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<p><bold>IMPLANTAÇÃO DA METODOLOGIA “SALA DE AULA INVERTIDA” ATRAVÉS DO
ENSINO HÍBRIDO: ANÁLISE DA PROPOSTA NA POLÍCIA MILITAR DE
ALAGOAS</bold></p>
<p><bold>Alisson César da Silva Gama</bold></p>
<p>Especializado em Direito Constitucional e Administrativo (UNIT) -
2019, Penal e Processual Penal pela Faculdade Damásio de Jesus - 2014 e
no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais - 2021 (APMSAM); Oficial
Intermediário da Policia Militar de Alagoas. Entusiasmado por
Metodologias e Técnicas de Ensino. Integrante da Força Nacional da
Segurança Pública.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Alagoas
<bold>Cidade:</bold> Maceió</p>
<p><bold>Email:</bold> acg082@yahoo.com.br <bold>Orcid:</bold>
http://orcid.org/0000-0003-3865-8118</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Este artigo trata sobre proposta de implantação da metodologia sala
de aula invertida através do ensino híbrido na formação e no
aperfeiçoamento na Polícia Militar de Alagoas. A sala de aula invertida,
juntamente com uma abordagem híbrida, faz a junção prática de encontros
<italic>on-line</italic> e presenciais, personaliza o estudo e aumenta o
grau de ensino e aprendizagem. A pesquisa se direcionou em demonstrar a
importância da participação efetiva do aluno na construção de sua
aprendizagem e propor uma nova metodologia utilizando ferramentas
digitais. Ampara-se também por uma abordagem híbrida, por vezes,
diferente do cotidiano de aulas predominantemente expositivas. Nesta
análise ficou demonstrado que a implantação da metodologia da sala de
aula invertida não acarreta nenhum prejuízo à base das organizações
militares. Aliás, apresenta um novo viés educacional, sem excluir outros
praticados, preservando as tradições e os conceitos castrenses. Insere a
instituição em um patamar educacional mundial comprometido com inovações
e aperfeiçoamento contínuo na formação profissional. Através de uma
pesquisa bibliográfica, documental, quanto à abordagem, quantitativa e
qualitativa, verificou-se a possibilidade de adequação da proposta às
Normas de Planejamento Condutas e Ensino da Polícia Militar de Alagoas.
Esse estudo também foi construído na vivência dentro do Centro de
Formação e Aperfeiçoamento de Praças, onde por diversas vezes ecoa-se
pela comunidade acadêmica que a teoria é muito diferente da prática.
Assim, torna-se importante aumentar possibilidades de metodologias que
possam melhorar a compreensão do que se estuda (teoria) e a sua direta
aplicação na atividade final (prática).</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Polícia Militar de Alagoas; Sala de Aula
Invertida; Metodologia; Ensino Híbrido; Aprendizagem.</p>
<p><bold>IMPLEMENTATION OF THE &quot;INVERTED CLASSROOM&quot;
METHODOLOGY THROUGH HYBRID EDUCATION: ANALYSIS OF THE PROPOSAL IN THE
MILITARY POLICE OF ALAGOAS</bold></p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p>This article deals with a proposal to implement the inverted
classroom methodology through hybrid teaching in training and
improvement in the Military Police of Alagoas. The inverted classroom,
together with a hybrid approach, brings together hands-on and
face-to-face meetings, personalizes study, and increases the degree of
teaching and learning. The research was aimed at demonstrating the
importance of effective student participation in building their learning
and proposing a new methodology using digital tools. It is also
supported by a hybrid approach, sometimes different from the daily life
of predominantly expository classes. In this analysis, it was
demonstrated that the implementation of the inverted classroom
methodology does not cause any harm to the base of military
organizations. In fact, it presents a new educational bias, without
excluding others practiced, preserving the traditions and concepts of
Castro. Inserts the institution in a world educational level committed
to innovations and continuous improvement in professional training.
Through a bibliographical, documental research, regarding the
quantitative and qualitative approach, it was verified the possibility
of adequacy of the proposal to the Norms of Planning, Conduct and
Teaching of the Military Police of Alagoas. This study was also built on
the experience within the Center for Training and Improvement of Plazas,
where, on several occasions, it is echoed by the academic community that
theory is very different from practice. Thus, it is important to
increase the possibilities of methodologies that can improve the
understanding of what is being studied (theory) and its direct
application in the final activity (practice).</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Military Police of Alagoas; Flipped Classroom;
Methodology; Hybrid Teaching; Learning.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 30/04/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 17/09/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n1.1520</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Anualmente, a Polícia Militar de Alagoas (PMAL) publica através de
  Boletim Geral Ostensivo (BGO) as Normas de Planejamento Condutas e
  Ensino (NPCE), que apresentam um calendário com a previsão dos cursos
  que deverão ser realizados na corporação, além de direcionar,
  sistematizar e organizar todo o regramento para o ensino na
  corporação. A Diretoria de Ensino (DE), que é responsável pela
  coordenação e fiscalização da NPCE, visa ao bom aproveitamento dos
  cursos ofertados aos policiais e conta com a possibilidade de
  atualizações e constante aprimoramento.</p>
  <p>Então, de forma a apresentar nova possibilidade de metodologia,
  este trabalho de pesquisa investigou a proposta de implantação da
  metodologia denominada sala de aula invertida, através do ensino
  híbrido, dentro das peculiaridades da formação e do aperfeiçoamento do
  policial militar de Alagoas. De forma específica, a sala de aula
  invertida realiza o prévio aproveitamento dos estudos fora da sala de
  aula, deixando os encontros presenciais com maior dinamicidade, como
  forma de resolver problemas, interpelar dúvidas e realizar atividades
  práticas, possibilitando uma transformação no processo de ensino e
  aprendizagem.</p>
  <p>A sala de aula tradicional se torna mais diligente com a
  participação ativa do aluno. Soma-se também a abordagem do ensino
  híbrido que interliga as aulas <italic>on-line</italic> às aulas
  presenciais; servindo, estas últimas, de laboratórios para resoluções
  de problemas.</p>
  <p>Acompanhando a inversão da sala de aula, a motivação é um fator
  preponderante para compreensão e absorção do conhecimento. Por vezes,
  é afastada pelas aulas meramente expositivas, em que o professor se
  torna um transmissor de conteúdo (monólogos) ou expositivas dialogadas
  com restrita participação de alguns integrantes da turma, justificada,
  algumas vezes, por questão de tempo.</p>
  <p>Uma vez que o cotidiano da pandemia da COVID-19 apresenta diversos
  desafios para a sociedade, a aplicação de novas metodologias de ensino
  traz aos alunos uma oportunidade de participação efetiva e responsável
  na construção da aprendizagem e, ao professor, a ação de fomentar uma
  educação equânime. Então, possíveis alternativas para o
  desenvolvimento educacional condicionam a instituição castrense a uma
  adequação na formação e no aperfeiçoamento, a fim de melhorar o
  ensino, mas sem o prejuízo dos valores militares.</p>
  <p>A inclusão de novas metodologias de ensino, a exemplo da sala de
  aula invertida, alinhadas com as Tecnologias Digitais de Informação e
  Comunicação (TDICs) tem o escopo de melhorar desde os estudos teóricos
  realizados previamente pelos alunos até a assimilação dos assuntos,
  através de debates, projetos, simulações, estudos de casos e outros.
  Ou seja, o aluno realiza um papel ativo e o professor assume a posição
  de um mediador em sala de aula. Por conseguinte, a sala de aula
  invertida, através da abordagem do ensino híbrido, surge como uma
  variação na educação.</p>
  <p>O cerne da pesquisa está justamente na possibilidade de
  disponibilizar aos instrutores e alunos facilidades com a nova
  metodologia de ensino e aprendizagem. Dessa forma, não se fala em
  anular métodos e práticas de ensino existentes, e sim de ofertar
  oportunidades, tornando a educação mais significativa e
  contextualizada.</p>
  <p>Deve-se observar que não haverá prejuízo aos regramentos castrenses
  com o uso de metodologias de ensino inovadoras. Dessa forma, os
  pilares institucionais – hierarquia e disciplina – continuam sendo a
  base de sustentação da caserna. A necessidade é a atualização dos
  caminhos para a formação e o aperfeiçoamento com maior qualidade
  técnica.</p>
  <p>A lotação do pesquisador em trabalhar na área de ensino,
  especificamente, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças
  (CFAP), e estar coordenador de formação do Curso de Formação de Praças
  (CFP) contribuiu bastante na escolha do tema, além de vivenciar o
  cotidiano da sala de aula como instrutor de algumas matérias em
  diversos cursos policiais. Assim, o problema da pesquisa gerou o
  interesse de propor atualização e aprimoramento para o processo de
  ensino e aprendizagem na formação e no aperfeiçoamento dos policiais
  militares.</p>
  <p>A inquietação surge ao ouvir de alguns policiais militares, e até
  mesmo por parte de instrutores, as seguintes afirmações: “vocês
  realmente vão aprender na rua depois de formados” ou “a teoria é muito
  diferente da prática”. Para reduzir os espaços desta dicotomia –
  Teoria x Prática – é importante que o sistema de ensino tenha
  mecanismos que possam alcançar mais a absorção e a assimilação da
  aprendizagem por parte os alunos.</p>
  <p>Logo, a pesquisa visa propor a implantação da metodologia sala de
  aula invertida através da abordagem do ensino híbrido nos cursos de
  formação e aperfeiçoamento da PMAL. Dessa forma, agrega e sintoniza a
  instituição militar nos trilhos do aperfeiçoamento educacional do séc.
  XXI.</p>
</disp-quote>
<p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Os estudos da pesquisa possuem tema relacionado à área educacional,
  especificamente sobre o processo de ensino e aprendizagem na PMAL. A
  fim de alcançar os objetivos propostos, foram realizados estudos de
  caráter exploratório, de abordagem quantitativa e qualitativa. A
  metodologia seguiu uma análise bibliográfica e documental, partindo da
  verificação de leis e normatizações administrativas (referentes aos
  anos de 1992, 2003 e 2021), bem como da compreensão de livros, artigos
  científicos, sites institucionais e especializados em educação
  (período compreendido entre os anos de 2016 até 2021).</p>
  <p>Foi verificado o amparo legal institucional para a proposta do
  tema, através da Lei Nº 5.346, de 26 de maio de 1992, que dispõem o
  Estatuto da PMAL; da Lei Nº 6.399, de 15 de agosto de 2003, que trata
  sobre a Organização Básica da PMAL (LOB) e possui regulação do ensino
  na polícia militar; bem como da NPCE/PMAL, publicada no Boletim Geral
  Ostensivo Nº 23, de 4 de fevereiro de 2021. Em seguida, houve a coleta
  de dados, por meio de um questionamento, enviado através do Sistema
  Eletrônico do Serviço de Informações ao
  Cidadão<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> (e-SIC) para 11 (onze)
  corporações militares dos seguintes estados: Pernambuco (PMPE),
  Paraíba (PMPB), Ceará (PMCE), Maranhão (PMMA), Minas Gerais (PMMG),
  Rio de Janeiro (PMERJ), Santa Catarina (PMSC), Acre (PMAC), Roraima
  (PMRR), Goiás (PMGO) e Mato Grosso (PMMT), escolhidas aleatoriamente
  nas cinco regiões do Brasil, e ao Exército Brasileiro, perguntando se
  possuem em seus projetos pedagógicos previsão de metodologias ativas
  de ensino, especificamente sala de aula invertida.</p>
  <p>De forma contínua, aconteceu a realização de leitura seletiva,
  organização das ideias, análise com uma formatação mais crítica,
  esquematização e resumo das informações significativas para aprofundar
  os objetivos delimitados. No decorrer do trabalho a técnica de
  observação foi também um instrumento utilizado, uma vez que o
  pesquisador vivencia o cotidiano da Unidade de Ensino, por estar
  lotado no CFAP, facilitando essa percepção educacional.</p>
</disp-quote>
<p><bold>ASPECTOS GERAIS SOBRE APRENDIZAGEM, SALA DE AULA INVERTIDA E
ENSINO HIBRÍDO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Preliminarmente, com relação à comunicação entre professor e aluno,
  o referenciado mundialmente educador e filósofo Paulo Freire (2020, p.
  24) sintetizava com maestria sobre o tema: “[...] que ensinar não é
  transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua
  própria produção ou construção”. Nesta perspectiva, a maneira como são
  ministradas as instruções é primordial para a construção do futuro
  profissional, pois os métodos e processos de aprendizagem edificam a
  formação.</p>
  <p>Outrossim, com relação à metodologia da sala de aula invertida, os
  professores americanos Bergmann e Sams (2016, p. 7) têm a precisa
  definição: “Basicamente, o conceito de sala de aula invertida é o
  seguinte: o que tradicionalmente é feito em sala de aula, agora é
  executado em casa, e o que tradicionalmente é feito como trabalho de
  casa, agora é realizado em sala de aula”.</p>
  <p>Nota-se, anteriormente ao encontro da sala de aula presencial, que
  os alunos têm a responsabilidade com os estudos teóricos em casa e o
  encontro na escola é uma continuidade para esclarecer dúvidas e
  realizar atividades de forma prática. A Figura 1, abaixo, demonstra
  esse tipo de inversão:</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 1: Metodologia da Sala de Aula Invertida</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: SCHMITZ (2016, p. 67).</p>
<disp-quote>
  <p>Em texto publicado na base de dados da
  <italic>SciELO</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>, Valente
  (2014) formula a seguinte pergunta: Por que inverter a sala de aula?
  Em suma, os quatro motivos que compõem a explicação do autor são:</p>
  <p><bold>Primeiro</bold>, o aluno pode trabalhar com esse material no
  seu ritmo e tentar desenvolver o máximo de compreensão possível. Os
  vídeos gravados têm sido os mais utilizados pelo fato de o aluno poder
  assisti-los quantas vezes for necessário e dedicar mais atenção aos
  conteúdos que apresentam maior dificuldade. Por outro lado, se o
  material é navegável, com uso de recursos tecnológicos, como animação,
  simulação, laboratório virtual etc., ele pode aprofundar ainda mais
  seus conhecimentos. <bold>Segundo</bold>, o estudante é incentivado a
  se preparar para a aula, realizando tarefas ou a autoavaliação que, em
  geral, fazem parte das atividades <italic>on-line</italic>. Com isso,
  o aluno pode entender o que precisa ser mais bem assimilado, captar as
  dúvidas que podem ser esclarecidas em sala de aula e planejar como
  aproveitar o momento presencial, com os colegas e com o professor.
  <bold>Terceiro</bold>, o resultado da autoavaliação é uma indicação do
  nível de preparo do aluno. Ela sinaliza ao professor os temas com os
  quais os alunos apresentaram maior dificuldade e que devem ser
  trabalhados em sala de aula. Nesse sentido, o professor pode
  customizar as atividades da sala de aula de acordo com as necessidades
  dos alunos [...] <bold>Quarto</bold>, se o aluno se preparou antes do
  encontro presencial, o tempo da aula pode ser dedicado ao
  aprofundamento da sua compreensão sobre o conhecimento adquirido,
  tendo a chance de recuperá-lo, aplicá-lo e com isso, construir novos
  conhecimentos. (VALENTE, 2014, p. 92).</p>
  <p>As ações que ocorrem interna e externamente à sala de aula são
  postas pelo avesso, isto é, as discussões, a assimilação e a
  compreensão dos conteúdos têm os alunos como protagonistas e o
  professor na figura de mediador do processo de ensino-aprendizagem. A
  transmissão dos conhecimentos, no que diz respeito à parte teórica,
  passaria a ocorrer, preferencialmente, fora da sala de aula, com mais
  interatividade. Para tanto, deve haver uma antecedência na
  disponibilização dos materiais de estudo e, assim, os alunos vão ler e
  conhecer a matéria que irá ser debatida em sala de aula presencial
  (VALENTE, 2014).</p>
  <p>Com relação ao ensino híbrido, a Profa. Dra. em Psicologia Escolar
  e Desenvolvimento Humano, pela Universidade de São Paulo (USP), e com
  vasta experiência na área educacional, Lilian Bacich (2020a) define o
  foco do ensino híbrido quando consideramos o aluno no centro do
  processo. Nesse sentido, expõe a autora:</p>
  <p>Ensino Híbrido tem como foco a personalização, considerando que os
  recursos digitais são meios para que o estudante aprenda, em seu ritmo
  e tempo, que possa ter um papel protagonista e que, portanto, esteja
  no centro do processo. Para isso, as experiências desenhadas para o
  <italic>on-line</italic>, além de oferecerem possibilidades de
  interação com os conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades,
  também oferecem evidências de aprendizagem. A partir dessas
  evidências, nos momentos em que os alunos estão face a face com o
  professor, presencialmente, em uma sala de aula física, é possível que
  o professor utilize as evidências coletadas para potencializar a
  aprendizagem de sua turma. (BACICH, 2020a, p. 1).</p>
  <p>Depreende-se do citado acima, que o destaque para o ensino híbrido,
  segundo a professora, é a personalização dos estudos e as TDCIs são
  consideradas instrumentos singulares para o processo de ensino e
  aprendizagem. Ainda sobre personalização, COLL (2018) define que: “A
  personalização da aprendizagem é concebida como um conjunto de
  estratégias pedagógicas e didáticas orientadas a promover e reforçar o
  sentido das aprendizagens escolares para os estudantes”.</p>
  <p>Nesse ponto, a atual presidente do Conselho Nacional de Educação
  (CNE) para o biênio 2020-2022, a Profa. e Socióloga Maria Helena
  Guimarães de Castro, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo do Estado
  do Paraná (2021), afirma a importância do ensino híbrido mesmo
  pós-pandemia; sob esse enfoque, assim se manifesta:</p>
  <p>[...] Aprendemos muito em 2020. E, talvez, o principal legado que o
  último ano nos deixa é o fato de ter acelerado uma certa cultura
  digital na educação, de ter nos impulsionado a desenvolver atividades
  não presenciais, a trabalhar o ensino híbrido. De tal modo que 2021 já
  começa com ensino híbrido. (BARONE, 2021, online).</p>
  <p>E complementa, em outro trecho da entrevista:</p>
  <p>A partir de agora, o Brasil, para continuar desenvolvendo o ensino
  híbrido – que veio para ficar e será parte integrante dos processos de
  ensino e aprendizagem – deverá investir pesadamente na melhoria da
  infraestrutura de conectividade das escolas. E esse é um assunto para
  todos os níveis de governo. O Executivo pode, inclusive, coordenar um
  grande plano de ação nacional, articulando estados e municípios, para
  melhorar e impulsionar a conectividade. (BARONE, 2021, online).</p>
</disp-quote>
<p>A necessidade de novas estratégias de educação impulsionou no período
da pandemia o desenvolvimento mais acelerado das TDCIs para suprir as
aulas exclusivamente presenciais, através de uma cultura digital. Para a
presidente do CNE, o ensino híbrido será parte integrante dos processos
de ensino-aprendizagem e haverá um desenvolvimento para essa
consolidação em todo o país. Ressalta, também, a necessidade de um
conjunto de esforços para melhorar a infraestrutura de conectividade das
escolas.</p>
<disp-quote>
  <p>Com a linha de pensamento acima sobre TDCIs e ensino híbrido,
  alguns segmentos educacionais privados, a exemplo da Tríade
  Educacional<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> e da <italic>Conexia
  Lex</italic><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, apresentaram
  experiências dessa abordagem em alguns ambientes escolares, bem como a
  sua praticabilidade.</p>
  <p>Acerca dessas vivências, Emerson Pereira (2021), diretor de
  tecnologia educacional do Colégio Bandeirantes, em São Paulo/SP, se
  manifesta sobre o assunto em tela afirmando que:</p>
  <p>Hoje, todos os educadores percebem a importância da tecnologia
  digital. Já tínhamos um capital de cultura digital bem desenvolvido
  dentro da escola, mas sempre havia uma pequena porcentagem ainda
  resistente. Com certeza este será um grande legado para o
  pós-pandemia. [...] Mas já começamos a olhar para os pontos positivos
  que temos com o ensino híbrido e a desenhar o quanto iremos trabalhar
  de forma remota no momento em que voltarmos para o ensino presencial.
  (TRÍADE, 2021, p. 1).</p>
  <p>Na mesma perspectiva acima, Andrea Lourenço (2021), mantenedora do
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.colegiocarbonell.com.br/">Colégio
  Carbonell</ext-link>, em Guarulhos/SP, relata, que:</p>
  <p>Nos deparamos com um trecho que nos ajudou a buscar outra forma de
  retomar as aulas em 2021: É nossa responsabilidade como educadores e
  como cidadãos trabalhar com inteligência para ajudar o país a superar
  o atraso histórico no campo da educação. E, para isso, temos que
  compreender que a escola terá de mudar porque o mundo mudou. O aluno
  não pode ser mais, como foi no passado recente, um repositório de
  conhecimentos. A barreira a ser transposta está muito mais alta. O
  aluno terá que aprender a pensar, aprender a aprender. Pois o mundo
  que ele irá encontrar, ao concluir os estudos, vai ser muito diferente
  do que aquele que havia no início da sua caminhada como estudante.
  Novas profissões terão surgido. E outras atividades tradicionais terão
  sido esquecidas. A escola não pode mais correr o risco de formar
  alunos em áreas que talvez não existam no futuro<italic>.</italic>
  Assim, entendemos que o ensino híbrido seria a melhor alternativa para
  esse retorno. Feita a escolha, partimos para nos aprofundar ainda mais
  nos estudos e preparar os professores. (TRÍADE, 2021, p. 1)</p>
  <p>É sabido que o ensino híbrido não é uma abordagem educacional
  predominante frente a formação dos alunos em geral, mas no período da
  pandemia houve um grande volume de novas TDICs educacionais. Esse
  fator, segundo os especialistas, favorecerá as mudanças no processo de
  ensino-aprendizagem mesmo no pós-pandemia.</p>
  <p>O diretor executivo Sandro Bonás (2020, p. 1-2), CEO da Conexia
  Lex, em trecho institucional sobre o tema <italic>Sala de aula híbrida
  é tendência no pós-pandemia?</italic>, afirma que:</p>
  <p>Em uma escola do século 21, o professor é o facilitador de um
  processo em que os alunos são protagonistas de sua própria
  aprendizagem, com a discussão dos conteúdos, práticas de metodologias
  ativas, estudo personalizado de acordo com a demanda de cada
  estudante, avaliações realizadas com o <italic>feedback</italic>
  imediato, entre outros. Atualmente, a tecnologia permitiu que isso
  possa ser feito tanto presencialmente quanto a distância. (CONEXIA
  EDUCACIONAL, 2020, p. 1).</p>
  <p>Mais um vez, o direcionamento está no sentido do desenvolvimento
  dos alunos assumindo um papel cada vez maior no aprendizado. Como
  resultado, proporciona ao professor novas ferramentas digitais que
  permitem o retorno rápido da informação ao processo de
  ensino-aprendizagem, além de diminuir distâncias.</p>
  <p>A Figura 2, abaixo, representa a interseção do estudo na sala de
  aula presencial e no <italic>on-line</italic>. O ensino híbrido é uma
  composição dos dois conjuntos, ou seja<bold>,</bold> é a junção
  formada pelos elementos que pertencem às cores azul e laranja.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 2: Intersecção no Ensino Híbrido</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image1.jpeg" />
<p>Fonte: LOPES (2021, online).</p>
<disp-quote>
  <p>O ensino híbrido distingue-se do ensino remoto emergencial
  autorizado, de forma excepcional, pelo Ministério da Educação (MEC),
  no país, enquanto durar a pandemia da COVID-19, de acordo com art. 31
  da Resolução CNE/CP<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref> Nº 2, de 10
  de dezembro de 2020; a saber:</p>
  <p>No âmbito dos sistemas de ensino federal, estadual, distrital e
  municipal, bem como nas secretarias de educação e nas instituições
  escolares públicas, privadas, comunitárias e confessionais, as
  atividades pedagógicas não presenciais de que trata esta Resolução
  poderão ser utilizadas em caráter excepcional, para integralização da
  carga horária das atividades pedagógicas, no cumprimento das medidas
  para enfrentamento da pandemia da COVID-19 estabelecidas em protocolos
  de biossegurança. (BRASIL, 2020b, p. 13).</p>
  <p>Nessas condições, o ensino remoto emergencial, diferentemente do
  ensino híbrido, não possui o foco na personalização e na interação,
  apenas levou as aulas expositivas, anteriormente realizadas de forma
  presencial, para a forma <italic>on-line</italic> (BACICH, 2020b). Ou
  seja, o ensino remoto emergencial tem preocupação na integralização da
  carga horária durante a excepcionalidade da pandemia e não
  expressamente na relação de pessoalização com o aluno.</p>
</disp-quote>
<p><bold>LEGISLAÇÃO E CARACTERÍSTICAS CASTRENSES</bold></p>
<p>Com a relação à legislação e às características castrenses é
imperioso analisar se existe algum tipo de impedimento para a proposta
de implantação de nova metodologia de ensino na corporação,
principalmente pela razão de propor uma maior liberdade de participação
dos alunos na formação e no aperfeiçoamento. Examinando o art. 9º, § 3º
e § 4º, da Lei Nº 5.346, de 26 de maio de 1992, que dispõe sobre o
Estatuto dos Policiais Militares de Alagoas, consta os pilares de
sustentação das instituições militares – hierarquia e disciplina –,
conforme transcrição abaixo:</p>
<disp-quote>
  <p>Art. 9º A hierarquia e disciplina são a base institucional da
  Polícia Militar.</p>
  <p>[...]</p>
  <p>§ 3º A disciplina baseia-se no regular e harmônico cumprimento do
  dever de cada componente da Polícia Militar.</p>
  <p>§ 4º A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser mantidos em
  todas as circunstâncias entre os militares da ativa, da reserva
  remunerada e reformados. (ALAGOAS, 1992, p. 4).</p>
</disp-quote>
<p>Em suma, o estatuto da PMAL regula os deveres, os direitos e as
prerrogativas dos militares com base no controle do efetivo policial
pela hierarquia e disciplina, além de ser uma condição para a harmonia
dos militares, sejam eles da ativa, da reserva e reformados. Nesse viés,
em relação à legislação castrense, há previsão para a atualização e o
aprimoramento do ensino policial, de acordo com o art. 25, cap. VI,
seção I, da Lei Nº 6.399, de 15 de agosto de 2003, que regula a
Organização Básica da PMAL (LOB), e versa sobre o ensino da polícia
militar, disciplinado, <italic>in verbis</italic>:</p>
<disp-quote>
  <p>Art. 25. O ensino policial militar obedecerá a um processo contínuo
  e progressivo de educação sistemática, constantemente atualizado e
  aprimorado, que se estenderá através de sucessões de fases de estudos
  e práticas de exigências sempre crescentes, desde a inicialização até
  os padrões mais apurados de cultura profissional.</p>
  <p>[...]</p>
  <p>§ 3º A busca da profissionalização deve ser o escopo maior do
  ensino na Corporação, objetivando tornar o policial militar, não só no
  homem preparado para o policiamento ostensivo, mas também detentor do
  domínio das técnicas e dos conhecimentos necessários para a devida
  compreensão dos problemas de Segurança Pública, dentro dos princípios
  basilares e norteadores dos direitos humanos. (ALAGOAS, 2003, p.
  8).</p>
  <p>A diretriz acima, <italic>caput</italic> do art. 25 da LOB, foi
  reproduzida literalmente pelo item 4.2 da NPCE 2021, publicada pela
  PMAL (PMAL, 2021, p. 3). Além, também, de apontar valiosos princípios
  do ensino, denotando suscetibilidade a mudanças, conforme informação
  do item 4.8 da supracitada normatização de ensino a seguir:</p>
  <p>4.8 Princípios do Ensino</p>
  <p>[...]</p>
  <p>d. Flexibilidade</p>
  <p>O ensino deve ter a suficiente flexibilidade, de modo a adaptar-se
  à evolução constante do campo das ciências afins e às situações
  especiais ocorridas no Estado, no País e no mundo.</p>
  <p>[...]</p>
  <p>i. Adequabilidade</p>
  <p>O processo de ensino, os locais e meios auxiliares utilizados devem
  ser adequados aos objetivos propostos pela matéria e aos alunos.</p>
  <p>j. Realismo</p>
  <p>O ensino deve observar as condições socioculturais, econômicas e
  políticas em que está inserida a atividade policial militar,
  registrando-se numa visão prospectiva, futuras exigências ao
  desempenho profissional, sem perda do senso de realidade. (PMAL, 2021,
  p. 4).</p>
  <p>É importante analisar o amparo legal à proposta de implantação da
  metodologia de sala de aula invertida através de uma abordagem do
  ensino híbrido, a fim de resguardar as características da formação
  militar.</p>
  <p>A educação, de forma geral, vem se reestruturando e se adaptando às
  inovações tecnológicas e aos comportamentos sociais, fazendo com que o
  ensino e a aprendizagem se tornem mais atrativos e eficientes. O foco
  da formação mais interativa sugere a maior participação do aluno e uma
  relação mais próxima com os professores.</p>
  <p>Além disso, o produto esperado não deve atingir as bases da
  hierarquia e da disciplina que lastreiam a quase bicentenária
  instituição. Mas encaminhar para um aperfeiçoamento de acordo com as
  mudanças que acontecem diariamente na sociedade.</p>
</disp-quote>
<p><bold>FACILIDADES PARA O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM NA
CORPORAÇÃO ATRAVÉS DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
(TDICs)</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A NPCE (PMAL, 2021) indica a Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de
  1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB),
  como uma de suas referências para o planejamento e a conduta do
  ensino. E, ao analisar a LDB, última versão de 2020, observa-se que a
  tecnologia está presente na construção do conhecimento desde a
  educação básica, passando pela educação profissional e superior tanto
  na formação quanto na capacitação.</p>
  <p>Além disso, a LDB aponta a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
  como norteadora das propostas pedagógicas das escolas públicas e
  privadas, da educação infantil ao Ensino Médio, em todo o Brasil.
  Considerando que parte dos cursos ofertados pela corporação ainda são
  considerados de nível médio, ressaltamos, abaixo, algumas das
  competências gerais da educação básica propostas pela BNCC:</p>
  <p>1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos
  sobre o mundo físico, social, cultural e <bold>digital</bold> para
  entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para
  a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.</p>
  <p>2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem
  própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise
  crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas,
  elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar
  soluções (<bold>inclusive tecnológicas</bold>) com base nos
  conhecimentos das diferentes áreas.</p>
  <p>[...]</p>
  <p>5. Compreender, utilizar e criar <bold>tecnologias digitais de
  informação e comunicação</bold> de forma crítica, significativa,
  reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as
  escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações,
  produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e
  autoria na vida pessoal e coletiva. (BRASIL, 2018, p. 9, grifos
  nossos).</p>
  <p>Atualmente, há a propagação da cultura digital pela comunidade
  acadêmica com objetivo de integrar o currículo escolar e facilitar a
  assimilação dos conhecimentos. As Tecnologias Digitais da Informação e
  Comunicação (TDICs) são aliadas para o aprimoramento educacional; as
  informações anteriormente restritas são compartilhadas de forma muito
  rápida, além de proporcionar interação instantânea entre alunos e
  professores. Sobre esse fato, Dias (2016) considera que:</p>
  <p>Todo o aparato tecnológico que povoa o universo dessas gerações faz
  com que o professor repense a sua práxis educativa. A relação
  <italic>professor x aluno</italic> configurada em <italic>falar x
  ouvir</italic> não tem mais sentido para essas gerações. É necessário
  atualizar a metodologia utilizada, as relações, as práticas, enfim, é
  necessário pensar no processo ensino aprendizagem de maneira mais
  colaborativa e motivadora, onde o aluno é o centro desse processo.
  (DIAS, 2016, p. 1).</p>
  <p>Mas, a professora Lilian Bacich (2020c) faz uma observação sobre o
  alcance das tecnologias digitais, de não apenas se restringir em uma
  exposição de um conteúdo, e sim oferecer a capacidade de realizar
  conexão entre os diversos tipos de aprendizagem, sejam elas
  individuais ou em grupos. Destarte, a autora, enfatiza esse papel:</p>
  <p>Eventualmente, pode considerar o digital como um recurso para a
  exposição de algum conteúdo, mas as tecnologias digitais precisam ir
  além desse papel, oferecendo também possibilidade de interação e
  acompanhamento das aprendizagens individuais ou em pequenos grupos, de
  produção de conhecimentos. (BACICH, 2020c, online).</p>
  <p>Observa-se que a comunicação entre os pares é salutar na construção
  da aprendizagem, independentemente das diversas formas digitais que
  promovem o desenvolvimento e as facilidades para apresentar o
  conteúdo. Os vínculos pessoais e a interação à conectividade completam
  o ciclo de aproveitamento dos conhecimentos.</p>
</disp-quote>
<p>A obra <italic>Ensino híbrido: personalização e tecnologia na
educação</italic> (BACICH; TANZI NETO; TREVISANI, 2015) aponta exemplos
bem-sucedidos de escolas públicas que adotam o ensino híbrido sustentado
com as TDCIs, de forma que os resultados são satisfatórios, conforme
abaixo:</p>
<disp-quote>
  <p>Também no Rio de Janeiro e no Recife temos as escolas públicas do
  projeto NAVE – Núcleo Avançado de Educação –, que utiliza as
  tecnologias para capacitar alunos do ensino médio para profissões no
  campo digital. São espaços grandes, com pátios onde lazer e pesquisa
  se misturam. Outros impactos positivos do programa vêm sendo colhidos
  também nas avaliações realizadas pelo Exame Nacional do Ensino Médio
  (Enem). Nos resultados divulgados nas duas últimas edições do exame, o
  Colégio Estadual José Leite Lopes obteve o primeiro lugar das escolas
  ligadas à Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro
  (SEEDUC-RJ), resultado também alcançado pela Escola Técnica Estadual
  Cícero Dias, primeira colocada entre as escolas de Pernambuco
  vinculadas à Secretaria de Estado de Educação de Pernambuco (SEEP).
  [...] Agora, com as tecnologias móveis, os modelos de problemas e
  projetos são mais híbridos. Uma parte das atividades é realizada no
  ambiente virtual e outra de modo presencial. Também há maior
  flexibilidade para reuniões virtuais e presenciais. O modelo híbrido é
  muito importante para aqueles que trabalham com problemas e com
  projetos. (BACICH; TANZI NETO; TREVISANI, 2015, p. 53).</p>
  <p>Também na rede privada de ensino, os autores citam a utilização do
  ensino híbrido alinhados com as TDCIs:</p>
  <p>[...] Outra proposta interessante é a da Uniamérica, de Foz de
  Iguaçu, que aboliu, em cursos como os de Biomedicina e Farmácia, a
  divisão por semestres ou anos; além disso, o currículo não é
  organizado por disciplinas, mas por projetos e aula invertida. [...]
  São disponibilizados, em plataforma on-line, vídeos, textos e um
  conjunto de atividades às quais os estudantes devem se dedicar antes
  de ir à aula. Essas tarefas são de dois tipos: um de fixação e
  garantia de compreensão do conteúdo e outro de problematização, que
  estimula a pesquisa e a transposição do conhecimento para problemas
  reais. Com isso, o tempo em sala de aula é usado para que os temas
  sejam debatidos mais profundamente, bem como para a realização dos
  projetos do semestre. (BACICH; TANZI NETO; TREVISANI, 2015, p.
  54).</p>
  <p>Em ambos os casos, houve benefícios e facilidades para o processo
  de ensino-aprendizagem com a utilização do ensino híbrido juntamente
  com as TDCIs. No primeiro, o êxito dos alunos nas notas no ENEM e, no
  segundo, o aproveitamento do tempo para debates mais aprofundados
  relacionados aos assuntos das matérias. Dessa forma, a possibilidade
  de uma rede tecnológica de apoio faz com que o aluno se prepare antes
  mesmo das aulas presenciais.</p>
</disp-quote>
<p><bold>ESTREITAMENTO DA DICOTOMIA: TEORIA X PRÁTICA COM A UTILIZAÇÃO
DE METODOLOGIAS ATIVAS DE APRENDIZAGEM (MAA)</bold></p>
<disp-quote>
  <p>É importante começar com a definição de Metodologias Ativas de
  Aprendizagem (MAA). De forma explicativa e pormenorizada, Bacich
  (2018) concluiu que:</p>
  <p>As metodologias ativas apresentam-se como estratégias para
  potencializar as ações de ensino e aprendizagem por meio do
  envolvimento dos estudantes como atores do processo, e não apenas como
  espectadores. Tais metodologias têm-se configurado como modos de
  convergência de diferentes modelos de aprendizagem, incluindo as
  tecnologias digitais, para promover as ações de ensino e aprendizagem
  envolvendo um conjunto muito mais rico de estratégias ou dimensões de
  aprendizagem. (BACICH, 2018, online).</p>
  <p>A metodologia da sala de aula invertida é apenas uma dessas MAA que
  posicionam o aluno como protagonista da sua formação, sendo um
  construtor de seus conhecimentos; diferentemente de um aluno calado em
  sala de aula, ouvindo e decorando as instruções com um único objetivo
  de obtenção da nota no final do mês. Não é assunto deste artigo
  científico, mas, para melhor compreensão sobre aprendizagem, é
  fundamental aprofundar as discussões sobre a égide da
  neuroaprendizagem, para entender como o ser humano consegue assimilar
  melhor os estudos por mais tempo e com mais qualidade.</p>
  <p>Nessa linha de assimilação e qualidade do ensino, são aproveitadas
  as orientações da LOB da PMAL, que ratifica a importância da união
  entre a teoria e a prática para a boa formação policial. Para tanto, a
  legislação denominou de conciliação, como é observado abaixo:</p>
  <p>[...]</p>
  <p>§ 1º Uma conciliação de teoria com a prática moldará o planejamento
  na área de ensino, de modo que a teoria nas Organizações Policiais
  Militares da Corporação, com encargos de curso e estágio, reflita a
  prática no sistema operacional.</p>
  <p>§ 2º Havendo um perfeito relacionamento entre o sistema de ensino e
  o operacional, haverá, portanto, uma perfeita identidade de pensamento
  no planejamento da Corporação, que refletirá, sobretudo, na boa
  formação profissional. (ALAGOAS, 2003, p. 8).</p>
  <p>Nessa perspectiva normativa, a corporação deve, através de um
  planejamento, abranger a teoria nas ações da vida real. Segundo a NPCE
  (PMAL, 2021), a orientação é para o uso de metodologias que propiciem
  reflexões da atividade policial, unindo cada vez mais a teoria e a
  prática.</p>
  <p>Paulo Freire, que é considerado um dos maiores pensadores da
  história da pedagogia mundial, na clássica obra <italic>Pedagogia da
  Autonomia</italic>, reflete sobre a conciliação da teoria e da
  prática: “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da
  relação Teoria/Prática sem qual a teoria pode ir virando blá-blá-blá e
  a prática ativismo” (FREIRE, 2020, p. 24). E acrescenta que a união da
  teoria e da prática constrói e modifica a realidade.</p>
  <p>Com relação à capacidade de aprender e colocar em prática, Freire
  (2020), de forma singular e precisa, afirma que:</p>
  <p>A nossa capacidade de aprender, de que decorre a de ensinar, sugere
  ou, mais do que isso, implica a nossa habilidade de aprender a
  substantividade do objeto aprendido. A memorização mecânica do perfil
  do objeto não é aprendizado verdadeiro do objeto ou do conteúdo. Neste
  caso, o aprendiz funciona muito mais como um paciente da transferência
  do objeto ou do conteúdo do que como sujeito crítico,
  epistologicamente curioso, que constrói o conhecimento do objeto ou
  participa da sua construção. É precisamente por causa desta habilidade
  de aprender a substantividade do objeto que nos é possível reconstruir
  um mal aprendizado, em que o aprendiz foi puro paciente da
  transferência do conhecimento feita pelo educador. (FREIRE, 2020, p.
  67).</p>
  <p>Ou seja, a memorização mecânica, o simples decorar instantâneo,
  decorrente muitas vezes do não aprender, definido pelo educador pela
  “substantividade do objeto”, não é aprendizado verdadeiro. E sendo
  assim, o aluno torna-se um acumulador de informações, que com o tempo
  pode se esvaziar novamente, uma vez que não construiu ou, pelo menos,
  participou da construção do conhecimento.</p>
  <p>O uso das TDICs na sala de aula invertida, com abordagem híbrida e
  estreita, potencializa os laços da dicotomia Teoria x Prática, visto
  que o tempo será melhor aproveitado e a aprendizagem se tornará mais
  significativa. A fase teórica tem uma responsabilidade concomitante
  entre professor e aluno. E a prática será um espaço para resolver
  problemas, estudos de caso e simulações.</p>
  <p>Para Bordenave e Pereira (2015), ao citarem o planejamento
  sistêmico do ensino e da aprendizagem, onde envolve a teoria e a
  prática, fazem um traçado da estratégia didática que precisa de dois
  conceitos essenciais, conforme descrição a seguir:</p>
  <p>São eles os de <italic>experiências</italic> de aprendizagem e
  <italic>atividades</italic> de ensino-aprendizagem. Para realizar seus
  objetivos, necessita o professor conseguir que os alunos se exponham,
  ou vivam, certas experiências, capazes de neles produzir as mudanças
  desejadas. Tais experiências, por sua vez, exigem INSUMOS EDUCATIVOS
  na forma de influências do ambiente que atuam sobre ele. Assim, os
  objetivos exigem que o aluno se exponha a <italic>situações</italic> e
  <italic>mensagens</italic>, isto é, problemas reais ou a
  representações dos problemas, a fatos e a teoria, as fórmulas e a
  teoremas, a conflitos e esforços de cooperação, etc. (BORDENAVE;
  PEREIRA, 2015, p. 90).</p>
</disp-quote>
<p>O processo de ensino-aprendizagem em que os alunos são expostos à
realidade deve contar com metodologias de aprendizagem desembaraçadas,
de tal forma que produzam mudanças e possam refletir segurança nas ações
da futura atividade profissional.</p>
<p>Ainda nesse sentido, sobre a dicotomia entre teoria e prática,
Poncioni (2005), em artigo publicado sobre a formação profissional,
esclarece o descompasso entre o conhecimento teórico repassado pelos
bancos acadêmicos e o trabalho cotidiano, como é observado a seguir:</p>
<disp-quote>
  <p>No que diz respeito, especificamente, à formação profissional do
  policial, pode-se apontar uma primeira importante consequência
  resultante do modelo profissional em foco – o descompasso entre o
  conhecimento adquirido para o desempenho do trabalho policial nos
  bancos das academias e a realidade na qual se realiza o trabalho
  cotidiano da polícia. De um lado, dentro da organização,
  principalmente no período de treinamento, transmite-se a ideia do
  trabalho policial baseado essencialmente no controle do crime e no
  cumprimento da lei, com ênfase na importância de sua adesão às regras
  e aos procedimentos da organização para o controle do crime nos
  limites da lei. [...] De outro, fora da organização, ele se defronta
  com uma grande diversidade de situações com relação às quais tem de
  tomar constantemente decisões que não estão necessariamente de acordo
  com as diretrizes, procedimentos, ordens gerais, ou mesmo com os
  processos formais da legalidade, mas têm por objetivo fundamentalmente
  a aplicação eficiente de certas leis e regras para a manutenção da
  ordem, muito mais do que o respeito integral à legalidade ou às regras
  estabelecidas pela organização. Deste modo, a formação e o treinamento
  profissional fornecidos nas academias de polícia, quase sempre atados
  rigorosamente aos aspectos normativo-legais do trabalho, acabam sendo
  simplistas e irreais, levando o indivíduo a descartar o que foi
  ensinado na academia nesta fase de socialização. (PONCIONI, 2005, p.
  9).</p>
  <p>A autora traz uma importante reflexão, quando afirma que aos
  policiais em formação são transmitidas informações sobre o fiel
  cumprimento das leis e regras para o controle da criminalidade, porém
  a diversidade de situações faz com que o treinamento profissional
  baseado em normatizações e cartilhas, por vezes, seja descartado. E
  arremata, de forma simples e pontual, que uma das tarefas fundamentais
  à organização da formação profissional seria: “a articulação do
  conhecimento teórico com as experiências práticas cotidianas,
  objetivando a produção sistemática de conhecimento teórico e técnico
  operativo na área da segurança pública” (PONCIONI, 2007, p. 7).</p>
  <p>Dessa maneira, a formação policial necessita da aproximação dos
  conhecimentos teóricos e práticos. As MAA ajudam a potencializar a
  aprendizagem quando colocam os alunos como atores principais no
  processo de ensino-aprendizagem, lastreadas em um eficiente conjunto
  de estratégias.</p>
</disp-quote>
<p><bold>APLICAÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS DE APRENDIZAGEM (MAA) NO
EXÉRCITO BRASILEIRO</bold></p>
<p>No site institucional da Academia Militar das Agulhas
Negras<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref> (AMAN), responsável pela
formação dos oficiais do Exército brasileiro, consta em sua página
oficial na internet o lema: “Casa de Valores – Berço de Tradições”,
denotando uma formação que prestigia os valores tradicionais da
instituição. Por outro lado, em publicações acadêmicas da Revista das
Agulhas Negras (v. 1, n. 1, 2017), diversos artigos científicos abordam
temáticas voltadas à autonomia intelectual dos discentes, explorando
novas técnicas de ensino e metodologias ativas de aprendizagem
(MAA).</p>
<p>Em artigo de opinião publicado na revista das agulhas negras, Novaes
Miranda<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref> (2017) trata dos desafios
da educação superior na AMAN, ressaltando o desenvolvimento das
competências, seguindo uma sequência que cita a sala de aula invertida
como metodologia a ser aplicada, conforme afirmação a seguir:</p>
<disp-quote>
  <p>Na AMAN, penso que o desenvolvimento das competências deve seguir,
  como referência, a seguinte sequência: sala de aula invertida ou outra
  MAA, simulação virtual, exercício individual ou no terreno e, por
  último, exercícios sob o efeito de estressores de combate, como os
  estágios da SIESP e os EDL. A fase presencial da sala de aula
  invertida já poderá incluir uma simulação, um exercício ou, até mesmo,
  uma avaliação. (MIRANDA, 2017, p. 7).</p>
  <p>E o autor ainda comenta sobre estarmos diante da geração
  Z<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>, cabendo aos instrutores
  tentar tirar proveito dessa condição, conforme explica a seguir:</p>
  <p>Além do apoio de TIC, da utilização de novas metodologias (ativas)
  e da quantidade de informação disponível, outro fator que impõe uma
  transformação na educação na AMAN são as características da geração Z,
  ou simplesmente nativos digitais, na qual se enquadra, de modo geral,
  o Cadete de hoje. Pode-se dizer que esse jovem é imerso em tecnologia
  digital e no uso de mídias sociais: mensagens instantâneas,
  <italic>twitter</italic>, videogames, <italic>facebook</italic> e toda
  uma gama de aplicativos (apps) que podem ser utilizados em
  dispositivos móveis, como smartphones e tablets. E mais: esperam usar
  essas ferramentas em todos os aspectos da vida, ou seja, educação e
  combate não estariam fora desse escopo. Cabe aos instrutores tirar
  vantagem dessa grande oportunidade. (MIRANDA, 2017, p. 8).</p>
  <p>Com a experiência profissional na passagem pelos comandos da
  Diretoria de Educação Superior Militar do Exército e da AMAN, o
  militar faz um alerta, no sentido do imprescindível contato do
  instrutor em sala de aula presencial dialogando com seus alunos e
  expondo experiências inerentes à atividade militar. A interação
  proporciona uma verdadeira aprendizagem, além de despertar atitudes e
  valores indissociáveis à formação castrense. Nestas condições,
  afirma:</p>
  <p>Não se pode julgar, no entanto, que o foco do desenvolvimento de
  conhecimentos dar-se-á na fase não presencial. A verdadeira
  aprendizagem significativa ocorrerá nas interações presenciais e sob a
  batuta do instrutor. É o cadete que vai dar significado aos novos
  conteúdos, na medida em que encontra uma razão para tal, normalmente
  na solução contextualizada de um problema, e de forma
  interdisciplinar, passando a modificar sua estrutura cognitiva
  anterior, enriquecendo-a e elaborando-a. Também é na fase presencial
  que o instrutor tem as melhores oportunidades de trabalhar atitudes e
  valores. Enfim, é nessa fase que o cadete se torna mais competente e
  sedimenta melhor os conhecimentos, conduzido “pela mão” do instrutor,
  que tem de aplicar sua arte na seleção dos métodos e na dosagem do
  presencial com o não presencial. (MIRANDA, 2017, p. 4).</p>
</disp-quote>
<p>Segundo Silva, Ribeiro e Valente (2017), há a preocupação com a
aprendizagem significativa<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref> na
formação dos militares e com o intuito de suprir essa necessidade, os
autores indicam que esta aprendizagem deve ser construída com um
conhecimento prévio do aluno, além de contextualizar a formação e a
realidade. Ou seja, é o encontro dos novos e preexistentes
conhecimentos. Destacam, também, como pré-requisito, a
interdisciplinaridade no ensino. Sendo assim, afirmam:</p>
<disp-quote>
  <p>[...] A aprendizagem para ser significativa, no contexto das MAA,
  necessita de contextualização e aproximação entre a formação e o
  contexto real de aplicação dos conhecimentos. As tarefas que se
  executam em situações reais não são compartimentadas por conhecimentos
  específicos de determinadas disciplinas. Utiliza-se o conhecimento de
  forma integrada para decidir e executar as atividades. Desta forma a
  interdisciplinaridade é pré-requisito no ensino por competência e nas
  MAA. Então, o método usado para promover a aprendizagem ativa deverá
  considerar os princípios da aprendizagem significativa e estimular o
  aprendiz a interagir com o assunto em estudo. (SILVA; RIBEIRO;
  VALENTE, 2017, p. 60).</p>
  <p>Dessa forma, a utilização das MAA no Exército brasileiro propõe um
  elo da aprendizagem com a realidade, através de ações práticas
  contextualizadas na formação. Para exemplificar, de acordo com a
  matéria institucional <italic>As inovações no Ensino</italic>,
  publicada no site da AMAN (2021), foi utilizada a gamificação para uma
  atividade de revisão da matéria de língua espanhola, em que os cadetes
  puderam desenvolver habilidades e competências na busca por um
  objetivo. A atividade foi baseada em um jogo de tabuleiro com
  perguntas e respostas, onde os grupos competiam de forma dinâmica. Ou
  seja, houve interação e interdisciplinaridade na resolução da revisão
  da matéria, sendo a atuação habilidosa dos cadetes <italic>sine qua
  non</italic> à construção do aprendizado.</p>
</disp-quote>
<p><bold>RESULTADOS E DISCUSSÃO</bold></p>
<p>Após a análise dos dados sobre a viabilidade de implantação da
metodologia da sala de aula invertida com abordagem de ensino híbrido na
PMAL foi constatado, primeiramente, que as legislações castrenses não
concordam com metodologias e abordagens de ensino estáticas. Ao
contrário, por diversas vezes, na mesma codificação e, em variados
preceitos, a determinação é que o processo seja contínuo e progressivo.
Além disso, é exigido que haja atualização e aprimoramento dos métodos
aplicados.</p>
<p>Nesse diapasão, a metodologia da sala de aula invertida e a abordagem
do ensino híbrido se apresentam como uma forma que facilita a
aprendizagem, uma vez que aproveitam os recursos e as ferramentas
<italic>on-line</italic> e inserem os alunos no contexto educacional das
TDICs, fortalecendo os encontros presenciais com mais tempo para as
discussões de sala de aula.</p>
<p>Há a aplicação dessa abordagem de ensino híbrida tanto em
instituições públicas como em privadas, e indícios de que o ensino
híbrido seja uma constante no processo de ensino e aprendizagem, mesmo
depois da pandemia, conforme afirmação da Profa. e Socióloga Maria
Helena Guimarães de Castro, atual presidente do Conselho Nacional de
Educação (CNE), para o biênio 2020-2022.</p>
<disp-quote>
  <p>Outrossim, com relação à consulta sobre as instituições militares
  possuírem previsão nos seus projetos pedagógicos das MAA,
  especificamente a sala de aula invertida, através do Sistema
  Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão (e-SIC), foram obtidas
  somente como respostas afirmativas o Exército brasileiro e as Polícias
  Militares dos estados de Goiás (PMGO), do Rio de Janeiro (PMERJ), de
  Santa Catarina (PMSC) e de Minas Gerais (PMMG), conforme quadro
  abaixo:</p>
</disp-quote>
<p><bold>Quadro 1: Pesquisa (e-SIC)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="18%" />
      <col width="16%" />
      <col width="67%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td><bold>INSTITUIÇÃO</bold></td>
        <td><bold>PROCESSO E-SIC</bold></td>
        <td><bold>QUESTIONAMENTO:</bold> As escolas de formação possuem
        em seu Projeto Pedagógico previsão de metodologias ativas de
        ensino, especificamente sala de aula invertida?</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>Exército Brasileiro</bold></td>
        <td>Nº 60143.001549/2021-51</td>
        <td>Resposta: [...] A respeito do assunto, o Departamento de
        Educação e Cultura do Exército esclareceu que a técnica de
        ensino “Sala de Aula Invertida” é estimulada por todo sistema de
        ensino do Exército, para todos os cursos de formação,
        aperfeiçoamento e altos estudos, sendo utilizada conforme
        critério do instrutor/professor.</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>PMGO</bold></td>
        <td>Nº 2021.0415.211455-37</td>
        <td>Resposta: [...] Em relação ao questionamento acerca da
        utilização da metodologia “Sala de Aula Invertida”
        (<italic>Flipped</italic> <italic>Classroom</italic>) nos cursos
        de formação e aperfeiçoamento nos cursos ministrados pelo
        Comando da Academia da Polícia Militar do Estado de Goiás –
        CAPM: A resposta é SIM, a <bold>Sala de Aula Invertida</bold> um
        método pedagógico muito utilizado no CAPM. O Corpo Docente,
        exercendo sua liberdade de cátedra, utiliza as ferramentas
        didáticas que compreendem serem as mais efetivas, não havendo
        diretrizes impositivas acerca das metodologias a serem
        empregadas nas atividades letivas. (grifo do autor).</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>PMERJ</bold></td>
        <td>Nº 17873 (Protocolo)</td>
        <td>Resposta: A Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM)
        agradece o contato e informa que no que se refere uso de
        “Metodologias Ativas de Ensino” (especificamente, a Sala de Aula
        Invertida) estas se fazem presentes nos currículos dos Curso de
        Formação de Soldados – CFSd e Curso de Formação de Oficiais –
        CFO.</td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>PMSC</bold></td>
        <td>Nº 2021007251</td>
        <td><p>Resposta: [...] Os docentes que compõem o quadro da FAPOM
        são participantes ativos das capacitações, sendo-lhes reservado
        o desafio da própria aula invertida, onde eles, como estudantes
        autônomos e criativos, desenvolvem determinado conteúdo ou
        prática em sala de aula, ou seja, do ambiente da formação. Na
        metodologia ativa, o estudante assume uma postura de cooperação
        e interatividade com os demais colegas e professores, e poderá
        aplicar sua liderança e gestão de conteúdos e de boas práticas
        vivenciadas, numa experiência de inversão dos atores em sala, ou
        seja, a aula torna-se invertida.</p>
        <p>[...] A FAPOM programa e executa semestralmente a Formação
        para os Docentes, cujo conteúdo é elaborado especificamente pelo
        setor pedagógico da Divisão de Ensino.</p></td>
      </tr>
      <tr>
        <td><bold>PMMG</bold></td>
        <td>Nº 01250000057202162</td>
        <td>Resposta: Na APM, os docentes são rotineiramente orientados
        a utilizarem metodologias ativas, incluindo a sala de aula
        invertida. A abordagem por competências é fundamental na
        Educação de Polícia Militar (EPM), caracterizada pela
        valorização da construção do conhecimento nas dimensões
        cognitivas, procedimentais e atitudinais, mediada por
        metodologias que incentivem o policial militar à reflexão
        crítica sobre a prática e o ambiente em que desempenha suas
        tarefas. Para oportunizar o desenvolvimento das competências, a
        metodologia das aulas na EPM propõe práticas pedagógicas que
        coloquem o discente como protagonista do processo de
        ensino-aprendizagem. Neste processo, mais do que receber
        conteúdo, o discente se configura como sujeito ativo e não se
        limita à memorização de teorias. Ele deve saber aplicá-las, de
        forma contextualizada. São utilizadas, então, metodologias e
        técnicas de ensino participativas, através de simulações, estudo
        de caso, resolução de problemas, demonstração, dentre outras, de
        modo a fazer com que os discentes conduzam as diversas
        atividades da função, com facilidade, e domine situações
        complexas do seu cotidiano profissional. [...]</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, com dados coletados no e-SIC (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Diferentemente das suposições de que uma maior liberdade de
  participação do aluno nas escolas militares entraria em discordância
  com o composto basilar das corporações militares, quais sejam a
  disciplina e a hierarquia, o Exército brasileiro e as Polícias
  Militares acima citadas prestigiam a aplicação das MAA. As outras
  corporações militares: Pernambuco (PMPE), Paraíba (PMPB), Ceará
  (PMCE), Maranhão (PMMA), Acre (PMAC), Roraima (PMRR) e Mato Grosso
  (PMMT), não enviaram respostas ao questionamento.</p>
  <p>É de salutar importância para a análise compreender que educar e
  aprender vão muito além da ação mecânica de entrar em uma sala de
  aula, reproduzir conhecimentos prontos e depois fazer uma prova com o
  objetivo de obtenção de uma nota para a aprovação. Nesse sentido, foi
  constatado com esta pesquisa que a forma de ensino emergencial
  desenvolvida no período da pandemia da COVID-19, por vezes, apenas
  serviu como transmissão de conteúdo, mesmo utilizando ferramentas das
  TDICs, a exemplo de alguns cursos ofertados pela PMAL em plataforma
  institucional. Verifica-se que não adianta apenas marcar um horário e
  ministrar a instrução como se estivesse em uma sala de aula física
  para obter a condição de ensino híbrido.</p>
</disp-quote>
<p>A formação e o aperfeiçoamento nas instituições militares, guardadas
as especificidades da carreira militar, nada diferem pedagogicamente do
ensino em geral. Nesse sentido, as TDICs proporcionam facilidades que
integram alunos e professores; de forma que, para considerar as
características do ensino híbrido de personalização e interação, não
basta ligar o computador, ler um texto, ver um vídeo e logo em seguida
desligá-lo. Muito menos, o professor falar durante horas por trás de uma
tela com longas apresentações.</p>
<disp-quote>
  <p>Mas como se pode intensificar positivamente a formação e o
  aperfeiçoamento do policial de maneira que consiga assimilar e
  praticar os conhecimentos adquiridos com alto rendimento? Quantas
  vezes já se ouviu falar que o professor sabe muito, mas não consegue
  transmitir bem o conhecimento para o pelotão? Há muito tempo essa
  problemática não somente atinge os agentes de segurança pública, como
  é um desafio também para outras profissões, fazer com que os conteúdos
  sejam perpassados de forma estimulante e eficiente. Acarretar com que
  os limites entre a teoria e prática se estreitem não é uma tarefa
  fácil para qualquer atividade.</p>
  <p>Em razão do exposto acima, há intensa movimentação na área
  educacional de expandir metodologias e abordagens que proporcionem aos
  alunos motivação e os aproximem da realidade profissional. Assim,
  faz-se necessário o constante treinamento e o investimento em novas
  tecnologias que venham ao encontro das exigências da atividade
  profissional.</p>
  <p>Por parte dos alunos, a personalização e a interação incidem o
  tempo para assimilação de conteúdo e manifestação do aluno. De forma
  exemplificativa, já que possuem inúmeras maneiras de iniciar a sala de
  aula invertida, usando as TDICs, o professor passa um vídeo de 5 min.
  para a turma assistir de forma individual, logo após direciona a
  interagirem em um fórum com respostas que servirão de norteamento para
  os encontros em sala de aula.</p>
  <p>O detalhe, no exemplo acima, é a facilidade em que o aluno poder
  rever essa instrução quantas vezes precisar, pois tem o recurso de
  pausar a apresentação e assistir até mesmo pelo seu
  <italic>smartphone</italic>, de acordo com o seu horário preferencial,
  e ainda participar fazendo suas pesquisas. Posteriormente, no encontro
  presencial, o aluno já realizou sua interação com o professor sobre o
  tema a ser debatido em sala de aula e, por vezes, conseguiu uma
  assimilação inicial satisfatória do conteúdo na falta de atuação e
  debates mais práticos da matéria. Ou seja, é estimulada a produção de
  conhecimento anterior ao encontro presencial da sala de aula.</p>
  <p>É possível a aplicação da metodologia e da abordagem de ensino
  propostas nesse trabalho, quando se imagina de forma direta a sua
  aplicação. Então, supõem-se dois instrutores: o primeiro responsável
  pela instrução da matéria Tiro Policial e o segundo pela disciplina
  Cidadania e Direitos Humanos; ambos para o mesmo pelotão com 32
  (trinta e dois) alunos, que é a média no CFAP. Quais as supostas
  facilidades com a aplicação da metodologia sala de aula invertida e a
  abordagem híbrida nesse pelotão?</p>
  <p>No primeiro caso, previsto na ementa, o instrutor deve demonstrar a
  forma correta da empunhadura da pistola e suas posições. Será que
  apenas com a metodologia de aula expositiva o instrutor consegue
  demonstrar satisfatoriamente a todos os alunos a técnica correta? Pode
  ser que sim, mas perde-se muito tempo demonstrando e fazendo as
  devidas correções individuais a todos os integrantes do pelotão.</p>
  <p>E como entrariam a metodologia da sala de aula invertida e a
  abordagem híbrida nesse caso? Conjectura-se que o instrutor
  disponibilizasse um conteúdo simples, de forma antecipada, para que o
  aluno já pudesse fazer uma construção mental da técnica, no caso em
  tela a empunhadura da arma e suas posições, e realizasse um rápido
  <italic>feedback</italic> com o aluno, <italic>on-line</italic>.
  Assim, no momento do encontro presencial, no estande de tiro, cada
  integrante da turma teria noções corretas das técnicas a serem
  adotadas, bastando, é evidente, realizar a prática da empunhadura, as
  posições previstas de segurar a arma e a intervenção do instrutor para
  correções, se fosse o caso. O resultado é a valorização do tempo, uma
  vez que os alunos já tiveram um contato anterior com os tópicos da
  matéria e o encontro presencial dá prosseguimento à assimilação da
  aprendizagem de forma mais rápida.</p>
  <p>No segundo caso, também previsto na ementa, o instrutor deve
  apresentar o seguinte tópico: A evolução dos direitos humanos e suas
  gerações. Para tanto, pode-se repassar o conteúdo através de aulas
  expositivas, mas que geralmente, por questão da extensão do assunto,
  corre o risco da não participação efetiva de todos os alunos. Ou, como
  método alternativo, pode-se aplicar a metodologia de sala de aula
  invertida através de abordagem híbrida, propondo a responsabilidade ao
  aluno, de forma antecipada, em acessar o conteúdo compartilhado pelo
  instrutor, interagindo e aguardando a instrução presencial. Em sala de
  aula física, complementa as discussões e faz um paralelo do histórico
  dos direitos humanos e suas gerações com a atualidade.</p>
  <p>Percebe-se que, nesses dois casos, a personalização, a integração,
  a participação e a construção do conhecimento são maiores. Essas
  abordagens representam uma oportunidade de entrelaçamento da teoria e
  da prática nos encontros presenciais. Entretanto, apesar dos estudos
  demonstrarem inúmeros benefícios com a utilização das MAA, se o ciclo
  de preparação acadêmica não for completo, ocasionará desvios na
  correta utilização da metodologia e abordagem de ensino.</p>
  <p>Por fim, para a concreta efetivação da metodologia de sala de aula
  invertida através do ensino híbrido na PMAL, é vital o planejamento e,
  consequentemente, o fiel cumprimento das fases para o êxito do plano.
  Para este trabalho, serão utilizadas a Matriz <italic>SWOT</italic>
  <xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref> e a Matriz
  <italic>5W2H</italic><xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>,
  conformes Quadros 2 e 3 a seguir, respectivamente:</p>
</disp-quote>
<p><bold><italic>Quadro 2: Matriz</italic> SWOT</bold></p>
<p>Fonte: Elaboração própria a partir de percepções e dados da pesquisa
(2021).</p>
<p><bold>Quadro 3: Plano de Ações para Implantação de Metodologia de
Sala de Aula Invertida e Abordagem de Ensino Híbrido na Polícia Militar
de Alagoas</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="6%" />
      <col width="15%" />
      <col width="15%" />
      <col width="12%" />
      <col width="12%" />
      <col width="16%" />
      <col width="13%" />
      <col width="10%" />
    </colgroup>
    <tbody>
      <tr>
        <td colspan="8"><bold>Plano de Ações (5W2H)</bold></td>
      </tr>
      <tr>
        <td colspan="6">Meta: Proposta de Implantação da Metodologia
        Sala de Aula Invertida através do Ensino Híbrido na Polícia
        Militar de Alagoas</td>
        <td colspan="2"><p>Elaboração: CAO</p>
        <p>Responsável: PMAL</p></td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Nº</td>
        <td>O que</td>
        <td>Por que</td>
        <td>Onde</td>
        <td>Quando</td>
        <td>Quem</td>
        <td>Como</td>
        <td>Duração</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>1</td>
        <td>Curso Gerente de Ações Educacionais</td>
        <td>Sustentação da Comunidade Acadêmica</td>
        <td>Secretaria em Gestão e Ensino em Segurança Pública
        (SEGEN)</td>
        <td>A verificar</td>
        <td>Diretoria de Ensino e Divisões Técnicas APMSAM e CFAP</td>
        <td>Convênio com a SENASP</td>
        <td>18h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2</td>
        <td>Estágio de Atualização Pedagógica (ESTAP)</td>
        <td>Sustentação da Comunidade Acadêmica</td>
        <td>AMAN</td>
        <td>A verificar</td>
        <td>Diretoria de Ensino e Divisões Técnicas APMSAM e CFAP</td>
        <td>Convênio com o Exército brasileiro</td>
        <td>20h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>3</td>
        <td>Curso Metodologias e Técnicas do Ensino</td>
        <td>Sustentação da Comunidade Acadêmica</td>
        <td>Secretaria em Gestão e Ensino em Segurança Pública
        (SEGEN)</td>
        <td><p>Junho, Agosto, Outubro e Novembro.</p>
        <p>/2021</p></td>
        <td>Coordenadores de Formação DT e CA da APMSAM e CFAP</td>
        <td>Convênio com a SENASP</td>
        <td>40h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>4</td>
        <td>Mesa Redonda</td>
        <td>Alinhamento das propostas</td>
        <td>PMAL</td>
        <td><p>1ª Semana de Dezembro</p>
        <p>/2021</p></td>
        <td>Diretoria de Ensino e Divisões Técnicas APMSAM e CFAP</td>
        <td>A cargo da PMAL</td>
        <td>8h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>5</td>
        <td>Simpósio</td>
        <td>Debate com outras Instituições de Ensino</td>
        <td>PMAL</td>
        <td><p>2ª Semana de Dezembro</p>
        <p>/2021</p></td>
        <td>Instituições de Ensino convidadas</td>
        <td>PMAL em parceria com Instituições de Ensino</td>
        <td>4h</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>6</td>
        <td>Implantação da Sala de Aula Invertida e Ensino Híbrido na
        PMAL</td>
        <td>Metodologia Ativa considerada de fácil implantação</td>
        <td>PMAL</td>
        <td><p>3ª Semana de Dezembro</p>
        <p>/2021</p></td>
        <td>Diretoria de Ensino</td>
        <td>Acréscimo na NPCE/22</td>
        <td>1 ano</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>7</td>
        <td>I Curso Metodologias e Técnicas do Ensino na PMAL</td>
        <td>Orientação aos Instrutores Credenciados na PMAL</td>
        <td>PMAL</td>
        <td>JAN/22</td>
        <td>Instrutores Credenciados da PMAL</td>
        <td>Através de Abordagem Híbrida (<italic>On-line</italic> e
        Presencial)</td>
        <td>20h</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria a partir de percepções e dados da pesquisa
(2021).</p>
<p><bold>CONCLUSÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Em virtude da necessidade constante dos agentes de segurança
  pública em prestar um serviço mais técnico e profissional à sociedade,
  a expansão das TDICs surgiu como ferramenta e possibilidade para esse
  aperfeiçoamento, uma vez que essas tecnologias representam o efeito
  dos avanços econômicos, políticos e sociais.</p>
  <p>Na atualidade, há uma geração de jovens que simplifica e antecipa
  as situações com pensamentos rápidos, práticos, interativos e
  multidisciplinares. Essas são características oriundas da constante
  evolução da sociedade cada vez mais universalizada. Posto isso, essas
  qualidades podem ser de grande utilidade a favor da dinamização do
  serviço policial, para tanto, fazem-se necessárias a formação e a
  capacitação continuada destes profissionais. Em vista disso, o
  presente artigo defende a possibilidade da adição de nova metodologia
  e abordagem de ensino, contudo sem a anulação de outras já
  praticadas.</p>
  <p>Na presente pesquisa, estão à luz da discussão as legislações e as
  características castrenses e é pertinente o entendimento da
  viabilidade da proposta de implantação da metodologia da sala de aula
  invertida, por meio do ensino híbrido na Polícia Militar de Alagoas.
  Ademais, constata-se que o Exército brasileiro, a PMGO, a PMERJ, a
  PMSC e a PMMG possuem diretrizes e aplicam a metodologia da sala de
  aula invertida, desmistificando a falsa percepção de que a
  participação ativa dos alunos pudesse gerar instabilidade na
  hierarquia e indisciplina no ambiente castrense.</p>
  <p>Nesse sentido, a Polícia Militar de Alagoas tem a oportunidade de
  iniciar a aplicação de MAA, a partir da sala de aula invertida com
  abordagem híbrida, por ser constatada nesta pesquisa serem de fácil
  entendimento e funcionalidade. Entretanto, não descartaremos a
  inclusão posterior de outras MAA.</p>
  <p>Em consequência disso, o estímulo propiciado pelas aproximação e
  interação cada vez maiores dos alunos na construção e na participação
  do conhecimento reduz o espaço da teoria e da prática. Assim sendo,
  oportuniza-se a criação de uma atmosfera mais realista, uma vez que o
  tempo em sala de aula contará com discussões dinâmicas, estudos de
  casos, simulações e outras atividades. Como resultado, a instituição
  percebe as transformações da educação contemporânea e se insere nesse
  contexto, visando uma evolução constante refletida numa aproximação,
  ainda maior, da sociedade.</p>
</disp-quote>
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https://central.pm.al.gov.br/sistemas/public/boletim/bgo/view/ano/2021/mes/Fevereiro/file/BGOn023-04Fev21-Adit.pdf.
Acesso em: 10 fev. 2021.</p>
<p>PONCIONI, P. O modelo policial profissional e a formação profissional
do futuro policial nas academias de Polícia do Estado do Rio de Janeiro.
<bold>Sociedade e Estado</bold>, v. 20, n. 3, p. 585-610, set./dez.
2005. Disponível em:
https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=339930882005. Acesso em: 15 jul.
2021.</p>
<p>PONCIONI, P. Tendências e desafios na formação profissional do
policial no Brasil. <bold>Revista Brasileira de Segurança
Pública</bold>, v. 1, n. 1, p. 22-31, 2007. Disponível em:
https://revista.forumseguranca.org.br/index.php/rbsp/article/view/3.
Acesso em: 14 jul. 2021.</p>
<p>SCHMITZ, E. X. S. <bold>Sala de Aula Invertida</bold>: uma abordagem
para combinar metodologias ativas e engajar alunos no processo de
ensino-aprendizagem. Dissertação (Mestrado em Tecnologias Educacionais
em Rede) – Centro de Educação, Universidade Federal de Santa Maria,
Santa Maria/RS, 2016. Disponível em:
https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/12043/DIS_PPGTER_2016_SCHMITZ_ELIESER.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y.
Acesso em: 9 fev. 2021.</p>
<p>SILVA, F. F.; RIBEIRO, R. Q. B.; VALENTE, T. A. As metodologias
ativas de aprendizagem e a motivação do cadete para o
estudo. <bold>Revista Agulhas Negras</bold>, ano 1, v. 1, n. 1, p.
53-71, jan./dez. 2017. Disponível em:
http://www.ebrevistas.eb.mil.br/aman/article/view/895/930. Acesso em: 9
fev. 2021.</p>
<p>TRÍADE EDUCACIONAL. Com diálogo e envolvimento de educadores e
familiares, ensino híbrido se torna sinônimo de inovação em escola de
Guarulhos (SP). <bold>Tríade Educacional</bold>, Blog, 7 abr. 2021a.
Disponível em:
https://www.triade.me/2021/04/07/entrevista-andrea-lourenco-colegio-carbonell/.
Acesso em: 15 jul. 2021.</p>
<p>TRÍADE EDUCACIONAL. Autonomia dos estudantes e bom uso das
tecnologias impulsionam ensino híbrido no Colégio Bandeirantes, em São
Paulo. <bold>Tríade Educacional</bold>, Blog, 15 abr. 2021b. Disponível
em:
https://www.triade.me/2021/04/15/ensino-hibrido-no-colegio-bandeirantes-sao-paulo/.
Acesso em: 15 jul. 2021.</p>
<p>VALENTE, J. A. <italic>Blended Learning</italic> e as mudanças no
ensino superior: a proposta da sala de aula invertida.<bold> Educar em
Revista</bold>, n. 4, p. 79-97, 2014. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-40602014000800079&amp;lng=pt&amp;nrm=iso.
Acesso em: 15 fev. 2021.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>O Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao
    Cidadão é a unidade responsável por atender os pedidos de acesso à
    informação. Qualquer interessado, pessoa física ou jurídica, pode
    fazer um pedido de informação. Não é necessário justificar (Lei Nº
    12.527, de 18 de novembro de 2011).</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>A <italic>Scientific Electronic Library
    Online</italic> (SciELO) é uma biblioteca eletrônica que abrange uma
    coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>Segundo informações do site da instituição, o
    objetivo deste segmento é promover inovação em ambientes formais e
    não formais em educação, com foco na experimentação e baseada em
    metodologias ativas. Disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.triade.me/">https://www.triade.me/</ext-link>.
    Acesso em: 12 jan. 2021.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>Segundo informações do site da instituição, esta
    é denominada como uma empresa do Grupo SEB, criada para pensar na
    educação do futuro, fornecendo para instituições de Educação Básica
    inúmeras soluções educacionais, que vão desde o uso da inteligência
    artificial até as mais modernas ferramentas para auxiliar
    professores e diretores no ensino e gestão das escolas. Disponível
    em: https://blog.conexia.com.br/ensino-hibrido/. Acesso em: 12 jan.
    2021.</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <label>5</label><p>Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno.</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <label>6</label><p>Disponível em: http://www.aman.eb.mil.br/. Acesso
    em: 14 abr. 2021.</p>
  </fn>
  <fn id="fn7">
    <label>7</label><p>O Gen. Div. Novaes é Doutor em Ciências Militares
    pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Atualmente, é
    responsável pelo Comando de Operações Terrestres (COTER).</p>
  </fn>
  <fn id="fn8">
    <label>8</label><p>São aqueles que nasceram entre o fim da década de
    1990 e 2010. Característica dessa geração é a
    sua<bold> </bold>íntima relação com a tecnologia e com o meio
    digital.</p>
  </fn>
  <fn id="fn9">
    <label>9</label><p>É o conceito central da teoria
    da <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Aprendizagem%2523_blank">aprendizagem</ext-link> do
    psicólogo da educação estadunidense
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Ausubel%2523_blank">David
    Ausubel</ext-link>.</p>
  </fn>
  <fn id="fn10">
    <label>10</label><p>Método de planejamento estratégico que engloba a
    análise de cenários para tomada de decisões, observando 4 fatores.
    São eles, em inglês: Forças (<italic>Strengths</italic>), Fraquezas
    (<italic>Weaknesses</italic>), Oportunidades
    (<italic>Opportunities</italic>) e Ameaças
    (<italic>Threats</italic>).</p>
  </fn>
  <fn id="fn11">
    <label>11</label><p>Conjunto de questões para Plano de Ação. Os
    cinco “Ws” representam, em inglês: O que (<italic>WHAT</italic>),
    Por que (<italic>WHY</italic>), Onde (<italic>WHERE</italic>),
    Quando (<italic>WHEN</italic>) e Quem (<italic>WHO</italic>). Os
    dois “Hs” indicam: Como (<italic>HOW</italic>) e Quanto custa
    (<italic>HOW MUCH</italic>), a última expressão foi substituída pelo
    termo “duração”, a fim de adaptar-se à Segurança Pública.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
