Gestão de organizações de segurança pública

uma análise da cultura de segurança

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31060/rbsp.2022.v16.n2.1359

Palavras-chave:

Gestão, Organizações de segurança pública, Cultura de segurança, Grau de maturidade de segurança

Resumo

Este artigo tem como objetivo avaliar a maturidade da cultura de segurança em uma organização de segurança pública, a Academia Nacional de Polícia (ANP). Foi realizada pesquisa documental, além de entrevistas com gestores, e aplicados questionários com amostra de 243 servidores, colaboradores e alunos de cursos de formação profissional de policiais federais. Os resultados demonstram baixo índice de maturidade da cultura de segurança quanto à estrutura e à aprendizagem organizacional, bem como elevado grau de maturidade relacionado aos fatores informação, envolvimento, comunicação e comprometimento. Os dados indicam que não há efetiva cultura de segurança implantada na ANP, uma vez que foram identificados elementos e fatores em estágios iniciais do grau de maturidade. E, de acordo com a literatura, somente se pode afirmar que existe concreta cultura de segurança em uma organização quando todos os seus fatores são avaliados nos estágios superiores de grau de maturidade. 

 

Biografia do Autor

Aline Costa Almeida Araújo, Escola Superior de Polícia

Escrivã de Polícia Federal. Especialista em Ciências Policiais pela Escola Superior de Polícia Federal (2020), Graduada em Direito pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (2001). Professora da Academia Nacional de Polícia (ANP/PF)

Andersson Pereira Dos Santos, Escola Superior de Polícia

Delegado de Polícia Federal. Doutor em Administração pela Universidade de Brasília - UnB (2021). Coordenador de Recrutamento e Seleção da Polícia Federal. Professor e Tutor da Academia Nacional de Polícia - ANP/PF.

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Publicado

2022-03-23

Como Citar

Araújo, A. C. A. ., & Dos Santos, A. P. . (2022). Gestão de organizações de segurança pública: uma análise da cultura de segurança. Revista Brasileira De Segurança Pública, 16(2), 182–201. https://doi.org/10.31060/rbsp.2022.v16.n2.1359