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<p><bold>E-GOV E O POLICIAMENTO COMUNITÁRIO: AS REDES SOCIAIS ONLINE
COMO MECANISMO DE INTERAÇÃO COM O PÚBLICO EM TEMPOS DE
PANDEMIA</bold></p>
<p><bold>Daniel Victor de Sousa Ferreira</bold></p>
<p>Bacharel em administração pela Universidade Federal de Viçosa.
Mestrado e doutorando em administração pela Universidade Federal de
Uberlândia. Policial militar.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Uberlândia</p>
<p><bold>Email:</bold> thunder.danvic@hotmail.com <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-4663-2009</p>
<p><bold>Lucila Batista Oliveira</bold></p>
<p>Psicóloga da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e Mestranda em
Gestão Organizacional pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Rondônia
<bold>Cidade:</bold> Porto Velho</p>
<p><bold>Email:</bold> lucila.batista@unir.br <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-7807-5315</p>
<p><bold>Luciana Carvalho</bold></p>
<p>Doutora em Economia e professora Associada da Faculdade de Gestão e
Negócio/UFU.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Uberlândia</p>
<p><bold>Email:</bold> lucarvalho@ufu.br <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-9645-8718</p>
<p><bold>Cintia Rodrigues de Oliveira</bold></p>
<p>Doutora em Administração pela EAESP/FGV. Professora Associada da
Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia.
Bolsista Produtividade CNPQ.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas Gerais
<bold>Cidade:</bold> Uberlândia</p>
<p><bold>Email:</bold> cintia@ufu.br <bold>Orcid:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-7999-9002</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Daniel Victor de Sousa Ferreira: desenho de pesquisa, coleta de
dados, análise dos dados, redação e revisão final. Lucila Batista
Oliveira: coleta de dados, análise dos dados, redação e revisão. Luciana
Carvalho: orientação da pesquisa. Cíntia Rodrigues de Oliveira:
orientação da pesquisa, redação e revisão final do texto.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>O isolamento social imposto pela pandemia da COVID-19, em março de
2020, desafiou diferentes setores de atividade, incluindo a segurança
pública, que buscou alternativas para fomentar a relação
Estado-Sociedade suportadas pelo Governo Eletrônico, especificamente, as
práticas de policiamento comunitário, que pressupõem a proximidade com a
comunidade. Este artigo tem como objetivo analisar a atuação das
polícias militares brasileiras na rede social Instagram, durante a
pandemia da COVID-19. Para tanto, realizou-se uma pesquisa documental
online nos perfis oficiais das 27 polícias militares brasileiras. A
Análise de Conteúdo das postagens resultou em imagens do policial, da
sociedade e de suas interações em duas categorias finais: o braço forte
e a mão amiga. As polícias militares não exploram todo o potencial das
redes sociais online como instrumento para o policiamento comunitário,
na valorização da e-participação e da e-democracia.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Polícia Comunitária. Governo Eletrônico.
Redes sociais online.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>E-GOV AND COMMUNITY E-POLICING: ONLINE SOCIAL NETWORKS
AS A MECHANISM OF INTERACTION WITH THE PUBLIC IN TIMES OF
PANDEMICS</bold></italic></p>
<p>The social isolation imposed by the Covid-19 pandemic in March 2020
challenged different sectors of activity, including public security,
which sought alternatives to foster the State-society relationship
supported by the Electronic Government, specifically, community policing
practices, which presuppose proximity to the community. This article
aims to analyze the performance of Brazilian military police on the
Instagram social network, during the Covid-19 pandemic. Therefore, an
online documentary research was carried out on the official profiles of
the 27 Brazilian military police forces. Content Analysis of the posts
resulted in images of the police, society and their interactions in two
final categories: the strong arm and the helping hand. The military
police do not exploit the full potential of online social networks as
tools for community e-policing, in the valorization of e-participation
and e-democracy.</p>
<p><bold>Keywords</bold>: Community Police. Electronic Government.
Social networks.</p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 18/03/2021 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 22/09/2021</p>
<disp-quote>
  <p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2022.v.16.n3.1661</p>
</disp-quote>
<sec id="introdução">
  <title>INTRODUÇÃO</title>
  <p>A pandemia da COVID-19 trouxe regimes de isolamento social à
  população mundial. Embora importante no combate à pandemia, esse
  regime desafiou as diversas organizações, dentre as quais, aquelas do
  serviço público de segurança, especificamente as polícias militares,
  no que diz respeito ao público a quem destinam seus esforços
  preventivos. O desafio foi além do atendimento das emergências
  policiais, consideradas obrigatórias, alcançando, principalmente, o
  policiamento preventivo, cuja principal atividade está no contato
  direto – uma iniciativa não urgente, nem diretamente obrigatória – do
  policial com o cidadão, sob a perspectiva da denominada Polícia
  Comunitária.</p>
  <p>O modelo de Polícia Comunitária tem avançado no Brasil desde os
  anos 1990 (FERRAGI, 2011; FRÜHLING, 2006). Entretanto, com o
  isolamento social decorrente da pandemia da COVID-19, várias
  atividades de policiamento comunitário foram restringidas, como a
  interrupção de palestras, as reuniões de vizinhos, o acompanhamento de
  problemas em famílias, as escolas, praças, ruas e os aglomerados
  urbanos diversos, dentre tantas outras atividades policiais
  preventivas que dependem do contato direto do policial com as
  comunidades atendidas (LOTTA <italic>et al</italic>., 2020). No
  contexto pandêmico, diversos contatos comunitários foram interrompidos
  pelas polícias militares brasileiras, colocando em risco os avanços já
  alcançados na direção de uma melhoria na relação Estado-Sociedade.
  Segundo uma nota técnica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública,
  mais de 80% dos policiais brasileiros perceberam alteração na forma de
  se relacionar com os cidadãos (LOTTA <italic>et al</italic>.,
  2020).</p>
  <p>Nesse período, emergiram, por todo o país, iniciativas que
  valorizam o relacionamento desses policiais com as comunidades na
  modalidade remota, com o auxílio da internet (AZEVEDO, 2021; LOTTA
  <italic>et al</italic>., 2020). Embora tenha sido intensificado no
  período pandêmico o uso da internet por organizações públicas, já
  ocorria no Governo Eletrônico uma política pública que se beneficia
  dos avanços da tecnologia da informação para ofertar serviços de
  qualidade por meio da participação social e da relação
  governo-sociedade (BARBOSA, 2017; MEDEIROS; GUIMARÃES, 2005; 2006),
  indo além da disponibilização de informações e serviços aos cidadãos
  (CURTIN; SOMMER; VIS-SOMMER, 2003).</p>
  <p>No Brasil, a política de governo eletrônico foi criada no ano de
  2000, com a publicação do Decreto Presidencial de 3 de abril, com a
  criação de um grupo de trabalho interministerial para examinar e
  propor políticas, diretrizes e normas relacionadas às novas formas
  eletrônicas de interação, com três frentes de atuação: junto ao
  cidadão; na melhoria da gestão interna; e na integração com parceiros
  e fornecedores (BRASIL, 2019a). A partir do progresso das iniciativas
  do governo federal é que os estados e municípios institucionalizaram
  seus projetos de governo eletrônico (MEDEIROS; GUIMARÃES, 2005).</p>
  <p>Face ao regime de distanciamento físico decorrente da pandemia, o
  Governo Eletrônico é uma possibilidade para fomentar a interação da
  polícia com a comunidade, respeitando os protocolos de segurança
  sanitária na promoção de uma segurança pública cidadã e
  participativa.</p>
  <p>Considerando que, durante a crise sanitária da COVID-19, a relação
  governo-sociedade tem sido intensificada nas plataformas
  <italic>online</italic>, dentre elas, as redes sociais (LIMA
  <italic>et al.</italic>, 2021), este artigo articula as temáticas
  governo eletrônico e policiamento comunitário com o objetivo de
  analisar a atuação das polícias militares brasileiras na rede social
  Instagram, durante a pandemia da COVID-19. Como procedimentos
  metodológicos, utilizou-se a pesquisa documental online, sendo o
  <italic>corpus</italic> formado por postagens das polícias militares
  brasileiras no Instagram, as quais foram submetidas à análise de
  conteúdo.</p>
  <p>A pesquisa é relevante por apontar a utilização das redes sociais
  online no policiamento comunitário, em tempos de pandemia, o que
  amplia a compreensão das práticas policiais militares realizadas
  durante o contexto de isolamento social, no combate à pandemia da
  COVID-19. O termo e-police (e-policiamento) refere-se a um sistema
  baseado na internet que fornece suporte total para o trabalho da
  polícia (FARSOLE; KENE; BHUJADE, 2014). Este artigo também busca
  contribuir ao indicar uma possível emergência de um e-policiamento
  comunitário, na direção do Governo Eletrônico, apontando que as redes
  sociais online podem ser mecanismos para o diálogo e a participação
  democrática.</p>
  <p>Após esta introdução, apresenta-se a revisão da literatura. Na
  sequência, apresentam-se os percursos metodológicos adotados, seguidos
  dos resultados da pesquisa e das considerações finais.</p>
</sec>
<sec id="section">
  <title></title>
</sec>
<sec id="e-governo-abordagens-conceituais-e-contextuais">
  <title>E-GOVERNO: ABORDAGENS CONCEITUAIS E CONTEXTUAIS</title>
  <p>Desde o advento da internet e dos avanços da tecnologia da
  informação e comunicação, o ambiente dos negócios focou na adaptação
  das tecnologias baseadas na web para as relações com clientes,
  fornecedores e parceiros, e mais recentemente setores públicos
  passaram a prestar parte dos serviços e das informações aos cidadãos
  (DAVISON; WAGNER; MA, 2005). Esse movimento no fornecimento de
  serviços governamentais levou ao modelo de governo eletrônico ou e-gov
  (CERQUINHO; TAVARES; PAULA, 2014; CRISTÓVAM; SAIKALI; SOUSA, 2020),
  que se apoia nas premissas de transparência, eficiência e qualidade na
  prestação de serviços públicos (HALDENWANG, 2004).</p>
  <p>O significado de governo eletrônico não tem um consenso na
  literatura. Abdou (2021), por exemplo, fala em burocracia digital para
  se referir à gestão eletrônica do governo com o objetivo de melhorar
  os indicadores básicos na boa governança pública, que são:
  transparência, responsabilidade, eficiência e efetividade. Já para
  Maclean e Titah (2021), o termo governo eletrônico compreende serviços
  com diferentes tipos de interações, como a obtenção de informações, a
  realização de transações e o estabelecimento de contratos, excluindo
  serviços especializados como e-participação, e-democracia, governo
  aberto, governo inteligente e o uso de redes e mídias sociais, por
  compreenderem que se trata de uma tradução para o e-commerce utilizado
  no ambiente de negócios.</p>
  <p>O governo eletrônico, na esteira do <italic>New Public
  Management</italic> (DAVISON; WAGNER; MA, 2005; MALODIA <italic>et
  al</italic>., 2021), é compreendido como uma política da gestão
  pública (BARBOSA, 2017; MEDEIROS; GUIMARÃES, 2005; 2006) que utiliza
  da tecnologia da informação para otimizar seus processos e ofertar
  serviços de qualidade aos cidadãos e às organizações públicas e
  privadas, bem como estimular a participação social (BARBOSA, 2017;
  HERINGER; CARVALHO; LEITE, 2019; RIBEIRO; BARBOSA, 2016; SILVA NETO
  <italic>et al</italic>., 2008). Todavia, como Haldenwang (2004)
  alerta, o modelo e-gov não é neutro, podendo levar a distorções
  políticas, privilegiando interesses de grupos específicos.</p>
  <p>Os estudos de Cristóvam, Saikali e Sousa (2020), Medeiros e
  Guimarães (2006) e Silva Neto <italic>et al</italic>. (2008) discutem
  os termos governo eletrônico 2.0 ou e-gov 2.0. O e-gov 2.0 seria a
  evolução do governo eletrônico (HERINGER; CARVALHO; LEITE, 2019).
  Bannister e Connolly (2012) entendem que, enquanto o e-gov é feito em
  mão única do governo para o cidadão, no e-gov 2.0 os cidadãos
  interagem com o governo, demandam serviço, negociam políticas públicas
  e se engajam em campanhas oficiais. O e-gov 2.0 vai além do governo
  eletrônico, sendo uma nova forma de governança eletrônica, com
  potencial para promover mudanças estruturais na forma de governar; já
  o governo eletrônico se atém à oferta de informações e serviços
  públicos por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação – TICs
  (BANNISTER; CONNOLLY, 2012).</p>
  <p>Medeiros e Guimarães (2005) definem governança eletrônica como a
  influência da participação social (cidadãos civis e organizações
  públicas e privadas) através de sua manifestação política com relação
  aos processos decisórios do governo, bem como na formulação, no
  acompanhamento e na fiscalização das políticas públicas por meios
  eletrônicos. É a ampliação do relacionamento sociedade-governo,
  através das TICs, promovendo a participação social e a difusão da
  e-democracia.</p>
  <p>A política do governo eletrônico favorece o
  <italic>accountability</italic>, a eficiência no acesso a informações,
  a transparência, a redução de custos e o bom relacionamento com o
  público, com o adequado incentivo à participação do cidadão
  (HALDENWANG, 2004; MEDEIROS; GUIMARÃES, 2005; PINHO, 2008; RIBEIRO;
  BARBOSA, 2016). Ao aproximar a polícia da sociedade por meio de canais
  de comunicação fáceis e rápidos, como aqueles disponibilizados pelas
  redes sociais <italic>online</italic>, abrem-se caminhos para o
  conhecimento da sociedade acerca das informações a respeito do
  cidadão, tratado como cliente, na mesma perspectiva da nova gestão
  pública (DAVISON; WAGNER; MA, 2005), o que é contestado por vários
  autores que rejeitam essa visão, como Mintzberg (1996).</p>
  <p>Além do avanço tecnológico e da <italic>Internet</italic>, também
  foram preponderantes para o surgimento do governo eletrônico a
  necessidade de aumento da arrecadação por parte das administrações
  públicas e a pressão da sociedade por processos mais transparentes e
  eficientes, e serviços com acesso universal e igualitário (MEDEIROS;
  GUIMARÃES, 2005). Todavia, o processo de transição do modelo de
  governo para o governo eletrônico foi e é desafiado por barreiras,
  como a segurança e a privacidade de dados e informações, a
  qualificação inadequada de cidadãos para utilização dos sistemas, bem
  como de servidores públicos, e ainda a desigualdade digital, isto é, o
  acesso ao e-gov não é o mesmo para toda a população (DAVISON; WAGNER;
  MA, 2005). Além disso, para que a participação social se efetive, é
  necessário aproximar as demandas dos cidadãos das ações propostas pelo
  governo (CERQUINHO; TAVARES; PAULA, 2014).</p>
  <p>Estudos em âmbito internacional abordam a temática com distintos
  focos. Banghui, Yonghan e Guitao (2020), Perez-Morotea, Pontones-Rosaa
  e Nunez-Chicharrob (2020), Maclean e Titah (2021), e Khan <italic>et
  al</italic>. (2021) encontraram uma relação positiva entre o governo
  eletrônico e a confiança pública no governo. Khan <italic>et
  al</italic>. (2021) concentram-se no uso das redes sociais online como
  uma plataforma tecnológica para acesso aos serviços do governo
  eletrônico, no Paquistão, encontrando que privacidade percebida,
  segurança percebida, qualidade da informação, garantias estruturais e
  facilidade de uso percebida são antecedentes importantes para obter a
  confiança da população. Perez-Morotea, Pontones-Rosaa e
  Nunez-Chicharrob (2020) sugerem que o uso do governo eletrônico,
  apesar de não impedir o declínio da confiança do cidadão em relação ao
  governo, pode levar a uma maior confiança dos cidadãos. Os autores
  explicam que altos níveis de confiança da população no governo
  estimulam o crescimento do uso de recursos do governo eletrônico.</p>
  <p>O contexto da pandemia foi considerado por Yasir <italic>et
  al</italic>. (2020), que analisaram o papel do governo eletrônico
  durante a pandemia, em Wuhan e Anhui (China), concluindo que, nesse
  período, como as pessoas tiveram mais tempo para participar das redes
  sociais online, elas se sentiram estimuladas a participarem das
  medidas de proteção contra a COVID-19 e a oferecerem sugestões para um
  desempenho positivo do governo no combate à pandemia. Também
  considerando a pandemia da COVID-19, Dawi <italic>et al</italic>.
  (2021) identificaram a influência do <italic>e-government</italic> e
  das mídias sociais nas atitudes do público para adotar comportamento
  protetivo.</p>
  <p>Desde os primórdios do governo eletrônico no Brasil, se discutia a
  ampliação do acesso à <italic>Internet</italic>, ainda incipiente em
  várias localidades, e a inclusão digital, que vai além do aspecto
  estrutural de acesso às tecnologias, englobando todos os aspectos da
  acessibilidade digital, como o instrutivo e de compreensão, permitindo
  acesso igualitário aos serviços eletrônicos e às políticas públicas
  (MEDEIROS; GUIMARÃES, 2006; SILVA NETO <italic>et al</italic>., 2008).
  Ao pesquisar o papel da tecnologia no avanço dos valores democráticos
  no país, Pinho (2008) analisou portais de governo eletrônico de
  estados no Brasil, concluindo que haveria muita tecnologia e pouca
  democracia no governo eletrônico brasileiro, o que vai ao encontro das
  conclusões de Perez-Morotea, Pontones-Rosaa e Nunez-Chicharrob (2020)
  quanto à insuficiência de uma plataforma de governo eletrônico para a
  participação pública, sem uma política centrada no cidadão e sem
  estratégias adequadas para promover a interação com os cidadãos.</p>
  <p>Barbosa (2017) analisa o perfil da produção científica brasileira
  sobre governo eletrônico, apontando que há uma lacuna que diz respeito
  ao aprimoramento dos instrumentos de governo eletrônico, com a
  necessidade de buscar maior eficiência e interação. Nesse sentido,
  Cristóvam, Saikali e Sousa (2020), ao discutirem o governo digital na
  implementação de serviços públicos para a concretização de direitos
  sociais no Brasil, concluem ser necessária uma disrupção com a
  política atual de governo eletrônico para algo que efetivamente
  fomente e impulsione o acesso e a participação social.</p>
  <p><bold>REDES SOCIAIS ONLINE E PARTICIPAÇÃO SOCIAL</bold></p>
  <p>Dentro das ferramentas do e-gov 2.0, as redes sociais online criam
  vias para o governo interagir com os cidadãos, tornando-se mais
  participante e acessível (BANNISTER; CONNOLLY, 2012; HERINGER;
  CARVALHO; LEITE, 2019; KHAN <italic>et al</italic>., 2021), sendo
  utilizadas pelas polícias do Reino Unido desde 2008 para relacionar
  com a comunidade e buscar sua confiança (SILVA, 2019). As redes
  sociais online permitem o compartilhamento de informações com
  possibilidade de interação e estreitam as relações governo-sociedade
  (CORDEIRO <italic>et al</italic>., 2012), permitem a divulgação de
  informações, a prestação de serviços online, a transparência dos dados
  governamentais e possibilitam a formação de espaços para debate
  público e deliberação (LENHARD, 2016; PENTEADO; CRUZ JUNIOR, 2019).
  Porém, as funções mais usuais do <italic>e-government</italic>, não
  apenas no Brasil, ainda são aquelas relacionadas com as plataformas de
  serviços públicos e de informações (DAVISON; WAGNER; MA, 2005; YASIR
  <italic>et al</italic>., 2020).</p>
  <p>Até o ano de 2016, o governo brasileiro promovia a participação
  social por meio de <italic>websites</italic>, não explorando o
  potencial das redes sociais online e dos aplicativos móveis (FREITAS,
  2016). No entanto, as redes sociais online têm se mostrado uma aliada
  para impulsionar a participação social nas decisões governamentais e
  na adesão às políticas públicas (HANADA; TAVARES; COSTA, 2020;
  HERINGER; CARVALHO; LEITE, 2019; KHAN <italic>et al</italic>., 2021;
  SÁ, 2019). Ferigato <italic>et al</italic>. (2018), ao investigarem as
  redes sociais online como dispositivos de políticas públicas de saúde,
  confirmaram empiricamente seu potencial para a promoção da
  participação social. Os autores apontaram para o potencial das redes
  sociais online como instrumento para educação em saúde, adesão aos
  tratamentos, colaboração entre os usuários e desenvolvimento das
  políticas em saúde.</p>
  <p>O uso de TICs visando a maior participação dos cidadãos nas
  decisões governamentais, gerando assim mudanças sociais, é conhecido
  por e-participação (RIBEIRO; BARBOSA, 2016) ou por e-democracia
  (CRISTÓVAM; SAIKALI; SOUSA, 2020). Sá (2019) ressalta o esforço da
  gestão pública com a comunidade local, afirmando que as redes sociais
  online podem ser consideradas ferramentas de participação cidadã, e
  para desenvolvimento do relacionamento Estado e Sociedade.</p>
  <p>Freitas (2016) pesquisou a transformação social advinda das
  iniciativas do governo brasileiro para a participação social, citando
  algumas plataformas criadas por entes federativos para promoção da
  democracia digital. No entanto, reforça que a desigualdade social é
  reproduzida na participação social digital, devido à desigualdade de
  acesso às TICs e ao campo político brasileiro.</p>
  <p>Ao pesquisar como o Legislativo brasileiro utiliza o Facebook para
  promoção da participação cidadã, Lenhard (2016) concluiu que comparado
  a outros órgãos, o Legislativo apresenta mais publicações destinadas
  ao incentivo da participação pública. O Senado utiliza a rede para
  informar sobre leis e auxílio ao cidadão, a Câmara dos Deputados tem o
  Facebook como <italic>media release</italic>, uma forma de
  autopromoção dos feitos dos deputados. Outro ponto importante da
  pesquisa de Lenhard (2016) é de que as principais instituições do
  governo brasileiro mantêm contas em redes sociais online, mas não
  utilizam todo seu potencial para participação social, colaboração e
  engajamento públicos, mantendo essas contas apenas com a finalidade
  informacional para promoção do próprio governo.</p>
  <p>No segmento dos policiais, diversos estudos abordam a utilização
  das redes sociais online por policiais, por exemplo, Silva (2019)
  analisou a performance institucional da Polícia Militar de Pernambuco,
  considerando as publicações da <italic>fanpage</italic> oficial da
  organização no Facebook, em 2015, e entrevistas com membros da
  Assessoria de Comunicação da PMPE. A pesquisa aponta que a organização
  não explora as oportunidades das novas mídias digitais, pois a
  comunicação institucional está voltada para divulgação do trabalho da
  polícia, retratando uma polícia voltada para o controle do crime e da
  vigilância, não se orientando para informar ao cidadão sobre os
  serviços prestados pela instituição. A autora discute ainda as
  implicações desses resultados, principalmente, quanto à reprodução da
  imagem do trabalho policial com foco na repressão do crime.</p>
  <p>Alcadipani e Medeiros (2016, p. 605) apontaram que os policiais
  encontraram no Facebook “um espaço propício para manifestações
  diversas, incluindo a resistência cotidiana, na forma de oferecer
  versões particulares de acontecimentos, projetos e visões de mundo”,
  abrindo discussões sobre o que seja o espaço público no contexto das
  redes sociais online. Os policiais nas redes online também foram tema
  de uma discussão provocada pelo CESeC (Centro de Estudos de Segurança
  e Cidadania) da Universidade Cândido Mendes, a convite da UNESCO
  (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
  Cultura). Nesse estudo, os pesquisadores realizaram o primeiro
  levantamento dos <italic>blogs</italic> sobre segurança pública,
  constatando, à época, que era crescente o fenômeno que chamaram de
  <italic>blogosfera policial</italic> (RAMOS; PAIVA, 2009).
  Interessando-se também pelo estudo do fenômeno dos
  <italic>blogs</italic> policiais, Angelim (2015) apresenta uma
  pesquisa etnográfica na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
  sobre os Policiais Militares que editam <italic>blogs</italic> sobre
  segurança pública.</p>
  <p>A partir de 2020, o contexto pandêmico incorporou às redes sociais
  online um papel importante também para a gestão pública. Os estudos de
  Lima <italic>et al</italic>. (2021) apontaram as redes sociais online
  como ferramentas de transparência em tempos de COVID-19. É nesse
  contexto de ampliação das possibilidades de interação humana que
  surgem iniciativas para implantação de sistemas de
  “<italic>e-police</italic>”, com o uso de aplicativos e plataformas
  baseados na internet. Como se apresenta a seguir, o policiamento
  comunitário, por suas características, pressupõe o relacionamento
  estreito entre policiais e comunidade, não excluindo as relações
  mediadas por plataformas e aplicativos.</p>
  <p><bold>POLICIAMENTO COMUNITÁRIO: UM MODELO BASEADO EM INTERAÇÕES DA
  POLÍCIA COM A COMUNIDADE</bold></p>
  <p>Presente também no policiamento de outros países democráticos, a
  Polícia Comunitária, vista aqui como um modelo de organização e de
  prática do policiamento, tem o intuito de representar “o lado
  progressista e avançado do policiamento” (SKOLNICK; BAYLEY, 2006, p.
  15) e seus objetivos são alcançados no relacionamento estreito dos
  policiais com as comunidades locais. Polícia Comunitária pressupõe a
  participação social da comunidade, alvo das políticas públicas de
  segurança (FRÜHLING, 2006; 2007; ROSENBAUM, 2012; SKOLNICK; BAYLEY,
  2006; TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994).</p>
  <p>Os esforços em direção ao modelo da Polícia Comunitária promoveram
  no Brasil a criação de vários programas e práticas que, no geral,
  buscavam, por meio da participação social, incluir as comunidades
  locais nas práticas de segurança pública, compartilhando uma visão
  comunitária do policiamento preventivo. Como, por exemplo, o sistema
  japonês <italic>Koban</italic>, adaptado nos estados de São Paulo
  (FERRAGI, 2011); as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de
  Janeiro (MORAES; MARIANO; DE SOUZA FRANCO, 2015; MUNIZ; MELLO, 2015;
  RIBEIRO; VILAROUCA, 2018) e o seu antecessor GPAE – Grupamento de
  Policiamento de Áreas Especiais (ARIAS; UNGAR, 2009; CANO, 2006;
  RICCIO <italic>et al</italic>., 2013); o Grupo Especializado de
  Policiamento em Áreas de Risco (GEPAR) em Minas Gerais (BATITUCCI
  <italic>et al</italic>., 2016; SOUZA, 2007); o Ronda Quarteirão no
  estado do Ceará (PINTO <italic>et al</italic>., 2012); o Fica Vivo em
  Belo Horizonte (ALVES; ARIAS, 2012; BEATO FILHO <italic>et
  al</italic>., 2017); os Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEGs)
  em São Paulo (GONZÁLEZ, 2016; 2019; HAUBRICH; WEHRHAHN, 2015); a Rede
  de Vizinhos Protegidos no estado de Minas Gerais (BATITUCCI <italic>et
  al</italic>., 2016); o Programa Educacional de Resistência às Drogas e
  à Violência (PROERD) em todos os estados brasileiros (MASSARDI; SILVA,
  2013; SHAMBLEN <italic>et al</italic>., 2014; TASCA; ENSSLIN; ENSSLIN,
  2012), dentre tantos outros.</p>
  <p>Desde os anos 1990, os policiais militares brasileiros têm sido
  incentivados a falar e a ouvir, a orientar e a serem orientados pelo
  público a quem prestam o serviço de segurança, num movimento que
  parecia se fortalecer no Brasil (FRÜHLING, 2006; 2007). Tais mudanças
  são contextualizadas pela evolução institucional da polícia no mundo,
  especialmente no século XIX (BATITUCCI, 2010; GOLDSTEIN, 2003); e
  também pelas iniciativas de reforma policial na América Latina,
  influenciadas pelos processos de democratização ocorridos no
  continente durante as décadas de 1980 e 1990 (FRÜHLING, 2007). Por
  exemplo, em 2019, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)
  instituiu a Diretriz Nacional de Polícia Comunitária como documento
  institucional orientador, destinado à criação e à estruturação do
  Sistema Nacional de Polícia Comunitária, reunindo estratégias e
  filosofias para a aproximação entre polícia e comunidade (BRASIL,
  2019b).</p>
  <p>A Polícia Comunitária, como um modelo de organização e de prática
  do policiamento, acontece orientada por um dos seus principais
  pressupostos: o relacionamento estreito do policial com seu público,
  com o objetivo de solucionar problemas locais, mesmo que estes não
  estejam relacionados com a persecução penal (ROSENBAUM, 2012;
  SKOLNICK; BAYLEY, 2006; TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994). O crime
  legislado não deixa de ser importante, no entanto, valoriza-se
  qualquer problema que tenha relação com a qualidade de vida da
  comunidade local, mesmo que o problema não tenha relação com a lei,
  propriamente dito. Então, para que a polícia possa tratar o medo do
  crime é primordial que exista o relacionamento pessoal de um policial
  (conhecedor do lugar e das pessoas que nele habitam) com seu público
  (disposto a exercitar a cidadania, tornando-se coprodutor de
  segurança), para além do tratamento estatístico e impessoal dos
  índices criminais.</p>
  <p>Sob a égide da Polícia Comunitária, pode-se afirmar que as polícias
  brasileiras têm buscado criar e incentivar o desenvolvimento de
  práticas policiais que incluem a própria comunidade nas políticas
  públicas de segurança, de forma que seja possível valorizar a
  qualidade de vida, para além dos índices criminais (FERRAGI, 2011;
  FRÜHLING, 2006, 2007; GODINHO <italic>et al</italic>., 2016). Os
  avanços alcançados nas últimas décadas são possíveis de serem
  identificados pelo país; no entanto, todos são baseados nas interações
  próximas dos policiais com a comunidade local, o que pode ter sido
  afetado pela pandemia da COVID-19. Sejam em palestras, reuniões com
  vizinhos ou em salas de aulas na rede de ensino (pública ou privada),
  os policiais empregados no policiamento comunitário foram
  surpreendidos pelas restrições sanitárias de 2020 e 2021, que tornou o
  contato direto do policial com seu público, com objetivos não
  emergenciais, impossível de acontecer. Assim como se pontuou no caso
  para o ensino em administração pública de Ferreira, Alves e Oliveira
  (2021), uma das alternativas para não se perder os avanços alcançados
  em policiamento comunitário no país, em tempo de pandemia, foi o uso
  da internet e das redes sociais online, já institucionalizado pela
  Polícia Militar.</p>
  <p>O uso das redes sociais online já auxiliava a execução do
  policiamento comunitário, mesmo antes da pandemia da COVID-19. Em
  2015, Baccin e Cruz (2015) destacaram a importância do papel das redes
  sociais online na segurança pública, especialmente para a Polícia
  Comunitária. Os autores mostraram que a Polícia Militar do estado
  brasileiro de Santa Catarina, assim como as polícias dos Estados
  Unidos e da Austrália, já reconhecia as redes sociais online como uma
  ferramenta do trabalho policial.</p>
  <p>Com as medidas restritivas e de isolamento social, no combate à
  pandemia da COVID-19, novos desafios se apresentaram para o
  policiamento comunitário, levando os policiais a buscarem alternativas
  de aproximação com a população, dentre as quais as redes sociais
  online. Discutido o conceito de governo eletrônico e as possibilidades
  de relação do governo-sociedade através das redes sociais online, bem
  como a participação social no policiamento comunitário, promovido
  pelas polícias militares brasileiras, assumiram-se os procedimentos
  metodológicos descritos a seguir.</p>
</sec>
<sec id="section-1">
  <title></title>
</sec>
<sec id="procedimentos-metodológicos">
  <title>PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</title>
  <p>Nesta pesquisa, a atuação das polícias militares brasileiras na
  rede social Instagram foi analisada numa abordagem qualitativa.
  Caracterizando-se como uma pesquisa documental (RICHARDSON, 2012) nas
  redes sociais online, os dados foram posteriormente submetidos à
  Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977) para o alcance dos objetivos da
  pesquisa.</p>
  <p>O material empírico, de acesso público, foi obtido pela busca de
  perfis oficiais de agências policiais militares brasileiras na
  internet (Tabela 1). Inicialmente, foram priorizados para a análise
  aqueles perfis que pudessem ser considerados como “conta verificada”.
  Essa ferramenta, disponibilizada pelo Instagram, permite identificar
  tais perfis por um selo azul característico, fixado ao lado do nome,
  conforme regras da plataforma. Este é um recurso atribuído aos perfis
  considerados socialmente relevantes, incluindo entidades
  governamentais, o que traz maior credibilidade e segurança aos perfis
  analisados (FREIRE, 2021). Dentre as 27 polícias militares, 11 delas
  têm perfil autenticado no Instagram como “conta verificada”. Incluímos
  aqui a Brigada Militar (Rio Grande do Sul), embora essa organização se
  denomine de maneira diversa de outros estados. As organizações
  policiais militares dos 25 estados e do Distrito Federal, bem como a
  Brigada Militar/RS, foram consideradas neste estudo de maneira
  conjunta. Totalizaram-se 27 organizações policiais, abrangendo todo o
  território nacional.</p>
  <p>Posteriormente, expandiram-se as análises para outros perfis, de
  forma a abarcar todas as contas no Instagram das polícias militares do
  país. Juntas, as contas no Instagram que se apresentavam como sendo de
  propriedade oficial da Polícia Militar de cada estado somaram quase
  três milhões de seguidores.</p>
  <p>O Instagram é uma plataforma de rede social online que permite que
  os perfis realizem, no mínimo, três formas de postagens aos seus
  seguidores: são os denominados <italic>Direct</italic>,
  <italic>Stories</italic> e <italic>Feed</italic>. O primeiro refere-se
  às trocas de mensagens de caráter privado, participando apenas dois
  usuários; o segundo, embora sejam destinados a todos os seguidores,
  são postagens rápidas que ficam no ar durante apenas 24 horas. Pela
  incapacidade de operacionalizar a coleta dos dados, a primeira e a
  segunda forma de postagem não foram priorizadas. A coleta dos dados
  deu-se apenas no <italic>Feed</italic> de mensagens, composto por
  publicações abertas ao público, tanto para seguidores do perfil,
  quanto para aqueles que não são seguidores. Durante a coleta dos
  dados, constatou-se que quando se tratava de perfis de organizações
  públicas, os <italic>Feed’s</italic> não possuíam restrições de
  apresentação. Todos os internautas tinham acesso às postagens.</p>
  <p>Do total de 72.686 postagens (<italic>Feed</italic>) que compuseram
  o <italic>corpus</italic> da pesquisa, foram selecionadas para análise
  33.903, que atendiam o critério de constar a data de publicação
  compreendida entre o surgimento da pandemia de COVID-19 (março de
  2020) até outubro de 2021. Sem a utilização de
  <italic>softwares</italic>, a cada uma das postagens era atribuída uma
  ou mais codificações e, com o auxílio do <italic>software</italic> de
  gestão de planilhas (Excel), as codificações eram organizadas em
  categorias. Esse processo de análise foi circular, voltava-se ao
  <italic>corpus</italic> a cada nova categoria criada, de forma que
  pudessem ser validadas pelos pesquisadores.</p>
  <p>Aplicou-se a Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977) na busca por
  compreender como se davam a atuação das polícias militares brasileiras
  na rede social Instagram, durante a pandemia da COVID-19. Na primeira
  etapa da análise de conteúdo, na pré-análise, realizaram-se os
  procedimentos para a análise propriamente dita: seleção do
  <italic>corpus</italic> de análise, e formulação dos objetivos da
  análise e dos indicadores. Em seguida, procedeu-se à codificação do
  material empírico, considerando padrões, regularidades e
  distinções.</p>
  <p><bold>Tabela 1: Público da pesquisa: material empírico</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><p><bold>Polícia</bold></p>
        <p><bold>Militar</bold></p></th>
        <th><p><bold>Estado</bold></p>
        <p><bold>brasileiro</bold></p></th>
        <th><p><bold>Perfil oficial no</bold></p>
        <p><bold>Instagram</bold></p></th>
        <th><bold>Conta verificada</bold></th>
        <th><p><bold>Data de</bold></p>
        <p><bold>entrada*</bold></p></th>
        <th><p><bold>Número de</bold></p>
        <p><bold>publicações**</bold></p></th>
        <th><p><bold>Número</bold></p>
        <p><bold>Seguidores</bold></p></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>PMAC</td>
        <td>Acre</td>
        <td>pmacoficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>05/12/2016</td>
        <td>1.660</td>
        <td>31.900</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMAL</td>
        <td>Alagoas</td>
        <td>pmal.oficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>31/08/2017</td>
        <td>3.360</td>
        <td>71.700</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMAP</td>
        <td>Amapá</td>
        <td>policiamilitardoamapa</td>
        <td>Não</td>
        <td>Indefinido</td>
        <td>1.962</td>
        <td>34.500</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMAM</td>
        <td>Amazonas</td>
        <td>pmamazonas</td>
        <td>Não</td>
        <td>14/11/2012</td>
        <td>2.320</td>
        <td>73.700</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMBA</td>
        <td>Bahia</td>
        <td>pmdabahia</td>
        <td>Sim</td>
        <td>03/01/2014</td>
        <td>4.688</td>
        <td>242.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMCE</td>
        <td>Ceará</td>
        <td>policiamilitardoceara</td>
        <td>Sim</td>
        <td>13/04/2016</td>
        <td>1.835</td>
        <td>136.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMDF</td>
        <td>Distrito Federal</td>
        <td>pmdfoficial</td>
        <td>Sim</td>
        <td>01/04/2014</td>
        <td>3.150</td>
        <td>145.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMES</td>
        <td>Espírito Santo</td>
        <td>policiamilitar.pmes</td>
        <td>Não</td>
        <td>30/05/2017</td>
        <td>871</td>
        <td>45.800</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMGO</td>
        <td>Goiás</td>
        <td>policiamilitargo</td>
        <td>Não</td>
        <td>16/02/2014</td>
        <td>7.525</td>
        <td>291.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMMA</td>
        <td>Maranhão</td>
        <td>pmmaoficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>Indefinido</td>
        <td>589</td>
        <td>32.200</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMMT</td>
        <td>Mato Grosso</td>
        <td>pmmt_oficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>01/12/2015</td>
        <td>4.316</td>
        <td>61.800</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMMS</td>
        <td>Mato Grosso do Sul</td>
        <td>pmmsoficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>Indefinido</td>
        <td>1.264</td>
        <td>15.400</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMMG</td>
        <td>Minas Gerais</td>
        <td>pmmg.oficial</td>
        <td>Sim</td>
        <td>23/05/2016</td>
        <td>1.455</td>
        <td>218.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMPA</td>
        <td>Pará</td>
        <td>policiamilitarpaoficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>27/09/2013</td>
        <td>1.310</td>
        <td>44.700</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMPB</td>
        <td>Paraíba</td>
        <td>pmpboficial</td>
        <td>Sim</td>
        <td>11/05/2017</td>
        <td>1.503</td>
        <td>70.300</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMPR</td>
        <td>Paraná</td>
        <td>pmproficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>21/08/2017</td>
        <td>1.095</td>
        <td>87.900</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMPE</td>
        <td>Pernambuco</td>
        <td>pmpeoficial</td>
        <td>Sim</td>
        <td>23/04/2015</td>
        <td>1.906</td>
        <td>128.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMPI</td>
        <td>Piauí</td>
        <td>pmpi_oficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>Indefinido</td>
        <td>1.166</td>
        <td>25.500</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMERJ</td>
        <td>Rio de Janeiro</td>
        <td>policiamilitar_rj</td>
        <td>Sim</td>
        <td>04/03/2015</td>
        <td>3.373</td>
        <td>312.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMRN</td>
        <td>Rio Grande do Norte</td>
        <td>pmrnoficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>06/09/2012</td>
        <td>7.139</td>
        <td>42.300</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMRS</td>
        <td>Rio Grande do Sul</td>
        <td>brigada_militaroficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>07/01/2016</td>
        <td>4.391</td>
        <td>63.200</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMRO</td>
        <td>Rondônia</td>
        <td>pmro_oficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>Indefinido</td>
        <td>1.277</td>
        <td>12.300</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMRR</td>
        <td>Roraima</td>
        <td>pmrroficial</td>
        <td>Não</td>
        <td>Indefinido</td>
        <td>1.965</td>
        <td>20.500</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMSC</td>
        <td>Santa Catarina</td>
        <td>pmscoficial</td>
        <td>Sim</td>
        <td>05/08/2015</td>
        <td>3.977</td>
        <td>134.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMESP</td>
        <td>São Paulo</td>
        <td>policiamilitarsp_oficial</td>
        <td>Sim</td>
        <td>01/10/2015</td>
        <td>4.159</td>
        <td>495.000</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMSE</td>
        <td>Sergipe</td>
        <td>pmsergipe</td>
        <td>Sim</td>
        <td>08/08/2016</td>
        <td>2.860</td>
        <td>95.300</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>PMTO</td>
        <td>Tocantins</td>
        <td>pmto_oficial</td>
        <td>Sim</td>
        <td>30/03/2015</td>
        <td>1.570</td>
        <td>42.900</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td></td>
        <td><bold>Total</bold></td>
        <td>72.686</td>
        <td>2.972.900</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>* O Instagram não informa a data de entrada na plataforma de contas
  com baixo número de seguidores.</p>
  <p>** O número de publicações refere-se ao dia 05/11/2021.</p>
  <p>Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa.</p>
  <p>Sem estabelecer categorias iniciais <italic>a priori</italic>,
  analisamos as postagens <italic>Feed</italic> (Tabela 1), com números
  variados de comentários em cada uma delas, de todas as 27 polícias
  militares brasileiras, atribuindo, inicialmente, um código/expressão
  (categoria inicial) que sintetizasse o seu conteúdo de forma
  descritiva. A partir de então, esses códigos puderam ser considerados
  como categorias iniciais, sendo, posteriormente, agrupadas em
  categorias intermediárias. O processo de análise resultou, como
  categorias finais, na díade: braço forte e mão amiga (Quadro 1 e
  Quadro 2). Inspiradas no lema do Exército Brasileiro, o braço forte
  representa o conteúdo online que teria sido orientado para o
  fortalecimento corporativo; e a mão amiga, o conteúdo orientado para a
  participação social.</p>
  <p>Essas categorias emergiram ao ser verificado que as postagens em
  análise apontam que as redes sociais online são mecanismos para dois
  tipos de atuação: a expansão do espaço público para interação com a
  sociedade; e a expansão do espaço institucional para comunicação com a
  sociedade. Se, por um lado, a polícia busca interagir com a sociedade,
  numa visão de relacionamento próximo com o cidadão, ouvindo-o; por
  outro lado, a polícia busca apenas comunicar, sem a necessidade de
  ouvir.</p>
  <p>Embora seja um desafio enfrentado nas mudanças institucionais,
  essas duas categorias podem ser consideradas como dimensões na
  possível emergência do e-policiamento comunitário, visto sua
  capacidade de interagir com o público (“mão amiga”) e, também,
  reforçando os pressupostos institucionais nos adjetivos militares
  (“braço forte”). Essas duas dimensões são relacionais e, sendo assim,
  deveriam caminhar juntas na direção das reformas policiais,
  valorizando a melhoria dos serviços públicos de segurança. Como
  defende Rosa (2007, p. 309), há um perigo em tratar de forma dual
  essas imagens na Polícia Militar, numa divisão simbólica existente
  entre “o braço forte que luta e a mão amiga que ajuda [...] deixando
  de ver essas duas dimensões da organização de um ponto de vista
  relacional, em que sem o braço, a mão não se apoia e, sem a mão, o
  braço não tem força”.</p>
  <p>Por fim, na terceira etapa, realizaram-se a inferência e a
  interpretação, considerando o objetivo da pesquisa, cujos resultados
  são apresentados a seguir.</p>
</sec>
<sec id="a-e-participação-social-nas-políticas-públicas-de-segurança">
  <title>A E-PARTICIPAÇÃO SOCIAL NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE
  SEGURANÇA</title>
  <p>As postagens (<italic>Feed</italic>), constituídas de imagens,
  termos e expressões, e os comentários dos perfis das polícias
  militares brasileiras permitiram identificar duas categorias finais: o
  braço forte e a mão amiga. As características de cada uma dessas
  categorias estão indicadas no Quadro 1. Embora não tenham sido
  elencadas as categorias <italic>a priori</italic>, a análise de
  conteúdo (Quadro 2) das postagens do Instagram resultou, enquanto
  categoria final, o braço forte e a mão amiga, que juntas acabam
  promovendo imagens distintas do policial, da sociedade e das suas
  interações.</p>
  <p><bold>Quadro 1: Imagens do braço forte e da mão amiga</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><p>Categoria</p>
        <p>Imagem</p></th>
        <th><bold>Braço Forte</bold></th>
        <th><bold>Mão Amiga</bold></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>Imagem do policial militar</td>
        <td>Guerreiro e temido pelos criminosos</td>
        <td>Amigo conhecido pela comunidade local</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Imagem da sociedade civil</td>
        <td>Indiferente e não responsável pela segurança</td>
        <td>Sociedade ativa e corresponsável pela segurança</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>Imagem da interação do policial militar com os civis</td>
        <td>Relacionamento distante</td>
        <td>Relacionamento próximo</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa.</p>
  <p>A análise inicial apontou que o uso das redes sociais online pelas
  organizações militares dos estados e do Distrito Federal não se
  iniciou como uma resposta ao contexto pandêmico. A maioria das contas
  foi criada antes da pandemia de 2020 (Tabela 1), embora seu uso tenha
  se intensificado com o regime de isolamento social no combate à
  pandemia da COVID-19. Quanto à frequência das postagens, observou-se
  que nem todas as polícias promovem interações diárias, algumas, como a
  organização policial militar de Goiás, fazem mais de 10
  <italic>posts</italic> por dia, e em outras, como a do Maranhão, as
  publicações são mais raras.</p>
  <p>Nas redes sociais online analisadas, observou-se o interesse das
  organizações policiais militares pelas imagens do Braço Forte (como,
  por exemplo, na PMGO). Já na categoria final que se chamou de Mão
  Amiga, observam-se inovações policiais na busca pela aproximação do
  público civil (como, por exemplo, o apelo humorístico das postagens da
  PMBA). Além das atividades de relações públicas e de assistência
  social, foram identificadas atividades (Quadro 2) que objetivavam,
  especificadamente, a aproximação do público civil, de maneira direta,
  dentre elas a do policiamento comunitário mediado pelas RSO, o que
  denominamos aqui de <italic>e-policiamento comunitário</italic>; em
  referência ao termo <italic>e-police</italic>, que se refere a um
  serviço do governo eletrônico que utiliza sistemas baseados na
  internet, como aplicativos e plataformas, para promover a interação
  com o público civil e aumentar a eficiência da segurança pública
  (MANDLER, 2000; MARTIN, 2015; MOLLAH; ISLAM; ISLAM, 2012; MOLLAH;
  ISLAM; ULLAH, 2012).</p>
  <p>Dentre as atividades sobre a realização do policiamento comunitário
  remoto, de maneira especializada, identificadas pela expressão
  <italic>e-policiamento comunitário</italic>, destacam-se duas
  modalidades principais: (a) divulgação de meios alternativos para
  contato entre policiais e a comunidade, para além das chamadas de
  emergência no 190, como números personalizados de telefone celulares
  dos policiais, o próprio WhatsApp e outros aplicativos de comunicação
  remota; e (b) divulgação de <italic>Lives</italic> e palestras de
  prevenção realizadas pela internet, como no caso do Proerd.</p>
  <p><bold>Quadro 2: Análise categorial do material
  pesquisado</bold></p>
  <table>
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <col align="left" />
    <thead>
      <tr>
        <th><bold>Categoria Final</bold></th>
        <th><bold>&gt; Categoria Intermediária</bold></th>
        <th><bold>&gt; Categoria Inicial</bold></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
      <tr>
        <td>1. Braço forte: conteúdo orientado para o fortalecimento
        corporativo</td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td><italic>Ênfase na honra militar, com o objetivo de enaltecer
        a organização policial</italic></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Divulgação de atos heroicos ligados ao crime</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Reforço de uma cultura militar repressiva</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Louvor a símbolos, como o uniforme, as canções militares e
        as datas comemorativas militares</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td><italic>Ênfase na força, com o objetivo de evidenciar o
        poderio militar</italic></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Apresentação de ocorrências de persecução criminal
        bem-sucedida</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Apresentação das tecnologias utilizadas na persecução
        criminal</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Louvor aos equipamentos militares, como armas, efetivos e
        veículos policiais</td>
      </tr>
      <tr>
        <td>2. Mão amiga: conteúdo orientado para a participação
        social</td>
        <td></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td><italic>Atividades que buscam a aproximação do público
        civil</italic></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Divulgação de atos heroicos não ligados ao crime, como em
        resgates, partos, doação de sangue e outros</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Divulgação de dicas de segurança, incluindo as medidas de
        prevenção da COVID-19</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Aproximação de outros órgãos, como em reuniões com civis
        relacionadas à segurança pública</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Apoio a questões sociais, campanhas de saúde, envolvimento
        com cursos de Libras, datas comemorativas civis, valorização da
        mulher, proteção das crianças, defesa da educação, homenagem às
        personalidades civis, defesa de valores religiosos e regionais,
        apresentações musicais (banda de música da Polícia Militar) e
        outros</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Publicações e <italic>#repost</italic> comuns ao que se
        chama de <italic>viralização</italic>: fotos, vídeos ou qualquer
        outro conteúdo que se espalha rapidamente na internet,
        alcançando muita popularidade; como, por exemplo, o uso informal
        dos chamados <italic>memes</italic> e das conhecidas
        <italic>hashtags</italic> (como <italic>#tbt</italic>,
        <italic>#fiqueemcasa</italic> e
        <italic>#heroisdasaude</italic>)</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Divulgação de fotos e vídeos (de policiais humanos, não
        combatentes): relacionamento do policial com civis, geralmente
        acompanhados de mensagens motivacionais; fotos de policiais
        atendendo atentamente um civil, recebendo o carinho de uma
        criança ou com sua família, mostrando-se como parte da mesma
        sociedade</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Realização do <bold>e-policiamento comunitário</bold>,
        divulgação do número de celular e do WhatsApp dos policiais para
        a comunidade; aplicação do Programa Educacional de Resistência
        às Drogas na modalidade online (<italic>live</italic> do
        Proerd); e lançamento e divulgação de aplicativo para
        atendimento remoto de vítimas de violência doméstica</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td><italic>Assistência social</italic></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Atividades de assistência social</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Promoção de campanhas solidárias da Polícia Militar</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Promoção de campanhas solidárias de outras organizações</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Informações úteis diversas, relacionadas à segurança pública
        ou ao interesse geral</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td><italic>Relações Públicas</italic></td>
        <td></td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Prestação de contas</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Notas à imprensa sobre ocorrências de grande
        repercussão</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Informativo de interesse do público externo</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Informativo de interesse do público interno</td>
      </tr>
      <tr>
        <td></td>
        <td></td>
        <td>Promoção do perfil no Instagram, publicando curiosidades
        sobre a vida e o trabalho do policial militar, brincadeiras
        interativas no <italic>Stories</italic>, mensagens
        motivacionais, mostras de atividades preventivas e do
        policiamento comunitário presencial, palavra de um policial,
        <italic>podcasts</italic> com policiais, esquetes de humor e
        apresentações da banda de música composta por policiais
        militares, e notas de falecimento pela COVID-19</td>
      </tr>
    </tbody>
  </table>
  <p>Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa.</p>
  <p>Figura 1: Recortes do Instagram com a ênfase nas imagens da Mão
  Amiga</p>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
  <p>Fonte: Material da pesquisa. Observação: Informações pessoais foram
  omitidas.</p>
  <p>Destacam-se também algumas iniciativas (Figura 1) que se aproximam
  dos pressupostos defendidos pela Polícia Comunitária (ROSENBAUM, 2012;
  SKOLNICK; BAYLEY, 2006; TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994): uso de vídeos
  de humor, com conteúdos do teatro produzido pelos policiais (as
  chamadas <italic>esquetes</italic> de humor) com informações de
  segurança pública (PMBA); convites para assistir às entrevistas na
  rádio <italic>web</italic> (PMPB) ou aos <italic>podcasts</italic> da
  polícia (PMAC); divulgação de interações com o público por meio de
  perguntas aos seguidores (PMAM); vídeos de entrevistas feitas pelos
  policiais com comandantes respondendo perguntas do público civil
  (PMMG); vídeos da banda de música da polícia cantando músicas
  populares, por vezes, com os chamados <italic>feat</italic>
  (participação) em parcerias com outros cantores civis (PMMT);
  divulgação de vídeos de artistas com mensagens aos policiais, na busca
  por uma maior visibilidade do perfil (PMMT e PMMG); prestação de
  contas de diversos resultados; apresentação de parcerias com outros
  órgãos, como a Defesa Civil; divulgação de <italic>Lives</italic>
  realizadas em outras plataformas (PMESP, o maior efetivo policial e
  com o maior número de seguidores); e outras.</p>
  <p><bold>Figura 2: Recortes do Instagram com a ênfase nas imagens do
  Braço Forte</bold></p>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
  <p>Fonte: Material da pesquisa. Observação: Informações pessoais foram
  omitidas.</p>
  <p>As análises dos perfis do Instagram de organizações policiais
  militares sinalizam também que, em alguns casos (Figura 2), há uma
  predominância de postagens que valorizam as imagens do Braço Forte,
  principalmente acerca da persecução criminal (como é o caso da PMAL,
  uma das contas mais recentes), enfatizando a figura do herói, forte,
  destemido e que valoriza a cultura militar, mesmo que se contraponha
  aos pressupostos da polícia de proximidade. Dificuldades em superar
  essa visão unicista da polícia combatente e de um policial que deve
  ser temido foram também apontadas em outros estudos (FRÜHLING, 2006;
  2007; MUNIZ <italic>et al</italic>., 1997; MUNIZ; CARUSO; FREITAS,
  2018). A cultura da Polícia Militar e a identidade do policial podem
  dificultar a valorização dos pressupostos do policiamento comunitário
  nas redes sociais online.</p>
  <p>A análise identificou postagens com características de manchetes
  jornalísticas (PMAP), prestando contas de operações e apreensões
  realizadas (PMPI) por meio da persecução criminal, e prestação de
  contas sobre operações (PMRR). Houve também a apresentação de pequenas
  curiosidades sobre a cultura militar (PMRN), reforçando os valores
  positivos do militarismo, evitando o estranhamento na aproximação com
  o público. A figura do policial militar é ovacionada como herói, tanto
  em postagens sobre os atos heroicos de policiais militares, incluindo
  o êxito da persecução criminal, quanto nas postagens motivacionais
  relacionadas à cultura militar (PMDF), em que a promessa do
  profissional em sacrificar a própria vida em defesa da comunidade é
  relembrada. Algumas organizações evidenciam também o poderio militar,
  tanto com postagens que mostram atividades reais de uma polícia
  distante, de um policial forte e guerreiro, atuante na persecução
  criminal, quanto com mensagens motivacionais, que objetivam a
  prevenção criminal, com o objetivo de amedrontar o criminoso, pois a
  polícia deve ser temida. É o caso da PMERJ, da PMRN (a conta mais
  antiga) e da PMGO (conta com o maior número de postagens).</p>
  <p>Nos casos representados pela Figura 2, em que há uma ênfase no
  Braço Forte (Quadro 2), sempre há a presença da figura do herói. Em um
  dos posts, a PMDF escreve: “pra você, o que é #coragem? Coragem para
  fazer o que tem que ser feito, acreditar no treinamento e honrar o
  compromisso de doação da própria vida. Uma semana de coragem para
  todos. Orgulho de ser Policial Militar!”. Em outra postagem, a PMTO:
  “Não permitiremos que o mal triunfe. Desistir nunca, recuar jamais”.
  De modo geral, quase a metade das postagens analisadas remete a fotos
  de policiais em ação ou em treinamento, acompanhadas de mensagens
  motivacionais ou de enaltecimento do trabalho da polícia militar.</p>
  <p>Houve um aumento da quantidade das postagens ao longo do primeiro
  semestre de 2020, ainda que não significativo. Nesse período, houve
  uma maior diversificação nos temas das postagens: as postagens
  motivacionais e de enaltecimento do trabalho da polícia foram
  reduzidas; as de apresentação do trabalho nas unidades das polícias
  militares, buscando a interação com o público por meio de estratégias
  diversas (Quadro 2), foram aumentadas; e foram incluídas: datas
  comemorativas, dicas de prevenção à COVID-19, nota de falecimento,
  fotos antigas (as chamadas <italic>#tbt</italic>), acompanhadas de
  pequenos relatos da história da organização policial em questão, bem
  como notícias sobre o concurso público para ingresso na organização,
  temas de interesse geral, como as promoções de campanhas solidárias
  (<italic>e.g</italic>. doações de alimentos), de saúde
  (<italic>e.g</italic>. novembro azul) e de conscientização geral
  (<italic>e.g</italic>. violência no trânsito), dentre tantos outros
  <italic>posts</italic>. Essa diversificação pode ter sido motivada
  para buscar mais seguidores, o que acabaria por valorizar, mesmo que
  de maneira secundária, o e-policiamento comunitário.</p>
  <p>Embora todas as unidades da polícia estejam presentes nas redes
  sociais online em análise, houve uma presença significativa das
  unidades cuja especialidade esteve ligada ao policiamento de
  proximidade, sob os pressupostos da Polícia Comunitária. Com relação
  ao que chamamos de e-policiamento comunitário, especificamente,
  destacam-se postagens sobre unidade policiais, cuja especialidade é a
  polícia comunitária, por exemplo: apresentação da patrulha rural
  comunitária (em junho, na PMTO), divulgação de uma
  <italic>live</italic> do Proerd (em maio, na PMTO). Em uma das
  postagens da PMAM, escreveu-se o seguinte: “Qual bairro você quer que
  a ROCAM faça uma visita?”. Houve também temas relacionados à
  transparência e à prestação de contas ao público, tanto de compras e
  contratos quanto de resultados de operações policiais realizadas.
  Justificar-se frente à opinião pública se tornou mais frequente, como,
  por exemplo: “o comandante geral [...] falou sobre as ações da
  corporação na zona rural [...] o projeto Patrulha Rural e a Operação
  Hórus” (<italic>post</italic> de junho de 2021, convidando os
  seguidores da PMTO a acompanharem uma entrevista do comandante à mídia
  televisiva).</p>
  <p>Embora haja, em algumas postagens, um foco no Braço Forte,
  evidenciando o poderio militar, na figura do policial combatente,
  distante e temido, observou-se, também, o exercício do policiamento
  comunitário na modalidade remota, cujos pressupostos são opostos a
  essa intenção. No caso da PMTO, houve a promoção de um aplicativo
  remoto no patrulhamento de prevenção à violência doméstica e, também,
  de uma <italic>live</italic> do Proerd. Na PMERJ, identificou-se a
  divulgação da Patrulha Maria da Penha – Guardiões da Vida, a qual
  tinha chegado à comunidade do Morro dos Macacos, através da Unidade de
  Polícia Pacificadora (UPP) local, sob os pressupostos da Polícia
  Comunitária. Segundo informações deste <italic>post</italic>, já
  existia 45 equipes dessa natureza em todo o estado do Rio de Janeiro.
  Nessa oportunidade, a PMERJ divulgou um vídeo no Instagram
  incentivando o relacionamento da comunidade com a polícia, incluindo
  as denúncias de violações da Lei Maria da Penha. O comandante da UPP
  Macacos comunica à comunidade que: “disponibilizamos um telefone que
  tem o canal de WhatsApp 24 horas para vocês; o número é [número]; o
  anonimato é total e garantido; esse telefone fica 24 horas com a
  Patrulha Maria da Penha e o canal é direto com o comandante da
  Unidade”. A Figura 3 também ilustra um desses exemplos, no estado de
  Santa Catarina.</p>
  <p><bold>Figura 3: Recorte do Instagram sobre uma iniciativa de
  e-policiamento comunitário</bold></p>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image3.png" />
  <p>Fonte: Material da pesquisa. Observação: Informações pessoais foram
  omitidas.</p>
  <p>As diversas postagens passaram a indicar, também, outros canais
  online de interação com os seguidores para receber denúncias anônimas
  e para disponibilizar acesso a outros serviços da polícia. As
  postagens ovacionaram, também, fotos de situações de interação do
  policial com outros cidadãos, deixando transparecer que a polícia faz
  e está pronta para fazer o contato comunitário diário com a comunidade
  de maneira amiga e próxima.</p>
  <p>Embora haja uma clara tentativa da organização policial militar em
  praticar o governo eletrônico por meio das redes sociais online, este
  estudo não buscou identificar se há uma real interação a partir desses
  <italic>posts</italic> no Instagram. As mensagens privadas não foram
  analisadas, como, por exemplo, o <italic>Direct</italic> do Instagram.
  Quando há algum questionamento, a polícia não responde diretamente nos
  comentários. O diálogo não acontecia pelos comentários públicos,
  abaixo de cada postagem; indicando que as polícias brasileiras podem
  ter criado um canal de fala, mas não necessariamente um canal de
  escuta.</p>
  <sec id="section-2">
    <title></title>
  </sec>
  <sec id="discussão">
    <title>Discussão</title>
    <p>Esta pesquisa teve como foco o período da pandemia da COVID-19,
    considerando que o governo eletrônico e as redes sociais online são
    plataformas relevantes para as interações com a comunidade,
    principalmente, para informar e educar as pessoas quanto às medidas
    de proteção contra a COVID-19. Os achados desta pesquisa apontam
    que, durante a pandemia, as redes sociais online, em especial o
    Instagram, constituíram-se em uma ferramenta para apresentar a
    organização policial e apoiar um programa de relações públicas, no
    entanto, as redes sociais online não se revelaram como alternativas
    para alcançar os objetivos da Polícia Comunitária, incluindo a
    participação social por meio da comunicação e a proximidade do
    policial com o seu público local.</p>
    <p>A análise aponta que as políticas brasileiras criaram um canal de
    fala com o Instagram, no entanto, não necessariamente um canal de
    escuta, ou seja, as polícias militares não utilizam todo o potencial
    das redes sociais online para as interações da polícia-sociedade. Os
    exemplos brasileiros capturados são iniciativas pontuais de cada
    organização policial, não sendo possível afirmar que sejam práticas
    uníssonas nacionalmente, o que pode ser explicado pelos desafios na
    implementação do e-gov, principalmente no que diz respeito à
    desigualdade digital (DAVISON; WAGNER; MA, 2005; FREITAS, 2016).
    Adicionalmente, tem-se o desafio de que tais práticas dependem da
    iniciativa pessoal de cada policial que coordena as redes sociais da
    organização policial, não se apresentando como um esforço
    institucional das polícias brasileiras, de forma conjunta, como foi
    observado.</p>
    <p>Como defende a literatura de Governo Eletrônico (BARBOSA, 2017;
    MEDEIROS; GUIMARÃES, 2005; 2006), dar informações apenas não é o
    mesmo que trazer a sociedade para participar das decisões. A
    participação social nas políticas públicas de segurança é um
    pressuposto da Polícia Comunitária que pode ser realizado por meio
    das redes sociais online, suportadas pelo Governo Eletrônico. No
    entanto, pode-se dizer que não é um esforço da polícia brasileira,
    embora já tenham apontado o caminho no decorrer dos últimos anos, em
    especial no contexto pandêmico, mas, sim, são iniciativas pontuais
    em algumas polícias e em alguns lugares no Brasil. O policiamento
    comunitário remoto é uma via a ser considerada, embora a maioria das
    organizações policiais militares não aproveite o potencial das redes
    sociais online para as práticas do que chamamos de e-policiamento
    comunitário.</p>
    <p>Embora algumas polícias militares pelo Brasil utilizem o
    Instagram, na maior parte do tempo, apenas para apresentar o que já
    está sendo feito, ferramentas como rádio <italic>web</italic>,
    <italic>podcast</italic>, <italic>lives</italic>, perguntas no
    <italic>storie</italic> e comunicação direta em plataformas de troca
    de mensagens instantâneas pela internet, como o WhatsApp e o
    <italic>Direct</italic> do Instagram, dentre tantos outros, podem
    ser alternativas para o exercício das práticas de policiamento
    durante o regime de isolamento social no combate à pandemia e,
    também, um importante instrumento para intensificar a difusão da
    Polícia Comunitária por todo o país.</p>
    <p>No Brasil, há uma tendência de justificar as práticas policiais
    na direção da qualidade de vida, para além dos índices criminais,
    mesmo no contexto pandêmico. Como afirmam Skolnick e Bayley (2006),
    as agências de segurança pública pelo mundo têm entendido que é
    preciso promover a qualidade de vida da população e reduzir o medo
    do crime, prestando às comunidades locais um serviço público de
    qualidade.</p>
    <p>Embora as trocas das mensagens privadas não tenham sido
    analisadas, como, por exemplo, a ferramenta denominada
    <italic>Direct</italic>, os comentários de cada postagem parecem
    mostrar que as organizações policiais no Instagram mais falavam do
    que ouviam. Segundo autores de Polícia Comunitária (SKOLNICK;
    BAYLEY, 2006; TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994), o policiamento
    comunitário deveria continuar com o objetivo de promover o diálogo
    direto da sociedade com a polícia, não apenas ouvindo, mas também
    criando oportunidades de aproximação, de modo a incorporar as
    práticas policiais por contiguidade.</p>
    <p>Entretanto, para explorar todo o potencial das redes sociais
    online para as práticas do e-policiamento, é preciso não apenas
    falar ao público, mas também ouvir; além de prover o público de
    condições para participar ativamente do diálogo. Essa é uma
    discussão que passa pela formação, imagem e identidade profissional
    de policiais militares a partir da relação de proximidade dos
    policiais, representantes do Estado, e a sociedade (MUNIZ <italic>et
    al</italic>., 1997; MUNIZ; CARUSO; FREITAS, 2018; PONCIONI, 2005;
    SILVA, 2011).</p>
    <p>As reformas das práticas policiais na direção de uma sociedade
    democrática e participativa são frutos de um esforço de longo prazo.
    Tal assertiva, suportada por estudos anteriores (BATITUCCI
    <italic>et al</italic>., 2016; CANO, 2006; CRISTÓVAM; SAIKALI;
    SOUSA, 2020; GONZÁLEZ, 2019; MEDEIROS; GUIMARÃES, 2005; MUNIZ;
    MELLO, 2015), levanta uma questão inquietante frente a uma realidade
    emergida em 2020: o percurso assumido pelas polícias militares
    brasileiras em direção ao policiamento comunitário pode ter sido
    interrompido pelo inevitável regime de isolamento social no combate
    à pandemia da COVID-19. Todavia, o esforço continua na modalidade
    remota e, ainda, enfrentam-se os mesmos desafios da modalidade
    presencial existente antes da pandemia.</p>
    <p>Ainda assim, não é incorreta a afirmativa de que o alcance dos
    pressupostos na direção do policiamento cidadão e democrático pode
    ter sido prejudicado pela COVID-19. Os avanços da reforma das
    práticas policiais podem ter sido comprometidos. Tais esforços têm
    enfrentado desafios há décadas; e sua modalidade predominantemente
    online não foi capaz de superá-los. As reformas das práticas
    policiais ao longo dos séculos já davam conta da importância de se
    considerar o contexto social em que se insere na evolução
    institucional e no processo de profissionalização da polícia desde o
    século XIX (BATITUCCI, 2010). Como visto aqui, a defesa da polícia
    de proximidade, ou polícia cidadã, presente na Polícia Comunitária,
    também dá conta de que a polícia precisa, de fato, responder ao
    contexto em que se insere localmente, respondendo de maneira
    cotidiana e particular ao público para o qual esteja servindo, o que
    pressupõe relacionamento. Mas o contexto pandêmico desafiou tais
    práticas, colocando em xeque os avanços alcançados até então no
    relacionamento com o público.</p>
    <p>Esta pesquisa apontou que as redes sociais online são ferramentas
    de Governo Eletrônico que possibilitam o alcance dos objetivos
    propostos pelo policiamento de proximidade durante o contexto
    pandêmico. Embora as reformas das práticas policiais na direção do
    policiamento democrático continuam exigindo dos policiais militares
    criatividade e disposição na superação de uma visão unicista da
    segurança pública, ligada somente às imagens do Braço Forte, é
    possível afirmar que o uso das redes sociais online pode promover
    também as imagens de uma Mão Amiga.</p>
    <p>O contexto pandêmico estimulou iniciativas de e-policiamento
    comunitário como uma ferramenta de e-participação e e-mobilização
    social das políticas públicas de segurança. Embora pareçam depender
    da iniciativa do policial, as iniciativas identificadas por todo o
    país, para além das normas institucionais, apontam que as redes
    sociais online podem ser uma ferramenta do governo eletrônico útil
    para produzir uma segurança pública participativa e cidadã.</p>
  </sec>
</sec>
<sec id="section-3">
  <title></title>
</sec>
<sec id="considerações-finais">
  <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
  <p>Este artigo buscou compreender a atuação das polícias militares
  brasileiras na rede social Instagram, durante a pandemia da COVID-19.
  Analisaram-se também iniciativas de policiamento comunitário mediado
  pelas redes sociais online nesse período de crise sanitária, econômica
  e social. A pesquisa apontou que o Governo Eletrônico é possível por
  meio das redes sociais online, podendo melhorar a relação
  Estado-Sociedade e o alcance dos pressupostos da Polícia Comunitária
  no enfrentamento da pandemia, envolvendo o público civil nas políticas
  públicas de segurança, na direção da polícia cidadã e democrática.</p>
  <p>No entanto, apesar do período da pandemia demandar uma atuação
  diferente, as organizações policiais acabam por priorizar a
  comunicação institucional, não explorando todo o potencial das redes
  sociais online, nos diversos caminhos do diálogo e da e-participação
  social. Há de se considerar que parte da população não tem acesso à
  internet, por isso, a atuação das polícias militares nas redes sociais
  online deve ser combinada com outras modalidades e, ainda, com
  políticas públicas para prover tais recursos, de modo a contribuir
  para o enfrentamento da pandemia no que diz respeito à segurança
  pública.</p>
  <p>As imagens promovidas pelo Braço Forte e pela Mão Amiga podem
  caminhar juntas na direção da melhoria dos serviços públicos de
  segurança. Não se espera que o braço forte seja substituído pela mão
  amiga; espera-se apenas que não seja considerado como a única maneira
  de interpretar as organizações policiais militares. As imagens
  promovidas por estas categorias deveriam ser interpretadas num ponto
  de vista relacional, pois, de fato, “sem o braço, a mão não se apoia
  e, sem a mão, o braço não tem força” (ROSA, 2007, p. 309).</p>
  <p>Embora o artigo não tenha assumido o compromisso de avaliar o
  policiamento comunitário, foi possível apontar caminhos importantes na
  melhoria dos serviços públicos de segurança, através do uso das
  ferramentas de Governo Eletrônico, em especial, as redes sociais
  online. Como contribuição prática para os gestores públicos, esta
  pesquisa aponta que as políticas públicas poderiam ser orientadas para
  garantir que a população vulnerável economicamente e os cidadãos com
  baixa qualificação para o uso de tecnologias se beneficiem das funções
  mais amplas do governo eletrônico, de modo a reduzir a desigualdade
  digital.</p>
  <p>Pesquisas que se concentrem na atuação das polícias no
  enfrentamento dos desafios da pandemia, mas na perspectiva dos
  cidadãos, poderiam encontrar indicadores-chave para a promoção da
  participação dos cidadãos e de interações efetivas entre a polícia e a
  comunidade. Sugerem-se, portanto, futuras pesquisas que considerem a
  avaliação da qualidade da interação da polícia com o seu público, no
  período da pandemia da COVID-19, considerando as trocas de mensagens
  instantâneas realizadas pela internet, como no <italic>Direct</italic>
  do Instagram e no WhatsApp, bem como seus efeitos na prática do
  policiamento de rua, na ponta da linha, com a consequente melhoria dos
  serviços públicos de segurança no Brasil.</p>
  <p>Outro ponto de destaque nesta pesquisa é a utilização das redes
  sociais online de forma institucionalizada pela Polícia Comunitária, o
  que chama atenção para as possibilidades de criação de um
  e-policiamento comunitário dentro da perspectiva do e-Gov, em que as
  interações dos policiais com a comunidade seriam estreitadas. Nesse
  sentido, sugerimos a realização de pesquisas que abordem a utilização
  das redes sociais online pelas polícias e, especialmente, pela polícia
  comunitária, com vistas a concentrar esforços para desenvolverem
  teoricamente o termo e-policiamento comunitário.</p>
</sec>
<sec id="section-4">
  <title></title>
</sec>
<sec id="referências-bibliográficas">
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