"Segurança é um dever de todos"

representações coletivas e as políticas de segurança pós-pacificação no Rio de Janeiro

  • Clara Gomes Polycarpo Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Camadas Médias, Políticas de Segurança, Redes de Mercado, Políticas Públicas, Rio de Janeiro

Resumo

Este artigo pretende abordar uma das preocupações mais latentes da sociedade carioca atual: a questão da violência urbana e o “problema da segurança pública”. A noção de violência urbana, aqui, não diz respeito, porém, a eventos violentos isolados ou ao percentual de atos criminosos em determinadas camadas da sociedade e/ou regiões da cidade, mas sim à sua articulação com a ordem social, como referência de modelos de conduta construídos simbolicamente no convívio social cotidiano. No contexto atual de agenda da política de segurança pública, por exemplo, após uma década de atuação, a lógica do modelo de pacificação, implementado na cidade do Rio de Janeiro desde 2008, e todo o aparato de dispositivos, técnicas e discursos que o legitimou, passa a sofrer desmantelamentos, abrindo espaço para novos problemas de segurança e novos reordenamentos de políticas em disputa na cidade. Para tanto, analisa-se a organização das camadas médias da zona sul do Rio de Janeiro em relação às suas redes de programas, projetos e políticas de segurança no período atual, a partir do acompanhamento dos Conselhos Comunitários de Segurança, e as representações coletivas a respeito da violência urbana e das políticas de segurança em suas redes de mercado e interesses em um novo projeto de militarização (e securitização) da cidade.

Biografia do Autor

Clara Gomes Polycarpo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro
É doutoranda em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ), mestra em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (PPGS/UFF) e formada em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente, é pesquisadora no Grupo CASA - estudos sociais sobre moradia e cidade, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), e no projeto de pesquisa Dicionário de Favelas Marielle Franco, financiado pelo CNPq e pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz-RJ).
Publicado
2019-09-20