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<body>
<p><bold>POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL: DE POLÍCIA DAS ESTRADAS A UM NOVO
POSICIONAMENTO INSTITUCIONAL</bold></p>
<p><bold>Carla Campos Avanzi</bold></p>
<p>Doutoranda em Sociologia pela Universidade Estadual de Londrina - UEL
e em Criminologia pela Vrije Universiteit Brussel - VUB (cotutela),
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Londrina - UEL,
integrante do Laboratório de Estudos sobre Governança da Segurança
(LEGS) e do Crime &amp; Society Research Group (CRiS).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Paraná
<bold>Cidade:</bold> Londrina</p>
<p><bold>Email:</bold> carla_avanzi@hotmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-9349-2061</p>
<p><bold>Resumo</bold></p>
<p>A Polícia Rodoviária Federal (PRF) integra o sistema de segurança
pública, tendo adquirido, em 1988, o status de órgão permanente e
previsão constitucional para progressão de carreira. Desde então, a
instituição tem demonstrado sucesso no cumprimento de suas atribuições,
com redução dos acidentes de trânsito e aumento nas apreensões de
drogas. No entanto, são escassos os estudos sobre a instituição nas
Ciências Sociais. Este artigo objetiva investigar as principais mudanças
estruturais pelas quais a PRF tem passado e que culminaram no seu
fortalecimento institucional nas últimas duas décadas, bem como trazer
apontamentos para uma agenda de pesquisa. Para a realização da pesquisa
foram analisados os relatórios anuais de gestão, disponibilizados pelo
órgão, além de informações complementares em seus canais e documentos
oficiais referentes às últimas duas décadas, até 2021. Constata-se que a
PRF tem passado por um processo institucional semelhante ao
protagonizado pela Polícia Federal nos últimos anos, com aumento de
investimentos públicos e renovação do seu efetivo, embora não tenha
adquirido a mesma atenção midiática. Além disso, o órgão tem alterado a
ênfase da divulgação das suas atividades nos documentos oficiais, dando
maior atenção às suas atribuições de combate aos crimes, em detrimento
daquelas relacionadas ao controle de trânsito.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Polícia Rodoviária Federal; Instituição;
Policiamento; Segurança pública.</p>
<sec id="abstract">
  <title><bold>ABSTRACT</bold></title>
  <p><italic><bold>FEDERAL HIGHWAY POLICE: FROM ROAD POLICE TO A NEW
  INSTITUTIONAL POSITION</bold></italic></p>
  <p><italic>The Federal Highway Police (PRF) is part of the public
  security system, having acquired in 1988 the status of permanent body
  and constitutional provision for career progression. Since then, the
  institution has demonstrated success in fulfilling its duties, with a
  reduction in traffic accidents and an increase in drug seizures.
  However, studies on the institution in the social sciences are scarce.
  This article aims to investigate the main structural changes that the
  PRF has undergone and that have culminated in its institutional
  strengthening in the last two decades, as well as to bring notes to a
  research agenda. In order to carry out the research, the annual
  management reports made available by the agency were analyzed, as well
  as complementary information in its channels and official documents
  referring to the last two decades, until 2021. It was found that the
  PRF has gone through an institutional process similar to that carried
  out by the Federal Police in recent years, with an increase in public
  investments and renewal of its staff, although it has not acquired the
  same media attention. In addition, the agency has changed the emphasis
  on disclosing its activities in official documents, giving greater
  attention to its attributions to combat crimes, to the detriment of
  those related to traffic control.</italic></p>
  <p><italic><bold>Keywords:</bold> Federal Highway Police. Institution.
  Policing. Public security.</italic></p>
  <p><bold>Data de Recebimento:</bold> 09/06/2022 – <bold>Data de
  Aprovação:</bold> 25/05/2023</p>
  <p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2024.v18.n1.1751</p>
</sec>
<sec id="introdução">
  <title><bold>INTRODUÇÃO</bold></title>
  <disp-quote>
    <p>A Polícia Rodoviária Federal (PRF) é um órgão vinculado ao
    Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pelo
    policiamento ostensivo nas rodovias e estradas federais (BRASIL,
    1995). Em 1988, a PRF passou a integrar o rol constitucional de
    órgãos da segurança pública, com status de órgão permanente,
    estruturação de carreira e atribuição de patrulhamento ostensivo das
    rodovias federais, conforme §2º do art. 144 da Constituição Federal.
    Como as atribuições da PRF envolvem tanto o controle do trânsito
    como a repressão aos crimes nas rodovias, a instituição assume um
    papel dual. Essa duplicidade nos âmbitos de suas atribuições
    reflete-se também internamente no órgão, visto que alguns grupos
    entendem que a prioridade da instituição seria a atuação no
    trânsito, enquanto outros grupos entendem que o órgão deveria dar
    mais atenção às ações de combate aos crimes.</p>
    <p>A PRF também é considerada, muitas vezes, como o único braço
    institucional do Estado em alguns lugares, já que possui abrangência
    nacional e competência para patrulhar lugares de difícil acesso, em
    que outros órgãos não estão presentes. O contato direto com a
    população, decorrente principalmente de suas atividades de controle
    de trânsito, torna a PRF uma instituição policial com
    características diferenciadas, com imagem mais positiva e distante
    da figura arbitrária do policial
    ostensivo<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> (Coutinho, 2015;
    Girardi, 2017).</p>
    <p>No entanto, em que pese a grande importância que tem adquirido
    nos últimos anos, diferente do que aconteceu com a Polícia Federal,
    que obteve grande destaque na mídia principalmente em virtude das
    suas ações de combate à corrupção, tanto na mídia quanto nos estudos
    acadêmicos, a PRF tem mantido certo grau de ostracismo. São poucos
    os estudos sobre o órgão na academia e ainda mais escassos os que o
    abordem da perspectiva das Ciências Sociais. Além disso, são poucos
    os dados disponíveis sobre a instituição anteriores às duas últimas
    décadas, o que dificulta uma análise por um prazo maior, ainda que
    sua criação remonte a 1928 (Brasil, 1928). Embora se trate de uma
    instituição quase centenária, não foram encontrados estudos
    anteriores a 2013 sobre o órgão, tampouco informações institucionais
    sistematizadas anteriores ao ano 2000.</p>
    <p>Recentemente, no entanto, a instituição tem se destacado nas
    mídias tradicionais pelos seus recordes de apreensão de produtos
    ilegais, principalmente maconha, cigarros e madeira ilegal. Neste
    sentido, esta pesquisa pretende responder ao seguinte
    questionamento: <italic>Quais mudanças institucionais a PRF tem
    protagonizado e quais fatores institucionais contribuíram para o
    fortalecimento da Polícia Rodoviária Federal nos últimos
    anos?</italic></p>
    <p>Em estudo realizado sobre a Polícia Federal, também uma
    instituição policial de âmbito federal, Azevedo e Pilau (2018)
    observam três principais fatores que contribuíram para a maior
    estruturação daquela instituição policial: os investimentos do
    governo federal no órgão, a evolução do efetivo da instituição e o
    número de operações realizadas. Guardadas as respectivas diferenças
    e singularidades, esses três pilares também norteiam o presente
    estudo sobre a PRF. Assim, são analisadas as informações referentes
    ao orçamento público destinado ao órgão, a evolução do efetivo e as
    informações relativas às atividades institucionais desenvolvidas
    pelo órgão nos últimos anos.</p>
    <p>Além do levantamento bibliográfico sobre a instituição em portais
    de pesquisa acadêmica, como o Scielo, a Biblioteca Digital
    Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), o Google Acadêmico e as
    revistas especializadas no tema crime, violência e segurança
    pública, para a investigação das informações sobre a atual situação
    organizacional da PRF, bem como sua evolução ao longo dos últimos
    anos, foram analisados documentos públicos com informações técnicas
    sobre a instituição. Assim, foram analisados os relatórios anuais de
    gestão, disponibilizados ao Tribunal de Contas da União pela PRF nos
    anos de 2008 a 2019<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>; as Leis
    Orçamentárias Anuais (LOA), aprovadas pelo Congresso Nacional dos
    anos de 2002 (primeiro ano em que a LOA se encontra disponível para
    consulta) a 2021; bem como as Tabelas de Remuneração dos Servidores
    Públicos Federais, disponibilizadas no portal eletrônico do
    Ministério da Economia, referentes aos anos de 2000 a 2020. Além
    disso, foram verificadas informações disponibilizadas nos canais
    oficiais do órgão, como o portal eletrônico e as mídias sociais
    oficiais, a fim de identificar informações gerais, como realização
    de concursos públicos, histórico institucional, organização sindical
    e outras informações relevantes para a pesquisa.</p>
    <p>Inicialmente são apresentadas as principais características da
    PRF e os estudos sobre a instituição até o momento. Em seguida, são
    analisadas as informações referentes aos aspectos institucionais nas
    últimas duas décadas, como investimentos públicos, evolução do
    efetivo e cumprimento de atribuições. Constata-se que o aumento dos
    investimentos do governo federal nos últimos anos conferiu maior
    destaque à instituição, a exemplo do que também ocorreu com a
    Polícia Federal, embora a PRF não tenha obtido a mesma evidência
    midiática. Além disso, constata-se um possível deslocamento do foco
    das atividades da PRF do âmbito administrativo para o âmbito penal,
    uma possibilidade decorrente do caráter dúbio de suas atribuições
    constitucionais.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>CARACTERÍSTICAS INSTITUCIONAIS DA “POLÍCIA DAS
  ESTRADAS”</bold></p>
  <disp-quote>
    <p>Na área de estudos policiais e segurança pública, a Polícia
    Rodoviária Federal (PRF) é uma das instituições que menos obteve a
    atenção da academia até hoje. Os poucos estudos existentes foram
    realizados, predominantemente, por policiais rodoviários federais
    que convergiram sua atividade policial também para a academia. Além
    disso, os trabalhos, em geral, são monografias de especializações ou
    mestrados profissionais, indicando desinteresse dos pesquisadores do
    tema em publicar artigos científicos sobre a PRF, que são raros.</p>
    <p>Um levantamento bibliográfico sobre os estudos policiais nos
    últimos 17 anos, nas Ciências Sociais, foi realizado por Muniz,
    Caruso e Freitas (2018). Os autores constatam que o tema tem ganhado
    relevância, em quantidade e qualidade, a partir de 1990. No estudo,
    foram elencadas 19 categorias sobre temas em que os trabalhos
    policiais se inserem, dentre as principais delas estão: cultura
    organizacional e saberes e práticas policiais; modalidades de
    policiamento e relações interagências; formas de controle da ação
    policial e mecanismos de responsabilização; e desvios de conduta. No
    entanto, observa-se que o policiamento rodoviário federal e os temas
    a ele pertinentes não integraram os grandes eixos de estudos
    policiais nas Ciências Sociais. Assim, são poucas as publicações que
    abordam a instituição. Os escassos trabalhos sobre a PRF são
    laterais, tratam de aspectos pontuais ou secundários da instituição,
    dificultando uma visão sistematizada e ampla sobre o órgão.</p>
    <p>O principal estudo sobre a PRF nas Ciências Sociais foi realizado
    por Coutinho (2015), em sua dissertação de mestrado, que abordou o
    exercício do mandato policial e as práticas na atuação policial
    nesta instituição. Além da natureza dúbia das atribuições da PRF,
    administrativa e criminal, que divide os integrantes do órgão em
    dois grandes grupos, de acordo com o que entendem ser prioridade da
    instituição, a autora também observa uma indefinição por parte dos
    próprios policiais rodoviários federais sobre suas competências, já
    que suas atividades englobariam “tudo o que acontece às margens das
    rodovias” (Coutinho, 2015, p. 44). Isso ocorre tanto em função de
    uma indefinição legislativa sobre as atribuições da PRF, que abre
    margem para interpretações extensivas ou restritivas, quanto pela
    indefinição do seu público-alvo, sendo ora voltada aos cidadãos, ora
    voltada para coibir ou identificar criminosos. No entanto, tendo em
    vista que o objeto da pesquisa de Coutinho (2015) foram as práticas
    dos policiais rodoviários federais, não foram abordados os aspectos
    institucionais que propiciaram o papel de relevância que o órgão
    detém hoje no Brasil.</p>
    <p>Girardi (2017), no âmbito da área de Gestão Integrada da
    Segurança Pública, analisa as implicações da carreira única pelos
    policiais rodoviários federais. Os servidores da PRF, no Brasil, são
    organizados em diferentes classes, mas integram o mesmo cargo, de
    policiais rodoviários federais, diferente do que ocorre em outras
    instituições policiais em que há divisões de carreira hierarquizadas
    e com funções diferentes (Girardi, 2017). Os servidores da Polícia
    Federal, por exemplo, podem assumir cargos de delegados, agentes,
    papiloscopistas, escrivães ou peritos, com ingresso diferenciado por
    concursos públicos. Ao analisar a carreira única dos servidores da
    PRF, Girardi (2017) destaca que não existe formalização de
    hierarquia, de maneira que servidores de qualquer classe podem
    assumir cargos de chefia. Assim, em tese, qualquer policial
    rodoviário federal poderia assumir qualquer cargo de liderança,
    independente do tempo em que se encontra no órgão. Para Girardi
    (2017), essa suposta ausência de hierarquia com delimitação por
    cargos gera o afastamento da PRF de um perfil militarizado, embora
    se trate de uma polícia ostensiva, com fardamento e instrumentos
    caracterizados para o policiamento ostensivo.</p>
    <p>No entanto, a ausência de hierarquia definida e incentivos
    financeiros claros para o acúmulo de responsabilidades se apresenta,
    em outros estudos, como um empecilho para que os policiais
    rodoviários federais assumam cargos de chefia. Coutinho (2015)
    constata que, mesmo havendo controle formal sobre os horários de
    trabalho e as escalas de plantão, há uma dificuldade de controle
    sobre os critérios e a forma de abordagem policial quando os
    policiais rodoviários federais estão em contato com a população,
    havendo alto grau de discricionariedade na atuação, situação que é
    reconhecida pelos gestores do órgão. Em pesquisa realizada por Pires
    (2016), na área de Administração, constata-se que as razões que
    levaram os servidores da PRF a assumirem cargos de chefia se
    relacionavam a “questões de ordem pessoal e subjetiva, nomeadamente
    relacionadas às crenças pessoais, ao desejo de colaborar com um
    projeto de gestão, de fazer algo positivo pela instituição e pela
    atividade policial em geral, ou por algum colega, em particular”
    (Pires, 2016, p. 95). Assim, a ausência de critérios objetivos mais
    tangíveis de incentivo aos cargos de liderança, como aumento
    significativo de remuneração, delega aos aspectos subjetivos de cada
    agente se pretende assumir ou não as responsabilidades dos cargos de
    liderança. A despeito disso, Pires (2016) constatou processos
    eficazes de liderança e gestão na PRF. Já no estudo realizado por
    Girardi (2017), o autor destaca que “o cargo único influencia na
    concretização de um modelo de gestão mais moderno, mas não é capaz
    de inibir práticas antigas de controle gerencial” (Girardi, 2017, p.
    13). Assim, há consenso entre os autores que, embora o modelo de
    carreira única traga benefícios à instituição, ainda há empecilhos
    para a melhor definição de responsabilidades internas.</p>
    <p>A preocupação com o melhor incentivo aos gestores do órgão também
    é indicada nos relatórios de gestão. Apesar do prestígio social em
    assumir cargos de gestão, os relatórios apresentam que, para a
    instituição, os riscos assumidos demandariam um incentivo financeiro
    mais significativo, que amparasse o aumento das responsabilidades
    desses cargos. No relatório de 2017, o último apresentado
    isoladamente pelo órgão ao Tribunal de Contas da União (TCU), a
    preocupação com os incentivos aos cargos de gestão fica
    evidente:</p>
    <p>Nessa esteira, insta ressaltar as dificuldades em manter o corpo
    de gestores, em razão dos desafios decorrentes do panorama
    vivenciado pela Instituição, qual seja, déficit de servidores e
    contexto atual da Segurança Pública no país, e considerando a
    defasagem nos valores das funções gratificadas, principalmente as
    devidas aos Chefes de Delegacia e Núcleos. (Relatório de Gestão 2017
    da PRF, 2017, p. 215).</p>
    <p>Em estudo realizado por Calegari (2013), na área de Gestão
    Pública, um outro aspecto sobre a carreira única é levantado: como a
    instituição não dispõe de um quadro administrativo próprio, emerge a
    necessidade de deslocar os policiais para a realização dessas
    atividades. A defasagem do número de policiais rodoviários federais
    necessários para a cobertura de toda a malha rodoviária federal
    brasileira ficaria ainda mais prejudicada em razão do efetivo
    insuficiente (Calegari, 2013). Como não dispõe de quadro
    administrativo de nível médio, a instituição necessita que policiais
    rodoviários com formação superior realizem as atividades
    administrativas. Assim, os estudos sobre a carreira única da PRF,
    principalmente nas áreas de Administração e Gestão, apresentam
    aspectos diferenciados sobre as implicações do modelo para a
    concretização das funções institucionais.</p>
    <p>Embora alguns estudos sobre a PRF forneçam elementos sobre a
    história da instituição, as práticas e os aspectos organizacionais,
    as análises apresentadas são laterais e pontuais, de forma que não
    fornecem um panorama abrangente da instituição, nem tampouco do seu
    papel institucional na democracia brasileira. Assim, evidencia-se
    uma lacuna da bibliografia, principalmente da área de Ciências
    Sociais, sobre uma instituição com papel tão destacado na segurança
    pública. Este estudo visa contribuir com a agenda de pesquisa sobre
    a instituição, indicando os principais elementos que contribuíram
    para o seu fortalecimento nos últimos anos.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>ELEMENTOS DE FORTALECIMENTO DA POLÍCIA RODOVIÁRIA
  FEDERAL</bold></p>
  <disp-quote>
    <p>São abordados, aqui, os principais elementos de fortalecimento
    institucional que incorreram sobre a Polícia Rodoviária Federal nas
    últimas duas décadas, bem como as principais alterações que a
    instituição tem passado. Assim, com base nos documentos analisados,
    são apresentados os investimentos públicos no órgão, a valorização
    do efetivo e as informações disponibilizadas sobre a realização das
    suas atividades institucionais.</p>
  </disp-quote>
  <sec id="investimentos-públicos-no-órgão">
    <title><bold>Investimentos públicos no órgão</bold></title>
    <disp-quote>
      <p>Os valores destinados à Polícia Rodoviária Federal pelo
      orçamento público podem representar um importante elemento de
      análise da instituição. Em estudo sobre a Polícia Federal, Azevedo
      e Pilau (2018) constatam que o incentivo do governo federal neste
      órgão, com progressivo aumento dos investimentos, possibilitou o
      seu destaque institucional no cenário político brasileiro. Como
      demonstram os autores, o aumento dos investimentos pode se
      refletir em várias áreas dentro da organização, como maior
      modernização do seu aparato e aumento do efetivo, que resultam em
      seu maior fortalecimento institucional. Este mesmo processo
      ocorreu com a PRF, mas sem que tivesse o mesmo destaque midiático
      obtido pela Polícia Federal nos últimos anos. Com relação à PRF,
      observa-se um aumento constante das verbas destinadas na Lei
      Orçamentária Anual ao órgão nas últimas duas décadas.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Gráfico 1: Créditos orçamentários da PRF nos anos de 2002 a
    2021</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pela autora, a partir de dados da Lei
    Orçamentária Anual (LOA)<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> e do
    Portal da Transparência, de 2002 a 2021.</p>
    <disp-quote>
      <p>Ainda que nos últimos anos as Leis Orçamentárias Anuais tenham
      apresentado redução do orçamento destinado à PRF, o Portal da
      Transparência, vinculado à Controladoria Geral da União (CGU),
      indica aumento das despesas previstas pela instituição, com base
      no orçamento público. Além disso, ao longo das duas últimas
      décadas verifica-se aumento significativo do orçamento do órgão,
      evidenciado pela curva ascendente no Gráfico 1. Essa mudança é
      indicativa do interesse dos governantes em fortalecer a
      instituição. Ao longo dos últimos anos, o orçamento destinado à
      PRF chegou a ser multiplicado por cinco, saindo de menos de 1
      bilhão de reais em 2002, e chegando a quase 5 bilhões de reais em
      2019. Se considerarmos o valor das despesas previstas para o órgão
      no Portal da Transparência, em 2021, esse valor é ainda maior,
      ultrapassando 5,6 bilhões de reais.</p>
      <p>Assim, em processo semelhante ao que ocorreu com a Polícia
      Federal, a PRF teve significativo aumento dos investimentos
      públicos no órgão nos últimos 20 anos. O aumento dos investimentos
      pode refletir na valorização do efetivo, na maior informatização
      de dados e uso de tecnologias, em melhores instrumentos de
      trabalho, na melhoria das condições para a realização de suas
      atividades, dentre outras mudanças nos diversos setores internos.
      Se considerarmos que o cenário recente do Brasil é de
      predominância de corte de gastos em serviços públicos,
      impulsionada pela divulgada crise fiscal, o aumento de
      investimentos indica uma prioridade dada pelo governo à
      instituição.</p>
      <p>Outro fator de destaque financeiro da PRF é sua capacidade de
      angariar receitas orçamentárias, seja em virtude da aplicação de
      multas de trânsito, seja pelos serviços prestados que são
      remunerados com recursos privados, como o serviço de escolta de
      veículos. No Gráfico 2 pode-se visualizar a comparação das
      receitas orçamentárias da PRF e da PF, de 2002 a 2021.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Gráfico 2: Receitas orçamentárias da PRF e da PF nos anos
    de 2002 a 2021</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image4.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pela autora, a partir de dados da Lei
    Orçamentária Anual (LOA)<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, de
    2002 a 2021.</p>
    <disp-quote>
      <p>A receita orçamentária da PRF, embora guarde oscilações,
      apresenta significativo crescimento nos últimos anos, superando as
      receitas da PF. As receitas orçamentárias da PRF decorrem de
      multas previstas em legislação específica, serviços
      administrativos e comerciais gerais, e multas e juros previstos em
      contratos, conforme a LOA/2021. Assim, em um cenário de restrições
      orçamentárias no Brasil, a capacidade da PRF em angariar receitas
      públicas pode significar um importante instrumento de negociação
      política para a obtenção de melhores condições de trabalho e
      aumento dos incentivos na instituição. Além disso, a maior
      arrecadação nos últimos anos pode indicar, também, a melhoria da
      capacidade logística da PRF em prestar serviços e aplicar multas
      de trânsito, como resultado desse incentivo orçamentário. O
      potencial de arrecadação pode resultar de vários fatores, já que,
      por exemplo, a legislação de trânsito também pode impactar
      significativamente no valor arrecadado referente às multas. A
      despeito disso, o aumento significativo dessa arrecadação também
      indica que a PRF pode estar mais preparada para ampliar o seu
      escopo de abordagens, intensificando ou potencializando a
      fiscalização, por meio de instrumentos tecnológicos ou maior
      disponibilidade do efetivo.</p>
    </disp-quote>
  </sec>
  <sec id="valorização-do-efetivo">
    <title><bold>Valorização do efetivo</bold></title>
    <disp-quote>
      <p>A investigação sobre a evolução do efetivo da Polícia
      Rodoviária Federal também pode dar indícios sobre o processo de
      mudanças que a instituição tem passado nos últimos anos. O
      fortalecimento nesta área pode ter ocorrido em dois aspectos na
      PRF: no aumento do número do seu efetivo e na valorização dos
      subsídios do seu quadro funcional.</p>
      <p>A carreira de policial rodoviário federal foi criada com a Lei
      nº 9.654 de 1998 (Brasil, 1998), que também passou a estabelecer o
      curso superior como requisito mínimo para ingresso no órgão, sendo
      considerado, a partir daquele ano, um cargo de nível
      intermediário. Desde então, foram realizados sete concursos
      públicos nacionais para provimento de vagas do órgão, que
      totalizaram o número de 6.890 novos postos a serem ocupados.
      Destaca-se que, além das vagas previstas inicialmente nos
      concursos, o órgão tem permissão legal para realizar contratações
      suplementares, desde que o concurso esteja válido e haja aprovados
      aptos a ocupar as vagas. Assim, o número de contratações pode ser
      maior que o previsto inicialmente no edital. Os concursos com
      maior previsão de vagas foram realizados, principalmente, nos
      governos petistas de Lula e Dilma, com o provimento de 4.280
      vagas.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 1: Concursos públicos para a PRF realizados entre os
    anos de 2002 e 2021</bold></p>
    <table-wrap>
      <table>
        <colgroup>
          <col width="12%" />
          <col width="12%" />
          <col width="12%" />
          <col width="12%" />
          <col width="12%" />
          <col width="12%" />
          <col width="12%" />
          <col width="12%" />
        </colgroup>
        <thead>
          <tr>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
          </tr>
          <tr>
            <th>Ano</th>
            <th>2002</th>
            <th>2003</th>
            <th>2008</th>
            <th>2009</th>
            <th>2013</th>
            <th>2018</th>
            <th>2021</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>Vagas</th>
            <th>600</th>
            <th>2.200</th>
            <th>340</th>
            <th>750</th>
            <th>1.000</th>
            <th>500</th>
            <th>1.500</th>
          </tr>
          <tr>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
            <th></th>
          </tr>
        </thead>
        <tbody>
        </tbody>
      </table>
    </table-wrap>
    <p>Fonte: Elaborado pela autora, a partir de dados do Portal
    eletrônico da PRF<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>.</p>
    <disp-quote>
      <p>No entanto, mesmo com a realização de diversos concursos para
      provimento de vagas do órgão, não houve significativo aumento do
      número de servidores ao longo dos anos, oscilando entre 9 mil e 12
      mil, como mostra o Gráfico 3, abaixo.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Gráfico 3: Número de servidores em cargos efetivos da PRF,
    de 2006 a 2021</bold></p>
    <p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
    <p>Fonte: Elaborado pela autora, a partir de dados dos Relatórios
    anuais de gestão e do Portal da Transparência.</p>
    <disp-quote>
      <p>Conforme informações disponibilizadas no Portal da
      Transparência e nos relatórios de gestão dos anos anteriores, em
      2021 a instituição encontrava-se com seu maior número de
      servidores ativos, com 11.791 policiais rodoviários federais. No
      entanto, esse número ainda é muito distante do ideal necessário
      pleiteado pela instituição. Em 2017, o relatório de gestão
      apresentado pela PRF indicava a necessidade de 18.172 cargos para
      fiscalizar a malha rodoviária brasileira. O histórico do efetivo
      da instituição indica que a PRF manteve cerca de apenas metade
      desse número ao longo dos anos.</p>
      <p>Ainda que o número do efetivo não tenha sofrido alterações
      relevantes ao longo dos últimos anos, pode-se considerar que a PRF
      passou por um processo de renovação do seu efetivo, a exemplo do
      que Arantes (2011a) também indica sobre o efetivo da PF como uma
      das causas do seu fortalecimento. Isto porque, dos atuais
      policiais rodoviários federais que a instituição dispõe, cerca de
      metade deles ingressou a partir de 2002, com o preenchimento de
      vagas pelos concursos públicos.</p>
      <p>A ausência de crescimento no número de servidores ativos pode
      ocorrer em razão de vários fatores. O principal deles é a
      diminuição do efetivo em virtude da aposentadoria dos seus
      servidores, por idade ou tempo de serviço, uma preocupação
      frequentemente levantada nos relatórios de gestão, com a
      reivindicação do órgão pela necessidade de novos concursos para
      suprir essa defasagem. No Relatório de Gestão da PRF de 2016, um
      dos últimos desenvolvidos individualmente pelo
      órgão<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>, essa preocupação fica
      evidente:</p>
      <p>Quando se visualiza a situação futura do efetivo da PRF, a
      situação é preocupante. Haja vista a previsão de aposentadorias
      nos próximos cinco anos. Existe uma grande quantidade de
      servidores que completa o tempo de serviço necessário para se
      aposentar com remuneração integral. No que diz respeito aos
      policiais, esse número é de 3.916 até 2016, o que representa 35%
      do efetivo atual de toda a PRF. Até 2020 o número chega a 4.378,
      ou seja, quase 40% de todo o efetivo. (Relatório de Gestão 2016 da
      PRF, 2016, p. 161).</p>
      <p>Além disso, o órgão aponta a necessidade da realização de novos
      concursos, a exemplo do trecho abaixo, do documento de 2016:</p>
      <p>É visível a necessidade da PRF se estruturar para proceder com
      a articulação com o Ministério da Justiça e o Ministério do
      Planejamento, Orçamento e Gestão, para a abertura de novas vagas,
      caso contrário existe um alto risco de os processos finalísticos e
      meios da PRF serem prejudicados, impactando nos serviços prestados
      ao cidadão e, em última instância, inviabilizando o alcance da
      missão e visão organizacionais. (Relatório de Gestão 2016 da PRF,
      2016, p. 161).</p>
      <p>Outro fator que impacta no número do efetivo do órgão é a
      “migração” dos servidores para outros cargos públicos melhor
      remunerados, por meio dos concursos públicos (Coutinho, 2015).
      Neste sentido, podemos citar os exemplos dos subsídios de algumas
      das carreiras da Polícia Federal (PF) e da Agência Brasileira de
      Inteligência (Abin), também de âmbito Federal, que em regra se
      mostram mais atrativos que os subsídios da PRF. Em 2020, a
      carreira de oficial técnico de inteligência na Abin possuía
      subsídio inicial de R$16.312,70, enquanto as carreiras de agente,
      escrivão e papiloscopista da PF possuíam subsídio inicial de
      R$12.522,50, ambos superiores ao subsídio inicial da carreira de
      Policial Rodoviário Federal naquele ano, conforme tabela de
      Remuneração dos Servidores Públicos Federais. A equiparação
      salarial da PRF aos policiais federais é umas das pautas
      recorrentes da instituição e da Federação Nacional dos Policiais
      Rodoviários Federais
      (FENAPRF)<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>, entidade sindical
      do órgão. Assim, um possível caminho para o problema da diminuição
      do efetivo da instituição através da migração para outros órgãos
      públicos seria tornar o subsídio da carreira mais atrativo,
      equiparando-o ao das demais carreiras policiais federais.</p>
      <p>No entanto, ainda que o subsídio dos policiais rodoviários
      federais não tenha se equiparado ao dos demais cargos da Polícia
      Federal, observa-se que, nos últimos anos, o salário dos cargos
      efetivos da PRF sofreu forte valorização, com crescimento
      constante e aumento de mais de 800%. Além dos reajustes quase
      anuais de menor impacto, três reajustes significativos foram
      realizados nos últimos 20 anos: um reajuste salarial em 2002, que
      representou um aumento de 47% na remuneração com base na categoria
      inicial; um reajuste em 2003, representando aumento de mais 26%; e
      outro em 2017, representando mais 26% de reajuste salarial (todos
      tendo como base o vencimento da categoria inicial do órgão),
      respectivamente nos governos dos presidentes Lula e Temer.</p>
      <p>A título de comparação, o Gráfico 4 apresenta: a evolução dos
      subsídios da primeira e da última categoria dos servidores da PRF;
      os subsídios da primeira categoria dos técnicos do Banco Central
      do Brasil; e a evolução do salário mínimo no Brasil nos últimos 20
      anos. A comparação com o subsídio dos servidores técnicos do Banco
      Central do Brasil foi feita em razão deste também ser um cargo de
      nível intermediário, assim como o da PRF, bem como não ter sofrido
      alterações relevantes em sua configuração nos últimos 20 anos.
      Enquanto no ano 2000 os subsídios iniciais dos servidores técnicos
      do Banco Central do Brasil e dos servidores da PRF, ambos de
      categoria intermediária, eram muito semelhantes, sendo o segundo
      inclusive inferior ao primeiro, nos anos seguintes a remuneração
      dos servidores da PRF teve um considerável aumento, mantendo-se
      significativamente acima por todo o restante do período.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Gráfico 4: Evolução dos subsídios das categorias iniciais e
    finais dos servidores da PRF, de técnico do Banco Central do Brasil
    e do salário mínimo nacional – 2000 a 2020</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pela autora, a partir de dados do Ministério da
    Economia e da Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais
    Civis e dos
    Ex-Territórios<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>.</p>
    <disp-quote>
      <p>Outro ponto que merece destaque com relação ao efetivo é a
      representação sindical do órgão. Além das organizações sindicais
      estaduais, em 1992 foi criada a Federação Nacional dos Policiais
      Rodoviários Federais
      (FENAPRF)<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>, antigo Sindicato
      Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (SINPRF), com sede no
      Distrito Federal. A Federação possui intensa atividade em defesa
      dos policiais rodoviários federais, realizando reuniões frequentes
      com lideranças políticas e discussão das pautas. Ao contrário do
      que ocorre na Polícia Federal, em que conflitos internos entre
      delegados e agentes são habituais (Costa; Machado; Zackseski,
      2016), na PRF há maior unanimidade nas pautas, em razão da
      carreira única, em que pese, ainda possam ocorrer disparidades
      entre as representações de suas unidades internas. Como a PRF
      dispõe de apenas uma categoria de servidores, de policiais
      rodoviários federais, os conflitos tendem a ser mais facilmente
      dissolvidos em prol de maiores benefícios para a corporação.</p>
      <p>Em pesquisa realizada sobre a Polícia Federal, Bajotto (2009)
      indica que a valorização da qualificação dos policiais federais,
      com a exigência de curso superior, foi um dos fatores que
      contribuiu para a caracterização da instituição como uma “polícia
      de elite”. A valorização do efetivo da PRF, com progressivo
      aumento dos subsídios e necessidade de curso superior para
      ingresso na instituição, pode representar também um dos fatores
      que contribui para o seu fortalecimento institucional. Não é
      possível identificar nesta pesquisa se o aumento do subsídio da
      categoria ocorreu por opção política dos governantes, por demandas
      internas em razão da diminuição do efetivo ou por outros aspectos.
      No entanto, constata-se na PRF a ascendente valorização do seu
      efetivo nos últimos anos.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Atividades do órgão</bold></p>
    <disp-quote>
      <p>A amplitude legal que incide sobre as atribuições da Polícia
      Rodoviária Federal coloca a instituição em um papel dividido entre
      duas competências: fiscalização de trânsito e enfrentamento ao
      crime. Essa dualidade aparece nos estudos sobre o órgão e reflete
      nas informações que a PRF disponibiliza sobre suas atividades
      institucionais.</p>
      <p>Em pesquisa realizada por Coutinho (2015), a autora observa que
      há uma divisão de grupos internos na PRF sobre a prioridade de
      atuação da instituição, em razão da diversa gama de competências
      atribuídas legalmente. Um grupo entende que o órgão deve priorizar
      as ações voltadas ao controle do trânsito e ao auxílio de seus
      usuários, como o atendimento de acidentes nas rodovias e a
      fiscalização administrativa; outro grupo entende que o órgão deve
      dar ênfase à ampliação de suas atividades, como ações de
      investigação criminal e combate à criminalidade nas rodovias.
      Assim, enquanto uma parte da corporação prioriza os aspectos
      administrativos de suas competências, a outra parte busca
      favorecer suas atribuições no âmbito criminal.</p>
      <p>Além disso, a autora menciona que o estereótipo do policial
      rodoviário federal é reforçado com as publicações na mídia, que
      valorizam sobremaneira o combate ao crime feito pela instituição,
      em comparação às atividades de fiscalização de trânsito, que
      aparecem menos. Assim, são frequentes as notícias sobre o órgão
      que indiquem as grandes operações de apreensões de drogas,
      cigarros e munições ou armas ilegais. Por outro lado, a atividade
      de combate ao crime não é entendida por alguns policiais
      rodoviários como a principal atividade do seu dia a dia, já que o
      encaminhamento administrativo que decorre desta atividade seria
      mais trabalhoso que a própria ocorrência em si (Coutinho,
      2015).</p>
      <p>Considerando que a maioria das atribuições legais da PRF se
      relaciona às atividades de fiscalização e suporte de trânsito, os
      relatórios de gestão também dedicam boa parte do seu conteúdo
      sobre as atividades do órgão para este tema. Além disso, como a
      PRF integra o Sistema Nacional de Trânsito, o órgão pactuou o
      Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito
      (Pnatrans), que tem como objetivo reduzir em 50% os índices de
      mortes por grupo de habitantes e de mortes por grupo de veículos
      no período de 10 anos, de 2019 a 2028.</p>
      <p>Os principais objetivos da PRF, nos documentos quanto à
      segurança viária, são a redução de mortes no trânsito, a
      diminuição de acidentes de trânsito e a redução de pessoas
      feridas. Os dados apresentados pela instituição indicam que a
      instituição tem obtido sucesso em seus objetivos, ainda que os
      resultados possam ser decorrentes de outros fatores externos e não
      apenas de sua atuação, como maior segurança dos veículos e
      melhores condições das rodovias. Embora o relatório de gestão de
      2020, apresentado ao Tribunal de Contas da União, não estivesse
      disponível para consulta no momento desta pesquisa, o site oficial
      da PRF contém documentos importantes e atualizados sobre os
      resultados das suas atividades de trânsito e o combate ao crime
      nos últimos anos. Um desses documentos está denominado como
      <italic>Balanço PRF
      2020</italic><xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>.</p>
      <p>Ao analisarmos os dados disponibilizados nos documentos,
      constata-se uma drástica redução dos acidentes de trânsito nos
      últimos anos, mesmo com o aumento do número de veículos por
      habitantes e o aumento da malha rodoviária brasileira. Como a PRF
      assumiu o compromisso de trabalhar com o objetivo de reduzir o
      número de acidentes, mesmo que a redução dos acidentes de trânsito
      possa ter várias causas covariantes, é importante que o resultado
      na meta seja demonstrado institucionalmente, como apresenta o
      Gráfico 5, a seguir. Do ano mais crítico para os acidentes de
      trânsito, em 2011, até 2020, os números de acidentes foram
      reduzidos em mais de 67%, o que representa sucesso da instituição
      nos seus objetivos.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Gráfico 5: Acidentes totais no Brasil – 2007 a
    2020</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image5.png" />
    <p>Fonte: Portal eletrônico da PRF, Balanço PRF 2020.</p>
    <disp-quote>
      <p>A instituição também obteve sucesso com relação à diminuição do
      número de mortes no trânsito, reduzindo o índice em quase 40%,
      passando de 8.675 mortes, no Brasil, em 2011, para 5.287 mortes,
      em 2020. Embora possam resultar também de causas covariantes, como
      já mencionado, esses números se relacionam diretamente às
      atividades da PRF, já que a ela compete, além das atividades de
      policiamento, realizar ações relacionadas à prevenção de acidentes
      e salvamento de vítimas, promover campanhas para prevenção de
      acidentes, dentre outras atribuições.</p>
      <p>No âmbito criminal das competências da PRF, suas principais
      atividades de enfrentamento ao crime se relacionam à contenção do
      tráfico de entorpecentes, do tráfico de armas e munições, do
      contrabando e descaminho, e ao enfrentamento à exploração sexual
      infanto-juvenil nas margens das rodovias (Calegari, 2013). Os
      documentos analisados apresentam uma crescente preocupação em
      indicar a atuação intensa da instituição no combate aos crimes,
      evidenciados tanto nos relatórios de gestão como nas informações
      contidas no site oficial. Além disso, as informações obtidas
      também indicam sucesso da instituição nesta esfera.</p>
      <p>Os números de apreensão de maconha, por exemplo, aumentaram
      drasticamente nos últimos anos, de acordo com os dados
      apresentados pela instituição, passando de 33 toneladas em 2003,
      para 727 toneladas em 2020. Outro crime constantemente combatido
      pela PRF é o contrabando de produtos, principalmente de cigarros.
      Enquanto em 2003 foram apreendidos 87.278 maços de cigarros pela
      PRF, o número de apreensões subiu em mais de 13 vezes nos últimos
      anos, com a apreensão de 121.154.411 maços de cigarros pela
      instituição em 2020. Além disso, a PRF também demonstra sucesso na
      apreensão de armas de fogo, atividade essencial para todo o
      sistema de segurança pública no país, considerando o destino que
      essas armas teriam ao crime organizado. O Gráfico 6 demonstra o
      significativo aumento dessas apreensões nos últimos anos.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Gráfico 6: Apreensões de armas de fogo pela PRF – 2005 a
    2020</bold></p>
    <disp-quote>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image3.png" />
    </disp-quote>
    <p>Fonte: Portal eletrônico da PRF, Balanço PRF 2020.</p>
    <disp-quote>
      <p>Muitas vezes, essas informações de combate aos crimes foram
      comparadas também com os números apresentados pela Polícia
      Federal, principalmente nos relatórios de gestão que foram gerados
      pelos próprios Ministérios (relatórios de 2018 e 2019). O
      relatório de 2019 traz os números de apreensão de drogas pelas
      duas instituições de segurança de âmbito nacional:</p>
      <p>Registro, ainda, a grande quantidade de drogas apreendidas em
      operações realizadas pela PF e pela PRF. Em 2019, a PF apreendeu
      104,59 toneladas de cocaína (25,42 toneladas a mais que em 2018) e
      266 toneladas de maconha. Em 2018, haviam sido apreendidas 79,17
      toneladas de cocaína e 268,1 toneladas de maconha. Já a PRF, em
      2019, apreendeu 24 toneladas de cocaína (6 toneladas a mais que em
      2018) e 324,74 toneladas de maconha (19 a mais que em 2018). Em
      2018 haviam sido aprendidas 18,76 toneladas de cocaína e 305,7
      toneladas de maconha. (Relatório de Gestão 2019 da PRF, 2019, p.
      12).</p>
      <p>Atualmente, tanto as atividades relacionadas ao trânsito quanto
      às atividades de combate aos crimes pela PRF estão contempladas
      nos relatórios e documentos disponibilizados pela instituição,
      indicando o seu empenho em demonstrar o cumprimento de suas
      atribuições nos dois âmbitos de atuação. No entanto, essa postura
      tem se alterado gradativamente nos últimos anos, em que o combate
      aos crimes passou a ganhar atenção considerável nos relatórios de
      gestão e demais documentos disponibilizados pela instituição.</p>
      <p>Se verificarmos o relatório de gestão de 2008, por exemplo, a
      preocupação com o combate ao crime era diminuta. Das 113 páginas
      do documento, apenas uma delas (p. 75) foi dedicada aos números de
      combate à criminalidade, com uma tabela concisa com os números de
      atuação da instituição. As demais páginas dedicam-se amplamente,
      além da prestação de contas orçamentárias, às informações sobre as
      atividades de trânsito desenvolvidas, como fiscalização e
      prevenção de acidentes. Os documentos recentes da PRF
      (<italic>Balanço PRF 2020</italic>, por exemplo) conferem
      considerável ênfase aos números de combate aos crimes pela
      instituição, conforme demonstrado nas seções anteriores.</p>
      <p>Além disso, o atual Plano Estratégico da PRF, que estabelece as
      diretrizes de atuação da instituição para os anos de 2020 a 2028,
      também apresenta grande destaque à atuação de combate à
      criminalidade, em comparação com as informações de fiscalização de
      trânsito. No documento, a prevenção e o combate ao crime e às
      organizações criminosas aparece antes do controle de trânsito, em
      diversas ocasiões, como em seções de mudanças previstas por eixos
      de atuação; políticas, programas e planos nacionais pactuados;
      entregas institucionais; e objetivos estratégicos finalísticos. O
      documento também destaca a PRF como “a única instituição no país
      com capacidade para monitorar e intervir na logística e mobilidade
      das organizações criminosas” (Revista Estratégia PRF, 2021, p.
      37), reforçando seu posicionamento como instituição essencial no
      combate à criminalidade. Assim, depreende-se que houve um
      crescimento da preocupação da instituição em demonstrar sua
      atuação na esfera penal, possivelmente almejando o aumento de
      prestígio que as atividades de segurança pública podem oferecer ou
      mesmo uma nova posição institucional na democracia brasileira.</p>
    </disp-quote>
  </sec>
</sec>
<sec id="considerações-finais">
  <title><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></title>
  <disp-quote>
    <p>A Polícia Rodoviária Federal (PRF) adquiriu, com a Constituição
    Federal de 1988, o status de órgão permanente, com estruturação de
    carreira. Desde então, institucionalmente, a PRF tem obtido destaque
    na democracia brasileira, com aumento significativo de sua atuação,
    tanto no trânsito quanto na repressão aos crimes, como evidenciam os
    dados apresentados nos relatórios de gestão e demais documentos
    públicos. No entanto, diferente do que ocorreu com a Polícia Federal
    nos últimos, a PRF não obteve grande destaque midiático para suas
    atividades e para as transformações que vem protagonizando nos
    últimos anos. Além disso, observa-se uma lacuna na literatura sobre
    o tema, já que os poucos trabalhos sobre a PRF abordam aspectos
    pontuais da instituição e se concentram na área de Gestão.</p>
    <p>Esta análise investiga os aspectos estruturais que contribuíram
    para o fortalecimento da instituição nas duas últimas décadas. Um
    dos principais fatores foi o massivo investimento público que a PRF
    tem recebido, cujo valor chegou a quintuplicar ao longo dos últimos
    anos. Os investimentos no órgão podem se refletir em várias áreas da
    instituição, desde maior capacitação, melhores instrumentos de
    trabalho, aquisição de tecnologias de fiscalização, dentre outros. O
    sucesso no alcance de metas institucionais pode representar o
    resultado desses investimentos públicos no órgão.</p>
    <p>Além disso, ainda que os números do seu efetivo não tenham
    aumentado significativamente, pode-se considerar que a instituição
    vem passando por um processo de renovação, visto que cerca de metade
    dos seus servidores ativos ingressou a partir de 2002, por meio da
    realização de concursos públicos. Observa-se, também, que o efetivo
    passou por um processo de valorização, com aumento significativo dos
    subsídios, ainda que a equiparação salarial com os cargos da Polícia
    Federal seja uma pauta sindical bastante presente. Sobre este
    aspecto, evidencia-se que a carreira única na instituição apresenta
    aspectos controversos na literatura. Por um lado, a ausência de um
    quadro administrativo próprio e de hierarquia por cargos prejudica a
    realização das atividades vistas pelos policiais como mais
    essenciais e desencoraja a assumir as responsabilidades de gestão.
    Por outro lado, a ausência de hierarquia é vista, em alguns estudos,
    como um incentivo ao trabalho eficaz, bem como proporciona maior
    homogeneidade nas pautas sindicais.</p>
    <p>A abrangência de atribuições legais da PRF, com a ausência de
    limites precisos, coloca a instituição em um papel indefinido quanto
    às suas prioridades de atuação. Trabalhos anteriores indicam a
    existência de dois grupos internos com entendimentos diferentes
    sobre o foco do seu papel institucional: um que entende que o órgão
    deve priorizar as atividades de trânsito; e outro que defende uma
    maior atenção às atribuições de âmbito criminal. A análise dos
    relatórios de gestão disponibilizados ao TCU indica que, embora as
    duas áreas de atuação sejam destacadas atualmente, houve aumento da
    preocupação da instituição em demonstrar suas atividades de combate
    aos crimes, já que, nos documentos anteriores, a preocupação com
    este aspecto era diminuta, como no relatório de gestão de 2008. Isso
    pode indicar um deslocamento das prioridades de atuação da
    instituição, em possível busca por maior prestígio conferido pela
    atuação na esfera penal. Os aspectos decorrentes deste possível novo
    posicionamento, no entanto, ainda são obscuros e necessitam de maior
    aprofundamento.</p>
    <p>Considerando a lacuna na bibliografia sobre a PRF nas Ciências
    Sociais, ainda são muitos os aspectos a serem pesquisados sobre o
    órgão. Em que pese o aumento significativo de investimentos e a
    realização recorrente de concursos públicos para preenchimento de
    vagas, a instituição tem passado, praticamente, despercebida pela
    academia. Este estudo pretende contribuir com uma agenda de pesquisa
    sobre o tema, bem como elucidar os principais fatores de
    transformações institucionais que levaram ao fortalecimento da PRF
    nos últimos anos.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="referências-bibliográficas">
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  Acesso em: 04 jan. 2024</p>
</sec>
</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Embora em 2022, o caso da morte de Genivaldo
    Jesus dos Santos, por asfixia, em uma viatura da PRF, tenha colocado
    a instituição em destaque nos noticiários, em regra são raros os
    casos de escândalos na mídia por arbitrariedade policial envolvendo
    agentes da PRF, em comparação com outras instituições policiais,
    como as polícias militares estaduais, por exemplo.</p>
  </fn>
  <fn id="fn2">
    <label>2</label><p>Os relatórios se encontram disponíveis para
    consulta apenas a partir de 2008. O relatório de 2020 ainda não
    havia sido disponibilizado pelo órgão até o momento da realização
    desta pesquisa.</p>
  </fn>
  <fn id="fn3">
    <label>3</label><p>Disponível em:
    https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/loa.
    Acesso em: 5 maio 2021.</p>
  </fn>
  <fn id="fn4">
    <label>4</label><p>As informações referentes ao ano de 2006 foram
    suprimidas, porque apresentaram inconsistências na LOA.</p>
  </fn>
  <fn id="fn5">
    <label>5</label><p>Disponível em:
    https://www.gov.br/prf/pt-br/acesso-a-informacao/servidores/concursos-e-selecoes/editais-anteriores.
    Acesso em: 30 maio 2021.</p>
  </fn>
  <fn id="fn6">
    <label>6</label><p>A partir de 2018, os relatórios passaram a ser
    apresentados de forma conjunta pelo Ministério ao qual o órgão é
    vinculado, com diminuição substantiva das informações sobre a
    PRF.</p>
  </fn>
  <fn id="fn7">
    <label>7</label><p>Disponível em:
    https://fenaprf.org.br/novo/fenaprf-vai-a-agu-para-cobrar-implantacao-de-parecer-vinculante-que-garante-integralidade-e-paridade/.
    Acesso em: 30 maio 2020.</p>
  </fn>
  <fn id="fn8">
    <label>8</label><p>Disponível em:
    https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/gestao/outros/gestao-publica/arquivos-e-publicacoes/tabela-de-remuneracao/tabela-de-remuneracao.
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  </fn>
  <fn id="fn9">
    <label>9</label><p>Disponível em:
    https://fenaprf.org.br/novo/sobre-fenaprf/#historia. Acesso em: 1
    jun. 2021</p>
  </fn>
  <fn id="fn10">
    <label>10</label><p>Disponível em:
    https://www.gov.br/prf/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/principais-resultados-prf/balanco_prf_2020___final.pdf.
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  </fn>
</fn-group>
</back>
</article>
