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<p><bold>POLICIAMENTO BASEADO EM EVIDÊNCIAS: UMA REVISÃO
BIBLIOMÉTRICA</bold></p>
<p><bold>Lizandro Lui</bold></p>
<p>Professor da Escola de Políticas Públicas e Governo, Fundação Getúlio
Vargas, Brasília. Doutor em Sociologia.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Distrito Federal
<bold>Cidade:</bold> Brasília</p>
<p><bold>Email:</bold> lizandro.lui@fgv.br <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0002-9276-247X</p>
<p><bold>Eric Rodrigues de Sales</bold></p>
<p>Mestre em Políticas Públicas e Governo, pela Escola de Políticas
Públicas e Governo da Fundação Getúlio Vargas. Pós-graduado lato sensu
em MBA Licitações e Contratos: Governança e Gestão em Contratações e
Aquisições Públicas pelo Instituto de Pós-graduação e Graduação - IPOG
(2023). Pós-graduado em Ciências Policiais pelo Instituto Superior de
Ciências Policiais da Polícia Militar do Distrito Federal (2021),
através do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais - CAO. Pós-graduado em
Ciências Jurídicas pela Universidade Cruzeiro do Sul - UniCSul (2010).
Atualmente ocupa o posto de major da Polícia Militar do Distrito Federal
e é chefe da Assessoria Técnico-jurídica do Departamento de Logística e
Finanças da Polícia Militar do Distrito Federal.</p>
<p><bold>País:</bold> Brasil <bold>Estado:</bold> Distrito Federal
<bold>Cidade:</bold> Brasília</p>
<p><bold>Email:</bold> ericrsales@hotmail.com <bold>ORCID:</bold>
https://orcid.org/0000-0001-9806-9046</p>
<p><bold>Contribuições dos autores:</bold></p>
<p>Eric Sales e Lizandro Lui participaram igualmente de todos os
processos de desenvolvimento do estudo.</p>
<p><bold>RESUMO</bold></p>
<p>A teoria que versa sobre políticas públicas baseadas em evidências
reconhece que os tomadores de decisões que fazem uso de evidências no
processo decisório tendem a produzir melhores resultados e gerar mais
benefícios nas aplicações das políticas públicas. Entende-se que a
produção dessas por cientistas e pesquisadores pode ser um norteador
para a tomada de decisão pelas autoridades competentes. O objetivo deste
trabalho é abordar o conceito da segurança pública baseada em
evidências, apresentando especificamente a definição do policiamento
baseado em evidências, sua construção e áreas de pesquisa, e compreender
os principais campos pesquisados sobre o tema. Para atingir o objetivo,
a análise utiliza o <italic>software</italic> VOSViewer, a fim de
analisar as publicações científicas que englobam polícia ou policiamento
baseado em evidências. Apesar do grande número de publicações e do
crescimento exponencial dos estudos sobre o assunto, foram identificadas
algumas lacunas de pesquisa que podem ajudar a direcionar estudos e
auxiliar futuros esforços mais aplicados de pesquisa nesse tema,
principalmente no Brasil.</p>
<p><bold>Palavras-chave</bold>: Políticas públicas. Segurança pública.
Policiamento. Baseado em evidências. Bibliometria.</p>
<p><bold>ABSTRACT</bold></p>
<p><italic><bold>EVIDENCE-BASED POLICING: A BIBLIOMETRIC
REVIEW</bold></italic></p>
<p><italic>The theory that deals with evidence-based public policies
recognizes that decision makers who use evidence in the decision-making
process tend to produce better results and generate more benefits in the
application of public policies. It is understood that the production of
these by scientists and researchers can be a guide for decision making
by the competent authorities. The objective of this work is to address
the concept of evidence-based public security, specifically presenting
the definition of evidence-based policing, its construction and research
areas, and understanding the main fields researched on the subject. To
achieve the objective, the analysis used the VOSViewer software in order
to analyze scientific publications that encompass police or
evidence-based policing. Despite the large number of publications and
the exponential growth of studies on the topic, some research gaps were
identified that can help direct studies and assist future more applied
research efforts on this topic, especially in Brazil.</italic></p>
<p><italic><bold>Keywords:</bold> Public policies. Public safety.
Policing. Evidence based. Bibliometric.</italic></p>
<p><bold>Data de Recebimento:</bold> 28/10/2022– <bold>Data de
Aprovação:</bold> 11/01/2023</p>
<p><bold>DOI:</bold> 10.31060/rbsp.2024.v18.n1.1829</p>
<sec id="introdução">
  <title>INTRODUÇÃO</title>
  <disp-quote>
    <p>O direito à vida e o direito à liberdade são dois elementos
    fundamentais para os cidadãos. Segundo a Constituição Federal
    (Brasil, 1988), a segurança pública pode ser compreendida como o
    dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, exercida para
    a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
    patrimônio. Devido à aproximação do objeto da criminalidade com as
    instituições, a Ciência Política e as Políticas Públicas entram nos
    estudos deste objeto com diversos estudos relevantes (Fideles,
    2021).</p>
    <p>Ao garantir o exercício dos demais direitos fundamentais, a
    constituição de condições adequadas de segurança pública pavimenta a
    possibilidade de estratégias de desenvolvimento econômico e social
    (Barbosa <italic>et al.</italic>, 2018). O panorama da segurança
    pública no Brasil não está entre os melhores, mas o cenário já foi
    pior. Após o Brasil ter atingido o ápice de Mortes Violentas
    Intencionais – MVI, em 2017, quando a taxa de MVI chegou a 30,9 para
    cada grupo de 100 mil habitantes, os anos de 2018 e 2019 foram
    marcados por reduções sucessivas dessas mortes. Todavia, em 2020, a
    tendência de queda foi revertida e houve um crescimento de 4% em
    relação ao ano anterior. A taxa de mortes violentas intencionais no
    Brasil foi de 23,6 por 100 mil habitantes em 2020 (FBSP, 2021).</p>
    <p>Diante de um cenário com desafios e dificuldades, a pasta da
    segurança pública da União, dos estados e dos municípios tem por
    dever buscar meios de se aperfeiçoar, visando um melhor serviço
    prestado para a sociedade. Uma das alternativas é fazer uso de
    políticas públicas de segurança baseadas em evidências, e como a
    literatura sobre as políticas públicas baseadas em evidências
    (PPBEs) propõe, trata-se de escolher a melhor evidência científica e
    avaliar a qualidade das políticas públicas por meio de métodos de
    hierarquização (Ipea, 2020). Assim, entende-se que a aplicação de
    conhecimento e análise dos processos das políticas conduz a opções
    mais capazes de lidar com problemas sociais do que aquelas que
    emergem de processos orientados por outros fundamentos, como
    clientelismo, barganha e incompetência. Além disso, assume-se que os
    cidadãos esperam que as decisões sobre as políticas públicas se
    baseiem em critérios lógicos, técnicos e transparentes, em
    conhecimento e experiência, em vez de motivações puramente
    individuais e preconceitos arraigados.</p>
    <p>Nessa seara, destacamos o conceito da Segurança Pública Baseada
    em Evidências, uma concepção que defende que os programas de
    prevenção à violência devem ser formulados utilizando as melhores
    evidências científicas disponíveis acerca do que funciona e do que
    não funciona, reduzindo a influência de crenças, interesses e
    preconceitos, provocando uma melhoria substancial na efetividade, na
    eficiência e na legitimidade das políticas públicas voltadas a
    reduzir a violência (Kopittke; Ramos, 2021).</p>
    <p>A terminologia Segurança Pública é ampla e engloba diversos
    aspectos relacionados à redução da criminalidade, à proteção ao
    patrimônio e à vida, mas engloba também questões referentes a
    incêndios, desastres ambientais e defesa civil. A polícia
    frequentemente está associada às questões que envolvem segurança,
    violência e criminalidade. Temas como terrorismo, guerra contra as
    drogas, cibercriminalidade e corrupção impactam o cotidiano do
    cidadão. Daí, decorre uma pressão por resultados (Sousa, 2021).
    Dessa forma, este estudo foca, especificamente, nos estudos sobre
    polícia e policiamento.</p>
    <p>Trazemos assim, o conceito de “<italic>evidence based
    policing</italic>” ou policiamento baseado em evidências,
    apresentado em 1998 por Lawrence Sherman, criminologista e policial
    aposentado norte-americano, pesquisador das ciências policiais, que
    baseado nas ideias da medicina baseada em evidências trouxe sua
    ideia central de que a prática policial poderia se tornar mais
    eficaz se todos os seus elementos fossem testados por repetidos
    experimentos de campo controlados:</p>
    <p>Assim, podemos afirmar que o Policiamento Baseado em Evidências é
    o uso da melhor pesquisa disponível sobre os resultados do trabalho
    da polícia para implementar diretrizes e avaliar agências, unidades
    e funcionários. Falando em palavras mais simples: o Policiamento
    Baseado em Evidências usa pesquisa para orientar práticas e avaliar
    profissionais. Ele usa a melhor evidência para moldar as melhores
    práticas. É um esforço sistemático para analisar e codificar a
    experiência não sistemática como base para o trabalho policial,
    refinando-a através de testes sistemáticos contínuos de hipóteses.
    (Sherman, 1998, p. 4).</p>
    <p>O autor Lawrence Sherman é um expoente na área e versa que “A
    glória da Medicina é que ela está constantemente avançando, que
    sempre há algo a aprender&quot; (Sherman, 1998, p. 13). Nesse
    sentido, o pesquisador faz uma analogia em que a ciência médica está
    em constante evolução, deixando claro a necessidade de estar sempre
    realizando pesquisas para avançar no campo científico, trazendo
    melhorias para as políticas públicas e contribuições para a
    sociedade.</p>
    <p>O primeiro passo envolvido na adoção do policiamento baseado em
    evidências é reconhecer que há necessidade de maior conhecimento
    sobre a abordagem, sua filosofia e o que está tentando alcançar, e
    uma questão-chave que precisa ser levada em conta é uma abordagem
    estratégica para o comissionamento de pesquisas e a criação de
    evidências, juntamente com o desenvolvimento de um conhecimento
    cumulativo baseado no que funciona e no que não funciona (Den Heyer,
    2022). Considerando tal lacuna, propomos a seguinte pergunta de
    pesquisa: <italic>Quais os principais campos temáticos estudados
    sobre Policiamento Baseado em Evidências?</italic> Para alcançar
    esse objetivo, foi realizada uma análise das publicações
    internacionais e nacionais de revistas acadêmicas sobre o assunto,
    mapeando os principais e mais desenvolvidos temas estudados.</p>
    <p>Conhecer o que existe de concreto em um campo da ciência é um
    passo basilar para identificar lacunas e fortalecer campos ainda
    incipientes. Dessa forma, evidencia-se que é importante ter um
    panorama acerca do referido campo de pesquisa, para compreender como
    ele está evoluindo e quais são suas principais temáticas, podendo
    assim direcionar e concentrar esforços para as lacunas de pesquisa.
    O policiamento baseado em evidências é um campo de pesquisa que,
    conforme será demonstrado a seguir, já possui uma grande quantidade
    de estudos publicados, uma literatura considerável, e este estudo
    visa a compreender quais os principais temas estudados pelos
    pesquisadores da área. Especificamente no Brasil, ainda não
    identificamos um esforço da literatura, sendo um tema ainda pouco
    explorado no país.</p>
    <p>Este artigo está estruturado com: esta introdução, um referencial
    teórico sobre o tema estudado, a metodologia utilizada, resultados e
    discussões, as considerações finais e as referências bibliográficas
    utilizadas.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="referencial-teórico">
  <title>REFERENCIAL TEÓRICO</title>
  <disp-quote>
    <p>O Brasil é um país com índices de criminalidade elevados e um dos
    índices utilizados para mensuração da violência é a taxa de
    homicídios. Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade do
    Ministério da Saúde (SIM/MS), em 2019, houve 45.503 homicídios no
    Brasil, o que corresponde a uma taxa de 21,7 mortes por 100 mil
    habitantes (Ipea; FBSP, 2021). Por esse motivo, nas disputas
    eleitorais, um assunto que aparece e entra na discussão e na
    formulação da agenda são as políticas públicas de segurança, como a
    questão armamentista/desarmamentista, as políticas de prevenção e a
    redução da maioridade penal.</p>
    <p>Mesmo diante desse cenário complexo, até hoje, no Brasil, o
    direito à segurança não tem sido entendido no mesmo sentido que o
    direito à saúde, à educação ou ao saneamento, e esforços têm sido
    feitos para identificar alguns elementos necessários para a
    formulação de políticas de segurança pública e para a superação do
    padrão de intervenções reativas e fragmentárias até hoje
    predominantes no país (Lemgruber; Musumeci; Ramos, 2002). A forma de
    se fazer segurança pública varia conforme as demandas locais e o
    arranjo institucional existente. No Brasil, as instituições
    policiais e de justiça criminal não experimentaram reformas
    significativas nas suas estruturas no período recente (Schabbach,
    2014). Avanços eventuais na gestão policial e reformas na legislação
    penal têm se revelado insuficientes para reduzir a incidência da
    violência urbana, numa forte evidência da falta de coordenação e
    controle (Lima; Bueno; Mingardi, 2016).</p>
    <p>Segundo Ballesteros (2014), as políticas de segurança pública no
    Brasil têm sido, em regra, pensadas e implementadas de forma
    fragmentada e pouco planejada. Na retomada da ordem democrática, no
    fim dos anos 1980, diferentemente do que aconteceu com outros
    direitos respaldados e reformulados pela Constituição, o direito à
    segurança e à ordem, bem como a estrutura organizacional que deveria
    garanti-los, ficou restrito à listagem de algumas organizações
    policiais vinculadas ao capítulo “Da defesa do Estado e das
    instituições democráticas”, passando ao largo da característica
    cidadã atribuída às demais esferas da vida social brasileira que
    começava a se reconfigurar. No mesmo sentido, Madeira e Rodrigues
    (2015) defendem que na gestão das políticas públicas de segurança
    persiste a tensão entre visões punitivistas e cidadãs, e o Estado se
    mostra frágil na condução das políticas para além das necessidades
    imediatistas de se apresentar resultados às demandas da população.
    Dessa forma, a política de segurança cidadã, que conjuga ações de
    repressão qualificada e prevenção à violência, só tem sucesso se
    implementada com uma projeção de longo prazo, buscando resultados e
    impactos que não estejam atrelados ao calendário eleitoral.</p>
    <p>As instituições policiais são peça-chave quando se fala de uma
    mudança implementada para gerar resultados, possuindo papel central
    no combate à criminalidade e na segurança pública. Como instituições
    complexas capazes de acumular experiências, as estruturas policiais
    foram desenvolvendo uma cultura autônoma sob a pressão das
    circunstâncias especiais e bastante difíceis que acompanham o
    próprio trabalho de seus membros. Valores típicos passaram a ser
    compartilhados pelos policiais, oferecendo cada vez mais
    resistências consideráveis às intenções reformadoras (Rolim,
    2007).</p>
    <p>A formulação de políticas baseadas em evidências representa um
    esforço contemporâneo para reorientar os processos de políticas,
    priorizando a utilização de formas evidenciais de aconselhamento de
    políticas. A expectativa é que, por meio de um exame minucioso e
    atenção às análises empíricas existentes, os governos possam evitar
    falhas nas políticas ou aplicar novas técnicas ou novas informações
    para melhor resolver vários problemas de políticas (Howlett; Craft,
    2013).</p>
    <p>Conforme Gomes, Osborne e Guarnieri (2020), como uma organização
    pública, o governo local tem como objetivo principal fornecer
    serviços públicos à população local. As pessoas vivem nas cidades e
    são atendidas pelas autoridades locais, incluindo, aqui, as
    autoridades policiais que fazem seu trabalho cotidiano no seio da
    sociedade. Nesse sentido, o campo das decisões baseadas em
    evidências, aplicado à problemática da segurança pública, oferece
    uma oportunidade de inovar na forma de se fazer políticas de
    segurança e de policiar a sociedade a fim de gerar resultados mais
    satisfatórios.</p>
    <p>Os índices criminais elevados no Brasil, no ano de 2017,
    apontados no <italic>Anuário da Segurança Pública 2018</italic>
    (FBSP, 2018), fizeram com que as instituições de segurança pública,
    em especial as municipais, procurassem meios para melhor compreender
    a dinâmica dos crimes, tendo em vista que o policiamento baseado
    unicamente no modelo reativo não estaria sendo eficaz no controle e
    na redução de crimes e violências. Percebeu-se a importância do
    monitoramento de crimes e de sua distribuição no espaço – o que
    propiciaria uma análise de como determinados crimes se comportam no
    espaço e no tempo – e da possibilidade de identificar padrões de
    distribuição. Compreender essa dinâmica é um fator que se sobressai
    para uma ação direcionada ao problema (Aires; Collischonn,
    2021).</p>
    <p>A história do policiamento está repleta de programas de reforma
    que visam melhorar a eficácia, a eficiência e a legitimidade. O
    policiamento orientado para o problema e o policiamento baseado em
    evidências são dois esforços de reforma populares e duradouros, os
    quais geraram uma atenção significativa de pesquisadores e
    profissionais. Existem semelhanças importantes entre eles e ambas as
    abordagens fornecem uma estrutura destinada a melhorar os resultados
    do policiamento. Há também diferenças importantes, no entanto, em
    termos de seus principais objetivos, padrões de evidência e unidades
    de análise. Conforme Bullock <italic>et al.</italic>, (2022), a
    premissa básica do policiamento orientado ao problema é que a missão
    central do policiamento deve ser compreender e prevenir problemas,
    em vez de reagir a incidentes individuais à medida que estes
    ocorrem. Já a ênfase do policiamento baseado em evidências está na
    criação, montagem, divulgação e aplicação de provas sólidas de
    investigação para melhorar a eficácia, a eficiência e a legitimidade
    da polícia.</p>
    <p>Existem ainda algumas outras terminologias sobre o tema que
    tratam o mesmo assunto de forma semelhante, conforme Fideles (2021),
    que expõe subdivisões do policiamento de pessoas, tais quais o
    policiamento baseado em informações, que usa ciência, pesquisa e
    tecnologia para concentrar recursos em áreas “quentes”, horas
    “quentes” e criminosos selecionados, e o de polícia orientada para
    problemas, que visa à solução de problemas específicos.</p>
    <p>Essa abordagem é semelhante à apresentada por Sherman (1998), que
    versa que o policiamento baseado em evidências é muito útil para os
    três paradigmas de policiamento proativo, como o policiamento por
    ocorrência (Central de Emergências – 190), o policiamento
    comunitário e o policiamento orientado para o problema. O que o
    policiamento baseado em evidências acrescenta a esses paradigmas é
    um novo princípio para a tomada de decisão: evidências científicas.
    A maioria das práticas policiais, como a prática médica, ainda é
    moldada por costume local, opiniões, teorias e impressões
    subjetivas. O Policiamento Baseado em Evidências desafia esses
    princípios de tomada de decisão e cria um tipo de avaliação
    sistemática para proporcionar uma melhoria contínua da qualidade na
    consecução dos objetivos da política.</p>
    <p>O estudo de Kopittke e Ramos (2021) fez uma revisão sistemática
    sobre avaliações de impacto referentes às pesquisas na área de
    segurança pública, para filtrar evidências sobre o que realmente
    funciona para reduzir homicídios no Brasil, o que não funciona, e o
    que não gerou dados suficientes para gerar uma conclusão assertiva.
    O estudo conclui que, apesar de existentes e servirem para que o
    país possa construir políticas públicas eficientes para diminuir a
    violência, afastando visões baseadas em crenças, interesses,
    preconceitos ou populismo político, a produção de evidências
    científicas na área ainda permanece bastante atrasada no país.</p>
    <p>Nesse sentido, destacamos o esforço de criar sistemas e bancos de
    dados de segurança pública integrados através da criação da Política
    Nacional de Segurança Pública e Defesa Social e do Sistema Único da
    Segurança Pública (Brasil, 2018). O que se verifica na atualidade é
    uma fragmentação e uma falta de padronização no tratamento dos dados
    de segurança pública no Brasil, sendo que o Governo Federal, os
    estados, o Distrito Federal e os municípios não necessariamente têm
    bancos de dados compartilhados, e até mesmo dentro de uma entidade
    federada isso acontece entre os diversos órgãos. A falta de dados
    padronizados e integrados dificulta a produção de evidências e o
    consequente uso dessas na implementação das políticas de
    segurança.</p>
    <p>Alguns esforços para melhorias na segurança pública aliados às
    práticas aqui apresentadas podem ser apontados, como a proposição da
    parceria estratégica BID-BNDES Pacto Brasil Seguro, que tem como
    objetivo a constituição de estruturas consolidadas e eficazes para o
    combate ao crime e programas utilizando metodologias baseadas em
    evidências. Um dos eixos de atuação é justamente a qualificação do
    parque tecnológico das secretarias de segurança, com padronização de
    tecnologias, de modo a promover a utilização e a disseminação de
    ferramentas voltadas ao monitoramento criminal e à adoção de
    policiamento baseado em evidências (Barbosa <italic>et al.</italic>,
    2018).</p>
    <p>Conforme defende Lawrence Sherman (1998), o policiamento baseado
    em evidências busca uma melhoria contínua da qualidade e é uma
    ferramenta que auxilia na tomada de decisão por parte dos gestores
    policiais para um emprego mais eficiente e eficaz da polícia,
    através da análise dos efeitos das práticas policiais à luz da
    pesquisa; um dos pontos que merece atenção é a dificuldade de
    implementação dessa prática. Den Heyer (2022) defende que as
    principais barreiras para a adoção do policiamento baseado em
    evidências são a cultura e a gestão em um órgão policial. Segundo o
    autor, barreiras culturais para a reforma podem surgir por uma série
    de razões, contudo, muitas vezes são baseadas no controle e na
    disseminação de informações, e essa resistência surge principalmente
    porque a polícia vê seu papel como um ofício e que não precisa de
    pesquisas científicas para melhorar sua eficácia. No mesmo sentido,
    Skogan (2008) assumiu a posição de que as barreiras que impedem a
    mudança dentro das organizações policiais são por causa dos
    processos internos que a polícia usa e inclui a resistência dos
    supervisores e da gestão.</p>
    <p>O estudo de Kopittke (2019) afirma que existe uma dificuldade
    para que a concepção das decisões baseadas em evidências ingresse no
    Brasil, seja no pensamento universitário do país, seja dentro das
    instituições de segurança, dos organismos internacionais, da
    sociedade civil organizada que aborda o tema, e também do setor
    privado. O autor ainda cita que a ausência de experimentos é o
    símbolo de um atraso técnico do país e também de um atraso político,
    pois demonstra as dificuldades de se estabelecer parcerias entre
    diferentes setores sociais e institucionais para se pensar em
    soluções para o combate à violência.</p>
    <p>Podemos afirmar que é difícil mudar paradigmas, a forma de se
    realizar uma determinada tarefa, e até mesmo a cultura institucional
    de uma organização, seja no Brasil, seja em outros países. Skogan
    (2008) defende que, para promover reformas no policiamento, muita
    resistência era encontrada, baseado em pesquisa no Departamento de
    Polícia de Chicago, nos Estados Unidos, publicada em 2008. A reforma
    da polícia é arriscada e difícil, e os esforços para inovar no
    policiamento muitas vezes ficam aquém das expectativas, e as fontes
    de resistência à mudança no policiamento são, na maior parte das
    vezes, internas, incluindo oposição à reforma em praticamente todos
    os níveis da organização e até mesmo entre unidades especiais
    (Skogan, 2008).</p>
    <p>Mudar uma ideia intrínseca a um indivíduo é uma tarefa complexa,
    que por muitas vezes pode ser frustrante, sendo que, em certas
    ocasiões, a mudança pode aparentemente contrariar a lógica. Ariel,
    Sherman e Newton (2020) conduziram uma pesquisa nas plataformas do
    metrô de Londres, na Inglaterra, onde foi indicado que as patrulhas
    nas plataformas causam grandes reduções nas chamadas de serviço
    geradas por crimes e por cidadãos nessas áreas, que nunca haviam
    sido patrulhadas proativamente por policiais uniformizados. Foi
    gerado um efeito denominado pelos autores de Paradoxo do Metrô de
    Londres: o benefício total da prevenção ao crime das patrulhas
    policiais é maior quando elas estão ausentes do que quando estão
    presentes (Ariel; Sherman; Newton, 2020).</p>
    <p>O estudo conduzido pelo Ipea (2020) aponta que vários autores
    versam sobre a dificuldade para incluir evidências científicas como
    um elemento relevante na formulação de intervenções, ao observarem
    que as decisões são mais orientadas pelos apelos morais e pelas
    normas culturais do que por evidências no campo da “guerra às
    drogas”. A formulação de alternativas de solução se desenvolve por
    meio de escrutínios formais ou informais da consequência do problema
    e dos potenciais custos e benefícios de cada alternativa disponível
    (Secchi, 2013). Entende-se que uma mudança de paradigma da segurança
    pública não seria compatível com boa parte dos valores e métodos de
    trabalho existentes nas corporações policiais. A inovação nesta área
    é, ao mesmo tempo, extremamente complexa, o que significa
    dificuldades na explicação e na aplicação de projetos alternativos
    (Rolim, 2007). Vislumbra-se que a mudança de pensamento dos
    policiais e das instituições policiais é um passo basilar para o
    avanço das práticas de policiamento baseado em evidências. Nesse
    sentido, traçamos neste artigo como objetivo compreender a produção
    científica sobre o tema, identificando os principais campos de
    pesquisa já publicados na área.</p>
    <p>Na próxima seção, adentraremos na parte metodológica de como foi
    realizada esta pesquisa, explicando detalhadamente a utilização do
    <italic>software</italic> VOSViewer, que foi escolhido para auxiliar
    nesta revisão bibliométrica.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="método">
  <title>MÉTODO</title>
  <disp-quote>
    <p>A análise bibliométrica é um método que permite explorar e
    analisar com rigor grandes volumes de dados científicos. Ela permite
    desvendar as nuances evolutivas de um campo específico, enquanto
    lança luz sobre as áreas emergentes no campo estudado (Donthu
    <italic>et al.</italic>, 2021). Trata-se de uma análise de dados de
    tipo quantitativo, amplamente utilizada para resumir os resultados
    mais representativos de um conjunto de documentos bibliográficos,
    sendo utilizada para as mais variadas áreas do conhecimento
    (Martínez-López <italic>et al.</italic>, 2018). A presente revisão
    bibliométrica foi feita utilizando o <italic>software</italic>
    VOSviewer, sendo escolhido pelos autores porque usa de procedimentos
    de escalonamento multidimensional para extrair termos científicos de
    resumos, títulos e palavras-chave de artigos, realizando
    agrupamentos entre eles; e ao contrário da maioria dos programas de
    computador que são usados para mapeamento bibliométrico, o VOSviewer
    dá atenção especial à representação gráfica de mapas bibliométricos.
    A funcionalidade do VOSviewer é especialmente útil para exibir
    grandes mapas bibliométricos de maneira fácil de interpretar (Van
    Eck; Waltman, 2010).</p>
    <p>A base de dados escolhida para realizar a análise foi a Scopus,
    pertencente ao grupo editorial Elsevier, que está entre os maiores
    indexadores de conteúdo científico disponíveis no mundo. O critério
    de busca foi direcionado para ocorrência no título, no resumo e nas
    palavras-chave das palavras “<italic>police</italic>” ou
    “<italic>policing</italic>”, e “<italic>evidence</italic>
    <italic>based</italic>”, aparecendo inicialmente o número de 846
    (oitocentos e quarenta e seis) trabalhos científicos. No entanto,
    diversas ocorrências relacionadas à área da Medicina apareceram nos
    resultados, então foi acrescentado o filtro de AND NOT e a palavra
    “<italic>medicine</italic>”, a fim de retirar a ocorrência dessa
    palavra dos resultados, gerando um total de 720 (setecentos e vinte)
    trabalhos publicados.</p>
    <p>A próxima etapa realizada foi analisar a coocorrência das
    palavras-chave incluídas pelos autores das pesquisas, também chamada
    de análise de copalavras, a fim de verificar quais são as principais
    temáticas abordadas pelos estudiosos sobre policiamento baseado em
    evidências. A análise de copalavras é uma técnica que examina o
    conteúdo real da publicação em si. As palavras em uma análise de
    copalavras são frequentemente derivadas de “palavras-chave do
    autor”, e pressupõe que as palavras que aparecem frequentemente
    juntas têm uma relação temática entre si (Donthu <italic>et
    al.</italic>, 2021).</p>
    <p>Conforme Martínez-Lopez <italic>et al.</italic> (2018), métodos
    bibliométricos são muito úteis para fornecer uma visão geral de
    algum campo de pesquisa, identificando as principais tendências em
    termos de publicações, citações, autores, palavras-chave e
    instituições. Dessa forma, esta pesquisa apresenta, através da
    análise de coocorrência de palavras-chave, como estão sendo
    desenvolvidos os estudos e quais os principais temas abordados sobre
    policiamento baseado em evidências. A extração dos artigos foi
    realizada no mês de janeiro de 2023.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="resultados-e-discussão">
  <title>RESULTADOS E DISCUSSÃO</title>
  <disp-quote>
    <p>Sherman (2020) afirma que a pesquisa baseada em evidências
    desempenha um papel importante no policiamento, porque é capaz de
    distinguir o que funcionará no policiamento. A conscientização das
    práticas e pesquisas baseadas em evidências no policiamento remonta
    a uma palestra que Sherman deu à Police Foundation, em 1998, onde
    afirmou que “as práticas policiais devem ser baseadas em evidências
    científicas sobre o que funciona melhor” (SHERMAN, 1998, p. 2), e
    também foi afirmado que o aumento do interesse pelo conceito atingiu
    tal nível que “abundam exemplos do crescimento do policiamento
    baseado em evidências” (Den Heyer, 2022, p. 1). Conforme vemos na
    Figura 1, abaixo, o crescimento de estudos sobre o tema vem se
    ampliando ano após ano.</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Figura 1: Artigos publicados por ano sobre policiamento
  baseado em evidências</bold></p>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image1.png" />
  <p>Fonte: Adaptado pelo autor, a partir de dados do SCOPUS (2023).</p>
  <disp-quote>
    <p>Com essa crescente corrente de estudos sobre o tema aqui
    trabalhado, a opção para fazer a revisão da literatura foi a análise
    bibliométrica, por se tratar de um grande volume de trabalhos
    científicos publicados e para auxiliar no objetivo deste estudo,
    pois a bibliometria é utilizada por estudiosos por uma variedade de
    razões, como descobrir tendências emergentes no desempenho de
    artigos e revistas, verificar padrões de colaboração e componentes
    de pesquisa, e explorar a estrutura intelectual de um domínio
    específico na literatura existente (Donthu <italic>et al.</italic>,
    2021).</p>
    <p>Realizar um mapeamento científico, ou mapeamento bibliométrico,
    indica procurar descrever como domínios científicos ou campos de
    estudos de pesquisa são cientificamente, intelectualmente e
    socialmente estruturados (Cobo <italic>et al.</italic>, 2011). Fica
    evidenciado nesta pesquisa que 65 (sessenta e cinco) países possuem
    ao menos uma publicação sobre o tema. Podemos ainda evidenciar em
    quais países a pesquisa sobre o tema está mais em foco. Vejamos a
    Figura 2:</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Figura 2: Artigos publicados por país sobre policiamento
  baseado em evidências (2001-2023)</bold></p>
  <p><named-content content-type="chart">[CHART]</named-content></p>
  <p>Fonte: Adaptado pelo autor a partir de dados do SCOPUS (2023).</p>
  <disp-quote>
    <p>Visualizamos claramente uma predominância dos estudos científicos
    publicados sobre o tema nos Estados Unidos e no Reino Unido,
    acompanhados da Austrália e do Canadá. Vislumbramos, também, que
    apesar do cenário complexo, no que tange à segurança pública já
    mencionado neste estudo, o Brasil não figura sequer entre os 10
    (dez) primeiros países que mais pesquisam sobre policiamento baseado
    em evidências, possuindo apenas 8 (oito) publicações sobre o tema.
    Sherman (1998) defende que a questão empírica para a pesquisa
    baseada em evidências é: qual tipo de prática funciona melhor para
    mudar as práticas atuais? Notamos que o incremento de pesquisas
    nesse campo pode ser um fator auxiliar para mudar o cenário e
    propulsionar a segurança pública no Brasil.</p>
    <p>O Brasil possui publicações sobre o tema, apesar de não ser um
    expoente na condução de pesquisas sobre esse assunto. Entre os
    trabalhos publicados, podemos extrair dados que abordam aspectos
    específicos da regionalidade cultural e da cultura organizacional
    policial no país. Entre estas especificidades, Lima <italic>et
    al.</italic> (2022) defendem que as ciências policiais não deveriam
    ser confundidas com todo e qualquer conhecimento policial, e não são
    apresentadas como algo já estabelecido, mas como projeto a construir
    e modificar a concepção de policiamento, “do policiamento do modelo
    do homem de armas para o modelo do profissional treinado, cujo
    treinamento apresenta algum relacionamento com o conhecimento
    científico” (Lima <italic>et al.</italic>, 2022, p. 9).</p>
    <p>Corroborando os dados aqui apresentados, autores brasileiros
    afirmam que as aplicações de policiamento baseado em evidências,
    políticas baseadas em dados e estratégias orientadas para a
    comunidade para reduzir o crime têm sido realizadas até agora
    principalmente nos Estados Unidos e em outras cidades
    industrializadas do Ocidente, mas também podem encontrar terreno
    fértil na América Latina (Dantas; Favarin, 2021).</p>
    <p>Adentrando a análise bibliométrica realizada, inicialmente, no
    <italic>software</italic> VOSViewer, foi feita uma análise dos 720
    (setecentos e vinte) artigos selecionados, sem fazer qualquer tipo
    de intervenção nos resultados, considerando todas as palavras, a fim
    de visualizar um panorama geral. Essa abordagem resultou um total de
    1.354 (um mil trezentos e cinquenta e quatro) palavras-chave e 63
    (sessenta e três) <italic>clusters</italic>. Posteriormente, foi
    adicionado um filtro para restringir somente às palavras-chave com 5
    (cinco) ou mais citações, resultando em 48 (quarenta e oito)
    palavras.</p>
    <p>Ao final dessas intervenções nos critérios de análise, obtendo
    somente palavras-chave com cinco citações ou mais, os resultados
    agruparam-se em 6 (seis) <italic>clusters</italic> ou grupos,
    conforme visto na Figura 3, abaixo:</p>
  </disp-quote>
  <p><bold>Figura 3: Análise de <italic>cluster</italic> por
  coocorrência</bold></p>
  <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="media/image2.png" />
  <p>Fonte: Elaborado pelo autor através do <italic>software</italic>
  VOSViewer (2023).</p>
  <disp-quote>
    <p>A visualização gráfica proporcionada pelo
    <italic>software</italic> VOSViewer facilita a compreensão de como
    os temas estudados se correlacionam, mostrando quais os tipos de
    pesquisa são mais relacionadas e quais não se relacionam. Podemos
    verificar na Figura 3, acima, que cada um dos 6 (seis)
    <italic>clusters</italic> ou grupos possuem cores diferentes, e como
    eles estão relacionados através das linhas de ligação que possuem a
    mesma cor do <italic>cluster</italic> a que pertencem.</p>
    <p>No <italic>cluster</italic> número 1, em vermelho e centralizado,
    há especial destaque para a palavra-chave <italic>policing</italic>
    (policiamento), aparecendo com maior número de ocorrências, em
    conjunto com: prática baseada em evidência, violência doméstica,
    violência por parceiro íntimo, avaliação de risco, sistema de
    justiça criminal, abuso sexual de crianças, investigação, decisão
    policial e reforma. Infere-se que é um grupo voltado para estudos
    sobre policiamento com foco nos crimes de violência doméstica e
    violência familiar, como lesão corporal entre familiares, abuso
    sexual e abuso infantil.</p>
    <p>Em seguida, no <italic>cluster</italic> número 2, em verde e
    agrupado à esquerda, aparecem com maior número, em destaque, a
    política pública baseada em evidência, seguida por: avaliação,
    violência, prevenção, crime, entrevista investigativa, álcool,
    intervenção e Austrália. Nota-se que este grupo praticamente não se
    relaciona com outros, denotando um tipo específico de pesquisas.
    Podemos dizer que se refere a um grupo relacionado a políticas
    públicas baseadas em evidências e sua implementação. Podemos ainda
    inferir que tais políticas são destinadas a evitar crimes cometidos
    pelo uso e/ou abuso de álcool, e que pode ser um problema público
    presente na Austrália.</p>
    <p>No <italic>cluster</italic> número 3, em azul escuro e agrupado
    na parte inferior da figura, destaca-se a aplicação da lei, seguida
    por: saúde pública, saúde mental, redução de danos, HIV, políticas
    públicas, justiça criminal, uso de drogas injetáveis e Canadá. Assim
    como o grupo número 2, aqui também não se vislumbra uma
    intercomunicação com outros grupos. Percebe-se que a pesquisa aqui é
    direcionada para aplicação da lei envolvendo a saúde pública, como o
    uso de drogas e as doenças sexualmente transmissíveis. Pode-se
    inferir também que a aparição de políticas públicas e redução de
    danos envolve avaliações de impacto sobre a implementação de medidas
    para combater esses problemas. A ocorrência da palavra Canadá neste
    grupo sugere que são problemas enfrentados naquele país.</p>
    <p>No <italic>cluster</italic> número 4, em amarelo e agrupado na
    parte à direita da figura, a palavra-chave <italic>police</italic>
    (polícia) aparece bem destacada, mais ao centro da figura, seguida
    por: treinamento, treinamento policial, justiça processual, trauma,
    uso de força, câmeras corporais, estresse e transtorno de estresse
    pós-traumático. Nota-se que é um grupo voltado para pesquisas
    direcionada aos sistemas policiais e aborda temas centrais no
    cotidiano policial, como treinamento, uso de força policial, uso de
    câmeras corporais, bem como problemas de saúde comuns à profissão,
    como estresse e estresse pós-traumático. A aparição de justiça
    processual neste grupo sugere que está relacionado às questões da
    vigilância policial por câmeras corporais e ao uso da força
    policial, podendo ser um fator para a aparição de doenças mentais
    comuns à classe policial.</p>
    <p>No <italic>Cluster</italic> número 5, em roxo e ao centro e à
    esquerda da figura, destaca-se a palavra-chave
    <italic>evidence-based policing</italic> (policiamento baseado em
    evidências), acompanhada de: prevenção criminal, legitimidade
    policial, pontos quentes, policiamento de pontos quentes, redução
    criminal e Covid-19. O posicionamento deste <italic>cluster</italic>
    sugere que está relacionado aos outros grupos. A figura mostra que o
    grupo é relacionado às práticas das decisões baseadas em evidências,
    abordando temas como legitimidade policial para agir, policiamento
    direcionado a pontos quentes, e policiamento baseado em evidências
    buscando a redução e a prevenção criminal. A ocorrência da palavra
    Covid-19 sugere que de alguma forma a doença teve impacto nesses
    estudos.</p>
    <p>E por último, o <italic>cluster</italic> número 6, em azul claro
    e na parte de cima da figura, traz as palavras-chave pesquisa e
    receptividade à pesquisa. Este grupo demonstra que o tema possui
    espaço no campo acadêmico para pesquisas futuras.</p>
    <p>A análise dos <italic>clusters</italic> nos permite perceber que
    existem cinco tendências centrais para as publicações em
    Policiamento Baseado em Evidências. O sexto <italic>cluster</italic>
    é referente à receptividade para pesquisa que o tema possui, não
    acrescentando um campo temático propriamente dito a ser pesquisado.
    As duas principais tendências de pesquisa são os
    <italic>cluster</italic> de número 1 e de número 5, que abordam,
    respectivamente, a questão do policiamento voltado para a violência
    doméstica e abuso (sexual) familiar e o policiamento baseado em
    evidências em si, buscando a redução e a prevenção criminal através
    de direcionamento policial devidamente embasado por evidências.</p>
    <p>É possível auferir tal conclusão através do posicionamento dos
    <italic>clusters</italic>, centralizados, envoltos e conectados
    pelos outros grupos. Verificamos que as temáticas sobre a violência
    provocada pelo uso de álcool, que gera a implementação de políticas
    públicas baseadas em evidências voltadas para esse problema; a
    criminalidade que envolve o uso de drogas, doenças sexualmente
    transmissíveis e a conexão da aplicação da lei com a saúde pública;
    e o enfoque policial, com treinamento, uso de força, câmeras
    corporais e as doenças da profissão, como estresse e transtorno
    pós-traumático, são todas temáticas satélites, que circundam as
    principais temáticas estudadas.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="considerações-finais">
  <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
  <disp-quote>
    <p>O objetivo deste trabalho foi apresentar quais os principais
    campos temáticos estudados sobre policiamento baseado em evidências.
    Através de uma análise bibliométrica, cinco principais campos
    temáticos sobre o tema foram identificados, sendo eles: policiamento
    baseado em evidências e <italic>hot spots</italic> para prevenção e
    redução criminal; policiamento para prevenção da violência doméstica
    e abuso sexual familiar; implementação de políticas públicas
    baseadas em evidências para prevenção de violência causada pelo uso
    de álcool; aplicação da lei para problemas de saúde pública, como o
    uso de drogas e doenças sexualmente transmissíveis; e, por fim,
    estudo da polícia e dos policiais, seu treinamento, uso de força e
    as doenças da profissão. A revisão bibliométrica não se propõe a
    explorar o conteúdo do que foi produzido e muito menos realizar uma
    análise crítica sobre a produção acadêmica existente. O que ela se
    propõe é identificar tendências gerais de crescimento do interesse
    acadêmico em um determinado campo, quais países e regiões mais
    produzem sobre o assunto, e observar como os temas, contidos nas
    palavras-chave dos artigos, se interconectam entre si.</p>
    <p>Tendo este resultado como base, percebemos duas lacunas sobre os
    esforços acadêmicos em pesquisa na área, sendo, a primeira, a falta
    de estudos em policiamento baseado em evidências voltados para a
    prevenção de crimes contra a vida, como homicídio e latrocínio, e
    também os crimes contra o patrimônio, como roubo e furto. A segunda
    lacuna é a falta de implementação das tecnologias e inovações para
    gerar um número maior de evidências que podem basilar os tomadores
    de decisão em seus atos. O único aparato tecnológico que surgiu nos
    resultados foram as câmeras corporais policiais.</p>
    <p>Vislumbramos exemplos de medidas inicialmente controversas que,
    aplicadas com base no policiamento baseado em evidência, geraram
    frutos positivos, todavia, deve-se levar em conta os aspectos
    regionais, culturais, as legislações e outros fatores que têm
    impacto direto na criminalidade de um país ou uma região. Daí, surge
    a necessidade da pesquisa regionalizada, acompanhada e avaliada
    através de sua implementação para, dessa maneira, não correr o risco
    de continuar testando políticas públicas que foram malsucedidas em
    outros lugares. As avaliações de impacto podem e devem influenciar
    políticas públicas, ao fornecer uma base sólida de evidências que
    direcione os recursos para intervenções efetivas e comprovadas
    (Gertler <italic>et al.</italic>, 2018).</p>
    <p>No Brasil, a temática ganha contornos ainda mais interessantes.
    De certo que os dados da segurança pública no Brasil não seguem um
    rigor metodológico entre as mais diversas instâncias, órgãos e
    entidades federativas e por isso a tarefa de produzir evidências
    científicas na área torna-se complicada. Um exemplo disso é a
    utilização do DATASUS, um índice do Sistema Único de Saúde para
    publicações oficiais sobre dados de homicídios (FBSP, 2021). O
    Sistema Único de Segurança Pública – Susp, criado em 2018, tem o
    desafio de solucionar esse problema, a fim de propiciar ao Estado e
    à sociedade brasileira dados robustos, íntegros, confiáveis e
    interoperáveis, voltados ao campo da segurança pública. A partir
    disso, conhecimento científico poderá ser gerado com vistas a melhor
    informar operadores de política.</p>
    <p>A promessa do policiamento baseado em evidências é reduzir os
    danos com melhores pesquisas para direcionar, testar e rastrear as
    ações policiais (Sherman, 2020). Por esse ponto de vista, denota-se
    a importância do fomento à pesquisa no Brasil sobre o policiamento
    baseado em evidências; conforme Kopittke (2019), a defesa do
    pensamento científico e da construção de políticas públicas baseadas
    em evidências é uma tarefa da mais alta relevância para a própria
    defesa do Estado Democrático de Direito, e que ainda possui muitas
    dificuldades para se consolidar em toda a América Latina,
    especialmente no Brasil.</p>
  </disp-quote>
</sec>
<sec id="referências-bibliográficas">
  <title>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</title>
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  art. 144 da Constituição Federal; cria a Política Nacional de
  Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS); institui o Sistema Único
  de Segurança Pública (Susp); altera a Lei Complementar Nº 79, de 7 de
  janeiro de 1994, a Lei Nº 10.201, de 14 de fevereiro de 2001, e a Lei
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