realizou-se, primeiramente, análises estatísticas exploratórias e
descritivas, conforme a orientação de Tabachnick e Fidell (2007),
utilizando, para tanto, o software SPSS (<italic>Statistical Package for
Social Sciences</italic>), versão 20. Os dados omissos foram encontrados
em 15 questionários da escala de impacto de treinamento em profundidade.
Estes questionários não foram utilizados para qualquer análise de dados,
tendo sido efetuado seu descarte, conforme exposto na subseção anterior.
Nos demais 355 questionários utilizados, não foi observada a presença de
nenhum dado omisso.</p>
<p>O procedimento teve início com uma análise exploratória dos dados, em
que foi verificada a presença de <italic>outliers</italic> e feita a
checagem dos pressupostos de normalidade, linearidade e homogeneidade da
variância. Apesar de poucos instrumentos terem apresentado normalidade
por meio do teste Kolmogorov-Smirnov e pela visualização gráfica de
box-plot e histogramas, foi decidido realizar as análises com a
transformação das variáveis em escores Z padronizados. Segundo Field
(2013), para amostras grandes, a quebra desse pressuposto não interfere
consideravelmente na interpretação dos dados.</p>
<p>Com a transformação dos dados em escore Z padronizados, foram
identificados casos extremos univariados. Os valores situados fora do
intervalo [-3,29; 3,29] foram utilizados para detectar os
<italic>outliers</italic> univariados (HAIR <italic>et al</italic>.,
2009). Em seguida, foi feita a identificação dos
<italic>outliers</italic> multivariados utilizando a distância de
Mahalanobis (D<sup>2</sup>), em um nível de significância de 0,001
(TABACHNICK; FIDELL, 2007). Ressalta-se que todos os procedimentos de
análise fatorial exploratória foram realizados ‘com’ e ‘sem’
<italic>outliers</italic>. A tendência observada nos dados manteve-se
constante (não houve diferenças significativas nos resultados que
pudessem ser atribuídas à presença ou ausência de
<italic>outliers</italic>), motivo pelo qual se optou, no presente
trabalho, manter os <italic>outliers</italic> com seus valores
originais, já que estes não afetaram os resultados.</p>
<p>Verificou-se que as variáveis apresentam linearidade.
Especificamente, verificou-se que os índices de fatorabilidade e
esfericidade eram satisfatórios, dado que o índice de KMO encontrado foi
0,92. O Teste de Esfericidade de Bartlett <italic>χ</italic><sup>2</sup>
(1225) = 13158,42, <italic>p</italic> &lt; 0,0001, indicou que a
correlação entre os itens era suficientemente grande para que fosse
realizada a análise. Deste modo, foi possível concluir que a escala era
fatorável, passível de ser analisada por meio dos indicadores
psicométricos de uma análise fatorial (carga fatorial dos itens, % de
variância explicada, valor próprio e análise gráfica por meio do
<italic>scree plot</italic>). Utilizou-se rotação oblíqua, assumindo que
os possíveis fatores poderiam correlacionar-se.</p>
<p><bold>Resultados e discussão</bold></p>
<p>De forma geral, como se verá aqui, verifica-se que os resultados da
análise fatorial exploratória foram bastante satisfatórios, indicando
que a medida em validação é fidedigna, tem calibragem e é precisa àquilo
que se propõe mensurar. Os resultados estão descritos a seguir, e todos
os procedimentos de análise encontram-se, também, apresentados e
justificados.</p>
<p>Figueiredo Filho e Silva Júnior (2010) indicam que não existe um
critério consensual para definir sobre a quantidade exata de fatores que
deverão ser extraídos. Os autores apontam que o objetivo da extração de
fatores é determinar a quantidade de fatores que melhor irá representar
o padrão de correlação entre as variáveis observadas, devendo o
pesquisador sopesar, decidindo entre a parcimônia e a explicação. Quanto
menor o número de fatores, maior é a parcimônia e menor é a quantidade
total de variância. Por outro lado, quanto mais fatores forem extraídos,
maior é a quantidade de variância explicada e menor é a parcimônia.</p>
<p>Existem alguns critérios que podem ser seguidos. Um exemplo é o
critério de kaiser (<italic>eigenvalue</italic>), que sugere que sejam
extraídos os fatores com valor de <italic>eigenvalue</italic> acima de
1. Segundo Tabachnick e Fidell (2007), esse método funciona melhor
quando o pesquisador utiliza entre 20 e 50 variáveis, o que foi
observado no presente trabalho (50 itens). Adicionalmente, foi aplicado
o critério da variância acumulada acima de 60%, conforme sugerido por
Hair <italic>et al</italic>. (2009).</p>
<p>Especificamente, utilizando o critério de Kaiser, foram
identificados, empiricamente, 11 fatores (todos com
<italic>eigenvalue</italic> acima de 1). Com o objetivo de identificar
uma estrutura melhor, foram testadas soluções com o número de fatores
entre 1 e 11.</p>
<p>A solução unifatorial não foi adotada em razão do critério de
variância acumulada, de apenas 15%, uma vez que a sua variância foi
menor que 60% (HAIR <italic>et al</italic>., 2009), tratando-se do mesmo
motivo pelos quais não foram adotadas soluções com 2, 3, 4, 5 e 6
fatores. Na solução com 7 fatores, cinco itens apresentaram cargas
fatoriais compartilhadas entre dois ou mais fatores. Já na solução com 8
e 9 fatores houve o compartilhamento de carga em dois itens.</p>
<p>As melhores soluções encontradas, em termos de
<italic>eigenvalues</italic>, variância explicada (&gt; 3%) e
compartilhamento de cargas dos itens, foram as distribuições da medida
de impacto em profundidade com 10 ou 11 fatores.</p>
<p>Segundo Figueiredo Filho e Silva Júnior (2010), além dos critérios
estatísticos, também é imprescindível que a decisão do pesquisador seja
baseada na teoria vigente. De acordo com os autores, o pesquisador deve
justificar, em termos conceituais, qual é o padrão de relação esperado
entre as variáveis observadas e os fatores. Neste sentido, analisando a
matriz padrão obtida com a solução de 11 fatores, foi possível observar
que a distribuição da carga fatorial dos itens mais bem se amoldou em
relação ao que era esperado nos objetivos instrucionais das disciplinas
operacionais dos cursos de formação.</p>
<p>Analisando, teoricamente, os 11 fatores empíricos obtidos,
verificou-se que estes se relacionavam plenamente com as disciplinas
operacionais ministradas no curso de formação. A disciplina Técnicas
Operacionais Aplicadas (TOA) foi excluída por possuir apenas um item que
não pôde ser fatorado. No entanto, as demais disciplinas corresponderam
a um fator de impacto de treinamento, à exceção de Armamento e Tiro
(AT), cujos itens de avaliação de impacto de treinamento foram
distribuídos em dois fatores. Por esta razão, os fatores foram
denominados com o próprio nome das disciplinas.</p>
<p>Os 11 fatores, conjuntamente, explicaram expressivos 70,21% de
variância. Foram consideradas significativas as cargas fatoriais dos
itens superiores a 0,30. A Tabela 2, a seguir, apresenta a estrutura
empírica fatorial da medida de impacto em profundidade de treinamento de
atividades operacionais.</p>
<p>Tabela 2: Estrutura fatorial da medida de impacto em profundidade do
treinamento de atividades operacionais</p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Fator</bold></th>
      <th><bold>% V.E.</bold></th>
      <th><bold>Itens</bold></th>
      <th><bold>C.F.</bold></th>
      <th><bold>M.</bold></th>
      <th><bold>D.P.</bold></th>
      <th><italic><bold>α</bold></italic></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><p><bold>1</bold></p>
      <p><bold>Abordagem</bold></p></td>
      <td>31.735</td>
      <td>Aplico os procedimentos de prisão em Abordagem Pessoal.</td>
      <td>.822</td>
      <td>6,39</td>
      <td>2,89</td>
      <td>0,879</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico os procedimentos de averiguação em Abordagem
      Pessoal.</td>
      <td>.798</td>
      <td>6,48</td>
      <td>2,80</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico os procedimentos de Abordagem em Veículos parados.</td>
      <td>.661</td>
      <td>4,53</td>
      <td>3,17</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico os procedimentos de Abordagem em Veículos em
      movimento.</td>
      <td>.561</td>
      <td>3,69</td>
      <td>3,19</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico os procedimentos de Abordagem em Edificações.</td>
      <td>.363</td>
      <td>5,34</td>
      <td>3,36</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico procedimentos de algema.</td>
      <td>.404</td>
      <td>7,01</td>
      <td>3,09</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>2</bold></p>
      <p><bold>Armamento e Tiro – Teoria</bold></p></td>
      <td>7.123</td>
      <td>Identifico o poder de parada dos diversos tipos de
      munições.</td>
      <td>.673</td>
      <td>7,21</td>
      <td>2,62</td>
      <td>0,748</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico as armas de fogo utilizadas na organização, os seus
      usos e as suas peculiaridades.</td>
      <td>.568</td>
      <td>8,62</td>
      <td>1,70</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico a nomenclatura das principais peças de uma arma de
      fogo.</td>
      <td>.454</td>
      <td>7,21</td>
      <td>2,44</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico as prerrogativas do Servidor Público ao conduzir
      veículos em situações de emergência.</td>
      <td>.363</td>
      <td>7,51</td>
      <td>2,68</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico as técnicas para municiar, carregar, alimentar,
      descarregar e inspecionar a arma.</td>
      <td>.308</td>
      <td>9,51</td>
      <td>1,10</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>3</bold></p>
      <p><bold>Segurança de Dignitários</bold></p></td>
      <td>5.906</td>
      <td>Reconheço as formações e as equipes que compõe a segurança de
      dignitários.</td>
      <td>-.936</td>
      <td>6,13</td>
      <td>3,22</td>
      <td>0,946</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico os procedimentos básicos operacionais na segurança
      de dignitários.</td>
      <td>-.943</td>
      <td>6,28</td>
      <td>3,20</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico os tipos de comboio utilizados na segurança de
      dignitários.</td>
      <td>-.918</td>
      <td>6,08</td>
      <td>3,25</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico os graus de riscos na segurança de
      dignitários.</td>
      <td>-.897</td>
      <td>6,11</td>
      <td>3,28</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico as técnicas básicas de segurança de dignitários.</td>
      <td>-.716</td>
      <td>5,61</td>
      <td>3,61</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Dirijo viatura em comboio.</td>
      <td>-.351</td>
      <td>6,18</td>
      <td>3,68</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>4</bold></p>
      <p><bold>Armamento e Tiro – Prática</bold></p></td>
      <td>4.851</td>
      <td>Efetuo tiro rápido com pistola, atingindo o alvo com
      aproveitamento.</td>
      <td>.600</td>
      <td>9,03</td>
      <td>1,57</td>
      <td>0,727</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico as técnicas para identificar e solucionar os incidentes
      de tiro (panes).</td>
      <td>.595</td>
      <td>8,05</td>
      <td>2,42</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Efetuo tiro rápido com submetralhadora HKMP-5, atingindo o
      alvo com aproveitamento.</td>
      <td>.474</td>
      <td>7,92</td>
      <td>3,03</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico as posições de tiro.</td>
      <td>.395</td>
      <td>9,08</td>
      <td>1,41</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico as técnicas para desmontar e montar as armas de
      fogo.</td>
      <td>.381</td>
      <td>1,99</td>
      <td>1,99</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>5</bold></p>
      <p><bold>Treinamento Físico Policial</bold></p></td>
      <td>4.406</td>
      <td>Identifico os fatores e as contribuições da prática da
      atividade física regular para a manutenção da saúde.</td>
      <td>.797</td>
      <td>9,24</td>
      <td>1,47</td>
      <td>0,796</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Reconheço a importância da aptidão física para o cumprimento
      das atribuições funcionais.</td>
      <td>.762</td>
      <td>9,21</td>
      <td>1,81</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Executo exercícios físicos de melhoria e manutenção da aptidão
      física.</td>
      <td>.705</td>
      <td>9,21</td>
      <td>1,57</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>6</bold></p>
      <p><bold>Defesa Pessoal Policial</bold></p></td>
      <td>3.510</td>
      <td>Aplico técnicas de sobrevivência em situações de agressão
      (defesa contra soco ao rosto, defesa contra chute, defesa contra
      gravatas, defesa contra paulada, defesa contra facada).</td>
      <td>-.829</td>
      <td>3,44</td>
      <td>3,24</td>
      <td>0,907</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico técnicas de sobrevivência em ameaças que envolvam arma
      de fogo (impedimento de saque de arma e retenção de arma).</td>
      <td>-.815</td>
      <td>2,98</td>
      <td>3,20</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico técnicas de domínio e submissão de pessoas
      (estrangulamentos, torções e imobilizações).</td>
      <td>-.656</td>
      <td>4,06</td>
      <td>3,40</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico técnicas de bastão retrátil (ataques, defesas e chaves
      nas articulações).</td>
      <td>-.592</td>
      <td>2,34</td>
      <td>3,12</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>7</bold></p>
      <p><bold>Orientação e Navegação Terrestre</bold></p></td>
      <td>3.311</td>
      <td>Identifico cartografia e as principais formas de representação
      cartográfica.</td>
      <td>-.841</td>
      <td>3,98</td>
      <td>3,40</td>
      <td>0,857</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Avalio distâncias no mapa e no terreno.</td>
      <td>-.811</td>
      <td>4,60</td>
      <td>3,50</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Executo navegação por meio de bússola.</td>
      <td>-.525</td>
      <td>2,51</td>
      <td>3,29</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Reconheço <italic>softwares</italic> utilizados para navegação
      terrestre (Google Earth e TrackMaker).</td>
      <td>-.365</td>
      <td>6,51</td>
      <td>3,18</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Executo navegação por meio do receptor GPS.</td>
      <td>-.318</td>
      <td>6,68</td>
      <td>3,51</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>8</bold></p>
      <p><bold>Vigilância</bold></p></td>
      <td>2.782</td>
      <td>Identifico as técnicas de vigilância usadas no cotidiano
      policial.</td>
      <td>.919</td>
      <td>7,11</td>
      <td>2,80</td>
      <td>0,939</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico os tipos de vigilância existentes.</td>
      <td>.890</td>
      <td>6,92</td>
      <td>2,91</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico as fases do planejamento de uma operação de
      vigilância.</td>
      <td>.876</td>
      <td>6,81</td>
      <td>3,02</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico condutas operacionais e atitudes adequadas à técnica de
      vigilância a pé em área urbana.</td>
      <td>.630</td>
      <td>6,55</td>
      <td>3,21</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>9</bold></p>
      <p><bold>Radiocomunicação</bold></p></td>
      <td>2.405</td>
      <td>Identifico o Sistema de comunicação via rádio utilizado na
      organização.</td>
      <td>-.841</td>
      <td>7,42</td>
      <td>2,99</td>
      <td>0,802</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Utilizo os equipamentos de radiocomunicação de acordo com os
      procedimentos operacionais.</td>
      <td>-.722</td>
      <td>6,60</td>
      <td>3,15</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Aplico o alfabeto fonético internacional e o código “Q”.</td>
      <td>-.328</td>
      <td>6,57</td>
      <td>2,90</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>10</bold></p>
      <p><bold>Uso Seletivo da Força</bold></p></td>
      <td>2.148</td>
      <td>Identifico, de acordo com a situação apresentada, o correto
      emprego da força.</td>
      <td>-.956</td>
      <td>8,19</td>
      <td>1,98</td>
      <td>0,919</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico se o nível de força apresentado foi corretamente
      selecionado e aplicado.</td>
      <td>-.914</td>
      <td>8,17</td>
      <td>1,98</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Identifico a legislação pertinente sobre o Uso da Força.</td>
      <td>-.678</td>
      <td>7,97</td>
      <td>2,22</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>11</bold></p>
      <p><bold>Direção Operacional</bold></p></td>
      <td>2.033</td>
      <td>Executo manobras de direção defensiva com viaturas em
      estrada.</td>
      <td>-.811</td>
      <td>6,83</td>
      <td>3,30</td>
      <td>0,852</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Executo manobras de direção <italic>off-road</italic> com
      viatura em trilha fora de estrada.</td>
      <td>-.662</td>
      <td>6,77</td>
      <td>3,38</td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>V.E. = Variância Explicada / C.F. = Carga Fatorial / M. = Média /
D.P. = Desvio Padrão / α = <italic>Alpha de Cronbach</italic>.</p>
<p>Fonte: Elaborada pelos autores.</p>
<p>Um <italic>Alpha de Cronbach</italic> é considerado ‘aceitável’ com
valores entre 0,7 e 0,8, ‘bom’ entre 0,8 e 0,9 e ‘excelente’ acima de
0,9 (PESTANA; GAGEIRO, 2008). O <italic>Alpha de Cronbach</italic> dos
11 fatores variaram entre 0,727 (Fator 4 “Armamento e Tiro – Prática) e
0,946 (Fator 3 “Segurança de Dignitários”), conferindo, aos fatores,
alta fidedignidade e grande consistência interna.</p>
<p>A separação dos itens da disciplina Armamento e Tiro (AT) em dois
fatores se justifica teoricamente em razão da existência de objetivos
instrucionais voltados para a teoria acerca dos fundamentos do tiro
(Fator 2) e para a prática de tiro (Fator 4). A migração do item 22
(<italic>Aplico procedimentos de algema</italic>) do Fator 6 “Defesa
Pessoal Policial” para o Fator 1 “Abordagem” também se justifica, uma
vez que o procedimento de algemas também é utilizado nas aulas da
disciplina “Abordagem” em maior carga horária do que na disciplina
“Defesa Pessoal Policial”. No mesmo sentido, a agregação do item 23
(<italic>Identifico as prerrogativas do Servidor Público ao conduzir
veículos em situações de emergência</italic>) ao Fator 2 “Armamento e
Tiro – Teoria” encontra respaldo teórico, sendo justificada uma vez que
os servidores policiais associam o termo “prerrogativas” com o porte de
arma de fogo, sendo, inclusive, utilizado este termo no material
didático desta disciplina.</p>
<p>O único item com carga fatorial compartilhada foi o item 29
(<italic>Executo navegação por meio do receptor GPS</italic>), estando
presente no Fator 7 “Orientação e Navegação Terrestre” e no Fator 11
“Direção Operacional”. O compartilhamento da carga fatorial se justifica
em face do uso cada vez mais comum do aparelho de GPS como auxílio na
direção de veículos automotores. No presente estudo, o item permaneceu
vinculado ao fator em que demonstrou possuir maior carga fatorial, no
caso, o Fator 7 “Orientação e Navegação Terrestre”. Por meio da análise
fatorial foram excluídos os itens 5 (<italic>Aplico os procedimentos de
Abordagem a Embarcações</italic>), 7 (<italic>Reconheço as regras de
segurança no porte de arma</italic>), 15 (<italic>Efetuo tiro rápido com
revolver calibre 38, atingindo o alvo com aproveitamento</italic>) e 40
(<italic>Aplico as técnicas operacionais de forma dinâmica e
sincronizada quando trabalho em equipe</italic>).</p>
<p>No Fator 3 “Segurança de Dignitários” foi identificada
multicolinearidade entre os itens <italic>Reconheço as formações e as
equipes que compõe a segurança de dignitários</italic> e
<italic>Identifico os procedimentos básicos operacionais na segurança de
dignitários</italic> (r = 0,934), assim como no Fator 10 “Uso Seletivo
da Força” foi identificada multicolinearidade entre os itens
<italic>Identifico, de acordo com a situação apresentada, o correto
emprego da força</italic> e <italic>Identifico se o nível de força
apresentado foi corretamente selecionado e aplicado</italic> (r =
0,919), motivo pelo qual se sugere a retirada dos itens redundantes para
estudos posteriores, uma vez que os respondentes parecem não ter
percebido as diferenças significativas na sua interpretação.</p>
<p>A estrutura empírica da escala de impacto em profundidade de
treinamento de atividades operacionais, contendo 46 itens relacionados
aos objetivos do treinamento, construída e validada, de forma
exploratória, com o uso de técnicas estatísticas propostas pela
literatura, se mostrou válida e confiável, apresentando índices
psicométricos amplamente satisfatórios, como recomendado por
Borges-Andrade (2006). Demonstrou-se aqui, segundo Freitas <italic>et
al</italic>. (2006), Coelho Junior e Abbad (2010) e Farias e Resende
(2020), a importância de se ter medidas validadas e confiáveis à
mensuração do impacto de treinamento no trabalho. O uso de medidas
validadas só gera a confiança de que o instrumento mensura, de fato,
aquilo que dele se espera, sem erros de interpretação ou de análise
(ABBAD; PILATI; PANTOJA, 2003). A construção sistemática de itens,
também, antes de se iniciar todos os procedimentos de validação
(semântica, por juízes e fatorial), é amplamente recomendada, pois
garante maior confiabilidade no levantamento dos dados (ODELIUS;
SIQUEIRA JÚNIOR, 2011).</p>
<p><bold>Considerações finais</bold></p>
<p>O presente trabalho teve como objetivo construir e validar uma escala
de impacto de treinamento em profundidade relativa às atividades
operacionais no âmbito do Curso de Formação Profissional da Polícia
Federal. Foram testados e apresentados todos os indicadores
psicométricos da medida, alcançando os objetivos propostos. Conforme
visto, a construção e validação de instrumentos de avaliação de impacto
de treinamento em profundidade é uma árdua tarefa, em face da
dificuldade em obter uma amostra suficiente que possibilite a aplicação
de análises fatoriais com a subsequente validação de escalas desta
natureza. Tal constatação ajuda a explicar o fato de não terem sido
encontrados outros estudos que avaliaram cursos de formação de outras
organizações de segurança pública que servissem de parâmetro de
comparação com os resultados obtidos nesta pesquisa.</p>
<p>Respeitando as limitações, relatadas a seguir, espera-se que o
presente trabalho tenha contribuído para a evolução do campo de
‘avaliação de treinamento em organizações de segurança pública’,
colaborando para cumprir a agenda de pesquisa na área com a ampliação e
diversificação de amostras de treinamento e organizações. Mais
especificamente, acredita-se que é contribuição deste estudo a
investigação realizada junto aos policiais, tendo em vista que pesquisas
sobre esta clientela ainda é incipiente na América Latina, devendo ser
realizadas com a finalidade de identificar lacunas, consertar falhas e
otimizar o desempenho policial, função tão essencial à manutenção da
vida em sociedade.</p>
<p>Como limitações deste trabalho, pode se apontar a restrição da
amostra de participantes ser parte de uma organização apenas, o que
reduz a generalidade e a validade externa dos resultados. Outra
limitação refere-se à impossibilidade de se aplicar questionários de
heteroavaliação de impacto do treinamento no trabalho, em razão da falta
de tempo e de recursos, que poderiam gerar resultados comparativos com
os obtidos por meio da autoavaliação do participante e da sua chefia,
por exemplo. O pareamento destas informações poderia agregar à análise
dos resultados. A utilização de apenas uma técnica de coleta de dados
(questionários) e a taxa de devolução dos questionários obtida também
podem ser apontadas como outras limitações.</p>
<p>A construção e emprego de instrumentos de avaliação dos cursos de
formação, como apresentado neste trabalho, é fundamental para aferir
programas de treinamento realizados pelas polícias, avaliando se eles
são adequados e eficazes para formar novos profissionais da área de
segurança pública, possibilitando a aquisição de conhecimentos teóricos
e práticos que irão orientar a sua atuação. Assim, considerando que o
Curso de Formação Profissional é realizado de forma contínua pela
Polícia Federal, sendo ministrado sempre que há o ingresso de novos
policiais, sugere-se que a escala presentemente apresentada seja
replicada junto aos futuros egressos do treinamento, promovendo novas
validações de caráter confirmatório (inclusive com o emprego da
modelagem por equações estruturais) com amostra distinta do presente
trabalho. Recomenda-se, também, a construção e validação de escala de
impacto de treinamento em profundidade para avaliar o resultado dos
demais eixos do curso de formação adotado na Polícia Federal.</p>
<p>Por fim, somadas às sugestões direcionadas à Polícia Federal quanto à
replicação da escala e da sua ampliação, se propõe, como agenda de
pesquisa, o desenvolvimento de outros estudos que avaliem impacto de
treinamento em profundidade dos cursos de formação promovidos por outras
organizações de segurança pública, ampliando os estudos acerca da
eficácia dos treinamentos ofertados por estas instituições.</p>
<p><bold>Referências Bibliográficas</bold></p>
<p>ABBAD, G. S. <bold>Um modelo integrado de avaliação do impacto do
treinamento no trabalho – IMPACT</bold><italic>.</italic> Tese
(Doutorado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade de
Brasília, Brasília, 1999.</p>
<p>ABBAD, G. S.; PILATI, R.; PANTOJA, M. J. Avaliação de treinamento:
Análise da literatura e agenda de pesquisa. <bold>Revista de
Administração da USP</bold>, São Paulo, v. 38, n. 3, p. 205-218,
2003.</p>
<p>ACADEMIA NACIONAL DE POLÍCIA. <bold>Fatos, fotos e relatos</bold>: a
história da Academia Nacional de Polícia. 1 ed. Brasília: ANP, 2005.</p>
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brasileira?. <bold>Revista Brasileira de Ciências Policiais</bold>, v.
1, n. 1, p. 181-212, 2010.</p>
<p>BASILIO, M. P. O desafio da formação do policial militar do Estado do
Rio de Janeiro: utopia ou realidade possível?. <bold>Gestão e
Sociedade</bold>, v. 2, n. 3, 2009.</p>
<p>BITTENCOURT, A. M.; ZOUAIN, M. D. Escolas de governo e a
profissionalização do Servidor Público: estudo dos casos da Escola de
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Serviço Público Municipal de Manaus – FESPM. <bold>Revista Adm.
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