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<body>
<p><bold>Luziane da Silva Gomes</bold></p>
<p>Economista. Doutoranda em economia aplicada pelo programa de
pós-graduação em economia da Universidade Federal de Juiz de Fora
(UFJF).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil<bold> Estado:</bold>
Piauí<bold> Cidade:</bold> Teresina</p>
<p><bold>Email:</bold> luzyanne1991@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-8674-4761</p>
<p><bold>Elvira Helena Oliveira de Medeiros</bold></p>
<p>Doutoranda em economia aplicada pela Universidade Federal de Juiz de
Fora (UFJF).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil<bold> Estado:</bold> Minas
Gerais<bold> Cidade:</bold> Juiz de Fora</p>
<p><bold>Email:</bold> ravilelenna@yahoo.com.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-85063489</p>
<p><bold>Suzana Quinet de Andrade Bastos</bold></p>
<p>Professora titular de economia na Universidade Federal de Juiz de
Fora (UFJF).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Minas
Gerais<bold> Cidade:</bold> Juiz de Fora</p>
<p><bold>Email:</bold> quinet.bastos@ufjf.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/ 0000-0002-8080-1486</p>
<p><bold>Admir Antônio Betarelli Júnior</bold></p>
<p>Professor titular de economia na Universidade Federal de Juiz de Fora
(UFJF).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil<bold> Estado:</bold> Minas
Gerais<bold> Cidade:</bold> Juiz de Fora</p>
<p><bold>Email:</bold> admir.betarelli@ufjf.edu.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-0002-7599</p>
<p><bold>Contribuições dos autores: </bold></p>
<p>Luziane da Silva Gomes realizou o levantamento bibliográfico,
escreveu o artigo, coletou e estimou os dados. Elvira Helena Oliveira de
Medeiros foi responsável pela coleta e interpretação dos dados. Suzana
Quinet de Andrade Bastos foi responsável pela redação do manuscrito e
revisão do texto. Admir Antônio Betarelli Júnior foi responsável por
analisar os dados e elaboração do texto.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>A rápida propagação da pandemia da Covid-19 afetou os mercados e
paralisou atividades econômicas. Na tentativa de conter a Covid-19,
parte da população entrou em isolamento social, que incluiu medidas como
fechamento de escolas e comércio, paralisação da produção industrial e
fechamento de fronteiras. Estas mudanças afetaram diversas atividades
econômicas, e as atividades criminosas não são exceção. Nesse contexto,
este artigo tem como objetivo analisar como se comportaram os crimes
durante a pandemia da Covid-19 nos 645 municípios do Estado de São
Paulo. A análise procede de uma estratégia metodológica que articula
Análise de Componentes Principais (ACP) e Análise Qualitativa
Comparativa (QCA). O período de análise são os anos de 2019 e 2020. Os
resultados indicam que os crimes de patrimônio e vida reduziram e o
porte de drogas cresceu durante a pandemia. Ademais, municípios mais
rígidos com o isolamento social apresentaram menor quantidade de
crimes.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Covid-19. Crimes. Análise Qualitativa
Comparativa. Análise de Componentes Principais.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>CRIMES IN THE COVID ERA: EVIDENCE FOR THE STATE OF SÃO
PAULO</bold></italic></p>
<p><italic>The rapid spread of the Covid-19 pandemic has affected
markets and paralyzed economic activity. To contain Covid-19, part of
the population went into social isolation, which included measures such
as closing schools and businesses, halting industrial production, and
closing borders. These changes have affected many economic activities,
and criminal activities are no exception. In this context, this article
aims to analyse how crimes behaved during the Covid-19 pandemic in the
645 municipalities of the State of São Paulo. The analysis proceeds from
a methodological strategy that articulates Principal Component Analysis
(PCA) and Comparative Qualitative Analysis (QCA). The analysis period is
the years 2019 and 2020. The results indicate that property and life
crimes decreased, and drug possession increased during the pandemic. In
addition, more rigid municipalities with social isolation had a lower
number of crimes.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords</bold>: Covid-19. Crimes. Comparative
Qualitative Analysis. Principal Component Analysis.</italic></p>
<disp-quote>
  <p><bold>Data de Recebimento:</bold> 31/03/2022 – <bold>Data de
  Aprovação:</bold> 14/04/2023</p>
</disp-quote>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1720</p>
<sec id="introdução">
  <title>INTRODUÇÃO</title>
  <disp-quote>
    <p>As interações sociais e as atividades econômicas mudaram com o
    surto e a disseminação da Covid-19 em todo o Brasil. Estas mudanças
    estão diretamente relacionadas com a septicemia da doença e com as
    medidas preventivas e de controle de segurança, a fim de evitar o
    contágio e a propagação exponencial do vírus (TJENDRA <italic>et
    al</italic>., 2020). Além das medidas de isolamento e distanciamento
    social das pessoas, bem como das orientações quanto ao uso de
    máscaras e higienização frequente das mãos, autoridades municipais e
    estaduais do Brasil emitiram decretos com o objetivo de
    regulamentar, fiscalizar e até inibir atividades econômicas que, de
    alguma forma, gerassem aglomerações e movimentação de pessoas.
    Apenas o funcionamento de algumas atividades classificadas como
    essenciais (supermercados, hospitais, serviços de pagamento) foi
    autorizado e fiscalizado pelas autoridades competentes.</p>
    <p>Em conjunto, essas medidas afetaram a oferta e a demanda de
    outros mercados, como transporte aéreo, transporte público,
    indústria, serviços de comércio e educação, intermediação financeira
    e turismo (SILVA, 2021). Ademais, mudaram o cotidiano, o ambiente
    doméstico e o comportamento das pessoas. Familiares passaram a
    conviver mais tempo juntos durante o dia, dividindo e adaptando o
    mesmo espaço físico da casa para trabalhos de “<italic>home
    office</italic>”<italic>,</italic> a realizar compras online
    (<italic>e-commerce</italic>), ficando mais preocupados com o risco
    de perda de emprego e renda, ajustando o orçamento familiar,
    priorizando gastos essenciais e suspendendo a compra de bens
    duráveis e supérfluos (JONKER <italic>et al.</italic>, 2020;
    MCKIBBIN; FERNANDO, 2020).</p>
    <p>Na pandemia da Covid-19, as pessoas mudaram suas atividades
    rotineiras, pois reduziram a circulação nas ruas com a intenção de
    tentar conter a transmissão do Coronavírus e isso pode ter imposto
    dificuldades na realização de assaltos nas ruas. No entanto, a
    pandemia pode ter aumentado os crimes dentro das residências, uma
    vez que as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa (PINTO
    <italic>et al</italic>., 2022). O tempo prolongado nas residências,
    agravado por dificuldades financeiras, pode ter criado oportunidades
    para a violência doméstica, na medida em que a exposição da vítima
    aumenta com o isolamento (UN WOMEN, 2020).</p>
    <p>Nesse contexto, Barton (1970) e Drabek (1986) indicam que uma
    alteração no comportamento coletivo pode afetar o comportamento
    criminoso. Ao tratarem sobre as mudanças do comportamento criminoso
    em eventos excepcionais, os estudos desses autores inspiraram o
    surgimento de diversos estudos aplicados na literatura internacional
    (<italic>e.g.</italic> GROSS; SCOTT, 2021; FELSON; STICKLE, 2020;
    NEANIDIS; RANA, 2021; HALFORD <italic>et al.</italic>, 2020). Em
    comum, esses estudos avaliaram o impacto da Covid-19 sobre o crime
    (i.e. sexuais, agressão comum, violência doméstica, agressão grave)
    em países desenvolvidos, cujos resultados conclusivos apontam para
    queda da criminalidade no período da pandemia. Como forma de
    contribuir para essa literatura internacional, este artigo avança e
    complementa o debate em curso, ao analisar o comportamento criminoso
    em regiões em um estágio inferior de desenvolvimento, como as
    regiões brasileiras. Esta pesquisa escolheu o estado de São Paulo
    justamente porque ele apresenta a maior representatividade econômica
    e populacional do país, além de oferecer dados estatísticos mais
    regulares para a análise de estudo.</p>
    <p>Para acomodar este problema de pesquisa, a análise procede de uma
    estratégia metodológica que combina técnicas de Análise de
    Componentes Principais (ACP) e de Análise Qualitativa Comparativa
    (QCA) sobre um conjunto de variáveis aleatórias nos anos de 2019 e
    2020. A ACP permite identificar os crimes mais representativos na
    formação do componente principal, cujo índice será avaliado na QCA
    em uma etapa posterior. O segundo método, o QCA, utiliza a lógica
    dos conjuntos para avaliar a relação entre criminalidade e as
    variáveis socioeconômicas (densidade demográfica, desemprego, PIB
    <italic>per capita</italic> e abandono escolar). Pela identificação
    das inúmeras combinações dos conjuntos é possível observar os
    diferentes caminhos causais que resultam na criminalidade.</p>
    <p>Ademais, a análise envolve as ocorrências ilegais associadas à
    circulação de pessoas nas ruas (roubos e furtos), os crimes
    domésticos, visto que o isolamento social aproximou vítima e
    agressor no mesmo local e por mais tempo, e os crimes relacionados
    às drogas, pois o fechamento temporário de aeroportos e portos pôde
    represar o transporte de drogas, contraindo sua circulação e venda,
    dessa maneira, espera-se que esse produto ilícito circule mais
    dentro das próprias cidades.</p>
    <p>Inédita, a pesquisa inova ao analisar o efeito da pandemia pela
    Covid-19 sobre os crimes nos municípios paulistas. Para tanto,
    considera-se três perspectivas: a) A influência da pandemia para a
    ocorrência dos diferentes tipos de crimes; b) A análise do efeito do
    isolamento social sobre os crimes de maneira geral; e c) O efeito de
    controles, como as variáveis socioeconômicas, que possam explicar
    melhor o comportamento da criminalidade na pandemia.</p>
  </disp-quote>
  <p>Este artigo fomenta o debate entre crime e isolamento social ao
  realizar uma análise estática e comparativa sobre o comportamento dos
  principais tipos de delitos no período pandêmico da Covid-19 para os
  645 municípios paulistas.</p>
  <disp-quote>
    <p>Além desta introdução, o artigo está organizado em mais quatro
    seções articuladas entre referencial teórico, metodologia,
    resultados e conclusão. A segunda seção contém as bases teóricas e
    os estudos aplicados sobre a economia do crime; a terceira parte, o
    processo metodológico para a construção dos modelos; na quarta, são
    apresentados os resultados da ACP e QCA; e na última seção, as
    conclusões.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="referencial-teórico-e-empírico">
  <title>REFERENCIAL TEÓRICO E EMPÍRICO</title>
  <disp-quote>
    <p>A economia do crime é uma área do conhecimento que busca
    compreender a criminalidade sob a ótica de um economista. O tema
    surge no contexto econômico entre as décadas de 1960 e 1970, com os
    estudos de Becker (1968) e Ehrlich (1996); portanto, precursores no
    desenvolvimento de um modelo teórico e econômico relacionado ao
    crime (SALVIATO; MOURÃO, 2016). Para Becker, a indústria do crime é
    como outra qualquer, em que a existência, o crescimento e o
    decrescimento resultam das forças de mercado. As pessoas escolhem
    como alocar seu tempo e seus talentos entre atividades legais e/ou
    ilegais, impulsionadas por expectativas de retorno líquido. A teoria
    de Becker não envolve questões morais ou éticas, todas as pessoas
    são potencialmente criminosas, pois estão sujeitas a raciocínios
    econômicos que comparam ganhos esperados e custos, considerados
    comuns nas atividades criminosas (CLEMENTE; WELTERS, 2007).</p>
    <p>De maneira geral, para Becker (1968), um modelo ótimo de combate
    ao crime deve considerar as seguintes relações individuais: o custo
    financeiro de cometer crimes, o número de crimes, o percentual de
    prisões e condenações, o percentual de crimes que são punidos com
    eficiência, os gastos efetivos com polícia e as despesas com o
    sistema judiciário e carcerário. Portanto, <italic>coeteris
    paribus</italic><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>, um aumento
    na probabilidade de punição e prisão provoca uma redução da
    quantidade de delitos que venham a ocorrer (SANTOS; CASAGRANDE;
    HOECKEL, 2015).</p>
    <p>A base teórica de Becker não mudou significativamente ao longo
    dos anos. Assim, coube ao autor construir um referencial teórico
    capaz de atribuir notoriedade acadêmica ao problema da
    criminalidade. No entanto, Becker não realizou nenhum estudo
    econométrico<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>. Posteriormente,
    com o desenvolvimento da economia do crime, os autores preencheram
    essa lacuna e passaram a utilizar bases de dados cada vez mais
    detalhadas em seus estudos, ou seja, é cada vez mais recorrente o
    uso de variáveis socioeconômicas para a análise sobre a
    criminalidade.</p>
    <p>Segundo Halicioglu (2012), as variáveis que se relacionam com as
    ocorrências criminais são divididas em três categorias. Nesse caso,
    algumas variáveis exercem efeito positivo e outras, efeitos negativo
    sobre a criminalidade: i) variáveis econômicas: desemprego, taxas de
    juros, PIB, desigualdade de renda, inflação, nível de renda e seguro
    desemprego (seguro trabalhista); ii) variáveis sociodemográficas:
    densidade populacional, número de filhos por mulher, taxa de
    urbanização, idade da população, taxa de divórcio e número de
    membros da família; e iii) detenção: variáveis relacionadas com a
    capacidade que os esforços públicos e privados têm de ditar a prisão
    de criminosos, por exemplo, contingente policial, apreensão de
    criminosos e gastos com segurança pública (HALICIOGLU, 2012).</p>
    <p>No primeiro grupo de variáveis, Winkelmann e Papps (1998)
    verificaram que o desemprego na Nova Zelândia, entre 1984 e 1996,
    não explica a variação na totalidade dos crimes, porém mostrou-se
    importante para determinar os crimes contra o patrimônio. Ademais,
    Beato Filho e Reis (2000), ao analisarem se variáveis
    socioeconômicas tinham alguma correlação com o crime no estado de
    Minas Gerais, em 1991, concluíram que o desemprego não influencia as
    taxas de criminalidade.</p>
    <p>Pereira (2017) analisou como a renda influencia a criminalidade
    nos municípios brasileiros e concluiu que em locais com maior PIB, o
    número de crimes tende a ser menor. No entanto, o crime violento é
    prevalente em comunidades com escassez de recursos. Porém, informa
    que os crimes contra o patrimônio (roubos e furtos) ocorrem em
    regiões mais ricas (alto PIB). No segundo grupo de variáveis, as
    taxas de criminalidade se correlacionam com a população apenas
    quando o crescimento populacional é não planejado ou desordenado, de
    forma que a população é privada de aspectos importantes para uma boa
    qualidade de vida e moradia (ANDRADE, 2020).</p>
    <p>Para Araújo (2002), cidades com alta densidade demográfica são
    favoráveis ao comportamento criminoso, pois facilitam a transmissão
    do conhecimento a potenciais criminosos, reduzindo o custo de
    execução e planejamento do crime. Criminosos de classes sociais mais
    baixas tendem a cometer os mesmos tipos de crimes, pois convivem e
    se comunicam com pessoas do mesmo meio. Por sua vez, criminosos de
    classes sociais mais altas têm acesso a outro tipo de aprendizado, o
    que permite a execução de crimes mais elaborados, sobretudo mais
    rentáveis.</p>
    <p>Em relação às variáveis de detenção, os estudos usam a
    elasticidade para observar a relação entre policiamento e
    criminalidade. Levitt (1997) utilizou um painel de efeito fixo para
    59 cidades americanas entre os anos de 1970 e 1992 e encontrou
    elasticidades de: -0.07 para estelionato, -0.58 para assassinatos e
    -1.23 para roubos e veículos. Cornwell e Trumbull (1994), ao
    utilizarem as variáveis de probabilidade de captura, condenação de
    prisão e quantidade de policial por habitante (polícia <italic>per
    capita</italic>), em uma análise em painel de efeito fixo para as
    cidades da Carolina do Norte, encontraram elasticidade negativa para
    as duas primeiras variáveis, mas elasticidade positiva para o
    policiamento.</p>
    <p>Para a análise da Covid 19 em um âmbito internacional, Neanidis e
    Rana (2021) analisaram os efeitos dos bloqueios induzidos pelo
    coronavírus em crimes na Inglaterra, concluindo que os bloqueios
    diminuíram o comportamento criminoso, com exceção de crime
    envolvendo drogas e crimes contra a ordem pública. Outro estudo que
    buscou entender a relação entre isolamento social e criminalidade
    foi elaborado por Payne, Morgan e Piquero (2020), na Austrália. Para
    os autores, os crimes de agressão sexual e agressão grave diminuíram
    em abril de 2020, período em que o distanciamento social foi mais
    intensificado.</p>
    <p>Halford <italic>et al.</italic> (2020) examinaram o impacto do
    isolamento social sobre os crimes no Reino Unido. Nesse caso, os
    autores verificaram que os crimes diminuíram: furto (-62%),
    violência doméstica (-45%) e furto de veículos (-43%). Para os
    Estados Unidos, Mohler <italic>et al.</italic> (2020) verificaram o
    impacto da Covid-19 nas cidades de Los Angeles e Indianápolis, entre
    janeiro e abril de 2020. Para os autores, os roubos foram menores em
    Indianápolis após a permanência em casa, entretanto a diminuição não
    foi estatisticamente significativa; porém, as agressões não sofreram
    mudança em Indianápolis e em Los Angeles, contrariamente, os crimes
    de violência doméstica tiveram um crescimento.</p>
    <p>No Brasil, a criminalidade também teve uma redução. Os dados do
    Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 indicam que roubos a
    residências diminuíram cerca de 16%, roubos a pessoas circulando nas
    ruas reduziram em 34%, roubos de veículos caíram em 22,5%, roubos de
    cargas diminuíram em 25,7% e roubos a comércio decaíram em 18,8%.
    Ricas (2021) e Clemente <italic>et al.</italic> (2020), ao
    analisarem a evolução dos crimes contra a pessoa e o patrimônio no
    estado do Rio Grande do Sul, no período de janeiro de 2017 a maio de
    2020, verificaram que, enquanto roubos e crimes contra o patrimônio
    apresentaram decréscimos, o estelionato aumentou em torno de 47%,
    pois devido às pessoas permanecerem em casa, tornaram-se alvos mais
    fáceis para crimes virtuais.</p>
    <p>Finalmente, fazendo a comparação entre países desenvolvidos,
    países em desenvolvimento e o Brasil, percebe-se que a criminalidade
    foi afetada de forma diferente, ou seja, enquanto nos países
    desenvolvidos a pandemia parece ter sido um fator que baixou
    acentuadamente a criminalidade, a queda não foi tão marcante nos
    países em desenvolvimento. Assim, cabe analisar se fatores externos
    como altas taxas de desemprego e piores condições de vida podem ter
    influenciado na magnitude da queda, bem como associar variáveis
    socioeconômicas à criminalidade para ter uma visão ampla do
    fenômeno.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="estratégia-metodológica">
  <title>ESTRATÉGIA METODOLÓGICA</title>
  <disp-quote>
    <p>A estratégia metodológica combina técnicas de Análise de
    Componentes Principais (ACP) com Análise Qualitativa Comparativa
    (QCA) sobre um conjunto de variáveis aleatórias nos anos de 2019 e
    2020. A partir da ACP, identificam-se os crimes com maior
    representatividade na formação do componente principal. Em seguida,
    um índice geral de criminalidade é criado para ser usado na QCA.</p>
    <p>A ACP é uma técnica estatística de análise multivariada que
    permite a investigação com grande número de dados disponíveis. Além
    disso, a ACP identifica as medidas responsáveis pelas maiores
    variações entre os resultados, sem perdas significativas de
    informações. Para isso, a técnica transforma um conjunto de
    variáveis originais em outro conjunto reduzido, os componentes
    principais de dimensões equivalentes (JOHNSON; WICHERN, 2007). Essa
    transformação, que busca eliminar algumas variáveis originais que
    possuam pouca informação, ocorre com a menor perda de informação,
    sendo que a redução somente é possível se as variáveis iniciais
    forem independentes e tiverem coeficientes de correlação não nulos
    (JOHNSON; WICHERN, 2007).</p>
    <p>Algebricamente, os componentes principais são combinações
    lineares das p variáveis aleatórias,<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ z_{1}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>z</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>,<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ z_{2}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>z</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>,<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ z_{3}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>z</mml:mi><mml:mn>3</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
    ... <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[z_{p}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>z</mml:mi><mml:mi>p</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
    e dependem exclusivamente da matriz de covariância (ou matriz de
    correlação) dessas variáveis. Além disso, os componentes principais
    dispensam a suposição de normalidade multivariada. Pode-se, pois,
    expressar os componentes principais conforme o seguinte sistema de
    equações lineares:</p>
    <p><inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[Y_{1}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>Y</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
    = <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{1}^{´}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msubsup><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn><mml:mi>´</mml:mi></mml:msubsup></mml:math></alternatives></inline-formula>=<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ a_{11}Z_{1}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>11</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>+<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ a_{12}Z_{2}\ ]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>12</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>+
    ... + <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{1p}Z_{p}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mrow><mml:mn>1</mml:mn><mml:mi>p</mml:mi></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mi>p</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
    (1)</p>
    <p><inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[Y_{2}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>Y</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
    = <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{2}^{´}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msubsup><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn><mml:mi>´</mml:mi></mml:msubsup></mml:math></alternatives></inline-formula>=<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ a_{22}Z_{2}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>22</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>+<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ a_{22}Z_{2}\ ]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>22</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>+
    ... + <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{2p}Z_{p}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mrow><mml:mn>2</mml:mn><mml:mi>p</mml:mi></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mi>p</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
    (2)</p>
    <p>.</p>
    <p>.</p>
    <p>.</p>
    <p><inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[Y_{p}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>Y</mml:mi><mml:mi>p</mml:mi></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
    = <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{p}^{´}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msubsup><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>p</mml:mi><mml:mi>´</mml:mi></mml:msubsup></mml:math></alternatives></inline-formula>=<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ a_{p1}Z_{2}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mrow><mml:mi>p</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>+<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\ a_{p2}Z_{2}\ ]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mrow><mml:mi>p</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:mrow></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>+
    ... + <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{\text{pp}}Z_{p}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">pp</mml:mtext></mml:msub><mml:msub><mml:mi>Z</mml:mi><mml:mi>p</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
    (3)</p>
    <p>De acordo com Johnson e Wichern (2007), o primeiro componente é
    aquele cuja combinação possui variância máxima, ou seja, que
    maximiza Var (<inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{1}^{´}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msubsup><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn><mml:mi>´</mml:mi></mml:msubsup></mml:math></alternatives></inline-formula>Z)
    sujeito a <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[a_{1}^{´}a_{1}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msubsup><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn><mml:mi>´</mml:mi></mml:msubsup><mml:msub><mml:mi>a</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>=
    1. Além disso, a ACP recorre-se dos autovalores e respectivos
    autovetores normalizados da matriz de correlação pela qual é
    possível a visualização do melhor componente, que é o que melhor
    resume as informações de uma base de dados (VERDINELLI, 1980).</p>
    <p>Após a extração dos autovalores e autovetores, é possível
    ranquear os componentes. Os três principais componentes (que têm os
    melhores resultados) devem expressar o máximo de variabilidade total
    dos dados. Os componentes não devem se correlacionar uns com os
    outros, dessa maneira, o primeiro componente não deve estar
    correlacionado com o segundo, nem o segundo com o terceiro, nem o
    terceiro com o primeiro ou com o segundo; isso deve ocorrer até o
    momento em que os Componentes Principais representam mais de 70% da
    variância total dos dados, conforme postula o critério de Pearson
    (CECCONELLO; CENTENO; GUEDES, 2018).</p>
    <p>Este critério é complementado com o de Kaiser. O critério de
    Kaiser consiste em adicionar somente aqueles componentes cujos
    valores próprios sejam maiores que 1. Este critério tende a incluir
    poucos componentes quando o número de variáveis originais é inferior
    a vinte, uma vez que, de maneira geral, utilizam-se componentes que
    sintetizam a variância acumulada em torno de 70% (KAISER, 1958;
    CATTELL, 1966). Por fim, complementa-se aos critérios o teste de
    KMO, a fim de avaliar a adequação da matriz de correlação (JOHNSON;
    WICHERN, 2007).</p>
    <p>Por seu turno, a QCA é apropriada para analisar causalidade
    complexa em termos de condições (combinação de condições)
    necessárias e suficientes, isto é, explorar os padrões complexos de
    relacionamento entre os conjuntos que descrevem condições
    estabelecidas na literatura, e assim, permitir ao pesquisador
    interpretar os padrões que são potencialmente causais, mostrados
    pelos objetos sobre investigação (SCHNEIDER; WAGEMANN, 2012). As
    técnicas QCA e suas aplicações foram criadas com o objetivo de
    tratar uma quantidade pequena de observações e de fornecer uma
    abordagem macro comparativa. A QCA tem particularidades e seus
    procedimentos, assim como sua metodologia, diferenciam-se em relação
    às demais técnicas. As variáveis explicativas são mostradas como
    condições e a variável dependente é denominada resultado
    (MONTENEGRO, 2016).</p>
    <p>A QCA é baseada na teoria dos conjuntos, que permite avaliar o
    pertencimento dos casos de uma estrutura de dados em determinados
    conjuntos, identificando as relações presentes entre certos
    conjuntos, além de interpretar essas relações em termos das
    propriedades de suficiência e necessidade (SCHNEIDER; WAGEMANN,
    2012). Por meio da ideia de pertencimento, a QCA identifica como
    certos conjuntos, combinados ou não, estão presentes ou ausentes de
    um fenômeno de interesse. Por meio das operações dos conjuntos
    (intersecção, união e negação) são estabelecidas as relações entre
    os conjuntos.</p>
    <p>Quando se está diante de um fenômeno de causalidade complexa,
    como é o caso dos crimes, altas taxas de crimes podem ocorrer em
    locais com PIB alto ou com alta densidade demográfica. Entretanto,
    essas relações podem acontecer de diferentes maneiras, dependendo
    das condições associadas; no caso, levando em considerando apenas
    uma única condição potencial: o isolamento social associado com a
    criminalidade. A partir daí, se introduz outras condições
    (desemprego, PIB <italic>per capita</italic>, evasão escolar) que
    delimitam as condições para ocasionar os crimes. As configurações
    resultantes servem como tipologias empíricas úteis para a análise
    comparativa (FERREIRA, 2017).</p>
    <p>Para a análise da QCA, existem dois tipos de informações
    possíveis de se operacionalizar: os conjuntos Fuzzy e os conjuntos
    Crisp, também denominado conjuntos Booleano (RAGIN, 1987). O
    conjunto Crisp é um conjunto binário convencional, com apenas duas
    categorias de informações, zero ou um; assim, este conjunto é
    utilizado para a construção da tabela verdade. Já o conjunto Fuzzy
    permite a calibração do grau de associação da combinação utilizando
    <italic>scores</italic>, cujos intervalos variam de 0 a 1.</p>
    <p>O diferencial do conjunto Fuzzy reside na possibilidade de
    escalonar diferentes <italic>scores</italic> de associação e,
    consequentemente, fornece associações parciais e complexas (GANTER;
    HECKER, 2014). Explicando de outro modo, ao invés de se desagregar
    casos em um determinado número de variáveis independentes, a QCA
    permite conceituar em combinações de atributos expressivos pelas
    suas combinações.</p>
    <p>Para a avaliação da QCA é preciso observar as medidas de
    consistência e cobertura (BETARELLI; FERREIRA, 2018). A medida de
    consistência é uma medida descritiva que mede o grau de proximidade
    da relação entre os conjuntos, desse modo, avalia a intensidade em
    que os casos que compartilham uma determinada condição (ou
    combinação de condições) colaboram com o resultado. Quanto mais
    próximo de 1, maior a consistência dos dados com a afirmação de que
    X é um subconjunto de Y ou, em termos lógicos: “se X, então Y (x ≤
    y)”.</p>
    <p><inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[I_{\text{XY}}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>I</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">XY</mml:mtext></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
    = <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\frac{min(x_{i}{,y}_{i})}{\sum x_{i}}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mfrac><mml:mrow><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:msub><mml:mrow><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>y</mml:mi></mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:mrow><mml:mrow><mml:mo>∑</mml:mo><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:mfrac></mml:math></alternatives></inline-formula>
    (4)</p>
    <p>A medida de cobertura é uma medida de quantificação da relevância
    empírica de uma condição ou combinação causal no conjunto das
    combinações causais. Ela se assemelha ao coeficiente de determinação
    no contexto econométrico. Dito de outro modo, a cobertura avalia a
    parcela dos elementos que estão presentes em x e y em relação ao
    total de casos em y [0,1]. Uma alta cobertura denota que a
    configuração específica tem relevância empírica quanto ao resultado
    (Y).</p>
    <p><inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[C_{\text{XY}}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>C</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">XY</mml:mtext></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
    = <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[\frac{min(x_{i}{,y}_{i})}{\sum y_{i}}]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mfrac><mml:mrow><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:msub><mml:mrow><mml:mo>,</mml:mo><mml:mi>y</mml:mi></mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow></mml:mrow><mml:mrow><mml:mo>∑</mml:mo><mml:msub><mml:mi>y</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:mfrac></mml:math></alternatives></inline-formula>
    (5)</p>
    <p>Porém, a classificação final de algumas configurações como
    suficientes é uma parte relevante da QCA. Depois que as
    configurações suficientes foram determinadas, pode-se usar a álgebra
    booleana para reduzir as configurações, por exemplo: se ambos a.B.C
    e A.B.C foram classificados como suficientes, isso reduziria para
    B.C. Essa redução é realizada via algoritmo Quine-McCluskey
    (LONGEST; VAISEY, 2008).</p>
    <p>Em termos de dados, para a variável criminalidade, são utilizados
    crimes contra a vida, crimes contra o patrimônio e crimes de porte e
    tráfico de entorpecentes (Tabela 1). Os crimes contra o patrimônio
    são aqueles que atacam diretamente o patrimônio de uma pessoa ou
    organização, assim, o objeto do crime é qualquer coisa que tenha
    valor patrimonial. Os crimes que possuem essa característica são
    roubos e furtos.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Tabela 1: Variáveis e fontes de pesquisa – municípios
  paulistas (2019-2020)</bold></p>
  <table-wrap>
    <table>
      <colgroup>
        <col width="25%" />
        <col width="16%" />
        <col width="30%" />
        <col width="29%" />
      </colgroup>
      <thead>
        <tr>
          <th>Dimensões</th>
          <th>Variável</th>
          <th>Descrição dos dados</th>
          <th>Fonte</th>
        </tr>
        <tr>
          <th rowspan="12">Crime</th>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{1}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Homicídio</th>
          <th rowspan="12">Secretaria de Segurança Pública do Estado de
          São Paulo (SSP/SP)</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{2}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Latrocínio</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{3}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>3</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Roubos (outros)</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{4}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>4</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Roubo de veículo</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{5}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>5</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Roubo de banco</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{6}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>6</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Roubo de carga</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{7}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>7</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th><p>Furto</p>
          <p>(outros) <xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></p></th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{8}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>8</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Furto de veículo</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{9}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>9</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Tráfico de entorpecentes</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{10}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>10</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Porte de entorpecentes</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{11}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>11</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Apreensão de drogas</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{12}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>12</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Ameaça à mulher</th>
        </tr>
        <tr>
          <th rowspan="5"></th>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{13}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>13</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Estupro de vulnerável</th>
          <th rowspan="5"></th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{14}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>14</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Estupro (mulher)</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{15}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>15</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Feminicídio</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{16}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>16</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Maus tratos (mulher)</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{17}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>17</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Lesão corporal (mulher)</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Isolamento Social</th>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{18}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>18</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Residencial</th>
          <th><italic>Community Mobility Reports</italic></th>
        </tr>
        <tr>
          <th rowspan="4">Socioeconômicos</th>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{19}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>19</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>PIB <italic>per capita</italic></th>
          <th>SEADE</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{20}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>20</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Densidade demográfica</th>
          <th>IBGE</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{21}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>21</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Desemprego</th>
          <th>CAGED</th>
        </tr>
        <tr>
          <th><inline-formula><alternatives>
          <tex-math><![CDATA[x_{22}]]></tex-math>
          <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mi>x</mml:mi><mml:mn>22</mml:mn></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula></th>
          <th>Abandono Escolar</th>
          <th>INEP</th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
      </tbody>
    </table>
  </table-wrap>
  <p>Fonte: Elaboração própria, com base nos dados de SEADE (2020), IBGE
  (2010), CAGED (2020); INEP (2020), Community Mobility Reports (2020) e
  Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (2020).</p>
  <disp-quote>
    <p>Os crimes contra a vida são aqueles que podem resultar em morte,
    dolosa ou não. Os crimes que se enquadram nesta categoria do Direito
    Penal são: homicídio; induzimento, instigação ou auxílio ao
    suicídio; infanticídio; e as modalidades de aborto (BRASIL, 1940).
    Por fim, o crime de tráfico de droga está previsto no art. 33 da Lei
    11.343/2006, que descreve diversas condutas que caracterizam o
    delito, vedando qualquer tipo de venda, compra, produção,
    armazenamento, entrega ou fornecimento, ainda que gratuito, de
    drogas sem autorização ou em desacordo com a legislação
    pertinente.</p>
    <p>Tendo esses crimes como base para a pesquisa, os dados foram
    retirados do <italic>site</italic> da Secretaria de Segurança
    Pública do Estado de São Paulo e os crimes relacionados à mulher
    foram solicitados por meio do SIC (Serviço de Informação ao
    Cidadão), pois o site da SSP/SP não apresenta os dados desagregados
    por município. É importante ressaltar que os dados passaram por um
    procedimento de relativização para evitar erros de estimações
    (relativizados para 100 mil habitantes).</p>
    <p>Este estudo também inclui na análise variáveis socioeconômicas,
    como densidade populacional, desemprego, PIB <italic>per
    capita</italic> e evasão escolar. A variável evasão escolar
    refere-se apenas ao ano de 2019, pois não houve aulas presenciais em
    2020. A utilização dessa variável se deve ao fato de que quando uma
    pessoa abandona a escola, há maior chance dela cometer algum
    comportamento criminoso (GUIMARÃES, 2017; TEXEIRA, 2011).</p>
    <p>A variável isolamento social foi elaborada com base nas
    informações do <italic>Community Mobility Reports</italic>,
    organizados pelo Google, onde esses relatórios mostram as tendências
    de deslocamento de pessoas nos municípios ao longo do tempo
    (diariamente), em diferentes locais, como: varejo, supermercados,
    parques, estações de trânsito, residências e locais de trabalho. A
    variável foi construída apenas com dados residenciais, o que
    significa que as pessoas cumpriram o distanciamento social ficando
    em casa. É importante ressaltar que essa variável foi utilizada
    apenas no ano de 2020, ano em que foi aplicado o isolamento social
    nos municípios paulistas.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="resultados">
  <title>RESULTADOS</title>
  <disp-quote>
    <p>A Tabela 2 reporta os dois principais componentes para os anos de
    2019 e 2020, que atendem simultaneamente aos critérios Person e
    Kaiser<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>. Ou seja, ambos os
    componentes possuem autovalores maiores que 1 e expressam mais de
    70% da variância total. O primeiro componente, em 2019, obteve um
    autovalor de 11,96 e, em 2020, atingiu 12.06. Por seu turno, o
    segundo componente, em 2019, relevou um autovalor de 1,7457
    enquanto, em 2020, atingiu 1,7866. Ambos atingem aproximadamente 80%
    da variabilidade total dos dados aleatórios. Além disso, os
    resultados pela técnica de ACP atendem aos testes de alfa de
    Cronbach, independência e KMO. Nos testes de correlação, a maioria
    das variáveis apresentou um alfa de Cronbach com valores acima de
    0,90, o que é considerado excelente para avaliar a confiabilidade
    das escalas das variáveis. Ao comparar a matriz de correlação e a
    identidade, observa-se que não eram iguais do ponto de vista
    estatístico, ou seja, o teste de esfericidade de Bartlett foi
    atendido. Por fim, o KMO apresentou valores maiores que 0,90,
    indicando que a matriz de correlação é adequada para a ACP.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Tabela 2: Índice para os crimes dos municípios
  paulistas</bold></p>
  <table-wrap>
    <table>
      <colgroup>
        <col width="32%" />
        <col width="19%" />
        <col width="19%" />
        <col width="15%" />
        <col width="15%" />
      </colgroup>
      <thead>
        <tr>
          <th rowspan="2">Crimes</th>
          <th colspan="2">Componentes 1</th>
          <th colspan="2">Componentes 2</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>2019</th>
          <th>2020</th>
          <th>2019</th>
          <th>2020</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Homicídio</th>
          <th>0.2851</th>
          <th>0.2840</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Latrocínio</th>
          <th>0.2838</th>
          <th>0.2800</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Roubos (outros)</th>
          <th>0.2864</th>
          <th>0.2843</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Roubo de veículo</th>
          <th>0.2862</th>
          <th>0.2852</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Roubo de banco</th>
          <th>0.2790</th>
          <th>0.2769</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Roubo de carga</th>
          <th>0.2858</th>
          <th>0.2844</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Furto (outros)</th>
          <th>0.2872</th>
          <th>0.2859</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Furto de veículo</th>
          <th>0.2866</th>
          <th>0.2858</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Tráfico de entorpecentes</th>
          <th>0.2830</th>
          <th>0.2825</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Porte de entorpecentes</th>
          <th>0.2265</th>
          <th>0.2595</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Apreensão de drogas</th>
          <th>0.2305</th>
          <th>0.2157</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Ameaça à mulher</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th>0.6610</th>
          <th>0.6242</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Estupro de vulnerável</th>
          <th>0.2869</th>
          <th>0.2854</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Estupro (mulher)</th>
          <th>0.2871</th>
          <th>0.2860</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Feminicídio</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th>0.2158</th>
          <th>0.2493</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Maus tratos (mulher)</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th>0.3074</th>
          <th>0.3411</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Lesão corporal (mulher)</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th>0.6472</th>
          <th>0.6549|</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Autovalor</th>
          <th>11.96</th>
          <th>12.06</th>
          <th>1.7457</th>
          <th>1.7866</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Proporção da variância total</th>
          <th>0.7036</th>
          <th>0.7096</th>
          <th>0.8063</th>
          <th>0.8147</th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
      </tbody>
    </table>
  </table-wrap>
  <p>Nota: * os valores ocultos situam-se abaixo de 0.10.</p>
  <p>Fonte: Elaborado pelos autores, com base nos dados da Secretaria de
  Segurança Pública de São Paulo (2019; 2020).</p>
  <disp-quote>
    <p>Em ambos os anos, o primeiro componente, que representa 70% da
    variância total, capta nitidamente as variáveis aleatórias
    associadas entre roubos, furtos, homicídios, latrocínios, drogas e
    estupros. Trata-se, pois, de um índice geral de maneira que
    evidencia que estes tipos de crimes urbanos, externos ao lar, estão
    correlacionados para a economia paulista no período. Mais
    especificamente, na Tabela 2, observa-se que os crimes que mais
    contribuíram para a formação do componente 1, em 2019, foram furtos
    (outros) (0,2872), estupros (mulher) (0,2871) e estupros de
    vulnerável (0,2869). Entretanto, em 2020, houve uma redução e os
    crimes passaram a representar 0,2859, 0,2860 e 0,2854,
    respectivamente. De maneira geral, verifica-se que os crimes contra
    o patrimônio, roubos (outros), roubos de veículo, roubos de banco,
    roubos de carga, furtos (outros) e furtos de veículo diminuíram no
    ano de 2020. A redução dos crimes contra o patrimônio pode ser
    explicada pelo isolamento social, já que a baixa circulação de
    pessoas nas ruas levou a menos oportunidades para os criminosos.</p>
    <p>Já os crimes contra a vida, também, diminuíram durante a pandemia
    da Covid-19. O homicídio apresentou uma pequena queda na formação do
    componente, em 2019, representando 0,2851, porém, em 2020,
    representou 0,2840. Com relação aos crimes envolvendo drogas,
    verifica-se que o porte de entorpecentes (drogas para o uso pessoal)
    aumentou durante o isolamento social. O aumento do uso de drogas
    durante a pandemia está associado a uma tentativa das pessoas de
    aliviar o estresse, a ameaça, a ansiedade e o desconforto (EEP,
    2020). Todavia, a apreensão de drogas e o tráfico apresentaram um
    arrefecimento durante a pandemia.</p>
    <p>Por seu turno, o segundo componente praticamente é formado por
    cargas significativas dos crimes contra as mulheres paulistas, como
    maus tratos, lesão corporal e ameaças. Este componente representou
    praticamente 10% da variância total dos dados e isolou certas
    variáveis que não exibem correlações significativas com os crimes
    supracitados no primeiro componente. Ou seja, como as variáveis de
    crime destacadas no primeiro componente correm, em geral, fora do
    lar, é possível sinalizar, em alguma medida, que os danos morais, as
    lesões corporais e as ameaças sofridas pelas mulheres devem ter
    ocorrido dentro da residência. Na formação deste segundo componente,
    destacam-se os crimes de maus tratos e as ameaças às mulheres, cujas
    variáveis aleatórias relevaram baixa correlação com os crimes
    urbanos, externos ao lar.</p>
    <p>Cabe salientar que nos crimes relacionados a mulheres e crianças,
    as estimações mostram que, durante a pandemia da Covid-19,
    aumentaram os feminicídios (0,2493), os maus tratos (0,3411), as
    lesões corporais (0.6549) e as ameaças (0.6242). No entanto, houve
    uma diminuição nas notificações de estupro de vulnerável e estupro
    de mulheres. Segundo o Fundo de Emergência das Nações Unidas para
    Crianças (UNICEF, 2020), as denúncias de crimes domésticos foram
    menores, pois as vítimas tinham medo de denunciar os agressores e
    medo da contaminação pelo vírus. Esses dois fatores ajudaram a
    reduzir a demanda por serviços de segurança.</p>
    <p>Na aplicação da QCA, as variáveis foram transformadas em
    conjuntos Fuzzy e o método de ranqueamento determinou um ponto de
    corte de 0,5 na amostra. A partir desse ponto, os valores foram
    considerados como altos e baixos, possibilitando observar o grau de
    pertencimento a um conjunto. A cada conjunto foi atribuída uma
    letra, muitas vezes, sendo a primeira letra da variável que foi
    transformada em conjunto, que se maiúscula (minúscula) retrata alta
    (baixa) probabilidade condicional dos casos em cada conjunto: C
    (crime), D (densidade demográfica), S (desemprego), P (PIB
    <italic>per capita</italic>), A (abandono escolar) e I (isolamento
    social).</p>
    <p>A Tabela 3 fornece a matriz de suficiência e necessidade para os
    conjuntos dos anos de 2019 e 2020. O conjunto densidade demográfica
    (D) seria o mais suficiente para levar ao desfecho de crimes (C),
    pois existem 0.828 de suas possíveis áreas compartilhadas, no ano de
    2019. Apesar dessa sobreposição significativa, não é possível
    inferir qual dos dois conjuntos está contido no outro. O menor
    coeficiente, em 2019, foi abandono escolar (A), indicando que altas
    taxas de abandono escolar não interferiram para a ocorrência de mais
    crimes nos municípios paulistas. No ano de 2020, o conjunto
    isolamento social (I) foi responsável por elevar a quantidade dos
    crimes em 0.675. Outro aspecto a ser considerado é uma maior
    homogeneidade dos resultados em 2020.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Tabela 3: Matriz de suficiência e necessidade dos conjuntos
  lógicos</bold></p>
  <table-wrap>
    <table>
      <colgroup>
        <col width="12%" />
        <col width="7%" />
        <col width="7%" />
        <col width="7%" />
        <col width="7%" />
        <col width="7%" />
        <col width="2%" />
        <col width="12%" />
        <col width="7%" />
        <col width="7%" />
        <col width="7%" />
        <col width="7%" />
        <col width="2%" />
        <col width="5%" />
      </colgroup>
      <thead>
        <tr>
          <th rowspan="2">Conjuntos</th>
          <th colspan="5">2019</th>
          <th></th>
          <th rowspan="2">Conjuntos</th>
          <th colspan="6">2020</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>C</th>
          <th>D</th>
          <th>S</th>
          <th>P</th>
          <th>A</th>
          <th></th>
          <th>C</th>
          <th>P</th>
          <th>D</th>
          <th colspan="2">S</th>
          <th>I</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>C</th>
          <th>1.000</th>
          <th>0.828</th>
          <th>0.741</th>
          <th>0.683</th>
          <th>0.600</th>
          <th></th>
          <th>C</th>
          <th>1.000</th>
          <th>0.669</th>
          <th>0.824</th>
          <th>0.858</th>
          <th colspan="2">0.012</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>D</th>
          <th>0.828</th>
          <th>1.000</th>
          <th>0.734</th>
          <th>0.683</th>
          <th>0.596</th>
          <th></th>
          <th>P</th>
          <th>0.669</th>
          <th>1.000</th>
          <th>0.679</th>
          <th>0.686</th>
          <th colspan="2">0.011</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>S</th>
          <th>0.746</th>
          <th>0.734</th>
          <th>1.000</th>
          <th>0.766</th>
          <th>0.589</th>
          <th></th>
          <th>D</th>
          <th>0.824</th>
          <th>0.679</th>
          <th>1.000</th>
          <th>0.855</th>
          <th colspan="2">0.014</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>P</th>
          <th>0.687</th>
          <th>0.683</th>
          <th>0.766</th>
          <th>1.000</th>
          <th>0.603</th>
          <th></th>
          <th>S</th>
          <th>0.858</th>
          <th>0.686</th>
          <th>0.855</th>
          <th>1.000</th>
          <th colspan="2">0.014</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>A</th>
          <th>0.677</th>
          <th>0.668</th>
          <th>0.684</th>
          <th>0.676</th>
          <th>1.000</th>
          <th></th>
          <th>I</th>
          <th>0.675</th>
          <th>0.609</th>
          <th>0.747</th>
          <th>0.765</th>
          <th colspan="2">1.000</th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
      </tbody>
    </table>
  </table-wrap>
  <p>Fonte: Resultados da pesquisa, com base nos dados de SEADE (2020),
  IBGE (2010), CAGED (2020); INEP (2020), Community Mobility Reports
  (2020) e Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (2020).</p>
  <disp-quote>
    <p>Além da investigação preliminar da matriz de suficiência e
    necessidade, são testadas as combinações lógicas que provocam ou
    estão associadas ao desfecho crime. Conforme Ferreira (2017), a
    lista de todas as combinações possíveis de condições, juntamente com
    a distribuição dos casos entre as combinações, permite distinguir as
    combinações com maior número de casos, em contradição, com os
    menores números de casos. Essa distribuição define os casos com grau
    de pertencimento acima de 0.5. Para realizar este procedimento é
    necessário selecionar pelo menos 75% – 80% dos casos que pertencem
    às combinações com mais elementos.</p>
    <p>Assim, para a construção do Anexo A, foi considerado um ponto de
    corte de 0.80, onde conjuntos abaixo desse corte não são
    considerados subconjuntos consistentes. O Anexo A fornece 14
    possíveis combinações lógicas que permitem um aumento da
    criminalidade em 2019 e 9 combinações de conjuntos no ano de 2020.
    Em 2019, existem 6 condições verdadeiras para o aumento dos crimes,
    que são: Dspa, DspA, DSpa, DSpA, DSPa e DSPA. Em 2019, a combinação
    DSPa está presente em 74 municípios paulistas que apresentam uma
    combinação de altas taxas de desemprego (S), grande densidade
    demográfica (D), PIB <italic>per capita</italic> alto (P) e baixo
    abandono escolar (A), que está associada a um aumento da
    criminalidade. Em 2020, observa-se que 137 municípios paulistas têm
    como característica alto PIB <italic>per capita</italic> (P), alta
    densidade demográfica (D), alta taxa de desemprego (S) e baixo
    isolamento social (i), associados a uma maior quantidade de
    crimes.</p>
    <p>Após identificar as combinações lógicas dos conjuntos, o próximo
    passo é a aplicação do Quine – McCluskey, algoritmo de minimização
    que irá reduzir ainda mais os conjuntos. O método consiste em
    comparar a presença de uma determinada condição causal em uma
    combinação e a ausência dessa mesma condição em outra combinação, e
    assim reduzir a combinação. Após a redução, obtemos as três melhores
    combinações de conjuntos D*p e D*S, em 2019, e D*S*i e D*S*P, em
    2020. Portanto, a redução dos conjuntos mostra que os municípios que
    tiveram alta densidade demográfica tenderam a ter maior índice de
    criminalidade, no ano de 2019. É importante ressaltar que a alta
    densidade demográfica precisou ser combinada como outra
    característica do município para gerar a criminalidade, como, baixo
    PIB (p) e alta taxa de desemprego (S).</p>
    <p>Os resultados de cobertura bruta, consistência e cobertura única
    são reportados na Tabela 4. Quanto maior a taxa de cobertura, mais o
    conjunto C (crime) está contido nos outros conjuntos. Quando existem
    vários caminhos para um resultado, a cobertura específica pode ser
    pequena. Em geral, é necessária uma alta taxa de consistência, pois
    não é bom se a cobertura for alta e a consistência, baixa.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Tabela 4: Combinações lógicas reduzidas para o alto
  crime</bold></p>
  <table-wrap>
    <table>
      <colgroup>
        <col width="14%" />
        <col width="11%" />
        <col width="11%" />
        <col width="13%" />
        <col width="2%" />
        <col width="14%" />
        <col width="11%" />
        <col width="11%" />
        <col width="13%" />
      </colgroup>
      <thead>
        <tr>
          <th colspan="4">2019</th>
          <th></th>
          <th colspan="4">2020</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>Combinações</th>
          <th>Cobertura bruta</th>
          <th>Cobertura única</th>
          <th>Consistência</th>
          <th></th>
          <th>Combinações</th>
          <th>Cobertura bruta</th>
          <th>Cobertura única</th>
          <th>Consistência</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>D*p</th>
          <th>0.556</th>
          <th>0.121</th>
          <th>0.858</th>
          <th></th>
          <th>D*S*i</th>
          <th>0.756</th>
          <th>0.219</th>
          <th>0.898</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>D*S</th>
          <th>0.645</th>
          <th>0.211</th>
          <th>0.880</th>
          <th></th>
          <th>D*S*P</th>
          <th>0.547</th>
          <th>0.009</th>
          <th>0.903</th>
        </tr>
        <tr>
          <th colspan="2">Cobertura global</th>
          <th>0.767</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">Cobertura global</th>
          <th>0.766</th>
          <th></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
      </tbody>
    </table>
  </table-wrap>
  <p>Fonte: Elaborado pelos autores, com base nos dados de SEADE (2020),
  IBGE (2010), CAGED (2020); INEP (2020), Community Mobility Reports
  (2020) e Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (2020).</p>
  <disp-quote>
    <p>Nos quatro conjuntos, o índice de suficiência está acima de 0,70,
    o que demonstra, por exemplo, que um município com grande população
    e ao mesmo tempo altas taxas de desemprego é condição suficiente
    para muitos crimes. Essas duas condições aumentam a chance de um
    município ter muitos crimes em torno de 0,645. Além disso, a
    combinação de uma grande população com baixo PIB (p) tende a
    aumentar os crimes em torno de 0,556.</p>
    <p>No ano de 2020, as 4 combinações (Anexo A) de conjuntos
    considerados verdadeiros para a obtenção de aumento de criminalidade
    foram reduzidas para 2 conjuntos. Observa-se que em municípios que
    tinham como características altas taxas de desemprego (S), densidade
    demográfica alta (D) e PIB <italic>per capita</italic> alto (P)
    tiveram chances de aumentar a ocorrência dos crimes em torno de
    0,903. Além disso, as estimativas mostram que municípios que tiveram
    baixo isolamento social apresentaram um aumento de crimes em torno
    de 0,898, porém, o baixo isolamento dever ser combinado com altas
    taxas de desemprego (S) e densidade demográfica alta (D).</p>
    <p>Por meio dos Anexo B e Anexo C é possível tirar algumas
    conclusões sobre a combinação entre os conjuntos que levam à
    ocorrência do conjunto crime. Em 2019, 6 combinações (Anexo A)
    resultaram na ocorrência de crimes. Na primeira combinação, o
    município com grande população gera maior chance de ocorrência de
    crime. A variável PIB <italic>per capita</italic> é a que menos
    contribuiu para a ocorrência da criminalidade, pois possui um menor
    número de combinações. Além disso, o alto PIB precisa estar
    associado a outras variáveis para resultar no conjunto crime. Em
    2020, a variável desemprego participou de todas as combinações que
    resultaram em criminalidade, porém, no ano de 2019, este fato não
    aconteceu, o que demostra que a pandemia agravou as condições
    sociais.</p>
    <p>Outro fato foi o deslocamento das atividades criminosas para
    outros municípios durante a pandemia. Esta constatação pode ser
    visualizada nas Figura 1 e Figura 2, que mostram como se
    distribuíram os crimes contra a vida, o patrimônio e os crimes
    ligados a drogas por 100 mil habitantes em 2019 e 2020. A frequência
    dos crimes é destacada de acordo com suas quantidades, que são
    devidamente identificadas com cores, de modo que a cor azul mais
    escura denota uma quantidade maior de crime e a cor mais clara, uma
    quantidade menor.</p>
    <p>Os crimes mais frequentes em 2020, no primeiro ano da pandemia da
    Covid 19, foram: tráfico de entorpecentes, variando de 4.163 a
    7.352; furto, variando de 87.9 a 164.4; e roubos, variando 66.7 a
    127.5. Porém, apesar desses crimes serem os mais prevalentes, quando
    comparados a 2019, eles foram menores do que os crimes contra o
    patrimônio (roubo e furto), tendo uma participação menor. Em 2020,
    houve diminuição do latrocínio e o município de São Miguel Arcanjo
    apresentou a maior quantidade desse crime.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Figura 1: Principais crimes nos municípios paulistas –
  Resultados da ACP (2019)</bold></p>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
  <p>Nota: Os mapas denotam a variável de criminalidade, sendo esta
  dividida entre crime contra a vida e contra o patrimônio e drogas por
  100 mil habitantes para o ano de 2019. A frequência dos crimes é
  ressaltada conforme suas quantidades, sendo estes identificados de
  acordo com as cores que variam conforme sua quantidade, de forma que,
  a cor mais escura em azul denota uma maior quantidade de crimes e a
  cor mais clara, uma quantidade menor. Desta forma, temos que os crimes
  mais acometidos para o ano de 2019 foram: tráfico de entorpecentes e
  roubos, sendo o primeiro de 4.439 a 7.869 e o segundo variando de 71.9
  a 137.4.</p>
  <p>Fonte: Os dados de crimes foram retirados da Secretaria de
  Segurança Pública – SSP – São Paulo/SP, 2019. Elaborado pelos autores,
  com uso do <italic>Software Arcgis 16.1</italic>.</p>
  <disp-quote>
    <p>Em 2019, os homicídios e os estupros se concentraram nas
    macrorregiões de Sorocaba, Campinas, Vale do Ribeira, Grande São
    Paulo e São José dos Campos. No ano de 2020, houve uma dispersão
    desses crimes para as demais macrorregiões, com aumento da
    ocorrência em alguns municípios como São José dos Campos, Redenção
    da Serra, São Luís do Paraitinga e São Paulo. Os crimes contra
    patrimônio (furto e roubo) e os de drogas diminuíram durante o ano
    da pandemia da Covid-19. Esse fato ratifica que crimes que dependem
    da circulação de pessoas nas ruas foram os mais afetados devido à
    redução do trânsito de pessoas nas ruas.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Figura 2: Principais crimes nos municípios paulistas –
  Resultados da ACP (2020)</bold></p>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
  <p>Fonte: Os dados de crimes foram retirados da Secretaria de
  Segurança Pública – SSP – São Paulo/SP, 2020. Elaborado pelos autores,
  com uso do <italic>Software Arcgis 16.1</italic>.</p>
  <disp-quote>
    <p>Além disso, não há razão para acreditar que a queda nos roubos e
    nos furtos se deva a mudanças na capacidade de notificação ou no
    processamento de ocorrências pela polícia, pois embora a
    subnotificação seja um problema em todas as categorias, roubos e
    furtos podem ser notificados on-line e as delegacias foram mantidas
    abertas durante o período da pandemia da Covid-19. Assim, espera-se
    que mudanças na mobilidade não tenham impacto nos incentivos à
    denúncia de crimes (BULLOCK; PELLEGRINO, 2021).</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="considerações-finais">
  <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
  <p>A pandemia da Covid-19 trouxe consequências para a saúde e o
  bem-estar da população. Diante da conscientização do alto índice de
  transmissão do vírus e da sobrecarga do sistema de saúde, os governos
  adotaram medidas restritivas para impedir a circulação de pessoas. Os
  resultados dessas medidas afetaram tanto as atividades econômicas
  legais quanto as ilegais. Com base nessa perspectiva, esta pesquisa
  busca analisar como se comportaram os crimes durante a pandemia da
  Covid-19 nos municípios do estado de São Paulo. A análise procede de
  uma estratégia metodológica que articula Análise de Componentes
  Principais (ACP) e Análise Qualitativa Comparativa (QCA). O período de
  análise são os anos de 2019 e 2020.</p>
  <disp-quote>
    <p>A ACP mostra que os crimes contra o patrimônio (roubos e furtos)
    e contra a vida tiveram uma redução no primeiro ano da pandemia, já
    que a baixa circulação de pessoas nas ruas dificultou a ação
    criminosa. Outro fato a ser destacado é o aumento dos casos de
    feminicídio, ameaça e lesão corporal contra as mulheres, entretanto,
    os casos de estupro diminuíram durante a pandemia; este resultado
    pode ter sido causado pela subnotificação dos casos, pois a pandemia
    aproximou vítima e agressor, o que pode ter dificultado a
    notificação. Por fim, a ACP mostra que houve aumento da posse de
    entorpecentes pela população durante a pandemia da Covid-19.</p>
    <p>Posteriormente, a técnica QCA mostra quais características
    socioeconômicas dos municípios auxiliaram na ocorrência dos altos
    índices de criminalidade. Constata-se que locais que apresentaram
    baixo isolamento social tiveram índices de criminalidade mais
    elevados, em torno de 89,8%. Ademais, as informações da QCA permitem
    inferir que a pandemia aumentou o desemprego, pois, em 2019, essa
    variável não foi relevante para a formação do conjunto crime, porém,
    em 2020, o desemprego tornou-se importante. O fato de muitas pessoas
    terem perdido o emprego durante o isolamento social pode ter
    resultado no crescimento da criminalidade. Assim, a pandemia da
    Covid-19 tem se mostrado um problema grave que vai muito além de uma
    grave situação de saúde mundial.</p>
    <p>A pesquisa, portanto, contribui para a identificação de crimes
    que tiveram um aumento durante a pandemia da Covid-19. Por meio
    destes resultados, as autoridades policiais podem focar mais no
    combate a esses crimes. Ao reconhecer que os problemas sociais se
    ampliaram nesse período, é possível criar políticas públicas para
    mitigar os efeitos negativos da pandemia na sociedade.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="section">
  <title></title>
</sec>
<sec id="referências-bibliográficas">
  <title>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</title>
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  <p><bold>ANEXO A: Combinações lógicas suficientes para os conjuntos
  desemprego, PIB <italic>per capita</italic>, abandono escolar,
  densidade demográfica, crime e isolamento social (2019 e
  2020)</bold></p>
  <table-wrap>
    <table>
      <colgroup>
        <col width="9%" />
        <col width="9%" />
        <col width="4%" />
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        <col width="5%" />
        <col width="5%" />
        <col width="6%" />
        <col width="6%" />
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        <col width="7%" />
        <col width="2%" />
        <col width="5%" />
        <col width="0%" />
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        <col width="0%" />
        <col width="4%" />
        <col width="6%" />
        <col width="2%" />
        <col width="4%" />
        <col width="5%" />
        <col width="5%" />
      </colgroup>
      <thead>
        <tr>
          <th colspan="10">2019</th>
          <th colspan="12">2020</th>
        </tr>
        <tr>
          <th rowspan="2">Classificação</th>
          <th rowspan="2">Combinações</th>
          <th colspan="2">Consistência</th>
          <th rowspan="2" colspan="2">F</th>
          <th rowspan="2">p-valor</th>
          <th rowspan="2">Número</th>
          <th colspan="2"></th>
          <th rowspan="2" colspan="2">Combinações</th>
          <th colspan="3">Consistência</th>
          <th rowspan="2" colspan="2">F</th>
          <th rowspan="2">p-valor</th>
          <th rowspan="2" colspan="2">Número</th>
          <th colspan="2"></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>D</th>
          <th>1-D</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th>D</th>
          <th colspan="2">1-D</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th rowspan="7">Alto crime</th>
          <th>Dspa</th>
          <th>0.869</th>
          <th>0.815</th>
          <th colspan="2">4.29</th>
          <th>0.039</th>
          <th>53</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">DSpi</th>
          <th>0.907</th>
          <th colspan="2">0.649</th>
          <th colspan="2">105.0</th>
          <th>0.000</th>
          <th colspan="2">114</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>DspA</th>
          <th>0.890</th>
          <th>0.837</th>
          <th colspan="2">4.78</th>
          <th>0.029</th>
          <th>32</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">DSpI</th>
          <th>1.000</th>
          <th colspan="2">0.633</th>
          <th colspan="2">4.82</th>
          <th>0.028</th>
          <th colspan="2">2</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>DSpa</th>
          <th>0.905</th>
          <th>0.794</th>
          <th colspan="2">21.19</th>
          <th>0.000</th>
          <th>32</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">DSPi</th>
          <th>0.903</th>
          <th colspan="2">0.619</th>
          <th colspan="2">115.2</th>
          <th>0.000</th>
          <th colspan="2">137</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>DSpA</th>
          <th>0.911</th>
          <th>0.773</th>
          <th colspan="2">28.20</th>
          <th>0.000</th>
          <th>33</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">DSPI</th>
          <th>0.939</th>
          <th colspan="2">0.623</th>
          <th colspan="2">4.65</th>
          <th>0.031</th>
          <th colspan="2">3</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>DSPa</th>
          <th>0.896</th>
          <th>0.716</th>
          <th colspan="2">46.29</th>
          <th>0.000</th>
          <th>74</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>DSPA</th>
          <th>0.911</th>
          <th>0.700</th>
          <th colspan="2">54.57</th>
          <th>0.000</th>
          <th>59</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="3"></th>
          <th></th>
          <th colspan="5"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="5"></th>
        </tr>
        <tr>
          <th rowspan="8">Baixo crime</th>
          <th>dspa</th>
          <th>0.720</th>
          <th>0.931</th>
          <th colspan="2">76.24</th>
          <th>0.000</th>
          <th>81</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">dspi</th>
          <th>0.648</th>
          <th colspan="2">0.930</th>
          <th colspan="2">172.7</th>
          <th>0.000</th>
          <th colspan="2">138</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>dspA</th>
          <th>0.754</th>
          <th>0.931</th>
          <th colspan="2">48.05</th>
          <th>0.000</th>
          <th>53</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">dsPi</th>
          <th>0.663</th>
          <th colspan="2">0.934</th>
          <th colspan="2">167.0</th>
          <th>0.000</th>
          <th colspan="2">118</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>dsPa</th>
          <th>0.772</th>
          <th>0.949</th>
          <th colspan="2">65.99</th>
          <th>0.000</th>
          <th>38</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">dSPi</th>
          <th>0.854</th>
          <th colspan="2">0.895</th>
          <th colspan="2">4.51</th>
          <th>0.034</th>
          <th colspan="2">34</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>dsPA</th>
          <th>0.792</th>
          <th colspan="2">0.954</th>
          <th>54.59</th>
          <th>0.000</th>
          <th>26</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th>Dspi</th>
          <th colspan="3">0.821</th>
          <th colspan="2">0.929</th>
          <th colspan="3">30.70 0.000</th>
          <th>37</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>dSpa</th>
          <th>0.824</th>
          <th>0.933</th>
          <th colspan="2">30.84</th>
          <th>0.000</th>
          <th>19</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2">DsPi</th>
          <th>0.827</th>
          <th colspan="2">0.932</th>
          <th colspan="2">30.90</th>
          <th>0.000</th>
          <th colspan="2">29</th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>dSpA</th>
          <th>0.860</th>
          <th>0.914</th>
          <th colspan="2">7.41</th>
          <th>0.007</th>
          <th>19</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>dSPa</th>
          <th>0.793</th>
          <th>0.918</th>
          <th colspan="2">32.10</th>
          <th>0.000</th>
          <th>41</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th>dSPA</th>
          <th>0.800</th>
          <th>0.897</th>
          <th colspan="2">16.20</th>
          <th>0.000</th>
          <th>45</th>
          <th></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
        <tr>
          <th colspan="3"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="3"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th colspan="2"></th>
          <th></th>
          <th></th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
      </tbody>
    </table>
  </table-wrap>
  <p><bold>Fonte</bold>: Elaboração própria, a partir de dados da
  Secretaria de Segurança Pública (2020).</p>
  <p><bold>Anexo B: Tabela verdade das 4 condições que podem gerar o
  conjunto crime (2019)</bold></p>
  <table-wrap>
    <table>
      <colgroup>
        <col width="10%" />
        <col width="31%" />
        <col width="12%" />
        <col width="19%" />
        <col width="10%" />
        <col width="18%" />
      </colgroup>
      <thead>
        <tr>
          <th>Fila</th>
          <th>D</th>
          <th>S</th>
          <th>P</th>
          <th>A</th>
          <th>C</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>0</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>2</th>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>3</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>4</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>5</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>6</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
      </tbody>
    </table>
  </table-wrap>
  <p>Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da Secretaria de
  Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP (2019).</p>
  <p><bold>Anexo C: Tabela verdade das 4 condições que podem gerar o
  conjunto crime (2020)</bold></p>
  <table-wrap>
    <table>
      <colgroup>
        <col width="19%" />
        <col width="18%" />
        <col width="17%" />
        <col width="15%" />
        <col width="18%" />
        <col width="15%" />
      </colgroup>
      <thead>
        <tr>
          <th>Fila</th>
          <th>P</th>
          <th>D</th>
          <th>S</th>
          <th>I</th>
          <th>C</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>2</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>0</th>
          <th>1</th>
        </tr>
        <tr>
          <th>3</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
          <th>1</th>
        </tr>
      </thead>
      <tbody>
      </tbody>
    </table>
  </table-wrap>
  <p>Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da Secretaria de
  Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP (2020).</p>
</sec>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Mantendo todas as demais coisas constantes.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>Pesquisas recentes sobre crimes possuem natureza
    empírica e utilizam modelos econométricos (MIJAN, 2017).</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>No site da SSP/SP existe a separação da variável
    furto em: furto de veículo e furto outros. Dentro de furto outros, a
    polícia enumera as ocorrências relacionadas a roubo de celulares,
    furto de cabos de energia, documentos e objetos (não especifica o
    objeto).</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>Este critério afirma que se os componentes
    principais explicam grande parte da variância total, acima de 70% é
    possível usá-los no lugar das variáveis originais sem perda de
    informação (SANTOS <italic>et al</italic>., 2010).</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
