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<p><bold>HOMICÍDIOS NO BRASIL: ANÁLISE DO INDIVÍDUO NO PERÍODO
2006-2019</bold></p>
<p></p>
<p><bold>Ronivaldo Steingraber</bold></p>
<p>Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Professor do
Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSC.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Santa Catarina
<bold>Cidade:</bold> São José</p>
<p><bold>Email:</bold> ronivaldo.steingraber@gmail.com
<bold>ORCID:</bold> https://orcid.org/0000-0003-4110-6701</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>O objetivo deste artigo é verificar empiricamente os óbitos por
homicídios no Brasil entre 2006-2019 em função das características do
indivíduo. A partir do exame da literatura dedicada ao tema da
violência, com destaque para as causas dos homicídios, no campo da
Economia, da Criminologia e da Sociologia, este artigo investiga os
microdados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do DATASUS, que
reúne todos os óbitos do país no período considerado. Os resultados
estimados confirmam a causalidade apontada pela literatura: o aumento da
escolaridade e da idade reduzem as chances de homicídio. Os resultados
também mostram que a possibilidade de morte por homicídio aumenta em até
5 vezes se o indivíduo for homem e em mais de 100% se o indivíduo for
preto ou pardo; se o indivíduo for branco, as chances de morte por
homicídio são 60% menores.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Homicídios. Desigualdade.
Desenvolvimento.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>HOMICIDES IN BRAZIL: INDIVIDUAL ANALYSIS IN PERIOD
2006-2019</bold></italic></p>
<p><italic>The aim of this article is to verify empirically the
homicides death in Brazil between 2006-2019 according to individual
characteristics. Based on literature examination dedicated to the theme
of violence, with emphasis on homicide causes, in the field of Economy,
Criminology, and Sociology, this article investigated the microdata from
DATASUS MIS (Mortality Information System), which gathers all deaths in
the country at considered period. The estimated results confirm the
causality pointed out in the literature: the increasing in schooling and
age reduce the chances of homicide. The results also show that the
possibility of homicide death increases by up to 5 times if the
individual is man, and more than 100% if the individual is black or
brown; if the individual is white, the chances of homicide death are 60%
lower.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords</bold>: Homicide. Inequality.
Development.</italic></p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 30/05/2022 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 05/10/2022</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2024.v18.n1.1744</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O foco deste artigo é identificar os fatores que explicam o número
  de mortes por homicídios. Os crimes violentos apresentam impactos
  econômicos e sociais consideráveis. No caso do Brasil, a taxa de
  homicídios (homicídios por 100 mil habitantes) está entre as mais
  altas do mundo, o país concentra 3% da população mundial e 14% dos
  homicídios (SAE, 2018). Conforme os dados do Banco Mundial (World
  Bank, s.d.) a média mundial é de 5 homicídios para 100 mil habitantes,
  no ano de 2018; no Brasil, a média é de 27 para cada 100 mil
  habitantes, no ano de 2018, ligeiramente acima da média da América
  Latina e do Caribe, de 22 homicídios para 100 mil habitantes no mesmo
  período.</p>
  <p>A preocupação com o elevado número de homicídios reside na
  verificação da queda da produtividade e no aumento dos custos para a
  sociedade, como aponta o relatório da Secretaria de Assuntos
  Estratégicos (SAE, 2018). O aumento dos custos relacionados à
  violência recai mais sobre o governo, que necessita aumentar os gastos
  com segurança, como aponta Kahn (1999). Para a sociedade, há a queda
  no bem-estar, como afirma o estudo de Cerqueira <italic>et
  al.</italic> (2007). Além da alocação de recursos públicos para a
  segurança e não para outras áreas prioritárias, como educação e saúde.
  O debate na Economia mostra a falha de mercado e as distorções
  associadas ao aumento da violência. Em outras palavras, os homicídios
  impactam negativamente no nível de desenvolvimento econômico da
  sociedade. Cerqueira e Soares (2010) são mais específicos: os
  homicídios estão relacionados com o aumento das disparidades regionais
  e de gênero.</p>
  <p>Esse debate mostra que a violência está relacionada com a presença
  de desigualdades na sociedade. Elas formam obstáculos para o
  desenvolvimento econômico, portanto, elevados níveis de homicídios
  indicam problemas e demandam políticas públicas, já que ultrapassam a
  competência do mercado e se configuram em instituições que atrapalham
  o desenvolvimento. Por exemplo, a baixa qualidade da educação pública
  favorece a desigualdade educacional entre brancos e negros, o que se
  reflete na taxa de homicídios. A contribuição deste estudo reside na
  identificação de características individuais relacionadas aos
  homicídios no Brasil no período entre 2006 e 2019. Para confirmar a
  hipótese de que os homicídios no Brasil possuem um padrão
  microeconômico, este estudo realiza uma investigação empírica com os
  dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do DATASUS,
  disponibilizados pela Plataforma de Ciência de Dados aplicada à Saúde
  (PCDaS) da Fundação Oswaldo Cruz.</p>
  <p>O Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) identifica todos os
  óbitos registrados no país, acrescentando informações médicas de
  características dos indivíduos, da família e da região. O corte de
  análise realizado seleciona os homicídios, conforme a metodologia
  apontada pelo Atlas da Violência 2020, do Instituto de Pesquisa
  Econômica Aplicada (Ipea).</p>
  <p>Metodologicamente, este artigo contribui com o debate sobre os
  fatores que explicam os casos de homicídios ao usar microdados. Os
  atuais estudos utilizam médias para os agrupamentos de indivíduos
  (gênero, idade) no tempo e no território (estados, municípios). Nesse
  sentido, a contribuição pode ser visualizada pela definição direta do
  homicídio comparado com outros tipos de morte, e não a utilização de
  uma taxa de homicídio (da região). Além do foco no indivíduo, uma
  segunda contribuição reside na introdução de variáveis que explicam a
  desigualdade econômica. A identificação do indivíduo nos estudos que
  analisam as causas dos homicídios (que estão em taxa por 100 mil
  habitantes) é original da área da Criminologia (idade, gênero, raça).
  Na Economia, os homicídios são relacionados com a desigualdade e, na
  pesquisa utilizada (SIM do DATASUS), a escolaridade e a característica
  de ter emprego ou não são introduzidas no modelo estimado, para
  verificar se os indivíduos com morte por homicídio apresentam menor
  escolaridade e maior possibilidade de estarem fora do mercado de
  trabalho.</p>
  <p>Para cumprir o objetivo de identificar a causalidade entre as
  características do indivíduo e os homicídios no país, assim como a
  identificação da taxa de mudança entre as variáveis independentes e os
  homicídios, este artigo é dividido em seis seções, incluindo esta
  introdução.</p>
  <p>A seção dois discute os modelos que avaliam de forma teórica e
  empírica os determinantes dos homicídios. Esta teoria pertence ao
  escopo da Economia, da Criminologia e da Sociologia, o que demonstra
  como esta investigação é multidisciplinar.</p>
  <p>A seção três apresenta os dados, as estatísticas descritivas e uma
  análise gráfica da distribuição entre idade e óbitos por homicídios e
  outras causas. As médias das variáveis também são separadas para os
  óbitos por homicídios e não homicídios. São encontradas diferenças
  significativas entre os dois tipos de óbitos, o que demonstra como os
  homicídios apresentam dependência das características específicas dos
  indivíduos.</p>
  <p>A seção quatro realiza as estimativas por regressão logística. Os
  resultados são discutidos na seção cinco, que também conclui o
  artigo.</p>
</disp-quote>
<p><bold>HOMICÍDIOS, SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A Economia não apresenta uma teoria sobre os homicídios, os estudos
  existentes são aplicados e partem de premissas de outras disciplinas,
  como a Sociologia, a Demografia e a Criminologia.</p>
  <p>O ponto de partida no estudo sobre os fatores que explicam os
  homicídios é a definição das características do indivíduo. Essa
  definição é apresentada pela Criminologia e envolve três fatores,
  apontados por Delisi e Vaughn (2006): i) idade (jovens), ii) gênero
  (masculino), e iii) raça (negra).</p>
  <p>A maior parcela dos crimes violentos envolvendo jovens é explicada
  pelo maior tempo livre desses indivíduos, sem a supervisão de adultos
  (Agustina; Felson, 2016), e pela imposição dos limites de
  comportamento pela sociedade, que busca se preservar coibindo o
  comportamento egoísta e agressivo, característico da infância, o que
  coloca os jovens, principalmente os do gênero masculino, em uma
  mudança forçada de atitude, o que os leva a assumirem riscos maiores
  (Delisi; Vaughn, 2016).</p>
  <p>O próximo passo da literatura é verificar como o ambiente
  influencia o comportamento do indivíduo. Nesse campo, além da
  Criminologia, a Sociologia contribui com a definição do impacto da
  família (Delisi; Vaughn, 2016), da vizinhança e da comunidade (Akers;
  Jennings, 2016) e da região (Beeghley, 2003) sobre a taxa de
  homicídios.</p>
  <p>A maior incidência de negros no número de homicídios é explicada
  pela Sociologia, como referência inicial à Teoria da Desorganização
  Social. A concentração de crimes violentos é explicada pela
  heterogeneidade racial, presente nas regiões mais pobres e incidentes
  mais sobre negros e menos sobre os brancos, assim como a instabilidade
  residencial, que igualmente afeta mais a população negra (Kubrin; Wo,
  2016).</p>
  <p>Soares (2008) inova ao estabelecer a relação entre homicídios e a
  Teoria do Desenvolvimento Econômico (TDE). O autor estabelece sua
  análise sobre as diferenças entre o desenvolvimento econômico e o
  desenvolvimento social. O aumento da violência está relacionado com a
  desigualdade social (distribuição de renda, analfabetismo, mortalidade
  infantil). Porém, o uso de indicadores clássicos de desigualdade
  econômica, como o índice de Gini, não captura e explica as taxas de
  homicídios. O crescimento urbano ao longo do tempo (função do
  desenvolvimento econômico) explicaria o aumento dos homicídios (falta
  de desenvolvimento social).</p>
  <p>Beeghley (2003) estabelece a relação entre homicídios e a TDE. A
  causalidade existente entre a desigualdade (analisada pela TDE) e a
  taxa de homicídios, para o autor:</p>
  <p>O desenvolvimento económico tem implicações para a taxa de
  homicídios, bem como para outras formas de desvio de conduta. O
  desenvolvimento económico significa que os governos (...) podem
  controlar cada vez mais quais os bens que são produzidos e quem se
  beneficia; determinam assim quanta desigualdade existe e que formas
  ela assume (pobreza extrema, por exemplo) [...]. Estas diferenças na
  desigualdade e no homicídio refletem, portanto, escolhas políticas
  deliberadas. Este resultado pode não ser pretendido, no entanto, uma
  vez que muitas pessoas, incluindo os decisores, podem não reconhecer a
  relação entre desigualdade e homicídio. (Beeghley, 2003, p.
  30-31).<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></p>
  <p>Na Economia, os estudos que utilizam a TDE não são maioria. Há a
  investigação microeconômica do impacto da violência, que aplica a
  relação custo/benefício na análise. Os efeitos dos danos, como as
  vidas perdidas e a elevação dos custos associados à violência, o
  mercado de segurança privado e os fatores inibidores da violência,
  como a legislação (punição e controle), são analisados nessa
  perspectiva (Delisi; Vaughn, 2016).</p>
  <p>A segunda análise da Economia sobre os homicídios considera os
  determinantes e as causas da violência. Entre as causas da violência
  há, conforme Tcherni (2011), três esferas de análise: i) indivíduo,
  ii) família e iii) região ou vizinhança. Swart <italic>et al.</italic>
  (2019) denominam estas esferas de análise, respectivamente, como:
  desvantagem socioeconômica do indivíduo, estrutura do domicílio e
  família e composição demográfica, que são justamente as variáveis
  estabelecidas na Criminologia, na Sociologia e na Demografia. Não há
  uma teoria nessa análise, mas uma investigação empírica que utiliza os
  modelos anteriormente identificados.</p>
  <p>Na análise dos determinantes da violência, há uma mistura de
  teorias que buscam explicar crimes diferentes. A violência, que inclui
  homicídios, assassinatos e estupros, não possui os mesmos fatores de
  determinação do que os crimes contra o patrimônio, como roubos,
  furtos, tráfico de drogas, estelionato ou crimes fiscais (sonegação e
  corrupção). Os crimes contra o patrimônio são analisados conforme a
  teoria da Economia do Crime, de Becker (1968). Já os crimes violentos
  não respondem ao arcabouço teórico dessa linha de pesquisa. A taxa de
  desemprego não é significativa para explicar a taxa de homicídios em
  vários estudos, como em Kapuscinski, Braithwaite e Chapman (1998), que
  denominam esta relação como um paradoxo. Já outros estudos encontram
  significância estatística, mas os resultados são antagônicos, com
  estudos que encontram sinal positivo (McCall; Land; Parker, 2011) e
  estudos com sinal estimado negativo (Cantor; Land, 1985). Por fim,
  Cowling (2008) critica o arcabouço teórico da Economia do Crime, ao
  indagar se todo trabalhador é potencialmente um criminoso, bastando
  para isso mudar os incentivos.</p>
  <p>Os crimes contra o patrimônio impactam mais a sensação de
  insegurança dos indivíduos (Skogan, 1986; Hale, 1996; Cordner;
  Scanborough, 2010). A reação da sociedade pode impactar na definição
  de políticas públicas de segurança que ajudam na redução da violência.
  Todavia, a origem dos fatores relacionados aos dois tipos de crimes é
  diferente.</p>
  <p>A visão da Economia do Crime de Becker (1968) considera os custos
  envolvidos na atividade criminal, os retornos e a punição. De acordo
  com a relação, o criminoso, que é visto como um empresário que
  maximiza a sua utilidade, pode decidir entrar ou não na criminalidade.
  Há, aqui, uma análise racional de custos versus benefícios. Outro
  fator considerado é o salário. O mercado do crime pode apresentar
  crescimento na oferta de criminosos se o salário pago no mercado
  formal for baixo, caso o retorno do crime seja alto ou a chance de
  punição seja pequena. O indivíduo tende a cometer crime quando este se
  apresentar economicamente viável.</p>
  <p>Como já apresentado anteriormente, a hipótese econômica de que o
  desemprego aumenta a violência é rejeitada em vários estudos sobre o
  tema, como mostram os trabalhos de South e Cohen (1985), Blomquist e
  Westerlund (2014) e Levitt (2004). A conclusão é de que a elevação dos
  homicídios não está relacionada ao desemprego, mas sim à
  desigualdade.</p>
  <p>A desigualdade é atualmente o principal objeto de investigação das
  causas dos homicídios. Ela é verificada em diversos estudos que
  investigam a origem da violência. Cerqueira e Soares (2010) e
  Chintrakarn e Herzer (2012) analisam a desigualdade da renda e
  verificam o seu impacto na explicação dos homicídios. Quanto maior a
  disparidade de renda, principalmente entre brancos e negros, maior é a
  violência. Agnew (2016) também mostra evidências do efeito da
  desigualdade econômica sobre a violência, mas alerta que a renda da
  família e as políticas públicas inibem o aumento dos homicídios.</p>
  <p>Outros estudos utilizam variáveis que identificam a desigualdade
  entre os indivíduos, como o índice de Gini, utilizado no estudo de
  Fajnzylber, Lederman e Loyaza (2002), e a taxa de pobreza, utilizada
  em Bourguignon (1999). O estudo de Messner, Raffalovich e Sutton
  (2010) utiliza a mortalidade infantil e a taxa de fertilidade (número
  de nascidos por mulher) é usada para explicar os homicídios em
  Neanidis e Papadopoulou (2013) e Easterlin e Shapiro (1979). A relação
  entre território e desigualdade também explica o número de homicídios,
  como nos estudos de Gaigné e Zenou (2015) e de Menezes <italic>et
  al.</italic> (2013).</p>
  <p>Há ainda uma linha de pesquisa que considera a desigualdade advinda
  da falta de investimento em educação. Gould, Weinberg e Mustard (2002)
  mostram que a presença de mão de obra masculina desqualificada está
  positivamente relacionada com a violência. Já Tcherni (2011) relaciona
  a pobreza com o baixo nível educacional, que explica o aumento do
  número de homicídios. Nesses estudos, a conclusão é de que, sem
  reduzir o hiato educacional que promove a desigualdade, não há como
  reduzir a violência.</p>
  <p>Por fim, alguns economistas analisam a desigualdade do mercado de
  trabalho e a relacionam com os homicídios. De forma direta, Raphael e
  Winter-Ebmer (2001) e Altindag (2012) mostram que o crescimento do
  desemprego aumenta o número de homicídios. A conclusão empírica
  verificada confirma a hipótese de Becker, na Economia do Crime. Porém,
  em Becker (1968), a relação entre violência e desemprego é analisada
  racionalmente, via custo de oportunidade, com os rendimentos do crime;
  nos estudos anteriores, o desemprego é um fator de aumento da
  desigualdade, já que atinge a população mais desqualificada (menor
  grau de capital humano – desigualdade social), com menos condições
  (desigualdade de renda) e residente nas regiões mais vulneráveis
  (desigualdade territorial). Neste sentido, o desemprego representa uma
  fonte da desigualdade no mercado de trabalho.</p>
  <p>O desemprego cíclico é analisado em Engelen, Lander e Essen (2016)
  e em Fallahy e Rodrígues (2014). Em ambos os casos, a conclusão aponta
  para a relação entre desemprego e desigualdade como fator de promoção
  da violência (Burdett; Lagos; Wright, 2003). Apenas o estudo de
  Enamorado <italic>et al.</italic> (2016) se aproxima das hipóteses da
  Economia do Crime, ao relacionar a violência com a desigualdade e a
  presença de Crime Organizado e tráfico de drogas.</p>
  <p>Em todos os estudos que encontram uma relação estatisticamente
  significativa entre desemprego e homicídio, a taxa de desemprego está
  relacionada com alguma desigualdade social (raça) ou estrutural
  (mercado de trabalho com baixo nível educacional). Percebe-se que a
  hipótese inicial de Becker (1968) não é facilmente adaptável ao
  contexto da violência.</p>
  <p>Há ainda estudos que relacionam a violência com o ambiente, como em
  Rodrigues e Armstrong (2019), que mostram como a intervenção militar
  no estado do Rio de Janeiro, em 2018, aumentou os registros de
  homicídios e não reduziu a violência. O ambiente com crime organizado
  e o tráfico de drogas também impulsiona o aumento da violência, como
  mostra o estudo de Cardoso <italic>et al.</italic> (2016). Além de
  fatores associados ao ambiente, há ainda fatores comportamentais,
  ligados ao perfil psicológico do indivíduo, como homicídios
  provenientes de distúrbios comportamentais, preconceitos (homofobia) e
  crimes de ódio, como o feminicídio (Cerqueira, 2014).</p>
  <p>Percebe-se que os estudos da Economia que identificam as causas da
  violência estão mais relacionados ao fenômeno da desigualdade (social,
  econômica e geográfica) do que à hipótese do custo de oportunidade do
  salário e entrada no mercado do crime. Os problemas do desenvolvimento
  afetam a desigualdade e incentivam a violência, mesmo com a presença
  de crescimento econômico, como mostram os estudos de Anderson (1976),
  Goldthorpe (1974), Hirsch (1976) e Lipset (1979). A desigualdade
  social e econômica afeta a violência, conforme apontam diversos
  estudos, como Blau e Blau (1982), Messner (1982, 1983) e Bailey
  (1984). Há uma dicotomia, os estudos aplicados rejeitam a teoria
  econômica ortodoxa (Economia do Crime), porém não apresentam um
  arcabouço teórico que sustente os fatos apresentados.</p>
  <p>Os estudos que explicam a taxa de homicídios em função da
  desigualdade utilizam a região e as características dos indivíduos
  como vetores de diferenças (heterogeneidade estrutural). O estudo de
  Peres <italic>et al.</italic> (2011) utiliza a diferença entre
  regiões, onde a periferia da cidade concentra os casos de violência.
  Logicamente, a região é de alta exclusão e abriga os indivíduos com
  menor renda e escolaridade. O perfil mais utilizado nos estudos
  empíricos aborda as seguintes características: i) homem, ii) negro;
  iii) idade entre 15 e 25 anos, iv) residente na periferia. Os
  trabalhos de Cardoso <italic>et al.</italic> (2016) e Soares Filho
  (2011) mostram que este perfil explica a grande maioria dos casos de
  homicídios no Brasil.</p>
  <p>A desigualdade pode ser verificada no baixo desempenho escolar do
  perfil mais associado aos homicídios, como mostra o estudo de Fagan e
  Western (2005). O baixo nível educacional explica a manutenção da
  desigualdade e, indiretamente, o aumento da violência. Apodaca
  <italic>et al.</italic> (2015) mostram que este perfil de indivíduo
  ainda apresenta baixa participação no mercado de trabalho, o que
  explica a desigualdade de renda. Os homicídios se concentram
  justamente na população mais vulnerável, com menor nível de renda e de
  educação, residentes nas periferias.</p>
  <p>Por fim, a idade é um fator de explicação da violência, que se
  concentra mais entre os jovens. A teoria define este comportamento
  como a curva de idade-crime. Estudos como Cerqueira (2014),
  Gawryszewski e Costa (2005) e McCall, Land e Cohen (1990) identificam
  essa relação como significativa para explicar os crimes violentos e
  contra o patrimônio. Cohen e Land (1987) são os primeiros a
  identificarem este comportamento na análise dos crimes violentos,
  porém as evidências mostram que esse comportamento se repete para os
  demais tipos de crimes. A explicação é que os crimes, assim como
  homicídios, são concentrados na faixa mais jovem da população, que se
  inicia no final da adolescência até o início da idade adulta.</p>
  <p>Todos esses estudos confirmam que os homicídios atingem mais o
  perfil masculino, negro, jovem e de periferia. Estudos aplicados, como
  o Atlas da Violência, do Ipea, confirmam este cenário. A estratégia
  empírica adotada avança sobre essa discussão, apresentando resultados
  com os dados nacionais que entram em sintonia com os estudos
  internacionais, determinando a causalidade e a intensidade desta
  relação entre as variáveis socioeconômicas e a taxa de homicídios no
  Brasil. Esta discussão é apresentada a seguir.</p>
</disp-quote>
<p><bold>MODELO ESTIMADO E FONTE DE DADOS</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Os dados de homicídios no Brasil são disponibilizados pelo DATASUS,
  por meio do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), que abrange
  todas as informações de mortes no Brasil. A compilação utilizada com
  os microdados do SUS é da Plataforma de Ciência de Dados Aplicada à
  Saúde (PCDaS), da Fundação Oswaldo Cruz.</p>
  <p>O período de análise consiste do ano de 2006 até 2019. A série
  disponibilizada se inicia no ano de 1996, mas a metodologia é
  diferente da atual utilizada, que muda justamente no ano de 2006, onde
  se inicia esta pesquisa. Entre as variáveis disponíveis, utiliza-se a
  variável CIRCOBITO (abreviação de circunstância do óbito), que assume
  os seguintes valores: 1 (acidente), 2 (suicídio), 3 (homicídio), 4
  (outros), 9 (ignorado). Ela foi transformada em uma variável binária,
  na seguinte forma:</p>
  <p><inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[{Homicídio}_{\text{it}} = \{ 1\ se\ CIRCOBITO\ 3\ 0\ se\ CIRCOBITO\ 1,2,\ 4\ e\ 9\ ]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mrow><mml:mi>H</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>í</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi></mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mo stretchy="false" form="prefix">{</mml:mo><mml:mn>1</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>C</mml:mi><mml:mi>I</mml:mi><mml:mi>R</mml:mi><mml:mi>C</mml:mi><mml:mi>O</mml:mi><mml:mi>B</mml:mi><mml:mi>I</mml:mi><mml:mi>T</mml:mi><mml:mi>O</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mn>3</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mn>0</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>C</mml:mi><mml:mi>I</mml:mi><mml:mi>R</mml:mi><mml:mi>C</mml:mi><mml:mi>O</mml:mi><mml:mi>B</mml:mi><mml:mi>I</mml:mi><mml:mi>T</mml:mi><mml:mi>O</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mn>1</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mn>2</mml:mn><mml:mo>,</mml:mo><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mn>4</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mn>9</mml:mn><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
  (1)</p>
  <p>Onde a variável dependente é definida a partir de duas hipóteses:
  i) todos os indivíduos que estão no SIM e ii) os indivíduos com morte
  violentas. O período e a esfera geográfica são iguais para as duas
  variáveis dependentes. A diferença reside no agrupamento, enquanto a
  variável <italic>i</italic> abrange todos os óbitos no Brasil, a
  variável <italic>ii</italic> contempla apenas as mortes violentas;
  neste sentido, a estimativa será diferente em termos dos parâmetros
  estimados. Em termos estatísticos, a segunda variável considera apenas
  a variável original Circunstância do Óbito (CIRCOBITO), com as demais
  variáveis de causas de mortes como dados perdidos. A primeira variável
  considera os dados perdido como zero, comparando com qualquer tipo de
  morte do SIM.</p>
  <p>A estimativa das variáveis de <inline-formula><alternatives>
  <tex-math><![CDATA[{Homicídio}_{\text{it}}]]></tex-math>
  <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:msub><mml:mrow><mml:mi>H</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>í</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi></mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub></mml:math></alternatives></inline-formula>
  pode ser realizada por modelos Logísticos, que pertencem à classe de
  Modelos Lineares Generalizáveis (GLM). Com a base de microdados,
  pode-se verificar a diferença entre os indivíduos, sem a necessidade
  de se usar uma taxa, como a maioria dos estudos aplicados. A vantagem
  reside na maior capacidade de se verificar uma relação de causalidade
  sem interferência indireta de outras variáveis. A estimativa por
  regressão logística ainda permite a determinação da taxa de variação
  (sensibilidade) entre as variáveis explicativas (independentes) e os
  homicídios (dependente). O modelo a ser estimado é:</p>
</disp-quote>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[{Homicídio}_{\text{it}} = \alpha_{0} + \alpha_{1}\text{idade}_{\text{it}} + \alpha_{2}\text{escolaridade}_{\text{it}} + \alpha_{3}\text{CBO}_{\text{it}} + \alpha_{4}\text{masculino}_{\text{it}} + e_{\text{it}}]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mrow><mml:mi>H</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>í</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi></mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>0</mml:mn></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">idade</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">escolaridade</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>3</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">CBO</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>4</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">masculino</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>e</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
(2)</p>
<disp-quote>
  <p>As variáveis independentes são: a idade do indivíduo (considera
  apenas indivíduos acima de quinze anos), a escolaridade (faixas de
  anos de estudo, de zero a cinco), dummy CBO (Código Brasileiro de
  Ocupações), que mostra se o indivíduo trabalha (1) ou não trabalha
  (0), e uma dummy para o gênero masculino. Após a estimativa de (2), é
  introduzida a variável de controle do grupo racial, que pode ser: i)
  branco ou ii) pretos e pardos. Como estas variáveis são binárias, as
  estimativas são realizadas de forma separada:</p>
</disp-quote>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[{Homicídio}_{\text{it}} = \alpha_{0} + \alpha_{1}\text{idade}_{\text{it}} + \alpha_{2}\text{escolaridade}_{\text{it}} + \alpha_{3}\text{CBO}_{\text{it}} + \alpha_{4}\text{masculino}_{\text{it}} + {\alpha_{5}\text{branca}}_{\text{it}} + e_{\text{it}}]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mrow><mml:mi>H</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>í</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi></mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>0</mml:mn></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">idade</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">escolaridade</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>3</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">CBO</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>4</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">masculino</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>5</mml:mn></mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">branca</mml:mtext></mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>e</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
(3)</p>
<p><inline-formula><alternatives>
<tex-math><![CDATA[{Homicídio}_{\text{it}} = \alpha_{0} + \alpha_{1}\text{idade}_{\text{it}} + \alpha_{2}\text{escolaridade}_{\text{it}} + \alpha_{3}\text{CBO}_{\text{it}} + \alpha_{4}\text{masculino}_{\text{it}} + {\alpha_{5}preto + pardo}_{\text{it}} + e_{\text{it}}]]></tex-math>
<mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:msub><mml:mrow><mml:mi>H</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>í</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi></mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>0</mml:mn></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">idade</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">escolaridade</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>3</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">CBO</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>4</mml:mn></mml:msub><mml:msub><mml:mtext mathvariant="normal">masculino</mml:mtext><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mrow><mml:msub><mml:mi>α</mml:mi><mml:mn>5</mml:mn></mml:msub><mml:mi>p</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mo>+</mml:mo><mml:mi>p</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi></mml:mrow><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>e</mml:mi><mml:mtext mathvariant="normal">it</mml:mtext></mml:msub></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula>
(4)</p>
<disp-quote>
  <p>As variáveis de controle de raça são da própria base de dados SIM.
  Nenhuma variável foi criada para este estudo. Em relação ao conjunto
  de variáveis utilizadas nas estimativas, a Tabela 1, a seguir,
  apresenta as estatísticas descritivas calculadas.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 1: Estatísticas descritivas das variáveis</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="31%" />
      <col width="17%" />
      <col width="18%" />
      <col width="18%" />
      <col width="17%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th></th>
        <th>N</th>
        <th>Mínimo</th>
        <th>Máximo</th>
        <th>Média</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Homicídio geral</th>
        <th>26.346.043</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>0,3465</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Homicídio violência</th>
        <th>3.382.488</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>0,0444</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade</th>
        <th>24.590.847</th>
        <th>15</th>
        <th>133</th>
        <th>64,76</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade</th>
        <th>16.649.452</th>
        <th>1</th>
        <th>5</th>
        <th>2,42</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>CBO</th>
        <th>26.346.043</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>0,49</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Masculino</th>
        <th>26.327.581</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>0,57</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Branca</th>
        <th>22.793.257</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>0,56</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Preta + Pardo</th>
        <th>22.793.257</th>
        <th>0</th>
        <th>1</th>
        <th>0,42</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração do autor, com dados do SIM (DATASUS).</p>
<p>A Tabela 1 mostra algumas informações importantes para as
estimativas. A primeira coluna apresenta o número de observações,
percebe-se a diferença entre as variáveis, o que mostra dados perdidos
(<italic>missing data</italic>). A investigação de banco de dados
enfrenta este desafio, o que não necessariamente significa que as
estimativas são tendenciosas. O número máximo de observações é dos
homicídios em geral, que envolvem todas as causas de morte no país; no
período analisado, este valor é de mais de 26 milhões de óbitos. O
número de indivíduos do gênero masculino fica um pouco abaixo e
considera se o indivíduo é do gênero masculino (1) ou feminino (0), os
dados perdidos totalizam a diferença (18.462), o que representa 0,0004%.
Estes valores são erros de digitação ou de preenchimento das
estatísticas e não interferem no resultado final.</p>
<disp-quote>
  <p>O valor da variável CBO é igual à variável Homicídios (geral). A
  exatidão se dá pela transformação dos dados perdidos em zero, ou seja,
  se a informação sobre o emprego é inexistente, assume-se que o
  indivíduo não está trabalhando.</p>
  <p>As demais diferenças são de 9.696.590 (36,80%) para a escolaridade,
  1.755.196 (6,66%) para a idade de adulto, o que exclui os menores de
  15 anos, portanto, este total inclui, além dos dados perdidos, os
  menores de 15 anos. As variáveis de raça (branca e preta/parda)
  apresentam uma diferença de 3.552.786 (13,48%).</p>
  <p>Para os dados perdidos que ultrapassam 10% da amostra (Miot, 2019),
  é importante definir a sua aleatoriedade, o que conclui que a
  distribuição dos dados faltantes apresenta a mesma distribuição da
  amostra e a sua falta não interfere nos resultados. A Tabela 2, a
  seguir, mostra as correlações entre as variáveis.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 2: Correlação de Pearson entre os dados perdidos das
variáveis</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="19%" />
      <col width="16%" />
      <col width="13%" />
      <col width="13%" />
      <col width="13%" />
      <col width="13%" />
      <col width="13%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th></th>
        <th>Escolaridade</th>
        <th>CBO</th>
        <th>Masculino</th>
        <th>Idade</th>
        <th>Branco</th>
        <th>Pretos e pardos</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade</th>
        <th>-</th>
        <th>-</th>
        <th>-0,011</th>
        <th>-0,17</th>
        <th>-0,12</th>
        <th>-0,12</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>CBO</th>
        <th>-0,02</th>
        <th>-</th>
        <th>-0,16</th>
        <th>-0,24</th>
        <th>0,05</th>
        <th>0,05</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Masculino</th>
        <th>0,02</th>
        <th>-</th>
        <th>-</th>
        <th>0,004</th>
        <th>0,002</th>
        <th>0,002</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade</th>
        <th>-0,05</th>
        <th>-</th>
        <th>0,00</th>
        <th>-</th>
        <th>-0,09</th>
        <th>-0,02</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Branco</th>
        <th>0,02</th>
        <th>-</th>
        <th>-0,007</th>
        <th>-0,04</th>
        <th>0,02</th>
        <th>-</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Pretos e pardos</th>
        <th>-0,02</th>
        <th>-</th>
        <th>0,006</th>
        <th>0,40</th>
        <th>-</th>
        <th>-</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração do autor, com dados do SIM (DATASUS).</p>
<p>Conforme a Tabela 2, as correlações calculadas são baixas, o que
indica que os dados perdidos não estão enviesados com as variáveis
originais. Sem influência e correlação, os dados perdidos não interferem
nas estimativas realizadas. Como há dois grupos de controle, os
homicídios entre as mortes com causas violentas e todos os óbitos, as
diferenças das médias entre as variáveis são apresentadas na Tabela 3, a
seguir.</p>
<p><bold>Tabela 3: Médias de homicídios no Brasil (2006-2019)</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="23%" />
      <col width="18%" />
      <col width="20%" />
      <col width="18%" />
      <col width="20%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th rowspan="2">Variáveis</th>
        <th colspan="2">Mortes violentas</th>
        <th colspan="2">Todos os óbitos</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Homicídios</th>
        <th>Outras mortes violentas<sup>(a)</sup></th>
        <th>Homicídios</th>
        <th>Outras mortes</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade</th>
        <th>30,82</th>
        <th>46,62</th>
        <th>30.82</th>
        <th>66,39</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade</th>
        <th>2,91</th>
        <th>2,82</th>
        <th>2,91</th>
        <th>2,40</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Masculino</th>
        <th>0,91</th>
        <th>0,75</th>
        <th>0,91</th>
        <th>0,55</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>CBO</th>
        <th>0,55</th>
        <th>0,56</th>
        <th>0,55</th>
        <th>0,49</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Branca</th>
        <th>0,31</th>
        <th>0,50</th>
        <th>0,31</th>
        <th>0,58</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Preto e Pardo</th>
        <th>0,67</th>
        <th>0,48</th>
        <th>0,67</th>
        <th>0,40</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>(a) acidentes, acidentes de trabalho e suicídios.</p>
<p>Fonte: Elaboração do autor, com dados do SIM (DATASUS).</p>
<disp-quote>
  <p>Os valores médios das variáveis independentes em relação aos
  homicídios mostram que a idade média dos indivíduos que morrem de
  homicídios é de 30,82 anos, enquanto a média das mortes violentas é de
  46,62 anos, e para todos os óbitos no Brasil a média é de 66,39 anos.
  Estes valores consideram apenas os indivíduos com mais de 15 anos
  (adultos) e não são a expectativa de vida dos indivíduos no país, mas
  a idade média de óbito dos indivíduos. A diferença entre a média de
  todas as mortes e os homicídios é de 35,57 anos, mais do que a média
  das mortes por homicídios. O elevado número de homicídios reduz a vida
  média do brasileiro que morre por homicídios em mais de três décadas
  em relação às demais causas de morte no país.</p>
  <p>O valor médio da escolaridade é maior para os indivíduos que morrem
  por homicídios em relação às demais mortes violentas e demais mortes.
  Há uma forte influência da população mais idosa na média geral, que
  possui menor escolaridade. O mesmo vale para os indivíduos empregados
  (CBO), a média entre os indivíduos com mortes violentas é praticamente
  igual às mortes por homicídios, e ambos são maiores do que a média
  geral. Como os dados perdidos são distribuídos aleatoriamente (ver o
  teste de correlação sem significância), as diferenças nas médias
  refletem diferenças populacionais (estruturais).</p>
  <p>Há diferenças significativas em relação ao gênero. Os indivíduos do
  gênero masculino representam 91% dos homicídios do país, no período
  analisado, e 75% das mortes violentas; para o total de mortes, o
  gênero masculino representa 55% do total de óbitos.</p>
  <p>Além do gênero masculino, os homicídios também se concentram na
  população preta e parda. A população branca responde por 31% dos
  homicídios, enquanto a população preta e parda representa 67%. Nas
  mortes violentas, a diferença é pequena, com 50% e 48%,
  respectivamente. Para o total de mortes, a população branca representa
  58% do total de mortes, enquanto a população preta e parda representa
  40%. O valor de mortes da população branca é maior apenas para o total
  de mortes; para as mortes violentas, a população preta e parda
  apresenta um valor médio ligeiramente menor, porém, nos homicídios, a
  taxa é mais do que o dobro.</p>
  <p>As estimativas realizadas são apresentadas na próxima seção em duas
  etapas. A primeira é a própria estimativa e sua robustez, assim como
  os sinais e a significância estatística. A segunda é a razão de
  possibilidade ou razão de chance (<italic>Odds Ratio</italic>), que
  determina a possibilidade de ocorrência da variável de controle em
  relação à ocorrência de óbito por homicídio.</p>
</disp-quote>
<p><bold>ESTIMATIVAS</bold></p>
<disp-quote>
  <p>As estimativas são apresentadas a seguir, na Tabela 4.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 4: Estimativas para a regressão logística dos homicídios
no Brasil – 2006-2019</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="10%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="9%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th></th>
        <th colspan="2">Mortes violentas</th>
        <th colspan="2">Todos os óbitos</th>
        <th colspan="2">Mortes violentas</th>
        <th colspan="2">Todos os óbitos</th>
        <th colspan="2">Mortes violentas</th>
        <th colspan="2">Todos os óbitos</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Intercepto</th>
        <th><p>1,29*</p>
        <p>(143,87)</p></th>
        <th><p>-0,63*</p>
        <p>(-39,22)</p></th>
        <th><p>0,41*</p>
        <p>(56,98)</p></th>
        <th><p>-2,21*</p>
        <p>(-154,36)</p></th>
        <th><p>1,33*</p>
        <p>(143,94)</p></th>
        <th><p>-0,49*</p>
        <p>(-29,04)</p></th>
        <th><p>0,47*</p>
        <p>(63,19)</p></th>
        <th><p>-2,05*</p>
        <p>(137,54)</p></th>
        <th><p>0,88*</p>
        <p>(89,37)</p></th>
        <th><p>-0,90*</p>
        <p>(-52,65)</p></th>
        <th><p>-0,04*</p>
        <p>(-5,46)</p></th>
        <th><p>-2,51*</p>
        <p>(-166,64)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade</th>
        <th><p>-0,05*</p>
        <p>(-452,79)</p></th>
        <th><p>-0,006*</p>
        <p>(-12,04)</p></th>
        <th><p>-0,10*</p>
        <p>(-1015,91)</p></th>
        <th><p>-0,04*</p>
        <p>(-78,62)</p></th>
        <th><p>-0,04*</p>
        <p>(-419,09)</p></th>
        <th><p>-0,006*</p>
        <p>(-12,17)</p></th>
        <th><p>-0,10*</p>
        <p>(-965,49)</p></th>
        <th><p>-0,04*</p>
        <p>(-77,83)</p></th>
        <th><p>-0,04*</p>
        <p>(-418,32)</p></th>
        <th><p>-0,006*</p>
        <p>(-12,51)</p></th>
        <th><p>-0,10*</p>
        <p>(-964,67)</p></th>
        <th><p>-0,04*</p>
        <p>(-78,20)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade ao quadrado</th>
        <th></th>
        <th><p>-0,0005*</p>
        <p>(-79,90)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,0007*</p>
        <p>(-110,41)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,0004*</p>
        <p>(-74,12)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,0007*</p>
        <p>(-103,70)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,0004*</p>
        <p>(-73,71)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,0007*</p>
        <p>(-103,27)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>CBO</th>
        <th><p>-0,00006<sup>ns</sup></p>
        <p>(-0,02)</p></th>
        <th><p>-0,03*</p>
        <p>(-9,64)</p></th>
        <th><p>0,21*</p>
        <p>(70,72)</p></th>
        <th><p>0,15*</p>
        <p>(53,29)</p></th>
        <th><p>0,02*</p>
        <p>(6,92)</p></th>
        <th><p>-0,01*</p>
        <p>(-3,59)</p></th>
        <th><p>0,22*</p>
        <p>(73,75)</p></th>
        <th><p>0,17*</p>
        <p>(55,44)</p></th>
        <th><p>0,02*</p>
        <p>(7,13)</p></th>
        <th><p>-0,01*</p>
        <p>(3,37)</p></th>
        <th><p>0,22*</p>
        <p>(74,00)</p></th>
        <th><p>0,17*</p>
        <p>(55,70)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade</th>
        <th><p>-0,20*</p>
        <p>(-124,03)</p></th>
        <th><p>0,72*</p>
        <p>(88,02)</p></th>
        <th><p>-0,05*</p>
        <p>(-38,97)</p></th>
        <th><p>1,26*</p>
        <p>(177,47)</p></th>
        <th><p>-0,18*</p>
        <p>(-102,82)</p></th>
        <th><p>0,68*</p>
        <p>(79,62)</p></th>
        <th><p>-0,02*</p>
        <p>(-15,88)</p></th>
        <th><p>1,22*</p>
        <p>(164,37)</p></th>
        <th><p>-0,18*</p>
        <p>(-102,62)</p></th>
        <th><p>0,67*</p>
        <p>(78,84)</p></th>
        <th><p>-0,02*</p>
        <p>(-15,58)</p></th>
        <th><p>1,21*</p>
        <p>(163,45)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade ao quadrado</th>
        <th></th>
        <th><p>-0,15*</p>
        <p>(-115,96)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,22*</p>
        <p>(188,74)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,14*</p>
        <p>(-103,28)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,21*</p>
        <p>(-171,37)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,14*</p>
        <p>(-102,45)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,21*</p>
        <p>(-170,39)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Masculino</th>
        <th><p>0,82*</p>
        <p>(152,52)</p></th>
        <th><p>0,73*</p>
        <p>(135,46)</p></th>
        <th><p>1,71*</p>
        <p>(359,81)</p></th>
        <th><p>1,64*</p>
        <p>(346,24)</p></th>
        <th><p>0,78*</p>
        <p>(141,22)</p></th>
        <th><p>0,70*</p>
        <p>(126,77)</p></th>
        <th><p>1,68*</p>
        <p>(346,50)</p></th>
        <th><p>1,62*</p>
        <p>(335,53)</p></th>
        <th><p>0,77*</p>
        <p>(140,80)</p></th>
        <th><p>0,70*</p>
        <p>(126,49)</p></th>
        <th><p>1,68*</p>
        <p>(346,10)</p></th>
        <th><p>1,62*</p>
        <p>(335,27)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Branca</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,44*</p>
        <p>(-124,86)</p></th>
        <th><p>-0,42*</p>
        <p>(-119,25)</p></th>
        <th><p>-0,51*</p>
        <p>(-164,32)</p></th>
        <th><p>-0,46*</p>
        <p>(-149,48)</p></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Preto + Pardo</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th><p>0,45*</p>
        <p>(128,27)</p></th>
        <th><p>0,43*</p>
        <p>(121,79)</p></th>
        <th><p>0,52*</p>
        <p>(169,67)</p></th>
        <th><p>0,47*</p>
        <p>(152,65)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>LR teste</th>
        <th><p>356271,0</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>377415,3</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>2418687,3</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>2472028,9</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>351653,5</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>368850,2</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>2354442,9</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>2399005,2</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>352519,4</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>369464,9</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>2355920,7</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>2399977,0</p>
        <p>(0,00)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Pseudo R<sup>2</sup></th>
        <th>0,1413</th>
        <th>0,1496</th>
        <th>0,4148</th>
        <th>0,4240</th>
        <th>0,1454</th>
        <th>0,1525</th>
        <th>0,4199</th>
        <th>0,4279</th>
        <th>0,1458</th>
        <th>0,1528</th>
        <th>0,4202</th>
        <th>0,4280</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Pearson</th>
        <th><p>41695,41</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>25032,76</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>103186,51</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>206733,53</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>39022,04</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>26623,30</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>96859,24</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>239929,42</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>38840,66</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>26685,52</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>97016,26</p>
        <p>(0,00)</p></th>
        <th><p>249628,64</p>
        <p>(0,00)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Classificação correta</th>
        <th>68,32</th>
        <th>69,11</th>
        <th>95,51</th>
        <th>95,72</th>
        <th>68,79</th>
        <th>69,59</th>
        <th>95,60</th>
        <th>95,74</th>
        <th>68,81</th>
        <th>69,62</th>
        <th>95,61</th>
        <th>95,75</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Curva ROC</th>
        <th>0,73</th>
        <th>0,74</th>
        <th>0,94</th>
        <th>0,94</th>
        <th>0,74</th>
        <th>0,75</th>
        <th>0,94</th>
        <th>0,94</th>
        <th>0,74</th>
        <th>0,76</th>
        <th>0,94</th>
        <th>0,94</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>VIF médio</th>
        <th>1,10</th>
        <th></th>
        <th>1,08</th>
        <th></th>
        <th>1,12</th>
        <th></th>
        <th>1,11</th>
        <th></th>
        <th>1,12</th>
        <th></th>
        <th>1,11</th>
        <th></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Estatística <italic>Z</italic> entre parênteses.</p>
<p>*** indica significativo a 0,01%.</p>
<p>ns indica não significativo.</p>
<p>Fonte: Elaboração do autor.</p>
<p>Os resultados calculados na Tabela 4 mostram diferentes formas de
controle sobre os homicídios no Brasil, no período analisado, porém os
sinais estimados permanecem os mesmos, o que mostra consistência nos
resultados. O gênero masculino, o indivíduo de cor preta ou parda e a
condição de estar empregado (CBO – nas estimativas gerais) estão
positivamente relacionados com a morte por homicídio no Brasil. Por
outro lado, a idade, a escolaridade e a cor branca estão relacionados
negativamente com as mortes por homicídio. Os termos quadráticos
estimados para a idade e a escolaridade mantêm a mesma tendência, com o
sinal estimado negativo, a distribuição quadrática é de uma curva em
forma de <italic>U</italic> invertida. Esta discussão é retomada na
próxima seção.</p>
<p>Os resultados estimados são todos significativos individualmente,
como mostram a estatística <italic>Z</italic>, entre parênteses, e o LR
teste, com probabilidade significativa dos estimadores não serem nulos.
A única variável sem significância estatística foi o CBO na primeira
estimativa, nas demais equações estimadas, a variável foi
significativa.</p>
<p>Os demais testes de robustez estatística apontam relevância nos
resultados. As estimativas dos homicídios em relação aos crimes
violentos apresentam 68% de classificação correta e a curva ROC de 0,74,
o que significa que as estimativas são confiáveis, pois o ponto de corte
para a curva ROC e a Classificação Correta é de 0,7. Para as estimativas
dos homicídios, em relação ao total de mortes no país, a classificação
correta é de 95% e a curva ROC é de 0,94, o que indica que as
estimativas são mais confiáveis e com melhor ajuste em relação às mortes
violentas. A única estatística que não é significativa é o teste de
Pearson, de bom ajuste do modelo (<italic>goodness of fit -
gof</italic>). Os testes de acomodação do modelo, tanto Pearson como
Hosmer e Lemeshow, falham com grandes bancos de dados. Neste caso, a
escolha deve ser feita levando-se em consideração a curva ROC e a
Classificação Correta, que aprovam todas as estimativas realizadas.</p>
<p>A Tabela 4 ainda reporta o teste VIF. Ele mostra que as estimativas
não são multicolineares (interdependentes), já que os valores estão
abaixo de 10. A Tabela A1, no Anexo, reporta os valores do teste VIF
para cada variável individualmente e todos os resultados são robustos e
eliminam a hipótese de estimativa tendenciosa.</p>
<p>Uma característica que ainda pode ser destacada nas estimativas, seja
pela robustez da Classificação Correta e pela Curva ROC assim como pelo
valor da estatística do <italic>Pseudo R<sup>2</sup></italic>, é que o
uso dos termos ao quadrado melhorou a robustez das estimativas e que a
comparação dos homicídios com o total de mortes é mais confiável em
relação às mortes violentas, certamente, pela menor diferença entre as
mortes violentas do que o total de mortes no país, porém as duas bases
usadas nas estimativas são confiáveis em relação aos resultados
calculados.</p>
<disp-quote>
  <p>Por fim, a Tabela 5, a seguir, apresenta a Razão de Chance
  (<italic>Odds Ratio</italic>) calculada para todas as estimativas
  realizadas, o que permite interpretar o valor da mudança do Homicídio
  em relação às variáveis de controle.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Tabela 5: Odds Ratio</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="9%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="8%" />
      <col width="7%" />
      <col width="7%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
      <col width="8%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th></th>
        <th colspan="2">Mortes violentas</th>
        <th colspan="2">Todos os óbitos</th>
        <th colspan="2">Mortes violentas</th>
        <th colspan="2">Todos os óbitos</th>
        <th colspan="2">Mortes violentas</th>
        <th colspan="2">Todos os óbitos</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade</th>
        <th><p>-0,94*</p>
        <p>(-452,79)</p></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-12,04)</p></th>
        <th><p>-0,90*</p>
        <p>(-1165,60)</p></th>
        <th><p>-0,95*</p>
        <p>(-78,62)</p></th>
        <th><p>-0,95*</p>
        <p>(-124,86)</p></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-12,17)</p></th>
        <th><p>-0,90*</p>
        <p>(-965,49)</p></th>
        <th><p>-0,95*</p>
        <p>(-77,83)</p></th>
        <th><p>-0,95*</p>
        <p>(-418,32)</p></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-12,51)</p></th>
        <th><p>-0,90*</p>
        <p>(-964,67)</p></th>
        <th><p>-0,95*</p>
        <p>(-78,20)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade ao quadrado</th>
        <th></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-79,90)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-110,41)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-74,12)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-103,70)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-73,71)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-103,27)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>CBO</th>
        <th><p>-0,99<sup>ns</sup></p>
        <p>(-0,02)</p></th>
        <th><p>-0,96*</p>
        <p>(-9,64)</p></th>
        <th><p>1,25*</p>
        <p>(77,05)</p></th>
        <th><p>1,17*</p>
        <p>(53,29)</p></th>
        <th><p>1,02*</p>
        <p>(6,92)</p></th>
        <th><p>-0,98*</p>
        <p>(-3,59)</p></th>
        <th><p>1,25*</p>
        <p>(73,75)</p></th>
        <th><p>1,18*</p>
        <p>(55,44)</p></th>
        <th><p>1,02*</p>
        <p>(7,13)</p></th>
        <th><p>-0,98*</p>
        <p>(-3,37)</p></th>
        <th><p>1,25*</p>
        <p>(74,00)</p></th>
        <th><p>1,18*</p>
        <p>(55,70)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade</th>
        <th><p>-0,81*</p>
        <p>(-124,03)</p></th>
        <th><p>2,05*</p>
        <p>(88,02)</p></th>
        <th><p>-0,99*</p>
        <p>(-5,88)</p></th>
        <th><p>3,54*</p>
        <p>(177,47)</p></th>
        <th><p>-0,83*</p>
        <p>(-102,82)</p></th>
        <th><p>1,98*</p>
        <p>(79,62)</p></th>
        <th><p>-0,97*</p>
        <p>(-15,88)</p></th>
        <th><p>3,40*</p>
        <p>(164,37)</p></th>
        <th><p>-0,83*</p>
        <p>(-102,62)</p></th>
        <th><p>1,96*</p>
        <p>(78,84)</p></th>
        <th><p>-0,97*</p>
        <p>(-15,58)</p></th>
        <th><p>3,38*</p>
        <p>(163,45)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade ao quadrado</th>
        <th></th>
        <th><p>-0,85*</p>
        <p>(-115,96)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,79*</p>
        <p>(-188,74)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,86*</p>
        <p>(-103,28)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,80*</p>
        <p>(-171,37)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,86*</p>
        <p>(102,45)</p></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,80*</p>
        <p>(-170,39)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Masculino</th>
        <th><p>2,27*</p>
        <p>(152,52)</p></th>
        <th><p>2,09*</p>
        <p>(135,46)</p></th>
        <th><p>6,54*</p>
        <p>(474,02)</p></th>
        <th><p>5,18*</p>
        <p>(346,26)</p></th>
        <th><p>2,18*</p>
        <p>(141,22)</p></th>
        <th><p>2,03*</p>
        <p>(126,77)</p></th>
        <th><p>5,38*</p>
        <p>(346,50)</p></th>
        <th><p>5,09*</p>
        <p>(335,35)</p></th>
        <th><p>2,17*</p>
        <p>(140,80)</p></th>
        <th><p>2,02*</p>
        <p>(126,49)</p></th>
        <th><p>5,37*</p>
        <p>(346,10)</p></th>
        <th><p>5,08*</p>
        <p>(335,27)</p></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Branca</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th><p>-0,64*</p>
        <p>(-124,86)</p></th>
        <th><p>-0,65*</p>
        <p>(-119,25)</p></th>
        <th><p>-0,59*</p>
        <p>(-164,32)</p></th>
        <th><p>-0,62*</p>
        <p>(149,48)</p></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Preto + Pardo</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th><p>1,57*</p>
        <p>(128,27)</p></th>
        <th><p>1,54*</p>
        <p>(121,79)</p></th>
        <th><p>1,69*</p>
        <p>(168,67)</p></th>
        <th><p>1,60*</p>
        <p>(152,65)</p></th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Estatística <italic>Z</italic> entre parênteses.</p>
<p>* indica significativo a 0,01%.</p>
<p>ns indica não significativo.</p>
<p>Fonte: Elaboração do autor.</p>
<p>A Tabela 5 mostra que as estimativas de Razão de Chance (<italic>Odds
Ratio</italic>) apresentam o mesmo sinal das estimativas da Tabela 4. A
interpretação importante está nas diferenças da possibilidade das
variáveis de controle explicar a morte por homicídio (em relação à
possibilidade de óbito por outra causa e causa violenta). Verifica-se a
diferença na relação estimada entre as mortes violentas e não violentas,
ou seja, o óbito por homicídio apresenta diferenças significativas que
lhe competem características próprias.</p>
<p>A Escolaridade e a Idade apresentam o mesmo comportamento, mudando
apenas na intensidade da relação. Enquanto as chances de mudança da
idade ficam em torno de 0,94 até 0,99, a escolaridade apresenta os
valores em torno de 0,8 até 0,9, sempre com valor negativo. Estes
resultados próximos de 1 mostram que o aumento na idade e na
escolaridade do indivíduo reduzem a probabilidade de morte por
homicídio, em relação às demais mortes na mesma proporção, ou seja, se o
indivíduo aumenta a sua escolaridade ou idade em 10%, a probabilidade de
morrer por homicídio se reduz em 10% (entre 8 e 9%, respectivamente).
Isso mostra que indivíduos próximos de 100 anos apresentam chance
próxima de zero de morrerem por homicídio. Neste mesmo raciocínio, um
indivíduo com pós-graduação apresenta chance de morrer por homicídio bem
menor em relação a um indivíduo com o ensino primário incompleto.</p>
<p>A possibilidade de um indivíduo do gênero masculino morrer por
homicídio é duas vezes maior do que uma mulher, em relação às mortes
violentas, e mais de 5 vezes, em relação às mortes em geral. Estes
resultados mostram como um indivíduo do gênero masculino, jovem e com
pouco estudo possui maior chance de morrer por homicídio em relação aos
demais indivíduos.</p>
<p>Em relação ao emprego, há diferença no sinal estimado. Para as mortes
violentas, o sinal estimado é negativo, o que indica redução da
possibilidade de óbito por homicídio para os indivíduos empregados em
torno de 96 até 98%. Um indivíduo com emprego possui maior chance de
óbito por violência (acidente ou suicídio) do que por homicídio. Já para
as demais mortes, o sinal estimado é positivo, com valor entre 1,02 e
1,25. Esse resultado mostra que um indivíduo com emprego apresenta até
125% a mais de chance de morrer por homicídio do que outra forma de
morte, o que contradiz a teoria da Economia do Crime. Da análise a
partir dos óbitos, a característica de ter emprego aumenta a chance de
óbito por homicídio. Estudos futuros devem ampliar a análise na relação
entre homicídios e emprego. Grande parte da análise desenvolvida utiliza
uma taxa de desemprego e o modelo estimado relaciona a condição do
indivíduo ter ou não vínculo empregatício. Percebe-se, claramente, a
razão de muitos estudiosos da violência considerarem a relação entre
desemprego e violência como espúria.</p>
<p>Por fim, as estimativas mostram uma diferença entre os sinais e os
valores da cor do indivíduo. Para um indivíduo branco, a possibilidade
de morrer por homicídio, seja violento ou em termos gerais, é 60% menor
em relação aos demais indivíduos não brancos (pretos, pardos, indígenas
e amarelos). Este valor não muda para crimes violentos e não violentos.
Para um indivíduo preto ou pardo, a probabilidade de morte por homicídio
também não muda significativamente em relação às mortes violentas e
todas as mortes, mantendo-se em torno de 1,25 e 1,18. Este valor mostra
que a probabilidade de um indivíduo preto ou pardo morrer por homicídio
é mais de 100% maior, em relação aos indivíduos brancos. Os resultados
estimados confirmam as diferenças da literatura que apontam uma maior
probabilidade de morte por homicídio para indivíduos de origem
negra.</p>
<p><bold>DISCUSSÃO E CONCLUSÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Esse estudo desenvolveu um modelo econométrico que apresenta
  algumas contribuições para o debate sobre os fatores que explicam os
  homicídios no Brasil. O modelo estimado utiliza os microdados do SIM e
  as relações encontradas são do indivíduo. Os estudos analisados na
  literatura aplicada são regionais, geralmente consideram o município
  como objeto de análise e a sua Taxa de Homicídio. As relações
  encontradas neste estudo corroboram as conclusões da literatura
  nacional, ou seja, a Taxa de Homicídio do município e a probabilidade
  de óbito por homicídio do indivíduo apresentam os mesmos
  resultados.</p>
  <p>Esses resultados mostram que o perfil “homem, jovem e negro” é a
  principal vítima de homicídio no Brasil entre 2006 e 2019. Este artigo
  mostra que a diferença entre os demais tipos de óbito e os óbitos
  violentos em relação aos homicídios é maior, o que indica uma
  proximidade maior entre os homicídios e as mortes violentas. No modelo
  estimado, os resultados calculados são menores para as mortes
  violentas.</p>
  <p>Outras contribuições deste modelo são relacionadas com o impacto
  diferente da chance de óbito masculino (em relação ao feminino), nos
  óbitos em geral e nos óbitos violentos em relação ao homicídio. A
  chance de um homem morrer de homicídio é duas vezes maior em relação
  ao óbito violento e cinco vezes maior em relação a qualquer tipo de
  óbito. Além da chance masculina ser maior que a feminina, o tipo de
  óbito faz diferença, as chances de morte violenta são mais próximas do
  homicídio. Além do gênero masculino, verifica-se a diferença de cor.
  Enquanto um indivíduo branco apresenta menor probabilidade de óbito
  por homicídio (-60%), afrodescendentes (negros e pardos) apresentaram
  160% a mais de chance de morte por homicídio (+160%).</p>
  <p>O resultado que se mostrou dúbio foi o impacto do CBO (ter
  ocupação). A literatura aplicada é cética em relação ao resultado dos
  economistas, que concluem que o desemprego afeta a Taxa de Homicídio.
  A variável em questão é mais generalista e indica se o indivíduo tem
  uma ocupação, o que inclui o mercado informal de trabalho (não
  necessariamente a ocupação é com carteira assinada). Nesse sentido, a
  variável não deve ser diretamente comparada com a perspectiva da
  Economia do Crime. Os resultados apontam que existem diferenças entre
  os homicídios comparados com as mortes violentas e as mortes em geral.
  Ter uma ocupação aumenta a possibilidade de morte por homicídio em
  relação às mortes violentas (suicídio e acidentes, se o homicídio que
  é classificado como morte violenta também). Porém, para todas as
  mortes não violentas, ter uma ocupação reduz a probabilidade de morte
  por homicídio quando as estimativas da idade e da escolaridade assumem
  o termo quadrático (que claramente apresentou maior consistência
  estatística). Mais estudos devem se debruçar sobre esse tema, sob as
  condições de modelo quadrático (a literatura internacional discute
  essa relação, a literatura nacional não, justamente por utilizar
  variáveis agregadas).</p>
  <p>Com essas conclusões pode-se debater com a literatura aplicada que
  sugere políticas públicas para a redução dos homicídios. Alguns
  autores apontam a necessidade de redução da desigualdade, como o
  combate à pobreza (Meloni, 2014) e a redução da desigualdade entre
  brancos e negros (Lafree; Baumer; O’Brien, 2010). Para amparar a
  redução da desigualdade, Braun (2019) propõe aumentar o salário-mínimo
  e Machado <italic>et al.</italic> (2018) avaliam a manutenção de
  programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Tais
  sugestões estão de acordo com a conclusão de relação negativa entre
  ter ocupação (emprego) e reduzir o homicídio (porém, sem efeito sobre
  as mortes violentas).</p>
</disp-quote>
<p>Há estudos que sugerem políticas públicas na área de educação, como
Machin, Marie e Vujié (2011) e Cruz (2019). Deming (2011) incentiva o
aumento do investimento nas escolas e Khan <italic>et al.</italic>
(2015) sugerem o investimento na educação superior. Os resultados de
Chalfin e Deza (2019) sugerem que o aumento do capital humano dos pais
ajuda na redução dos homicídios. O impacto da escolaridade em reduzir o
homicídio é comprovado neste estudo, porém, assim, como sugerido na
literatura internacional, o aumento incremental da escolaridade reduz
pouco a probabilidade de óbito por homicídio. As evidências sugerem a
presença de Ensino Médio completo e Ensino Superior para reduzir as
chances de óbito por homicídio. Para o indivíduo ter Ensino Básico ou
Fundamental incompleto faz pouca diferença.</p>
<disp-quote>
  <p>Outros temas ligados à educação podem ser percebidos com estes
  resultados. Por exemplo, a evasão escolar aumenta a possibilidade do
  indivíduo morrer por homicídio. Por outro lado, a adoção de políticas
  de cota por cor para acesso ao Ensino Superior reduz a violência.</p>
  <p>Uma segunda questão importante reside na relação entre a idade do
  indivíduo e os homicídios. A maior participação de jovens nos crimes
  violentos já é de conhecimento da literatura internacional há décadas
  e o Brasil não é exceção à regra. Vários estudos apontam que a redução
  atual nos índices de violência é função do envelhecimento da população
  (menor número de jovens). As estimativas realizadas mostram uma
  pequena, mas significativa, diferença na idade do indivíduo e a
  possibilidade de morte por homicídio em relação às mortes violentas e
  às demais mortes. Enquanto a morte por homicídio é 90% maior para
  indivíduos mais novos em relação aos mais velhos, para todas as
  mortes, a possibilidade de homicídio é 95% maior em relação aos demais
  indivíduos, em relação às mortes violentas. A diferença de 5% mostra
  que a curva de idade-crime ainda é um importante fator de explicação
  da violência pela perspectiva demográfica. Estudos futuros podem
  aprofundar esta relação e separar a tendência natural de queda da
  violência da adoção de políticas públicas. Muitos estudos aderem à
  simples redução da violência com a introdução de uma iniciativa de
  intervenção, esquecendo-se da tendência demográfica, que é mais forte
  no caso do Brasil, que vive uma transição populacional mais
  intensa.</p>
  <p>A partir dos resultados apurados neste trabalho, devem-se
  incorporar mais variáveis do SIM nas estimativas, como a localização
  do indivíduo (estado, município, capital). A incorporação do espaço
  ajudará na discussão de políticas públicas voltadas para a redução da
  violência, partindo-se da hipótese de heterogeneidade espacial (os
  óbitos por homicídios são concentrados em algumas localidades). Esse
  debate está ligado à premissa de mudança demográfica (envelhecimento
  da população e urbanização) e pode ser discutida em um modelo de
  impacto de fatores ambientais sobre a mortalidade por homicídio do
  indivíduo.</p>
</disp-quote>
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<p><bold>ANEXO A: Teste VIF para as variáveis estimadas</bold></p>
<p><bold>Quadro 1: Estatística VIF para as estimativas</bold></p>
<table-wrap>
  <table>
    <colgroup>
      <col width="18%" />
      <col width="14%" />
      <col width="13%" />
      <col width="15%" />
      <col width="13%" />
      <col width="15%" />
      <col width="13%" />
    </colgroup>
    <thead>
      <tr>
        <th></th>
        <th>Mortes violentas</th>
        <th>Todos os óbitos</th>
        <th>Mortes violentas</th>
        <th>Todos os óbitos</th>
        <th>Mortes violentas</th>
        <th>Todos os óbitos</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Idade</th>
        <th>1,18</th>
        <th>1,13</th>
        <th>1,24</th>
        <th>1,19</th>
        <th>1,24</th>
        <th>1,20</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Escolaridade</th>
        <th>1,07</th>
        <th>1,08</th>
        <th>1,12</th>
        <th>1,15</th>
        <th>1,12</th>
        <th>1,15</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Masculino</th>
        <th>1,12</th>
        <th>1,08</th>
        <th>1,12</th>
        <th>1,09</th>
        <th>1,12</th>
        <th>1,09</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>CBO</th>
        <th>1,02</th>
        <th>1,04</th>
        <th>1.02</th>
        <th>1,05</th>
        <th>1,02</th>
        <th>1,05</th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Branca</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th>1,10</th>
        <th>1,09</th>
        <th></th>
        <th></th>
      </tr>
      <tr>
        <th>Preta + Parda</th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th></th>
        <th>1,10</th>
        <th>1,09</th>
      </tr>
    </thead>
    <tbody>
    </tbody>
  </table>
</table-wrap>
<p>Fonte: Elaboração do autor, com dados do SIM (DATASUS).</p>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Tradução livre.</p>
  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
