<?xml version="1.0" encoding="utf-8" ?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.2 20190208//EN"
                  "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" dtd-version="1.2" article-type="other">
<front>
<journal-meta>
<journal-title-group>
</journal-title-group>
<publisher>
<publisher-name></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
</article-meta>
</front>
<body>
<p><bold>EDIÇÃO ESPECIAL - VOLUME 16</bold></p>
<p><bold>ENSINO POLICIAL E SEGURANÇA CIDADÃ: AS EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS
E O CASO DA PM DO RIO GRANDE DO SUL</bold></p>
<p><bold>Carlos Roberto Guimarães Rodrigues</bold></p>
<p>Doutorando em Políticas Públicas pelo PPGPP da UFRGS, Mestre em
Segurança Cidadã pelo PPGSeg da UFRGS, Especialista em Segurança Pública
e Cidadania pelo IFCH da UFRGS, Professor da Pós-Graduação em Direito
Penal com ênfase em Segurança Pública da Uniritter e no Grupo Verbo
Jurídico Educacional, Coronel da Reserva Remunerada da Brigada
Militar/RS.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p><bold>E-mail:</bold> guimacorg@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-3509-7503</p>
<p><bold>José Vicente Tavares dos Santos</bold></p>
<p>Professor Titular do Departamento de Sociologia, professor dos
Programas de Pós-graduação em Segurança Cidadã, Sociologia e Políticas
Públicas do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, Porto
Alegre, Brasil; Pesquisador do CNPq (desde 1988). Pesquisador visitante
do CALAS – Centro Maria Sibylla Merian de Estudios Latinoamericanos
Avanzados, Universidad de Guadalajara/University of Bielefeld, México
(2019-2020).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p><bold>E-mail:</bold> josevtavares@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-8410-5085</p>
<p><bold>Contribuições de cada autor:</bold> Carlos Roberto Guimarães
Rodrigues realizou a pesquisa e escreveu o artigo, José Vicente Tavares
dos Santos escreveu o artigo conjuntamente e supervisionou o
trabalho.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Existe uma história das inovações brasileiras no ensino policial. Na
cena mundial, cada vez mais há estudos sobre novos paradigmas na
educação policial. Este artigo trata do ensino policial voltado à
segurança cidadã, tomando como referência empírica a análise dos cursos
de formação da Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul (BM/RS).
Por meio de uma pesquisa quantitativa de cunho documental foram
estudados os avanços e os desafios neste campo pós-redemocratização, bem
como a análise dos programas e das disciplinas dos cursos de formação
para ingresso na corporação e os percentuais de carga horária por curso
nas subáreas de ciências sociais, valorização profissional, gestão
pública, tecnologias policiais, estudos jurídicos, estágios e atividades
complementares, buscando identificar avanços que proporcionem uma
formação cidadã e participativa aos profissionais de segurança pública.
Os resultados apontam avanços com a ampliação no rol de disciplinas
humanísticas e um foco maior voltado à segurança cidadã.</p>
<p><bold>Palavras-Chave:</bold> Ensino policial. Segurança cidadã.
Segurança pública.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic>POLICE EDUCATION AND CITIZEN SECURITY: THE BRAZILIAN
EXPERIENCES AND THE CASE OF THE RIO GRANDE DO SUL MILITARY
POLICE</italic></p>
<p>The article deals with police education focused on citizen security,
taking as an empirical reference the analysis of the training courses of
the Military Brigade of the state of Rio Grande do Sul (BM/RS). There is
a history of Brazilian innovations in police education. On the world
stage, there are more and more studies on new paradigms in police
education. Through a quantitative research of documentary nature, the
advances and challenges in this post-redemocratization field were
studied, as well as the analysis of the programs and disciplines of the
training courses for entering the corporation and the percentages of
hours per course in the sub-areas of social sciences, professional
development, public management, technologies police, legal studies,
internships and complementary activities, seeking to identify advances
that provide citizen and participatory training to public security
professionals. The results point to advances with the expansion of the
list of humanistic disciplines and a greater focus on citizen
security.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Police education. Public security. Citizenship
security.</p>
<p></p>
<p><bold>Data de recebimento:</bold> 18/04/2021 - <bold>Data de
aprovação:</bold> 19/07/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v16.n0.1483</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>O tema do ensino policial e da segurança cidadã passou a se fazer
presente em pesquisas e estudos acadêmicos após a entrada em vigor da
Constituição Federal de 1988, com a inserção de diversos dispositivos
ligados à rotina da atividade do profissional de segurança pública, não
sendo concebível a intervenção do Estado nas lides sociais com
inobservância das garantias conquistadas pelos cidadãos brasileiros.</p>
<p>O interesse por tal temática também é motivado por recorrentes
acontecimentos violentos e trágicos envolvendo a atividade de polícia
além da inconformidade da sociedade com tais fatos que suscitam a
discussão sobre aspectos da formação e capacitação destes servidores
públicos, os quais devem pautar sua conduta profissional com a
relevância de sua contribuição social, servindo ao cidadão e zelando por
seu bem-estar e sua integridade, tendo sempre por meta a paz social e o
respeito às leis.</p>
<p>No cenário internacional, desde a Conferência Mundial dos Direitos
Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Viena, em 1993,
pode-se localizar centenas de reuniões mundiais nas quais a questão da
crise da polícia, da educação policial e da atuação policial tem sido
discutida. Em 2016, houve a conferência <italic>Global Trends in Law
Enforcement Training and Education</italic>, organizada pelo Colégio
Europeu de Polícia (Cepol), em Budapeste, em outubro de 2016: “o tema
abrangeu as últimas descobertas da pesquisa e novas perspectivas para o
treinamento e educação da aplicação da lei, para facilitar o progresso
com base científica neste campo de interesse público”. Em 2021, será
realizada a conferência cujo tema é “Efeitos da pandemia no treinamento
e prática de aplicação da lei” (CEPOL, s/d).</p>
<p>Foi, ainda, publicado em 2018 um importante volume organizado por
Bernhard Frevel e Colin Rogers, intitulado <italic>Higher Police
Education</italic>, em Londres. Este livro trouxe um exame crítico da
educação e do treinamento da polícia, defendendo uma maior educação
científica entre a polícia em todo o mundo. Expressa a preocupação com
as ideias, os desafios, as demandas e a estrutura das condições da
educação policial de uma perspectiva internacional. Examinando uma ampla
gama de países tais como Alemanha, China e Brasil, para mostrar a
natureza falha de um sistema educacional baseado puramente em uma
abordagem preocupada com o número de policiais, defende a necessidade de
maior educação científica entre os policiais de todo o mundo para
atender os desenvolvimentos contemporâneos.</p>
<p>Com a redemocratização do Brasil e a entrada em vigor da Constituição
Federal em 1988, buscou-se organizar a atuação policial com o conceito
de segurança cidadã, inicialmente adotado pelo Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 1994, quando foi expedido o
primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano, conceito que se ampliou
nos relatórios subsequentes, como no Relatório de 2007 que assim a
descreveu: “[...] A segurança cidadã é consequência de uma condição
necessária, embora não suficiente, da segurança humana, que, em última
análise, é a derradeira garantia do desenvolvimento” (ONU; PNUD, 2007,
p. 4).</p>
<p>Existe uma história das inovações brasileiras no ensino policial. Ela
inicia-se nos anos de 1980, com o professor Antônio Luiz Paixão, em seus
estudos criminais e a relação com a Polícia Militar de Minas Gerais, por
meio da Fundação João Pinheiro (FJP). Depois, Teotônio dos Santos
organizou os primeiros cursos de direitos humanos para policiais no
segundo governo Brizola.</p>
<p>Nas universidades federais, no caso da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), esse diálogo começou em 1993 com um seminário
nacional. Entre 1995 e 1996, foi realizado o primeiro Curso de
Especialização em Violência, Segurança Pública e Cidadania, no Instituto
de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFRGS, seguido por oito
edições. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, na
mesma época, Roberto Kant de Lima iniciou cursos para policiais que
foram se ampliando com o passar dos anos e hoje há um Departamento de
Segurança Pública na UFF. Em 2003, a Secretaria Nacional de Segurança
Pública (Senasp) começou a elaborar uma Matriz Curricular Nacional
(MCN), com ampla participação de policiais, gestores e acadêmicos, que
contou com duas atualizações, uma iniciada em 2005 e uma versão ampliada
lançada em 2014.</p>
<p>Desde 2003, os Planos Nacionais de Segurança Pública (PNSP) passaram
a formular uma concepção de educação policial orientada para a proteção
dos direitos constitucionais e fundamentais do cidadão brasileiro. A
formação unificada das polícias é fator imprescindível para a integração
coordenada, profissional e ética do trabalho preventivo e investigativo,
tendo sempre como destinatário o cidadão, a sua defesa e a proteção de
seus direitos.</p>
<p>Nesse processo histórico, podemos registrar alguns acontecimentos que
deixaram marcas, desilusões e esperanças. Primeiro, observamos as
experiências interessantes de “escolas integradas”, tanto no Instituto
de Ensino de Segurança Pública (Iesp), no Pará, quanto no Rio Grande do
Sul, no governo Olívio Dutra. As experiências de formação integrada que
ocorreram no Brasil foram muito importantes, como também foram
fundamentais as experiências de convênios com universidades.</p>
<p>A segunda experiência inovadora no ensino policial consistiu em
cursos de especialização envolvendo a temática segurança pública e
cidadania, desde 1995 na UFRGS e na UFF, depois em dezenas de
Universidades. Em 1985 a Polícia Militar de Minas Gerais realizou
convênio com a Fundação João Pinheiro (Escola de Governo e Instituição
de Ensino Superior, com cursos de graduação e mestrado em Administração
Pública) para realização de cursos que se desdobraram na Pós-Graduação
<italic>lato sensu</italic> em Gestão Estratégica em Segurança Pública,
antigo Curso Superior de Polícia, e na Especialização em Segurança
Pública, antigo Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (COTTA, 2020).
Recentemente, a UFF criou um curso de bacharelado em segurança pública e
um instituto de segurança pública.</p>
<p>A terceira experiência foi a implementação da Rede Nacional de Altos
Estudos em Segurança Pública (Renaesp), pela Senasp do Ministério da
Justiça (MJ), desde 2005. Embora tenha iniciado suas atividades com o 1º
edital de credenciamento/2005-Senasp/MJ, tendo como ponto de inspiração
o projeto-piloto realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA),
que coordenou a primeira turma de pós-graduação em segurança pública
pautada na MCN e com recursos exclusivos do governo federal, a Renaesp
foi instituída oficialmente só em 2012, por meio da Portaria Nº 1.148,
de 12 de junho de 2012, sendo justificada pelas necessidades de:
fomentar estudos e pesquisas voltados à modernização das instituições de
segurança pública; valorizar os profissionais de segurança pública,
incentivando-os a participarem de cursos para aprimoramento
profissional; promover estudos, pesquisas e indicadores sobre violência,
criminalidade e outros assuntos relacionados à segurança pública; e, por
fim, fortalecer a articulação com instituições de ensino superior na
promoção da capacitação em segurança pública (PINTO, 2014, p. 227).</p>
<p>Chegaram a funcionar 85 cursos de Especialização em Segurança
Pública, Direitos Humanos e Cidadania, em 63 Instituições de Ensino
Superior (IES), tendo como alunos profissionais da segurança pública e o
público em geral. Estima-se que, entre 2005 e 2015, foram diplomados
oito mil especialistas em 150 cursos, nas várias regiões
brasileiras.</p>
<p>Em quarto lugar, desde a elaboração da Matriz Curricular Nacional, de
2003 até 2015, pela Senasp, houve experiências de inovação curricular,
processos de ensino-aprendizagem, metodologias didáticas e integração
institucional nas Escolas e Academias de Polícia, como tal analisaremos
a seguir tomando o caso da Brigada
Militar<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> do Rio Grande do Sul. Foi
muito interessante também a experiência do Ceará, quando o sociólogo
César Barreira dirigiu a Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará
(AESP/CE)<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>, no período de 2011 a
2012.</p>
<p>Em quinto lugar, houve a proposta de uma Escola Nacional de Altos
Estudos em Segurança Pública (Enaesp) apresentada em 2016 pela Senasp,
do MJ, em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC). Seria um
estabelecimento localizado em Brasília, em articulação com as
Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) que apresentassem
projetos de mestrado profissional à Capes. Também foi proposta uma
parceria com a Universidade Aberta do Brasil (UAB) para apoiar cursos
superiores de tecnologia em segurança pública, a fim de qualificar os
profissionais que ainda não tivessem curso superior. Foram identificadas
algumas experiências de mestrado profissional nesta área em várias IFES
(UFPA, IFNMT, UEA, UFBA, UFRGS e UFS). Entretanto, esta proposta não foi
implementada.</p>
<p>Em sexto lugar, a educação policial foi definida como um dos temas na
publicação denominada <italic>Agenda de Segurança Cidadã: por um novo
paradigma</italic>, produzida pela Câmara dos Deputados (2018). Foi
inserida a valorização educacional no eixo que trata da reestruturação
dos sistemas policiais, dentro de um contexto de uma agenda de segurança
cidadã, apresentando as seguintes propostas: a) criar a Escola Nacional
de Altos Estudos em Segurança Pública (Enaesp); b) estabelecer parceria
com a Universidade Aberta do Brasil (UAB) para apoiar cursos superiores
de tecnologia em segurança pública, a fim de qualificar os profissionais
que não tenham curso superior; c) construir um centro de excelência em
ensino e valorização dos profissionais de segurança pública para
aumentar a qualificação técnica e cultural; d) resgatar a Renaesp; e e)
continuar a atualização da MCN da Senasp (BRASIL, 2018a, p. 29-30).</p>
<p>Também importante nesta análise, e que trouxe novas perspectivas para
a formação policial recentemente, foi a edição da Lei Nº 13.675/2018,
que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que dedicou
um capítulo específico à capacitação e valorização dos profissionais de
segurança pública. Esta lei dedicou um artigo à Renaesp, apontando
dentre seus objetivos, no art. 40, VI, a difusão e o reforço na
construção de uma cultura de segurança pública e defesa social fundada
nos paradigmas da contemporaneidade, da inteligência, da informação e do
exercício de atribuições estratégicas, técnicas e científicas (BRASIL,
2018b).</p>
<p>Com igual importância nesta análise da evolução do ensino no Brasil
destaca-se o início da vigência do Plano Nacional de Segurança Pública
2018-2028 que previu entre seus objetivos a criação de escola (ou
sistema) nacional de formação em gestão de segurança pública, serviços
penais e defesa civil, visando estabelecer um centro de excelência de
produção de dados e de estatísticas na área de segurança pública.</p>
<p>Este artigo também tem por objetivo analisar a educação policial
pós-redemocratização com o foco voltado à segurança cidadã, procedendo à
análise a partir dos dois cursos de formação para ingresso na carreira
dos policiais militares da Brigada Militar do estado do Rio Grande do
Sul (BM/RS), que são: O Curso Básico de Formação Policial Militar
(CBFPM) para Soldados e o Curso Superior de Polícia Militar (CSPM) para
Capitães.</p>
<p>Por meio de uma pesquisa quantitativa de cunho documental foram
pesquisados os avanços e os desafios da formação dos profissionais de
segurança pública pós-redemocratização com análise dos programas e das
disciplinas dos cursos de formação de soldados e oficiais, bem como os
percentuais de carga horária por curso nas seguintes subáreas: ciências
sociais, valorização profissional, gestão pública, tecnologias
policiais, estudos jurídicos, estágios e atividades complementares,
buscando identificar avanços que proporcionem uma formação cidadã e
participativa aos profissionais de segurança pública.</p>
<p>Buscou-se com a pesquisa analisar se a experiência da BM/RS, com a
aderência aos ditames da MCN, evoluiu no processo formativo no sentido
de incutir em seus futuros profissionais um ensino policial voltado à
segurança cidadã.</p>
<p><bold>O ENSINO POLICIAL NO BRASIL PÓS-REDEMOCRATIZAÇÃO</bold></p>
<p>Com a segurança cidadã ampliou-se o foco de atenção ao bem-estar das
pessoas e aos direitos humanos, reposicionando a cidadania como o
principal objeto da proteção estatal. Neste sentido, uma formação
policial moldada aos novos tempos mostra-se fundamental, sendo que a
própria sociedade brasileira, com a inserção de um rol de direitos e
garantias na Constituição Federal, ditou essa mudança de perfil e
atividades das forças de segurança.</p>
<p>Estudos de Detoni apontam que havia deficiências no modelo de
formação policial pré-Constituição, pois era centrado no “adestramento e
força”, minorando a ênfase em conhecimentos científicos que objetivassem
melhorar o trato com a sociedade. Sobre a formação policial
pós-Constituição o autor escreve que:</p>
<disp-quote>
  <p>Há alguns avanços, mas as marcas de uma formação centrada na força,
  no adestramento e na repressão. [...] havendo pouco espaço para uma
  formação mais ampla e aprofundada sobre a especificidade da profissão
  policial, o contexto de ação, a complexidade social, as exigências
  psicológicas e éticas para o exercício adequado diante das demandas da
  sociedade. (DETONI, 2014, p. 57).</p>
</disp-quote>
<p>Este mesmo argumento já havia sido defendido por Tavares dos Santos,
que destacou a natureza humanística da profissão do operador de
segurança, visto que trabalha com pessoas normalmente nos momentos em
que estão sendo vítimas de crime ou violência, destacando que “o
trabalho policial se realiza sempre na margem da vida, ou no limite da
norma social, exercendo um poder de modo próximo ao excesso” (TAVARES
DOS SANTOS, 2009, p. 78).</p>
<p>A segurança pública tornou-se um tema central na sociedade
brasileira, especialmente com o crescente aumento da violência e da
criminalidade, onde os crimes contra a vida e contra o patrimônio
tornam-se cada vez mais rotineiros, sem se vislumbrar soluções a curto
prazo deixando de enfrentar as verdadeiras causas do problema. Neste
cenário, é cada vez mais relevante uma formação profissional moldada a
enfrentar a criminalidade com mais eficiência e respeito aos direitos
individuais.</p>
<p>A formação dos policiais brasileiros necessita constantemente de
ajustes e adaptações com o intuito de formar profissionais
especializados capazes de empreender essa atividade necessária de
maneira mais eficaz, respondendo, à altura, ao anseio social por maior
segurança pública. Sobre essa necessária adaptação Nascimento (2013, p.
21) escreveu que: “[...] é de fundamental importância nas possíveis
intervenções que visam à efetividade do trabalho policial, considerar o
exame de formação profissional dos policiais militares”.</p>
<p>Uma criteriosa análise, tanto dos pontos positivos quanto dos
negativos, das diversas escolas de polícia e suas configurações de
educação e formação, poderá resultar no formato desejado de futuros
integrantes destas instituições, responsáveis pela segurança pública
balizando suas ações conforme previsão e limites impostos pela
Constituição.</p>
<p>Adaptações ao novo panorama apresentado pela Constituição Cidadã
revela uma paulatina mudança cultural nas escolas e nos cursos de
formação policial. Segundo Mota Brasil, apesar da atividade de polícia
judiciária militar, das apurações administrativas de desvios de condutas
e da responsabilização de policiais que cometem desvios no exercício da
função,</p>
<disp-quote>
  <p>a reconstrução do Estado brasileiro em Estado de Direito e a
  redemocratização da sociedade brasileira não foram suficientemente
  profundas para mudar as estruturas de poder das forças policiais e o
  exemplo mais concreto está na incapacidade do Estado brasileiro
  controlar o arbítrio e as práticas de violações de direitos cometidas
  pelas suas polícias. (MOTA BRASIL, 2016, p. 400).</p>
</disp-quote>
<p>Ações governamentais previstas no primeiro Plano Nacional de Direitos
Humanos (PNDH), em 1996, foram inseridas nos cursos de formação e
treinamento, constituindo-se os direitos humanos, a ética, a cidadania e
a segurança pública, importantes eixos articuladores da formação
policial constantes na Matriz Curricular Nacional (MCN) da Secretaria
Nacional de Segurança Pública (Senasp), instituída pelo Ministério da
Justiça, no ano de 2003, adotada por quase todas as instituições
policiais do país, cumprindo o que havia sido determinado no PNDH.</p>
<p>Sobre o tema ‘“direitos humanos e formação policial” há diversas
pesquisas acerca da inserção nos cursos e treinamentos policiais,
todavia ainda foi notada uma lacuna entre o conteúdo programático e a
postura dos profissionais de segurança pública na prática de suas
atividades, conforme se destaca no texto abaixo:</p>
<disp-quote>
  <p>[...] embora exista uma trajetória consolidada de defesa dos
  direitos humanos no Brasil, com sua incorporação na legislação pátria
  e nas diretrizes basilares da política federal de segurança pública,
  em especial nos programas de formação policial, ainda existe um hiato
  entre o que os policiais aprendem nas academias e os preceitos e
  atitudes que incorporam e expressam no desempenho diário de sua
  atividade (SCHABBACH, 2014, p. 73).</p>
</disp-quote>
<p>As diversas políticas públicas constantes dos planos, programas e
projetos do governo federal na área da segurança pública foram
fundamentais para impulsionar as necessárias mudanças. Conforme
demonstraram estudos de Mota Brasil (2016) e Spaniol (2019), os cuidados
e a preocupação quanto à formação, qualificação e valorização dos
profissionais da área de segurança pública, propondo ações que pudessem
garantir uma reforma substancial nas políticas de segurança pública, ou
seja, que refletissem na atuação das polícias.</p>
<p>Uma destacada política pública que repercutiu no ensino das academias
de polícia na busca por uma segurança cidadã foi a elaboração da MCN
pela Senasp. Apresentada em 2003, num amplo seminário nacional sobre
segurança pública, sofreu sua primeira revisão em 2005. Com a função da
MCN em balizar as ações para a formação dos policiais brasileiros, em
todos os níveis de ingresso, está diretamente ligada ao objetivo geral a
que tal documento se propõe, qual seja: “favorecer a compreensão do
exercício da atividade de segurança pública como prática da cidadania,
da participação profissional, social e política num Estado Democrático
de Direito, estimulando a adoção de atitudes de justiça, cooperação,
respeito à lei e repúdio a qualquer forma de intolerância” (BRASIL,
2014, p. 40).</p>
<p>Poncioni (2007; 2013) destacou, em seus estudos acerca do tema
“formação em segurança pública”, que a MCN alçou o ensino policial e sua
formação profissional à agenda governamental, com o status de uma
política pública, considerando-se o lugar privilegiado na escolha de
alternativas e propostas para a problemática que envolve o desempenho de
policiais para a efetivação de uma segurança cidadã no país.</p>
<p>Confirma-se, neste sentido, posição de Tavares dos Santos (2009) ao
referir as marchas, os regressos e os contrapassos da educação policial
e das diversas transformações pelas quais estão passando essas
instituições de formação após a redemocratização do país, mudanças estas
que necessitam ser acompanhadas e (re)avaliadas; posição adotada e
ratificada, também, por Ronilson de Souza Luiz (2003; 2008) ao defender
dissertação e tese junto à PUC/SP sobre o tema “Formação de soldados da
PM/SP frente às demandas democráticas” e “Ensinar a ser policial”.</p>
<p>Percebe-se que “as instituições estão vivenciando um processo de
mudança”, existindo um amplo leque de políticas voltadas à educação
policial, tanto por iniciativa do Poder Executivo, por meio da pasta de
Segurança Pública, quanto pelo Poder Legislativo Federal, todavia há
muitos obstáculos a serem transpostos para que essas proposições se
tornem efetivas e até ampliadas a cada novo governo (TAVARES DOS SANTOS;
BARREIRA; MOTA BRASIL, 2018, p. 73).</p>
<p><bold>A EVOLUÇÃO HISTÓRICA E O PROCESSO FORMATIVO DOS POLICIAIS NA
BRIGADA MILITAR/RS</bold></p>
<p>Ao estudar mudanças do ensino policial nas escolas da Brigada
Militar, Polícia Militar do estado do Rio Grande do Sul, criada em 1837
como Corpo Policial, importante destacar que se trata de uma instituição
de segurança pública com 182 anos de existência e cuja trajetória
histórica se desenvolve com a própria história do estado, atuando em
muitas frentes de batalha, principalmente durante a Revolução
Farroupilha (SIMÕES, 2014)<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>.</p>
<p>De sua criação até o modelo atual a Brigada Militar mantém apenas
algumas características similares às das Forças Armadas, como a base
institucional fundada na hierarquia e na disciplina, a ostensividade
revelada no uniforme, nas viaturas, nos armamentos e equipamentos, além
do escalonamento hierárquico através de postos e graduações; mas a
atribuição constitucional não se confunde com as Forças Armadas e se
caracteriza por proteger os interesses da sociedade no que diz respeito
à segurança e à ordem pública.</p>
<p>Houve um momento histórico em que o Exército buscou alcançar a
atividade de polícia a uma instituição concebida para essa peculiar
atividade pública, todavia esse relato explica a proximidade das
Polícias Militares às Forças Armadas, que permaneceram com a função
paralela de Força Auxiliar do Exército mesmo após a Constituição Federal
de 1988. Neste mesmo raciocínio:</p>
<p></p>
<disp-quote>
  <p>[...] Daí se depreende que, na realidade, naqueles tempos, quando a
  população era pequena e menor ainda o número daqueles que se colocavam
  “fora da lei”, não existiam polícias. Ocasionalmente, a necessidade de
  cumprir determinadas tarefas, hoje de competência dos órgãos
  policiais, resultava em que um grupo de homens se reunisse para
  realizá-las. (RUDNICKI, 2007, p. 156).</p>
</disp-quote>
<p>As origens bélicas e de participação em revoluções, até mesmo em
outros estados, marcaram o perfil da Brigada Militar desde sua criação,
mas também é importante considerar o poder de adaptação às novas
exigências sociais que se mostrou fundamental para a longevidade da
polícia fardada do Rio Grande do Sul, cuja trajetória histórica
mostra-se muito semelhante às polícias de outros estados, algumas ainda
mais longevas, mas igualmente reconhecidas por suas participações
históricas e até em conflitos bélicos.</p>
<p>Esta apresentação histórica inicial se faz necessária para uma melhor
compreensão das diversas fases e transformações do ensino na Brigada
Militar, pois é bem distinta a fase bélica, mais ligada à força militar
nacional, até se chegar aos dias atuais, onde a prioridade é
essencialmente a segurança pública cidadã em consonância aos ditames
constitucionais e de respeito às garantias individuais.</p>
<p>A atual atribuição constitucional das Polícias Militares não se
confunde com a função precípua de segurança nacional das Forças Armadas
e, desde a Constituição Federal de 1988, os órgãos de segurança pública
têm bem definidas suas funções e passaram a utilizar currículos de
cursos e materiais específicos das instituições estaduais.</p>
<p>Pela complexidade e importância da atividade desenvolvida pela PM
gaúcha desde sua criação até as atribuições atuais, a preparação técnica
e profissional dos brigadianos<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>
refletirá diretamente na eficiência de seu desempenho funcional e nas
estatísticas relativas à criminalidade, problema social que sempre
figura dentre aqueles prioritários e de maior preocupação a qualquer
governo.</p>
<p>Por força do art. 131, §1º da Constituição Estadual de 1989, a
formação, o aperfeiçoamento, o treinamento e a especialização dos
integrantes da Brigada Militar são de competência da própria corporação,
ensino que foi regulamentado através da Lei Nº 12.349, de 26 de outubro
de 2005.</p>
<p>Destaca-se posição de Detoni (2014. p. 57) ao refletir que a
“profissão policial militar é uma atividade extraordinariamente
complexa, difícil e séria, a qual exige grande habilidade e capacidade
de julgamento. Entretanto estas peculiaridades não são levadas em
consideração, tanto no recrutamento quanto na formação oferecida”.</p>
<p>O grande diferencial da carreira policial militar, comparativamente a
outras profissões, é que o policial necessita de muito treinamento antes
de ser empregado na atividade de segurança pública, pois precisa receber
em sala de aula conhecimentos teóricos, práticos e técnicos sem os quais
torna-se temerário seu emprego, pois necessita estar preparado para
resolver conflitos sociais e, em casos extremos, decidir pela utilização
de armamento letal. Portanto, os conhecimentos teóricos em técnica e
legislação têm que ser complementados com a compreensão de disciplinas
de ciências sociais. Nesta linha de pensamento, Simões revela que:</p>
<disp-quote>
  <p>[...] tomando-se como referência inicial a dinâmica do ensino
  adotada nos dias de hoje, é do conhecimento corrente que todo o
  policial militar, antes do seu emprego na atividade de policiamento,
  passa pela formação inicial que se desenvolve por intermédio de curso
  de formação, com grau de exigência compatível com o respectivo quadro
  ou carreira de ingresso na Brigada Militar. (SIMÕES, 2014, p.
  354).</p>
</disp-quote>
<p>O processo de formação profissional bem planejado e que considere a
importância social da atividade policial em uma sociedade que testemunha
o crescimento estatístico dos conflitos sociais e da violência pode ser
a chave para vislumbrarmos maior sucesso nas rotinas de policiamento e
atendimento às vítimas e no tratamento adequado que respeite os
parâmetros legais e os direitos constitucionais daqueles que cometem
desvio de conduta.</p>
<p><bold>A FORMAÇÃO DOS OFICIAIS</bold></p>
<p>Na Brigada Militar, os oficiais são militares de nível superior (dos
postos de capitão a coronel) e no Rio Grande do Sul, diferentemente dos
demais estados, possuem apenas um posto que é de nível médio (1º
tenente), mas que mantém todas as prerrogativas dos demais oficiais.</p>
<p>Os oficiais de nível superior iniciam a carreira como capitães, posto
ao qual são promovidos ao final do curso de graduação em ciências
policiais, podendo progredir na carreira, respectivamente, aos postos de
major, que exige aproveitamento em curso de habilitação, e de coronel,
último posto da carreira, que exige especialização em gestão
pública.</p>
<p>Os oficiais são os gestores na instituição, o que exige formação em
curso de graduação para o desempenho das atividades que vão exercer,
seja em atividades administrativas, operacionais ou de gestão de ensino,
além de cursos de especialização para ascensão na carreira.</p>
<p>Sobre o Curso de Formação de Oficiais da Brigada Militar (CFO), a
partir da turma de 1974, foi exigido prova intelectual em processo
seletivo, idêntico ao ingresso a outros cursos superiores, inicialmente
com a UFRGS e, após o ano de 1978, junto à Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), assim, os candidatos ao CFO
passavam pelo mesmo processo seletivo (vestibular) que os demais
candidatos, porém com objetivo específico de ingressar, após formados,
nos quadros de oficiais da Brigada Militar, pois durante o curso, como
aluno oficial, era considerado praça especial.</p>
<p>O perfil de um candidato a oficial de uma instituição policial
militar oriundo do ensino médio, recém-concluído, era formado, em sua
maioria, por jovens com pouco mais de 18 anos de idade e alguns com o
serviço militar nas forças armadas recém-concluso. Rosa aponta que o CFO
perdurou de 1978 ao ano 2000, variando o tempo de duração entre três e
quatro anos, com adequações em seu currículo, porém sendo equiparado a
um curso de nível superior. Entretanto, “no final da década de 1990, a
Brigada Militar, mais uma vez esforçou-se em direção da qualificação dos
seus quadros, e passou a exigir que os candidatos tivessem o título de
Bacharel em Direito<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>” (ROSA, 2010,
p. 24).</p>
<p>Com esta alteração estatutária o perfil dos candidatos a oficiais da
Brigada Militar mais uma vez sofreria alteração significativa, porque
agora não seria mais composto essencialmente por jovens que recém haviam
atingido a maioridade, pois o concurso, antes vestibular, agora
selecionaria bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais para cursar o
Curso Superior de Polícia Militar (CSPM), que substituiria o antigo
CFO.</p>
<p>Conforme previsão no atual Plano de Carreira da Brigada Militar, Lei
Complementar Nº 10.992, de 18 de agosto de 1997, o ingresso na carreira
de nível superior exige a graduação em Ciências Jurídicas e Sociais e se
dá por meio de concurso público de provas e de títulos e, após a
formatura no Curso Superior de Polícia Militar, o aluno oficial é
promovido ao posto de capitão (Cap) e recebe o título de bacharel em
ciências policiais.</p>
<p>Ao longo dos anos, esses cursos de especialização foram desenvolvidos
por universidades em convênio com a Brigada Militar, com destaque para a
parceria firmada com a UFRGS no final da década de 90, quando houve
relevante atualização curricular, incluindo disciplinas de ciências
sociais até então com importância secundária diante da prevalência de
disciplinas jurídicas e técnicas.</p>
<p>A relevância que receberam as disciplinas de ciências sociais nos
currículos de formação e especialização de policiais militares no Rio
Grande do Sul perdura até os dias atuais, sendo inclusive aprimoradas
sempre que ocorre atualização curricular.</p>
<p><bold>A FORMAÇÃO DAS PRAÇAS</bold></p>
<p>As praças da Brigada Militar são representadas pelas graduações de
soldado, 3º, 2º e 1º sargento, diferentemente de outras polícias que têm
outras graduações, como cabo, subtenente e aspirante a oficial, este
último, considerado praça especial, pois a legislação estadual que
estabelece os postos e as graduações sofreu alterações por meio da Lei
Complementar Nº 10.992, no ano de 1997.</p>
<p>Esta mesma Lei Complementar estabeleceu a separação dos servidores
militares em duas carreiras, a de nível médio e a de nível superior,
todavia não necessariamente dividindo oficiais e praças, pois da
graduação de soldado ao posto de 1º tenente, que é oficial subalterno,
ficou na carreira de nível médio e, do posto de capitão ao último posto,
coronel, na carreira de nível superior.</p>
<p>A formação e o aperfeiçoamento dos oficiais e praças se dá,
geralmente, em escolas e organizações distintas. Sobre este tema
escreveu Guimarães: “O servidor de nível médio passou a depender da
realização de cursos profissionalizantes: Curso Básico de Formação
Policial Militar para o iniciante; Curso Técnico em Segurança Pública
para a promoção à sargento; e Curso Básico de Administração Policial
para a promoção à tenente” (GUIMARÃES, 2015, p. 156).</p>
<p>Historicamente, nos cursos de formação policial, percebe-se uma maior
atenção às disciplinas da área jurídica. Sobre esse privilégio em
detrimento às disciplinas de ciências sociais, Jacondino afirma que:</p>
<disp-quote>
  <p>este campo é constituído por disciplinas advindas das Ciências
  Sociais (direitos humanos, sociologia da violência, antropologia
  criminal e outras) e procura inserir, nos ambientes formativos dos
  policiais, conteúdos que conformem as práticas profissionais destes
  dentro de parâmetros ético/morais embasados nos direitos humanos.
  (JACONDINO, 2015, p. 29).</p>
</disp-quote>
<p>No final da década de 90, os cursos realizados pelo Departamento de
Ensino da Brigada Militar tiveram uma reformulação em suas disciplinas,
atualizando os currículos de acordo com os ditames da Constituição
Federal, que já completava a primeira década. As modificações nos
conteúdos programáticos, até então, se limitavam às disciplinas da área
jurídica, mas com as primeiras parcerias com as universidades houve uma
quebra de paradigmas mais contundente.</p>
<p>Este momento histórico no ensino policial militar gaúcho ficou
registrado por Guimarães ao descrever que:</p>
<p></p>
<disp-quote>
  <p>Esse processo, na época, foi realizado entre o ensino interno da
  organização e as entidades externas, especialmente no nível superior,
  o qual por mais de dois anos foi fruto de um trabalho conjunto com a
  Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Instituto de Filosofia e
  Ciências Humanas, para reestruturação dos cursos, no tocante ao
  conteúdo programático. Os novos currículos elaborados por esse grupo
  de trabalho aumentaram substancialmente as disciplinas nas áreas da
  sociologia, filosofia, psicologia e administração. (GUIMARÃES, 2015,
  p. 156).</p>
</disp-quote>
<p>A parceria com a UFRGS pode ser considerada uma iniciativa que mudou
o perfil de formação e aperfeiçoamento dos policiais militares gaúchos,
pois a colaboração transcendeu a elaboração e a atualização de
currículos, sendo que professores também foram convidados a participar
de bancas de avaliação de trabalhos e ministrar aulas em cursos de
formação e especialização, tanto de praças quanto de oficiais,
especialmente na área das ciências sociais, remanescendo a titularidade
docente de policiais militares como instrutores de disciplinas técnicas
e jurídicas.</p>
<p>Independente do posto ou da graduação do policial militar, sua
atividade não pode estar baseada apenas em conhecimentos teóricos
adquiridos nos cursos de formação ou especialização, devendo ser
revisitada e continuamente aperfeiçoada na rotina profissional e
balizada em valores pessoais que o cidadão já detenha quando selecionado
para exercer essa profissão.</p>
<p>Ainda sobre o perfil desejado do cidadão que aspira ser policial,
Rudnicki reflete que</p>
<disp-quote>
  <p>no que tange à operacionalização do ensino, a primeira questão que
  se impõe é a razão de um jovem decidir ser policial. Afinal isso irá
  definir o perfil dos sujeitos envolvidos no processo
  ensino-aprendizagem e deve pautar as ações da corporação desde o
  processo e recrutamento até a seleção de professores e estabelecimento
  de métodos. (RUDNICKI, 2007, p. 135).</p>
</disp-quote>
<p>O autor considera a vocação para o desempenho da profissão de
policial fundamental para o sucesso na carreira pois, além do risco à
integridade física, as condições de estrutura via de regra desfavoráveis
podem ser decisivas à frustração profissional.</p>
<p>Percebe-se que a intenção mais evidente com as mudanças curriculares
sofridas pelos cursos de formação de policiais militares foi adequar o
perfil destes profissionais para um servidor capacitado a proporcionar
um atendimento justo, digno e respeitoso aos cidadãos, fazendo valer na
prática as garantias firmadas pela Constituição Cidadã.</p>
<p><bold>ANÁLISE DOS CURSOS DE FORMAÇÃO PARA INGRESSO NA
BM/RS</bold></p>
<p>Na Brigada Militar há duas formas de ingresso via aprovação em
concurso público: para soldados, no nível
médio<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>, por meio do Curso Básico de
Formação Policial Militar (CBFPM) e para oficiais, no nível
superior<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>, através do Curso
Superior de Polícia Militar (CSPM) que formará os capitães.</p>
<p>Estes dois cursos de formação, por serem de ingresso na carreira,
possuem a maior carga horária, sendo que o CBFM, para soldados, possui
1.675 horas/aula (h/a) e o CSPM, para alunos-oficiais promovidos a
capitães ao final do curso, um total de 2.585 h/a. Além destes, há mais
quatro cursos institucionais<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref> e
somente para o público interno progredir na carreira, que são: o Curso
Técnico em Segurança Pública (CTSP), com 800 h/a; o Curso Básico de
Administração Policial Militar (CBAPM), com 620 h/a; o Curso Avançado de
Administração Policial Militar (CAAPM) e o Curso de Especialização em
Políticas e Gestão de Segurança Pública (CEPGSP), ambos com 555 h/a
cada, conforme Tabela 1.</p>
<p><bold>Tabela 1 – Cursos de Formação e Aperfeiçoamento na Polícia
Militar do RS</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Cursos da BM/RS</th>
      <th>Tipo de curso (formação ou aperfeiçoamento)</th>
      <th>Nº de Módulos</th>
      <th>Carga horária (h/a) de cada módulo ou semestre</th>
      <th>Nº de disciplinas</th>
      <th>Carga Horária</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>CBFPM</td>
      <td>Formação (para ingresso)</td>
      <td>03</td>
      <td>1-370; 2-1.025; 3-280</td>
      <td>53</td>
      <td>1.675 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CTSP</td>
      <td>Formação (evolução carreira)</td>
      <td>03</td>
      <td>1-295; 2-235; 3-270</td>
      <td>25</td>
      <td>800 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CBAPM</td>
      <td>Formação (evolução carreira)</td>
      <td>02</td>
      <td>1-290; 2-280+50</td>
      <td>21</td>
      <td>620 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CSPM</td>
      <td>Formação (para ingresso)</td>
      <td>04</td>
      <td>1-555; 2-765; 3-720; 4-545</td>
      <td>67</td>
      <td>2.585 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CAAPM</td>
      <td>Aperfeiçoamento/habilitação</td>
      <td>01</td>
      <td>1-555</td>
      <td>13</td>
      <td>555 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CEPGSP</td>
      <td>Aperfeiçoamento/habilitação</td>
      <td>01</td>
      <td>1-555</td>
      <td>17</td>
      <td>555 h/a</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Fonte: Departamento de Ensino da Brigada Militar – Divisão de
Ensino e Treinamento (DE/DET), 2019.</bold></p>
<p>Dos seis cursos regulares na Brigada Militar quatro são de formação:
CBFM e CSPM (para ingresso), e CTSP e CBAPM (para progressão na
carreira); os outros dois são apenas de habilitação à promoção do posto
superior: CAAPM e CEPGSP, cujos requisitos, objetivos e funções
encontram-se na Tabela 2.</p>
<p><bold>Tabela 2 – Cursos da Polícia Militar do RS e seus requisitos,
objetivos e funções futuras</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th>Cursos</th>
      <th>Requisito</th>
      <th>Quem forma</th>
      <th><disp-quote>
        <p>Objetivo do curso e funções futuras</p>
      </disp-quote></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>CBFPM</td>
      <td>Ensino Médio completo</td>
      <td>Soldados</td>
      <td><disp-quote>
        <p>Atuar na linha de frente junto à comunidade na atividade fim
        da corporação</p>
      </disp-quote></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CTSP</td>
      <td>Ensino Médio completo</td>
      <td>Sargentos</td>
      <td><disp-quote>
        <p>Supervisionar a atuação dos soldados e assessorar a chefia
        nas tarefas administrativas</p>
      </disp-quote></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CBAPM</td>
      <td>Ensino Médio completo</td>
      <td>Tenentes</td>
      <td><disp-quote>
        <p>Ser comandante de pelotão e frações destacadas e encarregado
        de procedimentos administrativos</p>
      </disp-quote></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CSPM</td>
      <td>Formação Jurídica completa</td>
      <td>Capitães</td>
      <td><disp-quote>
        <p>Funções gerenciais iniciais, ser comandante de Companhia PM,
        encarregados de inquéritos policiais militares, conselhos
        etc.</p>
      </disp-quote></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CAAPM</td>
      <td>Ser capitão</td>
      <td>Só habilita à promoção</td>
      <td><disp-quote>
        <p>Funções gerenciais intermediárias e de comando de tropa e
        unidades operacionais</p>
      </disp-quote></td>
    </tr>
    <tr>
      <td>CEPGSP</td>
      <td>Ser Maj. ou Ten. Cel.</td>
      <td>Só habilita à promoção</td>
      <td><disp-quote>
        <p>Funções gerenciais institucionais do alto comando e de
        administração da corporação</p>
      </disp-quote></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Fonte: Departamento de Ensino da Brigada Militar – Divisão de
Ensino e Treinamento (DE/DET), 2019.</bold></p>
<p>Tendo por objetivo identificar avanços que proporcionem uma formação
cidadã e participativa aos profissionais de segurança pública que
atuarão diretamente em contextos de violência e criminalidade, a seguir
será feita uma análise das categorias de classificação dos currículos
das disciplinas dos dois cursos de formação para ingresso na carreira da
BM/RS por Subáreas (SAs), ou seja, o curso de soldados e o de
capitães.</p>
<p>As SAs analisadas foram inicialmente apresentadas em estudo de
Tavares dos Santos com base em uma pesquisa de campo realizada entre
2010 e 2015 em 22 instituições de ensino policial no Brasil e com
pesquisa internacional acerca do tema em 15 países, sendo que o ponto de
partida para classificar os currículos dos cursos de formação, segundo
estas categorias, extraídos dos temas do Sistema Europeu de Educação e
Treinamento Policial de 1996, foram: “ciências sociais, valorização
profissional, estudos jurídicos, gestão pública, tecnologias policiais,
estágios e atividades complementares” (TAVARES DOS SANTOS, 2019, p.
230-231).</p>
<p>Dentre as disciplinas por subárea estão, por exemplo: a) ciências
sociais (sociologia da violência e da criminalidade, relações humanas,
ética e cidadania abordagem sociopsicológica da violência); b)
valorização profissional (saúde física, história da BM/RS, identidade
corporativa); c) estudos jurídicos (direito institucional, penal e
processual penal, administrativo, penal e processo penal militar, etc.);
d) gestão pública (administração pública aplicada à função, inteligência
policial, comando de frações, processo decisório, tomada de decisão,
etc.); e) tecnologias policiais (análise criminal, criminologia,
criminalística, uso da força e da arma de fogo, defesa pessoal,
abordagem policial, policiamento a pé, montado, ambiental, rodoviário,
aéreo, etc.), além de estágios práticos ao final dos módulos.</p>
<p><bold>O Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM) para
Soldados</bold></p>
<p>Foram identificadas modificações significativas no CBFPM nos últimos
tempos (antigo Curso de Formação de Soldados – CFSd), sendo que algumas
destas alterações se devem à obrigatoriedade de inserção da disciplina
de direitos humanos em todos os cursos e treinamentos da instituição,
conforme disposto nos Planos Nacionais de Direitos Humanos, assim como
uma adaptação às orientações e recomendações da Matriz Curricular
Nacional.</p>
<p>Conforme apontado no resumo dos cursos da Tabela 1, o CBFPM possui um
total de 1.675 h/a divididas em três módulos e um total de 53
disciplinas, sendo que o primeiro módulo é o chamado “propedêutico”, com
disciplinas introdutórias ao desenvolvimento da atividade policial, num
total de 370 h/a. O segundo módulo é denominado “polícia ostensiva” no
qual, além de dar continuidade às disciplinas previstas no módulo
inicial, têm oito disciplinas específicas sobre polícia ostensiva
(Doutrina, Técnica, Trânsito, Motorizado, Ambiental, Operações
Especiais, BOCOP/BOTC [sobre lavratura de Boletins e Comunicações de
Ocorrência Policial e lavratura de Termos Circunstanciados], Operações
de choque e uso de instrumentos de menor potencial ofensivo).</p>
<p>No terceiro e último módulo há uma inovação recente que é a formação
em Ensino a Distância (EAD) via Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA),
com 280 h/a subdivididas em três disciplinas: Condutor de veículo de
emergência (50 h/a); atividades
complementares<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref> para formação de
tecnólogo (180 h/a); e metodologia científica (50 h/a).</p>
<p>Conforme Gráfico 1 percebe-se que as SA de técnicas e tecnologias
policiais ocupa quase metade da carga horária total, com 45,67% do
curso, enquanto a SA de estudos jurídicos totaliza 21,19%, o que se
justifica pelo fato de formar os futuros executores do policiamento
ostensivo e atividades preventivas de polícia, sendo necessário um
profundo conhecimento em disciplinas como: inteligência policial, uso da
força e da arma de fogo, decisão de tiro, defesa pessoal e das diversas
modalidades e tipos de policiamento. Igualmente se justifica o
percentual de disciplinas jurídicas, considerando tratar-se de uma
atividade eminentemente legalista e o fato da quase totalidade dos
alunos soldados não possuírem formação nesta área do conhecimento.</p>
<p>Também é observada uma diminuta carga horária destinada a SA de
ciências sociais (7,16% do total do curso) comparativamente as SAs acima
referidas, pois esta reúne somente três disciplinas no primeiro módulo
totalizando 60 h/a: 1) Sociologia da Violência e da Criminalidade e
Abordagem Sociopsicológica da Violência, com 20 h/a; 2) Ética e
Cidadania (20 h/a); e 3) Relações humanas (20 h/a) e duas disciplinas no
segundo módulo, totalizando 60 horas-aulas: Direitos Humanos (30 h/a); e
Polícia Comunitária (30 h/a).</p>
<p>Com o mesmo argumento que estamos tratando de futuros policiais que
serão a linha de frente, avalia-se que esta carga horária destinada à SA
de ciências sociais deveria ser ampliada, pois desta forma aumentaria a
possibilidade de sucesso na esperada mudança cultural do perfil dos
policiais com mais respeito às garantias constitucionais dos
cidadãos.</p>
<p>Se identifica um percentual pertinente na SA de valorização
profissional com 8,65% da carga horária dividida em seis disciplinas e,
com apenas uma, de metodologia científica na SA de gestão
administrativa, recentemente incluída para reconhecimento do curso como
tecnólogo, fato que se repete na SA de atividades complementares com
10,74%, com três disciplinas em EAD.</p>
<p>Ao final dos módulos um e dois há um estágio supervisionado, com 30
h/a cada um, preferentemente já na unidade operacional onde os soldados
atuarão, perfazendo 3,58% do total da carga-horária do curso.</p>
<p><bold>Gráfico 1 – Percentual de carga horária por subárea no
CBFPM</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
<p><bold>Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados do DE/BMRS e
em Tavares dos Santos (2019, p. 231).</bold></p>
<p>O curso de formação de soldados tem especial importância, pois
formará os profissionais que representarão toda a instituição Brigada
Militar, sendo, geralmente, os primeiros representantes do poder público
a chegar no local de ocorrência para atender ao chamado policial, sendo
natural que a instituição seja vista pela sociedade pelo nível de
preparo técnico-profissional e pela postura dos soldados, por isso a
necessidade de atenção especial na sua formação, o que nem sempre se
percebe. Neste sentido Detoni destaca que:</p>
<p></p>
<disp-quote>
  <p>Em regra, como os cursos de formação de soldados são realizados em
  várias cidades, conforme a deficiência de efetivo e indicações
  políticas, os profissionais que lecionam no citado curso são
  integrantes da própria instituição, muitas vezes sem qualquer formação
  em sociologia, psicologia, filosofia, ou qualquer outra área das
  ciências humanas. (DETONI, 2014, p. 71).</p>
</disp-quote>
<p>Importante destacar a notada falta de policiais militares para
integrar o corpo docente das escolas, pois não há um quadro de
professores com dedicação exclusiva, necessitando conciliar a docência
com as atribuições do posto ou da graduação. Uma solução para este
problema poderia ser a celebração de convênios com universidades ou a
criação de quadro de instrutores, conforme ocorre em outras
polícias.</p>
<p><bold>O Curso Superior de Polícia Militar (CSPM) para
Capitães</bold></p>
<p>O Curso Superior de Polícia Militar (CSPM) substituiu o antigo Curso
de Formação de Oficiais (CFO) onde se passou a exigir o diploma de
Ciências Jurídicas e Sociais para ingresso, fato que gerou muitas
modificações na grade curricular, pois a exigência de escolaridade para
o CFO era o ensino médio.</p>
<p>As 2.585 h/a do curso são divididas em quatro módulos e/ou semestres,
totalizando 67 disciplinas, sendo a maior carga horária de todos os
cursos de formação da instituição, explicada por formar seus futuros
gestores.</p>
<p>Analisando o Gráfico 2, justificado pelo fato de os candidatos serem
bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais, há considerável redução na
carga horária da SA de estudos jurídicos (com 12,18%) em relação aos
demais cursos de formação. Da mesma forma, 15,08% do curso é destinado à
SA de gestão e administração pública, também justificada pelas
atribuições destes futuros profissionais que serão responsáveis pelo
comando de grandes efetivos da BM/RS e pela gestão de maior complexidade
ao longo de toda a carreira.</p>
<p>A maior carga horária é destinada à SA de técnica e tecnologias
policiais (com 48,16%) e, considerando que os capitães atuarão
diretamente na fiscalização e supervisão das atividades operacionais,
deverão deter conhecimento de toda a dinâmica da atividade policial. A
SA de valorização profissional também tem destaque na sua formação com
19,14%, justificado pelo fato de serem os futuros comandantes de
pelotões, companhias e batalhões.</p>
<p>Dentre as disciplinas do curso há muitas que foram inseridas após a
implantação dos PNDH e da MCN, como Direitos Humanos e Cidadania (30
h/a), Relações Humanas (45 h/a) e Estratégias de Policiamento
Contemporâneo (30 h/a). A inserção destas disciplinas foi fruto do
atendimento de recomendações da MCN apontadas pela Senasp. Também é
importante destacar que algumas disciplinas que possuíam conteúdo e
origem dos manuais das Forças Armadas deixaram de constar do currículo
dos cursos de formação e atualização policial.</p>
<p>A crítica construtiva está na reduzida carga horária na SA de
ciências sociais (2,32%), pois estamos tratando dos futuros gestores e
instrutores/professores das praças executores da atividade de
policiamento da instituição, por esta razão seria justificável uma
oferta maior de carga horária às ciências humanas.</p>
<p>Outro ponto de crítica é que, dos quatro semestres/módulos do curso,
apenas dois têm previsão de estágio totalizando apenas 3,09% do total do
curso, ou seja, durante a sua formação o futuro capitão passa
praticamente afastado da prática onde irá atuar diuturnamente após sua
formação.</p>
<p><bold>Gráfico 2 – Percentual de carga horária por subárea no
CSPM</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p><bold>Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados do DE/BMRS e
em Tavares dos Santos (2019, p. 231).</bold></p>
<p>Considerando o requisito da formação jurídica para ingresso no curso
que objetiva formar os oficiais de nível superior, essas disciplinas
restringem-se ao Direito Institucional, Penal Militar, Processo Penal
Militar e Direitos Humanos, todas fundamentais para o exercício diário
das atividades de um capitão de polícia militar, pois estas não são
ministradas no currículo dos cursos de graduação das faculdades de
direito.</p>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>Um sistema de segurança pública democrático passa, antes de tudo, por
qualificação humana e capacitação técnica dos seus operadores diretos,
neste aspecto ratifica-se integralmente a posição de Tavares dos Santos
(2014, p. 31) de que não há qualificação sem educação e não há educação
que possa depender exclusivamente de aprendizado adquirido antes e fora
das instituições.</p>
<p>O ensino policial pós-redemocratização, embora tenha apresentado
avanços, enfrentou inúmeros desafios. Dentre as medidas inovadoras
podemos destacar a adoção dos Planos Nacionais de Direitos Humanos, a
Matriz Curricular Nacional, a criação da Renaesp, assim como a
referência à educação no campo policial em vários documentos, leis e
planos, inclusive com sua inserção no plano nacional de segurança
pública em vigor.</p>
<p>Este estudo contemplou uma análise dos modelos de formação policial
anterior e posterior à Constituição Federal de 1988, especialmente no
tocante aos cursos de formação de oficiais e praças, onde as disciplinas
de Ciências Humanas passaram a ter lugar de destaque na malha curricular
adotada, em relação às disciplinas jurídicas e técnicas.</p>
<p>A análise histórica mostrou-se relevante para nos permitir
compreender as diversas fases das transformações do ensino na BM/RS,
pois constatou-se uma distância não só histórica como de atribuições que
distingue a Brigada Militar em sua fase bélica inicial da atual polícia
militar gaúcha com atribuição constitucional de polícia ostensiva e
preventiva.</p>
<p>Da análise dos programas e das disciplinas dos cursos de formação e
habilitação dos profissionais de segurança pública da Brigada Militar
extrai-se que, nos cursos analisados, houve inserção de disciplinas de
cunho humanístico, o que significou avanços na busca por uma formação
policial cidadã, e somente com planejamento e investimento adequado na
área de formação policial teremos um profissional de segurança pública
dotado do perfil desejado ao atual texto constitucional.</p>
<p>Em conclusão, as instituições de ensino policial estão vivenciando um
processo de mudanças, ainda que não lineares e nem deterministas, cujos
resultados parecem ambivalentes. Ora assistimos à reprodução da cultura
militarista e jurídico-dogmática, ora há mudanças importantes, a
emergência de outras noções, de outros conceitos, de outras pedagogias.
Observa-se um leque de experiências de inovação que, em vários lugares
do Brasil, revela o quanto a sociedade brasileira tem sido capaz de
propor um ofício de polícia como um construtor da cidadania e um
promotor de direitos humanos.</p>
<p>Tais experiências parecem ter sido orientadas por uma concepção
epistemológica da complexidade aplicada aos processos de educação das
polícias, com objetivos bem específicos, tais como: superar um saber
fragmentado e apenas instrumental e construir coletivamente
conhecimentos a partir de situações concretas e do estabelecimento de
conexões da teoria com a prática; promover a reflexão ativa e reflexiva
de todos os educandos; enfim, propiciar as condições para o
desenvolvimento de hábitos, comportamentos e responsabilidades éticas
referenciadas aos direitos humanos.</p>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
<p>BRASIL. <bold>Constituição da República Federativa do Brasil de
1988</bold>. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm.
Acesso em: 28 jan. 2021.</p>
<p>BRASIL. Ministério da Justiça. <bold>Programa Nacional de Direitos
Humanos</bold> (PNDH-I em 1996; PNDH-II em 2002; PNDH-III entre
2009/2010). Disponível em: http://dhnet.org.br/dados/pp/pndh/index.html.
Acesso em: 14 jan. 2021.</p>
<p>BRASIL. Ministério da Justiça. Senasp. <bold>Matriz Curricular
Nacional para a formação em Segurança Pública</bold>. Brasília: Senasp,
1 ed. 2002/2003; 2 ed. 2009. Versão Modificada e Ampliada. Disponível
em:
https://www.bibliotecadeseguranca.com.br/wp-content/uploads/2021/01/matriz-curricular-nacional-para-acoes-formativas-dos-profissionais-de-area-de-seguranca-publica.pdf.
Acesso em: 14 fev. 2021.</p>
<p>BRASIL. <bold>Decreto Nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009</bold>.
Aprova o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-III) e dá outras
providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d7037.htm.
Acesso em: 28 jan. 2021.</p>
<p>BRASIL. <bold>Decreto Nº 7.177, de 12 de maio de 2010</bold>. Altera
o Decreto Nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que aprova o PNDH-III.
Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7177.htm.
Acesso em: 28 jan. 2021.</p>
<p>BRASIL. Senasp/MJ. <bold>Portaria nº 1.148, de 12 de junho de
2012</bold>. Institui a Renaesp. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.lex.com.br/legis_23423328_">http://www.lex.com.br/legis_23423328_</ext-link>
Portaria_n_1148_de_12_de_junho_de_2012.aspx. Acesso em: 28 abr.
2019.</p>
<p>BRASIL. Ministério da Justiça. Senasp. <bold>Matriz Curricular
Nacional para ações formativas dos profissionais da área de segurança
pública</bold>. 3 ed. Coord.: PASSOS, A. da S. <italic>et al</italic>.
Brasília: Senasp, 2014. Disponível em:
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/2320/1/2matriz-curricular-nacional_versao-final_2014.pdf.
Acesso em: 14 maio 2019.</p>
<p>BRASIL. Câmara dos Deputados. <bold>Agenda de Segurança
Cidadã</bold>: por um novo paradigma. Brasília: Edições Câmara,
2018a.</p>
<p>BRASIL. <bold>Lei Nº 13.675, de 11 de junho de 2018</bold>.
Disciplina a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela
segurança pública, nos termos do § 7º do art. 144 da Constituição
Federal; cria a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social
(PNSPDS)... 2018b. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm.
Acesso em: 24 jan. 2021.</p>
<p>BRASIL. Ministério da Segurança Pública. <bold>Plano Nacional de
Segurança Pública 2018-2028</bold>. Disponível em:
https://www.justica.gov.br/news/copy_of_PlanoePolticaNacionaldeSeguranaPblicaeDefesaSocial.pdf.
Acesso em: 18 fev. 2021.</p>
<p>CEPOL – COLÉGIO EUROPEU DE POLÍCIA. <bold>Agência da União Europeia
para Treinamento Policial</bold>. Disponível em:
https://www.cepol.europa.eu/. Acesso em: 18 fev. 2021.</p>
<p>COTTA, F. A. Ensino e Pesquisa na Academia de Polícia Militar de
Minas Gerais: da formação do combatente ao pesquisador em Segurança
Pública. In: FRANÇA, F. G. de (Org.). <bold>Pesquisa em Segurança
Pública</bold>. João Pessoa: Ideia, 2020, p. 13-27. Disponível em:
https://www.academia.edu/43198671/Ensino_e_Pesquisa_na_Academia_de_Pol%C3%ADcia_de_Minas_Gerais.
Acesso em: 18 fev. 2021.</p>
<p>DETONI, M. P. <bold>Formação Policial</bold>: Contribuições
Pedagógico-Filosóficas. Curitiba: CRV, 2014.</p>
<p>FREVEL, B.; ROGERS, C. (Eds.). <bold>Higher Police Education</bold>.
London: Springer, 2018.</p>
<p>GUIMARÃES, L. A. B. A Brigada Militar no pós-democracia. In: LIMA, R.
S; BUENO, S. (Orgs.). <bold>Polícia e Democracia</bold>: 30 anos de
estranhamentos e esperanças. São Paulo: Alameda, 2015, p. 145-164.</p>
<p>GUIMARÃES RODRIGUES, C. R. <bold>Educação Policial e Segurança
Cidadã</bold>: A inserção da Matriz Curricular Nacional a partir da
experiência da Brigada Militar/RS. Curitiba: CRV, 2020.</p>
<p>JACONDINO, E. N. <bold>Saber/poder e corpo</bold>: a construção
micropolítica da educação/profissionalização policial militar,
latino-americana, pós-redemocratização política Brasil e Paraguai. v. 1.
Curitiba: CRV, 2015.</p>
<p>LARINI, B. P. <bold>A formação profissional de policiais de polícia
judiciária (escrivães e inspetores)</bold>: estudo dos currículos da
Academia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Dissertação (Mestrado em
Segurança Cidadã) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2020.</p>
<p>LUIZ, R. de S. <bold>O Currículo de Formação de Soldados da Polícia
Militar Frente às Demandas Democráticas</bold>. Dissertação (Mestrado em
Educação-Currículo) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São
Paulo, 2003.</p>
<p>LUIZ, R. de S. <bold>Ensino Policial Militar</bold>. Tese (Doutorado
em Educação-Currículo) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
São Paulo, 2008.</p>
<p>MOTA BRASIL, G. Os paradoxos da formação cidadã na polícia
brasileira. In: TAVARES DOS SANTOS, J. V.; BARREIRA, C. (Orgs.).
<bold>Paradoxos da segurança cidadã</bold>. Porto Alegre: Tomo Ed.,
2016, p. 397-420.</p>
<p>NASCIMENTO, D. A. <bold>Concepções da Educação Policial</bold>: O que
pensam os professores?. 1 ed. Curitiba: CRV, 2013.</p>
<p>ONU. PNUD. <bold>Rumo a uma Política Integral de Convivência e
Segurança Cidadã na América Latina</bold>: Marco conceitual de uma
interpretação-ação. 2007, p. 4-5. Disponível em:
https://www.br.undp.org/content/dam/brazil/docs/publicacoes/paz/seguranca-cidada-guia-marco-conceitual.pdf.
Acesso em: 11 out. 2019.</p>
<p>PINTO, N. M.; CARUSO, H.; PATRÍCIO, L.; ALBERNAZ, E. R.; CORTES, V.
de A. Cursos de Pós-Graduação em Segurança Pública e a construção da
Renaesp como política pública: Considerações sobre seus efeitos a partir
de diferentes olhares. In: LIMA, C. do S. L. (Org.) <italic>et
al</italic>. <bold>Avaliações, Diagnósticos e Análises de Ações,
Programas e Projetos em Segurança Pública</bold>. Brasília: MJ, Senasp,
2014 (Coleção Pensando a Segurança Pública, v. 4), p. 225-259.</p>
<p>PONCIONI, P. F. Tendências e desafios na formação profissional do
policial no Brasil. <bold>Revista Brasileira de Segurança
Pública</bold>, ano 1, ed. 1, p. 22-31, 2007.</p>
<p>PONCIONI, P. F. Governança democrática da segurança pública: O caso
da educação policial no Brasil. <bold>Civitas</bold>, PUCRS, v. 13, n.
1, p. 48-55, jan./abr. 2013.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. <bold>Constituição do Estado do Rio Grande do Sul
de 1989</bold>. Porto Alegre, 1989. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br/Legislacao/ConstituicaoEstadual. Acesso em: 8
fev. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. <bold>Lei Complementar Nº 10.990, de 18 de agosto
de 1997</bold>. Dispõe sobre o Estatuto dos Servidores da Brigada
Militar do Estado. 1997a. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br/filerepository/repLegis/10.990.pdf. Acesso em: 8
jan. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. <bold>Lei Complementar Nº 10.991, de 18 de agosto
de 1997</bold>. Dispõe sobre a Organização Básica da Brigada Militar do
Estado. 1997b. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br/filerepository/repLegis/10.991.pdf. Acesso em: 8
jan. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. <bold>Lei Complementar Nº 10.992, de 18 de agosto
de 1997</bold>. Dispõe sobre a carreira dos Servidores Militares do
Estado do Rio Grande do Sul. 1997c. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br/filerepository/repLegis/10.992.pdf. Acesso em: 8
jan. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. <bold>Lei Nº 12.349, de 26 de outubro de
2005</bold>. Lei de Ensino da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do
Sul. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br/filerepository/repLegis/12.349. Acesso em: 8
fev. 2021.</p>
<p>ROSA, R. K. da<bold>. Estratégia da Brigada Militar na melhoria do
seu sistema de ensino superior para a qualificação dos recursos humanos
e reconhecimento dessa estrutura por parte do MEC</bold>. Monografia
(Especialização em Políticas e Gestão da Segurança Pública) – Academia
de Polícia Militar da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, 2010.</p>
<p>RUDNICKI, D. <bold>A formação social de oficiais da Polícia
Militar</bold>: Análise do caso da Academia da Brigada Militar do Rio
Grande do Sul. Tese (Doutorado em Sociologia) – Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, 2007.</p>
<p>SCHABBACH, L. M. <bold>Direitos humanos e formação policial</bold>.
In: TAVARES DOS SANTOS, J. V.; MADEIRA, L. M. (Orgs.). Segurança cidadã.
Porto Alegre: Tomo Ed., 2014, p. 63-78.</p>
<p>SIMÕES, M. de A. <bold>Brigada Militar</bold>: Trajetória histórica e
evolução na Constituição. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2014.</p>
<p>SPANIOL, M. I. Avanços e desafios da segurança pública brasileira
pós-redemocratização. In: TAVARES DOS SANTOS, J. V.; VISCARDI, N.;
CAÑAS, P. E. A.; MOTA BRASIL, M. G. <bold>Violência, Segurança e
Política</bold>: Processos e Figurações. Porto Alegre: Tomo Ed., 2019,
p. 607-624.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V.; BARREIRA, C.; MOTA BRASIL, G. Notas sobre
a Segurança Cidadã e a Educação Policial. In: <sc>CÂMARA DOS
DEPUTADOS</sc>. <bold>Agenda de Segurança Cidadã</bold>: por um novo
paradigma. Brasília: Edições Câmara, 2018, p. 67-74.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. <bold>Violência e Conflitualidades</bold>.
Porto Alegre: Tomo Ed., (Série Sociologia das Conflitualidades, n. 3),
2009.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. Dilemas do ensino policial: das heranças às
pistas inovadoras. <bold>Segurança, Justiça e Cidadania: Educação
Policial</bold>, Brasília, ano 4, n. 7, p. 11-30, 2014.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. Inovação no Ensino Policial: história e
lições. In: <bold>IPEA</bold>. Política nacional de segurança pública
orientada para a efetividade e o papel da Secretaria Nacional de
Segurança Pública. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada,
2017, p. 53-60.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. Higher Education and Democratic Policing:
challenges from Latin America. In: FREVEL, B.; ROGERS, C. (Eds.).
<bold>Higher Police Education</bold>. London: Springer, 2018, p.
123-154.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. Ambivalência do Ensino Policial: educar ou
treinar? Um estudo em sociologia da conflitualidade. In: ADORNO, S.;
LIMA, R. S. <bold>Violência, Polícia, Justiça e Punição</bold>: Desafios
à Segurança Cidadã. 1 ed. São Paulo: Alameda, 2019, p. 229-300.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>Brigada Militar é o nome pelo qual a Polícia Militar (PM) é
    conhecida no estado do Rio Grande do Sul.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <p>O relato desta experiência do Ceará está disponível em: MOTA
    BRASIL (2016, p. 411-413).</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <p>Seguimos aqui a análise de Carlos Roberto Guimarães-Rodrigues,
    2020 (em primeira versão, foi Dissertação de Mestrado do Programa de
    Pós-Graduação em Segurança Cidadã da UFRGS, 2019). Para o caso da
    Polícia Civil, cf. LARINI, Belchior Paim, 2020.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <p>Assim são chamados os policiais militares que integram a Brigada
    Militar do estado do Rio Grande do Sul (BM/RS), nome pelo qual esta
    Polícia Militar (PM) é conhecida neste estado da Federação.</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <p>Esta mudança se deu com a troca do antigo Estatuto (LC Nº 7.138,
    de 30 de janeiro de 1978) pelo Estatuto atualmente em vigor (LC Nº
    10.990, de 18 de agosto de 1997), além da Lei Nº 10.991/97 (que
    dispôs sobre a organização básica da BM) e a Lei Nº 10.992/97 (que
    fixou o novo efetivo e mudou o plano de carreira).</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <p>A carreira de nível médio ainda prevê mais dois cursos de
    formação destinados àqueles que já são policiais e almejam ascensão
    na carreira: os soldados que se preparam para serem promovidos à
    graduação de sargentos por meio do Curso Técnico em Segurança
    Pública (CTSP); e os sargentos que almejam galgar o posto de tenente
    através do Curso Básico de Administração Policial Militar (CBAPM).
    Ambos ocorrem por concurso interno da corporação com vagas
    destinadas em 50% por antiguidade (tempo de serviço) e 50% por
    mérito intelectual.</p>
  </fn>
  <fn id="fn7">
    <p>Já na carreira de nível superior, os dois cursos de habilitação
    da instituição pré-requisitos para promoção são: o Curso Avançado de
    Administração Policial Militar (CAAPM), que habilita os capitães à
    promoção ao posto de major; e o Curso de Especialização em Políticas
    e Gestão de Segurança Pública (CEPGSP), que habilita os oficiais do
    posto de tenente-coronel à promoção ao posto de coronel, último
    posto da carreira de policiais militares.</p>
  </fn>
  <fn id="fn8">
    <p>A análise detalhada destes cursos internos para progressão na
    carreira da BM/RS pode ser encontrada em GUIMARÃES RODRIGUES,
    2020.</p>
  </fn>
  <fn id="fn9">
    <p>Estas atividades complementares para formação compreendem a
    conclusão de três cursos em EAD da Senasp que são: 1) Análise
    criminal; 2) Português instrumental; e 3) Tópicos em psicologia
    relacionados à segurança pública.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
