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<p><bold>PANDEMIA E CRIME: REVISÃO DE LITERATURA SOBRE OS IMPACTOS DA
PANDEMIA DO CORONAVÍRUS NA INCIDÊNCIA CRIMINAL</bold></p>
<p><bold>Steevan Oliveira</bold></p>
<p>Mestre em Criminologia pela The University of Edinburgh (UK). Mestre
e Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Bacharel em Ciências Militares pela APM-MG/UEMG. Pós-graduado em Direito
Militar. Chefe da Seção de Emprego Operacional do Comando de
Policiamento da Capital/PMMG. Oficial da Polícia Militar de Minas
Gerais.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Belo Horizonte</p>
<p><bold>Email:</bold> steevan.oliveira@gmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/ 0000-0001-9878-447X</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Tendo em vista a necessidade do emprego dos recursos policiais com
base em evidências científicas, o artigo procede uma revisão dos estudos
empíricos acerca dos possíveis impactos da pandemia da Covid-19 na
incidência criminal. Ao todo, mais de cem publicações foram encontradas,
o que demonstra a intensidade da produção acadêmica sobre o assunto em
um curto intervalo de tempo. Isso aconteceu pelo que alguns
criminologistas denominaram como o maior experimento da história da
criminologia. Com as medidas para a contenção do vírus, mudanças
substanciais na rotina das pessoas propiciaram uma oportunidade ímpar
para a análise do fenômeno criminal. No recorte proposto, 33 artigos
foram revisados que retratam a realidade de nove países. Tais trabalhos
estudam os impactos da pandemia em crimes como homicídios, furtos,
roubos, vandalismo, entre outros. Assim, a revisão de literatura procede
de forma inovadora a sistematização das pesquisas desenvolvidas ao longo
do ano de 2020. Ao fazê-la, oferece parâmetros para futuras pesquisas
acerca da realidade brasileira bem como balizas para a tomadores decisão
na segurança pública.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> COVID-19. Coronavírus. Pandemia. Crime.
Incidência criminal. Criminalidade. Policiamento com base em
evidências.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>PANDEMIC AND CRIME: LITERATURE REVIEW ON THE IMPACTS OF
THE CORONAVIRUS PANDEMIC ON CRIME</bold></italic></p>
<p>The aim of this research is to offer scientific evidence about crime
incidents during the Covid-19 pandemic. In order to do so, it was
reviewed empirical studies on the topic. More than one hundred papers
were found, which shows the massive volume of academic publications
about the subject in a short period of time. Some criminologists are
seeing the current pandemic as the largest criminological experiment in
history. The introduction of social distancing policies to reduce the
spread of the virus changed the peoples’ routine activity and offered ta
unique opportunity to study crime. The inclusion criteria found 33
articles, reports and preprints, which covers 9 countries. Crime such as
homicides, thefts, robbery, burglary and others were compared. The
findings of the study will offer key lessons for law enforcement
decision-makers and parameters for future research.</p>
<p><bold>Keywords:</bold> COVID-19. Coronavirus. Pandemic. Crime.
Criminal incidence. Evidence-based policing.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 18/03/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 22/09/2021</p>
<disp-quote>
  <p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v.16.n3.1457</p>
</disp-quote>
<p><bold>Introdução</bold></p>
<p>Em dezembro de 2019 o mundo ocidental viu eclodir o surto de
Coronavírus na distante China. Em pouco tempo, o SARS-CoV-2 alcançou
todos os continentes e, pelo número de contaminados e de mortes que
continua a fazer em todos os países do mundo um ano após seu surgimento,
se tornou a maior crise sanitária e humanitária de toda uma geração
(LIMA; BUSS; PAES-SOUSA, 2020; SRIDHAR, 2020).</p>
<p>Com a rápida disseminação e o esgotamento dos sistemas de saúde, até
mesmo de países desenvolvidos, líderes mundiais aturdidos acompanhavam
as múltiplas dimensões do impacto da pandemia. Enquanto se esperava uma
solução farmacológica, medidas severas de isolamento social começaram a
ser adotadas por vários governos (ATALAN, 2020).</p>
<p>Contudo, muitas vozes suscitaram os efeitos nefastos que poderiam
advir das imposições restritivas adotadas. Segundo essa perspectiva,
bastante difundida tanto entre populares quanto pela elite política,
medidas como o <italic>lockdown</italic> levariam à crise econômica, à
ruptura da cadeia produtiva e ao desabastecimento. Consequentemente, se
instauraria o caos social e a explosão da violência urbana, resultando
até mesmo em mais vítimas do que as do próprio vírus (MAIA, 2020; NOBRE;
OLIVEIRA, 2020; NOGUEIRA, 2020). Não por menos, em países como os
Estados Unidos, aumentou assustadoramente a venda do número de armas de
fogo no período (SMALL ARMS ANALYTICS, 2020).</p>
<p>Todavia, a previsão hobbesiana não ocorreu. Tal fato expõe a
imprescindibilidade de aprofundarmos nossa compreensão sobre o fenômeno
criminal, bem como a necessidade de que definições sobre políticas
públicas devam ser produzidas com base em evidências e não em
especulações sem lastro em dados.</p>
<p>Reconhecendo essa demanda e acompanhando a velocidade dos estudos da
área médica em busca da cura para a COVID-19, diversos pesquisadores ao
redor do mundo se debruçaram sobre os dados para tentarem compreender o
que acontecia com a dinâmica criminal.</p>
<p>Não obstante a urgência do tema, a pandemia ofereceu uma oportunidade
única para o estudo do crime. Tendo em vista os diversos óbices para os
experimentos em ciências sociais, criminologistas têm aproveitado a
circunstância excepcional que a redução abrupta e severa da mobilidade
das pessoas ocasionou para analisar o impacto das medidas restritivas na
incidência criminal. Essa perspectiva, da pandemia de SARS-CoV-2 como
experimento natural, foi compreendida pelas revistas científicas que,
assim como na área médica, aceleraram os trâmites de revisão por pares
para publicarem os resultados, o que tem gerado uma farta produção
bibliográfica em um curto intervalo de tempo. Nesse contexto, Stickle e
Felson (2020) chegaram a afirmar que a COVID-19 não é apenas o evento
com maior impacto social desde a Segunda Guerra Mundial, mas é também o
maior experimento natural da história em termos criminológicos. Dessa
forma, é imprescindível tirarmos o melhor da oportunidade e dos dados
disponíveis para aprendermos lições sobre a redução criminal para quando
a rotina voltar à normalidade. Com a volumosa produção sendo gerada
concomitantemente, faz-se necessário tentar organizar analiticamente
esse amplo, mas ainda fragmentado, corpo de trabalhos.</p>
<p>Dessa forma, dois foram os objetivos gerais da presente revisão com a
localização das pesquisas e a sistematização dos resultados encontrados:
(a) indicar as melhores evidências disponíveis para os tomadores de
decisão em segurança pública; e (b) estimular e oferecer parâmetros
comparativos para estudos da realidade brasileira.</p>
<p><bold>Metodologia</bold></p>
<p>Em termos metodológicos, para a localização dos estudos foram
utilizadas as ferramentas <italic>Web of Science</italic> e o sistema de
buscas da Universidade de Edimburgo. Foi empregada a lógica booleana com
as palavras-chave: [(&quot;pandemic&quot; OR &quot;covid&quot; OR
&quot;SARS-CoV-2&quot;) AND (&quot;crime&quot; OR &quot;criminal&quot;
OR &quot;criminology&quot;)], nos títulos e nos resumos, com a limitação
temporal dos trabalhos publicados em 2020. Em seguida, foi feita análise
dos resumos e títulos retornados, filtrando-se os trabalhos que
efetivamente se encontravam no escopo da pesquisa. Por outro lado,
outros estudos foram identificados por meio das respectivas referências
bibliográficas, processo denominado <italic>snowball sampling</italic>
(BABBIE, 2008). O processo localizou 107 (cento e sete) artigos,
relatórios e
<italic>preprints</italic><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>.</p>
<p>Os textos foram planilhados e categorizados para fins de organização
e sistematização da análise. Parte significativa dos estudos, 27 (vinte
e sete), não foram considerados por serem artigos ou relatórios
teórico-especulativos, com sugestões de pesquisas, ou por utilizarem
como fonte de dados jornais ou páginas de internet. Outros 35 (trinta e
cinco) focam em violência doméstica, sexual, familiar ou infantil. Essas
categorias apresentaram volume elevado de publicações. Além disso,
algumas inconsistências entre as pesquisas demonstram a necessidade de
comparações aprofundadas dos resultados e das metodologias empregadas.
Assim, tais pesquisas foram desconsideradas na presente revisão.
Descartou-se, ainda, 12 (doze) estudos que analisaram o impacto da
contaminação pelo SARS-CoV-2 na administração ou no efetivo das agências
policiais; em pessoas em locais de custódia; e os que discutiam os
aspectos jurídico-dogmáticos do exercício de direitos
processuais/fundamentais durante a pandemia.</p>
<p>Ao final desse processo, selecionou-se 33 (trinta e três) trabalhos
que estudam o impacto das medidas restritivas durante a pandemia na
incidência criminal em 9 (nove) países – resumidos no Anexo. Os textos
foram revisados a partir dos tipos penais analisados empiricamente,
fazendo-se, quando possível, paralelos entre os estudos encontrados.</p>
<p><bold>Início do Impacto</bold></p>
<p>Uma primeira pergunta que se pode fazer é acerca de quando se
iniciaram os impactos da pandemia na incidência criminal. Para tanto,
dados esclarecedores são os decorrentes da mobilidade das pessoas. Em
diversas partes do mundo, mesmo antes da adoção de medidas restritivas
pelos governos, verificou-se redução nos deslocamentos realizados pelas
pessoas, bem como mudança dos locais onde permaneciam. Tal constatação
sugere que, ao menos em parte, a população adotou voluntariamente o
isolamento. Como se vê na série de gráficos abaixo que analisaram os
dados de mobilidade de uma rede social (em azul, Facebook) e de uma
operadora de celular (em vermelho, O2), a queda na mobilidade se deu
ainda antes da decretação do <italic>lockdown</italic> pelo governo
britânico (linha pontilhada), em 23 de março de 2020 (JEFFREY <italic>et
al</italic>., 2020).</p>
<p><bold>Figura 1: Mobilidade em Distintas Regiões do Reino Unido antes
e após o <italic>lockdown</italic></bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image6.png" />
<p>Fonte: extraído de Jeffrey <italic>et al</italic>. (2020). Nota:
dados de quatro regiões do Reino Unido e suas respectivas capitais; a
partir de dados do Facebook (linha azul) e da Operadora de Celular O2
(linha vermelha), antes e após o <italic>lockdown</italic> em 23 de
março (linha pontilhada); número médio de viagens, iniciando na semana
de 10 a 16 de março, inclusive.</p>
<p>Acompanhando os dados de mobilidade, os primeiros efeitos da pandemia
na questão criminal puderam ser identificados ainda antes da adoção
oficial de medidas sanitárias por parte dos governos. Na Inglaterra
houve queda no total de crimes no período entre a declaração da
Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia 11 de março e a restrição de
viagens não essenciais no dia 16. Portanto, a redução criminal (Figura
2) acompanhou a redução da mobilidade apresentada acima (Figura 1).
Posteriormente, com o fechamento de bares e restaurantes no dia 20 de
março e com o <italic>lockdown</italic> no dia 23, intensifica-se a
redução (Figura 2).</p>
<p><bold>Figura 2: Total de crimes registrados em março de 2020, nível
esperado (linha pontilhada) e apurado (linha contínua)</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image4.png" />
<p>Fonte: Adaptado de Halford <italic>et al</italic>. (2020). Nota:
Dados relativos à área de responsabilidade da polícia de Lancashire
(Inglaterra).</p>
<p>Essa redução criminal ainda antes da adoção de medidas restritivas de
mobilidade pelo governo foi analisada e identificada não só na
Inglaterra, mas também na Suécia (GERELL; <italic>et at</italic>., 2020,
p. 7) e na Austrália (PAYNE; MORGAN; PIQUERO, 2020).</p>
<p><bold>Visão Geral</bold></p>
<p>Conforme mencionado, o cenário apocalíptico de todos contra todos não
aconteceu. Na verdade, a grande maioria dos estudos realizados até o
momento tem sugerido redução em quase todos os tipos penais. Na
Austrália, mesmo havendo tendência geral de redução de crimes no
inverno, pesquisas apontam redução ainda maior do que o impacto sazonal
esperado para o período (PAYNE <italic>et al</italic>., 2020; PAYNE;
MORGAN, 2020a; PAYNE; MORGAN, 2020b). Para as agressões graves, a
previsão de abril era entre 15,4 e 19,7 casos por 100 mil pessoas.
Todavia, o apurado em 2020 foi de 12,7. Portanto, há indicativo de
intervenção de fator externo. No caso de agressões comuns, mesmo ficando
dentro do intervalo de confiança, a taxa foi a mais baixa dos últimos
três anos (PAYNE <italic>et al</italic>., 2020). No pertinente aos
crimes contra o patrimônio, ambas as categorias, “Furtos a
Estabelecimentos Comerciais” e “Outros Furtos”, apresentaram redução e
ficaram abaixo do esperado para o período (PAYNE; MORGAN, 2020b, p.
7-8).</p>
<p>No México, assim como na Austrália, as lesões corporais também
sofreram queda com significância estatística, algo em torno de 0,5 a 1
na taxa de crimes por 100 mil habitantes (BALMORI DE LA MIYAR <italic>et
al</italic>., 2020, p. 5). Do mesmo modo, a tendência geral de redução
foi observada em grande parte dos crimes comuns. Todavia, estudo revelou
que os crimes relacionados às organizações criminosas (homicídios,
sequestros e extorsões) se mantiveram estáveis ou apresentaram pequena
redução apenas ao final do período analisado. Tais dados, segundo os
autores da pesquisa, indicam que o crime organizado continuou a operar
na Cidade do México durante a pandemia (BALMORI DE LA MIYAR <italic>et
al</italic>., 2020, p. 5).</p>
<p>Em Vancouver, no Canadá, o registro de crimes pela polícia nos meses
de março, abril e maio de 2020 apresentou padrões diferentes dos anos
anteriores, o que sugere o impacto da pandemia. Em que pese o efeito
sazonal do período da série histórica sugerir um aumento, em 2020
visualizou-se tendência decrescente (HODGKINSON; ANDRESEN, 2020).
Contudo, quando analisados separadamente os crimes de furtos a
estabelecimentos comerciais, nos quais há a entrada clandestina ou
forçada no estabelecimento para a subtração, identificou-se um aumento
inicial. Todavia, após o aumento inicial houve redução que, segundo os
autores, pode ser atribuída à mudança de foco da polícia que teria se
adaptado à alteração da configuração da incidência criminal e conteve o
aumento (HODGKINSON; ANDRESEN, 2020, p. 9).</p>
<p>Em Lancashire, na Inglaterra, na semana seguinte ao
<italic>lockdown</italic>, o total de crimes ficou 41% abaixo do
esperado, enquanto as agressões reduziram 35,6%. Furtos ao comércio
tiveram a maior redução, ficando 60% abaixo do esperado para o período,
e outros furtos reduziram 52,4% (HALFORD <italic>et al</italic>., 2020,
p. 5). Na Inglaterra e no País de Gales, com exceção dos crimes
relacionados a drogas, a incidência da maior parte dos crimes caiu
enormemente (DIXON; SHEARD; FARRELL, 2020a). As quedas iniciaram no mês
de março e foram mais fortes no mês seguinte. Considerando apenas o mês
de abril, o furto a pessoas reduziu 79,2%; furtos a estabelecimentos
comerciais, 55,9%; furtos de bicicleta, 40,9%; e roubos, 57,6%. Em
junho, embora tenha havido aumento em relação ao início da pandemia,
ainda assim os índices continuaram bem abaixo do esperado para o período
(DIXON; FARRELL, 2020a). Crimes relacionados com drogas aumentaram
inicialmente, mas depois reduziram ao passo que os demais crimes, em
sentido oposto, tendiam a aumentar e voltar ao patamar pré-pandêmico
(DIXON; FARRELL, 2020a). Em uma visão mais global, esses movimentos
persistiram nos meses seguintes (DIXON; FARRELL, 2020b; DIXON; FARRELL,
2020c). No âmbito dos trens e das estações, os crimes caíram cerca de
dois terços ainda em abril, tendo a queda começado antes do
<italic>lockdown</italic> decretado em 23 de março (DIXON; ADAMSON;
TILLEY, 2020a). Outro estudo focado no transporte ferroviário, além de
analisar o volume de crimes, comparou também o horário em que os crimes
aconteceram. Nessa perspectiva, a variação foi pequena quando se compara
a configuração normal e o período da pandemia (DIXON; ADAMSON; TILLEY,
2020b). Tais dados sugerem que, embora tenha reduzido a quantidade de
crimes, parece não ter ocorrido alteração significativa acerca do
horário em que acontecem.</p>
<p><bold>Figura 3: Crimes gerais registrados nas ferrovias britânicas,
semanalmente (janeiro 2016 a junho 2020)</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image3.png" />
<p>Fonte: Adaptado de Dixon, Adamson e Tilley (2020a). Nota: Dados da
Polícia de Transportes Britânica (<italic>British Transport
Police</italic>), que tem competência de exercer as funções policiais
nas ferrovias da Inglaterra, País de Gales e Escócia.</p>
<p>Quando verificadas as regiões dentro do condado de Lancashire, os
dados indicam que áreas consideradas com número elevado de crimes
tiveram as maiores reduções, enquanto nas áreas anteriormente
classificadas como de baixa incidência criminal, o número de crimes
aumentou. E ainda, que os centros urbanos tiveram as maiores reduções em
números absolutos, mas não necessariamente em termos relativos (DIXON;
HALFORD; FARRELL, 2020). Portanto, ainda que com tendência geral de
redução, verifica-se configuração espacial do crime distinta quando
comparado ao período pandêmico e ao imediatamente anterior.</p>
<p>Essa mudança na distribuição geográfica do crime foi também observada
em Chicago, nos Estados Unidos (CAMPEDELLI <italic>et al</italic>.,
2020), e na Austrália (ANDRESEN; HODGKINSON, 2020). Na Austrália, embora
tenha ocorrido tendência geral de redução no estado de Queensland, o
distrito de Mackay, uma zona mineradora, experimentou aumento em alguns
crimes. Todavia, o resultado encontrado não foi analisado em
profundidade pelos autores e carece de estudos mais elaborados tendo em
vista a grande dissonância dos demais distritos do estado. A explicação
dos autores é uma possível relação com a mudança no mercado de trabalho,
tendo em vista que o distrito tem forte presença de mão de obra
masculina na mineração, a qual sofreu grande impacto com as restrições
da pandemia (ANDRESEN; HODGKINSON, 2020). Todavia, a hipótese precisa
ser testada empiricamente. Pois, como tem sido mostrado na revisão,
diversos locais da própria Austrália, bem como outros países, também
sofreram impacto econômico e não tiveram aumento da incidência
criminal.</p>
<p>Voltando aos dados de Lancashire, na Inglaterra, o furto em
estabelecimentos comerciais, quando o crime se dá quando o agente se
passa por cliente do estabelecimento comercial, reduziu em 62% na semana
após o <italic>lockdown</italic>, enquanto os furtos em geral reduziram
40% (HALFORD <italic>et al</italic>., 2020, p. 4). Conforme sugerem os
autores, nos ambientes que permaneceram abertos, como supermercados, as
medidas de distanciamento social devem ter desestimulado o furto a esses
estabelecimentos (HALFORD <italic>et al</italic>., 2020, p. 6).</p>
<p>Redondo <italic>et al</italic>. (2020) apresentaram dados que dão
conta de uma redução de 73,8% do total de crimes na Espanha. Todavia,
não explicaram a análise estatística para chegar a esses valores. Dados
de uma cidade chinesa indicaram 36% menos furtos ao comércio do que o
esperado para o período após o surto da COVID-19. Porém, o foco do
estudo era a proposição de um modelo matemático, e não diretamente a
análise criminal, e por questões de anonimidade a cidade não foi
identificada (BORRION <italic>et al</italic>., 2020).</p>
<p>Nos Estados Unidos, dados de chamadas telefônicas para a polícia em
Los Angeles e Indianápolis identificaram aumento de chamadas na primeira
cidade e estabilidade na segunda (MOHLER <italic>et al</italic>., 2020,
p. 2). Contudo, pesquisa com agências policiais revelou que 57% das
forças entrevistadas afirmaram que as chamadas telefônicas para a
polícia reduziram com a pandemia (LUM; MAUPIN; STOLTZ, 2020a). Outro
levantamento indicou que um terço das polícias tiveram mais de 20% de
redução nesses telefonemas (LUM; MAUPIN; STOLTZ, 2020b). Portanto, os
casos de cidades que apresentaram aumento das chamadas telefônicas
precisam ser melhor analisados, tendo em vista o descompasso com as
demais cidades e com a tendência de queda da incidência criminal.</p>
<p>Os dados de ligações telefônicas que sugerem redução foram
confirmados pelos registros de ocorrências policiais em diversas
cidades. Em Chicago, observou-se tendência à redução em todos os crimes
estudados – crimes relacionados a drogas, roubos e crimes com armas, e a
mais acentuada foi observada nos furtos (BULLINGER; CARR; PACKHAM, 2020,
p. 17). Campedelli <italic>et al</italic>. (2020) revelaram outras faces
da redução dos crimes na pandemia. Também usando dados de Chicago, a
investigação demonstrou que o impacto da pandemia variou em diferentes
áreas da cidade, indicando que as implicações da COVID-19 na incidência
criminal são, em alguma extensão, contexto-dependentes (CAMPEDELLI
<italic>et al</italic>., 2020). Portanto, o exame de dados globais de
determinada cidade pode esconder especificidades de bairros e
vizinhanças.</p>
<p>Estudos com dados das cidades de San Francisco e Oklahoma sugerem
redução de cerca de 40% nos crimes registrados pela polícia (SHAYEGH;
MALPEDE, 2020). Em Los Angeles foi identificada redução nos crimes de
furto a comércios, furto geral e agressões físicas, e queda no total de
crimes em torno de 14% e 15% (CAMPEDELLI; AZIANI; FAVARIN, 2020).
Olhando os dados dessa cidade e comparando com diferentes níveis de
medidas adotadas com o passar do tempo, observou-se que intervenções
mais fracas tendem a não impactar a incidência de agressões físicas.
Contudo, regras mais severas implicaram em reduções (CAMPEDELLI; AZIANI;
FAVARIN, 2020, p. 15). Roubo a pessoa, furtos a estabelecimentos
comerciais e outros furtos apresentaram mudança significativa. Furto a
comércio reduziu cerca de 14% e 15% com medidas mais brandas. Com a
implementação de regras mais estritas, a redução chegou a 31% e 32%. No
mesmo sentido, tanto no Peru quanto na Austrália observou-se redução
bastante significativa dos crimes no início. Posteriormente, a
incidência criminal aumentou aos poucos, conforme relaxavam-se as regras
de isolamento social e distanciamento (ANDRESEN; HODGKINSON 2020;
CALDERON-ANYOSA; KAUFMAN, 2021).</p>
<p>Essa mudança <italic>pari passu</italic> com o grau da intervenção
talvez explique por que Mohler <italic>et al</italic>. (2020), ao
estudarem as semanas iniciais nas cidades de Los Angeles e de
Indianápolis, não encontraram variação com significância estatística nas
chamadas telefônicas para a polícia no total de chamadas recebidas nem
nas relativas a agressões graves. Por outro lado, identificaram redução
nas chamadas por furtos a edificações em Los Angeles.</p>
<p>Também nos Estados Unidos, Ashby (2020b) estudou a incidência
criminal em 16 (dezesseis) grandes cidades, mas não encontrou
significância estatística nem padrões entre as cidades. Sua investigação
trabalha dados de crimes desde a identificação do primeiro caso de
COVID-19 nos EUA, em 20 de janeiro. Assim, o autor partiu do início do
ano, bem antes do aumento acentuado de casos do vírus, da declaração da
pandemia pela Organização Mundial de Saúde e da redução da mobilidade –
que parecem ser fatores impactantes na criminalidade. O recorte feito
por Ashby parece ter marcado sua análise, que foi propensa a não
perceber nos dados a tendência geral de queda após o aumento de casos e
do anúncio da OMS. Outro dificultador em sua análise foi o
estabelecimento de uma margem de confiança de 99%, fugindo do mais usual
de 95%. Como exemplo, cita-se o caso de lesões graves em lugares
públicos, na qual os dados da pesquisa indicam que cinco de oito cidades
para as quais o autor tinha esse dado apresentavam números menores do
que o estimado. Todavia, como se encontravam dentro do intervalo de
confiança de 99%, Ashby concluiu que os dados não pareciam demonstrar
uma sistemática alteração durante a pandemia (ASHBY, 2020, p. 9).</p>
<p>Mesmo na Suécia, país que não adotou medidas muito restritivas,
observou-se redução geral dos crimes. Em oito crimes estudados, a
incidência reduziu na maior parte das categorias. Todavia, quando
comparado a outros lugares, percebeu-se redução mais modesta. Resultado
o qual os autores atribuem à uma intervenção menos forte do governo,
pois grande parte das ações na Suécia eram apenas recomendações (GERELL
<italic>et at</italic>., 2020). A exceção foi o crime de “bater
carteira”, que teve uma forte queda de aproximadamente 59%, tanto quando
comparado com o ano anterior quanto quando se analisa as semanas
iniciais do ano, antes da pandemia.</p>
<p>Como é possível perceber nos estudos acima, os dados sugerem redução
da incidência criminal de acordo com a diminuição da mobilidade das
pessoas. Essa relação é explorada pelos estudos de Halford <italic>et
al</italic>. (2020), que propuseram a teoria da mobilidade elástica do
crime. Estudando dados ingleses, os autores encontraram uma métrica para
comparar as mudanças na mobilidade e o impacto no crime. Segundo os
dados apresentados, há uma relação proporcional entre o aumento de 1% no
movimento de pessoas em áreas residenciais e a redução de cerca de 1% em
furtos à residência.</p>
<p><bold>Homicídios</bold></p>
<p>Abrams (2020) estudou os dados de sete semanas antes e sete semanas
após as determinações de ficar em casa em 25 cidades norte-americanas.
Os dados encontrados pelo autor dão conta de que os homicídios nas
cidades analisadas não foram impactados pela pandemia. Em outro estudo,
os homicídios não tiveram variação com significância estatística em Los
Angeles. Todavia, parecem ter sido mais impactados quando se adotou
medidas mais austeras para conter a mobilidade das pessoas (CAMPEDELLI;
AZIANI; FAVARIN, 2020. p. 18). Também com dados dos Estados Unidos, foi
verificado que com as restrições da pandemia reduziram-se os números de
mortes e agressões decorrentes de armas de fogo. Porém, com a reabertura
ficaram maiores do que o esperado para o período (MCKAY; METZL;
PIEMONTE, 2020). Outras duas análises encontraram reduções de homicídios
em San Francisco, Oakland, New York, Los Angeles e Chicago (MCDONALD;
BALKIN, 2020; SHAYEGH; MALPEDE, 2020).</p>
<p>Na Índia, dados dos dias compreendidos entre 1 de janeiro e 5 de
julho de 2020 indicam redução de homicídios após o
<italic>lockdown</italic> (POBLETE-CAZENAVE, 2020). No Peru, estudos
indicam que houve acentuada redução de homicídios, suicídios e mortes
por acidentes de trânsito logo após a decretação do
<italic>lockdown</italic>. Posteriormente, com o relaxamento das regras,
os números começaram a subir novamente (CALDERON-ANYOSA; KAUFMAN, 2021).
No México, como mencionado, observou-se tendência geral à redução nos
crimes comuns. Porém, crimes relacionados a organizações criminosas não
sofreram variações. Dentre eles, os homicídios (BALMORI DE LA MIYAR
<italic>et al</italic>., 2020).</p>
<p><bold>Figura 4: Homicídios com vítima masculina por 1.000.000 de
habitantes, antes e após o <italic>lockdown</italic> no Peru</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
<p>Fonte: Adaptado de Calderon-Anyosa e Kaufman (2021).</p>
<p>Como se pode perceber, enquanto alguns crimes, como furtos,
demonstraram reduções em quase todos os cenários, a situação do
homicídio parece diversa. Alguns recortes metodológicos e locais
encontraram reduções. Contudo, outros desenhos de pesquisa depararam-se
com um cenário que não apresentou alteração significativa. Portanto, os
dados parecem sugerir que essa modalidade delitiva foi menos suscetível
ao impacto na mudança dos padrões de mobilidade das pessoas.</p>
<p><bold>Furto à Residência</bold></p>
<p>Dentre os estudos localizados, a teoria das atividades rotineiras
(COHEN; FELSON, 1979) foi a mais utilizada como hipótese para prever o
comportamento da incidência criminal durante a pandemia. Com efeito, no
pertinente aos crimes em áreas residenciais, as predições a partir da
teoria se mostraram adequadas. Assim, foi comum se observar a redução
dos crimes de furto a residências o que, pela teoria das atividades de
rotina, se daria em virtude da maior presença de guardiões. No contexto
da pandemia, os guardiões seriam os moradores passando mais tempo em
suas residências.</p>
<p>Na Suécia, furto à residência reduziu significativamente (GERELL;
KARDELL; KINDGREN, 2020). O mesmo foi encontrado em uma cidade no
interior da Inglaterra (HALFORD <italic>et al</italic>., 2020, p.4).
Dados mais gerais, de toda a Inglaterra e do País de Gales, evidenciaram
redução de furtos com ingresso clandestino, mas não foi feita a
diferenciação entre áreas residenciais e não residenciais (DIXON;
FARRELL, 2020a).</p>
<p>Com dados dos Estados Unidos, ao menos três estudos encontraram
reduções nos furtos à residência (ABRAMS, 2020; ASHBY, 2020b; FELSON;
JIANG; XU, 2020). Pesquisa com dados de Detroit sugere que furtos à
residência migraram de áreas predominantemente residenciais para áreas
mais mistas (FELSON; JIANG; XU, 2020). Assim, a hipótese de que mais
pessoas nas áreas residenciais tenha reduzido o furto à residência
parece encontrar respaldo nos dados.</p>
<p>Todavia isso não aconteceu na totalidade dos casos. Em Vancouver,
furto à residência não demonstrou redução conforme era de se esperar. Os
autores sugerem que o resultado seja devido a consecutivas reduções nos
anos anteriores, que teriam deixado os índices bastante baixos
(HODGKINSON; ANDRESEN, 2020, p. 10). Nas cidades australianas de
Sunshine Coast e Gold Coast, os furtos à residência aumentaram no
período inicial da quarentena, quando as pessoas foram proibidas de
viajar, mas depois reduziram. A hipótese dos autores é que por serem
cidades sede de balneários, muitas casas são de veraneios e ficaram sem
a presença de moradores no período de restrições de viagens, que
coincide com esse aumento no momento inicial (ANDRESEN; HODGKINSON,
2020).</p>
<p>Portanto, verifica-se que em grande parte dos estudos os furtos à
residência apresentaram reduções, corroborando com a proposta de Halford
<italic>et al</italic>. (2020) de que a redução da mobilidade geral na
cidade, com o respectivo aumento das pessoas em bairros residenciais,
apresentou correlação com a redução de furtos à residência.</p>
<p><bold>Furtos de Veículos</bold></p>
<p>Furtos de veículos talvez seja um delito que requeira desenhos
metodológicos melhores do que os apresentados até o momento para a
compressão do fenômeno. Na Austrália, houve estudo que sugere ter
ocorrido reduções (ANDRESEN; HODGKINSON, 2020) e outro estudo que não
encontrou alterações significativas (PAYNE; MORGAN, 2020b).</p>
<p>Nos Estados Unidos, dois estudos a partir de registros de crimes
encontraram evidências mistas e não chegaram a resultados conclusivos
quando se analisa mais de uma cidade (ABRAMS, 2020; MCDONALD; BALKIN,
2020). Em outro estudo, utilizando dados de chamadas telefônicas para a
polícia, furto de veículo se manteve dentro do esperado para o período
(ASHBY, 2020a). Porém, o mesmo autor, quando estudou os registros
policiais em 16 cidades que disponibilizam os dados, encontrou redução
em sete das cidades estudadas – duas delas com redução abaixo da
previsão –; e aumento de furtos de veículos em seis cidades – duas delas
acima da previsão do período (ASHBY, 2020b). Também com dados de
chamadas telefônicas para a polícia relativas a furtos de veículos,
outro estudo encontrou aumento em Los Angeles, mas não em Indianápolis
(MOHLER <italic>et al</italic>., 2020, p. 4). Todavia, quando analisados
os registros policiais de veículos furtados e não as chamadas
telefônicas, não foi identificada variação em Los Angeles (CAMPEDELLI;
AZIANI; FAVARIN, 2020, p. 15).</p>
<p>Por sua vez, furtos de veículos reduziram drasticamente no México,
chegando a ter queda de 58% em uma das semanas analisadas (BALMORI DE LA
MIYAR <italic>et al</italic>., 2020, p. 5). No Canadá, furtos de
veículos permaneceram estáveis, mas era esperado aumento no período,
assim, há indicativo de impacto da redução da mobilidade no sentido de
evitar o aumento previsto (HODGKINSON; ANDRESEN, 2020, p. 9).</p>
<p>Dessa maneira, verifica-se que os estudos acerca de furto de veículos
precisam ser mais bem desenhados. Nesse sentido, sugestões tais como
analisar o local do furto (se ocorreu em área comercial ou residencial),
comparando os períodos antes/depois da pandemia, possam oferecer dados
mais robustos para conclusões.</p>
<p><bold>Aumentos durante a pandemia? Vandalismo, comportamento
antissocial, crimes relacionados à droga e crimes
cibernéticos</bold></p>
<p>Conforme demonstrado, a incidência geral de crimes durante a pandemia
tem sugerido tendência de redução. Contudo, alguns tipos de crimes
apresentaram padrão distinto. Na Suécia, o registro de ocorrências de
vandalismo seguiu o sentido oposto do somatório de crimes (GERELL
<italic>et al</italic>., 2020, p. 7). No período estudado, o vandalismo
teve ligeiro aumento quando comparado ao ano anterior – que havia sido
de aumento substancial. Todavia, os autores foram céticos com os dados
tendo em vista a forma como os registros desse crime é feita. Dessa
forma, interpretaram que os dados não foram conclusivos. Por sua vez,
nos Estados Unidos, as chamadas telefônicas à polícia para ocorrências
de vandalismo aumentou em Indianápolis, mas reduziu em Los Angeles.
Porém, em nenhuma das duas cidades apresentou significância estatística
(MOHLER <italic>et al</italic>., 2020).</p>
<p>Na Inglaterra e no País de Gales observou-se aumento de
comportamentos antissociais. Em todos os seis primeiros meses da
pandemia, o registro policial de comportamento antissocial ficou acima
do esperado, atingindo picos nos meses de abril e maio, com incidência,
respectivamente, de 109% e 100% acima do esperado (DIXON; FARRELL,
2020c, p. 1). Analisando os dados especificamente de Londres, enquanto
os crimes reduziam em comparação aos anos anteriores, comportamentos
antissociais tiveram pico. Com o relaxamento do
<italic>lockdown</italic>, os crimes voltaram a aumentar e os
comportamentos antissociais reduziram. O autor do estudo atribuiu o
aumento/redução dos comportamentos antissociais à quebra das restrições
do próprio <italic>lockdown</italic> (LANGDON, 2020).</p>
<p>Os crimes relacionados às drogas também carecem de atenção especial.
Inglaterra e País de Gales apresentaram tendência de aumento dos
registros de crimes relacionados às substâncias psicoativas. Os
registros ficaram acima do esperado em quatro dos seis meses analisados
(DIXON; FARRELL, 2020c, p. 1; DIXON; FARRELL, 2020a). Quando se olha os
dados da Grande Londres, os números também sugerem aumento (LANGDON,
2020).</p>
<p>Na Austrália, 13 dos 15 distritos estudados tiveram aumento do
registro policial nos crimes relacionados às drogas (ANDRESEN;
HODGKINSON, 2020). Na Suécia, esses delitos permaneceram estáveis,
todavia é preciso lembrar que praticamente todos os outros crimes
apresentaram tendência à redução (GERELL <italic>et al</italic>.,
2020).</p>
<p>No sentido contrário, dois estudos a partir de cidades
norte-americanas indicam a redução dos registros policiais dos crimes
relacionados a drogas (CAMPEDELLI <italic>et al</italic>., 2020; ABRAMS,
2020).</p>
<p>Comparado à análise de outros delitos verifica-se que os estudos com
dados de crimes relacionados a drogas apresentaram número considerável
de resultados tendentes ao aumento dessa conduta. Com efeito, uma
possibilidade de leitura desses dados é que, de fato, tais
comportamentos aumentaram durante o período. Por exemplo, poderia ser
suscitado o maior aumento do consumo de entorpecentes em razão do
estresse vivenciado durante o <italic>lockdown</italic>. Todavia, outra
interpretação possível é a de que os dados simplesmente refletem maior
atuação da polícia. Como são delitos provavelmente considerados mais
simples pelos policiais, podem estar sujeitos a menor atenção dos
policiais em períodos normais tendo em vista a existência de volume
maior de outros crimes. Assim, a redução da demanda acerca de crimes
mais graves pode ter causado maior taxa de registro dos delitos que, em
períodos normais, apresentam cifra negra elevada. Dessa forma, utilizar
outras fontes de dados, tais como as ligações para a polícia e pesquisa
de vitimização, podem contribuir para conclusões mais robustas.</p>
<p>Outro grupo de crime que aparentemente apresentou aumento de
registros foi o de crimes cibernéticos. Uma das maiores mudanças na
rotina das pessoas durante a pandemia talvez tenha sido o maior uso da
internet. Tal mudança comportamental se deu por diversos fatores:
compras on-line substituindo as compras presenciais; substituição do
trabalho em escritórios para o <italic>home office</italic>; migração do
ensino presencial para o ensino a distância; necessidade de abandonar
formas presenciais de socialização e entretenimento tendo em vista a
impossibilidade de aglomeração de pessoas em clubes, cinemas, bares ou a
prática de esportes; entre outros motivos. Assim, era previsível o
aumento nos crimes cibernéticos (EUROPOL, 2020; HODGKINSON; ANDRESEN,
2020; WIGGEN, 2020).</p>
<p>Todavia, embora muitos autores e instituições tenham comentado essa
possibilidade, os estudos focados no assunto são escassos. Um dos poucos
trabalhos com evidências empíricas sobre os crimes cibernéticos durante
a pandemia é do Reino Unido. Pelos dados, percebe-se aumento dos
registros logo no início do <italic>lockdown</italic>. Em seguida,
porém, retornou aos patamares anteriores. Ressaltando-se que os
registros feitos pelos indivíduos, mais do que o realizado pelas
organizações, foram os maiores propulsores do aumento (BUIL-GIL
<italic>et al</italic>., 2020).</p>
<p><bold>Figura 5: Total de Crimes Cibernéticos no Reino Unido, antes e
após o <italic>lockdown</italic></bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Adaptado de Buil-Gil <italic>et al</italic>. (2020).</p>
<p><bold>Figura 6: Registros de Crimes Cibernéticos no Reino Unido,
antes e após o <italic>lockdown</italic></bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image5.png" />
<p>Fonte: Adaptado de Buil-Gil <italic>et al</italic>. (2020).</p>
<p>Lallie <italic>et al</italic>. (2020) também estudaram os ataques
cibernéticos durante a pandemia. Todavia, seu foco foi na perspectiva
qualitativa, no levantamento a partir de meios de comunicação digital,
como o site Reuters, a BBC, os mecanismos de buscas como Google e
DuckDuckGo e os blogs. Assim, oferecem evidências muito frágeis para
fins de análise de incidência criminal. Na Espanha, alguns dados sugerem
aumento dos crimes cibernéticos associados à violência doméstica, mas
não foi apresentado o tratamento estatístico para chegar a esta
conclusão (REDONDO <italic>et al</italic>., 2020).</p>
<p><bold>Discussão</bold></p>
<p>A presente revisão analisou o impacto das medidas para enfrentamento
da pandemia na incidência criminal. Medidas como o distanciamento social
e a restrição de mobilidade conduziram à configuração distinta do
fenômeno criminal em várias dimensões. Embora o crime seja dependente do
contexto, foi possível sistematizar os diversos estudos e encontrar
tendências gerais, que, como tendências, são sujeitas a variações
conforme as especificidades e a realidade local. Todavia, ainda assim, a
análise permitiu compreensão mais global do fenômeno.</p>
<p>Uma das primeiras conclusões que os estudos sugerem é a de que as
medidas para conter a mobilidade das pessoas, ao contrário do caos
sugerido pelo senso comum, apresentaram tendência substancial de redução
geral em diversos tipos de crime. Portanto, a correlação entre queda de
mobilidade e queda dos indicadores criminais sugere que,
independentemente das ações adotadas pelas forças de segurança, o menor
fluxo de pessoas nas ruas pode ter impactado na redução da incidência
criminal.</p>
<p>Observou-se, ainda, que essa redução tende a aumentar quão mais
estritas e severas forem as medidas adotadas pelas autoridades. Assim,
regiões nas quais autoridades impuseram mais restrições ou foram mais
rigorosas na efetivação dessas medidas, apresentaram maiores
reduções.</p>
<p>É preciso notar também que a COVID-19 impactou os diversos tipos
penais de forma diferente, dependendo em grande medida do crime e do
lugar analisados. Observou-se que a mudança na rotina das pessoas
alterou não apenas o volume de crimes, mas também sua distribuição
geográfica. Um exemplo foi um estudo que identificou que regiões
anteriormente consideradas com altos indicadores criminais tiveram as
maiores reduções. Enquanto algumas áreas consideradas de baixa
incidência em período normal experimentaram aumento do número de
registros de crimes. Por sua vez, no que se refere ao horário, os
estudos focaram pouco o momento do crime. E os que o fizeram, não
encontraram alteração impactante.</p>
<p>Essas observações são extremamente úteis para os tomadores de decisão
na área de segurança pública. Ciente da possibilidade de uma redução de
certos tipos de crimes ou da mudança do local de maior incidência, uma
realocação adequada e ágil pode levar à redução ainda mais robusta da
incidência criminal ou ao foco nos delitos que parecem ter menos impacto
com a queda de mobilidade. Como ocorrido no Canadá, a polícia que
consegue perceber rapidamente a partir dos dados existentes tem a
possibilidade de alocar seus esforços consoante a essa nova realidade e
alcançar reduções ainda maiores. Portanto, o diagnóstico do impacto
permite fazer a utilização do efetivo existente com base em evidências
científicas e não no senso comum.</p>
<p>Nos estudos localizados, o crime de homicídio demonstrou sofrer menor
interferência da pandemia do que outros crimes. Assim, a diminuição da
demanda de outros crimes no período pode contribuir para a alocação de
recursos na prevenção de mortes intencionais. Como exemplo, a realocação
dos meios logísticos e humanos tradicionalmente utilizados para o
policiamento em áreas residenciais, que via de regra passaram por
reduções significativas de redução criminal.</p>
<p>No pertinente aos crimes cibernéticos, verificou-se que a migração da
vida social para o ambiente virtual aumentou os crimes cibernéticos,
conforme esperado. Contudo, embora as atividades online tenham se
tornado mais presentes na rotina das pessoas, poucos foram os estudos
com esse enfoque. Em um desses estudos, evidenciou-se que o aumento dos
registros se deu mais em razão de organizações do que individual.</p>
<p>Além da análise dos dados para a tomada de decisão, um dos objetivos
da presente revisão foi proporcionar balizas para estudos acerca da
realidade brasileira. Nesse sentido, alguns nortes parecem ser
interessantes:</p>
<list list-type="alpha-lower">
  <list-item>
    <label>a)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Analisar se houve impacto, bem como seu início – por tipo de
        delito – e se a alteração coincide ou não com as medidas
        restritivas impostas por autoridades locais;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>b)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Comparativo entre municípios/vizinhanças, no intuito de
        verificar se a redução do crime tende a ser maior nos locais com
        maiores reduções de mobilidade ou nos locais sob medidas mais
        severas adotadas pelas autoridades;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>c)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Nos furtos e furtos de veículos, diferenciar os ocorridos em
        residências/áreas residenciais dos ocorridos em
        estabelecimentos/áreas comerciais, para evitar que reduções
        gerais ocultem aumentos ou configurações distintas do padrão de
        redução;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>d)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Analisar os crimes relacionados ao vandalismo, uso/posse de
        drogas e comportamentos sociais em contraste com os demais
        crimes. No pertinente a esses delitos, realizar a triangulação
        de fontes – analisar os registros policiais, as chamadas
        telefônicas e as pesquisas de vitimização.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<p><bold>Limitações</bold></p>
<p>As reflexões propiciadas pelos estudos identificados não podem
negligenciar as dificuldades de uma análise desta proporção. Como o
escopo envolveu a comparação de culturas jurídicas bastante diversas, a
equiparação de tipos penais dificilmente será exata. A título de
exemplo, os crimes que encampam a subtração de bens apresentaram
diversas categorias distintas: <italic>theft</italic>, <italic>other
theft</italic>, <italic>shoplifting</italic>, <italic>pickpocketing,
theft of vehicle</italic>, <italic>vehicle theft</italic>, <italic>theft
from vehicle</italic>, <italic>robbery</italic>,
<italic>burglary</italic>, <italic>residential burglary</italic>,
<italic>non-residential burglary</italic>, <italic>commercial
burglary</italic>.</p>
<p>Outro fator limitante é que alguns dos estudos apresentaram
evidências iniciais, o que requer que sejam vistos como análises
preliminares. Assim, os dados encontrados precisam ser comparados com
estudos posteriores no decorrer da pandemia. Em especial porque não se
sabe os reflexos que uma crise econômica continuada pode trazer.</p>
<p>Esse aspecto da fragilidade das evidências científicas talvez tenha
sido um dos pontos mais marcantes ao longo dos debates ocorridos em
2020. Com a urgência de se adotar medidas eficazes para a contenção do
vírus, ressaltou-se algo característico da ciência que é sua limitação.
Assim, as decisões com base em parâmetros científicos são tomadas por
base nas melhores evidências disponíveis para o momento. O que não
isenta a possibilidade de serem posteriormente melhoradas ou até mesmo
refutadas. Ainda assim, conseguem oferecer balizas mais seguras do que
outras formas de conhecimento.</p>
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H</ext-link>.; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pesquisa.bvsalud.org/global-literature-on-novel-coronavirus-2019-ncov/?lang=pt&amp;q=au:%22Bruce,%20J%20L%22">BRUCE,
J.
L</ext-link>.; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pesquisa.bvsalud.org/global-literature-on-novel-coronavirus-2019-ncov/?lang=pt&amp;q=au:%22Smith,%20M%20T%20D%22">SMITH,
M. T.
D</ext-link>.; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pesquisa.bvsalud.org/global-literature-on-novel-coronavirus-2019-ncov/?lang=pt&amp;q=au:%22Bekker,%20W%22">BEKKER,
W</ext-link>.; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pesquisa.bvsalud.org/global-literature-on-novel-coronavirus-2019-ncov/?lang=pt&amp;q=au:%22Laing,%20G%20L%22">LAING,
G.
L</ext-link>.; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pesquisa.bvsalud.org/global-literature-on-novel-coronavirus-2019-ncov/?lang=pt&amp;q=au:%22Lutge,%20E%22">LUTGE,
E</ext-link>.; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pesquisa.bvsalud.org/global-literature-on-novel-coronavirus-2019-ncov/?lang=pt&amp;q=au:%22Clarke,%20D%20L%22">CLARKE,
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<p><bold>ANEXO: RESUMO DOS RESULTADOS ENCONTRADOS</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>País</bold></th>
      <th><bold>Pesquisas</bold></th>
      <th><bold>Tipos de Crime / Tendência dos Resultados</bold></th>
      <th><bold>Tipo de Fonte</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Austrália</td>
      <td>(ANDRESEN; HODGKINSON, 2020)</td>
      <td>Crimes gerais (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Violência (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furtos (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes relacionados c/ drogas (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td><p>(PAYNE; MORGAN; PIQUERO, 2020)</p>
      <p>(PAYNE; MORGAN, 2020a)</p>
      <p>(PAYNE; MORGAN, 2020b)</p></td>
      <td>Agressões simples (sem alteração significativa)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões graves (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Dano à propriedade (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto a comércio (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Outros furtos (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furtos c/ ingresso clandestino (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Fraude (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Canadá</td>
      <td>(HODGKINSON; ANDRESEN, 2020)</td>
      <td>Crimes gerais (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, residência (sem alteração
      significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, comércio (evidências
      mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (manteve-se estável, era esperado
      aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Violência (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Dano (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>China</td>
      <td>(BORRION <italic>et al</italic>., 2020)</td>
      <td>Furto a comércio (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Estados Unidos</td>
      <td>(ABRAMS, 2020)</td>
      <td>Crimes relacionados com drogas (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furtos (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, residência (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões graves (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões leves (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Disparo de armas (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Homicídios (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furtos c/ ingresso clandestino, prédio não residencial
      (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(ASHBY, 2020a)</td>
      <td>Crimes gerais (redução)</td>
      <td>Chamada telefônica</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(ASHBY, 2020b)</td>
      <td>Agressões graves (sem alteração significativa)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ entrada clandestina, residência (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ entrada clandestina, prédio não residencial (sem
      alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(CAMPEDELLI; AZIANI; FAVARIN, 2020)</td>
      <td>Crimes gerais (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furtos a comércio (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino (sem alteração
      significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões com armas (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Homicídios (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(CAMPEDELLI <italic>et al</italic>., 2020)</td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubos a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes relacionados a drogas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(FELSON; JIANG; XU, 2020)</td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, área residencial (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, área de uso misto (aumento
      relativo)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(MCDONALD; BALKIN, 2020)</td>
      <td>Homicídio (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Estupro (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubos a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ entrada clandestina (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(MOHLER <italic>et al</italic>., 2020)</td>
      <td>Furto c/ entrada clandestina (redução)</td>
      <td>Chamada telefônica</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto de veículos (evidências mistas)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Vandalismo (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(SHAYEGH; MALPEDE, 2020)</td>
      <td>Crimes Gerais (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Homicídio (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(MCKAY; METZL; PIEMONTE, 2020)</td>
      <td>Lesões por armas de fogo (redução)</td>
      <td>Base de Dados sobre Armas de Fogo</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Mortes por armas de fogo (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Índia</td>
      <td>(POBLETE-CAZENAVE, 2020)</td>
      <td>Crime geral (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Homicídio (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Sequestro (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes contra a saúde pública (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>México</td>
      <td>(BALMORI DE LA MIYAR; HOEHN-VELASCO; SILVERIO-MURILLO,
      2020)</td>
      <td>Furto de veículos (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Extorsão (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Homicídios (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Sequestro (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Peru</td>
      <td>(CALDERON-ANYOSA; KAUFMAN, 2021)</td>
      <td>Homicídios c/ vítima masculina (redução)</td>
      <td>Registros Nacional de Mortes</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Reino Unido</td>
      <td>(BUIL-GIL <italic>et al</italic>., 2020)</td>
      <td>Crimes cibernéticos (aumento)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td><p>(DIXON; ADAMSON; TILLEY, 2020a)</p>
      <p>(DIXON; ADAMSON; TILLEY, 2020b)</p></td>
      <td>Crimes em ferrovias (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td><p>(DIXON et al., 2020)</p>
      <p>(DIXON; FARRELL, 2020a)</p>
      <p>(DIXON; FARRELL, 2020b)</p>
      <p>(DIXON; FARRELL, 2020c)</p>
      <p>(DIXON; SHEARD; FARRELL, 2020b)</p>
      <p>(DIXON; TILLEY, 2020)</p></td>
      <td>Furto de bicicleta (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Dano e incêndio criminoso (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Outros crimes (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Outros furtos (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubos a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furtos a comércio (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes com veículos (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes relacionados a drogas (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Comportamento antissocial (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes gerais (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(DIXON; HALFORD; FARRELL, 2020)</td>
      <td>Áreas tradicionalmente com mais crimes (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Áreas tradicionalmente com menos crimes (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(DIXON; SHEARD; FARRELL, 2020a)</td>
      <td>Comportamento antissocial (aumento)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(HALFORD et al., 2020)</td>
      <td>Crimes gerais (redução)</td>
      <td>Registro de Crimes</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furtos a comércio (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, residência (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, não residencial (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>(LANGDON, 2020)</td>
      <td>Comportamento antissocial (aumento)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Posse de arma (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes relacionados a drogas (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto a comércio (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Outros furtos (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Dano (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Suécia</td>
      <td>(GERELL; KARDELL; KINDGREN, 2020)</td>
      <td>Crimes gerais (redução)</td>
      <td>Registros de Crime</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Agressões (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, residencial (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Furto c/ ingresso clandestino, não residencial (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Bater carteira (redução)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Roubo a pessoas (sem alteração significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Crimes relacionados a drogas (sem alteração
      significativa)</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td></td>
      <td>Vandalismo (aumento)</td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Legenda:</th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
      <th></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Sem Alteração Significativa / Evidências Mistas</td>
      <td></td>
      <td>Redução</td>
      <td></td>
      <td>Aumento</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>Trabalhos no formato <italic>preprint</italic> publicados ainda
    em 2020 foram selecionados ainda que a edição da revista a qual
    integrem seja apenas de 2021.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
