Melhorando a qualidade do contato entre policiais e cidadãos

os treinamentos em “procedural justice”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31060/rbsp.2022.v16.n2.1313

Palavras-chave:

Policiamento, Treinamento policial, Legitimidade policial, Justiça procedimental

Resumo

Este artigo apresenta um levantamento sobre treinamentos em justiça procedimental (procedural justice) realizados por agências policiais. Esses treinamentos, fundamentados nos estudos pioneiros de Tom R. Tyler acerca da legitimidade, têm como objetivos aperfeiçoar os procedimentos dos policiais nos atendimentos à população, melhorar a qualidade da relação entre policiais e cidadãos e, consequentemente, aumentar a legitimidade das autoridades policiais. Por meio de documentos primários e secundários, identificamos os treinamentos já implementados e selecionamos quatro deles para analisarmos mais detalhadamente. A análise mostrou como diferentes polícias, que apresentam diferentes históricos e atuam em contextos sociais bastante distintos, apropriam-se dos conceitos de justiça procedimental no intuito de intervir tanto em problemas estruturais quanto em questões mais pontuais do policiamento. 

Biografia do Autor

Viviane de Oliveira Cubas, NEV-USP

Pesquisadora do NEV-USP. Doutora e Mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo e Bacharel em Ciências Sociais pela mesma universidade. Atua principalmente nos seguintes temas: violência, polícia, segurança pública, segurança privada, direitos humanos.

Gabriel Funari, Núcleo de Estudos da Violência-USP

Atualmente é doutorando em Sociologia pela Universidade de Oxford, estudando milícias e grupos de extermínio em Belém do Pará. Foi pesquisador do NEV-USP. Mestre em Estudos Latino-americanos pela Universidade de Cambridge e Bacharel em Relações Internacionais pela American University.

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Publicado

2022-03-23

Como Citar

de Oliveira Cubas, V., & Funari, G. (2022). Melhorando a qualidade do contato entre policiais e cidadãos: os treinamentos em “procedural justice”. Revista Brasileira De Segurança Pública, 16(2), 48–69. https://doi.org/10.31060/rbsp.2022.v16.n2.1313