ESTIGMA TRIPLO

Mulheres que injetam substâncias psicoativas ilegais em Mexicali, México

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31060/rbsp.2026.v20.n1.2122

Palavras-chave:

Mexicali, Estigma Mulheres , Uso de substâncias psicoativas

Resumo

Os estigmas que afetam as mulheres que usam substâncias psicoativas ilegais (IPS) na fronteira noroeste do México são analisados com base em 30 entrevistas realizadas na cidade de Mexicali. Quando se observa o uso de múltiplas drogas e diferentes vias de administração, a heroína e a indução são os padrões de uso mais julgados socialmente pelos familiares, serviços de saúde e outros usuários de IPS. As participantes sofrem um triplo estigma por serem mulheres (papel de género), usuárias (ilegalidade) e injetarem principalmente heroína (estilo de consumo). Isso pode ser uma barreira para o acesso a tratamento e serviços de saúde, bem como para a procura de ajuda física e mental para internalizar e não revelar o seu consumo. São sugeridas estratégias de intervenção diferenciadas que levam em consideração a situação das mulheres, as suas práticas e rituais de uso, mas também não as estigmatizam pelo seu estilo de consumo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alejandra García de Loera, Universidad Autónoma de Aguascalientes

Doutora em Estudos Socioculturais pela Universidade Autónoma de Aguascalientes, México. Investigadora em estudos críticos sobre o consumo de substâncias. Realizou estágios de investigação na FLACSO Equador, no CIDE e na Universidade de Caldas, integrando a sua experiência e conhecimento no seu trabalho académico. Atualmente, sou membro da Sociedade Internacional para o Estudo de Políticas de Drogas (ISSDP).

Lourdes Angulo Corral, Integración Social Verter

Especialização em Estudos de Género e Educação, Universidade Pedagógica Nacional (UPN Unidade Mexicali). Diretora da associação Integração Social Verter. Licenciada em Administração Pública e Ciências Políticas, com mais de 15 anos de experiência como ativista e defensora dos direitos humanos. Reduz os riscos e danos do consumo de substâncias psicoativas e defende os direitos sexuais e reprodutivos dos jovens. Cofundadora e diretora da Integração Social Verter, AC, e promotora do primeiro local para o consumo de substâncias injetáveis para mulheres no México e na América Latina.

Pablo González Nieto, Universidad de Victoria

Mestrado em Ciências, Universidade de Victoria, Canadá (UVIC). É assistente de investigação no Instituto Canadiano para a Investigação sobre o Uso de Substâncias (CISUR) e trabalha na redução de danos e análise de substâncias. Colabora como investigador com a organização mexicana Verter. A sua formação centra-se no estudo de ambientes de risco para pessoas que injetam drogas na fronteira norte do México. Participou em projetos de investigação e serviços de redução de danos no México, Canadá e Países Baixos.

Jaime Arredondo Sánchez Lira, Universidad de Victoria

Doutor em Saúde Pública Global pela Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Professor assistente na Escola de Saúde Pública e Política Social da Universidade de Victoria, Canadá (UVIC) e investigador do Instituto Canadiano de Investigação sobre o Consumo de Substâncias (CISUR).

David Goodman-Meza, Universidad de California, Los Ángeles

Doutor em Medicina pela Universidade Autônoma da Baixa Califórnia, México. Investigador associado do Instituto Kirby da Universidade de Nova Gales do Sul em Sydney, Austrália. É especialista clínico-científico em doenças infecciosas e transtornos relacionados ao consumo de substâncias. Tem experiência no uso de inteligência artificial para identificar pessoas que injetam drogas e avaliar resultados clínicos a partir de históricos médicos eletrónicos, bem como em ensaios clínicos. Anteriormente, trabalhou nos Estados Unidos, onde recebeu várias bolsas do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA).

Referências

AHERN, J.; STUBER, J.; GALEA, S. Stigma, discrimination and the health of illicit drug users. Drug and Alcohol Dependence, v. 82, n. 2-3, 2007, p. 188-196.

ASENCIO MARTÍNEZ, C. Pactando con el diablo: problemas metodológicos y éticos de la investigación en contextos violentos. Acta Sociológica, v. 75, 2018, p. 87–111.

BECK, U. Risck Society. Towards a New Modernity. London: SAGE Publications, 1992.

BECKER, H. Outsiders: Hacia una sociología de la desviación. Primera, Buenos Aires: Siglo XXI Editores, 2014.

BELETSKY, L.; BAKER, P.; ARREDONDO, J.; EMUKA, A.; GOODMAN-MEZA, D.; MEDINA-MORA, M.E.; WERB, D.; DAVIDSON, P.; AMON, J.J.; STRATHDEES S.; MAGIS-RODRIGUEZ, C. The global health and equity imperative for safe consumption facilities. Lancet, v. 392, n.10147, 2018, 553–554.

BIANCARRELI, D.L.; BIELLO, K.B.; CHILDS, E.; DRAINONI, M.; SALHANEY, P.; EDEZA, A.; MIMIAGA, M.J.; SAITZ, R.; BAZZI, A.R. Strategies used by people who inject drugs to avoid stigma in healthcare settings. Drug Alcohol Dependence, v. 1, n. 198, 2019, p. 80-86.

BROYLES, L.M.; BINSWAGNER, I.A.; JENKINS, J. A.; FINELL, D.S.; FASERU, B.; CAVAIOLA, A.; PUGATCH, M.; GORDON, A. J. Confronting Inadvertent Stigma and Pejorative Language in Addiction Scholarship: A Recognition and Response. Substance Abuse, v. 35, n. 3, p. 217–221.

CHARMAZ, K. Constructing Grounded Theory: A Practical Guide through Qualitative Analysis. London: SAGE Publications, 2006.

DERRIDA, J. Retóricas de la droga. Revista Colombiana de Psicología, v. 4, 1995, p. 33-44,

GIBSON, K.; HUTTON, F. Women Who Inject Drugs (WWID): Stigma, Gender and Barriers to Needle Exchange Programmes (NEPs). Contemporary Drug Problems, v. 48, n. 3, 2021,

p. 276–296.

GOFFMAN, E. Stigma: Notes on the Management of Spoiled Identity. Prentice-Hall, 1963.

GONZALEZ-NIETO, P.; SALIMIAN, A.; ARREDONDO, J.; ANGULO, L.; GARCÍA DE LOERA, A.; SLIM, S.; SHOPTAW, S.; CAMBOU, M.C.; PITPITAN, E.V.; GOODMAN-MEZA, D. Intersections between syndemic conditions and stages along the continuum of overdose risk among women who inject drugs in Mexicali, Mexico. Harm Reduction Journal, v. 20, n. 1, 2023, p. 79.

GOODMAN-MEZA, D.; ARREDONDO, J.; SLIM, S.; ANGULO, L.; GONZALEZ-NIETO, P.; LOERA, A.; SHOPTAW, S.; CAMBOU, M.; PITPITAN, E. Behavior change after fentanyl testing at a safe consumption space for women in Northern Mexico: A pilot study. International Journal of Drug Policy, 106, 2022, p. 103745.

HALLAM, C.; BEWLEY-TAYLOR, C.; JELSMA, M. La clasificación en el sistema internacional de control de drogas. Serie Reforma Legistaliva En Materia de Drogas, v, 25, 2014.

LEDFORD, V.; LIM, J.R.; NAMKOONG, K.; CHEN, J.; QIN, Y. The Influence of Stigmatizing Messages on Danger Appraisal: Examining the Model of Stigma Communication for Opioid-Related Stigma, Policy Support, and Related Outcomes. Health Communication, v. 37, n. 14, 2022, p. 1765–1777.

LLORT SUÁREZ, A.; FERRANDO ESQUERRÉ, S.; BORRÁS CABACÉS, T.; PURROY ARITZETA, I. El doble estigma de la mujer consumidora de drogas: estudio cualitativo sobre un grupo de auto apoyo de mujeres con problemas de abuso de sustancias. Alternativas. Cuadernos De Trabajo Social, v. 20, 2013, p. 9–22.

MANTECÓN, A.; JUAN, M., CALAFAT, A.; BECOÑA, E.; ROMÁN, E. Respondent-Driven Sampling: un nuevo método de muestreo para el estudio de poblaciones visibles y ocultas. Adicciones, v. 20, n. 2, 2018, p. 161–170.

MARCO, A.; SEGOVIA-MINGUET, O.; CALVO, F.; CARBONELL, J. El estereotipo de “heroinómano” como chivo expiatorio del consumo de drogas normalizado: estigma y personas con drogodependencias. Revista de Educación Social, n. 32, 2021, p. 424–446.

MARTÍNEZ ORÓ, D.P. La gestión del estigma de los consumidores recreativos de drogas. Revista Académica y Profesional Sobre Adicciones, v. 27, 2015, p. 63–70.

MUÑOZ-ROBLES, M.; ROJAS-JARA, C. (Trans)formación del habitus y revolución científica : una superación del paradigma prohibicionista en el campo de las drogas. Cultura Y Droga, v. 24, n. 28, 2019, p. 43-61.

NEWCOMBE, R. INTOXIPHOBIA. A Review of the International Literature on Discrimination against People who Use Drugs and A Charter of Rights for People who Use Drugs.

O’SHAY-WALLACE, S. “We Weren’t Raised that Way”: Using Stigma Management Communication Theory to Understand How Families Manage the Stigma of Substance Abuse. Health Communication, 2019.

OSPINA-ESCOBAR, A. Entre el orgullo y la vergüenza. El espectro emocional de las biografías de varones que se inyectan drogas en Hermosillo, Sonora. Revista Cultura y Representaciones Sociales, n. 26, 2019, p. 337–372.

OSPINA-ESCOBAR, A. (2020). Violencia sexual y reproductiva hacia mujeres que se inyectan drogas en la frontera norte de México. ¿La frontera de los derechos? Cultura Y Droga, v. 25, n. 30, 2020, p. 114–143.

RAFFUL, C.; LÓPEZ, A.; CONTRERAS-VALDES, J. A.; MORALES, M.; JIMÉNEZ-RIVAGORZA, L.; OROZCO, R. Substance use stigma mechanisms scale: Factor structure, reliability, and validity in Mexican adults that use drugs. Drug and Alcohol Dependence, 233, 2022.

REINERMAN, C. (1994). The Social Construction of Drug Scares. En ADLER, P.; ADLER, P. (Eds.), Constructions of Deviance: Social Power, Context, and Interaction. Boston, Cengage Learning, 1994.

SHIRLEY-BEAVAN, S.; ROIG, A.; BURKE-SHYNE, N.; DANIELS, C.; CSAK, R. (2020). Women and barriers to harm reduction services: a literature review and initial findings from a qualitative study in Barcelona, Spain. Harm Reduction Journal, v. 17, n. 1, 78, 2020

SISTEMA DE VIGILANCIA EPIDEMIOLÓGICA PARA LAS ADICCIONES (SISVEA). Informe SISVEA 2020. México.

SISTEMA DE VIGILANCIA EPIDEMIOLÓGICA PARA LAS ADICCIONES (SISVEA). Informe SISVEA 2021. México.

SMITH, R. A. Language of the Lost: An Explication of Stigma Communication. Communication Theory, v. 17, 2007, p. 462–485.

SMITH, R. A.; BISHOP, R. E. Insights into stigma management communication theory: Considering stigmatization as interpersonal influence. Journal of Applied Communication Research, v. 47, n. 5, 2010, p. 571–590.

SPOONER, C.; SAKTIAWATI, A.; LAZUARDI, E.; WORTH, H.; SUBRONTO, Y.; PADMAWATI, R. Impacts of stigma on HIV risk for women who inject drugs in Java: A qualitative study. International Journal of Drug Policy, v. 26, n. 12, 2015, p. 1244–1250.

STONE, R. Pregnant women and substance use: fear , stigma , and barriers to care. Health and Justice, v. 3, n. (1–15), 2015.

STRAUSS, A.; CORBIN, J. Basics of Qualitative Research: Grounded Theory Procedures and Techniques. London: Sage Publications, Inc, 1994

UNITED NATIONS OFFICE ON DRUG AND CRIME (UNODC). World Drug Report 2022. Global Overview : Drug Demand, Drug Supply. Vienna, 2022.

VILLATORO-VELÁZQUEZ, J. A.; RESENDIZ-ESCOBAR, E.; MUJICA-SALAZAR, A.; BRETÓN-CIRRET, M.; CAÑAS-MARTÍNEZ, V.; SOTO-HERNÁNDEZ, I.; MENDOZA-ALVARADO, L. Reporte de drogas. Encuesta Nacional de Consumo de Drogas, Alcohol y Tabaco, ENCODAT 2016-2017. México, 2017.

WEBER, A.; MISKLE, B.; LYNCH, A.; ARNDT, S.; ACION, L. Substance Use in Pregnancy: Identifying Stigma and Improving Care. Substance Abuse and Rehabilitation, v. 12, 2021, p. 105–121.

Publicado

03-02-2026

Como Citar

GARCÍA DE LOERA, Alejandra; ANGULO CORRAL, Lourdes; GONZÁLEZ NIETO, Pablo; ARREDONDO SÁNCHEZ LIRA, Jaime; GOODMAN-MEZA, David. ESTIGMA TRIPLO: Mulheres que injetam substâncias psicoativas ilegais em Mexicali, México. Revista Brasileira de Segurança Pública, [S. l.], v. 20, n. 1, p. 220–247, 2026. DOI: 10.31060/rbsp.2026.v20.n1.2122. Disponível em: https://revista.forumseguranca.org.br/rbsp/article/view/2122. Acesso em: 3 fev. 2026.