Uma anomalia comum

a fronteira entre defesa e segurança pública na Colômbia e o circuito hemisférico de saberes militares

  • Manuela Trindade Viana Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Palavras-chave: Defesa, Segurança pública, Colômbia, Transnacional, Contrainsurgência

Resumo

Neste artigo, exploro a fronteira que tradicionalmente separa “defesa” de “segurança pública”, confrontando as premissas que dão sustentação a essa diferenciação. Para tal, tomo como ponto de partida o caso da Colômbia, frequentemente considerada uma anomalia no que diz respeito à referida fronteira. Primeiramente, discuto como a contrainsurgência foi alçada a uma posição privilegiada na doutrina militar colombiana na segunda metade do século XX. Em seguida, inscrevo a dinâmica envolvendo Estados Unidos e Colômbia em um escopo mais amplo de circulação de saberes militares: as Américas. Com isso, mostro que, para compreender como os limites espaciais e funcionais da defesa vieram a ser historicamente constituídos na Colômbia, é preciso rastrear as pegadas transnacionais que vieram a constituir práticas de defesa nesse país. Assim, sustento que uma perspectiva focada na circulação de saberes militares revela não apenas que os domínios da segurança pública e da defesa são indissociáveis entre si, mas também transnacionalmente constituídos. Por fim, analiso as principais implicações teórico-conceituais dessa abordagem para as premissas subjacentes à afirmação de uma fronteira entre defesa e segurança pública – as mesmas que levam ao enquadramento da Colômbia como uma anomalia.

Biografia do Autor

Manuela Trindade Viana, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Professora no Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), no qual ela também coordena o Programa de Graduação em Relações Internacionais. Possui doutorado em Política Internacional (2017) pelo IRI da PUC-Rio. Manuela é também research fellow do Centre for Military Studies (CEMIS), Stellenbosch, África do Sul. Este artigo resulta de uma pesquisa parcialmente financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Brasil (Código de Financiamento 001).
Publicado
2020-06-11
Seção
Dossiê Forças Armadas e Segurança Pública na América Latina