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<p><bold>A ATUAÇÃO DA PATRULHA ESCOLAR COMUNITÁRIA NO MUNICÍPIO DE PONTA
GROSSA À LUZ DA TEORIA BIOECOLÓGICA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO DE URIE
BRONFENBRENNER</bold><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></p>
<p><bold>Silmara Carneiro Silva</bold></p>
<p>Professora do Dep. de Serviço Social e do Programa de Pós-graduação
em Ciências Sociais Aplicadas na Universidade Estadual de Ponta Grossa.
Doutora em Serviço Social e Política Social pela Universidade Estadual
de Londrina. Professora Afiliada na Texas Tech University. Líder do
Grupo de Pesquisa Estado, Políticas Públicas e Práticas Sociais.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Ponta Grossa</p>
<p><bold>Email:</bold> verdesilmara@yahoo.com.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-3904-4329</p>
<p><bold>Diana Galone Somer</bold></p>
<p>Doutoranda em Ciências Sociais Aplicadas pela Universidade Estadual
de Ponta Grossa desde 2021. Mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela
Universidade Estadual de Ponta Grossa (2017). Graduada em Serviço Social
pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (2014).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Ponta Grossa</p>
<p><bold>Email:</bold> aloisisomer@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-0528-8491</p>
<p><bold>Paulo Cesar Marcondes</bold></p>
<p>Doutorando em Desenvolvimento Comunitário na Universidade Estadual do
Centro-Oeste do Paraná (UNICENTRO), Mestre em Desenvolvimento
Comunitário na UNICENTRO, Graduado em Direito na Universidade Estadual
de Ponta Grossa (UEPG), Oficial da Polícia Militar do Paraná (PMPR),
atualmente no posto de Capitão.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Ponta Grossa</p>
<p><bold>Email:</bold> pvmarcondes73@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-2371-9443</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Todos realizaram contribuições nas fases teórica e empírica da
pesquisa.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Pautada no policiamento comunitário, a Patrulha Escolar Comunitária
(PEC) é um programa desenvolvido no estado do Paraná que atua de forma
integrada ao ambiente escolar e em articulação com as comunidades em
diversos municípios do estado, entre eles o município de Ponta Grossa.
Considerando as características desse programa, este artigo tem por
objetivo analisar a sua atuação no município de Ponta Grossa, à luz da
Teoria Bioecológica. Para tanto, realizou-se uma revisão de literatura
sobre a referida teoria e uma breve caracterização da PEC e, na
sequência, analisou-se dados documentais da PEC de Ponta Grossa PEC-PG
de 2018 e 2019. Os resultados indicam um conjunto de ações educativas
desenvolvidas em articulação com as escolas e de forma interativa com a
comunidade local, o que confirma a atuação policial a nível do
mesossistema dos alunos e abre espaço para intervenções que considerem
as demandas de desenvolvimento humano dos alunos, superando o padrão
tradicional de atuação policial.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Patrulha Escolar Comunitária. Teoria
Bioecológica. Desenvolvimento humano.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>COMMUNITY SCHOOL PATROL PERFORMANCE IN THE MUNICIPALITY
OF PONTA GROSSA IN THE LIGHT OF THE BIOECOLOGICAL THEORY OF HUMAN
DEVELOPMENT OF URIE BRONFENBRENNER</bold></italic></p>
<p><italic>Based on community policing, the Community School Patrol
(PEC) is a program developed in the State of Paraná that operates in an
integrated manner with the school environment and in conjunction with
communities in several municipalities in the state, including the
municipality of Ponta Grossa. Considering the characteristics of this
program, this article aims to analyze its performance in the
municipality of Ponta Grossa, in the light of the Bioecological Theory.
To this end, a literature review was carried out on the said theory and
a brief characterization of the PEC and, in the sequence, documentary
data from Ponta Grossa PEC-PG from 2018 and 2019 were analyzed. The
results indicate a set of educational actions developed in articulation
with schools and interactively with the local community, which confirms
the police action at the level of the students 'mesosystem and opens a
space for interventions that consider the students' human development
demands, surpassing the traditional standard of police
action.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords:</bold> Community School Patrol. Bioecological
Theory. Human development.</italic></p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 23/05/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 30/11/2021</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1535</p>
<p><bold>Introdução</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano de Urie
  Bronfenbrenner apresenta elementos que lançam luzes sobre diferentes
  contextos, a considerar seus elementos sistêmicos e enfoque histórico.
  Estes elementos tornam a teoria potente para a análise de políticas
  públicas, programas e projetos que têm interface com demandas do
  desenvolvimento humano.</p>
  <p>No estado do Paraná, o Programa Patrulha Escolar Comunitária é um
  programa desenvolvido em âmbito estadual que visa intervir no fenômeno
  da violência e do uso de drogas. Além do caráter tradicional ostensivo
  dos serviços de segurança pública, o referido programa empreende ações
  de caráter educativo-preventivo em diferentes municípios do estado.
  Considerando tais características, o presente artigo tem por objetivo
  analisar sua atuação no município de Ponta Grossa/PR, à luz da Teoria
  Bioecológica do Desenvolvimento Humano.</p>
</disp-quote>
<p>Trata-se de uma pesquisa de natureza exploratória descritiva. Foi
realizada uma revisão de literatura pautada em textos referentes à
teoria que fundamentou a pesquisa, apresentando seus principais
elementos, e uma análise documental dos relatórios institucionais do
Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária referente os anos de 2018 e
2019, nos quais constam os registros das ações desenvolvidas pelo
respectivo batalhão no município de Ponta Grossa. Os dados foram
analisados à luz dos elementos da Teoria Bioecológica. Os resultados da
pesquisa lançam luzes acerca do trabalho desenvolvido pelo respectivo
programa da Polícia Militar do Estado do Paraná, indicando elementos que
destacam a relevância do policiamento comunitário para o atendimento das
demandas de desenvolvimento humano imersas nos ambientes escolares e
comunitários.</p>
<p><bold>A Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano</bold></p>
<p>O desenvolvimento humano para Urie Bronfenbrenner é entendido como um
fenômeno que não possui interrupção, no qual ocorre um conjunto de
transformações que acometem as características biopsicológicas de
indivíduos e grupos. “Esse fenômeno se estende ao longo do ciclo de vida
humano por meio das sucessivas gerações e ao longo do tempo histórico,
tanto passado, quanto presente”. (BRONFENBRENNER, 2011, p. 43).</p>
<p>De acordo com Sifuentes, Dessen e Oliveira (2007), tais
transformações levam a uma reorganização contínua, mediante mudanças que
se dão em diferentes níveis e incluem ações, percepções, atividades e
interações da pessoa com seus mundos. De tal modo, o grau de interação
com as pessoas, a participação e o engajamento em diferentes contextos
estimulam ou inibem o desenvolvimento. Ele está “intrinsecamente ligado
às estabilidades e mudanças que ocorrem com o indivíduo, de acordo com
suas características biopsicossociais, ao longo do curso de vida e ao
longo das gerações” (SIFUENTES; DESSEN; OLIVEIRA, 2007, p. 384). Nesse
sentido, para que haja uma compreensão do processo é necessário analisar
as influências ambientais do indivíduo e como ele se constitui em termos
identitários, mediante interações recíprocas com o meio. Para tanto, são
fundamentais a construção e as trocas simbólicas que vão se constituindo
como referenciais em torno do indivíduo e para o que ele virá a ser, sua
inserção e o que continuará implicando e sendo implicado em seu processo
de desenvolvimento. Benetti <italic>et al.</italic> (2013, p. 92)
afirmam que essas “formas particulares de interação entre organismo e
contexto são primordiais e entendidas como processos proximais, e tem
que ocorrer regularmente em longos períodos de tempo”.</p>
<p>É valido elucidar que a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano
de Urie Bronfenbrenner explica o desenvolvimento por meio de um sistema
inter-relacional. Esse sistema é distribuído em níveis e aspectos
multidirecionais, nos quais o indivíduo não é apenas passivo, mas é um
agente atuante/ativo na relação mútua das influências exercidas pelo
ambiente. Bronfenbrenner reformulou e revisitou a sua teoria no decorrer
de sua carreira. Segundo Prati <italic>et al.</italic> (2008), em 1979
surgiu o primeiro modelo que destacou o contexto de inserção e sua
percepção como essencial para entender o desenvolvimento do
indivíduo.</p>
<p> Em 1992, Bronfenbrenner, apreciando os aspectos do desenvolvimento
vinculados à pessoa, realizou alguns detalhamentos no primeiro modelo,
nomeando-o de “Teoria dos Sistemas Ecológicos”. Prati <italic>et
al.</italic> (2008) afirmam que a teoria progrediu para um esquema mais
amplo, de forma a considerar quatro aspectos inter-relacionados: o
processo, a pessoa, o contexto e o tempo (modelo PPCT). Assim, o “Modelo
Bioecológico de Desenvolvimento Humano” passou a ser denominado “Teoria
Bioecológica do Desenvolvimento Humano”.</p>
<p>Benetti <italic>et al</italic>. (2013), ao analisarem a Psicologia do
desenvolvimento humano na qualidade de processo, afirmam que a referida
ciência</p>
<disp-quote>
  <p>está atenta às condições que capacitam a pessoa a adaptar-se ao seu
  <italic>habitat</italic> de maneira mais efetiva, observando o
  crescimento entre o organismo e os contextos em mudança, nos quais ele
  vive, cresce e desenvolve-se, como sujeito ativo e participativo do
  seu próprio desenvolvimento. (BENETTI et al., 2013, p. 90).</p>
</disp-quote>
<p>Tais condições colaboram para a construção de um conjunto de
significados, expressões comportamentais, valores e crenças que se
tornam determinantes na medida em que o indivíduo progride nos estágios
de maturação. Bronfenbrenner (2011) explica que o ser bioecológico está
em uma relação dialética com o psicológico e o social, e afirma que o
ambiente (fenômenos físicos, cultura, organismos, sociedade, etc.)
influencia e é influenciado pelo indivíduo.</p>
<disp-quote>
  <p>Para a concepção materialista-histórica-dialética, os homens
  estabelecem relações com a natureza e com os outros homens, a partir
  das quais constroem ideias com base em sua práxis humana e social.
  Assim, a “consciência jamais pode ser outra coisa que o ser
  consciente, e o ser dos homens é o seu processo de vida real” (MARX;
  ENGELS, 2007, p. 36-37). Para Masson (2007), existe uma materialidade
  que é a realidade exterior, que independe da nossa assimilação e é
  autônoma para sua existência, em um dado momento e movimento do tempo
  e no espaço. Os fenômenos que se contextualizam neste processo são
  entendidos quando examinados em sua conexão com outros fenômenos.
  Dados tais pressupostos, pode-se dizer que a Teoria Bioecológica
  dialoga com a referida perspectiva. Para esta, as engrenagens do
  desenvolvimento “são conjuntamente influenciadas, de tal maneira, pelo
  contexto e os indivíduos, inclusive o pesquisador dentro do contexto
  participa constantemente (BRONFENBRENNER, 2001/2005, p. 6). Tudge
  (2007, p. 7) afirma que: “dada a natureza dialética da relação entre
  os processos proximais, as características individuais, o contexto e o
  tempo no modelo PPCT, a teoria, evidentemente, ajusta-se muito melhor
  ao paradigma contextualista que ao mecanicismo”.</p>
</disp-quote>
<p>A Teoria Bioecológica é multissistêmica e engloba uma visão ampla da
realidade, apresentando “elementos para a análise do desenvolvimento
humano considerando as múltiplas relações que o sujeito estabelece com o
meio” (SILVA; TREJOS-CASTILLO, 2019, p. 370), o que se verifica na
interrelação entre os núcleos do modelo PPCT.</p>
<p>O <bold>Processo</bold> é o primeiro dos quatro núcleos e exerce um
papel fundante no modelo PPCT, por ser o elemento de interação entre os
outros três componentes (SWATOWISKI, 2011). Para Bronfenbrenner e Morris
(2006), o processo tem a ver com as interações recíprocas,
progressivamente mais complexas, entre o sujeito e as pessoas, símbolos
e objetos que fazem parte de seu ambiente imediato. Essas formas de
interação são particulares e primordiais e referidas como processos
proximais. Estes, para Bronfenbrenner (2001/2005), são considerados os
motores que marcam a vida do indivíduo em desenvolvimento, com
características próprias do contexto, que podem ser tanto de natureza
temporal quanto espacial. Tais processos possuem uma função primordial
no desenvolvimento humano, pois variam substancialmente a partir das
características da pessoa, dos contextos imediatos ou remotos e dos
períodos nos quais sucedem (BRONFENBRENNER; MORRIS, 1998). De acordo com
Bronfenbrenner (2005), as atividades como brincar individualmente ou em
grupo ou com uma criança pequena, novas habilidades, ler, entre outras,
seriam como engrenagens do desenvolvimento. No decorrer das tarefas
mencionadas ocorrem o engajamento e as interações, mediante estas o
indivíduo vai imprimindo sentido ao seu mundo e considerando-se capaz de
transformá-lo. Tendo como exemplo o convívio prolongado de crianças
pequenas com pessoas mais velhas, parentes, irmãos e pares, professores,
Bronfenbrenner (2001/2005) afirma que tais pessoas desempenham
relevantes funções nos processos proximais que submergem na interação
direta (face a face).</p>
<p>Os processos proximais precisam ser observados, sistematizados,
identificados e relacionados aos atributos próprios de cada pessoa, pois
são eles que levam a cabo o desenvolvimento do indivíduo. Esses variam
em forma, vigor, conteúdo e direção, a depender das características da
pessoa, do ambiente, da natureza dos aspectos do desenvolvimento
estudados e das continuidades e mudanças sociais que ocorrem ao longo da
vida do sujeito e do período histórico do mesmo (BRONFENBRENNER, 1996).
O ambiente físico e o meio social capacitam a pessoa a ampliar seus
relacionamentos para além do ambiente imediato e podem levar a dois
principais resultados que irão influenciar no seu desenvolvimento: a
competência e a disfunção.</p>
<p>A <italic>competência</italic>, para Bronfenbrenner e Morris (2006),
advém quando a pessoa adquire e desenvolve conhecimentos e habilidades
que permitem dominar e conduzir o próprio comportamento, em um nível
avançado de desenvolvimento, e a <italic>disfunção</italic> é a
dificuldade que a pessoa possui em conservar e integrar o comportamento
nas diferentes situações. Esses efeitos emergem de acordo com a duração,
a frequência, a estabilidade, a intensidade ou as interrupções da
interação no decorrer do desenvolvimento.</p>
<p>O outro elemento do modelo PPCT é a <bold>Pessoa</bold>.
Bronfenbrenner reconhece a importância das particularidades biológicas e
genéticas no desenvolvimento (BRONFENBRENNER; CECI, 1994). Entretanto,
na década de 1990, enfatizou as características pessoais que os
indivíduos carregam com eles para alguma situação social, sendo
compreendidos como seres biopsicológicos, cuja existência é edificada
pela interação com o ambiente e sua efetividade deriva da sua capacidade
para influenciar o surgimento e o andamento dos processos proximais
futuros (BRONFENBRENNER; MORRIS, 1998).</p>
<p>Os atributos da pessoa (físicos, cognitivos, motivacionais e
socioemocionais) ficam mais precisos que no modelo de 1983, sendo
entendidos, ao mesmo tempo, como produtores e como produtos do
desenvolvimento humano. Esses atributos foram divididos em três núcleos
básicos: Demanda, Recursos e Disposição/Força. A
<italic>Demanda</italic> é o primeiro, caracterizado por um “estímulo
pessoal” que age imediatamente para outra pessoa, como: gênero, idade,
aparência física, cor da pele, etc. As interações iniciais podem ser
influenciadas por essas características que se formam instantaneamente
(BRONFENBRENNER; MORRIS, 2006). O segundo núcleo é formado pelos
<italic>Recursos</italic>. Estes não são percebidos de imediato, ainda
que sejam inferidos em graus diversos. Estão ligados parcialmente aos
recursos emocionais e cognitivos. São habilidades, experiências passadas
e nível de inteligência, e ainda recursos materiais e sociais, tais
como: moradia, acesso à boa comida, cuidado parental, oportunidades
educacionais, etc., sendo indispensáveis para o funcionamento concreto
dos processos proximais.</p>
<p>Por fim, a <italic>Disposição/Força</italic>, que pode colocar os
processos proximais em movimento. Este núcleo está relacionado às
diferenças de temperamento, persistência, motivação, etc. e envolve a
capacidade de participação em atividades complexas. Bronfenbrenner e
Morris (2006) afirmam que quando duas crianças possuem os mesmos
recursos, dependendo da motivação recebida, seguem trajetórias bem
diferentes.</p>
<p>O Contexto é definido por qualquer acontecimento ou condição fora do
organismo que pode influenciar ou ser influenciado. Bronfenbrenner
(1996) explica que é necessário um ambiente favorável para ocorrência de
processos proximais, inter-relações pessoais e outras circunstâncias de
interação recíproca. O ambiente, neste sentido, é formado por um
conjunto de sistemas que se relacionam. Estes são definidos de acordo
com a proximidade de contato que têm com o indivíduo em desenvolvimento.
Suas disposições (um jogo de bonecas russas encaixadas uma dentro da
outra) auxiliam na análise e descrição do contexto de vida, se
interferem mutuamente entre si e afetam conjuntamente no desenvolvimento
da pessoa (BRONFENBRENNER, 1993).</p>
<p>O ambiente ecológico de desenvolvimento humano deve ser “concebido
topologicamente como uma organização de estruturas concêntricas, cada
uma contida na seguinte” (BRONFENBRENNER, 1996, p. 18). Tais estruturas
concêntricas são denominadas subsistemas. São elas: o Microssistema, o
Mesossistema, o Exossistema e o Macrossistema.</p>
<p>O <italic>microssistema</italic> é uma estrutura do contexto primário
de desenvolvimento no qual o indivíduo observa e se engaja em atividades
conjuntas que se tornam complexas. Nesse período, é preciso manter uma
relação afetiva positiva para o auxílio direto da pessoa, que ainda não
tem os conhecimentos e as habilidades de que precisa (BRONFENBRENNER,
1992).</p>
<p>Para Bronfenbrenner (1996, p. 18), o microssistema é caracterizado
como “um padrão de atividades, papéis e relações interpessoais
experienciados pela pessoa em desenvolvimento num dado ambiente com
características físicas e materiais específicas”. Essa estrutura é
considerada o centro gravitacional do ser biopsicossocial. São ambientes
tais como: a casa, a creche ou a escola e o local de trabalho, em que a
pessoa é envolvida em interações e atividades cotidianas face a face.
Segundo Lerner (2005/2011), outra extensão do ponto de vista de
Bronfenbrenner foi a inclusão da linguagem e dos símbolos, ou seja, do
sistema semiótico, presente nas interações da pessoa em seu
microssistema.</p>
<p>O <italic>mesossistema</italic>, para Bronfenbrenner (1992, p. 227):
“compreende as ligações e processos que têm lugar entre dois ou mais
ambientes contendo a pessoa em desenvolvimento (por exemplo, as relações
entre a casa e a escola, a escola e o local de trabalho etc.)”. Trata-se
de um sistema de microssistemas, no qual a pessoa participa ativamente;
essa relação pode ser promotora ou inibidora do seu desenvolvimento.
Nesse seguimento, um indivíduo com comportamento satisfatório em um
microssistema (em casa) pode não o ser em outro (escola).</p>
<p>O <italic>exossistema,</italic> como o mesossistema, envolve as
ligações entre dois ou mais ambientes. Bronfenbrenner (1992, p. 227)
elucida que: “pelo menos um deles não contém a pessoa em
desenvolvimento, mas nos quais acontecem eventos que podem influenciar
processos dentro do ambiente imediato que contém a pessoa”. O autor
afirma que, para a criança, o exossistema pode ser a relação entre a
casa e o local de trabalho dos pais, a escola do irmão, ou a relação
entre a escola e o grupo de vizinhos.</p>
<p>O <italic>macrossistema</italic> é uma estrutura mais complexa. De
acordo com Bronfenbrenner (1992, p. 228), incide de todo “um padrão
externo de microssistemas, mesossistemas e exossistemas característicos
de uma determinada cultura, subcultura ou outro contexto social
maior”.</p>
<p>O último elemento do modelo PPCT é o Tempo. E é neste que se situa o
<italic>cronossistema,</italic> cunhado por Bronfenbrenner (1986, p.
724) para diferenciar suas investigações daqueles estudos longitudinais
mais tradicionais, pois seu objetivo era investigar a influência das
mudanças (e continuidades) ocorridas ao longo do tempo, no ambiente no
qual a pessoa está vivendo para o processo de desenvolvimento do
indivíduo. A decorrência do “tempo” é analisada em três níveis do modelo
bioecológico: microtempo, mesotempo e macrotempo (BRONFENBRENNER;
MORRIS, 1998).</p>
<p>O <italic>microtempo</italic> alude à continuidade e à
descontinuidade lembradas dentro dos episódios de processo proximal; ou
seja, refere-se ao tempo (durante) da realização de determinada
atividade. O <italic>mesotempo</italic> refere-se à periodicidade dos
episódios de processo proximal, em intervalos maiores de tempo (dias e
semanas). Observam-se efeitos cumulativos do processo que beneficiam o
desenvolvimento. O <italic>macrotempo</italic> indica os acontecimentos
constantes e mutantes dentro da sociedade e através de gerações e a
maneira como estes acontecimentos afetam e são afetados pelos processos
e resultados do desenvolvimento humano ao longo da vida (BRONFENBRENNER;
MORRIS, 1998).</p>
<p>Destarte, não só o tempo cronológico influencia as mudanças no
comportamento humano, pois no decorrer desse “tempo” vê-se a influência
de políticas, de culturas, da própria maturidade das pessoas, por
exemplo, das crianças, e ainda o tempo que demanda para a
conscientização e sensibilização dos familiares. Conforme Benetti
<italic>et al.</italic> (2013), o desenvolvimento acontece por meio da
interação entre a pessoa e os cinco ambientes, denominados subsistemas:
micro, meso, exo, macro e cronossistema. Estes “interconectados se
influenciam, promovendo interação e desenvolvimento em uma construção
que alberga desde o grupo mais próximo até a realidade mais distante que
atinge e impregna a vida social” (BENETTI <italic>et al.</italic>, 2013,
p. 95).</p>
<p>Bronfenbrenner (1996) acreditava ser possível tornar mais humano o
ser humano. Por isso, sua obra é marcada por uma preocupação ética,
apresentando como princípio que a construção do conhecimento científico
deveria agregar tanto o valor à ciência do desenvolvimento como à
sociedade. De tal modo que os políticos e cientistas precisariam ter
cautela especial com as futuras gerações, por causa da organização
desordenada em que se encontram as sociedades, com o aumento da pobreza,
da delinquência juvenil, entre outros acontecimentos determinantes da
disfunção do desenvolvimento (BRONFENBRENNER, 1996).</p>
<p><bold>As ações da Patrulha Escolar Comunitária do município de Ponta
Grossa, à luz da Teoria Bioecológica</bold></p>
<p>Para analisar as ações da Patrulha Escolar Comunitária no município
de Ponta Grossa, à luz da Teoria Bioecológica, faz-se necessário
conhecer o histórico do Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC).
Destaca-se que a escolha da referida teoria se deu em função do alcance
de seus elementos, sobretudo os contextuais, em vista de uma potencial
colaboração que a mesma possui de auxiliar a própria polícia e os demais
órgãos gestores da política de segurança pública na compreensão do
alcance do trabalho realizado, em vista de seu aprimoramento na relação
com a comunidade. Diz-se aprimoramento, porque se entende, à luz de
Muniz <italic>et al.</italic> (1997, p. 197), que o policiamento
comunitário está sujeito a um conjunto de obstáculos, que segundo os
autores, versa sobre: “1) o acesso às ‘comunidades’ do bairro; 2) a
busca de colaboração de outras agências públicas e; 3) o ambiente
institucional da Polícia Militar”. Compreende-se que todo trabalho
desenvolvido se constrói na relação com o real concreto, e a partir dele
vai se desenvolvendo em meio a alternativas reais, e se põe diante do
mesmo e das referências conscientes que se formam com base na
experiência vivida. Neste artigo, pretende-se apresentar algumas nuances
do trabalho realizado pela Patrulha Escolar Comunitária considerando a
realidade do município de Ponta Grossa. Contextos diferentes interferem
na configuração e na eficácia do trabalho, este é um ponto também de
alerta construído por Muniz <italic>et al.</italic> (1997), que infere
ser necessário que o policiamento comunitário seja acompanhado de uma
política de segurança pública voltada para a comunidade, com diretrizes
e processos que amparem de modo global tais iniciativas, caso contrário
muito difícil se torna o alcance de resultados mais importantes diante
do problema da violência.</p>
<p>O Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) é uma iniciativa da
Polícia Militar do Estado do Paraná. Segundo a referida instituição, a
segurança escolar sempre foi uma vertente do seu trabalho. Inicialmente,
o trabalho estava relacionado ao atendimento de ocorrências nas entradas
e saídas das aulas, se restringia ao perímetro externo das instituições
escolares. No entanto, esse cenário mudou e sua atuação se ampliou,
imprimindo uma característica inter-relacional entre o ambiente escolar
e o comunitário. Para a criação da Patrulha, se considerou que, a partir
dos anos 1990, a violência urbana havia crescido ultrapassando os muros
da escola, o que ensejou da instituição “uma postura diferenciada em
relação à complexidade dos problemas e adoção de soluções variáveis de
caráter especializado” (BPEC, 2020a, p. 1). A violência é um fenômeno
multidimensional enfrentado cotidianamente pela Polícia, que perpassa
pelos diferentes subsistemas que compõem a Teoria Bioecológica e, no
caso da referida Patrulha, se mostra na relação com os ambientes
escolares, os quais formam o contexto imediato de sua atuação.</p>
<p>Conforme registros do histórico da Polícia Militar do Estado do
Paraná, a origem da Patrulha Escolar se deu especificamente em 1994,
através do Projeto Gralha Azul. Inicialmente, foi composta
exclusivamente por policiais militares femininas, distribuídas em
duplas, num total de quatro guarnições. Em 1997, foi criada a Patrulha
Escolar II. O Programa Paraná Novos Caminhos com Mais Segurança nas
Escolas expandiu o policiamento escolar para os principais municípios do
interior do estado e para alguns municípios da região metropolitana de
Curitiba. De acordo com os dados da Polícia Militar do Paraná
(2020):</p>
<disp-quote>
  <p>Colombo, Pinhais, Piraquara, Almirante Tamandaré e Quatro Barras,
  todos na Região Metropolitana de Curitiba, mantendo sua forma de
  atuação com policiais-militares femininas e com patrulhamento nas
  escolas, realizado com 12 (doze) equipes distribuídas na Capital e uma
  (01) equipe em cada município citado. Nesse momento, o projeto havia
  já avançado, uma vez que previa a interação com as autoridades locais.
  (Polícia Militar do Paraná (2020, s/p).</p>
</disp-quote>
<p>Nesse período não havia trabalho da polícia nas dependências das
escolas, apenas no perímetro externo ao redor das mesmas. Em meados do
ano 2000, devido à desmobilização do policiamento escolar e consequente
proliferação de pequenos delitos, sobretudo na capital do estado e na
sua Região Metropolitana, foi criada a Patrulha Escolar III. Em 2003,
por iniciativa da advogada Margarete Maria Lemes e do Cap. Anselmo José
de Oliveira, foi apresentado ao Comando-Geral da Polícia Militar do
Paraná o Projeto Por uma Escola Mais Segura. Sua implantação seria na
capital do estado e nos municípios da RMC e previa:</p>
<disp-quote>
  <p>estabelecer uma parceria ativa entre a Polícia Militar, SEED, por
  intermédio do Núcleo Regional de Ensino correspondente e Comunidade
  Escolar (alunos, pais, professores, diretores, funcionários,
  administração e colaboradores), além de contar com a participação de
  instituições e autoridades locais dos poderes executivo, legislativo e
  judiciário. Recepcionado pela Corporação, o projeto foi editado
  através da DIRETRIZ N.º 004/2003 - PM/3 – PATRULHA ESCOLAR, fazendo
  com que o Projeto “Patrulha Escolar III” ganhasse força institucional.
  (BPEC, 2020a, p. 3).</p>
  <p>Na esteira da referida proposição, em fevereiro de 2004, foi
  lançada oficialmente a “Patrulha Escolar Comunitária”, com
  <italic>status e estrutura</italic> de Programa de Governo e de Estado
  e com a devida projeção institucional e o aprimoramento para que fosse
  operacionalizado em consonância com a filosofia e a estratégia de
  Polícia Comunitária (BPECb, 2020).</p>
</disp-quote>
<p>O policiamento comunitário é regido por quatro inovações consideradas
fundamentais:</p>
<disp-quote>
  <p>- organização da prevenção do crime tendo como base a
  comunidade;</p>
  <p>- reorientação das atividades de policiamento para enfatizar os
  serviços não emergenciais e para organizar e mobilizar a comunidade
  para participar da prevenção do crime;</p>
  <p>- descentralização do comando da polícia por áreas;</p>
  <p>- participação de pessoas civis, não-policiais, no planejamento,
  execução, monitoramento e/ou avaliação das atividades de policiamento.
  (BAYLEY; SKOLNICK, 2001; 2002 <italic>apud</italic> MESQUITA NETO,
  2004, p. 103-104).</p>
</disp-quote>
<p>Imbuída da filosofia do policiamento comunitário, no final de 2007, a
Coordenação Estadual encarregada pelo gerenciamento do Programa se
transformou em Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC), por meio
da Lei Nº 15.745, de 20 de dezembro de 2007. Esta conferiu à nova
unidade especializada missões de caráter eminentemente preventivo, com
vistas à segurança e à antecipação de fatos delituosos em sistema de
parceria ativa com a Comunidade Escolar.</p>
<p>Segundo o BPEC (2020a, p. 4), no dia
19<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> de março de 2008, foram
editados dois decretos que regulamentaram a nova unidade: “o primeiro
(Decreto Nº 2.348/08) efetivamente criando o BPEC e o segundo (Decreto
Nº 2.349/08) aprovando os Quadros de Organização da Polícia Militar do
Paraná, dentre os quais o dessa Unidade”.</p>
<p>A partir de então, o BPEC<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>
realiza o policiamento comunitário escolar nos principais “municípios do
Estado do Paraná, desenvolvendo dois programas principais: Programa
Patrulha Escolar Comunitária (PEC), e o Programa Educacional de
Resistência às Drogas e à Violência (PROERD)” (BPEC, 2020a, p. 4).
Necessário se faz ponderar sobre a importância de direção
político-institucional robusta que sustente a proposta no âmbito do
Estado, para que não ocorra o que aconteceu na experiência do Rio de
Janeiro, onde o programa de policiamento comunitário ficou na
dependência da sociedade civil e, não sendo incorporado na filosofia de
trabalho da polícia, enquanto instituição de Estado, foi desmantelado
(MUNIZ <italic>et al.</italic>, 1997).</p>
<p>O primeiro – Programa Patrulha Escolar Comunitária (PEC) – se
desenvolve em cada comunidade escolar com a realização de três módulos
específicos e a inclusão de atividades complementares. O primeiro módulo
(MOD 1) é o de <italic>Segurança na Escola</italic>, que tem por
finalidade: “realizar o levantamento sistêmico das condições de
segurança do espaço ocupado pela escola e seu entorno. Para que as ações
transformadoras sejam encontradas e executadas, há a necessidade de que
a realidade local seja diagnosticada” (BPECb, 2020, p. 4-5);
demonstrando que sua atuação leva em consideração as variáveis
contextuais, indicadas pelo modelo PPCT.</p>
<p>O segundo módulo (MOD 2) trata sobre a <italic>Educação Preventiva
sobre Segurança</italic>, para turmas de Ensino Fundamental e Médio.
Nesse módulo, são ministradas palestras por policiais militares do BPEC
e os temas são desenvolvidos de acordo com as necessidades de cada
escola e da sua comunidade. Essas palestras compõem o módulo chamado
“Bate-Papo Sobre” (BPEC, 2020b). Esta atividade demonstra engajamento da
Patrulha no microssistema escolar e envolvimento com o mesossistema dos
alunos que frequentam as escolas, o que favorece a ampliação dos padrões
interacionais necessários ao desenvolvimento humano. Por ter natureza
preventiva, a ação influencia diretamente no elemento tempo, o que
também é relevante para mudanças no desenvolvimento, a longo prazo. Tais
palestras consideram, como ponto de partida, as demandas do contexto da
relação escola-comunidade. Note-se que a referida ação se situa no
mesossistema (interação aluno-escola), pois aborda as questões de
segurança da comunidade no ambiente escolar e atinge o microssistema
aluno, uma vez que é desenvolvida para turmas de estudantes do Ensino
Fundamental e Médio. E ainda pode interferir a nível do exossistema do
aluno, na medida em que este poderá fazer uso de seus conhecimentos na
relação com outros microssistemas com os quais interage em seu contexto
de vida.</p>
<p>O terceiro módulo (MOD 3) – <italic>Ações Suplementares de Segurança
na Escola</italic> – é desenvolvido por meio de palestras em torno da
prevenção ao uso de drogas e da segurança nas escolas. Inscrito ainda no
mesossistema do aluno, a referida ação poderá ter impacto a nível de seu
microssistema e ou de seu exossistema, a considerar que nem todos os
alunos podem ter historicamente relações diretas com a questão do uso de
drogas, mas podem conviver indiretamente com a referida questão na sua
relação com a escola e/ou com a comunidade. (BPEC, 2020b).</p>
<p>O referido módulo atua com a “comunidade escolar (professores,
funcionários e familiares dos alunos), patrulhamento diferenciado,
aconselhamento aos alunos, mediação, conciliação e resolução de
conflitos, busca pessoal (preventiva e por fundada suspeita)” (BPEC,
2020b, p. 5). Além disso, são realizadas operações externas às escolas.
Pelo fato de as palestras serem direcionadas também aos familiares dos
alunos, a ação tem impacto no microssistema familiar e pode repercutir
nas relações família-aluno, aluno-escola.</p>
<p>A Patrulha também desenvolve ações de mediação e conciliação de
conflitos e/ou busca pessoal. Tais ações, quando empreendidas, passam a
fazer parte do mesossistema dos alunos, interferindo diretamente na
qualidade das interações aluno-aluno, aluno-comunidade e aluno-escola,
além de atuar diretamente a nível comunitário. A interação
BPEC-Comunidade se realiza no exossistema daqueles alunos que não se
tornam público direto das referidas intervenções, ao mesmo tempo que tem
impacto direto no microssistema do aluno quando ele é o foco da ação. O
que se quer destacar é que mesmo não sendo alvo direito das ações, elas
influenciam no contexto de vida dos alunos.</p>
<p>Estas ações têm também impactos no cronossistema, pois podem obter
potenciais resultados relacionados à prevenção geral, a considerar que
estão inseridas no mesossistema, do qual diferentes microssistemas
comunitários fazem parte. A atuação direta do BPEC na vida de cada um
dos alunos, enquanto pessoas em desenvolvimento, tem potencial de
promover alterações na forma como se relacionam com os diferentes
microssistemas nos quais estão inseridos. Destaca-se novamente aqui a
necessidade da manutenção um trabalho contínuo e de forma
horizontalizada na relação com a comunidade, pois a despeito de possuir
potencial de manter uma interação positiva com os alunos, há que se
ponderar para a qualidade dessas interações. Uma interação contínua, sem
mudança do paradigma tradicional de atuação da polícia, que tem
prevalência da repressão em detrimento de processos educativos
consensuais, pode não ser benéfica ao desenvolvimento humano dos
sujeitos que, na fase escolar, encontram-se em condição peculiar de
desenvolvimento. Nesta linha, autores como Skolnick e Bayley (2002)
indicam que, entre os fatores que dificultam o desenvolvimento do
policiamento comunitário, encontra-se o fator cultural tradicional da
polícia, que historicamente se centra na formulação de respostas ao
crime e à desordem e no uso da força para manter a lei. Resta apontar,
neste trabalho, que, definitivamente, a escola não é ambiente para se
lançar mão desses mecanismos, sobretudo, ao se propor um trabalho de
policiamento comunitário.</p>
<p>O segundo programa desenvolvido, denominado Programa Educacional de
Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), é fundamentado
originalmente no Programa Americano denominado <italic>Drug Abuse
Resistance Education</italic>
(D.A.R.E<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>), que passou por
profundas adaptações para atender às demandas brasileiras,
especificamente a realidade da sociedade paranaense.</p>
<p>No Paraná, o PROERD iniciou em maio de 2000, no município de
Matinhos. Contemplou sete escolas municipais, totalizando 480 alunos que
concluíram o programa em 17 de novembro do mesmo ano (BPEC, 2020). Ainda
segundo o BPEC (2020a), com a implantação oficial do programa no Estado,
foi criada a Coordenação Estadual do Programa, junto ao Gabinete do
Chefe do Estado Maior da PMPR, com a aplicação da Diretriz Nº 006/2000 –
PM/3 e a Portaria do Comando-Geral Nº 1.299/CG. Estas regulamentam as
ações do Instrutor (Educador Social) do PROERD e a minuta de convênio a
ser firmado entre o Estado, através da Secretaria de Estado da Segurança
Pública (SESP), e os Municípios, e entre a SESP e Escolas Particulares,
para regulamentação e aplicação do programa. Em 2013, foi criada a Lei
Estadual Nº 17.650, de 7 de agosto de 2013, a qual regulamentou o PROERD
no Estado (BPEC, 2020a).</p>
<p>O PROERD consiste em uma das “ações que compõem as Políticas Públicas
Estaduais sobre drogas e violência no Estado do Paraná, e trabalha na
perspectiva da prevenção primária em segurança pública, no espaço
privilegiado das escolas” (BPEC, 2020a). Trata-se de um programa que
atua na relação pessoa-contexto-tempo, pois sua finalidade é desenvolver
ações de prevenção primária que irão obter resultados nos processos de
desenvolvimento da pessoa ao longo de sua vida, indicando seu impacto
nos quatro elementos do modelo proposto por Urie Bonfenbrenner.</p>
<p>No ano de 2018, foram 4.250 estudantes formados, em 160 turmas e 90
escolas; e no ano de 2019, foram formados 4.472 estudantes, em 168
turmas e 99 escolas, no 5º ano do Ensino Fundamental (BPEC, 2020a). O
Programa se desenvolve durante 10 semanas com cada turma, tendo uma
lição semanal aplicada em sala de aula pelo policial militar Educador
Social do PROERD, em encontros de aproximadamente uma hora de duração.
Ao final das 10 lições, os alunos participam de formaturas para a
entrega do certificado, da camiseta PROERD e da premiação de formandos
que tiveram suas redações destacadas. A formatura conta com a
participação de todas as escolas formadas no ciclo, presentes alunos,
professores, familiares e autoridades convidadas, com a participação de
uma Banda PROERD, formada por policiais militares que cantam músicas e
paródias, com conteúdo educativo-preventivo, de forma descontraída,
reforçando os conceitos trabalhados com as crianças durante as
aulas.</p>
<p>Destaca-se a importância do acesso aos conhecimentos sobre drogas
ainda durante a infância (crianças entre 9 e 10 anos de idade),
considerando as possibilidades de internalização e formação de
consciência crítica em face do tema. Situado no mesossistema de muitos
alunos, o fator drogas é também presente em muitos de seus
microssistemas, haja vista que o uso de drogas, enquanto um fator
crônico da sociedade, acomete tanto a vida da pessoa em desenvolvimento
como as de seus parentes, familiares mais próximos, além de seus amigos
e demais pessoas com as quais convivem na comunidade e na sociedade em
geral. Ou seja, em último caso, a droga é um elemento contextual para a
pessoa, enquanto uma demanda própria do macrossistema social que
interfere mais imediatamente ou mais remotamente o conjunto de
interações da pessoa no contexto e no tempo.</p>
<p>Trabalhar de forma educativa é condição <italic>sine qua non</italic>
para reforçar a resistência social ao uso de drogas, ainda que não
esgote em si as demandas de enfrentamento desse problema concernente ao
macrossistema, uma vez que o mercado das drogas é um problema estrutural
da nossa sociedade e a política antidrogas brasileira possui, de forma
hegemônica, um caráter proibicionista, o que dificulta o enfrentamento
do problema de modo estrutural no país. Segundo Silva e Gimeniz-Pachoal
(2010), em estudo realizado no ano de 2010 sobre o PROERD, não foram
encontrados resultados em pesquisas que apresentassem uma indicação de
que há diferenças entre os alunos que passaram pelo PROERD e aqueles que
não fizeram parte do programa em relação ao uso de drogas e
comportamentos violentos. As diferenças são identificadas em relação às
variáveis autoestima e autocuidado.</p>
<p>Diante do exposto, verifica-se que o BPEC se faz presente em
perspectiva em interações diversas nos subsistemas dos quais as escolas,
seus alunos e familiares compõem, o que lhe permite influenciar e ser
influenciado pelo contexto. Desde a interação polícia-aluno, passando
por relações polícia-escola-aluno e polícia-escola-família-aluno, todas
são interações do mesossistema, e ainda interações mais abrangentes,
como polícia-escola-família-aluno-comunidade, implicam em complexidade,
o que envolve a atuação do BPEC em face do ambiente e da abrangência
contextual de seu trabalho.</p>
<p>Reconhecidamente, considerando a complexidade dos fenômenos
enfrentados pelo trabalho da polícia em sentido amplo, e no caso do BPEC
em particular, no enfrentamento da violência e do uso de drogas no
contexto escolar e comunitário, entende-se que o trabalho do BPEC
intervém de maneira singular no processo de desenvolvimento humano das
pessoas que são sujeitos de sua atuação, neste caso, nas escolas e nas
comunidades às quais as escolas fazem parte. Esse processo confere à
polícia grande responsabilidade, posto que, ao aumentar seu nível de
influência que exerce sobre o contexto comunitário, deve estar atenta
para não adotar uma postura de controle social e criminal da população
atendida, sob pena de reforçar uma perspectiva que não é defendida no
âmbito do policiamento comunitário (MESQUITA NETO, 2004). Por isso a
qualidade do vínculo estabelecido é fundamental, o que implica a
superação do conjunto de dificuldades para a efetivação do policiamento
comunitário (MUNIZ <italic>et al.</italic>, 1997; SKOLNICK; BAYLEY,
2002).</p>
<p>O enfrentamento da violência extrapola o mesossistema do aluno; seus
determinantes mais fundamentais encontram-se a nível do macrossistema,
mas isso não retira a importância de um trabalho condizente com as
demandas de desenvolvimento humano frutos desse fenômeno mais amplo.
Esta era a intenção de Urie Bronfenbrenner – propor uma análise
contextual com foco nas demandas de desenvolvimento da pessoa.</p>
<p>A figura 1 apresenta, em síntese, o alcance das ações da Patrulha
Escolar na comunidade, a considerar os diferentes subsistemas que
compõem o contexto, no modelo (PPCT).</p>
<p><bold>Figura 1: A atuação da Patrulha Escolar Comunitária no
município de Ponta Grossa/PR, com base na Teoria Bioecológica do
Desenvolvimento</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Os autores (Org.). Modelo Bioecológico adaptado para a
pesquisa.</p>
<disp-quote>
  <p>A referida figura evidencia alguns dos padrões interacionais
  presentes nos diferentes subsistemas do aluno. Note-se a presença da
  Patrulha no mesossistema de desenvolvimento do aluno, o que significa
  que, através da escola, a polícia se relaciona diretamente com os
  estudantes, ampliando seu nível de influência em seus processos
  proximais. Quanto mais duradouras e intensas forem as interações,
  maior é o potencial de impacto da atuação da polícia nas pessoas e em
  seus contextos. A proposta do BPEC de atuar de forma integrada à
  escola permite que a polícia ultrapasse o padrão tradicional de
  interação que se limita ao exossistema. Nota-se que a teoria
  bioecológica não engloba o conjunto de elementos que condicionam o
  trabalho. Outros elementos, como os derivados do modo de produção,
  determinam a lógica do mercado e, no âmbito desta lógica, se inscrevem
  os mercados que envolvem o crime e as drogas. Tais elementos perpassam
  questões que fogem das possibilidades de análise propostas neste
  artigo, a partir da referida teoria. Conquanto, são tão ou mais
  importantes para compreender o problema do crime e das drogas,
  enquanto substratos para a configuração das demandas que se põem no
  contexto escolar e comunitário que interferem no trabalho dos agentes
  públicos que nela atuam, entre eles e a polícia.</p>
</disp-quote>
<p>Destaca-se que o conjunto das ações desenvolvidas não assegura,
<italic>per si</italic>, impacto positivo no desenvolvimento das pessoas
envolvidas. Isso depende da qualidade das interações e de seus
conteúdos. O desenvolvimento positivo se dá pelo engajamento da pessoa
nos processos de interação com o contexto e no tempo, o que depende do
quanto as interações levam em consideração as demandas das pessoas
envolvidas e os recursos que elas dispõem para se engajar. Portanto,
para impactar positivamente, é preciso levar em consideração tais
elementos e/ou ainda produzir em concomitância recursos que a auxiliem a
se engajar em novos processos de desenvolvimento (BRONFENBRENNER;
MORRIS, 2006).</p>
<p>No caso da atuação do BPEC, quanto mais educativo e menos
impositivo/coercitivo for seu trabalho e quanto mais se levar em conta
os recursos culturais, sociais e políticos dos alunos e da própria
comunidade, respeitando-lhes em sua liberdade de ação, melhores serão as
possibilidades de engajamento das pessoas envolvidas. Isso indica que
quanto mais o trabalho considera a real demanda da pessoa em
desenvolvimento e quanto melhores forem as alternativas de atuação
construídas, no benefício das referidas demandas, geralmente, maior será
a chance de sucesso na ação protagonizada.</p>
<p>Nas tabelas a seguir são apresentados dados quantitativos da atuação
do BPEC do município de Ponta Grossa no período pesquisado (2018-2019).
A primeira delas apresenta o total de ocorrências atendidas pelo
policiamento comunitário; a segunda descreve os atendimentos preventivos
e educativos; a terceira traz as palestras ministradas; e a última
tabela apresenta as atividades complementares e as reuniões e visitas
realizadas nas escolas do município.</p>
<p><bold>Tabela 1: Ocorrências de Atendimentos realizados pela Patrulha
Escolar Comunitária no município de Ponta Grossa/PR
(2018-2019)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="75%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="9%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th>Ocorrências de atendimento – policiamento comunitário</th>
        <th>2018</th>
        <th>2019</th>
        <th>Total</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>1. Ocorrência: Agressão entre alunos</th>
        <th>92</th>
        <th>60</th>
        <th>152</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2. Ocorrência: Ameaças</th>
        <th>23</th>
        <th>41</th>
        <th>64</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>3. Ocorrência: Roubo</th>
        <th>23</th>
        <th>23</th>
        <th>46</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>4. Ocorrência: Desacato</th>
        <th>18</th>
        <th>16</th>
        <th>34</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>5. Ocorrência: Porte de drogas ilícitas – Perímetro Interno
        Escola</th>
        <th>20</th>
        <th>11</th>
        <th>31</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>6. Ocorrência: Furto</th>
        <th>16</th>
        <th>13</th>
        <th>29</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>7. Ocorrência: Consumo de álcool</th>
        <th>13</th>
        <th>14</th>
        <th>27</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>8. Ocorrência: Porte de arma branca – Perímetro Interno
        Escola</th>
        <th>8</th>
        <th>5</th>
        <th>13</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>9. Ocorrência: Porte de drogas ilícitas – Perímetro Externo
        Escola</th>
        <th>2</th>
        <th>10</th>
        <th>12</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>10. Ocorrência: Depredação</th>
        <th>8</th>
        <th>1</th>
        <th>9</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>11.Ocorrência: Tráfico de drogas – Perímetro Interno
        Escola</th>
        <th>2</th>
        <th>5</th>
        <th>7</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>12.Ocorrência: Pessoa em atitude suspeita</th>
        <th>4</th>
        <th>1</th>
        <th>5</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>13.Ocorrência: Agressão aluno x professor</th>
        <th>2</th>
        <th>3</th>
        <th>5</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>14.Ocorrência: Lavratura de Auto de Infração de
        Trânsito</th>
        <th>2</th>
        <th>2</th>
        <th>4</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>15. Ocorrência: Porte de arma branca – Perímetro Externo
        Escola</th>
        <th>2</th>
        <th>0</th>
        <th>2</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>16. Ocorrência: Prisão de pessoa</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
        <th>2</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>17. Ocorrência: Bullying</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
        <th>2</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>18. Ocorrência: Tráfico de drogas – Perímetro Externo
        Escola</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>TOTAL</th>
        <th><bold>237</bold></th>
        <th><bold>208</bold></th>
        <th><bold>445</bold></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p></p>
<p>Fonte: Os autores (Org.). Polícia Militar do Paraná. Batalhão de
Patrulha Escolar Comunitária (2020b).</p>
<p>Além das ocorrências dispostas na tabela, que foram recorrentes nos
anos de 2018 e 2019, a seguir apresentam-se aquelas que foram realizadas
num ou noutro ano, isoladamente:</p>
<list list-type="bullet">
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Em 2018: 1 caso de explosão de bomba; 1 caso de invasão de
        escola; 12 contatos com autoridades – MOD 3; uma dinâmica –
        Percepção da Segurança – Pais e Comunidade – MOD 1; 166
        ocorrências de outras naturezas e 4 assistências.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Em 2019: uma ocorrência de porte de arma de fogo – Perímetro
        Externo Escola; uma dinâmica – Percepção da Segurança – Alunos –
        MOD 1; uma revista pessoal sob fundada suspeita na Escola – MOD
        3; 159 ocorrências de outras naturezas e 7 assistências.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Os dados da Tabela 1 apontam que as ocorrências são bastante
  variadas, correspondendo a 18 tipificações diferentes com ocorrências
  nos dois anos seguidos e que o maior número delas se concentra em
  situações de agressão entre alunos nos anos pesquisados,
  correspondendo a um total de 38,81% das ocorrências em 2018 e 28,84%
  em 2019, o que remonta a um montante de 34,15% do total de
  atendimentos nos dois anos estudados.</p>
</disp-quote>
<p>As ocorrências por ameaça ficaram em segundo lugar nos atendimentos
prestados pela Patrulha Escolar, sendo que houve um aumento do ano de
2018 para 2019, de 23 para 41 ocorrências, correspondendo a 9,70% das
ocorrências em 2018 e 19,7% em 2019. Ainda envolvendo agressões, houve
um registro de 5 agressões aluno-professor e dois casos de
<italic>bullying</italic> nos dois anos. Destacam-se ainda as
ocorrências por porte de arma branca no perímetro interno das escolas,
que incidiram em 2,92% nos dois anos de atuação da Patrulha.</p>
<p>Ocorrências tipificadas por atos contra o patrimônio somaram 18,87%,
sendo que o maior número de ocorrências nos dois anos foi por roubo, com
46 ocorrências, seguido de furto com 6,51% e depredação, em último
lugar, com 9 ocorrências nos dois anos. Em relação aos atos que
envolveram uso e porte de drogas ilícitas, estes incidem, sobre o total
das ocorrências nos dois anos pesquisados, em 1,57% das ocorrências.
Quanto ao tráfico de drogas ilícitas, o total de ocorrências,
considerando os perímetros interno e externo do ambiente escolar,
equivale a 0,17% das ocorrências nos dois anos.</p>
<p>A escola, enquanto parte do mesossistema do aluno, tem manifestado
interações violentas entre pessoas (relação aluno-aluno,
aluno-professor), haja vista que a maioria das ocorrências, conforme
demonstra os dados da Tabela 1, revelam atos contra a pessoa. Agressão
entre alunos está em primeiro lugar nas ocorrências nos dois anos
seguidos e ameaça está em segundo. A agressividade manifesta-se como um
instinto de defesa, para assegurar a sobrevivência humana; as violências
carregam consigo a intenção e a vontade do ato. Costa (1986) explica que
essa intenção e vontade não necessitam ser reconhecidas pelo autor,
contudo é entendida por quem percebe ou recebe o ato, modificando-a numa
“ação violenta”. Costa (1986, p. 30) esclarece que quando a ação
agressiva “é pura expressão do instinto ou quando não exprime um desejo
de destruição, não é traduzida nem pelo sujeito, nem pelo agente, nem
pelo observador como uma ação violenta”.</p>
<p>Segundo Bronfenbrenner (1996), na vida de cada
<italic>pessoa</italic>, as transições ecológicas se dão durante o
tempo, a partir das interações que se estabelecem nos diferentes
ambientes que compõem os seus processos interacionais. De acordo com
Mota (2005), todo e qualquer desenvolvimento, engloba as dimensões
cognitiva, biológica, afetiva e social. Essas dimensões compõem os
processos de desenvolvimento e influenciam nos diferentes subsistemas,
do microssistema ao macrossistema, e permeiam as atividades cotidianas
determinando as interações do indivíduo (BRONFENBRENNER, 1996). Essas
transições ecológicas educam, formam e modificam as relações, havendo
uma interferência diretamente no desenvolvimento humano.</p>
<p>Portanto, pensar o contexto escolar em sua relação com as diferentes
dimensões do desenvolvimento implica pensar na qualidade do conjunto de
interações que o indivíduo estabelece no referido contexto e o quanto
estas interações influenciam o curso de suas vidas. Situações de
agressões no contexto escolar é, portanto, um indício de que as
interações escolares não asseguram <italic>per si</italic> relações
saudáveis e que as referidas relações são expressões das diferentes
dimensões que perpassam a trajetória de vida de alunos e demais sujeitos
que compõem o contexto escolar. Fatores do microssistema familiar e de
outros padrões relacionais dos alunos na sua relação com a comunidade se
reproduzem no ambiente escolar, assim como expressões de padrões
interacionais de outros sujeitos que participam do referido ambiente. A
escola torna-se um centro de interações comunitárias, a nível do
mesossistema.</p>
<p>As interações ocorridas na escola são ainda fundamentais para a
formação dos padrões interacionais do aluno em outros ambientes. De tal
modo, as ações do BPEC ganham destaque nestas interações, na medida em
que abordam diferentes temáticas de forma educativa, envolvendo a
participação dos agentes educacionais, dos alunos e dos familiares. As
ações de diagnóstico de cada ambiente escolar, conforme visto
anteriormente, estão presentes na metodologia de trabalho do BPEC e são
fundamentais para o reconhecimento dos padrões interacionais presentes
na escola.</p>
<p>Do ponto de vista do macrossistema, a polícia militar é
corresponsável pela segurança pública, conquanto, ao se inserir no
microssistema escolar, passa a fazer parte do mesossistema dos alunos e
nesse âmbito se depara com demandas cognitivas, individuais, sociais,
afetivas e culturais que devem pautar suas ações, a considerar que ela
se insere num contexto que, tradicionalmente, não é o seu.</p>
<p>A escola é um espaço autônomo constituído historicamente com a
finalidade de educar. Portanto, o princípio educativo é o que deve
pautar todo o contexto escolar. Se a polícia deseja participar deste
contexto, deve com ele dialogar, transformando antes mesmo a sua própria
natureza e as suas perspectivas. A abertura do sistema policial para
apreender as particularidades do sistema educacional é condição sem a
qual nenhuma atividade conjunta poderá se estabelecer com sucesso.</p>
<p>À polícia, portanto, se impõe uma série de desafios em face do
conjunto de demandas de desenvolvimento humano dos alunos inseridos no
ambiente escolar. Estes desafios se dão para além da pauta estrita da
segurança pública, ainda que dela a polícia não se desconecte, a nível
do macrossistema, de suas atividades de natureza ostensiva, as quais
fazem parte de suas funções estritas. Em 2018, o BPEC realizou 47
abordagens policiais à pessoa, no ambiente externo às escolas, e em 2019
foram 150 abordagens. Abordagens a veículo foram 6 em 2018 e 8 em 2019.
A comunidade que compõe o entorno da escola faz parte do mesossistema do
aluno e a atuação da Patrulha Escolar Comunitária se faz presente,
imediatamente, neste subsistema também, conforme se verifica nos dados
acima.</p>
<p>Na Tabela 2 estão dispostos os atendimentos preventivos e educativos
que o BPEC realizou ao longo dos dois anos pesquisados, no município de
Ponta Grossa.</p>
<p><bold>Tabela 2: Atendimentos Preventivos e Educativos realizados pelo
Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária no município de Ponta Grossa/PR
(2018-2019)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="76%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="9%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Atendimentos</bold></th>
        <th><bold>2018</bold></th>
        <th><bold>2019</bold></th>
        <th><bold>Total</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>1. Policiamento preventivo no entorno – MOD 3</th>
        <th>2108</th>
        <th>2541</th>
        <th>4649</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2. Saída de alunos na escola – MOD 3</th>
        <th>805</th>
        <th>807</th>
        <th>1612</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>3. Entrada de alunos na escola – MOD 3</th>
        <th>435</th>
        <th>287</th>
        <th>722</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>4. Permanência no intervalo/recreio – Contato com Alunos MOD
        3</th>
        <th>94</th>
        <th>104</th>
        <th>198</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>Total</bold></th>
        <th><bold>3442</bold></th>
        <th><bold>3739</bold></th>
        <th><bold>7181</bold></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Os autores (Org.). Polícia Militar do Paraná. Batalhão de
Patrulha Escolar Comunitária (2020b).</p>
<p>As atividades acima referenciadas apontam que o modelo de
policiamento comunitário tem incorporado em suas atividades uma
perspectiva educativa. Esse trabalho impõe à polícia uma transformação
no modo de atuação, pois ao atuar no ambiente escolar é necessário
conhecer e se preparar para saber se relacionar a partir de novos
padrões interacionais, o que impacta em mudanças inclusive nas
atividades tradicionais de policiamento ostensivo. Durante a atuação,
nos momentos de entrada e saída dos alunos do ambiente escolar, a
polícia interage não somente com os alunos, mas com seus familiares e
com a comunidade em geral. Nesses momentos, a atuação deve ser
primordialmente educativa e preventiva, uma vez que é possível impactar
positivamente criando padrões interacionais positivos na comunidade.</p>
<p>A seguir, na Tabela 3 encontram-se dados referentes às palestras
proferidas pelo BPEC, as quais compõem o conjunto de atividades
educativas na relação com a comunidade escolar.</p>
<p><bold>Tabela 3: Palestras ministradas pelo Batalhão da Patrulha
Escolar Comunitária no município de Ponta Grossa/PR
(2018-2019)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="76%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Palestras desenvolvidas</bold></th>
        <th><bold>2018</bold></th>
        <th><bold>2019</bold></th>
        <th><bold>Total</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>1. Palestra – Uso Correto do 190,181 e Nº de Emergência</th>
        <th>123</th>
        <th>151</th>
        <th>274</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2. Palestra – Respeito Mútuo</th>
        <th>36</th>
        <th>52</th>
        <th>88</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>3. Palestra – Você Pode Praticar Segurança</th>
        <th>68</th>
        <th>1</th>
        <th>69</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>4. Palestra – Prevenção ao Uso de Drogas</th>
        <th>8</th>
        <th>60</th>
        <th>68</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>5. Palestra – Brigas: Causas e Consequências</th>
        <th>25</th>
        <th>10</th>
        <th>35</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>6. Palestra – Participação em Eventos Diversos</th>
        <th>8</th>
        <th>25</th>
        <th>33</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>7. Palestra – Prevenção ao <italic>Bullying</italic></th>
        <th>7</th>
        <th>20</th>
        <th>27</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>8. Palestra – Entradas e Saídas das Aulas</th>
        <th>12</th>
        <th>10</th>
        <th>22</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>9. Palestra – Estatuto da Criança e do Adolescente (Direitos
        e Deveres)</th>
        <th>11</th>
        <th>1</th>
        <th>12</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>10. Palestra – Atuação da PEC: Limites entre Indisciplina e
        Ato Infracional</th>
        <th>5</th>
        <th>5</th>
        <th>10</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>11. Palestra – Porte de Materiais não Pedagógicos</th>
        <th>4</th>
        <th>3</th>
        <th>7</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>12. Palestra – Porte de Materiais não Pedagógicos</th>
        <th>4</th>
        <th>3</th>
        <th>7</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>13. Palestra – Preservação do Patrimônio</th>
        <th>2</th>
        <th>2</th>
        <th>4</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>14. Palestra – Importância do Uso do Uniforme</th>
        <th>3</th>
        <th>1</th>
        <th>4</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>15. Palestra – Uso Seguro das Redes Sociais</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>Total</bold></th>
        <th><bold>316</bold></th>
        <th><bold>345</bold></th>
        <th><bold>661</bold></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Os autores (Org.). Polícia Militar do Paraná. Batalhão de
Patrulha Escolar Comunitária (2020b).</p>
<disp-quote>
  <p>As palestras ministradas pelo BPEC, com diversos temas para alunos
  e professores, são de cunho preventivo e educativo, influenciando no
  desenvolvimento humano (adolescência e juventude) em seus aspectos
  biopsicossociais, que são necessários para entender os comportamentos
  sociais no ambiente ecológico escolar. Contudo, segundo Carvalho
  (2010), é necessário que a escola promova a prevenção à violência.
  Carvalho (2010) faz uma distinção relevante sobre a violência:
  <italic>na escola</italic> e <italic>da escola</italic>. Há violência
  <italic>na escola</italic> principalmente da transposição de
  comportamentos do exterior para o interior desta intitulada, a começar
  dos “valores e das práticas que a família, os meios de comunicação, de
  maneira geral, as atitudes correntes dos adultos em situações do
  quotidiano veiculam, desde a maneira como falam, aos gestos e à
  intolerância perante os outros” (CARVALHO, 2010, p. 22). A violência
  <italic>da escola</italic>, de acordo com Carvalho (2010, p. 22), está
  ligada com a própria organização dela, em termos de “espaços, de
  tempos e de currículos, os quais, desde que não adquiram um sentido
  para as crianças e para os jovens, redundam na violência
  simbólica”.</p>
  <p>Olhando para a escola enquanto instituição, ela é um instrumento,
  um meio, bem como uma das sedes do poder político, econômico e social.
  É fato que o poder recorre à coerção que, por sua natureza, utiliza a
  “violência como veículo de normalização, de autolegitimação e de
  autossustentação. Os normativos e os outros dispositivos
  organizacionais prolongam e estruturam, então, a coerência racional do
  sistema” (CARVALHO, 2010, p. 22). Nesse significado, inclui-se as
  sanções explícitas, os castigos hoje ocultos, e implícitas, como o
  insucesso escolar. Cabe questionar sobre o poder institucional da
  polícia e o que isso representa do ponto de vista simbólico para os
  alunos, a escola e a comunidade. Preocupante se faz esse elemento, na
  medida em que o policiamento comunitário e o trabalho específico que a
  polícia exerce no ambiente escolar não podem se tornar agente
  moralizante dos indivíduos sociais que dela participam. Por isso, é
  necessário que a comunidade esteja atenta aos processos interacionais
  e, mais que isso, no conteúdo que os compõem. O caráter moralizante,
  assim como o repressor, não pode triunfar sobre o caráter educativo e
  socializador de conhecimentos. Difícil é essa equação. Mas necessária
  de ser cotidianamente enfrentada para a busca de soluções viáveis e
  que respeitem padrões democráticos de relações entre as instituições e
  a comunidade.</p>
  <p>Nesta perspectiva, o trabalho realizado pelo BPEC está condicionado
  à coerção em alguns momentos, já que é necessário o policiamento da
  comunidade visando a segurança escolar e da própria comunidade em
  geral, interferindo repressivamente nos microssistemas de vida dos
  estudantes que dela pertencem. Para Bronfenbrenner e Morris (2006), o
  microssistema é a estrutura do contexto primário de desenvolvimento e
  de relação afetiva positiva, e deste contexto distinto de violência no
  cotidiano, <italic>na escola</italic> e <italic>da
  escola</italic>.</p>
  <p>Cabe aqui problematizar o caráter da instituição escolar em um
  Estado Democrático de Direito e os desafios que isso implica em
  superar práticas pedagógicas reforçadoras da repressão e do controle
  social das comunidades nas quais estão inseridas. O papel ideológico
  da instituição escolar, quando associado a uma educação bancária e de
  caráter moralizante, pode reforçar uma atuação policial neste ambiente
  nessa direção. Trata-se, portanto, de alertar os riscos que se põem
  aos projetos de policiamento comunitário e de trabalhos inseridos
  diretamente nos ambientes escolares. Ambas as instituições devem
  realizar suas autocríticas e a comunidade deve estar inserida nesses
  processos. Desta forma, abrem-se possibilidades de avançar na direção
  de relações mais horizontais. Caso contrário, o risco de reposição de
  práticas tradicionalmente postas na sociedade brasileira, seja pela
  via consensual, o que ocorre mediado pela educação, seja pela via
  diretamente coercitiva, que é o caso da polícia, é alto.</p>
  <p>A interação polícia-escola é analisada, neste artigo, como uma
  interação positiva para o desenvolvimento humano dos alunos no
  ambiente escolar, exclusivamente, quando o padrão interacional se
  mostra aberto, horizontal e democrático e que, nesse processo, haja
  igualdade de participação e autonomia das partes que interagem na
  direção dos mesmos no ambiente escolar. Por isso, tão necessária é a
  participação da comunidade à horizontalização dos padrões
  interacionais entre escola-aluno-polícia-comunidade. Outro elemento
  importante é o fato de que a polícia não poderá servir de substituto
  das ações que são próprias dos agentes educacionais, conquanto
  colaborar de maneira suplementar às atividades que devem ser
  asseguradas pela escola a partir de seus currículos. Neste artigo, não
  se analisa questões que são próprias do tema escolas cívico-militares,
  por exemplo, pelo entendimento de que este é um tema diverso, embora
  com pontos de contato em algumas dimensões, dada a sua complexidade e
  natureza diversa da proposta do patrulhamento escolar e comunitário,
  tal como se constitui no estado do Paraná. Este, conforme a proposta
  analisada, trata-se de um programa que atua em parceria com o sistema
  escolar, sem retirar dele sua autonomia institucional e a coordenação
  dos processos educacionais que lhe são próprios. Portanto, difere de
  propostas em que se verifica uma fusão do subsistema educacional com o
  militar.</p>
  <p>A partir das variadas palestras realizadas pela Patrulha Escolar
  Comunitária, verifica-se que o trabalho desenvolvido supera a função
  estrita da coerção policial, sendo educativo, trazendo novas
  experiências e posições, construindo uma relação face a face (com pai,
  mãe, irmãos, primos, avós e familiares), com outras pessoas
  pertencentes ao contexto de desenvolvimento dos alunos, com suas
  particularidades físicas e simbólicas desse ambiente. Milani (2003)
  apresenta a cultura da paz como ação preventiva educativa, da qual a
  Patrulha Escolar Comunitária faz parte desenvolvendo as palestras no
  ambiente escolar.</p>
  <p>Neste sentido, além das palestras, o BPEC desenvolve ainda
  atividades de mediação de conflito ou gestão positiva de conflito, as
  quais merecem destaque, pois são ferramentas importantes que auxiliam
  na administração das expressões da violência na escola. Durante os
  anos pesquisados, o BPEC realizou 104 mediações de conflito nas
  escolas do município, sendo 42 no ano de 2018 e 62 no ano de 2019.
  Estas atividades são muito importantes, já que a Patrulha Escolar
  Comunitária tem a possibilidade de atuar junto a alunos, familiares,
  professores e pedagogos. Para Bezerra (2008, p. 68), a mediação passa
  a evidenciar a “necessidade destes alunos escolherem adequadamente os
  valores impostos pelo mundo dentre as distintas alternativas, avaliar
  as consequências desta escolha, apreciar, compartilhar e afirmar
  publicamente estes valores”. A mediação possibilita ressaltar a
  importância do respeito ao outro, a valorização da autoestima, a
  valorização dos sentimentos, o exercício da tolerância, a promoção da
  autoconfiança em suas habilidades e desperta o interesse e a
  capacidade de pensar criativamente sobre os problemas vivenciados, faz
  pontes entre vários tipos de abordagens, sendo transdisciplinar
  (BEZERRA, 2008).</p>
  <p>Estas atividades de mediação de conflito são um indicativo positivo
  da legitimidade da atuação do BPEC nas escolas. Confirmando a
  legitimidade da atuação do BPEC à Lei Nº 13.140, de 26 de junho de
  2015, que dispõe sobre a mediação, na seção I, nas disposições gerais,
  no seu art. 2, que a mediação será orientada pelos seguintes
  princípios: “I – imparcialidade do mediador; II – isonomia entre as
  partes; III – oralidade; IV – informalidade; V – autonomia da vontade
  das partes; VI – busca do consenso; VII – confidencialidade; VIII –
  boa-fé”. Assim, para a realização de um procedimento de mediação, é
  necessária a aceitação das partes para que uma mediação ocorra. O
  consenso das partes em face do mediador é um elemento básico da
  mediação, como instrumento de resolução de forma autocompositiva de
  conflitos (SEIDEL, 2007).</p>
  <p>Na Tabela 4, destacam-se as atividades Complementares/Reuniões e
  Visitas na Cidade de Ponta Grossa/PR realizadas pela Patrulha Escolar
  Comunitária em 2018 e 2019.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 4 – Total de Atividades Complementares/Reuniões e
Visitas realizadas pela Patrulha Escolar Comunitária, referente a sete
amostras, para avaliar a Cidade de Ponta Grossa/PR
(2018-2019)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="65%" />
      <col width="13%" />
      <col width="11%" />
      <col width="11%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Atividades Complementares/Reuniões e
        Visitas</bold></th>
        <th><bold>2018</bold></th>
        <th><bold>2019</bold></th>
        <th><bold>Total</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Reunião com Diretores/Professores/Funcionários</th>
        <th>12</th>
        <th>11</th>
        <th>23</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Reunião com Pais e Responsáveis e Comunidade – MOD 3</th>
        <th>45</th>
        <th>20</th>
        <th>65</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Visita Comunitária – MOD 3</th>
        <th>23</th>
        <th>32</th>
        <th>55</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Visita Escolar – MOD 3</th>
        <th>1664</th>
        <th>1613</th>
        <th>3277</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Visita Solidária/Pós-Atendimentos – MOD 3</th>
        <th>10</th>
        <th>15</th>
        <th>25</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Polícia Militar do Paraná. Batalhão de Patrulha Escolar
(2019). Adaptado pelos autores.</p>
<disp-quote>
  <p>O BPEC ainda realiza reuniões pedagógicas com diretores,
  professores e funcionários das escolas, ocasiões em que conhece a
  realidade e faz levantamento das demandas para a realização das
  palestras anuais. Também faz reuniões com pais e responsáveis dos
  alunos e com a comunidade, para se aproximar e visualizar as
  necessidades que poderão ser atendidas e para orientações em geral.
  Ainda realizam as visitas: escolar; comunitária e solidária.</p>
  <p>A <italic>visita escolar</italic> é a atividade mais básica do
  policiamento comunitário escolar e consiste no deslocamento periódico
  da equipe policial às escolas de sua responsabilidade para manutenção
  do contato pessoal com as direções, integrando-se proativamente na
  rotina da escola. Já a <italic>visita comunitária</italic> consiste
  numa atividade rotineira de permanente interação e contato com a
  comunidade do entorno das escolas, para repassar orientações
  necessárias ao incremento da segurança e integrar-se de maneira
  proativa na vida social da comunidade.</p>
  <p>Por sua vez, a <italic>visita solidária</italic> ou pós-ocorrência
  compreende a atividade policial que tem por finalidade visitar membros
  da comunidade escolar que figurem na condição de vítimas de ação
  delituosa e de ocorrências, que careçam de uma atenção especial por
  parte da equipe policial responsável pela escola. Note-se que as
  visitas escolares ainda são, decisivamente, a atividade mais realizada
  pelo BPEC, seguida pelas visitas comunitárias e pela visita
  solidária.</p>
  <p>Desse modo, o BPEC se faz presente no mesossistema, porque
  apresenta-se a serviço para atuar e refletir com os diferentes atores
  que compõem o ambiente escolar (estudantes, professores, família,
  agentes educacionais e comunidade), inserindo-se no contexto
  comunitário. Este modo de atuar corrobora com o que preconiza Urie
  Bronfenbrenner, ao compor os elementos da teoria bioecológica do
  desenvolvimento humano – Processo, Pessoa, Contexto e Tempo –
  PPCT.</p>
</disp-quote>
<p>Com a recepção da filosofia do policiamento comunitário e
considerando a forma específica de atuação da Patrulha Escolar
Comunitária, ao se integrar aos diferentes atores que compõem a
comunidade escolar, o BPEC torna-se um importante ponto de referência
para toda a polícia, que pode reverberar com o passar do tempo em todo
subsistema policial, a depender da capacidade do referido subsistema de
se abrir para uma atuação mais educativa e menos repressiva.</p>
<p>O elemento “tempo” (microtempo, mesotempo e macrotempo)
(BRONFENBRENNER; MORRIS, 1998) se mostra vivo no cotidiano da escola e
no trabalho do BPEC. Isto porque o “tempo” está em movimento e atua
indiscriminadamente sobre os outros sistemas já existentes, cujas
dimensões estão vinculadas aos atributos da <italic>pessoa</italic>, aos
parâmetros do contexto e aos processos proximais, fator do
cronossistema.</p>
<p>Considera-se que com o movimento que se abre, tanto a escola como a
polícia têm a oportunidade de se modificarem nesse processo, o que não
significa, <italic>a priori</italic>, que se modifiquem de fato. A
depender da direção assumida por esse movimento, é possível falar tanto
numa maior abertura do sistema policial para uma atuação educativa, o
que entendemos ser a direção mais próxima de um movimento democrático,
como também, a depender da natureza dos processos interacionais
estabelecidos, num recrudescimento da escola, caso a polícia mantenha
sua forma tradicional de atuação, baseada estritamente na repressão; o
que, a nosso ver, não corroboraria para o desenvolvimento humano dos
envolvidos.</p>
<p>Sabe-se que a escola não é, por sua natureza histórica, um espaço
essencialmente democrático e emancipatório. Conquanto, um espaço de
contradições, também de reprodução de relações de poder e manutenção do
<italic>status quo.</italic> Disso, desdobram-se os possíveis riscos de
uma prática moralizante e repressora, visto que também se educa via
repressão. Assim, os alertas que foram lançados no decorrer do texto, em
face da necessidade da superação do paradigma tradicional de atuação por
parte da polícia, podem ser estendidos à instituição escolar, que também
carrega, na sua história, forte presença de um papel reprodutor das
relações sociais desiguais. Conforme alerta Canário:</p>
<disp-quote>
  <p>A investigação sociológica encarregou-se de demonstrar a
  inexistência, quer de uma relação de linearidade entre as
  oportunidades educativas e as oportunidades sociais, quer de uma
  relação linear entre democratização do ensino e um acréscimo de
  mobilidade social ascendente. A sociologia da “reprodução” pôs em
  evidência o efeito reprodutor e amplificador das desigualdades
  sociais, desempenhado pelo sistema escolar. Na medida em que se
  democratiza, a escola compromete-se com a produção de desigualdades
  sociais e deixa de poder ser vista como uma instituição justa num
  mundo injusto. (CANÁRIO, 2008, p. 75).</p>
</disp-quote>
<p>O desenvolvimento humano ocorre por meio da interação entre as
pessoas em desenvolvimento e os cinco ambientes: micro, meso, exo, macro
e cronossistema, que estão interconectados e influenciam a realidade
mais próxima e a mais distante impregnando a vida social (BENETTI
<italic>et al.</italic>, 2013). E este processo sofre influências das
instituições que se relacionam com o indivíduo. Tais instituições como a
família, a escola e demais instituições sociais presentes na comunidade,
tal como a própria polícia. Neste processo, importante se faz trazer
para o campo de análise processos, vivências, projetos, ações
governamentais e da sociedade civil que apresentem experiências com
potenciais poderes de influência nos processos de desenvolvimento dos
sujeitos em formação, sendo a atuação da Patrulha Escolar Comunitária no
município de Ponta Grossa uma dessas experiências a serem
compartilhadas, no sentido de lançar luzes sobre o vasto campo de
atuação das instituições nos processos de desenvolvimento humano.</p>
<p><bold>Considerações Finais</bold></p>
<p>O policiamento comunitário envolve a participação de civis no
planejamento, na execução e na avaliação das atividades policiais;
envolve também a mobilização da comunidade em torno de atividades de
prevenção ao crime. Nesta perspectiva, a conclusão a que se chegou com a
realização da presente pesquisa é a de que a atuação da Patrulha Escolar
Comunitária é uma experiência de policiamento comunitário no estado do
Paraná e sua atuação no município de Ponta Grossa tem se mostrado
efetiva, na medida em que suas atividades demonstram que, a rigor, as
ações policiais têm sido desenvolvidas de forma integrada aos ambientes
escolares e têm privilegiado ações educativas e preventivas, ainda que
permaneçam ações de natureza ostensivas, em concomitância.</p>
<p>O BPEC segue as orientações do policiamento comunitário, ao envolver
diferentes sujeitos pertencentes ao ambiente escolar e à comunidade em
suas diversas frentes de trabalho, das quais se destacam as palestras,
as visitas escolares, as visitas comunitárias, as visitas solidárias e
as ações de mediação de conflito que envolvem alunos, familiares e
membros da comunidade, às quais têm sido promovidas conforme os dados
apresentados nesta pesquisa.</p>
<p>Outra conclusão acerca da atuação do BPEC é o fato de que suas ações
educativas são significativas em seu contexto de abrangência, pois tomam
corpo no conjunto de ações desenvolvidas, ao lado das ações de cunho
repressor vinculadas ao policiamento ostensivo tradicional. Suas
atividades educativas, à luz da Teoria Bioecológica do desenvolvimento
humano, abrem possibilidades para o alcance de maiores e melhores
resultados junto dos alunos e da comunidade escolar.</p>
<p>Desta forma, a polícia passa a fazer parte do mesossistema dos alunos
por meio de um padrão interacional diferente, no qual educa para a
convivência social. Essa modificação no padrão interacional implica em
potenciais mudanças nos vínculos estabelecidos entre polícia, alunos,
escola e comunidade. Essas interações confirmam a inter-relação dos
quatro núcleos do modelo teórico de Urie Bronfrenbrenner: o processo, a
pessoa, o contexto e o tempo, que perpassam os subsistemas do
desenvolvimento humano. A conexão dos subsistemas (micro, meso, exo,
macro e cronossistema), permeada por uma perspectiva educativa,
contribui para a democratização das relações entre as pessoas
emaranhadas no macrossistema social, colaborando positivamente para o
desenvolvimento humano dos sujeitos nele inseridos. O policiamento
comunitário possui, portanto, um papel importante no fortalecimento de
uma educação compromissada com o desenvolvimento humano.</p>
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</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Agradecemos à Profa. Dra. Elizabeth
    Trejos-Castillo, da Texas Tech University por nos apresentar à
    Teoria Bioecológica de Urie Bronfenbrenner.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>No dia 19 de março é comemorado o aniversário do
    Batalhão (BPEC, 2020).</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>No dia 25 de setembro de 2013, a partir do
    Decreto 9016, o Batalhão passou a ter o nome de seu idealizador,
    “Coronel Anselmo José De Oliveira”, falecido em 17 de junho de
    2013.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>Programa Educacional de Resistência às Drogas e à
    Violência, criado originalmente em Los Angeles – EUA, em 1983.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
