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<p><bold>DESORGANIZAÇÃO SOCIAL E CRIMINALIDADE VIOLENTA: UM ESTUDO EM
PALMAS, TOCANTINS</bold></p>
<p><bold>Leonardo de Andrade Carneiro</bold></p>
<p>Doutorado em andamento em Desenvolvimento Regional (UFT), Mestre em
Modelagem Computacional de Sistemas (UFT). Graduado em administração.
Especialista em Gestão Pública e Docência profissional e Tecnológica.
Atualmente pesquisa sobre Espaço social da Criminalidade e Criminalidade
Violenta e suas implicações para o Desenvolvimento Regional. Associado
ao Instituto Brasileiro de Segurança Pública (IBSP).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Tocantins
<bold>Cidade:</bold> Palmas</p>
<p><bold>Email:</bold> leonardo.andrade@uft.edu.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-2388-7516</p>
<p><bold>Waldecy Rodrigues</bold></p>
<p>Graduado em Economia (PUC GO). Mestre em Economia (UnB). Doutor em
Sociologia (UnB). Professor do Programa de Pós Graduação em
Desenvolvimento Regional (UFT).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Tocantins
<bold>Cidade:</bold> Palmas</p>
<p><bold>Email:</bold> waldecy@uft.edu.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-5584-6586</p>
<p><bold>Orimar Souza Santana Sobrinho</bold></p>
<p>Licenciado e Bacharel em Geografia com ênfase em Geoprocessamento.
Mestre em Geografia - Tratamento da Informação Espacial e Doutorando em
Geografia-UnB.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Tocantins
<bold>Cidade:</bold> Palmas</p>
<p><bold>Email:</bold>orimar_santana@yahoo.com.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-8378-1898</p>
<p><bold>David Nadler Prata</bold></p>
<p>Doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de
Campina Grande, Brasil (2008). Professor Associado da Universidade
Federal do Tocantins, Brasil.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Tocantins
<bold>Cidade:</bold> Palmas</p>
<p><bold>Email:</bold> ddnprata@uft.edu.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-1414-4000</p>
<p><bold>Airton Cardoso Cançado</bold></p>
<p>Doutor em Administração (Lavras), pós-doutorado na EBAPE/FGV e HEC
Montréal (Canadá), Coordenador do Mestrado Profissional em Gestão de
Políticas Públicas (UFT), Professor Permanente do Programa de
Pós-graduação em Desenvolvimento Regional (UFT) e do Curso de
Administração (UFT).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Tocantins
<bold>Cidade:</bold> Palmas</p>
<p><bold>Email:</bold> airtoncardoso@uft.edu.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-4698-1804</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Todos participaram da análise de dados e texto. Leonardo de Andrade
Carneiro: autor principal da pesquisa, responsável por conceber o tema,
estabelecer os objetivos, revisar a literatura e conduzir as discussões
dos resultados. Waldecy Rodrigues: orientador da pesquisa, responsável
por fornecer orientações e correções no texto final do trabalho. Orimar
Souza Santana Sobrinho: responsável pela criação dos mapas cartográficos
utilizados no estudo. David Nadler Prata: encarregado das análises
estatísticas, utilizando sua expertise para interpretar os dados
coletados. Airton Cardoso Cançado: coorientador da pesquisa, responsável
pela redação do texto, bem como pela correção ortográfica.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Este trabalho tem como objetivo analisar a criminalidade violenta em
Palmas, capital do Tocantins. Parte-se do escopo da “Teoria da
Desorganização Social” para refletir sobre as relações entre o
crescimento urbano e a concentração da criminalidade violenta no espaço
urbano dessa cidade. Metodologicamente, este subsídio teórico e
conceitual orientou o levantamento de dados secundários, com prioridade
para as bases de dados e bases cartográficas digitais disponibilizadas
pelo IBGE, pelo Sistema Integrado de Operações da Polícia Militar do
Tocantins e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Utilizou-se
técnicas estatísticas e a construção de banco de dados para elaboração
dos documentos cartográficos para analisar as relações entre
criminalidade violenta e indicadores socioeconômicos e atributos
urbanos. Neste sentido, o estudo evidenciou que as variáveis renda,
alfabetização, raça, serviços urbanos básicos, em especial a presença da
iluminação pública, são fatores contributivos para a concentração dos
crimes violentos em determinadas regiões de Palmas. Particularmente, os
crimes de roubo estão relacionados com segregação espacial e com os
vazios urbanos existentes. Nesta perspectiva, a criminalidade violenta
em Palmas é determinada principalmente por ausência de políticas
públicas, de renda e de controle social formal.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Desorganização social. Criminalidade
violenta. Espaços urbanos.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>SOCIAL DISORGANIZATION AND VIOLENT CRIMINALITY: A STUDY
IN PALMAS, TOCANTINS</bold></italic></p>
<p><italic>This paper aims to analyze aspects of violent crime in
Palmas, capital of the state of Tocantins. It starts from the scope of
the “Social Disorganization Theory” to reflect on the relations between
urban growth and the concentration of violent criminality in the urban
space of this city. This theoretical and conceptual subsidy guided the
survey of secondary data, prioritizing the databases and digital
cartographic bases made available by the IBGE, the Integrated System of
Operations of the Military Police of Tocantins, and the Brazilian Public
Security Forum. Statistical techniques and database construction were
used for the elaboration of cartographic documents to analyze the
relations between violent criminality and socioeconomic indicators and
urban attributes. In this sense, the study showed that the variables
income, literacy, race, basic urban services, especially the presence of
public lighting, are contributory factors to the concentration of
violent crimes in Palmas. Particularly, the crime of robbery is related
to spatial segregation and the existing urban voids. From this
perspective, violent crime in Palmas is determined mainly by the absence
of public policies, of income and formal social control.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords:</bold> Social disorganization. Violent
criminality. Urban spaces.</italic></p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 08/06/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 25/01/2022</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1546</p>
<p><bold>Introdução</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A Organização das Nações Unidas (ONU) acertadamente compreende que
  a dimensão segurança é fundamental para avançar em direção ao processo
  de desenvolvimento sustentável. Reduzir significativamente todas as
  formas de violência e as taxas de mortalidade é meta prioritária na
  Agenda 2030 (ONU, 2015). Fato é que o crime violento e a criminalidade
  têm se tornando temas relevantes na última década, tendo em vista o
  aumento sistemático do índice de crimes e mortalidade (AQUINO; GULLO,
  1998; LIMA; MISSE; MIRANDA, 2000; ADORNO, 2002; CERQUEIRA; LOBÃO,
  2004; OLIVEIRA, 2003). Os dados e a realidade acabam por incentivar
  investigações sobre estratégias que reduzam as ações delituosas.</p>
  <p>Foi a partir da observação dos fenômenos sociais que surgiu a
  Escola de Criminologia de Chicago, no seio da Universidade de Chicago
  (Estados Unidos), no início do século passado. Até então, o crime era
  estudado pelas lentes da análise da personalidade do criminoso em si.
  A escola explorou a relação entre organização do espaço urbano e maior
  ou menor probabilidade de criminalidade. Por isso focou seus estudos
  nas áreas de maior delinquência, como guetos, favelas e bairros mais
  pobres, onde se supõe que exista uma degeneração física e moral das
  pessoas. Essa área de pesquisa chama-se, entre outras denominações,
  criminologia ambiental.</p>
  <p>A criminalidade como fenômeno social é o enfoque deste estudo, pois
  se considera que a criminalidade violenta é modificada e modifica os
  padrões socialmente aceitos e parte de problemas existentes no cerne
  da sociedade. Durkheim (2004, p. 60-95) nos ensina que “os fenômenos
  sociais são fatos e devem ser tratadas como tal”. Lembra ainda que o
  “crime não se observa apenas na maior parte das sociedades desta ou
  daquela espécie, mas em todas as sociedades de todos os tipos”.</p>
  <p>A criminalidade é um fato e está relacionada também com as
  características do meio no qual o indivíduo está inserido. A evolução
  em determinado tempo e espaço da taxa de homicídios é um exemplo de um
  fator geográfico que predispõe à ação criminosa. A desorganização
  social, segundo Wortley <italic>et al.</italic> (2008), é uma
  realidade que anuncia a violência e o crime. Silva (2012) destaca a
  importância de se compreender a violência através dos níveis de
  desenvolvimento alcançados nos espaços regional e urbano.</p>
  <p>O tipo de infraestrutura e o crescimento populacional desorganizado
  são temas para serem levados em consideração no estudo da
  criminalidade. Sob a ótica individual, Pino (2007, p. 774) entende que
  a “violência lembra desorganização: ‘desordem moral’ e ‘desordem
  social’, as quais têm em comum o fato de fazerem do indivíduo a origem
  e causa dessas desordens”. Os mesmos autores, quando se referem aos
  fatores sociais, afirmam que a violência tende a se concentrar em
  áreas mais populosas, onde a marginalização espacial e social e a
  ausência das instituições públicas pactuam para a desorganização
  social, que pode se manifestar em mais violência e criminalidade
  (PINO, 2007. Presume-se também que o crime ocorra mais em locais com
  incapacidade de sustentar valores comuns e com estrutura comunitária
  deficitária que não consegue manter controles sociais eficazes.</p>
  <p>Cerqueira, Lobão e Carvalho (2005, p. 1), quando tratam da
  violência letal no Brasil, relacionam o aumento dela às transformações
  demográficas e sociais e ao insucesso das ações do sistema de justiça
  criminal. Os autores apontam ainda que certas condições fortaleceram o
  avanço do “crime desorganizado e organizado: espaços urbanos
  complexos, cultura do consumo de drogas e bebidas alcoólicas, arma de
  fogo e perspectiva de impunidade devido à ineficácia do sistema de
  justiça criminal”.</p>
  <p>Neste sentido, os crimes violentos letais intencionais (CVLI) têm
  sido tratados por especialistas como o mal do século, atos que vêm
  produzindo medo e insegurança nas sociedades. Segundo Wickes e Hipp
  (2018), os CVLI são crimes de homicídio doloso, homicídio culposo,
  agressões (exceto sexuais) e roubo.</p>
  <p>A partir desses parâmetros, este artigo analisa a criminalidade
  violenta e a desorganização social na cidade de Palmas, capital do
  Tocantins. Pode-se destacar que o estudo sobre a relação entre
  desorganização social e tipos de interações nas comunidades, o
  trabalho da polícia e a atuação dos poderes constituídos é importante
  para o entendimento e o enfrentamento da criminalidade nos centros
  urbanos, pois permite uma percepção das causas da violência e de quais
  modelos podem contribuir para a redução dos crimes.</p>
  <p>A questão central é: Quais as contribuições e qual a importância do
  planejamento urbano para redução desse problema (criminalidade), que
  pode estar correlacionado com a desorganização social e as
  desvantagens concentradas em certas regiões do município? É de suma
  importância o entendimento da integração da sociedade civil, da
  polícia, do sistema de justiça e dos municípios para enfrentar e
  resolver os distúrbios da criminalidade urbana.</p>
  <p>Este artigo, além desta introdução, tem a seguinte estrutura:
  primeiro, versa sobre a metodologia utilizada, onde se destaca a base
  teórica sobre criminalidade violenta e desorganização social que
  sustentou os procedimentos empíricos apresentados em seguida; depois,
  apresenta os resultados e as discussões sobre a pesquisa realizada no
  município de Palmas/TO, para verificar a existência de indícios
  espaciais e estatísticos da relação com a criminalidade violenta e os
  aspectos sociais no seu espaço urbano; e, por fim, apresenta as
  conclusões do estudo.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Material e Métodos</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O problema que este artigo pretende investigar é se existe relação
  entre os indicadores de desigualdade socioeconômica e de acesso a
  serviços urbanos e os níveis de criminalidade nos espaços urbanos,
  tendo como estudo de caso a cidade de Palmas, capital do estado do
  Tocantins. Para tal fim, primeiro é feita uma sintética exposição dos
  elementos teóricos da desorganização social e suas relações com a
  criminalidade violenta. São citados vários estudos internacionais e
  nacionais que possuem o espaço urbano como elemento analítico
  central.</p>
  <p>Posteriormente, trata-se especificamente das características
  demográficas e do espaço urbano em Palmas/TO para verificação dos
  elementos da criminalidade como fato social, dimensionada pelas
  características sociais e econômicas do espaço urbano. Por fim, são
  demonstrados os procedimentos metodológicos utilizados para a
  realização da pesquisa com os dados disponíveis e sua espacialização
  no espaço urbano de Palmas/TO.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Teoria sobre criminalidade violenta e desorganização
social</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A criminalidade e suas interfaces se estabeleceram nos grandes
  centros urbanos a partir de valores e crenças preestabelecidas e
  desenvolvidas por meio das interações sociais e do controle social. A
  cidade exibe as características, peculiaridades e índoles dos seres
  humanos, tornando-se um local adequado para investigações e pesquisas
  objetivando compreender e entender como as relações sociais se
  estabelecem (PARK; BURGESS, 1925).</p>
  <p>Neste sentido, a cidade é estabelecida não pelas construções, casas
  e territórios, mas pelas pessoas que se estabelecem e estão habituadas
  às práticas, aos valores e às crenças constituídas em determinados
  espaços físicos. Ela é multifacetada e modificável.</p>
  <p>Para Park e Burgess (1925), a sociedade moderna e industrializada é
  marcada pelo desenvolvimento e crescimento dos grandes centros urbanos
  e pelo acúmulo de capital. Deste modo, a coletividade é determinada
  pelas necessidades e é delineada conforme sua configuração e a
  relevância que contém. Porém o inevitável processo de humanização
  dificulta o controle das características dessas áreas e edificações
  (PARK; BURGESS, 1925). Park e Burgess (1925) esclarecem que o modo de
  desenvolvimento urbano de uma cidade é iniciado como desorganizado
  passando para reorganizado, e quando este crescimento ocorre de
  maneira rápida, a desorganização social torna-se anormal. Com isso,
  diversos problemas surgem, como crime e suicídio.</p>
  <p>Segundo Park e Burgess (1925), a discriminação social, o isolamento
  e a divisão de classe nos centros urbanos são estabelecidos por
  questões econômicas e pela especulação de territórios, que geralmente
  marginalizam as classes menos favorecidas. Desse modo, quando uma
  localidade aumenta o quantitativo de habitantes, esses efeitos
  econômicos acabam restringindo o arranjo populacional. Deste modo, a
  abordagem geográfica da teoria da desorganização social vai se
  consolidando <italic>pari passu</italic> aos novos estudos e testagens
  que lhe dão sustentação.</p>
  <p>Nesse caso, a contribuição da geografia é a substância que amplia e
  solidifica o conteúdo teórico-conceitual da teoria, por meio de
  situações e expressões envolvendo o uso de dados geográficos
  sociodemográficos e socioeconômicos para explicar as condições de vida
  e outros desdobramentos ocasionados pela concentração da população. A
  localização e distribuição espacial dos crimes no espaço urbano das
  cidades e o contemporâneo processo de urbanização são alguns desses
  temas próprios da geografia.</p>
  <p>Wortley <italic>et al.</italic> (2008) destacam que a teoria da
  desorganização social surgiu em Chicago (Estados Unidos), através de
  estudos que utilizaram mapas para investigar as incidências de crimes
  nos bairros da cidade, onde foi percebido que as taxas de
  criminalidade estavam concentradas em determinados locais. Sendo que
  os autores deduziram que o crime provavelmente era uma função da
  dinâmica do bairro, e não simplesmente uma função dos indivíduos
  dentro dos bairros. Em suas considerações, afirmam que a
  desorganização social é um importante precursor de violência e crime
  juvenil, e que esses processos têm impactos que afetam e facilitam a
  violência juvenil. Os achados sugerem que pesquisadores devem refletir
  sobre vínculos, privação econômica e desorganização social ao tentarem
  demonstrar os fatores causadores da violência juvenil. </p>
  <p>Segundo Breetzke (2010), existe uma vasta literatura criminológica
  internacional que associa índice de criminalidade com desorganização
  social. No entanto, essa literatura é testada e difundida em países
  desenvolvidos. Afirma ainda que, em países em desenvolvimento, em
  especial no continente africano, poucos estudos são apresentados e
  validados. Em seus estudos, este autor busca esclarecer e preencher
  essa lacuna aplicando a teoria da desorganização social e da
  criminalidade violenta na África do Sul, onde esses crimes estão
  associados à privação socioeconômica e à mobilidade residencial.</p>
  <p>Bruinsma <italic>et al.</italic> (2013) ressaltam em seu trabalho
  que a desorganização social é consequência da conjuntura
  socioeconômica, da alta locomobilidade habitacional e da diferença
  étnica (imigrantes). Argumentam que essa teoria se tornou fundamental
  para diversos sociólogos de Chicago que estudavam o crime e os
  problemas sociais e suas consequências para a qualidade de vida da
  população, ocasionado principalmente pelo rápido crescimento
  populacional.</p>
  <p>Wickes e Hipp (2018) afirmam que a teoria da desorganização social
  é uma das teorias mais amplamente testadas na criminologia e que
  certas condutas criminosas são evidenciadas devido a: a) pobreza no
  bairro, concentração racial/étnica e instabilidade residencial; b)
  ausência de vínculos e expectativas compartilhadas; e c) incapacidade
  ou falta de vontade de <italic>exercer</italic> controle social
  informal. Em seu estudo empírico realizado na Austrália, ficou
  evidenciado que as modificações sociodemográficas nas localidades
  pesquisadas e nos bairros próximos influenciam o controle social
  informal da vizinhança.</p>
  <p>No entanto, em comparação com os estudos da teoria da
  desorganização social, os resultados revelam que o controle social
  informal da vizinhança não diminui o crime ao longo do tempo. Também
  contrariamente à literatura sobre desorganização social, o que os
  residentes fizeram em resposta aos problemas não teve efeito sobre os
  crimes de propriedade ou drogas. Para esses tipos de crime, as ações
  dos residentes tomadas em resposta aos problemas da vizinhança não se
  traduziram em menores taxas de criminalidade subsequentes. </p>
  <p>Jones e Pridemore (2019) apresentam a desorganização social como a
  insuficiência estrutural de uma comunidade em efetivar os princípios
  do bem comum, fatores que inibem ou produzem controle social informal
  e eficácia coletiva entre os residentes. No estudo, os autores propõem
  um novo modelo teórico que contribua no suporte a uma hipótese
  multinível da lei da concentração do crime, que inclui condições de
  nível de bairro e de rua. Afirmam que pesquisas criminológicas expõem
  que as ocorrências estão concentradas em locais de atividades ilícitas
  e, para explicar essas hipóteses, os autores desenvolveram um modelo
  teórico multinível de concentração do crime, combinando oportunidade
  criminal e desorganização social. É um modelo hierárquico que leva em
  consideração atividades de rotina e desorganização social para
  entender as conexões entre vizinhança e condições ambientais
  microespaciais. Os resultados apresentados evidenciam que a vizinhança
  influencia o crime no nível de rua e fornece forte apoio à integração
  teórica de atividades rotineiras e desorganização social. O impacto no
  crime de oportunidades é condicionado pelas características da
  comunidade. Revela que as características dos bairros têm um efeito
  independente sobre o crime.</p>
  <p>No caso brasileiro, Reis e Beato (2000) em sua pesquisa apontam que
  a sociedade brasileira possui diversos problemas sociais, como
  desigualdades de renda, analfabetismo, desemprego e educação de má
  qualidade. Eles apontam que o desenvolvimento social e econômico pode
  ser um fator que contribui para o crescimento das taxas de
  criminalidade, especialmente nos casos de crimes contra o patrimônio,
  que tendem a ocorrer em regiões mais organizadas.</p>
  <p>As regiões mais desprovidas de infraestruturas, serviços básicos e
  com ausência de controle social (formal e informal) sofrem com os
  crimes letais, sendo, que a maioria destes crimes estão ligados a
  facções criminosas, tráfico e uso de drogas. Cardia, Adorno e Poleto
  (2003) fortalecem esses argumentos, destacando que esses crimes são
  mais recorrentes em comunidades periféricas, onde as condições
  socioeconômicas são precárias, sem infraestrutura, com ausência do
  Estado e geralmente são controladas por grupos criminosos.</p>
  <p>Nesta perspectiva, Beato, Assunção, Silva, Marinho, Reis e Almeida
  (2001) realizaram uma investigação dos crimes letais (homicídio) em
  Belo Horizonte, Minas Gerais, e apontaram que 10 favelas da cidade se
  destacam como localidades de maior ameaça de homicídios. Essas
  conjunturas sociais e econômicas dessas localidades não são
  suficientes para explicar a concentração desse fenômeno. Os autores
  argumentam que o controle dessas regiões por grupos criminosos e o
  comércio de drogas podem ser os precursores da criminalidade violenta.
  O nível de desenvolvimento das localidades possui correlação positiva
  com crimes contra o patrimônio (roubo), pois diversos moradores
  circulam em locais públicos, principalmente à noite, tornando-se os
  alvos mais prováveis deste tipo de crime (REIS; BEATO, 2000; BEATO
  FILHO; PEIXOTO; ANDRADE, 2004).</p>
  <p>Além disso, Beato e Zilli (2012) evidenciam que o crescimento
  acelerado das localidades ocasiona diversos problemas, como falta de
  infraestrutura, serviços de saúde, transporte, iluminação e
  desigualdade de renda, criando, deste modo, espaços urbanos favoráveis
  para práticas delituosas. Afirmam ainda que organizações criminosas
  contribuem para o aumento sistemático da criminalidade violenta.</p>
  <p>Nesta perspectiva, Silva (2014) destaca “renda” como uma variável
  relevante, pois localidades com desvantagens concentradas e baixo
  status socioeconômico podem ter um crescimento concentrado de
  criminalidade. Já Oliveira (2005, p. 15-17) afirma que o “aumento na
  renda dos mais ricos aumenta a criminalidade e um aumento na renda dos
  mais pobres reduz a criminalidade [...] Quanto maior a desigualdade
  maior é a criminalidade, e que a [...] desigualdade de renda e a
  pobreza são fatores que potencializam a criminalidade”.</p>
  <p>Tavares <italic>et al.</italic>, (2016), em um estudo sobre a
  cidade de Betim/MG, destacam que a violência é um desafio para os
  gestores nas diversas organizações públicas e para a sociedade civil,
  afirmando ainda que essa ligação no Brasil entre homicídios e
  vulnerabilidade social se refere principalmente ao tráfico de drogas e
  armas. Segundo os autores, o homicídio é a personificação da
  brutalidade do homem, provocando caos social, e está conectado com
  aspectos de desigualdade, impunidade e corrupção. Destacam que a
  combinação de delinquência, crescimento desordenado das cidades e
  desigualdades socioeconômicas são os causadores das mortes no
  Brasil.</p>
  <p>A teoria da desorganização social explica que a violência nos
  bairros também é definida por questões sociais, desemprego, mudança
  habitacional, diversidade cultural, racial e de classe social e está
  relacionada com a fragilidade de controle da comunidade sobre o crime
  e vínculos sociais pouco estruturados.</p>
  <p>Contudo, a teoria da desorganização social recebeu diversas
  críticas que destacavam que havia ausência de testes e problemas
  conceituais. As principais críticas ao modelo de Shaw e McKay estão
  relacionadas a: mudanças disciplinares, estabilidade nas estruturas
  ecológicas, aferição da desorganização social, do crime, criminalidade
  e pressupostos normativos da desorganização social (BURSIK; ROBERT,
  1988; SAMPSON; GROVES, 1989).</p>
  <p>Porém, a partir de 1980, a teoria foi reestruturada, com destaque
  para Robert, Bursik e Webb (1982); Bursik e Robert (1988); Sampson
  (1982); e Sampson, Raudenbush e Earls (1997). Para estes autores, a
  teoria da desorganização social está sendo remodelada e possui papel
  relevante para investigações relacionadas à resolução de problemas
  ocasionados pela criminalidade violenta e delinquência nos centros
  urbanos. Apontam que a dinâmica social, a desorganização social e as
  desigualdades socioeconômicas são variáveis relevantes para esclarecer
  a criminalidade violenta nos espaços urbanos.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Procedimentos metodológicos</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Diversos pesquisadores analisam as nuances da criminalidade
  violenta com o objetivo de compreender os catalisadores deste problema
  que afeta o bem-estar social. A metodologia científica subsidia o
  pesquisador a investigar eventos e fenômenos visando contribuir com
  novos saberes. Deste modo, para atingir o escopo proposto neste
  trabalho, realizou-se o seguinte procedimento que, para Quivy, Van
  Campenhoudt e Santos (1992, p. 22): “é uma forma de progredir em
  direção a um objetivo”.</p>
  <p>A proposta é evidenciar espacialmente, através dos mapas temáticos
  construídos do espaço urbano da cidade, e estatisticamente a relação
  entre a criminalidade e os fatores de natureza social e econômica. O
  questionamento que se busca responder é: Até que ponto a teoria da
  desorganização social pode explicar as variáveis investigadas em
  Palmas/TO? Para esta verificação, foram construídos três conjuntos de
  variáveis. O primeiro envolve as categorias “crimes violentos letais
  intencionais (CVLI)”, “roubos”, “roubo <italic>per capita”</italic> e
  “CVLI <italic>per capita</italic>”. O segundo conjunto são as
  variáveis socioeconômicas dos responsáveis pelos domicílios:
  “alfabetização”, “raça (branco/preto)” e “renda familiar”. Por fim, o
  terceiro conjunto de variáveis trata o entorno dos domicílios:
  “iluminação pública”, “arborização” e “rede de esgoto”. A variável
  sobre gênero também foi analisada, porém não apresentou correlação
  estatística significativa.</p>
  <p>Posteriormente, os documentos cartográficos foram elaborados a
  partir das estruturas de bases cartográficas e malhas digitais do
  Brasil, disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
  Estatística (IBGE). Essas bases são compostas por diferentes recortes
  vetoriais na extensão “shapefile”, com polígonos para Unidades da
  Federação, Mesorregiões Geográficas, Microrregiões Geográficas,
  Municípios e no formato de pontos para as sedes de Municípios
  brasileiros.</p>
  <p>Para representar o Plano Diretor de Palmas/TO, foram utilizados
  “shapefiles” referentes aos setores censitários atualizados até 2019 e
  disponibilizados pelo IBGE, abrangendo todo o território do município
  de Palmas. Importa destacar a utilização de uma base cartográfica
  vetorial do Plano Diretor de Palmas, Palmas Sul e outras áreas de
  expansão regularizadas ao Norte e ao Sul do referido Plano
  Diretor.</p>
  <p>As fontes de pesquisa foram: o Mapa da Violência (WAISELFISZ,
  2010); o Atlas da Violência (IPEA; FBSP, 2019); o Anuário Brasileiro
  de Segurança Pública; o Censo Demográfico (IBGE); as Malhas Digitais
  (IBGE) na aba GEOCIÊNCIAS; a Coordenação de Análise Estatística SIOP
  da Polícia Militar do Estado do Tocantins. A partir dessas
  informações, foi construído um banco de dados em formato Excel e em
  seguida adicionado às bases cartográficas digitais por meio de “join”.
  Após esse processo, foi possível elaborar os cartogramas das variáveis
  mais adequadas para análises da teoria da desorganização social no
  Brasil e em Palmas/TO.</p>
  <p>No processo de classificação e representação dos dados para
  elaborar os documentos cartográficos da realidade brasileira, bem como
  de Palmas, considerou-se a “quebra natural”, por se tratar de
  classificação padrão onde as classes são baseadas em agrupamentos
  naturais pertencentes aos dados. Para Ferraz
  (2019)<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>, “esse método se utiliza
  de um algoritmo para minimizar a variação em cada grupo”. Assim,
  quando a informação for apresentada em um mapa, as cores tenderão a
  aparecer mais distribuídas ao longo de toda a visualização.</p>
  <p>O processo de otimização cartográfica passa por uma interação em
  que o algoritmo busca uma minimização da variância dentro dos grupos
  (agrupando os semelhantes), maximizando as diferenças entre os grupos
  (separando os distintos). Além disso, as fronteiras de delimitação das
  classes são demarcadas nas descontinuidades da distribuição de dados.
  Portanto, o método de “quebra natural” para elaboração de mapas
  temáticos é indicado para ser utilizado em distribuições não normais e
  não uniformes. Além disso, é recomendável utilizar este procedimento
  para comparar o número de crimes em vizinhanças através de uma cidade.
  Os totais de crimes serão agrupados de forma que as vizinhanças com
  totais de crime semelhantes são simbolizadas com o mesmo tamanho de
  símbolo.</p>
  <p>Após a construção dos mapas temáticos sobre variáveis de
  criminalidade violenta e variáveis socioeconômicas e urbanas
  (alfabetização, raça/cor, renda, iluminação pública, arborização e
  rede de esgoto), foram feitas as análises estatísticas de correlação
  de Pearson (r) entre as variáveis estudadas com seus respectivos
  níveis de significância estatística. Foram considerados os seguintes
  valores-p (probabilidade que mede a evidência contra a hipótese nula):
  0,01 a 0,05. O coeficiente “r” pode variar entre -1 e 1, sendo que
  quanto mais próximo da unidade positiva ou negativa, maiores são os
  níveis de correlação. Porém, tão ou mais importante do que o valor do
  “r” é a sua significância estatística, que denota a negação da
  hipótese estatística nula.</p>
  <p>Por intermédio da Matriz de Correlação é possível verificar para o
  município de Palmas/TO evidências estatísticas das hipóteses
  preconizadas pela Teoria da Desorganização Social, a saber: Existe
  relação entre as variáveis de renda, de cor, de atributos urbanos
  (iluminação pública, arborização e rede de esgoto) com os crimes de
  roubo e os violentos? Neste sentido, a análise visual dos mapas
  temáticos é corroborada ou não pelos achados estatísticos, o que torna
  a análise, a nosso ver, bem mais consistente.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Resultado e discussão</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Partindo de uma perspectiva nacional, verifica-se que entre os anos
  de 2015 e 2019 ocorreram 283.127 mil mortes violentas letais
  intencionais no Brasil, sendo que no ano de 2019 houve uma variação de
  mais de 36,53% em comparação ao ano
  anterior<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>. Na Figura 1,
  observa-se que, em números absolutos, Amazonas, Bahia, São Paulo, Rio
  de Janeiro, Sergipe e Ceará possuem o maior quantitativo de crimes
  letais intencionais. No entanto, quando se faz em conversão para taxa
  de mortes violentas para cada 100 mil habitantes, percebe-se que o
  quadro muda. Conforme pode ser observado, as regiões Norte e Nordeste
  se destacam como as mais violentas do Brasil. No entanto, duas
  rebeliões no estado do Pará e uma no estado do Amazonas aumentaram as
  cifras de mortes. Tocantins e Rondônia apresentaram os menores índices
  de criminalidade violenta na região Norte. Os estados de Santa
  Catarina e São Paulo são os menos violentos do Brasil.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 1: CVLI, Brasil. Números Absolutos; Taxa por 100 mil
habitantes (2018 – 2019)</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image17.jpg" />
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="49%" />
      <col width="3%" />
      <col width="48%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><list list-type="alpha-lower">
          <list-item>
            <label>a)</label>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Números Absolutos, 2018 – 2019</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
        <th></th>
        <th><list list-type="alpha-lower">
          <list-item>
            <label>b)</label>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Taxa por 100 mil habitantes</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: 14º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Elaborado pelos autores (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>A cidade de Palmas/TO, lócus do estudo, foi concebida como um plano
  de urbanização moderno e planejado, tornando-se capital definitiva do
  estado do Tocantins a partir de 1º de maio de 1990. Os idealizadores
  desenvolveram um projeto arquitetônico de organização espacial de
  maneira que a cidade não crescesse desorganizada e sem infraestrutura
  adequada para a população. Segundo Brito (2010), a cidade de Palmas
  não seguiu os princípios dos projetistas. A ideia inicial era que a
  cidade se desenvolvesse de maneira estruturada, no entanto ocorreu uma
  ocupação desorganizada, gerando com isso grandes despesas para o
  município na implementação de infraestrutura apropriada para as novas
  áreas ocupadas.</p>
  <p>Teixeira (2017) afirma que o plano de ocupação urbana moderada
  deveria ser controlado e ocorrer por módulos, conforme a necessidade e
  o ritmo do crescimento. A aplicação de recurso na estruturação dos
  serviços públicos seria conforme o desenvolvimento da cidade. Contudo,
  o movimento migratório, a especulação imobiliária e as diversas
  classes sociais que buscavam oportunidade na mais nova capital
  desencadearam crescimento populacional e ocupação estendida em áreas
  como a região periférica dos Aurenys, que deveriam ser ocupadas
  somente mais adiante no tempo (BRITO, 2010; TEIXEIRA, 2017).</p>
  <p>Brito (2010) e Teixeira (2017) destacam que a implementação dos
  serviços públicos na cidade de Palmas ficou de certo modo difícil e
  cara devido à ocupação dispersa e com áreas de vazios urbanos nas
  regiões centrais. O preenchimento desproporcional das quadras nas
  diversas partes da cidade gerou mais despesas para a administração
  pública. A expansão e a especulação imobiliária forçaram a aquisição
  de lotes em locais sem infraestrutura e serviços públicos. As
  políticas adotadas pelos gestores públicos, segundo Teixeira (2017),
  forçaram o distanciamento da população mais pobre e a ocupação dos
  espaços urbanos de maneira inadequada.</p>
  <p>A Figura 2 mostra o crescimento da população de mais de 565% em
  trinta anos. Percebe-se que nos dez primeiros anos (1991 e 2000), a
  capital tocantinense teve o maior aumento populacional, com mais de
  460%, evidenciando a necessidade de investimentos, por parte da gestão
  pública municipal e estadual, em infraestrutura básica, escolas e
  serviços essenciais para os munícipes.</p>
  <p>Destaca-se que a cidade de Palmas/TO, fundada em 1989, teve uma
  forte chegada de migrantes de todas as partes do país, onde os laços
  sociais e de vizinhança entre as pessoas foram sendo construídos
  gradativamente, ou seja, trata-se de um capital social em processo de
  construção. Neste sentido, as desigualdades locais são ações
  ocasionadas pelo planejamento excludente, ocasionando diversos
  problemas nas áreas socioeconômica e urbana, contribuindo deste modo
  com a criminalidade violenta em comunidades periféricas (CORIOLANO;
  RODRIGUES; OLIVEIRA, 2013).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 2: Crescimento Populacional de Palmas/TO (1991 –
2020)</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image3.png" />
<p>Fonte: IBGE: Censo Demográfico 1991, 2000, 2010 e 2020* previsão.
Elaborado pelos autores (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Palmas/TO é uma cidade de grandes vazios urbanos e sua população
  mais pobre fica fora de seu plano diretor. Coriolano, Rodrigues e
  Oliveira (2013) também destacam que a cidade inicialmente foi
  planejada para ter uma ocupação ordenada e sequenciada, entretanto
  aconteceu uma ocupação do espaço desordenada, com uma grande presença
  de vazios urbanos nas regiões centrais e uma forte ocupação
  populacional de pessoas de baixa renda nas regiões periféricas. Assim,
  a ocupação urbana ocorreu de forma esparsa, provocando vazios urbanos,
  e impulsionou a atividade de especulação imobiliária.</p>
  <p>A Figura 3 representa espacialmente a forte presença de vazios
  urbanos na cidade de Palmas/TO, com todas as consequências de
  ampliação dos custos de urbanização e de segregação espacial aqui já
  relatados. Particularmente, esta morfologia urbana também afeta a
  atividade da segurança pública, uma vez que amplia os custos das
  atividades de monitoramento e prevenção de atividades delitivas.</p>
  <p>Destaca-se que no ano de 2011, a região Sul de Palmas possuía mais
  de 50% da população da capital. Segundo Coriolano, Rodrigues e
  Oliveira (2013), os bairros Jardim Aureny III, Aureny IV, Morada do
  Sol e Sol Nascente possuíam mais de 88% das pessoas com renda de até
  três salários-mínimos e grande número de habitantes. Neste sentido,
  são evidenciados, na cidade de Palmas, elementos da teoria da
  desorganização social, como a insuficiência estrutural, o crescimento
  desordenado e as desigualdades socioeconômicas; contudo, podemos
  destacar que diversas cidades brasileiras vivenciam problemas
  apontados nestas referências.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 3: Quantidade de moradores em domicílios particulares
permanentes na cidade de Palmas/TO em 2010</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image4.jpg" />
<p>Fonte: IBGE: Censo Demográfico 1991, 2000, 2010 e 2020* previsão.
Elaborado pelos autores (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>A cidade de Palmas/TO apresentou uma relativa oscilação em sua taxa
  de homicídios, com alguns picos repentinos, especificamente nos anos
  de 2009 e 2015. Estes números são explicados por momentos em que a
  atividade criminosa foi intensificada pela guerra de facções na
  cidade. Porém, nos últimos anos, de 2015 a 2019, houve uma queda nesta
  taxa, acompanhando a tendência nacional (Figura 4).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 4: Taxas de Homicídio (por 100 mil hab.) na População do
Brasil, no estado do Tocantins e na cidade de Palmas/TO</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image6.png" />
<p>Fonte: Atlas da violência 2019 (IPEA; FBSP, 2019); Mapa da Violência
2010 (WAISELFISZ, 2010); Coordenação de Análise Estatística PMTO.
Elaborado pelos autores (2021).</p>
<p><bold>Figura 5: Distribuição espacial do número de crimes roubos e
CVLI</bold></p>
<p><bold>a) Taxa por 100 mil habitantes</bold></p>
<disp-quote>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image5.jpg" />
</disp-quote>
<p><bold>b) absolutos no município de Palmas, Tocantins, 2018</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image2.jpg" />
<p>Fonte: Coordenação de Análise Estatística PMTO. Elaborado pelos
autores (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Pela Figura 5, fica retratado que a região Sul de Palmas teve o
  maior índice de CVLI entre 2018 e 2020. No entanto, percebe-se que a
  criminalidade violenta letal ocorreu em diversas quadras da capital e
  se concentra nas regiões periféricas da cidade. A distribuição
  espacial aponta que nas regiões Sul e Sudoeste está o maior volume de
  registros das ocorrências (roubo). Os crimes de roubos na região
  Sudoeste de Palmas, em hipótese, podem ser explicados pela
  concentração das duas maiores faculdades privadas da capital nessa
  região. São locais com ausência de guardiões e oportunidades
  disponíveis para os criminosos cometerem crimes.</p>
  <p>Observando os mapas, verifica-se uma maior frequência das
  atividades delitivas, tanto em valores absolutos quanto <italic>per
  capita</italic>, nas regiões mais periféricas da cidade. Desse modo,
  pode-se afirmar que as regiões periféricas de Palmas possuem os
  maiores quantitativos de crimes violentos. Que fatores podem estar
  correlacionados com esses indicadores? Alguns pesquisadores apontam
  crescimento econômico, e essa associação pode ser negativa ou positiva
  (STACY; HO; PENDALL, 2017), condições sociais, políticas, demográficas
  (GULMA <italic>et al.</italic>, 2019), status socioeconômico e
  desvantagem concentrada (falta de saneamento básico, pobreza,
  analfabetismo, desorganização familiar, serviços básicos) (KUBRIN,
  2009; ESCOBAR, 2012) e locais propícios para o cometimento de crimes
  (a oportunidade); ou seja, os criminosos fazem escolhas racionais, por
  meio da seleção de alvos fáceis, com recompensa alta e pouca
  dificuldade e ameaça. Segundo Cohen e Felson (1979), o crime ocorre
  pela junção, no espaço e tempo, dos criminosos, do objeto e da falta
  de guardião contra o ato delituoso. Afirmam ainda que as atividades e
  os roteiros de rotina de uma pessoa facilitam as oportunidades
  criminosas e suas tendências.</p>
  <p>Na análise dos crimes de roubo da cidade de Palmas/TO, observa-se
  que nas regiões com maior predominância destes crimes há também maior
  prevalência de domicílios com rendimentos mensais <italic>per
  capita</italic> de ½ a 1 salário-mínimo, menores níveis de
  alfabetização, e em regiões sem iluminação pública (Figura 6), com
  índices respectivos de correlação de 0,298, -0,727 e -0,323, com
  significância estatística superior a 95% (Figura 7). Como consequência
  prática, isso demonstra que para combater a criminalidade é importante
  investir em geração de emprego de qualidade, proteção social e
  educação, em especial para a população mais pobre, e investir
  especialmente na iluminação pública na cidade de Palmas/TO.</p>
  <p>Na análise dos CVLI, foram verificadas evidências de sua relação
  com fatores demográficos, econômicos e espaciais. Nos mapas
  elaborados, observa-se que em regiões com maior predominância destes
  crimes há um forte indício da presença da questão racial. Na Figura 6,
  itens “a”, “d”, “e”, observa-se que a população branca da capital se
  concentra no centro da cidade. Neste aglomerado, a maior parte da
  população possui renda superior a 10 salários-mínimos, bem como maior
  quantitativo de pessoas alfabetizadas. Os domicílios chefiados por
  brancos mantêm uma correlação de -0,317 e de 0,306 por pretos. Também
  nas regiões com maior presença de domicílios com rendimentos mensais
  <italic>per capita</italic> de ½ a 1 salário-mínimo com correlação
  0,378 (Figura 7). Ou seja, a ocorrência dos CVLI é frequente nos
  domicílios considerados pobres que, por sua vez, na maior parte, são
  chefiados por pessoas da cor preta. Basicamente, as constatações para
  a agenda de políticas públicas dos CVLI se assemelham aos crimes de
  roubo, no que tange a questão da renda, porém este aspecto de presença
  de elementos relacionados à questão de raça (branca/preta) merece um
  especial destaque.</p>
  <p>Portanto, quanto maiores as desigualdades sociais, maiores os
  indicadores de criminalidade violenta. Em contraste, as quadras com os
  melhores indicadores sociais (educação, renda e serviços públicos de
  baixa qualidade) evidenciam uma incidência menor. Estes resultados
  corroboram em regra com os trabalhos anteriores feitos no Brasil com
  base na teoria da desorganização social (BEATO; ZILLI, 2012; BEATO
  <italic>et al.</italic>, 2001; OLIVEIRA, 2005; REIS; BEATO, 2000;
  BEATO, PEIXOTO; ANDRADE, 2004; SANTOS; OLIVEIRA, 2017; SILVA, 2014;
  TAVARES <italic>et al.</italic>, 2016; VIANA, 2019).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 6: Distribuição espacial</bold></p>
<p><bold>a)</bold> Responsáveis por domicílios em Palmas/TO, cor branca
<bold>b)</bold> Responsáveis por domicílios em Palmas/TO, cor
preta<inline-graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image16.jpg" /></p>
<p><bold>c)</bold> Domicílios com rendimentos mensais
<italic>per</italic> <italic>capita</italic> de ½ a 1 SM em Palmas/TO
<bold>d)</bold> Responsáveis por domicílios alfabetizados em
Palmas/TO</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image14.jpg" />
<p><bold>e)</bold> Domicílios próprios com iluminação pública em
Palmas/TO <bold>f)</bold> Domicílios próprios com arborização em
Palmas/TO</p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image13.jpg" />
<p>Fonte: IBGE, 2010; 2019. PMTO. Elaborado pelos autores (2021).</p>
<p><bold>Figura 7: Matriz de correlação dos crimes violentos em
Palmas/TO (2021)</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image1.jpg" />
<disp-quote>
  <p>Legendas: * A correlação é significativa no nível 0,05 (2
  extremidades); ** A correlação é significativa no nível 0,01 (2
  extremidades). Fonte: IBGE, 2010; 2019;. Elaborado pelos autores
  (2021).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Considerações finais</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Há várias hipóteses, por vezes controversas, sobre as causas da
  criminalidade e as formas de combatê-la. Tradicionalmente, supõe-se
  que a criminalidade deve ser combatida com a ampliação do aparelho
  repressivo do Estado, com uma maior rigidez da legislação penal e, por
  vezes, com aumento da estrutura penitenciária para abrigar um maior
  número de marginais. Outros apostam na flexibilidade do porte de armas
  para a população como mecanismo para repressão dos crimes pela própria
  população. Essa hipótese é frágil e carece de comprovações científicas
  e analíticas.</p>
  <p>Com base na metodologia utilizada (análise cartográfica e
  estatística), foi verificado que as variáveis renda, alfabetização,
  raça e serviços básicos (iluminação pública) são fatores que apontam
  para a causa dos crimes violentos na cidade de Palmas/TO. Logo, o
  estudo das teorias da criminalidade é de suma importância para a
  redução ou minimização dos problemas advindos do crescimento
  desordenado dos centros urbanos e a concentração dos crimes violentos.
  Neste sentido, gestores públicos e sociedade civil devem desenvolver
  mecanismos e instrumentos visando diminuir as desigualdades sociais. O
  crime e a violência urbana são distúrbios que afetam os espaços
  urbanos e modificam as estruturas sociais. São fatos danosos, um
  obstáculo ao bem-estar e à qualidade de vida nas comunidades
  impactadas. Também dificultam o trabalho das instituições
  públicas.</p>
  <p>Para Palmas/TO, os crimes de roubo, particularmente, estão
  relacionados à segregação espacial, em particular à existência de
  vazios urbanos e à ausência de serviços públicos, particularmente a
  iluminação pública. Quanto aos crimes de CVLI, os fatores de
  segregação espacial e a questão racial estão presentes. Ou seja,
  regiões com a presença de domicílios chefiados por pretos têm uma
  maior prevalência destes crimes, que também são domicílios com maior
  índice de pobreza. Nesta perspectiva, a criminalidade violenta em
  Palmas é determinada principalmente por ausência de políticas
  públicas, renda e controle social formais.</p>
  <p>A teoria da desorganização social traz uma interpretação da
  criminalidade como fato social com causas igualmente sociais, onde
  parte significativa de sua explicação encontra-se em fatores
  intrínsecos de desigualdade e discriminação social. Assim, as
  localidades com problemas e mudanças estruturais e segregação espacial
  são propícias para o crescimento da criminalidade violenta,
  principalmente crimes contra o patrimônio (roubo).</p>
  <p>Esta pesquisa apresentou resultados que demonstram que a raiz da
  criminalidade violenta está em problemas como status socioeconômico,
  heterogeneidade, mobilidade residencial, ruptura familiar,
  urbanização, educação, emprego e ausência do Estado, provocando
  mudanças estruturais, variáveis que estão relacionadas ao controle
  social formal e informal, corroborando com a Teoria da Desorganização
  Social. Bairros que apresentam problemas relacionados a estas
  variáveis podem ter altas taxas de criminalidade violenta.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Referências Bibliográficas</bold></p>
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    <label>1</label><p>Outras informações sobre classificação de dados
    podem ser obtidas em diferentes fontes. No nosso caso, destacamos o
    endereço para consulta disponível em:
    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://netoferraz.github.io/o-eu-analitico/data%20wrangling/eda/2019/07/29/clf_dados.html">https://netoferraz.github.io/o-eu-analitico/data%20wrangling/eda/2019/07/29/clf_dados.html</ext-link>.
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