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<p>“<italic><bold>Aluno, ides comandar; aprendei a
obedecer</bold></italic>”<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref><bold>. O
magistério das Ci</bold>ê<bold>ncias Sociais e a formação policial: uma
an</bold>á<bold>lise sobre a ACADEPOL/RS (1999-2020)</bold></p>
<p><bold>Saulo Bueno Marimon</bold></p>
<p>Mestre em Ciências Criminais (PUC/RS) e Sociólogo (UFRGS). Foi
Escrivão de Polícia (COGEPOL/RS), ex-professor da ACADEPOL/RS. Lecionou
na Fac. de Direito da UFRGS, Fac. Dom Alberto, UNICNEC e FADERGS.
Professor de Direito na FAMAQUI/Porto Alegre. Analista Judiciário da
Justiça Federal.</p>
<p>País Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p>Email
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="mailto:professorsaulo@yahoo.com.br"><underline>professorsaulo@yahoo.com.br</underline></ext-link>
Orcid
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/">https://orcid.org/</ext-link>0000-0001-7829-3235</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>O presente artigo visa compreender como a disciplina relacionada às
Ciências Sociais foi organizada entre os anos de 1999 a 2020 na Academia
de Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul para os cursos de
formação de policiais civis. O problema central estuda como foi
desenvolvida a disciplina ligada às Ciências
Sociais<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> no período supracitado,
incluindo conteúdo programático, escolha de docentes e carga horária
respectiva de cada curso. Para atingir tal desiderato, utilizou-se
documentação referente à seleção de docentes, aos critérios de escolha e
como se desenvolveram a abordagem dos temas docentes e seus critérios de
admissão. Concluiu-se que houve uma significativa mudança na forma de
seleção dos professores no que tange à criação de critérios mais
transparentes para contratação. No entanto, houve uma redução
significativa na carga horária dos cursos, com consequente redução na
qualidade de abordagem dos temas propostos. Atualmente, não há uma
disciplina própria exclusiva vinculada às Ciências Sociais, mas sim uma
disciplina abordando o tema junto à Criminologia.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Ensino policial. Sociologia. Formação
policial.</p>
<p><bold>&quot;Student, you will lead; learn to obey!&quot;. The
teaching of Social Sciences and Police training: an analysis of the
Police Academy of the State of Rio Grande do Sul (ACADEPOL/RS) between
1999 and 2020.</bold></p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p>This paper aims to understand how the Social Sciences class was
developed between the years 1999 and 2020 at the Rio Grande do Sul
Police Academy on the formation course of police officers. The focus of
this paper is to analyze the development of the Social Sciences class
during the above period, including lesson materials, teacher selection
and course workload. To this end, it employs the use of documentation on
the teacher selection process, it's choice criteria and the development
of the lesson materials and admission criteria. It concludes that there
has been significant change in the way teacher selection is handled in
its relation to the creation of more transparent hiring criteria.
However, there's been significant decrease in course workload and
consequent reduction in the quality of the subject's approach.
Currently, there is no class exclusive to Social Sciences, as it is
being taught only alongside Criminology.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Police teaching. Sociology. Police
formation.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 30/04/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 14/01/2022</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n1.1518</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>Qual é o objetivo de lecionar, para um futuro policial civil,
Ciências Sociais?</p>
<p>Esta pergunta é uma indagação que é pertinente, especialmente, no que
tange à formação de um futuro
agente<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> policial. O policial é um
agente público que, através do monopólio legítimo da violência estatal,
acaba por significar no seu ato os valores pré-determinados pelo Estado
que ali o colocou (MARIMON, 2009). Sem sombra de dúvida, o policial é um
mediador microcósmico das relações de poder dentro de uma sociedade
(REINER, 2004). Não se pode ignorar o papel que a instituição formadora
tem na constituição deste futuro policial. Conforme Romão (2021), o
ensino da Sociologia não se destina a formar sociólogos, mas a abordagem
sociológica pode ser um contributo relevante na formação de
profissionais e cidadãos preparados para lidar com situações
extremas.</p>
<p>Se um policial terá uma formação mais legalista, mais operacional ou
equilibrada entre estes campos, e disciplinas que se propõem a uma
reflexão crítica sobre a atuação policial, caberá a cada escola
policial. Conforme Poncioni (2005), as academias de polícia realizam,
através do conteúdo a ser lecionado, um processo formal de socialização
profissional para “moldar” os futuros policiais, que inclui a seleção de
certas matérias teóricas e práticas e de determinados eventos sobre
outros, uma posição estilizada para as atividades rotineiras do cargo a
ser ocupado e algumas ideias da conveniência de um elenco de respostas
comportamentais para situações periódicas no mundo do trabalho. Neste
sentido, o papel da Academia de Polícia Civil do Estado do Rio Grande do
Sul (ACADEPOL/RS) tem grande relevância para o ensino deste indivíduo
que, através de concurso público, pretende ingressar na carreira
policial.</p>
<p>Não obstante se possa questionar o papel efetivo da educação policial
para a mudança de comportamentos e atitudes de policiais, ela tem um
lugar importante na formação das competências, habilidades e posturas do
policial para o desempenho das práticas profissionais (PONCIONI,
2021).</p>
<p>Pode-se afirmar que tal disciplina não só merece como deve estar no
currículo de todas as academias policiais ao analisar a Matriz
Curricular Nacional (MCN) para ações formativas dos profissionais das
áreas de segurança pública, publicada em 2009 e atualizada em 2014. Tal
texto foi construído a partir de uma análise e um debate formulado por
diversos pensadores da área e consolidou uma visão sobre padrões mínimos
para serem adotados pelas escolas de formação policial no país. E tal
documento contempla as Ciências Sociais como disciplina relevante para a
formação desse futuro agente policial, justificando a abordagem ora
proposta.</p>
<p>A estruturação da referida Matriz foi originada de uma percepção
conduzida pelo Governo Federal, junto com a comunidade acadêmica e
policial à época, visando uma padronização da formação dos agentes de
segurança pública, que não existia até a criação da MCN. Tal
padronização visava não apenas à construção curricular comum (mesmas
disciplinas e seus conteúdos), mas, também, à padronização do processo
de ensino-aprendizagem. Tal padronização, evidentemente, pode respeitar
aspectos locais e questões regionais, mas traria uma construção
teórico-prática comum aos agentes policiais, o que traduziria, em certa
forma, em uma qualificação deste profissional com novos saberes.</p>
<p>Neste sentido, a MCN trouxe uma profunda modificação na percepção da
constituição destes saberes na formação policial, devendo
privilegiar:</p>
<disp-quote>
  <p>• o foco no processo de aprendizagem;</p>
  <p>• a construção de redes do conhecimento que promovam a integração,
  a cooperação e a articulação entre diferentes instituições;</p>
  <p>• as diversas modalidades de ensino;</p>
  <p>• os diferentes tipos de aprendizagem e recursos;</p>
  <p>• o desenvolvimento de competências cognitivas, operativas e
  afetivas;</p>
  <p>• a autonomia intelectual;</p>
  <p>• a reflexão antes, durante e após as ações. (SENASP, 2014, p.
  06)</p>
</disp-quote>
<p>A construção desta Matriz exigiu uma concatenação entre currículos
que existiam à época para, após profundo debate, trazer pontos comuns
para a formação desses agentes policiais. E foram construídos eixos
articuladores que estruturariam as ações formativas destes agentes. Para
tanto, os conteúdos deviam estar afinados ao conjunto de competências
cognitivas, operativas e atitudinais (SENASP, 2014).</p>
<p>Neste sentido, competência é entendida como a capacidade de mobilizar
saberes para agir em diferentes situações da prática profissional, em
que as reflexões antes, durante e após a ação estimulem a autonomia
intelectual, sendo que seriam em número de três para a construção deste
modelo:</p>
<disp-quote>
  <p>Competências Cognitivas: são competências que requerem o
  desenvolvimento do pensamento por meio da investigação e da
  organização do conhecimento. Elas habilitam o indivíduo a pensar de
  forma crítica e criativa, posicionar-se, comunicar-se e estar
  consciente de suas ações.</p>
  <p>Competências Operativas: são as competências que preveem a
  aplicação do conhecimento teórico em prática responsável, refletida e
  consciente.</p>
  <p>Competências Atitudinais: são competências que visam estimular a
  percepção da realidade, por meio do conhecimento e do desenvolvimento
  das potencialidades individuais: conscientização de sua pessoa e da
  interação com o grupo; capacidade de conviver em diferentes ambientes:
  familiar, profissional e social. (SENASP, 2014, p.7)</p>
</disp-quote>
<p>Os eixos articuladores da referida Matriz devem relacionar diferentes
disciplinas, de forma vertical e interdisciplinar, além de trazer
conteúdos e orientações didático-pedagógicas. Tal Matriz limitou-se a
quatro eixos, os quais seriam os seguintes:</p>
<disp-quote>
  <p>• Sujeito e Interações no Contexto da Segurança Pública.</p>
  <p>• Sociedade, Poder, Estado e Espaço Público e Segurança
  Pública.</p>
  <p>• Ética, Cidadania, Direitos Humanos e Segurança Pública.</p>
  <p>• Diversidade, Conflitos e Segurança Pública. (SENASP, 2014,
  p.15)</p>
</disp-quote>
<p>Neste sentido, observa que o segundo item de tal Matriz observa
visava ofertar ao agente de segurança pública a possibilidade de
conhecer e refletir sobre a realidade social, sua organização e suas
tensões estudadas do ponto de vista histórico, social, político,
antropológico e cultural; sobre conceitos políticos fundamentais como
“Democracia” e “Estado de Direito”, considerando igualmente as questões
referentes à convivência no espaço público (local principal da atuação
dos órgãos de Segurança Pública e da coexistência de interesses e
intenções conflitantes) (SENASP, 2008).</p>
<p>Tal digressão é importante para demonstrar, tecnicamente, como foi
trazido o modelo proposto, após exaustivos debates, como abordar uma
Matriz comum para a formação de agentes da segurança pública. E a
disciplina que originou tal debate está abarcada no item 5.2 da referida
Matriz:</p>
<disp-quote>
  <p>Esta área temática estabelece um espaço de conhecimento crítico e
  reflexivo atinente aos fenômenos da violência e do crime em suas
  várias formas, proporcionando a compreensão das diversas maneiras e
  graus da sociedade organizar (ou não) o controle dessas manifestações,
  incluindo o entendimento da diferença entre a modalidade
  jurídico-penal de tratar a violência e outras modalidades e a
  abordagem interdisciplinar da violência e da criminalidade. (SENASP,
  2014, p.18).</p>
</disp-quote>
<p>Para melhor compreender o cenário do exercício do magistério
mencionado acima, optou-se por analisar a estruturação conceitual da
disciplina relacionada às Ciências Sociais em diversos cursos de
formação realizados pela ACADEPOL no período entre 1999 e 2020, bem como
compreender como se deu a seleção de docentes para lecionar a disciplina
vinculada às Ciências Sociais no período supracitado, além da respectiva
carga horária e o conteúdo ministrado no período em comento. As
variações no que diz respeito à carga horária, ao conteúdo ministrado e
ao critério para escolha de docentes são importantes para que se
verifique como a ACADEPOL e suas gestões perceberam e analisaram a
(des)importância da disciplina ora sob análise dentro do contexto das
demais disciplinas lecionadas nos cursos.</p>
<p>A importância dos conteúdos dos currículos desenvolvidos em uma
academia de polícia retrata uma das principais estratégias de difusão de
ideias, conhecimentos e práticas de certa visão do campo profissional,
sendo que, através deste currículo, traduz transmissão de valores,
crenças e saberes deste grupo específico (PONCIONI, 2006). E pode-se
dizer que a escolha dos docentes para o exercício do magistério terá
importância neste propósito. Não se pode ignorar que a estrutura
curricular do curso (disciplinas, conteúdo a ser ministrado, critério de
seleção dos docentes, modelo pedagógico a ser utilizado etc.) traduz um
sentido filosófico de quem é responsável pela construção do curso. Ou
seja, de acordo com cada governo (e sua política pública de segurança
pública), poderá ter um curso com um conteúdo e uma distribuição das
denominadas disciplinas jurídicas, disciplinas operacionais e das
disciplinas que permitem uma reflexão crítica sobre a atividade
policial, ponto em que se enquadrava a disciplina ligada às Ciências
Sociais.</p>
<p>A formação de um policial pode ser vista a partir das seguintes
premissas, segundo Kant de Lima (2021):</p>
<disp-quote>
  <p>A formação do policial, por conseguinte, é aqui vista de uma
  perspectiva democrática, fundamentando-se nas seguintes premissas: a
  política de emprego da polícia em uma sociedade democrática é parte da
  política geral de expressão da cidadania e da universalização dos
  direitos; a polícia é um serviço público para a proteção e defesa da
  cidadania; o fundamento da autoridade policial é a sua capacidade de
  administrar conflitos. (LIMA, 2021, p.77).</p>
</disp-quote>
<p>Nesse sentido/Desse modo, considerando que a matriz curricular é
muito importante para a formação do futuro profissional de segurança
pública, bem como o modelo filosófico que será traduzido neste currículo
(mais legalista ou mais voltado a uma segurança cidadã), é importante
compreender como se insere (ou se exclui) uma disciplina que se propõe
abordar sociologia da violência.</p>
<p>Neste sentido, Tavares dos Santos (2019) acrescenta que, ao analisar
o ensino policial em quinze países, observou a existência de disciplina
ligada às Ciências Sociais em países como Canadá, Argentina, Estados
Unidos, dentre outros. Na Alemanha, na Escola Superior de Polícia, em
2005, havia uma grande ênfase nas Ciências Sociais e nas tecnologias
policiais, seguidas das disciplinas de gestão pública e de estudos
jurídicos (FBSP, 2013).</p>
<p>Para Santos (2013), é importante, na constituição de uma polícia mais
democrática, que sua formação seja aberta, complexa e diversificada,
assim como a atualização permanente, além da articulação entre as
diversas instituições públicas.</p>
<p>No meio de um contexto em que predominam disciplinas com abordagem de
conteúdo normativo (direito penal, direito constitucional etc.) ou
disciplinas com viés operacional (abordagem policial, prática de tiro,
etc.), um conteúdo que procura propor uma reflexão e análise de
elementos sociais dentro do contexto da prática policial merece ser
analisado e contextualizado. Afinal, em muitos currículos de formação
policial ainda prepondera uma perspectiva excepcionalmente legalista,
sugerindo que o exercício cotidiano da atividade de policial civil seria
reduzido a uma aplicação puramente técnica da lei (PONCIANI, 2006).</p>
<p>No que se refere ao critério de escolha dos docentes na ACADEPOL, tal
questão será importante para compreender se existe um critério técnico
que obedeça a uma seleção pública e transparente na escolha dos futuros
professores que serão responsáveis pela formação dos futuros agentes
policiais ou se tal escolha é feita por critérios discricionários.
Conforme será abordado a seguir, paulatinamente, a carga horária de
disciplinas relacionadas às Ciências Sociais sofreram redução
substancial, a ponto de, no mais recente curso de formação para
Delegados de Polícia Civil (2021), não existir nenhuma disciplina que
abordasse o tema Ciências Sociais, de modo específico e apartado de
outras disciplinas como Psicologia ou Criminologia.</p>
<p>O problema de pesquisa está na seguinte indagação: Como é
desenvolvida a disciplina ligada às Ciências Sociais na ACADEPOL/RS e
quais foram os critérios de seleção de docentes para tal disciplina, bem
como foram organizados o conteúdo e a carga horária da mesma?</p>
<p>O objetivo do presente artigo é realizar uma discussão sobre: a) como
foi organizada a disciplina vinculada às Ciências Sociais, no que tange
ao conteúdo ministrado; b) se a carga horária desta disciplina sofreu
variâncias neste item durante o período pesquisado; e c) como se deu a
escolha dos docentes e por quais critérios de escolha.</p>
<p>No caso em comento, a metodologia empregada para o desenvolvimento do
presente artigo envolveu levantamento de documentos
internos<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> relacionados aos cursos
de formação da ACADEPOL/RS e revisão bibliográfica, a qual foi realizada
por coleta, leitura, organização e análise das informações colhidas, com
utilização de documentos oriundos da ACADEPOL/RS já recolhidos em anos
anteriores. O período da pesquisa ora apresentada foi delimitado a
partir dos documentos analisados da ACADEPOL/RS e constantes no sítio do
referido órgão<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>.</p>
<p>Este artigo se estrutura, além da introdução e da conclusão ao final,
nas seguintes partes: breve recorte histórico do magistério policial; a
(única) turma integrada do ano 2000; a disciplina vinculada às Ciências
Sociais; conteúdo programático e suas modificações; critérios na escolha
dos docentes; e situação atual da disciplina.</p>
<p>Portanto, a partir do que foi exposto, pode-se afirmar da relevância
de uma disciplina voltada às Ciências Sociais para a formação dos
agentes policiais, conforme esposado pelos pesquisadores sobre o
tema.</p>
<p><bold>BREVE RECORTE HIST</bold>Ó<bold>RICO DA FORMA</bold>ÇÃ<bold>O
POLICIAL CIVIL NO RIO GRANDE DO SUL</bold></p>
<p>A história da Polícia Civil começou a ser traçada no período
republicano, a partir da Lei Nº 11, de 4 de janeiro de 1896, a qual
delimitou as primeiras percepções sobre atividade policial, de forma
bastante genérica. Apenas em 1937, houve uma expressa previsão de um
órgão que seria criado para o ensino policial. No caso, no art. 145 do
Decreto Nº 6.880/1937, mencionou-se a Escola de Polícia (RIO GRANDE DO
SUL, 1938) e as suas atividades voltadas ao ensino para os cargos de
policiais civis e para funcionários da antiga Guarda Civil, além de
soldados da Brigada Militar.</p>
<p>Em 1953, previa-se que a Escola de Polícia tinha como objetivo
aperfeiçoar os conhecimentos técnicos dos policiais, bem como elevar o
nível intelectual e moral destes, sendo o corpo docente composto
preferencialmente de servidores da Escola de Polícia (RIO GRANDE DO SUL,
1953). Destacam-se disciplinas como História da Polícia e Organização
Policial, Técnica do Crime e da Investigação, Técnica do Policiamento,
Polícia Política e Social, dentre outras (HAGEN, 2006a).</p>
<p>Apenas no final dos anos 1960 que a Escola de Polícia passou a
realizar cursos de formação para os seguintes cargos: a) Superiores:
Delegado de Polícia, Perito Criminalístico, Perito Criminalístico
Engenheiro, Perito Criminalístico Químico, Médico Legista, Químico
Toxicologista e Perito Médico Examinador; b) Secundários: Escrivão e
Inspetor de Polícia Papiloscopista e Datiloscopista, Fotógrafo
Criminalístico e Radiotelegrafista; e c) Elementares: Motorista
Policial, Auxiliar de Necrópsia, Guarda Civil e Guarda de Trânsito (RIO
GRANDE DO SUL, 1968). Até 1976, para ser delegado de polícia civil
bastava ser Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, admitindo-se que,
caso houvesse sobra de vaga, estudantes de graduação do último ano
pudessem preencher tais vagas, através de uma prova de habilitação (RIO
GRANDE DO SUL, 1976).</p>
<p>De maneira inovadora, a formação do policial civil no Rio Grande do
Sul passou a incluir a disciplina de Direitos Humanos, no ano de 1987,
sendo uma ação de vanguarda no cenário das Escolas de Polícias à época
no país (RIO GRANDE DO SUL, 2020). O tema Direitos Humanos passou a ser
incluído como conteúdo transdisciplinar, além de constituir uma
disciplina específica dos cursos de formação de agentes policiais e
delegados de polícia da ACADEPOL, sendo o primeiro professor e
coordenador da disciplina Ricardo Brisolla Balestreri (PCRS, 2020).</p>
<p>Apenas na metade dos anos 1990 surgiu uma disciplina que trazia à
tona o debate envolvendo relações humanas e ética. No caso, a
denominação desta era “Relações Humanas e Ética Policial” e possuía
carga horária de 38 horas em um universo de 1.330 horas de curso,
perfazendo um percentual pouco superior a 3% da carga horária total do
curso. Tal fato ocorreu no Curso de Formação Profissional de Escrivão e
Inspetor de Polícia de 1995, no qual as disciplinas com maior carga
horária eram “Armamento e Tiro” (152 horas), “Adestramento Físico”,
“Noções de Direito Penal”, “Noções de Processo Penal”, “Prática
Cartorária” e “Técnicas de Investigação Criminal”, estas com 114 horas
de aula (HAGEN, 2006a).</p>
<p>No ano de 1997 e em 2000, ocorreram modificações que trouxeram uma
nova visão e organização para a ACADEPOL. No Decreto Nº 37.489/1997,
houve, pela primeira vez, normativa que especificava o critério de
seleção para a carreira de docente da ACADEPOL. No caso, a determinação
exigia que os professores seriam profissionais de notória capacidade e,
sempre que possível, graduados em curso superior e com especialização na
disciplina ministrada. Observa-se que ainda não havia exigência de
graduação em nível superior, pois alguns professores da ACADEPOL eram de
carreiras que não exigiam tal graduação. Apenas a partir de 1997, passou
a ser exigido diploma em nível superior para o ingresso na carreira
policial (RIO GRANDE DO SUL, 1997). Observa-se que o incremento da
educação policial – ensino e treinamento – proporcionado pelas academias
de polícia sobrevém, ainda, como um importante recurso que pode
contribuir substantivamente para melhoria da performance policial em um
contexto cada vez mais complexo das sociedades modernas (PONCIONI,
2021).</p>
<p>O critério para ingressar como professor à época envolvia exames dos
currículos profissionais e títulos realizados por Comissão presidida
pelo Diretor da Divisão de Ensino e integrada pelos demais Diretores de
Divisão. Não se pode ignorar que o subjetivismo ainda era uma
característica da seleção. Não havia nenhum tipo de exigência de
atividade didática ou prova seletiva para o exercício do magistério
policial. Tal realidade mudou apenas no final da década passada.</p>
<p>Via de regra, os professores que lecionam em cursos de formação
policial são policiais civis. Em pesquisa desenvolvida em âmbito
nacional, em parceria, pelo Ministério da Justiça e o Fórum Brasileiro
de Segurança Pública (2013), os autores corroboram tal afirmação, ao
concluírem que em 87% dos casos a maioria (mais de 60%) do corpo docente
é formada por policiais e apenas em 5% dos casos a maioria (mais de 60%)
é de professores civis.</p>
<p>No caso da disciplina vinculada às Ciências Sociais, na primeira
década deste século, foi solicitada aos professores convidados a
apresentação de um breve currículo contendo informações como currículo
Lattes, matrícula no Estado, cargo, telefones para contato, formação
acadêmica, experiência completa e docente, publicações, participações em
eventos, palestras, etc. (HAGEN, 2006b).</p>
<p>Pode-se observar que havia, por parte da coordenadora da disciplina,
uma preocupação de que o docente atendesse a alguns tópicos, tais como
ter, no mínimo, formação na área e, preferencialmente, especialização;
era desejável experiência docente para os convidados, sendo que, à
época, não havia restrição no que se refere ao fato de os docentes não
serem policiais civis (HAGEN, 2006b), bastando pertencerem ao Quadro de
Pessoal do Estado do Rio Grande do Sul.</p>
<p>Era necessário que os nomes dos candidatos à docência fossem
encaminhados à administração da ACADEPOL para terem seus nomes
designados e tal designação publicada no Diário Oficial do Estado. No
entanto, tal designação era apenas um requisito para lecionar, não sendo
tal designação garantia de que o docente iria lecionar no curso para o
qual fora designado (HAGEN, 2006b). Ademais, o docente apenas lecionaria
de fato no curso de formação se houvesse uma quantidade mínima de
candidatos que tivessem sido aprovados nas etapas anteriores do concurso
público. É importante frisar que o curso de formação é a última etapa de
um longo processo de seleção.</p>
<p>Justamente por ser um processo longo, o qual pode envolver recursos
administrativos de eventuais reprovações nas etapas anteriores, a data
de início de cada curso era absolutamente incerta. Como se pode ver na
manifestação abaixo, a Divisão de Ensino da ACADEPOL informava o
seguinte:</p>
<disp-quote>
  <p>Prezado(a) Professor(a),</p>
  <p>No dia 26 de fevereiro do corrente ano, serão realizadas as
  matrículas para o Curso Superior de Formação de Escrivão de Polícia,
  conforme Diário Oficial do dia 26 de dezembro de 2006, quando foi
  publicada a classificação e convocação dos candidatos.</p>
  <p>O início das aulas será na primeira quinzena de março,
  provavelmente, no dia 05.</p>
  <p>Num futuro bem próximo (final de janeiro/início de fevereiro), os
  coordenadores de disciplina estarão agendando reuniões com suas
  equipes de professores, os quais serão comunicados por e-mail.</p>
  <p>[...]</p>
  <p>Academia de Polícia Civil – ensinando a promover e garantir
  Direitos Humanos. (ACADEPOL/RS, 2007).</p>
</disp-quote>
<p>O critério utilizado à época era ser o professor vinculado ao Estado,
ou seja, possuir matrícula<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>. O fato
é que a quantidade de policiais com formação em Ciências Sociais era
escassa. Porém, à época, não havia nenhuma normativa administrativa que
criasse critérios técnicos para definir quem poderia lecionar na
ACADEPOL. Portanto, poderia um delegado de polícia que tivesse formação
em Direito lecionar a disciplina de Sociologia da Violência e da
Criminalidade (SVC).</p>
<p>No entanto, esta separação era existente dentro do curso. Algumas
disciplinas eram lecionadas majoritariamente por delegados de polícia e
outras majoritariamente por inspetores, escrivães ou comissários de
polícia. No nosso caso enfrentado, por policiais civis ou professores
com formação em Ciências Sociais.</p>
<p>O formato de critério para seleção de docentes também apareceu como
algo a ser enfrentado no relatório da pesquisa realizada pelo Fórum
Brasileiro de Segurança Pública (2013). Conforme o documento, com
relação ao processo de seleção dos professores/instrutores do curso
obrigatório de acesso à carreira, em maioria (61%) tanto membros da
organização como profissionais externos foram convidados pelo
coordenador do curso ou pelo comandante da Unidade de ensino para
ministrarem aulas. Para 15%, os membros da organização foram recrutados
dentro da corporação, de acordo com critérios previamente estabelecidos,
e em 13% dos casos foi realizado um edital de credenciamento e tanto
membros da organização como profissionais externos puderam se
candidatar.</p>
<disp-quote>
  <p>Depois do curso do ano 2000 (Edital publicado no ano de 1999), não
  houve uma nova experiência com proximidade entre a ACADEPOL e a
  academia universitária como foi daquela forma. Durante a primeira
  década do séc. XXI, poucos cursos de formação policial aconteceram. A
  disciplina ligada às Ciências Sociais apresentava, na sua gênese, um
  olhar crítico sobre a própria atividade policial e os aspectos da
  criminalidade. Com o passar do tempo, houve substancial redução da
  carga horária, passando a ter incremento de disciplinas da denominada
  “área técnica”. Pode-se afirmar que a formação dos policiais,
  atualmente, ainda é orientada pelo direito positivo e formalista
  (TAVARES DOS SANTOS, 2014).</p>
  <p>O concurso público do Curso Superior de Formação de Escrivães e
  Inspetores de Polícia do Edital de 1999 (curso realizado em 2000)
  tinha carga horária de 30 (trinta) horas para a disciplina de
  Sociologia da Violência, curso este realizado no período do Governo
  Olívio Dutra (1999-2002), do PT, com carga horária total de 1.360
  horas.</p>
  <p>Após consulta via Lei de Acesso à Informação, a ACADEPOL informou
  que a carga horária da disciplina foi organizada da seguinte
  forma:</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela</bold><xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref><xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref><xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>
<bold>1</bold> – <bold>Lista de Cursos/Governo/Carga hor</bold>ária</p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="8%" />
      <col width="20%" />
      <col width="22%" />
      <col width="17%" />
      <col width="7%" />
      <col width="14%" />
      <col width="12%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td>ANO</td>
        <td>CARGO</td>
        <td>Nomenclatura</td>
        <td>Governador (a)</td>
        <td>Horas</td>
        <td>Horas do Curso</td>
        <td>Percentual</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2003</td>
        <td>Delegados</td>
        <td>Sociologia da Violência</td>
        <td>Germano Rigotto (MDB)</td>
        <td>15</td>
        <td>1.050</td>
        <td>1,43</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2005</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Sociologia da Violência e da Criminalidade</td>
        <td>Germano Rigotto (MDB)</td>
        <td>30</td>
        <td>810</td>
        <td>3,70</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2006</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Sociologia da Violência e da Criminalidade</td>
        <td>Germano Rigotto (MDB)</td>
        <td>30</td>
        <td>830</td>
        <td>3,61</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2008</td>
        <td>Delegado de Polícia</td>
        <td>Sociologia da Violência e Criminologia</td>
        <td>Yeda Crusius (PSDB)</td>
        <td>30</td>
        <td>970</td>
        <td>3,09</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2010</td>
        <td>Delegado de Polícia</td>
        <td>Questões Sociológicas:violência e vulnerabilidade</td>
        <td>Yeda Crusius (PSDB)</td>
        <td>15</td>
        <td>835</td>
        <td>1,79</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2011</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Questões Sociológicas:violência e vulnerabilidade</td>
        <td>Tarso Genro (PT)</td>
        <td>20</td>
        <td>852</td>
        <td>2,34</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2012</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Questões Sociológicas:violência e vulnerabilidade</td>
        <td>Tarso Genro (PT)</td>
        <td>20</td>
        <td>952</td>
        <td>2,10</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2013</td>
        <td>Delegado de Polícia</td>
        <td>Violência e crime: aspectos sociopsicológicos e
        criminológicos</td>
        <td>Tarso Genro (PT)</td>
        <td>20</td>
        <td>894</td>
        <td>2,23</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2014</td>
        <td>Escrivão e Inspetor</td>
        <td>Violência e crime: aspectos sociopsicológicos e
        criminológicos</td>
        <td>Tarso Genro (PT)</td>
        <td>24</td>
        <td>930</td>
        <td>2,58</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2015</td>
        <td>Delegado de Polícia</td>
        <td>Questões Sociológicas:violência e vulnerabilidade</td>
        <td>José Ivo Sartori (MDB)</td>
        <td>16</td>
        <td>989</td>
        <td>1,81</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2015</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Violência e crime: aspectos sociopsicológicos e
        criminológicos</td>
        <td>José Ivo Sartori (MDB)</td>
        <td>24</td>
        <td>930</td>
        <td>2,58</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2016</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Violência e criminalidade:aspectos psicológicos e
        sociológicos</td>
        <td>José Ivo Sartori (MDB)</td>
        <td>24</td>
        <td>930</td>
        <td>2,58</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2017</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Violência e criminalidade: aspectos psicológicos e
        sociológicos</td>
        <td>José Ivo Sartori (MDB)</td>
        <td>15</td>
        <td>860</td>
        <td>1,74</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2018</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Criminologia</td>
        <td>José Ivo Sartori (MDB)</td>
        <td>15</td>
        <td>870</td>
        <td>1,72</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2019</td>
        <td>Delegados</td>
        <td>Criminologia</td>
        <td>Eduardo Leite (PSDB)</td>
        <td>15</td>
        <td>840</td>
        <td>1,78</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2020</td>
        <td>Escrivão/Inspetor de Polícia</td>
        <td>Criminologia</td>
        <td>Eduardo Leite (PSDB)</td>
        <td>15</td>
        <td>810</td>
        <td>1,85</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>A primeira redução substancial da carga horária da disciplina ligada
às Ciências Sociais nos cursos de Escrivão/Inspetor de Polícia Civil foi
durante o curso realizado na gestão “tucana” de Yeda Crusius, em 2011.
Porém, a primeira turma com a unificação das disciplinas de sociologia e
psicologia foi na gestão “petista” de Tarso Genro, em 2013, sendo que,
dali até os dias atuais, a disciplina foi unificada com a disciplina da
área de psicologia até que, na gestão “emedebista” de José Ivo Sartori
(2015-2018), foi unificada em uma disciplina denominada de Criminologia
(disciplina esta que uniu sociologia, criminologia e psicologia, as
quais possuem conceitos diversos umas das outras). Essa última
organização foi mantida pela gestão “tucana” (2019-2022) de Eduardo
Leite, a qual foi responsável pelo curso com menor quantidade de carga
horária dos últimos vinte anos (810 horas), igualando a gestão
emedebista de Germano Rigotto (2003-2007). Frise-se que, em 2003, a
disciplina ligada às Ciências Sociais tinha 30 horas em um curso com a
carga horária geral de 810 horas, sendo que, neste último curso de 2020,
tinha 15 horas para o curso em uma disciplina que uniu sociologia,
criminologia e psicologia em um curso com a mesma carga horária geral
acima mencionada (810).</p>
<p>Quando a disciplina foi composta, por exemplo, por 30 horas, sendo
cinco dias para a realização de aulas e a última para aplicação de uma
atividade de avaliação, tal divisão foi utilizada nos cursos de formação
de escrivães e de inspetores de polícia. Ou seja, a carga horária
prevista incluía as aulas e a atividade de avaliação na carga horária do
curso.</p>
<p>Invariavelmente, algumas orientações aos docentes são repassadas
visando evitar controvérsias críticas. No curso de formação de delegados
de polícia do ano de 2012 (realizado em 2013), foi recebido um material
no qual eram repassadas algumas diretrizes, dentre as quais mencionava:
a)<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref> evitar delegados x agentes;
b)<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref> evitar comentários que
desestimulem; e c) respeito à hierarquia e disciplina (ACADEPOL/RS,
2012a).</p>
<p>Durante o período pesquisado, geralmente, os professores que
lecionaram na disciplina vinculada às Ciências Sociais tinham formação
acadêmica vinculada ao curso em comento, sendo Mestres em Sociologia, em
Ciências Criminais, ou Especialistas em Segurança Pública,
exemplificativamente falando, sendo que tais informações sobre o
currículo dos docentes constavam nas primeiras páginas da apostila
utilizada pelos alunos dos cursos de formação (ACADEPOL/RS, 2012b).</p>
<p>A partir de 2016, com a publicação do Decreto Estadual Nº 53.091,
houve uma modificação na seleção dos professores para lecionarem nos
cursos da ACADEPOL. Conforme prevê o art. 36 do referido diploma, os
professores serão, preferencialmente, policiais civis:</p>
<disp-quote>
  <p>Art. 36. O Corpo Docente da Academia de Polícia Civil será
  constituído de profissionais de notória capacidade e idoneidade moral,
  bem como, sempre que possível, graduados em curso superior e com
  pós-graduação na disciplina ministrada.</p>
  <p>§ 1º O ingresso na docência na Academia de Polícia Civil dar-se-á
  após exame dos currículos profissionais e dos títulos dos candidatos,
  realizado por Comissão, presidida pelo Diretor da Divisão de Ensino e
  integrada pelos demais Diretores de Divisão da ACADEPOL, ouvido o
  coordenador da disciplina respectivo.</p>
  <p>§ 2º Os candidatos a ingressarem no corpo docente da ACADEPOL
  poderão ser submetidos a uma prova prática, consistente em ministrar
  uma aula simulada, a qual será avaliada pela Comissão prevista no § 1º
  deste artigo e pelo Serviço de Coordenação Pedagógica.</p>
  <p>§ 3º Os professores serão escolhidos preferencialmente dentre
  servidores policiais estáveis, admitindo-se, em casos excepcionais e
  por decisão fundamentada, servidores policiais em estágio probatório e
  inativos.</p>
  <p>§ 4º Não poderão ser designados como professores da ACADEPOL os
  servidores policiais que estiverem respondendo sindicância, processo
  administrativo-disciplinar, processo cível ou criminal relativamente à
  infração que os incompatibilizem com o exercício da docência, a
  critério do Diretor da Divisão de Ensino.</p>
  <p>§ 5º Caberá ao Diretor-Geral encaminhar ao Chefe de Polícia, para
  fins de designação, as indicações aprovadas pela Comissão prevista no
  § 1º desse artigo. [...]. (RIO GRANDE DO SUL, 2016).</p>
</disp-quote>
<p>Pode-se observar que a discricionariedade de seleção de docentes que
havia na primeira década deste século deixou de ser seguida, passando
tal seleção a ter uma análise de uma comissão composta por todos os
diretores da ACADEPOL, diretores estes que são delegados de polícia,
sendo que o coordenador da disciplina (este não necessariamente é um
delegado de polícia) é ouvido acerca das sugestões de nomes.</p>
<p>Porém, nos editais publicados no ano de 2020, o critério para
participar da seleção docente era ser policial civil. No caso, o Edital
de Seleção Interna Nº 6/2020 (área jurídica) exigia que apenas policial
civil em atividade poderia se candidatar, não admitindo nem policial
aposentado nem profissional de outro segmento do Estado. Como novidade
para a seleção docente na ACADEPOL foi a exigência de aula simulada por
10 minutos para a seleção dos docentes, o que não era observado na
primeira década deste século. Observa-se que a denominada área jurídica
abarca uma série de disciplinas, quais sejam:</p>
<disp-quote>
  <p>a) Sistemas de Segurança Pública no Brasil, b) Criminologia, c)
  Direito Administrativo Aplicado à Função Policial, d) Direito Penal
  Aplicado à Função Policial, e) Direito Penal: Leis Penais Especiais,
  f) Direitos Humanos e Direito Constitucional Aplicados à Função
  Policial, g) Direito Processual Penal Aplicado à Função Policial, h)
  Legislações Especiais Aplicadas a Grupos Vulneráveis, i) Direitos
  Humanos e Legislações Especiais Aplicadas a Grupos Vulneráveis, j)
  Investigação Criminal, k) Delegacia Experimental. (ACADEPOL/RS,
  2020).</p>
</disp-quote>
<p>Uma questão que chamou a atenção é que, no regimento supracitado,
policiais que estiverem respondendo sindicância ou processo
administrativo disciplinar, processo cível ou processo penal por
infração que seja incompatível com o exercício do magistério, não
poderão ser designados (e, desta forma, não poderão lecionar). Quem
estabelece o critério para tal situação é o Diretor da Divisão de
Ensino, o que revela uma certa discricionariedade nesta questão. Afinal,
que infração seria incompatível com o magistério? Tecnicamente falando,
não foi encontrado nenhum tipo de embasamento jurídico que
contextualizasse tal infração e a respectiva caracterização.</p>
<p>Essa discricionariedade, não obstante atualmente existir edital de
seleção para docente, é observada no <italic>Mapeamento de modelos de
ensino policial e de seguran</italic>ça pú<italic>blica no
Brasil</italic> (FBSP, 2013). Na pesquisa sobre o tema, a maioria dos
professores era composta por policiais selecionados mediante um processo
de convite das direções, sendo que menos da metade era selecionada por
expertise na área ou na carreira de origem do professor. A continuidade
do professor na disciplina é avaliada tanto por sua atualização
científica quanto pela avaliação dos alunos.</p>
<p>O Edital Nº 24/2018 promoveu a seleção interna de docentes para a
ACADEPOL, visando criar cadastro reserva para as disciplinas de Sistemas
de Segurança Pública no Brasil, Violência e Criminalidade – Aspectos
Psicológicos e Sociológicos (disciplina esta que unificou Sociologia e
Psicologia), Direito Administrativo Aplicado à Função Policial, Direito
Penal Aplicado à Função Policial, Direitos Humanos e Direito
Constitucional Aplicado à Função Policial, Direito Processual Penal
Aplicado à Função Policial, Legislações Especiais Aplicadas a Grupos
Vulneráveis, Investigação Criminal e Delegacia Experimental
(ACADEPOL/RS, 2018). Neste certame, poderiam realizar inscrição
policiais civis ativos desde que não estivessem em estágio probatório e
que não estivessem respondendo a sindicância, processo administrativo
disciplinar, processo cível ou criminal relativamente à infração que os
incompatibilizassem com o exercício da docência.</p>
<p>As etapas do processo seletivo envolviam prova de títulos
(classificatória), aula simulada (eliminatória e classificatória), sendo
que, nesta aula, os candidatos teriam 10 minutos para abordar um tema
escolhido dentre os elencados no
Edital<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref> e poderiam usar, como
recurso didático, quadro e caneta para tal equipamento.</p>
<p>Observa-se que a prova de títulos envolvia o candidato possuir
doutorado (cinco pontos), mestrado (três pontos), especialização com
carga horária superior a 360 horas (dois pontos) e exercício de docência
na ACADEPOL nos cinco anos anteriores. Apenas dois títulos seriam
considerados para pontuação e não era exigido que o certificado de
pós-graduação <italic>lato</italic> ou <italic>stricto sensu</italic>
fosse vinculado à disciplina à qual pretendia o candidato lecionar. Por
fim, não era considerado nenhum exercício de magistério em instituição
em nível superior ou de pós-graduação, sendo a experiência docente na
ACADEPOL o único critério a ser considerado, o que auxiliava aos
docentes que já tinham estado no quadro de docentes em cursos
anteriores, tornando um pouco mais difícil a renovação do quadro de
professores. Esta dificuldade em renovação também foi observada pela
impossibilidade de novos policiais (com menos de três anos de profissão)
em estágio probatório poderem participar do concurso.</p>
<p>Chama a atenção que não foi publicada no site da ACADEPOL nenhuma
planilha que indicasse os critérios para aferição da aula simulada. No
edital apenas constava que os critérios para a avaliação seriam:
apresentação do conteúdo, abordagem do tema (utilização de recursos,
exemplos para alcançar o objetivo), gerenciamento do tempo e atitude do
docente (segurança, clareza e entusiasmo).</p>
<p>Ou seja, não foi publicado ao público externo, no site da
Instituição, se a metodologia empregada e a abordagem efetuada eram
critérios para melhor ou pior avaliação. Dos oitenta candidatos que
realizaram a aula simulada apenas quatro foram reprovados, recebendo
nota inferior a sete pontos (mínimo exigido no edital). Não foi exigido
nenhum tipo de metodologia ativa e preocupa-nos a expressão ‘entusiasmo’
como critério de avaliação, justamente por entender que tal expressão
não deveria ser norteadora de seleção de docentes para um curso formador
tão relevante na preparação de policiais civis. Pode-se afirmar que
clareza, no que tange à didática empregada no exercício do magistério,
bem como utilização de metodologia ativa, por exemplos, poderiam ser
critérios objetivos a serem adotados para a escolha dos docentes. As
expressões utilizadas são “segurança”, “clareza” e “entusiasmo”. No que
se refere à expressão “segurança”, poder-se-ia concluir que tal palavra
sugere domínio do conteúdo a ser ministrado. No que se refere à
“clareza”, pode-se afirmar que seria relacionada à forma de se expressar
no exercício do magistério. Porém, a expressão “entusiasmo”, por ser de
absoluta subjetividade tal conceituação, aponta-nos para uma preocupação
com a adoção desta expressão como critério de seleção de docente. O que
significaria um professor que leciona com ‘entusiasmo’?</p>
<p>Igualmente chamou a atenção que, dos 76 aprovados, 48 alcançaram nota
máxima (dez pontos) na referida aula simulada, sendo um percentual
superior a 60% do total de aprovados. Frise-se que os avaliadores eram
delegados de polícia lotados na ACADEPOL, o que não necessariamente
significa que a banca avaliadora era composta por especialistas em
educação ou professores com experiência em magistério em nível superior
ou em pós-graduação. Ou seja, pode-se afirmar que, considerando as
avaliações realizadas pela banca deste certame, os professores, em dez
minutos de aula, foram perfeitos, técnica e didaticamente. É consabido
que uma quantidade de notas tão altas em um volume tão expressivo de
candidatos pode indicar ausência de critérios mais rigorosos para a
seleção.</p>
<p>Cumpre alertar que não foi exigido de nenhum candidato nada além de
ser policial civil da ativa, ter autorização do chefe superior para
lecionar e não estar respondendo a prática criminal, processo civil ou
sindicância/processo administrativo disciplinar por infração
incompatível com a docência. Mesmo com novos critérios para a seleção de
docentes, o subjetivismo ainda é uma realidade na ACADEPOL, ao menos
pelo que se conclui dos documentos obtidos para análise.</p>
<p>Por fim, um aspecto peculiar. No edital supracitado, foi informado
que a comissão de avaliação era composta pela delegada diretora da
ACADEPOL e por mais quatro delegados indicados por ela, referendados
pelo Chefe de Polícia, totalizando cinco candidatos. No edital que
informou a classificação final do certame, constou um rol de professores
que foram designados para lecionarem na ACADEPOL sem participarem do
processo seletivo, alegando que estariam impedidos de se inscreverem no
processo em questão justamente por pertencerem ou à Comissão de Seleção
ou à Comissão Examinadora da Seleção Interna para Docência em Cursos de
Formação Profissional. Dezessete nomes foram designados diretamente sem
realizarem nenhum processo seletivo, nem se submeterem a nenhuma
avaliação de prática pedagógica. Não se analisou individualmente o nome
de cada professor designado nesta condição para verificar seu histórico
na ACADEPOL ou se possuía currículo <italic>lattes</italic>, por não se
ter acesso a esse tipo de informação pessoal.</p>
<p>Mas chama a atenção que um grupo, justamente por participar do
processo seletivo nas comissões, não passaria por um igual processo para
lecionar. Uma sugestão seria a ACADEPOL convidar a Secretaria de
Educação do Estado do Rio Grande do Sul ou alguma academia como a
Universidade do Estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, para fazer tal
avaliação, pois sendo membros externos à ACADEPOL teriam a isenção e a
expertise para poderem avaliar os candidatos à docência.</p>
<p>Na mais recente seleção interna de professores para lecionar na área
jurídica da ACADEPOL (Edital Nº 06/2020), diferentemente do edital
anterior, foi retirada a proibição de inscrição de policiais civis em
estágio probatório, o que foi relevante para a classificação final deste
processo seletivo, tendo em vista que dos cinquenta aprovados no
processo seletivo, dezesseis candidatos estavam em estágio probatório,
sendo que o primeiro colocado era um deles (ACADEPOL/RS, 2020).</p>
<p>Porém, mesmo ter sido bem classificado no processo seletivo não era
certeza de que o candidato lecionaria na ACADEPOL. Foi inserida no
edital uma regra que, de certa forma, priorizaria quem já é estável na
carreira policial em detrimento de quem está em estágio probatório.
Conforme previu o edital, seriam designados para a docência os
servidores policiais estáveis e, na falta destes, em número suficiente
para preencher as vagas existentes, só então poderiam ser designados os
servidores policiais em estágio probatório. Ou seja, toda a seleção
terminou sendo descaracterizada para permitir que policiais civis já
estáveis no cargo pudessem passar à frente dos candidatos em estágio
probatório.</p>
<p>Observa-se que não houve um critério didático ou pedagógico, apenas
ter superado os três anos do estágio probatório sem problemas na
carreira. Diferentemente do outro edital já mencionado, não constou um
rol de professores designados para lecionarem na ACADEPOL sem
participarem do processo seletivo alegando que estariam impedidos de se
inscreverem no processo em questão justamente por pertencerem ou à
Comissão de Seleção ou à Comissão Examinadora da Seleção Interna para
Docência em Cursos de Formação Profissional. O que não quer dizer que
não lecionaram efetivamente. Ou seja, aqueles que selecionaram
professores, que outrora estariam impedidos de lecionar, agora poderiam,
sem participar do processo seletivo, pois eles eram os
selecionadores.</p>
<p>Diferentemente do edital anterior, os critérios exigidos no presente
edital envolviam os seguintes tópicos: a) apresentação do conteúdo, b)
abordagem do tema, c) gerenciamento do tempo, e d) atitude do docente. A
comissão, neste certame, era composta por vinte e um avaliadores,
majoritariamente formada por delegados de polícia, a critério da direção
da ACADEPOL. Chama a atenção que a ‘atitude do docente’ é objeto de
análise para seleção de professores. Indaga-se: Qual atitude? Qual é o
critério para aferir que atitude se espera de um docente?</p>
<p>No mesmo sentido, houve um número maior de reprovações (quinze
candidatos) e a quantidade de notas máximas foi significativamente
inferior (quinze) em um universo de cinquenta candidatos aprovados, ou
seja, em um percentual na ordem de 30%.</p>
<p><bold>A (</bold>ÚNICA) TURMA INTEGRADA DA POLÍ<bold>CIA
CIVIL</bold><xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref> (2000-2001)</p>
<p>O curso de formação do ano 2000 foi um marco na história das agências
de segurança pública do estado do Rio Grande do Sul, pois foi o primeiro
a ser organizado, de forma integrada, com alunos da Brigada Militar
(BM), da Superintendência de Serviços Penitenciários (SUSEPE) e da
Polícia Civil (PC). A estrutura do curso era dividida em dois módulos,
sendo um primeiro comum aos alunos das três agências supracitadas, tendo
um módulo final específico para cada um dos grupos, sendo esta segunda
parte focada na formação específica do respectivo cargo.</p>
<p>Naquele curso, o primeiro a ser organizado por um governo
progressista (Olívio Dutra), houve uma especial preocupação com uma
formação básica e comum de disciplinas de cunho humanista e com o
emprego de professores vinculados à academia (no caso, a UFRGS),
modificando totalmente a lógica que havia até então para a seleção de
docentes para a ACADEPOL. Tal integração jamais havia sido vista nos
cursos, tendo uma etapa inicial com alunos da Brigada Militar, da
Superintendência de Serviços Penitenciários e da Polícia Civil juntos,
na mesma sala de aula. Para melhor contextualizar este cenário,
Rodrigues (2020) observa que:</p>
<disp-quote>
  <p>Nesta busca por uma segurança cidadã no início dos anos 2000,
  vivenciou-se no Rio Grande do Sul, na gestão do governo Olívio Dutra,
  primeiro governador do Partido dos Trabalhadores no estado, o que se
  pode denominar de revolução na área do ensino das escolas das
  instituições de segurança pública, onde simultaneamente houve uma
  revisão nos currículos dos cursos de formação, agregado a uma inédita
  aproximação destas escolas com o mundo acadêmico através da
  Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sendo que este
  pesquisador atuou na condição de professor na chamada fase integrada,
  onde alunos da Brigada Militar, Polícia Civil (PC) e Superintendência
  dos Serviços Penitenciários (Susepe) estudavam disciplinas comuns
  dividindo as mesmas salas de aula, em especial relacionadas às
  ciências humanas, experiência que por si só já trazia consigo
  relevante quebra de paradigmas e, por consequência, resistências e
  contrariedades por parte de alguns comandantes, diretores e chefes
  destas instituições. (RODRIGUES, 2020, p.31).</p>
</disp-quote>
<p>Uma ex-coordenadora da disciplina denominada “Questões Sociológicas:
Violência e Vulnerabilidade”, Acácia Hagen, observa que:</p>
<disp-quote>
  <p>Esta modificação causou grande impacto, introduzindo ao mesmo tempo
  vários elementos novos no processo de formação. O primeiro deles foi a
  centralização de todas as decisões importantes pela Secretaria da
  Justiça e da Segurança, que passou a determinar os currículos e
  conteúdos programáticos. Alunos de todas as instituições passaram a
  ter aulas nos quatro centros de formação: Academia da Polícia Militar,
  Academia da Polícia Civil, Escola de Bombeiros e Escola Técnica de
  Polícia Militar, localizada em Montenegro. Em cada um dos centros
  constituiu-se uma coordenação com representantes das três
  instituições. Os professores desenvolviam suas atividades em qualquer
  um dos centros de formação, independente de sua vinculação, ou seja,
  policiais militares poderiam estar dando aulas na Academia de Polícia
  Civil e policiais civis na Academia de Polícia Militar. Além disso,
  foram contratados professores para algumas disciplinas e por meio de
  um convênio com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em sua
  maioria jovens e sem qualquer vivência dentro das instituições nas
  quais foram trabalhar. (HAGEN, 2006a, p.123).</p>
</disp-quote>
<p>Esta parte inicial do curso era composta por
disciplinas<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref> com a mesma carga
horária (30 horas), sendo que a disciplina ligada à Sociologia
(Sociologia da Violência e da Criminalidade) estava entre as
contempladas, tendo sua maior carga horária da história das formações
policiais, fato este que não se repetiu nos últimos dez anos.</p>
<p>A proposta formulada naquele momento era que, metodologicamente, os
cursos desenvolvidos fossem espaço de construção de consciência social
dos atores envolvidos na concretização do processo pedagógico, sendo que
este curso em questão teve profundas mudanças, trazendo novas práticas
em sala de aula, introdução de novas disciplinas, novas leituras e
muitos debates com os alunos sobre um novo modelo de polícia (TAVARES
DOS SANTOS, 2019).</p>
<p>Não se pode olvidar que, se tratando de uma carga horária ajustada,
era necessário que o programa didático envolvesse a atividade policial
em sua abordagem. Evidentemente, não se tratava de um curso de extensão.
Mas sim de um momento, entre diversas disciplinas oferecidas naquele
instante, para reflexão sobre a atividade policial ou profissional que
seria, logo mais, desenvolvida pelo futuro agente. Esta reflexão
proposta envolvia, naturalmente, conceitos relacionados à sociologia e à
criminalidade.</p>
<p>Importante frisar que, em uma carga horária tão reduzida (30 horas),
a abordagem envolvendo Ciências Sociais precisa passar, necessariamente,
por um recorte que envolva atividade policial e que possa promover a
reflexão crítica sobre a futura atividade a ser desempenhada.</p>
<p>Comumente, qualquer disciplina de Ciências Sociais em curso de
graduação é organizada nos primeiros semestres. No mesmo contexto, foi
inserida a disciplina de Sociologia da Violência e Criminalidade (SVC),
tendo desafios similares no que tange à formação dos discentes.</p>
<p>Porém, no caso em questão, no curso ora abordado, havia uma
diferenciação entre os alunos, pois os alunos policiais militares tinham
como formação intelectual exigida o Ensino Médio e os alunos da Polícia
Civil já possuíam formação em nível superior e, consequentemente, já
tinham estudado, ao menos, entre um a dois semestres de Sociologia em
seus cursos de graduação.</p>
<p>Esta diferenciação na vivência acadêmica não diminuiu o interesse dos
discentes. Porém, para a construção conceitual dos temas a serem
desenvolvidos em aula, era necessário haver uma introdução envolvendo as
questões a serem lecionadas. Durante as aulas, os professores tinham que
apresentar uma atenção nesta questão conceitual introdutória, o que
gerava certo descompasso no exercício do magistério em sala de aula. Não
obstante este fato, pode-se observar interesse dos discentes nas aulas
ministradas e o propósito de integração entre as agências de segurança;
no que tange à formação, foi uma experiência relevante naquele momento
histórico.</p>
<p>Tal diferenciação também foi observada quando do momento da
avaliação, pois por ser uma disciplina que compunha o curso de formação,
por consequência, exigia-se aprovação, ou poderia haver reprovação e,
sendo reprovado, o aluno não poderia prosseguir no curso.</p>
<p>Além disso, como o curso possuía mais de duas dezenas de turmas, era
necessário haver um parâmetro de avaliação que fosse único para todos os
discentes. Ou seja, as avaliações tinham que ser de múltipla escolha e
as respostas tinham que estar em uma apostila organizada pelos docentes,
cujo material fosse comum e lecionado para todos os discentes, para
evitar recursos às questões e respectiva anulação destas.</p>
<p>Pode-se afirmar que aquela experiência pedagógica marcou época, tendo
em vista que houve uma ruptura com o modelo de seleção de docentes, com
a inserção de professores vinculados à UFRGS e com a participação de
atores que não são usuais nas instituições de ensino policial do Rio
Grande do Sul. De certa forma, houve uma resistência diante dessa
novidade trazida no curso de formação policial dos anos 2000, com uma
abertura nunca antes vista da ACADEPOL à universidade e aos movimentos
sociais, onde, até aquele momento, apenas técnicos em segurança pública
eram designados professores (RODRIGUES, 2020).</p>
<p>Por fim, após o período governamental do começo do século, como será
observado <italic>a posteriori</italic>, nos últimos anos, houve
substancial redução da carga horária da disciplina envolvendo Ciências
Sociais, bem como relevante modificação no cenário da referida
disciplina. Como observou Ponciani (2006), não obstante a ocorrência de
algumas propostas inovadoras na área da formação policial, poucas
iniciativas lograram êxito no intento de prover uma agenda de reforma da
formação policial.</p>
<p><bold>A DISCIPLINA VINCULADA À</bold>S CIÊ<bold>NCIAS SOCIAIS:
Sociologia da Viol</bold>ê<bold>ncia e da Criminalidade/Questões
Sociológicas: Viol</bold>ê<bold>ncia e Vulnerabilidade</bold></p>
<p>A disciplina ligada às Ciências Sociais passou por duas denominações
entre os anos 2000 até 2014. A primeira foi <italic>Sociologia da
Viol</italic>ê<italic>ncia e Criminalidade</italic>, enquanto, em
segundo momento, passou-se a chamar <italic>Questões Sociológicas:
Viol</italic>ê<italic>ncia e Vulnerabilidade</italic>. No que diz
respeito ao conteúdo programático, pode-se afirmar que não houve
modificação substancial acerca do conteúdo didático que era apresentado
aos discentes em aula durante os anos, mas sim uma mudança na forma de
abordagem aos discentes. Alguns conteúdos ganharam nova formatação (com
redução de conteúdo didático ou com modificação de cenários para
abordagem).</p>
<p>Após o final da turma de 2000, nos anos seguintes, voltou-se a ter
como lócus de organização e planejamento do curso de formação a ACADEPOL
e seu grupo diretivo. No caso da disciplina abordada, uma socióloga
integrante da ACADEPOL era a responsável por coordenar a disciplina. Via
de regra, tal tarefa envolvia selecionar os professores, reuni-los para
debater metodologia, conteúdo programático, avaliações, etc., sendo que
tais reuniões ocorriam nas dependências da ACADEPOL quando determinadas.
Havia subordinação da coordenadora a outros profissionais da ACADEPOL,
tendo ela, naquele momento, relativa liberdade para escolher os temas a
serem enfrentados. Havia sempre uma preocupação no sentido de que os
temas abordados na disciplina não partissem para um viés ligado à
psicologia, visando evitar duplicidade de abordagem.</p>
<p>Antes de qualquer realização de curso, os professores eram reunidos
em um evento denominado Curso de Preparação à
Docência<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>, o qual era realizado
nas dependências da ACADEPOL.</p>
<p>Para o curso de formação de policiais que teve início no processo
seletivo do ano de 2005, os conteúdos e temas propostos eram os
seguintes, os quais eram passíveis de sugestões pelos futuros docentes
para adequações:</p>
<disp-quote>
  <p>1. O objeto da sociologia da violência e da criminalidade: os
  conceitos de violência e de criminalidade; violência física e
  violência simbólica. Texto: estamos trabalhando com alguns da Alba
  Zaluar, mas ainda não definimos a versão final.</p>
  <p>2. A estatística criminal: discussão das características e dos
  problemas relativos ao registro da criminalidade. Texto: SÃO PAULO.
  Secretaria da Segurança Pública. Coordenadoria de Análise e
  Planejamento. Estatística de criminalidade; manual de interpretação.
  p.1-11. Disponível em:
  &lt;http://www.ssp.sp.gov.br/estatisticas/&gt;.</p>
  <p>3. Abordagem sociológica do trabalho policial: função da polícia,
  cultura policial, questão de gênero no trabalho policial.</p>
  <p>4. O sistema de justiça criminal. Texto: algo que mostre que o
  inquérito é uma parte de um processo maior, que não define a situação
  final da questão.</p>
  <p>5. Importância da polícia para a diminuição da criminalidade. Entra
  no lugar daquele ponto anterior, “explicações para a criminalidade na
  sociedade brasileira”, com a ideia de combater as visões simplistas do
  senso comum sobre o papel da polícia em relação aos índices de
  criminalidade. (HAGEN, 2006b).</p>
</disp-quote>
<p>Em 2009, a ACADEPOL inovou convidando diversos professores para
participarem de um curso denominado Constru<italic>ção do
Curr</italic>í<italic>culo dos Cursos de Formação Inicial dos Policiais
Civis do RS/2009</italic>. A diferença era que para os candidatos a
cargo de professor poderem lecionar no próximo curso de formação, estes
tinham que ter participado dos grupos de estudo das disciplinas. Cada
grupo foi dividido de acordo com a área temática da Matriz Curricular
Nacional. O grupo que abarcava o tema Ciências Sociais estava incluso
com o tema envolvendo psicologia.</p>
<disp-quote>
  <p>GRUPO 2 – ABORDAGEM SÓCIO-PSICOLÓGICA DA VIOLÊNCIA E DO CRIME;</p>
  <p>•• Sociologia da violência;</p>
  <p>•• Violência estrutural, institucional, interpessoal;</p>
  <p>•• Mídia, violência e (in)segurança;</p>
  <p>•• Noções de criminologia;</p>
  <p>•• Processos criminógenos, psicologia criminal e das interações
  conflitivas;</p>
  <p>•• Sistema penal, processos de criminalização e práticas
  institucionais de tratamento dos autores de atos delitivos;</p>
  <p>•• Jovens em conflito com a lei;</p>
  <p>•• Violência e corrupção policial;</p>
  <p>•• Crime organizado: análise crítica da gênese e estruturas;</p>
  <p>•• Violência da escola e violência na escola;</p>
  <p>•• Violência e grupos vulneráveis;</p>
  <p>•• Violência contra a mulher;</p>
  <p>•• Exploração sexual comercial;</p>
  <p>•• Violência no trânsito;</p>
  <p>•• Tráfico de drogas (ACADEPOL, 2009.p.2)</p>
</disp-quote>
<p>A Matriz Curricular Nacional foi um documento preparado pelo
Ministério da Justiça, no ano de 2003, que visava apresentar-se como um
referencial teórico-metodológico para orientar a formação dos
profissionais da área de segurança pública, procurando padronizar (sem
afastar questões locais) a formação do policial brasileiro. Tinha como
áreas temáticas propostas as seguintes:</p>
<p></p>
<disp-quote>
  <p>• Sistemas, Instituições e Gestão Integrada em Segurança
  Pública.</p>
  <p>• Violência, Crime e Controle Social.</p>
  <p>• Cultura e Conhecimentos Jurídicos.</p>
  <p>• Modalidades de Gestão de Conflitos e Eventos Críticos.</p>
  <p>• Valorização Profissional e Saúde do Trabalhador.</p>
  <p>• Comunicação, Informação e Tecnologias em Segurança Pública.</p>
  <p>• Cotidiano e Prática Policial Reflexiva.</p>
  <p>• Funções, Técnicas e Procedimentos em Segurança Pública. (SENASP,
  2008).</p>
</disp-quote>
<p>No curso de 2012, o conteúdo a ser lecionado tinha, como espinha
dorsal, os seguintes tópicos:</p>
<p></p>
<disp-quote>
  <p>- O objeto da sociologia da violência e da criminalidade. Violência
  simbólica. Tipologia da criminalidade.</p>
  <p>- Fenomenologia da criminalidade e da violência. Estatísticas.
  Padrões contemporâneos da criminalidade e da violência.</p>
  <p>- Teorias da criminalidade: a abordagem sociológica.</p>
  <p>- O trabalho policial enquanto objeto da sociologia. (GRIZA, 2013,
  p.2).</p>
</disp-quote>
<p>Segundo a apostila daquele ano, o objetivo daquele período da
disciplina era:</p>
<disp-quote>
  <p>Proporcionar ao(à) aluno(a) uma reflexão com enfoque sociológico a
  respeito da criminalidade e da violência, permitindo que ele(a)
  identifique suas diversas manifestações na sociedade brasileira, seja
  capaz de analisar suas avaliações quantitativas e qualitativas e
  identifique as formas de reação social às mesmas, especificamente as
  referentes ao trabalho policial. (GRIZA, 2013).</p>
</disp-quote>
<p>Frise-se que tal objetivo foi comum em quase todos os cursos no
período entre 2005 a 2014. E a disciplina buscava, na sua essência
filosófica, promover reflexão sobre a questão da violência, da atividade
policial (e sua contextualização dentro desta violência) e compreender
este fenômeno que irá acompanhar o futuro profissional de segurança até
o final da sua atividade pública.</p>
<p>Por fim, no curso de 2014, os conteúdos a serem ministrados sofreram
uma pequena modificação, com um enfoque na questão das drogas:</p>
<disp-quote>
  <p>1. Os conceitos de Violência e de Criminalidade</p>
  <p>2. As estatísticas da criminalidade e da violência</p>
  <p>3. Concepções teóricas sobre as causas da criminalidade – Crime
  organizado</p>
  <p>4. Aspectos contemporâneos da criminalidade e da violência –
  Relação drogas e crime</p>
  <p>5. Definindo a Polícia; uma abordagem sociológica do trabalho
  policial(ACADEPOL, 2014a).</p>
</disp-quote>
<p>A partir desse curso, a ACADEPOL priorizou policiais da ativa e houve
uma unificação entre as disciplinas ligadas às Ciências Sociais e à
Psicologia, com redução substancial da carga horária em aula
(anteriormente, cada disciplina já tinha chegado a ter 30 horas cada uma
individualmente), o que evidencia um posicionamento da ACADEPOL e da sua
gestão enquanto política de ensino.</p>
<p>Tal percepção também foi vista por França (2012), quando observou que
disciplinas que permitiam proporcionar debate e reflexão sobre a vida do
policial (matérias humanísticas) deveriam ceder espaço de cunho
operacional, de acordo com os cadetes entrevistados na sua pesquisa.</p>
<p>Parece-nos, pois, que a atividade docente relacionada às Ciências
Sociais, depois de alguns instantes de apoio institucional na ACADEPOL,
está passando por um momento de ocaso, vindo de encontro a uma formação
mais interdisciplinar dos agentes policiais.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Diante do que foi narrado acima, pode-se perceber que a disciplina
vinculada às Ciências Sociais passou a ter seu espaço valorizado no
começo deste século, sendo um critério para aferir tal valorização o
acréscimo na carga horária a ser lecionada e a formação acadêmica dos
docentes. Porém, nos últimos anos, houve significativa redução da carga
horária para ministrar os conteúdos programáticos e, consequentemente,
redução de um espaço para reflexão sobre a própria atividade policial,
papel que tal disciplina exercia na formação dos docentes. Pode-se
afirmar que a modificação com a unificação da disciplina ligada às
Ciências Sociais com a disciplina ligada à Criminologia significou não
só uma redução substancial na carga horária (o que gera, por si só,
redução no que se refere à abordagem e reflexão), mas também uma
demonstração do que se tornou mais importante na ACADEPOL nos últimos
anos, qual seja, as denominadas disciplinas operacionais. Atualmente,
não há disciplina autônoma relativa ao tema, estando na disciplina de
Criminologia alguns elementos conceituais ligados à área.</p>
<p>Conforme Azevedo (2016), constata-se que os padrões institucionais e
a cultura burocrática que moldaram as práticas policiais no Brasil, em
grande medida, comprometem a implantação de um modelo profissional de
polícia. Neste sentido, Azevedo (2016) observa que a consolidação de
padrões profissionais de atuação por meio da formação e da valorização
dos bons profissionais é importante para o avanço neste campo. Não se
pode ignorar a importância que tem a formação na ACADEPOL na vida de um
agente. Não se trata apenas de conteúdo programático que é apresentado
ao discente, mas de questões que envolvem toda uma atividade que o
futuro policial muitas vezes não possui nenhum conhecimento ou vivência.
A forma como esses temas são apresentados pela ACADEPOL ao futuro agente
é relevante, sem sombra de dúvidas.</p>
<p>Neste sentido, Romão (2021) observa que, se há temáticas de teor
marcadamente interdisciplinar, em que o cruzamento de perspectivas é
enriquecedor e mesmo se impõe, também ocorrem situações em que
conceitos, métodos e técnicas são extraídos da Sociologia e agregados em
avulso a outros contextos, numa espécie de sedutor
prê<italic>t-</italic>à<italic>-porter</italic>. Ressalta-se que a
educação policial continuada é imprescindível e necessária para produzir
a sedimentação de conhecimentos, habilidades e competências requeridas
com vistas ao policiamento baseado em protocolos de justiça
procedimental (PONCIONI, 2021).</p>
<p>De outra sorte, a ACADEPOL, a partir de 2018, procurou promover
seleções para professor com alguns critérios objetivos que permitiram
trazer uma escolha menos voltada em professores indicados por vínculos
de amizade ou por serem conhecidos no meio policial, apresentando, pela
primeira vez, a exigência de aula simulada para a aprovação do docente.
Azevedo e Spaniol (2022) observam que houve avanços importantes na
formação dos profissionais da segurança pública do estado do Rio Grande
do Sul após a redemocratização, com a crescente adaptação das malhas
curriculares às exigências constitucionais e democráticas para a
prestação de serviços de segurança pública.</p>
<p>O caminho para a ACADEPOL trazer uma formação com maior cuidado com
metodologia, avançar na formação humanística e reflexiva passa por uma
autonomia acadêmica desta Instituição, sempre em conformidade com o
padrão da Matriz Curricular Nacional. Mas, sem sombra de dúvidas,
considerando o contexto dos cursos iniciais do início dos anos 2000 para
os últimos realizados no final da década passada, pode-se afirmar que o
conteúdo ligado às Ciências Sociais sofreu profunda redução de abordagem
em sala de aula, com a respectiva carga horária partilhada com outras
áreas, evidenciando assim a sua (des)importância no cenário do ensino
policial.</p>
<p><bold>REFER</bold>Ê<bold>NCIAS BIBLIOGR</bold>ÁFICAS</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Divisão de Ensino da ACADEPOL. <bold>Sociologia da
Viol</bold>ê<bold>ncia e da Criminalidade</bold>. (mensagem pessoal).
Mensagem recebida por AUTOR DO TEXTO em: 9 maio 2006.</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Divisão de Ensino da ACADEPOL. <bold>Curso de formação de
Escrivã</bold>o. (mensagem pessoal). Mensagem recebida por AUTOR DO
TEXTO em: 19 jan. 2007.</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
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(mensagem pessoal). Mensagem recebida por AUTOR DO TEXTO em: 22 set.
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<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Divisão de Ensino da ACADEPOL. <bold>ATA DE REUNI</bold>Ã<bold>O DE
COORDENADORES_FAVOR CONFIRMAR RECEBIMENTO</bold>. (mensagem pessoal).
Mensagem recebida por AUTOR DO TEXTO em: 07 ago. 2010.</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Divisão de Ensino da ACADEPOL. <bold>Reunião em 26/10</bold>.
(mensagem pessoal). Mensagem recebida por AUTOR DO TEXTO em: 26 out.
2012a.</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Coordenadora da disciplina Questões Sociológicas: Violência e
Vulnerabilidade. <bold>Caderno de textos</bold>. (mensagem pessoal).
Mensagem recebida por AUTOR DO TEXTO em: 30 out. 2012b.</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Coordenador da disciplina Questões Sociológicas: Violência e
Vulnerabilidade. Retomada do projeto da Sociologia. (mensagem pessoal).
Mensagem recebida por AUTOR DO TEXTO em: 02 jan. 2014a.</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Academia de Polícia Civil. Coordenadora da disciplina de Questões
Sociológicas: Violência e Vulnerabilidade. <bold>Resposta</bold> à
solicita<bold>çã</bold>o. (mensagem pessoal). Mensagem recebida por
AUTOR DO TEXTO em: 23 abr. 2014b.</p>
<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Divisão de Ensino da ACADEPOL. <bold>Sol. de informaçã</bold>o.
(mensagem pessoal). Mensagem recebida por AUTOR DO TEXTO em: 23 out.
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<p>ACADEPOL/RS – ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
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Brasileiro de Sociologia</bold>. Sociedade, Estado e Natureza. Belém,
2021.</p>
<p>REINER, R. A polí<bold>tica da Pol</bold>í<bold>cia</bold>. São
Paulo: Edusp, 2004.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Lei N</bold>º
<bold>11, de 4 de janeiro de 1896</bold>. Organização policial do Estado
do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: A Federação, 1922.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Decreto N</bold>º
<bold>6.880, de 7 de dezembro de 1937</bold>. Organiza a Polícia de
Carreira do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Imprensa Oficial,
1938.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Decreto N</bold>º
<bold>7.601, de 5 de dezembro de 1938</bold>. Dá nova organização à
Polícia de Carreira de Estado. Porto Alegre: Imprensa Oficial, 1939.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Lei N</bold>º
<bold>2.027, de 12 de janeiro de 1953</bold>. Reorganiza a Polícia Civil
do Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências. Porto
Alegre/RS: Imprensa Oficial, 1953.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Lei N</bold>º
<bold>3.013, de 10 de dezembro de 1956</bold>. Regula o ingresso e a
promoção nas diversas carreiras do Departamento de Polícia Civil e dá
outras providências. Porto Alegre/RS: Imprensa Oficial, 1957a.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Decreto N</bold>º
<bold>7.657, de 19 de fevereiro de 1957</bold>. Aprova o Regulamento da
Escola de Polícia. Porto Alegre/RS: Imprensa Oficial, 1957b.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Lei N</bold>º
<bold>5.600, de 8 de janeiro de 1968</bold>. Consolida a Legislação que
regula o ingresso nas carreiras e nos quadros especializados da
Secretaria da Segurança Pública e dá outras providências. Rio Grande do
Sul: Diário Oficial do Estado, 9/1/1968. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br. Acesso em: 20 abr. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Lei N</bold>º
<bold>7.059, de 31 de dezembro de 1976</bold>. Altera o Estatuto dos
Servidores da Polícia Civil, e complementa a legislação referente à
Escola de Polícia. Porto Alegre/RS, 1976. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br. Acesso em: 20 abr. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Lei N</bold>º
<bold>8.835, de 22 de fevereiro de 1989</bold>. Regula o ingresso de
servidores na Polícia Civil do Estado e dá outras providências. Porto
Alegre/RS, 1989. Disponível em: http://www.al.rs.gov.br. Acesso em: 20
abr. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Decreto N</bold>º
<bold>37.489, de 10 de junho de 1997</bold>. Aprova o Regulamento da
Academia de Polícia Civil. Porto Alegre/RS, 1997. Disponível em:
http://www.al.rs.gov.br. Acesso em: 20 abr. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Lei N</bold>º
<bold>12.350, de 26 de outubro de 2005</bold>. Dispõe sobre o ingresso
na carreira de Delegado de Polícia, nas carreiras de Inspetor e de
Escrivão de Polícia e dá outras providências. Porto Alegre/RS, 2005.
Disponível em: http://www.al.rs.gov.br. Acesso em: 9 jul. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Assembleia Legislativa. <bold>Decreto N</bold>º
<bold>53.091, de 23 de junho de 2016</bold>. Aprova o Regulamento da
Academia de Polícia Civil. Rio Grande do Sul: Diário Oficial do Estado,
n. 119, de 24/6/2016. Disponível em:
https://www.pc.rs.gov.br/upload/arquivos/201810/30200033-1467207919-decreto-53-091-2016.pdf.
Acesso em: 20 abr. 2021.</p>
<p>RIO GRANDE DO SUL. Gabinete da Casa Civil. <bold>Resposta</bold> à
<bold>Demanda n. 000.031.903.( mensagem pessoal).</bold> Mensagem
recebida pelo AUTOR DO TEXTO em 03.mar.2022.</p>
<p>PCRS – POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Academia de
Polícia Civil. <bold>Livro de lembran</bold>ç<bold>as da ACADEPOL 83
anos</bold>. Porto Alegre: Acadepol, 2020. Disponível em:
https://www.pc.rs.gov.br/upload/arquivos/202005/13163356-livro-de-memorias-da-acadepol-rs.pdf.
Acesso em: 20 abr. 2021.</p>
<p>SENASP – SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA. <bold>Matriz
Curricular Nacional</bold>. Para Ações Formativas dos Profissionais da
Área de Segurança Pública. Versão Modificada e Ampliada. Brasília:
Ministério da Justiça; Senasp; Departamento de Pesquisa, Análise da
Informação e Desenvolvimento de Pessoal em Segurança Pública; Coord.
Geral de Ensino, 2014. Disponível em:
https://posticsenasp.ufsc.br/files/2014/02/2009MatrizCurricular.pdf.
Acesso em: 29 abr. 2021.</p>
<p>SENASP – SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA. <bold>Matriz
curricular nacional para ações formativas dos profissionais da</bold>
á<bold>rea de seguran</bold>ça pú<bold>blica</bold>. Brasília:
Ministério da Justiça; Senasp, 2014.</p>
<p>SILVA, C. ACISP passa oficialmente a sediar escolas de formação da
PC, IGP e Susepe. SSP/RS, Comunicação, Notícias, 22 set. 2017.
Disponível em:
https://ssp.rs.gov.br/acisp-passa-oficialmente-a-sediar-escolas-de-formacao-da-pc-igp-e-susepe.
Acesso em: 9 jul. 2021.</p>
<p>SSP/RS – SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL. Aulas na Academia de Polícia iniciam-se em seis de junho. SSP/RS,
Comunicação, Notícias, 14 maio 2003. Disponível em:
https://ssp.rs.gov.br/aulas-na-academia-de-policia-iniciam-se-em-seis-de-junho-20161026155104.
Acesso em: 9 jul. 2021.</p>
<p>RODRIGUES, C. G. <bold>Educação policial e seguran</bold>ç<bold>a
cidadã</bold>: análise da inserção da Matriz Curricular Nacional na
Brigada Militar/RS e na forma de policial em democracia. Dissertação
(Mestrado em Segurança Cidadã) – Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,
2020.</p>
<p>ROMÃO, A. Sociologia na Academia Militar: de uma história improvável
aos desafios atuais. <bold>Configuraçõ</bold>es, v. 28, p. 11-26,
2021.</p>
<p>SANTOS, S. S. <bold>O real em confronto com o ideal</bold>: a
formação dos policiais militares em Alagoas. Dissertação (Mestrado em
Sociologia) – Instituto de Ciências Sociais, Universidade Federal de
Alagoas, Maceió, 2013.</p>
<p>SPANIOL, M.; RODRIGUES, C. Formação policial contemporânea: avanços e
desafios da segurança pública para aliar saberes, práticas e atuação na
democracia. <bold>Anais do 9</bold>º <bold>Congresso Internacional de
Ci</bold>ê<bold>ncias Criminais</bold>. Sistema Penal e Violência.
PUC/RS: Porto Alegre/RS, 2018. Disponível em:
https://editora.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/congresso-internacional-de-ciencias-criminais/assets/edicoes/2018/arquivos/65.pdf.
Acesso em: 17 set. 2021.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. Marchas, regressos e contrapassos na
educação policial. In: TAVARES DOS SANTOS, J. V. Violê<bold>ncias e
conflitualidades</bold>. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2009, p.
101-114.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. Dilemas do ensino policial: das heranças às
pistas inovadoras. In: TAVARES DOS SANTOS, J. V.; MADEIRA, L. M.
<bold>Seguran</bold>ç<bold>a Cidadã</bold>. Porto Alegre: Rede Escola de
Governo; Tomo Editorial, 2014, p. 19-40.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. Ambivalências do ensino policial: educar ou
treinar? Um estudo em sociologia da conflitualidade. In: TAVARES DOS
SANTOS, J. V. Violê<bold>ncia, pol</bold>í<bold>cia,
justi</bold>ç<bold>a e puniçã</bold>o. São Paulo: Alameda, 2019, p.
229-300.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Frase extraída do Guia Acadêmico Disciplinar da
    ACADEPOL do ano de 2010 (ACADEPOL/RS, 2010)</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>A disciplina em comento possuía, inicialmente, a
    denominação de Sociologia da Violência e da Criminalidade, passando
    a ser denominada, a partir de meados da primeira década do séc. XXI,
    como Questões Sociológicas: Violência e Vulnerabilidade.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>Atualmente, a carreira policial possui os
    seguintes cargos para seleção através de concurso público no estado
    do Rio Grande do Sul: delegado de polícia, escrivão de polícia e
    inspetor de polícia, sendo o primeiro privativo de Bacharel em
    Direito e os demais tendo como exigência graduação em nível
    superior.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>A pesquisa ora apresentada utilizou-se de
    documentos públicos obtidos perante a consulta do site da
    ACADEPOL/RS, bem como de documentos recebidos pelo autor do texto
    durante o período em que foi docente na ACADEPOL/RS (2003-2013),
    além de informações obtidas através de ex-professores e ex-alunos no
    período posterior ao supracitado, documentos estes relacionados
    tão-somente à carga horária da disciplina e à estrutura de
    conteúdos.</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <label>5</label><p> www.pc.rs.gov.br/acadepol</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <label>6</label><p>Atualmente, não se usa mais esta denominação,
    passando-se a denominar ID.</p>
  </fn>
  <fn id="fn7">
    <label>7</label><p>Foi solicitada formalmente para a Divisão de
    Ensino da ACADEPOL a informação pública da carga horária da
    disciplina ligada às Ciências Sociais e o percentual da sua carga
    horária em relação ao total do curso. A resposta foi negativa,
    alegando: “[...] que os dados solicitados só são fornecidos desde
    que vinculados à pesquisa acadêmica” (ACADEPOL/RS,2021). Porém, após
    solicitação formal de dados através da Lei de Acesso à Informação,
    foi recebida manifestação da ACADEPOL expondo a carga horária de
    cursos entre os anos de 2003 a 2020 (ACADEPOL/RS, 2022)</p>
  </fn>
  <fn id="fn8">
    <label>8</label><p>A informação referente ao governador de estado do
    período referente ao curso foi inserida pelo autor do texto.</p>
  </fn>
  <fn id="fn9">
    <label>9</label><p>Análise percentual realizada pelo autor do
    texto.</p>
  </fn>
  <fn id="fn10">
    <label>10</label><p>O intento era evitar controvérsias colocando
    agentes policiais contra delegados de polícia.</p>
  </fn>
  <fn id="fn11">
    <label>11</label><p>O objetivo era evitar qualquer comentário que
    viesse a desestimular aquele aluno da ACADEPOL a prosseguir no curso
    de formação.</p>
  </fn>
  <fn id="fn12">
    <label>12</label><p>Os temas da aula simulada eram: 1) A dignidade
    da pessoa humana como um dos princípios estruturantes da
    Constituição Federal; 2) Prisões Cautelares; 3) Segurança Pública –
    art. 144 da Constituição Federal e Polícia Judiciária; 4) Direitos
    Humanos: Conceito e Dimensões; 5) Teoria Geral do Crime: Tipicidade;
    6) Ato infracional: procedimentos na fase policial; 7) Violência e
    Crime: aspectos psicológicos; 8) Violência e Crime: aspectos
    sociológicos; 9) Princípios Informadores do Direito Administrativo;
    10) Representação por Mandado de Busca e Apreensão e Auto
    Circunstanciado de Busca; 11) Ferramentas de Investigação: Ação
    Controlada e Infiltração Policial.</p>
  </fn>
  <fn id="fn13">
    <label>13</label><p>O autor do texto foi aluno do curso em questão e
    professor da mesma Instituição anos depois. O fato de ter sido aluno
    e ter sido docente não significa que a presente pesquisa seja uma
    pesquisa participante, metodologicamente falando.</p>
  </fn>
  <fn id="fn14">
    <label>14</label><p>As disciplinas na parte básica foram: Abordagem
    Sociopsicológica da Violência, Criminalística, Defesa pessoal,
    Direito Administrativo de Segurança Pública, Direito Constitucional,
    Direito Penal, Direitos Humanos, Introdução ao Estudo do Direito,
    Medicina Legal, Pronto Socorrismo, Saúde Física, Saúde Mental,
    Sociologia da Violência e da Criminalidade e Uso da Força e da Arma
    de Fogo.</p>
  </fn>
  <fn id="fn15">
    <label>15</label><p>Em 2003, uma palestra deste curso apresentava
    como objetivo geral: “Oportunizar aos profissionais que atuam como
    docentes na ACADEPOL uma reflexão sobre o processo de
    ensino-aprendizagem, proporcionando-lhes condições para
    aperfeiçoarem sua práxis didático-pedagógica, de forma dinâmica e
    participativa”.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
