A violência no campo: representações sociais de futuros professores campesinos

Autores

  • Luiz Paulo Ribeiro Universidade Federal de Minas Gerais
  • Maria Isabel Antunes-Rocha Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.31060/rbsp.2018.v12.n2.950

Palavras-chave:

Violência nas escolas

Resumo

O presente trabalho analisa as representações sociais sobre a violência de educandos do curso de Licenciatura em Educação do Campo de uma instituição pública do estado de Minas Gerais. Para tanto foram realizadas 17 entrevistas com alunos desta formação que apresentam vinculação com o campo. Uma análise de conteúdo conjugada com análise léxica com o software IRAMUTEQ ® revelou cinco classes de conteúdo representacional, cada uma delas ligada à um aspecto descritivo ou interventivo sobre a violência no campo. A representação social sobre a violência para o grupo de educandos se organiza em torno da descrição/vivência e da intervenção/ação coletiva que reproduz as tensões entre agronegócio e agricultura e entre os movimentos sociais do campo e latifundiários. Foi possível verificar que trata-se de uma representação social complexa já que envolve outras representações, que ao ancorar em discursos de resistência ou assistencialismo podem representar um avanço ou retrocesso no que diz respeito à Educação do Campo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luiz Paulo Ribeiro, Universidade Federal de Minas Gerais

Psicólogo, Doutor em Educação: Conhecimento e Inclusão Social (UFMG), realizou residência de pós-doutoramento com pesquisa sobre identidade e representações sociais.  É professor adjunto no Departamento de Ciências Aplicadas à Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.

Maria Isabel Antunes-Rocha, Universidade Federal de Minas Gerais

Psicóloga, Doutora em Educação (UFMG), realizou pós-doutoramento na UNESP. É professora associada no Departamento de Ciências Aplicadas à Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.

Referências

ANDRADES, T. O. ; GAMINI, R. N.Revolução verde e a apropriação capitalista. Revista CES, 2007, p.43-56.

ANTUNES ROCHA, M. I.. Formação de educadores e educadoras da Reforma Agrária no contexto do PRONERA: uma leitura a partir de práticas. In.:SANTOS, C. A.;MOLINA, M. C.; JESUS, S. S., Memória e história do Pronera: contribuições para a educação do campo no Brasil. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário. 2010, p.121-137.

ANTUNES ROCHA, M. I.. Da cor da terra: representações sociais de professores sobre alunos no contexto de luta pela terra. Belo Horizonte: Ed. UFMG. 2012.ARENDT, H.. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2009.

BIRMAN, J.. Cadernos sobre o mal: agressividade, violência e crueldade. Rio de Janeiro: Record, 2009. CAMARGO, B.; JUSTO, A.. Tutorial para uso do software de análise textual IRaMuTeQ. Florianópolis: Laboratório de Psicologia Social da Comunicação e Cognição (LACCOS) – UFSC, 2013.

DADOUN, R.. A violência: ensaio acerca do "homo violens". Rio de Janeiro: Difel, 1998.DIAS, A. C.;DIAS, G. L.; CHAMON, E. Q. Representação social da educação do campo para professores em formação. Psicologia e Sociedade, 2,2016, p. 267-277. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1807-03102016v28n2p267

FERNANDES, B. M.. Movimentos socioterritoriais e movimentos socioespaciais: contribuição teórica para uma leitura geográfica dos movimentos sociais. Revista NERA, 6, 2005.

FERNANDES, B. M.. Territórios da Educação do Campo. In.:ANTUNES ROCHA, M. I.; MARTINS, M. ; MARTINS, A. Territórios educativos na Educação do Campo: escola, comunidade e movimentos sociais. Belo Horizonte: Autêntica, 2012, p.15-20.

FLORES, R. Z.. A biologia na violência. Ciência e Saúde Coletiva, 7(1), 2002, p. 197-202.

JODELET, D.. O movimento de retorno ao sujeito e a abordagem das representações sociais. Sociedade e Estado, 24(3),2009, p. 679-712.

JODELET, D.. Représentation sociale: phénomènes, concept et théorie. In.: Moscovici, S..Psychologie Sociale (3éme edition ed., pp. 363-384). Paris: Presses Universitaires de France, 2014, p.363-384.

MARTÍN BARÓ, I.. Desafios e perpectivas da Psicologia Latino Americana. In.:GUZZO, R.; LACERDA JR, F., Psicologia Social para a América Latina: o resgate da psicologia da libertação. Campinas/SP: Alínea, 2011, p.199-219.

MARTINS, J. D.. Caminhada no chão da noite: emancipação política e libertação nos movimentos sociais do campo. São Paulo: Hucitec, 1989.

MARTUCCELLI, D.. Reflexões sobre a violência na condição moderna. Tempo Social: revista de sociologia USP, 1, pp. 157-175, 1999.

MENEZES NETO, A. J.. Além da terra: cooperativismo e trabalho na educação do MST.Rio de Janeiro: Quartet, 2003.

MOLINA, M. C.. Educação do Campo e o enfrentamento das tendências das atuais políticas públicas. Educação em Perspectiva, 6(2), pp. 378-400, 2015.

MOLINA, M. C.; FERNANDES, B. M.. O campo da educação do campo. In.: MOLINA, M. C.; JESUS, S..Por uma Educação do Campo. Brasília: Articulação Nacional "Por uma Educação do Campo", 2005.

MOLINER, P.. La dynamique des représentations sociales. Grenoble: Presses Universitaires de Grenoble, 2001.

MOLINER, P. ; DESCHAMPS, J.C. A identidade em psicologia social: dos processos identitários às representações sociais. Petrópolis/RJ: Vozes, 2014.

MOSCOVICI, S.. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis/RJ: Vozes, 2003.

MOSCOVICI, S.. A psicanálise, sua imagem e o seu público. Petrópolis/RJ: Vozes, 2012.

RIBEIRO, Luiz Paulo. O campo, a violência e a educação do campo: representações sociais sobre a violência de educandos do curso de licenciatura em Educação do Campo. Rio de Janeiro: Gramma, 2017.

STEDILE, João Pedro (Coord.). A questão agrária no Brasil: o debate tradicional — 1500-1960. 2ed. São Paulo: Ed. Expressão Popular, 2011.

SAUER, S. Conflitos agrários no Brasil: a construção da identidade social contra a violência. In.: BUAINAIN A. M., Luta pela terra, reforma agrária e gestão de conflitos no Brasil: agricultura, instituições e desenvolvimento sustentável. Campinas/SP: Editora Unicamp. 2008. P.231-265.

SOREL, G.. Reflexões sobre a violência. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

STARLING, H. M.; BRAGA, P. Sentimentos da Terra: imaginação de reforma agrária, imaginação de república. Belo Horizonte: Editora PROEX, 2013.

TAFANI, É. ;BELLON, S. Études expérimentales de la dynamique des représentations sociales. Em J. C. Abric, Méthodes d'étude des représentations sociales. Toulouse: ERES. 2005, p. 255-277.

TOLENTINO, Thiago Lenine Tito. Margens da marcha para o oeste: luta pela terra em Trombas e Formoso, Porecatu e Sudoeste do Paraná. In.: STARLING, H.M.M.; BRAGA, O.C. (Orgs). Sentimentos da Terra: imaginação de reorma agrária, imaginação de república. Belo Horizonte: Editora PROEX, 2013a, p. 99-115.

TOLENTINO, Thiago Lenine Tito. Repressão e Violência no Campo: do golpe civil militar à nova república. In.: STARLING, H.M.M.; BRAGA, O.C. (Orgs). Sentimentos da Terra: imaginação de reforma agrária, imaginação de república. Belo Horizonte: Editora PROEX, 2013b, p. 159-169.

VAN NIEKERK, T.;BOONZAIER, F. A.. “You're on the floor, I'm the roof and I will cover you": social representations of intimate partner violence in two Cape Town communities. Papers on Social Representations, 24, 2015, p.5.1-5.28.

VANDENBOS, G. R.. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre: Artmed. 2010.

Downloads

Publicado

23-04-2019

Como Citar

RIBEIRO, Luiz Paulo; ANTUNES-ROCHA, Maria Isabel. A violência no campo: representações sociais de futuros professores campesinos. Revista Brasileira de Segurança Pública, [S. l.], v. 12, n. 2, p. 230–249, 2019. DOI: 10.31060/rbsp.2018.v12.n2.950. Disponível em: https://revista.forumseguranca.org.br/index.php/rbsp/article/view/950. Acesso em: 22 jul. 2024.

Edição

Seção

Dossiê: Violência em contexto escolar e escola em contexto violento