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<p><bold>POLÍTICAS PÚBLICAS INTELIGENTES – USO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
PARA AUXÍLIO NO GERENCIAMENTO DE APENADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À
COMUNIDADE</bold></p>
<p><bold>Christian Carlos Souza Mendes</bold></p>
<p>Possui mestrado em Engenharia Elétrica e Informática
Industrial, Doutorando em Planejamento e Governança Pública pela
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. Atualmente é
professor da UTFPR sendo coordenador do Laboratório de Projetos de
Tecnologia da Informação - LAPTI. Tem experiência nas áreas de Segurança
da informação, Machine Learning, IA e Sistemas para Apoio à Tomada de
Decisões.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Curitiba</p>
<p><bold>Email:</bold> ccsm@utfpr.edu.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-2871-9968</p>
<p><bold>Rogério Allon Duenhas</bold></p>
<p>Doutorado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR, visitou a Newcastle
University. Atualmente trabalha na Universidade Tecnológica Federal do
Paraná UTFPR.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Curitiba</p>
<p><bold>Email:</bold> rogerioduenhas@utfpr.edu.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-0766-032</p>
<p><bold>Marcelle Reis Pires</bold></p>
<p>Engenheira da Computação pela Universidade Tecnológica Federal do
Paraná. Tem experiência nas áreas englobadas pela engenharia da
computação, com ênfase no desenvolvimento de softwares. Trabalhou com
programação em diversas linguagens, assim como desenvolvimento WEB e
Mobile. Além disso, possui formação técnica em Administração, possuindo
conhecimentos nas áreas de Marketing, Produção, Recursos Humanos e
Gestão Financeira.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Curitiba</p>
<p><bold>Email:</bold> marcellepires@alunos.utfpr.edu.br
<bold>ORCID:</bold> https://orcid.org/0009-0002-0794-1842</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Christian Carlos Souza Mendes: responsável pela concepção e
delineamento, análise e interpretação dos dados e redação do manuscrito,
revisão e aprovação final. Rogério Allon Duenhas: responsável pela
análise e interpretação dos dados, revisão crítica, revisão e aprovação
final. Marcelle Reis Pires: responsável pela concepção e delineamento,
análise e interpretação dos dados, redação do manuscrito, revisão e
aprovação final.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>Este artigo apresenta a demanda para o desenvolvimento de uma solução
informatizada, composta por um sistema <italic>web</italic> e uma
aplicação para dispositivos móveis, para uso pela Justiça Federal, com
foco na gestão dos apenados em regime de prestação de serviços à
comunidade. O principal objetivo é apresentar formas de utilização dos
sistemas propostos para auxílio no complexo processo de gestão e
monitoramento da prestação de serviços à comunidade, que envolve, além
dos apenados, a Justiça Federal e as instituições parceiras. O
levantamento das demandas e necessidades foi realizado por meio de
reuniões (presenciais e virtuais) e revisão de literatura, com o uso de
artigos e livros. Por fim, são apresentadas as principais
características do ambiente e as vantagens no uso da solução proposta,
assim como possibilidades para a utilização dos dados gerados e como
estes poderão prover subsídios para o apoio à tomada de decisões dos
gestores públicos e, consequentemente, na proposição no acompanhamento
de políticas públicas direcionadas à segurança pública.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Políticas públicas. Apenados. Sistemas
de informação. Prestação de serviços à comunidade.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>SMART PUBLIC POLICIES – USE OF INFORMATION SYSTEMS TO
SUPPORT IN MANAGING CONDEMNED IN THE PROVISION OF SERVICES TO THE
COMMUNITY</bold></italic></p>
<p><italic>This article presents a demand for the development of a
computerized solution, composed of a web system and an application for
mobile devices for use by the Federal Court, focusing on the management
of condemned in the provision of services to the community. The main
objective is to present ways of using the proposed systems to assist in
the complex management process and monitoring of services provision to
the community that involves, in addition to the condemned, the Federal
and partner institutions. The survey of demands and needs was conveyed
through meetings, literature review, among others. Finally, solutions
are considered as characteristics of the environment and advantages
generated for the use of the proposal, as well as they can be generated
for the use of the proposal and allowed to support the offer of public
managers and as a possibility of using the proposal for the public
policies managers aimed at public safety.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords</bold>: Public policies. Information systems.
Condemned. Provision of services to the community.</italic></p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 02/06/2022 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 25/05/2023</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2024.v18.n1.1749</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>De acordo com Biscaia e Souza (2004), o uso de penas privativas de
  liberdade, historicamente, demonstra que estas não são a única e muito
  menos fazem parte das melhores formas ou dos melhores mecanismos de
  combate ao crime ou de prevenção deste. Um dado relevante para esta
  comprovação está no índice de reincidência dos apenados submetidos a
  esta modalidade, chegando próximo de 80%, conforme apresentado em
  pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
  (Ipea, 2015).</p>
  <p>Diversos autores identificam, dentre as principais causas para que
  o Estado falhe na efetiva reinserção do apenado junto à comunidade, as
  condições indignas às quais os apenados são submetidos, a
  superlotação, a estigmatização do apenado e do ex-apenado (Soares
  Filho; Bueno, 2016; Biscaia; Souza, 2004; Souza, 2001). Para evitar
  isso, é necessário também a conscientização e o envolvimento direto da
  população.</p>
  <p>Para Dotti (1998), utilizado como referência no artigo
  <italic>Penas Alternativas: dimensões jurídicas e
  sociológicas</italic> (Biscaia; Souza, 2004):</p>
  <p>a decadência da instituição carcerária é somente a ponta do iceberg
  a mostrar a superfície da crise geral do sistema, para o qual
  convergem muitos outros fatores”. O sistema prisional não possui
  soluções em longo prazo, pois a criminalidade e a violência estão se
  consolidando como um problema estrutural (Dotti, 1998, p. 117).</p>
  <p>Allgayer <italic>et al.</italic> (2022) busca trazer em evidência o
  questionamento sobre a necessidade urgente de uma intervenção no
  sistema carcerário dos países latino-americanos. De acordo com a
  pesquisa realizada, fica claro que ocorre uma seletividade do sistema
  penal, sendo exercido de forma mais direta sobre populações menos
  favorecidas economicamente, os pobres. Atualmente, 95% da população
  carcerária no Brasil enquadra-se neste perfil (Brasil, 2018).</p>
  <p>Em grande parte das situações encontradas, o sistema carcerário
  funciona como um simples depósito de pessoas (Soares Filho; Bueno,
  2016), sendo estas colocadas à mercê da sociedade, perdendo a
  possibilidade do convívio, o usufruto dos serviços e bens públicos
  disponíveis ao cidadão comum.</p>
  <p>Segundo o Levantamento de Informações Penitenciárias do
  Departamento Penitenciário Nacional (Depen), até julho de 2021, a
  população prisional no Brasil permaneceu estável, com um leve aumento
  de 1,1%, passando de 811.707 pessoas com alguma privação de liberdade,
  em dezembro 2020, para 820.689, em junho de 2021 (Depen, 2021).</p>
  <p>De acordo com Oliani e Silva (2012), o ordenamento jurídico
  brasileiro buscou alternativas para solucionar o problema de
  superlotação do sistema carcerário, criando medidas alternativas para
  a punição de uma pessoa que cometa um crime de médio potencial
  ofensivo, tendo surgido, assim, em 1984, as penas alternativas,
  substitutivas às penas restritivas de direito. O objetivo prioritário
  estava direcionado à melhoria do processo de ressocialização do
  apenado, assim como em buscar a redução na quantidade da população
  carcerária atendida pelo sistema penitenciário.</p>
  <p>Biscaia e Souza (2004) identificam que as penas alternativas são
  destinadas às pessoas que cometem algum tipo de crime que se enquadra
  na categoria de não perigoso, sendo infrações de menor gravidade,
  podendo assim substituir alguns tipos de penas de restrição à
  liberdade. Desta forma, alguns exemplos de situações são
  exemplificados, como: uso de drogas, desacato à autoridade,
  apropriação indébita, acidente de trânsito, lesões corporais leves,
  pequenos furtos, entre outros; beneficiando o réu primário e evitando
  que este tenha contato com criminosos envolvidos em categorias de
  crimes mais graves e, consequentemente, reduzindo a probabilidade de
  reincidência do envolvido.</p>
  <p>Para enquadrar-se na situação apresentada e obter uma pena
  alternativa, ao invés de uma pena de privação de liberdade, o apenado
  deve ser avaliado pela justiça e atender à totalidade dos requisitos
  dispostos no art. 44, incisos I, II e III, do Código Penal brasileiro,
  contemplando o tempo de pena imposta, a natureza do fato criminoso, a
  forma de execução, sendo com ou sem violência e grave ameaça à pessoa,
  os antecedentes referentes ao seu passado, a conduta social, a
  personalidade, além de possuir boa índole. Adicionalmente, cabe
  registrar que o apenado condenado à prestação de serviços à comunidade
  não está cumprindo uma pena de restrição da liberdade, podendo
  realizar as atividades comuns como qualquer outro cidadão, inclusive
  tendo acesso a celulares, <italic>smartphones</italic>, entre outros
  dispositivos de comunicação, restringindo-se às determinações legais
  de cumprimento de sua pena.</p>
  <p>Essas penas estão em consonância com um dos direcionamentos do
  Código Penal brasileiro, a ressocialização, visto que atribui à pena a
  possibilidade de colocar o indivíduo em sociedade e dar a ele a chance
  da reinserção na comunidade (Souza, 2001).</p>
  <p>De acordo com Cavalcanti (2019), a função ressocializadora
  configura uma promessa nunca implementada no Brasil, pois seu sistema
  penal possui um caráter extremamente violento e genocida, inclusive
  sendo cada dia mais demandado devido ao aumento da população
  carcerária.</p>
  <p>As estatísticas registradas no Levantamento de Informações
  Penitenciárias do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) poderiam
  ser reduzidas, caso um percentual destas penas de privação de
  liberdade fossem substituídas por prestação de serviços à comunidade
  (PSC) ou às entidades públicas, consistindo no cumprimento da pena por
  meio da prestação de serviços a qualquer instituição que queira
  receber um apenado.</p>
  <p>De acordo com Biscaia e Souza (2004), a ampliação de leis penais
  mais humanitárias, frente à falência do sistema prisional em todo o
  mundo, é uma tendência mundial, pois, além da falta de estrutura
  carcerária, existe também o alto custo envolvido na manutenção e na
  criação destes locais. Cabe considerar que este tipo de enquadramento
  não pode ser utilizado de forma indiscriminada, sendo justificado pela
  existência de uma superpopulação carcerária.</p>
  <p>De acordo com Oliani e Silva (2012), o processo de reinserção do
  apenado junto à comunidade consiste na humanização da pena, permitindo
  que o apenado tenha a oportunidade de mostrar seu valor, bem como sua
  capacidade de ressocialização. A principal característica relacionada
  ao uso das penas alternativas consiste na possibilidade de o apenado
  manter-se convivendo com a sua família, com a sociedade e, ao mesmo
  tempo, sendo responsabilizado pelo crime cometido, reparando o dano
  gerado de um modo menos agressivo (Souza, 2001).</p>
  <p>Conforme descrito por Oliveira (2011), ao realizar um trabalho com
  foco social, o apenado auxilia uma instituição e mantém o convívio
  social. Ao obter a mão de obra dos apenados, sendo estes muitas vezes
  qualificados para as respectivas atividades, a instituição pode
  economizar recursos financeiros que atualmente são escassos e
  direcioná-los para o uso em outras áreas.</p>
  <p>Uma das grandes dificuldades encontradas no estabelecimento e na
  aplicação da prestação de serviços à comunidade é a responsabilização
  dos envolvidos, pois a lei determina que as entidades que recebem os
  apenados para a realização das atividades e a equipe do poder
  judiciário garantam que as penas serão cumpridas e que exista um
  controle efetivo do cumprimento de tais ações. Desta forma, a entidade
  que irá receber o apenado para a prestação de alguma atividade deverá
  enviar mensalmente ao juiz da execução um relatório contendo a
  descrição das atividades e a quantidade de horas executadas, inclusive
  informando as ausências ou faltas disciplinares ocorridas no período
  em análise.</p>
  <p>Com tais responsabilizações, torna-se intuitivo compreender que as
  obrigações exigidas são um dos motivos pelos quais as penas de
  prestação de serviços à comunidade deixam de ser aplicadas, mesmo em
  situações que poderiam trazer um maior benefício à comunidade. Além
  disto, nas situações em que são aplicadas, geram uma grande
  dificuldade de acompanhamento, devido à ausência de ferramentas e
  sistemas informatizados adequados para registro e auditoria das
  atividades vinculadas e de responsabilidade dos apenados, resultando
  em uma eficácia parcial, considerando as dificuldades administrativas
  das instituições envolvidas.</p>
</disp-quote>
<p>A solução proposta consiste em desenvolver e disponibilizar um
ambiente informatizado para apoio à tomada de decisões, composto de um
sistema <italic>web</italic> e uma aplicação para dispositivos móveis,
no qual as equipes técnicas e os juízes terão acesso a todas as
informações relacionadas aos apenados e poderão gerir seus dados,
utilizá-los para melhorias ou mesmo acompanhar suas atividades. O
apenado, por meio da aplicação para dispositivos móveis, que poderá ser
fornecida pela Justiça Federal, juntamente com um
<italic>smartphone</italic> para o cumprimento da pena, realizará
diversas ações vinculadas às suas atividades, além de permitir o
acompanhamento, por parte dos entes federais, em questão de poucos
segundos.</p>
<p><bold>PROBLEMA</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Atualmente, as varas locais da Justiça Federal contabilizam e
  registram as atividades de prestação de serviços à comunidade
  realizadas pelos apenados utilizando o sistema E-Proc (Sistema de
  Transmissão Eletrônica de Atos Processuais da Justiça Federal da
  Primeira Região).</p>
  <p>O processo de comprovação das horas de serviços prestados pelos
  apenados acontece da seguinte forma: após prestada a atividade e
  comprovada através de documentação, esta deve ser entregue
  pessoalmente pelos apenados às varas locais da Justiça Federal, onde
  as horas serão devidamente contabilizadas e os documentos, após terem
  sido verificados, arquivados no sistema E-Proc em planilhas
  eletrônicas ou, em sua maioria, em arquivos de documentos em
  papel.</p>
  <p>O E-Proc consiste em um sistema de peticionamento processual que
  permite o encaminhamento de petições à Justiça Federal
  eletronicamente. Advogados e equipes técnicas da Justiça Federal
  possuem cadastro no sistema e, através da sua autenticação, conseguem
  encaminhar os arquivos das petições. Este é o sistema majoritariamente
  utilizado nas varas da Justiça Federal para armazenamento das
  prestações de contas relacionadas às penas por Prestação de Serviços à
  comunidade. Entretanto, segundo relatos obtidos da equipe técnica da
  4ª Vara da Justiça Federal de Foz do Iguaçu, no Paraná, este sistema
  não tem se mostrado eficiente no desempenho dessas funções, visto que
  não foi desenvolvido para estes fins e apresenta limitações, que serão
  descritas na sequência.</p>
  <p>Como fica claro na própria descrição, este sistema não foi criado
  com o objetivo de controlar as horas das atividades desta modalidade
  de pena, uma vez que ele se trata apenas de um sistema de
  encaminhamento de processos em arquivos. A entrada de dados na
  plataforma se dá por meio de arquivos em formato PDF e, como na
  maioria dos casos, os documentos apresentados são físicos, em papel, e
  o seu armazenamento no sistema se dá pelo processo de escaneamento,
  inviabilizando a pesquisa dentro dos arquivos. Ou seja, dependendo da
  informação procurada pela equipe técnica, um grande trabalho manual é
  exigido, sendo necessária a abertura de cada arquivo individualmente e
  a realização da leitura de todos os dados, a fim de encontrar o que se
  procura.</p>
  <p>Em consequência às dificuldades de utilização do sistema,
  internamente, em cada vara, é comum a utilização de planilhas
  eletrônicas para o controle dos apenados. Tais planilhas apresentam a
  facilidade de serem ferramentas já conhecidas pelas equipes técnicas,
  facilitando sua utilização, porém dificultam a coleta dos dados e o
  estudo dos mesmos de forma organizada. Desta forma, cada vara organiza
  seus dados da maneira que lhe convém. Diante disso, um levantamento
  estatístico com abrangência estadual ou nacional são inviáveis, pois
  os dados limitam-se às estatísticas regionais, de acordo com o domínio
  de cada vara, sem qualquer padronização ou centralização em um sistema
  de fácil acesso.</p>
  <p>Além disso, para cumprir o processo mencionado anteriormente, as
  varas locais mantêm uma equipe técnica que trabalha no atendimento ao
  público e que é capacitada para a contabilização e documentação das
  horas, ou seja, existe a necessidade de alocar uma carga horária da
  equipe administrativa, que é altamente qualificada e valiosa, para o
  desempenho dessas funções.</p>
  <p>Sendo assim, além da necessidade de alocação de equipes para este
  atendimento, este processo desfavorece o apenado e as instituições que
  os recebem, pois os apenados são obrigados a comparecerem pessoalmente
  aos locais em horários que poderiam estar sendo utilizados para a
  realização de alguma atividade e, consequentemente, para o cumprimento
  de sua pena. As instituições, por sua vez, se deparam com dois
  principais problemas: um deles é a divulgação de novas demandas aos
  apenados interessados, pois atualmente este contato entre a entidade e
  apenado é feito pelas varas locais, demandando uma ágil comunicação e
  organização dos envolvidos, e isso pode impactar diretamente em uma
  alocação ineficiente dos apenados interessados nas atividades, além
  de, possivelmente, não levar em consideração as respectivas
  habilidades de cada indivíduo. O segundo ponto importante de se
  destacar é que as entidades, quando se dispõem a receber os apenados,
  contam com esta prestação de serviço e, em diversas situações, o
  apenado responsável pela realização da atividade não comparece ao
  local e/ou no horário planejado.</p>
  <p>É importante destacar também que a lei que rege a pena por
  prestação de serviços à comunidade prevê que é de responsabilidade das
  entidades e da equipe do poder judiciário garantir que as penas
  estejam sendo cumpridas e controlar as atividades dos apenados.</p>
  <p>Portanto, apresentados estes cenários, o sistema computacional
  proposto neste projeto beneficia a todos os envolvidos neste tipo de
  processo. Para a sociedade este sistema favorece a aplicação das penas
  de prestação de serviços à comunidade, o que além de trazer benefícios
  à comunidade, de forma geral, também se mostra mais eficiente na
  reinserção dos apenados à sociedade.</p>
</disp-quote>
<p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O desenvolvimento da pesquisa caracteriza-se pela abordagem
  quantitativa, pois as predições das análises deverão indicar
  perspectivas relacionadas às situações previamente identificadas, além
  do uso de técnicas de pesquisa documental, bibliográfica e da técnica
  <italic>ex-post-facto</italic>.</p>
  <p>De acordo com Gerhardt e Silveira (2009), a pesquisa quantitativa
  possui como característica conceitos predeterminados, buscando
  realizar a comparação de dados de desempenho, de atitude,
  observacionais e de censo, enfatizando o raciocínio dedutivo,
  concluindo o processo com uma análise estatística utilizando-se de
  alegações pós-positivistas para o desenvolvimento do conhecimento
  centrado na objetividade.</p>
  <p>Em relação aos objetivos, a pesquisa é composta pelas seguintes
  fases: fase exploratória, visando proporcionar maior familiaridade com
  o problema e permitindo maior conhecimento dos conceitos e desafios da
  temática; fase de coleta de dados, que foi realizada junto aos órgãos
  envolvidos, permitindo integração, agregação, sanitização e adequação
  dos dados, resultando sua adequação ao método dedutivo; e fase
  explicativa, que é utilizada para apresentação das características dos
  fenômenos observados.</p>
  <p>A natureza da pesquisa aplicada é visível devido aos resultados
  apresentados para uso e auxílio da Justiça Federal, gerando
  <italic>insights</italic> que podem ser integrados ao cotidiano da
  gestão para auxílio na proposição de políticas públicas.</p>
  <p>Em relação ao procedimento da pesquisa, trata-se de uma
  pesquisa-ação, utilizando-se de métodos empíricos para a compreensão
  do contexto e, consequentemente, para a adoção da realidade à qual
  está inserida, permitindo, desta forma, que situações e/ou problemas
  encontrados no dia a dia de uma organização ou instituição possam ser
  identificados, estudados, entendidos e, posteriormente, mitigados por
  meio de um plano de ação prático e contextualizado, sem a
  obrigatoriedade de generalizações ou padronizações, por tratar-se de
  um ambiente específico, claramente identificado e limitado.</p>
  <p>De acordo com Krafta <italic>et al.</italic> (2007), a
  pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é
  concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a
  resolução de um problema coletivo, e na qual os pesquisadores e os
  participantes representativos da situação ou do problema estão
  envolvidos de modo cooperativo ou participativo (Thiollent, 1997).</p>
  <p>Pode-se considerá-la como um método de pesquisa aplicada,
  direcionada à identificação de problemas e à elaboração de
  diagnósticos, com foco principal na resolução de problemas.</p>
  <p>Diversos autores consideram que uma pesquisa-ação é composta,
  principalmente, pela observação, pelo levantamento de informações para
  interpretação dos fatos e, por fim, pela implementação de ações e
  posterior avaliação de sua efetividade.</p>
  <p>Koerich <italic>et al.</italic> (2009), considera a pesquisa-ação
  um tipo de pesquisa interpretativa que utiliza um método empírico, que
  compreende a identificação do problema dentro de um contexto social
  e/ou institucional, o levantamento de dados relativos ao problema e a
  análise e a significação dos dados levantados pelos participantes,
  intervindo na prática e provocando uma transformação. Desta forma,
  trata-se de uma importante ferramenta que alia teoria e prática,
  gerando um plano de ação para ser aplicado em uma determinada
  realidade.</p>
</disp-quote>
<p><bold>SOLUÇÃO PROPOSTA</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Tendo como objetivo auxiliar as varas locais da Justiça Federal na
  gestão de seus apenados, esta solução contará com dois ambientes para
  interação com os usuários, como apresentado na Figura 2: uma aplicação
  <italic>web</italic> e uma aplicação para dispositivos móveis.</p>
  <p>A aplicação <italic>web</italic> consiste em um portal, com sistema
  de autenticação utilizando <italic>login</italic> e senha além de um
  <italic>token</italic> de acesso, que permitirá aos juízes e sua
  equipe técnica controlarem todas as atividades relacionadas aos
  apenados. Dentro dessa aplicação, será possível: cadastrar apenados,
  com todas as suas informações pessoais e relacionadas à pena; gerar
  relatórios e listas relacionadas às atividades dos apenados, bem como
  para um conjunto deles; gerenciar as escalas programadas de cada
  apenado e também verificar, em questão de segundos, através de um
  <italic>dashboard</italic> e do auxílio de um mapa, as atividades que
  estão sendo realizadas, com todas as informações relacionadas a elas;
  cadastrar as informações das entidades interessadas em receber
  apenados, gerando uma credencial para cada uma delas e concedendo-as
  os devidos acessos, pois, também na aplicação <italic>web</italic>,
  estas entidades poderão adicionar periodicamente as possíveis tarefas
  disponíveis a serem realizadas por um apenado dentro de suas
  dependências.</p>
  <p>Por conta da pluralidade de usuários neste sistema e dos diferentes
  interesses de cada um deles na utilização da plataforma, um sistema de
  autorizações foi desenvolvido, de forma que seja especificado
  internamente quais ações cada categoria de usuário (juiz, técnico
  administrativo ou entidade) poderá executar.</p>
  <p>A aplicação para dispositivos móveis, por sua vez, é de uso
  exclusivo dos apenados. Após o cadastramento, realizado através do
  sistema <italic>web</italic>, eles receberão uma credencial para se
  autenticarem na aplicação. Uma das telas do aplicativo apresentará
  todas as atividades disponibilizadas pelas entidades, através do
  sistema <italic>web</italic>, ordenando-as de acordo com o perfil do
  apenado autenticado, usando como base as informações de habilidades
  fornecidas por eles no ato do cadastramento. Em posse destas
  informações, o apenado poderá se candidatar às atividades, submetendo
  um pedido, via aplicativo, que será analisado pelas equipes técnicas
  responsáveis. Em outras telas, serão apresentadas todas as atividades
  agendadas para o apenado e um resumo da situação da pena cumprida,
  contendo, por exemplo, contagem de horas realizadas e faltantes,
  permitindo ao mesmo um maior acompanhamento do cumprimento de sua
  pena.</p>
  <p>Acima das informações propagadas aos apenados pelo aplicativo, a
  função principal deste sistema será a realização de
  <italic>check-in</italic> e <italic>check-out</italic>, ou seja,
  submetida e aprovada a escala, no dia e horário especificados, o
  apenado deverá realizar o <italic>check-in</italic> no ato da chegada
  à instituição. Este processo consiste no envio das seguintes
  informações: uma foto do apenado na instituição, sua geolocalização,
  horário e data. Ao final da atividade, o procedimento se repete para o
  <italic>check-out</italic>. Este sistema permitirá um maior controle
  das atividades, mitigando as situações nas quais os apenados agendam,
  mas não comparecem às atividades, como acontece em alguns casos,
  atualmente.</p>
  <p>O aplicativo também possui um sistema de notificações, que alerta
  os apenados após a ocorrência de alguns eventos, como: quando um
  <italic>check-in</italic> está próximo ou quando a contagem de horas
  cumpridas está baixa e o apenado precisa cumprir um determinado limite
  de horas por período de tempo. Por exemplo, deve-se cumprir 40 horas
  mensais e, caso esteja finalizando a terceira semana do mês, o apenado
  receberá um alerta sobre a situação.</p>
  <p>O sistema completo é formado por quatro camadas: o banco de dados,
  o <italic>webservice</italic>, uma aplicação <italic>web</italic> e
  uma aplicação para dispositivos móveis. A comunicação entre elas será
  feita utilizando requisições HTTPS (<italic>Hyper Text Transfer
  Protocol Secure</italic>), via internet, e é importante destacar que
  esta escolha se deu pelo fato de lidarmos, neste sistema, com dados
  sensíveis dos apenados, considerando as implicações legais da Lei
  Geral de Proteção de Dados (LGPD). Os aplicativos <italic>web</italic>
  e o aplicativo para dispositivos móveis permitirão uma interação do
  usuário com o restante do sistema, e eles contam com interfaces de
  <italic>front-end</italic> que foram desenvolvidas utilizando os
  <italic>frameworks</italic> Angular, para a aplicação
  <italic>web</italic>, e Flutter, para o aplicativo móvel. O
  <italic>webservice</italic>, utilizado para comunicar as aplicações ao
  banco de dados e fazer os processamentos necessários, é desenvolvido
  em JAVA EE e <italic>Framework</italic> Spring Boot, utilizando como
  suporte ao desenvolvimento a IDE (<italic>Integrated Development
  Environment</italic>) do Eclipse (ambiente de desenvolvimento
  integrado de código aberto e gratuito). Para o banco de dados,
  utilizou-se o MySQL, que consiste em um banco de dados relacional.</p>
  <p>Os serviços que serão disponibilizados na solução de forma geral
  são:</p>
</disp-quote>
<list list-type="bullet">
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Um sistema com nível de segurança planejado desde a sua
        concepção, <italic>security by design</italic>, sendo aplicadas
        as técnicas de segurança: autenticação multifator e um sistema
        de autorização para usuários com diferentes perfis de acesso na
        aplicação, além de um sistema de registros de
        <italic>logs</italic> de acesso, implementado para fins de
        auditoria do sistema;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Uma aplicação <italic>web</italic> por meio da qual a
        entidade interessada em disponibilizar uma vaga vinculada à
        determinada atividade que esteja necessitando poderá
        registrá-la, desta forma, o apenado que realizar tal atividade
        estará contabilizando as horas para sua pena de forma
        transparente. Assim, a entidade poderá cadastrar, adicionar as
        atividades e divulgá-las apropriadamente aos apenados após a
        validação por parte da equipe da Justiça Federal;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Uma aplicação <italic>web</italic> que possibilita ao juiz e
        a sua equipe técnica realizar o cadastro dos apenados que estão
        cumprindo pena de prestação de serviços à comunidade, acompanhar
        suas atividades em desenvolvimento e gerenciar suas futuras
        escalas;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Um sistema especialista baseado em regras que sugere, por
        meio de um ordenamento prioritário, as atividades disponíveis no
        sistema, levando em consideração o perfil de habilidades e do
        crime cometido pelo apenado;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Uma aplicação para dispositivos móveis que permita o
        acompanhamento, por parte do apenado, em relação às suas
        obrigações e responsabilidades, permitindo a atualização e o
        acompanhamento, em questão de segundos, por parte das
        autoridades responsáveis;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Geração de relatórios relacionados aos apenados, dados
        pessoais, dados da pena e contendo um histórico de atividades
        concluídas e agendadas;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Geração de relatórios periódicos sobre as características dos
        apenados e das entidades registradas no sistema e suas
        atividades. Estes relatórios auxiliarão as equipes técnicas na
        tomada de decisão e na otimização de recursos das varas locais,
        visto que traçam um perfil da região onde atuam.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>Na Figura 1, é possível observar os três atores do sistema
  <italic>web</italic>, sendo eles: os técnicos da Justiça Federal, os
  juízes e os representantes das entidades que se interessam por receber
  os apenados. Devido às particularidades de uso de cada um dos atores,
  determinadas ações são restritas a apenas um grupo, como é o caso da
  inserção de novas atividades, que pode ser realizada apenas pelos
  representantes das entidades. Em contrapartida, a ação de visualização
  dos relatórios gráficos do sistema é comum a todos os usuários.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 1: Diagrama de casos de uso do ambiente
<italic>web</italic> disponível à Justiça Federal e às
Entidades</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
<p>Fonte: Elaborado pelos autores.</p>
<disp-quote>
  <p>Conforme os itens listados, o ambiente computacional proposto
  disponibiliza uma plataforma de interação entre as entidades e os
  apenados, em que será possível relacionar as habilidades técnicas dos
  indivíduos às necessidades das entidades, auxiliando tanto entidades
  quanto equipes técnicas na tarefa de monitoramento das penas. Dessa
  forma, o sistema será um meio mais eficiente e com maiores
  possibilidades de auditoria e rastreabilidade, permitindo uma economia
  de recursos públicos, sejam em termos de recursos financeiros ou
  recursos humanos, por exigir menor envolvimento manual em todo o
  processo.</p>
  <p>Baseado nas necessidades e funcionalidades identificadas com as
  áreas responsáveis, foram gerados os requisitos funcionais do sistema,
  as especificações técnicas e as demais informações para o
  desenvolvimento da solução proposta. As informações técnicas do
  desenvolvimento do protótipo não serão registradas neste documento
  devido ao escopo deste artigo.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 2: Estrutura Geral do Projeto de Gerenciamento de
Apenados</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
<p>Fonte: Elaborado pelos autores.</p>
<disp-quote>
  <p>A Figura 2 apresenta as camadas e as tecnologias utilizadas para o
  desenvolvimento da solução, assim como as interações existentes entre
  os elementos.</p>
  <p>De forma resumida, o banco de dados é um banco relacional MySQL e
  sua função é armazenar os dados de toda a aplicação, mantendo suas
  relações e integridade. O <italic>webservice</italic>, por sua vez,
  utiliza o <italic>framework</italic> Spring, em linguagem JAVA. Ele é
  responsável pelo interfaceamento dos registros do banco de dados e da
  aplicação <italic>web</italic>. Além disso, executa os processamentos
  necessários e envia às aplicações apenas as informações
  necessárias.</p>
  <p>Por último, o sistema <italic>web</italic> foi desenvolvido
  seguindo os princípios do desenvolvimento <italic>web</italic> moderno
  e utilizando o <italic>framework</italic> Angular. O portal e a
  interface visível aos usuários apresentam os dados dos bancos de dados
  em estruturas lógicas, visivelmente organizadas e claras aos usuários,
  utilizando as linguagens de programação Typescript, HTML e CSS. As
  comunicações realizadas entres os serviços implementados são feitas
  via requisições HTTPS e os dados enviados em formato JSON.</p>
  <p>Para melhor compreensão da solução desenvolvida foi disponibilizado
  um vídeo demonstrativo referente às principais funcionalidades
  implementadas no sistema <italic>web</italic>, assim como no
  aplicativo para dispositivos móveis. A apresentação pode ser acessada
  por meio deste
  <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=MlbduuML7ao"><underline>link
  privado</underline></ext-link>.</p>
  <p>Por último, mas não menos importante, esta solução apresenta
  mecanismos de segurança que foram planejados e desenvolvidos para
  suprir três grandes áreas da segurança da informação, que são:
  autenticação, autorização e auditoria. Para acessar o sistema, é
  preciso passar por um processo de autenticação multifator, que
  confirma não apenas as credenciais fornecidas pelo usuário, mas que
  também autentica o mesmo via uma entrada de <italic>token</italic>,
  encaminhada por meio do serviço de SMS (<italic>Short Message
  Service</italic>) para o celular cadastrado no perfil do usuário. Este
  tipo de autenticação leva em consideração um conhecimento prévio em
  relação ao usuário, exigindo as credenciais e um objeto pertencente a
  ele, sendo neste caso seu aparelho celular. A autenticação multifator
  é um mecanismo que auxilia na prevenção de acessos indevidos ao
  sistema. Além disso, em relação à autenticação, o sistema do
  <italic>webservice</italic> e do banco de dados também são acessados
  via uso de credenciais. No que diz respeito à autorização, a solução
  possui a discriminação e o uso de quatro possíveis perfis: juiz,
  técnico administrativo, representante de entidade e o próprio apenado,
  que será o único perfil que, diferentemente dos demais, possuirá
  acesso exclusivamente à aplicação para dispositivos móveis, sendo
  bloqueado o seu acesso ao sistema <italic>web</italic>.</p>
</disp-quote>
<p><bold>RESULTADOS E DISCUSSÕES</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Como resultado prático, tem-se o desenvolvimento de uma solução
  informatizada que auxiliará na gestão dos apenados, permitindo às
  equipes um acompanhamento mais próximo e específico das atividades
  diárias realizadas, garantindo uma forma mais eficiente e segura de
  gerar relatórios, permitindo, inclusive, a realização de auditorias de
  forma mais efetiva.</p>
  <p>O projeto desenvolvido oferece mecanismos eficientes para o
  controle de dados dos apenados e das entidades envolvidas, ferramentas
  de monitoramento em tempo “real” das atividades que estão sendo
  realizadas pelos apenados, assim como também o registro das atividades
  concluídas.</p>
  <p>A partir da solução proposta construída por meio de reuniões com a
  equipe técnica da 4ª Vara da Justiça Federal de Foz do Iguaçu, no
  Paraná, foi possível entender os problemas, as necessidades e as
  complexidades que um sistema como o proposto deve contemplar e, desta
  forma, especificar os requisitos funcionais para atendê-los, assim
  como as demais varas judiciárias distribuídas pelo país que possuem as
  mesmas demandas.</p>
  <p>Trata-se de um tema de grande relevância para o desenvolvimento das
  atividades de planejamento e segurança pública, podendo impactar
  positivamente no plano diretor municipal, seja por meio de um processo
  lógico direcionado pelo uso de dados e estatísticas assim como pelo
  direcionamento de investimentos de áreas prioritárias para atendimento
  das demandas identificadas, além de poder auxiliar na melhoria da
  avaliação das políticas vigentes.</p>
  <p>De acordo com Espanhol e Ângelo (2021), é possível realizar algumas
  ações de caráter preventivo, como: revitalização de espaços públicos e
  de reurbanização de locais com focos de criminalidade; planejamento e
  reforma urbana; mapeamento das áreas e das espécies de conflitos; e
  uma gama de políticas sociais integradas que promovam a cidadania e
  ofertem serviços básicos. Desta forma, caso as ações de políticas
  públicas sejam direcionadas na redução da vulnerabilidade do cidadão
  que convive com as situações apresentadas, pode ocorrer uma melhoria
  nos índices referentes à segurança pública.</p>
  <p>Conforme a solução for utilizada, será possível colaborar com a
  gestão pública, provendo informações e subsidiando possíveis ações
  direcionadas às regiões que possuem maiores índices de violência,
  podendo auxiliar a definição de políticas públicas e, como
  consequência, validar a sua efetividade.</p>
  <p>Este tipo de projeto torna-se importante também por aproximar a
  comunidade dos projetos e das pesquisas desenvolvidas dentro das
  universidades públicas, contribuindo diretamente para o
  desenvolvimento científico e tecnológico do país, e principalmente por
  gerar benefícios para a melhoria da qualidade de vida do cidadão.</p>
  <p>Devido ao desenvolvimento da solução proposta ser inovador no
  âmbito nacional, pois até o momento do início do projeto não havia
  conhecimento de nenhuma proposta similar à esta, será realizada, por
  parte da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) a
  solicitação de registro de <italic>software</italic> junto ao
  Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Após a obtenção
  do registro, será possível realizar uma maior divulgação da solução,
  permitindo, desta forma, que as varas vinculadas à Justiça Federal,
  responsáveis pela gestão da pena de prestação de serviços à
  comunidade, possam iniciar a utilização do ambiente em suas
  regiões.</p>
</disp-quote>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Conforme discutido por Oliane e Silva (2012), com a aplicação ou o
  uso das penas alternativas, o Estado tende a obter diversas vantagens
  além da ressocialização do apenado, que, inicialmente, é o foco
  principal nesta discussão. As outras vantagens identificadas podem
  ser: redução no processo de superlotação do sistema carcerário;
  redução do custo do sistema carcerário para os cofres públicos;
  utilização de mão de obra disponível para a realização de diversos
  tipos de serviços, desonerando os cofres públicos que, em muitas
  situações, possuem recursos exíguos ou simplesmente permitindo a
  existência de determinado serviço que talvez não existisse caso não
  fosse realizado por um apenado; além do processo social ao qual o
  apenado é submetido, sentindo-se útil, produtivo e fazendo parte de
  uma proposta maior de valor no processo de prestação de serviço
  diretamente à sociedade.</p>
  <p>A solução desenvolvida tem como objetivo apresentar possíveis
  vantagens na
  utilização de sistemas de informação para o processo de gestão de
  atividades relacionadas à prestação de serviços à comunidade,
  permitindo o acesso aos dados e registros de forma ágil, centralizada
  e que dispense a necessidade de realocação e do envolvimento de
  diversas pessoas das equipes técnicas para atividades que não exijam
  um grau de especialização para a sua realização. Desta forma, é
  possível, inclusive, que o uso do ambiente proposto permita, entre
  outras vantagens, a geração de <italic>insights</italic>, fornecendo
  informações para o auxílio na criação e no acompanhamento de políticas
  públicas.</p>
  <p>A relevância deste projeto está intrinsecamente vinculada ao uso de
  tecnologias da informação, que em futuro próximo podem ser vinculadas
  a novas tecnologias, como aprendizado de máquina e/ou inteligência
  artificial, focadas na melhoria de serviços para as cidades
  inteligentes, podendo atender uma lacuna crescente na área de gestão
  pública, produzindo estudos e discussões que permitam a realização de
  experimentos e análises específicas sobre a efetividade das atuais
  políticas na área de segurança pública.</p>
  <p>Cabe lembrar que, de acordo com Nam e Pardo (2011), uma cidade é
  considerada inteligente quando tem como principal objetivo a melhoria
  na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos e à sociedade, e o
  quanto as tecnologias de informação são utilizadas para realizar a
  integração dos sistemas existentes, provendo as melhorias destes.</p>
  <p>O uso da solução proposta permitirá, em um futuro próximo, que
  entes governamentais possam, através das bases de dados de sistemas
  existentes e das bases de dados que estão sendo criadas para a
  implementação de novos serviços aos cidadãos, integrar tais dados, de
  forma que análises de situações mais amplas sejam identificadas e
  monitoradas para futuras ações governamentais. Isso permite que os
  órgãos públicos tenham maior conhecimento sobre os serviços prestados,
  podendo, assim, realizar diversas ações focadas, priorizando áreas com
  maiores demandas e otimizando os serviços prestados à sociedade.</p>
</disp-quote>
<p><bold>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</bold></p>
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</body>
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</back>
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