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<disp-quote>
  <p><bold>CRIMES EM ASSENTAMENTOS RURAIS: REGISTRAR OU NÃO
  REGISTRAR?</bold><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></p>
</disp-quote>
<p><bold>Aurélio Mendanha da Silva</bold></p>
<p>Mestrado em Sociologia – UFMT (2019); Pós-Graduação em Gestão Pública
– UNOPAR (2017); Pós-Graduação em Gestão de pessoas – Faculdade Católica
de Anápolis (2012); Graduado em Administração – Faculdades Alfredo
Nasser (2009); Técnico em Segurança do Trabalho – SENAC (2010); Servidor
da Polícia Judiciária Civil em MT. Foi professor nas áreas de
Administração e Segurança do Trabalho no SENAC (GO).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Mato Grosso
<bold>Cidade:</bold> Água Boa</p>
<p><bold>Email:</bold> aureliosilva@pjc.mt.gov.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-6082-6408</p>
<p><bold>André Luís Ribeiro Lacerda</bold></p>
<p>Biossociólogo e psicólogo, atua principalmente nas áreas de
sociologia econômica e das organizações, biossociologia das crenças,
estratégias de grupo. Professor do programa de mestrado em Sociologia da
UFMT.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Mato Grosso
<bold>Cidade:</bold> Cuiabá</p>
<p><bold>Email:</bold> ribeirolacerda66@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-6145-4810</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Aurélio Medanha da Silva: o artigo é uma síntese da dissertação de
mestrado que ele defendeu no Mestrado em sociologia/UFMT. André Luís
Ribeiro Lacerda: foi o orientador do Aurélio e contribuiu principalmente
com as discussões sobre a dimensão metodológica dos dados e com a
teoria.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>RESUMO</bold></p>
</disp-quote>
<p>A presente pesquisa buscou entender por que os moradores dos
assentamentos rurais do município de Água Boa/MT tendem a não registrar
ocorrências criminais. Com base na teoria da escolha racional,
defende-se a hipótese de que o assentado faz um cálculo racional para
determinar as ações de registrar ou não registrar as ocorrências
criminais. Acredita-se que variáveis como a localização geográfica dos
assentamentos, o tipo de crime do qual o indivíduo foi vítima e a sua
posição na estrutura social do assentamento tendem a explicar por que
ele registra ou não as ocorrências criminais. Quanto ao procedimento
metodológico da pesquisa, utilizaram-se dados secundários oriundos de
levantamento de informações nos órgãos públicos do Incra, na delegacia
municipal de Água Boa, no Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, na prefeitura de Água Boa e as informações dos sistemas de
registros de ocorrências SROP-MT. Ainda, foram utilizados dados
primários coletados a partir de pesquisa de campo, tendo sido realizadas
67 entrevistas estruturadas junto aos assentados. A pesquisa verificou
que, quanto mais próximos os assentamentos de Água Boa, mais propensos
os assentados estão a registrar ocorrências. A partir de algumas
constatações, como a maioria dos fatos criminosos nos assentamentos
serem furtos, ameaças e danos e haver maior tendência a registrar crime
em assentamentos mais estruturados, é possível concluir que os
determinantes que motivam o indivíduo a registrar ou não o crime
dependem de avaliações pessoais, da percepção da gravidade do fato
criminoso ou violento e da avaliação do custo e do benefício do
registro.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Assentados. Crimes. Escolha racional.
Registros de ocorrências.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>ABSTRACT</bold></p>
</disp-quote>
<p><italic><bold>CRIMES IN RURAL SETTLEMENTS: TO REGISTER OR NOT TO
REGISTER?</bold></italic></p>
<p><italic>This study sought to understand why residents of rural
settlements in the municipality of Água Boa/MT tend not to registrar
police reports. Based on the theory of rational choice, we defend the
hypothesis that the settlement individual makes a rational calculation
to determine their actions of registering or not criminal occurrences,
which includes variables such as the geographical location of the
settlements, the type of crime of which the individual was a victim, and
their social position in the settlement, as possible reasons of why
these individuals register or not police reports. Regarding the
methodological procedure, secondary data were used by collecting
information in the public agencies of Incra, the municipal police
station, the Brazilian Institute of Geography and Statistics, and The
Municipality of Água Boa to analyze the documents and information of the
systems of police reports. The primary data was acquired from field
research with 67 structured interviews with the settlement individuals.
The results showed that the closer the settlements were to Água Boa, the
more individuals registered police reports. The findings pointed to most
criminal facts in the settlements being thefts, threats, and property
damage and that in more structured settlements, there is a greater
tendency for individuals to register crimes. It is possible to conclude
that the determinants that motivate the individual to register or not
register crimes depend on personal assessments and the perception of the
severity of the criminal or violent occurrence by calculating the cost
and benefit of registering the police report.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords:</bold> Settled people. Crimes. Rational
choice. Police reports.</italic></p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 06/07/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 24/08/2022</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1557</p>
<disp-quote>
  <p><bold>CONSIDERAÇÕES INICIAIS</bold></p>
  <p>A presente pesquisa tem como objetivo entender por que moradores
  dos assentamentos rurais do município de Água Boa/MT tendem a não
  registrar ocorrências criminais. Desta maneira, com a análise de dados
  secundários e a produção de dados primários, busca contribuir para a
  compreensão do fenômeno de subnotificação de registros e seus
  determinantes.</p>
  <p>Água Boa é uma cidade brasileira localizada no estado de Mato
  Grosso, situada na porção média do Vale do Araguaia. Segundo o
  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2018), em 2018,
  a população estimada do município era de 25 mil habitantes,
  distribuída na cidade e no campo. Sua área territorial é de
  7.510,635km<sup>2</sup>, ocupando a posição de 39º (trigésimo nono)
  maior município do estado de Mato Grosso.</p>
  <p>O município de Água Boa possui divisão territorial em zona urbana e
  rural. A zona urbana é dividida em 22 bairros e a zona rural
  compreende grandes fazendas, pequenas propriedades rurais, distritos,
  agrovilas e seis pontos de
  assentamentos<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>: Jaraguá, Jandira,
  Jatobazinho, Martins, Serrinha e Santa Maria, os quais, segundo dados
  do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA, 2020),
  totalizam cerca de 1.247 lotes de terras.</p>
  <p>Como em outras cidades do Brasil, na zona urbana e em pequenas
  propriedades rurais, nos assentamentos e nas agrovilas de Água Boa,
  existe um comportamento de subnotificação de registro de ocorrências
  criminais por parte de seus moradores, conforme dados da Pesquisa
  Nacional de Vitimização (BEATO, 2012). De acordo com Souza, Brito e
  Barp (2011, p. 85): “subnotificação é o acontecimento que não chega ao
  conhecimento da instituição, pública ou privada, encarregada de
  empreender medidas previstas em lei a partir das informações recebidas
  sobre determinado evento”.</p>
  <p>Segundo Dirk (2007, p. 40), existem duas dimensões da
  subnotificação. A primeira, denominada subnotificação desconhecida,
  ocorre quando nenhum dos agentes da segurança pública tomou
  conhecimento do fato, ou ainda quando o evento ocorreu e não houve
  nenhum acionamento institucional. A segunda, denominada subnotificação
  conhecida, ocorre quando o evento criminoso chegou ao conhecimento das
  autoridades, mas não foi registrado por diferentes motivos.</p>
  <p>A subnotificação desconhecida também pode ser denominada cifra
  negra, entendida como os delitos que efetivamente não chegam ao
  conhecimento das forças policiais. Já as cifras brancas são aqueles
  delitos que chegam ao conhecimento das autoridades, mas, por problemas
  burocráticos, imperícias ou negligência, não são investigados,
  conforme expõem Souza, Brito e Barp (2011).</p>
  <p>A Pesquisa Nacional de Vitimização (BEATO,
  2012)<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, divulgada pela Secretaria
  Nacional da Segurança Pública do Ministério da Justiça, aponta que a
  subnotificação média para a
  vitimização<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>anual no Brasil –
  considerando os 12 tipos de crimes ou ofensas definidas pelo estudo,
  como furto e roubo de automóveis, motocicletas ou bens, sequestro,
  fraudes, acidentes de trânsito, agressões, ofensas sexuais e
  discriminação – é de 80,1%. De acordo com a mesma pesquisa, no estado
  de Mato Grosso, somente 29,1% dos delitos tiveram ocorrências
  registradas. Isso significa que grande parte dos fatos criminosos, ou
  seja, 70,9% deles, não foram registrados, razão pela qual não compõem
  as estatísticas oficiais das instituições policiais do estado.</p>
  <p>Nos assentamentos do município de Água Boa, esses índices de
  registros são ainda mais baixos. Conforme dados da Delegacia Municipal
  de Água Boa, oriundos do Sistema de Registro de Ocorrências Criminais
  do Estado de Mato Grosso (SROP-MT) da Polícia Judiciária Civil, no ano
  de 2018 foram registrados 3.108 boletins de ocorrências, considerando
  todos os tipos de delitos criminais. Desses registros, 2.834 possuem
  local do fato na zona urbana e 274, na zona rural. Especificamente
  sobre os dados da zona rural, dos registros de ocorrência com endereço
  ou local do fato criminoso, somente 28 registros de ocorrência são
  oriundos de assentamentos.</p>
  <p>Para analisar o fenômeno de subnotificação, em especial a do tipo
  desconhecida, conforme descrita por Dirk (2007), formulou-se o
  seguinte problema de pesquisa: <italic>Por que os assentados dos
  diferentes assentamentos rurais localizados no município de Água Boa
  (MT) tendem a não registrar ocorrências criminais?</italic> Para
  responder ao questionamento proposto, foram elaboradas algumas
  hipóteses, que serão abordadas na próxima seção, juntamente com o
  aporte teórico que as sustenta.</p>
  <p><bold>QUADRO TEÓRICO E HIPÓTESES</bold></p>
  <p>As razões que levam um indivíduo a registrar ou não uma ocorrência
  criminal podem ter origens variadas. Mas, independentemente de suas
  origens, todas elas desaguam em um cálculo situacional do indivíduo.
  Um dos caminhos teóricos que abordam o cálculo situacional do
  indivíduo é a teoria da escolha racional.</p>
  <p>Falar em cálculo situacional do indivíduo pode levar a certos
  mal-entendidos em relação a versões da teoria da escolha racional.
  Então, antes de qualquer coisa, alguns esclarecimentos se fazem
  necessários. Uma crítica sobre a escolha racional centra-se na falta
  de realismo na sua suposição de que os seres humanos calculam as
  consequências esperadas de suas opções e escolhem a melhor delas.
  Temos aqui uma incompatibilidade com o ator social real. Se as pessoas
  fossem os agentes informados e calculistas que os teóricos da escolha
  racional supõem que eles sejam, tais decisões não seriam
  particularmente dolorosas. Uma vez que estas escolhas muitas vezes
  tomam uma dimensão emocional, é fácil concluir que a teoria seja
  inverosímil (HECHTER; KANAZAWA, 1997).</p>
  <p>Esse tipo de raciocínio é construído sobre um equívoco comum quanto
  à natureza
  da escolha racional. A teoria não pretende explicar o que uma pessoa
  racional
  fará em uma situação específica; este pressuposto está firmemente no
  domínio da teoria da decisão. As teorias da escolha racional genuínas,
  pelo contrário, estão mais preocupadas com resultados sociais do que
  individuais (HECHTER; KANAZAWA, 1997). Dado que cada indivíduo age
  racionalmente, será o resultado agregado, portanto, “racional” ou
  desejável? Não necessariamente. Os resultados sociais podem ser tanto
  não intencionais quanto indesejáveis.</p>
  <p>Ao contrário da teoria da decisão, a teoria da escolha racional é
  inerentemente um empreendimento multinível. Os modelos da escolha
  racional também contêm especificações de estruturas sociais. Estas
  estruturas sociais servem tanto no contexto social quanto no material
  para a ação individual. Dado que as normas e outros tipos de
  instituições inserem os modelos, tanto enquanto contextos como
  resultados da ação, as teorias da escolha racional não descansam nas
  premissas pertencentes exclusivamente aos indivíduos (HECHTER;
  KANAZAWA, 1997).</p>
  <p>Uma outra crítica à teoria da escolha racional se concentra em seus
  pressupostos motivacionais. Teóricos da escolha racional consideram
  tanto os valores individuais quanto os elementos estruturais como
  determinantes de resultados igualmente importantes, mas por razões
  metodológicas suas aplicações tipicamente empíricas colocam maior
  ênfase nos determinantes estruturais sociais. Como consequência, as
  explicações da escolha racional, muitas vezes, são consistentes com as
  de outras perspectivas gerais, como o estruturalismo e a análise de
  rede (COLEMAN, 1988; HECHTER; KANAZAWA, 1997).</p>
  <p>Existem muitas versões da teoria da escolha racional, portanto,
  estamos falando de uma família de teorias e não de uma teoria única e
  abrangente. É possível distingui-las, conforme Ferejohn (1991 apud
  HECHTER; KANAZAWA, 1997), em modelos “magros” e “encorpados”. Os
  modelos de escolha racional magros não se preocupam com os valores
  particulares (ou metas) que os indivíduos perseguem. As teorias da
  escolha racional com base em modelos magros – como os normalmente
  encontrados em economia e na teoria da escolha social – são altamente
  universalistas e, nessa medida, se assemelham às teorias em física e
  biologia sobre o comportamento ideal de átomos e organismos (HECHTER;
  KANAZAWA, 1997). Os modelos encorpados de ação individual, defendidos
  há muito tempo por Max Weber, são substancialmente mais ricos, por
  incorporarem alguns aspectos da intencionalidade. Uma vez que as
  pessoas têm razões para o que elas fazem, seu comportamento é
  previsível somente se é conhecido o que as motiva.</p>
  <p>As razões que influenciam o não registro de ocorrências têm
  fundamento estrutural e individual no sentido das teorias
  “encorpadas”, pois é importante que se leve em consideração os valores
  e crenças dos indivíduos.</p>
  <p>Muitas explicações sobre a criminalidade baseiam-se em modelos
  magros, como o de Becker (1968), que se amparou na teoria racional
  para estudar a criminalidade sob o ponto de vista econômico. Coleman
  (1988) e a perspectiva de modelos “encorpados” é crítico desse tipo de
  abordagem, apesar de reconhecer sua contribuição. Os trabalhos de
  Goudriaan (2004) e Skogan (1984) são interessantes para se entender a
  percepção das vítimas no sentido proposto aqui.</p>
  <p>No Brasil, alguns sociólogos têm usado a perspectiva de escolha
  racional para explicar o perfil das vítimas de furto, roubo e
  agressão, como Beato Filho, Peixoto e Andrade (2004). O objetivo deste
  trabalho é usar modelos “encorpados” da teoria da escolha racional
  para explicar por que moradores de assentamentos rurais localizados
  distantes de centros urbanos, vítimas dos mais variados tipos de
  crime, tendem a não registrar as ocorrências.</p>
  <p>Para responder ao problema de pesquisa, três hipóteses foram
  elaboradas. A hipótese geral (HG) desta pesquisa está pautada na ideia
  de que os assentados do município de Água Boa, em Mato Grosso, tendem
  a realizar cálculos racionais que explicam o comportamento de não
  registrarem fatos criminosos à polícia. A teoria da escolha racional
  emprega o princípio do individualismo metodológico, que considera os
  fenômenos sociais como sendo decorrentes das ações e das interações
  individuais (ELSTER,1994).</p>
  <p>Desse modo, os indivíduos, segundo a teoria da escolha racional,
  avaliam e escolhem suas ações não por elas mesmas, mas como meios mais
  ou menos eficientes para um fim ulterior (ELSTER, 1994). As pessoas
  avaliam os benefícios e custos vinculados a suas crenças e seus
  valores ao decidirem. Ou seja, as vítimas racionalizam as implicações
  de registrar ou não a ocorrência de um incidente criminoso. Segundo a
  abordagem da escolha racional de Coleman (1988) e Hechter e Kanazawa
  (1997), os determinantes que motivam um indivíduo a executar ou não
  uma ação – neste caso, registrar ou não uma ocorrência de crime –
  dependem de avaliações pessoais, da percepção sobre a capacidade da
  polícia fazer algo em relação ao crime, dos custos econômicos e das
  pessoas envolvidas em possíveis problemas gerados após a denúncia do
  crime à instituição policial e seu registro. Ou seja, consideram tanto
  valores individuais quanto elementos estruturais.</p>
  <p>Seguindo com esse raciocínio, podemos estabelecer a primeira
  hipótese (H1): a H1 pressupõe que o comportamento de registrar
  ocorrências criminais por parte dos assentados se deve à distância
  geográfica dos assentamentos em relação à delegacia municipal. Em
  função da distância que teriam de percorrer e do custo para realizar a
  ocorrência, os assentados tendem a não registrar o ocorrido ou a
  subnotificar as instituições policiais.</p>
  <p>Os assentamentos apresentam distâncias variáveis e a H1 sugere que
  quanto maior a distância do assentamento do perímetro urbano de Água
  Boa, maior a probabilidade da vítima não registrar a ocorrência de um
  crime. Ela teria de percorrer uma grande distância, o que envolve
  recursos como tempo e dinheiro, significativos para os indivíduos que
  vivem em uma situação em que ambos os recursos são escassos. Além do
  que, quanto mais distante, mais custoso seria para o indivíduo lidar
  com as consequências do registro.</p>
  <p>A segunda hipótese (H2) refere-se ao tipo de crime praticado. A H2
  infere que as ocorrências criminais são registradas de acordo com o
  tipo de crime praticado, ou seja, presume-se que alguns crimes não
  compensam o custo (social, psicológico e econômico) de serem
  registrados. Por isso, os registros variam segundo o tipo de
  ocorrência criminal, considerando que os mais graves, conforme
  tipificação e penas determinadas pelo Código Penal Brasileiro, tendem
  a ser registrados, como furto de um bem de valor expressivo (carro,
  moto, trator, etc.), roubo (mediante violência ou grave ameaça), lesão
  corporal grave ou gravíssima e homicídio.</p>
  <p>A terceira hipótese (H3) é uma leitura da escolha racional do
  modelo “encorpado”. A H3 depreende que os assentamentos mais
  estruturados e estabelecidos tendem a registrar mais ocorrências
  criminais. Ou seja, indivíduos que moram em assentamentos mais
  estruturados tendem a registrar mais ocorrências do que indivíduos de
  assentamentos menos estruturados.</p>
  <p>Desse modo, utilizamos um dos conceitos de estrutura social
  fundamentado nas cadeias de <italic>status</italic> sociais de Turner
  (2000), que estipula que, entre as várias dimensões das estruturas
  sociais, está a densidade. Assentamentos mais estruturados tendem a
  ter ocupações mais especializadas e, por isso, tendem a gerar uma
  maior complexidade social.</p>
  <p>Assim, a H3 defende que, nos assentamentos mais estruturados
  socialmente, os assentados tendem a ser mais integrados, tendo mais a
  perder se não registrarem ocorrências criminais. Black (1976) defende
  que, quanto maior o nível de integração social, mais o indivíduo está
  positivamente relacionado à lei, o que significa que as pessoas mais
  integradas à sociedade têm maior probabilidade de denunciar crimes do
  que as menos integradas. Ou seja, quanto mais integrado socialmente ao
  assentamento, maior a probabilidade de o indivíduo registrar um
  crime.</p>
  <p><bold>PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</bold></p>
  <p>Para sustentar as hipóteses apresentadas, foram coletados dados
  primários e secundários. Os dados secundários se referem a dados sobre
  os assentamentos rurais consultados no INCRA (2020), no IBGE (2018),
  na Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso (PJC-MT) e no
  Sindicato Rural de Água Boa/MT. Os dados primários foram coletados por
  meio de 67 entrevistas estruturadas realizadas com moradores dos
  assentamentos rurais e suas agrovilas.</p>
  <p>Para as entrevistas, foi elaborado um roteiro com 37 perguntas
  divididas em 3 blocos correspondentes às hipóteses apontadas na
  pesquisa. No primeiro bloco, as perguntas foram formuladas para
  obtenção de dados relacionados ao distanciamento geográfico e à
  frequência de circulação dos assentados entre os lotes, a agrovila e a
  cidade de Água Boa. O segundo bloco contemplou perguntas sobre a
  interação social dos assentados, a percepção da criminalidade, as
  ocorrências de crimes, os tipos de fatos criminosos ou violentos e os
  dados de registros. No último bloco, foram levantados dados referentes
  a idade, sexo, gênero, escolaridade e renda.</p>
  <p>Na pesquisa de campo, estabeleceu-se que o universo da pesquisa
  seria os moradores dos assentamentos e das agrovilas regulamentados do
  município de Água Boa (MT), considerando o tamanho da população
  pesquisada e o número de lotes estabelecidos pelo INCRA (2020). Sendo
  6 assentamentos oficialmente constituídos de responsabilidade de Água
  Boa: Jatobazinho, Jaraguá, Santa Maria, Serrinha, Jandira e Martins. O
  Assentamento Nacional está em processo de regularização e o
  assentamento Santa Cruz está na divisa territorial do município, não
  ficando em sua base de dados. Assim, os assentamentos Nacional e Santa
  Cruz, não foram investigados.</p>
  <p><bold>Descrição da População</bold></p>
  <p>Os assentamentos do município de Água Boa, no Mato Grosso, são do
  tipo Projeto de Assentamento ou P.A. e possuem algumas características
  específicas e obrigações legais para sua constituição e implantação,
  como a criação de agrovilas com igreja, comércio, escola e serviços
  básicos, como posto de saúde.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Jatobazinho</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O assentamento Jatobazinho possui 232 lotes, conforme dados de
  registro do INCRA (2020b). O assentamento está localizado a cerca de
  20 km da cidade de Água Boa e, devido à proximidade, os moradores do
  Jatobazinho tendem a ter sua vida funcional no centro urbano da
  cidade. Esse fato pôde ser comprovado pela estrutura da agrovila, que
  conta somente com a igreja em funcionamento. Seus moradores dividem
  suas vidas entre Água Boa e o assentamento.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Jaraguá</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O segundo assentamento mais próximo da cidade de Água Boa, com
  demarcação de 400 lotes iniciais, sofreu alteração em 12 de setembro
  de 2007, havendo aumento do número de lotes para 420. O assentamento
  Jaraguá está localizado a aproximadamente 33 km de Água Boa, porém,
  por ser o maior dos assentamentos, existem pontos que estão a quase 70
  km da cidade.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Santa Maria</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O assentamento Santa Maria, com cerca de 217 lotes, é o terceiro
  mais próximo da cidade de Água Boa, a 40 km de distância, pela BR-158,
  e teve sua origem na desapropriação da Gleba Santa Maria.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Serrinha</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O assentamento Serrinha possui capacidade de 158 lotes e se
  localiza a 860 km da capital do estado de Mato Grosso e a 90 km da
  sede do município por estrada de terra.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Jandira</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O assentamento Jandira fica 824 km distante da capital Cuiabá e
  aproximadamente a 100 km da sede do município de Água Boa. Sua
  capacidade de assentamento é de 150 famílias com lotes, conforme dados
  do INCRA (2020).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Martins</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Sendo considerado um dos mais distantes da cidade de Água Boa, o
  assentamento Martins é um assentamento federal, com 55 lotes e
  capacidade para até 70 lotes. Está localizado a 130 km da sede do
  município.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Nacional</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O projeto do assentamento Nacional é o mais recente dos
  assentamentos, com número de processo de criação 54000.126569/2018-61
  e publicação do ato em 21 de agosto de 2018. Localizado a 90 km da
  sede do município de Água Boa e a 700 km da capital de Mato Grosso, o
  assentamento ainda não foi regulamentado e não existem moradores em
  seus lotes, razão pela qual não foi investigado.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Santa Cruz</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O assentamento Santa Cruz está estabelecido na divisa dos
  municípios de Água Boa, Campinápolis e Nova Xavantina, com atribuição
  legal a este último. No sistema e no site oficial do INCRA (2020b), há
  o apontamento de sua localização nos três municípios, por isso não foi
  considerado para esta pesquisa.</p>
  <p><bold>Amostragem</bold></p>
  <p>Segundo Malhotra (2001, p. 301): “amostra é um subgrupo de uma
  população, selecionado para a participação no estudo”. Considerando
  que cada lote possui uma pessoa inscrita/moradora/arrendatária
  registrada ou não na relação/lista cadastral de assentados do INCRA e
  que a quantidade de lotes por assentamento não é uniforme,
  estabeleceu-se o denominador de 5% a 10% de cada assentamento para
  determinar o número de lotes da amostra de forma mais igualitária
  possível. Desse modo, o tamanho da amostragem foi de 62,35 lotes,
  totalizando 67 entrevistas, conforme Tabela 1.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 1: Registro por localidade</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="28%" />
      <col width="17%" />
      <col width="17%" />
      <col width="15%" />
      <col width="23%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Localidade</bold></th>
        <th><bold>Total Registros de Ocorrências 2016, 2017 e
        2018</bold></th>
        <th><bold>Distância da cidade Água Boa/MT</bold></th>
        <th><bold>Quantidade de lotes</bold></th>
        <th><bold>% Registro x P.A. (Projeto de
        Assentamento)</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Assentamento Jatobazinho</th>
        <th>9</th>
        <th>20 km</th>
        <th>232</th>
        <th>3,87%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Assentamento Jaraguá</th>
        <th>46</th>
        <th>33 km</th>
        <th>420</th>
        <th>10,95%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Assentamento Santa Maria</th>
        <th>19</th>
        <th>40 km</th>
        <th>217</th>
        <th>8,75%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Assentamento Serrinha</th>
        <th>10</th>
        <th>90 km</th>
        <th>158</th>
        <th>6,32%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Assentamento Jandira</th>
        <th>3</th>
        <th>100 km</th>
        <th>150</th>
        <th>2%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Assentamento Martins</th>
        <th>0</th>
        <th>130 km</th>
        <th>70</th>
        <th>0</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Total</th>
        <th>78</th>
        <th> </th>
        <th>1247</th>
        <th> </th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p></p>
  <p><bold>Entrevistas</bold></p>
  <p>As entrevistas foram realizadas em campo, com o acompanhamento do
  presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Água Boa, Sr.
  Odair Prioli, de livre e espontânea vontade. As entrevistas foram
  feitas nos lotes dos assentamentos e nas agrovilas.</p>
  <p>Os entrevistados foram escolhidos aleatoriamente, conforme o
  deslocamento em rotas por vias rurais nos assentamentos, sendo
  visitadas as residências em que estavam presentes os moradores maiores
  de 18 anos responsáveis pelo lote, assentado, arrendatário,
  proprietário novo, responsável legal ou familiar.</p>
  <p>Por estarmos em período de pandemia da covid-19, todos os
  procedimentos de proteção individual do pesquisador e do entrevistado
  foram tomados, como uso de máscaras, aplicação de álcool em gel nas
  mãos antes e depois da entrevista e no momento da coleta de assinatura
  do termo de consentimento, respeito ao distanciamento social durante a
  entrevista, sem aglomeração ou muita proximidade com o entrevistado,
  atendendo, assim, ao Decreto Estadual Nº 462, de 22 de abril de
  2020.</p>
  <p>Após coletados, os dados primários foram tabulados no programa
  Excel e analisados conforme estatística descritiva e inferencial.
  Realizou-se a análise dos dados a partir da técnica de análise de
  conteúdo para verificar quais categorias foram consideradas as mais
  recorrentes em relação às razões de registrar ou não uma ocorrência
  criminal.</p>
  <p>Ressalta-se que a pesquisa de campo teve como amostragem da
  população os moradores das agrovilas e os assentados dos assentamentos
  do município de Água Boa/MT, conforme aconselha Malhotra (2001).</p>
  <p><bold>RESULTADOS</bold></p>
  <p>Os resultados foram organizados conforme as hipóteses levantadas,
  sendo a HG pautada no entendimento de que os assentados do município
  de Água Boa/MT tendem a realizar cálculos racionais que explicam o
  comportamento de não registrarem fatos criminosos à polícia. As
  pessoas avaliam os benefícios e os custos ao decidirem suas ações,
  seguindo as orientações legais ou não. Assim, as vítimas racionalizam
  as implicações de registrarem ou não uma ocorrência sobre um fato
  criminoso ou violento.</p>
  <p>A H1 estabelece que o comportamento dos assentados registrarem ou
  não ocorrência provavelmente tem relação com a distância geográfica
  entre os assentamentos e a delegacia municipal. Os assentados realizam
  um cálculo racional em função da distância que teriam que percorrer e
  dos custos para realizá-la, além dos benefícios reais e efetivos na
  resolução do fato. Por isso, tendem a não registrar uma ocorrência e,
  assim, à subnotificação dos registros de ocorrências criminais;
  conforme demonstrado nos resultados das respostas do bloco 1 das
  entrevistas.</p>
  <p>Para sustentar esta hipótese, utilizaram-se os dados secundários do
  Sistema de Registros de Ocorrência Policial do estado de Mato Grosso
  (SROP-MT). A análise mostrou que os assentamentos mais próximos da
  cidade (levando em consideração o percentual de registro por
  assentamento) tendem a registrar mais ocorrências do que os
  assentamentos mais distantes, conforme as Tabelas 2 e 3.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 2: Distância dos Assentamentos até a cidade Água
Boa/MT</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="25%" />
      <col width="17%" />
      <col width="12%" />
      <col width="11%" />
      <col width="13%" />
      <col width="11%" />
      <col width="12%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>6. A distância do Projeto Assentamento até a cidade de
        Água Boa é um problema?</bold></th>
        <th><bold>Jatobazinho</bold></th>
        <th><bold>Jaraguá</bold></th>
        <th><bold>Sta. Maria</bold></th>
        <th><bold>Serrinha</bold></th>
        <th><bold>Jandira</bold></th>
        <th><bold>Martins</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Sim</th>
        <th>7,70%</th>
        <th>22,70%</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>88,90%</th>
        <th>85,70%</th>
        <th>100,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Não</th>
        <th>92,30%</th>
        <th>77,30%</th>
        <th>90,90%</th>
        <th>11,10%</th>
        <th>14,30%</th>
        <th>--</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>Segundo a H1, quanto mais próximo o assentamento for do perímetro
  urbano de Água Boa/MT, maior a probabilidade do assentado registrar
  uma ocorrência criminal. Em relação aos outros assentamentos, a
  hipótese parece se sustentar. Embora a taxa de registro seja baixa, em
  geral, as porcentagens são descendentes conforme o aumento da
  distância.</p>
  <p>É possível ainda sustentar a H1 com os resultados da Tabela 2, que
  mostram que a distância entre os assentamentos e a cidade de Água Boa
  é um problema para os moradores dos assentamentos mais distantes da
  cidade. Sobre esse aspecto, destaca-se o assentamento Martins, que
  fica a 130 km de distância e apresentou percentual de 100% das
  respostas, seguido do assentamento Serrinha, com 88,90%, e do Jandira,
  com 85,70%.</p>
  <p>Nos assentamentos Jatobazinho, Jaraguá e Santa Maria, a distância
  não se mostrou um impedimento para seus moradores, tendo apresentado,
  respectivamente, porcentagem de 92,30%, 90,90% e 77,30%.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 3: Registro de Ocorrência</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="23%" />
      <col width="15%" />
      <col width="12%" />
      <col width="15%" />
      <col width="12%" />
      <col width="12%" />
      <col width="12%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>20. O(A) senhor(a) registrou alguma
        ocorrência?</bold></th>
        <th><bold>Jatobazinho</bold></th>
        <th><bold>Jaraguá</bold></th>
        <th><bold>Sta. Maria</bold></th>
        <th><bold>Serrinha</bold></th>
        <th><bold>Jandira</bold></th>
        <th><bold>Martins</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Registrou a ocorrência</th>
        <th>46,20%</th>
        <th>18,20%</th>
        <th>45,50%</th>
        <th>22,20%</th>
        <th>14,30%</th>
        <th>20,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Não registrou ocorrência</th>
        <th>38,50%</th>
        <th>59,10%</th>
        <th>36,40%</th>
        <th>66,70%</th>
        <th>57,10%</th>
        <th>80,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Não respondeu</th>
        <th>15,40%</th>
        <th>22,70%</th>
        <th>18,20%</th>
        <th>11,10%</th>
        <th>28,60%</th>
        <th>--</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>Na análise dos resultados apresentados na Tabela 3, referentes à
  pergunta de número 20 das entrevistas, <italic>O(A) senhor(a)
  registrou alguma ocorrência?</italic>, pode-se identificar que, nos
  assentamentos Martins, Serrinha, Jaraguá e Jandira, respectivamente,
  80%, 66,7%, 59,1% e 57,1% dos entrevistados relataram que não
  registraram ocorrência. Já os assentamentos que mais registraram foram
  Jatobazinho, com 54,54%, e Santa Maria, com 38,46%. Esses resultados
  sinalizam que os assentados mais afastados, em sua maioria, tendem a
  não registrar ocorrências criminais. É importante observar que o
  assentamento Jaraguá, que tem a sua agrovila a 33 km da cidade,
  apresenta a porcentagem de 59,10%. Esse resultado se mostra
  justificável, pois, por ser o maior dos assentamentos, sua extensão
  territorial, em certos pontos, possui lotes localizados a quase 70 km
  da cidade de Água Boa/MT.</p>
  <p>Os achados revelam que os assentamentos Jaraguá, Santa Maria e
  Serrinha tendem a registrar mais ocorrências do que Martins e Jandira.
  O assentamento Jatobazinho se mostrou um caso especial, já que seus
  moradores podem ser considerados como participantes sazonais da vida
  social de Água Boa/MT.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 4: Experiência desagradável envolvendo crime ou
violência</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="80%" />
      <col width="20%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>17. O(A) senhor(a) já teve alguma experiência
        desagradável que tenha envolvido violência ou crime no Projeto
        Assentamento?</bold></th>
        <th><bold>Resultado</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Sim</th>
        <th>81%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Não</th>
        <th>19%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>A partir da Questão 17 das entrevistas, observa-se pela Tabela 4
  que a maioria dos assentados (80,6%) respondeu que teve uma
  experiência, de fato, violenta ou criminosa.</p>
  <p>A H2 estabelece que as ocorrências criminais serão registradas de
  acordo com o tipo de crime. Ou seja, alguns crimes não compensariam o
  custo (social, psicológico e econômico) de serem registrados,
  considerando os tipos de crimes que ocorrem nos assentamentos bem como
  o quantitativo de suas ocorrências. As Tabelas 5 e 6 apresentam dados
  que sustentam essa hipótese, com base nas respostas das entrevistas
  desta pesquisa.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 5: Tipos de crimes</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="63%" />
      <col width="37%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p><bold>18. O(A) senhor(a) pode dizer do que se
            tratava?</bold></p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p><bold>Resultado</bold></p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Furto</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>57,41%</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Ameaça</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>18,52%</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Danos</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>12,96%</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Matança de animal de sua criação</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>1,85%</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Estupro</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>1,85%</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Vias de fato</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>1,85%</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Injúria</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>1,85%</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>A Tabela 5 estipula os tipos de crimes mais comuns. A pergunta
  formulada foi: <italic>O(A) senhor(a) pode dizer do que se
  tratava?</italic> Verificou-se que a maioria dos fatos criminosos nos
  assentamentos são do tipo furto (57,40%), seguido por ameaça (18,51%)
  e dano (12,96%).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 6: Motivos do não registro</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="80%" />
      <col width="20%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>21. Se não registrou, por
        que não registrou?</bold></th>
        <th><bold>Resultado geral</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Valor baixo ou sem importância para se deslocar até a
        cidade</th>
        <th>33,33%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Considera perda de tempo pela relevância do crime</th>
        <th>25,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Resolveu sozinho ou recorreu a terceiros do
        Assentamento</th>
        <th>11,11%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Era pessoa conhecida e o fato, de menor gravidade</th>
        <th>11,11%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Medo de sofrer represálias do autor do delito</th>
        <th>8,33%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Pelo motivo do objeto ser ilegal</th>
        <th>8,33%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Não sabe responder</th>
        <th>2,78%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>A sustentação da H2 pode ser atestada pelos dados da Tabela 6.
  Cerca de 33,33% dos entrevistados declararam que não registraram
  ocorrência por entenderem que o valor é baixo ou sem importância para
  o deslocamento até a cidade, seguido de 25% dos entrevistados que
  responderam não ter registrado ocorrência por considerarem ser perda
  de tempo pela relevância do crime. Esses resultados parecem sustentar
  a H2, a qual postula que, de acordo com a importância do ato
  criminoso, a relevância do crime e o valor do prejuízo, o registro da
  ocorrência não compensa.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 7: Comparativo Estrutura <italic>vs.</italic>
Registro</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="15%" />
      <col width="13%" />
      <col width="16%" />
      <col width="13%" />
      <col width="9%" />
      <col width="13%" />
      <col width="14%" />
      <col width="9%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th rowspan="2"><bold>Localidade</bold></th>
        <th rowspan="2"><bold>Distância da cidade Água Boa</bold></th>
        <th rowspan="2"><bold>Quantidade de lotes</bold></th>
        <th rowspan="2"><bold>Registros de B.O.</bold></th>
        <th colspan="4"><bold>Estruturas Agrovilas</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>Igreja</bold></th>
        <th><bold>Comércio</bold></th>
        <th><bold>Posto Saúde</bold></th>
        <th><bold>Escola</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Jatobazinho</th>
        <th>20 km</th>
        <th>232</th>
        <th>9</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
        <th>--</th>
        <th>1</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Jaraguá</th>
        <th>33 km</th>
        <th>420</th>
        <th>46</th>
        <th>4</th>
        <th>6</th>
        <th>1</th>
        <th>2</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Santa Maria</th>
        <th>40 km</th>
        <th>217</th>
        <th>19</th>
        <th>2</th>
        <th>7</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Serrinha</th>
        <th>90 km</th>
        <th>158</th>
        <th>10</th>
        <th>1</th>
        <th>6</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Jandira</th>
        <th>100 km</th>
        <th>150</th>
        <th>3</th>
        <th>1</th>
        <th>3</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Martins</th>
        <th>130 km</th>
        <th>70</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>3</th>
        <th>1</th>
        <th>1</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>Já a H3 infere que os assentamentos mais estruturados e
  estabelecidos tendem a registrar mais as ocorrências criminais,
  considerando as variáveis de distinção dos assentamentos em mais ou
  menos estruturados (Tabela 7).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 8: Escolaridade</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="24%" />
      <col width="17%" />
      <col width="10%" />
      <col width="12%" />
      <col width="12%" />
      <col width="12%" />
      <col width="13%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>28. O(A) senhor(a) estudou até que ano?</bold></th>
        <th><bold>Jatobazinho</bold></th>
        <th><bold>Sta. Maria</bold></th>
        <th><bold>Martins</bold></th>
        <th><bold>Jandira</bold></th>
        <th><bold>Jaraguá</bold></th>
        <th><bold>Serrinha</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Fundamental incompleto</th>
        <th>38,5%</th>
        <th>45,5%</th>
        <th>60,0%</th>
        <th>42,9%</th>
        <th>31,8%</th>
        <th>33,3%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Médio completo</th>
        <th>30,8%</th>
        <th>27,3%</th>
        <th>--</th>
        <th>14,3%</th>
        <th>31,8%</th>
        <th>55,6%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Superior completo</th>
        <th>23,1%</th>
        <th>18,2%</th>
        <th>--</th>
        <th>14,3%</th>
        <th>31,8%</th>
        <th>11,1%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Superior incompleto</th>
        <th>7,7%</th>
        <th>--</th>
        <th>20,0%</th>
        <th>--</th>
        <th>4,5%</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Médio incompleto</th>
        <th>--</th>
        <th>9,1%</th>
        <th>--</th>
        <th>14,3%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Fundamental completo</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>20,0%</th>
        <th>14,3%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<p></p>
<p><bold>Tabela 9: Profissão</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="27%" />
      <col width="14%" />
      <col width="11%" />
      <col width="13%" />
      <col width="13%" />
      <col width="11%" />
      <col width="11%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>29. Pode dizer qual a sua Profissão?</bold></th>
        <th><bold>Jatobazinho</bold></th>
        <th><bold>Jaraguá</bold></th>
        <th><bold>Sta. Maria</bold></th>
        <th><bold>Serrinha</bold></th>
        <th><bold>Jandira</bold></th>
        <th><bold>Martins</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Agricultor(a) / Lavrador(a)</th>
        <th>76,90%</th>
        <th>36,40%</th>
        <th>45,50%</th>
        <th>66,70%</th>
        <th>57,10%</th>
        <th>60,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Comerciante</th>
        <th>7,70%</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>22,20%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Pedagogo(a)</th>
        <th>7,70%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Funcionário(a) público(a)</th>
        <th>7,70%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Mecânico</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Cozinheiro(a)</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>20,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Salgadeira(o)</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Técnico(a) de Enfermagem</th>
        <th>--</th>
        <th>4,50%</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Agrônomo(a)</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Pecuarista</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>14,30%</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Pedagogo(a)</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>20,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Sociólogo(a)</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>14,30%</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Agente de Saúde</th>
        <th>--</th>
        <th>13,60%</th>
        <th>--</th>
        <th>11,10%</th>
        <th>14,30%</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Professor(a)</th>
        <th>--</th>
        <th>13,60%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Agente Comunitário</th>
        <th>--</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Auxiliar de limpeza</th>
        <th>--</th>
        <th>4,50%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Eletricista</th>
        <th>--</th>
        <th>4,50%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Motorista</th>
        <th>--</th>
        <th>4,50%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<p><bold>Tabela 10: Renda Mensal</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="30%" />
      <col width="14%" />
      <col width="11%" />
      <col width="12%" />
      <col width="11%" />
      <col width="11%" />
      <col width="11%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>34. Pode dizer qual a renda média que o(a) senhor(a)
        tem?</bold></th>
        <th><bold>Jatobazinho</bold></th>
        <th><bold>Jaraguá</bold></th>
        <th><bold>Sta. Maria</bold></th>
        <th><bold>Serrinha</bold></th>
        <th><bold>Jandira</bold></th>
        <th><bold>Martins</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Acima de 1,5 até 3 salários-mínimos</th>
        <th>46,20%</th>
        <th>59,10%</th>
        <th>81,80%</th>
        <th>22,20%</th>
        <th>42,90%</th>
        <th>40,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>1 até 1,5 salário-mínimo</th>
        <th>15,40%</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>66,70%</th>
        <th>28,60%</th>
        <th>20,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Acima de 3 até 4,5 salários-mínimos</th>
        <th>15,40%</th>
        <th>13,60%</th>
        <th>--</th>
        <th>11,10%</th>
        <th>28,60%</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Acima de 4,5 até 6 salários-mínimos</th>
        <th>7,70%</th>
        <th>4,50%</th>
        <th>9,10%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>20,00%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Acima de 6 até 10 salários-mínimos</th>
        <th>7,70%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Não respondeu</th>
        <th>7,70%</th>
        <th>13,60%</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>--</th>
        <th>20,00%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de pesquisa de campo (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>Considerando os resultados para renda mensal apresentados na Tabela
  10, temos que a maioria dos assentados participantes da pesquisa
  possui renda entre 1,5 e 3 salários-mínimos. Os assentamentos
  Serrinha, Jandira e Martins apresentam uma porcentagem maior de
  entrevistados que declaram ganhar de 1 a 1,5 salário-mínimo, sendo
  66,70%, 28,60% e 20%, respectivamente. Os assentamentos que apresentam
  porcentagens maiores para rendas acima de 4,5 salários-mínimos são
  Jatobazinho, Jaraguá e Santa Maria.</p>
  <p>Conforme os resultados descritos nas Tabelas 8, 9 e 10, é possível
  confirmar a H3, pois, com base nos dados de escolaridade, profissão e
  renda, é estabelecida uma distinção dos assentamentos como mais
  estruturados e menos estruturados. A análise específica dos
  assentamentos mostra que os assentamentos Jaraguá, Jatobazinho e Santa
  Maria possuem porcentagem maior dos entrevistados com Ensino Superior
  completo, sendo, respectivamente, 31,8%, 23,1% e 18,2%.</p>
  <p>Com base na análise comparativa dos dados das entrevistas, pode-se
  dizer que os assentamentos Jaraguá (36,4 %), Santa Maria (45,5%) e
  Jandira (57%) apresentam, por um lado, porcentagem menor de
  entrevistados com atividades profissionais ligadas às atividades de
  agricultor e lavrador; por outro lado, apresentam os percentuais mais
  elevados para profissões técnicas e de nível superior. Jatobazinho,
  Serrinha e Martins apresentam índices com maior porcentagem de
  profissões voltadas à agricultura, sendo, respectivamente 76,90%,
  66,70% e 60,00%.</p>
  <p>Deste modo, com base nos papéis sociais dos indivíduos, na formação
  educacional, na atividade profissional e na renda nas agrovilas e nos
  assentamentos apresentados, percebe-se que os assentamentos Jaraguá e
  Santa Maria apresentam resultados superiores aos demais, sinalizando
  serem os mais estruturados socialmente. Esses achados confirmam a
  hipótese ao estabelecer que os assentamentos Jaraguá e Santa Maria,
  conforme Tabela 3, são os que mais fazem o registro de boletim de
  ocorrência de fatos violentos ou criminosos.</p>
  <p><bold>DISCUSSÃO DOS RESULTADOS</bold></p>
  <p>Os resultados obtidos reforçam os apontamentos iniciais de que as
  decisões das vítimas em denunciarem ou não um crime ou uma violência
  sofrida são condicionadas à sua avaliação de modo racional, mensurando
  os custos e os benefícios de suas crenças e seus valores associados ao
  registro de boletim de ocorrência (GOUDRIAAN, 2004; SKOGAN, 1984).
  Conforme as pesquisas e as obras citadas no referencial teórico, as
  vítimas de crimes e violência decidem registrar as ocorrências com
  base em sua avaliação racional, de acordo com o tipo de fato criminoso
  ou violento, atribuindo a gravidade do ato ao benefício do registro na
  polícia (GOUDRIAAN, 2004; SKOGAN,1984).</p>
  <p>Assim, a partir dos dados da pesquisa, evidencia-se que o furto é o
  fato criminoso com maior porcentagem de ocorrências nos assentamentos
  e nas agrovilas pesquisadas, seguido de ameaça e danos. Considerando
  que o Código Penal Brasileiro tipifica e regula as penas conforme o
  grau de potencial lesivo, temos que o furto é entendido como o mais
  grave, com pena de 1 a 4 anos e multa. Em seguida, vêm a ameaça, com
  pena que varia de 1 a 6 meses ou multa, e os danos, com detenção de 1
  a 6 meses e multa.</p>
  <p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
  <p>Pode-se considerar que esta pesquisa é compatível com outras
  pesquisas que exploram os determinantes que influenciam as vítimas em
  suas decisões de registrarem ou não uma ocorrência criminal. Este
  estudo constata que os moradores dos assentamentos ou das agrovilas
  pesquisadas realizam cálculos racionais compatíveis com o que defende
  o modelo “encorpado” da teoria da escolha racional.</p>
  <p>Conforme as várias literaturas existentes e as aqui apresentadas –
  que consideram a gravidade do crime como determinante para o registro
  de ocorrência ou sua subnotificação –, pode-se sustentar que tal
  comportamento está presente nos entrevistados moradores dos
  assentamentos e das agrovilas do município de Água Boa, no estado de
  Mato Grosso. Eles decidem considerando a gravidade do fato como um
  determinante para que seja realizado ou não o registro de boletim de
  ocorrência.</p>
  <p>Constatou-se que quanto mais estabelecidos os assentamentos e as
  agrovilas, mais essas comunidades tendem a registrar os boletins de
  ocorrência. Para isso, consideram-se os dados de infraestrutura das
  agrovilas, a proximidade com a cidade e os tipos de crimes. Isso é
  compatível com os modelos “encorpados” de escolha racional, pois
  presume-se aqui que a interação entre os valores e as crenças dos
  indivíduos tendem a interagir com elementos das estruturas sociais
  promovendo motivação para o registro.</p>
  <p>Uma limitação do trabalho é a ausência de dados estruturais que
  possam distinguir os assentamentos em termos de ambientes, de
  estruturas sociais que propiciem motivações diferentes em relação ao
  registro de crimes. Isso exige do observador maior tempo nos
  assentamentos, pois presume um tipo de preparo para a coleta de dados
  próximo às técnicas mais qualitativas.</p>
  <p>Pode-se dizer, portanto, que as avaliações dos assentados se
  baseiam em determinantes individuais e estruturais do cálculo sobre
  registrar ou não um fato criminoso. É um cálculo situacional que não é
  realizado simplesmente a partir de um indivíduo abstrato, mas de
  alguém que mora em um assentamento perto ou longe da cidade mais
  próxima onde será feito o registro, da vítima de um determinado tipo
  de crime, de um assentado que ocupa uma posição social em uma
  estrutura social de um assentamento mais ou menos denso
  socialmente.</p>
  <p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
</disp-quote>
<p>BEATO, C. (Coord.). <bold>Pesquisa Nacional de Vitimização</bold>.
Ministério da Justiça; CRISP/UFMG; DATAFOLHA, dez. 2012. Disponível em:
https://www.crisp.ufmg.br/projetos.html. Acesso em: 9 mai. 2023.</p>
<p>BEATO FILHO, C.; PEIXOTO, B. T.; ANDRADE, M. V. Crime, oportunidade e
vitimização. <bold>Revista Brasileira de Ciências Sociais</bold>, v. 19,
n. 55, 2004, p. 73-89.</p>
<p>BECKER, G. S. Crime and punishment: An economic approach.
<italic>In</italic>: FIELDING, N. S.; CLARKE, A.; WITT, R. <bold>The
economic dimensions of crime</bold>. London: Palgrave Macmillan, 1968,
p. 13-68.</p>
<p>BLACK, D. J. <bold>The Behavior of Law</bold>. New York: Academic
Press, 1976.</p>
<p>BRASIL. Poder Executivo. Artigo 147 do Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940. Ameaçar alguém por palavra, escrito ou gesto, ou
qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto ou grave: Pena
– detenção, de um a seis meses, ou multa. <bold>Diário Oficial da
União</bold>, Brasília/DF, Seção 1, p. 23911, 31 dez. 1940a. Disponível
em:</p>
<p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10621647/artigo-147-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940.
Acesso em: 10 dez. 2019.</p>
<p>BRASIL. Poder Executivo. Artigo 155 do Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa. <bold>Diário Oficial da
União</bold>, Brasília/DF, Seção 1, p. 23911, 31 dez. 1940b. Disponível
em:
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10619836/artigo-155-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940#:~:text=155%20%2D%20Subtrair%2C%20para%20si%20ou,praticado%20durante%20o%20repouso%20noturno.
Acesso em: 10 dez. 2019.</p>
<p>BRASIL. Poder Executivo. Decreto Nº 93.288, de 25 de setembro de
1986. Declara de interesse social, para fins de desapropriação, o imóvel
rural denominado ¿Lote Jandira¿ (Gleba Serrinha), situado no Município
de Água Boa, no Estado de Mato Grosso, compreendido na zona prioritária,
para fins de reforma agrária, fixada pelo Decreto nº 92.620, de 2 de
maio de 1986, e dá outras providências. <bold>Diário Oficial da
União</bold>, Brasília/DF, Seção 1, p. 14565, 26 set. 1986a. Disponível
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https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1980-1987/decreto-93288-25-setembro-1986-443681-publicacaooriginal-1-pe.html.
Acesso em: 9 mai. 2023.</p>
<p>BRASIL. Poder Executivo. Decreto Nº 93.720, de 16 de dezembro de
1986. Declara de interesse social, para fins de desapropriação, o imóvel
rural denominado &quot;Gleba Jatobazinho - lotes Mangueirão e
Triângulo&quot;, situado no Município de Água Boa, no Estado do Mato
Grosso, compreendido na zona prioritária, para fins de reforma agrária,
fixada pelo Decreto n° 92.620, de 2 de maio de 1986, e dá outras
providências. <bold>Diário Oficial da União</bold>, Brasília/DF, Seção
1, p. 18924, 17 dez. 1986b. Disponível em:
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1980-1987/decreto-93720-16-dezembro-1986-443870-publicacaooriginal-1-pe.html.
Acesso em: 9 mai. 2023.</p>
<p>BRASIL. Poder Executivo. Decreto Nº 94.106, de 18 de março de 1987.
Declara de interesse social, para fins de desapropriação, o imóvel rural
denominado “Gleba Serrinha – Lote Última Hora”, situado no Município de
Água Boa, no Estado de Mato Grosso, compreendido na zona prioritária,
para fins de reforma agrária, fixada pelo Decreto n° 92.620, de 2 de
maio de 1986, classificado no Cadastro de Imóveis Rurais do INCRA como
latifúndio por exploração, e dá outras providências. <bold>Diário
Oficial da União</bold>, Brasília/DF, Seção 1, p. 3941, 19 mar. 1987.
Disponível em:
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1980-1987/decreto-94106-18-marco-1987-444485-norma-pe.html.
Acesso em: 9 mai. 2023.</p>
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https://painel.incra.gov.br/sistemas/Painel/ImprimirPainelAssentamentos.php?cod_sr=13&amp;Parameters[Planilha]=Sim&amp;Parameters[Box]=GERAL&amp;Parameters[Linha]=1.
Acesso em: 18 mai. 2023.</p>
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<p>MATO GROSSO. Estado. Decreto Nº 462, de 22 de abril de 2020. Atualiza
os critérios para aplicação de medidas não farmacológicas excepcionais,
de caráter temporário, restritivas à circulação e às atividades
privadas, para a prevenção dos riscos de disseminação do coronavírus em
todo o território de Mato Grosso. Cuiabá/MT: <bold>Diário Oficial do
Estado</bold>, 22 abr. 2020.</p>
<p>SÁ, A. A. Vitimização no sistema penitenciário. <bold>Revista do
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  <p><bold>Journal of Research in Crime and Delinquency</bold>, v. 21,
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<p>SOUZA, J. L. C.; BRITO, D. C.; BARP, W. J. Subnotificação de
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de Sociologia: Mudanças, Permanências e Desafios Sociológicos. GT (32):
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https://portal.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&amp;task=cat_view&amp;gid=173&amp;Itemid=171.
Acesso em: 18 mai. 2023.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Este estudo é oriundo de uma dissertação de
    Mestrado em Sociologia, pela Universidade Federal de Mato Grosso e
    foi originalmente apresentado no VIII Encontro Brasileiro de
    Administração Pública, realizado em Brasília/DF, em modalidade
    virtual, nos dias 3 a 5 de novembro de 2021.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>Um assentamento rural, conforme definição do
    Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA, 2020), é
    um conjunto de unidades agrícolas independentes entre si. Uma outra
    definição compatível e complementar a esta está na obra singular de
    José de Souza Martins, Reforma agrária: impossível diálogo, que faz
    uma crítica explícita da luta histórica dos trabalhadores rurais na
    busca por direito à terra. O autor estabelece que a definição de
    assentamento é a forma da redistribuição da terra, o que,
    essencialmente, consiste em qualquer reforma agrária. Reforma
    agrária é todo ato que tende a desconcentrar a propriedade da terra
    quando ela representa ou cria um impasse histórico ao
    desenvolvimento social baseado nos interesses pactuados da sociedade
    (MARTINS, 2004, p. 102).</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>A utilização da pesquisa da Secretaria Nacional
    da Segurança Pública do Ministério da Justiça (2012) se justifica
    por ter dados sobre a subnotificação em âmbito nacional e referentes
    ao estado de Mato Grosso, sendo que outros anuários ou pesquisas
    mais recentes estudadas não abrangeram tais dados.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>A vitimização é um processo pelo qual alguém
    (<italic>e.g.,</italic> uma pessoa, um grupo, um segmento de
    sociedade ou país) se torna ou se tornará objeto-alvo da violência
    por outrem (e.g., uma pessoa, grupo, etc.). Como processo, implica
    uma rede de ações e/ou omissões interligadas e dotadas de um caráter
    de historicidade e dinamizadas por interesses, ideologias e
    motivações conscientes ou inconscientes (SÁ, 1996).</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
