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<p><bold>TREINAMENTO DE CONDUÇÃO VEICULAR POLICIAL: UM ESTUDO DE CASO NA
POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL</bold></p>
<p><bold>Jaques Jonas Santos Silva  </bold></p>
<p>Graduado em Engenharia de Produção Mecânica (UERJ) e Matemática
(UFF). Pós-graduado em Educação Transformadora (PUCRS). Policial
Rodoviário Federal, professor do curso de Pós-graduação em Ciências
Policiais (UniPRF/IFES), instrutor de Condução Veicular Policial e
coordenador do Grupo de Investigação de Acidentes de Trânsito da
SPRF-RJ.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio de Janeiro
<bold>Cidade:</bold> Porto Real</p>
<p><bold>Email:</bold> jaques.silva@prf.gov.br  <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/ 0000-0002-7646-6996</p>
<p><bold>Paulo Silva de Oliveira  </bold></p>
<p>Mestrado em andamento em Master of Science in Business
Administration, MUST University, Estados Unidos, especialista em:
Educação Transformadora - Pontifícia Universidade Católica do Rio grande
do Sul, especialista em Inteligência de Segurança Pública, especialista
em Neurociência, especialista em Docência no Ensino Superior, atualmente
é policial rodoviário federal.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio de Janeiro
<bold>Cidade:</bold> Rio de Janeiro</p>
<p><bold>Email:</bold> paullo.silvarepara@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-6599-5585</p>
<p><bold>Lúcio Araújo Fernandes  </bold></p>
<p>Possui graduação em Matemática pela UERJ. Pós-graduado em Gestão
Pública pela UFMS, em Gestão de Tecnologia da Informação pela UFRN e
Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UNINTER. Possui 15 anos de
experiência na área de educação e gestão. Atualmente é policial
rodoviário federal e atua na área de ensino e em gestão de tecnologia da
informação.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rio de Janeiro
<bold>Cidade:</bold> Rio de Janeiro</p>
<p><bold>Email:</bold> cap.cvp.rj@gmail.com  <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-6827-9392</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Jaques Jonas Santos Silva trabalhou na concepção do estudo, pesquisa
bibliográfica, análise e interpretação dos dados e redação final do
artigo. Paulo Silva de Oliveira trabalhou na concepção do evento de
capacitação, delineamento pedagógico e revisão de texto. Lúcio Araújo
Fernandes trabalhou na concepção da pesquisa, aquisição dos dados e
revisão de texto.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Este estudo trata da observação de um caso de aplicação dos
princípios de educação inovadora no treinamento de Condução Veicular
Policial (CVP), aplicado durante o Ciclo de Atualização Policial da
Polícia Rodoviária Federal (PRF), evento de capacitação profissional
realizado anualmente por Policiais Rodoviários Federais como forma de
aprimoramento e atualização das técnicas necessárias para o exercício de
suas funções. Por meio do emprego de técnicas pedagógicas, como a
gamificação, buscou-se induzir nos instruendos o estado de
<italic>flow</italic> na prática de exercícios que simulam situações que
poderão ser encontradas nas rotinas operacionais diárias, tendo como
objetivo o desenvolvimento de práticas de direção segura para a redução
dos índices de vitimização policial por acidentes de trânsito. Os
resultados observados apontam para um elevado nível de comprometimento
dos instruendos e revelam a importância do treinamento de CVP no âmbito
da educação corporativa da PRF.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Trânsito. Condução. Veículos. Polícia.
Capacitação.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>POLICE VEHICLE DRIVING TRAINING: A CASE STUDY IN THE
FEDERAL HIGHWAY POLICE</bold></italic></p>
<p>This study deals with the observation of a case of application of the
principles of innovative education in Police Vehicle Driving (PVD)
training, applied during the Police Update Cycle of the Federal Highway
Police (PRF), a professional training event held annually by police
officers as a way to improve and update the techniques necessary for the
exercise of their functions. Through the use of pedagogical techniques
such as gamification, we sought to induce in the trainees the state of
<italic>flow</italic> in the practice of exercises that simulate
situations that may be found in daily operating routines, with the
objective of developing safe driving practices for reduction of police
victimization rates due to traffic accidents. The observed results point
to a high level of commitment of the trainees and reveal the importance
of PVD training within the scope of PRF's corporate education.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Traffic. Driving. Vehicles. Police.
Training.</p>
<disp-quote>
  <p><bold>Data de Recebimento:</bold> 22/09/2021 – <bold>Data de
  Aprovação:</bold> 10/10/2022</p>
</disp-quote>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1599</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>A Polícia Rodoviária Federal (PRF), órgão estruturado em carreira
conforme previsão no art. 144, inciso II, da Constituição da República
Federativa do Brasil, possui um quadro de aproximadamente 10.900
policiais (dados de 2021, obtidos por meio do Sistema de Gestão de
Pessoas – SIGEPE)<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>.
Administrativamente, a instituição possui uma sede em Brasília/DF, onde
localiza-se a Direção Geral, 27 superintendências (uma em cada Unidade
Federativa) e aproximadamente 150 delegacias espalhadas por todo o
Brasil, as quais respondem pelas atividades operacionais.</p>
<disp-quote>
  <p>O órgão conta ainda com uma Universidade Corporativa (UniPRF,
  anteriormente denominada Academia Nacional da Polícia Rodoviária
  Federal – ANPRF), localizada em Florianópolis/SC, responsável pela
  formação profissional dos PRFs que ingressam no órgão por meio de
  concurso público e pela educação corporativa: treinamento e
  capacitação continuados do efetivo.</p>
  <p>No âmbito da educação corporativa, a PRF mantém um calendário anual
  de capacitações – os Ciclos de Atualização Profissional (CAPs) – as
  quais são destinadas à atualização, ao aprimoramento e à qualificação
  do quadro de PRFs e demais servidores. Os CAPs são geridos pela UniPRF
  e são de participação obrigatória a todos os policiais no exercício de
  suas funções. Dentre as disciplinas ministradas nos CAPs, encontra-se
  a Condução Veicular Policial (CVP). A disciplina CVP é responsável por
  difundir técnicas de condução segura, defensiva e em situações
  adversas, além de noções básicas de mecânica automotiva e uso de
  tecnologias embarcadas presentes nas viaturas de dotação do órgão.</p>
  <p>A importância da disciplina CVP no currículo dos CAPs justifica-se
  por dois motivos principais:</p>
</disp-quote>
<list list-type="alpha-lower">
  <list-item>
    <label>a)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>o fato de que os PRFs, em suas atividades operacionais ou
        administrativas, encontram-se quase que constantemente
        envolvidos com a condução de viaturas, muitas vezes em condições
        adversas, como nas situações chamadas de “acompanhamento
        tático”, nas quais ocorre o acompanhamento de outro veículo,
        geralmente em fuga, com o empenho de velocidades que superam os
        limites regulamentares das vias e manobras não convencionais,
        exigindo certo grau de destreza na condução;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>b)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>em análise das causas de óbitos de PRFs, foi observado um
        alto percentual de vitimização em decorrência de acidentes de
        trânsito, seja em serviço ou nos horários de folga: de 2007 a
        2021, 26% dos PRFs que vieram a óbito tiveram como causa
        acidentes de trânsito em serviço, e outros 24% por acidentes de
        trânsito fora do serviço (MARTINS, 2016, p. 38). Esses dados
        revelam um contrassenso, considerando-se que uma das principais
        missões dos PRFs é a de preservar vidas nas rodovias
        federais.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>mais da metade, pra ser mais preciso 50,67% dos policiais
  vitimizados fatalmente, tiveram suas vidas ceifadas em decorrência de
  acidentes de trânsito, sendo que em 20 óbitos os policiais estavam de
  serviço e em outras 18 vitimizações fatais estavam em seu momento de
  folga. (MARTINS, 2016, p. 38).</p>
  <p>Embora a importância da CVP no currículo dos CAPs esteja
  devidamente justificada, esta disciplina carece de documentação formal
  quanto aos procedimentos metodológicos adotados, tanto no que se
  refere aos procedimentos pedagógicos quanto aos procedimentos técnicos
  específicos, de modo a propiciar uma base de pesquisa para
  aprimoramento e inovação no ensino de CVP, bem como estabelecer uma
  base de dados que permita aferir alguma correlação entre o treinamento
  ministrado nos CAPs e a redução nos índices de vitimização policial,
  conforme se observará mais adiante na educação corporativa na área de
  condução policial em outras corporações.</p>
  <p>Apesar de existirem procedimentos formais enquanto as regras e os
  procedimentos em relação à formação e treinamento policial, observa-se
  que não existem sistemas de informação que possibilitem subsidiar a
  Administração com dados reais e precisos das atividades executadas.
  Apesar dos documentos serem produzidos e armazenados no sistema de
  protocolo eletrônico, este sistema revela-se um meio inadequado para
  produzir relatórios suficientemente claros e voltados ao processo de
  melhoramento contínuo das atividades desenvolvidas. (NUNES, 2017, p.
  18-19).</p>
  <p>Neste contexto, este trabalho tem como objetivos: suprir a carência
  de estudos formais na área do ensino de CVP, como meio de fomentar a
  pesquisa e a inovação nesse tema e o aprimoramento da doutrina de
  condução policial; aplicar técnicas pedagógicas, em especial a
  gamificação e o estado de <italic>flow</italic>, para otimizar a
  absorção das técnicas ministradas nos treinamentos nos CAPs; e
  apresentar a experiência do CAP de CVP realizado na Superintendência
  da PRF no Rio de Janeiro em 2021, bem como a percepção dos instruendos
  em relação à experiência vivenciada no treinamento por meio de uma
  pesquisa qualitativa, a qual busca compreender o fenômeno de estudo no
  seu ambiente usual (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006).</p>
  <p>Assim, este trabalho faz uso de instrumentos de coleta de dados e
  realização de análises quantitativas ou não quantitativas, com o
  intuito de compreender a dinâmica do CAP de CVP de forma mais
  aprofundada. A classificação deste trabalho pode ser considerada
  exploratória (quanto ao tipo), posto que os CAPs desenvolvidos pela
  PRF não são objeto de pesquisas acadêmicas, sendo relevante o
  conhecimento oriundo de uma investigação sobre esse tema ainda pouco
  explorado.</p>
</disp-quote>
<p><bold>REFERENCIAL TEÓRICO</bold></p>
<p><bold>O fator humano no comportamento do motorista policial no
trânsito</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) definiu,
  por meio de resolução aprovada em 31 de agosto de 2020, a Segunda
  Década de Ação pela Segurança no Trânsito, a qual compreende os anos
  de 2021 a 2030, tendo como meta a redução de pelo menos 50% de lesões
  e mortes no trânsito em todo o mundo. Conforme a resolução publicada,
  a grande maioria das mortes e ferimentos graves no trânsito são
  evitáveis e, não obstante as melhorias implementadas em muitos países,
  os acidentes de trânsito ainda constituem um grande problema para a
  saúde pública e o desenvolvimento, tendo amplas consequências sociais
  e econômicas.</p>
  <p>Marin e Queiroz (2000) ressaltam que o Brasil, apesar de participar
  ativamente dessas ações, ainda é apontado como um dos países
  detentores dos piores e mais perigosos trânsitos em todo o mundo. Os
  acidentes de trânsito são considerados um problema de saúde pública
  devido às suas proporções e à sua influência em variáveis
  socioeconômicas, podendo representar um custo anual entre 1% e 2% do
  Produto Interno Bruto (PIB) em países menos desenvolvidos (SÖDERLUND;
  ZWI, 1995).</p>
  <p>Os estudos sobre acidentes de trânsito no Brasil mostram que,
  dentre os três principais fatores causadores de acidentes (veículo,
  via e ser humano), este último é o responsável por 90% das
  ocorrências, seja por erros de conduta ou violações às leis de
  trânsito (HOFFMANN, 2005). Uma boa parte dos trabalhos que abordam o
  tema do comportamento humano no trânsito diz respeito à carga de
  trabalho dos motoristas, aqui entendida não somente como a carga
  horária dos motoristas profissionais, mas de qualquer indivíduo que,
  por qualquer razão ou circunstância, venha a assumir a condição de
  motorista.</p>
  <p>Morais (2011) observa que a atividade policial, principalmente no
  que se refere à condução de viaturas, caracteriza-se como atividade
  profissional onde a carga de trabalho é uma importante variável a ser
  observada ao se avaliar os riscos de ocorrência de acidentes de
  trânsito, acrescidos de outros elementos inerentes à função policial
  que concorrem com a atenção que o motorista de viaturas deve dispensar
  ao trânsito ou que exigem deste uma destreza (na condução de veículos)
  acima da média do condutor comum.</p>
  <p>Pereira (2002) acrescenta que, além dos níveis de competências,
  práticas e atitudes, devem ser incorporados nos procedimentos de
  determinadas atividades profissionais: a aptidão, a habilidade e a
  perícia. Dentre essas categorias diferenciadas, pode-se incluir a
  atividade policial, em especial aquela exercida pelo policial no
  exercício da função de condutor de viaturas operacionais, trabalho que
  demanda a integração desses elementos quando da condução em vias
  públicas para o atendimento de ocorrências, ocasiões em que existe uma
  premente necessidade da utilização de todos esses elementos para a
  realização da atividade proposta dentro dos padrões mínimos de
  segurança. Acrescente-se, ainda, a questão da agressividade na
  condução de viaturas policiais:</p>
  <p>Tanto na situação de patrulhamento quanto no atendimento a
  ocorrências, o policial condutor de viaturas se expõe a mecanismos que
  conduzem a graus elevados de agressividade. Essa característica,
  registre-se, é um componente usual na condução de veículos por
  qualquer motorista, seja aquele que se desloca em rapidez, seja aquele
  preso nos engarrafamentos cotidianos nos grandes centros urbanos.
  (MORAIS, 2011, p. 25).</p>
  <p>Rozestraten (1988) enumera as três condições básicas para que se
  produzam comportamentos seguros no trânsito:</p>
</disp-quote>
<list list-type="alpha-lower">
  <list-item>
    <label>a)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>A existência de estímulos ou de situações que possam ser
        observadas e percebidas, sendo que, quanto mais clara e menos
        ambígua a situação ou o estímulo, melhor será a resposta
        sensorial e a adaptação comportamental;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>b)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Um organismo em plenas condições de perceber e reagir de
        forma adequada aos estímulos percebidos. Em outras palavras, um
        organismo sem insuficiências sensoriais ou motoras que possam
        causar prejuízo à reação;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>c)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Uma prévia aprendizagem dos sinais, das normas e dos
        procedimentos que devem ser seguidos para que este organismo
        saiba reagir adequadamente no sistema do trânsito, incluindo
        situações adversas.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Na PRF, todos os policiais são aptos a conduzir veículos oficiais
  (caracterizados ou não), desde que, obviamente, não haja qualquer
  impedimento no prontuário da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). É
  exigência dos editais dos concursos para o cargo de Policial
  Rodoviário Federal a habilitação, no mínimo, na categoria B da
  CNH.</p>
  <p>A exemplo do que ocorre na formação de condutores de viaturas
  oficiais no 6º Batalhão de Polícia Militar do Estado do Acre, na PRF
  “não são adotados critérios legais e operacionais específicos para a
  condução de veículos oficiais, inquietando saber qual o impacto dessa
  ausência de pressupostos, tendo em vista a efetividade operacional”
  (COSTA; MIRANDA, 2020, p. 4). Acrescente-se a isso o fato de que
  periodicamente novos veículos são adquiridos e incorporados à frota,
  demandando treinamento dos condutores para a correta utilização das
  novas tecnologias embarcadas, como forma de maximizar o desempenho e a
  segurança nos deslocamentos.</p>
  <p>De todo o exposto, fica evidente a necessidade de treinamento e
  capacitação contínua do policial condutor de viaturas para o
  desenvolvimento e aprimoramento de suas habilidades. É necessário que
  o policial condutor reconheça seus limites físicos (em relação à carga
  de trabalho), seus limites de percepção sensorial, exercite o
  autocontrole em situações de stress, conheça as possibilidades e as
  limitações do veículo que opera e, principalmente, aprenda e exercite
  continuamente técnicas de condução operacional que permitam conduzir
  viaturas, ainda que sob condições adversas de carga de trabalho,
  stress e situações inerentes à atividade policial que demandem
  deslocamentos diferenciados, com a máxima segurança que seja
  possível.</p>
  <p>O comportamento do motorista policial no trânsito deve ser,
  portanto, o escopo da doutrina de condução veicular policial.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Fatores de vitimização policial</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Contrariando o senso comum de que os confrontos armados são a causa
  da maioria das mortes de policiais, verifica-se dentre diversos
  estudos de vitimização policial que os acidentes de trânsito em
  serviço são, em muitos casos, a principal causa de vítimas fatais
  dentre policiais.</p>
  <p>Muniz e Soarez (1998) observam que, na Polícia Militar do Estado do
  Rio de Janeiro, os acidentes de trânsito foram os maiores responsáveis
  pelas vitimizações de policiais em serviço e em folga, conforme dados
  tomados entre 1993 e 1996, o que corresponde a 24% do total das
  vitimizações, seguido dos assaltos, com 18%, e das ações armadas de
  suspeitos, com 11%.</p>
  <p>Em outra observação, Limeira (2019) verificou que, na Brigada
  Militar do Rio Grande do Sul, no período de 2006 a 2016, os acidentes
  de trânsito foram a principal causa de morte de policiais militares em
  serviço, chegando a 41,3% do total de vítimas, um índice que supera em
  muito o percentual de vítimas policiais em confrontos, os quais
  chegaram a 30,1% do total de vitimizações no mesmo período. Muniz e
  Soares (2011), por sua vez, observam que, entre 2005 e 2009, o
  trânsito e a ação de marginais, seguidas de confrontos armados, foram
  as maiores causas de vitimização entre policiais militares do Rio de
  Janeiro, em serviço e em folga.</p>
  <p>As causas que fazem com que os acidentes de trânsito ocupem uma
  posição tão destacada dentre os fatores de vitimização policial são
  essencialmente de caráter atitudinal, devido a questões relacionadas à
  carga horária de trabalho ou questões comportamentais.</p>
  <p>Muniz e Soares (2011), em pesquisa qualitativa, observam que,
  dentre um grupo de policiais militares e civis do Rio de Janeiro
  entrevistados, a maioria reconhece que as escalas de trabalho adotadas
  (em especial a escala de 24 horas de trabalho com 72 horas de folga) e
  os plantões são estressantes e impedem a recuperação do policial do
  ponto de vista emocional e orgânico. Esses fatores são determinantes
  no que se refere à fragilização da saúde e à segurança no trabalho,
  favorecendo a vitimização tanto em serviço quanto na folga,
  especialmente no trânsito.</p>
  <p>Já para Martins (2016), em muitos casos, o comportamento das
  vítimas policiais é fator decisivo no processo de vitimização. Em
  outras palavras: se as vítimas tivessem se comportado adotando medidas
  preventivas, como as medidas relacionadas aos acidentes de trânsito,
  muito provavelmente a vitimização fatal não teria ocorrido.</p>
  <p>O autor observa ainda que, até o ano de 2016, mais de 50% das
  vitimizações fatais de PRFs foram decorrentes de acidentes de
  trânsito, índice que vêm diminuindo gradativamente a partir de então.
  Entretanto, grande parte dessa redução é devida aos acidentes fora de
  serviço, os quais representavam, segundo Martins (2016), 24% das
  vitimizações fatais de PRFs (dados de 2016), ao passo que, no período
  de janeiro de 2017 a fevereiro de 2021, as vitimizações fatais de PRFs
  por acidentes de trânsito fora de serviço corresponderam a pouco mais
  de 7% (MARTINS, 2021).</p>
  <p>Por outro lado, os acidentes de trânsito durante o serviço têm se
  mantido praticamente constantes ao longo dos anos, com um índice de
  cerca de 26% do total de mortes de PRFs. Tal índice mostra, de forma
  inequívoca, a importância do treinamento e da capacitação em CVP de
  forma continuada, como forma de fomentar a redução desses índices,
  observando-se que o treinamento de técnicas de condução segura,
  ministrado em uma capacitação de CVP, pode ter impacto positivo também
  na redução dos índices de acidentes fora de serviço.</p>
</disp-quote>
<p><bold>A doutrina de Condução Veicular Policial</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A doutrina de Condução Veicular Policial (CVP) deve contemplar: o
  comportamento do policial no trânsito no exercício de suas funções
  (fator humano); o emprego de técnicas de condução operacional que
  privilegiem a condução segura e defensiva, mesmo em situações adversas
  no atendimento de ocorrências que envolvam stress por parte do
  condutor e o uso de manobras e procedimentos não convencionais; e o
  conhecimento de noções básicas de mecânica automotiva, permitindo que
  o operador (motorista) conheça o equipamento que opera de forma a
  explorar com a máxima eficácia os recursos que esse oferece, bem como
  reconhecer suas limitações.</p>
  <p>Ao policial condutor não cabe apenas o conhecimento das leis de
  trânsito e das técnicas básicas de condução de veículos, até porque,
  constantemente, o policial condutor será exigido, em termos de
  habilidade e perícia acima da média dos condutores comuns, no
  desempenho de suas atividades rotineiras.</p>
  <p>A doutrina de CVP adotada pela Polícia Militar do Estado de São
  Paulo – PMESP (uma das instituições de referência no ensino de CVP) em
  suas ações de treinamento, capacitação e especialização para a
  condução de viaturas policiais tem como principal objetivo a
  especialização do policial militar para exercer a função de motorista
  policial, visando a condução de maneira eficiente, com respeito à
  legislação vigente, emprego de técnicas de direção defensiva para
  prevenção de acidentes, e o desenvolvimento de uma cultura de condução
  segura, minimizando a vitimização policial por meio da redução do
  risco de acidentes e buscando a conservação do patrimônio público, no
  caso, as viaturas (PMESP, 2008 <italic>apud</italic> DORILEO, 2011, p.
  58).</p>
  <p>A formação do condutor policial militar da PMESP tem como
  diretrizes: a formação e habilitação dos policiais militares à
  condição de condutores; a avaliação dos policiais militares condutores
  de veículos, autorizando-os para a condução de veículos oficiais da
  PMESP, desde que preenchidos os requisitos exigidos pela instituição;
  e a especialização dos policiais militares nas técnicas de direção
  policial preventiva.</p>
  <p>Os cursos são realizados continuamente durante todo o ano. A malha
  curricular dos cursos e estágios de condução policial da PMESP abordam
  temas como: direção de viatura, legislação de trânsito, direção de
  emergência, dinâmica do veículo, manutenção de 1º escalão, veículo e
  suas divisões, pequenas panes, adaptação aos tipos de câmbios e
  prática de condução de viatura (DORILEO, 2011).</p>
  <p>O batalhão de Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar – ROTA-SP, da
  PMESP, oferece periodicamente aos policiais o curso de Direção
  Policial, ministrado por instrutores da própria corporação,
  especializados em várias modalidades de pilotagem. O curso destina-se
  a todos os policiais de ROTA-SP, os quais são treinados nas técnicas
  de condução operacional, independente de exercerem ou não a função de
  motoristas de viaturas operacionais.</p>
  <p>O treinamento busca a correção de automatismos incorretos (vícios
  de condução que comprometem a eficiência e a segurança da direção) e o
  treinamento de técnicas de condução para o incremento de habilidades.
  São ministrados ainda princípios de direção defensiva e mecânica
  veicular.</p>
</disp-quote>
<p>O currículo visa principalmente a condução segura e eficaz, sobretudo
em emergências, com o intuito de evitar acidentes. Os treinamentos são
realizados na cidade de São Paulo, na Base Aérea do Campo de Marte
(estrutura pertencente à Força Aérea Brasileira – FAB). Para o
treinamento, são disponibilizadas as pistas secundárias devido às suas
amplas dimensões e vastas áreas de escape. Também é disponibilizada
infraestrutura de socorro, em caso de acidentes (JALONETSKY, 2017
<italic>apud</italic> COSTA; MIRANDA, 2020, p. 12).</p>
<disp-quote>
  <p>O treinamento ocorre em diversas etapas, cada qual idealizada para
  um tipo de manobra. Os exercícios são conduzidos por um instrutor e
  abordam, entre outros itens: posicionamento ideal do condutor no
  veículo, técnicas para condução em curvas, frenagem de emergência com
  ou sem desvio de obstáculos, arranque, aceleração, uso correto dos
  sistemas veiculares, posicionamento correto das mãos ao volante, troca
  de marchas, contorno de obstáculos, estacionamento e manobras
  evasivas.</p>
  <p>Os treinamentos são executados em trajetos limitados por cones, de
  modo que o policial deve realizar os exercícios da forma mais rápida
  possível, derrubando o mínimo de cones. Todos os exercícios requerem
  noções de espaço, controle de aceleração e visão periférica e difusa,
  sendo situações idealizadas para que o policial possa experimentar,
  com a maior proximidade possível, situações que irá encontrar no
  decorrer de suas atividades.</p>
  <p>A doutrina de CVP adotada pela PRF tem como premissa o fato de que,
  para o Policial Rodoviário Federal, a atividade de conduzir um
  veículo, mais do que uma prática cotidiana, é uma das essências do
  trabalho de policiamento ostensivo das rodovias. O Policial Rodoviário
  Federal deve ser visto pelo público como exemplo de condutor e como
  indutor da política institucional de prevenção de acidentes e redução
  da violência no trânsito.</p>
  <p>Esse nível de excelência, segundo a doutrina de CVP da PRF, é
  obtido através de duas vertentes: a primeira, relacionada ao aspecto
  atitudinal, é explorada através da promoção de uma postura crítica que
  possibilite ao policial a compreensão dos fatores de risco na condução
  de veículos, tanto em serviço como em atividades privadas; a segunda
  refere-se aos aspectos técnicos na condução de veículos, como o
  conhecimento das tecnologias disponíveis para incremento da segurança
  nos veículos, de forma a utilizá-las corretamente e compreender as
  potencialidades e limitações do veículo que opera.</p>
  <p>Dentre os aspectos técnicos, encontra-se também o emprego de
  técnicas de condução que possibilitem a direção segura, tanto em
  deslocamentos administrativos, nos quais a condução é feita em
  condições normais no que se refere à velocidade de deslocamento e às
  manobras durante o percurso, quanto em deslocamentos operacionais, os
  quais são executados em situações que podem evoluir para condições de
  grande estresse e, eventualmente, exigir deslocamentos em velocidades
  que excedem as regulamentares e a execução de manobras não
  convencionais.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Indicativos de aproveitamento das técnicas de condução
policial</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Dorileo (2011) observa a especialização da tropa da PMESP e o
  aumento de motoristas autorizados a conduzir viaturas policiais por
  meio de mecanismos de treinamento de condução veicular policial,
  adotados por aquela instituição a partir de 2006, aplicando-se a
  doutrina de técnicas de direção policial preventiva. Assim, infere-se
  de forma dedutiva uma correlação entre a capacitação para a condução
  veicular policial e a redução dos acidentes com vítimas e do
  percentual dos acidentes com vítimas em relação à frota da PMESP, não
  obstante o crescimento da frota entre 2004 e 2008, conforme mostra a
  Tabela 1.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 1: Comparativo dos acidentes com vítimas em relação à
frota na PMESP</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="25%" />
      <col width="25%" />
      <col width="25%" />
      <col width="26%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Ano</bold></th>
        <th><bold>Frota</bold></th>
        <th><bold>Total de acidentes com vítimas</bold></th>
        <th><bold>Percentagem de acidentes em relação à
        frota</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2004</th>
        <th>9.958</th>
        <th>649</th>
        <th>6,50%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2006</th>
        <th>13.219</th>
        <th>596</th>
        <th>4,50%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2008</th>
        <th>12.893</th>
        <th>495</th>
        <th>3,80%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Corregedoria Geral da PMESP (DORILEO, 2011, p. 63).</p>
<disp-quote>
  <p>O Gráfico 1 exibe, por meio de uma regressão linear (linha
  tracejada em azul), um decréscimo tendencial do número de acidentes
  com vítimas envolvendo viaturas da PMESP entre os anos de 2004 e
  2008.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Gráfico 1 - Acidentes com vítimas em viaturas policiais da
PMESP</bold><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Produção do autor, com dados de Dorileo (2011).</p>
<disp-quote>
  <p>Apesar das reiteradas solicitações à PMESP para o fornecimento de
  dados atualizados acerca dos acidentes com vítimas envolvendo viaturas
  daquela instituição, bem como da sua frota de veículos oficiais, que
  pudessem corroborar a correlação da queda do número de ocorrências com
  a capacitação continuada do efetivo em CVP, os dados não foram
  disponibilizados.</p>
  <p>Na PRF, o treinamento em CVP ao público interno geral carece da
  regularidade apresentada pela PMESP, sendo oferecido até 2020 apenas
  como disciplina no Curso de Formação Profissional (CFP), do qual
  participam todos os Policiais Rodoviários Federais que ingressam na
  instituição através de concurso público, e em cursos internos, tais
  como o Curso de Operações Temáticas (COTEM), o de Técnicas Policiais
  de Combate ao Crime (TPCC), entre outros. Na regional do Rio de
  Janeiro, o treinamento em CVP foi oferecido durante o Ciclo de
  Atualização Policial (CAP) no ano de 2017, sendo retomado apenas no
  ano de 2021 (objeto de estudo deste trabalho).</p>
  <p>Em âmbito nacional, o treinamento de CVP foi introduzido nos CAPs a
  partir de 2020, sendo considerado, desde então, juntamente com
  Armamento, Munição e Tiro (AMT), elemento curricular prioritário.</p>
  <p>Diante dessa falta de regularidade do treinamento de CVP, não é
  possível inferir, ainda que de forma dedutiva, alguma correlação entre
  a capacitação em condução policial e a redução dos índices de
  acidentes com vítimas envolvendo viaturas na PRF, tal qual se observa
  na PMESP. De fato, observando o comparativo dos acidentes com vítimas
  em relação à frota estimada na PRF entre os anos de 2017 e 2020
  (Tabela 2), constata-se uma tendência ao crescimento tanto do número
  absoluto de acidentes quanto do percentual de acidentes em relação à
  frota estimada.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 2: Comparativo dos acidentes com vítimas em relação à
frota na PRF</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="25%" />
      <col width="25%" />
      <col width="25%" />
      <col width="26%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Ano</bold></th>
        <th><bold>Frota
        estimada</bold></th>
        <th><bold>Total de acidentes com vítimas</bold></th>
        <th><bold>Percentagem de acidentes em relação à
        frota</bold></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2017</th>
        <th>7.026</th>
        <th>50</th>
        <th>0,71%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2018</th>
        <th>7.996</th>
        <th>64</th>
        <th>0,80%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2019</th>
        <th>8.943</th>
        <th>56</th>
        <th>0,63%</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>2020</th>
        <th>9.060</th>
        <th>105</th>
        <th>1,16%</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Produção do autor, com dados do Sistema de Informações
Gerenciais – SIGER/PRF (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>O Gráfico 2 exibe, por meio de uma regressão linear (linha
  tracejada em azul), um acréscimo tendencial do número de acidentes com
  vítimas envolvendo viaturas da PRF entre os anos de 2017 e 2020.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Gráfico 2: Acidentes com vítimas em viaturas policiais da
PRF</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image10.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, com dados do Sistema de Informações
Gerenciais SIGER/PRF (2021).</p>
<p><bold>Gamificação e o estado de <italic>flow</italic> no treinamento
de CVP</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Segundo Montanaro (2018), a gamificação (uma adaptação de
  <italic>gamification</italic>, em inglês) é um conjunto de estratégias
  organizacionais que visam a transformação de um ambiente real e dos
  seus objetivos por meio de conceitos e mecanismos característicos de
  jogos. Com isso, a resolução de problemas ou o desenvolvimento de
  determinados conteúdos, em grupos ou de forma individualizada, é feito
  por meio de elementos de engajamento lúdico do público-alvo.</p>
  <p>A abordagem do problema ou do conteúdo é feita de modo a destacar
  aspectos clássicos de jogos, como evolução, competição, habilidades e
  competências individuais do sujeito, superação de obstáculos, e
  sensação de recompensa, onde o prazer de se alcançar o objetivo é
  diretamente proporcional ao esforço dedicado.</p>
  <p>Fardo (2013) observa que a gamificação é um fenômeno relativamente
  recente, derivado da popularização dos jogos eletrônicos, destacando
  que a técnica não se trata de simplesmente transformar um problema em
  um jogo:</p>
  <p>a gamificação é um fenômeno emergente, que deriva diretamente da
  popularização e popularidade dos games, e de suas capacidades
  intrínsecas de motivar a ação, resolver problemas e potencializar
  aprendizagens nas mais diversas áreas do conhecimento e da vida dos
  indivíduos. [...] Porém, a gamificação não implica em criar um game
  que aborde o problema, recriando a situação dentro de um mundo
  virtual, mas sim em usar as mesmas estratégias, métodos e pensamentos
  utilizados para resolver aqueles problemas nos mundos virtuais em
  situações do mundo real. (FARDO, 2013, p. 2).</p>
  <p>O processo de gamificação requer especial atenção para o estado de
  <italic>flow</italic>, conceito este que descreve uma condição mental
  na qual há a imersão completa do indivíduo na atividade que está
  realizando, entrando em um estado de máximo foco que o faz perder o
  sentido de espaço e tempo (CSIKSZENTMIHALYI, 1990).</p>
  <p>É preciso que haja um equilíbrio entre o nível de dificuldade
  apresentado e as habilidades do indivíduo, de modo que o processo
  gamificado transite dentro de uma faixa (Figura 1) onde esses dois
  parâmetros sejam convenientemente dosados, para que a atividade não se
  torne demasiadamente estressante, a ponto de gerar ansiedade e
  frustração pelo alto grau de dificuldade em relação às habilidades
  disponíveis, nem demasiadamente enfadonha, devido à falta de desafio
  frente a essas habilidades, causando apatia e tédio.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 1: Desafio <italic>versus</italic> habilidade e a faixa
de <italic>flow</italic></bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image4.png" />
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Tal equilíbrio é difícil de alcançar e depende sobretudo do
  conhecimento do público-alvo. Igualmente difícil, entretanto de
  extrema importância, é conseguir incorporar a curva de aprendizagem ao
  trabalho desenvolvido pelo aluno, de modo que a dificuldade das
  tarefas vá aumentando de forma gradativa, acompanhando o aumento das
  habilidades e do ferramental do aluno dentro do processo, mantendo um
  nível de desafio compatível com sua evolução (MONTANARO 2018).</p>
  <p>Em um treinamento de CVP, existe naturalmente um componente lúdico
  associado ao ato de dirigir, especialmente quando são executadas
  manobras e técnicas que não são aplicadas habitualmente numa condução
  em condições normais, mas que se revelam de grande utilidade em
  situações comuns no cotidiano policial (condução operacional).</p>
  <p>Esse componente lúdico pode e deve ser explorado por meio da
  gamificação para que o estado de <italic>flow</italic> seja atingido,
  potencializando a assimilação dos conceitos e das técnicas
  ministradas. Assim, os aspectos da gamificação podem ser contemplados
  por meio de uma organização de atividades e exercícios dispostos de
  forma crescente no que se refere aos níveis de desafio e estresse.</p>
</disp-quote>
<p> </p>
<p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
<p><bold>O ciclo de atualização em Condução Veicular Policial na
Superintendência Regional da PRF no Rio de Janeiro</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O CAP de CVP, na Superintendência Regional da PRF no estado do Rio
  de Janeiro, segue as diretrizes preconizadas no plano de disciplina
  elaborado pela UniPRF, buscando o desenvolvimento de competências que
  possibilitem aos policiais rodoviários federais uma visão crítica, que
  torne possível a compreensão dos riscos correlacionados à atividade de
  condução veicular no exercício das atividades profissionais (e também
  nas atividades privadas), bem como a habilidade para conduzir os
  veículos de dotação da PRF, com a correta utilização das tecnologias
  disponíveis de segurança ativa e passiva.</p>
  <p>O referido plano preconiza ainda o aproveitamento do conhecimento
  empírico adquirido com a experiência no desenvolvimento das atividades
  policiais aliado ao conhecimento técnico dos elementos de direção
  defensiva e operacional, com o objetivo de diminuir a vitimização
  policial no trânsito e tornar os policiais efetivamente exemplos de
  condutores para os cidadãos.</p>
  <p>A instrução se dá com a seguinte distribuição de carga horária:
  duas horas em sala de aula, com foco atitudinal, objetivando a
  sensibilização do efetivo para a problemática que a vitimização
  policial por acidentes de trânsito tem se constituído para a PRF,
  evidenciando a vitimização dentro e fora das atividades operacionais.
  Nessas duas horas, são abordados ainda aspectos técnicos da utilização
  de sistemas de tração 4x4 e câmbio automático, com o intuito de
  fornecer ao efetivo informações sobre a correta utilização desses
  sistemas, aumentando a vida útil dos equipamentos e a segurança na
  condução. São executadas ainda três horas de exercícios práticos
  relativos aos fundamentos da direção segura e as técnicas de condução
  operacional, totalizando uma carga horária de cinco horas-aula.</p>
  <p>A pertinência desses temas é justificada ao se observar os índices
  de alunos que: a) não sabem utilizar o sistema de tração 4x4; b) não
  sabem utilizar o câmbio automático no modo manual; e c) não utilizam o
  cinto de segurança em deslocamentos com viatura. Em pesquisa realizada
  pelos autores<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> com 550 alunos que
  participaram do CAP de CVP na Regional do Rio de Janeiro no ano de
  2021, 50,4% declararam não saber como utilizar o sistema de tração 4x4
  e outros 28,4% declararam não saber como utilizar o câmbio automático
  no modo manual, revelando que uma boa parcela do público-alvo não sabe
  como operar corretamente essas tecnologias. A mesma pesquisa aponta
  que 47,1% declararam não usar o cinto de segurança nos deslocamentos
  com viatura, a grande maioria por questões de receio de não conseguir
  se desvencilhar do cinto de segurança numa abordagem de emergência ou
  em situação de confronto, momentos que exigem o desembarque rápido da
  viatura, revelando uma falta de criticidade acerca dos riscos
  associados à não utilização desse dispositivo de segurança (observe-se
  que este tema é bastante polêmico entre o público-alvo).</p>
  <p>Esse recorte representa 63,9% do efetivo policial da Regional do
  Rio de Janeiro e cerca de 5% do efetivo policial da PRF em âmbito
  nacional, constituindo uma base de dados bastante significativa.</p>
  <p>De posse das diretrizes da disciplina, estabeleceu-se a seguinte
  lista de objetivos em plano de aula da disciplina de CVP:</p>
</disp-quote>
<list list-type="bullet">
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Refletir acerca dos riscos envolvidos na condução de viaturas
        durante a atividade policial;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Compreender a importância dos elementos da direção defensiva
        na atividade operacional;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Conhecer os automatismos incorretos e como estes atentam
        contra a direção segura;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Conhecer falhas de manutenção preventiva que podem dar causa
        a acidentes;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Compreender as particularidades dos veículos com câmbio
        automático e com tração nas quatro rodas;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Realizar os ajustes ergonômicos para condução do veículo;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Conduzir o veículo evitando os automatismos incorretos;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Executar técnicas de troca de mãos, controle de aceleração,
        visão projetada, periférica e difusa;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Executar técnicas de frenagem de emergência, sem e com desvio
        de trajetória.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Os exercícios práticos foram divididos em duas etapas: uma etapa
  diagnóstica (aquecimento), constituída de apenas 1 exercício – o
  “oito”, no qual o instruendo executa um percurso que se assemelha em
  seu traçado a um 8, e uma etapa constituída de um circuito composto
  por 4 exercícios em sequência: <italic>U-turning</italic> (conversão
  na qual o traçado se assemelha a um U), <italic>slalom</italic>
  (percurso em zigue-zague entre cones), curva (realizar uma curva
  simples empregando técnicas para maximizar o desempenho) e frenagem de
  emergência (frenagem brusca, visando imobilizar o veículo no menor
  tempo e espaço possíveis).</p>
  <p>Os exercícios do circuito foram dispostos, seguindo uma lógica de
  gamificação, numa sequência que proporciona ao aluno uma experiência
  em que os níveis de tensão e exigência de habilidades de condução são
  dispostos de modo crescente, adequando-se à faixa entre desafio x
  habilidades, de maneira que propicie ao instruendo o estado de
  <italic>flow</italic>.</p>
  <p>Buscou-se nessa disposição um apelo lúdico, ao simular uma situação
  que poderia ser facilmente vivenciada nas atividades cotidianas dos
  alunos: partindo de um estacionamento às margens de uma rodovia,
  avista-se um veículo suspeito deslocando-se em sentido contrário,
  devendo o aluno iniciar o deslocamento com uma conversão em U
  (<italic>U-turning</italic>), seguido de acompanhamento tático entre
  tráfego intenso (<italic>slalom</italic>), entrada em velocidade em
  uma curva, e finalizando com uma frenagem de emergência no momento da
  abordagem do suspeito.</p>
  <p>Nessa disposição, o aluno sai de uma situação de
  <italic>stress</italic> mínimo (viatura parada), passando por
  situações de <italic>stress</italic> crescente, com ganho de
  velocidade do veículo e exigência progressiva das habilidades de
  condução operacional, culminando com a situação de
  <italic>stress</italic> máximo, onde tem-se a máxima velocidade dentre
  os exercícios e a necessidade de imobilizar o veículo evitando a
  colisão com um obstáculo à frente. Segue uma breve descrição de cada
  um dos exercícios.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Exercícios práticos de condução operacional</bold></p>
<p><bold>Oito</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Neste exercício, o condutor deve percorrer um trajeto alternando
  curvas à direita e à esquerda, num percurso delimitado por cones e que
  se assemelha a um “oito” (Figura 2).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 2: Disposição dos cones e trajetória do oito</bold></p>
<disp-quote>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image20.png" />
</disp-quote>
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Este exercício, além de servir como avaliação diagnóstica, serve
  como aquecimento para o aluno, sendo verificadas habilidades como:
  noção de espaço, visão projetada (o foco da visão no trajeto a ser
  percorrido em detrimento de outros elementos do circuito),
  posicionamento e controle das mãos ao volante, e controle de
  aceleração.</p>
  <p>O circuito é dimensionado com base nas dimensões do veículo
  utilizado, de forma que essas habilidades sejam exigidas para que o
  percurso seja feito de forma correta, adestrando o aluno para os
  exercícios que se seguirão na próxima etapa (circuito).</p>
</disp-quote>
<p><italic><bold>U-Turning</bold></italic></p>
<disp-quote>
  <p>Este exercício inicia a segunda etapa da parte prática e consiste
  numa manobra de conversão em “U”, na qual o veículo inverte o sentido
  da trajetória dentro de um espaço delimitado por cones, simulando o
  espaço entre os bordos de uma via de mão dupla (Figura 3).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 3: Disposição dos cones e trajetória do
<italic>U-Turning</italic></bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Assim como no exercício anterior (Oito), o objetivo aqui é treinar
  os conceitos de noção de espaço, visão projetada e posicionamento e
  controle das mãos ao volante. Dos exercícios do circuito, este é o que
  menos exige em termos de habilidade; sendo iniciado com o veículo
  parado, tem-se o nível mínimo de estressamento do aluno.</p>
</disp-quote>
<p><italic><bold>Slalom</bold></italic></p>
<disp-quote>
  <p>No <italic>Slalom</italic>, o veículo deve percorrer um trajeto
  entre os espaços delimitados por cones enfileirados em linha reta,
  alternando mudanças de direção à direita e à esquerda (Figura 4). Este
  exercício trabalha os conceitos de noção de espaço, visão projetada,
  posicionamento das mãos ao volante e controle de aceleração.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 4: Disposição dos cones e trajetória do
<italic>Slalom</italic></bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image17.png" />
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>O distanciamento entre os cones é dado em função do tipo do veículo
  utilizado (sedan ou camioneta), de forma que seja exigido algum nível
  de destreza do aluno para a conclusão do exercício sem que se derrube
  cones ou que se deixe de passar por algum dos espaços entre eles.</p>
  <p>Esse nível de destreza refere-se principalmente ao fato de que os
  movimentos das mãos devem ser rápidos o suficiente para que o veículo
  consiga contornar os espaços (o que só é conseguido com o correto
  posicionamento das mãos ao volante), aliados a uma boa noção de espaço
  (dimensões do veículo x espaços disponíveis para as manobras), à visão
  projetada (foco no trajeto, em detrimento de outros elementos do
  circuito) e ao controle de aceleração (manter a velocidade no nível
  adequado para a conclusão do exercício), fazendo com que o nível de
  estresse e habilidades exigidas seja significativamente maior do que o
  exercício anterior, enquadrando-se na lógica de uma atividade
  gamificada.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Curva</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Neste exercício, os conhecimentos de alguns conceitos básicos de
  física servem como motivação para entender o comportamento de um
  veículo ao fazer uma curva. Deve-se entender, primeiramente, as forças
  que atuam sobre o veículo ao realizar uma trajetória curvilínea.
  Newton (1999) define em sua primeira lei o conceito de força: é a ação
  que altera o estado inercial de um corpo, sendo estado inercial aquele
  no qual o corpo está isolado da ação de forças externas ou quando a
  resultante das forças que atuam sobre o corpo é nula, podendo do
  estado inercial resultar o repouso ou o Movimento Retilíneo e Uniforme
  (MRU).</p>
  <p>Pode-se então descrever os estados inerciais da seguinte forma: os
  corpos tendem a permanecer em repouso ou em movimento retilíneo e
  uniforme (em linha reta e sem variação de velocidade, isto é, sem
  aceleração), a menos que uma força altere esses estados. Assim sendo,
  para que um veículo saia de um estado inercial (repouso ou MRU), ele
  deve sofrer a ação de uma força, a qual irá causar uma aceleração,
  podendo essa ser tangencial ou centrípeta.</p>
  <p>A velocidade limite em uma curva parte do princípio que a
  aceleração tangencial faz com que o veículo ganhe velocidade, enquanto
  a aceleração centrípeta faz com que o veículo altere sua trajetória a
  cada instante, deixando de ter uma trajetória retilínea. A aceleração
  centrípeta e a força centrípeta são dadas por Daily, Shigemura e Daily
  (2006):</p>
  <p><inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[a_{\text{cp}} = \frac{v²}{r}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">cp</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mfrac><mml:mrow><mml:mi>v</mml:mi><mml:mi>²</mml:mi></mml:mrow><mml:mi>r</mml:mi></mml:mfrac></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
  (1)</p>
  <p>A força centrípeta será então o produto da massa pela aceleração
  centrípeta:</p>
</disp-quote>
<p>Força centrípeta: <inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[F_{\text{cp}} = ma_{\text{cp}} = \frac{mv²}{r}]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>F</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">cp</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>m</mml:mi><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">cp</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mfrac><mml:mrow><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>v</mml:mi><mml:mi>²</mml:mi></mml:mrow><mml:mi>r</mml:mi></mml:mfrac></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
(2)</p>
<p>Onde:</p>
<p>m = massa, em kg;</p>
<p>r = raio da curva, em m;</p>
<p>v = velocidade, em m/s.</p>
<disp-quote>
  <p>Nesse ponto, deve-se observar que o que mantém o veículo
  descrevendo a trajetória curvilínea é a força centrípeta, a qual é
  causada pelo esterçamento do volante em conjunto com o atrito dos
  pneus com o solo. Perdendo-se o atrito (perda de aderência), não há
  mais a ação da força centrípeta para promover a variação da
  trajetória, ou seja, o veículo assumirá uma trajetória retilínea
  tangente à curvatura no ponto de perda de aderência. Em outras
  palavras: é a força de atrito que atua como força centrípeta para que
  o veículo faça a curva. A força de atrito é o produto da força normal
  (que o veículo exerce sobre o solo) pelo coeficiente de atrito entre
  os pneus e o pavimento. A força normal, por sua vez, é o produto da
  massa do veículo pela aceleração da gravidade (força peso) (DAILY;
  SHIGEMURA; DAILY, 2006):</p>
</disp-quote>
<p>Força de atrito:<inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[F_{a} = N\mu = mg\mu]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>F</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>N</mml:mi><mml:mi>μ</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>g</mml:mi><mml:mi>μ</mml:mi></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
(3)</p>
<p>Onde:</p>
<p>m = massa, em kg;</p>
<p>g = aceleração da gravidade, em m/s²;</p>
<p>m = coeficiente de atrito.</p>
<p>Em condições normais, a força centrífuga iguala-se à força de
atrito</p>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[F_{\text{cp}} = F_{a}]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>F</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">cp</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:msub><mml:mi>F</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
(4)</p>
<p>Igualando-se as equações 2 e 3, temos:</p>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[\frac{mv²}{r} = mg\mu]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mfrac><mml:mrow><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>v</mml:mi><mml:mi>²</mml:mi></mml:mrow><mml:mi>r</mml:mi></mml:mfrac><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>g</mml:mi><mml:mi>μ</mml:mi></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula></p>
<disp-quote>
  <p>Isolando-se a velocidade, chegamos à equação da velocidade limite
  em uma curva de raio r (DAILY; SHIGUEMURA; DAILY, 2006):</p>
</disp-quote>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[v² = \frac{\text{mgμr}}{m} = g\mu r]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>v</mml:mi><mml:mi>²</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo><mml:mfrac><mml:mtext mathvariant="normal">mgμr</mml:mtext><mml:mi>m</mml:mi></mml:mfrac><mml:mo>=</mml:mo><mml:mi>g</mml:mi><mml:mi>μ</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula></p>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[v =]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mi>v</mml:mi><mml:mo>=</mml:mo></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
(5)</p>
<p>Onde:</p>
<p>g = aceleração da gravidade, em m/s²;</p>
<p>μ = coeficiente de atrito;</p>
<p>r = raio da curva, em m.</p>
<disp-quote>
  <p>Na equação da velocidade limite em uma curva, é possível notar que
  não é possível alterar a aceleração da gravidade nem o coeficiente de
  atrito. Entretanto, ainda que não seja possível alterar o raio da
  curva, é possível alterar o raio da trajetória, de modo a torná-lo o
  maior possível, aumentando assim a velocidade limite na curva e
  reduzindo o risco da perda de aderência com a consequente perda da
  trajetória curvilínea pela ausência da força centrípeta (força de
  atrito).</p>
  <p>Na Figura 5, é possível observar que as trajetórias em amarelo
  (traçado da curva por dentro) e em verde (traçado da curva por fora)
  têm raios menores que a trajetória em azul: traçado iniciando pela
  parte externa da curva, tangenciando a curva por dentro e saindo pela
  parte externa do lado oposto.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 5: Trajetórias em uma curva</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image14.png" />
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Dessa forma, para se realizar um traçado de curva com a máxima
  segurança possível, deve-se então seguir os seguintes
  procedimentos:</p>
</disp-quote>
<list list-type="bullet">
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Ajustar a velocidade com antecedência, usando o freio e, se
        necessário, reduzindo a marcha, antes de entrar na curva e de
        iniciar o esterçamento do volante;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Iniciar a curva com movimentos suaves e contínuos no volante,
        mantendo a pressão no pedal do acelerador apenas para manter a
        velocidade constante;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Fazer a curva, movimentando o mínimo possível o volante,
        evitando movimentos bruscos e oscilações na direção (não tentar
        “acertar” a curva já dentro dela);</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Ao avistar a saída da curva, acelerar e retornar o volante à
        posição reta progressivamente, evitando movimentos bruscos.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Com base nessas técnicas, o exercício de tomada em curva requer um
  conjunto de habilidades e conhecimentos para que: a velocidade de
  entrada seja adequada, o ponto de entrada seja tomado corretamente, o
  tangenciamento da curva seja tal que permita ao veículo executá-la sem
  a perda de aderência dos pneumáticos com o solo, e a visão projetada
  mantenha o foco no trajeto, identificando o ponto de saída da curva e
  possibilitando a retomada da velocidade mantendo a dirigibilidade.</p>
  <p>O trajeto do exercício é delimitado por cones, simulando uma curva
  de baixa velocidade (Figura 6), para que a execução seja feita dentro
  de padrões mínimos de segurança. As medidas do circuito encontram-se
  no Anexo I.</p>
  <p>O nível de estresse é aumentado à medida em que há um acréscimo da
  velocidade de execução do exercício em relação ao exercício anterior
  (<italic>slalom</italic>), a qual, embora não seja elevada (em torno
  de 40 a 55 km/h – velocidade limite para o raio de curvatura adotado),
  é suficiente para que o aluno tenha a sensação de perda de aderência
  dos pneumáticos ao não executar o exercício de forma correta, mantendo
  o maior raio de trajetória possível.</p>
  <p>O nível crescente de habilidades exigidas em relação aos desafios
  oferecidos tem o intuito de manter o aluno dentro da faixa que
  caracteriza o estado de <italic>flow</italic>. Neste ponto do
  circuito, o aluno já está em um nível de estresse compatível para a
  execução do último exercício (frenagem de emergência), emulando as
  condições que encontraria em uma situação real.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 6: Disposição dos cones e trajetória no exercício de
tomada em curva</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<p><bold>Frenagem de Emergência</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O último exercício do circuito, seguindo os princípios da
  gamificação, busca emular a tensão envolvida em uma situação que exija
  uma frenagem brusca de emergência, sendo, para tal, posicionado logo
  após o exercício de tomada em curva. Desta forma, a velocidade de
  saída deste exercício é aproveitada para gerar o nível de estresse
  adequado para que o aluno execute a frenagem com a intensidade
  necessária para que o sistema ABS – <italic>Anti-lock Braking
  System</italic>, ou sistema de freio antibloqueio, em português –
  entre em ação.</p>
  <p>O exercício consiste em conduzir a viatura por um trajeto que vai
  de encontro a uma barreira de cones, devendo o aluno evitar a colisão
  através do acionamento enérgico do pedal de freio até a parada total
  do veículo. A frenagem é comandada pelo instrutor ao passar por uma
  área de frenagem delimitada por cones (Figura 7).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 7: Disposição dos cones e trajetória na frenagem de
emergência (exemplo com desvio à direita)</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image19.png" />
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>O comando de frenagem pode ser adiantado ou retardado, conforme a
  percepção do instrutor diante da velocidade de entrada na área de
  frenagem. Na primeira passagem, a frenagem é feita sem que seja
  necessária a mudança de direção, para que o aluno sinta o sistema ABS
  atuando para evitar o travamento das rodas.</p>
  <p>O travamento das rodas em veículos não dotados com freios ABS faz
  com que os pneumáticos entrem em atrito dinâmico com o pavimento, com
  a consequente perda de dirigibilidade, já que as forças que atuam como
  força centrípeta, necessárias para a mudança da trajetória, dependem
  essencialmente do atrito estático dos pneumáticos com o solo.</p>
  <p>Ao não permitir o travamento das rodas, mantém-se os pneumáticos em
  atrito estático, mantendo a dirigibilidade necessária para desviar do
  obstáculo, mesmo com o pedal de freio sendo energicamente acionado.
  Assim, nas próximas passagens, o aluno é comandado para adentrar a uma
  das duas alas posicionadas à esquerda e à direita da barreira de cones
  (Figura 6), emulando uma situação em que o aluno tenta evitar a
  colisão com um obstáculo por meio de uma frenagem de emergência com a
  mudança de trajetória.</p>
  <p>Este exercício constitui-se, desta forma, como um importante meio
  para que o aluno perceba a eficácia de uma tecnologia para incremento
  da segurança que atualmente está presente em todas as viaturas em
  utilização pela PRF.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Critérios de avaliação e <italic>feedback</italic></bold></p>
<disp-quote>
  <p>Os critérios de avaliação foram planejados tomando-se como base a
  seguinte escala de pontuação, comum para todos os itens a serem
  avaliados:</p>
  <p>1 – Muito ruim</p>
  <p>2 – Ruim</p>
  <p>3 – Regular</p>
  <p>4 – Bom</p>
  <p>5 – Muito bom</p>
  <p>Essa escala de pontuação foi aplicada a itens de avaliação
  pertinentes a cada exercício, sendo a nota do exercício definida como
  a média das notas de cada quesito observado:</p>
</disp-quote>
<list list-type="bullet">
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Posicionamento das mãos</bold>: posicionamento correto
        das mãos ao volante, conforme preconizado na doutrina de CVP,
        proporcionando agilidade nas manobras e firmeza na pegada do
        volante.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Noção de espaço</bold>: noção do espaço entre os
        obstáculos e sua relação com as dimensões do veículo.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Visão projetada</bold>: capacidade de projetar a visão
        para o trajeto a ser percorrido, e não para a parte frontal do
        veículo.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Controle de aceleração</bold>: manutenção da aceleração
        adequada à execução do exercício, mantendo a relação
        torque/velocidade a mais adequada possível.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Velocidade</bold>: manutenção da velocidade adequada à
        execução do exercício, sem que esta seja baixa demais,
        comprometendo os objetivos do exercício, ou alta demais,
        comprometendo a segurança.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Entrada</bold>: numa curva, refere-se ao correto
        posicionamento do veículo ao entrar na curva.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Tangenciamento</bold>: numa curva, refere-se ao correto
        posicionamento do veículo no ápice da curva.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Saída</bold>: numa curva, refere-se ao correto
        posicionamento do veículo ao sair da curva.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Intensidade da frenagem</bold>: nos exercícios de
        frenagem, refere-se à intensidade do acionamento do pedal do
        freio, fazendo com que o veículo se imobilize no menor tempo e
        espaço possíveis.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>Desvio da trajetória</bold>: nos exercícios de
        frenagem, refere-se à eficácia em evitar a colisão com o
        obstáculo que simula um perigo à frente.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Os itens de avaliação para cada exercício encontram-se
  representados a seguir, na Tabela 3.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 3: Itens de avaliação para os exercícios do CAP de
CVP</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="50%" />
      <col width="50%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p><bold>Exercício</bold></p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p><bold>Itens a serem avaliados</bold></p>
          </disp-quote>
        </p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Oito</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><list list-type="bullet">
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Posicionamento das mãos</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Noção de espaço</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Visão projetada</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p><italic>U-Turning</italic></p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><list list-type="bullet">
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Posicionamento das mãos</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Noção de espaço</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Visão projetada</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p><italic>Slalom</italic></p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><list list-type="bullet">
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Posicionamento das mãos</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Noção de espaço</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Visão projetada</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Controle de aceleração</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Curva</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><list list-type="bullet">
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Velocidade</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Entrada</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Tangenciamento</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Saída</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Visão projetada</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Frenagem de emergência,</p>
            <p>sem mudança de direção</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><list list-type="bullet">
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Velocidade</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Intensidade da frenagem</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
      </tr>
      <tr>
        <th><p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Frenagem de emergência,</p>
            <p>com mudança de direção</p>
          </disp-quote>
        </p></th>
        <th><list list-type="bullet">
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Velocidade</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Intensidade da frenagem</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p specific-use="wrapper">
              <disp-quote>
                <p>Desvio da trajetória</p>
              </disp-quote>
            </p>
          </list-item>
        </list></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>A nota final da capacitação é então definida como sendo a média das
  notas obtidas nos exercícios, sendo essa nota final enquadrada dentro
  dos seguintes conceitos:</p>
</disp-quote>
<list list-type="bullet">
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>0 a &lt; 1,5 – Muito abaixo do esperado</bold>: o aluno
        demonstrou não possuir o conjunto de habilidades necessárias
        para conduzir viaturas com segurança.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>≥ 1,5 a &lt; 2,5 – Abaixo do esperado</bold>: o aluno
        demonstrou possuir parcialmente o conjunto de habilidades
        necessárias para conduzir viaturas com segurança, aplicando
        algumas das técnicas de condução segura.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>≥ 2,5 a &lt; 3,5 – Dentro do esperado</bold>: o aluno
        demonstrou o conjunto de habilidades necessárias para conduzir
        viaturas com segurança, aplicando técnicas de condução
        segura.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>≥ 3,5 a &lt; 4,5 – Acima do esperado</bold>: o aluno
        demonstrou o conjunto de habilidades necessárias para conduzir
        viaturas com segurança, aplicando técnicas de condução segura, e
        condução sob estresse, aplicando técnicas de condução
        operacional.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p><bold>≥ 4,5 a 5 – Muito acima do esperado</bold>: o aluno
        demonstrou o conjunto de habilidades necessárias para conduzir
        viaturas com segurança, aplicando técnicas de condução segura,
        condução sob estresse, aplicando técnicas de condução
        operacional e condução de alta performance, demonstrando
        completo domínio do veículo.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Um dos elementos característicos do estado de <italic>flow</italic>
  é o <italic>feedback</italic> imediato. As instruções de CVP fornecem
  naturalmente um <italic>feedback</italic> imediato ao aluno, uma vez
  que esse é acompanhado por um instrutor durante todos os exercícios
  práticos, o qual não apenas o avalia, mas o retroalimenta a todo o
  momento com informações sobre pontos positivos e negativos de sua
  execução do exercício.</p>
  <p>Busca-se, então, a potencialização desse <italic>feedback</italic>
  através da disponibilização ao aluno, por meio do endereço de e-mail
  informado no momento do registro da presença (feito ao início do
  treinamento), de um relatório de desempenho (Figura 8), contendo as
  notas obtidas em cada quesito de cada um dos exercícios.</p>
  <p>A intenção é fornecer um registro das observações apontadas pelos
  instrutores (itens de avaliação), para que o aluno possa refletir
  sobre os aspectos a serem potencializados e os aspectos a serem
  melhorados em sua técnica.</p>
  <p>Mais que isso, busca-se a disponibilização desse
  <italic>feedback</italic> logo após o término da instrução, valendo-se
  da coleta informatizada das notas com armazenamento em nuvem (por meio
  de um formulário do <italic>Google Forms</italic>) e o tratamento
  dessas com o auxílio de uma planilha eletrônica, com a geração
  automática dos relatórios e o encaminhamento via e-mail a cada
  participante do treinamento.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 8: Relatório de desempenho do aluno (exemplo)</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image16.png" />
<p>Fonte: Produção do autor (2021).</p>
<p><bold>RESULTADOS E DISCUSSÕES</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O CAP de CVP na Superintendência da PRF no estado do Rio de Janeiro
  foi realizado entre 08/03/2021 e 27/08/2021, tendo capacitado 676 PRFs
  em 41 turmas, alcançando 78,6% do efetivo policial da regional.
  Participaram, ainda, como convidados, 31 servidores da Guarda Civil
  Municipal do Rio de Janeiro, 15 servidores da Polícia Civil do Estado
  do Rio de Janeiro e 6 servidores da Polícia Militar do Estado do Rio
  de Janeiro, totalizando 728 capacitados. Destes, 687 foram avaliados
  segundo os critérios apresentados anteriormente, em “Critérios de
  avaliação e feedback”.</p>
  <p>Todos os capacitados foram convidados a responder anonimamente a um
  questionário, com o intuito de obter dados sobre o perfil dos
  instruendos, bem como de suas percepções acerca dos conteúdos e
  exercícios ministrados. Das 608 respostas obtidas, pode-se inferir os
  aspectos que se seguem.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Faixa etária e tempo de serviço</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Praticamente, a metade dos participantes do CAP de CVP situa-se na
  faixa etária entre 40 e 49 anos (49,5%) – Figura 9 – e possuem até 10
  anos de tempo de serviço na PRF (51,9%) – Figura 10 –, revelando um
  significativo grau de maturidade, não obstante o pouco tempo de
  atividade policial.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 9: Disposição dos instruendos por faixa
etária</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image15.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<p><bold>Figura 10: Disposição dos instruendos por tempo de
serviço</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image5.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<p><bold>Percepção da importância do treinamento em CVP</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Os alunos foram indagados sobre como classificam, em termos de
  relevância, os temas discutidos e as técnicas ministradas no CAP de
  CVP: 89,5% deles consideraram o conteúdo como extremamente relevante,
  revelando aqui o alto grau de comprometimento dos alunos com a
  instrução ministrada (Figura 11).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 11: Opinião sobre a relevância dos temas e das técnicas
do CAP de CVP</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image12.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Os alunos foram indagados, ainda, sobre o grau de importância que
  dão ao treinamento em CVP para evitar os acidentes de trânsito em
  serviço e fora dele: 91,1% consideraram o treinamento extremamente
  importante para evitar os acidentes de trânsito em serviço (Figura 12)
  e 76% consideraram extremamente importante para evitar os acidentes
  fora do serviço (Figura 13). Esses números corroboram o grau de
  comprometimento do aluno com a instrução e, mais ainda, mostram o
  comprometimento dos alunos em levar as técnicas ministradas para além
  do ambiente de serviço. Espera-se, desta forma, uma redução dos
  índices de vitimização policial por acidentes de trânsito, em serviço
  e fora dele, a médio e longo prazo, uma vez que se tratam de questões
  de mudança de cultura.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 12: Opinião sobre a importância do treinamento em CVP
para redução de acidente em serviço</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image11.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<p><bold>Figura 13: Opinião sobre a importância do treinamento em CVP
para redução de acidentes fora de serviço</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image3.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<p><bold>Percepção do nível de dificuldade dos exercícios</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Questionados quanto à percepção do nível de dificuldade encontrado
  nos exercícios, os alunos que consideraram o exercício difícil ou
  muito difícil totalizam 8,1% para o “oito”, 16,8% para o
  <italic>slalom</italic> e 38,2% para a frenagem, evidenciando o
  aspecto gamificado da sequência de exercícios no que se refere ao
  nível crescente da exigência de habilidades e estressamento do
  aluno.</p>
  <p>Considerando-se apenas os alunos PRFs, cabe a observação de que o
  índice dos que ingressaram até 2002 (ano em que a disciplina CVP foi
  incluída no currículo do curso de formação) e que consideraram os
  exercícios difíceis ou muito difíceis são, para todos os exercícios,
  superiores ao índice de alunos que ingressaram de 2002 em diante
  (Figura 14), corroborando, desta forma, a importância do treinamento
  de CVP desde a formação do policial.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 14: Percepção do nível de dificuldade dos exercícios –
difícil ou muito difícil</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image6.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>O aspecto de gamificação, quanto ao nível crescente de desafio dos
  exercícios, é observado também ao verificar a correlação oposta em
  relação ao nível de dificuldade apontado pelos alunos que consideraram
  o exercício fácil ou muito fácil: 34,9% para o “oito”, 23,5% para o
  <italic>slalom</italic> e 8,9% para a frenagem, ainda que a correlação
  oposta, quando se observam separadamente os alunos PRFs que
  ingressaram até 2002 e de 2002 em diante, seja bem mais sutil (ao
  menos no que se refere aos exercícios de <italic>slalom</italic> e
  frenagem) do que a observada entre os alunos que consideraram os
  exercícios difíceis ou muito difíceis (Figura 15).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 15: Percepção do nível de dificuldade dos exercícios –
fácil ou muito fácil</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image9.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<p><bold>Percepção quanto à mudança de comportamento</bold></p>
<disp-quote>
  <p>As discussões fomentadas no CAP de CVP contribuíram para a mudança
  de comportamento do instruendo no que se refere ao seu comportamento
  no trânsito e à conscientização da importância do seu papel para a
  redução dos índices de vitimização policial. Perguntados sobre em que
  grau concordam com a premissa de que o CAP de CVP foi importante para
  a mudança de comportamento no trânsito, 95,7% disseram concordar
  totalmente ou concordar parcialmente (Figura 16).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 16: Percepção quanto à mudança de comportamento a partir
do CAP de CVP</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image13.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Estes dados revelam que, mais do que a competência técnica
  adquirida com o treinamento das técnicas de condução veicular
  operacional, houve uma significativa conscientização atitudinal,
  proporcionada pelos temas levados à discussão com o objetivo de
  sensibilizar o efetivo sobre os riscos associados à atividade
  policial, em especial os riscos decorrentes da atuação policial no
  trânsito.</p>
  <p>Tiveram um importante papel para a obtenção destes resultados a
  apresentação das estatísticas de vitimização policial no trânsito e a
  apresentação e o estudo de casos de acidentes ocorridos com PRFs em
  serviço, levando os instruendos a refletirem sobre os riscos a que
  estão sujeitos em suas rotinas profissionais e os comportamentos que
  podem conduzir a situações de vitimização no trânsito. A abordagem dos
  aspectos de mecânica automotiva básica (sistema de tração 4x4, câmbio
  automático, calibragem de pneus, inspeção veicular preventiva) também
  se revelou um importante elemento para a mudança atitudinal,
  considerando-se sua importância para o incremento da segurança no
  trânsito.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Interesse em capacitação continuada</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Indagados sobre o grau em que concordam com a premissa de que
  possuem interesse na capacitação continuada em CVP, 97,2% dos
  instruendos disseram concordar totalmente ou concordar parcialmente
  (Figura 17), revelando que os instruendos reconhecem a importância
  desse tipo de treinamento para suas atividades profissionais,
  atribuindo significância aos conhecimentos adquiridos.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 17: Interesse na capacitação continuada em
CVP</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image7.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Cabe, neste ponto, observar que a disciplina de CVP só foi
  incorporada à grade curricular dos CAPs a partir do ano de 2020, sendo
  então definida como elemento curricular prioritário, corroborando a
  importância que a administração da PRF atribui à disciplina para a
  redução dos índices de vitimização policial no trânsito. Manter a
  regularidade dos treinamentos a partir de então é de fundamental
  importância para a observação da correlação entre a capacitação em CVP
  e a redução dos índices de acidentes com Policiais Rodoviários
  Federais em serviço ou fora dele. O grau de interesse do efetivo na
  continuidade dessas ações contribui sobremaneira para o atingimento
  desses objetivos.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Resultados das avaliações</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Dos 687 alunos que foram avaliados durante os exercícios práticos,
  375 receberam conceito final “acima do esperado” e 140 receberam o
  conceito “muito acima do esperado”, correspondendo esses dois
  conceitos a 75% do total de alunos avaliados (Figura 18). Estes
  resultados apontam para um ótimo aproveitamento por parte dos
  instruendos das técnicas de condução operacional apresentadas. É
  importante pontuar que as avaliações foram tomadas sempre ao final dos
  exercícios, observando-se a evolução do aluno durante o transcorrer
  desses.</p>
  <p><bold>Figura 18: Resultados das avaliações – conceitos finais
  obtidos</bold></p>
</disp-quote>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image8.png" />
<p>Fonte: Produção do autor, a partir de dados da pesquisa (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>O <italic>feedback</italic> imediato proporcionado pela presença do
  instrutor embarcado junto com o aluno, durante a execução dos
  exercícios, propicia um ambiente favorável a essa evolução e contribui
  para que os conceitos das avaliações se situem na parte superior da
  escala, além de contribuir para que as experiências dos alunos durante
  a execução dos exercícios se situem na faixa de <italic>flow</italic>,
  no plano que relaciona os desafios apresentados às habilidades
  requeridas. A conjunção desses fatores pode ser caracterizada, então,
  como um elemento potencializador para o aproveitamento do conteúdo
  ministrado, evidenciado pelo alto índice de conceitos “acima do
  esperado” e “muito acima do esperado” atribuídos ao efetivo
  capacitado.</p>
</disp-quote>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A importância dos CAPs no âmbito da educação corporativa da PRF é
  justificada pela necessidade premente de atualização e treinamento do
  efetivo no que se refere às doutrinas dos diferentes campos da
  atividade policial (armamento, munição e tiro, técnicas de abordagem,
  policiamento e fiscalização, técnicas de defesa policial, condução
  veicular policial, etc.).</p>
  <p>Há de se observar que, em determinadas áreas do campo de atuação
  policial, existe ainda a necessidade de atualização imposta pela
  inserção de novas tecnologias, como é o caso de CVP, considerando-se a
  constante evolução das tecnologias embarcadas nos veículos para
  incremento da segurança.</p>
  <p>Aqui, a importância do treinamento constante não se justifica
  apenas pela habilitação na operação dessas tecnologias, mas na
  importância de sua correta utilização e da adoção de técnicas de
  condução operacional para a redução dos índices de vitimização
  policial por acidentes de trânsito, índice esse particularmente
  elevado na PRF, considerando-se que pouco mais de um quarto das
  vitimizações fatais de Policiais Rodoviários Federais são em
  decorrência de acidentes de trânsito em serviço, dado em evidente
  dissonância com a missão institucional do órgão de preservar vidas nas
  rodovias federais.</p>
  <p>Mais do que o caráter técnico da condução veicular, é necessária
  ainda uma conscientização do policial dos riscos associados ao ato de
  conduzir viaturas (principalmente em condições adversas) e da imagem
  de excelência que a sociedade tem desse profissional enquanto
  condutor.</p>
  <p>Neste contexto, o objetivo deste trabalho é apresentar a
  organização e a fundamentação pedagógica do CAP de CVP, realizado no
  ano de 2021 na Superintendência da PRF no Rio de Janeiro, além do
  registro de dados de avaliação e impressões dos instruendos, para
  futuras avaliações da efetividade das temáticas e técnicas abordadas
  para a redução da vitimização policial por acidentes de trânsito.</p>
  <p>Como objetivo secundário, há a intenção de que esta observação
  possa servir como referência para futuros planejamentos de ações
  educativas na área de CVP e de estudos que agreguem conhecimento ao
  tema, considerando-se a carência de registros formais dessas
  atividades. Para tal, faz-se necessário um acompanhamento constante
  dos índices de vitimização policial por acidentes de trânsito a partir
  da implementação da disciplina CVP como elemento prioritário nos CAPs
  em âmbito nacional a partir de 2020, buscando alguma correlação com os
  índices de acidentes com vítimas envolvendo veículos da PRF.</p>
  <p>Os resultados do CAP de CVP assim implementado podem ser
  interpretados por meio das percepções do corpo de instrutores
  envolvidos nesse evento de capacitação, corroboradas através da
  pesquisa sobre a percepção dos alunos frente ao treinamento oferecido.
  Tais percepções apontam para: a) um alto grau de comprometimento dos
  instruendos com a disciplina; b) conscientização do efetivo sobre a
  importância da disciplina para a mudança de comportamento no trânsito;
  c) interesse do efetivo na capacitação continuada em CVP; e d)
  eficácia das técnicas educacionais adotadas (gamificação e estado de
  <italic>flow</italic>) na criação de um ambiente educacional que
  propicie a dinâmica e a imersão como formas de atrair e focar a
  atenção dos instruendos.</p>
  <p>Nestes termos, é possível inferir, através desta análise, a
  efetividade das metodologias aplicadas no CAP de CVP na
  conscientização e no comprometimento do efetivo para temas
  relacionados à segurança no trânsito, à necessidade da redução da
  vitimização policial no trânsito e à necessidade da capacitação
  técnica continuada como elemento indutor dessas condutas.</p>
  <p>Em relação aos procedimentos adotados nesta edição do CAP de CVP,
  pode-se apontar como sugestões para o aprimoramento das próximas
  edições: incluir elementos de competitividade como forma de
  intensificar o caráter de gamificação, e avaliar os efeitos do
  estresse causado pelo ganho de competitividade e sua eficácia para o
  treinamento das técnicas de condução operacional em condições
  adversas.</p>
  <p>Aqui cabe observar que as mesmas técnicas empregadas no CAP de CVP
  (bem como as sugestões para as próximas edições) podem ser empregadas
  em outras disciplinas que envolvam conteúdo relativo a procedimentos
  operacionais, considerando-se que a aplicação das doutrinas que
  norteiam a atividade policial nesses procedimentos depende, muitas
  vezes, da aplicação das técnicas sob condições de estresse elevado, as
  quais podem ser emuladas por meio dos elementos de gamificação, tais
  como os aplicados no CAP de CVP.</p>
  <p>De todo o exposto, resta comprovada a importância da disciplina CVP
  para a redução da vitimização policial por acidentes de trânsito e a
  afirmação do policial rodoviário federal como exemplo de condutor para
  a sociedade e indutor das políticas para a redução de acidentes.
  Adiciona-se a essa importância elementos pedagógicos que potencializam
  o processo educacional em âmbito corporativo para a conscientização do
  efetivo quanto ao seu papel nesse processo e o aprimoramento das
  técnicas para uma condução veicular de excelência.</p>
  <p>Ressalta-se aqui a importância do acompanhamento sistemático das
  capacitações em CVP de modo a formar uma base de dados que permita
  estabelecer uma possível correlação entre a eficácia dos eventos de
  capacitação nesta disciplina e a redução dos índices de vitimização
  policial por acidentes de trânsito; talvez esta seja a principal
  motivação para os estudos nesse campo.</p>
  <p>Acrescenta-se, por fim, um caráter de continuidade nessas ações
  educativas por meio dos CAPs, e espera-se, desta forma, reverter as
  estatísticas de vitimização policial no trânsito, tornando-as
  coerentes com a missão institucional da PRF de salvar vidas nas
  rodovias federais, incluindo-se aqui as vidas dos próprios policiais
  rodoviários federais.</p>
</disp-quote>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
<p>COSTA, J. M. S.; MIRANDA, O. J. N. <bold>As implicações da formação
específica para condutores de viaturas oficiais no 6º BPM-AC</bold>.
Artigo (Habilitação de Oficial Administrativo) – Centro de Ensino da
Polícia Militar do Acre, Rio Branco/AC, 2020, p. 4. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://dspace.mj.gov.br/handle/1/4729">http://dspace.mj.gov.br/handle/1/4729</ext-link>.
Acesso em: 15 mai. 2023.</p>
<p>CSIKSZENTMIHALYI, M. <bold>Flow</bold>: The psychology of optimal
experience. USA: Harper Perennial Modern Classics, 1990.</p>
<p>DAILY, J.; SHIGEMURA, N.; DAILY, J. Rotacional Mechanics. In: DAILY,
J.; SHIGEMURA, N.; DAILY, J. <bold>Fundamentals of Traffic Crash
Reconstruction</bold>. Florida/USA: DAILY, 2006, v. 2. Cap. 9, p.
275-279.</p>
<p>DORILEO, A. W. A direção policial preventiva como possibilidade de
controle do número de acidentes com vítimas na Polícia Militar do Estado
de Mato Grosso. <bold>Homens do Mato – Revista Científica de Pesquisa em
Segurança Pública</bold>, v. 7, 2011.</p>
<p>FARDO, M. L. A gamificação aplicada em ambientes de aprendizagem.
<bold>Renote</bold>, v. 11, n. 1, 2013.</p>
<p>HOFFMANN, M. H. Comportamento do condutor e fenômenos psicológicos.
<bold>Psicologia: Pesquisa e Trânsito</bold>, v. 1, n. 1, p. 17-24,
2005.</p>
<p>JALONETSKY, A. Curso de Direção Policial: use as técnicas da ROTA
para dirigir seu carro. IG, Último Segundo, Brasil, 25 mai. 2017. Citado
por COSTA, J. M. S.; MIRANDA, O. J. N. <italic>In</italic>: <bold>As
implicações da formação específica para condutores de viaturas oficiais
no 6º BPM-AC</bold>. Artigo (Habilitação de Oficial Administrativo) –
Centro de Ensino da Polícia Militar do Acre, Rio Branco/AC, 2020, p. 12.
Disponível em:
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<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Acessado por meio do sistema PRF Analytics,
    disponível em: https://analytics.prf.gov.br/ (acesso restrito).</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>Pesquisa diagnóstica, realizada no início de cada
    capacitação por meio de um questionário disponibilizado aos alunos
    através de formulário eletrônico do <italic>Google
    Forms</italic>.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
