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<p><bold>EDIÇÃO ESPECIAL - VOLUME 16</bold></p>
<p><bold>FORMAÇÃO PROFISSIONAL NA SEGURANÇA PÚBLICA DO RS: ANÁLISE A
PARTIR DOS SEUS CURSOS, SUAS ESCOLAS E ACADEMIAS DE POLÍCIA</bold></p>
<p><bold>Marlene Inês Spaniol</bold></p>
<p>Doutora em Ciências Sociais e Mestre em Ciências Criminais pela
PUCRS, Especialista em Segurança Pública e Cidadania pela UFRGS e em
Justiça Criminal pela PUCRS. Integrante do Grupo de Pesquisa em
Políticas Públicas de Segurança e Administração da Justiça Penal (GPESC)
da PUCRS e do Instituto Nacional de Estudos Comparados em Administração
Institucional de Conflitos (Inct-INEAC), Conselheira do Fórum Brasileiro
de Segurança Pública (FBSP), Professora de Pós-Graduação na Uniritter e
Capitã RR da PM/RS.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p><bold>E-mail:</bold> marlenespaniol@hotmail.com. <bold>ORCID:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-6536-898X">https://orcid.org/0000-0001-6536-898X</ext-link></p>
<p><bold>Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo</bold></p>
<p>Doutor em Sociologia pela UFRGS, Professor Titular da Escola de
Direito da PUCRS, Bolsista de produtividade em pesquisa 1D do CNPq,
Coordenador do Departamento de Justiça e Segurança Pública do IBCCrim,
Coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Segurança e
Administração da Justiça Penal (GPESC) da PUCRS, integrante do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto Nacional de
Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos
(Inct-INEAC).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio Grande do Sul
<bold>Cidade:</bold> Porto Alegre</p>
<p><bold>E-mail:</bold> rga_2006 @hotmail.com.<bold>  ORCID:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-7050-8852">https://orcid.org/0000-0001-7050-8852</ext-link></p>
<p><bold>Contribuições de cada autor:</bold> Marlene Spaniol realizou a
pesquisa e escreveu o artigo, Rodrigo de Azevedo escreveu o artigo
conjuntamente e supervisionou o trabalho.</p>
<p><bold>RESUMO</bold>: O artigo trata da formação dos profissionais de
segurança pública no estado do RS a partir da análise de seus cursos,
suas escolas e academias de polícia. Foram estudados os avanços e
desafios neste campo no período posterior à Constituição Federal de 1988
e à adoção da Matriz Curricular Nacional que buscou uniformizar as ações
formativas dos policiais brasileiros. Foram entrevistados gestores de
ensino das instituições policiais estaduais e analisadas as malhas
curriculares dos seus cursos de formação, buscando identificar avanços,
desafios e mudanças na busca por uma formação mais voltada para uma
perspectiva democrática e aberta à participação social na gestão dos
serviços de segurança pública. A metodologia de pesquisa consistiu na
análise bibliográfica e documental sobre o tema, em levantamento
quantitativo das disciplinas e cargas horárias, e pesquisa qualitativa
por meio de entrevistas com os gestores de ensino. Os resultados apontam
avanços, com a maior aderência às áreas temáticas e aos eixos
articuladores da Matriz Curricular Nacional, ampliação no rol de
disciplinas humanísticas e um foco maior na segurança cidadã.</p>
<p><bold>PALAVRAS-CHAVE</bold>: Formação profissional. Segurança
pública. Cursos de formação. Educação policial. Escolas e Academias de
Polícia.</p>
<p><bold>TITLE</bold>: PROFESSIONAL TRAINING IN PUBLIC SECURITY OF RS:
ANALYSIS FROM ITS COURSES, POLICE SCHOOLS AND ACADEMIES</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold>: The article deals with the training of public
security professionals in the State of RS based on the analysis of their
courses, their police schools and academies. The advances and challenges
in this field after the Federal Constitution of 1988 and adoption of the
National Curriculum Matrix that sought to standardize the training
actions of Brazilian police officers were studied. Teaching managers
from state police institutions were interviewed and the curricular
meshes of their training courses were analyzed, seeking to identify
advances, challenges, and changes in the search for more citizen and
participatory training for these professionals. The study methodology
consisted of a bibliographic and documentary analysis on the subject, a
quantitative survey of the subjects, workloads and qualitative research
with the teaching managers. The results point to advances with adherence
to the thematic areas and articulating axes of the National Curriculum
Matrix, expansion in the list of humanistic disciplines and a greater
focus on citizen security.</p>
<p><bold>KEYWORDS</bold>: Professional training. Public security.
Training courses. Police education. Police Schools and Academies.</p>
<p><bold>Data de recebimento:</bold> 30/04/2021</p>
<p><bold>Data de aprovação:</bold> 06/09/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v16.n0.1521</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>O presente artigo tem por objetivo pesquisar a formação policial no
estado do Rio Grande do Sul a partir da análise de seus cursos, das suas
escolas e academias de polícia, com o foco em uma formação com
perspectiva democrática e aberta à participação social na gestão dos
serviços de segurança pública.</p>
<p>Conforme demonstram os diversos estudos de Tavares dos Santos (1997;
2006; 2009; 2014; 2019); de Poncioni (2003; 2005; 2007; 2013; 2014;
2016) e de Luiz (2003; 2008), trata-se de um tema que passou a ser mais
debatido e pesquisado após a entrada em vigor da Constituição Federal de
1988, que inseriu diversos dispositivos ligados à rotina da atividade do
profissional de segurança pública, não se aceitando mais a atuação de
agentes públicos sem a fiel observância das garantias conquistadas pelos
cidadãos brasileiros.</p>
<p>Na pesquisa de campo para este estudo foram analisadas as malhas
curriculares dos cursos de formação de todas as instituições que
integram o sistema estadual de segurança pública do Rio Grande do Sul
(RS), que são: Brigada Militar<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>
(BM), Polícia Civil (PC), Instituto-Geral de Perícias (IGP), Corpo de
Bombeiros Militar (CBM) e Superintendência dos Serviços Penitenciários
(Susepe). Foram entrevistados gestores de ensino destas cinco
instituições, buscando identificar avanços, desafios e mudanças na busca
por uma formação capaz de orientar a atuação dos profissionais de
segurança pública com base nos dispositivos da Constituição Federal e
nos princípios e conteúdos da Matriz Curricular Nacional (MCN).</p>
<p><bold>A FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA DO
RS</bold></p>
<p>Segundo o art. 144 da Carta Magna, os órgãos policiais estaduais que
integram o sistema de segurança pública são: as polícias civis, as
polícias militares e os corpos de bombeiros militares e as polícias
penais, recentemente incluídas através da Emenda Constitucional Nº
104/2019. Já pela previsão do art. 124 da Constituição Estadual/RS, de
1989, além da polícia civil, da polícia militar e dos bombeiros
militares, há também a inclusão do Instituto Geral de Perícias (IGP). A
Susepe, embora não componha o rol de órgãos de segurança pública que
estão citados no art. 124 da Constituição do RS, encontra-se em capítulo
à parte dentro do Título IV que trata da Ordem Pública.</p>
<p>Embora o processo formativo dos integrantes da segurança pública seja
independente em cada uma destas instituições policiais, a formação dos
integrantes da PC, da Susepe e do IGP no RS ocorre no mesmo espaço
físico desde 2017, quando foi inaugurada a Academia Integrada de
Segurança Pública (Acisp), passando a ser sede oficial da Academia da
Polícia Civil (Acadepol), do Núcleo de Ensino do Instituto Geral de
Perícias (NE/IGP) e da Escola do Serviço Penitenciário (ESP). A
Secretaria de Segurança Pública (SSP/RS) justificou esta unificação de
espaços com o objetivo de promover a integração na formação e
capacitação dos servidores da segurança pública gaúcha e para reduzir as
despesas com a locação de imóveis. Sobre a criação deste complexo de
ensino, o então Secretário de Segurança Pública, Cezar Schirmer,
destacou que:</p>
<disp-quote>
  <p>O projeto de criação do complexo da Acisp teve início em 2007, está
  localizado no bairro Jardim Carvalho, na zona leste de Porto Alegre e
  ocupa uma área de 19.269 metros quadrados. Sua estrutura foi dividida
  em partes iguais entre a Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias e
  Superintendência dos Serviços Penitenciários. A academia conta com 25
  salas de aula climatizadas, vestiários, restaurantes, laboratórios,
  alojamentos, estacionamento, acesso em rampa para deficientes físicos
  e piscina olímpica. Foram investidos na construção do complexo R$ 17
  milhões, com aporte de recursos da Secretaria Nacional de Segurança
  Pública (Senasp). [...] A Secretaria da Segurança Pública (SSP) estima
  uma economia superior a R$ 1 milhão ao ano – R$ 564 mil apenas com o
  aluguel do prédio da Acadepol. Recursos que poderão ser investidos na
  melhoria das instalações da Acisp, tornando-a ainda mais moderna e
  preparada para as diversas atividades desenvolvidas no local. [...] A
  ação dá continuidade ao processo iniciado com a assinatura de um termo
  de cooperação entre a SSP, PC, IGP e Susepe. O acordo faz parte das
  contrapartidas de um convênio existente com o governo federal, que
  prevê a liberação de prédios alugados para a operação das escolas de
  formação. (RS, SSP, ACISP, 2017).</p>
</disp-quote>
<p>As duas únicas instituições de ensino voltadas aos profissionais da
segurança pública do RS que não utilizam o complexo da Acisp são:</p>
<p>1) A Brigada Militar, que possui instalações próprias em diversas
cidades do estado, centralizando a formação dos seus oficiais na
Academia de Polícia Militar (APM), em Porto Alegre, e das praças em
escolas de formação policial nos municípios de Santa Maria, Montenegro,
Osório e Porto Alegre, conforme descrição adiante; e</p>
<p>2) O Corpo de Bombeiros Militar, que tem sua formação centralizada na
Academia de Bombeiro Militar (ABM), cuja sede foi herdada da antiga
Escola de Bombeiros (Esbo), quando da separação das duas instituições,
no ano de 2014, conforme descrição posterior.</p>
<p>Importante destacar que no início dos anos 2000 houve uma experiência
pioneira de formação policial integrada no Rio Grande do Sul, na gestão
do governador Olívio Dutra, coordenada por um Departamento de Ensino
específico dentro da SSP/RS e com convênio com a Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS). Esta experiência foi descrita por Silva
(2011) em artigo intitulado <italic>Na formação integrada de policiais,
o intempestivo, o conflito, a ambivalência,</italic> onde apontou que os
alunos tiveram oportunidade de estudar conteúdos da Sociologia da
Violência, dos Direitos Humanos, dos Movimentos Sociais, da Ética e da
Cidadania, do Ofício Policial, etc. Destacou que: “estas disciplinas de
acordo com seus planos curriculares, em termos gerais, visavam oferecer
reflexões críticas aos servidores da segurança pública” (SILVA, 2011, p.
271).</p>
<p>Guimarães Rodrigues (2020) também analisou esta experiência pioneira
de educação policial na SSP/RS, descrevendo-a com o seguinte
enfoque:</p>
<disp-quote>
  <p>Na busca por uma segurança cidadã no início dos anos 2000,
  vivenciou-se no Rio Grande do Sul, na gestão do governo Olívio Dutra,
  primeiro governador do Partido dos Trabalhadores no estado, o que se
  pode denominar de revolução na área do ensino das escolas das
  instituições de segurança pública, onde simultaneamente houve uma
  revisão nos currículos dos cursos de formação, agregado a uma inédita
  aproximação destas escolas com o mundo acadêmico através da
  Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sendo que este
  pesquisador atuou na condição de professor na chamada fase integrada,
  onde alunos da Brigada Militar, Polícia Civil (PC) e Superintendência
  dos Serviços Penitenciários (Susepe) estudavam disciplinas comuns
  dividindo as mesmas salas de aula, em especial relacionadas às
  ciências humanas, experiência que por si só já trazia consigo
  relevante quebra de paradigmas e, por consequência, resistências e
  contrariedades por parte de alguns comandantes, diretores e chefes
  destas instituições (GUIMARÃES RODRIGUES, 2020, p. 39).</p>
</disp-quote>
<p>Embora esta experiência tenha sido um marco e comemorada por gestores
e pesquisadores na época da sua implantação, ela sofreu resistência por
parte dos integrantes das forças policiais envolvidas, e acabou se
resumindo tão somente a uma edição, sem continuidade. Como havia apenas
um módulo inicial integrado e os demais eram feitos em suas instituições
de origem (BM, PC, Susepe e Bombeiros), muitos dos aprendizados do
“módulo integrado” acabavam recebendo críticas e sendo
desmerecidos<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>.</p>
<p>Atualmente a gestão de ensino na Secretaria de Segurança Pública
(SSP/RS) resume-se a uma pequena divisão dentro do Departamento de
Integração, Planejamento e Política de Segurança, porém sem influência e
nem participação no processo formativo dos integrantes das forças
policiais, sendo que todos os órgãos de segurança pública tratam da sua
formação profissional de forma independente, como se verá nos pontos a
seguir.</p>
<p><bold>OS CURSOS DE FORMAÇÃO NA APM E NAS ESCOLAS DA BRIGADA
MILITAR/RS</bold></p>
<p>A Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul foi criada no ano de
1837 com o nome de Corpo Policial e sua trajetória é muito ligada à
história do próprio estado, inclusive atuando ativamente nas revoluções
Farroupilha, Federalista e Constitucionalista, período em que não havia
uma preocupação com a formação profissional dos seus integrantes
(SIMÕES, 2014; RUDNICKI, 2007).</p>
<p>Os primeiros passos sobre o ensino na BM/RS se deram no início do
século XX, no período pós-proclamação da República, sob o comando do
coronel Carlos Pinto Júnior (1897-1909) quando foi criado um setor
cultural que visava “incutir em seus comandados uma nova mentalidade
através do preparo intelectual e técnico” (SIMÕES, 2002, p. 69).</p>
<p>Borges (1990), ao escrever sobre a história e a evolução da formação
policial na BM/RS, diz que os primeiros ensinamentos foram recebidos do
Exército Brasileiro e sempre que era criada uma nova unidade, este
modelo de estrutura e formação das forças armadas era replicado. Destaca
ainda que:</p>
<disp-quote>
  <p>[...] Os primeiros instrutores da Brigada Militar eram oficiais
  comissionados do Exército e ficavam à disposição do Estado dirigindo e
  fiscalizando a instrução na Corporação e, mais tarde, deram estrutura
  e direção às suas unidades de ensino. [...] Inicialmente as unidades
  incluíam diretamente o número de homens necessários ao preenchimento
  de seus claros, organizavam uma turma e a seguir formavam um curso de
  formação de soldados, tudo de acordo com suas necessidades de efetivo.
  (BORGES, 1990, p. 16).</p>
</disp-quote>
<p>As primeiras escolas da BM/RS chamavam-se Escolas Regimentais, as
precursoras das atuais escolas de formação. Em 1911, em uma dessas
escolas foi inaugurado, na Chácara das Bananeiras, o “Depósito de
Recrutas”, destinado à instrução dos voluntários que ingressariam na
Corporação. Depois de submetidos aos exames sobre os conteúdos
ministrados, os recrutas eram declarados prontos para o serviço e
apresentados nos batalhões ou regimentos onde passariam a atuar. Foi
nessa escola que mais tarde foi instalada a Academia de Polícia Militar
(BORGES, 1990; SAVARIZ, 1990; SIMÕES, 2002).</p>
<p>A formação dos policiais militares se tornou efetivamente uma
realidade em 1916, passando a ter cursos regulares na escola da Chácara
das Bananeiras. Nesse período foi criado o Curso de Ensino que a partir
de 1918 passou a se chamar Curso de Preparação Militar (CPM), voltado à
formação dos oficiais da corporação. Em 1934 o local tornou-se o Centro
de Instrução Militar (CIM), denominação alterada em 1967 para Escola
Superior de Formação e Aperfeiçoamento de Quadros (EsFAQ). Foi somente
em 24 de outubro de 1969 que o complexo de ensino da EsFAQ passou a se
chamar Academia de Polícia Militar (APM), nome que possui até hoje (RS,
BM, APM).</p>
<p>Diferentemente da formação dos oficiais que sempre ocorreu na APM, na
capital do estado, a formação das praças também sempre se deu em algumas
cidades do interior. Atualmente as Escolas de Formação e Especialização
de Soldados (Esfes) estão sediadas em Porto Alegre, Montenegro e Osório,
enquanto que os sargentos são formados em Santa Maria desde 1970,
inicialmente na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Graduados
(Esfag) que, em 1974, teve a mesma denominação que possui até hoje,
Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos (Esfas) (RS, BM,
DE).</p>
<p>Por força do art. 131, § 1º da Constituição Estadual de 1989, a
formação, o aperfeiçoamento, o treinamento e a especialização dos
integrantes da BM/RS são de competência da própria corporação, sendo que
a regulamentação do ensino se deu através da Lei Nº 12.349, de 26 de
outubro de 2005 (RIO GRANDE DO SUL, 1989; 2005).</p>
<p>Atualmente a Brigada Militar possui quatro cursos regulares de
formação, conforme Tabela 1, sendo dois para ingresso na carreira após
aprovação em concurso público, que são: o Curso Básico de Formação
Policial Militar (CBFM), antigo Curso de Formação de Soldados (CFSd),
com 1.675 h/a; e o Curso Superior de Polícia Militar (CSPM), antigo
Curso de Formação de Oficiais (CFO), curso mais longo da instituição com
2.585 h/a, sendo que ao final deste curso os alunos oficiais são
promovidos ao posto de capitão. Os outros dois cursos de formação são
para o público interno, para evolução na carreira, ou seja: o Curso
Técnico de Segurança Pública (CTSP), antigo Curso de Formação de
Sargentos (CFS), que possui três módulos e um total de 800 h/a; e o
Curso Básico de Formação Policial Militar (CBAPM), com dois módulos em
um total de 620 h/a para formação dos tenentes, sendo que este curso foi
criado na mudança estatutária de 1997, através da Lei Nº 10.990 para
promoção dos sargentos e representando o final da carreira de nível
médio<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>.</p>
<p>O CAAPM e o CEPGSP, cursos de somente um módulo, ambos com 555 h/a,
são pré-requisitos e apenas habilitam os oficiais alunos (capitães e
tenente coronéis, respectivamente) à promoção ao posto imediatamente
acima de major e coronel.</p>
<p>T<bold>abela 1 – Cursos de Formação e Aperfeiçoamento na Brigada
Militar do RS</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Tipo de cursos</bold></th>
      <th><bold>Cursos da Brigada Militar/RS</bold></th>
      <th><bold>Módulos / Disciplinas</bold></th>
      <th><bold>Carga Horária</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><bold>De formação para ingresso na carreira</bold></td>
      <td>Curso Básico de Formação PM (CBFPM) – para soldados</td>
      <td>03 / 53</td>
      <td>1.675 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Curso Superior de Polícia Militar (CSPM) – para capitães</td>
      <td>04 / 67</td>
      <td>2.585 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>De formação para evolução na carreira</bold></td>
      <td>Curso Técnico de Segurança Pública (CTSP) – para
      sargentos</td>
      <td>03 / 25</td>
      <td>800 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Curso Básico de Administração PM (CBAPM) – para tenentes</td>
      <td>02 / 21</td>
      <td>620 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>De aperfeiçoamento</bold></p>
      <p><bold>e habilitação à promoção ao posto
      superior</bold></p></td>
      <td>Curso Avançado de Administração Policial Militar – Habilita os
      capitães do CSPM à promoção ao posto de major</td>
      <td>01 / 13</td>
      <td>555 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Curso de Especialização em Políticas e Gestão da Segurança
      Pública (CEPGSP) – Habilita à promoção ao posto de coronel</td>
      <td>01 / 17</td>
      <td>555 h/a</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Fonte: Departamento de Ensino da Brigada Militar – Divisão de
Ensino e Treinamento (DE/DET).</bold></p>
<p>Todos os cursos estão em constante atualização, tanto em relação às
cargas horárias, quanto aos programas das disciplinas e à inclusão de
novas referências bibliográficas, procurando alinhá-los cada vez mais
com as diretrizes da MCN. A inserção de algumas disciplinas na
modalidade de Ensino a Distância (EAD) era um pleito antigo e foi
efetivada para diminuir o tempo de duração da formação dos policiais e
para aproveitar os cursos oferecidos pela Secretaria Nacional de
Segurança Pública (Senasp) na plataforma EAD. Atualmente esta modalidade
não presencial passou a ser gerenciada pelo Departamento de Ensino da
BM/RS, preferentemente com profissionais que se qualificaram nas
pós-graduações oferecidas pela
Renaesp<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> (CORONEL DIRETOR DE ENSINO
DA BM/RS).</p>
<p>A posição do atual gestor de ensino da BM/RS ratifica a posição
defendida pelos gestores que o antecederam, sobre a necessidade de
constante atualização dos cursos de formação e aperfeiçoamento, com a
retirada de disciplinas ultrapassadas como, por exemplo, Operações de
Defesa Interna e Territorial (ODIT), que reporta a formação dos quadros
do Exército Brasileiro, e a inserção de novas, como Direitos Humanos,
Mediação de Conflitos, Sociologia da Violência e da Criminalidade,
dentre outras, conforme apontou pesquisa realizada por Guimarães
Rodrigues (2020).</p>
<p>Os cursos de formação na BM/RS sofreram avanços significativos
pós-redemocratização, inserindo as exigências de curto prazo dos Planos
Nacionais de Direitos Humanos e incluindo a abordagem desta temática
como disciplina obrigatória em todos os cursos e treinamentos, assim
como a aderência às recomendações da MCN na adequação das disciplinas
aos seus eixos articuladores e às suas áreas temáticas (BRASIL, PNDH,
2009; BRASIL, 2014).</p>
<p><bold>OS CURSOS DE FORMAÇÃO DA ABM DOS BOMBEIROS
MILITARES/RS</bold></p>
<p>A separação dos Bombeiros Militares da Brigada Militar no RS ocorreu
no ano de 2014, sendo oficializada com a aprovação da Emenda
Constitucional Nº 67, de 17/06/14, assegurando, nos moldes como já
ocorre na BM/RS, no § 1º do art. 131, que a seleção, o preparo, o
aperfeiçoamento, o treinamento e a especialização dos integrantes do
Corpo de Bombeiros Militar (CBM) são de competência da Corporação (RIO
GRANDE DO SUL, 1989).</p>
<p>Na separação das duas instituições a antiga sede da Escola de
Bombeiros (Esbo) da BM/RS foi transformada na Academia de Bombeiro
Militar (ABM), que centraliza todos os cursos de formação,
aperfeiçoamento e treinamentos, conforme inciso III do art. 16 da Lei
Complementar (LC) Nº 14.920, de 1º de agosto de 2016, que dispõe sobre a
Organização Básica do Corpo de Bombeiros/RS: “A ABM é responsável pelo
planejamento, controle e fiscalização das atividades relacionadas ao
ensino e à pesquisa científica da Instituição e pela capacitação
continuada dos servidores e dos profissionais civis que exerçam
atividade auxiliar de bombeiro em âmbito estadual” (RIO GRANDE DO SUL,
SSP, CORPO DE BOMBEIROS; RIO GRANDE DO SUL, 2016a).</p>
<p>Considerando que os cursos da BM/RS haviam sido alterados e
atualizados recentemente com a mudança estatutária de 1997, quando
ocorreu o desmembramento do CBM, em 2014, a instituição optou por manter
os mesmos moldes e nomes de cursos, conforme explicitado na Tabela 2,
apenas voltando o foco na sua malha curricular para as funções
constitucionais dos bombeiros militares.</p>
<p>A Tabela 2 aponta que os tipos de cursos adotados, ou seja: 1) de
formação para ingresso na carreira; 2) de formação para evolução na
carreira; e 3) de aperfeiçoamento e habilitação à promoção ao posto
superior, foram 100% adaptados do modelo de formação da BM/RS, assim
como a nomenclatura dos cursos, substituindo apenas a parte final de
“Polícia Militar” para “Bombeiro Militar”, sendo que o número de módulos
e a carga horária variam de acordo com o objetivo de cada curso.</p>
<p>Outro ponto que permaneceu em comum nas duas instituições foram os
requisitos de ingresso, tanto para as carreiras de nível médio (de
soldado a tenente), quanto na exigência de diplomação no curso de
Ciências Jurídicas e Sociais para ingresso tanto no Curso Superior de
Polícia Militar (CSPM), quanto no Curso Superior de Bombeiro Militar
(CSBM) que formam os Capitães.</p>
<p>Considerando o quadro de pessoal bastante reduzido do CBM e a
impossibilidade de liberar seus efetivos para frequência nos cursos com
dedicação exclusiva, três dos seis cursos descritos na Tabela 2 são
totalmente realizados na modalidade de Ensino a Distância (EAD), em
turnos diversos à sua atividade funcional. Os três cursos em EAD são: o
CTSP, que forma os sargentos, realizado em seis módulos com carga
horária de 900 h/a; além dos dois cursos que só habilitam à promoção ao
posto superior, que são: o CAA e o CEPGSPDC, ambos com três módulos de
120 h/a cada um, totalizando 360 h/a, cujo objetivo é preparar os
gestores para os altos cargos de gerenciamento da instituição. Nos
outros três cursos de formação, o CBFBM, o CBABM e o CSBM também há
disciplinas na modalidade EAD, mas em percentual bastante reduzido.</p>
<p>Os dois cursos de ingresso na
carreira<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>, após passarem por
estágio de treinamento de adaptação ao
serviço<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref> de bombeiro militar ou de
soldado no nível médio no CBFPM e de oficiais no CSBM, na carreira de
nível superior, possuem as maiores cargas horárias, de 1.614 h/a e de
2.622 h/a, respectivamente, pois é nestes cursos que os bombeiros
receberão as disciplinas técnicas para exercerem seu ofício.</p>
<p>T<bold>abela 2 – Cursos de Formação e Aperfeiçoamento da ABM do CBM
do RS</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Tipo de cursos</bold></th>
      <th><bold>Cursos do Corpo de Bombeiro Militar/RS</bold></th>
      <th><bold>Módulos / Disciplinas</bold></th>
      <th><bold>Carga Horária</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><bold>De formação para ingresso na carreira</bold></td>
      <td>Curso Básico de Formação de Bombeiro Militar (CBFBM) – para
      soldados</td>
      <td>03 / 65</td>
      <td>1.614 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Curso Superior de Bombeiro Militar (CSBM) – para capitães</td>
      <td>06 / 94</td>
      <td>2.622 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>De formação para evolução na carreira</bold></td>
      <td>Curso Técnico de Segurança Pública (CTSP) – para
      sargentos</td>
      <td>06 / 30</td>
      <td>900 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Curso Básico de Administração PM (CBABM) – para tenentes</td>
      <td>03 / 38</td>
      <td>1.165 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>De aperfeiçoamento</bold></p>
      <p><bold>e habilitação à promoção ao posto
      superior</bold></p></td>
      <td>Curso Avançado de Administração Bombeiro Militar – Só habilita
      os capitães do CAABM à promoção ao posto de major</td>
      <td>01 / 12</td>
      <td>360 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Curso de Especialização em Políticas e Gestão da Segurança
      Pública e Defesa Civil (CEPGSPDC) – Só habilita à promoção ao
      posto de coronel</td>
      <td>01 / 12</td>
      <td>360 h/a</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Fonte: Academia de Bombeiros Militares do RS.</bold></p>
<p>A versão de 2014 da MCN dedicou uma área temática específica com
recomendações à formação para o exercício da atividade de bombeiros
militares e, segundo a fala do gestor de ensino da ABM pesquisado para
este estudo, na transição da BM/RS para o CBM/RS houve uma preocupação
em não mudar as estruturas dos cursos aos quais os integrantes do CBM já
estavam acostumados, fato que facilitou a transição do processo
formativo. Ressaltou que houve um cuidado para adequar todos os cursos e
treinamentos à inserção das recomendações da MCN (MAJOR GESTOR DE ENSINO
DA ABM).</p>
<p>Os diversos cursos para formação de bombeiros têm disciplinas bem
específicas para o exercício das suas atribuições que se diferenciam
bastante das abordagens e funções dos demais órgãos policiais, mas como
os bombeiros se separaram da BM/RS recentemente e continuam integrando o
sistema estadual de segurança pública, inclusive com o mesmo
pré-requisito da formação jurídica para ingresso de seus oficiais, eles
compõem este estudo. Este fato, aliás, se repete em todos os estados da
federação, tanto que a MCN, versão 2014, inseriu capítulo específico
para a formação dos bombeiros militares do Brasil.</p>
<p><bold>OS CURSOS DE FORMAÇÃO NA ACADEPOL DA POLÍCIA
CIVIL/RS</bold></p>
<p>A autonomia da Polícia Civil no Brasil se deu através da Lei Nº 261,
de 03 de dezembro de 1841, assinada pelo Imperador Dom Pedro II, sendo
esta, também, a data de criação da Polícia Civil gaúcha, da então
Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, porém incluída na
Constituição Estadual apenas em 1947.</p>
<p>Atualmente a previsão na Constituição do estado encontra-se nos art.
133 a 135 e, assim como na BM e no CBM, a Polícia Civil também tem
recrutamento, seleção, formação, aperfeiçoamento e especialização do seu
efetivo assegurados constitucionalmente, sendo que a regulamentação se
deu através das seguintes legislações: Dec. Nº 37.489, de 10 de junho de
1997; Dec. Nº 52.588, de 08 de outubro de 2015; e Dec. Nº 53.091, de 23
de junho de 2016, atualmente em vigor (RIO GRANDE DO SUL, 1989, Art.
134, § único).</p>
<p>No processo formativo, diferentemente da BM/RS que possui escolas de
formação em vários municípios do estado, a formação dos policiais civis
é centralizada na Academia de Polícia Civil do RS (Acadepol), localizada
dentro do complexo da Acisp, e seus cursos são divididos conforme
exposto na Tabela 3.</p>
<p>Também de forma diferente do que ocorre na BM/RS, onde os cursos são
divididos por módulos e seus alunos já são considerados servidores
estaduais para fins de direitos, os dois cursos de formação da PC/RS
dividem-se em áreas temáticas e estes constituem a última etapa do
concurso público a que estes candidatos a futuros policiais civis se
submeteram, sendo nomeados para seus respectivos cargos somente após
conclusão e aprovação no curso.</p>
<p>Pela análise da Tabela 3 percebe-se que os dois cursos, de delegado e
agente, são muito similares tanto nas áreas temáticas, quanto nas
disciplinas e suas respectivas cargas horárias, sendo que o curso de
delegado possui a mais apenas a área temática de Metodologia da
Pesquisa.</p>
<p>Ainda em relação às áreas temáticas que norteiam a malha curricular
dos cursos de formação da PC/RS, percebe-se um alinhamento direto com as
oito áreas temáticas propostas pela Matriz Curricular Nacional para
ações formativas dos profissionais da área de segurança pública, que
são: 1) Sistemas, Instituições e Gestão Integrada em Segurança Pública;
2) Violência, Crime e Controle Social; 3) Conhecimentos Jurídicos; 4)
Modalidades de Gestão de Conflitos e Eventos Críticos; 5) Valorização
Profissional e Saúde do Trabalhador; 6) Comunicação, Informação e
Tecnologias em Segurança Pública; 7) Cultura, Cotidiano e Prática
Reflexiva; e 8) Funções, Técnicas e Procedimentos em Segurança Pública
(BRASIL, 2014, p. 45-46).</p>
<p>Houve recente modificação dos cursos de escrivães e inspetores, que
eram realizados separadamente e passaram a ser curso unificado de
agentes de polícia, porém no concurso público o(a) candidato(a) ainda
precisa fazer a opção para se inscrever para escrivão (ã) ou para
inspetor (a). Outra modificação ocorrida nas últimas edições foi na
carga horária dos cursos, pois segundo estudo de Larini (2020) em 2003 o
curso tinha uma carga horária total de 1.220 h/a, já em 2014 passou para
930 h/a e, atualmente, pela Tabela 3 percebe-se que o curso conta com
apenas 855 h/a, com duração entre seis e onze meses, o que representa
uma diminuição de 30% em relação à duração do curso de 2003. Segundo o
art. 47 do Dec. Nº 53.091, de 23 de junho de 2016, os cursos de formação
profissional da PC/RS terão a carga horária mínima de 800 h/a.</p>
<p>T<bold>abela 3 – Cursos de Formação da Acadepol/Polícia Civil do RS e
suas áreas temáticas</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Cursos</bold></th>
      <th><bold>Nº de áreas temáticas</bold></th>
      <th><bold>Carga horária (h/a) de cada área temática</bold></th>
      <th><bold>Nº de disciplinas</bold></th>
      <th><bold>Carga Horária Total em h/a</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><bold>Formação de Agentes (Escrivães e Inspetores)</bold></td>
      <td>8</td>
      <td><p>1-35; 2-15; 3-110; 4-50;</p>
      <p>5-40; 6-75; 7-10; 8-475</p></td>
      <td>26</td>
      <td>810</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Formação de Delegados de Polícia</bold></td>
      <td>9</td>
      <td>1-45; 2-15; 3-65; 4-50; 5-40; 6-50; 7-10; 8-550; 9-30</td>
      <td>25</td>
      <td>855</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Atividades extras tanto para Agentes como para Delegados
      de Polícia</bold></td>
      <td><p>- Comunicação e expressão na atividade policial (5 h/a, só
      para delegados)</p>
      <p>- Mediação de conflitos (5 h/a)</p>
      <p>- Prevenção e combate a incêndio (10 h/a)</p></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><p><bold>Áreas temáticas</bold></p>
      <p><bold>dos cursos de formação da PC/RS com as respectivas cargas
      horárias para Agentes e Delegados de Polícia,
      respectivamente</bold></p></td>
      <td><p>1. Sistemas, instituições e gestão integrada em segurança
      pública – 35/45 h/a</p>
      <p>2. Violência Criminalidade e controle social – 15/15 h/a</p>
      <p>3. Conhecimento jurídico aplicado à função policial – 110/65
      h/a</p>
      <p>4. Fundamento da perícia oficial criminal – 50/50 h/a</p>
      <p>5. Valorização profissional e saúde do policial – 40/40 h/a</p>
      <p>6. Comunicação, informática e tecnologias aplicadas à polícia
      judiciária –75/50 h/a</p>
      <p>7. Cultura, cotidiano e prática reflexiva – 10/10 h/a</p>
      <p>8. Técnicas e procedimentos de polícia judiciária – 475/550
      h/a</p>
      <p>9. Metodologia da pesquisa – 30 h/a (só para
      delegados)</p></td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Fonte: Acadepol/PC/RS.</bold></p>
<p>A PC/RS foi a primeira instituição de ensino policial do estado a
implementar a disciplina de Direitos Humanos em seu currículo no ano de
1987, que passou a integrar o conteúdo curricular a partir da edição da
Lei Estadual Nº 8.835/89, que regulou o ingresso de servidores na
Polícia Civil do Estado e inseriu no seu anexo o rol de disciplinas
obrigatórias dos cursos de formação aos cargos policiais, reafirmando o
princípio básico da formação de seus profissionais com o respeito e a
garantia dos direitos humanos (SPANIOL, 2015, p. 12).</p>
<p>A preocupação com a temática de direitos humanos e o ensino policial
aparece em vários estudos, sendo importante destacar a pesquisa de
Schabbach (2014) junto à Acadepol, ao apontar que há um hiato entre o
que é ensinado na formação e o agir do policial na prática, que é
preciso examinar como os direitos humanos estão sendo operacionalizados
e que:</p>
<disp-quote>
  <p>[...] embora exista uma trajetória consolidada de defesa dos
  direitos humanos no Brasil, com sua incorporação na legislação pátria
  e nas diretrizes basilares da política federal de segugurança pública,
  em especial nos programas de formação policial, ainda existe um hiato
  entre o que os policiais aprendem nas academias e os preceitos e
  atitudes que incorporam e expressam no desempenho diário de sua
  atividade. É necessário, portanto, que sejam avaliadas as disciplinas
  e os conteúdos aprendidos nos Cursos de Formação Policial das
  Academias de Polícia e os seus efeitos sobre o agir policial.
  (SCHABBACH, 2014, p. 73).</p>
</disp-quote>
<p>A partir de 2014 houve mudança na proposta pedagógica que passou a
orientar o Curso de Formação Profissional de Escrivães e de Inspetores
de Polícia (atualmente curso de agentes), quando entrou em vigor a nova
versão da MCN da Senasp, visando proporcionar conhecimentos
teórico-práticos que permitissem um desempenho profissional
satisfatório, através de disciplinas pertencentes às oito áreas
temáticas propostas na Matriz (LARINI, 2020, p. 93).</p>
<p>Com a adequação da malha curricular à MCN, em 2014, ocorreram
mudanças também no foco da formação policial, como apontou o projeto do
curso de formação de escrivães e inspetores, que passou a ter os
seguintes objetivos:</p>
<disp-quote>
  <p>1) Preparar profissionais com sólida e ampla formação
  técnico-científica, jurídica, administrativa e operacional na área de
  Segurança Pública; 2) Ampliar conhecimentos que possibilitem aos
  alunos compreenderem a construção histórica da polícia; 3) Contribuir
  na preparação do futuro agente para o exercício da atividade como
  prática de cidadania; 4) Desenvolver a capacidade de autoaprendizagem
  do aluno e instaurar a necessidade da busca de novos conhecimentos de
  forma crítica e constante; 5) Formar agentes policiais capazes de
  harmonizar o convívio entre a instituição policial e a comunidade à
  qual servirão e que compreendam a diversidade da realidade sobre a
  qual atuarão; 6) Capacitar os agentes, como promotores dos Direitos
  Humanos, para agirem dentro das normas legais; 7) Possibilitar aos
  alunos o conhecimento de técnicas que auxiliem na tomada de decisão e
  resolução de conflitos; 8) Conscientizar os futuros policiais quanto
  ao seu papel no tocante à segurança, à orientação e à proteção dos
  cidadãos; 9) Reforçar habilidades e atitudes desejáveis nos policiais;
  10) Proporcionar aos alunos uma reflexão crítica sobre o papel do
  escrivão e do inspetor de polícia junto à comunidade; 11) Sensibilizar
  os novos agentes para um fiel comprometimento com a Instituição da
  qual farão parte; 12) Preparar os futuros agentes para exercerem a
  função de operadores de Segurança Pública que tenham como princípio os
  valores da coisa pública (legalidade, impessoalidade, moralidade,
  publicidade e eficiência). (RIO GRANDE DO SUL, SSP, POLÍCIA CIVIL,
  2014, p. 4).</p>
</disp-quote>
<p>Esta preocupação com uma formação mais humanística e voltada para as
diretrizes e recomendações da MCN e dos Planos Nacionais de Direitos
Humanos também se refletiu na fala da Diretora da Acadepol quanto à
obrigatoriedade da inserção da Matriz e à atualização das malhas
curriculares a cada curso. Destacou a necessidade de padronizar a
formação no país, respeitando-se a possibilidade de adaptações às
realidades das diversas corporações e às peculiaridades locais, como é
feito atualmente. Ressaltou que além dos cursos de ingresso na carreira
há também os de formação continuada, bem como os de
pós-graduação (especialização <italic>lato sensu</italic> para policiais
civis na área da atividade fim), com um corpo docente quase todo formado
por policiais civis e alguns convidados externos, possuindo também uma
revista científica e concurso para seleção de docentes, tudo com uma
equipe muito enxuta de servidores, aporte financeiro limitado e
otimizando os recursos disponíveis (DELEGADA DIRETORA DA
ACADEPOL/RS).</p>
<p>A posição da diretora da Acadepol é ratificada por Larini (2020) que
analisou os currículos dos cursos de formação profissional da
Acadepol/RS e concluiu haver avanços na formação nos últimos anos, porém
sempre com atualizações e ajustes a fazer, citando como exemplo que o
requisito para inscrição no concurso de agentes é qualquer curso
superior, onde aqueles que ingressam sem a formação jurídica acabam
tendo mais dificuldade que os demais na assimilação dos conteúdos em
função da pequena carga horária de disciplinas afins ao direito no curso
de agentes.</p>
<p><bold>OS CURSOS DE FORMAÇÃO DA ESP DA SUSEPE/RS</bold></p>
<p>Recentemente, por força da aprovação da Emenda Constitucional Nº 104,
de 04 de dezembro de 2019, os profissionais que atuam na linha de frente
do sistema penitenciário tornaram-se “Policiais Penais” e foram
inseridos no inciso VI do art. 144 da Constituição Federal como um dos
órgãos integrantes do Sistema Nacional de Segurança Pública. Esta
alteração, porém, não modificou o processo formativo destes agentes,
apenas não tendo ocorrido ainda à mudança legislativa estadual para
adequar a nova nomenclatura.</p>
<p>A estruturação da política penitenciária foi incluída na Constituição
Estadual dos art. 137 ao 139 e, diferentemente da PC, da BM e do CBM, a
responsabilidade pelo processo formativo dos seus agentes não integrou o
texto constitucional, porém o parágrafo único do art. 138 determinou que
as questões atinentes ao seu quadro de pessoal e às demais atribuições
fossem regulamentadas por lei complementar, o que efetivamente ocorreu
com a entrada em vigor da Lei Nº 13.259, de 20 de outubro de 2009, que
em seu art. 12 estipulou que “o recrutamento, a seleção e a formação de
candidatos para provimento de cargos e funções, em diferentes níveis de
atuação da Susepe, são de competência da Escola do Serviço
Penitenciário” (RIO GRANDE DO SUL, 1989; 2009).</p>
<p>A Escola do Serviço Penitenciário (ESP) foi criada no estado do Rio
Grande do Sul através da Lei N° 5.740, de 24 de dezembro de 1968, com a
missão de formar e qualificar o servidor penitenciário para as ações de
execução penal. Atualmente a ESP se encontra junto ao complexo da Acisp
onde realiza os cursos para Agentes Penitenciários, Agente
Administrativo e Técnico Superior Penitenciário, oferecendo também
cursos de extensão com o objetivo de manter um processo contínuo e
permanente de ensino-aprendizagem (RIO GRANDE DO SUL, SSP, SUSEPE).</p>
<p>Depreende-se da Tabela 4 que o processo formativo na ESP,
diferentemente das outras escolas de polícia no RS, se dá por eixos que
variam de acordo com o cargo que será ocupado e com as funções que estes
servidores vão exercer no sistema penitenciário.</p>
<p>O curso de formação para Técnico Superior Penitenciário (TSP)
destina-se àqueles profissionais que exercerão sua formação acadêmica
dentro do sistema carcerário, sendo que o último curso no RS se deu em
2013 para os cargos de Assistente Social, Psicólogo e Advogado, podendo
ocorrer também para outras formações de acordo com a necessidade de
vagas. O TSP é dividido em quatro eixos: Administração Penitenciária;
Saúde e Qualidade de Vida; Segurança e Disciplina; e Relações Humanas e
Reinserção Social, totalizando 255 h/a, sendo 205 h/a teóricas e 50 h/a
práticas.</p>
<p>Os cursos de formação de Agente Penitenciário e Agente Penitenciário
Administrativo possuem a mesma grade curricular para os eixos um (com 70
h/a) e três (com 150 h/a), sendo que os Agentes que exercerão a
atividade-fim de execução penal da Susepe fazem a mais o eixo dois (com
260 h/a), que trata das rotinas e dos procedimentos do sistema
prisional.</p>
<p><bold>Tabela 4 – Cursos de Formação da Escola do Serviço
Penitenciário da SUSEPE/RS</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Cursos</bold></th>
      <th><bold>Nº de Eixos</bold></th>
      <th><p><bold>Carga horária (h/a)</bold></p>
      <p><bold>de cada módulo ou eixo</bold></p></th>
      <th><bold>Nº de disciplinas do curso</bold></th>
      <th><bold>Carga Horária Total</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><bold>Técnico Superior Penitenciário (TSP)</bold></td>
      <td>4</td>
      <td>4 eixos: Eixo 1 – Administração Penitenciária, Eixo 2 - Saúde
      e Qualidade de Vida, Eixo 3 - Segurança e Disciplina, Eixo 4 –
      Relações Humanas e Reinserção Social</td>
      <td>13</td>
      <td>205 (teoria) + 50 (prática) = 255 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Agente Penitenciário</bold></td>
      <td>3</td>
      <td>3 eixos: Eixo 1 – Fundamentos da Prisão e da Pena (70h), Eixo
      2 – Rotinas e Procedimentos do Sistema Prisional (260h), Eixo 3 –
      Gestão Penitenciária (150)</td>
      <td>30</td>
      <td><p>480 +</p>
      <p>40 (estágio) = 520 h/a</p></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Agente Penitenciário Administrativo</bold></td>
      <td>2</td>
      <td>2 eixos: Eixos 1 e 3 Igual ao agente penitenciário sem o eixo
      2 que é de prática e procedimentos do sistema prisional</td>
      <td>5 + 14 = 19</td>
      <td><p>220 +</p>
      <p>40h (estágio) = 260 h/a</p></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Fonte: SUSEPE/ESP/RS.</bold></p>
<p>Considerando as atribuições específicas da Susepe, sempre houve uma
preocupação com a formação de seus agentes, razão pela qual foi
desenvolvida uma Matriz Curricular específica no ano de 2006, cujos
consultores (Bravo e Azevedo) destacaram que “o servidor penitenciário
que entra no sistema se depara com uma realidade complexa, marcada por
uma série de discursos e práticas não articulados entre si e até
contraditórios” (BRASIL, 2006, p. 4). Destacaram também que por questões
relacionadas à sua falta de formação e/ou à carência de estímulos
materiais, sociais e intelectuais, o imaginário de sua função acaba, com
frequência, limitando-se a um propósito disciplinar ou corretivo.</p>
<p>No ano de 2016 ocorreu uma atualização da Matriz Curricular para o
Curso de Formação Profissional da Escola Nacional de Serviços Penais
(Espen) do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Foi lançada
oficialmente em 2017 e estruturou os cursos da Espen em seis eixos: 1)
Fundamental; 2) Intermediário; 3) e 4) Avançados 1 e 2; 5) Eixo final; e
6) Formação Complementar. Embora tenha sido adotada inicialmente apenas
para a formação dos servidores penitenciários federais, há estudos para
padronizar e estender esta formação também nas escolas penitenciárias
estaduais (BRASIL, 2016).</p>
<p>Esta preocupação com a padronização das ações formativas dos
profissionais que atuam na execução penal foi destacada por uma
ex-Diretora da ESP, ao referir que sempre houve uma preocupação em
igualar o processo formativo dos profissionais que atuam no sistema
penitenciário e isto se refletiu na adoção da MCN de 2006 e na sua
atualização de 2016, cujos eixos já foram implantados na ESP da
Susepe/RS, assim como o foco voltado para uma formação mais humanística.
Destacou que pode haver novas modificações nas grades curriculares dos
cursos a cada edição se houver nova recomendação ou alteração sugerida
pelo Depen (EX-DIRETORA DA ESP/SUSEPE/RS).</p>
<p>Um ponto positivo em relação às escolas penitenciárias é a
comunicação das ESP estaduais com o Depen, como demonstrou estudo
realizado em 2020 que mapeou o ensino destas escolas em todo o Brasil,
deixando clara a existência de um canal interativo entre a “Escola
Nacional e as Escolas Estaduais de Serviços Penais, consolidando uma
rede interinstitucional que visa o aprimoramento dos servidores das
carreiras penais” (BRASIL, 2020, p. 39).</p>
<p>A Susepe é a instituição pesquisada que possui a maior transparência
de dados no que se refere à formação de seus agentes, indo desde o
manual do curso de formação, onde são delineados todos os procedimentos
a serem adotados pelos alunos acerca das normas e dos procedimentos
internos durante seu processo formativo, tais como: horários,
frequência, avaliação, recuperação, recursos, classificação, regimento
disciplinar, formatura, dentre outras questões, possuindo também um
manual completo com o desenvolvimento das disciplinas dos cursos para
servir tanto de fonte de consulta aos alunos, assim como referência aos
docentes.</p>
<p><bold>OS CURSOS DE FORMAÇÃO NO IGP/RS</bold></p>
<p>A inclusão do IGP se deu como um dos órgãos integrantes do sistema
estadual de segurança pública no art. 124 da Constituição Estadual,
tendo suas funções reorganizadas através da Emenda Constitucional Nº
72/2016 e incluídas no art. 139-A da Carta Estadual, prevendo o
desenvolvimento de estudos e pesquisas em sua área de atuação (RIO
GRANDE DO SUL, 1989).</p>
<p>A Escola de Perícias do IGP é a mais nova dentre aos centros de
formação dos órgãos que integram a segurança pública no RS e foi criada
através do Decreto Nº 53.983, de 22 de março de 2018. Assim como a
Acadepol e a ESP, também integra o complexo de ensino da Acisp. É
responsável pela formação técnico-profissional e pelo desenvolvimento de
pesquisas e estudos, visando o avanço técnico da atividade pericial,
concretizando o que havia sido previsto no § 2º do art. 4º da Lei Nº
14.519, de 8 de abril de 2014, ao dispor que “o servidor nomeado será
lotado na Escola de Perícias do IGP, onde entrará em exercício para
realizar o Curso de Formação Profissional” (RIO GRANDE DO SUL, 2014b;
2018).</p>
<p>Embora ocupe um espaço junto à Acisp, a Escola de Perícias integra a
Divisão de Ensino, Treinamento e Formação Profissional, ligada à Direção
Superior do IGP, cujos servidores, em função do pequeno quadro de
pessoal, atuam rotineiramente nesta Divisão e trabalham na Escola de
Perícias apenas no período de duração dos Cursos. A Divisão de Ensino e
Treinamento desenvolve as seguintes atividades: 1) Coordenar e executar
as atividades referentes ao ensino ministrado em cursos do IGP e eventos
correlatos; 2) Realizar matrículas e cursos; 3) Prestar apoio ao corpo
docente, fiscalizando e coordenando a execução de currículos, conteúdos
programáticos, horários de aula, distribuição das turmas, frequência de
professores e alunos, aplicação das provas e atividades correlatas; 4)
Exercer as atividades referentes à disciplina do corpo discente,
formalizando os procedimentos próprios; e 5) Fornecer todos os recursos
materiais e audiovisuais necessários ao desenvolvimento dos cursos e
eventos realizados pela Escola de Perícias (RIO GRANDE DO SUL, SSP,
IGP).</p>
<p>Todos os cursos realizados na Escola de Perícias do IGP, conforme
Tabela 5, possuem um módulo básico comum a todos, que totaliza 80 h/a
divididas em oito disciplinas, que são: 1) Tópicos Jurídicos para
Servidores da Perícia; 2) Direito Penal Aplicado; 3) Cadeia de Custódia;
4) Documentos Administrativos; 5) Estrutura Legal e Administrativa do
IGP; 6) Sistemas Informatizados e PGP; 7) Condução e Manejo de Viaturas;
e 8) Segurança de Armas de Fogo.</p>
<p>Já os módulos específicos dos cursos de Perito Criminal, Médico
Legista e Técnico em Perícias (único de nível médio), só iniciam após a
conclusão do módulo básico; todos possuem carga horária de 240 h/a cada
um e são divididos em 26, 22 e 17 disciplinas, respectivamente, todas
voltadas para a atividade que exercerão após a conclusão do curso.</p>
<p>T<bold>abela 5 – Cursos de Formação da Escola de Perícias do
IGP/RS</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Cursos</bold></th>
      <th><bold>Nº de Módulos</bold></th>
      <th><bold>Carga horária (h/a) de cada módulo ou
      semestre</bold></th>
      <th><bold>Nº de disciplinas</bold></th>
      <th><p><bold>Carga Horária Total</bold></p>
      <p><bold>dos cursos</bold></p></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td><bold>Perito Criminal</bold></td>
      <td>2</td>
      <td>Módulo Básico (80 h/a) e Módulo específico (240 h/a)</td>
      <td>26</td>
      <td>80 + 240 = 320 h/a</td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Médico Legista</bold></td>
      <td>2</td>
      <td>Módulo Básico (80 h/a) e Módulo específico (240 h/a)</td>
      <td>22</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Técnico em Perícias</bold></td>
      <td>2</td>
      <td>Módulo Básico (80 h/a) e Módulo específico (240 h/a)</td>
      <td>17</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Papiloscopista</bold></td>
      <td>2</td>
      <td>Módulo Básico (80 h/a) e Módulo específico (240 h/a)</td>
      <td>Grade em construção</td>
      <td></td>
    </tr>
    <tr>
      <td><bold>Fotógrafo Criminalístico</bold></td>
      <td>É cargo em extinção no IGP, não haverá mais concurso, nem
      curso</td>
      <td></td>
      <td></td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p><bold>Fonte: Núcleo de Ensino do Instituto-Geral de Perícias
(NE/IGP/RS).</bold></p>
<p>O perito diretor da Escola de Perícias informou que a ementa do curso
de papiloscopista ainda está em construção, visto não ter havido nenhum
concurso para o cargo após a criação da escola do IGP, mas que deverá
ter similaridade com os demais cursos. Também destacou que o cargo de
fotógrafo criminalístico entrou em extinção, não haverá novos concursos
e deixará de existir na medida em que os profissionais que ainda atuam
neste cargo vão se aposentando. Explicou que haverá uma revogação
legislativa pois, atualmente, ao se apresentarem para frequentar o
curso, os servidores já são considerados efetivados do IGP (assim como
ocorre na BM e no CBM) e que o curso deverá voltar a ser a última etapa
do concurso, como acontece na Polícia Civil e no Susepe, pois perceberam
redução de produtividade e de interesse dos alunos durante o curso com
esta medida (PERITO DIRETOR DA ESCOLA DO IGP).</p>
<p>Percebe-se que, mesmo sendo uma escola recentemente criada, há uma
preocupação do IGP/RS em atualizar todos os seus cursos e que, mesmo os
profissionais ingressando nos seus quadros para exercerem as funções na
sua formação acadêmica, como no caso dos médicos legistas e peritos, por
exemplo, há um módulo básico igual para todos os cursos visando uma
uniformidade no processo formativo de seus integrantes. A realização
deste módulo básico lembra a experiência positiva realizada pela SSP/RS,
no início dos anos 2000, de formação com módulo unificado em todas as
escolas dos órgãos de segurança pública, descrita anteriormente.</p>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>O presente estudo tratou da formação dos profissionais de segurança
pública no estado do Rio Grande do Sul, fazendo uma análise das suas
escolas e academias de polícia e das malhas curriculares dos seus cursos
de formação profissional.</p>
<p>A preocupação com uma formação adequada dos profissionais de
Segurança Pública no Brasil tem se refletido em iniciativas e
proposições que foram sendo realizadas ao longo dos anos, tais como: 1)
a pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em
parceria com o MJ/Senasp (2013), intitulada <italic>Mapeamento dos
modelos de ensino policial e de segurança pública no Brasil</italic>; 2)
as diversas versões da <italic>Matriz Curricular Nacional</italic> da
Senasp para padronizar ações formativas dos profissionais brasileiros da
área de segurança pública, sendo que a versão em vigor é de 2014; 3) a
<italic>Agenda de Segurança Cidadã: por um novo paradigma</italic>, em
estudo encomendado pela Câmara dos Deputados (2018), que dedicou um
capítulo exclusivo ao ensino policial; e, mais recentemente, 4) o
<italic>Diagnóstico das Escolas Estaduais de Serviços Penais</italic>,
realizado pelo Depen, no ano de 2020, buscando uniformizar procedimentos
formativos também aos policiais penais (BRASIL, 2013; 2014, 2018a;
2020).</p>
<p>Neste mesmo sentido, de efetivar avanços no ensino policial, o Plano
Anual de Ensino e Pesquisa (PAEP), da Secretaria de Gestão e Ensino em
Segurança Pública (Segen) da Senasp, previu a regulamentação do Programa
Matriz Curricular Nacional (PMCN) e sua atualização constante como uma
das diretrizes para as políticas de melhoria da qualidade na educação em
segurança pública (BRASIL, 2021, p. 53).</p>
<p>Além dos documentos produzidos pelos órgãos oficiais acima citados
acerca do tema da formação dos profissionais de segurança pública, há
também pesquisadores que têm acompanhado o tema e que destacam esses
avanços e desafios, como Poncioni (2013, p. 13), ao referir que “a MCN
alçou o ensino policial e sua formação profissional à agenda
governamental, com o <italic>status</italic> de uma política pública”.
Posições também referendadas por Mota Brasil (2016), Luiz (2003; 2008) e
Tavares dos Santos (2006; 2009; 2014; 2019) ao referirem e pesquisarem
as diversas transformações pelas quais estão passando estas instituições
de formação policial após a redemocratização do país, e como estas
mudanças necessitam ser acompanhadas e constantemente reavaliadas.</p>
<p>As escolas de formação pesquisadas e que integram o sistema estadual
de segurança pública do RS apontaram algumas características de
similaridade em seus processos formativos, como a aderência de todas as
instituições às recomendações nas áreas temáticas e nos eixos
articuladores da Matriz Curricular Nacional, com a inserção de
disciplinas de cunho mais humanístico e uma preocupação constante com a
defesa do rol de direitos e garantias dos cidadãos inseridos no art. 5º
da Constituição Federal, além de uma preocupação em manter as malhas
curriculares dos seus cursos atualizadas.</p>
<p>A preocupação apontada na pesquisa sobre a necessidade de constante
atualização da malha curricular dos cursos de formação policial no RS
refletiu-se, também, quando da edição da Lei Nº 13.675, de 11 de junho
de 2018, que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e
previu a necessidade de capacitação continuada e qualificada dos
profissionais de segurança pública, em consonância com a MCN, estando
tal anseio também presente no Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP)
2018-2028, que previu a padronização da Matriz de formação policial e
determinou a formação continuada destes agentes, inserindo disciplinas
obrigatórias, tais como: atendimento a grupos vulneráveis, violência de
gênero, direitos humanos, dentre outras, preparando os agentes para um
atendimento adequado aos ditames constitucionais (BRASIL, 2018b; BRASIL,
MSP, PNSP 2018-2018).</p>
<p>Dentre os pontos de diferenciação nas escolas pesquisadas pode-se
apontar que a BM/RS é a única que possui diversos centros de formação
espalhados pela capital e também pelo interior do estado, enquanto que a
formação dos integrantes do Corpo de Bombeiros está toda centralizada na
ABM, na capital, enquanto que o processo formativo das demais
instituições: PC, Susepe, IGP têm suas escolas de formação centralizadas
na Academia Integrada de Segurança Pública.</p>
<p>As falas dos gestores de ensino também apontaram a preocupação em
levar para o campo da formação os avanços inseridos na Constituição, as
medidas de curto, médio e longo prazo previstas nos Planos Nacionais de
Direitos Humanos, as recomendações da Matriz Curricular Nacional e a
busca por uma formação mais cidadã e participativa aos profissionais de
segurança pública.</p>
<p>Desta forma conclui-se que, embora enfrentem desafios como as
dificuldades de aporte financeiro, a diminuição de seus efetivos e a
distância entre o conteúdo curricular apresentado nas academias e
escolas de formação e a prática profissional, houve avanços no processo
formativo dos profissionais da segurança pública do estado do Rio Grande
do Sul após a redemocratização, com a crescente adaptação das malhas
curriculares às exigências constitucionais e democráticas para a
prestação de serviços de segurança pública.</p>
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tarefa inconclusa</bold>. 2006. Disponível em:
http://www.dhnet.org.br/educar/1congresso/034_congresso
_jose_vicente_tavares.pdf. Acesso em: 28 out. 2020.</p>
<p>TAVARES DOS SANTOS, J. V. A arma e a flor: formação da organização
policial, consenso e violência. <bold>Tempo Social</bold>, <bold>Revista
de Sociologia da USP</bold>, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 155-167,
1997.</p>
</body>
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<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <p>Brigada Militar (BM) é o nome pelo qual a Polícia Militar (PM) é
    conhecida neste estado da Federação.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <p>Como policial e docente na época dessa experiência participei
    tanto do módulo integrado como da sua sequência na Brigada Militar,
    nos Bombeiros Militares e na Polícia Civil e, não raras vezes,
    ouvia-se relatos de alguns alunos destas escolas de que haviam sido
    orientados a “esquecer” o que haviam aprendido naquele módulo
    inicial e que somente a partir de então aprenderiam o seu ofício
    policial. Já por parte de alguns professores e instrutores, ouvia-se
    o relato de que os alunos oriundos daquela experiência eram mais
    “indisciplinados” que os demais (AUTORA).</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <p>Conforme art. 14 da Lei Nº 10.990/97, o Estatuto dos servidores
    da BM/RS, a “carreira de nível médio” compreende as graduações de
    Soldado (Sd.), 2º Sargento (Sgt.), 1º Sgt. e o posto de 1º Tenente
    (Ten.). Já a “carreira de nível superior” possui os postos de
    Capitão (Cap.), Major (Maj.), Tenente Coronel (Ten. Cel.) e Coronel
    (Cel.). Neste mesmo pacote de mudanças institucionais, a Lei Nº
    10.992/97, que trata do plano de carreira dos militares estaduais,
    nos art. 16 e 23 extinguiu as graduações de cabo, subtenente e
    aspirante a oficial. A graduação de 3º Sgt., conforme art. 16, § 6º,
    ficou restrita à promoção por antiguidade dos soldados com mais de
    20 anos de serviço, entrando em extinção gradativa, revertendo os
    cargos, à medida em que vagarem, para a graduação de soldado (RIO
    GRANDE DO SUL,1997a; 1997b).</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <p>A criação da Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública
    (Renaesp) é muito importante para a evolução da educação policial no
    Brasil e foi instituída oficialmente em 2012, através da Portaria Nº
    1.148, de 12 de junho de 2012, sendo justificada pela necessidade de
    fomentar estudos e pesquisas voltadas à: modernização das
    instituições de segurança pública; necessidade de valorizar os
    profissionais de segurança pública, incentivando-os a participarem
    de cursos para aprimoramento profissional; necessidade de promover
    estudos, pesquisas e indicadores sobre violência, criminalidade e
    outros assuntos relacionados à segurança pública; e, por fim,
    necessidade de fortalecer a articulação com instituições de ensino
    superior na promoção da capacitação em segurança pública (PINTO
    <italic>et al</italic>., 2014, p. 227).</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <p>Os dois cursos de ingresso na carreira de Bombeiro Militar/RS
    possuem treinamento de “adaptação ao serviço de bombeiro militar”,
    sendo que no curso para soldados esta fase totaliza 95 h/a divididas
    nas seguintes disciplinas: Atendimento Pré-Hospitalar (APH);
    Técnicas de combate à incêndio; Fundamentos jurídicos do serviço de
    bombeiro militar; Preparação e adaptação para o trabalho em
    situações adversas; Adaptação ao meio líquido; Adaptação ao ambiente
    vertical; Orientação; Saúde física; Noções de atendimento e remoção
    de vítimas em ambientes de risco; Noções de salvamento terrestre.
    Para os alunos oficiais que ingressam no CSBM, a adaptação totaliza
    50 h/a divididas em cinco disciplinas: APH; Técnicas de combate à
    incêndio; Normas gerais do CBM/RS; Ordem unida; e Saúde física (RIO
    GRANDE DO SUL, SSP, CORPO DE BOMBEIRO MILITAR).</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <p>Acerca destes treinamentos de adaptação ao serviço de bombeiro
    militar, assim como também ocorre nos cursos de formação das
    polícias militares, há uma série de procedimentos chamados de
    “currículos ocultos” que se estendem (ou podem se estender) ao longo
    dos cursos e que não aparecem nos registros oficiais das escolas de
    formação. Embora não seja objeto específico desta pesquisa, estes
    fatos foram expressos como motivo de preocupação na elaboração da
    MCN (BRASIL, 2014, p. 17) ao refletir sobre novos tempos e novas
    exigências, referindo expressamente a “necessidade de reflexões e
    discussões sobre o [currículo oculto] presente nos rituais,
    práticas, relações hierárquicas, regras e procedimentos, nos modos
    de organizar o espaço e o tempo da escola, e que conformam saberes
    não desejados no cotidiano escolar”, apontando, neste sentido, o
    currículo oculto como aquele que envolve atitudes e valores
    transmitidos subliminarmente, através de rotinas do cotidiano
    escolar não explicitadas nos planos e nas propostas e que, embora
    pouco percebidas, externamente têm grande impacto individual e na
    formação dos alunos (MOREIRA, 2006). Luiz (2003, p. 43; 80) também
    refletiu sobre o tema ao escrever dissertação abordando o currículo
    de formação de soldados da PM frente às demandas democráticas.</p>
  </fn>
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