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<publisher>
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</publisher>
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<body>
<p><bold>A (IN)EFICÁCIA DA INVESTIGAÇÃO POLICIAL: ANÁLISE DA ELUCIDAÇÃO
DOS CRIMES DE HOMICÍDIOS DOLOSOS EM BELÉM/PA</bold></p>
<p><bold>Cleyton Fernando Paixão De Sousa Costa</bold></p>
<p>Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará - UFPA, mestre
em Segurança Pública - UFPA. Professor universitário e da Academia de
Polícia Civil - ACADEPOL/PA. Delegado de Polícia Civil, atual diretor de
estatística e análise criminal da Secretaria de Segurança Pública do
Estado do Pará.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Pará
<bold>Cidade:</bold> Ananindeua</p>
<p><bold>Email:</bold> cleytoncosta@gmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-0203-6010</p>
<p><bold>Cleidson Ronald Botelho de Souza</bold></p>
<p>Possui graduação em Ciência da Computação pela Universidade Federal
do Pará (1996), mestrado em Ciência da Computação pela Universidade
Estadual de Campinas (1998) e doutorado em Information and Computer
Science pela University of California, Irvine (2005). Professor
associado da Faculdade de Computação da Universidade Federal do
Pará.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Pará
<bold>Cidade:</bold> Belém</p>
<p><bold>Email:</bold> cleidson.desouza@acm.org <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0003-3240-3122</p>
<p><bold>Renato Hidaka Torres</bold></p>
<p>Bacharel em Ciência da Computação pelo Centro Universitário do Pará
(2010). Mestre em Sistemas e Computação pelo Instituto Militar de
Engenharia (2012). Doutor em Ciência da Computação pela Universidade
Federal do Pará (2019). Desde março de 2020 é professor do quadro
permanente do Instituto de Ciências Exatas e Naturais da Universidade
Federal do Pará. Desde agosto de 2021 é professor permanente do Programa
de Pós-graduação em Segurança Pública do Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Pará
<bold>Cidade:</bold> Belém</p>
<p><bold>Email:</bold> renatohidaka@ufpa.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-7069-945X</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Cleyton Fernando Paixão De Sousa Costa e Cleidson Ronald Botelho De
Souza: concepção e delineamento; análise e interpretação dos dados;
redação do manuscrito. Renato Hidaka Torres: concepção e delineamento;
análise e interpretação dos dados; revisão crítica.</p>
<sec id="resumo">
  <title><bold>RESUMO</bold></title>
  <p>O Brasil apresenta a segunda maior taxa de homicídios para 100 mil
  habitantes da América do Sul, e uma das maiores do mundo. Nesse
  contexto, a qualidade da investigação de homicídios deve ser uma das
  prioridades das polícias brasileiras, uma vez que a ineficácia das
  investigações é um potencializador do sentimento de impunidade e
  fomenta o aumento do número de homicídios. A presente pesquisa, de
  natureza quantitativa, busca analisar a elucidação dos homicídios
  dolosos registrados em Belém/PA nos anos de 2015 a 2019, desvelando os
  fatores que influenciam na identificação da autoria desses crimes. Na
  primeira parte do estudo, com o objetivo de descrever o perfil das
  vítimas de homicídios dolosos registrados em Belém/PA, utiliza-se a
  técnica de Análise Exploratória de Dados. Posteriormente, são
  descritos os homicídios de acordo com os atributos do delito. Em
  seguida, realiza-se a análise dos procedimentos policiais instaurados
  para apurar os respectivos crimes, também por meio da análise
  exploratória de dados, com o objetivo de aferir o percentual de casos
  com identificação de autoria e a relação entre o perfil das vítimas,
  atributos do crime e procedimentos policiais, na taxa de elucidação de
  autoria dos homicídios. A pesquisa revela uma baixa identificação de
  autoria desses crimes, com uma taxa de elucidação de 22,76%. Os
  resultados apontam um problema estrutural na investigação de
  homicídios dolosos em Belém/PA, sugerindo que o modelo ideal é aquele
  em que a investigação é estruturada a partir de unidades policiais com
  especialização temática e territorial.</p>
  <p><bold>Palavras-chave</bold>: Homicídios. Investigação de
  homicídios. Elucidação de autoria.</p>
</sec>
<sec id="abstract">
  <title><bold>ABSTRACT</bold></title>
  <p><italic><bold>THE (IN)EFFECTIVENESS OF THE POLICE INVESTIGATION:
  ANALYSIS OF THE ELUCIDATION OF THE CRIMES OF INTENTIONAL HOMICIDE IN
  BELÉM/PA</bold></italic></p>
  <p><italic>Brazil has the second highest homicide rate per 100,000
  inhabitants in South America, and one of the highest in the world. In
  this context, the quality of homicide investigation must be one of the
  priorities of the Brazilian police, since the ineffectiveness of
  investigations is a potential for the feeling of impunity and
  encourages the increase in the number of homicides. The present
  research, of a quantitative nature, sought to analyze the elucidation
  of intentional homicides registered in Belém/PA in the years 2015 to
  2019, revealing the factors that influence the identification of the
  authorship of these crimes. In the first part of the study, with the
  aim of describing the profile of victims of intentional homicides
  registered in Belém, the Exploratory Data Analysis technique was used.
  Subsequently, homicides were described according to the attributes of
  the crime. Then, the analysis of the police procedures instituted to
  investigate the respective crimes was carried out, also through
  exploratory data analysis, with the objective of measuring the
  percentage of cases with identification of authorship and the
  relationship between the profile of the victims, attributes of crime
  and police procedures, in the rate of elucidation of authorship of
  homicides. The research revealed a low identification of authorship of
  these crimes, with an elucidation rate of 22.76%. The results point to
  a structural problem in the investigation of intentional homicides in
  Belém, suggesting that the ideal model is one in which the
  investigation is structured around police units with thematic and
  territorial specialization.</italic></p>
  <p><italic><bold>Keywords</bold>: Homicides. Homicide investigation.
  Elucidation of authorship.</italic></p>
  <p><bold>Data de Recebimento:</bold> 04/09/2022 – <bold>Data de
  Aprovação:</bold> 14/07/2023</p>
  <p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2024.v18.n1.1795</p>
</sec>
<sec id="introdução">
  <title><bold>Introdução</bold></title>
  <disp-quote>
    <p>De acordo com o estudo global sobre homicídios feito pelo
    escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em 2019,
    o Brasil apresentou a segunda maior taxa de homicídios da América do
    Sul – 30,5 homicídios a cada 100 mil habitantes –, atrás apenas da
    Venezuela. Ainda segundo a pesquisa, Nigéria e Brasil, que
    correspondem a 5% da população mundial, registraram 28% dos
    homicídios no mundo (UNODC, 2019).</p>
    <p>Dado este cenário, a investigação de homicídios deve ser uma das
    prioridades das polícias brasileiras, uma vez que a ineficácia das
    investigações permite que autores de homicídios fiquem impunes. Com
    efeito, para se pensar em redução dos indicadores de homicídio, é
    necessário conhecer os indicadores de elucidação desses crimes, pois
    somente dessa maneira será possível compreender a dimensão do
    problema e o nível de resposta estatal, possibilitando a elaboração
    de políticas públicas efetivas.</p>
    <p>A partir de um levantamento bibliográfico inicial, percebeu-se
    que, apesar da existência de estudos relacionados à caracterização
    dos homicídios dolosos (<italic>Atlas da Violência</italic>;
    <italic>Anuário Brasileiro de Segurança Pública;</italic> e
    <italic>Estudo global sobre homicídios feito pelo escritório das
    Nações Unidas sobre Drogas e Crime</italic>, UNODC, 2019), são
    poucas as pesquisas na literatura brasileira que abordam a
    elucidação desses crimes. Por exemplo, o trabalho de Ribeiro e Lima
    (2020) foca na elucidação de homicídios, mas no contexto de Belo
    Horizonte/MG. Da mesma forma, Rifiotis, Ventura e Cardoso (2012),
    cujo <italic>locus</italic> é a Região Metropolitana de
    Florianópolis/SC.</p>
    <p>Dessa forma, a pesquisa aqui proposta tem por fim analisar a
    elucidação dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos
    de 2015 a 2019, identificando os fatores que influenciam na
    identificação da autoria desses crimes. Além disso, descreve um
    simples indicador de elucidação dos homicídios usado como ferramenta
    de mensuração da eficácia das investigações policiais. A partir da
    análise e da comparação do indicador de elucidação de homicídios
    dolosos na cidade, um conjunto de recomendações é feito, visando
    auxiliar o planejamento estratégico do Sistema de Segurança Pública
    e o fluxo da investigação de homicídios dolosos registrados em
    Belém/PA.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="metodologia">
  <title><bold>Metodologia</bold></title>
  <sec id="natureza-da-pesquisa-e-abordagem-do-problema">
    <title>Natureza da pesquisa e abordagem do problema</title>
    <disp-quote>
      <p>Este trabalho descreve uma pesquisa de natureza quantitativa
      que, conforme definição de Richardson (1999), é caracterizada pelo
      emprego da quantificação, seja nas modalidades de coleta de
      informações ou no tratamento delas por meio de técnicas
      estatísticas. Para Mattar (2001), a pesquisa quantitativa visa à
      validação das hipóteses mediante a utilização de dados
      estruturados, estatísticos, por meio da análise de um
      representativo número de casos. Mais especificamente, este
      trabalho utiliza estatística descritiva, cujo objetivo é
      investigar, organizar e explorar os dados, com o escopo de obter
      informações de padrões ou características interessantes com
      indicação de possíveis tendências (Morettin; Bussab, 2010).</p>
    </disp-quote>
  </sec>
  <sec id="procedimentos-técnicos-lócus-da-pesquisa-e-objetivos">
    <title>Procedimentos técnicos, <italic>lócus</italic> da pesquisa e
    objetivos</title>
    <disp-quote>
      <p>Os dados analisados foram solicitados junto à Secretaria
      Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (SIAC), vinculada à
      Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (SEGUP), a
      partir dos registros armazenados no banco de dados do Sistema
      Integrado de Segurança Pública (SISP). A SIAC realiza um processo
      de ETL, que em linguagem computacional significa a integração de
      dados em três etapas (extração, transformação e carregamento).</p>
      <p>O processo de ETL feito pela SIAC ocorre da seguinte forma: os
      registros das ocorrências são armazenados no banco de dados
      Oracle, do SISP. Esses registros são extraídos do banco de dados
      do SISP por meio de uma linguagem de consulta estruturada
      (<italic>Structured Query Language</italic> – SQL), e são
      submetidos a um processo de tratamento de dados no Sistema
      Informatizado de Coleta e Análise de dados (SICAD), pertencente à
      SIAC. Por fim, após o tratamento dos dados, esses registros são
      armazenados no banco de dados do SICAD e também estruturados em
      planilhas. As análises foram feitas a partir dos dados
      estruturados em planilhas fornecidas pela SIAC.</p>
      <p>Da mesma maneira, em relação aos Inquéritos Policiais (IPs).
      Como os documentos feitos pela Polícia Civil devem ser elaborados
      dentro do SISP (portaria, despachos, termos de depoimentos,
      relatórios, etc.), os seus conteúdos também podem ser extraídos
      por SQL e estruturados em planilhas.</p>
      <p>Os dados disponibilizados são referentes aos 3.765 homicídios
      dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, e seus
      respectivos inquéritos policiais. O <italic>lócus</italic>
      definido para a pesquisa foi o município de Belém, capital do
      estado do Pará. Os dados foram analisados em duas etapas
      diferentes.</p>
      <p>Na primeira parte do estudo, com o objetivo de descrever o
      perfil das vítimas de homicídios dolosos registrados em Belém/PA,
      utiliza-se a técnica de Análise Exploratória de Dados. As
      variáveis utilizadas incluem sexo, faixa etária (em anos), grau de
      escolaridade e cor das vítimas. Posteriormente, foram descritos os
      homicídios de acordo com os atributos do delito, quais sejam:
      faixa de hora, dia da semana, local de ocorrência, meio empregado,
      meio de locomoção do autor e bairro do fato.</p>
      <p>Em seguida, realiza-se a análise dos procedimentos policiais
      instaurados para apurar os respectivos crimes, também por meio da
      análise exploratória de dados, com o objetivo de aferir o
      percentual de casos com identificação de autoria de acordo com o
      perfil das vítimas, atributos do crime e procedimentos policiais,
      a partir do cálculo da Taxa de Elucidação de Autoria (TEA) dos
      homicídios. Os dados extraídos dos inquéritos foram apenas para
      mensurar a TEA de cada unidade policial, relacionando-a com as
      variáveis obtidas a partir dos boletins de ocorrência.</p>
      <p>Nesse sentido, considerando como elucidado todo homicídio em
      que a polícia foi capaz de apontar a materialidade do crime e
      indiciar pelo menos um dos autores (ainda que não concluído o
      inquérito, mas desde que haja o indiciamento formal de alguém),
      adota-se como TEA a divisão do total de homicídios com
      identificação de autoria pelo total de homicídios investigados,
      multiplicado por 100:</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>TEA</bold> <inline-formula><alternatives>
    <tex-math><![CDATA[= \left( \frac{Total\ de\ homicídios\ com\ identificação\ de\ autoria}{Total\ de\ homicídios\ investigados} \right)\ X\ 100]]></tex-math>
    <mml:math display="inline" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mrow><mml:mo>=</mml:mo><mml:mrow><mml:mo stretchy="true" form="prefix">(</mml:mo><mml:mfrac><mml:mrow><mml:mi>T</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>h</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>í</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>s</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>f</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>ç</mml:mi><mml:mi>ã</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>u</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>T</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>h</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>m</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>í</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>s</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mi>v</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>g</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>d</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>s</mml:mi></mml:mrow></mml:mfrac><mml:mo stretchy="true" form="postfix">)</mml:mo></mml:mrow><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mi>X</mml:mi><mml:mspace width="0.222em"></mml:mspace><mml:mn>100</mml:mn></mml:mrow></mml:math></alternatives></inline-formula></p>
    <disp-quote>
      <p>Ribeiro e Lima (2020), ao analisarem a investigação dos crimes
      de homicídio, afirmam que existem três fatores determinantes para
      a elucidação de um crime de homicídio:</p>
    </disp-quote>
    <list list-type="bullet">
      <list-item>
        <p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Aspectos demográficos: características das vítimas (sexo,
            idade e raça);</p>
          </disp-quote>
        </p>
      </list-item>
      <list-item>
        <p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Aspectos situacionais: atributos do delito (local de
            ocorrência do crime, arma utilizada, horário do assassinato
            e associação com atividades criminais); e</p>
          </disp-quote>
        </p>
      </list-item>
      <list-item>
        <p specific-use="wrapper">
          <disp-quote>
            <p>Aspectos organizacionais: procedimentos policiais.</p>
          </disp-quote>
        </p>
      </list-item>
    </list>
    <disp-quote>
      <p>Analisando os dados de inquéritos policiais e processos penais
      de homicídios dolosos arquivados em Belo Horizonte/MG, com o
      emprego de uma metodologia quantitativa, as pesquisadoras
      concluíram que os homicídios de jovens (até 35 anos) não brancos e
      que as causas de morte relacionadas com o tráfico são os casos que
      possuem maiores chances de ficarem impunes em Belo Horizonte/MG
      (Ribeiro; Lima, 2020).</p>
      <p>No mesmo sentido, a presente pesquisa busca analisar se, no
      município de Belém/PA, os fatores relacionados às características
      das vítimas, aos atributos do delito e aos procedimentos policiais
      possuem alguma associação com a taxa de elucidação dos
      homicídios.</p>
      <p>A partir de um algoritmo de aprendizado de máquina
      supervisionado, analisa-se quais as variáveis mais importantes
      para a elucidação do crime. O objetivo de um algoritmo de
      aprendizado de máquina supervisionado implica a utilização de um
      conjunto L para construir uma função na forma φ:X→Y. Após a
      construção da função, espera-se que φ seja capaz de realizar
      predições corretas para tuplas (x,y) ⊄L. Se uma função φ realiza
      predições corretas para uma parcela significativa de tuplas que
      não pertencem ao conjunto L, diz-se que φ possui a capacidade de
      generalização.</p>
      <p>Conforme observado por Flach (2012), quando uma função φ não
      possui a capacidade de generalização, significa que a sua
      construção foi super ajustada. Uma função super ajustada não pode
      ser utilizada em problemas de predições, uma vez que o seu
      desempenho preditivo só é satisfatório para amostras do conjunto
      L. Contudo, dependendo do algoritmo de aprendizado de máquina
      utilizado para a construção da função φ, mesmo que essa função
      seja super ajustada, pode ser que φ seja relevante para analisar
      problemas descritivos.</p>
      <p>A hipótese é que se a função φ é super ajustada e, portanto,
      possui predição confiável para toda tupla (x,y) ∈ L, então a
      tomada de decisão realizada por φ pode ser utilizada para analisar
      os padrões encontrados. Neste trabalho, utiliza-se o super
      ajustamento de uma função φ construída a partir do algoritmo de
      aprendizado de máquina supervisionado <italic>Random
      Forest</italic>.</p>
      <p>O <italic>Random Forest</italic> foi escolhido porque permite
      analisar qual a importância que cada <italic>feature</italic> teve
      no processo de classificação. Assumindo que a presente pesquisa
      tem como objetivo analisar quais foram as variáveis mais
      importantes para a classificação de elucidação do crime, a
      utilização do <italic>Random Forest</italic> justifica-se.</p>
      <p>Considerando que o objetivo é alcançar o super ajustamento de
      uma função, o mesmo conjunto de dados – extraído da base fornecida
      pela SIAC – foi utilizado durante o treinamento e na etapa
      preditiva e de análise da importância das
      <italic>features</italic>. Para construir a função φ, utiliza-se a
      linguagem de programação <italic>Python</italic> e o algoritmo
      <italic>Random Forest</italic> da biblioteca
      <italic>scikit-learn</italic>.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Resultados da análise descritiva</bold></p>
  </sec>
  <sec id="section">
    <title></title>
  </sec>
  <sec id="aspectos-demográficos-características-das-vítimas">
    <title>Aspectos demográficos – Características das vítimas</title>
    <sec id="section-1">
      <title></title>
    </sec>
    <sec id="sexo-da-vítima">
      <title>Sexo da vítima</title>
      <disp-quote>
        <p>No quinquênio 2015-2019, segundo dados da SIAC, foram
        registrados 3.765 homicídios dolosos em Belém/PA. A partir da
        análise dos dados, foi possível traçar um perfil das vítimas
        desses homicídios em relação às variáveis de sexo, faixa etária
        (em anos), grau de escolaridade e cor, similar ao trabalho de
        Ribeiro e Lima (2020).</p>
        <p>Em relação ao perfil das vítimas, das 3.765 vítimas de
        homicídios dolosos registrados em Belém/PA, 3.442 eram do sexo
        masculino, 281 do sexo feminino, e em 42 casos não foi informado
        o sexo da vítima, conforme Tabela 1.</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 1:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por sexo da vítima</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image5.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <disp-quote>
        <p>Portanto, considerando as vítimas com identificação do sexo
        no boletim de ocorrência, verifica-se que, em todos os anos
        analisados, 90% ou mais eram pessoas do sexo masculino (Figura
        1).</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Figura 1: Percentual de vítimas de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por
      sexo</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image18.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
    <sec id="faixa-etária-da-vítima">
      <title>Faixa etária da vítima</title>
      <disp-quote>
        <p>Em relação à faixa etária, verifica-se que, dentre as 3.765
        vítimas de homicídios, 219 delas não tinham informações quanto à
        idade. Das 3.546 vítimas com informações de faixa etária, 2.329
        vítimas tinham de 18 a 34 anos, 958 tinham idades de 35 a 64
        anos, 226 eram adolescentes, 7 eram crianças e 26 tinham 65 anos
        ou mais, consoante demonstrado na Tabela 2. Verifica-se que, do
        total de vítimas com informações quanto à idade, mais de 65%
        delas são jovens adultos (18 a 34 anos), conforme se observa na
        Figura 2.</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 2: Homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos
      anos de 2015 a 2019, por faixa etária da vítima</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image4.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 2:</bold> <bold>Percentual de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por faixa etária
      da vítima</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
    <sec id="escolaridade-da-vítima">
      <title>Escolaridade da vítima</title>
      <disp-quote>
        <p>Dentre os 3.765 registros de homicídios, 1.698 deles não
        apresentam informações sobre a escolaridade da vítima, com
        destaque para a base de dados de 2016 que não possui nenhuma
        informação sobre a escolaridade das vítimas. Das outras 2.067
        vítimas, a grande maioria (2.002) tem no máximo o Ensino Médio
        completo. Os dados demonstram que 1.092 vítimas sequer têm
        completado o Ensino Fundamental; 364 têm apenas o Ensino
        Fundamental completo; 196 não completaram o Ensino Médio; e 350
        têm o Ensino Médio completo. Apenas 14 vítimas têm nível
        superior incompleto; 23 vítimas concluíram o nível superior; e
        28 não eram alfabetizadas, conforme Tabela 3. Portanto, cerca de
        97% das vítimas têm, no máximo, concluído o Ensino Médio (Figura
        3).</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 3: Homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos
      anos de 2015 a 2019, por grau de escolaridade da vítima</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image9.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 3: Percentual de homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por grau de escolaridade da
      vítima</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image31.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
    <sec id="cor-da-vítima">
      <title>Cor da vítima</title>
      <disp-quote>
        <p>Em relação à cor das vítimas dos homicídios dolosos
        registrados em Belém/PA, no quinquênio 2015-2019, as bases de
        dados de ocorrências dos anos de 2015 a 2017 não apresentam
        informações de cor da pele. Não foi possível conseguir suprir
        essa lacuna de dados por meio da análise dos procedimentos
        policiais, especialmente porque os laudos necroscópicos não eram
        acessíveis pelo banco de dados do SISP, mas apenas pelo sistema
        próprio da Polícia Científica (PeríciaNet). Quanto aos anos de
        2018 e 2019, as vítimas foram identificadas, em grande parte,
        com a cor parda. Das 815 vítimas com identificação de cor, 755
        foram identificadas de cor parda, 25 de cor preta, 30 de cor
        branca e apenas 5 indígenas (Tabela 4). Dessa forma, mais de 95%
        das vítimas com identificação de cor eram negras (pretas e
        pardas), consoante Figura 4.</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 4:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por cor da vítima</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image12.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 4:</bold> <bold>Percentual de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por cor da
      vítima</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image14.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
  </sec>
  <sec id="aspectos-situacionais-atributos-do-delito">
    <title>Aspectos situacionais – atributos do delito</title>
    <disp-quote>
      <p>Nesta seção, são abordados aspectos relacionados ao delito
      propriamente dito, ou seja, os homicídios são analisados de acordo
      com as circunstâncias de tempo, lugar e modo que eles foram
      praticados.</p>
    </disp-quote>
    <sec id="section-2">
      <title></title>
    </sec>
    <sec id="faixa-de-hora">
      <title>Faixa de hora</title>
      <disp-quote>
        <p>Analisando-se os registros pelas faixas de hora, constata-se
        que o intervalo de 18h às 23h59 apresenta o maior número de
        registros, com 1.658 homicídios, representando 44% do total;
        seguido pelas faixas de hora de 12h às 17h59, com 911 casos, e
        0h às 5h59, com 711 registros. A faixa de hora de 6h às 11h59
        tem 425 casos de homicídio (Tabela 5).</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 5:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por faixa de hora</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 5:</bold> <bold>Percentual de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por faixa de
      hora</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image25.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
    <sec id="section-3">
      <title></title>
    </sec>
    <sec id="dia-da-semana">
      <title>Dia da semana</title>
      <disp-quote>
        <p>Em relação à distribuição dos homicídios nos dias da semana,
        verifica-se que o domingo é o dia com maior quantitativo de
        registros, totalizando 672 casos, seguido pelo sábado, com 630
        registros. O dia da semana com menor quantitativo de casos foi a
        quarta-feira, com 453 homicídios, conforme Tabela 6.</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 6:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por dia da semana</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image19.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 6:</bold> <bold>Percentual de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por dia da
      semana</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image20.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022)</p>
    </sec>
    <sec id="section-4">
      <title></title>
    </sec>
    <sec id="local-de-ocorrência">
      <title>Local de ocorrência</title>
      <disp-quote>
        <p>No que se refere ao local das ocorrências de homicídios em
        Belém/PA, constata-se que dos 3.765 casos, 3.575 (95%) se
        distribuem em quatro classes de local, conforme classificação do
        SISP: via pública, residência particular, estabelecimento
        comercial e hospital. A grande maioria dos homicídios (79,3%)
        ocorreu em via pública, com 2.984 registros (Tabela 7 e Figura
        7).</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 7:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por local de
      ocorrência</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image21.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 7:</bold> <bold>Percentual de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por local de
      ocorrência</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image30.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
    <sec id="section-5">
      <title></title>
    </sec>
    <sec id="meio-empregado">
      <title>Meio empregado</title>
      <disp-quote>
        <p>Em relação ao meio empregado, 3.636 registros têm
        informações. Desse total, grande parte dos homicídios foram
        praticados com o emprego de arma de fogo, totalizando 3.208
        registros (88,2%), seguido por objeto perfurocortante, com 298
        casos. Em 129 registros de homicídios, o meio empregado não foi
        informado (Tabela 8 e Figura 8).</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 8:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por meio empregado</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image26.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 8:</bold> <bold>Percentual de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por meio
      empregado</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image29.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
    <sec id="meio-de-locomoção-do-autor">
      <title>Meio de locomoção do autor</title>
      <disp-quote>
        <p>Quanto ao meio de locomoção utilizado pelos autores dos
        homicídios, destaca-se o uso de veículos motorizados do tipo
        carro e motocicleta. Foram 892 homicídios praticados com o uso
        de carros, e 732 com o emprego de moto, representando cerca de
        90% dos casos. Em 1.949 casos não foi informado o meio de
        locomoção utilizado no crime (Tabela 9 e Figura 9).</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 9:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por meio de locomoção do
      autor</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image27.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
      <p><bold>Figura 9:</bold> <bold>Percentual de homicídios dolosos
      registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por meio de
      locomoção do autor</bold></p>
      <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image22.png" />
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
    <sec id="bairro-do-fato">
      <title>Bairro do fato</title>
      <disp-quote>
        <p>O município de Belém/PA possui 71 bairros oficiais. Dos 3.765
        homicídios registrados no quinquênio 2015-2019, 1.891 casos
        (50,2%) ocorreram em apenas 10 bairros da capital paraense, os
        quais, em sua maioria, são populosos e periféricos, conforme
        tabela 10.</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Tabela 10:</bold> <bold>Homicídios dolosos registrados em
      Belém/PA, nos anos de 2015 a 2019, por bairro do fato</bold></p>
      <table-wrap>
        <table>
          <colgroup>
            <col width="34%" />
            <col width="32%" />
            <col width="33%" />
          </colgroup>
          <thead>
            <tr>
              <th><bold>BAIRROS</bold></th>
              <th><bold>HOMICÍDIOS</bold></th>
              <th><bold>FREQUÊNCIA RELATIVA</bold></th>
            </tr>
            <tr>
              <th>GUAMA</th>
              <th>315</th>
              <th>8,4%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>JURUNAS</th>
              <th>238</th>
              <th>6,3%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>TAPANA</th>
              <th>235</th>
              <th>6,2%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>CABANAGEM</th>
              <th>209</th>
              <th>5,6%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>PEDREIRA</th>
              <th>172</th>
              <th>4,6%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>BENGUI</th>
              <th>164</th>
              <th>4,4%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>MARAMBAIA</th>
              <th>157</th>
              <th>4,2%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>SACRAMENTA</th>
              <th>140</th>
              <th>3,7%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>MARCO</th>
              <th>139</th>
              <th>3,7%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>TERRA FIRME</th>
              <th>122</th>
              <th>3,2%</th>
            </tr>
            <tr>
              <th>OUTROS</th>
              <th>1.874</th>
              <th>49,8%</th>
            </tr>
          </thead>
          <tbody>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
      (2022).</p>
    </sec>
  </sec>
  <sec id="aspectos-organizacionais-procedimentos-policiais-e-elucidação-dos-homicídios">
    <title>Aspectos organizacionais – procedimentos policiais e
    elucidação dos homicídios</title>
    <disp-quote>
      <p>Uma vez compilados os dados relacionados às características das
      vítimas e aos atributos dos homicídios registrados em Belém/PA, é
      importante trazer à colação as informações relacionadas às
      investigações desses crimes, com o objetivo de analisar os fatores
      que influem na elucidação da autoria desses crimes.</p>
      <p>Conforme dados da SIAC, foram instaurados 3.484 procedimentos
      policiais para investigar homicídios registrados nos anos de 2015
      a 2019, em Belém/PA. Desse total, apenas 105 foram decorrentes de
      prisões em flagrante e 6 de apreensões de adolescentes. Portanto,
      a grande maioria das investigações (3.349) foi iniciada por
      portaria da Autoridade Policial, ou seja, não houve prisão em
      flagrante do(s) autor(es), consoante Tabela 11.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 11:</bold> <bold>Procedimentos policiais instaurados
    em Belém/PA para investigar homicídios registrados nos anos de 2015
    a 2019, por tipo de procedimento</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image23.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>O inquérito por portaria é o procedimento de polícia judiciária
      instaurado nos casos em que não houve prisão em flagrante. Nas
      situações em que há a prisão flagrancial, o inquérito é iniciado
      pelo auto de prisão em flagrante delito, conforme disposição do
      Código de Processo Penal (Brasil, 1941). Quando a suspeita ou os
      indícios de autoria recaem sobre um menor de idade, temos o auto
      de investigação para os casos em que o menor não foi apreendido em
      flagrante. Havendo apreensão em flagrante do menor, o procedimento
      é o auto de apreensão em flagrante de ato infracional, de acordo
      com o Estatuto da Criança e do Adolescente.</p>
      <p>Analisando a elucidação de autoria dos homicídios registrados
      em Belém/PA no quinquênio de 2015-2019, verifica-se que foram
      instaurados 3.484 procedimentos policiais. Desse total, em apenas
      793 casos se identificou pelo menos um dos autores, o que
      representa uma taxa de elucidação de 22,76%. Em 2.691
      procedimentos policiais não houve a elucidação do homicídio. Desta
      forma, passa-se à análise da Taxa de Elucidação de Autoria (TEA),
      a partir dos fatores relacionados às características das vítimas,
      aos atributos dos crimes e aos procedimentos policiais.</p>
    </disp-quote>
  </sec>
  <sec id="taxa-de-elucidação-de-autoria-tea-de-acordo-com-as-características-das-vítimas">
    <title>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA) de acordo com as
    características das vítimas</title>
    <disp-quote>
      <p>Relacionando-se a variável sexo da vítima com a TEA, desvela-se
      que, dos 3.484 procedimentos policiais instaurados, em 3.448 há
      informações sobre o sexo da vítima. Desse total, em 263
      investigações a vítima é do sexo feminino, e em 3.185, a vítima é
      do sexo masculino. Calculando-se a TEA, verifica-se que quando a
      vítima é do sexo feminino, a TEA ficou em 31,18%, enquanto para as
      vítimas do sexo masculino, foi de 22,07% (Tabela 12).</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 12:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por sexo da vítima</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image24.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Uma análise similar foi feita em relação à faixa etária das
      vítimas. Do total de procedimentos instaurados, em 194 não há
      informação acerca da faixa etária das vítimas. Verifica-se que as
      menores taxas de elucidação estão entre as vítimas jovens, nas
      idades de 12 a 29 anos, onde a TEA varia de 17,31% a 19,96%. Em
      contrapartida, quando a vítima é criança, a TEA é de 83,33%,
      conforme Tabela 13.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 13:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por faixa etária da vítima</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image7.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>No mesmo sentido, analisa-se a TEA segundo o grau de
      escolaridade das vítimas, constatando que quanto menor o grau de
      escolaridade da vítima, menor foi a elucidação dos homicídios
      investigados, consoante Tabela 14.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 14:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por grau de escolaridade da vítima</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image15.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Em seguida, calculou-se a TEA de acordo com a cor das vítimas.
      As bases de dados dos anos de 2015, 2016 e 2017 estão sem
      informações de cor das vítimas. Assim, em relação aos anos de 2018
      e 2019, verifica-se que foram instaurados 1.237 procedimentos para
      apuração de homicídios dolosos, sendo que em 444 não havia
      informações sobre a cor da vítima. Dos 793 procedimentos policiais
      com informação sobre a cor da vítima, destaca-se que em 734 consta
      que a vítima é parda. Ao se calcular a TEA, verifica-se que as
      menores taxas estão nas investigações de homicídios de pessoas
      pretas e pardas, com 12% e 14,44% de elucidação da autoria,
      respectivamente (Tabela 15).</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 15:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por cor da vítima</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image8.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
  </sec>
  <sec id="section-6">
    <title></title>
  </sec>
  <sec id="section-7">
    <title></title>
  </sec>
  <sec id="taxa-de-elucidação-de-autoria-tea-de-acordo-com-os-atributos-do-delito">
    <title>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA) de acordo com os
    atributos do delito</title>
    <disp-quote>
      <p>Finalmente, o terceiro conjunto de atributos analisados
      refere-se aos atributos do delito propriamente dito.</p>
      <p>Analisando-se a elucidação de autoria dos procedimentos
      policiais instaurados a partir da faixa de hora da ocorrência dos
      homicídios dolosos, constata-se que aqueles ocorridos na madrugada
      e durante a manhã apresentam as maiores taxas de elucidação, com
      25,74% e 25,52%, respectivamente (Tabela 16).</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 16:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por faixa de hora</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image6.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Da mesma forma, é feito em relação ao dia da semana, em que se
      verifica que os homicídios ocorridos aos domingos possuem uma taxa
      de elucidação maior do que aqueles ocorridos nos outros dias da
      semana, conforme Tabela 17.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 17:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por dia da semana</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image13.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Quanto ao local de ocorrência, conforme já analisado, a grande
      maioria dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA ocorreu em
      via pública, em residência particular ou em estabelecimento
      comercial. Dentre esses locais de ocorrência, a menor TEA é a dos
      homicídios ocorridos em via pública, com apenas 20,37%, consoante
      Tabela 18.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 18:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por local da ocorrência</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image3.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Considerando a TEA dos homicídios dolosos de acordo com o meio
      empregado, verifica-se que os crimes praticados com emprego de
      arma de fogo são os menos elucidados, apresentando uma taxa de
      elucidação de apenas 18,26%. Em contrapartida, os homicídios
      praticados com objeto perfurocortante são os mais elucidados, com
      uma taxa de 60,07% (Tabela 19).</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 19:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por meio empregado</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image11.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Por fim, calculando-se a TEA a partir do meio de locomoção
      utilizado na execução do crime, observa-se que nos casos em que
      houve o uso de carro, a taxa de elucidação foi de apenas 8,91%.
      Nos homicídios em que os autores estavam a pé, a TEA foi de 31,82%
      (Tabela 20).</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 20:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por meio de locomoção do autor</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image17.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022)</p>
  </sec>
  <sec id="section-8">
    <title></title>
  </sec>
  <sec id="taxa-de-elucidação-de-autoria-tea-de-acordo-com-os-procedimentos-policiais">
    <title>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA) de acordo com os
    procedimentos policiais</title>
    <disp-quote>
      <p>Nos termos do art. 70 do Código de Processo
      Penal<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> (Brasil, 1941), a
      competência é firmada pelo local do crime. Portanto, a unidade
      policial responsável pela investigação é determinada pelo bairro
      onde o crime ocorreu. De acordo com o algoritmo de aprendizado de
      máquina, a variável que exerce maior influência em relação à
      elucidação do homicídio é o bairro onde o crime ocorreu (Figura
      10). Esse dado é extremamente relevante, pois demonstra,
      consequentemente, que a unidade responsável pela investigação é o
      fator determinante para a elucidação do crime.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Figura 10:</bold> <bold>Importância das
    <italic>features</italic> calculada pela função φ</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image10.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Em Belém/PA, a responsabilidade pela investigação de homicídio
      é da unidade policial do bairro onde ocorreu o crime. No entanto,
      essa competência é concorrente com a Divisão de Homicídios,
      unidade especializada na investigação de homicídios, com
      circunscrição em todo o território estadual.</p>
      <p>A partir da análise da Taxa de Elucidação de Autoria por
      unidade policial, conforme Tabela 21, verifica-se que as nove
      primeiras colocadas tiveram poucos procedimentos instaurados no
      somatório dos cinco anos. A Delegacia de Atendimento ao
      Adolescente Infrator (DATA), que no período registrou 23
      procedimentos de homicídios dolosos, apresentou uma TEA de 100%,
      porque fica responsável apenas por casos em que já se sabe que o
      autor foi um adolescente.</p>
      <p>Destacam-se a Unidade Seccional de Icoaraci, que no período do
      estudo instaurou 206 procedimentos para investigar homicídios
      dolosos, alcançando uma TEA de 58,25%, e a Delegacia de Homicídios
      de Icoaraci, com uma TEA de 49,66%, nos 147 procedimentos
      instaurados. É importante mencionar que a Delegacia de Homicídios
      de Icoaraci é a única delegacia vinculada à Divisão de Homicídios
      que tem a sua circunscrição delimitada em bairros. As demais
      unidades da Divisão de Homicídios possuem circunscrição municipal
      ou estadual.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 21:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, por unidade policial responsável</bold></p>
    <table-wrap>
      <table>
        <colgroup>
          <col width="39%" />
          <col width="19%" />
          <col width="19%" />
          <col width="10%" />
          <col width="12%" />
        </colgroup>
        <thead>
          <tr>
            <th><bold>UNIDADE RESPONSÁVEL</bold></th>
            <th><bold>AUTORIA IDENTIFICADA</bold></th>
            <th><bold>AUTORIA NÃO IDENTIFICADA</bold></th>
            <th><bold>TOTAL</bold></th>
            <th><bold>TEA</bold></th>
          </tr>
          <tr>
            <th>CENTRAL DE FLAGRANTE S. BRAS 271 – 1ª RISP – 2ª
            AISP</th>
            <th>1</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DATA – DELEGACIA DE ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE INFRATOR
            – 274</th>
            <th>23</th>
            <th>0</th>
            <th>23</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DEACA-PROPAZ INTEGRADO-CPC RENATO CHAVES – 504</th>
            <th>1</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DEAM – BELÉM</th>
            <th>1</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DELEGACIA DE CONTROLE DE CRIMES VIOLENTOS – PSM</th>
            <th>1</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DIVISÃO ESPECIALIZADA NO ATENDIMENTO À MULHER –
            DEAM</th>
            <th>1</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>ICUI-GUAJARA – UNIDADE INTEGRADA PROPAZ – 2ª RISP – 18ª
            AISP</th>
            <th>1</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>PARAGOMINAS – 13ª SECCIONAL – 7ª RISP</th>
            <th>1</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>100,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>CORREGEDORIA – DEL. CRIMES FUNCIONAIS 346</th>
            <th>2</th>
            <th>1</th>
            <th>3</th>
            <th>66,67%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>ICOARACI – 8ª SECC.8 – 1º RISP – 11ª, 12ª E 13ª
            AISP</th>
            <th>120</th>
            <th>86</th>
            <th>206</th>
            <th>58,25%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DELEGACIA DE HOMICÍDIOS DE ICOARACI</th>
            <th>73</th>
            <th>74</th>
            <th>147</th>
            <th>49,66%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>MOSQUEIRO – 9ª SECC. – 1ª RISP – 15ª E 16ª AISP</th>
            <th>30</th>
            <th>56</th>
            <th>86</th>
            <th>34,88%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DIVISÃO DE HOMICÍDIOS</th>
            <th>58</th>
            <th>112</th>
            <th>170</th>
            <th>34,12%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>ATALAIA – DELEGACIA DE POLÍCIA – 2ª RISP – 17ª AISP</th>
            <th>1</th>
            <th>2</th>
            <th>3</th>
            <th>33,33%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>TAPANA – UNIDADE INTEGRADA PROPAZ – 1ª RISP – 11ª
            AISP</th>
            <th>65</th>
            <th>154</th>
            <th>219</th>
            <th>29,68%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>CIDADE NOVA – 3ª SECC. – 2ª RISP – 18ª AISP</th>
            <th>1</th>
            <th>3</th>
            <th>4</th>
            <th>25,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DELEGACIA DE CONTROLE DE CRIMES VIOLENTOS –
            METROPOLITANO</th>
            <th>1</th>
            <th>3</th>
            <th>4</th>
            <th>25,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>SÃO BRAS – 2º SECC.2 – 1º RISP – 2ª AISP</th>
            <th>28</th>
            <th>84</th>
            <th>112</th>
            <th>25,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>TENONE UNIDADE INTEGRADA PROPAZ – 1ª RISP – 13ª
            AISP</th>
            <th>16</th>
            <th>50</th>
            <th>66</th>
            <th>24,24%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>PEDREIRA – 10ª SECCIONAL – 1ª RISP – 8ª AISP</th>
            <th>32</th>
            <th>113</th>
            <th>145</th>
            <th>22,07%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>JADERLÂNDIA - DELEGACIA DE POLÍCIA – 2ª RISP – 17ª
            AISP</th>
            <th>1</th>
            <th>4</th>
            <th>5</th>
            <th>20,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>CREMAÇÃO – 4ª SECC. – 1ª RISP – 3ª AISP</th>
            <th>29</th>
            <th>123</th>
            <th>152</th>
            <th>19,08%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>TERRA FIRME – UNIDADE INTEGRADA PROPAZ – 1ª RISP – 6ª
            AISP</th>
            <th>20</th>
            <th>85</th>
            <th>105</th>
            <th>19,05%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>BENGUI – DELEGACIA DE POLÍCIA – 1ª RISP – 10ª AISP</th>
            <th>31</th>
            <th>134</th>
            <th>165</th>
            <th>18,79%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>SACRAMENTA – 1ª SECC.5 – 1º RISP – 7ª AISP</th>
            <th>57</th>
            <th>266</th>
            <th>323</th>
            <th>17,65%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>OUTEIRO – DELEGACIA DE POLÍCIA – 1ª RISP – 14ª AISP</th>
            <th>31</th>
            <th>149</th>
            <th>180</th>
            <th>17,22%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>JURUNAS – DELEGACIA DE POLÍCIA</th>
            <th>34</th>
            <th>183</th>
            <th>217</th>
            <th>15,67%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>COMÉRCIO – 6ª SECC. – 1ª RISP – 1ª AISP</th>
            <th>13</th>
            <th>73</th>
            <th>86</th>
            <th>15,12%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>GUAMA – 11ª SECC. – 1ª RISP – 5ª AISP</th>
            <th>38</th>
            <th>227</th>
            <th>265</th>
            <th>14,34%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>MARAMBAIA – 5ª SECC.6 – 1º RISP – 9ª AISP</th>
            <th>49</th>
            <th>337</th>
            <th>386</th>
            <th>12,69%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>CABANAGEM – DELEGACIA DE POLÍCIA – 1ª RISP – 10ª
            AISP</th>
            <th>26</th>
            <th>215</th>
            <th>241</th>
            <th>10,79%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>MARCO – UNID. POL. 14 – 1º RISP</th>
            <th>2</th>
            <th>21</th>
            <th>23</th>
            <th>8,70%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>MARCO – DELEGACIA DE POLÍCIA – 1ª RISP – 8ª AISP</th>
            <th>5</th>
            <th>133</th>
            <th>138</th>
            <th>3,62%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>AEROPORTO – DELEGACIA DE POLÍCIA – 1ª RISP – 7ª
            AISP</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>1</th>
            <th>0,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DEAM – DEL. VIRTUAL DA MULHER 294 – 1º RISP – 8ª
            AISP</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>1</th>
            <th>0,00%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>DELEGACIA DE CONTROLE DE CRIMES VIOLENTOS – PSM
            GUAMÁ</th>
            <th>0</th>
            <th>1</th>
            <th>1</th>
            <th>0,00%</th>
          </tr>
        </thead>
        <tbody>
        </tbody>
      </table>
    </table-wrap>
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <disp-quote>
      <p>Não por outra razão, dentre os dez bairros que mais concentram
      registros de homicídios nos cinco anos pesquisados, os casos
      ocorridos no bairro do Tapanã, que está na circunscrição da
      Delegacia de Homicídios de Icoaraci, foram os que tiveram maior
      Taxa de Elucidação de Autoria, conforme Tabela 22.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 22:</bold> <bold>Taxa de Elucidação de Autoria (TEA)
    dos homicídios dolosos registrados em Belém/PA, nos anos de 2015 a
    2019, nos dez bairros com maior número de registros</bold></p>
    <table-wrap>
      <table>
        <colgroup>
          <col width="22%" />
          <col width="24%" />
          <col width="24%" />
          <col width="16%" />
          <col width="14%" />
        </colgroup>
        <thead>
          <tr>
            <th><bold>BAIRROS</bold></th>
            <th><bold>AUTORIA IDENTIFICADA</bold></th>
            <th><bold>AUTORIA NÃO IDENTIFICADA</bold></th>
            <th><bold>TOTAL</bold></th>
            <th><bold>TEA</bold></th>
          </tr>
          <tr>
            <th>GUAMÁ</th>
            <th>54</th>
            <th>235</th>
            <th>289</th>
            <th>19%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>JURUNAS</th>
            <th>43</th>
            <th>179</th>
            <th>222</th>
            <th>19%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>TAPANÃ</th>
            <th>62</th>
            <th>133</th>
            <th>195</th>
            <th>32%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>CABANAGEM</th>
            <th>17</th>
            <th>187</th>
            <th>204</th>
            <th>8%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>PEDREIRA</th>
            <th>35</th>
            <th>128</th>
            <th>163</th>
            <th>21%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>BENGUI</th>
            <th>34</th>
            <th>126</th>
            <th>160</th>
            <th>21%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>MARAMBAIA</th>
            <th>22</th>
            <th>132</th>
            <th>154</th>
            <th>14%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>SACRAMENTA</th>
            <th>19</th>
            <th>111</th>
            <th>130</th>
            <th>15%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>MARCO</th>
            <th>9</th>
            <th>125</th>
            <th>134</th>
            <th>7%</th>
          </tr>
          <tr>
            <th>TERRA FIRME</th>
            <th>25</th>
            <th>91</th>
            <th>116</th>
            <th>22%</th>
          </tr>
        </thead>
        <tbody>
        </tbody>
      </table>
    </table-wrap>
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da SIAC
    (2022).</p>
    <p><bold>Análise e discussão dos resultados</bold></p>
    <disp-quote>
      <p>Segundo dados do <italic>Anuário Brasileiro de Segurança
      Pública 2021</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> (FBSP,
      2021), no ano de 2020, o Brasil registrou 50.033 mortes violentas
      intencionais – somatório dos homicídios dolosos, dos latrocínios,
      das lesões corporais e das mortes decorrentes de intervenções
      policiais. Desse total, 42.105 mortes foram decorrentes de
      homicídios dolosos, representando uma taxa de 19,9 homicídios para
      cada 100 mil habitantes. Ainda segundo o Fórum Brasileiro da
      Segurança Pública, 76,2% das vítimas eram negras, 54,3% jovens
      (até 29 anos) e 91,3% do sexo masculino.</p>
      <p>O perfil das vítimas de homicídios dolosos em Belém/PA
      corrobora os dados do anuário. De acordo com os dados, ao longo
      dos cinco anos pesquisados, o percentual de vítimas do sexo
      masculino variou de 90% a 93%. Em relação à faixa etária, 49,4%
      das vítimas tinham entre 18 e 29 anos, e 95,7% das vítimas com
      identificação de cor eram negras (pretas ou pardas). Em resumo,
      verifica-se que as mortes não se distribuem de forma igual na
      sociedade. Os dados revelam que há uma concentração de homicídios
      entre jovens, negros, com baixo grau de escolaridade.</p>
      <p>Estatísticas de homicídios são necessárias para compreender a
      dimensão do problema e direcionar o planejamento de políticas de
      prevenção concretas e eficientes. O mesmo conhecimento é
      necessário a respeito da resposta dada pelo Estado a esta que é a
      mais grave violação de direitos. Conhecer o indicador de
      elucidação dos homicídios dolosos é um dado básico para
      identificar boas práticas e locais que precisam de atenção
      diferenciada.</p>
      <p>Apesar da sua importância social, o campo de estudo do
      processamento criminal, e especificamente do processamento de
      homicídios, é incipiente no Brasil, por fatores como a dificuldade
      de acesso aos bancos de dados nacionais, ainda incompletos e com
      frequentes falhas de preenchimento (Cano; Duarte, 2010). De fato,
      na base de dados analisada neste trabalho, foi possível observar
      falhas de preenchimento em relação às características das vítimas
      e aos atributos do delito.</p>
      <p>O <italic>Estudo Global sobre Homicídios da UNODC</italic>
      <italic>– edição
      2019</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> (UNODC, 2019)
      apresenta um panorama continental, indicando que os países das
      Américas têm os maiores índices de impunidade, com apenas 43% de
      homicídios elucidados, ficando abaixo da média mundial de 63%
      (Figura 11).</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Figura 11:</bold> <bold>Percentual de esclarecimento de
    homicídios por continente</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image28.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados da UNODC –
    Global Study on Homicide (2019).</p>
    <disp-quote>
      <p>De acordo com Moraes <italic>et al.</italic> (2014, p. 25):
      “ainda não existem dados suficientemente sistematizados para que
      se estabeleça, em nível nacional, comparações entre as taxas de
      elucidação dos homicídios nos diferentes estados brasileiros”. As
      pesquisas existentes sobre o tema, no entanto, apresentam uma
      difícil realidade.</p>
      <p>Por exemplo, o estudo <italic>Onde mora a impunidade – edição
      2020</italic><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, do Instituto
      Sou da Paz (2020), aponta que apenas 11 unidades federativas
      dispunham de dados sobre a resolução de homicídios, dentre as
      quais não está o estado do Pará. Além disso, a pesquisa aponta que
      em 2015 apenas 31,3% dos homicídios dolosos foram denunciados pelo
      Ministério Público. Em 2016, houve um ligeiro aumento, com 32,9%
      dos casos redundando em denúncias pelo MP. E, finalmente, em 2017,
      esse percentual subiu para 33,1%. Portanto, a cada 10 homicídios
      dolosos registrados nas onze unidades federativas estudadas, em
      cerca de sete casos os autores sequer são processados.</p>
      <p>Ribeiro e Lima (2020) elaboraram um quadro sumário com estudos
      que calcularam as taxas de elucidação e as áreas de abrangência
      das pesquisas, onde se verifica que as taxas variavam de 8%, no
      Rio de Janeiro/RJ, a 69%, em Brasília/DF. Em Belém/PA, a taxa de
      elucidação de autoria para os cinco anos da pesquisa (2015 a 2019)
      é de 22,76%, em consonância com os resultados apresentados nas
      edições 2017 e 2019 do estudo <italic>Onde Mora a
      Impunidade</italic>, do Instituto Sou da Paz, em que o estado do
      Pará fez parte.</p>
    </disp-quote>
    <p><bold>Tabela 23:</bold> <bold>Percentual de elucidação de
    homicídios apresentados em estudos científicos sobre o
    tema</bold></p>
    <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image16.png" />
    <p>Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de dados de Ribeiro e
    Lima (2020).</p>
    <disp-quote>
      <p>De um modo geral, de acordo com a Tabela 23, o que se percebe é
      uma baixa elucidação de homicídios no Brasil, sendo que no
      município de Belém/PA não é diferente. Os baixos indicadores de
      elucidação dos crimes de homicídio no Brasil acarretam um número
      extremamente reduzido de denúncias oferecidas pelo Ministério
      Público, um percentual ainda menor de condenações e,
      consequentemente, um elevadíssimo grau de impunidade para este
      tipo de crime.</p>
      <p>A literatura especializada elenca três fatores que estão
      associados à elucidação do homicídio: características das vítimas,
      atributos do delito e procedimentos policiais. No presente estudou
      buscou-se analisar a Taxa de Elucidação de Autoria a partir desses
      fatores, com o objetivo de verificar a associação deles à
      elucidação dos homicídios dolosos registrados no município de
      Belém.</p>
    </disp-quote>
    <sec id="características-das-vítimas">
      <title>Características das vítimas</title>
      <disp-quote>
        <p>Analisando a TEA a partir das características das vítimas,
        identifica-se que as menores taxas de elucidação foram dos
        homicídios de homens (22,07%), jovens de 12 a 29 anos (onde a
        TEA varia de 17,31% a 19,96%), pretos e pardos (12% e 14,44% de
        elucidação da autoria, respectivamente).</p>
        <p>Os resultados corroboram a afirmação de Vargas (2014),
        segundo o qual homens, jovens e negros são mais propensos a
        serem mortos, sem que isso signifique elevada comoção em nossa
        sociedade e resposta do sistema de justiça criminal. Nesses
        casos, “o raciocínio social implícito de que certas vidas – as
        negras em especial – não importam perpetua as atitudes e crenças
        da sociedade em geral que não se mobiliza para enfrentar a
        desigualdade social também no esclarecimento das mortes por
        homicídios” (Platero; Vargas, 2017, p. 637).</p>
        <p>Mbembe (2018) afirma que essa divisão entre as pessoas que
        devem viver e que devem morrer explicita aquilo que Foucault
        denomina de biopoder. Nesse sentido, a subdivisão da população
        em subgrupos – raças ou racismo – nada mais é do que um
        mecanismo na economia do biopoder para “regular a distribuição
        da morte e tornar possíveis as funções assassinas do Estado.
        Segundo Foucault, essa é “a condição para a aceitabilidade do
        fazer morrer” (Foucault, 2005 <italic>apud</italic> Mbembe,
        2018, p. 13).</p>
        <p>Black (1976) sublinha que as vítimas de menor
        <italic>status</italic> são as que tendem a receber menor
        quantidade de leis, posto que as organizações policiais e
        judiciais tratariam crimes que ocorrem contra elas como de menor
        importância. Portanto, homicídios de “vítimas desvalorizadas”
        tendem a ter menores chances de elucidação. Da mesma forma,
        Ribeiro e Lima (2020, p. 74) afirmam que “ é de esperar que as
        mortes de sujeitos do sexo masculino, jovens e negros sejam as
        mais propensas a ter o inquérito policial arquivado sem
        elucidação”.</p>
      </disp-quote>
    </sec>
    <sec id="atributos-do-delito">
      <title>Atributos do delito</title>
      <disp-quote>
        <p>A partir da análise da TEA de acordo com os atributos do
        delito, percebe-se que alguns fatores, como o local da
        ocorrência, o meio empregado e o meio de locomoção, possuem
        significativa associação com a elucidação dos homicídios. Nos
        casos em que o crime ocorreu em residência particular ou em
        estabelecimento comercial, a TEA foi de 31,94% e 34,71%,
        respectivamente. Em contrapartida, os homicídios dolosos
        praticados em via pública apresentam TEA de apenas 20,37%.</p>
        <p>Corroborando os resultados encontrados, pesquisas mostram que
        os homicídios que acontecem em áreas desocupadas, terrenos
        baldios, matas e florestas são menos prováveis de serem
        elucidados do que aqueles ocorridos em áreas públicas
        (Addington, 2006; Litwin; Xu, 2007). Isso acontece porque é
        menos frequente a presença de testemunhas nessas áreas
        desocupadas. Já os crimes ocorridos em casas, bares e boates
        tendem a ser elucidados mais facilmente, ante a existência de
        testemunhas e a facilidade de coletar evidências.</p>
        <p>Ao se calcular a TEA segundo o meio empregado, desvela-se que
        os homicídios executados com objeto perfurocortante e
        contundente são os que apresentam as maiores taxas de
        elucidação, com os percentuais de 60,07% e 42,11%,
        respectivamente. Em sentido contrário, apenas 18,26% dos
        homicídios praticados com emprego de arma de fogo são
        elucidados. Estudos sugerem que os homicídios cometidos com
        armas de fogo tendem a ser mais difíceis de serem elucidados do
        que aqueles cometidos com facas, bastões ou outros instrumentos
        que exijam contato físico (Alderden; Lavery, 2007; Litwin, 2004;
        Litwin; Xu, 2007). As evidências deixadas por lutas, agressões
        ou outras formas de contato são mais fáceis de serem
        coletadas.</p>
        <p>Na mesma linha dos resultados encontrados, Liem <italic>et
        al.</italic> (2018) constatam que casos de violência doméstica
        em que facas são usadas para a execução do homicídio são mais
        facilmente elucidados do que homicídios perpetrados em via
        pública com o emprego de arma de fogo. Portanto, a TEA dos
        homicídios dolosos em Belém/PA, sob o prisma dos atributos do
        delito, está em consonância com os achados da literatura
        especializada.</p>
      </disp-quote>
    </sec>
    <sec id="procedimentos-policiais">
      <title>Procedimentos policiais</title>
      <disp-quote>
        <p>Dos 3.484 procedimentos policiais instaurados entre os anos
        de 2015 a 2019, a grande maioria deles (3.349) foi por portaria
        expedida pela Autoridade Policial. A portaria é o documento pelo
        qual é formalmente iniciada a investigação policial nos casos em
        que não houve prisão em flagrante. Desse total de 3.349
        inquéritos instaurados por portaria, em apenas 660 (19,71%)
        houve a identificação da autoria do homicídio. Portanto, o que
        se percebe é que, se não houver a prisão em flagrante do autor,
        dificilmente haverá a elucidação da autoria do crime.</p>
        <p>Vargas e Rodrigues (2011) sinalizam que o flagrante
        registrado no inquérito policial articula o sistema de justiça
        criminal, permitindo a concatenação entre as diversas agências
        encarregadas de apontar e processar um suspeito pela prática de
        um assassinato. Dessa maneira, o flagrante seria o elemento mais
        importante – se não o primordial – para a transformação do
        registro policial em processo penal.</p>
        <p>As situações flagranciais são as preferidas por parte das
        polícias, fazendo com que o caso possa ser rapidamente
        encaminhado ao Ministério Público para denúncia e início do
        processo penal (Ratton; Cireno, 2007). Essa baixa elucidação dos
        casos em que não há prisão em flagrante corrobora a afirmação de
        Riedel (2008), segundo o qual crimes não elucidados em até 48
        horas dificilmente sobreviverão à fase policial.</p>
        <p>Outro dado que se mostra importante na pesquisa refere-se à
        unidade policial responsável pela investigação. As unidades
        policiais do distrito de Icoaraci se destacam na elucidação dos
        homicídios. A delegacia seccional de Icoaraci elucidou 58,25%
        dos homicídios investigados, enquanto a Delegacia de Homicídios
        de Icoaraci apresenta TEA de 49,66%. Ambas estão muito acima da
        TEA geral do município de Belém/PA, que ficou em 22,76%. O
        distrito de Icoaraci é a única região de Belém/PA que possui uma
        delegacia especializada na investigação de homicídios e com uma
        circunscrição delimitada.</p>
        <p>O algorimo de aprendizado de máquina, utilizado nesta
        pesquisa, concluiu que o bairro do crime é a variável que exerce
        maior influência sobre a elucidação do homicídio. Conforme
        disposição do Código de Processo Penal (Brasil, 1941), a unidade
        policial responsável pela investigação é determinada pelo bairro
        onde o crime ocorre. Logo, a unidade responsável pela
        investigação é o fator mais determinante para a elucidação do
        crime.</p>
        <p>Esse achado corrobora o que a literatura especializada
        afirma. De acordo com a Secretaria Nacional de Segurança Pública
        (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça, as investigações
        de homicídios funcionam melhor quando conduzidas por uma unidade
        policial especializada, com agentes dedicados única e
        exclusivamente à temática. O alto grau de complexidade dos
        crimes de homicídio deriva não apenas da variedade de motivações
        – relacionadas à diversidade de interações e relações humanas –
        mas principalmente em função de suas frequentes conexões com
        outras modalidades criminosas.</p>
        <p>Em função disso, de acordo com Moraes <italic>et al.</italic>
        (2014), a apuração desse tipo de crime demanda dos policiais um
        conhecimento bastante específico, melhor arranjado
        institucionalmente em uma unidade especializada, sobretudo para
        que se estabeleçam métodos padronizados e consistentes de
        investigação. Portanto, a dedicação exclusiva à temática dos
        homicídios é fundamental para a compreensão das dinâmicas
        criminais dos territórios sob a circunscrição da unidade
        policial e, consequentemente, o desenvolvimento de um trabalho
        eficaz.</p>
        <p>Contudo, além da especialização temática, é necessária também
        a especialização territorial, uma vez que a violência letal tem
        origem em contextos interativos, comunitários e criminais locais
        (Moraes <italic>et al.</italic>, 2014).</p>
        <p>E esta complexidade de fatores só pode ser devidamente
        compreendida (com essa compreensão sendo revertida em
        investigações mais ágeis e consistentes), se houver uma espécie
        de trabalho de imersão da equipe de investigação nestas áreas
        específicas, mediante uma estratégia de atuação e de
        especialização territorial. Mais do que conhecer o crime que
        apura, a equipe de investigação de homicídios precisa conhecer
        os contextos locais a partir dos quais ele surge. (Moraes
        <italic>et al.</italic>, 2014, p. 79).</p>
        <p>Equipes de investigação territorialmente especializadas
        também possuem maior facilidade para interagir com as
        comunidades, identificando quais atores daquele contexto podem
        fornecer dados e informações. Nesse ponto, a confiança que a
        população deposita na polícia é o elemento-chave para que as
        testemunhas possam fornecer aos investigadores informações sobre
        os potenciais infratores (Braga; Dusseault, 2018).</p>
        <p>Assim, Moraes <italic>et al.</italic> (2014, p. 79) concluem:
        “o modelo de arranjo institucional considerado ideal para a
        investigação de homicídios seria o das unidades especializadas,
        mas divididas em subunidades que teriam responsabilidade sobre
        territórios claramente definidos”.</p>
        <p>Isso explica o motivo de a Divisão de Homicídios apresentar
        uma TEA de 34,12%, que está acima da média de 22,76%, porém
        abaixo da TEA da Delegacia de Homicídios de Icoaraci (49,66%) e
        da Seccional de Icoaraci (58,25%). Em que pese ser uma unidade
        policial com especialização temática, a circunscrição da Divisão
        de Homicídios abrange todo o território do estado do Pará,
        diferentemente da Delegacia de Homicídios de Icoaraci, que é a
        única delegacia de Belém/PA com especialização temática e
        territorial.</p>
      </disp-quote>
      <p><bold>Considerações finais</bold></p>
      <disp-quote>
        <p>Este estudo demonstra que a capital paraense, assim como
        diversos municípios brasileiros (Tabela 21), apresenta sérias
        dificuldades no que concerne à elucidação de homicídios. A cada
        10 homicídios registrados em Belém/PA, cerca de 8 casos ficam
        sem elucidação. Essa baixa taxa de elucidação deve-se, entre
        outros fatores, a uma falha na estrutura de investigação dos
        homicídios.</p>
        <p>Na circunscrição do município de Belém/PA, a Polícia Civil do
        Estado do Pará (PCPA) dispõe de uma única delegacia com
        dedicação exclusiva à temática dos homicídios e com investigação
        territorialmente especializada. O modelo de Icoaraci é um
        excelente paradigma para a Polícia Civil do Estado do Pará. A
        partir da criação da Delegacia de Homicídios de Icoaraci, ambas
        unidades policiais com circunscrição naquele distrito apresentam
        elevadas taxas de elucidação dos homicídios investigados.
        Verifica-se que a implementação da delegacia especializada, com
        delimitação temática e territorial, não somente apresenta
        reflexos positivos nas suas próprias investigações de
        homicídios, como também naquelas conduzidas pela unidade
        seccional de Icoaraci.</p>
        <p>À exceção da Delegacia de Homicídios de Icoaraci, não há em
        Belém/PA outra unidade com a especialização temática e
        territorial. Em que pese a existência da Divisão de Homicídios
        no âmbito da estrutura organizacional da PCPA, não foram criadas
        na capital paraense delegacias especializadas com circunscrições
        delimitadas.</p>
        <p>Essa falha estrutural, aparentemente, sobrecarrega as
        unidades policiais dos bairros, as quais, além da investigação
        dos homicídios, precisam atender a toda sorte de demandas
        criminais. Dessa forma, o crime de homicídio não receberia a
        atenção e dedicação necessárias para a sua elucidação, o que
        pode ser uma das causas para os baixos indicadores de elucidação
        desvelados nesta pesquisa. Portanto, a criação de unidades
        especializadas em investigação de homicídios parece constituir o
        modelo mais indicado para o enfrentamento a este tipo de
        crime.</p>
        <p>Os resultados apresentados nesta pesquisa, e corroborados
        pela literatura, sugerem que a investigação dos homicídios em
        Belém/PA está muito baseada na prisão em flagrante, ou seja, na
        pronta resposta estatal. Em casos mais complexos, em que não se
        sabe de início a autoria do homicídio, dificilmente a
        investigação tem êxito na elucidação do crime.</p>
        <p>Recomenda-se, como estudo futuro, uma pesquisa qualitativa
        para avaliar a percepção dos policiais quanto às baixas taxas de
        elucidação de homicídios dolosos em Belém/PA. Além disso,
        sugere-se estudos a respeito do fluxo de justiça criminal na
        capital paraense, analisando a taxa percentual de denúncias
        oferecidas pelo Ministério Público e de sentenças condenatórias
        prolatadas pelo Poder Judiciário nos casos de homicídios
        dolosos, visando à identificação dos principais entraves
        enfrentados por cada órgão participante do sistema de justiça
        criminal e à adoção de medidas conjuntas para o aprimoramento da
        resposta estatal às violações ao mais nobre e fundamental
        direito humano: a vida.</p>
      </disp-quote>
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    </sec>
  </sec>
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</body>
<back>
<fn-group>
  <fn id="fn1">
    <label>1</label><p>Art. 70. A competência será, de regra,
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