<?xml version="1.0" encoding="utf-8" ?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.2 20190208//EN"
                  "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" dtd-version="1.2" article-type="other">
<front>
<journal-meta>
<journal-title-group>
</journal-title-group>
<publisher>
<publisher-name></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
</article-meta>
</front>
<body>
<p><bold>FORÇAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA E A POPULAÇÃO DE RUA EM TEMPOS DE
COVID-19: ENCONTROS E DESENCONTROS</bold></p>
<p><bold>Emmanuelle Pereira Brandt de Azeredo</bold></p>
<p>Mestra em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), Especialista em Criminologia, Política Criminal e Segurança
Pública pela Rede LFG, Especialista em Segurança Pública e Atividade
Policial pela Faculdade Arnaldo, Bacharel em Direito pela Universidade
Federal de Ouro Preto (UFOP) e em Psicologia pela Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) Atualmente é Professora da Academia de Polícia
Civil de Minas Gerais e Escrivã na Polícia Civil de Minas Gerais, com
experiência nas áreas de Segurança Pública, Direito e Psicologia, com
ênfase em Educação.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Belo Horizonte</p>
<p><bold>Email:</bold> manu.brandt@hotmail.com <bold>Orcid:</bold>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-7383-6958">https://orcid.org/0000-0001-7383-6958</ext-link></p>
<p><bold>Andréa Maria Silveira</bold></p>
<p>Médica sanitarista e do trabalho, mestre em Sociologia, doutora em
Ciências Humanas é docente do Departamento de Medicina Preventiva e
Social da Faculdade de Medicina da UFMG, nos cursos de graduação em
Medicina e Gestão de Serviços de Saúde, Mestrado Profissional em
Promoção da Saúde e Prevenção da Violência e no Programa de Pós
Graduação em Sociologia. É pesquisadora do Centro de Estudos em
Criminalidade e Segurança Pública (CRISP/UFMG)</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Belo Horizonte</p>
<p><bold>Email:</bold> silveira@medicina.ufmg.br <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/ 0000-0002-1180-3875</p>
<p><bold>Marcus Vinicius Gonçalves da Cruz</bold></p>
<p>Doutor em Administração. Pesquisador e professor da Fundação João
Pinheiro (FJP/MG). É membro da Núcleo de Estudos em Segurança Pública
(NESP/FJP)</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Belo Horizonte</p>
<p><bold>Email:</bold> marcus.cruz@fjp.mg.gov.br <bold>Orcid:</bold>
https://0000-0003-2476-3822</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold> Emmanuelle Pereira Brandt de
Azeredo é autora principal, responsável pela concepção, planejamento do
estudo, coleta, análise e interpretação dos dados e elaboração do
manuscrito. Andréa Maria Silveira, orientadora principal, apoio ao
planejamento, interpretação dos dados e revisão do manuscrito. Marcus
Vinicius Gonçalves da Cruz, co-orientador apoio ao planejamento do
estudo, interpretação dos dados, revisão do manuscrito.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Trata-se de estudo qualitativo, baseado em entrevistas com agentes da
Polícia Militar de Minas Gerais e da Guarda Civil Municipal de Belo
Horizonte, sobre sua ação junto às pessoas em situação de rua (PSR) no
contexto da pandemia da COVID-19. Os agentes relataram falta de
treinamentos para lidar com PSR e seguirem critérios próprios para
atender as exigências institucionais e da comunidade, sendo os
protocolos parcialmente determinantes dos seus processos decisórios. A
ação direcionada para as PSR envolve atos repressivos, “higienistas” e
de controle das pessoas e do espaço urbano. As PSR são caracterizadas
como elementos da degradação urbana e obstáculos à circulação de
pessoas, sendo as forças de segurança acionadas quando as restrições
sociais não conseguem mantê-las controladas. A pandemia foi motivo de
apreensão inicial na atuação policial, com posterior relaxamento. O
artigo revela a distância entre a norma e a execução do trabalho
policial no que se refere a populações vulneráveis.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Segurança pública. Polícia. Guarda
Municipal. População de rua. COVID-19.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>PUBLIC SECURITY FORCES AND HOMELESS PEOPLE IN TIMES OF
COVID-19: MEETINGS AND MISSINGS</bold></italic></p>
<p>This is a qualitative study, based on interviews with agents of the
Military Police of Minas Gerais and Municipal Civil Guard of Belo
Horizonte, about their performance with homeless people (PSR) in the
context of the pandemic by COVID-19. The agents reported lack of
training to deal with PSR and to follow their own criteria to meet
institutional and community requirements, with protocols being partially
determinants of their decision-making processes. The action directed to
the PSR involves repressive actions, “hygienists” and control of people
and urban space. PSRs are characterized as agents of urban degradation
and obstacles to the movement of people, and security forces are called
in when social restrictions cannot keep them under control. The pandemic
was a reason for initial apprehension in police action, with subsequent
relaxation in prevention actions. The article reveals the distance
between the norm and the execution with regard to vulnerable
populations, manifested in the execution of police work through its
discretion.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Public security. Police. Municipal Guard.
Homeless population. COVID-19.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 22/11/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 25/05/2022</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v.16.n3.1633</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<p>No início do mês de março do ano de 2020, a Organização Mundial de
Saúde (OMS) declarou oficialmente a pandemia da COVID-19, considerando
que a população mundial se viu exposta a risco de grave doença
infecciosa e letal, com modo de transmissão comunitária (VIEIRA
<italic>et al</italic>., 2020). O novo coronavírus (Sars-CoV-2), agente
causador da COVID-19, vem causando danos sociais generalizados,
impactando especialmente os setores da saúde e da economia, além de
gerar um crescente número de vidas ceifadas. Como inimigo
“todo-poderoso”, o coronavírus se apresenta como um vilão capaz de
causar “o medo caótico generalizado e a morte sem fronteiras” (SANTOS,
2020, p. 11).</p>
<p>A fim de retardar o avanço progressivo e acelerado na contaminação
pelo vírus, autoridades em todo o mundo adotaram medidas de prevenção e
controle da pandemia, destacando-se o <italic>lockdown,</italic>
mecanismo de restrição sobre a mobilidade espacial da população e o
funcionamento da economia (PIRES, 2020). Além de alterar
significativamente as dinâmicas socioeconômicas da população no país,
estudos correlacionam a prática do isolamento social a novas dinâmicas
de criminalidade durante a pandemia (DUTRA <italic>et al</italic>.,
2021), como crimes no ambiente virtual (LALLIE <italic>et al</italic>.,
2020) e casos de violência doméstica e familiar (BRADBURY-JONES;
ISHAM<sc>, 2020;</sc> BUENO; BOHNENBERGER; SOBRAL, 2021; LOBO, 2020;
NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2020; ONU MULHERES, 2020; FBSP, 2020; GOH; LU;
JOU, 2020).</p>
<p>Num cenário de crise sanitária de amplo alcance, torna-se essencial a
promoção de debates e reflexões sobre como o Estado, por meio de suas
políticas públicas, vem lidando com as novas demandas e as
instabilidades sociais proporcionadas em razão da pandemia da COVID-19.
Tais dinâmicas também afetaram as ações no campo da segurança pública e
da justiça.</p>
<p>Práticas repressivas de controle social por meio da segurança pública
e do sistema de justiça criminal, de dificuldades no acesso à saúde
pública, especialmente num contexto de pandemia da COVID-19, denotam uma
sociedade marcada por privilégios e garantias de oportunidades para uma
parcela seleta da sociedade (BAPTISTA <italic>et al</italic>., 2021), em
que pese as agências de Segurança Pública, enquanto prestadoras de
serviço essencial, terem como missão a proteção da vida e da
incolumidade das pessoas, além da manutenção da ordem pública e da paz
social como preconizado na Constituição do país (BRASIL, 1988).</p>
<p>Levantamentos preliminares acerca da interface entre os campos da
Saúde, dos Direitos Humanos e da Justiça sugerem que a pandemia tem
colocado em risco e agravado a situação de vulnerabilidade de grande
parcela da população, que inclui grupos específicos como as pessoas em
situação de rua (FENLEY, 2021; MONTGOMERY <italic>et al</italic>.,
<sc>2020;</sc> MILLER <italic>et al</italic>., 2020), a população
carcerária (VASCONCELOS; MACHADO; WANG, 2020; FRÓIS, 2020), as mulheres
expostas à violência doméstica (BUENO; BOHNENBERGER; SOBRAL, 2021; LOBO,
2020), os indígenas, os negros, dentre outros grupos socialmente
desfavorecidos (ESTRELA <italic>et al</italic>., 2020; MATTA <italic>et
al</italic>., 2021).</p>
<p>Nessa esteira, é fundamental analisar como a atuação das forças
públicas de segurança têm se adaptado às novas contingências
estabelecidas pela pandemia da CODIV-19 (ALCADIPANI <italic>et
al</italic>., 2020), já que se trata de um serviço público que não pode
ser interrompido e nem cessado (SKOLNICK; BAYLEY, 2002) e que é composto
por um corpo de agentes que, <italic>a priori</italic>, realiza suas
atividades nas ruas, em contato direto e face a face com o cidadão, nos
termos descritos por Lipsky (2019) como burocratas de nível de rua.</p>
<p>Por sua vez, pessoas em situação de rua têm menos acesso aos serviços
e cuidados com a saúde, e estão longe de cumprirem os mandamentos de
prevenção à COVID-19 disseminados pelas organizações de saúde, como
lavar as mãos com frequência, manter-se isoladas das outras pessoas e
procurar um médico ao sentir sintomas, o que pode favorecer a
disseminação do vírus entre essa população já vulnerável. Para esses
sujeitos, não vale a recomendação tão difundida pelas autoridades e
repercutida nas mídias e redes sociais “#ficaemcasa” (ROLIM NETO
<italic>et al</italic>., 2020, p. 1).</p>
<p>Estima-se que aproximadamente 221 mil pessoas no Brasil vivam de modo
contínuo nas ruas e em outros espaços públicos, expostas a intempéries,
insegurança e insalubridade (SILVA; NATALINO; PINHEIRO, 2020). Tal
panorama atesta a evidente incapacidade do Estado em cumprir o que
SANTOS (2011, p. 6) denominou de “promessas da modernidade” (promoção de
cidadania, acesso à justiça, reconhecimento dos excluídos), e reforça o
processo de diferenciação e exclusão social a que estão submetidos
certos segmentos da sociedade (OLIVEIRA, 2016). Em tempos de
enaltecimento dos valores hegemônicos e de padrões de “normalidade” na
sociedade e na vida urbana, ressalta-se o valor e a atualidade de
estudos interdisciplinares e o foco nas diferenças, pensando-se a cidade
a partir de metodologias sob perspectivas mais sensíveis e
humanizadas.</p>
<p>Ante esse cenário, o presente artigo realiza um estudo
problematizando as percepções dos agentes das forças públicas de
segurança, vinculados à Polícia Militar de Minas Gerais e a Guarda Civil
Municipal de Belo Horizonte, acerca de suas atuações policiais, bem como
de sua relação com os sujeitos em situação de rua, no contexto da
pandemia da COVID-19. Os encontros entre esses dois atores são descritos
neste artigo como situações diversas que envolvem os protocolos
policiais, bem como contato, relação, aproximação e outros termos de
mesmo conteúdo semântico. O argumento do estudo sustenta-se na conjunção
de três elementos principais: o cidadão, o Estado e o contexto,
representados respectivamente pelos indivíduos em situação de rua, os
agentes das forças públicas de segurança, durante o cenário de pandemia
da COVID-19.</p>
<p>Defende-se que a temática suscitada neste artigo se mostra
contemporânea e de grande relevância pública, considerando-se que a
reflexão sobre o padrão de ação estatal de gestão, controle e vigilância
repressivos sobre a população de rua pode contribuir na ressignificação
de ações e atenção dos poderes públicos acerca da temática (TSAI;
WILSON, 2020). É fundamental compreender quais são os argumentos que
sustentam essa atuação e como se dá o controle da ordem pública, da
violência e do crime (KYPRIANIDES <italic>et al</italic>., 2020), sem
perder de vista o reconhecimento dos direitos e das especificidades da
população de rua (PARSELL; CLARKE; KUSKOFF, 2020), principalmente no
contexto de pandemia da COVID-19.</p>
<p>Este artigo é composto por três partes, além deste texto introdutório
e das considerações finais. A síntese teórica vem em continuidade,
abordando o contexto da pandemia e seus principais impactos para a
atuação das forças públicas de segurança em seu contato com a população
em situação de rua. Em seguida, o percurso metodológico do estudo é
explicitado, sendo complementado com a seção destinada à apresentação
dos resultados da pesquisa.</p>
<p><bold>ATUAÇÃO POLICIAL NO CONTEXTO DA PANDEMIA</bold></p>
<p>Ao estampar um fenômeno crítico e desafiador com poucos precedentes
na história, a pandemia da COVID-19 é considerada um evento mundial de
alcance significativo e extraordinário, com impactos ainda pouco
dimensionados e pressões difusas no que se refere às dimensões
individuais, organizacionais e sociais. Estudos sinalizam que o modo
como os governos são capazes de enfrentar a crise gera grandes
repercussões na atuação dos agentes públicos ou burocratas de nível de
rua durante a pandemia, que inclui maior exposição ao risco, maior
ambiguidade das políticas (por falta de informação e diretrizes
contraditórias) e ampliação do campo da discricionariedade (ALCADIPANI,
2020; ALCADIPANI <italic>et al</italic>., 2020; DAVIDOVITZ; COHEN;
GOFEN, 2021; GOFEN; LOTTA, 2021; LOTTA <italic>et al</italic>., 2020;
LOTTA <italic>et al</italic>., 2021).</p>
<p>As recomendações das agências de saúde internacionais e brasileiras
soam no sentido de evitar ou reduzir a propagação da doença e a
contaminação, por meio da aplicação de mecanismos preventivos como
vacinação em massa, quarentena, isolamento e distanciamento social ou
espacial, além dos cuidados rigorosos com a higiene e a ampliação das
rotinas de limpeza (lavagem frequente das mãos, higienização de
superfícies e objetos, uso de máscaras e outros equipamentos de proteção
individual, uso de produtos de limpeza como álcool em concentração 70%)
(OPAS, 2020; CONASS, 2020).</p>
<p>O exame sobre os impactos da pandemia da COVID-19 informa que as
várias populações estão expostas a diferentes graus de riscos de
contaminação pelo novo coronavírus. Especialmente sobre grupos
vulneráveis, Santos (2020) e Silva e Maciel (2020) alertam sobre os
efeitos discriminatórios que podem surgir desse processo crítico,
particularmente em se tratando do grupo que inclui os sujeitos em
situação de rua. Tais efeitos aparecem num cenário permanentemente
marcado pela assimetria ou desigualdade social e assumem contornos mais
graves para as populações já consideradas em desvantagem social e
econômica.</p>
<p>Os riscos de contágio ficam agravados quando se trata da população em
situação de rua, em virtude do reduzido acesso à água potável, às
condições de saúde e higiene e à informação. Tsai e Wilson (2020) e
Rolim Neto <italic>et al</italic>. (2020) argumentam que esses sujeitos
estão expostos a problemas crônicos que podem afetar sua saúde mental e
física, o que compromete seu sistema imunológico, além de ser comum
outras circunstâncias agravantes, como o uso abusivo de entorpecentes e
a exposição a diferentes formas de violências.</p>
<p>Fenley (2021) tece reflexões basilares sobre a limitação no exercício
da cidadania pelos sujeitos em situação de rua durante o contexto
pandêmico. Diante do quadro de disseminação do vírus, as autoridades
determinaram ordens de permanência em casa, limitando o acesso aos
espaços públicos pelos cidadãos, o que parece incoerente quando se trata
de indivíduos que vivem nas ruas e estão alijados de recursos
necessários à sobrevivência e principalmente desprovidos do exercício do
direito à habitação. Com a pandemia, os problemas que as pessoas
sem-teto enfrentam foram exacerbados e a existência de injustiças
sociais restou ampliada. Portanto, seu <italic>status</italic> de
cidadão no sentido “cotidiano”, nos termos de Fenley (2021), se mostra
intrinsecamente comprometido, considerando-se a impossibilidade de a
pessoa em situação de rua participar de atos coprodutivos de forma
equitativa entre todos os membros da comunidade, exercendo poder e
controle sobre espaços públicos de modo compartilhado.</p>
<p>Baseando-se na experiência australiana, Parsell, Clark e Kuskoff
(2020) examinam o reenquadramento da situação de rua de um indivíduo
para uma crise de saúde pública, de modo que as vulnerabilidades
vivenciadas pelos sem-teto são identificadas como uma ameaça, não apenas
para sua própria saúde (numa perspectiva individual), mas também para a
saúde do público em geral. O estudo demonstra como a articulação entre
participantes do governo e do setor sem fins lucrativos é a melhor
aposta no sucesso da abordagem voltada para desabrigados durante a
pandemia. Em suma, num cenário pós-pandemia, a situação de rua necessita
ser encarada como um problema de justiça habitacional e não como produto
de deficiências individuais.</p>
<p>Para além de questões sanitárias, os impactos econômicos e sociais da
pandemia da COVID-19 incidem drasticamente sobre a população de rua,
considerando que o espaço público (a rua) se encontra restrito e com a
circulação de pessoas densamente reduzida, em virtude do isolamento
social ou espacial. É nas ruas e das ruas que os sujeitos em situação de
rua produzem e retiram seu sustento (CORECON/MG, 2020). Dificuldades
como a testagem em massa para identificação de pessoas com sintomas da
doença, o isolamento social ou a distribuição de doentes para locais
onde possam receber tratamento adequado representam alguns desafios para
o cuidado com a população em situação de rua em tempos de COVID-19
(VIEIRA <italic>et al</italic>., 2020; LIMA <italic>et al</italic>.,
2020).</p>
<p>No Brasil, o enfrentamento à pandemia da COVID-19 vem desvelando a
fragilidade das instituições burocráticas e as tensões entre os entes
federativos, em razão da ausência de articulação e cooperação entre as
esferas municipais, estaduais e federal, ou seja, de um pacto federativo
organizado e planejado de ações para viabilizar alternativas à crise
sistêmica que se instalou no país e afetou os diversos setores (saúde,
economia, educação etc.) durante a pandemia da COVID-19. Diante da
escassez de recursos públicos e das dificuldades na implantação de
políticas públicas, o país se deparou com o acirramento das
desigualdades sociais, num cenário em que se assiste à politização da
burocracia pública em detrimento da sua profissionalização, com impactos
graves na gestão e na autonomia decisória (PECI; TEIXEIRA, 2021).</p>
<p>Assim, a desigualdade jurídica se materializa de modo semelhante
quando se comparam a aplicação de políticas públicas, o acesso a
direitos e a imposição de sanções. Os segmentos da população que se
encontram em um patamar de vulnerabilidade e fragilidade social sofrem
sobremaneira os impactos de ações e negligências estatais que, inúmeras
vezes, seguem na contramão da prevenção, da atenção e do cuidado à
população equitativamente (LIMA <italic>et al</italic>., 2020).</p>
<p>Isso contradiz a perspectiva contemporânea proposta por Moore (2003
p. 116), que sugere a relevância da articulação das polícias junto à
comunidade e a outros órgãos e agências, para uma “análise cuidadosa e
criativa dos problemas que os cidadãos trazem”, incluindo a prevenção de
crimes e a atenção às mais variadas emergências sociais. No caso
brasileiro, as organizações policiais ainda preservam certa tradição
autoritária, com foco mais voltado para estratégias de repressão e
imposição da força, em detrimento da prevenção e negociação de conflitos
na sociedade, apesar de discretos avanços na efetivação de uma sociedade
mais segura e garantidora de direitos (BATITUCCI, 2019; COSTA,
2021).</p>
<p>A simples presença de um policial uniformizado, no interior de uma
viatura policial, já denota a presença do Estado, o que soa como
expectativa de imposição de limites ao cidadão comum, ainda que
contrariamente à sua vontade, sendo possível a ação evoluir ou regredir
de acordo com a avaliação do agente policial, podendo seguir a partir de
critérios legítimos e legais ou, ainda, segundo contornos arbitrários
(BUENO; LIMA; TEIXEIRA, 2019).</p>
<p>Trazendo à tona outros elementos de análise que orbitam sobre a noção
de policiamento, há que se falar ainda no duplo caráter de
imperatividade e discricionariedade do poder estatal corporalizado na
ação da polícia, o que limita os contornos do saber e da práxis
policiais por meio das várias funções ou padrões de policiamento
reativos ou de prevenção, bem como suas atividades do cotidiano, como
realizar abordagens, “atendimento de emergências, aplicar a lei, manter
a ordem pública, preservar a paz social, mediar conflitos, auxiliar,
assistir, advertir, socorrer, dissuadir, reprimir”, dentre outras
(MUNIZ; SILVA, 2010, p. 450).</p>
<p>Um dos principais atores da cena urbana, a polícia se faz presente
nos diversos espaços da cidade, mantendo contato direto com diferentes
segmentos sociais (RIBEIRO; SOARES, 2018). Assim, os agentes das forças
públicas de segurança transformam em rotinas e ações concretas as
políticas pelas quais são responsáveis, bem como acessam elementos da
complexa relação que esses agentes estabelecem com os sujeitos em
situação de rua, também destinatários dos serviços e das políticas
públicas. Tal configuração se mostra ainda mais essencial pelo contexto
de uma crise sanitária sem precedentes como a causada pela COVID-19.</p>
<p>Investigações como as de Alcadipani, Cabral, Fernandes e Lotta (2020)
sinalizam que a pandemia foi capaz de gerar impactos na ação das forças
públicas de segurança, em razão do alinhamento dos valores das agências
policiais de controle do crime e da cultura ocupacional política e
policial. Foram identificados ainda conflitos no trabalho policial, bem
como nas interações entre polícia e sociedade, o que sugere impactos
negativos em diferentes dimensões para os policiais (política, cultura
ocupacional e material). Ao responderem à crise durante a pandemia, os
agentes públicos acabam se valendo da discricionariedade para buscar
respostas criativas ou ainda se veem diante da incapacidade de ação.</p>
<p>Kyprianides <italic>et al</italic>. (2021) discutem os efeitos
profundos da pandemia da COVID-19 sobre os limites do policiamento, bem
como nas organizações policiais, na execução da atividade policial, nas
relações com os públicos que os agentes atendem e sobre os próprios
policiais. Para estes autores, a pandemia da COVID-19 estendeu os
limites do policiamento, trazendo novas pressões para lidar com tal
situação e outras formas de controle do público para muito além do que
havia sido anteriormente estabelecido como legítimo. Três fatores
relevantes para a pandemia foram associados ao bem-estar e/ou à adesão
ao policiamento democrático em momentos de emergência: o contexto no
qual a polícia precisa atuar na hora da crise; o sentido de
identificações dos agentes; e o nível de confiança que eles têm em sua
própria autoridade. Especificamente no contexto da pandemia da COVID-19,
a resposta governamental à crise e o modo como estabelecem regras claras
e consistentes aos agentes das forças policiais, a partir de normas
estabelecidas, está diretamente relacionado ao grau de confiança em sua
autoridade e em seu modo de atuação.</p>
<p>Refletir sobre essa dinâmica em articulação com as normas, com os
valores da ação ocupacional das agências policiais e com os protocolos
de ação gerados pela pandemia importa para revelar a distância entre a
norma e a execução da sua prática, sobretudo no que se refere às
populações vulneráveis.</p>
<p><bold>PERCURSO METODOLÓGICO</bold></p>
<p>No sentido de compreender a percepção das forças públicas de
segurança sobre sua atuação profissional e seu contato com a população
em situação de rua, especialmente em tempos de pandemia da COVID-19, a
pesquisa conjugou processos eminentemente qualitativos (OLABUÉNAGA,
2012), mediante investigação de dados e percepções sobre um fenômeno
social complexo (MINAYO, 2004). A pandemia causada pelo novo coronavírus
se apresenta como um contexto delicado e serve de pano de fundo que
limita e guia as estratégias metodológicas de pesquisa.</p>
<p>Optou-se por um estudo de caso por meio da análise da Guarda Civil
Municipal de Belo Horizonte (GMBH) e da Polícia Militar de Minas Gerais
(PMMG), cujos integrantes mantêm frequentes contatos e relações com os
sujeitos em situação de rua, em razão de sua atribuição funcional e de
seu posicionamento ostensivo e rotineiro nas ruas, com atuação voltada
para o controle da ordem social e a prevenção e repressão do crime.</p>
<p>Ambas as instituições, no âmbito do município de Belo Horizonte,
atuam de modo complementar e integrado, especialmente em operações,
<italic>blitz</italic>, grandes eventos e ocorrências ou situações que
demandem maior efetivo de força (KOPITTKE, 2016). Dentre as principais
semelhanças entre a PMMG e a GMBH, elenca-se o caráter ostensivo (uso de
viaturas, uniformes ou fardamento e armamento) e de prevenção à
criminalidade e à desordem social, bem como o fato de que ambas
empreendem esforços no sentido de fiscalizar o cumprimento das leis
(especialmente durante a pandemia), de zelar pelo bem-estar e pela
proteção da população, valendo-se do poder de polícia e do uso da força
(inclusive letal). Apesar desses pontos de convergência, a GMBH detém
jurisdição municipal, estando subordinada diretamente ao Prefeito de
Belo Horizonte, sendo considerada uma corporação de caráter civil, com
aspectos de regramento militar (CARDEAL, 2018). Já a PMMG representa uma
instituição regida pela doutrina militar e tem como limite de atuação o
estado de Minas Gerais, subordinando-se hierarquicamente ao Governador
(BATITUCCI, 2019).</p>
<p>A coleta de dados adotada para coligir conteúdos e análises visando
atender aos objetivos deste estudo, deu-se por meio da realização de
trabalho de campo (GODOY, 1995), utilizando levantamento documental
(SILVA; EMMENDOERFER; CUNHA, 2020) e entrevistas semiestruturadas com
agentes das forças públicas de segurança (COLOGNESE; MELO, 1998).</p>
<p>Para esta análise, foram entrevistados 16 agentes das forças públicas
de segurança que atuam efetivamente em Belo Horizonte, sendo 8 policiais
militares (designados Entrevistado PMMG) e 8 guardas civis municipais
(designados Entrevistado GMBH), nos termos de Thiry-Cherques (2009),
selecionados por amostragem não probabilística intencional, via
indicação conhecida como “bola de neve”, como sugerem Marcus <italic>et
al</italic>. (2017). Em razão de cautelas éticas e metodológicas, no
sentido de evitar a identificação dos entrevistados, optou-se por
referenciá-los no masculino, ainda que houvesse 3 agentes do sexo
feminino.</p>
<p>O quadro abaixo refere-se ao perfil dos entrevistados da GMBH:</p>
<p><bold>Quadro 1 – Caracterização dos agentes da Guarda Civil Municipal
de Belo Horizonte
entrevistados                                                                                                             </bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Entrevistado</bold></th>
      <th><bold>Patente ou Posto Hierárquico</bold></th>
      <th><bold>Setor de atuação</bold></th>
      <th><bold>Trajetória funcional</bold></th>
      <th><bold>Tempo de serviço</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>GMBH 01</td>
      <td>Guarda Civil de Classe Distinta</td>
      <td>Administrativo</td>
      <td>Grupamento de Trânsito; Guarda Patrimonial; Atuação Preventiva
      em escolas</td>
      <td>18 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>GMBH 02</td>
      <td>Subinspetor</td>
      <td>Grupamento de Emprego Especializado</td>
      <td>Atuação Preventiva em Centro de Apoio Comunitário e na
      Rodoviária; Central de Atendimento BH Resolve </td>
      <td>13 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>GMBH 03</td>
      <td>Guarda Civil Municipal I</td>
      <td><p>Administrativo</p>
      <p>(1ª Inspetoria)</p></td>
      <td>Guarda Patrimonial; Grupamento de Trânsito; Patrulhamento
      ordinário; Atuação Preventiva Unidades de Saúde, em Escolas, em
      Parques, na Rodoviária</td>
      <td>16 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>GMBH 04</td>
      <td>Guarda Civil Municipal I</td>
      <td>Observatório do Espaço Urbano - Centro Integrado de Operações
      - COP</td>
      <td>Atuação Preventiva em Unidade de Saúde; Grupamento de Emprego
      Especializado; Grupamento de Transporte Coletivo (Viagem Segura);
      Administrativo - DOP</td>
      <td>12 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>GMBH 05</td>
      <td>Não informado</td>
      <td>Administrativo (Diretoria Geral de Operações)</td>
      <td>Atuação Preventiva em Escolas e em Unidade de Saúde;
      Grupamento de Trânsito; Centro Integrado de Operações - COP;
      Grupamento de Ação Preventiva a Pessoas em Situação de Rua</td>
      <td>10 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>GMBH 06</td>
      <td>Subinspetor</td>
      <td>Departamento de Ordem Pública</td>
      <td>Atuação preventiva; Inteligência; Coordenação Administrativa
      de Regionais; Coordenação Operacional no DOP; Treinamento de
      Guardas</td>
      <td>10 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>GMBH 07</td>
      <td>Guarda Civil Municipal I</td>
      <td>Grupamento Sentinela - DOP</td>
      <td>Atuação Preventiva em Escolas, em Centro de Saúde, em Parques,
      Motopatrulha</td>
      <td>12 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>GMBH 08</td>
      <td>Guarda Civil de Classe Distinta II</td>
      <td>Grupamento de Ação Preventiva a Pessoas em Situação de Rua -
      Centro Sul</td>
      <td>Atuação preventiva no CRAS, em Abrigos, em Unidades de Saúde,
      em órgãos administrativos da PBH</td>
      <td>15 anos</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaboração própria com base nos dados da pesquisa.</p>
<p>*Dentre a amostra de entrevistados, 1 guarda civil é do sexo
feminino, e 2 policiais militares são do sexo feminino, todos não
identificados em razão do sigilo ético. </p>
<p>Na sequência, as características dos entrevistados da PMMG são
apresentadas no Quadro 2 abaixo:</p>
<p><bold>Quadro 2 – Caracterização dos agentes da Polícia Militar de
Minas Gerais entrevistados</bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>Entrevistado</bold></th>
      <th><bold>Patente ou Posto Hierárquico</bold></th>
      <th><bold>Setor de atuação</bold></th>
      <th><bold>Trajetória funcional</bold></th>
      <th><bold>Tempo de serviço</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>PMMG 01</td>
      <td>Cabo</td>
      <td>Inteligência</td>
      <td>Patrulhamento ordinário; Tático Móvel; administrativo</td>
      <td>17 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>PMMG 02</td>
      <td>Sargento</td>
      <td>Patrulhamento ordinário motorizado</td>
      <td>Patrulhamento ordinário; Administrativo; Policiamento montado
      (Cavalaria); Comunicação Institucional; </td>
      <td>22 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>PMMG 03</td>
      <td>Sargento</td>
      <td>Tático Móvel</td>
      <td>Patrulhamento ordinário motorizado</td>
      <td>12 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>PMMG 04</td>
      <td>Sargento</td>
      <td>GEPAR</td>
      <td>Choque, policiamento a pé, posto de Observação e Vigilância
      (POV) e no atendimento de polícia comunitária.</td>
      <td>4 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>PMMG 05</td>
      <td>Cabo</td>
      <td>Administrativo (Recursos Humanos)</td>
      <td>GEPAR</td>
      <td>14 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>PMMG 06</td>
      <td>Tenente</td>
      <td>Comando de Setor na região Central</td>
      <td>Patrulhamento ordinário; GEPAR; Policiamento Comunitário</td>
      <td>17 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>PMMG 07</td>
      <td>Tenente</td>
      <td>Comando de Setor na região Central</td>
      <td>Trânsito; Inteligência; Operacional no /Policiamento
      ordinário</td>
      <td>14 anos</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>PMMG 08</td>
      <td>Tenente</td>
      <td>Comando de Setor na Região Central</td>
      <td>Postos Fixos, POV, Sentinela, Policiamento a pé, de eventos,
      Rádio Patrulha, </td>
      <td>10 anos</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaboração própria com base nos dados da pesquisa.</p>
<p>*Dentre a amostra de entrevistados, 1 guarda civil é do sexo
feminino, e 2 policiais militares são do sexo feminino, todos não
identificados em razão do sigilo ético.</p>
<p>Respaldado na análise das narrativas dos agentes, o estudo buscou
aprofundamento sobre a execução das tarefas e rotinas de trabalho
(SKOLNICK; BAYLEY, 2002), bem como sobre a maneira como elaboram as
representações sobre os indivíduos em situação de rua (SILVA; MACIEL,
2020), e como esse juízo influencia suas atuações cotidianas,
especialmente no contexto crítico da pandemia (ALCADIPANI <italic>et
al</italic>., 2020; ALCADIPANI; MATARAZZO; FERNANDES, 2020). A pesquisa
foi submetida à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP),
conforme definido na Resolução Nº 466/12 do Ministério da Saúde,
obtendo-se aprovação mediante Parecer Nº 4.950.882.</p>
<p>A coleta de dados no campo ocorreu durante a pandemia da COVID-19,
período em que na cidade de Belo Horizonte estavam vigentes as
restrições sanitárias relacionadas com obrigatoriedade do uso de
máscaras, proibição de aglomeração, limitação de funcionamento do
comércio e horários restritos de circulação do transporte público (BELO
HORIZONTE, 2020).</p>
<p>As entrevistas ocorreram no período de janeiro a junho de 2021 e
tiveram a duração média de 69 minutos, sendo 15 delas gravadas e,
posteriormente, transcritas e analisadas. Dentre os entrevistados,
somente um não autorizou o registro da entrevista por meio de gravação,
procedendo-se às anotações em caderno de campo. No texto, optou-se pela
inserção dos excertos das falas dos entrevistados em seu modo mais
completo para o sentido da análise, o que propiciou inserções mais
longas para a manutenção da essência e descrição do fenômeno estudado.
Utilizou-se a análise de conteúdo para interpretação das entrevistas nos
moldes propostos por Bardin (1994), uma vez que vincula um conjunto de
significações produzidas no âmbito das comunicações entre os sujeitos,
de modo a ampliar a exploração de tal fenômeno (SILVA; GOBBI; SIMÃO,
2005).</p>
<p>A seleção dos temas e das categorias para análise dos dados neste
artigo foram estabelecidos a partir do contexto da pesquisa e da
literatura (CRESWELL, 2007; 2014). Desse modo, a análise de conteúdo
interpretou a perspectiva dos entrevistados, cujos relatos foram
tratados em fases, quais sejam: pré-análise, exploração do material ou
descrição analítica, e tratamento dos resultados ou interpretação
referencial, segundo destacam Godoy (1995) e Triviños (1987). No Quadro
3, são apresentadas, a seguir, as respectivas dimensões de análise, seus
elementos principais para fins deste artigo e o suporte teórico básico
utilizado.</p>
<p><bold>Quadro 3. Categorias de análise dos dados. </bold></p>
<table>
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <col align="left" />
  <thead>
    <tr>
      <th><bold>DIMENSÕES DE ANÁLISE</bold></th>
      <th><bold>ELEMENTOS DE ANÁLISE</bold></th>
      <th><bold>SUPORTE TEÓRICO</bold></th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Pandemia da COVID-19</td>
      <td>Percepção dos agentes sobre o sujeito em situação de rua</td>
      <td>Vieira <italic>et al</italic>., 2020; Lima <italic>et
      al</italic>., 2020; Matta <italic>et al.</italic>, 2021; Santos,
      2020; Silva; Maciel, 2020; Tsai; Wilson, 2020; Rolim Neto
      <italic>et al.</italic>,2020; Fenley, 2021; Parsell <italic>et
      al.,</italic> 2020; Peci; Teixeira, 2021</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Percepção dos agentes sobre o contexto pandêmico</td>
      <td>Alcadipani; Cabral; Lotta; Fernandes, 2020; Alcadipani;
      Matarazzo; Fernandes, 2020; Davidovitz <italic>et al.</italic>,
      2021; Gofen; Lotta, 2021; Lotta, Sobral, Corrêa, Alcadipani,
      Bueno, 2020; Lotta <italic>et al</italic>, 2021</td>
    </tr>
    <tr>
      <td></td>
      <td>Procedimentos policiais e protocolos institucionais de
      prevenção e controle à doença</td>
      <td></td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Fonte: Elaboração própria com base no suporte teórico</p>
<p>A seguir, são apontados os principais aspectos levantados na coleta
de dados relacionados à percepção sobre o trabalho policial e o modo
como se comportam os agentes da Guarda Civil e da Polícia Militar, num
contexto crítico que exige uma maior aproximação com a comunidade e com
os públicos vulneráveis.</p>
<p><bold>POLÍCIA, INDIVÍDUO EM SITUAÇÃO DE RUA E CONTEXTO PANDÊMICO:
ENCONTROS E DESENCONTROS</bold></p>
<p>O estudo revelou alguns reflexos do cenário pandêmico da COVID-19 nas
dimensões individuais, operacionais e sociais, que permeiam o encontro
cotidiano entre os agentes das forças públicas pesquisadas e as pessoas
em situação de rua, no cenário urbano circunscrito ao município de Belo
Horizonte, Minas Gerais.</p>
<p>De modo geral, os agentes das forças públicas de segurança ouvidos
nesta pesquisa evidenciaram que, ao agirem, seguem seus próprios
critérios de discricionariedade, no sentido de cumprirem
satisfatoriamente as exigências institucionais e da comunidade,
considerando as condições de incerteza e eventual falta de recursos
inerentes à sua atividade, bem como suas prioridades pessoais. Os
protocolos legais e institucionais são, portanto, parcialmente (e às
vezes, minimamente) determinantes do processo decisório dos agentes. A
investigação sinalizou ainda importantes elementos associados à difusão
da cultura policial, da doutrina, da falta de formação permanente e do
aprendizado pelo hábito no bojo das duas instituições, aproximando das
proposições de Costa (2021), Kopittke (2016), Poncioni (2021) e
Batitucci (2019), mesmo no contexto de crise pandêmica.</p>
<p>Destaca-se também que as entrevistas traçam com riqueza de atributos
a caracterização do trabalho policial, que incluem a imprevisibilidade,
a exposição aos riscos iminentes e um contexto de insegurança, além de
outras peculiaridades relacionadas com as atividades de polícia no seio
da sociedade – conflito, desordem e crime, delineados em Skolnick e
Bayley (2002) e Lipsky (2019), como ilustra o Entrevistado PMMG 4,
expondo que sua unidade lida com “problemas comuns às grandes cidades,
como manifestações, alto número de moradores de rua e muitos crimes”.
Enquanto o Entrevistado PMMG 8 menciona percepções ambivalentes geradas
por sua inserção na área da Segurança Pública, especialmente nesse
momento de pandemia:</p>
<disp-quote>
  <p>Eu às vezes me sinto um pouco exposto, porque poderia tá em casa,
  poderia estar sem circular, mas a nossa atividade é presencial. Não
  tem como abrir mão dessa condição e quando a gente faz o compromisso,
  mesmo com o sacrifício da própria vida, eu acho que nós estamos no
  momento de teste disso. Será que você tá mesmo, mesmo com sacrifício
  da própria vida? Então eu me sinto indo pra guerra, entendeu? Todo
  dia, todo dia... Eu vou ter que abordar uma pessoa, eu tô me expondo.
  Quando o soldado vai pra guerra, não corre risco de tomar um tiro?
  Hoje eu tô correndo risco de pegar um COVID, entendeu? E eu não sei se
  eu já peguei, se eu já me curei, eu ainda não me vacinei, então eu me
  sinto exposto, né, mas eu me sinto exposto mas na sincera convicção
  que eu sei que tem que ser feito isso e eu me sinto orgulhoso de tá
  participando disso, entendeu? Eu tenho essa sensação, de exposição e
  orgulho ao mesmo tempo... Medo e orgulho ao mesmo tempo. Então é esse
  meu sentimento. (Entrevistado PMMG 4).</p>
</disp-quote>
<p>Alcadipani (2020) e Alcadipani, Cabral, Fernandes e Lotta (2020)
mencionam pesquisas sobre o valor do culto à masculinidade como eixo
estruturante dessa lógica de cultura ocupacional, reforçando que nas
organizações policiais prevalecem ações, valores e crenças associados à
dimensão masculina. Os agentes das duas instituições citadas se
autopercebem como heróis masculinos, que assumem os perigos de manter a
ordem e lutar contra o mal comum, personificado na figura do
“criminoso”, do “infrator”, segundo uma lógica hegemônica de
masculinidade, nos termos discutidos nas pesquisas de Connell e
Messerschmidt (2013).</p>
<p>Há que se ressaltar que os relatos das agentes do sexo feminino
entrevistadas denotaram maior aderência à atuação legal e legítima das
instituições policiais, maior foco na qualificação e no aprimoramento
dos agentes, bem como sugeriram a necessidade de maior proximidade com a
comunidade.</p>
<p>Por sua vez, os sujeitos em situação de rua são caracterizados pelos
agentes das forças públicas de segurança como poluidores do ambiente
urbano, como aqueles que reviram o lixo da cidade, que atrapalham a
circulação das pessoas e que infringem as normas do ordenamento do
espaço urbano, nos mesmos termos indicados por Rui, Martinez e Feltran
(2016). Sua presença gera degradação, sujeira, odor, caos e tensão. E
quando os mecanismos de higienização, de afastamento e restrição sociais
não funcionam de modo adequado, as forças públicas de segurança são
chamadas a neutralizá-los e mantê-los distantes.</p>
<p>Dentre as principais barreiras ou entraves que interferem no modo
como os agentes das forças públicas de segurança atuam diante das
pessoas em situação de rua, foram detectadas nas entrevistas a
referência às suas condições de higiene pessoal, à sua posse de
materiais ilícitos ou que possam causar lesões aos agentes, à presença
delas em grupo, além de outros, sinalizando a necessidade de maior
cautela ou de uma postura mais ofensiva dos agentes:</p>
<disp-quote>
  <p>Eles estão muito sujos. Então, querendo ou não, toda vez que a
  gente chega, tem que usar a luva. Antes de abordar, eu já coloco. Se
  já sabe que vai abordar, já coloca a luva dentro da viatura mesmo,
  para evitar. Então, a questão da higiene corporal deles e do lugar que
  eles ficam, das coisas que eles jogam. (Entrevistado PMMG 3).</p>
  <p>[...] mas talvez se fosse uma outra equipe, tinha deixado passar
  batido, porque é o morador de rua e está fedendo. A gente imaginava,
  né, ele tava, o pé dele tava… Nossa!! Ele fedeu a viatura, fedeu a
  delegacia inteira… Em outra oportunidade, talvez a gente não teria
  abordado. “Mexer com morador de rua? Deixa pra lá, sô”; a Guarda evita
  e eu acredito que as outras instituições também evitam o confronto,
  evitam a abordagem, porque ele tá fedendo, ele não toma banho, ele tá
  sujo, é essa a avaliação que eu faço, a gente evita o contato [...]
  (Entrevistado GMBH 4).</p>
</disp-quote>
<p>Os agentes da Guarda Civil e da Polícia Militar inserem-se num
contexto excepcional de insegurança e exposição ao risco de
contaminação, em que parece se desenhar um novo fluxo de demandas
direcionadas a essas organizações, que ultrapassam o controle e a
contenção do crime. Poucos trabalhos analisam como esses profissionais
lidam com o cidadão e como se ajustam a momentos críticos ou de
emergência, como é o caso dos agentes das forças públicas de segurança
durante a pandemia (ALCADIPANI, 2020; LOTTA <italic>et al</italic>.,
2021; MØLLER, 2021).</p>
<p>Considerando, em regra, a impossibilidade de atuar em <italic>home
office</italic>, os agentes de segurança pública foram compelidos a
realizarem ajustes e adaptações, em virtude de novas demandas
humanitárias, sociais e institucionais. Desse modo, na lide face a face
com os cidadãos, assumiram uma posição de risco adicional em relação ao
vírus, o que potencializou as chances de adoecimento, morte, ou mesmo de
se tornarem vetores de contaminação (ALCADIPANI <italic>et al</italic>.,
2020; ALCADIPANI; MATARAZZO; FERNANDES, 2020; GOFEN; LOTTA, 2021).</p>
<p>Os relatos indicaram que, com a pandemia, houve um agravamento das
circunstâncias críticas a que normalmente os agentes das forças públicas
de segurança já se encontravam expostos, como escassez de recursos,
intensa jornada de trabalho, imprevisibilidade, risco e novas demandas
da comunidade e do poder público. Num contexto de pandemia, o Estado se
viu pressionado a dar respostas urgentes de controle à doença, que
incluem ações de fiscalização ao cumprimento das medidas de
distanciamento social, sobretudo no que se refere aos estabelecimentos
comerciais (bares, restaurantes, lojas, espaços de festas), bem como
ações humanitárias e de proteção aos cidadãos mais vulneráveis
(ALCADIPANI; MATARAZZO; FERNANDES, 2020).</p>
<p>Assim, inicialmente, na lide com a população, os agentes das forças
públicas estavam diariamente expostos ao vírus, sem vacina durante a
maior parte do período endêmico, tendo que realizar ajustes na
operacionalização de suas atividades e rotinas diárias. O Entrevistado
PMMG 7 questiona: “a gente deveria tá atuando? Sim, mas eu acho que a
gente deveria ter uma prioridade maior em ser vacinado, pra proteção da
tropa”. Já os agentes da GMBH mencionaram que passaram a atuar
constantemente no apoio aos fiscais municipais (na restrição e no
fechamento de comércio), em razão dos decretos da Prefeitura de Belo
Horizonte, repassando orientações, sanando dúvidas e explicando os modos
de funcionamento autorizados.</p>
<p>O estudo indicou a existência de diversos protocolos de atuação
relacionados à pandemia da COVID-19 voltados para as forças públicas de
segurança, que incluem procedimentos operacionais padrões (POP),
memorandos, resoluções, protocolos conjuntos entre instituições de
Justiça e Segurança Pública, planos de contingenciamento nas esferas
estadual mineira e municipal de Belo Horizonte, para além da
regulamentação já prevista e estabelecida por autoridades
internacionais, federais, estaduais e municipais no enfrentamento à
COVID-19.</p>
<p>Identificou-se que, em relação às instruções disponibilizadas e
repassadas aos agentes das forças públicas de segurança, de modo a
orientar seu modo de execução das tarefas diárias durante a pandemia, a
maior parte delas se deu pelo ambiente virtual da Intranet, bem como
pelos contatos diários e informais entre os superiores e os agentes de
rua, antes dos turnos, nos procedimentos conhecidos como instrução
pré-turno ou <italic>briefing</italic>, nas duas instituições
observadas. Além disso, vários agentes relataram o acesso à informação
disponível nas mídias sociais e nos noticiários, frutos de buscas
pessoais complementares.</p>
<p>A orientação voltada para os protocolos institucionais de prevenção e
controle à doença, bem como os procedimentos policiais, é mencionada
como mais um processo mergulhado na discricionariedade de cada agente,
considerando-se que cada policial ou guarda dava o seu tom particular
quando da execução de suas atividades diárias, em contato com a
população, além de ter trazido à tona que não houve um treinamento
formal, direcionado, obrigatório, contínuo e supervisionado pelas duas
instituições pesquisadas. Os resultados apontam que mesmo com as normas
sobre a COVID-19, os indivíduos das forças públicas de segurança não
seguiram rigidamente os protocolos determinados, como argumentado pelo
Entrevistado GMBH 2:</p>
<disp-quote>
  <p>Principalmente depois da pandemia, a guarda tem dado aos agentes.
  Dentro das viaturas a gente sempre tem as máscaras, luvas
  descartáveis, álcool em gel e é pedido que todos trabalhem com a
  máscara. Aí, vai também do próprio agente: eu, por exemplo, só
  trabalho de luva, uma luva tática. E dependendo da situação, eu tiro a
  luva tática e coloco a descartável. O tempo todo de máscara. Quando eu
  retorno pra viatura, retiro as luvas descartáveis, uso álcool em gel
  na mão. Então existe todo um protocolo dentro da instituição, porém
  mais importante do que esse protocolo é o próprio agente ali fazendo a
  sua segurança para que não haja nenhum tipo de contaminação
  (Entrevistado GMBH 2).</p>
</disp-quote>
<p>Questionados sobre a disponibilização de equipamentos de proteção
individual (EPIs) pelas instituições, os agentes foram unânimes em dizer
sobre a oferta de instrumentos, como luvas, máscaras e materiais
sanitizantes como o álcool 70%, destinados para o uso pessoal dos
agentes, a limpeza dos ambientes e das viaturas utilizadas (volantes,
encostos, bancos, maçanetas etc.), mencionando ainda eventuais repasses
para os cidadãos, quando necessário, em razão de abordagens ou mesmo de
campanhas de distribuição voltadas para a população.</p>
<p>Ao longo do tempo, verificou-se a partir do relato dos entrevistados
que o temor e o receio iniciais foram cedendo espaço para certa
naturalização e banalização da epidemia, com os integrantes das forças
públicas de segurança assumindo suas funções na pandemia como se isso já
fizesse parte do contexto e não fosse uma excepcionalidade que mobiliza
toda a sociedade. Nesse sentido, o Entrevistado GMBH 2 narra o que
sentia:</p>
<disp-quote>
  <p>Muito inseguro, principalmente pelo que está sendo veiculado pela
  mídia e porque na sua unidade eles trabalham em grupo. São 22 pessoas
  que trabalham juntas, desde o início do turno até o final do serviço.
  Além de trabalhar numa viatura externa, fazendo abordagem,
  acompanhando fiscalização, entrando em tudo que é local, com muita
  aglomeração, como baile funk. Isso traz uma insegurança muito grande.
  Além disso, quando chega na unidade, entra em contato com mais 21
  agentes que já tiveram contato com inúmeras pessoas. Então, se eu
  trabalhasse sozinho ou na esfera administrativa, esse receio seria
  menor. Eu estaria num ambiente controlado. Mas trabalhando no
  operacional, trouxe uma insegurança muito grande, num primeiro
  momento. Porém, como depois o tempo vai passando, o ser humano vai se
  adaptando, vai acostumando à situação. (Entrevistado GMBH 2).</p>
</disp-quote>
<p>A observação no contexto do levantamento de campo revela a
manifestação do receio de contaminação dos agentes em razão da exposição
na execução de suas atividades, bem como o discurso de adequação ao
recomendado pelas normas das instituições públicas de segurança. Apesar
dos relatos, ao longo do tempo da pandemia, a prática no cotidiano
mostrou uma postura de relaxamento, seguindo para o desleixo e o
descaso, como a recusa de vacinação por alguns agentes, não utilização
ou uso compartilhado de máscaras e a não manutenção de regras de
distanciamento espacial, como se as forças públicas de segurança
estivessem mergulhadas no contexto, que deveria ser enfrentado pelos
agentes de modo destemido. Ou seja, a pandemia seria apenas mais uma
situação de desafio, restrição e crise.</p>
<p>No que se refere à percepção dos agentes em relação às pessoas em
situação de rua, a partir da experiência no cotidiano, as expressões dos
agentes da Guarda Civil de Belo Horizonte, bem como da Polícia Militar
mineira entrevistados, constataram o expressivo crescimento populacional
como reportado por Dias (2021), e relataram um movimento migratório dos
sujeitos em situação de rua, ultrapassando os limites do hipercentro do
município e avançando para outros bairros, à procura de outros meios de
sobrevivência e fonte de renda, como alimentos e materiais recicláveis.
Nesse sentido, o Entrevistado GMBH 1 afirmou que:</p>
<disp-quote>
  <p>Com o fechamento da cidade, e consequentemente de fontes de
  recursos, a dispersão para a periferia foi verificada pela diminuição
  do controle das posturas, maior proximidade de uma população mais
  caridosa, e que poderiam obter mais recursos para sua sobrevivência.
  (Entrevistado GMBH 1).</p>
</disp-quote>
<p>Em seu relato, o Entrevistado PMMG 6 descreve os fenômenos de
crescimento e migração da referida população durante a pandemia:</p>
<disp-quote>
  <p>Eu tô percebendo um fenômeno interessante que hoje... Antigamente
  os moradores de rua concentravam mais aqui na região da Contorno,
  Helena Greco, na Praça Rio Branco, mas como essa população tá
  aumentando muito, eu não tenho, assim, estatística, mas a gente
  percebe que tá aumentando porque algumas áreas que a gente não
  percebia a presença deles hoje eles já tão ocupando. Estão em áreas
  nobres igual bairro Santo Agostinho, onde que tem gente com alto poder
  aquisitivo, alta renda, né? Já vi morador de rua lá, e a gente vê um
  conflito, sabe, das pessoas que têm o poder aquisitivo acionando o
  190, porque eles não querem o morador de rua na sua porta, né?
  (Entrevistado PMMG 6).</p>
</disp-quote>
<p>Importante mencionar ainda que, em que pese durante o período
pandêmico estarem ocorrendo simultaneamente diversas ações
intersetoriais voltadas para o público em situação de rua, como novos
espaços de acolhimento, os agentes das forças públicas de segurança
demonstraram estar alheios a tais ações, não mencionando qualquer
participação ou envolvimento da PMMG. Em relação à GMBH, somente os
Entrevistados GMBH 3 e GMBH 6 citaram ter ciência de tais intervenções
sociais, sem, no entanto, mencionarem se houve nem como se deu a
participação de sua instituição.</p>
<p>Cabe destacar ainda que foram unânimes os relatos de que não são
difundidos organizacionalmente treinamentos e orientações formais para
lidar com a população em situação de rua, de modo específico, nem em
tempos normais nem em momentos de crise. Levando-se em consideração a
pandemia da COVID-19, um contexto de turbulência social com sérias
exigências de pronta-resposta e de maior proximidade com a comunidade,
principalmente para os agentes públicos vinculados às forças de
segurança, não foram identificados nos relatos protocolos de educação
formal estabelecendo procedimentos policiais a serem adotados, nem
cautelas no trato com as pessoas em situação de rua, sendo a ação
policial concretizada, em regra, nos limites da tomada de decisão
discricionária pelos agentes, como ilustra o Entrevistado PMMG 6:</p>
<disp-quote>
  <p>Olha, a gente recebeu diversos protocolos de atuação com
  comerciante, protocolo de atuação pro COVID em geral, mas em
  específico morador de rua não, protocolo, assim, como proceder, fazer,
  nada assim, mas a gente teve uma padronização, sim, em relação à
  pandemia, como atuar em relação aos comerciantes, às igrejas, sempre
  tem uma preocupação da instituição com relação a esses principais
  problemas atuais aí. (Entrevistado PMMG 6).</p>
</disp-quote>
<p>Ademais, o levantamento de campo não identificou aspectos dignos de
nota, do ponto de vista dos entrevistados, sobre eventual articulação
entre as corporações, notadamente naqueles relacionados com o indivíduo
em situação de rua, objeto do estudo. Não houve, ainda, menção a
planejamentos conjuntos, seja no nível tático ou no operacional entre as
instituições pesquisadas. Tais achados corroboram com os estudos sobre o
sistema de justiça “frouxamente articulado”, como no caso brasileiro
(SAPORI, 2007). </p>
<p>Por meio da pesquisa foi possível captar um nítido diferencial dos
agentes da GMBH e da PMMG quanto à interpretação sobre as questões
urbanas, as políticas públicas e os públicos distintos de modo geral.
Enquanto os guardas municipais denotam maior grau de imersão e de
apreensão das circunstâncias do contexto urbano, indicando zelo, atenção
e maior proximidade com a comunidade, por sua vez, os policiais
militares apresentam maior aquiescência aos pressupostos afetos ao
modelo de policiamento tradicional, de persecução do “inimigo”.</p>
<p>Em suma, diante da análise dos elementos demonstrados nas narrativas
dos entrevistados, o presente estudo reflete sobre o encontro entre os
agentes das forças públicas de segurança e os sujeitos que vivem em
situação de rua. A ação concreta e aplicada desses agentes, para além do
formalmente prescrito, a partir da leitura do espaço urbano e do modo
como percebem os sujeitos que vivem nas ruas, manifesta-se na execução
do trabalho policial, essencialmente por meio de sua
discricionariedade.</p>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<p>A análise permitiu identificar como os agentes de segurança percebem
os vínculos estabelecidos com a organização na qual estão inseridos,
como ressignificam sua atuação a partir da aderência aos modelos de
policiamento e aos valores da cultura institucional, e que elementos
consideram ao estabelecer seus processos decisórios e de ação enquanto
lidam com os sujeitos em situação de rua no espaço urbano, especialmente
em se tratando de contextos graves, como é o caso da pandemia da
COVID-19.</p>
<p>Os principais achados da pesquisa referem-se ao entendimento de que
não é possível eliminar a discricionariedade dos agentes, sendo esse um
núcleo inerente à atividade das forças públicas de segurança.
Considerando-se ainda a complexidade humana e social subjacente a essa
atuação e a inexistência de respostas prontas diante de demandas
sociais, organizacionais e individuais, constatou-se que os agentes
estatais lidam com as pessoas em situação de rua a partir de um viés
preconceituoso e estigmatizante, em que o elemento urbano configura e
estabelece os contornos da forma de atuação.</p>
<p>O estudo evidenciou ainda que a pandemia da COVID-19, inicialmente,
despertou nos agentes certo temor e tensão, ao trazer para perto de si o
inimigo desconhecido, o que depois cedeu lugar para certa acomodação e
assimilação dos agentes ao contexto. Ainda foi possível identificar que
as atuações dos agentes de segurança, quando direcionadas para o público
em situação de rua, envolveram, em essência, atuações repressivas e
“higienistas”, de fiscalização e controle das pessoas e do espaço
urbano, geralmente voltados para outros interesses (comerciantes,
agentes imobiliários, residentes...) e não àquelas necessidades das
populações vulneráveis.</p>
<p>No plano teórico, a pesquisa permitiu resgatar como as percepções dos
agentes se traduzem na prática. Ainda sob o prisma teórico, esta
pesquisa lançou bases reflexivas sobre a construção e o delineamento do
que pode ser identificado como o perfil ajustado e pertinente de um
agente mais próximo do cidadão. Destes se espera atuação pautada em
princípios democráticos e no incremento de uma formação humana, técnica
e legal continuada, principalmente em tempos de crise, em que a figura
do agente estatal sofre novas e constantes demandas e pressões.</p>
<p>Dentre as contribuições empíricas, destacam-se aquelas especialmente
voltadas para a importância de novos padrões de formação continuada e de
socialização, que incluam um olhar multidisciplinar para as questões
sensíveis da sociedade e para os públicos vulneráveis, considerando que
as interações desses agentes entre si e com os demais cidadãos afetam o
modo como são postas em prática as políticas públicas pelas quais são
responsáveis. A atuação dos agentes tem, portanto, interferência na
modulação de desigualdades sociais e séria repercussão e impacto sobre a
vida dos sujeitos com os quais eles se relacionam.</p>
<p>No que diz respeito às limitações que surgiram no percurso desta
pesquisa, vale mencionar que a pandemia da COVID-19 restringiu o escopo
da coleta de dados, em termos de interação com os sujeitos da pesquisa.
Acrescenta-se a estas particularidades, a dificuldade de incorporar
alguns interlocutores no início do levantamento de dados, que se
recusaram ou se mostraram indiferentes ao convite de participação na
pesquisa.</p>
<p>A pretexto de colaborar com o aprofundamento sobre o tema, propõe-se
que pesquisas futuras se debrucem sobre a dimensão formativa e empírica
do trabalho dos agentes de segurança enquanto sua relação com grupos em
situação de vulnerabilidade, como é o caso dos sujeitos em situação de
rua. É possível ainda propor estudos que desvelem como se portam as
redes de proteção, atenção e cuidado voltadas para as pessoas em
situação de rua, em conexão com as forças de segurança pública, o que
ressalta a importância de se pensar sobre a participação desses agentes
em políticas e práticas intersetoriais que articulam diferentes
organizações e agências público-privadas em prol de um ambiente urbano
mais acolhedor e uma sociedade mais igualitária.</p>
<p>Finalmente, na interface entre os três elementos principais,
“CIDADÃO”, “ESTADO” e “CONTEXTO”, os indivíduos em situação de rua
simbolizam, nesta pesquisa, aqueles “invisíveis vigiados” pelas forças
públicas de segurança do Estado, representadas na figura de seus
agentes, todos imersos no contexto da crise sistêmica imposta pela
COVID-19.</p>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
<p>ALCADIPANI, R. Pandemic and macho organizations: wakeup call or
business as usual?. <bold>Gender, Work &amp; Organization</bold>, v. 27,
n. 5, p. 734-746, 2020.</p>
<p>ALCADIPANI, R.; CABRAL, S.; FERNANDES, A.; LOTTA, G. Street-level
bureaucrats under COVID-19: police officers’ responses in constrained
settings. <bold>Administrative Theory &amp; Praxis</bold>, v. 42, n. 3,
p. 394-403, 2020. DOI: 10.1080/10841806.2020.1771906. Disponível em:
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10841806.2020.1771906.
Acesso em: 10 set. 2021.</p>
<p>ALCADIPANI, R.; MATARAZZO, G.; FERNANDES, A. Organizações policiais
frente à pandemia: <italic>sensemaking</italic>, liderança e
discricionariedade. <bold>Revista de Administração Pública</bold>, v.
54, n. 4, p. 898-908, 2020. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/0034-761220200178. Acesso em: 7 out. 2021.</p>
<p>BAPTISTA, B. G. L.; DUARTE, F.; LIMA, M. L. T.; IORIO FILHO, R. M.;
LIMA, R K. de. A justiça brasileira sob medida: A pandemia no Brasil
entre direitos e privilégios. <bold>Fórum Sociológico</bold>, série II,
n 39, p. 19-30, 2021.</p>
<p>BARDIN, I. <bold>Análise de conteúdo</bold>. Lisboa: Edições Setenta,
1994.</p>
<p>BATITUCCI, E. C. Gerencialismo, estamentalização e busca por
legitimidade: o campo policial militar no Brasil. <bold>Revista
Brasileira de Ciências Sociais</bold>, v. 34, n. 101, 2019. Disponível
em: https://doi.org/10.1590/3410111/2019. Acesso em: 21 out. 2021.</p>
<p>BELO HORIZONTE. Prefeitura. <bold>Decreto Nº 17.328, de 8 de abril de
2020</bold>. Diário Oficial do Município (DOM), ano XXVI, n. 5992,
extra. Disponível em:
http://portal6.pbh.gov.br/dom/iniciaEdicao.do?method=DetalheArtigo&amp;pk=1227725.
Acesso em: 5 maio 2022.</p>
<p><sc>BRADBURY-JONES</sc>, C.; <sc>ISHAM</sc>, L. The pandemic paradox:
the consequences of COVID-19 on domestic violence. <bold>Journal of
Clinical Nursing</bold>, v. 29, n. 13-14, p. 2047-2049, 2020.</p>
<p>BRASIL. <bold>Constituição da República Federativa do Brasil de
1988</bold>. Brasília/DF, 5 out. 1988. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</ext-link>.
Acesso em: 10 set. 2021.</p>
<p>BUENO, S.; BOHNENBERGER, M.; SOBRAL, I. A violência contra meninas e
mulheres no ano pandêmico. <italic>In</italic>: FÓRUM BRASILEIRO DE
SEGURANÇA PÚBLICA – FBSP. BUENO, S.; LIMA, R. S. de. (Coords.).
<bold>Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021</bold>. São Paulo:
FBSP, p. 93-100, 2021.</p>
<p>BUENO, S.; LIMA, R. S.; TEIXEIRA, M. A. C. Limites do uso da força
policial no Estado de São Paulo. <bold>Cadernos EBAPE.BR</bold>, v. 17,
n. esp., p. 783-799, nov. 2019. DOI:10.1590/1679-395177322. Disponível
em:
https://www.scielo.br/j/cebape/a/hZdwqVLLt55ZjTfP8GpFcdL/?format=html&amp;lang=pt.
Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
<p>CARDEAL, C. C. <bold>De guarda patrimonial a polícia
municipal</bold>: a guarda municipal de Belo Horizonte e o seu processo
de institucionalização. Dissertação (Mestrado em Administração Pública)
– Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, Fundação João
Pinheiro, Belo Horizonte, 2018. Disponível em:
http://tede.fjp.mg.gov.br/handle/tede/385. Acesso em: 5 maio 2022.</p>
<p>COLOGNESE, S. A.; MELO, J. L. B. A técnica de entrevista na pesquisa
social. <bold>Cadernos de Sociologia</bold>, v. 9, n. 4, p. 143-160,
1998.</p>
<p>CONNELL, R. W.; MESSERSCHMIDT, J. W. Masculinidade hegemônica:
repensando o conceito. <bold>Revista de Estudos Feministas</bold>, v.
21, n. 1, p. 241-282, 2013.</p>
<p>CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE – CONASS. Novo coronavírus:
o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção.
<bold>CONASS</bold>, 31 jan. 2020. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.conass.org.br/novo-coronavirus-o-que-e-causas-sintomas-tratamento-diagnostico-e-prevencao/">https://www.conass.org.br/novo-coronavirus-o-que-e-causas-sintomas-tratamento-diagnostico-e-prevencao/</ext-link>.
Acesso em: 13 mar. 2020.</p>
<p>CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE MINAS GERAIS – CORECON/MG. Sobre
curvas e pirâmides: a geometria da desigualdade na pandemia.
<bold>Observatório das Desigualdades</bold>, Boletim Nº 9, p. 1-29, abr.
2020. Disponível em:
http://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/Boletim-n%C2%BA9-Corona-com-Anexo-1.pdf.
Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
<p>COSTA, A. T. A Polícia Militar e seus dilemas identitários.
<bold>Contemporânea</bold>, v. 11, n. 1, p. 287-312, jan./abr. 2021.</p>
<p>CRESWELL, J. W. <bold>Projeto de pesquisa</bold>: métodos
qualitativo, quantitativo e misto. 2 ed. Trad. Luciana de Oliveira da
Rocha. Porto Alegre: Artmed, 2007.</p>
<p>CRESWELL, J. W. <bold>Investigação qualitativa e projeto de
pesquisa</bold>: escolhendo entre cinco abordagens. Porto Alegre: Penso,
2014.</p>
<p>DAVIDOVITZ, M.; COHEN, N.; GOFEN, A. Governmental response to crises
and its implications for street-level implementation: policy ambiguity,
risk, and discretion during the COVID-19 pandemic. <bold>Journal of
Comparative Policy Analysis: Research and Practice</bold>, v. 23, n. 1,
p. 120-130, 2021. DOI: 10.1080/13876988.2020.1841561. Disponível em:
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13876988.2020.1841561.
Acesso em: 21 out. 2021.</p>
<p>DIAS, A. L. F. (Org.). <bold>Dados referentes ao fenômeno da
população em situação de rua no Brasil</bold>. Relatório
técnico-científico. Plataforma de Atenção em Direitos Humanos, Programa
Polos de Cidadania, Faculdade de Direito da Universidade Federal de
Minas Gerais. Belo Horizonte: Marginália Comunicação, 2021.</p>
<p>DUTRA, G. J.; ALMEIDA A. C.; SANTOS F. N. F.; TRUZZI B.
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/820/2021/01/Textos-para-Discussao-23-A-ocorrencia-de-crimes-durante-a-Pandemia-de-Covid-19.pdf">A
ocorrência de crimes durante a pandemia de Covid 19: investigações
iniciais para o estado do Rio Grande do Sul</ext-link>. Texto para
Discussão Nº 23. <bold>Observatório Socioeconômico da COVID-19</bold>.
Ministério da Educação, Universidade Federal de Santa Maria, 11 jan.
2021. Disponível em:
https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/820/2021/01/Textos-para-Discussao-23-A-ocorrencia-de-crimes-durante-a-Pandemia-de-Covid-19.pdf.
Acesso em: 30 nov. 2021.</p>
<p>ESTRELA, F. M.; SOARES, C. F. S.; CRUZ, M. A. da; SILVA, A. F. da;
SANTOS, J. R. L.; MOREIRA, T. M. de O.; LIMA, A. B.; SILVA, M. G.
Pandemia da Covid 19: refletindo as vulnerabilidades a luz do gênero,
raça e classe. <bold>Ciência &amp; Saúde Coletiva</bold>, v. 25, n. 9,
p. 3431-3436, 2020. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/1413-81232020259.14052020. Acesso em: 10 out.
2021.</p>
<p>FENLEY, V. M. Everyday citizenship and COVID-19: “staying at home”
while homeless. <bold>Administrative Theory &amp; Praxis</bold>, v. 43,
n. 2, p. 245-257, 2021.</p>
<p>FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA – FBSP. <bold>Violência
doméstica durante a pandemia de Covid-19</bold>. Nota Técnica. Ed. 3.
São Paulo: FBSP, 2020.</p>
<p><sc>FRÓIS</sc>, C. Covid-19 pandemic and social distancing in
prisons. <bold>Anthropology Today</bold>, v. 36, n. 36, p. 25-26, 2020.
DOI: 10.1111/1467-8322.12578.</p>
<p>GODOY, A. S. Introdução à Pesquisa Qualitativa e suas possibilidades:
Uma revisão histórica dos principais autores e obras que refletem esta
metodologia de pesquisa em Ciências Sociais. <bold>Revista de
Administração de Empresas</bold>, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 57-63,
mar./abr. 1995. Disponível em:
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.scielo.br/j/rae/a/wf9">https://www.scielo.br/j/rae/a/wf9</ext-link>,
CgwXVjpLFVgpwNkCgnnC/?lang=pt&amp;format=pdf. Acesso em: 12 ago.
2021.</p>
<p>GOFEN, A.; LOTTA, G. Street-level bureaucrats at the forefront of
pandemic response: a comparative perspective street-level. <bold>Journal
of Comparative Policy Analysis: Research and Practice</bold>, v. 23, n.
1, p. 1-13, jan. 2021. DOI: 10.1080/13876988.2020.1861421. Disponível
em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13876988.2020.1861421.
Acesso em: 10 set. 2021.</p>
<sec id="goh-k.-k.-lu-m.-l.-jou-s.-impact-of-covid-19-pandemic-social-distancing-and-the-vulnerability-to-domestic-violence.-psychiatry-clinical-neuroscience-v.-74-n.-1-p.-612-613-ago.-2020.-doi-10.1111pcn.13130.">
  <title><sc>GOH</sc>, K. K.; <sc>LU</sc>, M. L.; <sc>JOU</sc>, S.
  Impact of COVID-19 pandemic: Social distancing and the vulnerability
  to domestic violence. <bold>Psychiatry Clinical Neuroscience</bold>,
  v. 74, n. 1, p. 612-613, ago. 2020. DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1111/pcn.13130">10.1111/pcn.13130</ext-link>.</title>
</sec>
<sec id="kopittke-a.-guardas-municipais-entre-a-tentação-da-tradição-e-o-desafio-da-inovação.-revista-brasileira-de-segurança-pública-v.-10-n.-2-p.72-87-2016.">
  <title>KOPITTKE, A. Guardas Municipais: entre a tentação da tradição e
  o desafio da inovação. <bold>Revista Brasileira de Segurança
  Pública</bold>, v. 10, n. 2, p.72-87, 2016.</title>
  <p>KYPRIANIDES, A.; BRADFORD, B.; BEALE, M.; SAVIGAR-SHAW, L.; STOTT,
  C.; RADBURN, M. Policing the COVID-19 pandemic: police officer
  well-being and commitment to democratic modes of policing.
  <bold>Policing and Society</bold>, p. 1-18, 2021. DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1080/10439463.2021.1916492">10.1080/10439463.2021.1916492</ext-link>.</p>
  <p>LALLIE, H. S.; SHEPHERD, L. A.; NURSE, J. R.; EROLA, A.;
  EPIPHANIOU, G.; MAPLE, C.; BELLEKENS, X. Cyber security in the age of
  COVID-19: a timeline and analysis of cyber-crime and cyber-attacks
  during the pandemic. <bold>Computer &amp; Security</bold>, v. 105,
  jun. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.cose.2021.102248.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>LIMA, N. N. R.; SOUZA, R. I. de; FEITOSA, P. W. G.; MOREIRA, G. L.
  de S.; SILVA, C. G. L. da; ROLIM NETO, M. L. People experiencing
  homelessness: Their potential exposure to COVID-19. <bold>Psychiatry
  Research</bold>, v. 288, p. 112945, jun. 2020. DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1016/j.psychres.2020.112945">10.1016/j.psychres.2020.112945</ext-link>.
  Disponível em:
  https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0165178120306491?via%3Dihub.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>LIPSKY, M. <bold>Burocracia de nível de rua</bold>: dilemas do
  indivíduo nos serviços públicos. Brasília: Enap, 2019.</p>
  <p>LOBO, J. C. Uma outra pandemia no Brasil: as vítimas da violência
  doméstica no isolamento social e a “incomunicabilidade da dor”.
  <bold>Tessituras</bold>, v. 8, n. 1, p. 20-26, jan./jun. 2020. DOI:
  <sc>10.15210/TES.V8I0.18901.</sc></p>
  <p>LOTTA, G. S.; MAGRI, G. M.; NUNES, A. C.; BENEDITO, B. S.;
  ALIBERTI, C.; RIBEIRO, E. C.; SILVA, F. L.; THOMAZINHO, G.; PEREIRA,
  G.; MIRANDA, J. R.; CORRÊA, M. G.; SILVEIRA, M. C.; KRIEGER, M. G. M.;
  BARCELLOS, T.; SANTOS, A. The impact of the Covid-19 pandemic on the
  performance of street level bureaucrats in Brazil. <bold>Revista
  Brasileira de Ciência Política</bold>, v. 35, abr. 2021. Disponível
  em: https://doi.org/10.1590/0103-3352.2021.35.243776. Acesso em: 2
  set. 2021.</p>
  <p>LOTTA, G. S., SOBRAL, I., CORRÊA, M.; ALCADIPANI, R., BUENO, S.
  <bold>A pandemia de Covid-19 e os policiais brasileiros</bold>. Nota
  Técnica. São Paulo: FGV/FBSP, 18 maio 2020. Disponível em:
  https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2018/05/policias-covid-19-v3.pdf.
  Acesso em: 11 set. 2021.</p>
  <p>MARCUS, B.; WEIGELT, O.; HERGERT, J.; GURT, J.; GELLÉRI, P. The use
  of snowball sampling for multi source organizational research: Some
  cause for concern. <bold>Personnel Psychology</bold>, v. 70, n. 3, p.
  635-673, 2017. DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1111/peps.12169">10.1111/peps.12169</ext-link>.
  Disponível em:
  https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/peps.12169. Acesso
  em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>MATTA, G. C.; REGO, S.; SOUTO, E. P.; SEGATA, J. (Orgs.). <bold>Os
  impactos sociais da Covid-19 no Brasil: populações vulnerabilizadas e
  respostas à pandemia</bold>. Rio de Janeiro: Observatório Covid 19;
  Editora Fiocruz, 2021. Série Informação para ação na Covid-19. ISBN:
  978-65-5708-032-0. Disponível em:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.7476/9786557080320">https://doi.org/10.7476/9786557080320</ext-link>.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p><sc>MILLER</sc>, J. P.; <sc>PHILLIPS</sc>, G.; <sc>HUTTON,</sc> J.;
  <sc>MACKELPRANG</sc>, J. L.; <sc>O'REILLY</sc>, G. M.;
  <sc>MITCHELL</sc>, R. D.; <sc>SMITH</sc>, C.; <sc>MITRA</sc>, B.
  COVID-19 and emergency care for adults experiencing homelessness.
  <bold>Emergency Medicine Australasia</bold>, v. 32, n. 6, p.1084-1086,
  dez. 2020. DOI: 10.1111/1742-6723.13652.</p>
  <p>MINAYO, M. C. S. (Org.). <bold>Pesquisa social</bold>: teoria,
  método e criatividade. 23 ed. Petrópolis: Vozes, 2004.</p>
  <p>MØLLER, M. Ø. The dilemma between self-protection and service
  provision under Danish Covid-19 guidelines: a comparison of public
  servants’ experiences in the pandemic frontline. <bold>Journal of
  Comparative Policy Analysis: Research and Practice</bold>, v. 23, n.
  1, p. 95-108, 2021. DOI: 10.1080/13876988.2020.1858281. Disponível em:
  https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13876988.2020.1858281.
  Acesso em: 10 set. 2021.</p>
  <p><sc>MONTGOMERY</sc>, M. P.; <sc>CARRY</sc>, M. G.;
  <sc>GARCIA-WILLIAMS</sc>, A. G.; <sc>MARSHAL</sc>L, B.;
  <sc>BESRAT</sc>, B.; <sc>BEJARANO</sc>, F.; <sc>CARLSON</sc>, J.;
  <sc>RUTLEDGE</sc>, T.; <sc>MOSITES</sc>, E. Hand hygiene during the
  COVID-19 pandemic among people experiencing homelessness – Atlanta,
  Georgia, 2020. <bold>Journal of Community Psychology</bold>, n. 49, n.
  7 p. 441–2453, set. 2021. DOI: 10.1002/jcop.22583.</p>
  <p>MOORE, M. H. Policiamento comunitário e policiamento para a solução
  de problemas. <italic>In</italic>: TONRY, M.; MORRIS, N. (Orgs.).
  <bold>Policiamento moderno</bold>. São Paulo: Universidade de São
  Paulo, p. 115-176, 2003.</p>
  <p>MUNIZ, J. O.; SILVA, W. F. da. Mandato policial na prática: tomando
  decisões nas ruas de João Pessoa. <bold>Cadernos CRH</bold>, v. 23, n.
  60, p. 449-473, set./dez. 2010. Disponível em:
  https://www.scielo.br/j/ccrh/a/9Yj8pMFbp3N4Rmgwb6Cv9rj/?format=pdf&amp;lang=pt.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Chefe da ONU alerta para aumento da violência
  doméstica em meio à pandemia do coronavírus. <bold>Nações Unidas
  Brasil</bold>, Notícias, 6 abr. 2020. Disponível em:
  https://nacoesunidas.org/chefe-da-onu-alertapara-aumento-da-violencia-domestica-em-meio-a-pandemia-docoronavirus/amp/.
  Acesso em: 25 jun. 2020.</p>
  <p>OLABUÉNAGA, J. R. <bold>Metodología de la investigación
  cualitativa</bold>. Bilbao: Universidad de Deusto, 2012.</p>
  <p>OLIVEIRA, L. M. F. A construção das “populações-alvo” nas políticas
  públicas: o caso dos moradores de rua em São Carlos/SP.
  <italic>In</italic>: RUI, T.; MARTINEZ, M.; FELTRAN, G. (Orgs.).
  <bold>Novas faces da vida nas ruas</bold>. v. 1. São Carlos: EDUFScar,
  p. 67-88, 2016.</p>
  <p>ONU MULHERES. <bold>Diretrizes para atendimento em casos de
  violência de gênero contra meninas e mulheres em tempos da pandemia da
  COVID-19</bold>. Brasília: ONU Mulheres, jul. 2020. Disponível em:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2020/08/Diretrizes-para-atendimento_ONUMULHERES.pdf">http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2020/08/Diretrizes-para-atendimento_ONUMULHERES.pdf</ext-link>.
  Acesso em: 16 set. 2020.</p>
  <p>ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE – OPAS. OMS afirma que COVID-19
  é agora caracterizada como pandemia. <bold>OPAS</bold>, Notícia, 11
  mar. 2020. Disponível em:
  https://www.paho.org/pt/news/11-3-2020-who-characterizes-covid-19-pandemic.
  Acesso em: 20 mar. 2020.</p>
  <p>PARSELL, C.; CLARKE, A.; KUSKOFF, E. Understanding responses to
  homelessness during COVID-19: an examination of Australia.
  <bold>Housing Studies</bold>, p. 1-14, 2020. DOI:
  10.1080/02673037.2020.1829564.</p>
  <p>PECI, A.; TEIXEIRA, M. A. C. Desafios da administração pública
  brasileira. <bold>GV-Executivo</bold>, v. 20, n. 1, p. 37-39,
  jan./mar. 2021. DOI: 10.12660/gvexec.v20n1.2021.83462. Disponível em:
  http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/article/view/83462/79222.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>PIRES, R. R. C. <bold>Os efeitos sobre grupos sociais e territórios
  vulnerabilizados das medidas de enfrentamento à crise sanitária da
  COVID-19</bold>: propostas para o aperfeiçoamento da ação pública.
  Nota Técnica Nº 33. Brasília: IPEA; 2020. Disponível em:
  http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_alphacontent&amp;view=alphacontent&amp;Itemid=357.
  Acesso em: 14 abr. 2020.</p>
  <p>PONCIONI, P. <bold>Tornar-se policial</bold>: o processo de
  construção da identidade profissional do policial nas academias de
  polícia. Curitiba: Appris, 2021.</p>
  <p>RIBEIRO, L. M. L.; SOARES, F. C. Rotulação e seletividade policial:
  óbices à institucionalização da democracia no Brasil. <bold>Revista
  Estudos Históricos</bold>, v. 31, n. 63, p. 89-108, jan./abr. 2018.
  DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/S2178-14942018000100006">10.1590/S2178-14942018000100006</ext-link>.
  Disponível em:
  https://www.scielo.br/j/eh/a/NKtYvTzZdFznkq8FtFwVGRL/?lang=pt&amp;format=html.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>ROLIM NETO, M. L.; SOUZA, R. I. de; QUEZADO, R. M. M.; MENDONÇA, E.
  C. S.; ARAÚJO, T. I. de; LUZ, D. C. R. P.; SANTANA, W. J. de; SAMPAIO,
  J. R. F.; CARVALHO, P. M. de M.; ARRAIS, T. M. S. N.; LANDIM, J. M.
  M.; SILVA, C. G. L. da. When basic supplies are missing, what to do?
  Specific demands of the local street population in times of
  coronavirus – a concern of social psychiatry. <bold>Psychiatry
  Research</bold>, v. 288, jun. 2020. DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1016/j.psychres.2020.112939">10.1016/j.psychres.2020.112939</ext-link>.
  Disponível em:
  https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0165178120306119?via%3Dihub.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>RUI, T.; MARTINEZ, M.; FELTRAN, G. (Orgs.). <bold>Novas faces da
  vida nas ruas</bold>. São Carlos: EDUFScar, 2016.</p>
  <p>SANTOS, B. S. <bold>Para uma revolução democrática da
  justiça</bold>. São Paulo: Cortez, 2011.</p>
  <p>SANTOS, B. S. <bold>A cruel pedagogia do vírus</bold>. Coimbra:
  Edições Almedina S. A., 2020.</p>
  <p>SAPORI, L. F. <bold>Segurança pública no Brasil</bold>: desafios e
  perspectivas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.</p>
  <p>SILVA, C. R.; GOBBI, B. C.; SIMÃO, A. A. O uso da análise de
  conteúdo como uma ferramenta para a pesquisa qualitativa: descrição e
  aplicação do método. <bold>Organizações Rurais &amp;
  Agroindustriais</bold>, v. 7, n. 1, p. 70-81, 2005. Disponível em:
  https://www.redalyc.org/pdf/878/87817147006.pdf. Acesso em: 12 ago.
  2021.</p>
  <p>SILVA, J. L.; EMMENDOERFER, M. L.; CUNHA, N. R. S. Análise
  Documental Ilustrada em Administração Pública: Uma Proposta
  Operacional (Re)Aplicável. <bold>Teoria e Prática em
  Administração</bold>, v. 10, n. 2, p. 23-41, 2020. Disponível em:
  https://www.researchgate.net/profile/Jorge-Hanai/publication/343084946_Illustrated_Documentary_Analysis_in_Public_Administration_a_ReApplicable_Operational_Proposal/links/5f31d1a6299bf13404b714b2/Illustrated-Documentary-Analysis-in-Public-Administration-a-ReApplicable-Operational-Proposal.pdf.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>SILVA, M. G.; MACIEL, L. M. Quem não tem casa não se isola:
  População em situação de rua diante da pandemia. <bold>Dilemas:
  Revista de Estudos de Conflito e Controle Social</bold>, v.14, n. 3,
  p. 1-6, 2020.</p>
  <p>SILVA, T. D.; NATALINO, M.; PINHEIRO, M. B. <bold>População em
  situação de rua em tempos de pandemia: um levantamento de medidas
  municipais emergenciais</bold>. Nota Técnica Nº 74. Brasília/DF: IPEA,
  2020. Disponível em:
  https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/200610_nt_74_diset.pdf.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>SKOLNICK, J. H.; BAYLEY, D. H. <bold>Policiamento
  Comunitário</bold>. São Paulo: Edusp, 2002.</p>
  <p>THIRY-CHERQUES, H. Saturação em pesquisa qualitativa: estimativa
  empírica de dimensionamento. <bold>Revista Brasileira de Pesquisas de
  Marketing, Opinião e Mídia</bold>, n. 3, p. 20-27, 2009. Disponível
  em:
  http://www.revistapmkt.com.br/Portals/9/Edicoes/Revista_PMKT_003_02.pdf.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>TRIVIÑOS, A. N. S. <bold>Introdução à pesquisa em ciências
  sociais</bold>: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas,
  1987.</p>
  <p>TSAI, J.; WILSON, M. COVID-19: a potential public health problem
  for homeless populations. <bold>The Lancet Public Health</bold>, v. 5,
  n. 4, mar. 2020. DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1016/S2468-2667(20)30053-0">10.1016/S2468-2667(20)30053-0</ext-link>.
  Disponível em:
  https://www.thelancet.com/journals/lanpub/article/PIIS2468-2667(20)30053-0/fulltext.
  Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>VASCONCELOS, N. P. de; MACHADO, M. R.; WANG, D. COVID-19 in
  prisons: a study of habeas corpus decisions by the São Paulo Court of
  Justice. <bold>Revista de Administração Pública</bold>, v. 54, n. 5,
  p. 1472-1485, nov. 2020. Disponível em:
  https://doi.org/10.1590/0034-761220200536x
  https://doi.org/10.1590/0034-761220200536. Acesso em: 7 out. 2021.</p>
  <p>VIEIRA, C. M.; FRANCO, O. H.; RESTREPO, C. G.; ABEL, T. COVID-19:
  The forgotten priorities of the pandemic<bold>. Maturitas</bold>, n.
  136, p. 38-41, jun. 2020. DOI:
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2020.04.004">10.1016/j.maturitas.2020.04.004</ext-link>.
  Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/a</p>
  <p>rticle/pii/S0378512220302346. Acesso em: 12 ago. 2021.</p>
  <p>VIEIRA, P. R; GARCIA, L. P; MACIEL, E. L. N. Isolamento social e
  aumento da violência doméstica: o que isso nos revela?. <bold>Revista
  Brasileira de Epidemiologia</bold>, v. 23, p.1-5, abr. 2020. DOI:
  10.1590/1980-549720200033. Disponível em:
  https://doi.org/10.1590/1980-549720200033. Acesso em: 7 nov. 2021.</p>
</sec>
</body>
<back>
</back>
</article>
