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<p><bold>CHACINAS DE BELÉM: PARTICIPAÇÃO DE GRUPOS MILICIANOS E DE
EXTERMÍNIO NOS HOMICÍDIOS DE BELÉM, PARÁ, BRASIL</bold></p>
<p><bold>Edson Marcos Leal Soares Ramos</bold></p>
<p>Bacharel em Estatística (UFPA), mestre em Estatística (UFPE) e doutor
em Engenharia de Produção (UFSC). Professor Titular da UFPA, no Programa
de Pós-Graduação em Segurança Pública. É conselheiro do Fórum Brasileiro
de Segurança Pública (FBSP).</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Pará
<bold>Cidade:</bold> Belém</p>
<p><bold>Email:</bold> ramosedson@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-5425-8531</p>
<p><bold>Brenno Morais Miranda</bold></p>
<p>Bacharel em Direito (UNAMA), especialista em Sociedade e Gestão de
Segurança Pública (UFPA), mestre em Segurança Pública (UFPA).
Conselheiro seccional da OAB/PA, conselheiro penitenciário do estado do
Pará e conselheiro municipal de segurança pública de Belém/PA.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil Pará <bold>Cidade:</bold> Belém</p>
<p><bold>Email:</bold> brenno.morais.miranda@gmail.com
<bold>ORCID:</bold> https://orcid.org/0000-0002-4509-2821</p>
<p><bold>Luiz Victor Almeida de Araujo</bold></p>
<p>Graduado em Direito pela Universidade Federal do Pará - UFPA, mestre
em Segurança Pública pelo Programa de Pós-graduação em Segurança Pública
da Universidade Federal do Pará, Advogado Criminalista OAB/PA 20.955,
Professor de Direito Penal e Processo Penal da Universidade da Amazônia
- UNAMA.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil Pará <bold>Cidade:</bold> Belém</p>
<p><bold>Email:</bold> luizaraujocriminal@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-3266-4261</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Luiz Victor Almeida de Araújo: concepção e delineamento, análise e
interpretação dos dados, redação do manuscrito ou revisão crítica. Edson
Marcos Leal Soares Ramos: concepção e delineamento, análise e
interpretação dos dados, redação do manuscrito ou revisão crítica.
Brenno Morais Miranda: redação do manuscrito ou revisão crítica.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>A maioria das mortes por homicídio no Brasil e no mundo é perpetrada
pelo uso de armas de fogo. Belém, no estado do Pará, no Brasil,
experimentou uma onda de homicídios por uso de armas de fogo no período
de 2014 a 2020. Parte dessas execuções pode ser atribuída à ocorrência
de chacinas nos bairros periféricos da capital paraense, a partir de
2014, e tiveram a participação de grupos milicianos e de extermínio
formados, em parte, por agentes das forças de segurança pública local. O
objetivo deste trabalho é analisar qual a relação dos grupos milicianos
e de extermínio na ocorrência dos homicídios por uso de armas de fogo no
período de 2014 a 2020 em Belém/PA. Trata-se de uma pesquisa aplicada,
com abordagem exploratória descritiva, de natureza quantitativa, a
partir de dados secundários dos homicídios efetivados por uso de arma de
fogo obtidos na Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal,
vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do
Pará, relacionando esses dados aos achados da literatura referentes às
ocorrências de chacinas no município de Belém. Os achados revelam que,
aproximadamente, 1.000 homicídios por perfuração de armas de fogo não
tiveram procedimento policial instaurado, que 31 pessoas foram vitimadas
em eventos de chacinas, cuja autoria foi atribuída a grupos milicianos e
de extermínio; em contrapartida, as fontes jornalísticas e da literatura
científica registram a ocorrência de 83 homicídios por uso de armas de
fogo em eventos de chacinas com participação de grupos milicianos e de
extermínio. Após a análise das informações, revelou-se que os picos nos
números de homicídios coincidem com a ocorrência de chacinas em Belém e
que as milícias e os grupos de extermínio são apontados como possíveis
autores deste morticínio.</p>
<p><bold>Palavras-chave:</bold> Armas de fogo. Bairros periféricos.
Mortes. Segurança pública.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>BELÉM SLAUGHTERS: PARTICIPATION OF MILITIA AND
EXTERMINATION GROUPS IN THE HOMICIDES IN BELÉM, PARÁ,
BRAZIL</bold></italic></p>
<p><italic>The use of firearms is perpetrated in the majority of
homicide deaths in Brazil and in the world. Belém, in the State of Pará,
Brazil experienced a wave of homicides for the use of firearms in the
period from 2014 to 2020. Part of these executions can be attributed to
the occurrence of massacres in the peripheral neighborhoods of the
capital of Pará from 2014 onwards, and had the participation militia and
extermination groups formed in part by agents of the local public
security forces. To analyze the relationship between militia and
extermination groups in the occurrence of homicides for the use of
firearms in the period from 2014 to 2020 in Belém. An applied research
was carried out with a descriptive exploratory approach, of a
quantitative nature, based on secondary data on homicides carried out by
the use of firearms obtained from the Assistant Secretariat for
Intelligence and Criminal Analysis, linked to the State Secretariat for
Public Security and Pará Social Defense, relating these data to the
findings of the literature regarding the occurrence of massacres in the
city of Belém. The findings revealed that approximately 1,000 homicides
by firearm piercing did not have a police procedure initiated, that 31
people were victimized in events of massacres attributed to militia and
extermination groups; on the other hand, journalistic and scientific
literature sources recorded the occurrence of 83 homicides due to the
use of firearms in massacres with the participation of militia and
extermination groups. After analyzing the information, it was revealed
that the peaks in the numbers of homicides coincide with the occurrence
of massacres in Belém and that militias and death squads are identified
as possible authors of this massacre.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords</bold>: Fireguns. Peripheral neighborhoods.
Deaths. Public security.</italic></p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 30/06/2022 – <bold>Data de
Aprovação:</bold> 14/07/2023</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2024.v18.n1.1757</p>
<p><bold>INTRODUÇÃO</bold></p>
<disp-quote>
  <p>A reflexão sobre o espaço urbano leva, nos dias de hoje, a um
  debate conjunto com a criminalidade violenta, visto que,
  principalmente, o homicídio tem crescido de forma acentuada, desde a
  década de 1960. Posto isto, o Estado e a sociedade brasileira passaram
  a refletir sobre esse grave problema e, neste caso, os estudos
  estatísticos passaram a ser elaborados visando à compreensão das
  causas deste morticínio urbano e buscam identificar os autores e as
  vítimas, a fim de subsidiar políticas públicas de prevenção e combate
  à criminalidade violenta ocorrida, sobretudo, nas grandes cidades
  brasileiras (Almeida, 2017).</p>
  <p>Júlio Jacob Waiselfisz, mediante publicação de sucessivas edições
  do <italic>Mapa da Violência</italic>, é o percursor desses estudos no
  Brasil. Nos anos de 1998 a 2016, produziu indicadores sobre a
  violência letal relacionada à juventude, com abordagens temáticas
  sobre homicídios por armas de fogo. Waiselfisz (2016) constatou, a
  partir dos registros no Sistema de Informações Sobre Mortalidade
  (SIM), do Ministério da Saúde no Brasil, que, no período de 1980 a
  2014, aproximadamente um milhão de pessoas (967.851) foram vitimadas
  por perfuração de armas de fogo (PAF). Nesse período, o ano de 1980
  registrou 8.710 mortes por perfuração de armas de fogo, tendo o ano de
  2014 registrado 44.861 homicídios pelo uso do mesmo instrumento, o que
  representa um acréscimo de 415,1% em todo país. Não obstante, chama a
  atenção o fato do município de Belém/PA ter tido um aumento de 91,9%
  nos homicídios por perfuração de armas de fogo no período de 2004 a
  2014.</p>
  <p>O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum
  Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) passaram a produzir, a partir
  de 2016, estudos estatísticos sobre a mortalidade brasileira por
  intermédio do <italic>Atlas da Violência</italic>, que, assim como
  Waiselfisz, também se utilizam dos dados oficiais do SIM, com o
  incremento de informações do Sistema de Informação de Agravos de
  Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Ipea e FBSP (2021)
  contabilizaram que aproximadamente meio milhão de brasileiros
  (439.160) foram vitimados por uso de armas de fogo no Brasil, nos anos
  de 2009 a 2019 e, no mesmo período, o estado do Pará registrou 28.019
  mortes por perfuração de armas de fogo, com aumento de 14,9% nos
  registros de mortes nesse período; números alarmantes que superam
  guerras civis em países do Oriente.</p>
  <p>Cerqueira (2014), ao analisar países da Europa, dos Estados Unidos
  e do Canadá, conclui que, quanto maior for o acesso às armas de fogo
  por uma população, maior será a probabilidade do aumento no
  quantitativo de homicídios. Em outro estudo, Cerqueira e Mello (2012),
  ao analisarem os municípios do estado de São Paulo, concluíram que a
  política de desarmamento praticada pelo governo paulista nos anos de
  2001 a 2007 foi um dos fatores que influenciaram na diminuição dos
  homicídios paulistanos. Cerqueira e Mello (2013), em continuidade nos
  estudos sobre o impacto do Estatuto do Desarmamento nos crimes
  praticados por armas de fogo, a partir da análise comparativa dos
  municípios brasileiros, comprovaram que o aumento de 1% de armas de
  fogo em circulação no Brasil acarreta, consequentemente, o aumento de
  2% na taxa de homicídios por perfuração de armas de fogo, dobrando o
  número de brasileiros vitimados.</p>
  <p>Neste cenário de morticínio, Belém/PA está inserida entre as
  capitais brasileiras com maiores indicadores de homicídios. Conforme
  Ipea e FBSP (2018), no ano de 2016, Belém alcançou a taxa de 77
  homicídios a cada 100 mil habitantes, tornando-se a capital mais
  violenta do Brasil, superando capitais tradicionalmente violentas,
  como: Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP e Belo Horizonte/MG. Parte
  desses homicídios se dá pela ocorrência de chacinas em que grupos
  milicianos e de extermínio são apontados como autores (Oliveira Neto,
  2020).</p>
  <p>Para Moreira e Ramos (2020), as organizações criminosas atuantes no
  estado do Pará têm a participação direta de agentes públicos. Nesse
  enquadramento, Couto (2018) observa que grupos milicianos e de
  extermínio compostos por agentes das forças de segurança pública são
  os autores de chacinas ocorridas na periferia de Belém, o que é
  corroborado por Alepa (2015), que no relatório final da CPI das
  milícias constatou a atuação de grupos milicianos e de extermínio em
  Belém, a partir de duas grandes chacinas ocorridas nos bairros
  Cremação, Jurunas e Guamá, no ano de 2014, onde dezenas de pessoas
  foram executadas por disparos de armas de fogo.</p>
  <p>Para analisar e compreender a dinâmica dos homicídios por armas de
  fogo no município de Belém/PA, torna-se imprescindível o
  desenvolvimento de indicadores estatísticos para que se possa
  identificar suas causas e os fatores de risco, tomando por base uma
  vasta literatura. Assim, o presente estudo justifica-se pela
  necessidade de compreender qual a relação dos grupos milicianos e de
  extermínio na ocorrência dos homicídios por uso de armas de fogo, no
  período de 2014 a 2020, a partir dos eventos de chacinas ocorridas em
  Belém/PA.</p>
</disp-quote>
<p><bold>MILÍCIAS E CHACINAS: CONCEITO E HISTORICIDADE</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Para delinear o presente trabalho, alguns conceitos são
  primordiais, tais como: milícias e chacinas. Entende-se fundamental a
  compreensão de tais conceitos e da historicidade, em decorrência de
  estarem intrinsecamente ligados com a questão objeto de estudo.</p>
  <p>É certo que o fenômeno das milícias, como se conhece hodiernamente,
  não teve início no Brasil, considerando-se que, na Inglaterra, nos
  tempos anglo-saxões, esses grupos já existiam (Zaluar; Conceição,
  2007). Neste prisma, as autoras explicam ainda que, no feudalismo, as
  milícias se tornaram ainda mais importantes ao serem constituídas por
  homens protestantes treinados, armados e com garantias
  constitucionais. Outros países, como Austrália, Cuba, Suíça, Canadá, a
  antiga União Soviética e China, também registram a existência de
  grupos milicianos, ora como grupos de soldados da reserva militar, ora
  como sistema de policiamento alternativo para manutenção da ordem
  pública. Chegando à Segunda Guerra Mundial – mais precisamente na
  França ocupada pelo exército Alemão – também se tem registros de
  grupos milicianos (Zaluar; Conceição, 2007, p. 90).</p>
  <p>De acordo com Castro (1977), as milícias surgem na antiguidade,
  desde o período medieval, e se disseminam por todo o continente
  Europeu até o início dos tempos modernos, com o discurso de
  solidariedade e liberdade, sofrendo uma drástica redução de suas
  atividades no período feudal, com o desenvolvimento dos grandes
  centros urbanos na Europa. Em continuidade a seu estudo, o autor
  esclarece que, nos Estados Unidos, as milícias surgem no período
  colonial, com destacada participação na luta pela independência, sendo
  que a Constituição norte-americana permite a formação de milícias
  armadas e estabelece que o Congresso Nacional seja detentor do poder
  de organizá-las e controlá-las.</p>
  <p>Neste enquadramento, o Portal BBC News Brasil (BBC News Brasil,
  2017) registra a existência de 165 grupos milicianos em atuação em
  todo território americano, que ganharam força, a partir da década de
  1990, como uma ideologia baseada em teorias de conspirações globais
  contra a paz e a estabilidade nacional. A Revista Veja (Pechy; Braun,
  2020) noticiou a existência de 20.000 milicianos em atividade nos
  Estados Unidos, organizados em mais de 300 grupos milicianos, sendo
  que aproximadamente 25% desses grupos são formados por veteranos das
  forças armadas.</p>
  <p>A aparição das milícias na América do Sul não é uma exclusividade
  do Brasil. Jaramillo e Agudelo (2015), ao analisarem o processo de paz
  que ocorreu no ano de 1994 entre o Governo Colombiano e as milícias
  populares de Medelin (capital da Colômbia), identificaram três
  organizações armadas: Milícias Populares do Povo e Para o Povo
  (MP/PP); Milícias Populares Independentes do Valle de Aburrá (MP/IVA);
  e Milícias Metropolitanas de Medelim (MMM).</p>
  <p>Para Sabato (2008), um acontecimento histórico intitulado
  “Revolução de 1880”, ocorrido na então Província de Buenos Aires,
  registrou a aparição de grupos milicianos na Argentina, ocasião em que
  dois exércitos de 5.000 homens se enfrentaram: de um lado, as forças
  nacionais, lideradas pelo General Julio Roca, de outro, as milícias da
  província de Buenos Aires, comandadas pelo Governador Tarjedor; que
  travaram mais de 10 horas de batalha. Poucos dias depois, a paz foi
  firmada, a capital Buenos Aires foi federalizada e as milícias
  colocadas sob o comando do Estado Argentino.</p>
  <p>A origem das milícias no Brasil é controversa, mas liga-se a uma
  narrativa focada em justiceiros locais da Comunidade de Rio das Pedras
  – maior favela da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro –, liderada
  por um açougueiro revoltado com os constantes assaltos em seu
  estabelecimento, que resolveu organizar um grupo para garantir a
  segurança na comunidade, inicialmente matando e espancando pequenos
  assaltantes e posteriormente expandindo suas atividades (Silva;
  Fernandes; Braga, 2008, p. 18).</p>
  <p>Cano e Duarte (2012) salientam que, no Brasil, o termo milícia foi
  cunhado em 2006, para significar um conjunto de agentes armados do
  Estado que exerciam controle nas favelas do Rio de Janeiro, oferecendo
  serviços de proteção aos comerciantes e, em seguida, monopolizando a
  venda de gás, transporte alternativo e TV a cabo. Nesse âmbito, os
  mesmos autores destacam cinco características importantes de grupos
  milicianos, a saber: (i) domínio territorial e populacional de áreas
  reduzidas por parte de grupos armados irregulares; (ii) coação, em
  alguma medida, contra os moradores e os comerciantes; (iii) motivação
  de lucro individual como elemento central, para além das
  justificativas retóricas oferecidas; (iv) discurso de legitimação
  relativo à libertação do tráfico e à instauração de uma ordem
  protetora; e (v) participação pública de agentes armados do Estado em
  posições de comando.</p>
  <p>Silva, Fernandes e Braga (2008) explicam que, no Brasil, as
  milícias são um tipo de “Grupos Criminosos Armados”, que atuam em
  áreas específicas onde o Poder Público não se faz presente. Nesta
  perspectiva, as milícias se diferem dos grupos de extermínio, pois
  agora o objetivo principal não é apenas eliminar seus algozes e sim
  dominar territórios desguarnecidos pelo Estado. O que é corroborado
  por Zaluar e Conceição (2007), que explicam que os grupos milicianos
  rememoram os grupos de extermínio das décadas de 1960-1980, agora com
  um adicional, o domínio de territórios desguarnecidos pelo Estado,
  diferentemente das décadas passadas, quando somente realizavam serviço
  de proteção e homicídios por encomenda. Não obstante, Silva, Fernandes
  e Braga (2008) destacam que as milícias exercem seu poder sob a
  ideologia de serem os “justiceiros” dessas regiões, criando relações
  de cumplicidade com as comunidades existentes por meio de “favores”
  realizados.</p>
  <p>Para Muniz e Proença (2007), milícias são grupos armados e
  organizados, em sua maioria por policiais, que monopolizam recursos
  públicos de segurança e os redistribuem como arranjos particulares de
  proteção mediante a cobrança de taxas de moradores, utilizando a
  violência letal para resolução de conflitos. Seguindo esse mesmo
  conceito sobre as milícias, Nobre e Ferreira (2021) evidenciam que as
  milícias brasileiras são redes criminosas que atuam em atividades
  econômicas e de controle territorial de forma ilegal, com base no uso
  da força letal e coação para manutenção do poder. O que é apontado por
  Serra e Souza (2021) que, ao analisarem as milícias atuantes no Estado
  do Rio de Janeiro, observaram que esses grupos de extermínio e de
  controle social violento ocupam um espaço de gestão militarizada dos
  territórios periféricos, com forte atuação de agentes de segurança
  pública.</p>
  <p>Dentro dessa ótica, Raffestin (1993) estabelece que ‘territórios’ é
  decorrente de várias relações, as quais denomina “campos de poder”,
  posto que neles existe uma disputa por posições de exercício de
  domínio territorial. No dizer do autor, existem basicamente dois
  poderes, um maiúsculo e outro minúsculo. O primeiro seria o próprio
  Estado, que se faria representar por leis e estruturas
  administrativas; já o segundo consistiria em poderes ocultos, que agem
  por trás do Estado.</p>
  <p>Assim, para Raffestin (1993), o vazio de poder é inexistente, posto
  que, na ausência do Estado, agentes territoriais locais irão exercer
  tal força, tomando para si aquilo que deveria ser monopólio estatal. É
  nesse conjunto de fatores que se percebe a atuação dos grupos
  milicianos e de extermínio, posto que eles atuam em perspectivas onde
  o Estado passou a ser deficiente ou não conseguiu alcançar de forma
  plena sua atuação, deixando margem para que tais organizações
  encontrem a possibilidade de substituí-lo.</p>
  <p>E, justamente, ao exercer poder sobre esse território desguarnecido
  pelo Estado, os grupos milicianos passam a se fortalecer e constituem,
  por vezes, estruturas mais fortes e coesas do que as delineadas no
  art. 288-A do Código Penal Brasileiro (Brasil, 1940), que em sua
  redação criminaliza a formação de milícia privada, penalizando aquele
  que constituir, organizar, integrar, manter ou custear milícia, com
  pena mínima de 4 a 8 anos de prisão.</p>
  <p>O município de Belém/PA retrata a mesma realidade fluminense
  apontada por Zaluar e Conceição (2007), que identificaram os grupos
  milicianos como uma evolução dos grupos de extermínio da década de
  1960. Nesse segmento, o <italic>Relatório Final da Comissão
  Parlamentar de Inquéritos</italic> – CPI das Milícias (Alepa, 2015),
  instituída na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), afirma
  a existência de grupos milicianos no município de Belém, que, a
  exemplo do estado do Rio de Janeiro, não passam de uma evolução dos
  grupos de extermínio já existentes e que estão enraizados nas forças
  de segurança pública.</p>
  <p>O mesmo é corroborado no estudo de Couto (2018), que evidenciou a
  formação de grupos de extermínio a partir de 18 de abril de 1988, com
  o nascimento do Patrulhamento Tático Metropolitano (PATAM),
  reconhecidamente a mais violenta unidade policial que a PMPA já teve,
  rotulada como polícia “Mata Pivete”, que em pouco tempo passou a ser
  associado aos grupos de extermínio, devido ao <italic>modus
  operandi</italic> de seus integrantes, conhecidos como
  “Patanzeiros”.</p>
  <p>Para Oliveira Neto (2020), muitos bandidos foram mortos na época e
  os Patanzeiros eram tidos como heróis do povo, sendo perfeitamente
  admissível aceitar que parte da população paraense e do alto escalação
  da PMPA apoiavam os métodos violentos da PATAM, que foi extinta em
  1992, por exigência da Anistia Internacional e de grupos de defesa dos
  Direitos Humanos, sendo substituída, em 2001, pela Companhia Tático
  Operacional (CTO), que cinco anos mais tarde tornou-se a 1ª Companhia
  de Rondas Táticas Metropolitana (ROTAM).</p>
  <p>É interessante observar que Oliveira Neto (2020) delineia em seus
  estudos duas similitudes entre a extinta PATAM e a atual ROTAM.
  Primeiro, é que os rotanzeiros foram selecionados, treinados e
  especializados para realizarem a mesma modalidade de policiamento que
  os patanzeiros e, segundo, é que ambas as tropas comungam do mesmo
  ideário de valentia que levam esses policiais a terem proximidade com
  um cenário de violência e morte. Por outro lado, Couto (2018) explica
  a existência de uma certa distorção em termos da real atuação de
  grupos milicianos e de extermínio em Belém/PA; para alguns, se
  enquadram na categoria de “segurança privada”, para outros,
  “justiceiros” ou, ainda, “heróis do povo”.</p>
  <p>Por derradeiro, finalizando a conceituação sobre milícias, é
  importante ressaltar que a Alepa (2015) constatou, por meio de
  relatos, que a denominação “milícia” foi utilizada pela primeira vez
  em Belém/PA, em meados de 2006, pelo comando do narcotráfico da região
  do Tucunduba, no bairro Terra Firme, chefiado pelo narcotraficante
  Jack. Anos depois, policiais e ex-policiais militares que se
  intitulavam “justiceiros” e eram integrantes de grupos de extermínio
  passaram a se autodenominar “milicianos”.</p>
  <p>Ao se investigar a conceituação do termo ‘chacina’, Telles (2010)
  aduz que chacina é uma forma de homicídio múltiplo em que no mínimo
  três seres humanos são vitimados no mesmo evento criminoso, motivo
  pelo qual ficou convencionado na imprensa brasileira nomear como
  chacina todos os eventos de morticínio que envolvem, no mínimo, esse
  quantitativo de vítimas.</p>
  <p>Entretanto, cabe informar que não existe uma definição jurídica no
  país para chacina. No dicionário brasileiro, chacina está relacionada
  à matança de grande quantidade de animais para consumo humano, sendo
  essa uma das razões que levou a imprensa brasileira a denominar o
  termo chacina para identificar a matança múltipla de seres humanos em
  eventos criminosos de morticínio. Neste sentido, por se tratar de
  termo jornalístico e não jurídico, não existem dados oficiais dos
  órgãos de segurança pública sobre as chacinas no Brasil, de modo que
  todas as informações relacionadas a esses eventos são de cunho
  jornalístico, posto que órgãos de segurança pública notificam esses
  eventos apenas como homicídios (Sinhoretto; Marques, 2019).</p>
  <p>Sinhoretto e Marques (2019) explicam que as chacinas não encerram
  uma dinâmica de conflitos, elas estão inseridas em etapas de conflitos
  que envolvem interesses comuns de diferenciados grupos, podendo
  ocorrer em consequência de ações policiais, facções criminosas em
  presídios, conflitos fundiários, tráfico de drogas, ações de grupos
  milicianos e de extermínio, sendo o estado do Pará a unidade da
  federação que mais registrou a ocorrência do envolvimento de grupos
  milicianos e de extermínio em episódios de chacina.</p>
  <p>Sob essa ótica, Vedovello e Rodrigues (2020) afirmam que o
  incentivo à letalidade policial, as políticas públicas de armamento da
  população civil e a negligência no combate das milícias e dos grupos
  de extermínio são fatores que podem influenciar na gramática das
  chacinas.</p>
  <p>Assim, para Vedovello e Rodrigues (2020), além do envolvimento de
  agentes de segurança pública ou pessoas incentivadas por estes, as
  chacinas podem ocorrer tanto na zona rural, pelas mãos de pistoleiros
  e justiceiros, como na zona urbana, por intermédio de organizações
  criminosas na disputa por território, sendo que o <italic>modus
  operandi</italic> das chacinas está relacionado intrinsicamente ao uso
  de armas de fogo, cujas motivações vão desde a demonstração de força
  no território até disputas entre grupos rivais, vinganças pessoais, ou
  até mesmo estimuladas por ódio social.</p>
  <p>Em suma, observa-se que a dinâmica dos eventos de chacina no Brasil
  ocorre no campo, em penitenciárias e na zona urbana. Sinhoretto e
  Marques (2019) registram episódios de chacinas no período de
  2016-2018, em todas as regiões do Brasil, a exemplo de um conflito
  entre facções criminosas que ocorreu em um presídio de Manaus/AM, no
  ano de 2017, culminando com 56 vítimas fatais por uso de armas de
  fogo; naquele mesmo ano, 9 pessoas foram encontradas ajoelhadas,
  amarradas e mortas com perfurações de armas de fogo em um assentamento
  rural no município de Colniza/MT. Ainda em 2017, 3 homens e 5 mulheres
  foram executados em uma chacina em Porto Alegre/RS. Em 2018, 5 pessoas
  foram mortas por grupos de extermínio no município de Mogi das
  Cruzes/SP; ainda em 2018, uma facção criminosa vitimou, com uso de
  armas de fogo, 14 pessoas em uma festa de forró em Fortaleza/CE,
  episódio conhecido como a maior chacina do estado do Ceará.</p>
  <p>Em recente estudo sobre a historicidade das chacinas no estado de
  São Paulo, Vedovello e Rodrigues (2020) identificaram episódios de
  chacinas ocorridas entre os anos de 1980 e 2008 (Figura 1).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 1: Número de chacinas do estado de São Paulo no período
de 1980 a 2008</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Adaptado pelos autores, a partir de Vedovello e Rodrigues
(2020, p. 167).</p>
<disp-quote>
  <p>Da análise da Figura 1, Vedovello e Rodrigues (2020) destacam que,
  na década de 1990, houve um aumento progressivo no número de
  ocorrências, quando somente a cidade de São Paulo registrou 395
  eventos de chacina, tendo seu pico no ano de 1998, que registrou um
  total de 54 chacinas. A partir do ano 2000, houve uma diminuição
  chegando a 9 ocorrências no ano de 2008, o que leva à reflexão de que
  este fenômeno ocorreu com maior grau de concentração na área urbana do
  estado de São Paulo na década de 1990.</p>
  <p>Sá e Sá (2016), em seus estudos sobre as chacinas ocorridas em
  presídios brasileiros, destacam três grandes massacres: o primeiro
  ocorreu no presídio do Carandiru, localizado em São Paulo/SP,
  considerada a maior chacina em presídios ocorrida no Brasil, vitimando
  111 presos; o segundo episódio é a chacina do presídio de Alcaçuz, no
  estado do Rio Grande do Norte; e o terceiro, no complexo penitenciário
  de Pedrinhas, no estado do Maranhão.</p>
  <p>Em complemento, Boghossian (1999), em sua pesquisa sobre a
  violência na favela Parque Proletária, de Vigário Geral, no município
  do Rio de Janeiro/RJ, destaca a chacina ocorrida no ano de 1993,
  ocasião em que 21 pessoas foram executadas com tiros de armas de fogo.
  A autoria foi atribuída a um grupo de mais de trinta pessoas, entre
  elas policiais civis e militares, que invadiram a favela, executando
  as vítimas aleatoriamente, em resposta à morte de outros policiais que
  tombaram em uma operação, no dia anterior à chacina, na mesma
  favela.</p>
  <p>Em conformidade com o cenário nacional, o estado do Pará apresenta
  histórico semelhante: chacinas no campo por conflitos de terras, em
  penitenciárias e em ambiente urbano (Belém/PA) por ações de grupos
  milicianos e de extermínio, objeto de investigação deste estudo.</p>
  <p>A TV Liberal (Bersa, 2021) noticiou uma chacina, ocorrida em março
  do ano de 1998, que vitimou 3 custodiados no extinto Presídio São
  José, localizado no centro urbano de Belém/PA. Neste evento, o cadáver
  do líder da rebelião foi exposto na muralha do presídio. A chacina de
  Altamira, considerada a segunda maior já registrada em presídios
  brasileiros, perdendo apenas para o massacre do Carandiru/SP, em 1992,
  vitimou 58 detentos. Na ocasião, presos integrantes de uma facção
  criminosa invadiram um anexo do Centro de Recuperação Regional de
  Altamira, ateando fogo nos internos.</p>
  <p>Ademais, há tempos o Pará é conhecido mundialmente por seu
  ensanguentado histórico de violência em conflitos por terras na zona
  rural. Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2021), nos anos
  1985 a 2019, o Pará registrou 29 chacinas no campo. Os municípios da
  região sudeste concentram o maior número de chacinas, Xinguara (6),
  Marabá (5) e São João do Araguaia (3) figuram como os três primeiros
  municípios do ranking, com destaque para dois trágicos episódios, o
  massacre de Eldorado de Carajás (1996) e a chacina de Pau D´Arco
  (2017), que se destacam no cenário internacional pelo quantitativo de
  vítimas e a brutalidade de seu <italic>modus operandi</italic>,
  marcado por torturas e execuções sumárias por disparos de armas de
  fogo em regiões vitais do corpo humano (CPT, 2021).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 2: Quantidade de chacinas ocorridas na zona rural do
estado do Pará, Brasil, no período de 1985 a 2019</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image2.jpg" />
<p>Fonte: Araújo <italic>et al.</italic> (2021a).</p>
<disp-quote>
  <p>151 pessoas (trabalhadores rurais, posseiros e sindicalistas
  rurais) perderam a vida no campo, em conflitos agrários, no estado do
  Pará, no período de 1985 a 2019 (Figura 3). Os municípios de Xinguara
  (36), Eldorado de Carajás (22) e Marabá (17) apresentam os maiores
  registros de vítimas, com 75 pessoas vitimadas por PAF, um morticínio
  sem precedentes (CPT, 2021).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 3: Quantidade de vítimas das chacinas ocorridas na zona
rural do estado do Pará, Brasil, no período de 1985 a 2019</bold></p>
<graphic mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="media/image1.jpg" />
<p>Fonte: Araújo <italic>et al.</italic> (2021b).</p>
<disp-quote>
  <p>Conforme o banco de dados sobre chacinas no campo, da Comissão
  Pastoral da Terra (2021), os autores dessas mortes caracterizam-se por
  serem pistoleiros, policiais militares e policiais civis, integrantes
  de grupos milicianos e de extermínio. Ressalta-se que o conceito de
  chacina (mortes múltiplas de no mínimo três pessoas) de Telles (2010)
  é contemplado em todos os eventos de morticínio registrados nas
  Figuras 2 e 3, conceito este adotado neste estudo para identificação
  dos eventos de chacina.</p>
  <p>O município de Belém/PA também registra episódios de chacina
  marcados pela participação de agentes de segurança pública ligados às
  milícias e aos grupos de extermínio. Oliveira Neto (2020) explica que,
  no início da década de 1990, apesar do morticínio envolvendo a atuação
  de membros da PMPA ter tido maior visibilidade, grupos de extermínio
  integrados por membros da Polícia Civil paraense também registraram
  sua aparição a partir do episódio conhecido como “Chacina do PAAR”,
  que ocorreu no Bairro PAAR, localizado no município de Ananindeua, na
  Região Metropolitana de Belém/PA, que na época era considerada a maior
  área de invasão da América Latina.</p>
  <p>Conforme o <italic>Relatório da Situação dos Casos de Chacinas e
  Extermínio de Jovens Negros no Pará</italic>, produzido pela Comissão
  de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará
  (OAB-PA, 2017), o município de Belém registra, ao menos, seis
  episódios de chacinas:</p>
</disp-quote>
<list list-type="roman-lower">
  <list-item>
    <label>(i)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Chacina do Tapanã, ocorrida em 1994, com a execução por
        perfuração de armas de fogo de 3 suspeitos de assassinarem um
        policial militar;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>(ii)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Chacina de Icoaraci, em 2012, ocasião em que 6 jovens foram
        executados por perfuração de armas de fogo, após assaltarem a
        esposa de um policial militar;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>(iii)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Chacina do Guamá e Cremação, em janeiro de 2014, após a
        execução por perfuração de armas de fogo de dois policiais
        militares no Beco do Relógio, no bairro Jurunas, ocasião em que
        6 pessoas foram vitimadas por perfuração de armas e fogo nos
        bairros Guamá e Cremação;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>(iv)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Chacina de Belém, registrada em novembro de 2014, culminada
        após a morte de um policial militar da ROTAM, acusado de ser um
        dos líderes da milícia do Guamá, quando 11 pessoas foram
        executadas por PAF;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>(v)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Evento ocorrido no mês de outubro de 2015, que desencadeou
        uma série de mortes, tratando-se do episódio que evidenciou a
        ousadia dos grupos de extermínio em Belém, em que homens
        encapuzados invadiram um hospital particular para executar um
        paciente suspeito de envolvimento no assassinato de um soldado
        da ROTAM;</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
  <list-item>
    <label>(vi)</label>
    <p specific-use="wrapper">
      <disp-quote>
        <p>Nova chacina de Belém, em janeiro de 2017, quando 29 pessoas
        foram assassinadas por perfuração de armas de fogo, em resposta
        à morte de um policial militar da ROTAM.</p>
      </disp-quote>
    </p>
  </list-item>
</list>
<disp-quote>
  <p>O Portal G1 Pará (G1 PA, 2015) noticiou uma chacina ocorrida no dia
  4 de maio de 2015, no Distrito de Outeiro, município de Belém/PA,
  episódio em que 4 pessoas foram executadas por disparos de arma de
  fogo, em via pública, cuja autoria foi atribuída a um policial
  militar. O Portal DOL (DOL, 2016) noticiou uma chacina ocorrida em 17
  de outubro de 2016, no bairro Jurunas, ocasião em que 5 elementos
  desceram de um carro prata e efetuaram 20 disparos de arma de fogo que
  atingiram 5 pessoas, entre as vítimas estava um acusado de
  envolvimento na morte de um policial militar.</p>
  <p>Couto (2018) assinala a ocorrência de uma chacina que vitimou 30
  pessoas no bairro Pedreira, localizado em Belém/PA, registrado em
  janeiro de 2017; sua autoria foi atribuída ao grupo miliciano “M. da
  Pedreira”, cujo lema é “matar ou matar”, tendo ocorrido nos dias
  seguintes à morte de um soldado membro da ROTAM. Oliveira Neto (2020)
  registra a execução por perfuração de armas de fogo de três cabos da
  Polícia Militar em abril de 2018, enfatizando que, após essas mortes,
  Belém experimentou uma onda de violência em represálias às mortes
  desses policiais.</p>
  <p>Reitera-se que no dia 18 de maio de 2019, no bairro Guamá, em
  Belém/PA, 11 pessoas foram executadas com disparos de armas de fogo na
  cabeça; entre os oito denunciados, quatro são policiais militares e
  dois desses policiais são membros da ROTAM; todos aguardam julgamento
  nos autos da ação criminal Nº 0011423-87.2019.814.0401, em trâmite na
  1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Belém, vinculado ao Tribunal
  de Justiça do Estado do Pará (TJ/PA).</p>
  <p>Finalmente, a última chacina registrada em Belém/PA ocorreu em 5 de
  janeiro de 2020, no bairro Cabanagem, ocasião em que 3 pessoas foram
  executadas por armas de fogo em um bar; uma das vítimas foi um
  sargento da Polícia Militar (G1 PA, 2020), totalizando, ao menos, oito
  episódios de chacina no período de 2014 a 2020, ocorridos no município
  de Belém, vitimando 99 pessoas.</p>
</disp-quote>
<p><bold>METODOLOGIA</bold></p>
<p><bold>Natureza da Pesquisa</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Trata-se de uma pesquisa aplicada, com o intuito de gerar
  conhecimentos para aplicação prática, dirigida à solução de problemas
  específicos, a partir de fatos e interesses locais. Para atingir seus
  objetivos, realizou-se abordagem exploratória, com a finalidade de
  obter maior número de informações sobre o fenômeno investigado, e uma
  abordagem descritiva, objetivando registrar e descrever o envolvimento
  das milícias e dos grupos de extermínio nos homicídios por perfuração
  de armas de fogo, a partir dos eventos de chacina ocorridos em
  Belém/PA (Prodanov; Freitas, 2013). O estudo é de natureza
  quantitativa e, quanto aos procedimentos técnicos, trata-se de uma
  pesquisa documental.</p>
  <p>Diferente da pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental se
  caracteriza por trazer fontes que não receberam qualquer tratamento
  analítico, evitando contato com os sujeitos da pesquisa, que podem
  prejudicar a informação pesquisada pelas circunstâncias que envolvem o
  contato entre pesquisador e público-alvo (Gil, 2008).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Lócus da Pesquisa</bold></p>
<disp-quote>
  <p>O local da pesquisa é o município de Belém/PA, que concentra o
  maior número de homicídios por perfuração de armas de fogo no estado
  do Pará. Conforme Oliveira Neto (2020), nos anos de 2011 a 2014, Belém
  registrou 2.232 homicídios por perfuração der armas de fogo, já no
  período de 2014 a 2017, Belém contabilizou 3.148 mortes por perfuração
  de armas de fogo, um morticínio sem precedente, corroborado pela
  atuação de grupos milicianos e de extermínio que atuam em todos os
  bairros da capital paraense.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Fontes</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Os dados quantitativos relativos aos homicídios por armas de fogo
  foram obtidos na Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal
  (SIAC), vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa
  Social do Pará (SEGUP/PA), a partir de registros armazenados em sua
  base de dados criminais, que são alimentados pelas seccionais urbanas
  e as delegacias localizadas no município de Belém/PA, a partir do
  registro das ocorrências no Sistema Integrado de Segurança Pública
  (SISP), no período de 2014 a 2020.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Procedimentos de coleta de dados</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Os dados secundários referentes aos homicídios por uso de armas de
  fogo ocorridos em Belém/PA no período de 2014 a 2020, contendo as
  variáveis (idade das vítimas, sexo das vítimas, escolaridade das
  vítimas, estado civil das vítimas, sexo dos autores, tipo de
  tombamento de procedimento policial e características dos homicídios
  com características de execução), foram coletados por meio do Ofício
  Nº 001/2021-PPGSP de lavra da Coordenadora do Programa de
  Pós-Graduação em Segurança Pública da Universidade Federal do Pará
  (PPGSP/UFPA) à SIAC/SEGUP/PA, que foram fornecidos no formato de
  planilhas eletrônicas e sua publicação foi autorizada pela chefia de
  gabinete da SIAC/SEGUP/PA. Posteriormente, realizou-se levantamento em
  artigos, livros, teses, dissertações e matérias jornalísticas
  publicadas em portais eletrônicos de notícias referente aos eventos de
  chacinas ocorridas em Belém/PA no período de 2014 a 2020,
  quantificando-se o número de vítimas e o número de chacinas.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Procedimento de Análise</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Foram explorados os dados quantitativos coletados aplicando-se
  técnicas de estatística descritiva, com o intuito de organizar e
  classificar os dados coletados e descrevê-los por meio de tabelas,
  gráficos e estatísticos elaborados no <italic>software</italic> Excel,
  da empresa Microsoft, apresentando o quantitativo total e médio anual
  dos homicídios a partir da base de dados fornecido pela SIAC/SEGUP,
  tornando mais objetiva sua interpretação e visualização,
  possibilitando demonstrar o comportamento dos homicídios por
  perfuração de armas de fogo ocorridos em Belém/PA, no período de 2014
  a 2020, assim como os eventos de chacinas rurais no Pará nos anos de
  1985 a 2019 (Bussab; Morettin, 2017).</p>
</disp-quote>
<p><bold>RESULTADOS E DISCUSSÕES</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Os resultados são exibidos a partir de uma análise descritiva dos
  dados coletados e analisados por ano pesquisado. Os achados da Figura
  4 revelam um quantitativo de 3.897 homicídios por uso de arma de fogo
  ocorridos no período de 2014 a 2020; o ano de 2016 é o de maior
  incidência, registrando 754 mortes, coincidindo com a assertiva de
  Ipea e FBSP (2018), que assinalaram Belém/PA como a capital mais
  violenta do Brasil no ano de 2016, com a taxa de 77 mortes a cada 100
  mil habitantes.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 4: Quantidade e média anual de Homicídios ocorridos por
uso de arma de fogo, no município de Belém/PA, no período de 2014 a
2020</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Construção dos autores, a partir de dados da Secretaria de
Inteligência e Análise Criminal do Estado do Pará (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Na Figura 4, percebe-se uma tendência de crescimento na média anual
  dos homicídios entre os anos de 2014 (40), 2015 (50) e 2016 (63), com
  uma estabilidade nos anos de 2016 (63), 2017 (63) e 2018 (63),
  reduzidos nos anos de 2019 (30) e 2020 (20).</p>
  <p>O mês de janeiro de 2014 registrou 10 homicídios, 60% dessas mortes
  ocorreram nos dias 18 e 19, no episódio conhecido como Chacina dos
  bairros Guamá e Cremação, que vitimou 6 pessoas em resposta às mortes
  de dois policiais militares, vitimados em uma operação no Beco do
  Relógio, localizado no bairro Jurunas, região periférica de Belém/PA.
  A autoria desta chacina é atribuída a um grupo miliciano atuante no
  bairro Guamá identificado como “Irmãos de Farda”, liderado por um
  ex-integrante da ROTAM/PM (OAB-PA, 2017). Observa-se que, após a
  ocorrência dessa chacina, a Figura 4 apresenta uma tendência de
  crescimento nos meses de fevereiro e março, com um pico no mês de
  abril de 2014, registrando 52 mortes.</p>
  <p>Em 5 de novembro de 2014, ocorreu outra grande chacina que vitimou
  10 pessoas por perfuração de armas de fogo. O episódio, conhecido como
  Grande Chacina de Belém, ocorreu logo após a execução do suposto líder
  da Milícia do Guamá, denominada Irmãos de Farda, de modo que vários
  integrantes da ROTAM são apontados como autores desta chacina (OAB-PA,
  2017). As duas chacinas do ano de 2014 foram o marco inicial para a
  constatação da existência de grupos milicianos atuantes no município
  de Belém/PA, resultando na instalação da Comissão Parlamentar de
  Inquérito instalada na Assembleia Legislativa do Estado do Pará
  (Alepa, 2015).</p>
  <p>Oliveira Neto (2020) destaca um evento ocorrido no mês de outubro
  de 2015 que desencadeou uma série de mortes. Trata-se do episódio que
  evidenciou a ousadia dos grupos de extermínio atuantes em Belém/PA:
  homens encapuzados, com vestimenta militar, portando armamento
  exclusivo da Polícia Militar do Pará, invadiram um hospital particular
  para executar um paciente suspeito de envolvimento no assassinato de
  um soldado da ROTAM. Os achados da Figura 4, referentes aos meses
  posteriores (novembro e dezembro de 2015), demonstram um aumento nas
  mortes após o evento do hospital particular de Belém e convergem para
  a assertiva de Oliveira Neto (2020) sobre o desencadeamento de uma
  série de mortes após esse evento.</p>
  <p>O Portal DOL noticiou uma chacina ocorrida em 17 de outubro de
  2016, no bairro Jurunas, em Belém/PA, ocasião em que cinco elementos
  desceram de um carro prata e efetuaram vinte disparos de arma de fogo,
  atingindo 5 pessoas; entre as vítimas, estava um acusado de
  envolvimento na morte de um policial militar (DOL, 2016). Novamente, a
  Figura 4 apresenta uma tendência de crescimento nos meses posteriores
  a este evento.</p>
  <p>Ademais, evidencia-se que, em um total de 752 homicídios e uma
  média anual de 63 mortes por perfuração de armas de fogo, com destaque
  para os meses de janeiro e maio, que obtiveram os maiores índices do
  ano de 2017 (Figura 4), Couto (2018) registra a ocorrência de uma
  chacina que vitimou 30 pessoas no bairro Pedreira, em Belém/PA, nos
  dias 20 e 21 de janeiro de 2017. Sua autoria foi atribuída ao grupo
  miliciano M. da Pedreira, cujo lema é “matar ou matar”. Essa chacina
  ocorreu nos dias seguintes à morte de um soldado da Polícia Militar do
  Pará membro da ROTAM. O mês de abril, do ano de 2018, foi o mês mais
  sangrento do período pesquisado, com o quantitativo de 114 mortes
  registradas (Figura 4). Conforme Oliveira Neto (2020), naquele mês
  foram assassinados três cabos da Polícia Militar, no município de
  Ananindeua – município limítrofe a Belém; motivo pelo qual o município
  de Belém experimentou uma onda de violência em represália às mortes
  desses militares.</p>
  <p>Observa-se que os anos de 2019 e 2020 registram as menores médias,
  com 30 e 20 homicídios anuais, apresentando os menores números
  absolutos, com 352 e 219 mortes por uso de armas de fogo,
  respectivamente (Figura 4). O primeiro semestre de 2019 apresenta
  instabilidade, devido ao pico de homicídios do mês de maio, que
  registrou 50 mortes, apresentando redução nos dois meses posteriores e
  se estabilizando nos demais meses, com registros próximos à média
  anual dos dois últimos anos pesquisados.</p>
  <p>O único pico de homicídios registrado no ano de 2019 foi no mês de
  maio, mês mais violento do ano (Figura 4), que coincide com um evento
  de morticínio ocorrido na passagem Jambú, no bairro Guamá, em
  Belém/PA, denominado “Chacina do Bar da Wanda”, ocorrido em 18 de maio
  de 2019. Dentre os 8 denunciados pelo Ministério Público do Estado do
  Pará, na ação criminal Nº 0011423- 87.2019.814.0401, em trâmite na 1ª
  Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Belém, vinculado ao Tribunal de
  Justiça do Estado do Pará (TJ/PA), quatro são policiais militares e
  dois desses policiais são membros da ROTAM.</p>
  <p>O Portal G1 (G1, 2021) noticiou redução de 35% no número de mortes
  violentas nos anos 2019 e 2020. Por meio do monitor da violência,
  constata-se um crescimento significativo no número de mortes violentas
  no ano de 2020, em todo o Brasil; em contrapartida, o Pará é o estado
  brasileiro que mais reduziu o número de mortes violentas, com 19% de
  redução, número que converge com os dados aqui coletados e
  apresentados na Figura 4, sendo que o único pico de homicídios no ano
  de 2020 é registrado nos meses de fevereiro e março, meses que sucedem
  a última chacina de Belém, ocorrida no bairro Cabanagem, em 5 de
  janeiro de 2020, vitimando 3 pessoas; entre as vítimas, está um
  policial militar e sua esposa (Maia; Cuns, 2020).</p>
  <p>É importante frisar que, durante os anos de 2019 e 2020, foram
  realizadas quatro operações policiais (Anonymous I, II, III e IV) pela
  Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Pará em combate à atuação de
  grupos milicianos e de extermínio, que resultaram na prisão de
  diversas pessoas, dentre elas: policiais civis, policiais militares
  (praças e oficiais) e um vereador, fato que coincide com a redução de
  homicídios em Belém/PA (Sousa, 2020; Santos, 2019).</p>
  <p>Dentre os procedimentos policiais instaurados para elucidar as
  ocorrências dos homicídios por uso de arma de fogo tem-se que a
  maioria é do tipo inquérito por portaria (74,06%), seguido de
  procedimentos não instaurados (23,12%) (Figura 5).</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 5: Percentual de Homicídios ocorridos no município de
Belém/PA, no período de jna./2014 a dez./2020, por tipo de
tombamento</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Nota: Outros <bold>–</bold>Auto de apreensão; Auto de
investigação.</p>
<p>Fonte: Construção dos autores, a partir de dados da Secretaria de
Inteligência e Análise Criminal do Estado do Pará (2020).</p>
<disp-quote>
  <p>Há de se destacar (Figura 5) que, aproximadamente, 1.000 vidas
  foram destruídas (23,12%) e a polícia judiciária paraense não
  instaurou procedimento de investigação para esclarecer essas mortes.
  Tal resultado demonstra a ineficiência do Estado na elucidação desses
  casos. Parte das explicações para essa ineficiência foi encontrada nos
  achados de Costa <italic>et al.</italic> (2020), que revelaram o
  perfil das vítimas de homicídio de Belém/PA (jovens, do sexo
  masculino, negros, com baixa escolaridade e residentes em regiões
  periféricas), sendo o perfil socioeconômico das vítimas um dos fatores
  no aparente interesse da polícia para investigar e elucidar essas
  mortes. Na visão dos autores Costa <italic>et al.</italic> (2020),
  essas vidas não têm o mesmo valor perante o Estado, visto que o perfil
  de cada vítima é determinante para o sucesso ou não da
  investigação.</p>
  <p>A assertiva de Costa <italic>et al.</italic> (2020) leva à reflexão
  do outro prato da balança: o perfil dos possíveis autores. Sobre o
  tema, Cano e Duarte (2012), em seus estudos sobre a evolução das
  milícias no município do Rio de Janeiro/RJ, destacaram cinco
  características das milícias fluminenses, dentre as quais está a
  participação pública de agentes armados do Estado em posições de
  comando. No mesmo sentido, a Alepa (2015) afirma a existência de
  grupos milicianos em Belém/PA que, a exemplo da capital fluminense,
  não passam de uma evolução dos grupos de extermínio já existentes e
  que estão enraizados nas forças de segurança pública.</p>
  <p>Neste cenário, Oliveira Neto (2020) corrobora com o mesmo
  entendimento, em sua pesquisa sobre a letalidade policial no estado do
  Pará, afirmando que, no início da década de 1990, era admissível
  aceitar que o alto escalão da PMPA apoiava os métodos violentos da
  PATAM, que foi extinta em 1992 e, anos depois, foi instituída a ROTAM,
  com algumas similitudes da antiga PATAM. Seguindo este entendimento, é
  possível aduzir que o perfil dos autores também pode ser considerado
  como um dos fatores para justificar a ineficiência do Estado na
  investigação dos morticínio em Belém/PA, revelado na Figura 5. Outro
  fator que chama a atenção é o fato das organizações criminosas
  atuantes no estado do Pará terem a participação direta de agentes
  públicos (Moreira; Ramos, 2020), o que reforça ainda mais o
  entendimento sobre o perfil dos autores influenciarem diretamente nas
  investigações dos homicídios por perfuração de armas de fogo ocorridos
  em Belém no período estudado.</p>
  <p>Outra explicação para a ineficiência do Estado na elucidação desses
  homicídios foi percebido por De Almeida e Miranda (2022) que, ao
  analisarem a atuação de atividade miliciana no município de Marituba,
  Pará, Brasil, constataram que o grau de infiltração dos milicianos na
  administração pública e o conhecimento de técnicas de investigação são
  fatores preponderantes para a não elucidação dessas mortes.</p>
  <p>A Figura 6 apresenta a quantidade e o percentual dos homicídios por
  perfuração de armas de fogo com características de execução. Do
  quantitativo de 3.897 homicídios ocorridos em Belém/PA, no período de
  2014 a 2020, 2.200 (98,60%) têm características de execução, sendo 31
  (1,04%) ocasionados por eventos de chacina com participação de grupos
  milicianos figurando como autores, 7 (0,31%) atribuídos à autoria de
  milicianos, e 8 (0,36%) ocorridos em eventos de chacina sem o
  conhecimento da participação de milicianos.</p>
</disp-quote>
<p><bold>Figura 6: Quantidade e percentual de homicídios ocorridos no
município de Belém/PA, no período de jan./2014 a dez./2020, por tipo de
características de execução</bold></p>
<p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
<p>Fonte: Construção dos autores, a partir de dados da Secretaria de
Inteligência e Análise Criminal do Estado do Pará (2021).</p>
<disp-quote>
  <p>Os dados sobre o quantitativo de vítimas em episódios de chacinas
  e/ou milícias revelados na Figura 6 (31) divergem dos achados da
  literatura especializada, que evidenciam ao menos 83 vítimas neste
  período. Só a chacina do bairro Pedreira, em janeiro de 2017,
  registrou 30 pessoas vitimadas por armas de fogo (Couto, 2018), o que,
  por si só, demonstra a discrepância dos dados oficiais relativos aos
  assassinatos em chacinas por autoria de grupos milicianos, acusando a
  fragilidade dos dados oficiais referentes aos crimes que envolvem
  agentes das forças de segurança pública, assim como revelado na Figura
  5, o que inclina a refletir sobre a influência do perfil dos autores
  como fator determinante para a ineficiência do Estado em esclarecer as
  mortes por perfuração de armas de fogo.</p>
</disp-quote>
<p><bold>CONSIDERAÇÕES FINAIS</bold></p>
<disp-quote>
  <p>Ao se analisar os achados da literatura especializada, constata-se
  que a maioria absoluta das chacinas ocorridas em Belém/PA tem em comum
  quatro aspectos: execuções sumárias por perfuração de armas de fogo,
  em resposta aos assassinatos de policiais militares; envolvimento de
  milícias e grupos de extermínio formados em parte por agentes das
  forças de segurança pública; execuções múltiplas de no mínimo três
  pessoas em cada evento; e envolvimento de membros da ROTAM, ora como
  vítimas, ora como supostos autores desses homicídios.</p>
  <p>Ao se cruzar os achados da literatura especializada e matérias
  jornalísticas com os dados quantitativos coletados, observa-se que, em
  grande parte dos anos pesquisados, os picos nos números de homicídios
  por uso de armas de fogo ocorrem no mesmo mês de ocorrência dos
  eventos de chacina, ou nos meses posteriores. Restou evidenciado que
  as mortes de policiais militares de alguma forma dão causa às chacinas
  e, o mais grave, membros das forças de segurança pública, mais
  especificamente da Ronda Tático Metropolitana (ROTAM/PM/PA), estão
  envolvidos neste cenário, ora como vítimas, ora como possíveis
  culpados.</p>
  <p>Quanto às respostas da Polícia Civil do Estado do Pará na
  investigação destes homicídios, um dado preocupante se revela: cerca
  de 1.000 casos (23,12%) não tiveram procedimento policial instaurado
  para esclarecimento dos fatos, indicando a ineficiência do Estado no
  esclarecimento destes homicídios. Além disso, os dados coletados sobre
  os homicídios por perfuração de armas de fogo com características de
  execução atribuídas às chacinas, com envolvimento de atividade
  miliciana, não condiz com os achados da literatura e da mídia
  jornalística, o que induz ao entendimento de que a participação de
  agentes públicos dificulta não só a investigação dessas mortes, como
  também a construção de indicadores oficiais sobre a criminalidade
  violenta da capital paraense, o que, consequentemente, mutila a
  construção de políticas públicas de prevenção e combate de atividades
  criminosas dentro das forças policiais.</p>
  <p>Considera-se que o objetivo deste trabalho foi atingido, ao
  compreender que a relação dos grupos milicianos e de extermínio com os
  homicídios por uso de armas de fogo, a partir das chacinas ocorridas
  no município de Belém/PA, no período de 2014 a 2020, está
  intrinsicamente ligada às mortes de policiais militares, sendo esta
  uma das causas multifatoriais que eleva o quantitativo de homicídios
  nos meses em que esses eventos ocorrem ou nos meses subsequentes a
  estes eventos.</p>
  <p>Com efeito, pode-se concluir que as evidências aqui reveladas e os
  indicadores estatísticos construídos neste estudo devem servir para a
  construção de políticas públicas de fortalecimento das corregedorias,
  órgãos correcionais e ouvidorias que visem combater o envolvimento de
  agentes públicos nas organizações criminosas, mais especificamente
  policiais civis e militares com envolvimento em grupos milicianos e de
  extermínio.</p>
  <p>Para concluir, como sugestão para trabalhos futuros, aponta-se a
  realização de estudos acerca das causas que incidiram na não
  instauração de procedimentos policiais de aproximadamente 1.000
  homicídios por perfuração de armas de fogo ocorridos em Belém/PA, no
  período de 2014 a 2020.</p>
</disp-quote>
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