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<p><bold>MINERAÇÃO E SEGURANÇA PÚBLICA: FERIDAS ABERTAS POR UM CRIME
AMBIENTAL</bold></p>
<p><bold>Luís Felipe Fachini de Oliveira</bold></p>
<p>Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal
de Viçosa (UFV). Mestrando em Ciência Política pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisador vinculado ao GT Comportamento
e Instituições do Centro de Estudos Internacionais Sobre Governos
(CEGOV-UFRGS).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> São João Del Rei</p>
<p><bold>Email:</bold> luis.fachini@ufrgs.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-4179-7832</p>
<p><bold>Marcelo Ottoni Durante</bold></p>
<p>Graduação, mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela UFMG. Atua
atualmente como Professor Associado 1 no Departamento de Ciências
Sociais da UFV. Experiência profissional em gestão do conhecimento na
área de segurança pública na SSPDF, SENASP/MJ e SPM/PR.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Viçosa</p>
<p><bold>Email:</bold> marcelo.durante@ufv.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/ 0000-0002-9048-1834</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Luís Felipe contribuiu para a construção do problema de pesquisa e o
desenvolvimento do texto apresentado, bem como na coleta e análise de
dados, construção dos gráficos, contato institucional com os órgãos
competentes e construção bibliográfica. Também se mudou para Mariana,
buscando desenvolver e consolidar as análises. Marcelo Durante
contribuiu para uma estruturação coerente do trabalho, auxiliando nos
desenhos metodológicos, análise de dados e inferências teóricas do
artigo (incluindo escrita de parágrafos e correção de inconsistências
teóricas), principalmente relacionado à teoria da violência e
criminalidade.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>O problema proposto neste artigo preconiza investigar se o rompimento
da Barragem do Fundão causou impacto nos índices de segurança pública da
cidade de Mariana-MG. O argumento central desenvolvido parte do
pressuposto de que o rompimento da barragem acarretou fenômenos sociais
que se relacionam negativamente com os indicadores de violência e
criminalidade do município supracitado. Diante da escassez ou mesmo da
inexistência de trabalhos que abordem os impactos de desastres
ambientais, no que tange especificamente aos índices de segurança
pública das localidades envolvidas, tal estudo torna-se relevante na
medida em que se propõe fornecer maior compreensão das problemáticas
sociais pertencentes a este contexto. Este artigo foi realizado a partir
de revisão bibliográfica, análise descritiva de dados secundários e
observação participante na região estudada. Sugere-se que as
consequências políticas, sociais, econômicas, culturais e ambientais
ocasionadas pela crise ambiental de Mariana-MG impulsionou os índices de
criminalidade.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Violência e criminalidade. Mineração.
Dependência comunitária. Mariana-MG.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>MINING AND PUBLIC SAFETY: OPEN WOUNDS BY AN
ENVIRONMENTAL CRIME</bold></italic></p>
<p><italic>The problem proposed in this article is to investigate
whether the Fundão Dam rupture had an impact on public safety indices in
the city of Mariana-MG. The central argument to be developed is based on
the assumption that the rupture of the dam resulted in social phenomena
that are negatively related to the indicators of violence and crime in
the aforementioned municipality. Given the scarcity, or even inexistence
of works that address the impacts of environmental disasters with regard
specifically to the public safety indices of the localities involved,
this study becomes relevant insofar as it proposes to provide a greater
understanding of the social problems pertaining to this context. This
article was carried out from a literature review, descriptive analysis
of data on violence and participant observation in the studied region.
It is suggested that the political, social, economic, cultural and
environmental consequences caused by the environmental crisis worsened
negative crime rates.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords</bold>: Violence and criminality. Mining.
Community dependence. Mariana-MG.</italic></p>
<disp-quote>
  <p><bold>Data de Recebimento:</bold> 30/08/2021 – <bold>Data de
  Aprovação:</bold> 10/10/2022</p>
  <p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1586</p>
</disp-quote>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Ribeirão do Carmo, atualmente denominada como Mariana, foi a
  primeira vila emancipada à posição de cidade e a primeira capital do
  estado de Minas Gerais (FERREIRA, FERREIRA <italic>et al</italic>,
  1957). Desenhada por uma arquitetura imponente e grandiosa, possui
  admiráveis igrejas e casarões que esculpem o estilo da estrutura
  barroca, ostentando o luxo do que um dia foi o ciclo do ouro na
  região. Em 2020, a população estimada era de 61.830 habitantes (IBGE,
  2021), cujo território concentra a maior produção de minério de ferro
  no Brasil (SALINAS, 2016).</p>
  <p>Os impactos provenientes da produção minerária e suas consequências
  sociais são discutidos por alguns autores, sobretudo após o rompimento
  da barragem do Fundão em 2015<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>,
  que agravou relações de conflito (BARROS, 2018; FARIA, 2019;
  SAAD-DINIZ, 2020; RAMOS, 2017; SALINAS, 2016; SILVA, 2020; PORTO;
  SANTOS, 2016; WANDERLEY <italic>et al.</italic>, 2016). A despeito dos
  impactos culturais, materiais e simbólicos, pouca atenção tem sido
  dada às inter-relações entre o rompimento da barragem e suas afetações
  no campo da criminalidade. Dentro deste contexto, em vistas de dar
  coesão à proposta, este artigo preconiza investigar se o rompimento da
  Barragem do Fundão causou impacto nos índices de Segurança Pública da
  cidade de Mariana-MG. Para alicerçar o problema em questão, o objetivo
  geral deste artigo consiste em analisar os reflexos impostos pelo
  desastre ambiental no âmbito das condutas desviantes no município.
  Objetiva-se, especificamente, delinear o estudo para melhor
  compreensão do contexto socioeconômico e de mudanças sociais
  decorrentes da catástrofe supracitada, além de possíveis alterações
  nos padrões de incidência criminal.</p>
  <p>A hipótese sustentada neste debate parte do pressuposto de que o
  rompimento da barragem ocasionou fenômenos que se relacionam aos
  impactos danosos nos indicadores de violência e criminalidade do
  município de Mariana, que, por consequência, materializam-se em
  externalidades negativas (COASE, 2012) à população marianense. Esta
  pesquisa se justifica ante à escassez, ou mesmo à inexistência, de
  trabalhos que abordem os impactos de desastres ambientais no que tange
  especificamente aos índices de segurança pública das localidades
  envolvidas. Neste sentido, tal estudo torna-se relevante na medida em
  que se propõe a fornecer maior compreensão das problemáticas sociais
  pertencentes a este contexto.</p>
  <p>A metodologia empregada nesta pesquisa envolve três etapas: 1)
  resgate teórico do problema em questão; 2) levantamento de informações
  quali-quanti sobre violência e criminalidade da cidade supracitada; e
  3) pesquisa empírica na região estudada. Os dados quantitativos
  analisados correspondem ao estrato temporal de 10 anos (2010-2020),
  são de caráter secundário e foram disponibilizados pelas Polícia
  Civil, Polícia Militar, Bombeiro Militar e Polícia Penal do Estado de
  Minas Gerais, tratando-se de ocorrências registradas por delitos
  ordinários – as informações encontram-se presentes no banco de dados
  do REDES SIDS-MG (Sistema Integrado de Defesa Social). As referências
  do IBGE e as reportagens divulgadas pela mídia sobre a situação de
  Mariana-MG após o rompimento da barragem constituem a principal fonte
  de relação deste artigo no tocante à caracterização da situação
  socioeconômica observada empiricamente no município. A vivência na
  região durou 11 meses, com a chegada estabelecida em fevereiro de 2020
  e o retorno em janeiro de 2021.</p>
  <p>O principal impulso para residir em Mariana-MG, município sede da
  pesquisa em questão, consistiu na possibilidade de execução de uma
  pesquisa qualitativa etnográfica em concomitância com uma abordagem
  delineada no método <italic>survey</italic>, que juntas viabilizaram a
  construção de uma base de dados primários, possibilitando a comparação
  das informações coletadas com os dados secundários disponibilizados
  pelas instituições de segurança pública<italic>.</italic> Entretanto,
  a pandemia da COVID-19 teve início em março de 2020 e sua intensidade
  na região impossibilitou completamente o andamento da pesquisa na via
  até então anteriormente traçada. Apesar dos imprevistos impostos aos
  processos metodológicos deste estudo, a observação participante
  (MÓNICO <italic>et al.</italic>, 2017) na comunidade, sobretudo em um
  contexto pandêmico, foi construtiva e responsável por elucidar
  questões pertinentes ao tema abordado.</p>
</disp-quote>
<p><bold>DEBATE TEÓRICO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>No dia 5 de novembro de 2015, o subdistrito Bento Rodrigues,
  pertencente à cidade de Mariana-MG, protagonizou o rompimento da
  Barragem do Fundão, que chocou a sociedade civil e a opinião pública
  diante da magnitude e das consequências impostas por este
  acontecimento. Segundo reportagem do G1 (D’AGOSTINO, 2015), o
  subdistrito Bento Rodrigues (com 300 anos de história e diretamente
  atingido pela barragem) foi varrido pela lama e desapareceu do mapa. A
  mesma reportagem afirma que, segundo o então prefeito Duarte Júnior
  (PPS), o rombo financeiro com o rompimento é de, ao menos, R$ 100
  milhões, “incluindo perdas de infraestrutura, dano ambiental, pontes
  levadas e escolas que foram destruídas”. Segundo o Ministério Público
  do Estado de Minas Gerais, foram liberados cerca de 60 milhões de
  metros cúbicos de lama tóxica no meio ambiente, comprometendo grande
  parte da bacia do Rio Doce. Segundo Laschefski (2020), a lama
  percorreu um trajeto de aproximadamente 663 quilômetros, “desaguando”
  posteriormente no litoral do estado do Espírito Santo.</p>
  <p>Após o rompimento, Duarte Júnior (PPS) declarou calamidade
  financeira e responsabilizou a Vale S.A. pela situação do município,
  sob a afirmativa de que a empresa ocasionou toda a crise da cidade
  (LIMA, 2019), e completou dizendo que o governo municipal levaria
  adiante “duas ações contra a Vale, sendo uma a solicitação de
  antecipação de indenização para Mariana e outra para que ela mantenha
  o repasse do setor de Compensação Financeira pela Exploração de
  Recursos Minerais
  (CFEM)<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref><sup>2</sup>” (LIMA, 2019,
  n.p.). Segundo Duarte Júnior (PPS), a arrecadação da mineração
  representava 80% da receita municipal (PIMENTEL, 2015), sendo que,
  após o incidente, a cidade perdeu 50% da CFEM, o que levou “a quase
  30% de desempregados” (FLACH, 2019). Hoje, quase sete anos após o
  desastre, não existem evidências de punição para as empresas ou as
  pessoas envolvidas. Logo após deferir a denúncia do Ministério Público
  Federal contra 21 pessoas e 3 empresas, “a justiça foi tirando os réus
  do processo e mudou a acusação de homicídio para crime de inundação
  resultante em morte” (Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente
  à Mineração).</p>
  <p>A economia minerária é responsável por projetar consideráveis
  reflexos no cenário econômico nacional, onde Wanderley <italic>et
  al.</italic> (2016) pontuam que o megaciclo das
  <italic>commodities</italic> nesse setor foi responsável por
  inflacionar as exportações globais de minério, que decolaram de US$ 38
  bilhões em 2003 para US$ 277 bilhões em 2008, representando um aumento
  de 630%. Os autores destacam que o valor da tonelada de minério de
  ferro foi de US$ 32 dólares (2003) ao teto de US$ 196 dólares (2008),
  e que a partir de 2011, o mercado sinalizou uma tendência de queda,
  chegando a US$ 53 dólares em outubro de 2015. No ano de 2013, o número
  de exportações globais de minério realizadas pelo Brasil correspondeu
  a 14,3% das exportações de minério no mundo (WANDERLEY <italic>et
  al.,</italic> 2016).</p>
  <p>Segundo Salinas (2016), em 2015, Mariana foi o município do estado
  de Minas Gerais que teve a maior arrecadação da CFEM. A autora
  sustenta que no período de 2011 até 2015, os recursos arrecadados com
  ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
  Serviços)<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref><sup>3</sup> e
  <italic>royalties</italic> de mineração representaram,
  aproximadamente, 70% de toda a receita municipal. No ano de 2010, o
  PIB <italic>per capita</italic> de Mariana era de R$ 114.347,90,
  representando um número muito superior à média nacional de R$
  26.445,80 e ocupando a quinta posição estadual de PIB <italic>per
  capita</italic> (SALINAS, 2016). Na contramão do cenário exposto, a
  região apresenta um grau considerável de desigualdade econômica.
  Nota-se, através de dados do IBGE (2010), que o Índice de
  Gini<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref><sup>4</sup> da cidade
  expressa-se em 0,511. Este dado representa, de maneira geral, salvo
  suas devidas variações e especificidades, que aproximadamente 75% de
  toda população marianense partilhavam, na época, apenas 25% da renda
  total, enquanto os outros poucos 25% restante da população partilhavam
  a maior parte dos 75% da renda (IPECE [s. d.]).</p>
  <p>Esse contexto é destacado por Eduardo Saad Diniz (2020) como uma
  situação de dependência comunitária, conceito responsável por traduzir
  os diversos impactos sofridos nessa localidade. O autor aponta que a
  ineficiência das políticas públicas e a anulação da comunidade local
  gera efeitos de proporções que se equiparam aos desastres, e que a
  partir da vulnerabilidade da sociedade civil nasce a dependência
  comunitária. Saad-Diniz também sugere que a vitimização
  corporativa<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref><sup>5</sup> atua
  como expoente relevante para a produção de desordem e falta de coesão
  social nas comunidades atingidas. Na sua perspectiva: “a criminologia
  brasileira ainda está em dívida com as tragédias ambientais provocadas
  pela extração de recursos naturais” (SAAD-DINIZ, 2020, p. 2). Sendo
  que, ao sistema criminal de justiça do país, cabe a crítica de não se
  munir com adequadas ferramentas jurídicas para o exercício do controle
  social das corporações no Brasil (<italic>Ibid.</italic>). Segundo o
  autor, por consequência, essas práticas contextuais de ínfima
  vigilância materializam-se através do rompimento de duas barragens, em
  Mariana e em Brumadinho, estando tantas outras na iminência do
  rompimento.</p>
  <p>Para melhor exemplificação da reflexão supracitada, busca-se
  ilustrar a situação de dependência da seguinte forma: segundo Viana
  (2012) <italic>apud</italic> Passos, Coelho e Dias (2017), entre os
  anos de 2011 e 2012, do total de residentes de Bento Rodrigues, 72%
  apresentavam algum tipo de relação com a mineração, sendo que 44% dos
  moradores eram “ex-empregados” deste setor. Quanto à distribuição de
  renda local, Viana (2012) <italic>apud</italic> Passos, Coelho e Dias
  (2017) demonstra que 60% da população de Bento Rodrigues tem uma
  imagem positiva da mineração, pois levam em conta as altas
  remunerações quando comparadas com as remunerações de outras
  atividades comerciais. Em contrapartida, os autores declaram que: “40%
  da população afirmou receber até 1 salário-mínimo, enquanto 58%
  afirmaram receber entre 1 e 5 salários-mínimos” (PASSOS; COELHO; DIAS,
  2017, p. 280).</p>
  <p>De acordo com as declarações do então prefeito Duarte Júnior (PPS)
  e dos argumentos desenvolvidos por Saad-Diniz (2020), Wanderley
  <italic>et al.</italic> (2016) e Salinas (2016), dentre outros
  autores, é possível sugerir que exista relação de dependência entre a
  Prefeitura Municipal de Mariana e o setor corporativo atuante no
  município, fator responsável por minar o processo de tomadas de
  decisões municipais. Nas trincheiras deste debate, pontua-se que essa
  não é uma realidade exclusiva da região. No sentido de promover maior
  embasamento comparativo e analítico para a discussão, busca-se expor
  conjunturas similares às circunstâncias engendradas neste artigo, onde
  podem ser observados fenômenos e impactos gerados por outras
  atividades de grandes empreendimentos, além da mineração de ferro.</p>
  <p>Silva, Lima e Silva (2017) discorrem sobre os reflexos da
  construção de hidroelétricas à bacia do rio Araguari, no Amapá. De
  acordo com os autores, as comunidades atingidas por esse
  empreendimento sofreram profundos impactos que abrangem dimensões
  ambientais, políticas, econômicas e territoriais. Os autores relatam
  desde a criação de novos municípios e instituições, afetando dinâmicas
  sociais locais, até a elevação do rio, interferindo na vida de
  milhares de cidadãos. Segundo Silva, Lima e Silva (2017), as
  construções de grandes empreendimentos na Amazônia foram responsáveis
  por promover intensa explosão demográfica nas regiões diretamente
  impactadas. Este fenômeno se deu pelo extenso contingente de pessoas
  em busca de emprego, que, <italic>a priori</italic>, eram incorporadas
  enquanto mão de obra necessária para a conclusão das obras;
  posteriormente, essas pessoas estavam fadadas ao subemprego ou ao
  desemprego, aumentando, por sua vez, os indicadores de criminalidade
  dessas regiões (<italic>Ibid.</italic>).</p>
  <p>Nascimento e Hazeu (2015) escreveram sobre os impactos da
  construção do “complexo industrial-portuário” para a cidade de
  Barcarena, pertencente ao estado do Pará. A autora e o autor buscam
  explicitar as contradições sociais do município, que passam desde a
  desapropriação de pessoas para instalações de obras até impactos de
  natureza econômica e ambiental. Segundo Nascimento e Hazeu (2015), a
  prosperidade econômica representada no PIB de “R$3,5 bilhões” desta
  pequena cidade de “99.589 habitantes” não trouxe benefícios para
  melhoria de vida e para os serviços públicos dessas populações, mas
  sim, única e exclusivamente, para a manutenção e o funcionamento
  daquele empreendimento. Outro ponto relevante, de acordo com a autora
  e o autor, diz respeito à absorção e à inserção da mão de obra
  laboral, onde a força de trabalho local é ostracizada, dando lugar
  para trabalhadores de outras regiões que suprem a demanda empregatícia
  temporariamente, estimulando, posteriormente, o trabalho informal e a
  precariedade social.</p>
  <p>Dentro das nuances que envolvem essa discussão, Baquero (2016), em
  sua análise sobre barragens hidrelétricas no Sul do país, aponta para
  um possível afastamento social e uma “desestruturação de identidades
  coletivas” das comunidades atingidas. Neste mesmo caminho, Morais e
  Schwanz (2018) afirmam a relação direta entre construções de
  hidrelétricas e impactos sociais.</p>
  <p> No dia 25 de janeiro de 2019, aconteceu o rompimento da barragem
  de rejeitos da mina de Córrego do Feijão na cidade de Brumadinho, em
  Minas Gerais. Segundo Silva <italic>et al.</italic> (2020, p. 21),
  este evento é considerado “um dos maiores acidentes de trabalho
  ampliado da indústria minerária brasileira”. As consequências foram
  imediatas. Danos humanos e socioeconômicos irreparáveis. Morreram 270
  pessoas. De acordo com os autores, os resíduos atingiram de forma
  direta nove setores censitários com população estimada de 3.500
  habitantes. Segundo Silva <italic>et al.</italic> (2020, p. 23): “São
  considerados atingidos 18 municípios, somando 1.165.667 pessoas
  expostas direta ou indiretamente”, estando, entre elas,
  aproximadamente de 100 a 400 comunidades.</p>
</disp-quote>
<p>Observa-se a partir destas exposições que o debate não se inicia e
não se esgota no caso de Mariana-MG. Silva, Lima e Silva (2017) e seus
escritos sobre hidroelétricas na bacia do rio Araguari, Nascimento
<italic>et al.</italic> (2015) sobre Barcarena, Baquero (2016), Morais e
Schwanz (2018) sobre barragens no Sul do país, Silva <italic>et
al.</italic> (2020) sobre Brumadinho, entre outros pesquisadores,
demonstram as similaridades presentes nos processos que abarcam impactos
dessas atividades para as comunidades envolvidas, elencando como as
consequências perpassam por diversas esferas da vida social, ambiental,
cultural, política e econômica dessas localidades.</p>
<p>No sentido de prosseguir com a discussão proposta, o próximo tópico
desenvolve análises acerca do contexto no qual a comunidade estudada
neste artigo esteve inserida após o rompimento da barragem, debatendo
possíveis fatores que sugerem impactos negativos para a situação de
violência e criminalidade no município de Mariana-MG.</p>
<p><bold>CONJUNTURA SOCIAL APÓS O ROMPIMENTO DA BARRAGEM</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A respeito da conjuntura local após o incidente, a pesquisadora e
  psicóloga Paula Sassaki, em entrevista concedida ao <italic>Brasil de
  Fato</italic> (HENRIQUE, 2019), relata que além das consequências
  impostas ao meio ambiente e da ausência do Estado, o rompimento da
  barragem foi responsável pelo aumento da violência e asfixia de outras
  atividades econômicas na região.</p>
  <p>Segundo a jornalista Isis Ribeiro, o crime ambiental também gerou
  sérias consequências para o cotidiano das mulheres no município,
  sugerindo o aumento da sensação de insegurança para esta população.
  Grande parte das entrevistadas afirmam perceberem-se em um território
  hostil, relatando humilhações, constrangimentos e discriminações por
  parte de outros moradores (RIBEIRO, 2016). Por consequência das obras
  após o rompimento, as moradoras relataram inconvenientes
  materializados através do aumento constante de homens “estranhos”
  passando pela cidade, desta forma, elas “muitas vezes sentem medo de
  circularem sozinhas onde antes conviviam tranquilamente em ambiente
  harmonioso” (<italic>Ibid.</italic>, n.p.). O depoimento de uma cidadã
  ajuda a visualizar tal contexto: “A cidade virou um canteiro de obras,
  poeira, barulho excessivo causado pelas máquinas que, desde a
  tragédia, circulam dentro da cidade. Além disso, já foram
  identificados 14% dos moradores atingidos por dengue e alguns casos de
  estupro” (<italic>Ibid.</italic>, n.p.).</p>
</disp-quote>
<p>Segundo Faria (2019), além dos altos índices de desemprego, a cidade
se viu cercada por um expressivo aumento dos casos de uso de álcool,
depressão, violência doméstica e suicídio. Segundo o Comitê Nacional em
Defesa dos Territórios Frente à Mineração (2020), após o rompimento da
barragem, houve um aumento de 75% nas taxas de doenças respiratórias da
região. O mesmo comitê, ao citar um relatório da Fundação Getúlio Vargas
(2020), aponta que esse contexto foi responsável pelo crescimento nas
incidências dos transtornos mentais, pelo uso de psicotrópicos e,
novamente, pelo aumento da violência doméstica.</p>
<disp-quote>
  <p>Moradores relatam as consequências das condições precárias de
  infraestrutura do local onde vivem, fator que assume maiores
  proporções após o rompimento. Numa reportagem de 2021, a mídia local
  (PORTAL DA CIDADE, 2021a) denuncia a experiência dos residentes do
  bairro Alvorada que sofrem com problemas estruturais, que vão desde a
  falta de postes de iluminação até deslizamentos de terra. Segundo a
  imprensa, alguns habitantes da região supracitada foram denunciar a
  situação na prefeitura de Mariana-MG e a mesma alegou que o bairro
  pertence à cidade de Ouro Preto-MG. Ao chegarem em Ouro Preto para
  formalizar as reclamações, eles foram informados pela administração
  pública que o bairro pertence à Mariana. Sobre o contexto, um morador
  lamenta o “empurra, empurra” de responsabilidades, onde o município se
  isenta das suas obrigações com os seus limites territoriais.</p>
  <p>Percebe-se ausência de etiqueta por parte do setor público local
  que com uma herança de gestão clientelista e patrimonialista (ADORNO,
  1988; HOLANDA, 1968; FAORO, 2021) vai institucionalizando e
  legitimando as “terras de ninguém”. Nesta conjuntura, segundo dados do
  IBGE informados pela reportagem (PORTAL DA CIDADE, 2020b), apenas
  34,5% dos domicílios urbanos marianenses possuem vias públicas de
  urbanização adequada. Em contrapartida, evidenciando um cenário
  oposto, o portal de notícias expôs o plano de recapeamento público da
  cidade de Mariana, que abrange apenas as ruas centrais, como a avenida
  do Catete, escancarando as nítidas assimetrias que pautam as metas e
  prioridades do Estado local.</p>
  <p>Ao morar temporariamente no município de Mariana-MG, não é difícil
  constatar empiricamente as denúncias empreendidas pela mídia e
  perceber as muitas ocupações irregulares formadas através do tempo,
  representando um forte problema na região. Acredita-se que tal fator
  se firma por consequência da grande concentração de terras, triste
  herança do período colonial, atrelado aos preços de aluguéis
  exorbitantes que recorrentemente assolam os moradores e as pessoas
  mais simples dessas localidades, estimulando a prática de
  construções em encostas.</p>
  <p>Através da observação participante, nota-se o descontentamento
  popular com o crescente valor das moradias, onde anúncios imobiliários
  para locação de casas comuns, com três quartos, podem chegar a R$
  6.000 mensais, sendo uma prática recorrente na cidade. Em ambientes
  como o Facebook, os moradores protestam sobre a situação afirmando que
  antes do rompimento da barragem esse contexto era ligeiramente
  distinto, entretanto, com o desastre e a presença de empresas como a
  Renova<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref><sup>6</sup>, a situação
  saiu do controle.</p>
  <p>A vivência no município mostrou que o incentivo de rescisões de
  contratos dos imóveis de interesse do setor minerário se estabelece
  enquanto prática empresarial comumente estimulada na região. Por
  exemplo: se uma propriedade está alugada a R$ 1x, a empresa recorre ao
  proprietário e oferece R$ 5x por mês. Por consequência dessa forma de
  negociação, os preços dos imóveis são nivelados sempre com especulação
  inflacionada. Como um efeito em cascata, os elevados valores dos
  aluguéis refletem nas mercadorias de bens e serviços, deixando tudo
  mais caro. Neste espaço, o cidadão marianense que não trabalha para os
  setores de mineração e/ou para empresas como a Renova (que também está
  ligada às atividades de mineração) é fadado a uma vida de marcantes
  contradições sociais. O dia a dia se torna insalubre para as pessoas
  que sobrevivem mensalmente com um salário-mínimo, situação que vem
  aprofundando as desigualdades que permeiam essa crise ambiental.</p>
  <p>A população marianense mostrou-se um tanto dividida após o
  rompimento da barragem. Viam-se cartazes nas ruas,
  <italic>outdoors</italic> e pichações nos muros proferindo a volta da
  empresa Samarco S.A.; em contrapartida, também se viam pichações
  pedindo o fechamento da mesma. A partir desse contexto, argumenta-se
  que a dependência do município com a economia de minério gerou
  múltiplos fenômenos sociais onde todos foram atingidos,
  materializando-se, ora na figura do trabalhador operário que perdeu
  seu emprego e clama pelo retorno das atividades da empresa, ora no
  cidadão diretamente atingido pela lama que perdeu tudo da noite para o
  dia e clama por justiça, e ora pelo cidadão trabalhador do comércio
  local que não foi diretamente afetado pela lama, mas que encontrou-se
  cada vez mais encurralado pelas desordenadas altas no preço das
  moradias e mercadorias de bens e serviços. Esses fatores foram
  responsáveis pela geração de uma série de conflitos de interesses
  internos na população, ocasionando fragmentação das identidades
  coletivas desses indivíduos – semelhante ao cenário analisado por
  Baquero (2016) e Morais e Schwaz (2018) nas pesquisas com barragens
  hidrelétricas. Consequentemente, a ruptura de identidades trouxe
  consigo a fragilização da implementação da eficácia coletiva (SAMPSON,
  1997; 2017), no sentido de combater as desordens sociais.</p>
  <p> Acredita-se que os impactos produzidos por essa atividade têm
  gerado uma falsa sensação de desenvolvimento nacional, pois as
  consequências ambientais, sociais, econômicas, políticas, culturais e
  humanas são maiores quando analisadas na prática (BAQUERO, 2016). Em
  síntese, existe uma assimetria entre o desenvolvimento econômico e o
  desenvolvimento humano/social (BAQUERO, 2001), fator responsável por
  aprofundar a situação de dependência comunitária (SAAD-DINIZ, 2020) na
  região, intensificando contradições e desigualdades.</p>
  <p>A impositiva conjuntura de desorganização social após o rompimento
  foi responsável por intensificar e promover novas formas de regulação
  dos conflitos espaciais das relações sociais (PARK, 1915; PARK;
  BURGESS, 2019; WIRTH, 1967). Consequentemente, os novos moldes
  relacionais exprimem-se através da perda da eficácia coletiva
  (SAMPSON, 2017) e da ruptura de identidades (BAQUERO, 2016),
  enfraquecendo moderadores de estigmas, estimulando padrões de falta de
  coesão e sugerindo a instabilidade residencial nessas localidades
  (SAMPSON, 1997). Instaurado esse cenário, a Dependência Comunitária
  (SAAD-DINIZ, 2020), que permeia muitas esferas das relações
  socioeconômicas locais, legitima-se coercitivamente, limitando todo o
  processo de tomada de decisões por parte da sociedade civil e do setor
  público, principalmente no que concerne à lisura de enfrentamento das
  crises sociais e econômicas geradas pelo rompimento da Barragem do
  Fundão.</p>
  <p>A partir de todas as informações postas, na próxima sessão,
  desenvolve-se uma análise descritiva acerca dos dados de violência e
  criminalidade do município de Mariana-MG, no sentido de aprofundar o
  debate e corroborar com as observações qualitativas, buscando maior
  elucidação e visualização do contexto e das proposições descritas até
  então.</p>
</disp-quote>
<p><bold>ANÁLISE DESCRITIVA: OS DADOS SOBRE CRIMINALIDADE</bold></p>
<p>A criminologia recorrentemente propõe-se a compreender os motivos
pelos quais as pessoas cometem crimes (CERQUEIRA, 2014). Possuindo
grande relevância para os estudos oriundos da Sociologia da Violência e
Criminalidade, os escritos sociológicos da Escola de Chicago, cuja
origem sustenta as teorias de ecologia do crime, focam nas relações
existentes entre crime e fenômenos espaciais/geográficos (RATTON, 2014).
Alguns conceitos e aplicações de autores como Wirth (1967), Park e
Burgess (2019) e Park (1915), por exemplo, são fundamentais para o
entendimento de influências e condicionantes no comportamento desviante
das pessoas que residem em centros urbanos. Tal perspectiva pauta a
cidade enquanto centros de competição espacial e econômica, sendo este
fenômeno responsável pela “regulação ecológica dos conflitos” urbanos,
alocando os indivíduos da sociedade em decorrência de seu poder
aquisitivo (SILVA; MARINHO, 2014). O argumento central dessa teoria
ampara-se na noção de que as características sociais, espaciais e
ambientais de áreas urbanas centrais de baixa renda podem configurar-se
enquanto facilitadores, ou até mesmo, produtores de altas taxas de
criminalidade (RATTON, 2014).</p>
<disp-quote>
  <p>A Escola de Chicago também foi alicerce para a teoria da
  desorganização social, importante para o entendimento do contexto de
  Mariana-MG. Segundo Silva e Marinho (2014), os estudos propostos por
  Shaw e Mckay (1942) conseguiram analisar possíveis padrões geográficos
  em taxas criminais. Nota-se, neste estudo, que as regiões com
  problemas socioeconômicos, infraestruturais, e elevada mudança
  populacional – cenário que se assemelha ao caso de Mariana-MG após o
  rompimento da barragem – apresentaram-se enquanto ambientes mais
  propícios para práticas criminosas (SILVA; MARINHO, 2014). Não
  obstante, os autores ressaltam que, além da delinquência, outros
  problemas podem assolar essas localidades, como altos índices de
  desemprego e famílias desestruturadas – contexto que também é similar
  ao estudado em Mariana-MG, como evidenciado no tópico anterior.</p>
  <p>Sampson (1997) é outro autor que possui grande relevância na
  produção teórica sobre criminologia estadunidense e deixa sua
  contribuição nesta discussão que envolve os impactos do rompimento da
  Barragem do Fundão. Mattos (2018) esclarece que, sob a perspectiva de
  Sampson (1997), desordens são importantes ferramentas que dão luz ao
  entendimento do contexto social de determinadas regiões, reforçando
  estigmas e “manipulando” a trajetória dessas localidades. Entretanto,
  existe latente relação entre a eficácia coletiva e a redução de
  condutas desviantes em lugares estigmatizados, podendo-se constatar a
  redução de crimes contra o patrimônio e assassinatos, por exemplo.
  Sampson (1997) <italic>apud</italic> Mattos (2018) reforça a ideia
  positiva de eficácia coletiva como um ente moderador de estigmas,
  atuando nos bairros que sofrem com o contexto de “desorganização
  social”, podendo aumentar a estabilidade residencial existente nesses
  lugares. A desestruturação das identidades coletivas vivenciadas em
  Mariana-MG, juntamente ao latente cenário de desorganização, pode
  contribuir para o enfraquecimento da eficácia coletiva, sugerindo
  aumento da criminalidade.</p>
  <p>As teorias apresentadas são relevantes para o debate da pesquisa e
  apresentam ligações com os problemas sociais apontados por este
  trabalho. Neste sentido, afunilando o estudo para as questões diretas
  de incidências criminais no município de Mariana-MG, busca-se neste
  ponto engendrar algumas observações descritivas acerca dos dados
  disponibilizados pelas instituições de segurança pública do estado de
  Minas Gerais, tendo como foco as seguintes naturezas criminais:
  roubos, furtos, tráfico ilícito de drogas, homicídios e lesões
  corporais. Os dados gerais apresentados no último gráfico correspondem
  à somatória de todas as informações supracitadas.</p>
</disp-quote>
<p>Para melhor embasamento analítico, desenvolve-se uma perspectiva de
análise comparada com outros municípios apresentados como grupo de
controle, e auferindo maior consistência para as proposições
apresentadas no artigo. Portanto, tem-se os dados dos municípios de São
João Del Rei-MG, que compartilha do mesmo processo de construção
histórica de Mariana-MG (ciclo do ouro, relações de trabalho escravo,
clientelismo, patrimonialismo, etc.), mas que atualmente não possui
atividades de mineração; e de Santa Bárbara-MG, que possui proximidade
territorial com a cidade analisada neste trabalho, compartilha similar
processo de construção histórica e também faz das atividades de
mineração sua principal matriz econômica.</p>
<p>Dito isto, abaixo seguem os gráficos desenvolvidos neste artigo,
preconizando proporcionar melhor compreensão das características que
envolvem o andamento dos dados sobre violência e criminalidade no
município de Mariana-MG.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Gráfico 1: Ocorrências registradas por roubo</bold></p>
  <p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
</disp-quote>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<disp-quote>
  <p>A partir do Gráfico 1, identifica-se que entre 2010 e 2017, existiu
  uma tendência de crescimento nas incidências de roubo na cidade de
  Mariana. O ano de 2017 apresenta índices recordes e, posteriormente, é
  possível identificar um movimento abrupto de queda até 2020. Segundo a
  PMMG, houve redução de 44,7% nas incidências municipais de roubo de
  2019 para 2020 (PORTAL DA CIDADE, 2020a).</p>
  <p><bold>Gráfico 2: Ocorrências por furto</bold></p>
  <p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
</disp-quote>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<disp-quote>
  <p>A análise de incidência de furtos apresenta, de maneira geral, uma
  tendência de crescimento de 2010 a 2012. Em seguida, nota-se uma leve
  estabilidade até 2015, seguida por um novo aumento, até o ápice em
  2017. Do ano de 2017 até 2020, o Gráfico 2 mostra uma profunda queda,
  sendo que o último ano representa o menor índice em 10 anos.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Gráfico 3: Ocorrências por tráfico de drogas</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<p>Ao analisar as ocorrências registradas por tráfico ilícito de drogas
no município de Mariana, percebe-se uma situação ligeiramente diferente
da encontrada nos contextos anteriores. De forma geral, identifica-se
uma forte tendência para alta de 2010 até 2013, seguida por uma
tendência de queda até 2015. A partir de então, os índices voltam a
crescer, tendo um breve recuo em 2019 e voltando a subir posteriormente.
Em sentido oposto dos Gráficos I e II, de 2017 para 2020 percebe-se alta
nas incidências supracitadas.</p>
<p><bold>Gráfico 4: Ocorrências de homicídio</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<p>De acordo com o Gráfico 4, nota-se uma leve tendência de aumento para
homicídio consumado na cidade de Mariana de 2010 até 2019. Essa natureza
criminal possui casos escassos, no entanto, cabe salientar que sugere um
comportamento semelhante aos registros de roubos e furtos: redução no
ano do desastre e aumento nos 2 anos seguintes.</p>
<p><bold>Gráfico 5: Ocorrências por lesão corporal em Mariana</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<p>Afastando-se do padrão encontrado nos índices anteriores, os
registros de lesão corporal sugerem uma propensão de queda nas
incidências postas. O Gráfico 5 aponta para um sentido de alta entre
2010 e 2013, acompanhado de um movimento de queda até 2016.
Posteriormente, percebe-se uma intenção de alta entre 2016 e 2018,
sucedido por uma tendência de queda que alcança em 2020 o menor patamar
de todos os anos analisados.</p>
<p><bold>Gráfico 6: Registros gerais de ocorrências</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<p>Os dados acima (Gráfico 6) representam o somatório de todas as
ocorrências descritas anteriormente: furto, roubo, tráfico de drogas,
homicídio e lesão corporal. Neste sentido, as informações sugerem o
crescimento da criminalidade no município de Mariana-MG entre 2010 e
2014, seguidos por um breve recuo em 2015. O ano do desastre ambiental
(2015) quebra com uma tendência de alta recorrente e, logo em seguida,
as incidências voltam a crescer, alçando em 2017 os maiores índices
expressos em todo o período analisado. Em 2020, ano que coincide com o
retorno das atividades da empresa SAMARCO S.A., pode-se observar os
menores registros de ocorrências dos últimos dez anos.</p>
<p>Os índices de criminalidade do município de São João Del Rei-MG
caminham num sentido oposto aos de Mariana-MG, onde, de maneira geral,
existe um movimento de queda entre 2011 até 2020. A cidade de Santa
Bárbara-MG apresenta um padrão de alta até o ano de 2015, entretanto,
posteriormente, uma tendência de queda para o período subsequente.</p>
<p>Ainda neste caminho de análise, na exposição seguinte, amplia-se a
compreensão acerca das características percentuais que envolvem os dados
sobre violência e criminalidade no município de Mariana, tendo como
parâmetro analítico o ano base de 2015, referente ao marco temporal que
corresponde ao rompimento da Barragem do Fundão.</p>
<p><bold>Tabela 1: Percentual de ocorrências em relação ao ano base
(2015)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="21%" />
      <col width="16%" />
      <col width="16%" />
      <col width="16%" />
      <col width="16%" />
      <col width="16%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Ocorrências/ano MARIANA</bold></th>
        <th><bold>Percentual de furtos em relação ao ano
        base</bold></th>
        <th><bold>Percentual de roubos em relação ao ano
        base</bold></th>
        <th><bold>Percentual de tráfico em relação ao ano
        base</bold></th>
        <th><bold>Percentual de lesão corporal em relação ao ano
        base</bold></th>
        <th><bold>Percentual de homicídios em relação ao ano
        base</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.010</bold></th>
        <th>-22%</th>
        <th>-81%</th>
        <th>-100%</th>
        <th>1%</th>
        <th>-27%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.011</bold></th>
        <th>-18%</th>
        <th>-61%</th>
        <th>-7%</th>
        <th>2%</th>
        <th>-7%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.012</bold></th>
        <th>6%</th>
        <th>-52%</th>
        <th>11%</th>
        <th>12%</th>
        <th>-13%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.013</bold></th>
        <th>2%</th>
        <th>-34%</th>
        <th>30%</th>
        <th>21%</th>
        <th>7%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.014</bold></th>
        <th>4%</th>
        <th>13%</th>
        <th>12%</th>
        <th>3%</th>
        <th>13%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.015</bold></th>
        <th>0%</th>
        <th>0%</th>
        <th>0%</th>
        <th>0%</th>
        <th>0%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.016</bold></th>
        <th>0,4%</th>
        <th>17%</th>
        <th>1%</th>
        <th>-1%</th>
        <th>7%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.017</bold></th>
        <th>30%</th>
        <th>19%</th>
        <th>3%</th>
        <th>10%</th>
        <th>27%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.018</bold></th>
        <th>-2%</th>
        <th>-37%</th>
        <th>20%</th>
        <th>13%</th>
        <th>-20%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.019</bold></th>
        <th>-4%</th>
        <th>-61%</th>
        <th>4%</th>
        <th>0%</th>
        <th>27%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.020</bold></th>
        <th>-45%</th>
        <th>-78%</th>
        <th>27%</th>
        <th>-2%</th>
        <th>-33%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p><bold>Legenda</bold>:
<bold>2015/ano base</bold> – <italic>Correspondente ao rompimento da
Barragem do Fundão</italic>.</p>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<disp-quote>
  <p>A partir das informações disponibilizadas na Tabela 1 acima,
  destaca-se proeminência para as incidências de furtos, tráfico ilícito
  de drogas e homicídios, que alcançam os maiores índices percentuais de
  ocorrências após o rompimento da barragem do fundão, representando,
  num dado momento, um amento respectivo de 30%, 27% e 27%. Em 2017,
  pode-se observar uma elevação de 19% nos indicadores percentuais de
  roubo, em relação ao ano base de 2015. Estes fenômenos estão em
  consonância com as análises de Sampson (1997), sugerindo que numa
  conjuntura marcada pela baixa eficácia coletiva, tem-se a tendência de
  aumento das incidências de crimes contra o patrimônio e
  assassinatos.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 2: Percentual de ocorrências em relação ao ano base
(2015) – Dados Gerais Mariana-MG</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="33%" />
      <col width="33%" />
      <col width="33%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Ano</bold></th>
        <th>Dados Gerais <bold>Mariana-MG</bold></th>
        <th>Percentual Dados Gerais <bold>Mariana-MG</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.010</bold></th>
        <th>772</th>
        <th>-36%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.011</bold></th>
        <th>907</th>
        <th>-19%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.012</bold></th>
        <th>1.124</th>
        <th>-0,1%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.013</bold></th>
        <th>1.148</th>
        <th>2%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.014</bold></th>
        <th>1.190</th>
        <th>6%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.015</bold></th>
        <th>1.125</th>
        <th>0%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.016</bold></th>
        <th>1.153</th>
        <th>2%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.017</bold></th>
        <th>1.391</th>
        <th>24%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.018</bold></th>
        <th>1.092</th>
        <th>-3%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.019</bold></th>
        <th>1.017</th>
        <th>-10%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th><bold>2.020</bold></th>
        <th>697</th>
        <th>-38%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p><bold>Legenda</bold>:</p>
<p><bold>2015/ano base</bold> <italic>– Rompimento da Barragem do
Fundão</italic>.</p>
<p><bold>2017</bold> – <italic>Índice recorde em
Mariana-MG.</italic></p>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados Armazém SIDS/REDS.</p>
<disp-quote>
  <p>A partir dos dados gerais expostos na Tabela 2, pode-se sugerir
  que, de 2015 para 2017, houve um aumento de aproximadamente 24% nos
  indicadores de violência e criminalidade no município de Mariana-MG.
  Ao observar as ocorrências criminais disponibilizadas sobre os
  municípios de São João Del Rei-MG e Santa Bárbara-MG, o quadro exposto
  em seguida, na Tabela 3, aponta que, de 2015 para 2017, ocorreu uma
  queda respectiva de 11% e 2% nessas localidades; parâmetros que
  caminham num sentido oposto às informações expostas no contexto
  analisado até então.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 3: Percentual de ocorrências em relação ao ano base
(2015) – Dados Gerais São João Del Rei-MG e Santa Bárbara-MG</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="15%" />
      <col width="22%" />
      <col width="21%" />
      <col width="21%" />
      <col width="21%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Ano</bold></th>
        <th>Dados Gerais <bold>São João Del Rei-MG</bold></th>
        <th>Percentual Dados Gerais <bold>São João Del
        Rei-MG</bold></th>
        <th>Dados Gerais <bold>Santa Bárbara-MG</bold></th>
        <th>Percentual Dados Gerais <bold>Santa Bárbara-MG</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.010</th>
        <th>107</th>
        <th>-94%</th>
        <th>2</th>
        <th>-99,7%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.011</th>
        <th>1.860</th>
        <th>9%</th>
        <th>370</th>
        <th>-54%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.012</th>
        <th>1.880</th>
        <th>10%</th>
        <th>505</th>
        <th>-37%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.013</th>
        <th>1.686</th>
        <th>-1%</th>
        <th>623</th>
        <th>-22%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.014</th>
        <th>1.713</th>
        <th>1%</th>
        <th>742</th>
        <th>-7%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.015</th>
        <th>1.703</th>
        <th>0%</th>
        <th>797</th>
        <th>0%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.016</th>
        <th>1.627</th>
        <th>-4%</th>
        <th>757</th>
        <th>-5%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.017</th>
        <th>1.511</th>
        <th>-11%</th>
        <th>785</th>
        <th>-2%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.018</th>
        <th>1.408</th>
        <th>-17%</th>
        <th>751</th>
        <th>-6%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.019</th>
        <th>1.334</th>
        <th>-22%</th>
        <th>705</th>
        <th>-12%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2.020</th>
        <th>952</th>
        <th>-44%</th>
        <th>480</th>
        <th>-40%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p><bold>Legenda</bold>:</p>
<p><bold>2015/ano base</bold> <italic>– Rompimento da Barragem do
Fundão</italic>.</p>
<p><bold>2017</bold> – <italic>Índice recorde em
Mariana-MG.</italic></p>
<p>Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Armazém
SIDS/REDS.</p>
<disp-quote>
  <p>Em síntese, a partir de todas as informações conjunturais
  fornecidas neste artigo, sugere-se que o rompimento da Barragem do
  Fundão desencadeou diversas consequências, como expressiva queda de
  arrecadação municipal, oscilações no setor imobiliário, aumento
  expressivo do desemprego, desorganização social e econômica, dentre
  outros fatores que se projetam negativamente por meio do aumento de
  alguns dos índices de violência e criminalidade no município de
  Mariana-MG, destacando proeminência para o ano de 2017 – dois anos
  após o rompimento. Cantor e Land (1985) explicam esse hiato,
  esclarecendo que os efeitos estruturais de grandes fenômenos sociais
  não se instauram de forma imediata, podendo ser melhor visualizados
  posteriormente. Neste mesmo caminho, o argumento proposto neste estudo
  corrobora com algumas das análises sociológicas que sugerem aumento
  das desordens e condutas desviantes, altos índices de desemprego e
  desestruturação familiar em regiões imersas em contextos de desordens
  sociais (PARK; BURGESS, 2019; PARK, 1915; SILVA; MARINHO, 2014; SHAW;
  MCKAY, 1942; RATTON, 2014; SAMPSON, 1997; WIRTH, 1967).</p>
</disp-quote>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Este artigo se debruçou sobre a compreensão dos impactos do
  rompimento da Barragem do Fundão para a cidade de Mariana-MG,
  principalmente no que tange às incidências de segurança pública. Sob a
  luz desta discussão, a crise ambiental vivenciada pelo município
  supracitado sugere a importância de fomentar o debate sobre barragens
  de mineração e grandes empreendimentos minerários no Brasil,
  solidificando a importância de apropriação do tema pelas mais variadas
  áreas de conhecimento das Ciências Sociais. </p>
  <p>Os desdobramentos impostos pela conjuntura estudada ocasionaram
  fenômenos prejudiciais para o cidadão marianense, sugerindo maior
  incidência de violência e criminalidade no município, destacando forte
  alta em 2017. Os dados disponibilizados pelas instituições de
  segurança pública sugerem que de 2015 para 2017 ocorreu um aumento de
  24% nos índices de violência e criminalidade marianense. Desta forma,
  conclui-se que as consequências materiais e simbólicas oriundas do
  rompimento da Barragem do Fundão – como impactos políticos, sociais,
  econômicos, culturais, ambientais e estando tantos outros invisíveis
  “a olho nu” – podem se relacionar negativamente com os parâmetros
  de segurança pública local.</p>
  <p>É importante pontuar que devido às externalidades negativas da
  pandemia, este trabalho propôs-se a realizar uma análise descritiva e
  teórica sobre o tema, possuindo como limitação a ausência direta de
  uma base de dados primários para investigação. Diante da escassez
  bibliográfica encontrada na fronteira entre estudos de crimes
  ambientais e segurança pública, sugere-se que futuros trabalhos
  desenvolvam uma agenda de pesquisa comprometida com investigações
  desta natureza, pautando possíveis relações de causalidade entre as
  variáveis estudadas.</p>
  <p>“A mineração é um mal necessário para o município”. Esta é uma
  frase corriqueira para o cidadão marianense, sendo comumente expressa
  pelos gestores públicos. Em última análise, pode-se partir do
  pressuposto de que a premissa é verdadeira. Entretanto, Mariana,
  cidade intitulada patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO, tem
  condições e estruturas para promover maior diversificação econômica,
  visando romper o ciclo da minério-dependência. O argumento posto em
  evidência não busca dirimir as atividades de mineração, mas sim
  incentivar o debate sobre o modelo da exploração predatória que,
  introjetada nos processos históricos de construção do Brasil, continua
  a causar impactos depreciativos em todo o território nacional. Então,
  questiona-se: “Mas para quem?”. A resposta é sugerida pelos muros da
  cidade, entre clamor dos invisíveis, nefastos, apagados cidadãos,
  brasileiros, mineiros, marianenses, que se fazem ouvir, denunciando
  que “a cidade é da humanidade, mas não da comunidade”.</p>
  <p><bold>Imagem 1: Esquina da rua Cônego Amando com a rua Dom João VI,
  Mariana-MG</bold></p>
</disp-quote>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image7.jpg" />
<p>Fonte: Foto: Deivid Oliveira (2020).</p>
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Acesso em: 13 mai. 2020.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>De acordo com as informações, são inúmeros os
    prejuízos, estando contabilizados 19 mortes e 362 famílias
    desabrigadas (BATTESTIN, 2019).</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>Segundo a Confederação Nacional de Municípios
    (CNM), a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) é
    calculada sobre o faturamento líquido obtido das vendas de recursos
    minerais.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>Segundo a Subsecretaria da Receita Estadual de MG
    o ICMS é um tributo “não-cumulativo que incide sobre as operações
    relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de
    transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.”</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica
    Aplicada (IPEA), o Índice Gini é um modelo matemático capaz de medir
    o grau de concentração de renda em determinados estratos sociais.
    (WOLFENBÜTTEL, 2004).</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <label>5</label><p>A vitimização corporativa consiste em isentar a
    responsabilidade empresarial e transferir os encargos para as
    vítimas (SAAD-DINIZ, 2020).</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <label>6</label><p>De acordo com o portal da instituição: “A
    Fundação Renova é a entidade responsável pela mobilização para a
    reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão,
    em Mariana (MG)”. Disponível em: fundacaorenova.org/a-fundacao/.
    Acesso em: 18 maio 2023.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
