Formação internacional, comunidades de saberes e mudança institucional: os oficiais de polícia africanos formados em Lisboa

  • Susana Durão
  • Daniel Seabra Lopes
Palavras-chave: Policiamento. Formação de polícias. Oficiais africanos. Cooperação. Comunidades de saber.

Resumo

O presente ensaio procura delinear uma alternativa interpretativa a críticas fatalistas sobre o Estado e o policiamento contemporâneo pós-colonial em países africanos. Partiu-se de uma pesquisa realizada com alunos cooperantes em formação e oficiais de polícia africanos formados em Portugal, especificamente no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI). Defende-se a ideia de que discursos normativos e reformistas tendem a ser proferidos por alunos e ex-alunos que obtêm uma formação superior de longa duração que os agrega em comunidades de saber. Os efeitos práticos desta formação individual na condução do policiamento local não são de forma alguma evidentes. Porém, o que a pesquisa indica é que a abertura de avenidas de possibilidades intermédias na mudança de leis, políticas e técnicas policiais não deve ser desprezada.

Biografia do Autor

Susana Durão
Doutora em Antropologia pelo ISCTE-IUL, foi bolsista de pós-doutoramento no Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro. É professora associada do Departamento de Antropologia Social do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP e pesquisadora associada ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Coordena o projeto Circulações de Oficiais de Polícia em Portugal, África Lusófona e Brasil - COPP-LAB.
Daniel Seabra Lopes
Doutorado em Antropologia Cultural e Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é investigador e membro da direção do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa.