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<p><bold>Percepções sobre a igualdade entre homens e mulheres na Polícia
Militar do Rio Grande do Sul</bold></p>
<p><bold>Juliana Krupp da Silva</bold></p>
<p>Advogada especialista e pós-graduada em Direitos da Mulher (OAB/RS
119.885) e graduanda de Bacharelado em Filosofia (UFRGS). Integrou
projeto de pesquisa na área de Direito Penal e atuou como bolsista de
Iniciação Científica FAPERGS (PROBIC 2016-2017) em projeto voltado ao
estudo da Polícia Militar do Rio Grande do Sul e Direitos Humanos.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Canoas</p>
<p><bold>Email:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="mailto:julianakrupp@outlook.com"><underline>julianakrupp@outlook.com</underline></ext-link>
<bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-9362-6533"><underline>https://orcid.org/0000-0002-9362-6533</underline></ext-link></p>
<p><bold>Dani Rudnicki</bold></p>
<p>Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (1995) e em Comunicação Social, jornalismo, pela
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1991). Mestre em
Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1999) e doutor em
Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2007).
Professor do PPG Direito da Universidade La Salle/Canoas. Tem
experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Penal e Sociologia
da Violência (pesquisa sobre polícia e presídios). Além da vivência
acadêmica, dedica-se à advocacia e milita junto ao Movimento de Justiça
e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p><bold>Email:</bold> danirud@hotmail.com <bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-4984-3127"><underline>https://orcid.org/0000-0002-4984-3127</underline></ext-link></p>
<p><bold>Carmen Hein de Campos</bold></p>
<p>Doutora em Ciências Criminais (PUCRS). Foi professora do Mestrado em
Direitos Humanos (UniRitter) e do Mestrado em Segurança Pública
(UVV)</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p><bold>Email:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="mailto:charmcampos@gmail.com"><underline>charmcampos@gmail.com</underline></ext-link>
<bold>Orcid:</bold> https://orcid.org/0000-0002-4672-0084</p>
<p><bold>Contribuições dos Autores:</bold></p>
<p><bold>Juliana Krupp da Silva -</bold> Realização dos grupos focais
(organização e coleta de dados) e participação igualitária em relação
aos demais autores para a redação e formatação do texto.</p>
<p><bold>Dani Rudnicki -</bold> Concepção, planejamento e execução do
artigo. Interpretação dos resultados. Participação na escrita.
Discussão. Aprovação final da versão a ser publicada.</p>
<p><bold>Carmen Hein de Campos -</bold> Toda/os os/as autores/as
contribuições igualmente</p>
<p><bold>Resumo</bold></p>
<p>Este artigo busca analisar e compreender as percepções de gênero das
mulheres policiais militares do estado do Rio Grande do Sul e se o
discurso igualitário da corporação é consistente com as práticas
internas existentes. Para tanto, será abordado o contexto
histórico-social acerca das construções do gênero feminino e o seu
espaço de atuação profissional no âmbito das instituições policiais
militares. A pesquisa qualitativa, realizada em 2018, utilizou como
técnica para a coleta de dados grupos focais compostos por mulheres
policiais que ocupam o cargo de soldado na Polícia Militar do Rio Grande
do Sul (Brigada Militar). Observou-se que as policiais entrevistadas
sofrem situações de opressão e enfrentam dificuldades profissionais em
razão do gênero, o que contraria o discurso da corporação.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Mulheres policiais. Gênero. Igualdade.
Polícia Militar do Rio Grande do Sul.</p>
<p><bold>Perceptions of equality between men and women in the Military
Police of Rio Grande do Sul</bold></p>
<p><bold>Abstract</bold></p>
<p>This article seeks to analyze and understand the gender perceptions
of female military police officers in the State of Rio Grande do Sul and
if the corporation's egalitarian discourse is consistent with existing
internal practices. To this end, the historical-social context about the
constructions of the female gender and their space for professional
performance within the scope of military police institutions will be
addressed. The qualitative research realized in 2018 used focus groups
composed of policewoman's who occupy a Soldier's position in the
Military Police of Rio Grande do Sul (Military Brigade) as a data
collection technique. It was observed that the interviewed policewoman's
suffer situations of oppression and face professional difficulties due
to gender, which goes against the corporation's discourse.</p>
<p><bold>Keywords:</bold> Policewoman. Gender. Equality. Military Police
of Rio Grande do Sul.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 19/04/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 29/06/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n1.1485</p>
<p><bold>Introdução</bold></p>
<p>Este estudo tem como objetivo compreender as relações de gênero no
âmbito da Brigada Militar<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> a partir
das percepções das policiais femininas que atuam como
soldadas<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> na Instituição. A partir
de dois grupos focais realizados, no total, com 18 mulheres policiais,
analisou-se a congruência das afirmações sobre igualdade entre homens e
mulheres na profissão a partir de situações práticas experienciadas
pelas policiais em suas rotinas profissionais.</p>
<p>A inserção das mulheres no campo de atuação policial foi uma
importante conquista feminina. No entanto, apesar do espaço alcançado em
ocupações tradicionalmente masculinas, a noção de que a atividade
policial é relacionada ao gênero masculino e à virilidade ainda se faz
presente. Logo, tem-se que a abordagem na esfera da Brigada Militar sob
um recorte de gênero revela-se imprescindível não apenas para desvelar a
existência da desigualdade de gênero, mas também para proporcionar
melhorias nas condições e relações de trabalho das policiais militares
femininas, impulsionando, desta forma, avanços na instituição e, por
conseguinte, inúmeros benefícios para a sociedade.</p>
<p>Este artigo está alicerçado em uma pesquisa de campo realizada entre
setembro e outubro de 2018 e que procurou responder à seguinte questão:
como se produz o discurso sobre igualdade de gênero na Brigada Militar?
Esta indagação requer profunda análise histórico-social acerca das
construções sobre o gênero feminino e o seu espaço de desenvolvimento
profissional nas instituições policiais (militares).</p>
<p>A pesquisa utilizou como técnica para a coleta de dados o grupo
focal. Houve dois encontros: um grupo realizado no 9º Batalhão de
Polícia Militar (9º BPM), em 5 de setembro de 2018, e outro no Batalhão
de Operações Especiais (BOE), em 10 de outubro de 2018, ambos em Porto
Alegre, no estado do Rio Grande do Sul. Todas as participantes eram
policiais mulheres que ocupavam o cargo de soldado, razão pela qual
foram convidadas a participar da amostra, e foram
voluntárias<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, selecionadas
aleatoriamente, em razão da disponibilidade no batalhão, não havendo
escala operacional a cumprir no momento da realização dos grupos.</p>
<p>Ressalte-se que a metodologia aplicada – a realização de grupos
focais – foi imprescindível para uma produtiva obtenção de dados. Isso
porque, na dinâmica proposta, as participantes foram convidadas a
sentarem-se em círculo, sendo questionadas sobre assuntos pessoais e
profissionais, o que se desenvolveu em tom de conversa e as deixou mais
à vontade para expressarem as suas opiniões. As perguntas, que faziam
referência à vida pessoal das voluntárias, de modo geral, eram
realizadas para cada uma, ao passo que as perguntas acerca do âmbito
profissional eram direcionadas ao grupo. Neste aspecto, embora as
perguntas direcionadas aos dois grupos tenham sido idênticas, bem como
os apontamentos em relação aos anseios e às dificuldades profissionais
tenham sido semelhantes em diversos pontos, foi possível vislumbrar
diferenças no perfil das policiais dos dois grupos. Em relação à
desenvoltura e à comunicabilidade das participantes, percebeu-se que as
voluntárias do 9º BPM apresentaram um comportamento mais retraído,
exprimindo respostas bastante objetivas, sem grande desenvolvimento de
opiniões, e mantiveram a seriedade ao longo de quase toda a conversa,
com breves momentos de descontração. Por outro lado, as voluntárias do
BOE mostraram-se bastante à vontade, foram mais receptivas e
comunicativas, proporcionando uma coleta de dados fluída e entrevistas
com maior duração.</p>
<p>Importa mencionar que pesquisas sobre policiais militares femininas
têm sido objetivo de vários estudos (RIBEIRO, 2018; MUSUMECI; SOARES,
2004; CALAZANS, 2003; SCHACTAE, 2010; CAPELLE; MELO, 2010; MOREIRA,
2009; SOARES; MUSUMECI, 2005) e permitem compreender as formas de
resistência feminina criadas pelas mulheres policiais militares a fim de
contraporem-se à imposição de um modelo convencional masculino e
militar. Assim, observando os reflexos que decorrem desse processo
difuso entre a figura feminina e uma profissão historicamente
masculinizada, tomaremos como orientação referencial teórica a
substancial contribuição de Joan Scott (1995) sobre o estudo de gênero e
as relações de poder.</p>
<p>As participantes dos dois grupos focais declararam-se brancas e o
debate sobre racismo não apareceu nos grupos focais, limitando o estudo,
uma vez que o feminismo negro e os estudos decoloniais há muito têm
demonstrado a interseccionalidade de gênero, raça e classe (CARNEIRO,
2019; CRENSHAW, 2002; DAVIS, 2016; LUGONES, 2019). Nesse sentido,
compreendemos o sexismo, o racismo e a classe como estruturantes das
desigualdades e das opressões no Estado brasileiro e, portanto, presente
nas instituições policiais.</p>
<disp-quote>
  <p>Acreditamos que esta pesquisa se soma aos estudos que buscam
  compreender as relações de gênero em instituições marcadamente
  masculinas.</p>
</disp-quote>
<p><bold>As dimensões de gênero: mulheres nas instituições
militares</bold></p>
<p>O Estado e as suas instituições de poder, a exemplo das entidades
militares, polícias civil e federal, são ambientes predominantemente
ocupados por homens, onde suas ações e personificações são afirmadoras
de masculinidade (SCHACTAE, 2010, p. 1). Desse modo, as construções que
circundam a masculinidade atribuída aos indivíduos atuantes na área
policial são identificadas pelo uso da violência, pelo uso das forças
física e bélica, e pela coragem, representadas em fardas e armas
utilizadas pelo Estado como instrumentos de poder (SCHACTAE, 2010, p.
1).</p>
<p>Por outro lado, o desenvolvimento social que levou a modificar
algumas funções da polícia culminou no debate sobre a inserção das
mulheres nas instituições policiais para acompanhar e atender às
demandas sociais mais recentes. Assim, os preceitos tradicionais das
organizações policiais, tais como força física e virilidade, são postos
em discussão, passando a valorizar a inovação, a inteligência, a
capacidade de resolução de conflitos e a desenvoltura no trabalho em
equipe (CALAZANS, 2003, p. 37).</p>
<p>O ingresso das mulheres nas polícias militares ocorreu, inicialmente,
na década de 1950 (RIBEIRO, 2018, p. 1), no entanto, este processo de
inclusão foi lento, pois a participação de mulheres nas polícias de todo
o país passou a ser regulamentada, de fato, somente no ano de 1977,
ainda no período da ditadura militar, por meio de uma portaria do
Estado-Maior do Exército, que era incumbido de aprovar a organização
normativa das polícias militares (SOARES; MUSUMECI, 2005, p. 29). No ano
de 1984, surge a nova redação do Decreto-Lei Nº 667, de 2 de julho de
1969 – que, até então, nada mencionava sobre o tema – incluindo “o
ingresso de pessoal feminino” nos quadros regulares das polícias
militares de todo o país (CALAZANS, 2003, p. 29).</p>
<p>Por volta de 1986, após o período ditatorial, acompanhando uma
evolução social que atendia a “demandas e pressões sociais pela
democratização de um campo de trabalho secularmente fechado à
participação feminina” (SOARES; MUSUMECI, 2005, p. 15), as mulheres
passaram a fazer parte oficialmente das corporações policiais
brasileiras.</p>
<disp-quote>
  <p>Outro fator de relevância que impulsionou a inclusão de mulheres
  nas polícias foi a necessidade de “humanizar” as instituições de
  controle no período final e posterior à ditadura militar, a fim de
  dissociar a imagem da Polícia Militar da brutalidade e das violações
  de Direitos Humanos cometidas durante a ditadura e modificar as
  concepções de segurança pública. Note-se, neste ponto, que a
  simbologia de humanização atrelada à mulher reforça os estereótipos
  relacionados ao gênero feminino. Conceitualmente, estereótipo alude a
  uma “representação cultural preexistente” que antecipa as concepções
  imagéticas sobre o outro a partir de “modelos culturais pregnantes”
  (AMOSSY, 2008, p. 125) e que, neste contexto brasileiro de inserção de
  mulheres nas polícias, importou na necessidade de um padrão de
  instituição ligado à performance do feminino e suas noções
  naturalizadas de amabilidade, delicadeza e sensibilidade.</p>
  <p>Assim, as polícias militares não passaram por uma reestruturação
  profunda em sua estrutura ou cultura institucional (MUSUMECI; SOARES,
  2004, p. 185) e não se modificaram com o ingresso de mulheres, apenas
  incorporaram uma demanda já existente em outros países (SOARES;
  MUSUMECI, 2005, p. 15). Como destaca Calazans (2003, p. 16), a
  organização começou um processo de feminização sem que esse ingresso
  fosse discutido e preparado, consequentemente, apenas aderindo à
  modernização do mundo do trabalho.</p>
  <p>Neste panorama, importa referir que o gênero tem sido uma
  importante categoria de análise feminista, pois desloca-se da
  concepção biologizante associada ao conceito de “sexo”. Uma das
  definições de gênero mais usuais no Brasil e que, oportunamente,
  respalda o desenvolvimento teórico deste artigo, é a formulada por
  Joan Scott (1995, p. 72), que afirma que: “gênero é um processo de
  construção de identidade” que ocorre a partir de fenômenos sociais de
  aspecto histórico e, também, cultural. A autora rejeita, portanto,
  “explicações biológicas” na formação das “identidades subjetivas de
  homens e mulheres” e indica que estas identidades são, em sua origem,
  “construções culturais” (SCOTT, 1995, p. 75). Para Scott (1995, p.
  72), gênero é, essencialmente, uma “organização social da relação
  entre os sexos” e sua definição substancial possui duas asserções,
  quais sejam: “é um elemento constitutivo de relações sociais baseadas
  nas diferenças percebidas entre os sexos” e, conjuntamente, “uma forma
  primária de dar significado às relações de poder” (SCOTT, 1995, p.
  86). Esta estruturação e conceituação da categoria gênero, situada sob
  as óticas do feminino e do ofício policial, revela-se elementar para
  compreender a forma como a idealização sobre o gênero feminino e seus
  determinados “papéis sexuais” (SCOTT, 1995, p. 75) afastam a mulher de
  um ser dotado de propriedades como virilidade, força e bravura para a
  ação e o combate – noções que constroem o homem – e que são
  característicos na expressão das atividades desenvolvidas pela polícia
  (MOREIRA, 2009, p. 1). A construção do gênero feminino afasta a
  mulher, sobretudo, do poder.</p>
</disp-quote>
<p>Para Scott (1995, p. 92), o “processo social das relações de gênero”
é parte do significado de poder, de modo que contestar ou desconstruir a
concepção de gênero e suas relações representa uma ameaça a toda ordem
política e social. Com efeito, a designação de que cada sujeito binário
(homem ou mulher) deve comportar-se de certo modo e desempenhar um
correspondente papel social definido de acordo com o gênero, moldando-se
a uma hierarquia de poder, pode ser evidenciada não apenas nos discursos
das policiais entrevistadas, como veremos adiante, mas também na
composição e estruturação das relações estabelecidas na instituição.</p>
<disp-quote>
  <p>Se o estereótipo feminino sempre conferiu às mulheres, sobretudo às
  mulheres brancas, uma condição de pouca força física e grande
  sensibilidade emocional – daí a função maternal associada ao cuidado,
  à proteção e ao suporte do lar (LUZ; FUCHINA, 2009, p. 4) –, o
  ingresso das mulheres na Polícia Militar provoca fissuras, mas não
  rupturas, pois a maioria delas ainda exerce funções administrativas e
  não operacionais (CAPELLE; MELO, 2010, p. 85). Não raras vezes, a
  presença feminina nas polícias militares reproduz os padrões sociais
  vigentes, seja pela ocupação de cargos de menor importância, pelo
  acesso limitado aos postos de comando ou pelo desempenho de funções
  mais desvalorizadas, tipicamente associadas ao mundo doméstico
  (SOARES; MUSUMECI, 2005, p. 17).</p>
  <p>Nem mesmo a Constituição democrática (Brasil, 1988), com seu
  programa antidiscriminatório, conseguiu impor a igualdade, de fato,
  nas polícias militares no Brasil. Importa referir que, conforme a
  Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), foi somente na
  primeira década do século XXI que as mulheres atingiram os cargos mais
  altos das instituições policiais (SENASP, 2013, p. 13).</p>
  <p>Nesse sentido, os dados apresentados em 2015 pelo Fórum Brasileiro
  de Segurança Pública (FBSP) sobre as mulheres nas instituições
  policiais informam a baixa representação feminina nas polícias de todo
  o Brasil e revelam que as mulheres que atuam nessas instituições
  sofrem abusos, assédio, preconceitos e enfrentam diversas barreiras na
  vida profissional em razão do gênero. A pesquisa quantitativa foi
  realizada por meio da aplicação de questionário virtual e contou com a
  participação de agentes homens e mulheres de todo o país. Segundo os
  dados, a Polícia Militar é a instituição que apresentou o menor número
  de mulheres na corporação, sendo apenas 12,3%, enquanto as mulheres
  tiveram a maior representação na polícia científica/perícia,
  significando 38,6% da corporação (FBSP, 2015, p. 9).</p>
</disp-quote>
<p>Sobre discriminação e violência de gênero nas instituições, apurou-se
que 62,9% das mulheres policiais que responderam à pesquisa já
experimentaram pessoalmente comentários inapropriados ou sexuais no
ambiente de trabalho e que 55,2% consideram as piadas ou comentários
sobre sua aparência física, orientação sexual ou capacidade cognitiva
como formas de violência de gênero. Ainda constatou-se que 38,8% dos
respondentes acreditam que as mulheres usam de trocas de favores sexuais
para ascenderem hierarquicamente em sua instituição e 40,4% das mulheres
também concordam com essa afirmação (FBSP, 2015, p. 15-16).</p>
<p>Com base nesses dados, é possível perceber que a inserção das
mulheres na atividade policial está longe de significar um avanço na
igualdade entre os gêneros nas instituições de segurança pública. Apesar
de todo o progresso histórico no sentido de acompanhar as novas
estruturas sociais e políticas, as mulheres ainda são minoria nas
corporações e enfrentam preconceitos e degradações em âmbito
profissional, do que se depreende que a masculinidade é um instrumento
de poder intrínseco às instituições policiais. A Polícia Militar do Rio
Grande do Sul não foge à regra.</p>
<p><bold>Brigada Militar e presença feminina nos batalhões</bold></p>
<p>A Brigada Militar existe há 182 anos e possui forte ligação com a
tradição rio-grandense. Isso porque uma primitiva organização de polícia
que operava no arranjo de defesa e manutenção da ordem e que, mais
tarde, se constituiria na Brigada Militar, sempre esteve presente nos
momentos mais importantes e decisivos do estado; em sua narrativa, ela
declara a própria história confundida com a história do Rio Grande do
Sul (RUDNICKI, 2007, p. 155).</p>
<p>Nesta linha, percebe-se que a Brigada Militar é uma polícia bastante
orientada por seus valores. De inspiração tradicional, a essência
estrutural da instituição reforça, sobretudo, a disciplina e a honra no
compromisso com a sociedade, e salienta, em seus princípios, o empenho
em atuar dentro dos parâmetros legais.</p>
<p>Na instituição, a hierarquia de cunho militar é basilar no sistema de
gestão das funções e atribuições da atividade policial, sendo
aspecto-chave para a compreensão da estrutura vertical de comando e
autoridade na Brigada Militar. A hierarquia da Polícia Militar gaúcha é
dividida entre praças e oficiais, em que os soldados e sargentos, que
pertencem à categoria de praças, acatam as ordens de capitães, majores,
tenentes-coronéis e coronéis, que constituem a categoria de oficiais,
sendo que cada um, respectivamente, deve obediência ao seguinte da
escala hierárquica.</p>
<p>Acompanhando a tendência no país, as características militares e o
conservadorismo existentes na Brigada Militar não foram limitadores para
o ingresso das mulheres após a sua abertura ao trabalho feminino. Neste
aspecto, é fundamental compreendermos a representatividade feminina na
corporação nos dias de hoje.</p>
<p>O número total de agentes que compõem a categoria de praças é de
15.519, sendo que destes, 12.956 agentes são do sexo masculino e 2.563
são do sexo feminino, o que corresponde a 16,3% de mulheres. Na
classificação de oficiais, o efetivo total é de 1.310, em que os homens
representam um número de 1.156 agentes, enquanto as mulheres nesta mesma
categoria somam 154 agentes, o que representa 11,7% de
mulheres<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>. Nesse sentido, é
possível extrair que, de um efetivo geral de 16.829 agentes, existem
somente 2.717 mulheres nos quadros da Brigada Militar, representando
apenas 16,1% do efetivo geral, o que talvez possa ser atribuído à
recente inclusão do sexo feminino na instituição.</p>
<p>Analisando o panorama histórico em âmbito gaúcho, foi em 1985 que se
criou a Companhia de Polícia Militar Feminina da Brigada, por meio da
Lei Estadual Nº 7.977 (RIO GRANDE DO SUL, 1985), regulamentando o
ingresso de soldadas, cabos, sargentas e oficiais femininas. A criação
dessa primeira companhia de Polícia Militar feminina gaúcha, que se deu
no fim do período ditatorial brasileiro, tinha objetivo manifestamente
conservador na atribuição de funções às mulheres, incumbindo-as dos
atendimentos considerados mais sensíveis, tais como a assistência em
ocorrências envolvendo idosos, crianças e mulheres (CHAGAS, 1987, p.
38).</p>
<p>Com um efetivo de dez agentes, a primeira turma de policiais
militares feminina foi admitida em 17 de fevereiro de 1986 e, de início,
participariam das aulas ministradas na Academia de Polícia Militar
(APM), no Curso de Habilitação de Oficiais Femininas (CHOFem), cuja
conclusão ocorreu em 24 de julho de 1987, momento em que se tornaram
aptas a exercer as atividades de coordenação dentro da Brigada Militar.
Outras duas datas de grande importância foram o dia 31 de julho de 1987,
quando se formou a primeira turma de sargentas, e o 25 de setembro do
mesmo ano, quando aconteceu a formatura da primeira turma de soldadas.
Por conseguinte, é nesta data que se instaura efetivamente a 1ª
Companhia de Polícia Militar Feminina (CONSUL, 1999, p. 47).</p>
<p>Considerando que os comandantes não tinham confiança suficiente na
capacidade do trabalho das agentes femininas, criaram-se normas que
limitavam consideravelmente a atuação das mulheres dentro da
instituição. Entre elas, estavam a estipulação de horário laboral, que
seria somente das 7 horas às 18 horas, e escalas em locais de pouco
risco, como escolas, rodoviárias, eventos culturais e festivos com
acompanhamento de numeroso efetivo masculino, bem como houve redução da
jornada de trabalho em relação à dos policiais homens (CONSUL, 1999, p.
48).</p>
<p>O quadro especial de Polícia Militar feminina do RS foi extinto e
unificado aos quadros masculinos em 1997, doze anos após a criação da
Companhia de Polícia Militar Feminina da Brigada Militar, possibilitando
às mulheres a concorrência aos mesmos cargos que até então eram
reservados e ocupados, por força de lei, exclusivamente pelos seus
colegas homens. Em razão dessa unificação, as tarefas entre homens e
mulheres passaram a ser atribuídas sem levar em conta o gênero, tendo as
policiais femininas a possibilidade de alçarem os postos mais altos da
hierarquia da Brigada Militar (CALAZANS, 2003, p. 47).</p>
<p>É importante referir que a equiparação formal existente entre os
sexos hoje, na Brigada Militar, não significa oportunidades homogêneas
de ascensão na carreira. Isso porque, como anteriormente revelado por
meio dos dados sobre o número de agentes na instituição, categorizados
por posto e sexo, tem-se que o número de mulheres, em geral, ainda é
bastante baixo na Brigada Militar e, proporcionalmente, é menor ainda
quando se analisa o número de oficiais mulheres ocupando os postos mais
altos da hierarquia.</p>
<p><bold>Analisando o discurso da igualdade de gênero na
instituição</bold></p>
<p><bold>Considerações gerais sobre o perfil das soldadas
participantes</bold></p>
<p>Para a pesquisa de campo desenvolvida, foram ouvidas, no total,
dezoito policiais militares mulheres pertencentes à categoria de
soldado. No grupo focal realizado no 9º BPM participaram dez soldadas,
sendo uma delas transexual, e todas atuavam tanto no policiamento
ostensivo quanto no setor administrativo do batalhão, com revezamento de
escalas. Elas tinham idades entre 25 e 34 anos, sendo que, destas, oito
eram solteiras e duas casadas, e somente uma delas era mãe (tinha um
filho). O ano de ingresso na Brigada Militar variava entre 2007 e 2017,
e, quanto ao grau de escolaridade, quatro voluntárias tinham Ensino
Médio, duas eram graduadas em Direito e as outras quatro estavam
frequentando a faculdade de Direito.</p>
<p>O grupo focal realizado no BOE contou com a presença de oito
soldadas, que também estavam internamente distribuídas nas funções
administrativas e operacionais. As participantes tinham idades entre 24
e 35 anos; três delas eram casadas, três eram solteiras, uma vivia em
união estável e outra era divorciada; três tinham filhos e outra, à
época da realização do grupo focal, estava grávida. Elas ingressaram na
Brigada Militar entre 2003 e 2017 e, com relação ao nível escolar, duas
tinham Ensino Médio completo, três estavam cursando faculdade de Direito
e outras três já eram graduadas nos cursos de Educação Física, História
e Ciências Contábeis.</p>
<p>As soldadas do 9º BMP foram enfáticas ao afirmarem que a escolha da
profissão se deu em razão da estabilidade profissional, sendo que apenas
duas mencionaram também a admiração pela profissão policial,
acrescentando que “Foi a estabilidade e tentar ascender na carreira” e
“Estabilidade financeira, fato”. Por outro lado, as participantes do BOE
declararam que a escolha foi determinada, sobretudo, em razão da
admiração ao militarismo e à atividade policial, ocorrendo, muitas
vezes, por influências familiares:</p>
<disp-quote>
  <p>Eu tinha uma vontade de contribuir de alguma forma com a sociedade,
  tanto é que eu fiz magistério antes, que eu queria algo pra ajudar as
  crianças a terem uma boa educação e tal. Aí depois, eu sempre admirava
  muito o militarismo, aí eu tentei conciliar os dois, né, militarismo
  mais alguma forma de ajudar a sociedade, e aí eu busquei a Brigada
  Militar. Soldada do BOE.</p>
  <p>“Eu, também, foi meus irmãos, eu tenho meus irmãos da Brigada,
  sempre quis ser polícia, sempre gostei do militarismo e procurei... E
  quando eu fazia o curso, eu queria vir pro BOE.” Soldada do BOE.</p>
</disp-quote>
<p>Uma das participantes mencionou que, apesar do suporte e da
influência familiar para a escolha da profissão, encontrou dificuldades
de aceitação em seu círculo de convivência, o que atribuiu a posições
políticas:</p>
<disp-quote>
  <p>Eu também... É de família, meu pai é policial militar. Até
  enfrentei um pouco de barreira antes de fazer o concurso, perdi
  conhecidos de faculdade porque eu era estudante de História, eu tinha
  21 anos, a grande maioria é da linha de esquerda [palavra inaudível],
  mas eu entrei com aquele pensamento que eu acho que a Brigada Militar
  tinha que ter, sim, pessoas, né, que fossem da área de humanas.
  Soldada do BOE</p>
</disp-quote>
<p>Acerca disso, os estigmas que circundam a estrutura, as atribuições e
os modos de operação da Brigada Militar e que, consequentemente,
refletem na concepção sobre grupo de policiais militares, podem ser as
razões pelas quais as agentes acabam enfrentando barreiras e
afastando-se de seu círculo social. Para elas, resta evidente a
incompreensão das pessoas em relação aos hábitos e às rotinas da esfera
militar.</p>
<p>Veja-se, outrossim, que o trabalho policial prescinde de uma
socialização e adaptação com a rotina e o modo de vida da Polícia
Militar, que distancia os sujeitos de formas de vida não conciliáveis a
esta (NUMMER, 2005, p. 44-45). O fato de tornar-se policial militar e
partilhar com colegas de trabalho os mesmos estigmas e situações
decorrentes da profissão cria nos sujeitos relação de cumplicidade e
noção de pertencimento a um grupo social determinado que, neste caso, é
a corporação da Brigada Militar.</p>
<disp-quote>
  <p>Neste panorama, importa observar que no regime de socialização e
  treinamento para a atuação na Polícia Militar ocorre um processo de
  institucionalização do sujeito que leva à desconstrução de sua
  identidade profissional individual e estabelece uma identificação
  coletiva associada ao heroísmo da investidura policial, consumando a
  mortificação do eu (CALAZANS, 2003, p. 101). É, portanto, sob a ótica
  de instauração e apropriação do espírito de corpo que a dimensão
  institucional é posta acima da dimensão individual e as mulheres
  policiais percebem-se ocupando o mesmo lugar de seus colegas homens
  (CALAZANS, 2003, p. 101).</p>
</disp-quote>
<p>A partir do sentimento de pertencimento ao grupo na identidade
militar e a percepção de que a coletividade prevalece sobre o indivíduo
(CASTRO, 1990, p. 43), tem-se que uma conduta considerada negativa
praticada por uma agente pode afetar a imagem de todo grupo de policiais
femininas. Sobre isso, as soldadas afirmaram que: “Durante o curso
acontecem muitas coisas, assim, em relação a colegas, né, de namoro,
enfim, né, que as mulheres acabam não se dando ao respeito e a tudo isso
que elas conquistaram… Tem isso também.” Soldada do 9º BPM. “Acaba que
as próprias mulheres fazem rebaixar esse pensamento de ‘ai, porque as
mulheres são assim’. É uma que outra, que daí ‘ah, porque fem (policial
feminina) não presta’, porque uma não quer trabalhar às vezes.” Soldada
do BOE.</p>
<disp-quote>
  <p>[...] Foi que nem no, acho que foi no nosso curso, Rafaela? [...]
  “Ai eu não consigo levantar escudo”, mas era a guria que tava
  falando... Não quero mais e largou o escudo, e aí alguém teve que
  pegar o escudo dela. Vem mais da mulher às vezes que do homem. Aí
  depois o homem fala “bah, mas...”, daí tu vai dizer o quê? “Bah, pior
  que é verdade”. Tu vai ter que concordar. Soldada do BOE.</p>
</disp-quote>
<p>Pode-se observar que existe uma preocupação em torno dos
comportamentos femininos dentro do batalhão e dos julgamentos que podem
decorrer dessas condutas, atingindo, de forma generalizada, o grupo de
policiais femininas. Desde muito novas, as mulheres são ensinadas a agir
de acordo com o que se espera delas e a interagir socialmente sob um
contexto de constrições em diversos aspectos de sua conduta (modo de se
portar, uso de um linguajar adequado, imposição de determinadas roupas,
entre outros). Esta série de expectativas e regramentos comportamentais
culturalmente construídos para serem condizentes com os papéis adequados
às mulheres e ao gênero feminino (SCOTT, 1995, p. 75) reflete-se, por
conseguinte, no ambiente de trabalho, pois aquela mulher que desviar do
padrão comportamental culturalmente imposto não é considerada uma
“mulher de respeito” e deve, assim, sofrer represálias (RIBEIRO, 2018,
p. 9).</p>
<p>É, portanto, nestes mecanismos de controle do gênero masculino sobre
o gênero feminino, por meio de contextos e atividades sexualmente
divididas, que residem as relações de poder referidas na obra de Joan
Scott (1995). Os padrões sociais e o machismo que circunda a vida das
mulheres, mesmo que elas estejam em cargos profissionais historicamente
masculinizados como a atividade policial, impõe às policiais femininas
uma necessidade constante de afirmação da capacidade laboral e cuidado
incessante com a imagem pessoal, sob pena de depreciação da sua própria
imagem e do trabalho das mulheres como um todo.</p>
<p><bold>Os estereótipos masculinos e femininos no exercício da
profissão</bold></p>
<p>Inicialmente, sobre condições ou limitações físicas, as participantes
declararam que não encontram dificuldades para a execução do trabalho,
pois, caso necessitem de ajuda, elas solicitam a algum colega de farda.
Mencionaram, porém, que se sentem em desvantagem física em relação aos
colegas homens, mas que isso não as impede de realizar nenhuma atividade
que lhes seja atribuída dentro da Brigada Militar: “Eu não tenho como
comparar, por exemplo, o meu tamanho com o tamanho da maioria dos guris,
não tem como comparar.” Soldada do 9º BPM. “Na questão física, por
exemplo, a gente vai correr, eu tenho que, pra eu alcançar eles, eu
tenho que correr bem mais que eles, porque minhas pernas são curtas.”
Soldada do 9º BPM.</p>
<disp-quote>
  <p>Eu acho assim, ó, que eu fiquei, trabalhei quatro anos no pelotão
  de choque e lá também não tinha diferenciação, muito pelo contrário,
  os guris têm um grande respeito por nós, sempre tiveram um grande
  respeito... Claro, tem algumas coisas que às vezes fogem, né, até pela
  força física ou enfim... Mas tratamento diferenciado ou atribuições
  diferenciadas, não. Soldada do BOE.</p>
</disp-quote>
<p>Assim, elas revelaram a existência de diferenças concretas nas
questões de aptidão física, afirmando que os homens têm melhor
desempenho neste aspecto. Nesse sentido, Soares e Musumeci (2005, p. 97)
explicam que as mulheres vivenciam a contradição de terem que se afirmar
em suas capacidades para poderem acessar os mesmos privilégios
masculinos e, ao mesmo tempo, precisam negar a condição de iguais para
que lhes sejam atribuídas tarefas e condições de trabalho adequadas às
suas particularidades no batalhão.</p>
<p>Note-se, sobre isso, que há entre as policiais femininas a
necessidade de afirmarem-se profissionalmente equiparando-se aos homens,
buscando a “superação de limites” pessoais, demonstrando, de maneira
exemplar, estarem aptas ao “rigor da disciplina policial” (SOARES;
MUSUMECI, 2005, p. 97). Importa, para o exercício da profissão que
exercem, a demonstração de persistência, empenho e obstinação,
características de destaque da atividade policial.</p>
<disp-quote>
  <p>Ao serem questionadas sobre as diferenças entre ser subordinada a
  um oficial homem ou mulher, a maioria das participantes afirmou que
  nunca esteve sob o comando de uma oficial do gênero feminino. Por
  outro lado, algumas participantes que já foram comandadas por
  mulheres, divergiram de opinião, referindo que podem ou não existir
  diferenças entre ser comandada por um oficial homem ou mulher. De
  início, algumas policiais disseram não haver distinções, porém, após
  algumas colocações de colegas com pensamento oposto, criou-se um
  consenso sobre a existência de condutas discriminatórias perpetradas
  por alguns oficiais homens, em caráter de “exceção”: “Eu já passei por
  uma situação porque o oficial era homem, eu era mulher e ele não
  gostava de trabalhar com mulher, e ele não foi muito com a minha
  cara.” Soldada do BOE.</p>
  <p>O homem eu acho que acaba tendo mais cuidado, por ser oficial,
  porque a gente tem problemas dentro da Brigada claríssimos quanto a
  assédio, então a gente tem que ter mais cuidado, conforme, né... E a
  questão da mulher é ciúme, então, se tendo uma capitã, geralmente, ou
  sei lá, uma major, uma coronel, a gente geralmente vê que tem um pouco
  mais de problema... Soldada do 9º BPM.</p>
</disp-quote>
<p>Nesse contexto, houve relato sobre a existência de casos de assédio,
opressão e demais dificuldades enfrentadas por mulheres dentro dos
batalhões:</p>
<disp-quote>
  <p>Mas é uma coisa, assim, bastante difícil, né, porque assim como tem
  igualdade hoje em dia, falta bastante ainda pra alcançar. Agora ela
  falou de curso... Quando eu tava terminando o curso, a sargento que
  me... Teve a primeira, né, a primeira turma... Ela chorou, assim, elas
  falando que era pra gente se cuidar com os assédios sexuais, com...
  Assédio moral, com vários assédios assim, porque ela já passou, ela e
  a turma dela tinha passado por muitas coisas na época dela, era
  separadas as turmas, né. Soldada do BOE.</p>
  <p>Note-se que, ao ingressarem na instituição, as policiais são
  alertadas por suas colegas de farda mais experientes a “cuidar” com
  casos de assédio. Estas situações de constrangimento e assédios sexual
  e moral corroboram as encontradas por Ribeiro (2018, p. 9) e, como
  afirma a autora, operam como mecanismos estratégicos para a manutenção
  da hierarquia de gênero na instituição. Os assédios praticados no
  âmbito profissional visam o abalo da autoestima, da personalidade e a
  desqualificação da competência do trabalho das policiais femininas,
  podendo causar desestabilidade emocional, danos à integridade física e
  psicológica, bem como repercussões negativas em termos de ascensão na
  carreira (CAPELLE; MELO, 2010, p. 80).</p>
  <p>Sobre as percepções do trabalho feminino nos batalhões da Brigada
  Militar, as soldadas participantes de ambos os grupos demonstraram que
  se sentem tão capazes profissionalmente quanto os homens, referindo
  que o trabalho policial é a constante superação de limites e, também,
  uma forma de empoderamento feminino:</p>
  <p>Eu acho que um dos maiores... Uma das maiores provas de
  empoderamento feminino é a questão da gente tá na polícia trabalhando
  com vários homens, se esforçando pra chegar ao nível de força, de
  tudo, fazendo a mesma coisa, sendo igual, sendo tratada da mesma
  maneira e isso, pra mim, assim... É o maior exemplo de feminismo,
  digamos assim. Soldada do BOE.</p>
</disp-quote>
<p>Como se percebe dos relatos, as policiais reconhecem a existência de
preconceitos e obstáculos e destacam seus esforços na busca por respeito
e condições iguais de trabalho e oportunidades. No entanto, o machismo e
o sexismo presentes nas estruturas sociais operam e se reproduzem
igualmente no espaço profissional das mulheres policiais, no sentido de
inferiorizar e desvalorizar o trabalho feminino na corporação.</p>
<disp-quote>
  <p>É que as falas das policiais sobre as questões de assédio e o
  relato de existirem colegas homens que não gostam de trabalhar com
  policiais mulheres, alinham-se aos resultados apontados no estudo
  realizado por Nummer (2005). O ingresso de mulheres na Brigada Militar
  é considerado como uma forma de desvalorização da corporação, pois a
  participação feminina na instituição afeta a representação de ideais e
  valores da corporação que são ligados à performance do masculino, tais
  como persistência, força física e controle emocional (NUMMER, 2005, p.
  65).</p>
  <p>É possível vislumbrar outros reflexos do machismo na instituição:
  “Tanto é que, no CFS, Curso de Formação de Soldado, tava tranquilo o
  meu pelotão, aí quando o meu professor começou a me destacar como a
  melhor atiradora da turma, aí começaram a ficar em cima, aí os guris
  já não gostam muito.” Soldada do BOE.</p>
  <p>Cabe observar que o modo de operação das instituições policiais
  militares revela uma naturalização de hábitos e rotinas de carreira
  construídas sob a perspectiva masculina e para os homens, tendo em
  vista que, enquanto categorias historicamente construídas, “mulher” e
  “policial” representam perfis excludentes entre si (MOREIRA, 2009, p.
  1). Assim sendo, as mulheres devem adaptar-se a uma rotina
  institucional fundamentalmente masculina que expressa e corrobora a
  divisão de determinados papéis sociais designados de acordo com o sexo
  biológico e promove a manutenção da reprodução de desigualdade nas
  relações de gênero (RIBEIRO, 2018, p. 2), de modo que uma policial
  feminina destacada como melhor atiradora da turma é um ponto fora da
  curva e, portanto, alvo de reprovação pelos colegas.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Aspectos do trabalho policial e o fardamento militar</bold></p>
<p>Com efeito, do relato das agentes é possível observar que, apesar de
perceberem o reconhecimento social e a admiração dos civis em relação às
mulheres que desempenham a profissão, há discriminação de gênero no
contato direto com a sociedade. Elas afirmaram que durante
patrulhamentos e abordagens é indispensável a imposição de uma postura
mais firme e autoritária, sobretudo pelo fato de serem policiais
femininas: “É que, por exemplo, assim, numa abordagem, tu tá no meio da
vila, aí tu vai abordar, tu tem que chegar firme também, né, não pode
chegar... Que eles não vão te respeitar. Tu tem que ter, tu tem que te
impor.” Soldada do 9º BPM.</p>
<p>Ainda, as questões de assédio pelo público e tentativa de corrupção
foram apontadas pelas participantes dos dois grupos: “Uma vez mexeram
comigo, falaram ‘que policial mais linda’, começou, aí eu fiquei assim…”
Soldada do BOE. “Até em revista assim, comigo aconteceu, só de passar
mesmo, chamar assim, mas só, também.” Soldada do BOE. “Foi na Arena até,
que o cara me chamou ‘ah, que gostosa’.” Soldada do BOE.</p>
<disp-quote>
  <p>Acontece que nós estávamos em policiamento ostensivo, eu prendi um
  rapaz lá que era dono de um bar dentro de uma vila, que tava com uma
  nove milímetros, e aí ele olhou pra nós e disse “ah, vocês tão
  chegando aqui agora, não sabem como funciona, tem o fulano, o ciclano,
  que eu acerto com eles, tu me larga em tal lugar e daqui a quinze
  minutos os nove mil reais vão chegar até ti”. Eu disse pra ele “olha,
  eu sou novata, mas o senhor está preso, e se eu sou o senhor, eu não
  falo mais nada” e prendi ele. Acontece, mas é aquilo, né, vai de ti
  dizer sim ou não, né, mas aqui no batalhão não (sofreu tentativa de
  corrupção). Soldada do 9º BPM.</p>
  <p>“Foi ocorrência de trânsito, barreira, de oferecer dinheiro pra
  liberar o carro. Daí fizemos todo o trâmite legal, né, foi preso,
  delegacia, aquela coisa toda, que não deu em nada, mas foi feita.”
  Soldada do 9º BPM.</p>
</disp-quote>
<p>Os relatos das policiais revelam que a observância do respeito que
geralmente acompanha a figura da autoridade policial não se repete
quando se trata da policial feminina, pois os preconceitos e os
estereótipos de gênero presentes na sociedade se reproduzem. Assim, a
agente feminina, mesmo investida do poder estatal, antes de ser uma
autoridade policial militar, é uma mulher, e, por isso, sujeita a
ofensas, cantadas ou observações que se referem à sua condição de
mulher.</p>
<p>Perguntadas sobre a adequação do fardamento militar ao corpo
feminino, as agentes, de forma unânime, afirmaram que a vestimenta
comumente é enviada maior que o tamanho usado pelas mulheres, sendo
confeccionada de acordo com o porte corporal masculino, e que, por isso,
demanda ajustes em costureiras particulares, pagas com seu próprio
dinheiro. Relataram, ainda, que, após o insucesso na elaboração de um
modelo de colete balístico adequado ao corpo feminino, a proteção voltou
a ser moldada a partir do corpo masculino: “Vem gigante… Tem que pegar e
reformar toda (a farda).” Soldada do 9º BPM. “A gente não tem essa
diferenciação ‘ah, a farda masculina e a feminina’. É masculina pra todo
mundo.” Soldada do 9º BPM.</p>
<disp-quote>
  <p>E o engraçado é que quando eles fizeram o colete (feminino) fui eu,
  a Maria [nome fictício], não me lembro quem era a outra, a Teresa
  [nome fictício]... Nós fomos lá pra experimentar os modelos pra ver o
  que a gente achava, a gente tava de pronte no dia... O modelo ficou
  maravilhoso no dia que a gente experimentou, né. Foi meio
  constrangedora a cena, né, porque tava cheio de oficiais da Brigada, e
  eles perguntando “como é que ficou?”, “ficou bom aqui (nos seios)?”.
  [risos] Ficou ótimo aquele modelo, porque ficava bem certinho, assim,
  mas quando veio, daí... Não era o mesmo. Soldada do BOE.</p>
</disp-quote>
<p>Esse é mais um exemplo que demonstra a não adequação da Brigada
Militar às mulheres, visto que o fardamento tem como padrão o corpo
masculino, remetendo à tradição masculina presente na esfera militar.
Mesmo que o ingresso feminino na Polícia Militar já tenha mais de 20
anos, a polícia resiste em criar um fardamento particularizado e
representativo para as mulheres (NUMMER, 2005, p. 67). A farda, além de
um elemento essencial e indispensável na rotina da profissão, já que é
um uniforme de uso diário e prescinde de adequação e conforto, ostenta o
simbolismo de identificar e representar a instituição. Observa-se,
assim, a permanência da predominância de um padrão policial militar
masculino e a resistência à incorporação, de fato, da presença feminina,
o que reforça a masculinização e o descaso quanto às necessidades e
peculiaridades demandadas pelas mulheres que atuam na Brigada
Militar.</p>
<p><bold>Conclusão</bold></p>
<p>A inserção de mulheres na Brigada Militar é recente, acompanhando um
movimento tardio de inclusão de agentes femininas nos demais órgãos de
polícia do país. Com base em dados estatísticos atuais, observou-se que,
apesar da abertura das instituições policiais ao trabalho feminino, a
presença de mulheres nos batalhões é muito baixa, contrastando com a
expressiva contingência masculina.</p>
<p>A incorporação de policiais femininas na atividade policial ainda não
impactou mudanças na instituição que promovam a igualdade de
oportunidades entre os gêneros e o respeito pelo espaço pessoal e
profissional da mulher policial. Foi possível perceber, a partir das
exposições trazidas pelas policiais participantes deste estudo, que as
mulheres ainda se defrontam com situações de preconceito, inferiorização
e desqualificação profissionais, reproduzidas nas relações de poder do
masculino que estão intrinsecamente estabelecidas na instituição.
Veja-se que apesar do discurso preponderante no sentido de afirmar a
igualdade de gênero e equiparação de condições de trabalho em relação
aos seus colegas homens, as soldadas, a partir de provocações
apresentadas aos grupos, relataram a existência de casos de assédio,
cuidado e regulação de comportamentos femininos entre as próprias
agentes, reprovação dos colegas em razão de desempenho profissional
superior ao deles, a despreocupação com a adequação do corpo da mulher
ao fardamento militar, situações que caracterizam dificuldades em um
ambiente profissional tradicionalmente masculino.</p>
<disp-quote>
  <p>O espaço de atuação da policial militar feminina mantém-se imerso
  em um contexto de desvalorização profissional submetido à reprodução
  estrutural do machismo verificada na associação entre masculinidade e
  poder nas relações profissionais estabelecidas na instituição. Ao
  censurar certas condutas de colegas, as mulheres policiais reproduzem
  comportamentos machistas como um dado natural e, ao mesmo tempo, são
  vítimas das construções de gênero desiguais. Os relatos sobre a
  existência de casos de assédio, opressão, discriminação e
  invisibilidade na rotina profissional da Brigada Militar revelam que a
  desigualdade de gênero opera através de seus agentes e consubstancia a
  predominância do poder masculino em seus batalhões de polícia.</p>
</disp-quote>
<p>Nesse contexto, foi possível observar que, no caso da Brigada
Militar, instituição fortemente tradicional, não há uma preocupação em
se discutir e modificar perspectivas de gênero, pois tal movimento
implica em alterações estruturais nas relações profissionais
estabelecidas entre homens e mulheres. Esta reestruturação equaliza, por
sua vez, os liames de poder na instituição – poder que, até então, é de
domínio masculino –, o que significa colocar em risco todo o sistema
(SCOTT, 1995, p. 92) da Brigada Militar.</p>
<disp-quote>
  <p>Desta forma, conceber uma perspectiva de instituição policial
  desconstruída dos estereótipos masculinos estruturalmente
  referenciados na sua concepção não se constitui em tarefa fácil, uma
  vez que esta desconstrução enfrenta significativo fluxo de embates e
  tensões que se dão a partir de princípios de ordem patriarcal e
  tradicional e que pouco se modificou no contexto sociocultural. Cabe,
  por fim, ressaltar a necessidade e a importância da adoção e
  desenvolvimento de ações afirmativas que contemplem a temática de
  gênero no âmbito da Brigada Militar, não apenas para conscientizar
  seus agentes sobre a existência e a dimensão da discriminação de
  gênero, mas para modificar a cultura institucional a fim de assegurar
  o respeito às mulheres que atuam na instituição e conferir maior
  equidade de gênero entre seus agentes. Essas intervenções, além de
  reduzir a disparidade existente entre os gêneros, podem repercutir
  positivamente na esfera social para um melhor desenvolvimento da
  atividade policial executada pela Polícia Militar no estado do Rio
  Grande do Sul.</p>
</disp-quote>
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<p>RIO GRANDE DO SUL. <bold>Lei Estadual Nº 7.977, de 08 de janeiro de
1985</bold>. Cria, na Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul, a
companhia de polícia militar feminina e dá outras providências. Diário
Oficial do estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Rio Grande do Sul,
n. 5, p. 1. 08 jan. 1985.</p>
<p>RUDNICKI, Dani. A formação social de oficiais da Polícia Militar:
análise do caso da Academia da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
Tese de doutorado. Porto Alegre, 2007. Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. 365 p.</p>
<p>SCHACTAE, A. M. <bold>Vestindo a farda</bold>: a identidade da mulher
militar na polícia</p>
<p>feminina no Paraná em 1977. PR: Capes, 2010. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://scholar.google.com.br/citations?view_op=view_citation&amp;hl=pt-BR&amp;user=JiKr7QQAAAAJ&amp;citation_for_view=JiKr7QQAAAAJ:d1gkVwhDpl0C"><underline>https://scholar.google.com.br/citations?view_op=view_citation&amp;hl=pt-BR&amp;user=JiKr7QQAAAAJ&amp;citation_for_view=JiKr7QQAAAAJ:d1gkVwhDpl0C</underline></ext-link>.
Acesso em 31 jul. 2018.</p>
<p>SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica.
<bold>Educação &amp; Realidade</bold>, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez.
1995. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/71721/40667"><underline>https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/71721/40667</underline></ext-link>.
Acesso em 15 jun. 2018.</p>
<p>SENASP – SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA. <bold>Mulheres nas
instituições de segurança pública</bold>: estudo técnico nacional.
Brasília: Senasp; Ministério da Justiça, 2013. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pt.slideshare.net/mana5066/mulheres-na-seguranca-pblica-brasileira"><underline>https://pt.slideshare.net/mana5066/mulheres-na-seguranca-pblica-brasileira</underline></ext-link>.
Acesso em 18 jul. 2018.</p>
<p>SOARES, B. M.; MUSUMECI, L. <bold>Mulheres policiais</bold>: presença
feminina na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2005.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>No Estado do Rio Grande do Sul, a polícia militar
    é chamada de Brigada em honra a seu passado guerreiro.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>Apesar de as Forças Armadas não utilizarem a
    flexão do feminino para os postos ou as graduações da hierarquia
    militar, neste trabalho optou-se pelo seu uso, pois, além de
    existente na norma culta, busca-se, aqui, enfatizar a perspectiva de
    gênero.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>No âmbito da BM, significa ser designada por um
    superior. Assim, antes do início de cada grupo, foram fornecidas
    informações sobre a atividade e questionado se alguém se sentia
    desconfortável em participar, ressaltando a possibilidade de
    dispensa. Todas assinaram o TCLE e não houve nenhuma
    desistência.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>Levantamento de dados gerais da BM realizado
    internamente, pela própria instituição, em 2019, e fornecido por um
    Major da BM, via e-mail, a pedido dos autores.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
